Apesar de o governo do PT tratar melhor o funcionalismo, os tucanos sabem cuidar melhor da economia. Eu penso que não dá para separar as duas coisas, pois são faces da mesma moeda. O projeto do PT rejeita uma política econômica desfavorável à maioria da população, incluindo o funcionalismo. Não quer dizer que o partido sempre consegue emplacar a sua política, pois ela enfrenta uma oposição poderosa tanto no Congresso como na sociedade (políticos conservadores, mídia, empresários, investidores).
Mas foi devido a essa visão que, apesar de ferrenha resistência, houve uma relativa desconcentração de rendas no Brasil nos últimos 12 anos e o Brasil foi declarado livre da fome pela ONU. Por isso também é que, apesar da violenta crise econômica internacional (que persiste principalmente na Europa e no Japão, embora Armínio Fraga diga que ela acabou em 2009), não houve desemprego em massa e arrocho salarial no Brasil. E apesar da mais forte seca em 7 ou 8 décadas no Nordeste, não vimos aquelas dantescas cenas de imigrantes no Nordeste, tão comuns antes na nossa realidade. Muitos países da Europa estão com desemprego de mais de 20% e o funcionalismo está comendo o pão que o diabo amassou. Se prevalecesse a visão neoliberal em 2008, aqui também teria sido aplicado o famoso “ajuste fiscal”, que em português claro quer dizer: contração de gastos públicos, que leva ao congelamento do salário mínimo e dos demais salários (em primeiro lugar, os do funcionalismo), além de elevação explosiva dos juros, que implica recessão e desemprego. Não estamos falando de teoria, pois isso aconteceu várias vezes nos anos 80 e 90 (durante as crises mexicana, asiática e russa).
Por outro lado, a visão de que a política econômica da Dilma é incompetente e pouco confiável também é questionável. Cabe a pergunta: incompetente e pouco confiável para quem? A bem da verdade, não se trata de questão de competência ou de incompetência. Os tucanos são competentes em aplicar a sua política neoliberal, assim como o PT o é na aplicação da sua. São duas visões diferentes, atendendo a interesses diferentes e contraditórios, como tem mostrado a campanha da Dilma. O PSDB não gosta de deixar isso muito claro porque a sua política tem como prioridade favorecer o capital rentista e isso não é nada popular. Mas é certo que eles dão ênfase absoluta ao ajuste fiscal e à confiança do mercado. Quando falam em reformas, estão buscando exatamente isso. Seus economistas disfarçam, mas alguns deixam escapar o pensamento de que o salário mínimo está muito alto no Brasil (!) e que um desemprego maior é desejável para a economia. Certamente pensam o mesmo do salário (e dos demais direitos) do funcionalismo. Essa gente domina o noticiário econômico Aliás, como consequência do pensamento exposto, acho que é, no mínimo, impróprio dizer que se vai votar no menos ruim, por causa da corrupção de ambos os lados. Os dois partidos (e os outros também) certamente têm suas máculas, uma vez que são resultado de projetos e realizações humanas. O importante é que se combata efetivamente a corrupção, coisa que os tucanos nem sempre se lembram de fazer. Mas com ou sem mácula, o projeto do PSDB tem linha neoliberal e o do PT, de centro-esquerda. São essas as alternativas colocadas à nossa escolha (e não o jogo maniqueísta que coloca os bons de um lado e os maus de outro) . Eu apoio o projeto de centro-esquerda.
Como os jornais raramente divulgam artigos de economistas que pensam diferente do neoliberalismo, a política econômica do PT parece um desastre. Os contrários dominam o noticiário econômico da mídia, sendo raro vermos uma visão alternativa. Por isso, a política do PT é condenada diariamente, sem direito à defesa e ao contraditório (o que é assegurado até ao maior facínora). No link abaixo, apresento um artigo da professora Leda Paulani, da USP (secretária de Planejamento do prefeito Haddad), que desmente com números o descontrole da inflação e das contas públicas. Vale a pena ler para entender melhor o que tentei demonstrar nas linhas acima :
BLOG DO JUCA KFOURI
Covardia de Aécio Neves
01/11/2009 12:09

Dilma se pronuncia após acordo entre Aécio e Marina

Pró sociedade
Se faltam provas, instrução da ação de improbidade contra Aécio deve prosseguir
Por Livia Scocuglia
A defesa prévia em casos de improbidade administrativa só pode trancar o processo se trouxer provas de que não houve ato de improbidade ou que a ação é improcedente. O entendimento é da 1ª Turma do Superior Tribunal de Justiça.
Defesa prévia é a apresentada antes do protocolo da petição inicial da ação de improbidade. E seguindo o voto vencedor do ministro Sergio Kukina, a 1ª Turma entendeu que, nessa fase, deve prevalecer o princípio in dubio pro societate: na dúvida, deve prevalecer o interesse da sociedade de ver o caso apurado, e não o do réu, de ver o caso trancado.
O relator do recurso era o ministro Napoleão Nunes Maia Filho. Ao analisar as decisões das instâncias de origem, ele afirmou que não havia provas de dano ao erário decorrente dos alegados atos de improbidade. Portanto, a ação, ajuizada pelo Ministério Público de Minas Gerais, deveria ser trancada.
Para o ministro Napoleão, deveria prevalecer o princípio de que, na dúvida, deve ser levado em conta o interesse do réu. Ficou vencido.
Na incial da ação de improbidade, o MP mineiro alega irregularidades em licitações da Administração de Estádios do estado de Minas Gerais (Ademg). O Judiciário deu razão ao Ministério Público tanto na primeira instância quanto na segunda. Mas, como para o ministro Napoleão não houve comprovação do dano ao erário, o caso deveria ser trancado.
De acordo com o voto vencedor, do ministro Kukina, essa interpretação não é a melhor para a situação. Ele explicou que uma coisa é a não comprovação de dano ao erário no decorrer do processo. Outra, “bem diferente”, é a apresentação de prova inquestionável de improcedência da ação ou de ausência de indícios da materialização do ato ímprobo.
No último caso, escreveu Kukina, a ação deve ser trancada. Mas se ficar configurada a primeira situação (ausência ou insuficiência de provas), o caso deve prosseguir, justamente para permitir a “ampla produção de provas” e a ampla defesa.
Só depois da instrução processual, continuou o autor do voto vencedor, é que o Judiciário poderá concluir se houve ou não dano ao erário, ato ímprobo doloso ou ofensa aos princípios da administração pública.
REsp 1.192.758 – MG
Fonte: Conjur
A ideia de uma gestão pública que seja eficiente e que cuida dos seus cidadãos é o que todos almejamos. Foi isso, entre tantas bandeiras, cartazes e palavras de ordem, que as manifestações de junho de 2013 pediram: que o Estado se materialize na vida das pessoas com políticas públicas e serviços de qualidade.
Ouvindo o discurso do candidato à presidência da República Aécio Neves, parece ser ele o que representaria essa eficiência de gestão e o cuidado com as pessoas. Mas a boa política se faz com o que se pratica, não com peças publicitárias. Então, é necessário discutirmos se o que o Aécio fez em Minas serve para o país.
Quando foi eleito governador, Aécio, imediatamente, pediu à Assembleia Legislativa, autorização para fazer leis delegadas (que não precisam ser aprovadas pelos deputados estaduais). Durante o seu mandato foram 110 leis delegadas. O seu antecessor, Itamar Franco, assinou em todo o mandato oito leis delegadas. Mas o que isso tem a ver com o cidadão comum?
As mudanças na estrutura do Estado e seus impactos não foram discutidos com ninguém. E a forma de gestão vai definir quais são suas prioridades. Serve para o Brasil um Presidente que tem como estilo governar sem o Congresso Nacional?
Ao assumir, ele promoveu o choque de gestão, com a ideia de que o Estado deveria gastar menos com a máquina administrativa e mais com as pessoas, e que o Estado equilibraria as suas contas. Após 12 anos, o saldo é extremamente negativo. O Estado não cuidou das pessoas, temos problemas estruturais nas áreas de saúde, educação e segurança pública, não temos políticas que cuidam da nossa juventude, que combatam a violência, as drogas e que promovam a educação e o ingresso no mercado de trabalho. Os programas do governo mineiro têm duas características: são programas de vitrine que não atingem a maioria dos municípios, ou são programas do governo federal que, aqui em Minas, mudam de nome.
Somos o segundo estado mais endividado do país e, ao longo dos anos, a política de novos empréstimos comprometeu para 2015 a capacidade de investimento do Estado. O choque de gestão não trouxe mais eficiência ao governo. Ao contrário, cuidou pouco das pessoas e endividou o Estado.
E o que dizer de um governante que, usando a máquina e o dinheiro do Estado, construiu uma hegemonia que beira ao estado de exceção? Aqui em Minas, a maioria dos deputados estaduais, do Tribunal de Contas, dos donos dos meios de comunicação, do Ministério Público Estadual não atuam de modo autônomo em relação ao governo do Estado, mas têm uma relação de subserviência. É isso que queremos para o Brasil?
As áreas de saúde, educação e segurança pública não tiveram, nos últimos 12 anos, os investimentos e políticas necessárias para o bom atendimento à população. O governo do PSDB deixou de investir mais de R$8 bilhões em saúde e outros R$8 bilhões em educação. Isso porque não cumpriu a Constituição Federal, que estabelece o mínimo de investimento de 12% de impostos em saúde e 25% em educação. Em 2003, Aécio investiu 22,84% em educação, em 2004 investiu 21,69%, em 2005 investiu 21,34%, em 2006 investiu 18,66%, em 2007 investiu 18,73%, em 2008 investiu 20,97%, em 2009 investiu 20,28% e em 2010 investiu 19,97%.
Os números de Minas Gerais, disponíveis no Plano Mineiro de Desenvolvimento Integrado, são diferentes da fala do candidato: 45,6% dos alunos do 5º ano do Ensino Fundamental têm nível recomendável de desempenho em língua portuguesa; 60% dos alunos do 5º ano do Ensino Fundamental têm nível recomendável de desempenho em matemática; 34% dos alunos do 9º ano do Ensino Fundamental têm nível recomendável de desempenho em língua portuguesa; 23,2% dos alunos do 9º ano do Ensino Fundamental têm nível recomendável de desempenho em matemática; a escolaridade média da população mineira com 25anos ou mais é de 7 anos.
O projeto Escola de Tempo Integral beneficiou 105 mil alunos num universo de 2.238.620. Em 2010, faltavam 1.011.735 de vagas no Ensino Médio. Temos uma das contas de luz mais caras do país. Pagamos de ICMS 43% do valor que consumimos. E 100% do lucro vão para os acionistas da Cemig e não para a melhoria dos serviços prestados à população. Temos problemas com a manutenção da rede de distribuição de energia, foi constatado pelo Ministério Público do Trabalho, trabalho escravo a serviço da Cemig e a cada 45 dias morre um trabalhador a serviço da empresa.
Em Minas foi construído o primeiro presídio de parceria público-privada. E o Estado repassa, à iniciativa privada, valor mensal por preso mais do que paga a um professor.
E quando vejo o candidato posar para fotos ao lado de centrais sindicais e sindicalistas de direita, afirmando que quer conversar com trabalhador, me pergunto de onde este candidato veio, porque em Minas, não conversou conosco. As greves dos servidores públicos são frenquentes e longas, com raros momentos de diálogos. O Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais, que representa mais de 400 mil educadores, nunca foi recebido pelo candidato enquanto era governador. Somos o único estado do sudeste que não tem salário mínimo regional.
Não tenho dúvidas de que, quem quer eficiência de gestão e um governo que cuida das pessoas, não vota em Aécio Neves. O que Aécio fez em Minas não serve para o Brasil.
Marina Silva, descansa em paz!









You have to Login