Traduzir
Participe de nossos abaixo-assinados
Petição Pública
Prezado Leitor, sua participação é muito importante para nós. Pedimos que, no site www.peticaopublica.com.br,
para cada abaixo-assinado de que você queira participar, digite seu nome completo, RG ou CPF e e-mail. Aproveite para recomendar o site a sua rede de contatos. Obrigada.
Lista de Links

Clipping

TEMER consegue o pior resultado das contas públicas do primeiro semestre em vinte e um anos, mesmo com todas suas medidas de “ajuste fiscal”

26/07/2017

 

Quase 100% das vagas criadas no setor privado são informais, diz IBGE

Cerca de 1,7 milhão dos postos de trabalho gerados em 2017 são voltados para a informalidade

Quase 100% das vagas criadas no setor privado são informais, diz IBGE

Quase 100% das vagas geradas no setor privado neste ano foram informais, segundo análise do IBGE baseada nos dados extraídos da pesquisa Pnad Contínua, divulgada nesta quinta-feira (30) pelo instituto.Os cálculos de Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, são aproximados e demonstram a tendência de informalidade verificada na geração de emprego recente no país.

A Pnad Contínua mostra que cerca de 2,3 milhões de postos foram criados em 2017, desde o trimestre iniciado em fevereiro.

Destas, Azeredo avalia que cerca de 1,7 milhão são postos voltados para a informalidade, ou seja, é possível afirmar que 76% das vagas geradas dentro do ano têm características informais. O restante foi serviço público (511 mil).

São vagas geradas no trabalho sem carteira (721 mil), empregadores (187 mil), trabalhadores domésticos (159 mil) e por conta própria (676 mil) -modalidades consideradas de menor qualidade em relação aos postos com carteira assinada, protegidos pela lei trabalhista. É o trabalhador que perdeu o emprego formal na construção e passou a atuar com pedreiro independente em pequenas obras, contratando ajudantes, o que o coloca na categoria de empregador. Também pode ser aquele que passou revender comida feita em casa ou cosméticos, por exemplo, encaixando-se na modalidade do conta própria.

Os empregos com carteira ficaram em 17 mil no período, um número considerado pequeno do ponto de vista estatístico.

“É possível fazer essa aproximação porque, no momento em que o trabalho por conta própria está aumentando, parte expressiva das vagas de empregadores também têm grandes chances de serem informais”, diz Azeredo.

A conta é aproximada. Dentro do grupo de trabalhadores por conta própria e empregadores pode haver uma minoria de pessoas que não estão em características informais.

Tamanha informalidade se explica pela crise. “Tem uma crise econômica e um cenário político conturbado que, de certa forma, inibe o processo de empreender e, consequentemente, cresce a informalidade. As pessoas estão entrando no mercado através de alimentação, comércio, uma construção de baixa qualidade”, diz o coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE.

“O que se vê é uma aumento através da informalidade. Há crescimento na construção, no serviço doméstico, ambulantes, serviços de beleza, salão de cabeleireiro, manicure”, afirma Cimar Azeredo.

Segundo ele, esse processo não alterou o rendimento do trabalhador individualmente, mas trouxe um aumento da massa de rendimento no país, deixando a esperança de que a economia se movimente para a vinda de uma retomada de postos de trabalho formais no futuro próximo.

“Essa entrada expressiva de pessoas no mercado de trabalho trouxe um aumento da massa de rendimento. E esse aumento é importante, ainda que venha através da informalidade, porque movimenta a economia”, afirma.Com informações da Folhapress.

Fonte: Notícias ao minuto

1,5 milhão de servidores estaduais correm o risco de não receber o 13º

Cerca de 1,5 milhão de servidores estaduais correm o risco de não receber o 13.º salário até o fim do ano. Em situação fiscal delicada, os Estados do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte e Minas Gerais já enfrentam dificuldades mensalmente para levantar recursos para arcar com a folha de pagamento e seus funcionários devem penar para receber o salário extra. No Piauí, os servidores públicos já receberam 50% do 13.º, mas o governo ainda não sabe como fazer para pagar a segunda parcela.

No Rio Grande do Sul, será o terceiro ano consecutivo em que os funcionários não receberão no prazo. O 13.º de 2015 foi pago aos trabalhadores apenas em junho do ano seguinte, com correção de 13,67% – o valor médio cobrado por empréstimos bancários tomados pelos servidores à época.

O salário extra do ano passado foi parcelado em dez vezes e, agora, não há definição em relação ao de 2017. “Não temos nenhuma previsão (de quando o pagamento será feito)”, disse o secretário da Fazenda do Rio Grande do Sul, Giovani Feltes.

municipal--protesto: Alvo. Protesto dos servidores do Theatro Municipal, no Rio© FABIO MOTTA/ESTADÃO-31/10/2017 Alvo. Protesto dos servidores do Theatro Municipal, no Rio

De acordo com ele, o 13.º dos servidores depende da recuperação da economia do Estado – que permitirá uma arrecadação maior –, da operação de venda de ações do Banrisul e da assinatura do regime de recuperação fiscal com o governo federal. “Esperamos fechar com o governo e concluir a operação do Banrisul em dezembro. Disso depende não só o pagamento (do salário extra), mas todo o Rio Grande do Sul.”

No Estado, há quase dois anos, o salário mensal dos 342 mil funcionários, aposentados e pensionistas é pago com atraso – de duas semanas, em média. A folha de pagamento soma cerca de R$ 1,4 bilhão, mas R$ 800 milhões costumam faltar todos os meses.

No Rio de Janeiro, que fechou acordo de recuperação fiscal com o governo federal em setembro, as perspectivas também são bastante ruins para os servidores públicos: quase metade dos 470 mil trabalhadores ainda não receberam nem o 13.º do ano passado, e 15 mil deles não viram o pagamento de agosto.

Com uma folha mensal de R$ 1,7 bilhão, o Estado aguarda empréstimo de R$ 2,9 bilhões – que faz parte do pacote de resgate financeiro – para pagar os trabalhadores, informou, em nota, a Secretaria da Fazenda.
Com 99 mil servidores e uma folha de R$ 365 milhões, o Piauí já pagou aproximadamente R$ 180 milhões em 13.º salário neste ano – os funcionários recebem a primeira parcela no mês de aniversário. Para quitar o restante, porém, ainda não há recursos disponíveis.

“Estamos pagando só as despesas essenciais para tentarmos cumprir o prazo (de pagamento), que é 20 de dezembro”, diz o superintendente do Tesouro, Emílio Júnior.

Todos os anos, o Estado precisa levantar recursos extraordinários para arcar com o salário extra, de acordo com Júnior. Neste ano, o governo espera levantar recursos com o Refis, que permitirá que os contribuintes parcelem suas dívidas. “Essa é a luz no fim do túnel”, acrescenta.

Sem previsão. Em Minas Gerais e Rio Grande do Norte, que também integram a lista de Estados em situação fiscal complicada, os governos têm pago, desde 2016, os trabalhadores de forma escalonada: primeiro recebem os que têm salários mais baixos e, conforme entram recursos, os demais. A Secretaria de Fazenda de Minas informou que não há definição sobre o pagamento do 13.º. Já a secretaria do Rio Grande do Norte afirmou que pretende pagar o salário ainda em dezembro.

Para a economista Ana Carla Abrão Costa, que foi secretária da Fazenda de Goiás no governo de Marconi Perillo (PSDB), é natural que os Estados tenham dificuldade para pagar o 13.º, pois a maioria deles compromete mais de 60% das receitas com salários. “A despesa com folha de pagamentos está fora da lei (superando o limite de 60% da arrecadação), e a receita dos Estados não tem 13.º”, destaca.

Ana Carla afirma que os Estados que pagam o salário extra ao longo do ano – no mês de aniversário de cada servidor, por exemplo – acabam diluindo a despesa e costumam ter menos problemas em dezembro. A situação fiscal dos Estados, acrescenta, piorou a partir de 2011, quando eles aceleraram o endividamento, e se agravou ainda mais com a crise econômica, que reduziu a arrecadação.

Fonte: MSN

União cobrará alíquota de 14% de mais de 700 mil servidores

Contribuição maior entra em vigor a partir de fevereiro

 O aumento da contribuição previdenciária de 11% para 14% que a União vai implementar atingirá 711.446 servidores federais. Os números foram informados pelo Ministério do Planejamento, a pedido da Coluna. Desse total, 472.597 são da ativa e 238.849 aposentados. A cobrança será implementada por medida provisória, assinada ontem pelo presidente Michel Temer, e que será publicada hoje.
Temer assinou ontem MPs que serão publicadas hoje; textos têm que ser aprovados pelo CongressoMarcelo Camargo / ABR

Essa medida abrangerá quem ganha mais de R$ 5.531,31 (que é o teto do INSS) e valerá a partir de fevereiro, pois como se trata de contribuição social, a eficácia é após 90 dias da publicação da MP. A elevação da contribuição é mais uma das ações de ajustes do governo federal para o Orçamento de 2018, com déficit de R$ 159 bilhões.

Segundo o ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, o impacto no Orçamento para 2018 com a elevação da contribuição previdenciária será de R$ 2,2 bilhões, acima do valor de R$ 1,9 bilhão previsto inicialmente. Oliveira também confirmou que a cobrança valerá em fevereiro, conforme a Coluna informou no último dia 19.

Ampliação da alíquota

Na prática, haverá uma ampliação da alíquota para quem ganha acima de R$ 5.531,31. “Para aqueles que recebem mais que o teto do RGPS (Regime Geral de Previdência Social), a parcela superior ao teto será tributada em 14%”, explicou Oliveira.

O ministro deu um exemplo, arredondando (para baixo) o valor de R$ 5.531,31 para R$ 5.000: “Assim, um cidadão que ganha R$ 5.001 vai pagar 11% sobre R$ 5.000 e os 14% serão tributados sobre o R$ 1 (um real) naquela mesma sistemática do Imposto de Renda”.

Outra medida provisória assinada ontem pelo presidente e que afetará diversas categorias é a de adiamento de reajustes. Segundo Oliveira, o impacto, com mais esse ajuste, será de R$ 5 bilhões. “O adiamento vale para aquelas categorias mais bem remuneradas e que tinham anteriormente feito acordo de reajustes por um período de quatro anos”, disse.

O funcionalismo prometeu reagir a essa medida. Entre as carreiras afetadas estão as de auditores fiscais do Ministério do Trabalho, auditores fiscais da Receita Federal, analistas tributários da Receita Federal, analistas e especialistas em Infraestrutura, oficiais de chancelaria do serviço exterior brasileiro, policiais rodoviários federais, servidores do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), auditores fiscais agropecuários, e outras.

Concursos mantidos em 2018

Outras medidas referentes ao funcionalismo que já haviam sido lançadas por Temer também estão na conta para o Orçamento de 2018. São elas: a de Programa de Demissão Voluntária (PDV), licença sem remuneração e redução de jornada de trabalho.

Mas apesar de estimular a saída de servidores de alguns órgãos, a União prevê a contratação de outros na mesma quantidade, o que significa a possibilidade de novos concursos para o ano que vem. Dyogo Oliveira garantiu que essas reposições serão limitadas ao número de vagas que ficarem em aberto, seja por demissões ou por aposentadoria. O impacto dessas contratações nas despesas deve ser de R$ 600 milhões.

Já outras ações que foram prometidas não devem sair agora: a readequação das carreiras, com a limitação dos salários iniciais a R$ 5 mil, não foi enviado ao Congresso ainda porque não teria impacto no Orçamento. Segundo Dyogo, essa medida será enviada ao Congresso por projeto de lei.

 Fonte: O Dia

Ipea: Mesmo com retomada econômica, desemprego deve demorar a cair

Jovens continuam sendo as principais vítimas do desemprego

Ipea: Mesmo com retomada econômica, desemprego deve demorar a cair

 

Apesar da retomada do nível de atividade econômica no país, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) avalia que ainda é prematuro falar em tendência à queda da taxa de desemprego. A informação consta da 63ª edição do Boletim Mercado de Trabalho, divulgado nesta terça-feira (31) pelo instituto.

No trimestre encerrado em setembro, a desocupação atingiu o índice mais baixo do ano, de 12,4%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – o que representa um recuo de 0,6 ponto percentual em comparação com o segundo trimestre, finalizado em junho.

De acordo com os técnicos do Ipea, a efetiva redução do desemprego é prejudicada por ao menos dois motivos. Primeiro, porque a maior oferta de vagas de trabalho está concentrada no setor informal. Segundo, porque é normal que os efeitos da recuperação econômica demorem a se refletir no mercado de trabalho.

Com base na taxa média de desemprego medida pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do IBGE, o boletim do Ipea aponta que a taxa de desemprego aumentou 2,3 pontos percentuais (p.p.) no primeiro semestre de 2017, em comparação ao mesmo período de 2016, passando de uma média de 11,1% para 13,4%. Enquanto o primeiro semestre do ano registrou uma média de 89,6 milhões de pessoas ocupadas, no mesmo período de 2016 a taxa era de 90,7 milhões de trabalhadores ocupados.

Conforme já registrado nas duas últimas edições do boletim, os jovens entre 14 e 24 anos são as principais vítimas do desemprego. A taxa de desocupação nesse grupo, atingiu 30,4% no primeiro semestre deste ano, um aumento de 3,8 pontos percentuais em relação ao mesmo período de 2016.

Entre os adultos de 25 a 59 anos e entre os idosos (acima de 60 anos), também foi constatada elevação no valor médio das taxas de desemprego entre os primeiros semestres de 2016 e de 2017. Para o primeiro grupo, a variação média entre os dois períodos foi de 2 pontos percentuais. Já para a população acima dos 60 anos, a taxa de desemprego aumentou, em média, 1 ponto percentual.

Regionalmente, o Nordeste apresentou a maior variação da taxa média de desemprego durante o primeiro semestre de 2017 em comparação ao mesmo período do ano anterior, com um crescimento de 3,1 ponto percentual. Comparando o segundo trimestre deste ano – quando são identificados indicadores condizentes com um eventual início de recuperação do mercado de trabalho – com os três meses anteriores, as regiões Norte e Centro-Oeste registraram as maiores quedas na taxa de desemprego.

Considerando o quesito gênero, o aumento no valor médio das taxas de desemprego foi praticamente o mesmo para homens (2,1 p.p.) e mulheres (2,4 p.p.) quando comparados os resultados de janeiro a junho deste ano e o mesmo período de 2016. Os trabalhadores com ensino fundamental completo e que ainda não concluíram o ensino médio foram os mais impactados por esse aumento na taxa média de desemprego durante o primeiro semestre do ano.

A partir de dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado pelo Ministério do Trabalho, o boletim destaca que, no segundo trimestre de 2017, o número de contratações superou o de demissões pela primeira vez desde o quarto trimestre de 2014. Além disso, os resultados dos dois primeiros trimestres de 2017 se aproximaram muito dos registrados nos dois primeiros trimestres de 2016, sinalizando uma interrupção na trajetória de quedas.

Melhora no rendimento médio

Além disso, o Ipea aponta que, no primeiro semestre deste ano, o rendimento médio dos trabalhadores foi de R$ 2.054,62, valor 2,5% superior ao calculado para o mesmo período do ano passado. No boletim divulgado hoje, os técnicos afirmam que este foi o indicador a apresentar o melhor resultado comparativo.

“Nos últimos anos, os principais indicadores vinham registrando uma trajetória de deterioração das condições do mercado de trabalho, no Brasil”, concluem os técnicos do Ipea. “Entretanto, os dados mais recentes para o segundo trimestre mostram uma série de movimentos que interrompem essas trajetórias negativas […] podendo indicar o início de um processo de recuperação”. Com informações da Agência Brasil.

Fonte: Notícias ao Minuto

Após tentar revogar trabalho escravo, governo Temer publica lista de empresas que exploram trabalhador

Imagem de 2003 mostra trabalhadores submetidos a condições análogas a trabalho escravo na fazenda Bom Jesus, na Amazônia.© Reuters Photographer / Reuters Imagem de 2003 mostra trabalhadores submetidos a condições análogas a trabalho escravo na fazenda Bom Jesus, na Amazônia.

Na esteira da portaria que torna flexível o conceito de trabalho escravo no Brasil, o governo Michel Temer voltou a atualizar o cadastro de empregadores que submetem seus trabalhadores a condições análogas à de escravos. O Ministério do Trabalho publicou a chamada “lista suja” do trabalho escravo nesta sexta-feira (27).

No total, são 131 estabelecimentos que exploram os trabalhadores, entre fazendas, carvoarias, construtoras, oficinas de costura etc.

Nesta semana, a ministra Rosa Weber, do STF (Supremo Tribunal Federal), suspendeu a regra que limita a fiscalização de trabalho escravo.

De acordo com a portaria nº 1.129, de 2017, para ser considerada condição análoga à de escravo é preciso que o trabalhador esteja em condição de submissão “sob ameaça de punição, com uso de coação, realizado de maneira involuntária”.

Outra exigência é o cerceamento do uso de qualquer meio de transporte por parte do trabalhador, com o fim de retê-lo no local de trabalho em razão de dívida contraída com o empregador.

Para caracterizar a violação é preciso que haja manutenção de segurança armada com o fim de reter o trabalhador no local de trabalho em razão de dívida contraída com o empregador e retenção de documentação pessoal do trabalhador.

O texto define ainda trabalho forçado, jornada exaustiva e condição degradante, que inclui violação de direitos fundamentais, cerceamento da liberdade de ir e vir e privação da dignidade.

Antes, os fiscais usavam conceitos da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e do Código Penal para determinar o que é trabalho escravo.

Assim, com as novas regras do governo, barradas no STF, situações a seguir não poderiam ser alvo de atuação do Ministério Público do Trabalho:

– Dormir em cima de fezes de animais;

– Dividir o celeiro com porcos;

– Viver embaixo de uma lona preta;

– Não ter comida, água ou ambientes próprios para higiene;

– Jornadas de trabalho que alcançam 200 dias seguidos.

A decisão de Rosa Weber, que tem caráter provisório, foi uma resposta ao pedido da Rede Sustentabilidade, que pediu a anulação dos efeitos da portaria do governo Temer. Com a liminar, a nova regra fica suspensa até que o STF tome uma decisão definitiva sobre o assunto.

Fonte: MSN

Portaria do governo dificulta comprovação de trabalho escravo

trabalhoescravoagenciabrasilmarcellocasaljr: A portaria também altera a norma que criou o cadastro de empregadores que submetem trabalhadores a condições análogas à escravidão, a ‘lista suja'© Agência Brasil A portaria também altera a norma que criou o cadastro de empregadores que submetem trabalhadores a condições análogas à escravidão, a ‘lista suja’

Ministério do Trabalho publicou no Diário Oficial da União (DOU) a Portaria 1129/17, que regulamenta a concessão de seguro-desemprego a pessoas resgatadas de trabalho análogo à escravidão no país. Esse benefício já é concedido desde 2003.

A portaria define quatro situações que configuram regime de trabalho forçado ou análogo ao de escravo e que devem ser observadas pelos fiscais na inspeção de propriedades e documentadas para comprovar as condições de trabalho das vítimas.

As exigências valem para o enquadramento dos casos no crime e permitir a inclusão dos empregadores na chamada “lista suja do trabalho escravo”. Os empregadores incluídos nessa lista terão assegurados o exercício do contraditório e de ampla defesa.

A portaria também altera a norma que criou o cadastro de empregadores que submetem trabalhadores a condições análogas à escravidão, a ‘lista suja’.

Na prática, a portaria dificulta a punição de flagrantes situações degradantes. Diz a definição de condição análoga à de escravo: “A submissão do trabalhador a trabalho exigido sob ameaça de punição, com uso de coação, realizado de maneira involuntária; o cerceamento do uso de qualquer meio de transporte por parte do trabalhador, com o fim de retê-lo no local de trabalho em razão de dívida contraída com o empregador ou preposto, caracterizando isolamento geográfico; a manutenção de segurança armada com o fim de reter o trabalhador no local de trabalho em razão de dívida contraída com o empregador ou preposto; a retenção de documentação pessoal do trabalhador, com o fim de reter o trabalhador no local de trabalho”. A portaria ainda define trabalho forçado, jornada exaustiva e condição degradante.

A portaria foi publicada uma semana depois da exoneração do chefe da Divisão de Fiscalização para Erradicação do Trabalho Escravo (Detrae) do Ministério do Trabalho, André Esposito Roston. A exoneração dele foi repudiada por entidades, como Comissão Pastoral da Terra, Ministério Público do Trabalho, Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, entre outras.

“A fiscalização é a base do sistema de combate a esse crime. E, sem uma fiscalização confiável, não há como produzir informação para subsidiar as ações da sociedade civil e do setor empresarial. […] Estamos convictos de que a exoneração compromete a erradicação dessa violação aos direitos humanos e revela a inexistência de vontade política e o descompromisso do atual governo com o enfrentamento do problema”, diz a nota de repúdio.

As entidades mencionam informações dos jornais Folha de S. Paulo e O Globo, de que Roston foi dispensado porque desagradou ao governo ao informar a falta de recursos para o combate ao trabalho escravo em audiência pública realizada no Senado Federal.

O Ministério do Trabalho negou que a exoneração de Roston vá prejudicar as ações de combate ao trabalho escravo. Sobre a Portaria, a pasta informa  que “o combate ao trabalho escravo é uma política pública permanente de Estado, que vem recebendo todo o apoio administrativo desta pasta, com resultados positivos concretos relativamente ao número de resgatados, e na inibição de práticas delituosas dessa natureza, que ofendem os mais básicos princípios da dignidade da pessoa humana”.

“Reitera-se, ainda, que o Cadastro de Empregadores que submeteram trabalhadores à condição análoga a de escravo é um valioso instrumento de coerção estatal, e deve coexistir com os princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório”, afirma a nota.

O vice-coordenador da Coordenadoria Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo, do Ministério Público do Trabalho, Maurício Ferreira Brito , disse que o governo usa uma portaria para modificar o conceito de trabalho análogo ao de escravo previsto no artigo nº 149 do Código Penal, “fazendo-se substituir pelo legislador ordinário”.

“O Ministério Público do Trabalho não ficará inerte diante de mais uma ilegalidade e está reunido, junto com outras entidades, públicas e privadas, para a adoção das medidas judiciais e extrajudiciais na sua esfera de atuação”, afirmou ele.

Comprovação

Para que o auto de infração seja emitido, a portaria exige uma série de comprovantes, como existência de segurança armada diversa da proteção ao imóvel; impedimento de deslocamento do trabalhador; servidão por dívida; e existência de trabalho forçado e involuntário pelo trabalhador.

Segundo a portaria, ao final do processo administrativo, se comprovada a procedência do auto de infração ou do conjunto de autos, a determinação da inscrição do empregador na “lista suja” será do ministro do Trabalho.

Batalha judicial

A publicação da ‘lista suja’ foi alvo de uma batalha judicial e de uma denúncia contra o Brasil na ONU. A lista foi publicada neste ano com atraso.

A publicação da lista havia sido suspensa em 2014 por liminar concedida pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Ricardo Lewandowski para a Associação Brasileira de Incorporadora Imobiliárias. Em 2016, uma decisão liberou a publicação da lista.

Mesmo assim, a divulgação do nome das empresas que submetem seus funcionários a condições análogas à escravidão continuou paralisada. Um dos argumentos utilizados pelo governo para brecar a divulgação era a de que as empresas não teriam direito de se defender e isso poderia prejudicá-las.

Neste ano, após três sentenças judiciais que determinavam o fim do sigilo do cadastro, o Tribunal Superior do Trabalho (TST) aceitou pedido apresentado pela Advocacia-Geral da União (AGU) para suspender a divulgação dos nomes de empresas e pessoas físicas flagradas nas operações de combate ao trabalho forçado. A decisão do presidente do TST, Ives Gandra Martins, foi derrubada por outro ministro da Corte.

A lista deste ano trazia a relação de 68 empregadores flagrados por fiscais do trabalho submetendo seus empregados a situação análoga à escravidão. A maior parte das irregularidades foi registrada em fazendas, 45 no total.

De 2011 até o fim do ano passado, 503 trabalhadores estavam em situação de trabalho degradante.

Fonte: MSN

Servidor: Projetos que afetam funcionalismo chegam em breve ao Congresso

Governo aguarda votação de denúncia contra Temer. Uma das propostas eleva alíquota previdenciária

 O governo federal tenta enviar ao Congresso Nacional em breve — após a votação da segunda denúncia contra o presidente Michel Temer pela Câmara, no fim deste mês — as propostas que afetam ‘em cheio’ o funcionalismo. Entre elas, a que aumenta a alíquota previdenciária de 11% para 14%, a que altera estrutura de carreiras, e a de adiamento de reajustes de algumas áreas. Os projetos, porém, vão provocar uma resposta dos servidores, que já se organizam para freá-los.
O ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, durante divulgação do relatório de receitas e despesas do governo no quarto bimestreDivulgação

Todas as medidas estão sendo levadas em conta na nova Proposta de Lei Orçamentária (PLOA) de 2018 da União, com um déficit de até R$ 159 bilhões acima dos R$ 129 bilhões previstos inicialmente , que ainda tem que ser submetida ao Parlamento. Na última quarta, inclusive, haveria reunião do ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, com a Comissão Mista de Orçamento (CMO) do Congresso. O encontro acabou sendo adiado, pois se ocorresse, começaria a contar o prazo para enviar o texto ao Legislativo, conforme prevê a constituição.

Ao todo, são nove projetos referentes aos servidores, sendo que três já foram lançados por medidas provisórias (MPs): o Programa de Demissão Voluntária (PDV), a redução da jornada e licença sem remuneração. Com isso, há possibilidade de alguns dos outros seis serem lançados também por MPs e outros por textos que tenham de passar pelo aval do Parlamento.

As outras seis medidas são a de aumento da contribuição previdenciária; extinção de cargos; cancelamento de reajuste de cargos comissionados; redução da ajuda de custo e do auxílio-moradia; reestruturação de carreiras; adiamento de reajustes de diversas categorias; além da proposta do Senado que trata do teto remuneratório e que tem apoio do governo.

Reação de servidores

O funcionalismo classifica as medidas como “desmonte do serviço público” e promete forte reação ao governo. Segundo o secretário-geral da Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef), Sérgio Ronaldo da Silva, as categorias organizam cronograma de ações.

“Nos dias 19 e 20, o funcionalismo federal, estadual e municipal discutirá estratégias de enfrentamento. Os projetos são equivocados, pois estão na contramão da legalidade. E se tentarem alguma brecha, vamos questionar (cortes de direitos) na Justiça”, disse.

No Senado: demissão por desempenho

Outra proposta tem provocado ‘dor de cabeça’ aos funcionários públicos do país: o projeto do Senado que permite demissão de servidor estável por “insuficiência de desempenho”. Da senadora Maria do Carmo (DEM-SE), o texto regulamenta artigo da Constituição Federal e recebeu alterações no substitutivo de Lasier Martins (PSD-RS) na CCJ.

Agora, o projeto será discutido pela Comissão de Assuntos Sociais e depois seguirá para as comissões de Direitos Humanos e Legislação e a de Transparência, Governança, Fiscalização e Controle e Defesa do Consumidor.

Segundo o texto, a avaliação do servidor será feita por comissão formada pela chefia do avaliado e mais dois servidores estáveis (um escolhido pelo setor de RH e o outro por sorteio entre os funcionários da unidade). Ele será avaliado por um ano e, no fim, ele receberá um conceito, com possibilidade de melhorar sua nota na avaliação seguinte. Se ele ‘não passar’, entrará em processo de exoneração, podendo recorrer.

Onde se encontra cada medida proposta pela União

PDV: Publicada pela Medida Provisória (MP) 792/2017 e regulamentada em portaria de 12/09/2017.

Licença sem remuneração: MP 792/2017, regulamentada em portaria de 12/09/2017.

Jornada de Trabalho Reduzida: MP 792/2017, regulamentada em 12/09/2017.

Teto Remuneratório: PL 6726/2016 em tramitação na Câmara dos Deputados (governo apoia o PLS da comissão extrateto).

Aumento da alíquota previdenciária: minuta do ato legal está na Casa Civil.

Extinção de cargos: minuta do ato legal está na Casa Civil.

Cancelamento de reajuste de cargos comissionados: minuta do ato legal na Casa Civil.

Limitação da ajuda de custo e do auxílio moradia: minuta do ato legal na Casa Civil.

Reestruturação de Carreiras: em análise no Ministério do Planejamento. Segundo a pasta, a elaboração “do ato legal é complexa pois envolve a elaboração de mais de 900 tabelas”. O trabalho pode ser concluído no fim deste mês.

Adiamento de reajustes: minuta do ato legal na Casa Civil.

Fonte: O Dia

Governo contrata em 6 meses mais servidores do que estima desligar com PDV

De acordo com Ministério do Planejamento, União contratou 7.089 servidores entre fevereiro e julho. Expectativa de adesão a plano de demissão é de 5 mil. Para ministério, não há incoerência.

Embora tenha anunciado a abertura de um PDV com expectativa de adesão de cerca de 5 mil servidores, o governo federal contratou 7.089 servidores a mais do que desligou entre o final de janeiro e o final de julho deste ano, segundo dados do Ministério do Planejamento, que não vê incoerência em relação ao ajuste fiscal do governo (leia mais abaixo).

De acordo com o Painel Estatístico de Pessoal (PEP), do Ministério do Planejamento, ao final de janeiro o governo contava com um total de 581.098 servidores. Ao final de julho, eram 588.187 – diferença, para mais, de 7.089.

Além da meta de corte com o PDV, o número de novos contratados também supera os 4.184 cargos comissionados que o governo diz ter cortado nos últimos meses, e que teriam gerado economia de R$ 202 milhões por ano.

Página do governo mostra total de servidores ao final de janeiro de 2017 (Foto: Ministério do Planejamento)Página do governo mostra total de servidores ao final de janeiro de 2017 (Foto: Ministério do Planejamento)

Página do governo mostra total de servidores ao final de janeiro de 2017 (Foto: Ministério do Planejamento)

Página do governo mostra total de servidores ao final de julho de 2017 (Foto: Ministério do Planejamento)Página do governo mostra total de servidores ao final de julho de 2017 (Foto: Ministério do Planejamento)

Página do governo mostra total de servidores ao final de julho de 2017 (Foto: Ministério do Planejamento)

 

Planejamento não vê incoerência

 

Por meio de sua assessoria de imprensa, o Ministério do Planejamento informou que não vê incoerência na contratação de novos servidores e na adoção de um PDV.

“O aumento da força de trabalho acontece em função de concursos que foram realizados antes da suspensão de novos certames, não caracterizando, assim, uma medida que vai na contramão do ajuste fiscal e nem dos anúncios dos PDVs que estão sendo feitos. Cabe destacar que os concursos permanecem suspensos como medida de contenção de gastos”, informou a pasta.

Segundo o Planejamento, houve contratações, por meio de processo seletivo, de profissionais para médicos residentes, residência multiprofissional, programa Mais Médicos, agentes para os censos do IBGE, professores temporários. Por meio de concursos, as contratações foram de docentes e técnicos de universidades, além de servidores de “carreiras variadas”, como Seguro Social (INSS), e do IBGE.

 

Jornada reduzida e outras medidas

 

Além do PDV, o governo propôs outras medidas para reduzir o gasto com o pagamento de servidores.

Uma delas é a implementação da jornada de trabalho reduzida, que permite que os servidores optar por trabalhar menos horas e ter o salário cortado na mesma proporção. Outra é a licença não remunerada.

PDV, jornada reduzida, licença não remunerada (Foto: Arte/G1)PDV, jornada reduzida, licença não remunerada (Foto: Arte/G1)

PDV, jornada reduzida, licença não remunerada (Foto: Arte/G1)

Para reduzir os gastos com servidores, o governo também propôs várias medidas, que ainda têm de ser aprovadas pelo Congresso Nacional para ter validade:

 

  • Instituição de um teto salarial, limitado ao salário dos ministros do Supremo Tribunal Federal, englobando “todas as verbas” recebidas pelos servidores;
  • Alterações na carreira dos servidores públicos;
  • Aumento da contribuição previdenciária dos servidores públicos, de 11% para 14%;
  • Adiamento de reajustes dos servidores por 12 meses;
  • Extinção de 60 mil cargos que não atendem mais a demandas do trabalho no governo, entre eles de datilógrafos;

 

 

Gastos com servidores

 

Os gastos da União com o pagamento de servidores aumentaram nos últimos três anos em relação ao Produto Interno Bruto (PIB):

 

  • 2014: R$ 222,37 bilhões (3,8% do PIB)
  • 2015: R$ 238,49 bilhões (4% do PIB)
  • 2016: R$ 257,87 bilhões (4,1% do PIB)

 

Segundo o Ministério do Planejamento, o aumento proporcional decorre, principalmente, da recessão na economia, que gerou queda do PIB nos últimos anos e aumentou o peso dos gastos com pessoal.

De acordo com o Ministério do Planejamento, com o programa de demissão voluntária (PDV), será possível economizar cerca de R$ 1 bilhão por ano.

Pelo texto da medida provisória, o servidor que aderir ao PDV receberá, a título de incentivo financeiro, indenização correspondente a 1,25 da remuneração mensal por ano trabalhado no Poder Executivo.

Fonte: G1

Mesmo com cortes, há mais de 800 vagas abertas para servidores federais

Dados do Ministério do Planejamento apontam que há cinco concursos autorizados este ano, que aguardam a publicação do edital; concursos aprovados não serão afetados pelo corte de gastos.

O corte de gastos do governo para cobrir o rombo nas contas públicas atingiu em cheio os servidores públicos.

A equipe econômica anunciou em 15/8/17 o corte de sessenta mil vagas  e disse que não prevê ampliação de quadro de servidores federais, apenas reposição de vagas. Apesar disso, há ainda vagas efetivas para preencher e concursos a serem realizados este ano.

Levantamento do G1 nos dados do Ministério do Planejamento mostra que existem 815 vagas abertas no serviço público federal. Elas se referem a concursos já autorizados pelo órgão, à espera da publicação dos editais.

Em 2017, o Ministério do Planejamento aprovou a abertura de 2.089 vagas. Destas, 1.374 já tiveram as nomeações realizadas. Ainda restam 715 vagas, que se referem a três concursos que foram autorizados e ainda não tiveram os editais divulgados.

Na lista do Planejamento não constam, entretanto, as 100 vagas autorizadas em julho deste ano para a Advocacia Geral da União (AGU). Também não está na lista o concurso autorizado para os Correios em maio, que ainda não tem o número de vagas definido.

O governo ainda tem 357 vagas para preencher de concursos que foram realizados no ano passado, mas os aprovados ainda não foram nomeados.

Vagas abertas para servidores federais

Órgão Situação do concurso Vagas a preencher
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) Realizado em 2016. Parte das vagas não foram preenchidas 78
Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Realizado em 2016. Parte das vagas não foram preenchidas 150
Instituto Nacional do Câncer (Inca) Realizado em 2016. Parte das vagas não foram preenchidas 27
Secretaria Especial da Saúde Indígena do Ministério da Saúde Realizado em 2016. Parte das vagas não foram preenchidas 102
Associação Brasileira de Inteligência (Abin) Autorizado em 2017. Aguarda publicação do edital 300
Ministério da Agricultura Autorizado em 2017. Aguarda publicação do edital 300
Ministério da Defesa Autorizado em 2017. Aguarda publicação do edital 115
Advocacia Geral da União (AGU) Autorizado em 2017. Aguarda publicação do edital 100
Correios Autorizado em 2017. Aguarda publicação do edital indefinido
Fonte: Ministério do Planejamento

Segundo o Ministério do Planejamento, os concursos em andamento e já autorizados são assegurados. No entanto, essa garantia se refere somente a nomeações dentro do número de vagas estabelecidos nos editais e durante o período de validade de cada seleção. Ele pode variar de 6 meses a 2 anos, podendo ser prorrogado por igual período.

 

Enxugamento da folha

 

Ao anunciar o aumento da meta fiscal para déficit de R$ 159 bilhões em 2017 e 2018, o ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, afirmou que não haverá corte de concursos já previstos. As seleções, no entanto, serão realizadas apenas para repor funcionários, sem o objetivo de aumentar o quadro de servidores nos próximos anos.

A suspensão de concursos públicos vem ocorrendo desde 2016 como uma das medidas de ajuste nas contas públicas. Em 2015, ao anunciar a suspensão para o ano seguinte, o governo informou que o congelamento das seleções abrangeria 40389 cargos com o objetivo de economizar R$ 1,5 bilhão.

 

Órgãos livres do corte

 

O Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão é responsável somente pelas autorizações dos concursos públicos do Poder Executivo Federal. Ele não interfere em contratações, por exemplo, nos poderes Legislativo e Judiciário e em alguns cargos federais.

Pela legislação atual, alguns cargos federais não dependem da aprovação do ministério de Planejamento para a realização de concursos. São eles:

 

  • advogado da União, procurador da Fazenda Nacional e procurador federal
  • defensor público da União
  • diplomata
  • policial federal

 

Segundo o ministério, a mesma regra dá autonomia para universidades públicas federais e bancos públicos para realizar novos concursos públicos. Veja a relação de órgãos que não precisam do aval do Planejamento para contratar:

 

  • universidades federais
  • Banco do Brasil
  • Caixa Econômica Federal
  • Petrobras
  • Infraero

 

O Planejamento diz ainda que não interfere nos poderes Legislativo e Judiciário em relação à contratação de pessoal. Portanto, concursos para Senado, Câmara, Tribunais, Ministérios Públicos, Defensorias e Procuradorias não são afetados pelo corte.

Os cargos militares das Forças Armadas também estão fora do contingenciamento – ficam sujeitos às restrições somente os cargos civis dentro da Marinha, Exército e Aeronáutica, como médicos e engenheiros.

Fonte: G1

Corte de gastos atinge benefícios de servidor público

Além de baixar os salários de início de carreira e adiar reajustes, o governo quer reduzir ou extinguir vantagens concedidas a funcionários, como auxílio-moradia e ajuda de custo para mudança, e agilizar projeto que limita remunerações no serviço público

Temer se encontrou com a equipe econômica para afinar o discurso de revisão da meta fiscal

O governo prepara uma série de medidas que afetarão a vida de concurseiros e de servidores da ativa. Além de adiar de 2018 para 2019 reajustes salariais para diversas categorias e definir os salários iniciais para as carreiras de nível médio e superior, vários benefícios serão revisados para gerar economia aos cofres públicos.

As propostas, que serão anunciadas amanhã, se limitarão ao Poder Executivo. Entretanto, a ideia é de que o Legislativo, o Judiciário, o Ministério Público Federal e a Defensoria Pública da União adotem normas semelhantes, já que 80% dos orçamentos se destinam à folha de pessoal.

O assunto foi discutido ontem em reunião do presidente Michel Temer com ministros, no Palácio do Planalto. Técnicos ainda estudam se as propostas serão encaminhadas ao Congresso por meio de projetos de lei ou por medida provisória, que teria eficácia imediata. O adiamento dos reajustes no próximo ano resultará em economia de R$ 9,7 bilhões. As demais medidas têm potencial para reduzir os gastos públicos em R$ 70 bilhões.

A primeira delas é fixar remuneração de entrada no serviço público de R$ 2,8 mil para cargos de nível médio e de R$ 5 mil para postos que exigem ensino superior. A ideia do Executivo é de que as carreiras passem a ter 30 níveis e revisões salariais anuais. Com isso, o servidor chegaria ao topo ao longo de 30 anos. “A regra valerá para os novos concursos em 2018. Os editais publicados não serão afetados”, disse um auxiliar de Temer.

Discrepâncias

Estudos da equipe econômica indicam que o nível de remuneração das carreiras federais está acima dos valores de mercado. Em média, um servidor de nível fundamental ganha 3,5 vezes mais do que um trabalhador do setor privado com a mesma escolaridade. Os de nível médio têm salário 2,8 vezes maior e os de nível superior, 2,1 vezes. Em alguns casos, as discrepâncias são ainda mais gritantes.

Um advogado recém-formado recebe, em média, R$ 4,4 mil no setor privado. Já um advogado da União inicia a carreira com salário de R$ 19,2 mil, 4,3 vezes superior. As diferenças também são semelhantes nas carreiras que compõem o ciclo de gestão. Os economistas, que no setor privado ganham R$ 6,4 mil, os administradores, que têm salário  de R$ 4,6 mil, e os contadores, de R$ 4,2 mil, garantem, no setor público, contracheque de R$ 16,9 mil. “Os mais jovens não têm motivação para progredir, não querem assumir cargos e se comprometer”, explica um técnico do Executivo.

Outro problema é a baixa amplitude para a progressão funcional. Muitos servidores chegam aos níveis mais altos da carreira em até 15 anos de trabalho. No caso da Advocacia-Geral da União (AGU), a progressão se dá em até seis anos de serviço e o salário chega a R$ 24,9 mil. Técnicos da equipe econômica argumentam que, mesmo com a fixação de um salário inicial de R$ 5 mil, trabalhadores com essa faixa de renda se enquadram entre os 10% mais ricos da população, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

As mudanças não param por aí. O auxílio-moradia, que chega a engordar os contracheques em até R$ 4,3 mil, será pago por, no máximo, quatro anos, e o valor, reduzido anualmente em 25%, até zerar. Outra regalia que será revisada é a ajuda de custo para mudança. Quando é transferido para outra cidade, o servidor recebe até três salários cheios, sem incidência de Imposto de Renda, tanto na ida quanto na volta. Pela proposta do Executivo, somente um salário será pago quando o servidor se mudar e outro, quando voltar para a cidade em que tem domicílio próprio.

Além dessas medidas, o governo quer desbloquear a tramitação, na Câmara dos Deputados, do Projeto de Lei nº 6.726, de 2016, que regulamenta o teto constitucional para todos os Poderes. A proposta, já aprovada pelo Senado, está engavetada na Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público e aguarda designação de relator. Pelo texto, os rendimentos não poderão exceder o subsídio mensal dos ministros do Supremo Tribunal Federal,  de R$ 33,7 mil.

Efeitos

O limite será aplicado ao somatório das verbas recebidas pelo servidor, ainda que tenham origem em mais de um cargo, aposentadoria ou pensão, inclusive quando originados de fontes pagadoras distintas. O projeto de lei determina que integram o teto os vencimentos, salários e soldos ou subsídios, verbas de representação, parcelas de equivalência ou isonomia, abonos, prêmios e adicionais, entre outros. No extrateto estão as parcelas de indenização, previstas em lei, não sujeitas aos limites de rendimento e que não se incorporam à remuneração. É o caso da ajuda de custo na mudança de sede e das diárias em viagens.

O especialista em finanças públicas da Tendências Consultoria, Fábio Klein, avalia que parte das medidas é positiva, mas avisa que os efeitos só virão a médio e longo prazos. Para ele, o ideal é que, além de reduzir salários iniciais, nem todas as vagas abertas sejam repostas. “Estão propondo um tratamento mais próximo ao do setor privado. Mas, adiar o reajuste dos servidores é empurrar uma despesa permanente. Não entendo como querem postergar as revisões e elevar a previsão de deficit. Isso precisa ser melhor detalhado”, destacou.

Temer define ajuste fiscal

A pressão dos partidos do centrão sobre o presidente Michel  Temer após bancarem o arquivamento da denúncia contra ele no mês passado, na Câmara dos Deputados, resultará em uma série de trocas de cargos no segundo escalão do governo a partir de amanhã. O Diário Oficial da União deve anunciar demissões como forma de retaliação aos partidos infiéis, como o PSDB, que se dividiu na votação. Os demitidos serão substituídos por integrantes do Centrão, como PP, PR e PSD, que exigem mais espaço no governo após a demonstração de fidelidade.

O assunto foi discutido ontem no Palácio do Planalto, onde, durante a tarde, Temer se encontrou com a equipe econômica para afinar o discurso de revisão da meta fiscal, que também pode ser anunciada nesta segunda-feira. O presidente passou a tarde com os ministros da Fazenda, Henrique Meirelles; do Planejamento, Dyogo Oliveira; e da Secretaria de Governo, Antônio Imbassahy, responsável pela articulação política do governo. Mais cedo, o chefe do Executivo esteve com os ministros da Defesa, Raul Jungmann, e do Gabinete de Segurança Institucional, Sérgio Etchegoyen.

A expectativa de rombo para este ano deve aumentar em R$ 20 bilhões, dos R$ 139 bilhões previstos na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para R$ 159 bilhões, como propõe a Fazenda. A meta para 2018, de R$ 129 bilhões, também deve ser atualizada. A possibilidade de flexibilização tem sido criticada por parte da base política do governo, que se reuniu na semana passada com a equipe econômica. Outra medida discutida é a postergação, para 2019, do reajuste dos salários dos servidores federais.

 Fonte: Correioweb

Para reduzir rombo, governo quer limitar salário inicial de servidor a R$ 5 mil

Rombo recorde nas contas públicas

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Rombo recorde nas contas públicas Foto: Pixabay
 

 

 

 

 

 

 

 

 

O governo bateu o martelo e vai revisar as metas fiscais de 2017 e 2018. O rombo deste ano subirá de R$ 139 bilhões para R$ 159 bilhões. Já o déficit primário do ano que vem passará de R$ 129 bilhões para R$ 149 bilhões.

Para conseguir o resultado, o governo vai apertar o funcionalismo público. Serão encaminhadas ao Congresso propostas para adiar o reajuste dos servidores de 2018 para 2019 (o que resulta numa redução de gastos de R$ 9 bilhões) e para acabar com o auxílio reclusão, pago a famílias de detentos (dando uma economia de R$ 600 milhões).

O governo quer ainda limitar os salários iniciais do funcionalismo a R$ 5 mil. Segundo integrantes da equipe econômica, existem hoje carreiras em que o funcionário ingressa no serviço público ganhando quase R$ 20 mil, o que faz com que ele atinja o teto muito cedo.

A equipe econômica chegou a propor ao presidente Michel Temer acabar com o auxílio funeral, mas a ideia acabou vetada.

Embora aumentem o rombo fiscal, as novas metas são ousadas, segundo interlocutores do governo. O potencial de frustração de receitas é superior a R$ 20 bilhões em 2017. E para 2018, o déficit detectado internamente varia entre R$ 40 bilhões e R$ 50 bilhões. Isso significa que o governo terá que apertar muito os cintos para chegar aos novos números.

Com rombo de R$ 56 bilhões, contas do governo têm pior 1º semestre em 21 anos

Informações foram divulgadas pela Secretaria do Tesouro Nacional. Mercado financeiro avalia que governo não cumprirá meta fiscal de 2017, que é de déficit de até R$ 139 bilhões.

 As contas do governo registraram um déficit primário de R$ 56,09 bilhões no primeiro semestre deste ano, informou a Secretaria do Tesouro Nacional nesta quarta-feira (26).

Foi o pior resultado para o primeiro semestre desde o início da série histórica, em 1997, ou seja, em 21 anos. Até então, o maior déficit para esse período havia sido registrado em 2016 – quando o rombo somou R$ 36,47 bilhões no primeiro semestre.

É o terceiro ano seguido em que as contas ficam no vermelho neste período. O resultado primário considera apenas as receitas e despesas e não leva em conta os gastos do governo federal com o pagamento dos juros da dívida pública.

De acordo com o Tesouro, as receitas totais recuaram 1,2% em termos reais (após o abatimento da inflação). As despesas, porém, aumentaram 0,5% na comparação com os seis primeiros meses do ano passado, para R$ 604,27 bilhões (veja mais abaixo nesta reportagem).

Segundo o Tesouro Nacional, houve uma antecipação, em maio e junho de 2017, do pagamento de precatórios que normalmente aconteceria no fim do ano.

Sem esse efeito, informou o governo, as contas do governo teriam registrado um rombo menor, de R$ 38 bilhões no primeiro semestre. Ainda assim seria o pior resultado da série histórica.

O fraco resultado das contas públicas acontece em um ambiente de baixo nível de atividade, que tem se refletido na arrecadação de impostos e contribuições federais.

Embora apareçam alguns sinais de melhora no ritmo da economia, como na produção industrial, o desemprego ainda segue alto. Tensões políticas recentes também impactam o nível de confiança do empresariado.

Apesar do descrédito do mercado com a meta fiscal (veja no fim dessa reportagem), a secretária do Tesouro Nacional, Ana Paula Vescovi, afirmou que o compromisso da equipe econômica com a meta fiscal deste ano é “pleno”.

“Não temos discussão sobre mudança de meta. Não negamos que ela é desafiadora, mas estamos demonstrando todo nosso engajamento com ela, com ações concretas”, disse ela.

Segundo ela, a melhora das contas públicas, ainda que “gradual”, é que traz condições de permitir uma recuperação da economia brasileira, com geração de empregos, juros mais baixos e inflação menor.

“É isso que mais beneficia os mais pobres. Estamos firmes e coesos nesse caminho”, disse ela, ao ser questionada sobre o impacto dos cortes de gastos nos serviços públicos.

 

Resultado de junho

 

Somente no mês de junho, de acordo com dados oficiais, as contas do governo registraram um déficit primário (sem contar juros da dívida pública) de R$ 19,79 bilhões.

Esse foi o segundo mês seguido com as contas no vermelho e, também, o pior resultado para meses de junho. No mesmo período de 2016, as contas do governo tiveram déficit de R$ 9,79 bilhões.

Sem a antecipação do pagamento de precatórios, o Tesouro informou que o rombo do mês passado seria de R$ 11,3 bilhões. Neste caso, também seria o pior da série histórica, que tem início em 1997.

 

Receitas caem e despesas sobem

 

De acordo com a Secretaria do Tesouro Nacional, as receitas totais recuaram 1,2% em termos reais (após o abatimento da inflação) de janeiro a junho deste ano, na comparação com igual período de 2016, para R$ 664,8 bilhões.

As despesas totais, ao contrário, avançaram 0,5% em termos reais, na comparação com os seis primeiros meses do ano passado, para R$ 604,27 bilhões. O governo argumenta que a maior parte das despesas são obrigatórias, diminuindo sua margem de manobra para sua retenção.

A Secretaria do Tesouro Nacional informou que o rombo da Previdência Social (sistema público que atende aos trabalhadores do setor privado) avançou de R$ 60,44 bilhões, nos seis primeiros meses de 2016, para R$ 82,86 bilhões no mesmo período deste ano, um aumento de 37,1%.

Para 2017, a expectativa do governo é de que o INSS registre novo resultado negativo, de R$ 185,7 bilhões.

O Congresso discute proposta do governo Michel Temer para a reforma da Previdência. De acordo com o governo, o objetivo da medida é frear o crescimento do déficit do INSS.

 

Concessões, dividendos e investimentos

 

Nos seis primeiros meses deste ano, ainda de acordo com os dados oficiais, as receitas com concessões registraram forte queda, para R$ 2,6 bilhões, contra R$ 18,59 bilhões no mesmo período do ano passado.

Por outro lado, houve um aumento no recebimento de dividendos, que totalizaram R$ 4,3 bilhões nos seis primeiros meses deste ano, em comparação com R$ 1 bilhão no mesmo período de 2016.

Os dados oficiais mostram que o governo também diminuiu fortemente o pagamento de investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e do Minha Casa, Minha Vida, para R$ 10,33 bilhões, de janeiro a junho deste ano. No mesmo período de 2016, os gastos esses investimentos somaram R$ 19,1 bilhões.

 

Descrédito com a meta fiscal

 

A meta fiscal do governo federal para este ano é de déficit primário (despesas maiores do que receitas, sem contar os juros da dívida pública) de até R$ 139 bilhões.

Neste começo de 2017, as receitas com impostos foram menores que as previstas, o que levou a equipe econômica a anunciar, no mês retrasado, uma série de medidas para tentar atingir a meta, entre elas um corte de R$ 42,1 bilhões em gastos e aumento da tributação sobre a folha de pagamento.

No mês passado, porém, o governo liberou R$ 3,1 bilhões em gastos e diminuiu o valor do bloqueio na peça orçamentária deste ano.

Mais recentemente, o governo bloqueou mais R$ 5,9 bilhões em despesas – elevando o contingenciamento total para cerca de R$ 45 bilhões – e anunciou a alta da tributação sobre os combustíveis, que está suspensa pela justiça.

Com o orçamento apertado e os gastos limitados pela regra do teto, que começou a valer neste ano, o governo já reduziu investimentos e sofre para manter alguns serviços.

A Polícia Federal chegou a suspender a emissão de passaportes. Já a Polícia Rodoviária Federal reduziu o policiamento nas estradas.

Os economistas das instituições financeiras estimam que o rombo das contas do governo ficará em 145,26 bilhões. O valor está acima da meta fiscal fixada para 2017, que é de um resultado negativo de até R$ 139 bilhões.

Segundo números oficiais, o rombo fiscal somou R$ 154,2 bilhões no ano passado, o maior em 20 anos. Em 2015, o déficit fiscal totalizou R$ 115 bilhões. A consequência de as contas públicas registrarem déficits fiscais seguidos é a piora da dívida pública e pressões inflacionárias.

Fonte: G1

Com aperto no Orçamento, órgãos públicos correm risco de paralisia total a partir desta semana

Sem receitas para garantir o cumprimento da meta fiscal de 2017, de déficit primário de R$ 139 bi, equipe econômica já foi obrigada a contingenciar quase R$ 45 bi

Agência do INSS no Rio – Ana Branco / Agência O Globo

 

Na Educação, as universidades federais tiveram o orçamento deste ano reduzido em 11,4% em relação a 2016, de R$ 7,9 bilhões para R$ 7 bilhões, sendo que os gastos ainda foram contingenciados em R$ 2,4 bilhões. Nos cálculos de grande parte das 67 instituições de ensino superior custeadas pelo MEC, os recursos disponíveis só bancam despesas até agosto. Como já não se conta mais com praticamente nenhum investimento, o custeio virou o alvo da tesoura do Executivo, provocando atrasos no funcionamento da máquina e até cortes no fornecimento de luz.

Nem mesmo a operação de distribuição de água para municípios afetados pela seca no Nordeste por meio da contratação de 6 mil carros-pipa foi poupada. Segundo responsáveis pelo programa, a dotação orçamentária acabou em julho. Para não paralisar totalmente o serviço, o Ministério do Planejamento prometeu que uma parte dos R$ 2,250 bilhões que serão remanejados do Orçamento ao longo de agosto para atender a despesas mais emergenciais irá para os carros-pipa. Isso, contudo, não resolve o problema até o fim de 2017.

Maia defende manutenção da meta

Nos Transportes, o quadro não é melhor. Segundo integrantes da pasta, se uma parte dos cortes não for liberada entre agosto e setembro, 70% da malha federal ficarão sem cobertura. Isso significa que o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) não terá dinheiro nem mesmo para realizar operações tapa-buraco. Do total de R$ 3,7 bilhões que foram liberados para o serviço, 90% já foram gastos. Para resolver a questão, dizem os técnicos, é preciso liberar mais R$ 1,5 bilhão.

Problemas em série
O que pode ser afetado pela crise fiscal
 
CARTEIRA DE TRABALHO
No Ministério do Trabalho, falta de recursos pode prejudicar fiscalização do trabalho escravo, emissão de carteiras de trabalho e atendimento a trabalhadores
 
MONITORAMENTO DE FRONTEIRA
Programas estratégicos já tiveram o cronograma afetado, como
o Sistema de Monitoramento
de Fronteira e o Programa de Desenvolvimento de Submarinos
POSTOS DO INSS
Para não fechar postos do INSS, Ministério do Desenvolvimento Social conta com promessa de
R$ 600 milhões de devolução de benefícios pagos a pessoas que já morreram
 
TAPA-BURACO
Nos transportes, 70% da malha federal rodoviária ficarão sem cobertura. Isso significa que não haverá dinheiro nem mesmo para realizar operações tapa-buraco
 
DIA A DIA DA UNIVERSIDADE
Nas universidades federais, falta dinheiro para gastos do dia a dia, como energia, limpeza e segurança. Instituições já abandonam obras por falta de dinheiro
FISCALIZAÇÃO DA RECEITA
Fiscalização da Receita pode ser afetada porque 40% do
orçamento foram contingenciados, o que afeta o deslocamento dos auditores e o trabalho de tecnologia

Esses interlocutores lembram que as rodovias dos estados do Sul estão em estado crítico. Com as enchentes na região, o Dnit já foi obrigado a fazer obras emergenciais. Também há problemas sérios em Minas Gerais, Bahia e Rondônia. A única forma de não abandonar as operações tapa-buracos sem dinheiro adicional seria suspender contratações já feitas para a realização de novas obras, o que provocaria prejuízos à União por causa da rescisão desses contratos.

As Forças Armadas têm recursos para custeio somente até agosto, segundo uma fonte graduada. A Aeronáutica vai começar a racionar combustível de aeronaves e cortar horas de voo. A tesourada atingiu R$ 3,8 bilhões dos gastos das três Forças, mais R$ 1,7 bilhão em investimentos.

Os programas estratégicos já estão com os cronogramas prejudicados. Os mais afetados são o Sistema de Monitoramento de Fronteira (Sisfron), do Exército, que prevê a aquisição de equipamentos modernos que permitem fiscalizar a faixa de fronteira com dez países sul-americanos; o Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub, com propulsão nuclear) da Marinha, que fica no complexo industrial de Itaguaí (Rio), e a aquisição dos caças Gripen-NG pela Aeronáutica.

O pesquisador do Ibre/FGV e ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Manoel Pires, diz que o governo não conseguirá resolver esses problemas de maneira simples. Mesmo com um aperto de quase R$ 45 bilhões nas despesas, a equipe econômica conta com receitas incertas para fechar as contas do ano. Para ele, isso indica que uma mudança na meta para aumentar o rombo fiscal de 2017 pode ser inevitável.

O assunto já está sendo discutido nos bastidores. Uma das principais incertezas deste ano é que o governo conta com R$ 11 bilhões decorrentes de leilões de usinas hidrelétricas que foram retomadas da Cemig e que agora são alvo de uma disputa entre a União e o governo de Minas Gerais. Ontem, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) adiou a publicação do edital do leilão das usinas da Cemig.

— Acho que sim (ficou inevitável mudar a meta). O governo vai ter que manter esse quase shutdown mesmo que as receitas esperadas se realizem. Elas serão suficientes para cumprir a meta de R$ 139 bilhões de déficit, mas não para liberar despesas. Não haverá solução fácil — alerta Pires.

Ele destaca que o quadro de paralisia da máquina também pode ser explicado porque grande parte do Orçamento está comprometida com despesas obrigatórias, como folha e Previdência. Diante disso, o governo corta investimentos e depois o restante. Como os investimentos já estão “no osso”, o passo seguinte é o custeio.

Para tentar fechar a conta deste ano, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) foi encolhido. A Lei Orçamentária de 2017 previa um total de R$ 36,071 bilhões para o programa. Agora, no entanto, ele foi reduzido para R$ 19,7 bilhões.

Apesar da dificuldade para fechar as contas, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), aliou-se publicamente à ala do governo que defende a manutenção da meta fiscal, em mensagem publicada ontem no Twitter. “A minha posição é que a meta fiscal fique onde está. Não é correto gerar mais 30, 40, 50 bilhões de gastos para a população pagar. Todo mundo tem seu orçamento e precisa viver dentro do seu orçamento. A União, os estados e municípios também. Se nós não temos condição de cumprir a meta, que se construam as soluções, mas não aumentando os gastos”, escreveu.

No Ministério do Trabalho, a falta de recursos poderá prejudicar não só a fiscalização de trabalho escravo, mas a emissão de carteiras de trabalho (como já ocorreu com os passaportes) e o atendimento aos trabalhadores em postos. O Orçamento da pasta, de R$ 814 milhões em 2017, caiu para R$ 445 milhões com o primeiro contingenciamento do ano. E deve ficar ainda maior com o novo aperto de R$ 5,9 bilhões que foi anunciado na última quinta-feira.

— Estamos fazendo um verdadeiro estica e puxa para evitar que serviços essenciais sejam prejudicados. Mas, sem recursos extras, vai começar a pipocar problema — disse um técnico da pasta.

Falta de transporte e alimentação

Para não fechar postos de atendimento do INSS, o ministro do Desenvolvimento Social, Osmar Terra, arrancou do Ministério do Planejamento a promessa de que R$ 600 milhões que o governo vai conseguir com a edição de uma medida provisória (MP) pela qual o governo vai cobrar a devolução de benefícios pagos indevidamente a pessoas que já morreram serão destinados à pasta. O INSS tem 1.563 agências de atendimento em todo o país.

A Fiscalização da Receita Federal corre riscos a partir de agosto. Segundo integrantes do Fisco, 40% do orçamento do órgão foram contingenciados, o que afeta não só o deslocamento de auditores para fazer investigações nas fronteiras e nos estados em geral, mas também o trabalho de tecnologia. O Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), cujos clientes são 98% órgãos públicos, enfrenta atrasos. A dívida dos órgãos de governo junto ao Serpro chega hoje a R$ 109 milhões.

O Ministério da Agricultura já fez cortes em todas as áreas. Os serviços mais afetados são os prestados por empresas terceirizadas, como segurança e limpeza. Mesmo com a tesourada, que atingiu até a fiscalização de alimentos de origem animal e vegetal, alguns programas do ministério correm o risco de ficar sem recursos até o fim do ano, se o dinheiro não for desbloqueado. Entre esses programas, os principais alvos dos cortes são as ações voltadas a pequenos e médios produtores rurais.

Totalmente dependente de recursos do Orçamento, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) é uma das áreas mais afetadas na Agricultura. A empresa já diminuiu serviços de terceirizados. Agora, pesquisadores e funcionários relatam que algumas unidades podem ficar sem dinheiro para contas básicas a partir de agosto, como energia elétrica. Até a alimentação de pesquisadores que ficam em campo pode ser prejudicada, segundo representantes dos funcionários.

O presidente do sindicato dos trabalhadores da Embrapa (Sinpaf), Carlos Henrique Garcia, disse que a unidade da Embrapa Agroindústria no Rio já desfez o contrato com a empresa que fazia o transporte dos funcionários. Essa medida pode ser adotada em outras unidades, em um movimento que afeta a principal função da empresa, a pesquisa.

Dependente de recursos do Orçamento, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) afirma que o corte nos gastos determinado pelo governo “implicou severas restrições às atividades de operação e manutenção” do órgão, mas que, “até o momento, não há risco de paralisação dos serviços”. Para evitar um colapso nos equipamentos, a EPE começou a pedir doações de computadores, servidores e materiais eletrônicos. Até agora, a empresa recebeu 19 equipamentos de informática.

Temer define regras de programa de demissão voluntária de servidores

Terão preferência os servidores com menos tempo no cargo ou que já estão em licença

© Reuters / Ueslei Marcelino

O presidente Michel Temer assinou nesta quarta-feira (26) a medida provisória com as regras do PDV (programa de demissão voluntária) do Poder Executivo. Por ela, terão preferência os servidores com menos tempo no cargo ou que já estão em licença.

Essa foi a saída do governo para evitar a adesão dos melhores funcionários e que dividia opiniões de integrantes da equipe de Temer.

Quem aderir ao PDV ganhará 1,25 salário por ano trabalhado e não terá de pagar Imposto de Renda sobre as indenizações. Os planos de previdência em fundações fechadas poderão ser mantidos mas revistos porque a União deixará de ter ônus com os servidores desligados.

Além de funcionários da administração pública direta, como os ministérios, foram incluídas fundações e autarquias, órgãos da administração indireta -inclusive de ex-territórios. A decisão inclui as agências reguladoras, por exemplo.

A medida também define a redução de jornada de 8 para 6 ou 4 horas diárias com um bônus de uma hora diária para o cálculo do novo salário. Outra opção será a licença temporária de até três anos incentivada com três meses de salário como bônus.

Ficam impedidos de optar por qualquer uma das três possibilidades os servidores que estejam respondendo a sindicância ou processo administrativo. No caso do PDV, está vedada a participação daqueles que já cumpriram as exigências legais para a aposentadoria.

Para a redução de jornada, terão preferência os funcionários com filhos de até seis anos ou que sejam responsáveis por cuidar de pessoas idosas, doentes ou portadoras de necessidades especiais.

A redução da jornada será concedida pelo órgão a que se vincula o servidor e poderá ser revertida, a qualquer momento.

Quem optar pela licença incentivada poderá exercer outra atividade, na esfera pública ou privada, desde que o novo trabalho não crie situações de conflito de interesse. Contratos temporários, cargos de confiança ou empregos em empresas públicas ou de sociedade mista, como a Petrobras, estão vedados. É permitido participar de conselhos fiscais e de administração de companhias.

A licença de três anos poderá ser renovada pelo mesmo período uma vez e o prêmio de três salários poderá ser pago em parcelas. Esse pagamento também será feito livre de IR.

CORTE DE GASTOS

A medida foi tomada para reduzir despesas do governo e sinalizar com enxugamento da máquina pública. O último PDV foi feito na gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em 1996, e teve adesão de cerca de 5.000 servidores.

O ministro Dyogo Oliveira (Planejamento) considera que a adesão será baixa, menos de 1% dos servidores, o que deve gerar uma economia de até R$ 1 bilhão por ano.

A medida provisória estabelece que, por decisão do Ministério do Planejamento, o PDV poderá ser reaberto caso a política de enxugamento da máquina não seja atingida inicialmente. A ideia era de que o programa ficasse aberto até 2022, mas esse prazo ainda será definido.

FGTS

O presidente Temer assinou um decreto nesta segunda (26) que estende o prazo para o saque de contas inativas até 31 de dezembro de 2018. Pelo cronograma original, as retiradas só poderiam ser feitas até 31 de julho.

A nova regra, no entanto, só valerá para quem comprovar que não fez o saque por questões de saúde ou qualquer outro tipo de impedimento. Para esse grupo, a Caixa Econômica Federal definirá um novo cronograma. Com informações da Folhapress

TRF derruba liminar que suspendeu aumento de tributo nos combustíveis

Em 25/7/17, uma decisão do juiz substituto Renato Borelli, da 20ª Vara Federal do DF, havia revogado o anúncio feito pelo governo na semana passada

© Foto: José Cruz/Agência Brasil

O TRF-1 (Tribunal Regional Federal) derrubou, nesta quarta-feira (26), a decisão judicial que tinha barrado o aumento de tributos nos combustíveis.

Foi mantida, portanto, a validade do decreto presidencial que elevou os tributos.

Em 25/7/17, uma decisão do juiz substituto Renato Borelli, da 20ª Vara Federal do DF, havia revogado o anúncio feito pelo governo na semana passada. A liminar da terça foi revertida no fim da tarde desta quarta pelo TRF-1.

A AGU (Advocacia-Geral da União) ingressou com recurso na noite de terça e teve a decisão de Borelli revista pelo TRF.

Na peça, apresentada ao TRF-1ª Região (Tribunal Regional Federal), a AGU rebateu os argumentos apresentados por Borelli, que falou em “ilegalidades” devido ao não cumprimento da “noventena”, prazo de 90 dias entre a edição da norma e sua entrada em vigor. O magistrado afirmou ainda que a elevação das contribuições deveria ter sido feita por lei, e não por decreto.

A decisão de Borelli era provisória (liminar), e suspendia os efeitos do decreto que determinou o aumento de PIS/Cofins sobre gasolina e etanol. O despacho do magistrado não chegou a ter efeitos práticos sobre o preço dos combustíveis, já que a União ainda não foi notificada sobre o caso. Para que os preços fossem alterados, era necessário um comunicado à AGU e, posteriormente, ao Ministério da Fazenda.

Ao pedir que a liminar fosse suspensa, a AGU utilizou argumentos econômicos. Para o órgão, a tributação dos combustíveis é “imprescindível” para viabilizar a arrecadação de R$ 10,4 bilhões entre julho e dezembro deste ano.Pelos cálculos do governo, a concessão da liminar representa prejuízo diário de R$ 78 milhões.

“Não há dúvidas na jurisprudência nacional de que impedir o recolhimento de cifra milionária em favor de ente federado causa grave lesão à economia”, escreveu a AGU na peça.

O documento da AGU diz ainda que a suspensão da tributação pode resultar em contingenciamento em outras áreas.

“A consequência imediata da não suspensão dessa decisão é a necessidade de se aprofundar o contingenciamento do orçamento da União em montante semelhante, com gravíssimas consequências para a prestação dos serviços públicos.” Com informações da Folhapress.

Fonte: Notícias ao minuto

Hepatite C

22/07/2017

 

Por trás do diabetes pode estar a hepatite C

Pessoas com hepatite C têm uma probabilidade 4 vezes maior de desenvolver diabetes tipo 2, de acordo com a Sociedade Brasileira de Hepatologia

Mulher usando um aparelho para medir a taxa de glicose no sangue

Até mesmo parte da comunidade médica desconhece a relação entre a hepatite C e o diabetes tipo 2. Agora, o foco está em ampliar o conhecimento e desenvolver estratégias de alcance ao tratamento. (IStock/Getty Images)

Embora pouca gente saiba, pessoas com hepatite C têm uma probabilidade quatro vezes maior de desenvolver diabetes tipo 2, de acordo com a Sociedade Brasileira de Hepatologia. Por outro lado, a resistência à insulina, sintoma característico do diabetes, também agrava o desenvolvimento da hepatite.

O mais crítico dessa relação é que a hepatite C é uma doença sistêmica e silenciosa: 70% das pessoas infectadas não sabem que têm a doença, já que, em 90% dos casos, não há sintoma inicial de infecção, segundo dados do Ministério da Saúde. Isso significa que a doença pode evoluir de forma crônica ao longo de 25 a 30 anos no fígado, sem que o portador perceba sua presença. Nessa fase avançada, as consequências mais conhecidas da infecção são cirrose e câncer de fígado. No entanto, esses não são os únicos males que ela pode causar.

Relação dupla

O vírus é capaz de interferir na efetivação dos níveis de insulina, substância que controla o açúcar no sangue, dificultando o metabolismo da glicose. Essa alteração faz com que o corpo entenda que precisa produzir mais insulina para manter o nível normal de açúcar. Isso significa que, aos poucos, os portadores vão desenvolvendo resistência à insulina e, depois, intolerância à glicose, fase em que a pessoa se torna propensa ao diabetes.

Segundo Edison Parise, professor de gastroenterologia na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), vários estudos populacionais nos Estados Unidos mostraram maior resistência à insulina em portadores de hepatite. A resistência à insulina também aumenta o o acúmulo de gordura no fígado (esteatose), o que acaba piorando a progressão da hepatite C, em uma reação em cadeia entre as duas doenças.

O grande problema é que, como a maior parte das pessoas não sabe que tem o vírus, muitos dos que recebem diagnósticos da alteração metabólica não sabem que ela pode ter sido desencadeada pela hepatite C, dificultando o tratamento. A população mais vulnerável, segundo Fabio Marinho, diretor da Sociedade Brasileira de Hepatologia, está na faixa etária entre  40 e 60 anos, já que, até 1989, quando o vírus foi descoberto, sua transmissão por transfusão sanguínea era comum.

Importância do diagnóstico

“Tratar a hepatite C reduz as chances de diabetes tipo 2 e, caso a pessoa já tenha desenvolvido a doença, diminui as complicações, acelera o tratamento e economiza recursos, ao reduzir a necessidade de transplante”, afirma Parise.

“Fazendo um diagnóstico mais precoce, a gente consegue instituir um tratamento mais precoce. O próprio governo dispõe de um arsenal [de medicamentos] importante para a cura”, reitera Sérgio Cimerman, presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia.

Tratamento

É importante que o diabético saiba se tem o vírus C para poder prevenir possíveis complicações renais e cardiovasculares. No ranking de países com mais portadores de diabetes, o Brasil está em quarto lugar. E o número de portadores pode aumentar dentro dos próximos 25 anos.

Hepatite C

Estima-se que o Brasil tenha dois milhões de pessoas com a doença. Entre elas, menos de 15% são diagnosticadas e menos de 10% foram tratadas. Entre os países que representam 80% dos casos de hepatite C no mundo, o Brasil está em oitavo lugar – atrás dos Estados Unidos, com a China liderando o ranking.

Apesar da doença ter 95% de chance de cura com um tratamento que dura entre três e seis meses, a taxa de mortalidade se aproxima da tuberculose e já ultrapassou a do HIV, segundo a OMS. Considerando as possíveis complicações da doença, esses dados podem piorar. De acordo com Luiz Turatti, presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes, o desconhecimento é a principal causa de morte.

Atualmente, o grande desafio contra a doença é encontrar seus portadores. Pensando nisso, a OMS criou o plano de erradicação da hepatite C – NOhep – que visa informar a população, aumentar as taxas de tratamento e eliminar a doença até 2030.

Anvisa aprova novo tratamento para diabetes tipo 2

Atualmente, 14 milhões de pessoas têm a doença no Brasil. Tratamento será indicado para adultos com dificuldades de controlar a glicemia

De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes, há uma expectativa de crescimento nas taxas de diabetes estimadas em 65% em casos em 2040 (Istock/Getty Images)

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta segunda-feira um novo remédio para o tratamento de diabetes tipo 2. O Soliqua, nome comercial do medicamento da farmacêutica Sanofi, será uma alternativa para o controle glicêmico de diabéticos.

A terapia é composta por uma combinação de duas moléculas em uma mesma formulação: a insulina glargina e a lixisenatida, um agonista do receptor do GLP-1, que estimula a secreção de insulina quando a glicose está alta. O medicamento é injetável, aplicado por uma caneta.

O novo método poderá ser indicado para adultos que não tenham o controle adequado da glicemia, apesar do uso de remédios já disponíveis no mercado.

Atualmente, são 14 milhões de pessoas com diabetes no Brasil — cerca de 9% da população. De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes, metade delas ainda não foi diagnosticada.

Fonte: Veja

Crise humanitária é a pior da história

15/07/2017

 

Organização Médicos sem Fronteiras suspende resgates no Mediterrâneo em meio a disputa sobre migração

MSF informou que sentiu-se ameaçada pela guarda costeira da Líbia e que as políticas do governo italiano tornaram seu trabalho mais difícil.


Reuters

Imagem mostra resgate do grupo Médicos Sem Fronteiras (MSF) no Mediterrâneo em 2016 (Foto: Borja Ruiz Rodriguez/MSF/AP)Imagem mostra resgate do grupo Médicos Sem Fronteiras (MSF) no Mediterrâneo em 2016 (Foto: Borja Ruiz Rodriguez/MSF/AP)

A organização Médicos sem Fronteiras (MSF) informou neste sábado (12) que estava suspendendo seus resgates de migrantes no Mediterrâneo porque sentiu-se ameaçada pela guarda costeira da Líbia e as políticas do governo italiano tornaram seu trabalho mais difícil.

A decisão do grupo de ajuda é o mais recente desdobramento na crescente tensão entre Roma e as ONGs, uma vez que a migração domina a agenda política da Itália antes das eleições no começo do ano que vem.

“Estamos suspendendo nossas atividades porque agora sentimos que o comportamento ameaçador da guarda costeira da Líbia é muito grave… Não podemos colocar nossos colegas em perigo”, disse à Reuters o presidente do braço italiano da MSF, Loris De Filippi.

Quase 600 mil migrantes chegaram na Itália nos últimos quatro anos, a grande maioria saindo da Líbia, onde a lei é falha, em navios frágeis operados por contrabandistas de pessoas. Mais de 13 mil migrantes morreram tentando fazer a travessia.

Os barcos de caridade têm desempenhado papel cada vez maior nos resgates, recuperando mais de um terço de todos os migrantes trazidos em terra até agora este ano contra menos de 1 por cento em 2014.

No entanto, a Itália teme que os grupos estejam facilitando o tráfico de pessoas e encorajando os migrantes a fazerem a passagem, e propôs um Código de Conduta que governa a forma como operam. Alguns grupos, incluindo a MSF, se recusaram a assinar o código.

Eles se opõem à exigência de que os policiais italianos estejam em seus barcos e que os barcos devem levar os migrantes para um porto seguro, em vez de transferi-los para outros navios maiores para permitir que barcos menores permaneçam na área para resgates adicionais.

A MSF opera um navio de resgate no Mediterrâneo, o Vox Prudence, atualmente ancorado no porto siciliano de Catania.

Fonte: G1

Crise humanitária é a pior já vista, diz diretor da Cruz Vermelha

Crise humanitária é a pior já vista, diz diretor da Cruz Vermelha: Nascido na Suiça, Dominik Stillhart veio ao Brasil reunir-se com autoridades© REUTERS/Denis Balibouse Nascido na Suiça, Dominik Stillhart veio ao Brasil reunir-se com autoridades

Um mundo onde aumenta o número de conflitos e esses se tornam cada vez longos e difíceis de lidar. Acrescente-se a presença de grupos radicais islâmicos e guerras envolvendo múltiplos atores.

A equação tem levado ao aumento exponencial das necessidades humanitárias, diz Dominik Stillhart, 53, diretor de operações do Comitê Internacional da Cruz Vermelha.

Nascido na Suiça, Stillhart, que veio ao Brasil reunir-se com autoridades, define a estratégia e a condução de operações humanitárias realizadas pelos 13 mil funcionários da organização em 80 países.

REPORTAGEM – A situação humanitária no mundo tem piorado?

DOMINIK STILLHART – Sem dúvida. Temos hoje um número de conflitos muito maior do que nos anos 1990, e eles estão se tornando mais longos e mais difíceis de lidar, envolvem múltiplas partes.Na última vez que fui a Aleppo [Síria], passei por 60 “checkpoints”, de diversos grupos.E há os radicais jihadistas, que tornam a situação ainda mais difícil. Esse cenário leva ao aumento exponencial de necessidades humanitárias.

R – Quais países e regiões apresentam os maiores desafios?

DS – Estão sobretudo no Oriente Médio e em partes da África. Temos Sudão do Sul, Somália e a Nigéria que, com o Iêmen, são os países em que você tem a maior porcentagem da população sob risco de fome. Outra área que nos preocupa é o norte do Mali e a Líbia, com disputas territoriais e conflitos.E cada vez mais os conflitos ocorrem em cidades, onde as pessoas precisam de infraestrutura básica para viver.

R – O Iêmen vive uma epidemia de cólera e uma guerra civil.

DS – O Iêmen enfrenta a pior situação em termos humanitários. Estão no meio de uma guerra brutal há mais de dois anos. O PIB encolheu 45%; há 10 milhões de pessoas [de 26 milhões] passando fome; um sistema de saúde arruinado, com diversos hospitais atingidos por ataques aéreos. O serviço de distribuição de água está completamente destruído. Tudo isso deixa a população muito vulnerável. São mais de 300 mil casos de cólera e milhares de mortos. Está ficando fora de controle.

R – E o Sudão do Sul e a Somália?

DS – No Sudão do Sul as pessoas ficaram muito felizes com o acordo de paz, com a independência e agora enfrentam a pior guerra civil que já viram.Ali, as terríveis condições humanitárias são consequência direta da guerra e não de condições climáticas, como na Somália, onde, além de um conflito civil que dura mais de 20 anos, temos a seca brutal.

R – Como está a Síria após mais de seis anos de guerra?

DS – Junto com o Iêmen, é o país onde a população como um todo foi mais afetada. Hoje, 1 em cada 5 sírios é refugiado, o que torna a guerra uma crise regional. Além disso, o nível de destruição é inimaginável. Serão necessárias décadas para o país atingir o nível de desenvolvimento de antes.

R – Como o sr. vê a situação na Venezuela, onde temos a maior crise humanitária da região?

DS – É preocupante. Apoiamos a Cruz Vermelha local e fornecendo insumos médicos aos hospitais. Por enquanto o que vemos lá é violência política, não um conflito armado, mas precisamos ficar atentos.

R – Quais os desafios na Colômbia após o acordo de paz entre o governo e as Farc?

DS – O acordo é histórico. O mais desafiador talvez seja o fato de o vácuo deixado pela guerrilha estar sendo preenchido por grupos criminosos. O governo precisa garantir serviços básicos a essas áreas para que elas não caiam sob domínio desses grupos. Temos também de dar atenção aos guerrilheiros que estão se desmobilizando em termos de integração, educação, apoio psicológico e social.

R – No Brasil 50 mil pessoas por ano morrem por armas de fogo. Estamos em guerra?

DS – Há distinção entre a violência que vemos aqui e o de alguns países da África e do Oriente Médio. Aqui não há um conflito armado, em termos legais. Mas a situação nos deixa muito preocupados e ocorre em muitas cidades brasileiras, assim como em outros países latino-americanos. Essa violência provavelmente gera as consequências humanitárias mais sérias do continente.

Fonte: MSN

Biodiversidade na Lagoa Rodrigo de Freitas e Praia de Copacabana da cor do Caribe

09/07/2017

Rio tem praia cheia e mar cristalino em domingo de inverno

Transparência da água chamou a atenção de banhistas em Copacabana. Domingo sem chuva teve temperatura variando entre 14°C e 26°C, segundo o Climatempo, em 23/7/17

 

Praia de Copacabana com água verde cristalina, com o Pão de Açúcar ao fundo (Foto: José Raphael Berrêdo/G1)Praia de Copacabana com água verde cristalina, com o Pão de Açúcar ao fundo (Foto: José Raphael Berrêdo/G1)

Praia de Copacabana com água verde cristalina, com o Pão de Açúcar ao fundo (Foto: José Raphael Berrêdo/G1)

Ainda que a previsão do tempo fosse de céu parcialmente encoberto por uma névoa neste domingo (23), quem acordou cedo para ir à praia teve a grata surpresa de encontrar um mar com água cristalina na Praia de Copacabana, na Zona Sul do Rio.

De acordo com o Sistema Alerta Rio, da prefeitura carioca, passada a névoa da manhã o predomínio do tempo durante o dia será de céu com poucas nuvens. Isso se deve à influência de um sistema de alta pressão no Rio, segundo informações dos sistema.

A previsão é de que os ventos terão intensidade fracae moderada, e as temperaturas estarão em suave elevação. Segundo o Climatempo, não há previsão de chuva e a temperatura varia 6 (Foto: José Raphael Berrêdo/G1)

Praticantes de stand-up paddle aproveitaram o mar calmo e cristalino perto do Forte de Copacabana, no Posto 6 (Foto: José Raphael Berrêdo/G1)

Praticantes de stand-up paddle aproveitaram o mar calmo e cristalino perto do Forte de Copacabana, no Posto 6 (Foto: José Raphael Berrêdo/G1)

Banhistas aproveitam a água cristalina no Posto 6, em Copacabana (Foto: José Raphael Berrêdo/G1)Banhistas aproveitam a água cristalina no Posto 6, em Copacabana (Foto: José Raphael Berrêdo/G1)

Banhistas aproveitam a água cristalina no Posto 6, em Copacabana (Foto: José Raphael Berrêdo/G1)

Transparência surpreendeu frequentadores (Foto: José Raphael Berrêdo/G1)Transparência surpreendeu frequentadores (Foto: José Raphael Berrêdo/G1)

Transparência surpreendeu frequentadores (Foto: José Raphael Berrêdo/G1)

Praia ficou cheia para uma manhã de inverno  (Foto: José Raphael Berrêdo/G1)Praia ficou cheia para uma manhã de inverno  (Foto: José Raphael Berrêdo/G1)

Praia ficou cheia para uma manhã de inverno (Foto: José Raphael Berrêdo/G1)

Fonte: G1

COM ÁGUA MAIS LIMPA E SEM MORTANDADES, LAGOA VIVE RENASCIMENTO DE ESPÉCIES AO SEU REDOR

Animais como frango d’água, manjubinha e marreca toicinho estão entre novos ‘moradores’

Renascimento da fauna e da flora da Lagoa Rodrigo de Freitas – Márcia Foletto / Agência O Globo

Entre o vai e vem de carros, o som de buzinas e à sombra de prédios altos, o Rio tem uma ilha de biodiversidade para a qual poucos cariocas prestam atenção na correria do dia a dia. Mais precisamente, uma lagoa. No coração da Zona Sul, a Lagoa Rodrigo de Freitas, que teve uma melhora na qualidade de suas águas nos últimos anos, vive um renascimento de seu ecossistema, com o ressurgimento de algumas espécies de animais que não eram vistas por ali. Mesmo antes da despoluição, garantem especialistas, o local sempre foi um rico habitat, que também vem sofrendo, por outro lado, com a presença de animais invasores, que podem desequilibrar a cadeia alimentar local.

1

MUITOS DOS CAMINHOS LEVAM À LAGOA

Animais e vegetais que vivem no ecossistema podem ter sido introduzidos por moradores ou biólogos (como Moscatelli fez com o mangue, retratado na foto) – Márcia Foletto / O Globo

Para o biólogo Mário Moscatelli, que desde a década de 80 levanta a bandeira da recuperação da Lagoa, o símbolo desse renascimento da biodiversidade é o frango d’água. Trata-se de uma ave que parece uma galinha preta, com crista vermelha, que tem pouca capacidade de voo, mas pode flutuar como um pato. Vive em pântanos e lagos, em ambiente de Manguezal — que não existia na Lagoa antes de 1989, quando o próprio Moscatelli começou a plantar a vegetação de mangue nas margens do espelho d’água.

— Em 1989, eu nunca tinha visto um frango d’água. Essa ave apareceu não sei como em 1999 e hoje ela é o símbolo desse incremento de biodiversidade. A Lagoa virou um verdadeiro poleiro de frango d’água. A partir do momento que a gente consegue diversificar a cobertura vegetal com os manguezais e melhorar as condições da água, a Lagoa volta a assumir o papel de berçário que tem por natureza — diz Moscatelli.

Além do frango d’água, começaram a ser vistos pela Lagoa, nos últimos anos, outras aves como o savacu, de pernas cumpridas e bico preto. A ave se alimenta de pequenos caranguejos de mangue. Já a marreca toicinho, conhecida por parecer um marreco com a base do bico vermelha e a cabeça metade branca e metade marrom, também tem sido vista pela Lagoa com mais frequência.

Moscatelli destaca que os animais chegam à Lagoa se deslocando das áreas do Maciço da Tijuca, pelas praias da região (no caso dos peixes, principalmente) ou com a “mãozinha de alguém”. O frango d’água, por exemplo, tem baixíssima capacidade de voo, e reza a “lenda” que chegou pelas mãos de morador da Lagoa, que levou um casal de bichos para local. Já o caranguejo guaiamum, que Moscatelli jura já ter visto cruzando as ciclovias, foi levado para o local pelo próprio biólogo no fim da década de 80, quando começou o plantio da vegetação de mangue. As capivaras, que viraram outro símbolo da fase mais recente (e menos suja) da Lagoa também estão se reproduzindo.

No grupo dos répteis, um novo morador é o lagarto teiú. Segundo o biólogo e fundador do Instituto Jacaré, Ricardo Freitas Filho, trata-se de um dos maiores lagartos da América Latina, que pode chegar a 1,5 metro. Mas não espere vê-lo pela Lagoa no próximo fim de semana: no período do inverno, ainda que de temperaturas cariocas, o bicho costuma hibernar. Por causa do seu porte, o lagarto, que é um predador, precisa de calor para metabolizar o que come. Na avaliação de Ricardo, o lagarto, que vive na Mata Atlântica, pode ter chegado à Lagoa atraído pelo plantio nas áreas de margem, e devido à proximidade com locais como o Parque da Catacumba, no mesmo bairro, o Jardim Botânico e o Corcovado:

Aves da Lagoa Rodrigo de Freitas
Casaca-de-couro-da-lama
Garça-branca-pequena
Furnarius figulus
EGRETTA THULA
João-de-barro
Garça-branca-grande
FUNARIUS RUFUS
ARDEA ALBA
Urubu-de-cabeça-preta
Garça-moura
CORAGYPS ATRATUS
ARDEA COCOI
Socozinho
Savacu-de-coroa
BUTORIDES STRIATA
NYCTANASSA VIOLACEA
Savacu
Biguá
NYCTICORAX NYCTICORAX
PHALACROCORAX BRASILIANUS
Tesourão
Mergulhão-caçador
FRAGATA MAGNIFICENS
PODILYMBUS PODICEPS
Marreca-roicinho
Mergulhão-pequeno
ANAS BAHAMENSIS
TACHYBAPTUS DOMINICUS
Curutié
CERTHIAXIS CINNAMOMEUS

 

— Como o bairro vem ganhando uma oferta de arborização, tem uma passagem mais facilitada da fauna. Uma vez que o ambiente está revitalizado, tem recursos para oferecer. O teiú é um animal bem sensível à esse tipo de interação com o homem — aponta Ricardo, ressaltando que o Lagarto Verde (Ameiva Ameiva), que já era comum na Lagoa, também vem aparecendo mais.

2

NAS ÁGUAS, NOVOS PEIXES E UM INVASOR

Entre os peixes, manjubinha é novidade nas águas da Lagoa – Márcia Foletto / O Globo

Nas águas, a Lagoa também tem novos moradores. De acordo com o biólogo e pesquisador da Universidade Santa Úrsula Bruno Meurer, o robalo, que é uma espécie ameaçada de extinção, tem nadado por lá, trazido pelo fio d’água do canal que liga o ecossistema à praia do Leblon. Os pescadores da região, entretanto, vêm enfrentando problemas por causa de outro habitante “recente” da Lagoa: o mexilhão invasor.

Não há versão oficial sobre a chegada do mexilhão — uma das teses é que tenha vindo aderido à balsa da árvore de natal. Nos últimos anos, entretanto, o animal de multiplicou, inclusive por causa das boias e equipamentos que foram colocados ali para os Jogos Olímpicos e acabaram servindo de substrato. Como se alimenta de larvas de peixe, eles deixam a água da Lagoa mais clara, o que pode parecer bom, mas é uma ameaça ao ecossistema do local, porque acabam roubando alimento de outras espécies.

Para os pescadores, a água mais clara que o normal é sinônimo de prejuízo: os peixes acabam enxergando a rede e fogem. As manjubinhas, pequenos peixinhos que são vistos nas praias em cardumes, também têm sido vistas na Lagoa de uns tempos pra cá. Mais ou menos do porte de sardinhas, não têm valor comercial e sequer ficam presas nas redes porosas dos pescadores.

— A qualidade da água melhorou, tanto é que não estamos tendo mortandade, mas a pesca não é a mesma de antigamente. Teríamos que ter uma rede miúda para pegar a manjubinha, mas é proibido na Lagoa. Só se pode usar rede que pega peixes de meio quilo pra cima — afirma Orlando Marins Filho, de 60 anos, que está na terceira geração de pescadores da sua família. — A claridade da água tem atrapalhado. Você até consegue que o peixe entre quando a rede está branquinha, mas ela vai ficando suja e o peixe não entra mais.

Ao contrário dos animais que têm povoado a Lagoa, os pescadores têm sumido. São um grupo cada vez menor porque, segundo Orlando, os mais jovens não querem seguir o ofício. Os mais antigos “vão morrendo e não têm ninguém para entrar no lugar”. Se em 1980 havia 32 pescadores, mais ou menos, hoje são 22.

— Tende a acabar, como em várias partes do Brasil — lamenta Orlando, que parece conformado com a extinção para a qual se encaminha seu grupo.

3

PARA BIÓLOGOS, EQUILÍBRIO DO ECOSSISTEMA É FRÁGIL

Garças e biguás: aves que, adaptadas a ambientes mais poluídos, sempre estiveram na Lagoa – Márcia Foletto / O Glob

Apesar de a situação das águas da Lagoa ser hoje bem melhor que nos anos 80, essa qualidade é instável e está ameaçada. Desde o fim do ano passado, o monitoramento das águas que era feito por uma empresa contratada pela prefeitura parou de ser realizado. O Município alega que o contrato com a empresa acabou, mas um novo edital de licitação ainda não foi lançado e está em processo de conclusão. Enquanto isso, o biólogo Bruno Meurer alerta que a água está sendo menos renovada que o esperado pelo canal que liga a Lagoa ao mar. E a baixa salinidade favorece e reprodução do mexilhão invasor. Há indícios ainda de que a concentração de coliformes fecais voltou a subir além do aceitável:

— O que nós percebemos no ano passado é que o limite de coliformes estava sendo ultrapassado, especialmente ali na saída de uma tubulação do Jóquei Clube. A Lagoa sempre vai ser um berçário e uma área de proteção e de alimentação para as espécies. Por isso, a qualidade da água tem que estar boa para que não tenhamos uma mortandade de peixes alta — afirma Bruno.

De acordo com a última medição registrada em boletim pela prefeitura, a Lagoa estava em estágio de “equilíbrio” em relação ao nível de oxigênio dissolvido na água (que tinha índices maiores ou iguais a 4 miligramas por litro) e considerada “própria”, em termos de coliformes fecais, ao contato secundário, isto é, à prática de esportes aquáticos, o que não inclui banho.

A Lagoa de ontem e hoje
1500
REGIÃO ATERRADA
HOJE
O Espelho d’água já foi maior. A Lagoa sofreu um processo de aterramento ao longo do século XX, que, estima-se, lhe tirou um terço da área total. Seu formato atual é de um polígono irregular com um perímetro de 7,2 km e a largura máxima de 3 km, com espelho de água de cerca de 2,5 km². Segundo especialistas, mesmo cercada de vegetação, a Lagoa constituía um ecossistema instável, pois recebia detritos das regiões, mais altas, de seu entorno.
Fonte: EOUrbana

Segundo especialistas, a liberação dessa atividade na Lagoa Rodrigo de Freitas um dia é quase impossível. Ainda hoje, nas margens, há risco de um banhista desavisado contrair leptospirose ou hepatite, observa Moscatelli. No meio, a água é mais limpa e causaria menos problemas à saúde.O biólogo destaca que, apesar de todo renascimento da vida animal, a Lagoa nunca ficará totalmente limpa. Há 200 anos, suas águas, mesmo sem a ocupação humana, nem sempre estavam próprias:

— Ela é um ambiente naturalmente vulnerável. No passado, quando não havia ocupação urbana, já morria peixes. Há 200 anos a lagoa tinha o dobro de tamanho que tem hoje. A barra que separava ela do mar era instável. Quando você tinha um período de ressaca ou uma chuva muito forte, a barra se rompia e os peixes que não tinham como lidar com a salinidade, morriam. Isso sem um pingo de esgoto — lembra Moscatelli. — Hoje a Lagoa está um milhão de vezes melhor do que era na década de 90. Tem o que melhorar? Tem, mas nunca estará 100%, porque é uma lagoa urbana.

4

NA BARRA, LAGOAS SEM PRAZO PARA DESPOLIUÇÃO

Lagoa da Tijuca (foto) está entre as lagoas da região da Barra e Jacarepaguá que tiveram o processo de despoluição paralisado – Márcio Alves / O Globo

Enquanto a Lagoa Rodrigo de Freitas conseguiu amenizar a poluição dentro e fora do espelho d’água, o complexo lagunar da Barra da Tijuca e de Jacarepaguá coleciona retrocessos em sua política ambiental. Por causa da crise do estado, os as obras de recuperação da região tiveram o contrato suspenso, como admite e própria Secretaria de Estado do Ambiente, em nota. A despoluição das lagoas da região fazia parte do caderno de encargos dos Jogos Olimpicos de 2016, mas não foi concluída.

Se moradores convivem com o mal cheiro do local (assim como fizeram os estrangeiros durante as competições, em agosto do ano passado), em junho, um temporal de grandes proporções provocou o rompimento de uma ecobarrreira que impedia o lixo de chegar às lagoas de Jacarepaguá, Camorim e Tijuca, lançando detritos nas águas. O biólogo Mário Moscatelli flagrou, na ocasião, até um televisor e uma caixa d’água nas águas das lagoas.

Além disso, os rios que desembocam no complexo lagunar seguem poluídos, já que o projeto que trataria suas águas foi abandonado pela prefeitura. Nos arredores do Parque Olímpico, os rios Arroio Pavuna, de um lado, e Pavuninha, do outro, deságuam na Lagoa de Jacarepaguá como verdadeiros canais de esgoto. Durante os Jogos, foi necessário o uso de um ecobarco para amenizar o acúmulo de lixo nos córregos.

Frio extremo na Serra da Mantiqueira surpreende

09/07/2017

FENÔMENOS DO FRIO EXTREMO NA SERRA DA MANTIQUEIRA

 Com a temperatura abaixo de zero, a água congela na parte alta do Parque de Itatiaia Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo

Espetáculo atraiu uma multidão para o Parque Nacional de Itatiaia

    Sob o Sol a pino do meio-dia, num céu de brigadeiro da última quarta-feira, cristais de gelo brilhavam como joias em meio a flores de vermelho, rosa e amarelo intensos. Acima das nuvens, pairava um arco-íris sem que houvesse chuva. Com as cores estampadas sobre um fundo azul, ele surgiu de minúsculas partículas de gelo levadas pelo vento. O frio pintou com tons de realismo fantástico as montanhas mais altas do Rio, estado famoso pelo calor tropical. Um espetáculo que pode se repetir na segunda quinzena de julho.

    Geadas, placas de gelo e solo congelado
    Em noites frias e de céu aberto, o solo perde calor à medida que irradia energia para o espaço.
    Com isso, o ar perto do solo também esfria. Se o ponto de orvalho for alcançado, o vapor d’água presente no ar se condensará em plantas, rochas e em qualquer superfície próxima do chão.
    Se a temperatura for acima do ponto de congelamento, há formação de orvalho. Abaixo, geada.
    O que é ponto de orvalho?
    É a temperatura a partir da qual o vapor d’agua condensa e forma gotículas, isto é, orvalho. Essa temperatura varia em função da umidade relativa do ar.
    GRÂNULOS DE GELO
    Eles são produzidos quando a chuva encontra um ar sub-congelado. Quando isso acontece, os grânulos se tornam sólidos
    AR QUENTE
    CHUVA CONGELANTE
    Se o ar estiver muito frio, gotas de chuva podem se resfriar abaixo do ponto de congelamento, mas não se solidificar até tocar o solo ou quaisquer outros objetos, como galhos de plantas.
    COMO SE FORMA O ORVALHO
    Se o ponto de orvalho (formação de gotas) for abaixo do ponto de congelamento (zero grau Celsius), as moléculas de água presentes no vapor d’água do ar se transformarão diretamente em cristais de gelo sólido.
    1
    GOTAS
    Se o frio for mantido, mais moléculas formam gelo e se aglutinam. Elas formam cristais em folhas, rochas e outras superfícies.
    2
    GELO
    Sincelo (neblina congelante)
    É formado por nevoeiros com temperaturas negativas. Ele não precisa de tanto frio e tanta umidade quanto a neve para se formar. O resultado são pedacinhos e torrões de gelo que podem ficar presos a pedras, suspensos em galhos ou em beirais.
    Arco-íris sem chuva
    Em dias muito frios e secos, arco-íris podem ser vistos nas montanhas, com céu azul e acima de mantos de nuvens. Eles surgem graças à neblina gelada. Não há umidade suficiente para chuva.
    O segredo é a refração dos raios de sol nas gotículas de água presentes na névoa.
    O resultado é um arco-íris só de sol, sem chuva.

    MUITOS FENÔMENOS

    Geada, sincelo (neblina congelante) e arco-íris de gelo foram observados durante a semana por quem foi à parte alta do Parque Nacional do Itatiaia (PNI) – Márcia Foletto / Agência O Globo

    A primeira massa de ar polar deste inverno deixou a neve só na promessa. Mas presenteou quem foi à Serra da Mantiqueira, no sudoeste do estado, com fenômenos conhecidos apenas por quem frequenta a região, considerada a mais fria do Brasil. O Rio tem só 10% da Mantiqueira, justamente a parte mais gélida, concentrada no Planalto do Itatiaia.

    – Por sua força, a massa polar provocou muitos fenômenos de uma só vez. As estações meteorológicas instaladas por grupos como o nosso comprovam e chamam a atenção para o clima extremo dessa região da Mantiqueira – explica Ronaldo Coutinho, engenheiro do Climaterra e um dos fundadores do Brasil Abaixo de Zero, que reúne caçadores de frio de todo o país.

    Geada, sincelo (neblina congelante) e arco-íris de gelo foram observados durante a semana por quem foi à parte alta do Parque Nacional do Itatiaia (PNI), que protege o planalto. Mesmo montanhistas experientes, como o gaúcho Tiago Korb, que guiava um grupo de paulistas e mineiros, ficou encantado com o sincelo. Korb fotografou o fenômeno, que cobriu plantas com capas de gelo transparente. Ele e seu grupo fazem uma travessia de 300 quilômetros pela Mantiqueira, que deve terminar na quarta-feira, após 13 dias de caminhada.

    No domingo passado mais de 1.500 pessoas foram ao PNI atraídas pela neve que não veio. A maioria foi embora, mas quem ficou durante a semana viu gelo de sobra. E o único abrigo de montanha da região, o Rebouças, está com reservas esgotadas até agosto. Durante a semana, turistas até de Ananindeua, no Pará, chegaram para ver o Brasil do frio.

    – As pessoas viram as noites grudadas no computador para conseguir uma reserva no Rebouças. Mas é muito difícil. Todo ano a procura é grande e neste está ainda maior – diz o chefe do PNI, Gustavo Tomzhinski.

    FRIO EXTREMO EM ITATIAIA

    • O frio pintou com tons de realismo fantástico as montanhas mais altas do Rio, estado famoso pelo calor tropicalFoto: Márcia Foletto / Agência O Globo

    • Um espetáculo que pode se repetir na segunda quinzena de julhoFoto: Márcia Foletto / Agência O Globo

    • A primeira massa de ar polar deste inverno deixou a neve só na promessa. Mas presenteou quem foi à Serra da Mantiqueira, região considerada a mais fria do BrasilFoto: Márcia Foletto / Agência O Globo

    • O Rio tem só 10% da Mantiqueira, justamente a parte mais gélida, concentrada no Planalto do ItatiaiaFoto: Márcia Foletto / Agência O Globo

    • Geada, sincelo (neblina congelante) e arco-íris de gelo foram observados durante a semana por quem foi à parte alta do Parque Nacional do Itatiaia (PNI) Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo

    • Mesmo montanhistas experientes ficaram encantados com o sinceloFoto: Márcia Foletto / Agência O Globo

    • No domingo passado mais de 1.500 pessoas foram ao PNI atraídas pela neve que não veioFoto: Márcia Foletto / Agência O Globo

    O chão da estrada de terra que atravessa a parte alta do parque – o que sobrou da antiga Rodovia das Flores, a BR-485 – e das trilhas das Agulhas Negras (2.791,5 metros) e do Morro do Couto (2.680 metros) permaneceu congelado pelas primeiras horas da manhã de terça e quarta-feiras.

    O gelo formou placas em poças, nascentes, córregos e mesmo sobre a vegetação. Algumas grandes e espessas para suportar o peso de um homem adulto e permitir que se caminhasse sobre elas.

    – Já vi gelo aqui outras vezes. Mas algumas dessas placas realmente estão grandes e resistentes. É lindo de ver. O frio pode até doer, mas é maravilhoso – derrete-se o fotógrafo de vida selvagem Germano Viegas, que precisou aquecer as mãos por várias vezes após tirar as luvas para tocar o gelo.

    E isto porque o também esperado frio inferior a -10 C não veio. Mas a temperatura mergulhou abaixo de zero em várias ocasiões. O vento forte fez com que as partículas de gelo da neblina congelante, o sincelo, se parecessem com neve. Esta, para se formar, precisa de mais umidade. As montanhas, por sua altitude, garantem frio de sobra.

    Mas também um clima seco e com solo congelado, muito favorável à geada, mas não à neve, que foi registrada apenas em três ocasiões: em 1979, em 1985 e 2012. A de 1985 foi uma nevasca histórica, com mais de um metro de neve acumulado por três dias.

    – Mesmo assim, acreditamos que a neve ali é mais comum do que se imagina. Há condições para neve fraca no PNI a cada dois ou três anos. Mas isso acontece nos cumes, na madrugada ainda escura e ninguém vê. Quando o dia amanhece, já derreteu – explica Coutinho, que mantém no Climaterra, em São Joaquim (SC) um histórico da neve no Brasil.

    Pelas estimativas de Coutinho, as geadas são muito mais frequentes do que se acreditava:

    – É um fenômeno extremo, de muito frio. Mas os vales e as montanhas são tão altos e secos que calculo que podem ocorrer de 100 a 130 geadas por ano, inclusive no verão.

    Presente inesperado por quem imaginava apenas neblina e tempo fechado, foram os fenômenos óticos, como os arco-íris e os halos solares.

    – O frio pode provocar situações perigosas, como congelamentos, mas também gera espetáculos belíssimos. Na verdade, os fenômenos óticos brilhantes e coloridos são comuns no frio extremo. Eles acontecem devido à baixa umidade do ar associada ao nevoeiro formado pela evaporação das geadas – explica Jackie Chaser, caçadora de fenômenos climáticos extremos, que lançará em breve um livro bilíngue sobre trombas d’água e caçadores de tempestade no Brasil.

    São arco-íris, halos luminosos e glórias. Estas são halos menores que o arco-íris surgidos quando a luz do sol atravessa a neblina. Se a previsão preliminar se confirmar, a partir do fim desta semana, uma nova massa fria repetirá o espetáculo.

    2

    FLORES RESISTEM APESAR DO FRIO

    Adaptada a um dos ambientes mais inóspitos e extremos do Brasil, a vegetação de campos de altitude é um paradoxo da natureza. Imbiri, flor típica da região da Serra da Mantiqueira – Márcia Foletto / Agência O Globo

    O vento zunia como uma turbina de avião ao varrer a encosta do Morro do Couto, com rajadas quase constantes acima de 40 km/h. A noite registrou temperaturas na faixa de zero grau Celsius. O dia chegou com neblina congelante. Depois que o Sol já estava alto, a temperatura não passou de 4°C, com sensação térmica negativa. Torrões de gelo cobriam o Planalto do Itatiaia. Ainda assim, havia cor para todos os lados. Flores grandes e pequenas, desabrocharam com as primeiras luzes do dia. Lilazes, azuis, vermelhas, amarelas, laranjas, rosas e brancas. Arco-íris em forma de plantas. Algumas só existem ali e em nenhum outro lugar da Terra.

    Adaptada a um dos ambientes mais inóspitos e extremos do Brasil, a vegetação de campos de altitude é um paradoxo da natureza. Resiste aos rigores do clima, mas sucumbe à ação humana, como fogo, pisoteio e lixo de visitantes. Parte da Mata Atlântica, ela enfrenta vento, o frio, a menor concentração de oxigênio e a maior radiação solar, ambas devido à altitude acima dos 2.000 metros. No topo das montanhas, o ar rarefeito não permite que existam árvores.

    – Os campos de altitude formam ilhas de espécies exclusivas no topo de montanhas. E o Planalto do Itatiaia, na parte alta do parque, abriga cerca de 50% dos campos do estado, a maior concentração do país – explica o biólogo Izar Aximoff, autor da única publicação específica sobre o assunto, o “Guia de Plantas do Planalto do Itatiaia”, escrito em parceria com Katia Torres Ribeiro.

    Aximoff diz que 415 espécies já foram registradas, 11% delas só vivem lá e 15% estão em extinção. São resultado de milhões de anos de evolução. Resistência à brutalidade da natureza com fragilidade para ser exterminada pela mera pisada de um visitante desavisado.

    São belezas guerreiras. Aximoff estima que apenas considerando o inverno de 2016, as temperaturas mínimas foram inferiores a zero para mais da metade dos dias e a menor temperatura registrada foi de -13,3ºC .

    FLORES DE ITATIAIA

    • Apesar do frio, a vegetação que resiste à altitude e à baixa temperatura na parte alta do Parque de ItatiaiaFoto: Márcia Foletto / Agência O Globo

    • Adaptada a um dos ambientes mais inóspitos e extremos do Brasil, a vegetação de campos de altitude é um paradoxo da natureza. Imbiri, flor típica da região da Serra da MantiqueiraFoto: Márcia Foletto / Agência O Globo

    • Uma das muitas flores do Parque Nacional do ItatiaiaFoto: Márcia Foletto / Agência O Globo

    • Apesar de parecer uma flor, essa são as folhas de uma espécie de gerânio da região. Parte da Mata Atlântica, ela enfrenta vento, o frio, a menor concentração de oxigênio e a maior radiação solar, ambas devido à altitude acima dos 2.000 metrosFoto: Márcia Foletto / Agência O Globo

    • Alecrim do campo ou Baccharis uncinela. No topo das montanhas, o ar rarefeito não permite que existam árvoresFoto: Márcia Foletto / Agência O Globo

    • Uma das muitas espécies de líquens comuns no parqueFoto: Márcia Foletto / Agência O Globo

    • Margaridas são comuns, assim como lírios e bromélias. Todas as espécies lá se viram como podem e desenvolveram estratégias para sobreviverFoto: Márcia Foletto / Agência O Globo

    • Uma das raridades é a Hindsia glabra, pequena, de aparente fragilidade pintada de azul e lilás. Vive só nas margens de alagadiços sujeitos a congelamentosFoto: Márcia Foletto / Agência O Globo

    • Coube à natureza inventar estratégias de sobrevivência. Cabe a nós proteger tudo issoFoto: Márcia Foletto / Agência O Globo

    Após a geada de terça para quarta-feira, uma espécie minúscula de sempre-viva (Paepalanthus itatiaiensis) balançava mas não tombava ao vento, num buraquinho de beira de estrada. Morreu ao ser esmagada por um turista que foi sentir frio mas não olhava onde pisava na trilha que leva ao cume do Morro do Couto.

    – O fogo, comum nos invernos secos, é o maior inimigo dos campos de altitude. Mas a ação humana precisa ser muito controlada e equilibrada. É uma vegetação espetacular e delicada, sensível às mínimas alterações em seu ambiente – destaca Aximoff, que faz doutorado no Jardim Botânico no Rio de Janeiro exatamente sobre a vulnerabilidade dos campos.

    O rei da paisagem das montanhas é o bambuzinho do gênero Chusquea. Também chamado de bambu-bengala, ele cobre as encostas mais baixas, serpenteia pelas margens das trilhas e estende seus domínios até as escarpas das Agulhas Negras, onde nem a mais resistente planta consegue vencer as paredes verticais e geladas de rocha nua. O bambuzinho oscila ao sabor do vento, parece não se importar com o gelo, fica dourado quando o sol nasce e se põe. É verde o ano todo e por quase todo o dia.

    Margaridas são comuns, assim como lírios e bromélias. Todas as espécies lá se viram como podem e desenvolveram estratégias para sobreviver. Segundo o biólogo, algumas espécies acumulam água entre as folhas em formato de roseta, como algumas bromélias e sempre-vivas (Eriocauláceas). Outras têm folhas grossas que guardam água em seu interior. Algumas possuem raízes que armazenam amido em bulbos para a planta hibernar e resistir durante a estação fria e seca.

    – Um dos fenômenos mais curiosos é o congelamento interno das folhas da sempre-viva Actinocephalus polyanthus. Elas formam uma espécie de picolé. A planta se beneficia dessa água acumulada, que pode chegar a quase 1 litro, durante a seca de inverno. O gelo derrete devagar e umidifica o solo. Com isso, ela resiste aos períodos secos e frios do inverno e ganha folhas novas quando chega a chuva – conta Aximoff.

    Uma das raridades é a Hindsia glabra, pequena, de aparente fragilidade pintada de azul e lilás. Vive só nas margens de alagadiços sujeitos a congelamentos e não existem mais do que uma dezena de exemplares, nas contas de Aximoff. Ele destaca que coube à natureza inventar estratégias de sobrevivência. Cabe a nós proteger tudo isso.

    3

    DICAS PARA APROVEITAR O FRIO NUMA BOA

    A água congela próximo ao abrigo Rebouças, no Parque de Itatiaia – Márcia Foletto / Agência O Globo

    Saiba como se proteger e aproveitar locais frios, como o Parque Nacional do Itatiaia, que atrai milhares de curiosos todos os anos em busca do clima frio:

    ROUPAS – Prefira as térmicas sintéticas e impermeáveis, com secagem rápida do tipo dry-fit. Assim, se houver uma chuva rápida ou mesmo neblina, você não ficará exposto à umidade e, assim, sentirá menos frio. Casacos do tipo corta-vento são essenciais. Acredite no frio. Acima dos 2.400 metros, o ambiente é completamente diferente. Roupas que parecem quentes na capital podem ser imprestáveis nas montanhas. Apostar em várias camadas de roupa também é recomendável, pois permite evitar passar calor à medida que o dia avança e a temperatura aumenta. Roupas de lã são quentes na cidade, mas deixam passar o vento intenso da montanha.

    CABEÇA – Perdemos a maior parte do calor pela cabeça. Por isso, gorros são essenciais.

    HORÁRIO – Para ver neve e geada, o melhor horário é o amanhecer. À noite, na escuridão das montanhas, é impossível ver o que acontece. Principalmente nos cumes. Vale lembrar que é proibido acender fogueiras em unidades de conservação. Muita gente passa noites congelantes acampada, sofre com o frio por horas a fio e no amanhecer, quando os fenômenos do frio são mais belos, está exausta e dormindo.

    COMIDA – A parte alta do Parque Nacional do Itatiaia, assim com outras partes mais elevadas da Serra da Mantiqueira, é isolada. O acesso é feito por estradas ruins. E não há comércio próximo. Por isso, é preciso levar toda a comida e a água que se for consumir. Inclusive, bebidas quentes.

    LIXO – Leve de volta todo o lixo que produzir. Inclusive, os restos de alimentos. Não há como recolher o lixo regularmente e os mais de 1.500 visitantes do fim de semana passado deixaram o parque com muita sujeira, que polui córrego e afeta plantas delicadas. Voluntários precisaram organizar dois mutirões com a direção do parque para limpar as trilhas, que ficaram cheias de lixo.

    GELADEIRA TROPICAL

    Os campos de altitude do Parque Nacional do Itatiaia estão entre as áreas mais frias do Brasil. A região do Parque Nacional de Itatiaia tem amplitude térmica semelhante à de desertos, tamanha a diferença do dia para a noite. A altitude é essencial para o frio. Em média, a temperatura cai um grau Celsius a cada 100 metros de elevação. Isso porque a altitude reduz a pressão e a umidade.

    4

    COMO O CORPO REAGE AO FRIO

    Fenômenos do frio extremo na Serra da Mantiqueira – Márcia Foletto / Agência O Globo

    Quando a temperatura fica um pouco mais baixa os cariocas logo sofrem. Acostumados com o clima quente, muitos sofrem com o clima frio, pouco frequente na cidade. Entenda com o nosso corpo reage diante de baixas temperaturas:

    PÉ FRIO – Quando esfria, o hipotálamo, glândula cerebral ligada à regulação da temperatura corporal, redireciona o fluxo sanguíneo para aquecer o cérebro e outros órgãos vitais. Como resultado, pés e mãos ficam gelados.

    ARREPIOS E TREMEDEIRAS – Tremer é um mecanismo defensivo eficiente _ e desagradável _ pelo qual os músculos produzem mais calor e protegem o corpo do frio. Já os pelos ficam eriçados para ajudar a preservar calor.

    CRIANÇAS – Elas são mais vulneráveis aos efeitos do frio intenso porque seu hipotálamo ainda não está completamente desenvolvido. Por isso, seu corpo tem mais dificuldade para se adaptar às baixas temperaturas. Uma criança pequena levará mais tempo para começar a tremer de frio, um mecanismo de defesa do organismo às baixas temperaturas. As crianças também costumam ter uma superfície corporal grande em relação ao peso e seu organismo perde calor mais depressa.

    Custo de vida em Luanda assusta

    02/07/2017

     

    A cidade mais cara do mundo está num país subdesenvolvido

    Vista geral de Luanda© HERCULADO COROADO Vista geral de Luanda

    É comum que um país muito rico tenha cidades onde até a água é vendida como um artigo de luxo. É o caso de metrópoles como Tóquio, Genebra e Nova York  Entretanto, à frente de todas elas, não há lugar mais caro para um trabalhador estrangeiro que Luanda.

    Segundo o índice do custo da vida para expatriados elaborado há 23 anos pela Consultoria Mercer , a capital de Angola é o lugar com o maior custo de vida do planeta. Na classificação de 2017, ela superou, nessa ordem, Hong Kong – ímã dos milionários chineses –, Tóquio, Zurique, Cingapura, Seul, Genebra, Xangai, Nova York e Berna. São Paulo (27º. lugar) e Rio (56º.) saltaram cerca de 100 posições em relação ao ranking do ano passado, graças à valorização do real no período pesquisado, e se tornaram as cidades mais caras da América do Sul.

    O “êxito” mundial atribuído a Luanda não é novidade, pois ela já havia sido a cidade mais cara do mundo alguns anos atrás. Agora, a crise do petróleo e a inflação galopante a devolveram ao primeiro lugar.

    A Mercer observa que a causa da carestia na capital angolana se deve aos preços dos produtos básicos e também ao custo da segurança. Angola vive do petróleo, mas só alguns de seus habitantes. É um país riquíssimo, com 20 milhões de pobres. E, dos 25 milhões de angolanos, um terço deles vive em barracos na periferia de Luanda. Segundo o Índice Mundial de Progresso Social, só há três países com pior qualidade de vida que Angola.

    No câmbio paralelo de Luanda, um dólar vale 390 kwanzas, a moeda local, o dobro da cotação oficial. Um kwanza não dá para nada. Há algumas semanas, foi aprovado o primeiro salário mínimo único de Angola, no valor e 16.500 kwanzas (330 reais), uma quantia com a qual se pode encher duas vezes o tanque de gasolina de um carro médio. O salário mínimo é suficiente para 30 litros de água, 10 quilos de arroz e 10 litros de leite.

    O país vive das exportações de petróleo (93%) e diamantes, mas a maior parte desse rendimento escoa pelo caminho – e não estamos falando exatamente de canos de água, algo inexistente para 50% das famílias da capital. O símbolo da desigualdade do país são a capital e sua baía, berço do império erguido por Isabel dos Santos, a mulher mais rica da África e filha do presidente José Eduardo dos Santos, por sua vez o governante mais longevo do continente, no poder há 38 anos.

    Em Luanda os restaurantes são proibitivos para os nativos; os estrangeiros precisam pensar bem, porque o prato do dia em qualquer estabelecimento barato chega a 70 reais. Uma calça jeans custa quase 600 reais, o aluguel de um apartamento de dois quartos sai por mais de 15.000, e não se toma um café por menos de 7 reais.

    No extremo oposto de Luanda está Túnis, capital da Tunísia, a cidade mais barata entre as 209 analisadas pela Mercer.

    Fonte: MSN

    Crise financeira no Amazonas

    22/06/2017

    AM perde R$ 1 bilhão na arrecadação e não descarta calamidade econômica

    Governo diz que arrecadação do estado teve queda de mais de R$ 1 bilhão.
    Pagamento de servidores está em dia, mas há atraso para fornecedores.

    Manifestantes acusam governo de calote (Foto: Adneison Severiano/G1 AM)Foto de 07/10 mostra servidores da saúde
    realizando protesto em Manaus
    (Foto: Adneison Severiano/G1 AM)

    A crise financeira no país causa reflexos no Amazonas. No estado, houve demissão de funcionários, corte de investimentos, além de atrasos em pagamentos de prestadores de serviços. O Governo informou que os salários dos servidores públicos não sofreram atrasos, mas não descarta decretar situação de calamidade econômica. A arrecadação estadual teve queda de mais de R$ 1 bilhão neste ano. A saúde é uma das áreas mais afetadas

    Segundo a Secretaria da Fazenda do Amazonas (Sefaz-AM), a crise econômica vivenciada em todo o país e os reflexos acentuados no Polo Industrial de Manaus (PIM) são os fatores apontados para queda da receita.

    A análise feita pela Sefaz mostra que a arrecadação do ICMS foi 15,35% menor de janeiro a julho deste ano na comparação com igual período de 2015. Em valores reais, foram arrecadados R$ 4,8 bilhões nos sete primeiros meses do ano passado contra R$ 4 bilhões no mesmo período deste ano. O recolhimento do ICMS junto à indústria foi 17,46% menor nesse mesmo período (R$ 2,170 bilhão em 2015 contra R$ 1,791 bilhão em 2016).

    As contas do estado estão no vermelho. No primeiro semestre, Amazonas registrou um déficit primário de R$ 1,9 bilhões, segundo dados do Siconfi/Tesouro Nacional.

    Diante disso, o estado precisou diminuir gastos e renegociar valor de contratos com prestadores de serviços. Pelo menos mil cargos comissionados foram reduzidos

    No estado, há atraso no pagamento de salários em empresas que prestam serviços ao governo, e houve redução no expediente  para corte de gastos.

    Na prática, a desaceleração econômica resultou em perdas em receita tributária e também em contribuições, que financiam fundos de desenvolvimento e o funcionamento da Universidade do Estado do Amazonas (UEA)

    Diante do cenário negativo, o estado não descarta decretar situação de calamidade econômica.

    “O estado não decretou situação de calamidade econômica, mas essa é uma condição que não pode deixar de ser descartada, isso porque é ela que resguarda o gestor perante a legislação vigente, que exige investimentos mínimos em determinadas áreas, como em Saúde e Educação. É com o decreto de calamidade econômica que o gestor deixa claro aos órgãos de controle que se algum investimento mínimo não foi alcançado, é porque houve queda de receita decorrente de uma crise econômica. De qualquer modo, o estado trabalha para que não haja a necessidade de fazer uso de tal decreto, uma vez que acredita que com a economia melhorando neste último trimestre do ano, consequentemente a arrecadação tributária também irá melhorar, ainda que em níveis discretos”, explicou a Sefaz-AM.

    Crise na saúde
    Com hospitais superlotados, falta de medicamentos, insumos e equipamentos, a rede estadual de saúde é a área mais afetada. Pacientes denunciam a suspensão  de realização de cirurgias. Funcionários de empresas terceirizadas que atuam nas unidades hospitalares do estado também denunciaram atrasos no pagamento de salários.

    Segundo o presidente do Sindicato dos Médicos do Amazonas (Simeam), Mário Vianna, empresas de manutenção de equipamentos, de fornecimento de materiais, além das cooperativas médicas estão com seus repasses atrasados desde o ano passado. Várias manifestações foram realizadas por funcionários em unidades de saúde.

    “A situação está se agravando. Nós estamos cada vez mais preocupados, nós enquanto representantes da categoria médica, porque as notícias que a gente tem é que todas as unidades de saúde estão passando por crises, devido à falta de insumos, de materiais básicos. Hoje a situação da saúde é muito grave”, destacou.

    Emergência
    No final de agosto deste ano, o governador do Amazonas, José Melo (PROS), decretou estado de emergência econômica no sistema estadual de saúde.  A medida institui a criação de um “gabinete de crise” composto por secretários de diferentes pastas e por uma equipe técnica.

    O governo atribui o problema à diminuição da arrecadação motivada pela crise econômica nacional. “Fica decretado Estado de Emergência Econômica no Sistema Estadual de Saúde, ante atual cenário econômico, a fim de evitar iminente desassistência à população que impõe medidas de prevenção, controle e contenção de riscos, de danos e agravos à saúde pública”, cita trecho do decreto.

    Pagamentos
    O pagamento dos fornecedores e empresas terceirizadas do estado registra atrasos. Segundo o governo, os atrasos têm sido inevitáveis, mas são pagos “na medida que recursos vão ingressando no caixa do Estado”.

    A Sefaz-AM justifica que “o pagamento de fornecedores tem atrasado porque com a queda de receita não há recursos para manter em dia todos os contratos, ainda assim o estado tem se esforçado para que tais atrasos sejam pelo menor tempo possível, e isso na maioria dos casos têm feito”.

    No entanto, o governo afirma que os salários dos servidores públicos não sofreram atrasos e foram priorizados. “Diante da redução da arrecadação de impostos, o estado priorizou o pagamento em dia do funcionalismo público, o pagamento em dia dos empréstimos, o religioso repasse aos poderes, além do bom funcionamento dos serviços essenciais à população. Essa foi a principal meta e ela tem sido alcançada, sem exceção”, disse.

    13º terceiro
    Inicialmente, o governo anunciou que iria pagar o 13o. salário em três parcelas, sendo 30% no mês de julho, 20% em setembro e o restante em dezembro. O governo manteve a política de antecipação da primeira parcela e pagou 30% do benefício em julho, mas decidiu pagar os 70% restantes somente em dezembro. O governo afirma que tem caixa disponível para pagar o 13º dos servidores até o fim do ano.

    Cidade Universitária terá área aproximada de 13.000.000m2 (Foto: Adneison Severiano/G1 AM)Projeto Cidade Universitária, da UEA, teve obra
    afetada pela crise
    (Foto: Adneison Severiano/G1 AM)

    Investimentos
    Os investimentos do Amazonas também foram afetados pela crise econômica, atrasando e paralisando obras. As obras da Cidade Universitária da UEA  seguem sem data confirmada para entrega. Mais de três anos após o lançamento do projeto, 40% da obra está concluída. O projeto prevê a criação de um complexo para concentrar os cursos da universidade no município de Iranduba, a 27 km de Manaus. Na época em que foi lançado, em julho de 2012, o projeto da Cidade estimava a conclusão das obras para 2014.

    “Ainda assim, os investimentos seguiram, sobretudo, aqueles custeados com recursos de operações de crédito e convênios que o Governo tem feito para contornar a queda da arrecadação tributária. Entre os exemplos de investimentos com recursos de operações de crédito e convênios, destaque para as obras de duplicação e pavimentação completa da AM-010, o prosseguimento da Avenida das Flores e o Prosamin em Manaus, além de obras de sistemas viários no interior do Estado”, disse o governo em nota.

    Governador anunciou mudanças durante coletiva  (Foto: Adneison Severiano/G1 AM)Governador anunciou mudanças durante coletiva
    (Foto: Adneison Severiano/G1 AM)

    Medidas
    Diante do quadro adverso, o Governo do Amazonas fez três reformas administrativas, a terceira neste ano de 2016. Houve extinção e junção de secretarias. De acordo com o governo, com as reformas, o estado reduziu o custeio com a fusão de órgãos e secretarias, além da eliminação de aproximadamente 1 mil cargos comissionados, a renegociação de valores de contratos com fornecedores e prestadores de serviços.

    O governo também determinou a redução do expediente das secretarias e serviços do Executivo Estadual. O funcionamento das secretarias e órgãos estaduais foi reduzido para período das 8h às 14h.

    “Nosso empenho nesse momento de crise econômica nacional é para que o funcionalismo público continue recebendo em dia, assim como os poderes com relação aos repasses, além de mantermos funcionando bem os serviços essenciais à população. Ainda assim, temos recorrido ao corte de gastos – já realizamos três reformas administrativas com esta finalidade -, e também à operações de crédito e convênios para manter os investimentos, sobretudo em infraestrutura, que geram emprego e renda, tanto em Manaus quanto no interior do Amazonas. Esse tem sido o esforço do Governo do Amazonas e esperamos que a economia voltei a crescer, o polo industrial da Zona Franca de Manaus retome melhores patamares de produção, porque assim toda a economia melhora, consequentemente também a arrecadação de impostos”, disse o secretário de Fazenda do Amazonas, Afonso Lobo.

    ‘Colapso’
    Em setembro deste ano, governadores de Norte, Nordeste e Centro-Oeste reforçaram, em uma carta enviada ao governo federal, pedido ajuda financeira. No texto, os 20 governadores destacam o cenário de crise financeira e afirmam que já chegaram “a uma situação de colapso”. Sem especificar quais medidas seriam adotadas caso a ajuda seja repassada, a Sefaz informou que o pedido ocorreu em razão das dificuldades para “manter o custeio em dia”. “O pedido de ajuda financeira foi feito ao governo federal, mas ele não veio. O governo federal não criou o fundo para tal e não se sabe se o mesmo será criado”, comunicou.

    Fonte: G1

    Mais uma derrota para Alckmin

    13/06/2017

    Justiça declara ilegais cargos comissionados irregulares na Secretaria da Fazenda

    Governo agora se movimenta para elaborar projeto de lei com o objetivo de corrigir essa ilegalidade. Sinafresp segue acompanhando o desenrolar dos atos em prol do erário público

    Por meio de algumas leis estaduais, como a Lei 8.197/92 e as Leis Complementares 878/2000, 1.122/2010 e 1.251/2014, o Estado de São Paulo criou e regulamentou alguns cargos em comissão dentro da Secretaria da Fazenda do Estado, sobretudo os cargos de Assistente Técnico da Fazenda Estadual I, Assistente Técnico da Fazenda Estadual II e Assistente Técnico da Fazenda Estadual III.

    Apesar de terem sido criados a partir de leis, a descrição das atribuições, a definição de suas competências, poderes e deveres, do modo de investidura e das condições para o exercício, não foram devidamente descritas por e nesses dispositivos legais.

    Por este motivo, o Ministério Público do Estado, por meio do Procurador Geral, ajuizou uma Ação Direta de Inconstitucionalidade para declarar as leis inconstitucionais e, respectivamente, ilegais os referidos cargos que existem atualmente (ADI 2227159-41.2016.8.26.0000).

    Tal ADI foi julgada no último dia 24 de maio, tendo o Órgão Especial do Tribunal de Justiça, por unanimidade, julgado procedente, declarando inconstitucionais os cargos em comissão criados pelas já citadas leis.

    Sob o pretexto de preservar a estrutura administrativa da SEFAZ onde os funcionários estão lotados, os Desembargadores decidiram que a declaração de inconstitucionalidade terá eficácia em 120 dias contados a partir do julgamento.

    O Governo de São Paulo se movimentou rapidamente – apenas dois dias após a decisão judicial – com o objetivo de propor um Projeto de Lei Complementar (PLC nº 16, de 26/05/2017) corrigindo o vício apontado no julgamento da ADI e disciplinando o regime jurídico dos cargos em comissão mencionados.

    Um ponto importante de destacar é que a decisão leva em conta os casos da data do julgamento em diante, sem julgar o passado.  Vale lembrar ainda que cargos comissionados devem ser provisórios e exercidos em caráter de excepcionalidade.

    Além disso, somente devem ser utilizados para funções de chefia, assessoramento e direção. A partir do momento que a atividade é essencialmente uma atividade exclusiva e permanente de Estado,  não pode ser exercida por provimento em comissão, mas sim por profissionais concursados e de carreira.

    Fonte: Sinafresp

    Trump tira Estados Unidos do Acordo de Paris, sobre mudanças climáticas

    04/06/2017

     

    G20 termina com protestos e Trump isolado

  • Slide 1 de 28: O presidente Michel Temer conversa com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante a cúpula do G20, na Alemanha
  • Slide 2 de 28: O presidente Michel Temer cumprimenta o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante a cúpula do G20, na Alemanha
  • Slide 3 de 28: O presidente Michel Temer cumprimenta o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante a cúpula do G20, na Alemanha
  • Slide 4 de 28: O presidente Michel Temer cumprimenta a primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, durante a cúpula do G20
  • Slide 7 de 28: O presidente Michel Temer chega à Filarmônica de Hamburgo, para o encontro de cúpula do G20, na Alemanha

    O PRESIDENTE MICHEL TEMER CONVERSA COM O PRESIDENTE DOS ESTADOS UNIDOS, DONALD TRUMP, DURANTE A CÚPULA DO G20, NA ALEMANHA

    A cúpula do G20 terminou neste sábado em Hamburgo, na Alemanha, em meio a protestos e confusão do lado de fora , e com o presidente americano Trump isolado em relação às questões climáticas. Apenas os Estados Unidos votaram contra o Acordo de Paris, que luta contra o aquecimento global e terminaram com uma derrota por 19 a 1. Trump, no entanto, selou um compromisso a favor do livre comércio, reconhecendo o direito dos Estados Unidos de se defender de “práticas injustas”.

    A Alemanha, à frente do grupo das principais economias do mundo e das potências emergentes, apressou as negociações até o último momento e conseguiu, como queria a chanceler Merkel  um documento assinado por todos que expõe as discordâncias e ficam evidentes as diferenças com Washington.

    “Em alguns temas obtivemos bons resultados, embora não negue que as negociações foram difíceis”, admitiu na entrevista coletiva final Merkel, que se mostrou “muito contente” porque todos os líderes, exceto Trump, ratificaram seu compromisso com o Acordo de Paris.

    O texto final deixou claro o descontentamento com o abandono americano. “Está muito claro que não conseguimos chegar a um consenso, mas as diferenças não foram escondidas. Alteramos a declaração, que deixa muito clara a diferença entre o que os Estados Unidos querem e o que os outros países querem”, afirmou Merkel.

    No comunicado conjunto, os parceiros do G20 definem esse acordo como “irreversível” e se comprometem a aplicá-lo “o mais rápido possível”. Washington conseguiu incluir uma frase controversa, na qual diz que ajudará países terceiros a “usar combustíveis fósseis”, como o carvão e o petróleo, “de forma mais limpa e eficiente”, ponto que atrasou o acordo, até que finalmente ficou claro na redação do documento que era exclusivamente uma intenção dos Estados Unidos.

    Livre comércio – O segundo impasse nas negociações foi a defesa do livre comércio e a rejeição ao protecionismo, princípios clássicos do G20 que vão contra a política econômica de Trump. Finalmente, o G20 ressaltou que o comércio e os investimentos internacionais são “importantes motores para o crescimento, a produtividade, a inovação, a geração de emprego e o desenvolvimento” e reiterou sua aposta em manter abertos os mercados e lutar contra medidas protecionistas.

    Não entanto, a pedido de Washington, também foi reconhecido “o papel de legítimos instrumentos de defesa comercial” perante “práticas injustas”. Nessa questão, Merkel comemorou o acordo alcançado para buscar em um fórum multilateral e até novembro soluções para a sobrecapacidade de aço, que levou recentemente os EUA a ameaçarem com sanções a União Europeia (UE) e a China.

    As demais questões documento final da cúpula, de 14 folhas, já tinham chegado a Hamburgo praticamente pactuadas e Merkel conseguiu sem maiores problemas fazer com que os líderes mundiais se comprometessem a melhorar a cooperação na luta contra o terrorismo e a resposta perante as pandemias.

    Com este balanço, um documento unânime em que ficou claro que os EUA decidiram se isolar, os líderes foram deixando Hamburgo e a cidade começou a respirar após três dias de protestos e violentos distúrbios que deram a volta ao mundo. As confusões deixaram 143 presos e 213 policiais feridos.

    Fonte: MSN

    Acordo de Paris: o fim da liderança global dos americanos

    A saída do acordo sobre mudanças climáticas é a demonstração de que os EUA são a maior ameaça à ordem internacional construída pelos E

    O presidente dos EUA, Donald Trump, anuncia que o país está se retirando do Acordo de Paris (Foto: Brendan Smialowski / AFP)

    A retirada do Acordo de Paris sobre as mudanças climáticas é a demonstração de que os Estados Unidos são hoje a maior fonte de ameaça à ordem internacional construída nas últimas décadas sob a liderança… dos Estados Unidos. Com a decisão do governo Trump de tirar os Estados Unidos do acordo que tenta atenuar os efeitos do aquecimento do planeta, a maior potência econômica, militar e tecnológica do mundo está se eximindo de exercer um papel de liderança na questão mais crucial e premente para a humanidade nas próximas décadas.

    Sintomaticamente, a decisão do governo Trump sobre o acordo de Paris, um repúdio frontal ao sistema das Nações Unidas erigido após a Segunda Guerra Mundial sob a inspiração do presidente americano Franklin Delano Roosevelt, foi tomada na mesma semana em que outro pilar da ordem internacional dos últimos 70 anos – a aliança transatlântica entre Estados Unidos e a Europa Ocidental – sofreu forte abalo.

    Em seguida à recusa de Donald Trump de se comprometer com o princípio de defesa mútua dos países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), na última reunião de cúpula da aliança militar, a chanceler da Alemanha, Merkel, disse que a Europa não pode contar mais com os Estados Unidos – um reconhecimento tácito de que a aliança ocidental está “moribunda”, como escreveu Martin Wolf, o celebrado colunista do jornal britânico Financial Times.

    Como não existe vácuo em poder, a renúncia à liderança por parte dos Estados Unidos abre espaço para a emergência de novas potências. A candidata mais óbvia ao lugar é a China  governada pelo Partido Comunista. Grande beneficiária das mudanças na economia global das últimas décadas, a China, que só entrou no Conselho de Segurança das Nações Unidas por insistência de Roosevelt e contra a oposição do líder britânico Winston Churchill,  passou a se exibir como a grande defensora da atual ordem global, desde a eleição de Trump.

    Em contraposição ao discurso protecionista feito por Trump em sua campanha presidencial, o líder chinês Xi Jimping, na última reunião do fórum de Davos, se apresentou como o baluarte da globalização. Com a retirada dos Estados Unidos do Acordo de Paris, a China imediatamente se empinou para ocupar a liderança no combate ao aquecimento global. “Trump fez o mundo mais seguro para a China exercer influência”, disse, em tom de lamento, Richard Haass,  presidente do Council on Foreign Relations, centro de estudos de política internacional, que exerce grande influência nas políticas do governo americano.

    Mesmo a União Europeia, que aparentava estar relegada a uma trajetória de decadência, parece energizada, depois da vitória de Macron  na eleição presidencial na França, para assumir um papel de maior protagonismo mundial. Em seguida à declaração de Merkel de que os europeus precisam tomar as rédeas do próprio destino, França, Alemanha e Itália, sob o impulso de Macron, assumiram o compromisso de não ceder em qualquer renegociação do Acordo de Paris para trazer os Estados Unidos de volta ao tratado internacional. Como disse o jornal francês Le Monde, em editorial, são sinais veementes de que se o século XX foi americano, o século XXI caminha aceleradamente para deixar de sê-lo.

    Fonte: Época

    ESTADO ISLÂMICO perde força

    25/05/2017

     

    Historiador tenta reconstruir biblioteca da Universidade de Mossul após saída do Estado Islâmico

    Prédio virou quartel-general do EI e teve milhares de livros destruídos. Com retomada, historiador anônimo reúne voluntários para preservar obras que sobreviveram a 19 meses de ocupação.


     

    Após expulsão do Estado Islâmico, historiador tenta reconstruir biblioteca da Universidade

    Após expulsão do Estado Islâmico, historiador tenta reconstruir biblioteca da Universidade

    m historiador iraquiano está tentando reconectar a cidade de Mossul com o resto do mundo com o resgate de livros e a reconstrução de uma biblioteca. Depois de dois anos e meio sob o domínio do Estado Islâmico (EI) e nove meses de batalha intensa entre os terroristas e o exército do Iraque, a cidade iraquiana ficou destruída  e mais de 900 mil habitantes fugiram de suas casas.

    Com a vitória do governo iraquiano, decretada em 9 de julho , os sobreviventes agora começam a reconstruir uma cidade devastada. E a Biblioteca Central da Universidade de Mossul virou um dos símbolos do desafio. “Eu vou trabalhar neste projeto até que eu sinta que a biblioteca voltou a ser um lugar onde pesquisadores de todo o mundo vão querer visitar”, disse, em entrevista por telefone ao G1, o historiador, que só aceita se identificar pelo codinome de ‘Mosul Eye’ (‘Olho de Mossul’).

    ‘Mosul Eye’ não revela sua identidade, sua idade e conta apenas que estudou na universidade que agora quer ajudar a reerguer. Para preservar sua segurança, ele não aceita revelar o país onde vive, e afirma que nem os próprios voluntários locais (entre 20 e 40 pessoas com quem se comunica virtualmente) conhecem sua verdadeira identidade.

    Ele conta que há cerca de um ano fugiu do Iraque por causa das constantes ameaças de morte – seu blog anônimo foi o primeiro a surgir após a invasão do EI, e virou uma fonte de informação da resistência aos terroristas para internautas e jornalistas de todas as partes do mundo.

    Além de coordenar um grupo que já resgatou mais de 2 mil livros dos destroços, o voluntário anunciou ainda um pedido de doações de livros do mundo todo, e busca uma impressora para digitalizar as obras da biblioteca para que elas sejam preservadas para sempre.

    Imagens publicadas no site oficial da Biblioteca Central da Universidade de Mossul mostram como era o prédio antes da invasão do Estado Islâmico, e como ficou após a retirada do grupo terrorista (Foto: Divulgação/University of Mosul)Imagens publicadas no site oficial da Biblioteca Central da Universidade de Mossul mostram como era o prédio antes da invasão do Estado Islâmico, e como ficou após a retirada do grupo terrorista (Foto: Divulgação/University of Mosul)

    Imagens publicadas no site oficial da Biblioteca Central da Universidade de Mossul mostram como era o prédio antes da invasão do Estado Islâmico, e como ficou após a retirada do grupo terrorista (Foto: Divulgação/University of Mosul)

     

    ‘Ministério da educação islâmica’

     

    Ao G1, ‘Mosul Eye’ recontou o que foi feito da biblioteca durante a ocupação do Estado Islâmico. Localizado no vasto campus da universidade, no lado leste da cidade, o outrora imponente edifício da biblioteca era um dos locais militarmente estratégicos para o grupo terrorista, e virou a sede de um novo ‘ministério da educação’, que tentou suplantar o sistema educacional por uma doutrinação baseada no ensino religioso.

    Neste quartel-general, livros didáticos de todos os níveis de ensino foram reescritos, conta ele. O grupo terrorista também tentou reabrir a universidade, mas impondo seu próprio sistema educacional.

    Voluntária de Mossul ajuda a empilhar os livros retirados da Biblioteca Central da Universidade de Mossul, após o Estado Islâmico deixar o prédio, depois de 19 meses usando a universidade como ponto militar estratégico (Foto: Ali Al-Baroodi)Voluntária de Mossul ajuda a empilhar os livros retirados da Biblioteca Central da Universidade de Mossul, após o Estado Islâmico deixar o prédio, depois de 19 meses usando a universidade como ponto militar estratégico (Foto: Ali Al-Baroodi)

    Voluntária de Mossul ajuda a empilhar os livros retirados da Biblioteca Central da Universidade de Mossul, após o Estado Islâmico deixar o prédio, depois de 19 meses usando a universidade como ponto militar estratégico (Foto: Ali Al-Baroodi)

    “A universidade foi fechada em junho de 2014 pelo Estado Islâmico quando ele ocupou a cidade. Mas eles tentaram reabrir a universidade, obrigando os funcionários e professores a fazerem uma reunião com o ministro de educação islâmica”, afirmou o historiador.

    A iniciativa, porém, fracassou. “Eles pararam o ‘ministério da educação’ no começo de 2015, porque não conseguiram fazer nada. As pessoas se recusaram a ir para a universidade. A universidade em si foi reaberta fora de Mossul, então os estudantes não precisavam seguir o Estado Islâmico ou ir para a universidade islâmica.”

    Voluntários se organizam para retirar os livros da Biblioteca Central da Universidade de Mossul, no Iraque, que passou 19 meses nas mãos do Estado Islâmico e sofreu ataques tanto do grupo terrorista quanto de bombardeios da coalizão liderada pelos Estados Unidos, segundo o historiador anônimo por trás do blog 'Mosul Eye' (Foto: Divulgação/Ali Al-Baroodi)Voluntários se organizam para retirar os livros da Biblioteca Central da Universidade de Mossul, no Iraque, que passou 19 meses nas mãos do Estado Islâmico e sofreu ataques tanto do grupo terrorista quanto de bombardeios da coalizão liderada pelos Estados Unidos, segundo o historiador anônimo por trás do blog 'Mosul Eye' (Foto: Divulgação/Ali Al-Baroodi)

    Voluntários se organizam para retirar os livros da Biblioteca Central da Universidade de Mossul, no Iraque, que passou 19 meses nas mãos do Estado Islâmico e sofreu ataques tanto do grupo terrorista quanto de bombardeios da coalizão liderada pelos Estados Unidos, segundo o historiador anônimo por trás do blog ‘Mosul Eye’ (Foto: Divulgação/Ali Al-Baroodi)

     

    Resgate arriscado

     

    O edifício da biblioteca ficou nas mãos do EI entre junho de 2014 e janeiro de 2017, quando o grupo se retirou do local após ataques da ofensiva do exército iraquiano. O Iraque só anunciou a retomada total da cidade em 9 de julho, mas há meses o grupo de voluntários, que atendeu ao chamado do historiador pela internet, passou a se dedicar à recuperação da biblioteca.

    Até agora, o homem por trás do codinome ‘Mosul Eye’ estima que cerca de 2 mil livros foram resgatados, entre eles obras raras. Nem todos, porém, estão em boas condições, e nem sempre as buscas pelo edifício vazio e cinza estão livres de perigo, já que ainda há bombas dentro do prédio.

    Segundo o historiador anônimo que lidera o projeto e atende pelo codinome 'Mosul Eye', nos últimos meses mais de 2 mil livros foram resgatados do prédio parcialmente destruído da Biblioteca Central da Universidade de Mossul (Foto: Divulgação/Ali Al-Baroodi)Segundo o historiador anônimo que lidera o projeto e atende pelo codinome 'Mosul Eye', nos últimos meses mais de 2 mil livros foram resgatados do prédio parcialmente destruído da Biblioteca Central da Universidade de Mossul (Foto: Divulgação/Ali Al-Baroodi)

    Segundo o historiador anônimo que lidera o projeto e atende pelo codinome ‘Mosul Eye’, nos últimos meses mais de 2 mil livros foram resgatados do prédio parcialmente destruído da Biblioteca Central da Universidade de Mossul (Foto: Divulgação/Ali Al-Baroodi)

    “O próximo passo é digitalizar esses livros. Mas acho que a biblioteca central deveria ter feito isso há quatro anos, porque todo mundo esperava que esse tipo de coisa poderia acontecer. Eles deveriam ter pensado mais no futuro.” Essa iniciativa, porém, exige uma impressora específica, que os voluntários ainda não conseguiram.

    O campus da universidade onde fica a biblioteca está no lado leste de Mossul, e foi considerado estratégico militarmente pelo Estado Islâmico (Foto: Editoria de Arte/G1)O campus da universidade onde fica a biblioteca está no lado leste de Mossul, e foi considerado estratégico militarmente pelo Estado Islâmico (Foto: Editoria de Arte/G1)

    O campus da universidade onde fica a biblioteca está no lado leste de Mossul, e foi considerado estratégico militarmente pelo Estado Islâmico (Foto: Editoria de Arte/G1)

     

    Um ‘olho’ do mundo em Mossul

     

    Ele documenta, pelas redes sociais, o andamento do projeto, com fotos e vídeos. ‘Mosul Eye’ também promove uma série de eventos culturais para tentar incentivar a produção de arte na cidade – educação e cultura estão entre as muitas restrições impostas pelo Estado Islâmico à população local. Homens vestindo jeans, mulheres com roupas coloridas e o som de instrumentos musicais mostrados no vídeo acima eram impensáveis há um ano, diz ele.

    O próprio fato de um civil registrar imagens em fotos e vídeos, como fizeram Ali Al-Baroodi e Saad Hadi, voluntários que documentam o resgate da biblioteca em imagens como as desta reportagem, seria uma morte certa. “Se alguém quisesse se matar, era só levar uma câmera para a rua”, diz o historiador.

    Enquanto esperam a reconstrução dos sistemas de esgoto, água e eletricidade, e a reforma dos prédios, que devem custar mais de US$ 1 bilhão, segundo a ONU, a população volta a viver livre. Nesta quinta-feira (27), um grupo de estudantes de belas artes realizará uma noite de gala em Mossul, para apresentar obras que têm sido produzidas em cima dos próprios escombros da cidade, em outra das ações divulgadas por ‘Mosul Eye’.

    Professores, estudantes, economistas, acadêmicos: residentes de Mossul atenderam ao chamado do blogueiro anônimo 'Mosul Eye', um historiador exilado fora do Iraque, e agora tentam preservar os livros da Biblioteca Central da Universidade de Mossul (Foto: Divulgação/Ali Al-Baroodi)Professores, estudantes, economistas, acadêmicos: residentes de Mossul atenderam ao chamado do blogueiro anônimo 'Mosul Eye', um historiador exilado fora do Iraque, e agora tentam preservar os livros da Biblioteca Central da Universidade de Mossul (Foto: Divulgação/Ali Al-Baroodi)

    Professores, estudantes, economistas, acadêmicos: residentes de Mossul atenderam ao chamado do blogueiro anônimo ‘Mosul Eye’, um historiador exilado fora do Iraque, e agora tentam preservar os livros da Biblioteca Central da Universidade de Mossul (Foto: Divulgação/Ali Al-Baroodi)

    Sua iniciativa de servir como a “janela” de Mossul para o mundo fez com que o jovem angariasse mais de 270 mil seguidores no Facebook e 23 mil no Twitter. Com publicações em árabe e em inglês, ele busca ajuda para seu projeto desde janeiro.

    “A gente não podia, nos últimos anos, reconectar Mossul com o resto do mundo porque tínhamos problemas: segurança ruim, corrupção na educação, eles estavam matando pessoas, nós não podíamos fazer nada. Eu pensei que esse era o momento de fazer algo”, lembra.

     

    “No domingo da libertação da biblioteca, eu me lembro, foi em janeiro de 2017. Quando eu publiquei esse chamado por doações, eu fiquei chocado, mas de um jeito bom. Eu recebi centenas de e-mails de pessoas dizendo que queriam doar livros. Foi realmente algo incrível.”

     

     

    Apoio do Ocidente

     

    Ele afirma que chegou a receber uma única doação de seis mil livros vindas dos Estados Unidos, neste mês, e cita países da Europa e a Austrália como principais apoiadores da iniciativa. De pessoas árabes ele afirma ter recebido alguns e-mails. “Da Rússia, nenhum”, ressalta. Em seu site oficial, a biblioteca, que passou a publicar notícias depois de vários anos de ocupação, relatou em junho uma doação de 1.500 obras, feita pela Biblioteca de Alexandria, no Egito.

    Ao G1, ‘Mosul Eye’ relatou que três pessoas do Brasil, entre eles uma moradora de São Paulo e um do Paraná, já enviaram mensagens mostrando interesse no projeto. “Eu gostaria de saber mais não só sobre os brasileiros, mas sobre a América Latina”, disse ele. “Queremos ler, precisamos ler mais sobre culturas diferentes.”

    O historiador, que há anos vive virtualmente sob o codinome e não revelou sua identidade nem para a própria família, explica que tem mais poder de ajudar a resgatar e preservar a história de sua cidade por trás da ideia ‘Mosul Eye’ do que como um único indivíduo. Um dos legados que ele pretende deixar com o projeto é mudar a visão que o mundo tem de Mossul:

     

    “O que eu quero mesmo é que, quando alguém buscar por Mossul, que eles não encontrem coisas relacionadas ao Estado Islâmico, e sim a biblioteca de Mossul. É esse o meu sonho. E eu sou tão forte quanto os meus sonhos.”

     

     

    COMO AJUDAR

     

    As doações estão sendo enviadas a um endereço em Erbil, uma cidade do Curdistão iraquiano. Para obter mais informações, é preciso enviar um e-mail em inglês para mosul.eye@gmail.com.

    Fonte: G1

     

     

    Iraque anuncia vitória contra jihadistas do Estado Islâmico em Mossul

    © Fournis par RFI

    O primeiro-ministro iraquiano, Haider Al-Abadi, proclamou neste domingo (9) a vitória de seu exército em Mossul, cidade “libertada” após uma batalha de quase nove meses contra os extremistas do grupo Estado Islâmico (EI). Abadi “chega à cidade libertada de Mossul e felicita os combatentes heróicos e o povo iraquiano por esta importante vitória”, indica um comunicado do governo.

    A reconquista da segunda maior cidade do Iraque, ao final da ofensiva lançada em outubro, é um marco para as tropas iraquianas. A vitória iminente das forças iraquianas sobre os extremistas havia sido anunciada no sábado (8) pelo general americano Robert Sofge. Os últimos combatentes sunitas estavam cercados em dois quarteirões da cidade antiga de Mossul. A organização terrorista controlava a cidade desde junho de 2014.

    Segundo Sofge, os jihadistas estavam “desesperados”, tentando fugir da morte. Nos últimos dias, eles rasparam as barbas e se misturaram aos civis na esperança de não serem identificados.

    Os jihadistas deixam para trás um rastro de bombas escondidas em quase todos os edifícios e instalações que ocuparam. O general Sofge disse que bombas foram encontradas até embaixo de berços.

    A ofensiva, lançada no dia 17 de outubro pelas forças iraquianas, contou com o apoio decisivo dos ataques aéreos da coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos. A campanha militar provocou, no entanto, uma crise humanitária maior, devido à fuga de milhares de civis, segundo a ONU.

    Dimensão simbólica

    Mossul tinha uma dimensão simbólica para o EI: foi nesta cidade que o líder da organização, Abu Bakr al-Baghdadi, fez seu único discurso público em julho de 2014, depois de proclamar um “califado islâmico” em áreas do Iraque e da Síria.

    A reconquista de Mossul não representa o fim da guerra contra o grupo ultrarradical, responsável por atrocidades contra as populações das zonas sob seu controle e atentados terroristas em várias regiões do mundo. O EI ainda controla algumas zonas no Iraque, no centro e no leste da Síria. Combatentes estão cercados atualmente na cidade síria de Raqa por tropas apoiadas por Washington.

    Fonte: MSN

    Estado Islâmico perde força com recuo do califado e rumor de morte de líder

    Contraofensivas nas ‘capitais’ em Síria e Iraque expõem fragilidade dos terroristas

    Forças antiterror do Iraque avançam sobre territórios controlados pelo Estado Islâmico em Mossul – AHMAD AL-RUBAYE / AFP

    Na quinta-feira, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia afirmou que não poderia confirmar 100% a morte de Baghdadi, embora considerasse ter “um alto grau de certeza” de que os relatos sobre o líder do EI estivessem corretos. Já o Observatório Sírio de Direitos Humanos, ONG baseada em Londres que monitora o conflito, levantou dúvidas sobre as alegações russas, ao afirmar que o líder extremista estava em outra parte do país no fim de maio.

    — De acordo com nossas informações, no fim do mês passado, Baghdadi estava na área entre Deir el-Zour e o Iraque — afirmou o diretor da ONG, Rami Abdulrahman. — Faz sentido pensar que ele se colocaria numa situação tão complicada, entre a Rússia e a coalizão liderada pelos Estados Unidos?

    O governo americano — que por sua vez afirma que o principal sacerdote do EI, Turki Binali, e o chefe da Amaq, agência de propaganda do grupo, Rayaan Mashal, foram mortos em recentes bombardeios — também recebeu com cautela as informações russas, notando “inconsistências” nos relatos.

    — Um ataque tão grande que teria acontecido há tanto tempo sem que ninguém soubesse disso é algo que nos deixa curiosos — afirmou anonimamente um funcionário da Casa Branca ao diário britânico “Independent”.

    O Ministério de Defesa da Rússia afirma que os bombardeios atingiram uma reunião de líderes do EI, que teriam se encontrado nas imediações de Raqqa para discutir uma estratégia de retirada da cidade, rumo ao Sul da Síria.

    Apenas 300 extremistas em cidade iraquiana

    A incerteza sobre a morte do líder do EI surge no momento em que o grupo se vê prestes a perder o controle de Mossul, seu principal bastião no Iraque. Na noite de quarta-feira, a coalizão liderada por Washington iniciou uma ofensiva sobre a porção ocidental da cidade, onde — de acordo com o Pentágono — uma parte pequena do grupo extremista ainda resiste. A ação culminou com a destruição da Grande Mesquita de al-Nuri, templo do século XII, usado pelos jihadistas para a proclamação de seu califado, em 2014. Responsável por uma vasta campanha de demolição de templos religiosos e monumentos históricos, o EI acusou a coalizão de destruir a mesquita com bombardeios aéreos, enquanto o governo iraquiano afirmou que jihadistas detonaram explosivos no templo ao perceber a aproximação de soldados da coalizão.

    — A destruição do Minarete de al-Hadba e da Mesquita de al-Nuri revelam um reconhecimento da derrota do EI — afirmou o premier iraquiano, Haider al-Abadi. — Em questão de dias anunciaremos a libertação completa de Mossul.

    • O Estado Islâmico, que controla regiões da Síria e do Iraque e tem integrantes em outros países, foi criado em 2013 e cresceu como um braço da organização terrorista al-Qaeda no Iraque. Em 2014, após romperem laços, os extremistas autoproclamaram um califado cuja capital é Raqqa, na Síria.

    A opinião do premier é compartilhada por especialistas:

    — Eles disseram que lutariam até seu último suspiro para defender a mesquita — afirmou o analista de segurança Safaa al-A’sam. — A verdade é que eles não são mais capazes de enfrentar as forças do governo iraquiano.

    Ao iniciar a operação para recapturar Mossul, em outubro do ano passado, forças iraquianas e americanas tinham a esperança de que a cidade estivesse liberada no fim do ano. Quase nove meses mais tarde, mais de 850 mil pessoas foram obrigadas a deixar suas casas, e milhares de civis morreram, vítimas de bombardeios da coalizão ou ofensivas do EI. Cerca de 100 mil pessoas permanecem na porção ocidental da cidade, e a coalizão afirma ter um plano de evacuação pronto para ser colocado em ação assim que a vitória sobre os jihadistas se consolidar. O Pentágono acredita que apenas 300 dos 6 mil membros do EI que ocupavam Mossul no início da operação tenham permanecido na região.

    Na Síria, onde a guerra civil iniciada em 2011 já deixou mais de 4.500 mortos, Moscou e Washington combatem o EI, mas também se encontram em rota de colizão. A coligaão liderada pelos Estados Unidos apoia as Forças Democráticas Sírias (FDS), que lutam para derrubar o presidente sírio, Bashar al-Assad. No entanto, Assad tem ao seu lado as forças militares do país, e aliados como a Rússia e o Irã, que controla milícias xiitas como o Hezbollah. Paralelamente, grupos rebeldes — alguns deles ligados à al-Qaeda — podem aproveitar os avanços das frentes contra o EI para aumentar seu controle sobre porções da Síria.

    Dúvidas sobre o futuro do conflito

    Com o EI exercendo cada vez menos controle sobre o território sírio, a grande questão é qual será o futuro do conflito num cenário sem a presença do grupo. O ex-diretor de Comunicações da Casa Branca Pat Buchanan prevê que Estados Unidos e Rússia terão momentos de tensão relativos à permanência de Assad no poder, enquanto Robert Ford, enviado especial de Washington para a Síria, acredita que o governo americano trairá os curdos, deixando-os a mercê das forças do ditador sírio

    — Os Estados Unidos estão completamente focados em derrotar o EI, e ainda não decidiram o que fazer se os conflitos entre Assad e a liderança curda das FDS continuarem, nem que espécie de assistência darão às áreas sob controle das FDS — afirma Aaron Stein, analista do Atlantic Council.

    O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) divulgou um relatório sobre o Iraque, no qual denuncia que crianças de Mossul têm sido feridas para punir famílias que resistem ao controle do EI e evitar que elas deixem a cidade. De acordo com o documento, desde a intensificação da violência no país, em 2014, mais de 2.200 crianças foram mortas ou feridas, e mais de 4.650 foram separadas de suas famílias. O Unicef afirma ainda que mais de cinco milhões de crianças iraquianas dependem de ajuda humanitária urgente.

    Rússia pode ter matado líder do Estado Islâmico, diz ministro da Defesa

    Ataque aéreo que pode ter matado Abu Bakr al-Baghdadi foi feito em 28 de maio em Raqqa, na Síria. Coalizão não pode confirmar a informação.


    Reuters

    Abu Bakr al-Baghdadi, líder do Estado Islâmico, durante sermão em uma mesquita de Mosul, no Iraque. A imagem foi retirada de um vídeo divulgado em julho de 2014  (Foto: Al-Furqan Media/Anadolu Agency/AFP/Arquivo)

    Abu Bakr al-Baghdadi, líder do Estado Islâmico, durante sermão em uma mesquita de Mosul, no Iraque. A imagem foi retirada de um vídeo divulgado em julho de 2014 (Foto: Al-Furqan Media/Anadolu Agency/AFP/Arquivo)

    O ministro da Defesa da Rússia afirmou nesta sexta-feira (16) que um ataque aéreo russo pode ter matado o líder do Estado Islâmico, Abu Bakr al-Baghdadi, informou a agência Tass. A coalizão, que é liderada pelos Estados Unidos, não consegue confirmar a informação, segundo a Associated Press.

    O ataque que pode ter matado al-Baghdadi foi feito em 28 de maio em Raqqa, cidade no centro-norte da Síria que é o principal reduto do grupo terrorista no país, de acordo o ministro Sergei Shoigu.

    O alvo do bombardeio era um encontro de líderes do Estado Islâmico. “Informações que estão sendo checadas por diversos canais indicam que o líder do Estado Islâmico, Abu Bakr al-Baghdadi, que foi eliminado pelo ataque aéreo, também estava participava do encontro”, informou o ministério segundo a agência de notícias RIA.

     

    Raqqa e Mossul, capitais do Estado Islâmico

     

    Raqqa, na Síria, e Mossul, no Iraque, são as capitais do Estado Islâmico e estão sob intenso ataque de diversas forças de segurança. Raqqa está quase cercada por uma coalizão de grupos sírios, curdos e árabes, e as forças iraquianas já retomaram a maior parte de Mossul, cidade que havia sido conquistada pelo grupo terrorista em junho de 2014.

    Com a conquista da cidade, al-Baghdadi se declarou “califa” (líder de todos os muçulmanos). O vídeo do líder do Estado Islâmico vestido com mantos clericais negros declarando seu califado, do púlpito da Grande Mesquita de Al-Nuri, é sua última imagem pública.

     Fonte: G1

    EI toma antigo reduto de Bin Laden no Afeganistão

    O grupo jihadista Estado Islâmico (EI) tomou o controle de parte das montanhas de Tora Bora, no Afeganistão, onde Osama bin Laden se escondeu após os atentados de 11 de setembro de 2001, dois meses depois que os Estados Unidos lançaram a GBU-43/B MOAB, sua maior bomba não nuclear, para acabar com o principal santuário do grupo terrorista no Afeganistão.

    Attaullah Khogyanai, porta-voz do governador da província de Nangarhar, no leste do país e onde fica Tora Bora, confirmou nesta quinta-feira para a Agência Efe a tomada desta região infestada de túneis e cavernas, na primeira grande vitória dos jihadistas em dois meses, mas comentou que as forças de segurança já iniciaram uma operação para expulsá-los de lá.

    “As nossas forças estiveram ocupadas em uma operação no distrito de Pachir-Agam, agora estão perto de Tora Bora”, detalhou Khogyanai.

    Os talibãs, que até agora controlavam esta famosa região próxima da fronteira com o Paquistão, reconheceram que o EI assumiu o controle da parte “montanhosa” da área.

    O porta-voz dos talibãs, Zabihullah Mujahid, disse à Efe que nos últimos três dias os jihadistas do EI tomaram gradualmente a região após quase uma semana de enfrentamentos entre os grupos insurgentes.

    “Nossos mujahedins contra-atacaram ontem para repeli-los, mas os americanos bombardearam nossos mujahedins e, por enquanto, nossa operação está suspensa na área”, detalhou Mujahid.

    O porta-voz, no entanto, assinalou que a maior parte de Tora Bora continua nas mãos dos talibãs e acrescentou que reforços foram enviados para lançar uma nova ofensiva de contra-ataque.

    Os túneis de Tora Bora foram construídos pelos mujahedins com ajuda dos Estados Unidos durante a guerra com os soviéticos (1979-1989) e foram um bastião da Al Qaeda e dos talibãs durante a invasão americana em 2001.

    Recompensa de US$ 25 milhões

    Caso a morte de al-Baghdadi se confirme, será um grande triunfo da Rússia, que intervém na guerra civil síria e defende o ditador Bashar al-Assad, e um revés para os Estados Unidos, que oferecia uma recompensa de US$ 25 milhões (mais de R$ 80 milhões) para levá-lo à Justiça.

    O programa de recompensas de contraterrorismo do Departamento de Estado dos EUA ofereceu os mesmos US$ 25 milhões por Bin Laden e pelo falecido presidente iraquiano, Saddam Hussein, e ainda oferece o valor para quem denunciar o sucessor de Bin Laden na Al Qaeda, Ayman al-Zawahiri.

     

    Abu Bakr al-Baghdadi

     

    Nascido Ibrahim al-Samarrai, al-Baghdadi é um iraquiano de 46 anos que rompeu com a Al Qaeda em 2013, dois anos após a captura e morte do líder do grupo, Osama bin Laden.

    Ele cresceu em uma família religiosa, estudou teologia islâmica em Bagdá e se uniu à insurgência salafista jihadista em 2003, o ano da invasão dos EUA ao Iraque. Ele foi capturado pelos norte-americanos, que o soltaram cerca de um ano mais tarde por considerá-lo então um civil, não um alvo militar.

    A onda de violência no Afeganistão, que já deixou mais de 160 mortos em uma semana

    Ataques suicidas evidenciam crise de segurança em país asiático, às voltas com o Talebã e crescimento do Estado Islâmico.

    Mais de 150 pessoas morreram na semana passada em um ataque suicida em Cabul, a capital do Afeganistão. Trata-se do maior ataque no país asiático desde 2001, ano em que uma coalizão internacional removeu do poder o regime fundamentalista islâmico do Talebã.

    Anteriormente, a estimativa das autoridades do país asiático eram de que 90 pessoas tinham morrido, mas a correção nas estatísticas foi apresentada nesta terça-feira pelo presidente afegão, Ashraf Ghani, na abertura de uma conferência com 23 nações, entre elas os Estados Unidos, Rússia e a China, para discutir possíveis soluções para trazer segurança e estabilidade ao país.

    O governo de Ghani tem sido alvo de protestos por conta da crise de segurança evidenciada pelos sangrentos eventos de semana passada, e o presidente adotou um tom pouco conciliador com os militantes muçulmanos ao dizer que “é hora de o Talebã aceitar a paz ou enfrentar as consequências”.

    Mas mesmo durante o encontro houve um lembrete de como a situação está se deteriorando até em Cabul, há até pouco tempo considerada uma espécie de “ilha” de segurança no país: um foguete atingiu uma quadra de tênis nas cercanias da embaixada da Índia. Segundo a polícia, não houve feridos.

    O presidente do Afeganistão, Ashraf Ghani, conduz uma oração durante rodada de negociações em Cabul
    O presidente do Afeganistão, Ashraf Ghani, conduz uma oração durante rodada de negociações em Cabul

    Foto: BBCBrasil.com

    O ataque a bomba de semana passada, o mais mortífero desde que o Talebã foi tirado do poder por forças lideradas pelos EUA, em 2001, deu origem a protestos violentos contra o governo, em que quatro pessoas morreram. A polícia usou bombas de efeito moral e tiros para o alto para tentar conter as multidões.

    No fim de semana, o enterro de um dos mortos no protesto foi alvo de três ataques suicidas, que deixaram o menos sete mortos.

    De acordo com as estatísticas mais recentes da ONU, houve 715 mortes de civis nos primeiros três meses de 2017, com quase 1,5 mil feridos. O total para o ano de 2016 foi de quase 3,5 mortos e cerca de 8 mil feridos. A maioria das fatalidades ocorreu em decorrência de incidentes com extremistas e bombardeios aéreos.

    Ainda não se sabe quem foram os autores dos atentados de semana passada. O Talebã negou ter participado, mas o governo afegão acusa um grupo afiliado, o Haqqani, de ter realizado as atrocidades, com apoio do Paquistão. O país vizinho rejeita as acusações.

    Policial afegão monta guarda em posto de checagem
    Policial afegão monta guarda em posto de checagem

    Foto: BBCBrasil.com

    No início do ano, um comandante militar dos EUA defendeu abertamente o envio de mais tropas internacionais para o Afeganistão como forma de resolver o que ele chamou de “impasse” na luta contra o Talebã, cujos miliantes controlam mais de um terço do território afegão.

    O país tem importância estratégica para uma série de outras nações, mais especificamente por fazer fronteira com o Irã e o Turcomenistão, donos, respectivamente, da segunda e quarta maiores reservas de gás natural do mundo. Isso faz do Afeganistão um importante ponto de passagem para gasodutos presentes e futuras.

    E é palco de uma luta por influência regional entre grandes potências como EUA, Rússia e China. Some-se a isso a conturbada relação com o vizinho Paquistão, acusado de ser o principal patrocinador do Talebã. E, mais recentemente, o surgimento do braço afegão do grupo radical autodenominado Estado Islâmico.

    Terroristas explodem bombas em Teerã e invadem Parlamento

    A capital do Irã, Teerã, viveu momentos de terror nesta quarta-feira (7). Dois suicidas ligados ao grupo Estado Islâmico (EI) explodiram bombas no mausoléu do aiatolá Khomeini e no Parlamento iraniano. Após a detonação das bombas, quatro outros homens invadiram o Parlamento e abriram fogo contra os funcionários. Pelo menos 12 pessoas morreram e 39 ficaram feridas nos ataques, segundo os serviços de emergência.

    As forças de segurança conseguiram, após quase cinco horas, controlar a situação nos dois locais que foram alvos de ataques. O grupo terrorista Estado Islâmico reivindicou, através de sua agência “Amaq”, o ataque ao Parlamento e o atentado suicida contra o mausoléu, onde morreram pelo menos 12 pessoas.

    Os dois ataques foram realizados por “combatentes” do EI, disse o grupo jihadista, através da “Amaq”, que entrevista “uma fonte de segurança” do EI.

    Homens das forças iranianas se posicionam do lado de fora do Parlamento
    Homens das forças iranianas se posicionam do lado de fora do Parlamento

    Foto: Reuters

    Em um segundo comunicado, a agência afirmou que o atentado contra o mausoléu de Khomeini foi realizado por dois suicidas que levavam coletes com explosivos.

    Duas horas depois do início do ataque, um dos terroristas que estava no Parlamento, detonou o explosivo que carregava, segundo a televisão estatal iraniana.

    Pouco tempo depois, ocorreu um ataque semelhante, no pátio do mausoléu do aiatolá Khomeini, no sul da capital, onde uma pessoa foi morta e outras quatro ficaram feridas, segundo a “Tasnim”.

    Esses ataques são raros no Irã, cujas autoridades reforçaram as medidas de segurança em torno dos edifícios oficiais, como a sede da Presidência.

    Fumaça pode ser vista de janela do Parlamento iraniano após ataque
    Fumaça pode ser vista de janela do Parlamento iraniano após ataque

    Foto: Reuters


    Fonte: Terra

    Estado Islâmico reivindica ataque a policial morta em Israel

    A policial de Israel foi esfaqueada perto da cidade velha de Jerusalém em ato envolvendo três terroristas

     

    Terroristas do Estado Islâmico foram mortos durante atentado / Foto: AFP

    Terroristas do Estado Islâmico foram mortos durante atentado
    Foto: AFP
    AFP

    O grupo jihadista Estado Islâmico (EI) reivindicou na noite desta sexta-feira o atentado que acabou com a morte de uma policial israelense em Jerusalém.

    Em um comunicado difundido na rede criptografada Telegram, o EI afirmou que três de seus combatentes “atacaram um grupo de judeus”, em uma operação durante a qual os três atacantes foram mortos por policiais israelenses. Este ataque “não será o último”, advertiu o grupo extremista.

    Segundo um site de monitoração de sites extremistas com sede nos Estados Unidos, esta seria a primeira vez que o EI reivindica um ataque em Israel.

    A policial israelense, de 23 anos, foi esfaqueada perto da cidade velha de Jerusalém e os três supostos atacantes foram mortos, segundo a polícia. Algumas horas depois, a militar faleceu no hospital.

     

    “Três terroristas árabes abatidos por unidades da polícia”, acrescentou a Polícia.

    Segundo comunicado do EI, os três atacantes neutralizados eram “os irmãos Abu al-Bara al-Maqdisi, Abu Hassan al-Maqdisi e Abu Rabah al-Maqdisi”.

    O chefe de polícia de Jerusalém, Yoram Halevy, identificou os três atacantes como palestinos da Cisjordânia.

    Segundo a Polícia, dois atacantes atiraram contra um grupo de policiais que responderam, ao mesmo tempo em que outro homem esfaqueou a policial a alguns metros do local, antes de ser morto.

    Os médicos informaram que outras quatro pessoas ficaram feridas.

    Fonte: JC

    ‘Ei, covardes!’: Londrinos relatam pânico e tentativa de parar os terroristas durante ataque

    Testemunhas do massacre contam que jogaram cadeiras, garrafas e copos nos terroristas, antes que a polícia chegasse à cena do atentado.

    “Eles foram para outro restaurante do outro lado da rua com facas”, diz testemunha

    Quando três homens armados com uma van e facas realizaram o ataque a uma área movimentada da capital britânica no dia 3/6/17,  à noite, os londrinos lutaram com o que encontraram à mão, em alguns casos lançando cadeiras e mesas para afastá-los.

    Os terroristas mataram ao menos sete pessoas e feriram 48, antes de serem mortos a tiros pela polícia. O ataque começou com uma van sendo conduzida em alta velocidade em direção a uma multidão de pedestres na London Bridge.

    Pessoas deixam local de ataque terrorista com  as mãos na cabeça, perto da London Bridge, em Londres, neste sábado (3) (Foto: REUTERS/Neil Hall )Pessoas deixam local de ataque terrorista com  as mãos na cabeça, perto da London Bridge, em Londres, neste sábado (3) (Foto: REUTERS/Neil Hall )

    Pessoas deixam local de ataque terrorista com as mãos na cabeça, perto da London Bridge, em Londres, neste sábado (3) (Foto: REUTERS/Neil Hall )

    “Parecia que ele estava apontando para grupos de pessoas”, disse à Reuters Mark Roberts, um consultor de gerenciamento de 53 anos.

    Ele viu ao menos seis pessoas no chão depois que a van entrou e saiu da calçada.

     

    “Foi horrendo”

     

    Depois disso, os agressores que portavam facas foram para o mercado público próximo, o Borough Market, onde os sobreviventes descreveram uma cena infernal em uma área cheia de pessoas curtindo a noite em bares e restaurantes.

    Gerard Vowles disse à Sky TV que estava na rua perto do bar Southwark Tavern, o cenário de múltiplos esfaqueamentos, quando ouviu alguém dizer: “Eu fui esfaqueado, fui esfaqueado”.

    “Eu pensei que eles estivessem brincando”, disse.

    Vowles disse ter visto então uma mulher e um homem serem esfaqueados enquanto os terroristas gritavam: “Isto é para Allah”, e lembrou como ele tentou distrair os homens.

    “Enquanto eles saíam, eu dizia “Ei, ei, covardes!”, disse Vowles. “Eu estava apenas tentando chamar a atenção deles, lançando coisas neles… Eu pensei que se eu jogasse garrafas ou cadeiras, eles poderiam vir atrás de mim. Se eu puder levá-los à rua principal, então a polícia pode detê-los, eles obviamente poderiam atirar neles.”

    Outras testemunhas relataram ter visto um homem com uma lâmina grande, semelhante a uma faca de cozinha e vítimas sangrando. Eles disseram que as pessoas estavam fugindo da área em pânico.

    Uma testemunha, que apenas deu à BBC seu primeiro nome, Ben, disse que viu um homem vestido de vermelho esfaqueando um homem com uma lâmina que parecia ter cerca de 25 centímetros de comprimento.

    “Ele estava sendo esfaqueado friamente e caiu no chão”, disse ele sobre a vítima. O terrorista então caminhou em direção a Southwark Tavern, onde uma cadeira foi lançada contra ele, pouco antes de começarem os disparos.

     Fonte: G1

    Ataques terroristas deixam mortos e feridos em Londres

    Van atropelou pedestres na London Bridge; pessoas foram esfaqueadas no Borough Market. Policiais informaram à rede BBC que há mais de uma morte. Polícia está em busca de três suspeitos, diz agência.


     

    Há relatos de que uma van atingiu pedestres perto da London Bridge (Foto: Dominic Lipinski/PA via AP)Há relatos de que uma van atingiu pedestres perto da London Bridge (Foto: Dominic Lipinski/PA via AP)

    Há relatos de que uma van atingiu pedestres perto da London Bridge (Foto: Dominic Lipinski/PA via AP)

    Ao menos dois ataques terroristas deixaram mortos e feridos na noite deste sábado (3) em Londres. Uma van atropelou pedestres na London Bridge, cartão-postal da cidade, e pessoas foram esfaqueadas no Borough Market, mercado próximo à ponte.

    Um oficial da Scotland Yard, a polícia metropolitana de Londres, informou no início da madrugada (horário do Brasil) que seis pessoas morreram durante os ataques. A polícia afirmou também que três terroristas foram alvejados e mortos após os atentados.

    O Serviço de Ambulâncias de Londres transferiu pelo menos 48 pacientes a cinco hospitais da cidade e atendeu outras pessoas no local, segundo a agência Reuters.

     

    Veja a cronologia dos ataques:

     

     

    • Às 22h08 de Londres (18h08 de Brasília) a polícia foi chamada à London Bridge, onde uma van atropelou pedestres.
    • Em seguida, policiais foram ao Borough Market, onde pessoas foram esfaqueadas em um restaurante. Tiros foram disparados no local.
    • A polícia fechou a London Bridge e a estação de metrô próxima. O local foi evacuado.
    • Às 0h25 de Londres (20h25 de Brasília) a polícia declarou os dois incidentes como atos terroristas.
    • A polícia britânica está em busca de três suspeitos do ato em Borough Market, que estariam armados, e pede à população que saia da região.
    • Três explosões foram ouvidas perto do Borough Market por volta das 1h20 em Londres, mas não se sabe se foi outro ataque ou se é uma explosão controlada pela polícia.

     

    Polícia britânica fecha ponto turístico de Londres e fala em 'incidente'

    Polícia britânica fecha ponto turístico de Londres e fala em ‘incidente’

     

    Atropelamento na London Bridge

     

    Testemunhas relataram à rede britânica BBC e a agência Reuters que uma van atingiu pedestres na London Bridge.

    Segundo a repórter da BBC Holly Jones, que estava na ponte, a van era conduzida por um homem e atingiu cerca de cinco pessoas após subir na calçada.

    A BBC divulgou uma foto do que seria a van supostamente envolvida no ataque; veja abaixo:

    View image on Twitter

    A BBC também divulgou uma foto de um homem deitado no chão com o que parecem ser cilindros amarrados em um cinto. O homem que fez a foto, Gabriel Sciotto, disse em entrevista à BBC que eles não pareciam reais. Veja a foto abaixo.

    Ainda na rua, jovens lamentam incidentes em Londres (Foto: REUTERS/Hannah McKay)Ainda na rua, jovens lamentam incidentes em Londres (Foto: REUTERS/Hannah McKay)

    Ainda na rua, jovens lamentam incidentes em Londres (Foto: REUTERS/Hannah McKay)

     

    Esfaqueamento no Borough Market

     

    Uma testemunha disse à CNN que dois homens entraram em um restaurante perto da London Bridge e esfaquearam duas pessoas. Segundo a testemunha, uma garçonete foi esfaqueada no pescoço e um homem nas costas.

    Segundo a agência Reuters, a polícia britânica está em busca de três suspeitos que estariam armados.

    Pessoas saem da área próxima a London Bridge com as mãos na cabeça (Foto: REUTERS/Neil Hall )Pessoas saem da área próxima a London Bridge com as mãos na cabeça (Foto: REUTERS/Neil Hall )

    Pessoas saem da área próxima a London Bridge com as mãos na cabeça (Foto: REUTERS/Neil Hall )

     

    Estação fechada

     

    Segundo o serviço de transporte de Londres, a estação de trem London Bridge foi fechada. “A polícia está lidando com um grande incidente e todas as avenidas estão sendo desviadas”, diz o serviço.

    A polícia divulgou recomendações para as pessoas se protegerem. As instruções são correr a um local seguro, se esconder e ligar para os serviços de emergência caso seja possível.

    Um esfaqueamento em Vauxhall, no sul da cidade, foi relatado pela imprensa, mas depois a polícia disse que ele não estava relacionado aos atos terroristas.

    Pessoas correm pelas ruas em meio a incidente em ponte de Londres (Foto: Dominic Lipinski/PA via AP)Pessoas correm pelas ruas em meio a incidente em ponte de Londres (Foto: Dominic Lipinski/PA via AP)

    Pessoas correm pelas ruas em meio a incidente em ponte de Londres (Foto: Dominic Lipinski/PA via AP)

     

    Relatos nas redes sociais:

     

    “Policiais armados correm para a London Bridge. Está sendo evacuada com pessoas correndo”, diz um usuário do Twitter.

    View image on Twitter

    Um usuário publicou um vídeo com momentos de tensão em um restaurante na região da London Bridge:

     Outro usuário, o jornalista Kaine Pieri, postou um vídeo:

     

    Ataque anterior

     

    O incidente deste sábado ocorre após o atentado de Manchester, que deixou 22 mortos e mais de 100 feridos na saída do show da cantora americana Ariana Grande. Em março, um ataque terrorista perto do Parlamento britânico deixou cinco mortos e 40 feridos. Um carro atropelou um grupo de pedestres na calçada da Ponte Westminster, perto do Big Ben, e o agressor saiu do carro e assassinou um policial a facadas. Ele foi morto a tiros pela polícia.

     

    Trump defende seu decreto em meio à comoção por ataque

     

    O presidente americano, Donald Trump, disse no Twitter que os EUA farão o que for possível para ajudar o Reino Unido. Também defendeu seu decreto que tenta vetar a entrada de viajantes de alguns países muçulmanos nos EUA.

    “Precisamos ser espertos, vigilantes e duros. Precisamos que as cortes nos deem nossos direitos de volta. Precisamos do banimento de viagem como um nível extra de segurança!”, disse.

    Fonte: G1

    Nível de alerta para ataques segue crítico no Reino Unido; polícia prende mais dois suspeitos

    Polícia britânica parou de compartilhar com os EUA informações sigilosas sobre o ataque. Número de feridos sobe para 116.


     

    A primeira-ministra britânica, Theresa May, disse na quinta-feira (25) que o nível de ameaça terrorista permanecerá em nível crítico. O nível de ameaça foi elevado ao máximo  pela primeira vez em 10 anos depois do atentado em Manchester. Oito pessoas já foram presas por suspeita de relação com o ataque.

    O estado crítico indica que há a possibilidade de um ataque iminente. “O nível de ameaça, avaliado pelo centro independente de análise de terrorismo, permanecerá crítico e o público deve permanecer vigilante”, disse May após uma reunião do comitê de resposta de emergência do governo, segundo a Reuters. Nesta manhã, um pacote suspeito chegou a mobilizar o esquadrão antibombas.

    O atentado, que foi reivindicado pelo grupo Estado Islâmico, deixou 22 mortos e 116 feridos no final do show de Ariana Grande, que atraiu milhares de crianças e jovens. O suicida, identificado como Salman Abedi, tinha 22 anos, era filho de imigrantes líbios e nasceu em Manchester.

    O último balanço indica que o número de feridos passou de 64 para 116, de acordo com o serviço de saúde britânico. Desses, 75 permanecem internados em hospitais da região e 23 estão em estado grave. A Rainha Elizabeth visitou feridos no ataque no hospital infantil de Manchester.

     

    Novas prisões

     

    A polícia do Reino Unido informou nesta quinta que prendeu outros dois homens na região metropolitana de Manchester por suspeita de envolvimento com o atentado, subindo para oito – entre eles, um irmão de Abedi – o número de detidos no Reino Unido desde o início das investigações. As prisões desta quinta foram classificadas como “significativas”.

    Rainha Elizabeth visitou feridos no ataque em hospital de Manchester, nesta quinta-feira (25) (Foto: Peter Byrne / Reuters )Rainha Elizabeth visitou feridos no ataque em hospital de Manchester, nesta quinta-feira (25) (Foto: Peter Byrne / Reuters )

    Rainha Elizabeth visitou feridos no ataque em hospital de Manchester, nesta quinta-feira (25) (Foto: Peter Byrne / Reuters )

    Além das oito pessoas detidas em Manchester, o irmão mais novo de Abedi, Hashem Abedi, e o pai do autor do ataque, Ramadan Abedi, foram presos em Trípoli, na Líbia. Hashem planejava um ataque, segundo informou o porta-voz da força líbia que atua contra o terrorismo (Rada).

    O governo britânico confirmou na quarta-feira (24) que Salman Abedi estava nos radares do serviço de inteligência britânico e a polícia de Manchester disse que ele fazia parte de uma rede. “Acho que está muito claro que estamos investigando uma rede”, afirmou Ian Hopkins. “E, como eu disse, continua em um ritmo. Há uma investigação extensa acontecendo pela grande Manchester enquanto falamos”.

    A ministra britânica do Interior Amber Rudd confirmou que Salman Abedi voltou recentemente da Líbia. Gerard Collomb, do Interior da França, afirmou que ele tinha ligações com o grupo Estado Islâmico e “provavelmente” também visitou a Síria.

     

    Vazamento de informações

     

    A BBC informou que a polícia de Manchester deixou de compartilhar informações  com as autoridades dos Estados Unidos após os vazamentos na imprensa de informações sigilosas, de acordo com a agência Efe.

    Na quarta-feira (24), o jornal “New York Times” divulgou imagens do local do ataque, que deixou 22 mortos e 64 feridos, entre eles várias crianças, provocou um grande mal-estar entre as autoridades britânicas.

    O conselho Nacional de Chefes de Polícia do Reino Unido considerou, em declarações divulgadas hoje pela imprensa local, que “prejudicam as investigações, a confiança das vítimas, dos testemunhas e seus familiares”.

    A primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, vai se queixar ao presidente dos EUA, Donald Trump, dos vazamentos de informações, de acordo com a Efe.

     (Foto: Editoria de Arte/G1) (Foto: Editoria de Arte/G1)

    (Foto: Editoria de Arte/G1)

     

    Bomba ‘potente e sofisticada’

     

    A bomba detonada no ataque era potente e sofisticada, segundo fotos da polícia britânica reveladas e analisadas nesta quarta pelo jornal “The New York Times”. A análise inicial da bomba, baseada em elementos fotografados e recolhidos na cena do crime, não permitem deduzir a quantidade ou o tipo de explosivo que compunha a carga, mas faz pensar que se tratava de um dispositivo artesanal fabricado depois de uma “profunda reflexão e com cuidado”, segundo o jornal americano.

    O periódico publica com exclusividade fotos nas quais são vistos diferentes elementos do explosivo, do detonador a uma bateria, passando por fragmentos de uma mochila azul, pedaços de metal e de parafusos.

    Estes elementos, analisados por pessoas especializadas em manejo de explosivos, e que foram consultadas pelo jornal, permitem deduzir que a bomba era “potente, dotada de uma carga ultrarrápida e que o projétil foi colocado com cuidado e metodicamente” para causar o maior dano possível.

    Foto mostra o que homem bomba parece ter usado no ataque na Manchester Arena na última segunda-feira (21) (Foto: Handout / THE NEW YORK TIMES / AFP)Foto mostra o que homem bomba parece ter usado no ataque na Manchester Arena na última segunda-feira (21) (Foto: Handout / THE NEW YORK TIMES / AFP)

    Foto mostra o que homem bomba parece ter usado no ataque na Manchester Arena na última segunda-feira (21) (Foto: Handout / THE NEW YORK TIMES / AFP)

     

    Escala em Düsseldorf

     

    A polícia alemã afirmou nesta quinta que Abedi fez uma escala na cidade alemã de Düsseldorf antes do ataque, contradizendo informações divulgadas pela imprensa alemã, segundo a France Presse.

    “Segundo as investigações, o suspeito fez uma escala no aeroporto de Düsseldorf para mudar [de avião]. Ele permaneceu um curto período de tempo na zona de trânsito”, indicou a polícia local sem fornecer maiores detalhes sobre a data ou local de chegada do jovem britânico de origem líbia.

    O jornal alemão “Focus” havia indicado que os investigadores britânicos da Scotland Yard haviam entrado em contato com as autoridades alemães porque Salman Abedi teria pegado um voo Düsseldorf-Manchester, quatro dias antes do atentado.

    Fonte: G1

    Morador de rua que socorreu vítimas de ataque em Manchester recebe oferta de lugar para viver

    Visto como ‘herói’, Chris Parker retirou estilhaços de vítimas e confortou mulher que morreu em seus braços.

    Um morador de rua de Manchester foi chamado de “herói” depois de ajudar vítimas do ataque à bomba de segunda-feira em um ginásio da cidade. Ele retirou pregos dos braços e rostos de crianças feridas antes da chegada dos paramédicos.

    Chris Parker
    Chris Parker

    Foto: BBCBrasil.com

    Chris Parker, de 33 anos, também confortou uma menina de 8 anos gravemente ferida e uma mulher de cerca de 60 anos que morreu em seus braços. Ele disse a jornalistas locais que “não parou de chorar” desde então.

    Parker pedia esmola no saguão da Manchester Arena quando ocorreu a explosão – deixando 22 mortos e 64 feridos.

    Depois que a notícia sobre suas ações se tornou viral, acabou recebendo uma oferta de moradia, feita por Dave Sullivan, filho de um dirigente do time de futebol West Ham, de Londres.

    “Estamos falando com uma organização de caridade e eles vão facilitar isso. Só queria ajudá-lo, fazer algo por ele, já que ele está ajudando tanta gente”, disse Sullivan à rádio BBC 5 Live.

    Parker nega, no entanto, que suas ações tenham sido fruto de heroísmo.

    “Há muitas pessoas boas em Manchester. Outro dia, uma mulher e um homem gastaram 100 libras (cerca de R$ 420) em equipamento de camping para mim. Não se trata só de receber, mas de dar algo de volta para a comunidade que está me ajudando também”, disse à BBC.

    “Pessoas vieram apertar minha mão e me chamar de herói, mas eu não sou herói. Estou fazendo algo que qualquer pessoa faria, especialmente quando há crianças envolvidas e as pessoas estão feridas e precisam de ajuda. Gosto de pensar que qualquer pessoa faria o mesmo.

    Jessica Parker
    Jessica Parker

    Foto: BBCBrasil.com

    Mãe

    O paradeiro de Chris Parker surpreendeu sua mãe, Jessica, que não o via pessoalmente havia cinco anos. “Eu não sabia que ele estava sem ter onde morar”, disse à BBC.

    Ela viu o filho, que acreditava estar vivendo com a namorada, no noticiário, e está tentando contatá-lo.

    “Só quero voltar a entrar em contato, ajudá-lo e dar apoio. Ele teve uma vida problemática, mas, no fundo, tem um coração bom e é muito corajoso.”

    Chris disse à BBC que “não tem sido muito esperto com sua saúde”, mas não esclareceu quais são seus “problemas”.

    Jessica Parker, que vive em Norfolk, disse que iria a Manchester para procurar pelo filho.

    “Eu estou muito preocupada com ele. Quero que ele entre em contato, mas se ele não me quiser lá, tudo bem”, afirmou.

    Além da casa que lhe foi oferecida, Parker também deve receber mais de 34 mil libras (cerca de R$ 144 mil) arrecadadas em uma campanha organizada pela internet para ajudá-lo

    Fonte: G1

    « Próximas Anteriores »
    Rádio Anjos de Luz

    Com agradecimento à Fada San. Visite www.anjodeluz.net

    Meu perfil
    Perfil de usuário Terra 2012 .
    Leitores do Terra 2012 pelo mundo
    free counters
    Escreva para a grande fraternidade branca

    Grande Fraternidade Branca
    Com agradecimento ao Espaço Hankarra. Visite hankarralynda.blogspot.com

    Prezado Leitor, se você é uma pessoa solitária, quer desabafar ou deseja uma opinião fraterna e desinteressada sobre algum problema que o aflige, escreva-nos carta para o endereço informado no rodapé do site, ou, se preferir, mande e-mail para grandefraternidadebranca
    @terra2012.com.br
    .

    Todas as correspondências serão respondidas no menor prazo possível.

    arvore

    Antes de imprimir pense em sua responsabilidade e compromisso com o MEIO AMBIENTE!

    Gato no notebook

    DÚVIDAS? Fale com o Administrador gtm@terra2012.com.br

    Acessar Webmail Terra 2012