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Mundo sem emprego

02/07/2021

Ondas de calor e mudanças climáticas podem acabar com 80 milhões de emprego até 2030, diz OIT

Prejuízos chegariam a trilhões de dólares; agricultura e construção seriam setores mais afetados

Fila em busca de emprego no Rio: aquecimento global pode gerar mais perda de postos de trabalho. Foto: Fabiano Rocha / Fabiano Rocha
Fila em busca de emprego no Rio: aquecimento global pode gerar mais perda de postos de trabalho. Foto: Fabiano Rocha / Fabiano Rocha Fonte: O Globo

As mudanças climáticas e o aumento do estresse térmico na agricultura e em outros setores industriais vão provocar uma perda da produtividade equivalente a 80 milhões de empregos até 2030, advertiu a Organização Internacional do Trabalho (OIT), nesta segunda-feira.

Em um novo relatório, a OIT considera que 2,2% do total das horas trabalhadas no mundo poderão se perder por causa das altas temperaturas, segundo projeções baseadas em um aquecimento mundial da ordem de 1,5ºC até o final do século.

O impacto será maior no Sul da Ásia e na África Ocidental, onde cerca de 5% das horas trabalhadas poderão ser perdidas até 2030, ressaltam os autores do relatório, intitulado “Trabalhar em um planeta mais quente: O impacto do estresse térmico na produtividade laboral e no trabalho decente”.

No total, as perdas econômicas representariam cerca de US$ 2,4 trilhões em escala mundial.

— A grosso modo, isso é o equivalente à economia do Reino Unido — comparou Catherine Saget, coautora do estudo, em entrevista coletiva.

O estresse térmico representa um calor superior ao que o corpo pode tolerar sem sofrer danos psicológicos, indica a OIT, acrescentando que ele costuma chegar quando as temperaturas superam os 35ºC junto com uma forte umidade.

— O impacto do estresse térmico na produtividade é uma grave consequência das mudanças climáticas — afirmou Saget. — Podemos esperar um aumento das desigualdades entre países de alta renda e países de baixa renda, e também que as condições trabalhistas se degradem para os mais vulneráveis, levando a deslocamentos da população.

Os dois setores mais expostos são a agricultura, que emprega 940 milhões de pessoas no mundo e deve representar 60% das horas de trabalho perdidas até 2030; e a construção, cuja produtividade cairia 19%.

Nicolas Maitre, economista na OIT, explicou que a Europa tampouco se livrará do impacto das mudanças climáticas nesse sentido

— Esperam-se mais períodos como os que tivemos ultimamente, cada vez mais frequentes e mais intensos — disse, referindo-se às ondas de calor no verão europeu.

Para evitar o risco de estresse térmico, a OIT estimula a “criação de infraestruturas adequadas e de melhores sistemas de alerta precoce durante as ondas de calor”.

Caos na ÍNDIA

28/04/2021

Céu ‘arde’ com cremações na Índia, relata repórter do NYT

Em Nova Délhi, um em cada três habitantes está contaminado pelo coronavírus; país lidera ranking global de contágio, com mais de 350 mil novos casos por dia, diz Jeffrey Gettleman, do New York Times

Familiares e profissionais de saúde carregam corpo de vítima da Covid-19 para cremação em Nova Délhi Foto: PRAKASH SINGH / AFP
Familiares e profissionais de saúde carregam corpo de vítima da Covid-19 para cremação em Nova Délhi Foto: PRAKASH SINGH / AFP

NOVA DÉLHI — Os crematórios estão tão cheios de corpos que é como se uma guerra tivesse acontecido. O fogo das cremações queima o tempo todo. Muitos lugares estão realizando cremações em massa, dezenas de cada vez, e à noite, em certas áreas de Nova Délhi, o céu chega a arder.

Doença e morte estão por toda parte. Dezenas de casas no meu bairro têm pessoas doentes. Um dos meus colegas está doente. Um dos professores do meu filho está doente. O vizinho duas portas abaixo, à nossa direita: doente. Duas portas à esquerda: doente.

Homem passa por piras em um crematório em Nova Delhi, Índia Foto: Danish Siddiqui / REUTERS
Homem passa por piras em um crematório em Nova Delhi, Índia Foto: Danish Siddiqui / REUTERS
Piras funerárias de pessoas que morreram de doença coronavírus (COVID-19) são fotografadas em um crematório em Ahmedabad, Índia Foto: AMIT DAVE / REUTERS
Piras funerárias de pessoas que morreram de doença coronavírus (COVID-19) são fotografadas em um crematório em Ahmedabad, Índia Foto: AMIT DAVE / REUTERS
Imagem aérea mostra terreno usado para cremação em massa de vítimas da COVID-19, em Nova Delhi, Índia Foto: Danish Siddiqui / REUTERS
Imagem aérea mostra terreno usado para cremação em massa de vítimas da COVID-19, em Nova Delhi, Índia Foto: Danish Siddiqui / REUTERS
Um homem prepara fogueira para cremar o corpo de vítima da COVID-19, em um crematório em Nova Delhi, Índia Foto: Danish Siddiqui / REUTERS
Um homem prepara fogueira para cremar o corpo de vítima da COVID-19, em um crematório em Nova Delhi, Índia Foto: Danish Siddiqui / REUTERS
Familiares acompanham cremção do corpo de vítima da Covid-19, em um crematório em Nova Delhi, Índia Foto: Danish Siddiqui / REUTERS
Familiares acompanham cremção do corpo de vítima da Covid-19, em um crematório em Nova Delhi, Índia Foto: Danish Siddiqui / REUTERS

Imagem aérea mostra terreno usado para cremação em massa de vítimas da COVID-19, em Nova Delhi, Índia Foto: Danish Siddiqui / REUTERS
Imagem aérea mostra terreno usado para cremação em massa de vítimas da COVID-19, em Nova Delhi, Índia Foto: Danish Siddiqui / REUTERS
Familiares e profissionais de saúde carregam corpo de vítima da Covid-19 para cremação em Nova Délhi Foto: PRAKASH SINGH / AFP
Familiares e profissionais de saúde carregam corpo de vítima da Covid-19 para cremação em Nova Délhi Foto: PRAKASH SINGH / AFP
Corpos de vítimas de Covid-19 são cremados ao ar livre em Allahabad, na Índia Foto: SANJAY KANOJIA / AFP
Corpos de vítimas de Covid-19 são cremados ao ar livre em Allahabad, na Índia Foto: SANJAY KANOJIA / AFP
Familiares e coveiros enterram homem de 67 anos que morreu em Nova Délhi Foto: ADNAN ABIDI / REUTERS
Familiares e coveiros enterram homem de 67 anos que morreu em Nova Délhi Foto: ADNAN ABIDI / REUTERS

— Não tenho ideia de como peguei isso — disse um bom amigo que agora está no hospital, antes de sua voz sumir, doente demais para terminar a frase.

Ele mal conseguiu um leito. E o remédio que seus médicos dizem que ele precisa não é encontrado em nenhum lugar da Índia.

Estou sentado no meu apartamento esperando chegar a minha vez de ser infectado pela doença. É assim que a gente se sente agora em Nova Délhi, com a pior crise de coronavírus do mundo avançando ao nosso redor. O vírus está lá fora, eu estou aqui dentro e sinto que é apenas uma questão de tempo antes que eu também fique doente.

A Índia agora está registrando mais infecções por dia — cerca de 350 mil — do que qualquer outro país desde o início da pandemia, e esse é apenas o número oficial, que a maioria dos especialistas acredita ser subnotificado

Nova Délhi, a extensa capital de 20 milhões de habitantes da Índia, está sofrendo um aumento desastroso do número de novos casos. Há alguns dias, a taxa de diagnósticos positivos de Covid-19 atingiu impressionantes 36% — o que significa que mais de uma em cada três pessoas testadas estava infectada. Há um mês, era menos de 3%.

As infecções se espalharam tão rápido que os hospitais ficaram completamente lotados. Pessoas são rejeitadas aos milhares. Os remédios estão acabando, assim como o oxigênio. Os doentes ficaram presos em filas intermináveis nos portões dos hospitais ou em casa, literalmente com falta de ar.

Embora Nova Délhi esteja sob quarentena, a doença ainda está se alastrando. Médicos em toda a cidade e alguns dos principais políticos da capital têm feito pedidos desesperados de socorro ao primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, nas redes sociais e na TV, implorando por oxigênio, remédios e ajuda.

Especialistas sempre alertaram que a Covid-19 poderia causar um verdadeiro caos na Índia. Este país é enorme — tem 1,3 bilhão de pessoas —, é densamente povoado e, em muitas regiões, é muito pobre.

O que estamos testemunhando é muito diferente do ano passado, durante a primeira onda de coronavírus na Índia. Antes, era o medo do desconhecido. Agora sabemos do que se trata. Conhecemos a totalidade da doença, sua escala e velocidade. Conhecemos a força terrível desta segunda onda, atingindo todos ao mesmo tempo

O que temíamos durante a primeira onda do ano passado, e que nunca realmente se materializou, agora está acontecendo diante de nossos olhos: uma pane, um colapso, uma percepção de que muitas pessoas morrerão.

Como correspondente estrangeiro há quase 20 anos, cobri zonas de combate, fui sequestrado no Iraque e jogado na prisão em diversos lugares.

Isso é perturbador de uma maneira diferente. Não há como saber se meus dois filhos, minha mulher ou eu estaremos entre aqueles que terão um caso leve e depois recuperarão a saúde ou se ficaremos realmente doentes. E se ficarmos realmente doentes, para onde iremos? As UTIs estão cheias. Os portões de muitos hospitais foram fechados.

Uma nova variante conhecida aqui como “o mutante duplo” pode estar causando muitos danos. A ciência ainda é incipiente, mas pelo que sabemos, essa variante contém uma mutação que pode tornar o vírus mais contagioso e outra que pode torná-lo parcialmente resistente às vacinas. Os médicos estão muito assustados. Alguns com quem falamos disseram que haviam sido vacinados duas vezes e ainda estavam gravemente doentes, um péssimo sinal.

Então o que se pode fazer?

Tento ser positivo, acreditando que é um dos melhores impulsionadores da imunidade, mas me vejo vagando atordoado pelos cômodos do nosso apartamento, abrindo latas de comida e preparando refeições para meus filhos, sentindo como se meu corpo e minha mente estivessem virando mingau. Tenho medo de atender meu telefone e receber outra mensagem sobre um amigo que está piorando. Ou pior. Tenho certeza de que milhões de pessoas já se sentiram assim, mas comecei a imaginar os sintomas: Minha garganta está doendo? E aquela dor de cabeça lá no fundo? Está pior hoje?

Por mais difícil e perigoso que seja em Délhi para todos nós, provavelmente vai piorar. Epidemiologistas dizem que os números continuarão subindo, para 500 mil casos notificados por dia em todo o país e até 1 milhão de indianos mortos por Covid-19 em agosto.

Não precisava ser assim.

Modi continua popular na sua base, mas mais pessoas o estão culpando por não ter preparado a Índia para esse aumento e por realizar comícios políticos lotados nas últimas semanas, onde poucas precauções foram aplicadas — possíveis eventos de supertransmissão do vírus.

— As normas de distanciamento social foram totalmente desconsideradas— disse um locutor de Délhi outro dia, durante a transmissão de um dos comícios de Modi.

Na Índia, como em qualquer outro lugar, os ricos podem amortecer o golpe. Mas desta vez é diferente. Um amigo bem relacionado ativou toda a sua rede para ajudar alguém próximo a ele, um jovem com um caso grave de Covid. O amigo do meu amigo morreu. Nenhuma ajuda poderia levá-lo a um hospital. Havia muitas outras pessoas doentes.

— Eu tentei tudo ao meu alcance para conseguir um leito para esse cara, e não conseguimos — disse meu amigo. — É o caos

Seus sentimentos estavam à flor da pele.

— Isto é uma catástrofe — disse.  —  Isso é assassinato. FONTE: O GLOBO

Vulcões em erupção em vários locais da Terra

10/04/2021

Fonte: Youtube

Brasil segue na pindaíba

21/09/2020

21% das famílias mais pobres estão sem renda na pandemia, diz diagnóstico

Pesquisa com mais de 20 mil famílias em todo o Brasil mostra ainda que 38% dependem de doações para se alimentar

Por Gilson Garrett Jr.Publicado em: 20/09/2020 às 08h16Alterado em: 18/09/2020 às 20h34access_timeTempo de leitura: 3 min

Pobreza

 (Kay Fochtmann / EyeEm/Getty Images)

A pandemia  reduziu ainda mais a renda das famílias brasileiras. Além disso, muitas delas não conseguiram acesso ao auxílio de 600 reais do governo federal. Com isso, 21% dos mais pobres estão sem renda alguma, segundo um levantamento inédito feito pela empresa Bússola Social.

A pesquisa revela que 12,5% das famílias vivem com menos de 500 reais por mês e 31,5%, com renda entre 500 e 1.000 reais mensais. Ainda de acordo com os dados, em 71% das famílias pelo menos um membro perdeu o emprego durante a pandemia do coronavírus.

Todas essas informações resultaram no Diagnóstico Familiar, uma grande plataforma gratuita, que fornece informações em tempo real para a gestão de projetos sociais de Organizações Não Governamentais, empresas e do poder público. Mais de 20 mil famílias em todo o Brasil, que são atendidas por projetos sociais, responderam aos questionários sobre renda, alimentação e distanciamento social durante a pandemia.

“Fica muito difícil para as famílias garantir seu próprio sustento com a crise econômica e a situação foi se agravando com a pandemia. O grande objetivo da plataforma é ajudar e entender o que está acontecendo no Brasil para que as instituições possam planejar ações”, explica Áureo Giunco Júnior, co-fundador da Bússola Social e idealizador do Diagnóstico Familiar.

Sem uma fonte de renda, as famílias não têm acesso a alimentos básicos e dependem de doações. Para 14,1% a única maneira de conseguir comida é com a ajuda de outras pessoas.

Além do aperto na renda, a inflação está pressionando ainda mais quem ganha menos. No ano, o Indicador Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) de Inflação por Faixa de Renda para as famílias muito pobres acumula alta de 1,5%. Para os mais ricos, há retração de 0,07% no índice.

“Deveria haver uma distribuição de renda de forma emergencial para as pessoas terem acesso a comida. É garantir a asistência mínima e direitos básicos. O governo precisa também planejar como vai se dar a retomada econômica, mas como as pessoas que perderam o emprego serão recolocadas no mercado de trabalho”, avalia Giunco.

Auxílio emergencial

Instituído em abril para conter os efeitos da pandemia sobre a população mais pobre e os trabalhadores informais, o auxílio emergencial começou a ser pago com parcelas mensais de 600 reais a 1.200 reais (no caso das mães chefes de família) a cada beneficiário. Fonte: Exame

Operação Storm

01/08/2020

Bill Clinton volta a ser ligado a abusos de Jeffrey Epstein, dizem documentos

Donald Trump, Melania Trump, Jeffrey Epstein e Ghislaine Maxwell posam para foto na Flórida, em 2000, anos antes de estourarem os escândalos sexuais envolvendo Epstein e sua parceira. (Foto: Davidoff Studios/Getty Images)
Donald Trump, Melania Trump, Jeffrey Epstein e Ghislaine Maxwell posam para foto na Flórida, em 2000, anos antes de estourarem os escândalos sexuais envolvendo Epstein e sua parceira. (Foto: Davidoff Studios/Getty Images)

Uma nova leva de documentos, parte de uma ação movida pela ativista Virginia Roberts Giuffre nos Estados Unidos contra a socialite britânica Ghislaine Maxwell, ex-parceira de Jeffrey Epstein, e suspeita de operar com ele uma rede de tráfico de mulheres, revela detalhes das acusações feitas por Giuffre contra Maxwell e Epstein, e volta a conectar o ex-presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, ao caso. 

Atenção. O conteúdo descrito a seguir, parte dos documentos revelados pela justiça americana e divulgado na imprensa internacional, pode chocar pessoas suscetíveis a temas de violência sexual e abuso de menores. 

Segundo Giuffre, ela foi “cooptada” por Epstein e Maxwell quando ainda era uma adolescente, e “treinada como uma escrava sexual”, de acordo com as palavras usadas por ela em depoimento. Giuffre diz que era frequentemente usada e pressionada a fazer sexo com os “convidados” da dupla, entre eles o Príncipe Andrew, membro da família real inglesa, além de outros ricos empresários, políticos americanos, pelo menos um “famoso cientista” e um designer de moda. As informações são do jornal inglês The Guardian. 

Ghislaine Maxwell atualmente está presa nos Estados Unidos, à espera da conclusão de seu julgamento. Epstein foi encontrado morto em agosto do ano passado, enforcado em sua cela, em Nova York. 

“Havia muitas garotas envolvidas”, diz Giuffre, segundo os documentos revelados. “Era algo contínuo.”

Segundo os documentos, o ex-presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, é acusado por Giuffre de ter visitado a ilha onde Epstein tinha uma mansão, nas Ilhas Virgens Americanas, no Mar do Caribe, em pelo menos uma ocasião. Giuffre diz ter visto Clinton na propriedade de Epstein. 

A ilha é descrita por Giuffre como um “local onde orgias ocorriam constantemente”. Clinton já negou anteriormente qualquer relação com as atividades criminosas de Epstein, e nesta sexta-feira (31) voltou a refutar a história de que teria visitado a ilha, em comunicado enviado à revista Newsweek. “Ele nunca esteve na Little St. James Island”, disse um porta-voz de Clinton. “Ele também não falava com Epstein havia mais de uma década, muito antes de seus terríveis crimes terem vindo à tona.”

Quando questionada se Epstein comentava sobre o fato de muitas das garotas serem menores de idade, Giuffre respondeu que sim, segundo os documentos revelados nesta semana. “O pior [caso] que ouvi da própria boca dele foi o dessas lindas garotas de 12 anos que chegaram de avião para o aniversário dele. Foi um presente de aniversário de um dos amigos dele, e elas haviam vindo da França”, afirma. Fonte: YAHOO

Caronga Vi gera caos na educação

13/07/2020

Caos na educação

O Brasil vive uma das situações mais críticas de sua história na área do ensino, com escolas fechando as portas, faculdades demitindo e alunos sem aulas — até mesmo as virtuais. Tudo isso coloca em risco não apenas as gerações do amanhã, mas o próprio desenvolvimento do País

Crédito:  GABRIEL REIS

INDEFINIÇÃO Estudante Amanda Minet está sem aulas presenciais e virtuais desde março: continuação do curso é incerta (Crédito: GABRIEL REIS)

No campo da educação, 2020 é um ano praticamente encerrado — e perdido no tempo. Uma combinação de fatores não lhe poderia ter sido mais nociva, alguns deles decorrentes uns dos outros, já os demais fixados pelas mais diversas razões: pandemia, caos econômico, crise política, desgoverno total do País. Junte-se a isso uma gestão federal que olha o setor educacional como inimigo e tenta ideologicamente o seu aparelhamento — estratégia típica de regimes autoritários. Ilustra a desimportância que o presidente Jair Bolsonaro dá à educação o fato de que o Brasil já vai para mais de duas semanas sem um ministro para esse setor — e, até agora, somando-se os três que passaram pela pasta (o último, o das mentiras, sequer tomou posse) o resultado é zero. O primeiro foi um pândego, o segundo trocava Franz Kafka por Kafta e o último sofre de mitomania. Não é apenas a educação que sai lesada, mas, também, o próprio desenvolvimento do País.

O apagão começa no ensino infantil particular. Sem conseguir refinanciar dívidas e com a perda de quase metade dos alunos, a única saída para muitas escolas de pequeno porte foi fechar as portas. A falta de aderência ao ensino à distância por parte de crianças (o que é mais que normal) e a desistência de muitos pais desempregados levaram a uma situação insustentável. Estima-se que até 10% dos alunos deixaram as escolas privadas de ensino fundamental em todo o País, mas a evasão em escolas que atendem crianças de zero a três anos pode chegar até 80%. A situação pode ser exemplificada pela carioca Ednalva Maria dos Santos, mãe da garotinha Alice, de três anos de idade. Ela retirou a menina da escolinha no bairro de Cavalcante, na zona Norte do Rio de Janeiro. Ednalva é a única que ainda tem emprego na família. “O escola até reduziu a mensalidade, mas a minha situação financeira está desesperadora”, diz ela. Além do monstro da miséria, há outro monstro, esse invisível e que se chama coronavírus. Juntamente à falta de dinheiro, aí vem o medo de morrer, esse generalizado em todo o mundo: “não vou ter coragem de levar minha filha quando as aulas voltarem porque o risco ainda é grande”.

DUPLO SOFRIMENTO Ednalva e a filha, Alice, de três anos: medo do futuro financeiro e do presente de pandemia (Crédito:Divulgação)

Estima-se que até 300 mil docentes podem ter perdido seus empregos em todo o País. Em São Paulo, das 11 mil escolas que atendem desde o ensino infantil até o técnico, 80% possuem menos de 500 alunos, segundo o Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de São Paulo (Sieeesp). A expectativa é de que essas insituições tenham perdido o equivalente a uma receita mensal completa, de acordo com o presidente da entidade, Benjamin Ribeiro da Silva. Com isso, cerca de 30% dos berçários, que atendem crianças de zero a três anos, não sobreviverão: alunos das primeiras séries do ensino fundamental deverão migrar para as escolas públicas, que poderão não absorver tanta demanda. No ensino médio, que historicamente tem dificuldade de evitar a evasão de jovens entre 15 e 17 anos, três em cada dez alunos já pensa em abandonar os estudos — aumento significativo, uma vez que anteriormente o nível de abandono era de 11,8%. Ou seja: lamentavelmente, de um patamar já alto passou-se a outro mais elevado ainda. Isso coloca em risco o futuro de gerações e o desenvolvimento da Nação.

No ensino superior particular, a inadimplência atingiu níveis recordes e, em maio, 23,9% dos estudantes não conseguiram pagar suas mensalidades. Cerca de 32,5% dos alunos acabaram trancando a matrícula ou desistiram do curso em abril. E aí entra diretamente a pandemia: a implantação de novas tecnologias e a possibilidade de reduzir estruturas físicas e, consequentemente, os custos, colocou na berlinda o corpo docente. Mais de 800 professores universitários foram demitidos no final do semestre,quando as faculdades passaram a montar salas com 200 ou até 300 alunos conectados numa única aula. A decorrência inevitável foi a redução do número de professores e, em média, houve o corte geral de quase 30% do corpo docente. Professor em de mestrado de educação, em São Paulo, Ricardo Casco estava encerrando os trabalhos do semestre após a adaptação de aulas ao ambiente virtual. No final de junho, quando foi inserir as notas dos alunos no sistema, não conseguiu mais acesso. Seu e-mail também havia sido bloqueado. Quando ligou para a faculdade só disseram que receberia um telegrama. “Fui demitido sumariamente sem nem saber o porquê”, diz ele.No ensino superior público, a crise é ainda maior, já que muitas faculdades não conseguiram sequer implantar ensino remoto, deixando alunos sem aulas o primeiro semestre inteiro. Amanda Minet, por exemplo, que estuda arquitetura, nem teve a chance de aulas virtuais. Até a semana passada ela aguardava uma decisão de sua faculdade para saber como será a continuação do curso. “Fiquei perdida”, diz a universitária. Fonte: Isto é

Fome decorrente da Caronga Vi

10/07/2020

A fome come para dentro o corpo daqueles que não têm nada para comer, porque somente os famintos sentem o que se chama boca do estômago. Atualmente, no País, pelo menos 10,3 milhões de brasileiros não têm o que comer diariamente. E a situação é ainda mais abrangente em 36,7% dos lares, que padecem de outra condição extrema: não possuem acesso regular à alimentação em quantidade e qualidade suficientes para se nutrirem. É o que se denomina, na econômica e ciências sociais, insegurança alimentar. A fome é escalonada em três níveis. Mera teoria. Fome sem recompensa de comida é tudo igual: é fome! O estudo, divulgado na semana passada, é do IBGE e refere-se a 2017 e 2018 — apenas três anos, portanto, após o Brasil ter sido retirado pela ONU do “mapa da fome”, em 2014. Em 36 meses, a tal triste mapa os nossos tristes trópicos, assim definidos pelo antropólogo Claude Lévi-Strauss, retornaram com 14,1% a mais de miséria. Fonte: Isto é

Covid-19 aumenta a fome no mundo, e mortes podem chegar a 12 mil por dia

Estudo elaborado pela organização não governamental Oxfam adverte que a pobreza extrema pode levar à morte adicional de 6,1 mil a 12,2 mil pessoas por dia, até o fim do ano. Brasil corre alto risco de retornar ao mapa da desnutrição


Em um estudo inédito realizado por conta da pandemia de covid-19, a Oxfam International advertiu sobre o aumento da fome no planeta, à medida que o novo coronavírus lança milhões de pessoas na pobreza extrema. De acordo com dados da organização não governamental britânica, divulgados na noite de ontem, a covid-19 “jogou lenha à fogueira” de uma crise alimentar que vinha se acirrando nos últimos anos. Pelas estimativas da Oxfam, até o fim de 2020, entre 6,1 mil e 12,2 mil pessoas poderão morrer diariamente de fome em decorrência dos impactos socioeconômicos da pandemia. Os dados emitem um alerta global e direcionado ao Brasil, que corre o risco de voltar ao mapa da fome. Fundada em 1942, a Oxfam atua em mais de 90 países.
O Programa Mundial de Alimentos (PMA) — agência da Organização das Nações Unidas (ONU) — estima que 270 milhões de pessoas estarão em situação de crise de fome antes do fim do ano. O número representa um aumento de 82% em relação ao registrado em 2019, devido à pandemia. No ano passado, 821 milhões de pessoas sofriam de insegurança alimentar no mundo, das quais 149 milhões estavam em situação de crise de fome ou pior. Os dados da ONU estimam uma média diária de 25 mil pessoas mortas pela fome em 2018. Com a previsão da Oxfam de mortes adicionais provocadas pela covid-19, o volume médio de perdas diárias de vidas para a fome crescerá até 50% neste ano.
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O comunicado da Oxfam destaca os 10 países e regiões com a maior incidência de fome extrema nos quais a crise alimentar é mais grave e se acirra em decorrência da pandemia: Iêmen, República Democrática do Congo (RDC), Afeganistão, Venezuela, região do Sahel da África Ocidental, Etiópia, Sudão, Sudão do Sul, Síria e Haiti. Juntos, esses países e regiões abrigam 65% das pessoas em situação de crise de fome em todo o mundo.
A entidade ressalta que há países e regiões de renda média que enfrentam riscos de alta na incidência da fome. É o caso de Índia, África do Sul e Brasil, que apresentam números crescentes de pessoas que estão sendo empurradas pela pandemia para situação de fome. A Oxfam destacou que até mesmo nações desenvolvidas não estão imunes. “Dados do governo do Reino Unido mostram que, nas primeiras semanas de lockdown no país, cerca de 7,7 milhões de adultos foram obrigados a reduzir o tamanho das suas refeições ou pular refeições, e até 3,7 milhões precisaram recorrer à comida de caridade ou a um banco de alimentos.”
No documento, a Oxfam aponta que o mundo já vive um período de extrema desigualdade, com quase metade da população mundial sobrevivendo com menos de US$ 5,5 por dia, enquanto os 2,2 mil bilionários do planeta detêm riqueza superior à de 4,6 bilhões de pessoas juntas. “A pandemia está explorando e exacerbando as desigualdades, na medida em que os que estão na base da pirâmide social são os mais impactados pela perda de empregos e de renda”, informou a entidade, ao propor uma série de medidas aos governos para evitarem esse cenário de fome extrema em formação (Veja quadro).

Retrocesso

O Brasil é apontado pela Oxfam como uma das nações com alto risco de aumento de pessoas em situação de extrema pobreza. O país, inclusive, pode retornar ao chamado “mapa da fome”, depois de conseguir sair em 2014. A entidade destaca que o número de pessoas em situação de fome tem crescido desde a recessão de 2015 e 2016, “como resultado do aumento das taxas de pobreza e de desemprego e de cortes nos orçamentos para a agricultura familiar e para a proteção social”.
“Com a crise provocada pela pandemia não será possível mascarar os problemas que existiam, antes da covid-19, referentes à precarização do mercado de trabalho. Por mais que ocorra uma recuperação ainda neste ano da economia, isso não vai se sobrepor aos problemas que existiam devido ao aumento da informalidade nos últimos anos”, destacou, em entrevista ao Correio, Maitê Gauto, gerente de Programas e Incidência da Oxfam Brasil. “Por mais que as pessoas conseguiram gerar renda antes do início da pandemia, elas vivem em um nível de insegurança financeira muito grande. E a covid-19 deixou isso muito claro”, afirmou.
A executiva lembrou que os 38 milhões de trabalhadores informais identificados como público apto a receber o auxílio emergencial de R$ 600, na primeira estimativa de março, continuarão vulneráveis, mesmo quando o prazo de cinco meses do benefício acabar. Isso porque o processo de retomada da economia e do emprego deverá levar até dois anos para ocorrer.
Maitê considera que o risco de o Brasil voltar para o mapa da fome será alto, caso o governo não tome as medidas necessárias para garantir as políticas mínimas de proteção social. “Um projeto de renda básica de longo prazo é importante nesse sentido, assim como restabelecer as medidas bem sucedidas do combate à fome. Caso contrário, a tendência é de que o país volte ao mapa da fome”, destacou.
O Brasil deixou de fazer parte do mapa da fome em 2014, quando conseguiu a façanha de manter menos de 5% da população em condição de extrema pobreza, graças às medidas de amparo social e de melhora na conjuntura econômica. No entanto, o número tornou a crescer — de 4,9 milhões de pessoas, em 2014, para 5,2 milhões, em 2018. “Para evitar que o Brasil volte para o mapa da fome, é importante que o governo não negligencie medidas para evitar a escalada dela. Ainda estamos em tempo de segurar a disparada e garantir que as pessoas não sofram de maneira severa as consequências dessa recessão provocada pela pandemia”, pontuou.

» Medidas urgentes

Além da necessidade de os governos adotarem ações para conter a propagação do novo coronavírus, a Oxfam recomenda providências urgentes para fazer frente à crise de fome global em formação.Continua depois da publicidade

Ajuda humanitáriaOs governos doadores devem financiar, na íntegra, o apelo da ONU por ajuda humanitária ante a covid-19, a fim de assistir comunidades e grupos mais vulneráveis, incluindo mulheres, trabalhadores migrantes e comunidades deslocadas. Os governos devem também garantir que os produtores de alimentos possam voltar a trabalhar com segurança, facilitar a circulação de agricultores e trabalhadores agrícolas, abrir mercados de alimentos e garantir acesso a insumos agrícolas.
Justiça e sustentabilidade alimentarOs governos devem assumir o compromisso de realizar uma reunião de alto nível durante a sessão do Comitê de Segurança Alimentar Mundial, a ser realizada, em Roma, em outubro deste ano, para coordenar medidas no sentido de garantir que o estabelecimento de sistemas alimentares mais justos, adequados, resilientes e sustentáveis, constitua um elemento central das medidas de recuperação pós-pandemia.
Participação das mulheresAs mulheres devem ter a oportunidade de participar e liderar decisões sobre como reparar o nosso sistema alimentar falido. Para compreender todas as implicações dos desafios que as mulheres estão enfrentando em decorrência da pandemia, dados desagregados por gênero devem ser coletados e usados para informar decisões sobre como responder a esses desafios.
Cancelamento de dívidasA comunidade internacional deve ampliar o cancelamento de dívidas, no sentido de abranger todas as dívidas privadas, bilaterais e multilaterais de países de baixa e média rendas e com credores privados. Tal medida liberaria US$ 1 trilhão em receitas para ajudar países em desenvolvimento a arcarem com os custos de pacotes de resgate econômico para pequenas empresas e medidas de proteção social, como o pagamento de auxílios emergenciais em espécie para ajudar as pessoas a sobreviver.
Combate à crise climáticaSão necessárias medidas urgentes para reduzir drasticamente as emissões de gases de efeito estufa, impedir que as temperaturas globais subam acima de 1,5 grau e ajudar pequenos produtores a se adaptarem às mudanças climáticas. Para esse fim, é necessário abordar as emissões da agricultura,  responsáveis por um quarto das emissões globais de gases de efeito estufa — principalmente oriundas do desmatamento, da pecuária e do uso de fertilizantes.
Cessar-fogo globalA Oxfam apela a todos os países e partes envolvidas em conflitos que respondam ao apelo do secretário-geral da ONU (António Guterres) por um cessar-fogo global. Eles devem parar imediatamente de lutar e vender armas, para permitir que as pessoas recebam ajuda humanitária e que os esforços de paz avancem. Fonte: Correio Braziliense

Reação ao STF

08/07/2020

Advogados direitistas lançam ação internacional para denunciar STF

À frente da iniciativa está o Movimento Advogados do Brasil (MAB), que reúne profissionais do Direito, em sua maioria de perfil conservador.

Advogados direitistas lançam ação internacional para denunciar STF

Um grupo de advogados deu início na semana passada ao que chamou grandiosamente de “A maior ação do mundo”. Eles protestam contra o que entendem ser violações de direitos humanos patrocinadas sobretudo pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

À frente da iniciativa está o Movimento Advogados do Brasil (MAB), que reúne profissionais do Direito, em sua maioria de perfil conservador. São também defensores da Lava Jato, destoando do perfil majoritário da corporação, que não pode ver o ex-ministro Sergio Moro (Justiça) pela frente.

Iniciada na terça-feira passada (30), a articulação pretende enviar petições para mais de cem entidades do mundo denunciando “as lamentáveis violações de direitos fundamentais” no Brasil. De acordo com o MAB, há cerca de 7.000 advogados engajados nas ações.

Os destinatários são instâncias como a OEA (Organização dos Estados Americanos), a Corte Interamericana de Direitos Humanos, o Tribunal de Haia e a ONU, além de órgãos jurídicos internacionais e veículos de imprensa.

O principal alvo das reclamações é o inquérito das fake news aberto pelo STF, que tem mirado principalmente ativistas digitais e empresários apoiadores do presidente Jair Bolsonaro.

“Desde sua instauração [do inquérito], vários princípios e regras básicas e universais de direitos humanos vêm sendo cotidianamente violadas”, diz um texto do advogado Emerson Grigollette, de Presidente Prudente (SP), um dos organizadores do movimento.

Procurado pela reportagem, Grigollette não quis dar entrevista.

Uma petição on-line de apoio à ação, que pode ser assinada por qualquer pessoa, foi postada no site CitizenGo, plataforma espanhola para abaixo-assinados conservadores bastante usada pela direita brasileira. Até a noite desta segunda-feira (6), já contava com mais de 94 mil assinaturas.

Os principais pontos criticados pelos advogados são os mesmos já abordados por opositores do inquérito, aberto no ano passado para investigar ataques on-line direcionados contra o Supremo.

A maior polêmica se refere à forma como o inquérito se iniciou: de ofício, ou seja, por iniciativa da própria corte, sem ser provocada.

Além disso, o relator, ministro Alexandre de Moraes, foi escolhido a dedo pelo presidente Dias Toffoli, e não por sorteio, como é habitual. O STF está na situação singular de comandar o inquérito e julgá-lo, o que levanta questões sobre sua imparcialidade.

Não é tudo, dizem os advogados. “Também os direitos a liberdade de expressão e a livre manifestação de pensamento vêm sendo violados”, afirma a petição no CitizenGo.

Ou seja, o que o STF aponta como fake news seria simplesmente o exercício do direito de expressão previsto na Constituição. É um argumento recorrente entre a direita.

A petição ainda reclama do fato de advogados de acusados não terem tido acesso às acusações contra seus clientes e questiona as quebras dos sigilos fiscal e bancário de investigados.

Por fim, não perde a oportunidade de alfinetar o presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, que estaria sendo falho ao defender os direitos de advogados, que têm sua atuação no inquérito dificultada.

“Responsável pela condução e gestão do órgão máximo de defesa dos direitos dos advogados brasileiros, [Santa Cruz] vem se revelando tímido, senão inerte, na defesa das prerrogativas profissionais”, diz o texto. Santa Cruz é atualmente um duro crítico de Bolsonaro.

É difícil saber que efeito prático a “maior ação do mundo” terá, até porque o STF de maneira esmagadora (10 votos a 1) validou o inquérito das fake news.

Mas não deixa de ser um novo e importante front que advogados conservadores abriram contra um Judiciário visto por eles como ativista e sem respeito pela liberdade.

Por via das dúvidas, os signatários da petição fazem questão de demonstrar que não querem ser confundidos com a franja mais lunática de manifestantes bolsonaristas que pedem intervenção militar e fechamento do Congresso e do STF.

“Reconhecemos a importância indiscutível, não só da existência, mas também da manutenção e proteção de uma Suprema Corte e dos Poderes Legislativo e Executivo. Portanto, jamais discutiremos ou incentivaremos qualquer medida tendente ao fechamento destes órgãos, que são necessários a própria existência do Estado”, afirmam. Fonte: Notícias ao Minuto

Brasil na pindaíba

06/07/2020

O Brasil na miséria

O ciclo de empobrecimento do País, que começou há cinco anos, se intensifica com a pandemia e torna as perspectivas de futuro cada vez mais sombrias. A tendência é de piora na distribuição de renda

Crédito:  Lalo de Almeida

A principal mazela brasileira, a desigualdade, vem se intensificando nos últimos cinco anos e tende a se tornar ainda mais cruel por causa da pandemia do coronavírus. Se a distribuição de renda no País já era sofrível, a expectativa é que piore daqui para frente. Os fatores imediatos que contribuem para a deterioração do quadro social são o aumento do desemprego e do número de desalentados, gente que desistiu de procurar uma nova ocupação, e a impossibilidade de atuação de milhões de trabalhadores informais, impedidos de exercer sua atividade. O isolamento social tornou impossível para muitas pessoas buscarem o pão de cada dia e criou um ambiente de incerteza que afeta principalmente a parte baixa da pirâmide e não deve se dissipar nos próximos meses. Os últimos dados do Banco Mundial, divulgados em abril, revelam que o número de brasileiros vivendo com menos de US$ 3,20 (R$ 17,00) por dia passou de 14,3 milhões para 19,2 milhões entre 2017 e 2018. Um estudo publicado pelo Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostra que, entre 2012 e 2019, a renda da metade mais pobre da população caiu 18%, enquanto o 1% mais rico teve um aumento de quase 10% no seu poder de compra.

Ajuda emergencial

O cenário é nebuloso, com o aprofundamento da crise econômica, e aponta para um encolhimento do mercado de trabalho. O tempo para recolocação das pessoas que estão perdendo o emprego agora será dilatado porque a recuperação da atividade será lenta. A ajuda emergencial de R$ 600, concedida pelo governo federal para a população desassistida, deverá amenizar os efeitos econômicos da pandemia e impedir uma explosão da miséria, mas não será suficiente para reverter o ciclo de empobrecimento, já que seus benefícios são de curto prazo. Se o governo não prolongar a ajuda e não fizer mudanças estruturais, a tendência é que, passado o período de isolamento, a penúria se alastre. “A pandemia fez todo mundo ganhar menos ao mesmo tempo e mostrou que o custo da desigualdade é maior do que se imaginava”, diz o pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), Pedro Ferreira de Souza, autor do livro “Uma história da desigualdade: a concentração de renda entre os ricos, 1926-2013”. “Todo mundo já estava acostumado com a desigualdade no cotidiano, mas o coronavírus está mostrando seu lado mais trágico e perverso”.

“O governo parou no dever de casa número 1, que é o socorro emergencial”, diz o economista Paulo Rabello de Castro, ex-presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), para quem a pandemia encolheu consideravelmente a base do mercado de trabalho. “Deveria haver também um segundo grande programa de apoio ao empreendedorismo e um modificação radical do contrato de trabalho que alterasse seus fundamentos fiscais”. Segundo Castro, na sua falta de estratégia para enfrentar a crise, o governo de Jair Bolsonaro se esqueceu do setor produtivo e abandonou as micro e pequenas empresas ao seu próprio destino. Só no final de junho, depois de mais de cem dias de pandemia, foi colocado em prática o Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe), que garantirá uma linha de crédito para financiamento da folha de salários das empresas por dois meses. Além disso, ele acredita que a ajuda emergencial de R$ 600 pode colocar muita gente na “armadilha do conforto provisório” e desmotivar a pessoa a procurar um trabalho ou inicar um empreendimento. “Um garçom que perdeu o emprego, por exemplo, não vai encontrar outra porta aberta rapidamente”, afirma. “Hoje o que temos é o famoso governo ao deus-dará”.

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RICOS E POBRES A paisagem urbana expõe a precária distribuição de renda no Brasil: cresce população que vive abaixo da linha de pobreza (Crédito:Divulgação)
“Hoje o que temos é o famoso governo ao deus-dará” Paulo Rabello de Castro, economista (Crédito:Fernando Frazão/Agência Brasil)

Neste momento, muitos brasileiros pararam de procurar emprego e se tornaram indisponíveis para trabalhar por terem sido contaminados pelo coronavírus ou porque precisam cuidar de algum doente. De acordo com os últimos dados do IBGE, obtidos pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua), o desemprego atingiu 12,7 milhões de pessoas entre março e maio deste ano. No período, quando houve o agravamento da crise sanitária, 7,8 milhões de pessoas perderam o emprego. Só em maio, 1 milhão de brasileiros ficaram sem contrato de trabalho. A taxa de desocupação, que era de 11,6% no trimestre anterior, atingiu 12,9%. O maior problema, porém, é que a população que estava fora do mercado, sem trabalho ou procurando emprego, aumentou em 9 milhões de um trimestre para o outro e atingiu o recorde de 75 milhões de pessoas. Além disso, o número de desalentados, que desistiram de procurar trabalho porque não acreditam que conseguirão vaga, aumentou em 718 mil e atingiu 5,4 milhões de pessoas. Os analistas do mercado acreditam que a taxa de desemprego alcançará 15,5% em setembro.

Embora os efeitos definitivos da pandemia ainda não possam ser medidos, inclusive pelo impacto que a ajuda emergencial terá sobre a atividade econômica, neste momento tudo aponta para o crescimento da desigualdade. Além daqueles que recebem menos de US$ 3,20 por dia, há um contingente de 41,7 milhões de brasileiros vivendo no limite da pobreza, segundo estudo do Banco Mundial, que tem uma renda inferior a US$ 5,50 (R$ 30,00) por dia. Esse é um grupo que tem crescido consideravelmente nos últimos anos – 5,8 milhões de pessoas entraram nessa faixa –, em função da deterioração da economia e da concentração de renda nas mãos dos mais ricos. E que tende a aumentar ainda mais nos próximos tempos por causa da falta de estratégia do governo para rearticular o sistema produtivo. Fonte: isto é

Devastação na Amazônia

06/07/2020

Retaliação Ambiental

Por causa de seu desleixo com a Amazônia, que teve recorde de focos de queimadas em junho, o presidente Jair Bolsonaro assusta investidores globais e expõe o País a um desastre financeiro

Crédito: Gustavo Basso/NurPhoto

DESTRUIÇÃO Número de pontos de incêndio detectados pelo Inpe, em junho, chega a 2.248 e é o mais alto desde 2007

FISCALIZAÇÃO Atuação de militares na proteção da Amazônia atrapalha operações do Ibama: governo não tem estratégia
para salvar a floresta (Crédito:EDVALDO)

O Brasil entrou numa encrenca monumental. O desleixo do presidente Jair Bolsonaro com a Amazônia expôs o País a uma situação complexa e vexatória, que envolve alguns dos maiores banqueiros do mundo e poderá ter consequências econômicas desastrosas. Segundo noticiou o jornal Financial Times, um grupo de megainvestidores, que administra um fundo de mais de US$ 3,7 trilhões, ameaça deixar o Brasil caso a destruição da floresta não seja interrompida. Uma carta com este alerta, subscrita por 29 instituições financeiras, foi entregue ao governo brasileiro há duas semanas. Motivos para o mercado global estar apavorado não faltam. Os últimos indicadores divulgados, quarta-feira 1, pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), mostram que a destruição só cresce e bateu recorde no mês passado. Foram detectados 2.248 focos de incêndio, número mais alto desde 2007. Outros indicadores de devastação, como o aumento da área desmatada, também pioraram de forma acentuada nos últimos 18 meses.

Os investidores temem que o desastre ambiental aumente o risco soberano do Brasil e começam a deixar o País para trás nos seus projetos financeiros e comerciais. A ameaças de retaliação vêm de todas as partes. Os franceses estão da linha de frente da ruptura do acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul. Grandes redes varejistas inglesas preparam-se para interromper os negócios com os brasileiros por causa da política destrutiva do governo Bolsonaro. Empresas nacionais, inclusive as gigantes da alimentação e da mineração, podem perder o acesso ao dinheiro dos mercados mundiais ou verem seu custo financeiro ficar cada vez mais alto. Outro problema é de reputação: marcas globais evitarão se vincular a um governo incendiário, que estimula a destruição das florestas. Qualquer empresa que tenha algum tipo de relação em sua cadeia de suprimentos com as atrocidades ambientais cometidas na região poderá entrar em uma lista de exceção.

Preocupado especialmente com o acordo com a União Europeia, Bolsonaro já percebeu que o cerco internacional está se fechando e tenta reagir à pressão. Numa videoconferência dos chefes de Estado do Mercosul, quinta-feira 2, ele declarou que o governo busca “desfazer opiniões distorcidas sobre a região.” Disse também que há um esforço para mostrar ações na área ambiental. O que se vê, no entanto, é uma ausência de políticas de conservação e de preservação da Amazônia. A principal iniciativa do presidente foi o envio das Forças Armadas para combater focos de incêndio, em maio, em uma operação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO). Mas a presença militar não apresentou resultados práticos e serviu mais para atrapalhar os fiscais do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama), que atuam lá há 30 anos, do que para contribuir com o trabalho de proteção. De maneira descrita como atabalhoada e até mal-intencionada, os militares assumiram o controle das operações e descartaram as ações planejadas pelo Ibama para enfrentar os madeireiros.

Enquanto isso, a floresta arde e é cortada sem piedade. Em junho, os focos de incêndio no bioma Amazônia, identificados com base em imagens de satélite, aumentaram 19,6% em relação ao mês anterior, quando foram registrados 1.880 pontos. Pela primeira vez em treze anos, o número de queimadas superou a marca de 2 mil. Quanto à área desmatada, o crescimento é igualmente alarmante. Um levantamento do Inpe indicou, em maio, um aumento de 34% nos alertas de corte raso da floresta em relação à abril. Nos quatro primeiros meses de 2020, o desmatamento cresceu 55% se comparado com o mesmo período de 2019. Não restam dúvidas de que a maior reserva ambiental do planeta corre sério risco de destruição e a preocupação internacional é totalmente procedente. Bolsonaro e seu ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, nada fazem para proteger a Amazônia. E, por conta disso, o Brasil avança para se tornar um pária internacional. Fonte: Isto é

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