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DILMA vence eleição, mas tem vários desafios pela frente

16/11/2014

Protesto anti-Dilma reúne milhares em SP; ato registrou brigas e agressão

Fonte:Uol

O clima esquentou no protesto anti-Dilma, que aconteceu em 15/11/14, na zona central de São Paulo. Durante o trajeto, houve troca de insultos entre manifestantes e simpatizantes da presidente e a reportagem do UOL presenciou a agressão a um homem.

Em atos pelo Brasil, manifestantes pedem saída de Dilma

Manifestantes pedem o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) durante protesto na avenida Paulista, região central de São Paulo. É o segundo ato pedindo a saída da petista do governo em menos de 15 dias

Segundo a Polícia Militar, 2.500 pessoas se concentraram na avenida Paulista e cerca de 1.000 seguiram até a praça da Sé.  A PM havia estimado anteriormente a presença de 6.000 pessoas, mas a assessoria de imprensa da corporação refez a estimativa.

Por volta das 16h30, um homem foi agredido por dois idosos, que participavam do protesto, ao andar pela Paulista com uma camiseta vermelha cuja estampa havia uma foice e um martelo estilizado.

Advogado fala sobre agressão em ato anti-Dilma na Paulista

Os dois homens com cabelos grisalhos, que não quiseram se identificar, bateram com bandeiras do Brasil na cabeça do advogado Alexandre Simões Filho, 33, aos gritos de “Volta pra Cuba, lá é o seu lugar”. Filho, que declarou seu voto em Dilma, disse que estava voltando para casa nos arredores da Paulista, quando se deparou com o protesto.

Xingamentos

Parte dos manifestantes que seguiam pela avenida Brigadeiro Luis Antônio, no sentido centro, xingavam moradores de prédios que penduraram bandeiras vermelhas e do PT nas janelas aos berros de “o socialismo não existe”. Alguns moradores revidaram chamando-os de “direita coxinha”.

Minutos antes, um ônibus com cartazes que citavam a falta de água em São Paulo surgiu na avenida Paulista e causou tumulto entre os manifestantes. A PM impediu que o veículo seguisse junto com os manifestantes e o fez descer pelo outro lado da avenida, no sentido Jardins.

A reportagem do UOL também foi hostilizada por alguns manifestantes aos gritos de “imprensa petralha”.

Tucano e Bolsonaros

O senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), que foi candidato à vice-presidência na chapa de Aécio Neves, participou do evento. Segundo o tucano, o protesto “é uma oportunidade da população protestar contra os recentes escândalos da Petrobras”.

Nós queremos fazer um terceiro turno todos os dias, diz Aloysio Nunes

O deputado federal eleito Coronel Telhada  (PSDB-SP) e Eduardo Bolsonaro (PSC-SP) acompanharam a manifestação em um dos cinco carros de som que andaram no sentido da avenida Brigadeiro Luis Antônio.

Grande parte dos manifestantes seguravam bandeiras do Brasil e usavam roupas nas cores verde e amarela. Alguns deles queimaram uma bandeira da campanha de Dilma e pisaram no que restou dela aos gritos “Fora Dilma”, “Fora PT”.

Esquerda versus direita

Na quinta-feira (13), diversas organizações de esquerda, entre elas o MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) e a CUT (Central Única dos Trabalhadores) fizeram um protesto em resposta à manifestações pela derrubada do governo. Segundo a PM, cerca de 12 mil pessoas foram ao protesto.

No ato, os manifestantes defenderam a realização de uma série de reformas populares, entre elas a política –por meio de uma constituinte e de um plebiscito–, a urbana, a agrária e a tributária. Os presentes também defenderam a democratização da comunicação e a desmilitarização da polícia.

Protestos e greves pelo Brasil


Manifestantes concentrados em frente ao vão livre do Masp, na avenida Paulista, em São Paulo, exibem réplicas de machados durante ato por “reformas populares” nesta quinta-feira (13). De acordo com policiais militares que acompanham o ato, cerca de 12 mil pessoas estão presentes. Os organizadores estimam em 15 mil

Em sua primeira viagem internacional desde a apertada vitória nas eleições de outubro, a presidente Dilma Rousseff passa por um teste de personalidade na reunião dos líderes dos principais países industrializados e emergentes do mundo, o G20, durante este fim de semana, em Brisbane (Austrália).

Além de chegar à Austrália num momento em que o Brasil lida com problemas internos significativos – em especial a desaceleração da economia -, Dilma terá que gerenciar expectativas ligadas tanto à pauta de discussões quanto a uma “saia justa” diplomática.

Enquanto o escândalo da Petrobras ainda repercute na mídia estrangeira, Dilma participará de uma reunião em que o combate à corrupção será um dos temas em destaque. Da presidente também se espera algum comentário sobre a crise provocada pela intervenção da Rússia na Ucrânia.

Analistas ouvidos pela BBC Brasil também acreditam que Brisbane dará à Dilma uma chance de sair da “sombra” do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no cenário internacional.

“Dilma precisa demonstrar firmeza. Ainda não a vimos fazer declarações sobre posições importantes que o Brasil precisa tomar em relação aos problemas globais. É natural que tenha havido um certo silêncio por força das distrações domésticas, mas se existe um momento apropriado para ela mostrar suas intenções é agora”, diz o cientista político canadense John Kirton, da Universidade de Toronto e diretor do G20 Research Group, rede de analistas especializados nas atividades do grupo.

Kirton acrescenta que não vê na presidente o mesmo comprometimento de Lula com o fórum global.

“Lula deixou uma marca no G20. Ele era um dos líderes mais amados e fez muito esforço para que o G20 se transformasse num foro mais relevante, passando também pelo trabalho que fez para os brasileiros. Dilma tem um perfil mais tecnocrático e deixou a impressão de que o G20 pode não ser o local mais adequado para seus talentos.”

Economia com pés de barro

A pauta da reunião em Brisbane terá entre os pontos principais a proposta de adoção de medidas econômicas que nos próximos cinco anos garantam um aumento de 2% no Produto Interno Bruto (PIB) combinado dos membros do G20.

O compromisso seria bem-vindo para o Brasil, que segundo projeções de diversos organismos internacionais deverá registrar crescimento eoncômico inferior a 0,4% em 2014. Isto representaria o pior índice desde 2009, quando houve retração de 0,2%, influenciada pela crise financeira mundial.

Os analistas, porém, criticam a falta de maiores informações sobre as medidas econômicas que a presidente pretende implantar no segundo mandato. Um das variáveis é quem será o ocupante do Ministério da Fazenda – o atual titular da pasta, Guido Mantega, foi “demitido” pela presidente durante a campanha eleitoral.

 

Substituto do ministro da Fazenda, Guido Mantega, ainda não foi anunciado

 

 

“Dilma está numa posição delicada por conta dos problemas domésticos. Sua vitória foi boa por uma questão de continuidade, mas é inegável que a presidente recebeu um mandato mais fraco”, diz Irene Mia, chefe da Divisão de América Latina e Caribe da Economist Intelligence Unit.

“Depois de falar em corte de juros na campanha, o governo elevou as taxas. O Brasil ainda não disse como pretende lidar com a queda no crescimento e a alta da inflação.”

Kirton também chama atenção para outro ponto ligado à participação brasileira no G20: o mais recente estudo de avaliação publicado por seu grupo mostra que o Brasil cumpriu apenas 66% das 281 metas estabelecidas no último encontro de líderes, em São Petersburgo (Rússia).

Se não representa uma diferença acentuada em relação à média geral dos países do grupo (de 71%), é uma queda acentuada em relação a 2011, quando o país exibiu 80% de cumprimento das metas.

“Um dos piores desempenhos do Brasil, por exemplo, foi na questão da redução dos custos para o envio internacional de dinheiro por imigrantes. A mensagem que isso passa é que o Brasil talvez não seja mais um defensor das nações mais pobres depois da saída de Lula”, critica.

 

Política delicada

Em reunião com líderes mundiais, especialistas cobram posicionamento do Brasil sobre a crise entre Rússia e Ucrânia

 

 

Os dois especialistas veem também um desafio no campo da política internacional: o posicionamento em relação à questão ucraniana. Mais especificamente, a anexação de territórios ucranianos separatistas pró-Moscou por Vladimir Putin.

“Há uma grande expectativa sobre como os outros países do grupo dos BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) vão se pronunciar sobre os eventos na Ucrânia. O Brasil será questionado a responder se é mais fiel aos BRIC ou aos G20. E a resposta terá que vir de Dilma”, afirma Kirton.

Mia não espera uma mudança radical de posição da presidente, cujos pronunciamentos em relação à crise na Ucrânia foram marcados pela cautela.

“A postura do Brasil tem sido marcada por um certo silêncio em relação à Rússia. E historicamente o Brasil defende os interesses do G20. A situação agora é diferente e será interessante ver como Dilma vai se posicionar

Fonte: BBC

Desafios e Perspectivas da Economia Brasileira em 2014

1.  Introdução

 

Em 2010, a revista The Economist apontou o Brasil em matéria de capa, na qual louvava o bom desempenho da economia e as pers­pectivas positivas que se abriam para o país. Três anos depois, a revista publicou reportagem argu­mentando que a economia desandara, pedindo a cabeça do ministro da Fazenda. Não é difícil ver por que a revista mudou tão radicalmente de ideia. O crescimento do PIB despencou de 4,3% ao ano, em 2005-2010, para 2,0% anuais, em 2011-2013, enquanto a expansão do investimen­to caiu de 9,2% para 2,3% ao ano. Além disso, neste último triênio, a inflação média ficou em 6,1% ao ano, e o déficit em conta corrente au­mentou 1,5% do PIB.

Desde 2012, o cenário externo vem mudando em uma direção que magnifica os desequilíbrios dinâmicos intrínsecos ao modelo econômico vi­gente desde 2005, muito calcado no aumento do gasto público e do crédito muito acima daquele do PIB. A desaceleração do crescimento na Ásia emergente encerrou o ciclo de alta no preço das commodities e colocou em evidência a dependên­cia do modelo à expansão contínua das importa­ções líquidas. O início do processo de normaliza­ção monetária dos EUA elevou as taxas de juros pagas pelos títulos públicos, expondo a fragilida­de de um setor público com elevada dívida bruta.

O Brasil passou a ser visto como frágil e vulne­rável à normalização da política monetária ameri­cana. Talvez nenhum outro indicador mostre isso mais claramente do que a poupança nacional ter caído, em 2013, a apenas 13,9% do PIB, gerando um recorde, pelo menos desde 1995, na necessida­de de financiamento externo do país. Isso é um cla­ro prenúncio de que, no médio prazo, o Brasil pas­sará por um forte ajuste no consumo, do setor pú­blico e das famílias, e no investimento, como acon­teceu no final dos anos 1990 e início da década passada, assim como outras vezes no passado.

As expectativas para 2014 são de um desem­penho ainda pior do que na média do triênio 2011-13. Como mostra o Gráfico 1, desde o últi­mo trimestre de 2011, houve uma progressiva redução da confiança na qualidade do desempe­nho econômico do país. Em final de fevereiro, previa-se para 2014 uma inflação de 6% e uma alta de 1,7% no PIB. Essa combinação reforça a visão de que o crescimento real do PIB potencial do Brasil caiu para aproximadamente 2,5% ao ano ou até menos. Gráficos semelhantes para 2015 e 2016 apresentam um padrão semelhante de mais inflação e menos crescimento.

imagem1_castelarNeste artigo, analiso como a economia brasi­leira deteriorou-se a ponto de se ter expectativas tão ruins quanto ao seu desempenho nos próxi­mos anos. Com base nessa análise, traço um ce­nário para 2014. Mostro também que as más po­líticas dos últimos anos deixaram o país vulnerá­vel à normalização da política monetária ameri­cana e que o país necessita de reformas para melhorar seu desempenho, mesmo que não acre­dite que essas vão vir antes que o estado de nossa economia piore ainda mais.

O trabalho tem cinco seções, incluindo esta introdução. A seção 2 discute a “nova matriz eco­nômica”, um rótulo elaborado para a política ex­pansionista adotada desde o final de 2011. A se­ção 3 mostra por que o Brasil está entre as econo­mias emergentes mais vulneráveis à normaliza­ção monetária nos EUA. A seção 4 apresenta meu cenário para a economia em 2014. A seção 5, e última, discute o que esperar da política eco­nômica em 2015.

2A nova matriz econômica

Como é tradição, a presidente Dilma passou boa parte de seu primeiro ano de governo buscando frear a alta da inflação, apertando a po­lítica monetária e fiscal. No entanto, o impacto so­bre o investimento foi muito mais forte do que o previsto. As autoridades se assustaram com a que­da do crescimento e o risco de que esta se acen­tuasse com o aprofundamento da crise europeia. Além disso, a presidente tinha suas próprias ideias sobre o que era uma boa política econômica.

Assim, a partir do final de 2011, o governo pôs em prática a chamada “nova matriz econômica”. Esta consistia em uma combinação de políticas mo­netárias e fiscais mais frouxas, crédito farto e barato por meio dos bancos públicos e uma taxa de câm­bio mais desvalorizada. Assim, ainda no primeiro ano de governo, a nova matriz econômica substi­tuiu o “tripé da política macroeconômica” posto em prática por Fernando Henrique Cardoso em 1999, que consistia em metas de inflação e de superávit primário, além de uma taxa de câmbio flutuante.

imagem2_castelarEm uma surpreendente decisão, o Comitê de Política Monetária, em 31 de agosto de 2011, ini­ciou um longo ciclo de corte dos juros, que durou até outubro de 2012. Ao todo, a Selic caiu de 12,50% para 7,25%, patamar em que permaneceu até abril de 2013, período em que os juros reais ficaram abaixo de 2% ao ano (Gráfico 2). A inicia­tiva do Banco Central surpreendeu porque o afrouxamento da política monetária ocorreu a des­peito de as expectativas de inflação, e a própria inflação, estarem bem acima da meta de 4,5%.

No início de 2012, a política fiscal também foi afrouxada, com uma redução considerável do supe­rávit primário (Gráfico 2). A maior parte dessa que­da resultou de incentivos fiscais voltados para pro­mover o gasto privado e para diminuir alguns pre­ços-chave, contribuindo, assim, para manter a infla­ção baixa. Em 2012, esses incentivos fiscais custa­ram 1,1% do PIB em receitas fiscais perdidas.

Enquanto isso, os bancos públicos expandiram suas carteiras de crédito e cortaram as taxas de juros cobradas em seus empréstimos. Entre setembro de 2011 e dezembro de 2013, o saldo de créditos dos bancos públicos aumentou 48% acima da inflação, enquanto as instituições privadas expandiram suas carteiras em 4% (Gráfico 3). Para viabilizar esse forte crescimento nas suas carteiras, os bancos pú­blicos contaram com grandes empréstimos do Te­souro, cujo saldo subiu de 6,8% do PIB, no final de 2010, para 9,7% do PIB, três anos depois.1 Quase 90% dos empréstimos do Tesouro foram para o BNDES, a um custo inferior ao pago pelo governo em sua própria dívida. Esses créditos, por sua vez, permitiram que o BNDES emprestasse a taxas de juros reais negativas, como é o caso do Programa de Sustentação do Investimento. Por outro lado, elevaram significativamente a dívida bruta e a des­pesa líquida com juros do Tesouro.

Desde o início da administração de Dilma Rousseff, o governo tem buscado desvalorizar o real. Nos três anos encerrados em dezembro de 2013, a desvalorização real superou a infla­ ção em 31%. Não obstante, a desvalorização cambial ainda não afetou os preços relativos dos produtos comercializáveis e não comercia­lizáveis, como seria de se esperar (Gráfico 4). Em parte, isso se deveu a controles do gover­no, como o sobre os preços da gasolina e do diesel, mas também à desaceleração do cresci­mento na Ásia emergente, que reduziu os pre­ços de algumas commodities. Como consequ­ência, a indústria continuou a ter um desempe­nho fraco, e o déficit em conta corrente conti­nuou a aumentar (Gráfico 5).

imagem3_castelarNo esforço de enfraquecer o real, o governo ampliou as reservas internacionais, que aumenta­ram de US$ 289 bilhões para US$ 376 bilhões no triênio encerrado ao final de 2013. Como o go­verno não gera superávit fiscal, precisou emitir dívida para comprar os dólares das reservas. Esse processo foi outra fonte importante de ex­pansão da dívida bruta do setor público e de ele­vação da despesa líquida com juros.

Quatro fatores principais explicam por que o governo adotou a “nova matriz econômica”. Pri­meiramente, pela crença de que seria possível baixar a taxa de juros real sem impacto sobre a inflação. Esse diagnóstico compreendia tanto a Selic quanto as taxas cobradas pelos bancos. Ao baixar a Selic e os juros cobrados pelos bancos públicos, o governo esperava que as taxas de ju­ros domésticas caíssem ao “padrão internacio­nal”, sem outras consequências. O aprofunda­mento da crise europeia oferecia a janela de oportunidade perfeita para fazer essa transição nas taxas de juros. Como se viu depois, a teoria do governo sobre os juros estava furada.

Em segundo lugar, o governo temia a desin­dustrialização, e a presidente parece acreditar que não há desenvolvimento sem uma indústria dinâ­mica. Todavia, a “nova matriz econômica” fracas­sou em promover a indústria, que continuou a perder participação no PIB. Em especial, os dados sugerem que a indústria precisa de políticas que a ajudem a ser mais competitiva, e não de barreiras que a protejam da falta de competitividade.

Como terceiro aspecto, pode-se citar que hou­ve um componente de soberba, materializado, por um lado, na percepção de que as empresas topa­riam qualquer coisa para investir no Brasil, não importando quão restritivos fossem os termos que o governo impusesse, e, por outro lado, na visão de que o governo sabia mais que o mercado e de­via liderar o processo de desenvolvimento.

Por fim, quando a economia desacelerou, o governo acreditava que o cenário se devia à falta de demanda. Até hoje o governo parece acreditar nessa leitura, o que justifica não aceitar os sacrifí­cios necessários para trazer a inflação para a meta.

A “nova matriz econômica” não funcionou. Como seria de se esperar, o caráter altamente ex­pansionista da nova matriz pressionou a inflação e os salários. O governo reagiu interferindo em al­guns preços básicos, como os da gasolina, do die­sel, das tarifas elétricas e de ônibus, assim como de uma série de bens de consumo, via isenções tributárias. A economia passou a carregar uma ele­vada inflação reprimida, que elevou as expectati­vas de inflação. Setores inteiros, como os de óleo e gás, de eletricidade e o sucroalcooleiro, tiveram sua saúde financeira comprometida.

imagem4_castelarCombinada com a crescente intervenção do go­verno na economia, a “nova matriz econômica” mi­nou a confiança na economia, comprometendo os investimentos. O crédito ao consumo desacelerou, ajudando a conter a demanda das famílias por bens e serviços. Tudo isso ampliou o efeito da desacelera­ção da China sobre exportações e investimentos.

Em especial, ao contrário do que o governo prometeu, a “nova matriz econômica” não levou a uma aceleração do crescimento, mas sim a uma forte desaceleração. No biênio 2012-13, todos os setores, com exceção do de serviços de informa­ção e da administração pública, tiveram uma piora de desempenho (Tabela 1). A indústria de trans­formação, que recebeu tantos incentivos, fechou 2013 com um PIB menor do que o de 2011. Mais importante, talvez, seja o fato de que os setores que puxaram a aceleração do crescimento em 2005-2011 – construção, comércio, transporte, in­termediação financeira e outros serviços – tiveram uma marcada piora no seu desempenho.

Portanto, mesmo antes da mudança no cenário externo, a economia brasileira já precisava de refor­mas. A perspectiva de normalização da política mo­netária dos EUA apenas as tornou mais urgentes. Essas reformas foram, e continuarão a ser, adiadas em uma tentativa de manter uma impressão de nor­malidade até as eleições presidenciais de outubro de 2014. Isso significa que o Brasil vai sentir as conse­quências da menor liquidez global e da atratividade crescente dos EUA para investimento, mas uma rea­ção mais completa para os desafios impostos por esta nova situação será adiada pelo menos até 2015.

imagem5_castelar3. Brasil, frágil e vulnerável

A sugestão de Ben Bernanke, em 22 de maio de 2013, de que o Fed, o banco central ame­ricano, poderia começar a reduzir suas emissões monetárias no último trimestre de 2013, foi sufi­ciente para causar grandes estragos nos mercados financeiros dos países emergentes, cujos ativos domésticos perderam muito de seu fascínio ante­rior. O Brasil está entre os países mais afetados. Nos três meses seguintes ao discurso de Ber­nanke, o real caiu 17% em relação ao dólar, apesar das maciças vendas de dólares no mercado futuro pelo Banco Central, enquanto os juros pagos pelos títulos públicos e corporativos aumentavam.

imagem6_castelarimagem7_castelarO Gráfico 6 ilustra o impacto do discurso de Ber­nanke, mostrando a dependência dos juros no Brasil, representados pelo rendimento real das NTNs-B,3 do que acontece com a política monetária americana, aqui caracterizado pelo retorno real dos títulos de dez anos indexados à inflação (Tips)4. Primeiramente, fica claro que a queda dos juros a partir do terceiro trimestre de 2011 só se viabilizou porque os juros também caíram muito nos EUA. Consequentemen­te, conforme os juros retornem a um patamar de lon­go prazo nos EUA, eles também devem ficar mais altos no Brasil. O Gráfico 6 mostra, porém, outro ponto relevante: que os juros no Brasil continuaram a subir mesmo depois que os juros nos EUA se esta­bilizaram. A razão foi a desconfiança com relação à dinâmica das nossas contas públicas.

A partir dessa reação do câmbio e dos juros, o Brasil passou a ser visto como um dos países mais vulneráveis às mudanças na economia mundial. O Fed, em um trecho do Relatório de Política Mone­tária de fevereiro de 2014, citou o Brasil como o segundo país emergente mais vulnerável à normali­zação da política monetária americana, entre os 15 países analisados, pouco atrás da Turquia. A análise do Fed se somou à do banco de investimentos Mor­gan Stanley, que incluiu o Brasil no grupo dos cinco países emergentes mais frágeis a mudanças na atual conjuntura econômica internacional.

O Fed está errado? O governo brasileiro acredita que sim. Para um técnico do governo, “o estudo do Fed tem falhas básicas”. Para o ministro Guido Man­tega, os estudos que colocam o Brasil como vulnerá­vel são um equívoco. De fato, para o ministro, o Bra­sil é um dos países “mais bem preparados” para o momento atual da economia mundial. Entre outras coisas, o ministro cita como evidência dessa boa pre­paração o valor das reservas internacionais; o déficit em conta corrente (“Não estamos vulneráveis no dé­ficit de transações correntes”), que seria um dos me­nores em comparação a outros emergentes; e o fato de o Brasil ter acelerado o crescimento do PIB em 2013, contra 2012: “estamos no quadro mundial en­tre as economias que tiveram crescimento maior” (citações no Valor Online: ). Também se incluem nessa lista de evidências as en­tradas de investimento direto estrangeiro.

A análise do Fed está contida em um box do Relatório de Política Monetária intitulado “Es­tresse Financeiro e Vulnerabilidades nas Econo­mias de Mercado Emergentes” (http://1.usa.gov/1h6fLMF). Nele, o Fed argumenta que o mer­cado financeiro está se diferenciando entre os emergentes – como refletido nas variações do câmbio e das taxas pagas pelos títulos públicos – e constrói um indicador de vulnerabilidade para 15 países emergentes,5 que ele mostra estar bastante correlacionado com a desvalorização cambial ex­perimentada por esses países. Em especial, as mo­edas de países mais vulneráveis, de acordo com o indicador, sofreram as maiores desvalorizações.

O Fed não detalha como construiu o indica­dor de vulnerabilidade, mas diz que o índice é simples e baseado em seis indicadores:

● O saldo em conta corrente como proporção do PIB. Quanto maior esse saldo, menos vul­nerável o país é à redução da liquidez interna­cional que deve resultar da normalização mo­netária nos EUA.

● A dívida bruta do setor público como proporção do PIB. Países com governos menos endivida­dos são menos vulneráveis à alta dos juros e à redução da disponibilidade de financiamento resultante da normalização monetária nos EUA.

● Inflação anual média no último triênio. Paí­ses com menor inflação serão menos vulnerá­veis à desvalorização cambial que resultará da normalização monetária nos EUA.

● A variação no último quinquênio do crédito bancário ao setor privado como proporção do PIB. Países com menor expansão do crédito terão mais facilidade de se adaptar à mudan­ça no custo de financiamento e à desacelera­ção que deve resultar da normalização mone­tária nos EUA. Países em que houve maior crescimento do crédito deverão ver uma alta na inadimplência, que pode pesar nas contas públicas e levar a um maior aperto na conces­são de novos créditos.

● A relação entre a dívida externa total e as ex­portações. Em um momento de redução da li­quidez internacional, uma dívida externa ele­vada é um ponto de vulnerabilidade, que tende a pressionar o câmbio, mas essa pressão será tão mais reduzida quanto maiores as exporta­ções do país, pois será mais fácil fazer um ajuste via balança comercial.

● A razão entre as reservas internacionais e o PIB. Quanto mais alta essa razão, menos vul­nerável o país a uma diminuição do financia­mento externo.

imagem8_castelarPara replicar o indicador de vulnerabilidade do Fed, primeiramente padronizei os dados para os 15 países selecionados pelo Fed e de outros três países que deveriam ser incluídos nessa amostra: Hungria, Peru e Polônia. Isso foi feito, de forma que todas as séries variassem de 0% a 100%.6 Para derivar o indicador, agreguei as séries da seguinte forma: somei os valores para dívida bruta do setor público, a inflação média trienal, a variação quin­quenal no crédito bancário ao setor privado, e a razão entre dívida externa e exportações; depois, dela subtraímos o saldo em conta corrente e a ra­zão entre reservas internacionais e PIB.

O resultado dessa agregação é um indicador que pode variar entre menos 200% e mais 400%. Para facilitar a leitura, somei 200% ao resultado e dividi a soma por 600%, obtendo um indicador que pode variar de 0 a 100. Quanto mais alto o indicador, mais vulnerável o país. Esse indicador de vulnerabilidade do Fed é apresentado na Tabela 2. Nela também apresento um indicador de vulne­rabilidade ampliado, que considera também ou­tros três indicadores que poderiam ter sidos utili­zados: o resultado nominal das contas do governo geral, a taxa média de crescimento do PIB nos úl­timos três anos (2011-2013) e o investimento es­trangeiro direto como proporção do PIB.

O que mostram os resultados? O indicador do Fed confirma que Turquia, Brasil, Índia, Indoné­sia e África do Sul são, nesta ordem, os países mais vulneráveis entre os 15 analisados pelo Fed. O quadro muda um pouco com a inclusão dos outros três emergentes considerados aqui, com a Polônia, ascendendo à posição de quarto país mais vulnerável, com Indonésia e África do Sul vindo em seguida. Na outra ponta, Taiwan e Coreia são os emergentes menos vulneráveis.

Vê-se, portanto, que os números são consis­tentes com a conclusão a que o Fed chegou, em especial em relação ao Brasil ser o segundo emergente mais vulnerável entre os 15 conside­rados. De fato, esse resultado também se mantém quando se incluem Hungria, Peru e Polônia.

O posicionamento do Brasil fica ainda pior quando ampliamos o conjunto de medidores de vulnerabilidade, para incluir três medidores de vulnerabilidade a que o ministro Mantega fez re­ferência nas suas críticas à análise do Fed:7 o re­sultado fiscal, o crescimento do PIB e o fluxo de investimento estrangeiro direto. Como se vê na última coluna da Tabela 2, com esse indicador ampliado de vulnerabilidade, o Brasil passa a Turquia para se mostrar o país mais vulnerável, a Índia vem em segundo e a Turquia em terceiro. A ordem muda, porém, a partir da quarta posição, com a Polônia passando a quarto lugar, a África do Sul a quinto e o México a sexto.

imagem10_castelarA partir dos dados desagregados é possí­vel avaliar por que o Brasil se encontra nessa posição de vulnerabilidade. Ordenando os pa­íses do mais para o menos vulnerável, conclu­ímos que:

● O Brasil tem o segundo pior resultado para o crescimento trienal do PIB e para o tamanho da dívida pública bruta.

● O país fica na terceira pior posição para o saldo em conta corrente e para a razão entre dívida externa e exportações.

● Ficamos na quarta pior posição em inflação trienal média e na variação no crédito bancá­rio ao setor privado.

● Ficamos na sexta posição em termos do re­sultado nominal do governo geral, na oitava posição em relação a reservas internacionais e em décima, no que concerne ao investimen­to direto estrangeiro.

Desta forma, em apenas uma medida de vulnerabilidade ficamos na metade menos vul­nerável dos países, enquanto em seis dos nove indicadores ficamos entre os 25% de econo­mias emergentes mais vulneráveis. Leia-se, nossa vulnerabilidade se manifesta em várias áreas da economia.

4 . Um cenário para 2014

Minha expectativa é que 2014 seja um 2013 piorado. Como quantificado na Tabela 3, meu cenário para este ano é de uma desacele­ração no crescimento com uma alta na inflação e pioras no déficit externo e no resultado fiscal. Como será discutido na próxima seção, esse ce­nário aumentará a expectativa de um forte ajuste macroeconômico em 2015.

A agropecuária deve apresentar outra vez o melhor desempenho setorial, mas sem repetir a forte expansão de 2013, que em parte refletiu a contração de 2012. Com isso, sua influência so­bre o setor de bens de capital, produtor de cami­nhões e máquinas agrícolas, e de transportes, para escoamento da safra, será mais modesta do que a de 2013. A indústria sentirá ainda as crises na Argentina e na Venezuela, importantes merca­dos de exportações de manufaturados; as taxas de juros mais altas; o fraco desempenho do setor de extração mineral; e um setor de construção que entrou em um ritmo mais moderado de ex­pansão (Tabela 1). Por outro lado, a desvaloriza­ção cambial dará algum fôlego à produção fabril.

O setor de serviços também deve ter uma ex­pansão mais modesta. Além do impulso mais fra­co vindo da agropecuária e da venda de cami­nhões, a expansão mais lenta da massa salarial e do crédito ao consumidor deve limitar o cresci­mento de setores como comércio, outros serviços e intermediação financeira. Os setores que ainda devem manter um maior dinamismo são admi­nistração, saúde e educação públicas e atividade imobiliária e aluguel. A Copa do Mundo também deve beneficiar setores como transporte aéreo, hotelaria, alimentação fora do domicílio e servi­ços de informação, mas prejudicar o comércio, pelo maior número de feriados.

O consumo privado vem crescendo menos devido à expansão mais lenta da massa salarial e do crédito ao consumo. Assim, em 2013, o con­sumo das famílias teve seu terceiro ano de desa­celeração, aumentando 2,3%, ante 6,9% em 2010, 4,1% em 2011, e 3,2% em 2012. Essa foi a menor alta desde 2003, equivalente a menos da metade do crescimento médio em 2004-2012. A desaceleração na expansão do consumo privado deve continuar em 2014. Por outro lado, o consu­mo do governo deve aumentar com mais força este ano, devido à realização de eleições, tanto em nível federal quanto estadual.

Três fatores explicam a menor expansão do consumo privado. Em primeiro lugar, a piora ob­servada no mercado de trabalho (a despeito das baixas taxas de desemprego): em 2013, a massa salarial real aumentou apenas 2,6%, ante 6,3% em 2012, com uma menor alta do emprego (0,7% em 2013, contra 2,2% em 2012) e do rendimento real (1,9% contra 4,1% na mesma comparação). De fato, no último trimestre de 2013, o emprego já foi menor do que no mesmo período em 2012. Em 2014, espero outra vez uma baixa expansão da massa salarial real.

Em segundo lugar, o crédito ao consumo das famílias aumentou apenas 0,3% acima da infla­ção em 2013, em relação a 2,1% em 2012, 5,3% em 2011 e 11,9% em 2010. O crédito também ficou mais caro: em janeiro de 2014, a taxa de juros para as pessoas físicas com recursos livres ficou 5,3 pontos percentuais acima da taxa de um ano antes. O crédito ao consumo deve continuar patinando em 2014.

Por fim, caiu a confiança do consumidor, por conta da piora do mercado de trabalho, da eleva­da inflação de preços livres e da percepção de que haverá um “tarifaço” após as eleições, para corrigir os preços de gasolina e diesel e as tarifas elétricas e de ônibus. Também contribuem para esse quadro as incertezas sobre a evolução do quadro interno e da economia mundial.

O bom desempenho do investimento em 2013 não se repetirá em 2014. De fato, somando-se a alta em 2013 com a queda de 4,0% em 2012, vê-se que o investimento cresceu apenas 1,0% ao ano na média do último biênio. A expansão do investi­mento em 2014 deve ficar nessa faixa. A produção de bens de capital não repetirá o mesmo número de 2013, pois a base de comparação é menos favo­rável e não haverá necessidade de tantos cami­nhões novos. Além disso, a confiança dos empre­sários também está em queda, refletindo as incer­tezas domésticas e externas. Basta ver que a Petro­bras já anunciou que, em 2014, investirá 0,4% do PIB a menos do que em 2013.

Ainda sobre o investimento, os resultados mostram que as privatizações realizadas até aqui não vão fazer muita diferença no resultado ma­croeconômico: elas simplesmente não têm di­mensão para isso. Por fim, mas não menos importante, há um risco não trivial, e crescente, de que o Brasil tenha um apagão elétrico neste ou ainda mais provavelmente no próximo ano.

Também não acredito que a salvação virá do setor externo. Apesar da melhora no desempenho dos EUA e da Europa, o menor crescimento chi­nês e o mau momento vivido pela Argentina e pela Venezuela vão limitar a expansão das nossas exportações. Em especial, é muito difícil pegar o que exportamos para os nossos vizinhos latino­-americanos e, da noite para o dia, começar a vendê-los nos EUA e na Europa. A queda do pre­ço das exportações também atrapalha uma recu­peração mais forte das vendas externas. Por ou­tro lado, enquanto a relação entre preços de pro­dutos comercializáveis e não comercializáveis não começar a subir com mais força (Gráficos 4 e 5), dificilmente as importações vão parar de au­mentar. Assim, na contramão das previsões do mercado, não acredito em aumento do saldo co­mercial este ano e espero que o déficit em conta corrente aumente mais um pouco.

Em linha com o mercado, minha expectativa é que o superávit primário do setor público con­solidado fique meio ponto percentual do PIB abaixo da meta estabelecida pelo governo para este ano. Prevejo, porém, uma maior despesa com o pagamento de juros. O resultado será um déficit nominal 1% do PIB mais alto que em 2013, o que atiçará as preocupações com a dinâ­mica da dívida pública.

Por fim, acredito que o Banco Central deverá encerrar o atual ciclo de alta da Selic com mais uma alta de 0,25% na reunião de abril do Comitê de Política Monetária, mas deverá outra vez subir os juros após as eleições. Em parte, isso ocorrerá para lidar com a maior pressão inflacionária ad­vinda da desvalorização do real, que deverá fechar o ano em cotação na faixa de R$ 2,55/US$.

5 . Observações finais

Ainda que o governo esteja preocupado com a desaceleração do PIB e, em particular, de setores intensivos em trabalho, sua atenção maior está voltada para o mercado de trabalho, em especial o emprego e a renda, que já foram definidos pelo atual ministro-chefe da Casa Civil como o “PIB do povo”. De fato, apesar do baixo crescimento, o desemprego continua a registar as taxas mais baixas da última década, e os ganhos reais ainda estão em ascensão. Esta é a principal razão por trás da resistente popularidade da pre­sidente Dilma Rousseff e de seu favoritismo para as eleições presidenciais de 2014. Isso estimula o governo a não querer mudar a política econô­mica até depois das eleições.

A maioria dos analistas de mercado acha, po­rém, que, independentemente de quem vencer as eleições, as reformas serão postas em prática em 2015, para fortalecer os fundamentos e colocar o crescimento da economia em bases mais sólidas. O cenário básico que eles têm em mente é uma repetição de 2003. Naquele ano, o primeiro do governo Lula, houve um aperto substancial na política fiscal e monetária para aumentar a con­fiança no novo governo e derrubar a inflação, que atingiu 12,5% em 2002. Esta postura política – e o boom na demanda por commodities – abriu o caminho para o bom desempenho econômico do Brasil no resto da década.

Esse é basicamente um cenário de retorno à disciplina macroeconômica, que poderia acalmar os investidores e permitir a retomada de um cres­cimento mais robusto da economia. Será um crescimento mais equilibrado, já que a taxa de câmbio mais competitiva fomentará a produção industrial. Com isso, o trabalho vai migrar dos serviços para a indústria, aumentando a produti­vidade. Ainda assim, este será um cenário de crescimento relativamente baixo, uma vez que a demografia e a já baixa taxa de desemprego vão limitar a contribuição do trabalho na expansão da produção, além de não ser esperado que o cresci­mento da produtividade vá reproduzir o bom de­sempenho de meados dos anos 2000.

Um cenário mais otimista incluiria uma nova rodada de reformas do lado da oferta. As áreas prio­ritárias são o complexo sistema fiscal e o ambiente de negócios ruim, incluindo uma regulação menos politicamente orientada na infraestrutura. Tal agen­da permitiria uma ascensão mais rápida da produti­vidade e uma alta do investimento, de preferência com foco nos gargalos de infraestrutura.

Eu acredito, porém, que esses cenários subes­timam o custo do ajuste que o Brasil terá que en­frentar para corrigir os erros de política acumula­dos em 2011-2014 e, nesse sentido, a disposição política de implementar as mudanças necessá­rias. Isso por três razões principais.

Primeiramente, a presidente Dilma Rousseff vai legar uma economia mais doente a quem ga­nhar a eleição do que aquela que herdou de Lula. Em especial, há uma série de fontes de inflação reprimidas que virão à tona em algum momento. Em 2015, será necessário aumentar os preços ad­ministrados. Além disso, o ajuste fiscal implicará uma reversão dos cortes de impostos implemen­tados ao longo dos últimos três anos, o que vai pressionar o preço dos bens de consumo. Por fim, a necessária correção no preço relativo dos bens comercializáveis deve vir de uma acelera­ção na inflação desses preços, possivelmente por um maior repasse da desvalorização cambial.

Em segundo lugar, as famílias e as empresas estão muito mais endividadas do que em 2003. Se a taxa de desemprego aumentar, como preci­saria acontecer para que a inflação caia, as taxas de inadimplência irão subir. Os bancos públicos estão particularmente expostos a uma piora na inadimplência. O custo social e fiscal de uma de­saceleração será alto.

A terceira razão pela qual o ajustamento econômico em 2015 provavelmente vai ter de ser ao mesmo tempo profundo e doloroso é o fato de que, desta vez, o Brasil terá de enfrentar ventos contrários, e não a favor. Logo após Lula começar seu programa de estabilização, em 2003, o preço das commodities começou a su­bir. Isso facilitou uma contínua valorização do real, que foi uma grande ajuda para levar a in­flação para baixo. O próximo presidente, por sua vez, terá de governar com preços de commodities estáveis, ou em queda, e uma re­dução na liquidez internacional, que colocarão mais pressão nas contas externas.

Em caso de reeleição, um ajuste forte é im­provável. Afinal de contas, o eleitor terá votado pela manutenção da atual política econômica. Além disso, a presidente já deixou claro que acredita nessa política, e o ministro da Fazenda já declarou que não considera que a “nova matriz econômica” tenha falhado. Some-se a isso o fato de que, diferentemente do que aconteceu com o presidente Lula em 2003, o mercado não dará um voto de confiança ao governo, em função do seu histórico, e isso reduzirá o ganho que poderia ser alcançado com a melhora de expectativas.

Não vejo que a situação de financiamento ex­terno, nem a de financiamento do setor público, se compliquem até 2015 a ponto de forçar um ajuste involuntário dessa natureza. O mais pro­vável, portanto, é que, em caso de reeleição, o governo dobre a aposta em promover a “nova matriz econômica”, fazendo reformas pontuais.

Caso a oposição vença as eleições, é mais provável que haja um ajuste. Primeiramente por­que o novo governo poderá colocar a culpa na­quele que saiu e, com maior credibilidade, se beneficiar mais fortemente de uma mudança de expectativas. Em segundo lugar porque o com­prometimento ideológico será menor. E, por fim, mas não menos importante, se a oposição ganhar, é porque o povo não estava mais satisfeito com a atual política econômica e quis mudanças. Mes­mo nesse caso, porém, é importante considerar que um ajuste forte terá um custo considerável, tanto econômico quanto político.

Fonte:  Uol

Cometa passa por Marte

20/10/2014

Cometa passa raspando por Marte

Nova passagem do Siding Spring deve acontecer em um milhão de anos.
Cientistas citam oportunidade única de estudo sobre atmosfera marciana.

Da France Presse

Ilustração mostra o cometa Siding Spring e o
planeta Marte, em imagem divulgada pela Nasa
(Foto: AFP/Nasa)

Um cometa do tamanho de uma pequena montanha passou raspando por Marte neste domingo, um encontro que acontece uma vez a cada milhão de anos.

O cometa, conhecido como Siding Spring (C/2013 A1), chegou ao ponto mais próximo de marte às 18h27 deste domingo, passando pelo Planeta Vermelho a uma velocidade de 203.000 km/h.

Ele ficou a uma distância de 139.500 km de Marte, menos da metade da distância entre a Terra e a Lua.

Segundo cientistas, a passagem do cometa ofereceu uma oportunidade única de estudo do seu impacto sobre a atmosfera marciana. “É uma ótima oportunidade de aprendizado”, comemorou Nick Schneider, da missão da sonda Maven em Marte.

O cometa foi descoberto por Robert McNaught no observatório australiano Siding Spring, em janeiro de 2013. Acredita-se que ele tenha se originado bilhões de anos atrás, na Nuvem de Oort, uma região distante do espaço de onde partem cometas que “permanecem inalterados desde os primeiros dias do Sistema Solar”, segundo a Nasa.

O cometa viajou mais de 1 milhão de anos para fazer esta primeira parada em Marte, e só irá retornar dentro de outro milhão de anos, assim que completar uma volta ao redor do Sol.

Antes de o cometa entrar na órbita do Planeta Vermelho, a Nasa reposicionou as naves Mars Reconnaissance Orbiter, Mars Odyssey e Maven, para evitar danos às mesmas causados pelos resíduos do Siding Spring.

Cometa passa raspando por Marte

Nova passagem do Siding Spring deve acontecer em um milhão de anos.
Cientistas citam oportunidade única de estudo sobre atmosfera marciana.

Ilustração mostra o cometa Siding Spring e o planeta Marte, em imagem divulgada pela Nasa. Após viajar bilhões de quilômetros, o cometa proveniente da Nuvem de Oort passará a 140 mil km de Marte, apenas um terço da distância entre a Terra e a Lua (Foto: AFP/Nasa)
Ilustração mostra o cometa Siding Spring e o
planeta Marte, em imagem divulgada pela Nasa
(Foto: Nasa)

Um cometa do tamanho de uma pequena montanha passou raspando por Marte em 19/10/14, um encontro que acontece uma vez a cada milhão de anos.

O cometa, conhecido como Siding Spring (C/2013 A1), chegou ao ponto mais próximo de marte às 18h27 deste domingo, passando pelo Planeta Vermelho a uma velocidade de 203.000 km/h.

Ele ficou a uma distância de 139.500 km de Marte, menos da metade da distância entre a Terra e a Lua.

Segundo cientistas, a passagem do cometa ofereceu uma oportunidade única de estudo do seu impacto sobre a atmosfera marciana. “É uma ótima oportunidade de aprendizado”, comemorou Nick Schneider, da missão da sonda Maven em Marte.

O cometa foi descoberto por Robert McNaught no observatório australiano Siding Spring, em janeiro de 2013. Acredita-se que ele tenha se originado bilhões de anos atrás, na Nuvem de Oort, uma região distante do espaço de onde partem cometas que “permanecem inalterados desde os primeiros dias do Sistema Solar”, segundo a Nasa.

O cometa viajou mais de 1 milhão de anos para fazer esta primeira parada em Marte, e só irá retornar dentro de outro milhão de anos, assim que completar uma volta ao redor do Sol.

Antes de o cometa entrar na órbita do Planeta Vermelho, a Nasa reposicionou as naves Mars Reconnaissance Orbiter, Mars Odyssey e Maven, para evitar danos às mesmas causados pelos resíduos do Siding Spring.

Fonte: G1

Segundo turno para a eleição do Presidente do Brasil está muito disputado. Não desperdice seu voto!

13/10/2014

Apesar de o governo do PT tratar melhor o funcionalismo, os tucanos sabem cuidar melhor da economia. Eu penso que não dá para separar as duas coisas, pois são faces da mesma moeda. O projeto do PT rejeita uma política econômica desfavorável à maioria da população, incluindo o funcionalismo. Não quer dizer que o partido sempre consegue emplacar a sua política, pois ela enfrenta uma oposição poderosa tanto no Congresso como na sociedade (políticos conservadores, mídia, empresários, investidores).

Mas foi devido a essa visão que, apesar de ferrenha resistência, houve uma relativa desconcentração de rendas no Brasil nos últimos 12 anos e o Brasil foi declarado livre da fome pela ONU. Por isso também é que, apesar da violenta crise econômica internacional (que persiste principalmente na Europa e no Japão, embora Armínio Fraga diga que ela acabou em 2009), não houve desemprego em massa e arrocho salarial no Brasil. E apesar da mais forte seca em 7 ou 8 décadas no Nordeste, não vimos aquelas dantescas cenas de imigrantes no Nordeste, tão comuns antes na nossa realidade. Muitos países da Europa estão com desemprego de mais de 20% e o funcionalismo está comendo o pão que o diabo amassou. Se prevalecesse a visão neoliberal em 2008, aqui também teria sido aplicado o famoso “ajuste fiscal”, que em português claro quer dizer: contração de gastos públicos, que leva ao congelamento do salário mínimo e dos demais salários (em primeiro lugar, os do funcionalismo), além de elevação explosiva dos juros, que implica recessão e desemprego. Não estamos falando de teoria, pois isso aconteceu várias vezes nos anos 80 e 90 (durante as crises mexicana, asiática e russa).

Por outro lado, a visão de que a política econômica da Dilma é incompetente e pouco confiável também é questionável. Cabe a pergunta: incompetente e pouco confiável para quem? A bem da verdade, não se trata de questão de competência ou de incompetência. Os tucanos são competentes em aplicar a sua política neoliberal, assim como o PT o é na aplicação da sua. São duas visões diferentes, atendendo a interesses diferentes e contraditórios, como tem mostrado a campanha da Dilma. O PSDB não gosta de deixar isso muito claro porque a sua política tem como prioridade favorecer o capital rentista e isso não é nada popular. Mas é certo que eles dão ênfase absoluta ao ajuste fiscal e à confiança do mercado. Quando falam em reformas, estão buscando exatamente isso. Seus economistas disfarçam, mas alguns deixam escapar o pensamento de que o salário mínimo está muito alto no Brasil (!) e que um desemprego maior é desejável para a economia. Certamente pensam o mesmo do salário (e dos demais direitos) do funcionalismo. Essa gente domina o noticiário econômico   Aliás, como consequência do pensamento exposto, acho que é, no mínimo, impróprio dizer que se vai votar no menos ruim, por causa da corrupção de ambos os lados. Os dois partidos (e os outros também) certamente têm suas máculas, uma vez que são resultado de projetos e realizações humanas. O importante é que se combata efetivamente a corrupção, coisa que os tucanos nem sempre se lembram de fazer. Mas com ou sem mácula, o projeto do PSDB tem linha neoliberal e o do PT, de centro-esquerda. São essas as alternativas colocadas à nossa escolha (e não o jogo maniqueísta que coloca os bons de um lado e os maus de outro) . Eu apoio o projeto de centro-esquerda.

Como os jornais raramente divulgam artigos de economistas que pensam diferente do neoliberalismo, a política econômica do PT parece um desastre. Os contrários dominam o noticiário econômico da mídia, sendo raro vermos uma visão alternativa. Por isso, a política do PT é condenada diariamente, sem direito à defesa e ao contraditório (o que é assegurado até ao maior facínora). No link abaixo, apresento um artigo da professora Leda Paulani, da USP (secretária de Planejamento do prefeito Haddad), que desmente com números o descontrole da inflação e das contas públicas. Vale a pena ler para entender melhor o que tentei demonstrar nas linhas acima :

Não se trata de boato, nem de baixaria, mas algo muito sério que merece ser conhecido amplamente. Dizem que a vítima desmentiu depois, mas o fato é que a agressão à mulher aconteceu diante de dezenas de pessoas, com o Aécio visivelmente embriagado. Por isso, apesar do desmentido, Juca Kfouri confirmou a notícia. Apesar do desmentido formal, Aécio não processou Kfouri (nem Joyce Pacowitch). O que é certo é que o fato mostra um descontrole emocional acima do normal. Se já é absolutamente condenável agressões em particular, em público é uma aberração sem nome. Juca adverte a imprensa, dizendo que ela não pode repetir a cortina de silêncio que acompanhou a ascensão de Fernando Collor, “embora seus hábitos fossem conhecidos”. A mesma advertência vale agora, em relação aos conhecidos hábitos de Aécio Neves. 

BLOG DO JUCA KFOURI

Covardia de Aécio Neves

Juca Kfouri

01/11/2009 12:09

Aécio Neves, o governador tucano de  Minas Gerais, que luta para ter o jogo inaugural da Copa do Mundo de 2014, em Belo Horizonte, deu um empurrão e um tapa em sua acompanhante no domingo passado, numa festa da Calvin Klein, no Hotel Fasano, no Rio.
Depois do incidente, segundo diversas testemunhas, cada um foi para um lado, diante do constrangimento geral.
A imprensa brasileira não pode repetir com nenhum candidato a candidato a presidência da República a cortina de silêncio que cercou Fernando Collor, embora seus hábitos fossem conhecidos.
Nota: Às 15h18, o blog recebeu nota da assessoria de imprensa do governo mineiro desmentindo a informação e a considerando caluniosa.
O blog a mantém inalterada.

 


 

Exibindo

Dilma se pronuncia após acordo entre Aécio e Marina

Dilma Roussef (PT) se posicionou após a confirmação do apoio de Marina Silva a Aécio Neves (PSDB) no 2º turno. (Foto: Felipe Rau/Estadão)
Dilma Roussef (PT) se posicionou após a confirmação do apoio de Marina Silva a Aécio Neves (PSDB) no 2º turno. …
Na tarde deste domingo (12), Dilma Rousseff (PT) se pronunciou por meio de sua conta oficial no Facebook sobre a confirmação do apoio de Marina Silva ao adversário na corrida presidencial, Aécio Neves (PSDB). Em nota, a petista apontou pontos de divergência entre as duas campanhas e afirmou que não houve falha na interlocução com a ex-senadora, que representou o PSB no primeiro turno e foi a terceira candidata mais votada nas eleições. A postagem seguiu o padrão que a equipe de Dilma vem utilizando no Facebook, incluindo um “sentimento” da candidata. Nesta nota, a petista estava “se sentindo motivada”. Dilma Rousseff esteve, neste dia das crianças, ao lado de lideranças políticas de São Paulo em uma visita ao Centro de Educação Unificado Jambeiro, em Guaianazes, zona sul da capital paulista. A presidente assistiu a apresentações de jovens que fazem parte de projetos no local e ainda assinou um documento se comprometendo a defenter o direito das crianças em seu próximo mandato. Confira a íntegra da nota de Dilma Rousseff (PT): Eu não sou a favor de várias questões que o candidato adversário é, então, nós não falhamos na interlocução com Marina Silva. Eles tinham outro alinhamento. Eles são a favor da independência do Banco Central, nós não somos. Eles são a favor de reduzir o papel dos bancos públicos, nós não somos. Porque reduzir o papel dos bancos públicos, é claro, significa acabar com o Minha Casa Minha Vida, concretamente. Ou reduzir toda política de conteúdo local, porque eles são contra a política de conteúdo local. Tem coisa que eu não incorporo nem que a vaca tussa. Não incorporo reduzir papel de banco público, não incorporo dar flexibilidade aos direitos trabalhistas. Cada um entre os dois projetos tem um compromisso. O meu é com o povo desse país. A presidente Dilma Rousseff avalia os estragos que podem ser provocados em sua campanha à reeleição pelas denúncias do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef. Em depoimentos à Justiça, os dois disseram que PT, PMDB e PP ficavam com uma porcentagem dos contratos assinados pela empresa estatal. Dilma está também gravando programas eleitorais para serem exibidos pelas emissoras de rádio e TV. Não está decidido ainda, mas a presidente poderá, antes de decolar às 13h30 para o Rio Grande do Sul, dar entrevista coletiva à imprensa no Alvorada. No governo, as denúncias foram recebidas com perplexidade e muita preocupação. As primeiras orientações são de que a campanha não deve ficar na defensiva, mas “responder à altura” todas as denúncias. Além disso, deve insistir com o discurso de que a presidente Dilma nunca jogou denúncia de corrupção para baixo do tapete e que é a Polícia Federal de seu governo quem apura e descobre os mal feitos, prendendo os responsáveis por eles.

Pró sociedade

Se faltam provas, instrução da ação de improbidade contra Aécio deve prosseguir

Por Livia Scocuglia

A defesa prévia em casos de improbidade administrativa só pode trancar o processo se trouxer provas de que não houve ato de improbidade ou que a ação é improcedente. O entendimento é da 1ª Turma do Superior Tribunal de Justiça.

Defesa prévia é a apresentada antes do protocolo da petição inicial da ação de improbidade. E seguindo o voto vencedor do ministro Sergio Kukina, a 1ª Turma entendeu que, nessa fase, deve prevalecer o princípio in dubio pro societate: na dúvida, deve prevalecer o interesse da sociedade de ver o caso apurado, e não o do réu, de ver o caso trancado.

O relator do recurso era o ministro Napoleão Nunes Maia Filho. Ao analisar as decisões das instâncias de origem, ele afirmou que não havia provas de dano ao erário decorrente dos alegados atos de improbidade. Portanto, a ação, ajuizada pelo Ministério Público de Minas Gerais, deveria ser trancada.

Para o ministro Napoleão, deveria prevalecer o princípio de que, na dúvida, deve ser levado em conta o interesse do réu. Ficou vencido.

Na incial da ação de improbidade, o MP mineiro alega irregularidades em licitações da Administração de Estádios do estado de Minas Gerais (Ademg). O Judiciário deu razão ao Ministério Público tanto na primeira instância quanto na segunda. Mas, como para o ministro Napoleão não houve comprovação do dano ao erário, o caso deveria ser trancado.

De acordo com o voto vencedor, do ministro Kukina, essa interpretação não é a melhor para a situação. Ele explicou que uma coisa é a não comprovação de dano ao erário no decorrer do processo. Outra, “bem diferente”, é a apresentação de prova inquestionável de improcedência da ação ou de ausência de indícios da materialização do ato ímprobo.

No último caso, escreveu Kukina, a ação deve ser trancada. Mas se ficar configurada a primeira situação (ausência ou insuficiência de provas), o caso deve prosseguir, justamente para permitir a “ampla produção de provas” e a ampla defesa.

Só depois da instrução processual, continuou o autor do voto vencedor, é que o Judiciário poderá concluir se houve ou não dano ao erário, ato ímprobo doloso ou ofensa aos princípios da administração pública.

REsp 1.192.758 – MG

Fonte: Conjur

Beatriz Cerqueira

BEATRIZ CERQUEIRA 9 de Outubro de 2014 às 15:29
O que fez em Minas serve para o Brasil?

A ideia de uma gestão pública que seja eficiente e que cuida dos seus cidadãos é o que todos almejamos. Foi isso, entre tantas bandeiras, cartazes e palavras de ordem, que as manifestações de junho de 2013 pediram: que o Estado se materialize na vida das pessoas com políticas públicas e serviços de qualidade.

Ouvindo o discurso do candidato à presidência da República Aécio Neves, parece ser ele o que representaria essa eficiência de gestão e o cuidado com as pessoas. Mas a boa política se faz com o que se pratica, não com peças publicitárias. Então, é necessário discutirmos se o que o Aécio fez em Minas serve para o país.

Quando foi eleito governador, Aécio, imediatamente, pediu à Assembleia Legislativa, autorização para fazer leis delegadas (que não precisam ser aprovadas pelos deputados estaduais). Durante o seu mandato foram 110 leis delegadas. O seu antecessor, Itamar Franco, assinou em todo o mandato oito leis delegadas. Mas o que isso tem a ver com o cidadão comum?

As mudanças na estrutura do Estado e seus impactos não foram discutidos com ninguém. E a forma de gestão vai definir quais são suas prioridades. Serve para o Brasil um Presidente que tem como estilo governar sem o Congresso Nacional?

Ao assumir, ele promoveu o choque de gestão, com a ideia de que o Estado deveria gastar menos com a máquina administrativa e mais com as pessoas, e que o Estado equilibraria as suas contas. Após 12 anos, o saldo é extremamente negativo. O Estado não cuidou das pessoas, temos problemas estruturais nas áreas de saúde, educação e segurança pública, não temos políticas que cuidam da nossa juventude, que combatam a violência, as drogas e que promovam a educação e o ingresso no mercado de trabalho. Os programas do governo mineiro têm duas características: são programas de vitrine que não atingem a maioria dos municípios, ou são programas do governo federal que, aqui em Minas, mudam de nome.

Somos o segundo estado mais endividado do país e, ao longo dos anos, a política de novos empréstimos comprometeu para 2015 a capacidade de investimento do Estado. O choque de gestão não trouxe mais eficiência ao governo. Ao contrário, cuidou pouco das pessoas e endividou o Estado.

E o que dizer de um governante que, usando a máquina e o dinheiro do Estado, construiu uma hegemonia que beira ao estado de exceção? Aqui em Minas, a maioria dos deputados estaduais, do Tribunal de Contas, dos donos dos meios de comunicação, do Ministério Público Estadual não atuam de modo autônomo em relação ao governo do Estado, mas têm uma relação de subserviência. É isso que queremos para o Brasil?

As áreas de saúde, educação e segurança pública não tiveram, nos últimos 12 anos, os investimentos e políticas necessárias para o bom atendimento à população. O governo do PSDB deixou de investir mais de R$8 bilhões em saúde e outros R$8 bilhões em educação. Isso porque não cumpriu a Constituição Federal, que estabelece o mínimo de investimento de 12% de impostos em saúde e 25% em educação. Em 2003, Aécio investiu 22,84% em educação, em 2004 investiu 21,69%, em 2005 investiu 21,34%, em 2006 investiu 18,66%, em 2007 investiu 18,73%, em 2008 investiu 20,97%, em 2009 investiu 20,28% e em 2010 investiu 19,97%.

Os números de Minas Gerais, disponíveis no Plano Mineiro de Desenvolvimento Integrado, são diferentes da fala do candidato: 45,6% dos alunos do 5º ano do Ensino Fundamental têm nível recomendável de desempenho em língua portuguesa; 60% dos alunos do 5º ano do Ensino Fundamental têm nível recomendável de desempenho em matemática; 34% dos alunos do 9º ano do Ensino Fundamental têm nível recomendável de desempenho em língua portuguesa; 23,2% dos alunos do 9º ano do Ensino Fundamental têm nível recomendável de desempenho em matemática; a escolaridade média da população mineira com 25anos ou mais é de 7 anos.

O projeto Escola de Tempo Integral beneficiou 105 mil alunos num universo de 2.238.620. Em 2010, faltavam 1.011.735 de vagas no Ensino Médio. Temos uma das contas de luz mais caras do país. Pagamos de ICMS 43% do valor que consumimos. E 100% do lucro vão para os acionistas da Cemig e não para a melhoria dos serviços prestados à população. Temos problemas com a manutenção da rede de distribuição de energia, foi constatado pelo Ministério Público do Trabalho, trabalho escravo a serviço da Cemig e a cada 45 dias morre um trabalhador a serviço da empresa.

Em Minas foi construído o primeiro presídio de parceria público-privada. E o Estado repassa, à iniciativa privada, valor mensal por preso mais do que paga a um professor.

E quando vejo o candidato posar para fotos ao lado de centrais sindicais e sindicalistas de direita, afirmando que quer conversar com trabalhador, me pergunto de onde este candidato veio, porque em Minas, não conversou conosco. As greves dos servidores públicos são frenquentes e longas, com raros momentos de diálogos. O Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais, que representa mais de 400 mil educadores, nunca foi recebido pelo candidato enquanto era governador. Somos o único estado do sudeste que não tem salário mínimo regional.

Não tenho dúvidas de que, quem quer eficiência de gestão e um governo que cuida das pessoas, não vota em Aécio Neves. O que Aécio fez em Minas não serve para o Brasil.

 Fonte: AFR Paulista

Marina Silva, descansa em paz!

Por Laura Capriglione
Marina Silva, do PSB, anunciou neste domingo apoio ao candidato à presidência Aécio Neves.
Marina Silva, do PSB, anunciou neste domingo apoio ao candidato à presidência Aécio Neves.
Acabou Marina Silva (1958-2014). Fundadora da Central Única dos Trabalhadores e organizadora do PT, além de amiga e fraternal companheira do líder seringueiro Chico Mendes, Marina Silva foi durante anos, dentro do campo da esquerda brasileira, a representante de uma utopia que tentou conciliar três vetores quase sempre desalinhados: o desenvolvimento econômico, a inclusão social e o respeito ao meio ambiente e às populações tradicionais. Sua saída do PT, em 2009, empobreceu o partido e o debate interno sobre qual caminho seguir na busca por um mundo mais justo e solidário. A figura frágil – sobrevivente da miséria dos migrantes recrutados para trabalhar na extração da borracha; nascida em uma família de onze irmãos (da qual oito se criaram); órfã aos 15 anos; sonhática (conforme a auto-definição); vítima da malária, da intoxicação pelo mercúrio dos garimpos e da leishmaniose (doenças da extrema pobreza) – pereceu no domingo, 12 de outubro, depois de lenta agonia. Foi nesse dia que ela formalizou seu apoio ao tucano Aécio Neves no segundo turno das eleições presidenciais, contra a candidatura da petista Dilma Rousseff. Como membro do Partido dos Trabalhadores, onde militou durante 23 anos, Marina ajudou a eleger e a implantar o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, em que exerceu o cargo de ministra do Meio Ambiente durante cinco anos e quatro meses. Foi um período importante, que consolidou as condições para o Ceará, terra dos pais de Marina, crescer mais velozmente do que a média nacional –3,4% ao ano, contra 2,3% da média nacional. Anos também importantes para o Nordeste como um todo, que deixou de ser exportador maciço de mão-de-obra, já que criou oportunidade de emprego e renda “como nunca antes”. Só para efeito de comparação, ainda hoje a atividade econômica nordestina cresce acima de 4% (nos cinco primeiros meses de 2014), resultado superior à média nacional (0,6%), segundo o Banco Central. Exemplo de superação das dificuldades, Marina Silva conta em sua biografia com uma passagem como empregada doméstica. Dureza. Mas a contribuição de Marina no fortalecimento do governo do primeiro operário na Presidência ajudou a mudar a situação das empregadas domésticas. Primeiro com a valorização do salário mínimo, que passou de R$ 200, no último ano do governo do tucano Fernando Henrique Cardoso, para os R$ 724 atuais. Depois, com a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição das Empregadas Domésticas, de 2013, que ela, com seu exemplo e luta a favor dos oprimidos, ajudou (ainda que indiretamente) a garantir. Mais de um século depois da Abolição da Escravatura, 7,2 milhões de empregados domésticos brasileiros foram incluídos na categoria de cidadãos dotados de mínimos direitos trabalhistas, entre os quais o controle da jornada de trabalho, definida em oito horas diárias. Além disso, a categoria começou a receber horas extras, remuneradas com valor pelo menos 50% superior ao normal. Marina estudou muito, de modo a formar-se como historiadora, professora e psicopedagoga, em uma época em que o país só oferecia aos membros da elite branca a possibilidade de conquistar um diploma de nível superior. Como membro do Partido dos Trabalhadores e afrodescendente, Marina ajudou a fazer a revolução educacional que aumentou o acesso dos mais pobres e morenos aos bancos universitários. Pela via da ampliação no número de vagas nas universidades federais, do ProUni e do Fies, o número de vagas no ensino superior mais do que duplicou de 3,5 milhões (em 2002) para 7,1 milhões (em 2013). Uma vida de vitórias, exemplos e superações. Mas Marina Silva acabou no domingo 12 de outubro, quando virou as costas para sua própria trajetória ao declarar voto no candidato Aécio Neves, o representante de uma política econômica ostensivamente contrária à valorização do salário mínimo e à ampliação das políticas sociais e de inclusão. Com o capital eleitoral que conseguiu reunir no primeiro turno (21,32 % do total de votos, ou 22.176.619 eleitores), Marina poderia ajudar sua Rede Sustentabilidade a se consolidar como a tal terceira via de que tanto falou antes. Ela preferiu juntar-se a forças bem conhecidas dos brasileiros: Que criminalizam os movimentos sociais; que atentam contra a liberdade de imprensa; que são apoiadas pela chamada “Bancada da Bala”, por Silas Malafaia e por Marcos Feliciano. Sem contar que os votos de Levi Fidelix (PRTB, o idiota que fez do aparelho excretor um programa de governo) devem ir para Aécio também. Marília de Camargo César, autora da biografia “Marina: a vida por uma causa” (editora Mundo Cristão, 2010), conta que, diante de um problema de difícil resolução, a ex-ministra costuma praticar a “roleta bíblica”, que consiste em abrir a Bíblia aleatoriamente, para saber o que Deus recomendaria na situação. Não é difícil imaginá-la nesse mister quando ela se saiu com a idéia de pedir que o PSDB reconsiderasse a campanha pela redução da maioridade penal, como condição sine qua non a seu apoio. Aécio respondeu sem pestanejar: não! E assim acabou-se mais uma convicção “firmíssima” de Marina. Descansa em paz, Marina!
Fonte: Terra e AFR Paulista

MALALA conquinta o Nobel da Paz 2014

12/10/2014

Escolas utilizam exemplo de Malala para conscientizar jovens

Em colégio de São Paulo, o livro de Malala foi utilizado em projeto Impressões Humanas, que neste ano tem como tema a cultura de paz

Paquistanesa Malala Yousafzai após pronunciamento em Birmingham, na Inglaterra

Foto: Darren Staples / Reuters

Enquanto no ano passado escolas particulares paquistanesas foram proibidas de comprar o livro Eu sou Malala, de Malala Yousafzai, menina símbolo da luta pelo direito das mulheres paquistanesas à educação e da luta contra o terrorismo, por ordem da Federação de Escolas Particulares do Paquistão, no Brasil, o livro é utilizado como forma de conscientização do papel do jovem nas mudanças da educação. Malala, que atualmente tem 17 anos, foi anunciada nesta sexta-feira vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2014 e se torna a vencedora mais jovem do prêmio.

Sua história serve de inspiração para jovens do mundo inteiro, inclusive no Brasil. No colégio Santo Ivo, de São Paulo, o livro de Malala foi utilizado em no projeto Impressões Humanas, que neste ano tem como tema a cultura de paz. Os alunos tiveram de ler o livro e debater sobre a história e luta da paquistanesa, que vê na educação a chave para combater o terrorismo. A menina ficou mundialmente conhecida após publicar em um blog da BBC sua experiência com a repressão sofrida por mulheres no Paquistão, por conta do regime do Taliban (as meninas são proibidas de frequentar a escola, por exemplo), que controla a região em que ela morava, o Vale de Swat. Em 2012, sofreu um atentando pelas denúncias que fazia, levando um tiro na cabeça no ônibus em que ia para a escola, mas sobreviveu e se mudou para a Inglaterra. De lá, continuou sua luta pelo direito das mulheres à educação.

Aluna do Colégio Santo Ivo, Milena Gomes Lopes, 16 anos, que leu o livro para o projeto da escola, vê em Malala uma inspiração, principalmente pela proximidade de idade. “É um exemplo para todos, mas principalmente para os adolescentes, porque ela é muito jovem e normalmente as pessoas que realizam grandes mudanças no mundo são mais velhas e experientes. Ela fazer tudo isso nos traz uma esperança para o futuro. Não imaginava que alguém tão jovem pudesse realizar mudanças assim. É fascinante a história dela”, conta. Milena já tinha ouvido falar da história da menina paquistanesa, mas foi na escola que teve a oportunidade de conhecer melhor a luta da vencedora do Nobel.

A diretora do colégio, Myrna de Barros Lima Ibrahim, explica que o projeto é interdisciplinar, envolvendo as disciplinas de história, língua portuguesa e literatura. O livro de Malala foi escolhido porque vai de encontro com o objetivo do projeto: fazer com que os alunos reflitam sobre a temática da paz e reconheçam o que os afasta dela, como a falta de diálogo. “O livro é a base do projeto, que depois se desdobra em outros temas. Mas foi escolhido porque ela aposta na educação para promover uma transformação no mundo em relação à paz. Além de ter a mesma faixa etária dos alunos. É uma nova geração chegando que precisa aprender a resolver seus conflitos por meio do diálogo e Malala os inspira”, comenta.

Milena, que está cursando o 2º ano do ensino médio, aprovou a história contada no livro. Ela destaca  e se identificou com as ideias da menina, apesar da distância cultural e de realidade que as separa. Para ela, a mensagem de Malala, de que a educação é fundamental para um mundo melhor, é aplicável em qualquer lugar do mundo. “Eu concordo com tudo o que ela fala praticamente. Acredito que a educação pode mudar o mundo. Comecei a compreender melhor a nossa realidade na educação também. É um pouco diferente porque lá as meninas são proibidas de irem à escola. Mas aqui encontramos uma educação pública precária e pessoas que não podem estudar pois precisam trabalhar para sustentar a família. A educação brasileira tem essa fraqueza e precisa se fortalecer”, reflete a aluna.

Uma das professoras responsáveis pelo projeto no Santo Ivo,  Maria de Fátima Borelli, que leciona literatura, considera a história de Malala pertinente não só para mostrar a realidade dentro do Brasil aos jovens, mas para contextualizar a eles como vivem e as dificuldade por que passam jovens de sua idade em outros lugares do mundo. “A intensão é abrir o campo de visão deles para assimilar o pensamento dela (falando sobre Malala). Como professores, entendemos que precisamos mostrar aos alunos mais do que os aspectos de violência, mas também trazer a cultura de paz. Fazê-los pensar: o que eu posso fazer pela paz? Malala está aí para responder essa questão”, conta. A professora conta que os alunos gostaram da leitura, pois conseguiram enxergar na paquistanesa uma menina que conseguiu transformar sua vida por meio da educação. Apesar de ser novo, conseguiram ver por meio dela que eles também têm condições de entender os problemas do País e pensar em como fazer a diferença, mesmo muito jovens.

Outros temas puderam ser discutidos a partir do livro, como temas relacionados com a violência contra mulheres, racismo e mesmo a variedade de culturas que existem no mundo. Com um trabalho também de contextualização da realidade do Paquistão, os alunos começaram a compreender melhor as diferenças políticas e religiosas. “Discutimos a educação a todo momento no colégio, até por conta da época de eleições, pois muitos dos alunos já votam. O livro de Malala foi a porta de entrada para discutir a realidade do Brasil”, conclui a Maria.

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Milena concorda. Ela conta que a partir da leitura e do debate que se seguiu a ela, conseguiu reparar em problemas da educação brasileira que antes não eram tão notados. “A questão da educação pública não ser tão boa quanto a particular, o governo não investir tanto quanto deveria na educação. Foi muito atraente estudar a história dela na escola, por ser algo que aconteceu recentemente. É distante de nossa realidade (falando sobre o Taliban), mas é algo que está acontecendo no mundo neste momento”, lembra.

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