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Lula e Marina Silva lideram disputa para a presidência, aponta Datafolha
A pesquisa traçou quatro possíveis cenários políticos
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a ex-senadora Marina Silva (Rede Sustentabilidade) lideram as pesquisas de intenções de voto para presidência da República. Pesquisa Datafolha divulgada hoje (9/4) traçou quatro cenários, com diferentes nomes de candidatos do PSDB. O senador mineiro Aécio Neves aparece com porcentual maior de votos do que o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e do que o senador paulista José Serra. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos para cima ou para baixo. Foram ouvidas 2.779 pessoas entre os dias 7 e 8 de abril.
No cenário em que o candidato tucano é Aécio Neves, Lula aparece com 21% da intenção dos votos. Marina Silva tem 19%, enquanto Aécio Neves aparece com 17% dos votos. Marina está empatada tecnicamente com Lula e com Aécio. O deputado federal Jair Bolsonaro (PSC), com 8% dos votos, e o ex-ministro Ciro Gomes (PTD), com 7% dos votos, também aparecem entre os mais votados. O vice-presidente Michel Temer (PMDB) teria 2% dos votos.
Em relação à última pesquisa, realizada nos dias 17 e 18 de março, Lula subiu quatro pontos porcentuais. Marina e Aécio oscilaram dois pontos porcentuais para baixo. Bolsonaro oscilou dois pontos para cima, sendo acompanhado por Ciro, com um ponto de variação, dentro da margem de erro.
No cenário 2, com o nome de Geraldo Alckmin, Marina aparece com 23% das intenções de voto, empatada tecnicamente com Lula (22%). Alckmin teria 9%, seguido por Ciro Gomes e Bolsonaro, ambos com 8%.
Marina ficou estável em relação à pesquisa de março, enquanto Lula ganhou cinco pontos porcentuais (pp). Alckmin oscilou 2 pp para baixo. Ciro oscilou um ponto para cima e Bolsonaro, dois pontos. Temer aparece com 2% da intenção dos votos.
O cenário 3, com o nome de José Serra, aponta Marina e Lula com 22% da intenção dos votos. Serra teria 11% dos votos. Bolsonaro e Ciro Gomes aparecem com 7%. Temer teria 2% dos votos.
Em relação ao mais recente levantamento até então, Marina oscilou dois pontos para baixo. Lula subiu 5 pontos porcentuais. Serra também oscilou 2 pp para baixo. Bolsonaro e Ciro Gomes ficaram estáveis.
Em um quarto cenário, no qual os três possíveis candidatos do PSDB estariam hipoteticamente na disputa, Lula lidera com 21% da intenção dos votos. Marina aparece em segundo lugar, com 16%. Aécio Neves teria 12% dos votos, seguido pelo juiz federal Sérgio Moro, com 8%. Serra e Alckmin aparecem empatados com 5%, atrás de Bolsonaro e Ciro Gomes, ambos com 6%. Nesse cenário, Temer teria apenas 1% dos votos.
Lula, nessa simulação, ganhou 4 pontos porcentuais. Marina oscilou 1 ponto para baixo, enquanto Aécio teve oscilação negativa de 2 pp. Moro, juiz responsável pela Operação Lava Jato, ficou estável.
Rejeição
Embora divida a liderança com Marina Silva em três dos quatro cenários propostos, Lula continua sendo o possível candidato com maior taxa de rejeição, em 53%. Aécio Neves aparece na sequência, com 33% de rejeição, seguido pelo vice-presidente Michel Temer, com 27%. A taxa de rejeição de Marina Silva está em 20%.
A legalidade ou não dos argumentos contidos na denúncia do processo de impeachment dominou as discussões sobre o parecer final da comissão especial que analisa o pedido de afastamento da presidenta Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados. Foram mais de 13 horas de debate, na sessão iniciada em 8/4/16, por volta das 15h30, e finalizado às 4h43 de 9/4/16
Ao todo 61 deputados discursam. A maioria, 39 deles, defenderam o parecer do relator Jovair Arantes (PTB-GO), que sugeriu o prosseguimento do processo de impeachment, praticamente o dobro dos que se posicionaram contrários (21) e um indeciso. Cada deputado membro da comissão teve 15 minutos para defender sua posição, enquanto os não membros falaram por dez minutos.
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No total, havia 116 deputados inscritos para discursar. Os que não falaram desistiram ou foram embora antes de serem chamados pela presidência da comissão.
Com mais de 11 horas de sessão, o presidente do colegiado, deputado Rogério Rosso (PSD-DF), tentou reduzir o tempo de fala já que o horário limite estabelecido inicialmente, 3h de sábado, já havia sido ultrapassado. A proposta, contudo, não foi bem aceita.
Conforme o estabelecido pelos líderes, a ordem de inscrição dos oradores obedeceu a alternância entre favoráveis e contrários ao impeachment. No entanto, depois das 3h todos os governistas inscritos já haviam falado e a lista seguiu com discursos apenas daqueles que defendiam o impeachment. Pouco antes, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) sugeriu o encerramento da reunião, proposta que foi rechaçada pelos oposicionistas.
Impeachment x Golpe
Para o deputado Laudivio Carvalho (SD-MG), está claro que o impeachment não caracteriza “golpe” como têm sugerido os governistas. “Mesmo que o governo venha insistindo em denominar de golpe, tenho que dizer com todas as letras: não é golpe, é impeachment! O que não faltam são indícios de má conduta; as pedaladas fiscais são apenas o começo, a população clama por mudança, a presidente perdeu a confiança do povo e governa na corda bamba”, disse.
A tese foi rebatida pelo petista Paulo Teixeira (SP). “Impeachment sem crime de responsabilidade é golpe”. “A acusação é vazia e partidária”, reforçou o deputado Carlos Zaratini (SP). “Toda vez que se derrubou um governo popular não foi no debate político, mas por meio do denuncismo. Foi assim com Getúlio Vargas, foi assim em 1964, foi assim com Juscelino Kubistchek. A oposição quer dar um golpe, tomar o poder sem voto. Quer fazer da votação no plenário uma eleição indireta”, acrescentou Zaratini.
Decepção
Para a deputada Mariana Carvalho (PSDB-RO), Dilma decepcionou várias mulheres brasileiras. “Entristece-me saber que não temos uma representante que merecemos”, disse. O deputado Elmar Nascimento (DEM-BA) disse que os fatos contidos na denúncia justificam o afastamento de Dilma.
“A defesa [da presidenta] diz que sempre ocorreram as pedaladas fiscais e não ocorreram em 2015. Mentira. Em dezembro de 2015 havia um saldo de R$ 55,6 bilhões em pedaladas. O governo se beneficiou de financiamento ao longo do ano e a prova é que o governo pagou juros sobre isso. Se deve, paga juros. É óbvio que é uma operação de crédito”, disse Nascimento.
Inconstitucional
O deputado Alessandro Molon (Rede Sustentabilidade – RJ) disse que a tentativa de impeachment da presidente pelo “conjunto da obra” não está previsto na Constituição. “Procurei muito na Constituição essa expressão ‘pelo conjunto’ da obra e não encontrei. Quem julga pelo conjunto da obra é o eleitor. Se se trata de crime de responsabilidade, é preciso verificar se os tipos penais estão presentes”.
Fonte: Yahoo
‘New Yorker’ compara Dilma a Nixon e diz que será trágico se crise política afetar Bolsa Família
A revista semanal americana The New Yorker comparou nesta quarta-feira a presidente Dilma Rousseff ao ex-presidente americano Richard Nixon (1969-1974) – mandatário reeleito ao posto em 1972 que, menos de dois anos depois, acabou renunciando em meio a um processo de impeachment contra ele.
Revista americana compara Dilma Rousseff a Richard Nixon
Foto: Divulgação/BBC Brasil / BBCBrasil.com
Assim como ocorre no Brasil com a operação Lava Jato, nos Estados Unidos também houve um escândalo que levou a uma crise política sem precedentes à época.
O chamado escândalo do Watergate levou Nixon a deixar o cargo na Presidência mais cedo do que planejava. Watergate era o nome do prédio onde ficava a sede do Comitê Nacional Democrata, que foi grampeado durante a campanha eleitoral de 1972, e as investigações apontaram para Nixon.
“Richard Nixon foi reeleito de maneira esmagadora em novembro de 1972 e renunciou em agosto de 1974. Dilma Rousseff, presidente do Brasil, parece estar seguindo o mesmo caminho: reeleita (não de maneira esmagadora) em outubro de 2014, ela corre tanto perigo um ano e meio depois que não parece que vai conseguir finalizar seu mandato”, afirma a revista.
A publicação opina que quem tem mais a perder com a crise e a instabilidade é a população carente.
“A revolta contra Rousseff é da classe média, em um país onde a classe média ainda não é maioria, como é nos Estados Unidos”, diz.
“Os verdadeiros perdedores na reformulação política que deve acontecer no Brasil não serão os políticos corruptos. As dezenas de milhões de beneficiários dos programas sociais criados nos governos de Lula e Dilma, como o Bolsa Família e o Minha Casa Minha Vida, estão sob risco também. (…) Será uma tragédia se, na corrida louca para formar uma nova coalizão política, ela (coalizão) se torne mais favorável aos negócios e deixe para trás o eleitorado”.
Foto: Divulgação/BBC Brasil / BBCBrasil.com
Corrupção constante
Na reportagem, a New Yorker cita a operação Lava Jato, que traz “a cada dia mais notícias de mais autoridades envolvidas na investigação, mais delações premiadas, mais esquemas de corrupção”.
“Escândalos de corrupção são uma característica constante da política no Brasil. O governo tem um papel bem maior na economia do que costuma ter no mundo desenvolvido: há muito negócios controlados pelo Estado, outros subsidiados e outros protegidos legalmente de qualquer competição”, diz a publicação.
Outra crítica da revista é ao sistema político “complexo” do Brasil, que permite a presença de inúmeros partidos no Congresso.
“Há um sistema parlamentar especialmente complexo e caótico – atualmente, mais de duas dezenas de partidos ocupam cadeiras no Congresso, o que significa que a única forma de conseguir um governo de coalizão é sob uma troca de favores, que muitas vezes é feita na distribuição de ministérios em troca de apoio.”
‘Golpe’
Nesta quarta-feira, no lançamento da terceira fase do programa Minha Casa Minha Vida, em Brasília, a presidente Dilma Rousseff voltou a chamar de “golpe” o processo de impeachment contra ela.
“A Constituição de 1988 tem de ser honrada porque reflete nossas lutas. Não existe essa conversa: ‘Não gosto do governo, então ele cai’. Impeachment está previsto na Constituição. Mas é absolutamente má-fé dizer que todo impeachment está correto. Para isso, precisa haver crime de responsabilidade. Impeachment sem crime de responsabilidade é o quê? É golpe.”
Enquanto isso, os trabalhos para analisar o pedido de impeachment da presidente – baseado nas acusações sobre as pedaladas fiscais e omissão no escândalo da Petrobras – seguem na Câmara.
Advogados pretendem apresentar um pedido de impeachment contra o vice-presidente Michel Temer. O texto seria idêntico ao usado pela OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) para pedir o impedimento da presidente Dilma Rousseff. A informação é do jornal Folha de S.Paulo.
O pedido do grupo alegaria que a lei do impeachment pode ser aplicada ao vice-presidente por “analogia” e que as razões apresentadas pela OAB também servem para Temer, uma vez que o vice é citado na delação do senador Delcídio do Amaral e assinou decretos das pedaladas fiscais.
Outro elemento apresentado, seria de que o PMDB assim como o PT, recebeu propinas do esquema de desvios da Petrobras de acordo com delações da Lava Jato.
Fonte: Terra
A proposta de um acordo com Dilma para antecipar as eleições e evitar o impeachment mostra a existência de setores do PT que dão a derrota como certa e tentam uma saída
A decisão do PMDB de deixar o governo, tomada ontem, numa reunião que durou apenas três minutos, pôs um ponto final no casamento de conveniência da legenda com o PT, que durou 12 anos. Foi o sinal para que as demais legendas da coalizão de governo iniciassem um movimento semelhante, como é o caso do PP, do PTB e do PR. A situação mais esquizofrênica é a do PSD, cujo presidente, o ministro das Cidades, Gilberto Kassab, liberou a bancada para votar como quiser e permanece no ministério, numa das pastas mais importantes.
Hoje, a expectativa de poder já gravita em torno do anexo do Palácio do Planalto, onde fica o gabinete do vice-presidente Michel Temer. A essa altura do campeonato, o baixo clero da base do governo na Câmara já fez a baldeação para o impeachment, à revelia ou com apoio tácito de seus líderes. Dilma conta de verdade com o PT, enquanto for conveniente para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e com o PCdoB, que estreita sua relação com a presidente da República para ocupar mais espaços na Esplanada. O PDT ainda apoia Dilma, mas já tem seu próprio projeto: Ciro Gomes. A estratégia do Palácio do Planalto de distribuir os cargos ocupados pelo PMDB entre os pequenos partidos é de eficácia duvidosa. Temer pode trucar e prometer os cargos atualmente ocupados pelos petistas àqueles que apoiarem o impeachment.
Entre os partidos de esquerda, o PPS forma na primeira fila dos defensores do impeachment — ao lado do PSDB, do DEM e do Solidariedade — desde quando a propostas parecia inviável e sem apoio popular. O PSB recentemente decidiu apoiar o impeachment, sem subterfúgios, após se afastar definitivamente do governo. O primeiro deve apoiar o governo de transição de Michel Temer, talvez até dele fazer parte, se o vive assumir de fato. O segundo tende a se manter à distância regulamentar e tentar articular uma coalizão com Marina Silva, cujo partido, a Rede, deve ser abster na votação do impeachment. A mesma posição é adotada pelo PSOL, que se opõe ao impedimento com certa estridência e, por isso, é acusado de linha auxiliar do PT pelos demais partidos de oposição.
Parlamentares do PT, PSB, PSOL, Rede e até do PPS, porém, articulam uma proposta de acordo para antecipação das eleições, por meio de emenda constitucional, em troca da não-aprovação do impeachment de Dilma Rousseff. Marina Silva, seria a maior beneficiária da redução do mandato de Dilma e acompanha as conversas por meio do líder da bancada, Alexandre Molon(RJ), sem se comprometer com a proposta.
Desconfiança
A proposta de um acordo com Dilma para antecipar as eleições e evitar o impeachment mostra a existência de parlamentares do PT que já dão a derrota como certa e tentam uma saída de olho no futuro, que pode ser até o surgimento de um novo partido. São esses setores que estão discutindo a desfiliação do PT e somente continuam na canoa do governo por causa da forte influência do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas suas bases eleitorais. Além da redução do mandato de Dilma, defendem sua desfiliação do PT e a formação de um governo técnico para conduzir o país até que as eleições aconteçam.
A tese é vista com desconfiança por gregos e baianos. Reflete certa dificuldade da esquerda não-petista em relação ao pós-Dilma, ou seja, ao governo de Michel Temer, caso o vice-presidente venha a assumir o poder. Além disso, ao contrário do impeachment, dependeria de uma decisão da presidente Dilma Rousseff, pois implicaria na renúncia à metade do mandato e no envio de uma proposta de emenda constitucional convocando as eleições.
Dilma tem reiterado que não pretende renunciar. Mesmo que o fizesse, dificilmente reuniria forças no Congresso para aprovar a antecipação das eleições, porque isso não interessa ao ex-presidente Lula, nem ao vice-presidente Michel Temer. Somente o presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), e Marina Silva (Rede) se beneficiariam da proposta. Por isso, a tendência é que a articulação pró-antecipação das eleições morra na praia.
Isso não significa, porém, que elas não possam ocorrer. Assim como o processo de impeachment anda a passos de gazela na Câmara, o processo de cassação da presidente Dilma Rousseff e do vice-presidente Michel Temer no Tribunal Superior Eleitoral também pode ganhar velocidade. Depende apenas da Corte. O ponto de aceleração será o acolhimento do pedido de impeachment pela comissão especial, que deve precipitar a data de votação em plenário, provavelmente o dia 15 de abril.
Governo moribundo e acuado, Legislativo sem legitimidade, Judiciário contaminado e manifestantes polarizados colocam à prova equilíbrio institucional brasileiro
Este é o primeiro texto da série especial produzida pelo Politike e pelo OxPol sobre a crise no Brasil.
Jogadas imorais, manobras maquiavélicas e descarada falta de honestidade. São características em comum que explicam a popularidade das comparações entre a política brasileira e a série House of Cards. Até o Netflix ficou à vontade para usá-las napromoção de sua nova temporada no País. A repercussão da iniciativa de marketing levou o cientista político Maurício Santoro a brincar no Twitter: “… a única instituição que atualmente goza da confiança e apreço de todos os brasileiros é o Netflix”.
As analogias são tentadoras, mas, no Brasil, que nada tem de ficção, a brincadeira se baseia em uma constatação preocupante. Mesmo diante de toda a turbulência política e derrocada econômica, houve um tempo em que o país parecia caminhar a passos firmes em direção a um sistema democrático mais legítimo, onde nem mesmo as mais altas autoridades ficariam imunes à Justiça. As instituições democráticas construídas e fortalecidas nas três décadas de exercício dinâmico da política em que o Brasil gradualmente foi se livrando das correntes da ditadura, dizia a predição, permaneceriam firmes e funcionariam como alicerces para a estabilização e a retomada. Nas últimas semanas, passou a ser evidente que essa percepção se baseava em outra mania nacional, otimismo demasiado.
A histeria polarizada que toma conta das redes sociais e reverbera com frequência no Congresso acabou por respingar no Judiciário, em especial após uma série de decisões em resposta à nomeação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ministro chefe da Casa Civil. Despachos judiciais e liminares de cortes de primeira instância, ao menos uma delas emitida por um juiz cuja imparcialidade foi fortemente questionada, pipocam país afora apontando em direções contraditórias. O STF demorou para se pronunciar sobre um tema de sua competência — se Lula poderia ou não assumir como ministro. Enquanto isso, as cortes inferiores continuaram suspendendo e aprovando a posse do ex-presidente em um ioiô jurídico que agravou a convulsão política.
O STF enfim assumiu o caso com o posicionamento do ministro Gilmar Mendes, suspendendo a posse de Lula e negando foro privilegiado ao ex-presidente. Outros ministros examinaram a questão, mas o impasse ainda não terminou, uma vez que recursos da Advocacia Geral da União devem exigir uma decisão final em plenário. Ainda assim, outra decisão do ministro Teori, responsável pelaLava Jato no STF, determinou, com base em jurisprudência da corte, que a investigação envolvendo Lula seja enviada de volta ao Supremo, dando novo ar de vai e volta para as decisões jurídicas.
Em outra frente, Sergio Moro — uma figura até então amplamente tida como imparcial, à frente de uma operação que não poupou figurões politicos ou empresários poderosos — deu uma guinada em direção ao que muitos interpretaram como um posicionamento político. Isso ocorreu quando, horas após a nomeação de Lula à Casa Civil e sem autorização do STF, o juiz liberou a divulgação de uma série de conversas telefônicas interceptadas pela Polícia Federal.
O debate em torno da legalidade das gravações, já que uma delas envolvia a presidente e havia sido captada após Moro ordenar o fim da escuta telefônica em Lula, e a forma com que foram divulgadas geraram uma tensão ainda maior na comunidade jurídica, comjuízes, OAB e juristas renomados se pronunciando a favor e contra a ação de Moro.
A maior reprimenda partiu do STF, por meio de Zavascki, que criticou fortemente Moro por liberar áudios envolvendo autoridades com foro privilegiado e conversas sem relação com a investigação. Segundo o ministro, Moro não tinha autoridade para tal. Ele concedeu dez dias para o juiz se explicar sobre o levantamento do sigilo da presidente. Na terça-feira 29, Moro desculpou-se Sua atitude foi consideradaprecipitada e pode ter manchado, ou até mesmo comprometido parte da Lava Jato. Principalmente, a capacidade de Moro para julgar com independência está agora em cheque.
Deputados pedem a saída de Eduardo Cunha. Foto: Lula Marques/ Agência PT
O judiciário, contudo, é somente a mais recente das instituições brasileiras a tremer. Há muito, o Legislativo se equilibra sobre pernas bambas. O processo de impeachment é liderado por Eduardo Cunha, réu no STF sob acusação de corrupção e lavagem de dinheiro por suposto envolvimento no esquema de desvios na Petrobras. Além disso, acomissão responsável por analisar o processo tem um quarto dos deputados investigados no STF por crimes eleitorais, lavagem de dinheiro, corrupção passiva e formação de quadrilha, entre outros. Ou seja, a legitimidade do processo conduzido pela Câmara é altamente questionável.
Do Senado, veio a proposta “criativa”. Umamanobra para implementar um sistema parlamentarista com um primeiro-ministro que enfraqueceria os poderes da presidente. A ideia, que retoma um projeto parlamentar já rejeitado em referendo, foi veiculada pelo presidente do Senado, Renan Calheiros, que também é protagonista de um histórico de escândalos. O episódio, provisoriamente arquivado, evidencia que soluções de curto prazo para acalmar a situação e salvar as peles de alguns legisladores em apuros podem ter prevalência sobre a Constituição.
Reflexo de uma classe política em ruínas
Após a divulgação dalista de pagamentos da Odebrecht para campanhas, ficou ainda mais evidente que os principais atores da política nacional têm explicações a dar aos eleitores.
O governo balança por seus erros na área econômica, por pressão da Lava Jato e pelo colapso do apoio popular. Também por não ter conseguido solidificar sua própria base na Câmara em mais de um ano de mandato. O eclético grupo que compõe sua coalizão tem a tendência de debandar com a falta de agrados atrativos para satisfazer suas demandas políticas.
No momento, a carniça em oferta é a queda de Dilma Rousseff. O PMDB abandonou o governo nesta terça-feira e aposta em uma eventual administração de Michel Temer em um cenário pós-impeachment. Encurralado, o Planalto busca apoio em sua base de militantes à esquerda, que enxerga o impeachment sem provas de crime de responsabilidade como um golpe, atitude que acirra a tensão nas ruas. Do outro lado, se intensificam as manifestações pró-impeachment, com apoio de parte do empresariado nacional, em especial da Fiesp
Para sobreviver, Dilma Rousseff precisa responder à mobilização de Michel Temer e do PMDB para removê-la do poder. Foto: Lula Marques/ Agência PT
No olho do furacão, a operação Lava Jato fez aniversário. Completou dois anos com 93 condenações e R$ 2.9 bilhões em desvios devolvidos aos cofres públicos. Desmantelou redes de corrupção, expondo não apenas a classe política por trás delas, mas também atores econômicos extremamente poderosos. É um desenvolvimento crucial para o Brasil, mas esse processo sempre caminhou sobre uma linha tênue entre reforçar as bases democráticas dos país e expor a fragilidade de seus alicerces. Não são efeitos necessariamente opostos, mas a situação chega muito próxima a uma etapa delicada e imprevisível, assim como o desfecho de uma boa série de TV. No entanto, o que mais convida a analogia agora é o fato de que as instituições democráticas brasileiras — corroídas por corrupção, interesses escusos, patronagem e polarização política — aparentam fragilidade e parco equilíbrio.
O Brasil pode se mostrar um castelo de cartas real.
Os holandeses estão lidando com uma questão incomun: Não há presidiários suficiente para o número de presidios.
Um terço das 13500 celas não estão preenchidas. Isso significa 5 presídos que provavelmente serão fechados. O problema é que os pelo menos 1900 funcionários das cadeias temem ficar sem emprego.
A Holanda, no entando, tem tentado resolver alugando os presídios para a Bélgica e Noruega ,de modo que cerca de 300 criminosos belgas foram transferidos para a Holanda e outros 240, da Noruega também.
Autoridades acreditam que o indice de criminalidade no país vai diminuir pelo menos 0,9% anualmente nos próximos cinco anos. A queda nas penas é atribuída ao fato de ser uma população mais velha – com menor possibilidade de cometer crimes – e queda acentuada nas infrações violentas que levam a penas de prisão. Há exceções como a formação de gangues que atuam em Amsterdam , mas dados da agência de estatísticas criminais da holandesa , a CBS, mostram queda expressiva nos índices de violência.
Manifestações a favor do governo ocorreram em 55 cidades e no DF
Atos tiveram a participação de 1,3 milhão de pessoas, segundos os organizadores, e 275 mil, nos cálculos da Polícia Militar.
O G1, portal de notícias da Globo na internet, fechou o balanço com os números das manifestações de ontem a favor do governo Dilma. Elas ocorreram em 55 cidades de todos os estados e no Distrito Federal. E tiveram a participação de 1,3 milhão pessoas, segundos os organizadores, e 275 mil, nos cálculos da Polícia Militar.
Pelo levantamento do G1, é possível dizer que os atos de sexta-feira (18) a favor do PT foram os maiores desde 2015. Mas também se conclui que os atos de sexta foram menores do que os de domingo (13), contra Dilma e Lula, quando manifestações foram realizadas em 337 cidades de todos os estados e no Distrito Federal e reuniram 6,9 milhões de pessoas, segundo os organizadores, e 3,6 mil, segundo a Polícia Militar.
Manifestantes foram às ruas de Natal. Para os organizadores, o protesto reuniu 30 mil pessoas e, para a PM, 17 mil.
Em Cuiabá, a concentração de grupos a favor do governo foi em uma praça. Segundo os organizadores, mil pessoas participaram. Para a PM, foram 250.
Em Brasília, os manifestantes se concentraram em frente ao Museu da República. Eles gritaram palavras de ordem e estenderam faixas em defesa da presidente Dilma e do ex-presidente Lula. Para a Polícia Militar, foram 6 mil pessoas. Os organizadores disseram que eram 50 mil.
Em Belo Horizonte, uma passeata percorreu o centro da cidade. Para os organizadores, foram cem mil participantes. A PM estimou em 18 mil pessoas.
No Rio, o ato foi organizado pela Frente Brasil Popular e por movimentos sociais. Manifestantes se concentraram na Praça XV, no centro da cidade, e cantaram músicas em apoio ao PT. Os organizadores disseram que 70 mil pessoas participaram do protesto. A Polícia Militar não divulgou números.
Em Curitiba uma grande bandeira, faixas e cartazes. Cerca de 30 mil pessoas se reuniram, segundo os organizadores e 5 mil para a PM. Duas pessoas atiraram rojões e foram presas.
Em São Paulo, mais de 60 entidades – entre elas a CUT, MST, PT e UNE – organizaram um ato na Avenida Paulista em defesa da democracia, dos direitos sociais e contra o golpe. Manifestantes carregaram cartazes de apoio a presidente Dilma Rousseff e ao ex-presidente Lula, e contra a Operação Lava Jato.
O ex-presidente Lula discursou: “Eu, na verdade, vim pra cá pensando como falar sem ficar nervoso. Porque tem muita gente que acha que eu vou atacar. Eu, na hora que a companheira Dilma me chamou, eu relutei muito, desde agosto do ano passado, pra aceitar ir pro governo. E ao aceitar ir pro governo, veja o que aconteceu comigo: eu virei, outra vez, ‘Lulinha paz e amor’. Eu não vou lá para brigar. Porque eu acho que nós precisamos restabelecer a paz, a esperança e provar que este país é maior do que qualquer crise do planeta Terra e que este país vai sobreviver e vai crescer”.
De acordo com os organizadores, 380 mil pessoas participaram nesta sexta (18) do ato na Avenida Paulista. O Instituto Datafolha afirmou que foram 95 mil pessoas, a Polícia Militar, 80 mil.
No ato na mesma avenida contra o governo Dilma e contra o PT, no último domingo (13), os organizadores calcularam 2,5 milhões de pessoas, o Instituto Datafolha 500 mil e a Polícia Militar disse que eram 1,4 milhão de pessoas.
No domingo passado, o protesto ocupou 23 quarteirões na Avenida Paulista. Na sexta, foram 11.
Políticos da oposição e do governo comentaram as manifestações de sexta-feira (18).
“As manifestações foram enormes. Surpreendeu a gente. Não tinha lá só militante de partido, tinha muito professor, muito estudante, muito advogado. Era um pessoal que não estava ali necessariamente para defender o governo da presidenta Dilma. Mas estava em defesa da democracia, contra o golpe. Porque nós achamos que impeachment sem base jurídica é golpe”, afirmou o senador Lindbergh Farias do PT-RJ.
“Embora 13 vezes menor do que a de domingo, foi uma manifestação significativa. Teve o exato tamanho do aparelhamento do Estado. O que vimos ontem é a fotografia do aparelhamento do Estado custeado com o dinheiro público, aliás, nesses últimos 14 anos. Uma das causas dos escândalos de corrupção”, declarou o senador Álvaro Dias do PV-PR.
Manifestantes foram às ruas em 25 estados contra impeachment de Dilma
Também houve protestos no Distrito Federal. Organizadores falam em 292 mil manifestantes, no total, e PM afirma que foram 51 mil.
Manifestantes foram às ruas nesta quarta-feira (16) em 25 estados e no DF para protestar contra o impeachment da presidente Dilma. Os organizadores disseram que 292 mil pessoas participaram dos atos. Já para a PM foram 51 mil pessoas.
Brasília
Em Brasília, os manifestantes só começaram a caminhar em direção ao Congresso nacional à noite. Representantes da CUT, MST e outros movimentos sociais carregavam faixas com as expressões “não ao golpe” e “fora Cunha”. A PM informou que 2,5 mil pessoas participaram do protesto. Já os organizadores, contaram 3 mil pessoas.
Mato Grosso do Sul
Em Campo Grande, os manifestantes saíram em passeata no fim da tarde. Organizadores dizem que cerca de 5 mil pessoas participaram do protesto. Já a Guarda Civil estimou em 2,8 mil pessoas.
Rio de Janeiro
No Rio de Janeiro, a organização do movimento disse que 12 mil pessoas se concentraram na Cinelândia, no Centro da cidade, para apoiar a presidente Dilma. A Polícia Militar não deu estimativa do número de pessoas.
Minas Gerais
Em BH, os manifestantes chegaram a queimar dois caixões durante o protesto contra qualquer tipo de golpe e a favor do governo da presidente. A PM disse que 5 mil pessoas participaram do ato. Já a organização do movimento disse que foram 20 mil pessoas.
“A gente tem que lutar, a gente não pode permitir porque é muita coisa, não é simplesmente um ‘fica dilma, fora cunha’, mas tudo o que as duas questões representam”, disse uma manifestante.
São Paulo
Em São Paulo, foram dois pontos de concentração na Avenida Paulista. Um em frente ao Masp e outro na Praça do Ciclista. O ato foi organizado pela CUT, Central Única dos Trabalhadores e movimentos sociais e estudantis, como o MST, MTST e UNE.
Além de faixas e cartazes, os manifestantes também soltaram balões vermelhos para pedir respeito à Constituição, a saída do presidente da Câmara e contra o impeachment.
“A manifestação é uma prova que o povo não quer golpe, o povo quer a manutenção da presidenta Dilma no poder”, afirmou o engenheiro eletrônico Rubens Donati.
Depois que os dois grupos se encontraram na Avenida Paulista, começaram uma caminhada de mais ou menos quatro quilômetros até a Praça da República.
A Polícia Militar calcula que 3 mil pessoas participaram do protesto. Na manifestação anterior, em agosto, foram 41 mil, para a PM. Já os números estimados pelos organizadores variaram: a CUT calcula que havia cem mil manifestantes. O MTST, 70 mil. Em agosto, eles estimaram a presença de 75 mil pessoas no ato em São Paulo.
E o Instituto Datafolha fez um cálculo de 55 mil pessoas na manifestaçao desta quarta-feira (16). Em agosto, a contagem foi de 37 mil.
Bahia
Em Salvador, os manifestantes caminharam até a Praça Castro Alves e levaram bandeiras do PT, da CUT e da CTB – Central de Trabalhadores do Brasil.
“A presidenta Dilma venceu as eleições e esperamos que esse governo vá até o final”, afirmou Cedro Silva, presidente da CUT-BA.
Os organizadores dizem que 20 mil pessoas participaram da manifestação. Já para a PM, eram 10 mil pessoas.
Sergipe
Os manifestantes em Aracaju levaram faixas e cartazes com inscrições “contra o golpe”, “fora Cunha” e com pedidos de reforma política. Quatro mil pessoas caminharam pelas ruas do Centro, de acordo com a organização. A Polícia Militar não fez estimativa.
No norte do país também teve protesto. Em Belém, a chuva atrasou o início da manifestação a favor da presidente Dilma. A Frente Brasil Popular, que organizou o movimento, disse que 10 mil pessoas participaram. A PM contou 1,7 mil.
Rio Grande do Sul
No Rio Grande do Sul, os manifestantes começaram uma vigília, às 17h, em frente à prefeitura de Porto Alegre. Os organizadores disseram que 5 mil pessoas participaram do ato. Segundo a Policia Militar eram duas mil.
Números
De acordo com o Datafolha, a manifestação desta quarta-feira (16) em São Paulo a favor da presidente Dilma foi maior do que a que aconteceu no domingo (13) para pedir o impeachment. Na quarta (16), o Datafolha registrou 55 mil pessoas na capital paulista. No domingo (13), eram mais de 40 mil.
Já contando todo o Brasil, segundo as conta do G1, o protesto foi maior no domingo, contra o governo.
Protestos contra Dilma voltam embalados por escalada da crise política
Ações legais contra Lula incendiaram os movimentos antigoverno. Cresce apoio de empresários
Manifestação anti-Dilma em Copacabana. VANDERLEI ALMEIDA AFP
Os protestos de movimentos anti-PT e pró-impeachment voltam neste domingo com maior apoio do establishment empresarial e político que há um ano e embalados pelo sentimento de que a derrubada de Dilma pode estar próxima. Do ponto de vista da mobilização dos participantes, um ingrediente importante entrou em jogo: a série de ações legais contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, começando com a condução coercitiva para prestar depoimento em 4/3/16, e terminando, por ora, com o pedido de prisão preventiva do Ministério Público de São Paulo. Embora a Justiça ainda não tenha acatado o pedido, e não exista um prazo para fazê-lo, a notícia incendiou as redes sociais dos grupos mobilizadores e apoiadores na quinta-feira.
Um ano após uma onda verde a amarela tomar a Paulista, em São Paulo, na maior manifestação que a oposição já fez em toda a história do Governo petista, os movimentos antigoverno planejam repetir a dose. Neste domingo, os organizadores da manifestação convocada desde o ano passado por movimentos como o Vem Pra Rua e o Movimento Brasil Livre (MBL) esperam atrair mais de um milhão de pessoas, número próximo do registrado em 2015, quando esse contingente foi à avenida Paulista gritar “fora Dilma”, segundo a Polícia Militar. Segundo o Datafolha, foram 210 mil pessoas, recorde dos quatro mega-atos convocados contra o Planalto.
Se naquela época o Governo petista, acostumado a ser aquecido pelo calor dos movimentos sociais, sentiu pela primeira vez que tinha perdido o monopólio das mobilizações de massa, agora os protestos podem ser a pressão que faltava para que muitos políticos em Brasília tomem uma posição em relação ao impeachment, acelerando esse processo.
Longe do Planalto, o apoio à oposição nas ruas já está aumentando: atores, entidades de classes e políticos fazem convocações para a marcha. O juiz Sergio Moro e Newton Ishii, agente da PF conhecido como “Japonês da Federal”, estão sendo usados como garotos-propaganda da manifestação. “Precisamos de vocês para juntar as forças, para combater a corrupção e tornar o Brasil mais justo”, disse, Ishii. “Contem comigo”, finalizou, em um vídeo que organizadores do ato publicaram na página do Facebook
Em outro vídeo publicado na mesma página, aparece uma foto do juiz Sergio Moro, com uma narração de fundo: “Este homem e seu grupo estão, de verdade, mudando o Brasil. E agora, quando ele mais precisa de você, você vai deixá-lo sozinho?”, questiona uma voz de filme policial, sobre uma montagem com a imagem de Moro na avenida Paulista.
“Essa polarização extremada, que vem desde as eleições de 2014 e teve um agravamento importante desde a condução coercitiva do ex-presidente Lula, indica a perspectiva de uma longa e custosa disputa entre os dois campos políticos”
Do lado empresarial, o apoio também cresceu. Paulo Skaf (PMDB), presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), realizou, no início da semana, uma reunião com representantes do MBL, do Vem pra Rua e de cerca de 100 entidades filiadas à Fiesp, para anunciar seu apoio ao ato. Na ocasião, disse que estaria na Paulista no domingo com a família. A Associação Brasileira de Shoppings Centers (Abrasce), a Sociedade Rural Brasileira e algumas sessões estaduais da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) também divulgaram apoio. Nesta quinta-feira, o governador de São Paulo disse que “pode ser” que vá à Paulista, “como cidadão”, na que seria a primeira participação do presidenciável tucano neste tipo de ato. Até então mais distante, Alckmin planeja, segundo a Folha de S. Paulo, ir ao protesto ao lado do senador Aécio Neves, seu concorrente na luta pela vaga de candidato a presidente do partido.
Embora o movimento Vem pra Rua evite falar em Impeachment, essa é uma das bandeiras que serão levantadas no domingo. Na realidade, talvez seja a maior delas. O ato, segundo o movimento, será “em apoio à Lava Jato, à Polícia Federal, ao Ministério Público e à Justiça Federal”. Evitam falar do impeachment porque é feita uma associação direta com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), também denunciado na Lava Jato. Mas fontes do movimento afirmam que ele será “também pelo fora Dilma”.
Confrontos e redes sociais
Os ânimos acirrados das últimas semanas levantaram uma certa tensão em torno dos atos de domingo, com maior temor de confronto do que em 2015. Na semana passada, o PT e entidades ligadas ao partido chegaram a marcar um ato no mesmo dia e local, em São Paulo, para defender o Governo, aumentando ainda mais a expectativa de confronto. Desmarcaram pouco tempo depois. Os movimentos governistas decidiram então manter um ato de “apoio à democracia” para a sexta, 18. Em entrevista coletiva nesta sexta, Dilma Rousseff fez “um apelo para que não haja confronto” no domingo. “A manifestação é um momento importante para o país”, disse.
Nas redes sociais o acirramento político ficou bastante visível. A evolução das menções aos protestos é bem parecida com a de março de 2015, segundo estudo realizado pela Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV/Dapp). Entre quarta e quinta-feira, foram registrados 115.000 tuítes sobre a manifestação.
De acordo com Marco Aurélio Ruediger, diretor da FGV/Dapp, essa evolução indica uma tendência de que veremos protestos de grande magnitude no domingo. “Embora não se possa afirmar isso com 100% de certeza, eu diria que é bem provável que tenha uma dimensão parecida – a se julgar pelo clima nas redes sociais”, disse.
Nesta sexta-feira por volta das 16h, o tema corrupção era o mais popular no Twitter, segundo a ferramenta da Dapp. Em seguida, vinha protestos. Os temas na sequência eram segurança, educação, saúde e transporte.
Para Ruediger, o clima de radicalização política revela uma cisão política e social “mais profunda do que uma simples oposição ao governo ou a Dilma Rousseff. “Essa polarização extremada, que vem desde as eleições de 2014 e teve um agravamento importante desde a condução coercitiva do ex-presidente Lula, indica a perspectiva de uma longa e custosa disputa entre os dois campos políticos.”
As manifestações de 13 de março em todo o Brasil. Acompanhe
Nova jornada de protestos acontece em várias cidades do país. Manifestantes pedem a saída da presidente Dilma Rousseff
Movimentos contrários à presidente Dilma Rousseff e partidos da oposição convocaram a população às ruas neste domingo (13) para mais uma série de protestos contra o governo. Os manifestantes pedem a prisão dos envolvidos em escândalos de corrupção e o impeachment da presidente Dilma. Acompanhe aqui, em tempo real, as principais notícias deste domingo.
14h40 – Nota de Dilma Rousseff sai em defesa da UNE, após sede da entidade ser pichada por vândalos. A presidente não se manifestou ainda sobre os protestos em todo país.
13h56 – Em frente à sede da Fiesp, na Avenida Paulista, o presidente da federação, Paulo Skaf (PMDB), conversou com jornalistas no início da tarde deste domingo (13): “O PMDB já deveria ter rompido com o governo e retirado todos os seus ministros”.
13h50 – No início da manifestação na avenida Paulista, em São Paulo, uma mulher desafiou a polícia. Carregando uma garrafa de espumante, ela provocou a equipe de choque da polícia. Jogou a garrafa em direção ao caminhão da polícia. Depois, levantou a blusa e mostrou alguma coisa escrita no corpo, com letras vermelhas. Visivelmente alterada, bateu boca com outros manifestantes presentes. A polícia acabou conduzindo a mulher para um canto, fora do meio da avenida, para evitar maiores confusões.
13h36 – Aproveitando a onda de protestos deste domingo (13), a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) espalhou mais de 30 patos infláveis, utilizados na campanha “Não vou pagar o pato”, contra a alta carga tributária brasileira.
12h57 – Brasília: PM atualiza o número de manifestantes para 100 mil. Houve apenas uma ocorrência de confusão, de uma pessoa que tentou rasgar um cartaz de um manifestante. Devido ao calor, os manifestantes em Brasília começam a se dispersar – o Corpo de Bombeiros foi acionado quando algumas pessoas passaram mal por causa do calor.
12h30 – Um dos carros de som que participam da manifestação noRio toca a música “Eu te amo, meu Brasil”, da dupla Dom e Ravel. No início dos anos 1970 a música se tornou uma espécie de hino do regime militar.
12h26 – A manifestação no Rio ocupa, de forma compacta, oito quarteirões da avenida Atlântica –pouco mais de 1,5 quilômetros– e, diferentemente da manifestação de 13 de dezembro do ano passado, esta ocupou completamente a segunda pista da orla, próxima aos prédios. A Polícia Militar do Rio informou que não vai divulgar estimativas do número de participantes do ato. Os organizadores da manifestação ainda não informaram quantas pessoas, em sua estimativa, participaram do ato.
12h20 – Sobrou para a jararaca. “Ele [Lula] disse que acertaram o rabo da jararaca. Hoje é dia de acertar a cabeça”, diz o padeiro Leci Soares, 38, morador de valparaíso de Goiás, entorno do DF. Ele participa da manifestação em Brasília.
12h16 – O empresário Rodrigo Brasil, de 26 anos, ligado ao movimento Revoltados Online, e o mecânico de carros Rogério Ramos, de34 anos, fazem sucesso na manifestação da Praia de Copacabana com um carro conversível guiado por controle remoto. Os dois desenvolvem o projeto do carro há dois anos e tiveram a ideia de levá-lo para a manifestação há duas semanas. Gastaram R$ 600 para pintar o veículo de amarelo. Durante o ato, um homem com máscara reproduzindo o rosto do ex-presidente Lula e vestido como presidiário subiu no carro. Rodrigo e Rogério afirmam não saber quem é o homem, que não se identificou.
12h15 – Silas Malafaia começa a discursar em carro de som emBrasília e manifestação se divide. Parte aplaude, mas há também muitas vaias e gritos de “Fora, Malafaia!” (Ricardo Coleta)
12h10 – No Rio, grupos gritam palavras de ordem variadas: “A nossa bandeira jamais será vermelha”, “Pé na bunda dela, aqui é Brasil, não é Venezuela” e “Eu vim de graça”. No meio da passeata, um carro conversível amarelo chamava a atenção. Controlado remotamente pelo técnico em mecatrônica Rogério Ramos, tinha como “passageiro”, no banco traseiro, um homem vestido como o ex-presidente Lula. “O Brasil anda como esse carro: sem motorista”, dizia uma faixa.
Há também paródias de músicas conhecidas. Em um delas, que se tornou conhecida ao ser entoada por torcedores argentinos na Copa do Mundo, os manifestantes cantam: “Petista, me diz como se sente/depois da campanha eleitora/ votou na Dilma/ mas foi enganado no final”.
Outra usa o tema do filme “Tropa de Elite”, do grupo Tihuana: “Polícia Federal/osso duro de roer/pega um, pega geral/ também vai pegar você/Lula”.
12h08 – Algumas cidades contam com manifestações pró-governo. Em Porto Alegre, militantes do PT se reúnem no Parque Farroupilha por um ato batizado de “coxinhaço”. Em Fortaleza, cerca de 300 pessoas defendem Lula no Polo de Lazer da Parangaba.
12h06 – Rio: Ambulante vende bonecos de Dilma Rousseff vestida de presidiária. No início do ato, eram vendidos a R$ 10, mas com a grande procura o preço já subiu para R$ 15.
12h02 – Para reforçar o policiamento nas ruas de Belém, por conta das manifestações, 550 homens da PM estão circulando pelos locais de maiores movimentos. Segundo os organizadores, 10 mil pessoas estão na manifestação que deve ir até o bairro de Umarizal.
12h00 – Manifestações se espalham por várias cidades do país:
Maceió: 6 mil manifestantes, segundo a PM
Juiz de Fora (MG): Mil manifestantes, segundo organizadores
Governador Valadares (MG): Mil manifestantes, segundo a PM
Belo Horizonte: 30 mil pessoas, segundo a PM
11h46 – Em São Bernardo (SP), partidários do PT e apoiadores do ex-presidente Lula se manifestam em defesa do governo. Confira fotos:
GALERIA
“Lula é meu amigo, mexeu com ele mexeu comigo”, diz faixa feita por manifestantes em apoio ao ex-presidenteFoto: Agência O Globo
11h40 – PM atualizou de 20 mil para 50 mil o número de manifestantes na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. Ainda tem gente chegando na manifestação, enquanto outras pessoas já começam a se dispersar. (Thiago Bronzatto)
11h20 – Só tem uma pessoa que é citada tanto quanto Dilma: Sérgio Moro. O carro de som exalta o juiz da Lava Jato (Filipe Coutinho)
11h15 – PM do Distrito Federal estima que 20 mil manifestantes estão na Esplanada dos Ministérios, em protesto contra o governo Dilma Rousseff. A contagem é feito a partir de imagens feitas de helicópteros e dos prédios ao redor do local. Segundo a PM, há um grande número de pessoas ainda em deslocamento e a estimativa deve ser atualizada em breve. (Ricardo Coleta)
11h10 –Maria Lúcia Bicudo, uma das sete filhas do jurista Hélio Bicudo, fundador do PT e e autor do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff, discursou neste domingo (13) em Brasília. “Nós, cidadãos brasileiros, vivemos hoje escravizados. Escravizados pela corrupção, pelas mentiras, pelo ultrajante salário mínimo, pelo desemprego, pelos altíssimos impostos e juros escorchantes. Temos o direito e o dever de abolir esse estado de coisas”, disse. Maria Lúcia costuma falar em nome do pai por causa do estado de saúde e da idade dele, 93 anos.
11h00 –Rio: Quatro carros de som puxam palavras de ordem e músicas –uma delas, “Eu to saudando a mandioca”, uma sátira à fala da presidente em discurso. Um dos carros de som pediu aos manifestantes que se unissem em um minuto de silêncio e depois rezassem um Pai Nosso. De um dos carros de som, o orador pediu também uma salva de palmas para Jesus Cristo. Em seguida, foi tocado o hino nacional, começando a caminhada, lentamente. (Samantha Lima)
10h45 – Enquanto manifestantes favoráveis ao afastamento da presidente Dilma Rousseff e às ações da Operação Lava Jato se concentravam na avenida Atlântica, na orla de Copacabana, um pequeno avião, daqueles que costumam sobrevoar as praias cariocas com faixas de propaganda, passava sobre a multidão carregando a faixa “Não vai ter golpe”. Até as 10h30, o solitário avião era o único indício dissonante na manifestação.
10h41 – Brasíla: manifestantes levantam as mãos para o alto e começam a rezar o “Pai nosso”. (Thiago Bronzatto)
10h30 – No Rio de Janeiro, a manifestação começou as 10h. Quatro carros de som puxam os protestos. Dos quatro, um pede intervenção militar. A repórter Samantha Lima está em Copacabana e envia fotos do protesto.
10h06 – A manifestação em Brasília começou às 10h05 com um minuto de silêncio em protesto contra a corrupção. Em seguida, todos cantaram o hino nacional. (Thiago Bronzatto)
10h00 – O repórter de ÉPOCA Thiago Bronzatto, que está em Brasíliaacompanhando a manifestação, envia as primeiras fotos do protesto na capital federal.
09h45 – O fotógrafo Adriano Machado, de ÉPOCA, está publicando no Twitter imagens vídeos da manifestação em Brasília.
09h30 – Em algumas cidades, como Brasília, Belém, Rio de Janeiro, Salvador e São Luís, as manifestações começam ainda de manhã, as 10h.
09h10 – Ainda no sábado, a presidente Dilma apelou para que as manifestações não sejam violentas. “Para mim é muito importante a democracia no nosso país. Então, eu acredito que o ato de amanhã deve ser tratado com todo respeito. Não acho que seja cabível, e acho que é um desserviço para o Brasil qualquer ação que constitua provocação, violência e atos de vandalismo de qualquer espécie”, disse Dilma.
09h00 – Bom dia! Estamos começando a cobertura em tempo real da jornada de protestos contra o governo em todo o país. O clima é de incerteza para a presidente Dilma. No sábado (12), a convenção nacional do PMDB – o maior partido da base aliada do governo – foi marcada pro protestes, incluindo gritos de “fora PT” e fortes críticas da ex-petista Marta Suplicy, que classificou o governo de “corrupto e incompetente”. Apesar da pressão, o vice-presidente Michel Temer fez um discurso de união e o PMDB acabou adiando a principal decisão: daqui a 30 dias os peemedebistas decidirão se continuam ou abandonam o governo Dilma.
Fonte: Época
Manifestações contra governo Dilma ocorrem pelo país
Vários estados têm protestos contra governo petista neste domingo.
Também são realizados atos de apoio ao governo Dilma, a Lula e o PT
Manifestações contra a presidente da República, Dilma Rousseff (PT), o ex-presidente Lula e o PT acontecem neste domingo (13) em dezenas de cidades brasileiras. A estimativa do total de manifestantes ainda não foi divulgada.
Além do Distrito Federal, às 13h, 16 estados tinham protestos anti-governo: Alagoas, Bahia, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rondônia, São Paulo, Santa Catarina e Tocantins.
O senador Aécio Neves (PSDB) participou da manifestação em Belo Horizonte (Foto: Pedro Ângelo/ G1)
Candidato derrotado no segundo turno da eleição presidencial em 2014, Aécio Neves (PSDB) participou dos protestos contra Dilma em Belo Horizonte (MG).
“Estamos aqui ao lado dos mineiros e ao lado dos brasileiros para dizer chega, basta! O Brasil merece algo melhor e com a força do povo nós vamos construir um novo caminho para o Brasil”, disse Aécio.
Também foram realizados protestos de apoio ao governo Dilma, a Lula e ao PT. Recife (PE), Fortaleza (CE), Porto Alegre (RS), São Bernardo do Campo (SP) e Coronel Fabriciano (MG) tiveram atos a favor do governo petista.
Manifestação pró-Dilma e PT ocorre no Marco Zero do Recife. Cerca de 50 participaram (Foto: G1 PE)
As manifestações foram pacíficas, com poucos incidentes isolados em algumas cidades. Grande parte dos manifestantes vestia verde e amarelo e levava cartazes contra a corrupção, o governo federal e o PT.
Além de pedirem a saída de Dilma, várias pessoas protestaram contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e lembraram que, na semana passada, o Ministério Público de São Paulo pediu a prisão preventiva do líder petista.
Outro nome citado nos atos, mas de maneira positiva, foi o do juiz da Operação Lava Jato. Sérgio Moro foi exaltado em faixas em diversas cidades brasileiras.
Capitais
Rio de Janeiro, Salvador, Belém, Recife e outras capitais reuniram multidões nos protestos contra o governo Dilma. Em São Paulo, os manifestantes já ocupam a Avenida Paulista, onde o ato está marcado para acontecer na tarde deste domingo.
Às 12h, manifestantes ocupavam as duas faixas da Avenida Atlântica (Foto: Rodrigo Gorosito/G1)
No Rio, o protesto aconteceu em Copacabana, Zona Sul. Às 11h20, uma hora e 20 minutos após o horário marcado para o início do ato, os manifestantes ocupavam cerca de 8 quarteirões da Praia de Copacabana e as duas pistas da Avenida Atlântica.
Em Brasília, a Polícia Militar estimou em 100 mil o número de participantes na manifestação. Para os organizadores, havia entre 180 mil e 200 mil. A PM destacou mais de 2 mil policiais para atuar na segurança.
Em Belém, milhares de paraenses foram às ruas protestar contra a corrupção no Brasil. Vestidos de verde e amarelo, os manifestantes pediram o impeachment da presidente Dilma Rousseff e apoiaram o juiz Sérgio Moro na operação “Lava Jato”.
Em Belém, organização do evento usou carros com e trios elétricos durante a passeata contra o governo Dilma. (Foto: Tarso Sarraf/O Liberal)
Em Belo Horizonte, com a presença do senador Aécio Neves e do ex-governador Antonio Anastasia, manifestaram contra o governo. Os participantes do ato ainda enaltecem a Operação Lava Jato, o juiz Sérgio Moro e a Polícia Federal.
Segundo a PM, às 11h20, 30 mil pessoas estavam na Praça da Liberdade (Foto: Pedro Ângelo/G1)
Veja os atos nas principais cidades e clique nos nomes para saber mais:
Alagoas Maceió- Milhares de pessoas participaram da manifestação contra o governo Dilma. A mobilização começou na Praça Vera Arruda, na Jatiúca, e seguiu em caminhada pela orla da capital alagoana até a praça que fica no Alagoinha, na Ponta Verde.
Representantes do Movimento Brasil estimam que mais de 35 mil pessoas participam da manifestação na capital alagoana, a Polícia Militar estima entre 12 e 15 mil pessoas.
Bahia Salvador– Segundo a Polícia Militar, cerca de 20 mil pessoas participaram do ato. Muitas pessoas levaram cartazes com pedido de impeachment da presidente Dilma Roussef e em faixas e cartazes pedindo a prisão do ex-presidente Lula.
Também ocorreram demonstrações de apoio ao juiz federal Sérgio Moro, que conduz os processos da Operação Lava Jato. Uma hora após a saída do Farol da Barra, os manifestantes chegaram ao Morro do Cristo, na orla da Barra, onde fizeram oração.
Manifestação em Salvador começou por volta das 10h50 no Farol da Barra (Foto: Henrique Mendes/G1 BA)
Ceará
Fortaleza – Pela manhã, manifestantes realizaram protesto em defesa do ex-presidente Lula e contra o impeachment da presidente Dilma. De acordo com os organizadores, o ato é um “aquecimento” para uma manifestação agendada para 18 de março.
Manifestantes fazem ato de apoio ao ex-presidente Lula no Polo de Lazer da Parangaba, em Fortaleza (Foto: Gioras Xerez/G1)
Distrito Federal Brasília– Integrantes de movimentos pró-impeachment da presidente Dilma Rousseff ocuparam a Esplanada dos Ministérios, em Brasília, para uma marcha entre o Museu da República e o Congresso Nacional. Seis carros de som acompanharam a marcha.
A Polícia Militar estimou em 100 mil o número de participantes na manifestação em Brasília. Para os organizadores, havia entre 180 mil e 200 mil pessoas. A Polícia Militar destacou mais de 2 mil policiais para atuar na segurança.
Espírito Santo
Colatina- a concentração começou em frente à Praça da Catedral, às 10h. De acordo com a organização, um grupo de 800 pessoas seguiu pela avenida Getúlio Vargas e atravessou a Ponte Florentino Avidos. Segundo PM, protesto reuniu 500 pessoas.
Manifestantes saem às ruas de Colatina em ato pelo impeachment de Dilma (Foto: Mayara Mello/ TV Gazeta)
Manifestantes também foram às ruas em Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do estado. A organização informou que 3 mil pessoas participaram da manifestação em Cachoeiro. Para Polícia Militar, eram 2,5 mil manifestantes nas ruas da cidade.
Goiás
Goiânia – Um grupo de motociclistas promoveu um “buzinaço” pelas ruas da região sul da capital goiana, na manhã deste domingo, para protestar contra o governo federal e pedir o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT).
Eles passaram em frente à sede da Polícia Federal, no Setor Bela Vista, por volta das 10h30, quando gritavam palavras de ordem contra a corrupção. Segundo os organizadores, protesto reuniu cerca de 100 pessoas.
GOIÁS: Manifestantes protestam contra o governo Dilma na região central de Anápolis, em Goiás (Foto: Diego Matos/TV Anhanguera)
Às 13h, manifestantes também estavam concentrados na Praça Tamandaré, no Setor Oeste, para um protesto marcado para começar às 14h. Também acontecem manifestações em cidades do interior de Goiás, como Anápolis e Rio Verde.
Maranhão
São Luís – O ato contra governo Dilma reuniu mais de 4 mil pessoas em São Luís, segundo a PM. Para a organização, a manifestação reuniu 5 mil pessoas. Os manifestantes montaram pelo menos três tendas e utilizam um trio elétrico.
Os organizadores ressaltam a união da sociedade na discussão dos temas de importância do país, o apoio às operações Lava-Jato, que investiga um esquema de corrupção da Petrobras, e ao juiz Sérgio Moro.
Manifestação na avenida Litorânea, orla de São Luís (MA), contrária ao governo, às 10h (Foto: Clarissa Carramilo/G1)
Na segunda maior cidade do Estado, Imperatriz, 800 manifestantes foram à Praça Brasil, no Centro, protestar contra o governo Dilma, de acordo com as estimativas da PM. Já os organizadores disseram que 5 mil pessoas compareceram ao local.
Mato Grosso do Sul
Corumbá e outros dois municípios do estado tiveram manifestações contra o governo federalna manhã desse domingo (13). Os protestos, segundo a Polícia Militar, aconteceram também em Coxim e Aquidauana.
Corumbaenses saem às ruas em manifesto contra o governo federal (Foto: Laura Toledo/ TV Morena)
Conforme a PM, em Aquidauana, protestou reuniu 70 pessoas. Em Corumbá, a 415 quilômetros da capital, 600 pessoas protestaram contra o governo Dilma. Em Coxim, moradores fizeram carreata com buzinaço, faixas e cartazes.
Minas Gerais
BH- Manifestantes realizaram protesto contra o governo Dilma Rousseff, o ex-presidente Lula e o PT. Os manifestantes se concentram na Praça da Liberdade, na Região Centro Sul de Belo Horizonte.
Segundo a PM, às 11h20, 30 mil pessoas estavam na Praça da Liberdade (Foto: Pedro Ângelo/ G1)
Os participantes do ato ainda enaltecem a Operação Lava Jato, o juiz Sérgio Moro e a Polícia Federal. Segundo a Polícia Militar, por volta das 11h30, cerca de 30 mil pessoas estavam concentradas na praça.
Além da capital, outras cidades mineiras protestaram neste domingo. Foram realizados atos em Varginha, Uberlândia, Poços de Caldas, Governador Valadares, Uberaba, Ipatinga, Mogi das Cruzes, Pouso Alegre, Juiz de Fora, Araxá e Montes Claros.
Em Uberlândia, os manifestantes protestaram pelo combate à corrupção política e em apoio à operação “Lava Jato”, da Polícia Federal. Após o fim do protesto, a organização disse que 25 mil pessoas compareceram. A Polícia Militar informou 22 mil.
Manifestação em Uberlândia contra governo Dilma reuniu mais de 20 mil pessoas (Foto: Caroline Aleixo/G1)
Pará
Belém- Milhares de paraenses foram às ruas da capital protestar contra a corrupção no Brasil. Vestidos de verde e amarelo, os manifestantes pediram o impeachment da presidente Dilma Rousseff e apoiaram o juiz Sérgio Moro na operação “Lava Jato”.
Manifestantes levam faixas nas cores da bandeira brasileira e gritaram “Fora Dilma” em Belém (Foto: Tarso Sarraf/O Liberal)
De acordo com as estimativas da organização do evento, a manifestação começou com 4 mil pessoas, aumentou para 10 mil e chegou a 50 mil participantes. Já a Polícia Militar informou que não vai se manifestar sobre os números do protesto deste domingo.
Paraná
Curitiba – Manifestantes começaram a se reunir no centro de Curitiba, na Praça Santos Andrade, para protesto contra o governo federal na tarde deste domingo. Também foram realizados atos em Foz do Iguaçu e Paranavaí.
Em Foz do Iguaçu, os manifestantes se reuniram por volta das 10h na Praça do Mitre, no Centro da cidade, e seguiram em passeata e carregando faixas até a Praça da Paz, onde por volta das 11h30 soltaram milhares de balões, encerrando o ato.
Manifestantes percorreram as principais ruas de Foz do Iguaçu na manhã deste domingo (13); ato foi encerrado na Praça da Paz com a soltura de balões (Foto: Caio Vasques / RPC)
Pernambuco
Recife A capital pernambucana teve atos a favor e contra o governo. Os manifestantes contrários ao governo Dilma Rousseff se reuniram na Avenida Boa Viagem. Segundo a PM, foram 120 mil pessoas. Os organizadores estimaram público de 150 mil.
Protesto contra Dilma no Recife (Foto: Bruno Marinho)
Enquanto a orla de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, era tomada pelos manifestantes contrários ao governo petista, um grupo de apoiadoresda presidente se reuniu no Marco Zero, na capital pernambucana, para prestar apoio ao governo petista.
Rio de Janeiro
Rio – Os manifestantes contrários ao governo Dilma se reuniram na Praia de Copacabana. Quase quatro horas após o início do protesto, organizadores estimaram a presença de cerca de 1 milhão de pessoas. A Polícia Militar não divulgou balanço.
Às 11h20, uma hora e 20 minutos após o horário marcado para o início do ato, os manifestantes ocupavam cerca de 8 quarteirões da Praia de Copacabana e as duas pistas da Avenida Atlântica.
Para Bernardo Santoro, coordenador estadual do Movimento Brasil Livre (MBL), o ato em Copacabana foi um sucesso. “Mais de 1 milhão de pessoas engajadas por um Brasil sem PT, por um Brasil com impeachment”, disse.
Rondônia
Ji-Paraná – No município distante cerca de 370 km da capital Porto Velho, a população realizou uma caminhada na BR-364. A PM afirmou que cerca de 300 pessoas estavam presentes, enquanto a organização não divulgou números.
Manifestantes caminharam até a principal ponte da cidade de Ji-Paraná, RO (Foto: Pâmela Fernandes/G1)
São Paulo
S José do Rio Preto – O protesto reuniu 20 mil pessoas, segundo os organizadores e também a PM, e acabou por volta das 12h30. Os manifestantes foram com caras pintadas, bandeiras contra o governo e até patos infláveis.
Manifestantes levaram bandeirão na passeata em Rio Preto (Foto: Renata Fernandes/G1)
Araçatuba – Os manifestantes levaram balões, bandeiras e faixas com frases contra a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula. Alguns manifestantes estavam de bicicleta e percorreram trechos das avenidas.
Catanduva– Os manifestantes se reuniram por volta das 9h em frente à praça Matriz e saíram em passeata pelas principais ruas da cidade. Segundo a Polícia Militar, o protesto reuniu 5 mil pessoas. Os organizadores estimaram em 7 mil.
Fim do Petisco da Vila acende discussão em relação aos bares da cidade
Proprietários culpam a crise, e clientes reclamam de preços e perda da tradição
PETISCO DA VILA, EM VILA ISABEL. Bar fechou as portas na semana passada culpando a violência, a crise econômica e o sucateamento do Maracanã e da UerjMaíra Coelho / Agência O Dia
O fim do Petisco da Vila, um dos símbolos da boemia carioca, acertou em cheio a alma da Zona Norte do Rio. E dividiu opiniões entre os antigos fregueses e os últimos frequentadores do ícone encravado no Boulevard 28 de Setembro. A violência, a crise econômica e até o abandono do Maracanã e da Uerj, de onde saía boa parte dos clientes do bar, foram apresentados como motivos pelo proprietário Manoelzinho e seu filho, Amadeu Souza, para o fim das atividades. Há, no entanto, quem discorde.
Compositor do clássico ‘Conto de Areia’, imortalizado na voz de Clara Nunes, Toninho Nascimento, de 70 anos, nasceu e cresceu em Vila Isabel. E acompanhou de perto nascimento, apogeu e crise do Petisco da Vila, antigo reduto dos principais sambistas da cidade, que há muito, à exceção de Martinho da Vila, deixaram de frequentar o bar.
“O Petisco fechou as portas, mas, infelizmente, já tinha morrido há muito tempo. Um bar que era reduto do samba e depois passou a ter placa de ‘proibido cantar’. Um bar onde o jiló era de graça para quem tomava aquele que era o melhor chope do Rio, tirado pelo Seu Américo. Os garçons tinham que colocar gelo no braço, quando chegavam em casa, de tanta bandeja de chope que carregavam. Quem fosse à Vila Isabel e não passasse pelo Petisco, não tinha ido a Vila Isabel”, lamenta Toninho.
ENCHENDO LINGUIÇA, LAPA. A filial do tradicional bar do Grajaú durou pouco. “Erramos ao apostar numa coisa diferente. Buscávamos o público de ‘cabeças brancas’ do Grajaú, sem saber que a Lapa consome latinha ou cerveja litrão. Aprendi que o bar não pode abandonar sua essência e tradição”, diz o dono, Fernando Breschnik.Maíra Coelho / Agência O Dia
O cantor e compositor Gabriel Cavalcante, do Samba da Ouvidor, ícone da nova geração de sambistas boêmios da cidade, diz que começou a beber, no início da década passada, graças à fama do Petisco e seu “melhor chope do Rio”. “Era coisa de maluco. Um chope que você bebia e dava vontade de chorar. Infelizmente, o mundo está num momento complicado. Mas as pessoas não se atualizam, não veem o que estão fazendo de errado…”, comentou, referindo-se aos descaminhos e à chamada “gourmetização” de muitos botequins tradicionais.
Referência musical e etílica da cidade, Moacyr Luz tinha o Petisco como extensão de sua casa. Idealizador do Samba do Trabalhador, Moa já perdeu a conta de quantos episódios viveu no bar que considera a “sinopse de Vila Isabel”. Em 1981, quando cantava em Botafogo e morava no Grajaú, ele fazia do bar uma de suas últimas paradas antes de chegar em casa. Sem falar nos domingos de Maracanã.
“Era o bar que vendia mais chope na cidade. Após os jogos do Flamengo, era lá que a gente parava. Alguma coisa tem que ser feita por esta instituição. Tem tanta gente que não paga IPTU e continua trabalhando. O Petisco não pode fechar por este motivo”, implora Moacyr Luz.
O pedido do compositor de ‘Saudades da Guanabara’ já está na pauta do vereador Marcello Siciliano (PHS), outro que nasceu e cresceu na Vila de Noel, e protocolou projeto de lei que pede o tombamento do bar como patrimônio cultural imaterial carioca. “O botequim é um patrimônio do Rio. E o Petisco está sendo ameaçado por questões comerciais. Não pode”, diz Siciliano.
Neguinho da Beija-Flor foi outro a ficar abalado com a notícia e pedir uma solução. O mais famoso puxador do Carnaval na atualidade conta que frequentava o bar muito antes de conhecer a escola de samba que lhe empresta o sobrenome artístico há 41 anos.
PLANETA DO CHOPP EM VILA ISABEL. o bar, também de propriedade de Manoelzinho, na primeira esquina do Boulevard 28 de Setembro, foi o primeiro a fechar as portas.Maíra Coelho / Agência O Dia
“Eu nem acredito que o Petisco acabou. Deve ser mentira. Não me conformo. Petisco faz parte da minha história. Alguém tem que fazer alguma coisa. Eu cantava no Renascença, no Bola Preta e no Casa de Bamba, em Vila Isabel. E tudo acabava no Petisco, onde eu comia um ossobuco para conseguir voltar para Nova Iguaçu, de trem”, conta, emocionado.
Bares têm de manter essência e tradição
Uma das criadoras do concurso Comida di Buteco há 18 anos, Maria Eulália Araújo lamenta profundamente o fechamento do Petisco. Acusada por críticos de querer “gourmetizar” os bares tradicionais, ela assegura que o trabalho que faz é justamente o oposto: valorizar o papel do boteco nas cidades brasileiras.
“É gente do mundo inteiro que vem ao Rio de Janeiro para conhecer seus bares. Inclusive grandes chefs de cozinha estão de olho nos botequins tradicionais”, diz ela. E garante: “O Comida di Buteco é uma vitrine para os bares, e o que a gente pede é o oposto do que às vezes os donos fazem”.
Para a produtora, é preciso olhar o bar como negócio, mas sem perder a essência, a tradição, sua natureza e sua história. “Quando o proprietário tira o umbigo do balcão e o coração do seu botequim, o resultado pode não ser bom”, diz Eulália.
Crise atinge também as casas da Zona Sul
O Petisco da Vila não é o único bar tradicional em crise na cidade. Na Zona Sul, estabelecimentos históricos como o Antiquarius, no Leblon, e o D’Amici, no Leme, vivem dias difíceis, assim como o Quadrifoglio. A renomada chef Roberta Sudbrack fechou, em janeiro, a premiada casa que levava seu nome, no Jardim Botânico.
Dono do Enchendo Linguiça, no Grajaú, Fernando Breschnik deu a receita bem-humorada para escapar da crise. “Readequamos o cardápio e o preço da cerveja. Ainda temos um adversário, que são os economistas, uma raça que vai para a televisão dizer que, em tempos de crise, tem que maneirar no chope. Isso quebra a gente”, brincou.
Fonte: O Dia
Servidores do RJ fazem protesto na orla de Copacabana
Eles protestam contra o aumento da contribuição previdenciária dos servidores e contra a privatização da Cedae, usada como garantia para conseguir ajuda do governo federal.
Servidores do Estado do RJ fazem protesto em Copacabana
Servidores do Estado do Rio de Janeiro realizavam protesto, por volta das 11h do dia 5/2/17, em Copacabana, na Zona Sul da cidade, contra as medidas que o governo do Estado anunciou para combater a crise financeira, dentre elas o aumento da contribuição previdenciária dos servidores e a privatização da Cedae, que servirá como garantia para a aprovação da ajuda financeira que o Rio pede ao Governo Federal.
“Hoje nós estamos protestando contra qualquer tipo de privatização ou federalização desse bem público que é a Cedae. Estamos somando com o Musp em defesa do pacote de maldades que está assolando o servidor público”, afirmou Sérgio Silveira Monteiro, operador de equipamentos da Cedae.
Manifestantes caminha em direção ao Posto 6, em Copacabana (Foto: Bruno Albernaz)
O Governo do Rio diz que a salvação da economia do estado depende da venda da Cedae, companhia de saneamento. É a condição imposta pelo governo federal para refinanciar a dívida.
“Essa negociação vai fazer com que os salários dos servidores voltem a ficar em dia. A gente vai ter uma postergação de dívida por parte da União, de 3 anos, isso em termos de valores, pra se ter uma ideia isso dá em torno de R$ 26 bilhões . Em 3 anos, então a Cedae é condição e vital pro acordo”, disse o secretário de Fazenda, Gustavo Barbosa.
Servidores da Cedae protestam contra a privatização da companhia (Foto: Bruno Albernaz)
Ainda de acordo com o operador Sérgio Monteiro, na segunda (6) os servidores da Cedae vão fazer um novo ato. “Nós já estamos paralisando nossa categoria a partir da terça-feira. Na segunda, estaremos toda a categoria no Hemorio. Não estamos em greve. Estaremos fazendo doação de sangue para a campanha do Hemorio no carnaval. E assim evidenciando nossa bandeira de luta: água é vida, sangue é vida, disse.”
Atualmente, o Rio não pode pegar mais dinheiro emprestado porque já estourou o limite da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com o acordo, o Governo Federal suspenderia o pagamento da dívida até 2020. Mas a venda da estatal ainda depende da autorização da Assembleia Legislativa (Alerj).
Na mensagem que enviou aos deputados, o governador Luiz Fernando Pezão diz que a venda é uma obrigação “irretratável e irrevogável” assumida com o governo federal.
Grupo também protesta contra a reforça da Previdência (Foto: Bruno Albernaz)
O presidente da Alerj, Jorge Picciani, diz que não há dúvida sobre a aprovação da venda. “Vai ser aprovado com grande número de votos”, declarou.
O Governo Federal deu um prazo de seis meses para que o estado defina como vai vender a Cedae.
Na educação, a crise também é gravíssima: a universidade do estado está praticamente parada. “As empresas terceirizadas não recebem desde agosto e aí já estão ameaçando cortar os serviços de limpeza, o serviço de recolhimento de lixo já foi cortado – a empresa já anunciou que vai cortar e a questão do restaurante universitário que não consegue funcionar porque não recebeu nenhum recurso”, explicou o sub-reitor de Pós-Graduação Egberto Gaspar de Moura.
As aulas na Uerj, incluindo o Colégio de Aplicação (CAp-Uerj), deveriam ter começado em dia 7 de janeiro. Mas, por causa do atraso dos salários e da falta de repasse de verbas o início do ano letivo, foi adiado várias vezes. A nova data era segunda-feira (6), mas foi novamente adiada para o dia 13 de fevereiro.
A única faculdade que ainda tinha aulas, a de Ciências Médicas, anunciou que paralisou todas as atividades na sexta (3).
Manifestantes começaram caminhada na altura do Copacabana Palace, sentido Posto 6. (Foto: Bruno Albernaz)
Fonte: G1
Crise do Rio de Janeiro é o retrato em carne viva do Brasil que Temer quer construir.
Por Bajonas Teixeira, colunista de política do Cafezinho
Há cinco anos, o Rio era o estado que festejava Eike Batista, o Porto Maravilha e o projeto Rio Arte, e assegurava que as UPPs faziam milagres. Por sob essa fachada, os bueiros explodiam, o crime fervilhava, mas ninguém via nada. Os efeitos profundos desse período se mostram na crise atual, só comparável aos efeitos das pestes que assolavam as cidades medievais.
Quem achava que o Brasil era sempre o país do futuro, mas nunca do presente, pode se dar por satisfeito: o Rio é o retrato vivo do país do futuro que Temer vai nos entregar, após 24 saques mensais, daqui a dois anos.
Que ninguém diga, portanto, que não foi avisado. O Rio mostra em detalhes o que o PMDB pode e sabe fazer. E para que nada falte, Moreira Franco, o atual braço direito de Michel Temer para dilapidar e saquear o estado brasileiro, foi governador do Rio e esteve envolvido em inúmeras denúncias de corrupção.
Antes de aderir incondicionalmente ao governo Temer, a Folha de São Paulo tinha esperança de que o PMDB fosse derrubado para que o PSDB, partido de São Paulo que é a sua menina dos olhos, pudesse ocupar o poder. Nessa época, fez uma matéria muito interessante, um raio X de Moreira, com o título de Camaleão político. Retratando inúmeros escândalos, suspeitas e denúncias de corrupção, desenhou a figura de um político capaz de causar arrepios mesmo nas sensibilidades mais insensíveis.
Como carioca, vivendo fora do estado há mais de duas décadas, guardo duas recordações marcantes do período do domínio recente do PMDB no estado do Rio. Uma foi um passeio de bondinho em Santa Teresa que fiz com minha mulher e minha filha em 2011. Tomamos o bonde na estação no Centro, depois de uma longa espera, porque a fila era imensa. Logo que o bonde saiu da estação, eu, que o conheço há décadas, estranhei o número e a altura dos ruídos e rangidos, de ferro velho, que se desprendiam do veículo. Falei ao motorneiro, e eles disse que era normal.
Mesmo assim, saltei na primeira estação com medo do que poderia acontecer. Pouco tempo depois, ocorreu o acidente que matou cinco pessoas e deixou 57 feridas.
Outro episódio foi um passeio no centro do Rio e no centro de Niterói. Eu estava há alguns dias em um apartamento em Ipanema, na Prudente da Moraes, e resolvi visitar aqueles cenários fora daquele vazio asfixiante da Zonal Sul. Fiquei tomado pela sensação geral de que uma espécie de sarna, de degradação epidérmica, que fazia adivinhar uma desintegração interior muito mais grave, estava tomando conta do estado.
Parecia que forças parasitárias invisíveis tinham sugado a verve, a começar pela cor e pelo asseio da cidade. Por toda parte, paredes que denunciavam não ver tinta há muitos anos, fachadas encardidas, vias públicas esburacadas, lixo acumulado, uma ambiência que há 20 anos, por exemplo, estavam restrita ao entorno da Central do Brasil, a porta de chegada dos trens do subúrbio ao centro da cidade do Rio, parecia agora ter se espalhado e passado a dominar o estado inteiro.
A isso se somavam os bueiros explodindo (2011 foi um ano de recorde de explosão de bueiros, como talvez esteja sendo, mas com menos alarde, o de 2016, que já assassinou a atriz Aline Barreto e feriu muitos outros), as violências praticadas pelas desocupações no Centro do Rio para a “revitalização” do Centro. Em contraste com o projeto centrado no Porto Maravilha, da modernização arquitetônica deslumbrante para os tolos, se via por toda a parte um impressionante número de mendigos espalhados na cidade, concentrados em grupos, dormindo nos gramados, especialmente no aterro do Flamengo e no Centro, formando grandes concentrações pela área dos Arcos da Lapa. Os mendigos, como se sabe, hoje e na Inglaterra do cercamento dos campos, apontam o grau em que a concentração econômica produz miseráveis.
Tudo isso era pouco ou quase nada visível. Sérgio Cabral era um herói da mídia. Aparecia em fotos cuidadosamente editadas, como Michel Temer hoje, de quem por mais que se procure no Google dificilmente se achará uma imagem destoante do padrão.
O homem que presidia a cidade, logo abaixo, ou um pouco acima, do governador Cabral, era Eike Batista, o dono das UPPs, o senhor do Marina da Glória, ou manda-chuva e o manda-sol da cidade. Respeitado, admirado, louvado, cultuado. Eike era o cara e a cara da cidade.
Ouvia-se também o refrão da nova cidade erguida em torno do Porto Maravilha, que era o seguinte: “O Rio é Arte. O tempo todo. Em toda parte.” Essa quadrinha imbecil soava sofisticada.
A arte o tempo todo e em toda parte, está espalhada agora por todo o estado do Rio. E é a mesma arte, que um vetusto autor anônimo português chamou de “a arte de furtar”, em livro justamente célebre do século XVII.
O Brasil do futuro, o Brasil do PMDB, de Sérgio Cabral, de Michel Temer é uma terra de ninguém degradada, sangrada até a última gota de riqueza extraível. Para bajular os empresários e as elites brasileiras em geral, e receber as migalhas do banquete, será desmontado todo o patrimônio público, de leis, garantias, e direitos. Não apenas a Constituição de 1988, e seus mecanismos que asseguram verbas para a educação, a saúde, a previdências, mas os direitos trabalhistas conquistados nas décadas entre 1910 e 1930, que Getúlio Vargas teve que reconhecer na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
Ele quer, e vai se não for detido, destruir cem anos de lutas e conquistas sociais. Nada menos que isso. Vai quebrar todas as instituições sólidas (o SUS, a previdência, as universidades públicas, etc.), vai destruir o salário mínimo, a aposentadoria, o seguro desemprego, as garantias jurídicas do trabalho.
E quem é o homem que agora assume, em nome de Temer, a missão de implementar tudo isso? É Romero Jucá, nomeado líder do governo no Congresso. Contra ele, segundo levantamento do Site “Congresso em Foco”, pesam apenas as acusações referentes aos crimes de lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, corrupção passiva, crimes eleitorais, crimes contra a ordem tributária, apropriação indébita previdenciária e falsidade ideológica, que constam dos Inquéritos 3989, 3297, 2116 e 2963.
E note-se que, no momento em que a devastação do estado brasileiro por Temer está sendo levada adiante, a esquerda fechou a boca. Desde a derrota nos dois turnos da última eleição, portanto, desde o final de outubro, o silêncio paira sobre a oposição. Não se escuta mais murmúrios. Mesmos os poucos políticos, um ou dois senadores, e um ou dois deputados, que ainda abriam a boca com mais veemência, como o senador cara-pintada Lindbergh Farias, se fecharam em mutismo profundo.
Esse raquitismo e essa anemia política são vergonhosos, porque, para qualquer um que saiba ler e escrever, o governo Temer revela facilmente que é um governo débil, que já teria caído como um castelo de cartas, se houvesse quem lhe desse um bom chute.
Fonte: O Cafezinho
Servidor: Demissão voluntária no estado não terá eficácia, dizem fontes
Maior parte dos servidores ativos é composta por categorias como professores, policiais civis, PMs, bombeiros e da Saúde
A implementação de um Programa de Demissão Voluntária (PDV) está sendo estudada pelo governo do Rio como uma das medidas para conter os gastos e apresentar contrapartidas à União. Esse PDV seria criado com forma jurídica voltada ao funcionalismo. Esse projeto já era pensado desde o ano passado, porém, para alguns membros do governo, essa iniciativa é ineficaz.
O que explicam é que o maior peso da folha de pagamento é com inativos e pensionistas. De acordo com o Caderno de Recursos Humanos da Secretaria de Planejamento — referente a novembro — os ativos correspondem a 48,89% do valor total da folha, que é de pouco mais de R$ 2 bilhões. Mais de 50% são de gastos com inativos, pensões especiais e pensões previdenciárias.
Além disso, a maioria dos ativos é composta pela Segurança (entre PMs, policiais civis e bombeiros), Educação e Saúde.
São mais de 80 mil ativos na Educação, cerca de 47 mil na Polícia Militar, mais de 10 mil na Polícia Civil e 15 mil nos Bombeiros e 11 mil na Saúde. O questionamento que fazem é: como dispensar policiais, professores e médicos? “Não há excesso deles. Até falta”, dizem.
A pergunta se alia à outra: “Como colocar um programa de demissão voluntária em prática em um momento de alto desemprego no país?”, indagou uma fonte do governo. “Quem vai querer se voluntariar?”, completou. E mesmo que haja voluntários pondera-se que as carreiras com maior peso na folha são essenciais para o estado.
Fonte: O Dia
Entenda a crise e as razões da revolta de servidores no Rio de Janeiro
As propostas ainda precisam ser aprovadas pelos deputados estaduais. Ao todo, são 21 projetos de lei
A ruína da crise no Rio de Janeiro e o pacote de austeridade anunciado pelo governador Luiz Fernando Pezão (PDMB-RJ) no início de novembro catalizou uma série de manifestações protagonizadas por diversas categorias de servidores públicos no estado.
Na última quarta-feira 16, mobilização em frente à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) reuniu milhares de manifestantes. Em clima tenso, houve tentativa de invasão do Palácio Tiradentes e ação violentada polícia com bombas de efeito moral e de gás lacrimogênio, além de balas de borracha. Houve feridos, entre eles, quatro jornalistas que cobriam o ato.
As medidas, a incluir o fim de programas sociais e a cobrança de uma taxa de 30% sobre os salários dos funcionários públicos, serão discutidas e votadas pelos deputados da Alerj antes do final do ano. Entenda os principais pontos da crise:
1) Qual é a principal causa dos embates entre servidores e o governo do Rio? O estado passa por uma grave crise. Diante da situação, o governo anunciou um pacote de austeridade com medidas impopulares, como o aumento de impostos, a cobrança do desconto de 30% dos salários dos funcionários e das pensões dos aposentados durante 16 meses, o fim dos restaurantes populares e o reajuste da tarifa do bilhete único de 6,50 para 7,50 reais.
As propostas ainda precisam ser debatidas e aprovadas pelos deputados estaduais, na forma de 21 projetos de lei. A expectativa é que as discussões se estendam até 30 de novembro e que as votações sejam iniciadas na primeira semana de dezembro.
O anúncio do pacote no início de novembro deflagrou uma série de manifestações contrárias às resoluções, marcadas pela violência policial e aumentando a pressão política sobre o governo fluminense. Entre as categorias que estão mobilizadas contra as medidas estão os servidores nas áreas de educação, saúde e justiça, além de policiais, bombeiros, aposentados e pensionistas.
2) Por que o Rio de Janeiro passa por uma crise financeira tão grave? Trata-se de uma conjunção de fatores. Um dos principais pontos é a queda de arrecadação e no recebimento dos royalties pela exploração do petróleo. A concessão de incentivos fiscais é apontada por alguns como uma das causas da crise, mas não há unanimidade sobre o assunto. Os incentivos permitiram atrair empresas que geram arrecadação e empregos. De acordo com o Tribunal de Contas do Estado (TCE), o Rio concedeu 138 bilhões de reais em renúncia fiscal entre 2008 e 2013.
No caso do petróleo, houve nos últimos anos uma queda significativa nos preços. Em 2014, o barril do petróleo custava 110 dólares e chegou a valer 150 dólares. Em janeiro de 2016, o barril chegou a ser cotado a 30 dólares.
Com relação à arrecadação dos royalties, também houve queda. Segundo dados da plataforma Inforoyalties, alimentada com dados da Agência Nacional do Petróleo, em 2014 o estado do Rio de Janeiro recebeu 3,213 bilhões de reais. Em 2015, a quantia diminuiu para 2,308 bilhões e mingou ainda mais em 2016: 1,404 bilhão.
A crise econômica brasileira, que levou à queda na arrecadação do ICMS, e a do setor petroleiro, motivada pelos escândalos de corrupção na Petrobras investigados pela Operação Lava Jato, ajudam a complicar o quadro. No caso do ICMS, houve queda de 9,4% na arrecadação do tributo entre 2014 e 2015.
Medidas incluem o fim de programas sociais e a cobrança de 30% sobre os salários dos funcionários públicos
3) Além dos fatores mencionados anteriormente, há outras causas?
O economista Mauro Osorio, coordenador do Observatório de Estudos sobre o Estado do Rio de Janeiro da Faculdade de Direito da UFRJ, contesta que o problema da crise carioca esteja ligado estritamente ao excesso de gastos públicos.
Ele aponta que o estado deixou de realizar novos concursos por décadas e questiona a disparidade entre os salários dos servidores do Legislativo e do Judiciário, que, em comparação com estados como São Paulo e Minas Gerais, chega a ser 70% maior.
Nos cálculos do economista, feitos a partir de dos dados das secretarias estaduais da Fazenda em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, para custear o Legislativo e o Tribunal de Contas do Estado, o governo gastou, em 2015, 76,88 reais por habitante. No caso paulista, o poder público desembolsou 29,40. Já em Minas Gerais, gastou-se 55,64.
Com relação aos gastos com o TCE, o Rio de Janeiro também gasta mais: desembolsou 239,44 reais por morador. Em São Paulo e em Minas Gerais, os valores são 188,39 e 169,30, respectivamente. O peso do Legislativo e do Judiciário nas contas do Rio também cresceu nos últimos dois anos, aponta o economista.
Em 2014, a Alerj e o TCE foram responsáveis por consumir 1,61% do total gasto. No ano seguinte, gastou-se mais, 1,93%. Já o Tribunal de Justiça é responsável por consumir 4,61% das receitas em 2014. Em 2015, consumiu-se 6%. 4) Qual é o tamanho do rombo nas finanças estaduais? De acordo com dados da Secretaria Estadual da Fazenda do Rio de Janeiro, o déficit atual está no patamar de 19 bilhões de reais. Deste valor, 12 bilhões estão relacionados com a Rio Previdência (responsável pelo pagamento das aposentadorias e pensões do serviço público) e 7 bilhões dizem respeito à dívida pública do estado. Para 2016, o orçamento previsto para o Rio é de 78,8 bilhões. 5) Quais são as propostas do governo para tentar frear a crise?
Em 4 de novembro, o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB-RJ) apresentou um pacote de medidas para conter a crise econômica no estado. Apelidado pelos críticos de “pacote de maldades”, entre as determinações, há a redução em 30% das gratificações em cargos comissionados, o aumento da alíquota previdenciária dos servidores de 11% para 14%. Um dos pontos mais criticados é o desconto de 30% dos salários de funcionários e das pensões dos aposentados por 16 meses.
6) Que outras áreas serão afetadas, caso o pacote seja aprovado pela Alerj? Haverá a municipalização, isto é, o repasse da gestão, do estado para os municípios, das unidades do Restaurante Cidadão, que oferece refeições a preços populares. Também está na mira o fim do pagamento do aluguel social para 10 mil beneficiários – em geral, moradores de baixa renda que vivem em áreas de risco. Está previsto também reajuste de 15% na tarifa do Bilhete Único intermunicipal, que passará de 6,50 para 7,50 real.
A proposta do governo também prevê o aumento de impostos como o ICMS para setores como cerveja (de 17% para 19%), fumo (25% para 27%), energia residencial (25% para 29%), refrigerante (de 16% para 18%) e telecomunicações (26% para 30%). Outra mudança é a redução do número de secretarias estaduais de 20 para 12 pastas.
Fonte: Carta Capital
Desemprego e insegurança dominam papos nas redes e nos bares do Rio
Crise política e econômica se junta a fim de ano de pouca comemoração
Em Copacabana, comemoração na chegada de 2016, que termina malogrado: até Réveillon será com menos festa para o carioca, que busca esperança – Hermes de Paula/01-01-2016
A Lagoa Rodrigo de Freitas não se enfeitará com as luzes de Natal. Neste fim de ano, a cidade não terá a simbólica árvore, enquanto o Réveillon será, digamos, mais minimalista: Copacabana, que já teve três palcos de shows para a alegria da multidão, contará desta vez com apenas um. Uma atmosfera de desânimo paira sobre o Rio de Janeiro que, ironicamente, há quatro meses, vivia o embalo da Olimpíada. Partiram as delegações, e o astral dos cariocas entrou em queda junto com a economia do estado. Esse clima se reflete nas redes sociais, onde dinheiro curto, desemprego, descrença na política e aumento da insegurança dominam os debates, que não raro acabam até com amizades.
“Pensando bem, este ano de 2016 pode ter sido um capítulo de Black Mirror”, escreveu no Facebook outro dia Zeca Borges, criador do Disque Denúncia, serviço que vem sendo ameaçado pela crise. No post, ele brinca e faz metáfora com o sentimento de muitos, usando a perturbadora série britânica que trata da relação do homem com a tecnologia, às vezes, de forma sombria e assustadora.
— Não sabemos mais como acordaremos no dia seguinte, com que tipo de notícia vamos nos levantar da cama. A crise estava prevista, mas ninguém sabia que seria essa desesperança. E você ainda vê nas redes e nas ruas do Rio uma intolerância marcante, uma falta de paciência, de empatia com os outros — diz Zeca, que tem escutado gente falando que quer ir embora não só do Rio, como do Brasil. — As coisas que os cariocas gostam parecem ter ficado sem graça. O Arpoador ficou sem graça… Temos que voltar a gostar de passear em Copacabana, andar no calçadão… E, se o humor acaba, a coisa fica muito grave.
O cantor e compositor Martinho da Vila diz que a euforia da Olimpíada passou, e o carioca baixou a bola. Até o espírito natalino sofre o baque.
— Se fala o tempo inteiro da crise financeira, de Brasília. E é aqui no Rio que as coisas ecoam. O clima está estranho. Aqui na Barra (onde mora) tem poucos condomínios e casas com luzes de Papai Noel. E a árvore da Lagoa, bem simbólica, não vai ter. Isso tudo ajuda a jogar para baixo, e a energia negativa vai ganhando… Já fiz a minha árvore, com luz e tudo. Precisamos rir de nós mesmos — aconselha, soltando a sua contagiante gargalhada.
À ESPERA DE PATROCINADOR
Este ano, ele remou contra essa maré lançando o disco “De bem com a vida”. No samba que dá nome ao CD, Martinho canta: “Se um sonho dançou/Sabe o que faço?/Boto fone nos ouvidos/E curto um som/Certamente outras vitórias virão/Agora, o importante é torcer/E manter viva a esperança”.
— Não fico para baixo nunca — garante ele, gargalhando de novo. — Quem está de mal com a vida não faz nada, não colabora e vai ficando cada vez mais fiu-fiu-fiu… Nos períodos mais difíceis é que temos que ser mais positivos. Quem mudou a história do mundo foram os otimistas, que acreditam.
Até para fazer uma festa bonita da virada estão sendo necessárias boas doses de esperança. Quem diz é o secretário municipal de Turismo, Antonio Pedro Figueira de Mello: ele espera que até a próxima quinta-feira patrocinadores interessados no evento se manifestem. Caso contrário, caberá à prefeitura bancar todos os custos. Ele afirma que os fogos em Copacabana terão a mesma grandeza e que outros pontos da cidade, como o Flamengo, não ficarão sem brilho no céu. Mas é fato que a farra não será a mesma só com um palco. E a Zona Portuária, cotada para entrar no circuito, ficou mesmo de fora.
O bossa-novista Carlos Lyra espelha o abatimento dos dias de hoje. Para o cantor e compositor, o Rio vive uma grande ressaca: financeira, puxada pelo caos nos cofres do estado e os gastos com os Jogos; política, representada por uma eleição a prefeito com alto índice de abstenção; e social, num ciclo que une desemprego, desespero e violência.
— Nossa linda cidade, que tanto amo, tem praias sujas, águas impróprias para banho, ruas mal asfaltadas, bueiros entupidos, esgotos ligados a tubulações de água pluvial e lançado in natura no mar e nas lagoas, lixo jogado no chão, motoristas mal educados… — vai listando o músico, que já se declarou ao Rio na canção “Em tempo, eu te amo” (“Eu vim pra te dizer/Que eu te amo por inteiro/E mais a cada dia/Eu te amo sim/Meu Rio de Janeiro!”). — Superar esse momento depende de muitas mudanças e não simplesmente do cidadão carioca, que é admirado em todo o mundo por sua alegria e receptividade. Dependemos basicamente de mudanças de base. Educação e cidadania! Tolerância zero à qualquer nível de corrupção.
A filósofa Viviane Mosé também associa a fase de descrença ao aumento da criminalidade, à baixa participação dos eleitores e à crise do estado. Nesse caldeirão ela inclui até o cenário internacional, com a eleição de Donald Trump nos EUA. Tudo isso estaria mexendo com os nervos por aqui:
— A cidade passou por uma grande euforia alguns anos atrás, quando ganhamos a possibilidade de fazer a Olimpíada e, antes, a Copa. O carioca não era o centro do Brasil, mas do mundo. As Havaianas eram moda no mundo, o Rio era moda no mundo. E, nos últimos seis anos, isso foi mudando radicalmente até chegar à situação atual, de desânimo. A situação do estado é muito grave, e isso implica na questão da insegurança. É extremamente angustiante — afirma a filósofa, dizendo que é difícil não desejar que 2016 acabe logo.
INQUIETUDE DO CARIOCA
Ela, no entanto, destaca que os moradores vão “virar o jogo”, até porque essa não é a primeira vez que a cidade passa por acontecimentos “extremamente difíceis”. Sentindo as nuvens carregadas sobre o Rio no próprio consultório, a psicóloga Regina Pontes, professora da PUC, diagnostica como falta de perspectiva uma das angústias mais relatadas.
— As pessoas estão mais abatidas que em outros momentos. Mas ainda vejo um brilho nos cariocas. Chegam algumas pessoas deprimidas, mas buscando saída. Não vejo as pessoas paralisadas. Temos que aproveitar esse movimento que o carioca tem, essa inquietude, e ir adiante.
Nas mesas do bar Lagoa e da Fiorentina, bons termômetros de estresse e euforia, não se fala em outra coisa a não ser nas agruras da política e da economia. Dono das duas casas, o empresário Omar Peres, o Catito, conta que impera uma certa tristeza. Mesmo assim, o carioca não deixa a peteca cair:
— O momento é de perplexidade. Mas o carioca não deixa de ser carioca. Não deixa de sair, de encontrar amigos e falar mal do governo na mesa de bar.
Fonte: O Globo
Diante dos pedidos de ajuda feitos pelo governador Luiz Fernando Pezão para tirar o Rio da crise, o EXTRA reuniu dez sugestões de órgãos, deputados e especialistas em administração pública, diferentes das medidas contidas no pacote de ajuste fiscal levado pelo governo à Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). As propostas, se trabalhadas corretamente, poderiam resultar em aumento de receitas ou diminuição de despesas (confira abaixo), segundo seus autores.
— Os assuntos que apresentam alternativas ao Rio precisam ser prioridade número um para o governo. Essas alternativas aliadas podem ajudar na recuperação econômica — disse Istvan Kasznar, economista e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV).
Os pedidos de Pezão foram feitos após ele mesmo anunciar o pacote de medidas composto inicialmente por 22 projetos de lei e seis decretos. O governador tem dito que, diante da grave crise, fez as propostas que entende como necessárias para a solução do caos financeiro. O problema é que, hoje, o governo não tem um plano B, caso as ideias não sejam aprovadas pela Alerj. Pezão alertou para a falta de opções após os deputados estaduais vetarem a discussão de uma cota extra de contribuição à Previdência para os servidores.
— Não temos plano B. As pessoas têm que contribuir para ter esse direito adquirido (à aposentadoria). O Tesouro Estadual não tem recursos para bancar isso — disse.
Pezão deverá receber mais sugestões a partir desta semana. No dia 16, começarão as discussões dos 21 projetos restantes pela Alerj. Mas as medidas, porém, são criticadas.
— A extinção de fundações e o corte de secretarias parecem corte de vento, pois não se falou em redução do número de servidores, que serão remanejados para outros órgãos — alertou a especialista em administração pública Selene Nunes.
Fonte: Jornal Extra
Enquanto o estado tenta aprovar, em meio à calamidade financeira, um pacote de austeridade que extingue programas sociais e atinge salários, Judiciário, Ministério Público, Legislativo, Tribunal de Contas — e o próprio Executivo — mantêm intocados benefícios que, na proposta orçamentária para 2017, deverão ultrapassar R$ 2,1 bilhões. O dinheiro será gasto com auxílios para moradia, combustível, educação e transporte, entre outros, que estão respaldados por lei e que favorecem da base dos servidores aos deputados, passando por procuradores e desembargadores. O valor equivale a 35% dos R$ 5,9 bilhões que o governo quer arrecadar com o aumento da alíquota e a criação de uma contribuição previdenciária suplementar para o funcionalismo. É ainda 28 vezes maior do que os R$ 74,1 milhões que o estado espera economizar com a extinção do aluguel social. A conta é grande e, ao mesmo tempo, discreta: prova disso é que a Assembleia Legislativa (Alerj) não informa o total de sua despesa com esses benefícios.
É certo que a ajuda não chega a ser pomposa para todos. Assim como as remunerações variam de acordo com os cargos, os benefícios se diversificam conforme o nível de poder. Nessa matemática seletiva, um professor da rede estadual tem R$ 158 mensais de auxílio-alimentação (R$ 7,18 por dia útil). Um funcionário do Tribunal de Justiça recebe bem mais: R$ 1.050 por mês (R$ 47,72 diários). E, se for um magistrado, o benefício chega a R$ 1.825 (R$ 82,95 por dia).
Uma única juíza da Região dos Lagos recebeu, em agosto, benefícios que resultaram num acréscimo de R$ 11,6 mil em seu salário bruto, de aproximadamente R$ 28 mil. Ao todo, 854 magistrados e 900 funcionários do Ministério Público têm direito a R$ 4.377,73 mensais de auxílio-moradia. O benefício também é concedido — em valor menor, R$ 3.189,85 — a 11 deputados que moram a mais de 150 quilômetros da capital do estado. E todos os 70 parlamentares fluminenses contam com um cartão para gastar R$ 2.970 em combustível por mês. Eles ainda têm, em tempos de e-mail, uma cota mensal de mil selos para envio de correspondências.
— Isso é incoerente. O estado tenta fazer ajustes e não mexe nos auxílios? Se precisamos sacrificar, vamos sacrificar todo mundo, não só aqueles que eventualmente têm um rendimento menor. Alguns desses auxílios são, na prática, complementos salariais, como o caso do auxílio-moradia — diz o especialista em direito previdenciário Theodoro Agostinho.
O advogado Carlos Jund, da Federação das Associações e dos Sindicatos dos Servidores Públicos (Fasp), também vê no pagamento de benefícios uma forma de salário indireto:
— Os benefícios variam de categoria para categoria. São auxílios de natureza indenizatória que não entram no cálculo do teto salarial. Há categorias que precisam recebê-los, o objetivo é evitar que o setor público perca profissionais para o setor privado. O que contesto é a camuflagem do sistema de pagamentos.
MP e TJ: ajuda de R$ 1,1 bilhão
A previsão de gastos com benefícios para 2017 está embutida na proposta orçamentária do estado, que ainda não foi aprovada e que deverá ser revista após a votação do pacote de austeridade do governo. Mas há poucos detalhes sobre auxílios no projeto de lei enviado à Alerj. Para levantá-los, repórteres do GLOBO precisaram vasculhar os sites das instituições que os concedem e buscar dados junto aos poderes.
As informações disponíveis revelam que o Ministério Público e o Tribunal de Justiça são generosos: no ano que vem, planejam destinar ao pagamento de auxílios 28,7% e 26,7%, respectivamente, de suas despesas com pessoal e encargos sociais. O MP estima gastar R$ 293 milhões em benefícios, ou 18,76% de seu orçamento de R$ 1,561 bilhão.
Pela proposta do TJ, dos R$ 4,66 bilhões de despesas previstas para o próximo ano, R$ 808,65 milhões (17,3% do total) são para assegurar benefícios. Desse valor, R$ 153 milhões têm como fonte o tesouro estadual. Outros R$ 655,65 milhões sairiam da receita própria — remuneração paga pelo Banco do Brasil para ter exclusividade na administração dos depósitos judiciais (0,27% do saldo médio mensal).
Só em auxílios para magistrados, a despesa prevista é de R$ 137,3 milhões. Juízes e desembargadores, que não ganham menos de R$ 27 mil brutos, recebem, em geral, mais benefícios que os servidores lotados no TJ. Em média, cada um ganhou, na folha de agosto, cerca de R$ 7,8 mil brutos em ajuda de custo para transporte e mudança, auxílio-alimentação, moradia e educação, além de indenizações de transporte e por dias de compensação de plantão não usufruídos (repouso remunerado).
No Executivo, benefícios minguados
Os servidores do TJ têm situação mais confortável que a de outros funcionários do estado. Mesmo assim, reina o descontentamento. Há dez anos como técnica judiciária, Marluce do Nascimento diz que, apesar dos auxílios, é difícil sobreviver com o que ganha.
— Recebemos outubro em três parcelas, por conta dos arrestos nos cofres do estado. Estamos sem reajuste há dois anos. Querem congelar nossos salários por mais dois. Também acumulamos perdas com a inflação — reclama Marluce, que compara seus benefícios aos dos magistrados: — Tudo bem que tenham salários superiores ao nosso, mas eles ganham mais auxílios.
Em valores absolutos, é o Executivo que paga mais benefícios: estão previstos R$ 961 milhões em auxílios para 2017. Mas trata-se também do poder com maior número de servidores: 467.516, somando ativos, inativos e pensionistas. Em geral, eles recebem valores bem mais baixos que os do TJ. Dos órgãos da administração direta do governo, o que oferece o maior auxílio-alimentação é a Polícia Civil, que repassa R$ 263,89 (R$ 12 por dia útil) a cada funcionário.
Agente do Departamento Geral de Ações Sócio-Educativas (Degase), Eduardo Pereira Neto conta que os auxílios que recebe são tão pequenos que passam até despercebidos no contracheque.
— Trabalhamos sob constante risco e não temos sequer adicional de insalubridade. Lidamos com jovens que estupram e matam — reclama Eduardo, que mora com a mulher e dois enteados em São Gonçalo e que, há dois anos no Degase, recebe R$ 2.500 líquidos. — Para nossa salvação, minha esposa trabalha como gerente num posto de gasolina.
Há discrepâncias dentro do Executivo. Dos 33 órgãos da administração direta, apenas as secretarias de Segurança, Saúde, Educação e Administração Penitenciária, além de Degase, polícias Civil e Militar e Corpo de Bombeiros têm direito ao auxílio-alimentação. O benefício é concedido a quase todas as autarquias, fundações e empresas do estado.
Na Alerj, a ajuda para a alimentação é de R$ 40 por dia útil. Funcionários com filho de até 24 anos matriculado numa escola ou faculdade, pública ou privada, têm direito a uma bolsa de reforço escolar de, no mínimo, R$ 1.052,00 (valor bruto). De janeiro a agosto, só esse benefício custou R$ 34,7 milhões à Casa.
Assim como a Alerj, a Defensoria Pública não informou os gastos previstos com auxílios em 2017. Já o TCE estipula uma despesa de R$ 62,7 milhões com benefícios no próximo ano.
TJ diz que benefícios estão previstos em lei
Apesar da conta bilionária referente ao pagamento de auxílios, os órgãos do estado se defendem. Dizem que seguem as leis e que até estão reduzindo os gastos com esses benefícios. O Tribunal de Justiça, que abriu seus números em detalhes, alega que os diferentes tipos de ajuda recebida por seus magistrados e servidores decorrem de legislações específicas. Por meio de uma nota, afirma que “o Judiciário sempre irá observar suas dotações orçamentárias e os rígidos limites imputados na Lei de Responsabilidade Fiscal”. Além disso, lembra que auxílios para moradia e alimentação não são exclusivos de magistrados — também os recebem funcionários do Ministério Público, do Tribunal de Contas e da Assembleia Legislativa.
Com auxílio-moradia para seus juízes e desembargadores, o Tribunal de Justiça gastou de janeiro a outubro deste ano R$ 37 milhões. No total, nos dez primeiros meses de 2016, os magistrados receberam ainda R$ 15,5 milhões para alimentação; R$ 2,5 milhões de auxílio pré-escolar (para aqueles que têm dependentes até 7 anos), R$ 4,49 milhões de auxílio-educação e R$ 7,47 milhões de indenização com transporte (magistrados de primeiro grau).
Para o ano que vem, o tribunal prevê um gasto total de R$ 50 milhões com moradia para os magistrados. Para todos os funcionários, o TJ ainda destinará R$ 22 milhões à alimentação, R$ 3,5 milhões ao auxílio pré-escolar, R$ 10,5 milhões ao transporte e R$ 7,3 milhões à educação.
Os valores provocam críticas entre servidores do Executivo.
— Que o Judiciário continue a receber auxílios, mas que nos paguem os mesmos benefícios — diz Marta Moraes, coordenadora do Sindicato estadual dos Profissionais do Ensino (Sepe).
Diretor do Sindicato dos Médicos, José Antônio Romano reclama que profissionais de saúde estão há 18 anos sem aumento real de salário:
— Há marajás nos outros poderes. Sobram auxílios para creche, transporte, alimentação… Nenhum médico do estado tem tantos direitos.
Alerj e MP tentam reduzir despesas
Na defesa de seus gastos, o Ministério Público e a Assembleia Legislativa afirmaram que têm tomado medidas para reduzir todas as suas despesas, inclusive com benefícios. Ao não informar o total que planeja pagar em 2017 com auxílios a servidores e deputados, a Alerj argumentou, por e-mail, que em seu orçamento não consta a rubrica “despesas com benefícios”. Porém frisou que tem feito revisões nas ajudas concedidas.
A Casa informou, por exemplo, que a cota de selos à qual cada deputado tem direito caiu de três mil para mil. Alegou também que o cartão- combustível dos parlamentares está congelado em R$ 2.970 desde a legislatura anterior. Foi estabelecido ainda um limite de duas bolsas de reforço escolar, no valor de R$ 1.052 cada, a funcionários com filho de até 24 anos de idade matriculado em creche, escola ou faculdade. No entanto, observando a folha de pagamento de agosto do Legislativo, há assessores parlamentares e assistentes que recebem R$ 6.314,04 por meio desse auxílio, o equivalente a seis bolsas.
“Ressalte-se que os salários dos funcionários da Alerj não têm reajuste desde 2014. As medidas de contenção de gastos geraram economia de R$ 169 milhões em 2015. Ressalte-se, também, que, entre 2014 e setembro de 2016, houve redução de 16% no custeio. Isso permitiu à Alerj fazer uma série de doações ao estado”, destacou a Casa em uma nota.
No total de gastos com pessoal, a Alerj também garante que economizou: de um orçamento de R$ 862 milhões, gastou R$ 539 milhões até outubro deste ano. “Em outras palavras, não significa que toda a despesa prevista para o ano que vem será executada. Ademais, como o orçamento ainda será votado e aprovado, esses valores (de 2017) devem mudar”, observou a Alerj.
Já o Ministério Público se limitou a dizer que o Órgão Especial do Colégio de Procuradores de Justiça aprovou, por unanimidade, a sua proposta orçamentária para o exercício de 2017, no montante de R$ 1,59 bilhão. A elaboração foi conduzida, segundo um comunicado, “com extrema atenção ao princípio da eficiência do gasto público” e levando em conta a crise pela qual passa o estado.
Este ano, o MP assegura que economizará cerca de R$ 220 milhões, pois executará 88% do orçamento de 2016, previsto em R$ 1,53 bilhão.
Procurados, o TCE e a Defensoria Pública não apresentaram seus argumentos.
O desembargador Custódio de Barros Tostes, do Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio, concedeu na tarde desta terça-feira uma liminar que suspende a tramitação na Assembleia Legislativa do projeto de lei 2.241/2016, relativo à cobrança de alíquota extra de contribuição previdenciária para o funcionalismo do estado. Nessa proposta, o Palácio Guanabara pediu a deputados a aprovação de um desconto extraordinário de 16% dos salários de todos os servidores da ativa e dos inativos que recebem mais de R$ 5.189 mensais. Já os aposentados e pensionistas que ganham abaixo desse teto teriam que pagar uma alíquota de 30%. A cobrança seria feita por 16 meses e também atingiria funcionários do TJ.
A decisão atendeu a um mandado de segurança impetrado pelo deputado Luiz Paulo Corrêa da Rocha (PSDB). Ele argumentou que a proposta do governo é inconstitucional. Para Leonardo Vizeu, presidente da Comissão de Direito Econômico da OAB/RJ, é possível que a decisão da Justiça do Rio represente um conflito de interesse, já que os serventuários seriam afetados pela medida do governo.
— Em princípio, sim, mas precisaríamos avaliar mais cuidadosamente a questão. De qualquer forma, o assunto é de competência da Justiça estadual porque a Constituição diz que os entes federativos podem legislar concorrentemente sobre a previdência social — afirmou Vizeu.
ESTADO VAI RECORRER
O aumento de contribuições previdenciárias faz parte do pacote de medidas anticrise enviado pelo governo à Alerj, para tentar reduzir o déficit nas contas do estado.
— Na ação, argumento que descontos que podem chegar a 30% do salário têm caráter de um verdadeiro confisco. O estado tem que buscar outras maneiras de reduzir despesas. Prejudicar os servidores não é a solução — disse Luiz Paulo.
No entendimento do desembargador Custódio de Barros Tostes, os descontos, em alguns casos, poderiam comprometer mais da metade dos vencimentos dos servidores. Ele observou que a Constituição estabelece um teto de 11% como alíquota máxima para contribuições previdenciárias.
O governo informou, por meio de uma nota assinada pelo secretário da Casa Civil, Leonardo Espíndola, que vai recorrer da decisão.
Manifestantes deixam a Alerj após três horas de discurso no plenário
Milhares de servidores fizeram protesto em frente ao Palácio Tiradentes
Servidores do Estado invadiram o plenário da Alerj Foto Pablo Jacob / Agencia O Globo – Agência O Globo
Após três horas de discurso na mesa da presidência do plenário, os manifestantes deixaram a Alerj, às 17h, pela porta da frente, cantando o Hino Nacional. Durante o ato dentro da Casa, o grupo depredou a sala da vice-presidência, rasgou documentos e quebrou portas. Eles entregaram uma carta endereçada ao presidente da Alerj, deputado Jorge Picciani (PMDB), em que reivindicam, principalmente, o arquivamento do pacote e a saída do governador do Rio, Luiz Fernando Pezão. O protesto, que começou de manhã, acabou por volta das 17h30m.
No meio da tarde, um grupo arrancou tapumes de uma obra na Assembleia Legislativa e invadiu o Palácio Tiradentes. Mais cedo, eles bateram nesses tapumes e gritaram palavras de ordem pedindo a saída do governador e do presidente da Alerj.
Desde a manhã, milhares de servidores e aposentados — a maior parte da área de segurança — protestaram em frente à Casa contra o pacote de medidas enviado pelo governo do estado. Com buzinas e apitos, os manifestantes fazem bastante barulho na porta da Casa. Nas mãos, cartazes contra as medidas do governo. “Não ao pacote das maldades” e “Não à covardia contra os servidores públicos ativos, a aposentados e pensionistas” são alguns deles. A Polícia Militar informou que não vai estimar o número de manifestantes. Os organizadores do protesto estimaram em 20 mil.
A pista lateral da Avenida Presidente Antônio Carlos, na altura da Avenida Franklin Roosevelt, e a Rua Primeiro de Março ficaram interditadas durante a tarde. As duas vias foram liberadas pouco antes das 18h.
O plenário foi ocupado por volta das 14h, onde representantes de cada categoria realizam um discurso de rejeição ao pacote. O objetivo dos funcionários era conversar com o presidente da casa. Dezenas de PMs em serviço acompanharam.
— O pacote de maldades ia entrar em votação hoje. Como vão tirar um direito que é nosso? Aqui tem muito cargo comissionado que ganha mais do que a gente. Já era para termos recebido, e não recebemos. Existe dinheiro na Casa. Precisamos fazer algo para chamar a atenção — disse um subtenente dos bombeiros, que participa do protesto dentro do plenário.
Servidora discursa para os colegas na Alerj – Dayana Resende
Ao ser surpreendido pela entrada dos manifestantes no plenário, o deputado Wagner Montes, que estava no local, explicou ao grupo, sob vaias, que o projeto não seria votado nesta terça-feira. Ele informou que o pacote está na pauta para ser votado em dezembro e acrescentou que o texto ainda receberá emendas. Após o discurso do deputado, muitos servidores deixaram o plenário e voltaram para a porta da Alerj.
Em nota, Jorge Picciani declarou que “a invasão do plenário da Alerj é um crime e uma afronta ao estado democrático de direito sem precedentes na história política brasileira e deve ser repudiado. Esse é um caso de polícia e de justiça e não vai impedir o funcionamento do Parlamento (…) Os prejuízos causados ao patrimônio público serão registrados e encaminhados à polícia para a responsabilização dos culpados”.
Segundo o comunicado, as discussões das mensagens enviadas à Assembleia pelo Poder Executivo começam no dia 16.
ESPERANÇA NOS DEPUTADOS
O presidente da Coligação de Policiais Civis (Colpol), o comissário Fábio Neira, disse que o objetivo é sensibilizar os deputados para que eles barrem as medidas austeras propostas pelo governo.
– Espero que essa Casa barre aqui esse ‘pacote das maldades’. As lideranças da Polícia Civil enviaram um carta de repúdio aos deputados – disse Neira.
Por volta de 12h, numa reunião entre representantes dos policiais e bombeiros e da Secretaria de Administração Penitenciária com deputados da Comissão de Segurança da ALERJ, o presidente do Sindicato dos Policiais Civis (Sindpol), Francisco Chao, havia garantido que a categoria não seria agressiva.
Servidores públicos do Rio de Janeiro invadem a Alerj durante protesto contra pacote de medidas do governo estadualFoto: Pablo Jacob / Agência O Globo
Manifestantes ocuparam o plenário durante atoFoto: Pablo Jacob / Agência O Globo
Servidores entraram no plenário pela porta principalFoto: Agência O Globo
Manifestantes forçam a entrada no prédio da AlerjFoto: Pablo Jacob / Agência O Globo
Manifestantes invadiram a sala do Deputado Wagner Montes Foto Pablo Jacob / Agencia O GloboFoto: Agência O Globo
No fim da tarde, servidores desocuparam a Casa Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo
Protesto em frente à Alerj tem fumaça azul e cartaz pedindo dignidadeFoto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo
Manifestantes lotam a Rua Primeiro de Março, no Centro do RioFoto: Pablo Jacob / Agência O Globo
Aposentados, servidores e pensionistas protestam contra pacote proposto pelo governador PezãoFoto: Pablo Jacob / Agência O Globo
Manifestantes exibem cartazes com frases contrárias ao pacote de cortesFoto: Pablo Jacob / Agência O Globo
Cartazes criticam desvalorização dos servidores públicos e policiaisFoto: Pablo Jacob / Agência O Globo
Deputados recebem carta de protesto do Sindicato dos Policiais Civis do Rio de Janeiro (Sindpol), entre eles Martha Rocha (PDT), Zaqueu Teixeira (PDT) e Flavio Bolsonaro (PSC). – Gustavo Goulart
– Entendemos que essa casa é de diálogo. Gritaria é no botequim. Nós não vimos aqui para gritar. Fomos procurados, inclusive, por outras categorias do serviço público. Temos muita simpatia, estamos irmanados na dor. Mas, eu fico muito tranquilo em dizer isso, não contem conosco para aumentarmos o problema. Nós, policiais, quando viemos aqui para essa casa, viemos para dialogar, e não para entrar em atrito com o corpo de segurança da Alerj – garantiu Chao.
Logo depois, a presidente da Comissão de Segurança, deputada Martha Rocha (PDT), pediu aos representantes que fossem para fora da Alerj pedir calma a manifestantes que estavam querendo entrar na assembleia.
– Peço aos senhores representantes para irem até lá. Como combinamos, não cabe mais ninguém aqui dentro – solicitou Martha Rocha.
Em nota, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/RJ) cobrou diálogo entre servidores e os poderes executivo e legislativo e afirmou que os 30% de contribuiçao de ativos, inativos e pensionistas é inconstitucional.
“O efeito da perda de 1/3 do salário causará dramáticos prejuízos à administração familiar dos servidores. Somada à obrigação do imposto de renda, o desconto poderá consumir até 50% de seus vencimentos. (…) Dentro de seu papel institucional, a OAB/RJ defende uma política de austeridade que corrija os excessos, diminua os cargos comissionados, reduzindo e racionalizando os custos, a fim de trazer a bem-vinda e desejada recuperação econômica do Rio de Janeiro.”, diz o comunicado, assinado pelo presidente da Seçao do Rio de Janeiro, Felipe Santa Cruz.
FUMAÇA AZUL
No início do protesto, policiais militares, que caminharam da Central à Alerj, junto com bombeiros e agentes do Desipe, soltaram uma fumaça azul para representar a participação dos agentes da corporação no protesto.
A região foi cercada por policiais do Batalhão de Choque, que atuaram na segurança durante o protesto.
PICCIANI PREVÊ APROVAÇÃO
Servidores protestam contra pacote proposto pelo governador Pezão – Pablo Jacob / Agência O Globo
Mesmo com toda a repercussão negativa que o pacote de ajuste fiscal do governo suscitou entre deputados — inclusive os da base aliada —, Picciani calcula que os projetos de lei enviados pelo governador Luiz Fernando Pezão serão aprovados com 40 a 50 votos. Com 36 votos, caso os 70 deputados apareçam em plenário, o governo garantiria a aprovação das medidas dos 18 projetos de lei ordinária e dos três projetos de Lei Complementar (que demandam maioria absoluta).
Ao GLOBO, Picciani, que é o principal articulador do pacote na Alerj, afirma que a estratégia de negociação é convencer os parlamentares contrários ao projeto que não há outro caminho para equilibrar as contas do estado. Ele garantiu ainda que o PMDB, com 15 deputados, vai apoiar ao pacote.
— Vai demandar um grande debate, mas vai se avançar muito. O Estado não pode ficar nessa situação. Evidente que são medidas duras, mas necessárias. Acho que nós vamos construir uma maioria para aprovar. Acredito que (teremos) na faixa entre 40 e 50 votos, que será suficiente para aprovar a maioria — disse.
O Rio vai encarar, a partir do próximo ano, o pacote de austeridade mais duro da crise financeira que está enfrentando. Entre decretos que serão publicados no primeiro dia de 2017 e projetos de lei que chegarão hoje à Assembleia Legislativa, o Palácio Guanabara pretende adotar medidas como aumentar a contribuição previdenciária, inclusive com a criação de uma alíquota extraordinária, acabar com programas sociais, suspender reajustes salariais, cortar cargos comissionados, elevar impostos e recorrer aos fundos de outros poderes para pagar servidores. O resultado seria um ganho de arrecadação de R$ 13,4 bilhões em 2017 e de R$ 14,76 bilhões no ano seguinte. O governo do estado alega que, se nada for feito, o rombo ao fim de 2018 vai chegar a R$ 52 bilhões.
— O estado está quebrado. É preciso fazer alguma coisa — defendeu uma fonte do Palácio.
Se o governo tiver o apoio da Alerj e a apreciação do pacote for ágil, parte das medidas que precisa do aval do Legislativo entrará em vigor em abril do ano que vem. A proposta de aumento das alíquotas previdenciárias, que pode gerar mais resistência, depende da habilidade política do presidente da Casa, Jorge Picciani, para fechar um acordo com os deputados. Os servidores ativos, que já contribuem com 11% dos vencimentos, vão passar a pagar 14%, além de uma alíquota extraordinária de 16% concebida para reduzir o déficit previdenciário. Inativos e pensionistas que ganham mais de R$ 5.189 também pagarão os mesmos percentuais.
A mudança mais extrema será sentida na faixa de aposentados e pensionistas que ganham abaixo de R$ 5.189. Isentos até hoje, eles passarão a contribuir, caso o projeto de lei seja aprovado, com 30% de seus vencimentos. Com a medida, todos os funcionários, inclusive aposentados, terão, ao final, o mesmo desconto nos salários.
A duração dessa alíquota extra, prevista em lei, é de quatro quadrimestres, ou dezesseis meses. O governo sabe que poderá haver reação, mas aposta numa estratégia de convencimento alegando que, se não houver um freio no desequilíbrio das contas públicas, demissões se tornarão inevitáveis, o que seria mais traumático.
— Se não passar, será demissão em massa ou colapso — observou um técnico estadual.
Entre os programas sociais, serão extintos por decreto o Aluguel Social, voltado para desabrigados, e o Renda Melhor, destinado aos que vivem em extrema pobreza. Os restaurantes populares também vão acabar, a menos que sejam absorvidos pelos municípios. Os gastos do Bilhete Único por pessoa ficarão limitados a R$ 150 por mês.
Para crescer a receita, haverá aumento de ICMS de energia, telecomunicações, gasolina, cerveja, refrigerante e cigarro. O aparato administrativo não escapou à tesourada. O número de secretarias passará de 20 para 12, com a fusão de várias pastas, e oito autarquias e fundações estaduais serão extintas.
Previdência
Governo também quer cobrar uma alíquota extraordinária de 16% de todos os servidores ativos e inativos – Ricardo Costa / Ricardo Costa
Um projeto de lei vai propor o aumento do desconto previdenciário de 11% para 14%. A medida afeta todos os servidores da ativa e os inativos que ganham acima de R$ 5.189,82. Será proposto ainda que a Assembleia Legislativa, o Tribunal de Justiça, o Tribunal de Contas, a Defensoria Pública e o Ministério Público paguem a contribuição de seus servidores a partir de 2018. A economia será de R$ R$ 1,2 bilhão ao ano.
Em caráter temporário (quatro quadrimestres), o governo também quer cobrar uma alíquota extraordinária de 16% de todos os servidores ativos e inativos que ganham mais de R$ 5.189,82. Aposentados e pensionistas que ganham abaixo desse teto previdenciário e hoje são isentos passariam a sofrer um desconto de 30% em seus vencimentos. A medida depende de aprovação de projeto de lei. A medida deve gerar uma economia de R$ 6,8 bilhões ao ano.
Bilhete Único
Valor pago pelo usuário da tarifa será reajustado de R$ 6,50 para R$ 7,50 – Fernando Lemos / Agência O Globo
O valor pago pelo usuário da tarifa (subsidiada pelo estado) será reajustado de R$ 6,50 para R$ 7,50 a partir de 1º de janeiro de 2017. Outra medida será limitar o benefício concedido ao usuário a R$ 150 por mês. Se o passageiro gastar acima desse valor, ele ou o seu empregador terá de arcar com a diferença. A mudança pode ser feita por decreto, mas a Alerj precisa autorizar o governo a editá-lo. A economia de será de R$ 256 milhões ao ano.
Tamanho do Estado
Secretaria de Fazenda vai incorporar a de Planejamento – Agência O Globo
Será feita uma reestruturação administrativa, com extinção de secretarias e fusão de outras. Com a reforma, estima-se que haverá redução de 30% dos cargos comissionados e 50% do valor das gratificações. A Secretaria de Planejamento, por exemplo, será incorporada pela Fazenda. Entre as pastas que serão preservadas está a de Segurança. A medida depende de decreto. A economia será de R$ 100 milhões por ano.
Programas sociais
Fim ou municipalização do restaurante popular
O tema será abordado em um decreto. O estado quer que as prefeituras assumam os restaurantes, que hoje servem diariamente 34.777 refeições e 21.877 cafés da manhã a preços populares. Isso já aconteceu em Campos e no Rio. Se os municípios não aceitarem, a opção será encerrar de vez o programa, que hoje acumula uma dívida de R$ 22,3 milhões.
Aluguel social deixará de ser pago
O programa, que já vem sofrendo com atrasos, vai acabar, a partir de junho de 2017. Os beneficiários do Aluguel Social são desabrigados, muitos em consequência de chuvas fortes, que recebem entre R$ 400 e R$ 500 por mês. Hoje, 9.640 famílias se beneficiam dos repasses em 15 municípios. O estado ainda deve entregar novas moradias definitivas até o fim do ano. A medida vai gerar uma economia de R$ R$ 74,1 milhões ao ano.
Programa renda melhor também vai acabar
Criado em 2011, o programa é parte integrante do Plano de Erradicação da Pobreza Extrema no Rio de Janeiro e assiste com benefício financeiro as famílias de baixa renda já atendidas pelo Bolsa Família. Como o Aluguel Social, já vem sendo pago com atraso para as 154 mil famílias que hoje recebem o auxílio.
ICMS
Em residências com consumo de energia superior a 300 kilowatts, o percentual sairá de 25% para 27% – Pedro Teixeira / Agência O Globo
Projeto de lei prevê elevar a alíquota de ICMS para alguns setores. Em residências com consumo de energia superior a 300 kilowatts, o percentual sairá de 25% para 27%. Moradias com dois aparelhos de ar-condicionado, geladeira, micro-ondas e máquina de lavar se enquadram nesse perfil. Cerveja terá 18% de ICMS e fumo, 27%. Medida afetará ainda gasolina, refrigerante e telefone. A medida vai aumentar a receita em R$ 1,4 bilhão ao ano.
Pagamento de pessoal e controle de repasses
O prédio do Tribunal de Justiça do Rio – Márcio Alves / Agência O Globo
O projeto de lei do Estado quer autorizar que 50% da receita de alguns fundos, incluindo os da Defensoria Pública, da Alerj, do Tribunal de Contas, da Justiça, do Ministério Público, sejam usados para cobrir pagamento de pessoal dos próprios órgãos que os controlam. A medida seria autorizada por quatro quadrimestres, ou 16 meses. A economia será economia R$ 500 milhões ao ano.
O governo quer mudar, com projeto de lei, a forma de repasse de duodécimos (previstos na Constituição) para Alerj, TJ, TCE, MP e Defensoria. A partir de 2018, valores repassados mensalmente pelo Estado a essas instituições passariam a ser calculados pela Receita Corrente Líquida. Hoje, o cálculo é feito pelo orçamento previsto, sem levar em conta possível queda de receita. A economia será de R$ 400 milhões.
Reajustes salariais
Bombeiros terão salarios reajustados somente em 2020 – Márcio Alves / Agência O GloboReajustes concedidos em 2014 a servidores da área de segurança pública, bombeiros militares e auditores fiscais serão adiados para 2020. Esses aumentos entrariam em vigor em 2016 e 2017. Com a medida, o estado fará uma economia no primeiro ano de R$ 822,2 milhões, subindo para R$ 1,6 bilhão no ano seguinte. A mudança deverá ser feita por decreto. No 3º ano, a economia será de R$ 2,4 bilhões.
Por decreto, o governo pretende acabar com o adicional por tempo de serviço (conhecidos como triênios). O que já foi incorporado pelos servidos públicos, no entanto, será preservado. A intenção é acabar com o aumento compulsório da folha de pessoal, que desde o começo deste ano o governo do estado tem tido sérias dificuldades para pagar. A economia será de R$ 202 milhões ao ano.
Teto para reajuste
Concessão de reajustes não poderá exceder o patamar de 70% do crescimento da receita corrente líquida – Agência O Globo
Com o objetivo de conter a explosão de gastos com o funcionalismo, será criado um teto para reajustes salariais. A concessão de reajustes não poderá exceder o patamar de 70% do crescimento da receita corrente líquida (arrecadação com impostos mais transferências) do ano anterior. A fixação do teto será feita por meio de decreto.
Dívidas com o fisco
Se aprovada na Alerj, proibição de refinanciamento ou anistia de dívidas referentes a tributos em âmbito estadual valerá por dez anos – Gabriel de Paiva
O governo vai propor, via projeto de lei complementar, a proibição de refinanciamento ou anistia de dívidas referentes a tributos em âmbito estadual. A proibição, caso aprovada na Alerj, será válida por um período de dez anos. Haverá algumas exceções à regra, como débitos inscritos em dívida ativa há mais de 15 anos e que, portanto, são de difícil recuperação.
Cortes na administração
Instituto de Assistência dos Servidores deve ser extinto – Mônica Imbuzeiro / Mônica Imbuzeiro
Mais um corte de custeio, por meio de projeto de lei. O plano é extinguir o Instituto Estadual de Engenharia e Arquitetura, o Instituto de Assistência dos Servidores, a Fundação Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisa e Formação de Servidores, a Suderj, o Instituto de Terras e Cartografia, a Fundação Instituto de Pesca do Estado e a Fundação Garantia do Atleta Profissional. A economia de R$ 12,4 milhões ao ano.
Fim da gratuidade no transporte
Moradores de Paquetá não terão mais gratuidade no transporte – Ivanildo Carmo / Ivanildo Carmo
Quem mora em Ilha Grande e em Paquetá terá de pagar pelo transporte até o continente. Hoje, essas pessoas não pagam pela viagem. A permissão de cobrança será possível mediante projeto de lei, que depende do aval da Alerj. Mas a tarifa será fixada por decreto em R$ 2,80 por trajeto e passa a valer no próximo ano. Os moradores poderão usar o Bilhete Único. A medida vai gerar uma economia de R$ 1,7 milhão ao ano.
Cargos comissionados e alto escalão
Governador, vice-governador e seus secretários de estado terão salários reduzidos – Terceiro / Carlos Magno/Divulgaçãp
A proposta, que será posta em prática por meio de decreto, é reduzir em 30% a remuneração das gratificações que os comissionados recebem. A medida entrará em vigor a partir do nonagésimo dia de sua publicação. Esta será mais uma medida de austeridade em relação a cargos comissionados, cujos cortes eram defendidos já há algum tempo dentro e fora do governo. A economia de será de R$ 84 milhões ao ano.
Para dar exemplo, governador, vice-governador e seus secretários de estado terão salários reduzidos. O corte será de 30% a partir da publicação de um decreto em 1º de janeiro de 2017. Em dezembro de 2015, Pezão já havia anunciado uma tesourada nos vencimentos desse mesmo grupo, abaixando seu próprio salário de R$ 21.868,14 para R$ R$ 19.681,3. A medida vai gerar uma economia de R$ 7,1 milhões ao ano.
Fonte: O Globo
Magistrados ganham até 23 vezes mais do que você
Quando o Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro anunciou a promoção do juiz Geraldo Prado a desembargador, em 2006, fez-se um silêncio embaraçoso no salão onde transcorria a sessão. Foi com desgosto que muitos receberam a notícia da promoção por antiguidade – ou “inevitabilidade”, como Prado define. Ele desagradava à maioria dos demais juízes da corte, em virtude de suas decisões “excessivamente liberais” nas Varas Criminais. No fim dos anos 1990, constrangera os colegas ao liderar, ao lado de poucos, um movimento pelo fim do nepotismo no Tribunal. O juiz Prado estava na vanguarda do que era inexorável: a lenta mas firme assepsia nos maus hábitos do Judiciário brasileiro. O nepotismo acabou banido, mas apenas em 2005, por decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Ao tomar posse como desembargador, o juiz Prado aprontou outra. Recusou-se a rodar num carro oficial, símbolo de poder dos desembargadores. O presidente do Tribunal tentou demovê-lo. Argumentou que a atitude “diminuiria a força institucional da magistratura”. Não colou. Até se aposentar, em 2012, só ele e um colega, entre 120 desembargadores, abdicaram do conforto. Para o juiz Prado, “o carro oficial significa um status incompatível com a República”. “Deve ser usado em prol do beneficiário do serviço e não do servidor. O magistrado da Infância e Juventude deve ter uma viatura à disposição para atender à demanda. Mas não tem sentido o conjunto da magistratura ter carro oficial”, diz o desembargador aposentado e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Nos últimos anos, atitudes como as do juiz Prado ajudaram na depuração dos vícios e privilégios que persistiam há décadas no Judiciário. Resultaram na criação dos Conselhos Nacionais da Justiça e do Ministério Público (MP). Juízes e seus primos, os procuradores e promotores dos Ministérios Públicos, tornaram-se mais transparentes e produtivos. Hoje, trabalham com metas e planos estratégicos para diminuir a proverbial lentidão dos nossos Tribunais. Ainda há, porém, um longo caminho a percorrer rumo ao Judiciário que o Brasil precisa. É preciso paciência. São muitos os obstáculos.
Um deles, talvez o mais urgente a ser enfrentado, envolve os altos salários dos juízes estaduais – e, também, dos promotores dos Ministérios Públicos dos Estados. Desde 2003, quando o Congresso estabeleceu o salário dos ministros do Supremo como teto constitucional para os funcionários públicos, os Tribunais e MPs estaduais passaram a criar toda sorte de expedientes para engordar o contracheque. Hoje, o teto é de R$ 33.763. Os penduricalhos são muitos – ao menos 32 tipos de auxílios, gratificações, indenizações, verbas, ajudas de custo… – mas o objetivo é apenas um: ganhar mais do que determina a Constituição. Nada disso é, por enquanto, ilegal. Mas não são poucos os juízes e promotores que se questionam: é correto?
Nos últimos oito meses, ÉPOCA apurou, junto aos 27 Tribunais de Justiça e aos 27 MPs estaduais, os reais vencimentos – e todos os benefícios – de magistrados e promotores, incluindo salários, vantagens pessoais e auxílios. Confirmou-se o que todos no Judiciário suspeitavam: o contracheque de juízes e promotores ultrapassa, e muito, o teto constitucional de R$ 33 mil. A média de rendimentos de juízes e desembargadores nos Estados é de R$ 41.802 mensais; a de promotores e procuradores de justiça, R$ 40.853. Os valores próximos mostram a equivalência quase perfeita das carreiras. Os presidentes dos Tribunais de Justiça apresentam média ainda maior: quase R$ 60 mil (R$ 59.992). Os procuradores-gerais de justiça, chefes dos MPs, recebem, também em média, R$ 53.971. Fura-se o teto em 50 dos 54 órgãos pesquisados. Eles abrigam os funcionários públicos mais bem pagos do Brasil.
ÉPOCA obteve os dados nas páginas de transparência dos órgãos. Para calcular as médias dos TJs e MPs estaduais, a reportagem avaliou os vencimentos de ao menos 5% dos integrantes como amostra, respeitando a proporção de membros da segunda instância, de modo a não gerar distorções. Durante a pesquisa, encerrada em abril, usou-se o mês mais recente disponível. ÉPOCA analisou 3.714 profissionais (2.602 magistrados e 1.112 promotores) dos 21.707 membros nos Estados. Segundo Cristiano Fernandes, professor de engenharia elétrica da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e especialista em estatística aplicada a ciências sociais, a análise é “consistente” e “satisfatória”. O levantamento de ÉPOCA não aborda a Justiça Federal nem o Ministério Público na esfera federal. Neles, sabe-se que há menos penduricalhos.
Na teoria, os salários – chamados de subsídios básicos – das duas categorias variam de R$ 22 mil a R$ 30 mil. Os salários reais deles, no entanto, avançam o teto pela soma de gratificações, remunerações temporárias, verbas retroativas, vantagens, abonos de permanência e benefícios concedidos pelos próprios órgãos e autorizados pela Lei Orgânica da Magistratura, a Loman, de 1979 – o MP os recebe por equivalência. Por sua natureza jurídica (ressarcir despesas geradas pelo trabalho), as indenizações não estão sujeitas ao teto nem a Imposto de Renda. Generalizadas, produzem a mágica de elevar os salários, legalmente, acima do teto. Há salários reais que ultrapassam R$ 100 mil. O maior é de R$ 126 mil.
Benefícios ou regalias?
Com estabilidade, poder e prestígio social, juízes e promotores recebem como executivos da iniciativa privada, mas gozam um pacote de benefícios só possível na esfera pública. Usufruem dois meses de férias anuais – mais um recesso de 14 a 30 dias –, não têm horário fixo, ganham auxílios para moradia, alimentação, transporte, plano de saúde, dinheiro para livros e computadores e ajuda até para pagar a escola particular dos filhos. É uma longa série de benefícios, alguns que se enquadram facilmente como regalias. Variam conforme o Estado. ÉPOCA descobriu 32 delas. Além do auxílio-moradia, o mais comum é o de alimentação. Chega a R$ 3.047 mensais para promotores do Maranhão.
O TJ do Rio de Janeiro é o que oferece mais benesses. Há auxílio-creche de R$ 854 por filho até 6 anos e auxílio-educação de R$ 953 por filho até 24 anos (na faculdade). Há 180 dias de licença-maternidade (padrão) mais 90 de aleitamento. Há, ainda, de três a cinco salários mínimos por adoção até o filho ter 24 anos. O TJ do Rio afirma que é unidade de referência e está entre os quatro Tribunais mais eficientes do país, tendo cumprido 100% da meta desde 2009, ao lado do TJ do Rio Grande do Sul.
Os benefícios oferecidos com dinheiro público são generosos e criativos. No TJ de Mato Grosso vigora um dos melhores planos de saúde do mundo, com gastos ilimitados. Ressarce consultas particulares e até passagens de avião para tratamento de magistrados e dependentes em hospitais fora do Estado. Só a partir de dezembro os juízes passaram a ter de apresentar recibos fiscais para obter reembolso. Em Minas Gerais, os magistrados recebem mais 10% do salário para custear a saúde (até R$ 3.047). Têm direito ainda a, como os promotores, de R$ 13 mil a R$ 15.235 por ano para livros jurídicos e materiais de informática. O TJ-MG afirmou que, embora haja previsão, o auxílio não é pago. O MP paranaense banca até 50% de mestrados e doutorados e 20% de cursos de graduação e línguas.
Os promotores do Rio de Janeiro recebem mais R$ 1.100 para transporte. Isso não impede que o órgão gaste R$ 100 mil mensais – R$ 545 por carro –, há três anos, no aluguel de 183 vagas no Terminal-Garagem Menezes Côrtes, no Centro. O fluminense é também o mais liberal no envio de membros para estudo no exterior: 12 cursam mestrado ou doutorado, com salário integral. Nos demais Estados, há 17 promotores e dez juízes fazendo o mesmo. Tantos são os benefícios do MP do Rio que até promotores se constrangem, em conversas privadas. “Em breve, o subsídio será só para juntar dinheiro, porque as demais despesas já estarão cobertas pelos auxílios”, diz um deles.
Para Joaquim Falcão, ex-conselheiro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e diretor da faculdade de Direito da Fundação Getulio Vargas (FGV), promotores e juízes “precisam de prerrogativas – como independência – para exercer sua função, não de privilégios”. “Pagar auxílio-escola para o filho não é prerrogativa, é uma apropriação privada e individual da prerrogativa do cargo. O cargo é público, a prerrogativa é pública e o privilégio é uma apropriação individual”, diz Falcão.
Ninguém diz que juízes devem ganhar mal – ou menos que outras carreiras de Estado. Mas a comparação da renda deles com a dos demais brasileiros mostra que há algo de excessivamente desigual em vigor. Um levantamento do Conselho da Europa, de 2012, mostra que os juízes iniciantes de 26 países europeus recebiam 2,2 vezes a média salarial da população de seus países. Os salários dos membros da Corte Suprema equivaliam a 4,2 vezes o vencimento médio nacional, e os da cúpula da Procuradoria-Geral a 3,6 vezes. No Brasil, o inicial de magistrados e membros dos MPs, na maioria dos Estados, R$ 24.818, corresponde a 14 vezes a média de rendimento de trabalho do país – R$ 1.817, conforme a Pnad. Comparados os vencimentos totais dos magistrados levantados por ÉPOCA, a proporção se elevaria para 23 vezes. Segundo o IBGE, em 2013, 99% dos brasileiros recebiam até R$ 10.500 mensais, e a média do 1% mais rico do país era R$ 18.899.
Mesmo com tantas vantagens, 72% dos magistrados não estão felizes com seus salários, segundo o Censo do Judiciário de 2014. O IBGE aponta a magistratura como a profissão mais bem paga do país, e os vencimentos de juízes e promotores os posicionam com larga margem na exclusiva elite do 1% mais rico do país. O presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), João Ricardo dos Santos Costa, admite que a distorção preocupa. Mas argumenta que o salário precisa ser competitivo com o de grandes escritórios de advocacia e que a única outra atividade remunerada que podem exercer é o ensino. O que torna os vencimentos dos magistrados “aparentemente acima do teto”, diz, são as indenizações fruto da “falta de aumento e de valores atrasados”. “São vias legais que a carreira buscou de complementar os reajustes para recompor o salário, de acordo com a norma constitucional.” Apesar disso, ele afirma que há defasagem de 20% a 25%.
A presidente da Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (Conamp), Norma Cavalcanti, diz que “os penduricalhos são a busca da correção”. “Os vencimentos são com base em lei estadual. Ninguém recebe mais do que a lei permite”, afirma. Para Falcão, muitos benefícios foram sendo concedidos no vácuo da lei e vigoram até ser considerados abusivos. “Decidem pagar e dão a justificativa de legalidade, enquanto o STF não disser que é ilegal. E a jurisprudência é não devolver o recebido”, afirma.
Minha casa, minha vida
A mais recente vitória das categorias veio numa noite de setembro do ano passado. O ministro do Supremo Luiz Fux, ex-desembargador do Rio, determinou em liminar o pagamento de auxílio-moradia de R$ 4.377 a juízes federais sem “residência oficial à disposição”. Por esse princípio, só em São Paulo deveria haver 4.333 moradias oficiais para magistrados e membros do MP. A partir daí, apesar de o mérito da ação ainda não ter sido julgado, todos os 29.074 juízes e promotores do país passaram a ter direito ao benefício, uma despesa extra de R$ 1,53 bilhão ao ano em tempos de ajuste fiscal.
Nem todos concordam em usufruir esse benefício. O juiz do Trabalho Celso Fernando Karsburg, do Rio Grande do Sul, abriu mão do auxílio-moradia por considerá-lo “imoral, indecente e antiético”. Em artigo, escreveu que o direito existe desde 1979, mas ninguém o usava porque era “visto como algo indevido, para não dizer absurdo, imoral ou antiético”. Para ele, isso mudou quando se percebeu que o Executivo não concederia a reposição do poder aquisitivo perdido com a inflação. “O pagamento do auxílio-moradia, indistintamente a todos os juízes, ainda que previsto na Loman, é uma afronta a milhões de brasileiros que não fazem jus a esse ‘benefício’”, escreveu. No mesmo Rio Grande do Sul, os desembargadores João Barcelos e Carlos Roberto Caníbal também recusaram o benefício.
Em Goiás, Alan Conceição foi o único desembargador a abdicar da benesse. “Se tenho moradia própria, qual a razão de receber esse auxílio?”, questionou, ao jornal O Popular. Também recusou o auxílio-livro de R$ 2.600 e o carro oficial, como Geraldo Prado fizera, no Rio. Alans, Prados, Karsburgs, Barcelos e Caníbals são exceções. Em Mato Grosso, até os aposentados recebem ajuda para morar – a maioria em casa própria. O TJ rejeitou recurso do Estado e manteve o auxílio aos inativos, mesmo contrariando resolução do CNJ.
Na Europa, as coisas são bem diferentes. Sem direito a carro com motorista, o juiz da Suprema Corte da Suécia Göran Lambertz pedala sua bicicleta 15 minutos até a estação de trem de Uppsala e enfrenta 40 minutos no vagão até Estocolmo, onde trabalha. Na última instância daquele país, Lambertz recebe € 10 mil mensais – R$ 33.700 – sem nenhum abono, auxílio-moradia ou alimentação. “Não almoço à custa do dinheiro do contribuinte. Luxo pago com dinheiro do contribuinte é imoral e antiético”, disse, em entrevista para o livro Um país sem excelências e mordomias, da jornalista brasileira Claudia Wallin, sobre a Suécia. Nenhum dos 16 juízes do Supremo do país tem secretário particular, só assistentes comuns ao colegiado.
T-Q-Q
A gama de benefícios é resquício de privilégios históricos. Nos primeiros anos do Brasil Colônia não havia Justiça organizada, e os donatários das Capitanias Hereditárias tinham jurisdição sobre suas terras. Em meados do século XVI, o rei de Portugal, Dom João III, estabeleceu um governo central e passou a nomear magistrados, formando uma classe fidalga cheia de privilégios, que defendia os interesses da Coroa. No Império, a Justiça continuaria a ser exercida por escolhidos do imperador. Com a Constituição Republicana de 1891, foram instituídas a vitaliciedade para juízes e a irredutibilidade de vencimentos. Era a tentativa de garantir autonomia e evitar perseguições aos que deveriam zelar pelo “bem comum”, não por interesses do imperador ou “coronéis”. Só em 1934 seria criado o concurso de seleção. O historiador do Direito Cássio Schubsky acreditava que a origem fidalga explica os ganhos e benefícios especiais. Juízes e promotores se definem como “membros” de seu órgão; “servidores” são os demais funcionários. As leis mudaram, mas hábitos e práticas do passado ainda determinam o status social da classe jurídica.
Esse status permite não apenas a reprodução de privilégios, mas a manutenção de um ritmo de trabalho único no Brasil. Juízes e promotores não têm uma rotina de trabalho como a iniciativa privada. Não há horário fixo ou ponto e se define o próprio expediente, frequentemente em apenas um turno. No TJ do Amazonas, é das 8 às 14 horas; no MP do Pará, a carga é de seis horas diárias; em Goiás, o magistrado opta pelo matutino ou vespertino; em São Paulo, o mínimo é de 13 às 19 horas; e, no Tocantins, a carga do promotor é de 35 horas semanais. Alguns atuam no gabinete ou fórum três ou quatro vezes por semana, no chamado “T-Q-Q” (terça-quarta-quinta), em especial no interior – e mantêm residência na capital. O desembargador aposentado Geraldo Prado afirma que o “T-Q-Q era a regra” nos anos 1980, mas que a prática tem sido combatida.
Outra vantagem simboliza a diferença entre magistrados e promotores e os demais brasileiros: as férias. A lei garante um mês de descanso remunerado a todo trabalhador. Juízes e promotores têm 60 dias, além do recesso judicial, de 18 dias. Em 2014, essas pausas somaram 81 dias, 22% do ano, fora feriados. A origem do benefício é a lei da magistratura, de 1979. O Ministério Público adota o mesmo critério. “Não conheço nenhuma empresa que dê dois meses de férias. Eu mandaria meu currículo amanhã!”, afirma Bernardo Cavour, consultor de recursos humanos, sócio da Flow Executive Finders.
Eles recebem duas vezes no ano o adicional de férias de um terço. O TJ do Espírito Santo, o TJ e o MP do Paraná são ainda mais generosos: lá, o bônus é de 50%. Na soma, resulta em um 14o salário. Muitos TJs e MPs pagam gratificações de até um terço do salário a quem acumula função do colega de férias ou licença. De acordo com Costa, da AMB, a profissão tem carga laboral “insuportável”, de 1.400 processos por ano, e alto índice de doenças (13% dos magistrados tiveram licença remunerada por doença ou acidente no último ano). Costa afirma que as férias dobradas são compensação para fins de semana de sobreaviso. “Fora dos grandes centros não há plantão nos fóruns, só existe um juiz na maioria das comarcas, disponível dez meses do ano, inclusive fins de semana”, afirma Costa.
Além da sobrecarga financeira, o excesso de férias impacta processos. É comum uma ação ter, em seu curso, diversos juízes e promotores distintos, o que pode gerar paralisia, insegurança jurídica – diante de decisões divergentes – e encarregar da sentença alguém pouco familiarizado com a questão. Matematicamente, a redução das férias aumentaria a produção da Justiça em 8%, o equivalente a um mês de trabalho ao ano. A fórmula foi testada com sucesso em Portugal, onde juízes gozavam 60 dias até 2007. Diante da austeridade imposta pela crise, extinguiram-se os dois meses de repouso. Não há notícia de explosão de estresse, porém a produtividade cresceu 9%.
Se a prestação de serviço da Justiça aos cidadãos fosse rápida e exemplar, talvez a enorme lista de privilégios revelada por ÉPOCA fosse menos questionável. Mas a Justiça é lenta para 88% dos cidadãos, mostra a pesquisa O Judiciário segundo os brasileiros. O CNJ estipulou metas de produtividade, e os Tribunais reconhecem a necessidade de ser mais eficientes e expeditos. No ano passado, havia 95 milhões de processos na Justiça, e o acervo continua a crescer. Em 2014, os Tribunais estaduais, como um todo, não cumpriram nenhuma das cinco metas estipuladas, entre elas a de julgar quantidade maior de processos do que os distribuídos no ano. Com salários acima do teto, juízes e promotores precisam pôr os pés no chão e olhar ao redor.
Fonte: Época.
R$ 138 bilhões de benefícios fiscais para empresas representam 5 anos da Folha dos servidores
Secretaria de Fazenda diz que a política de atração de empresas para o estado serviu para gerar novos empregos
O governo do estado, que ontem pediu “compreensão” aos servidores públicos por conta do atraso no pagamento dos salários de fevereiro — que deveriam ser depositados no último dia 9 (quarta-feira), mas só serão creditados na próxima sexta-feira —, foi alvo de um relatório do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ), apontando a concessão de diversas isenções fiscais a empresas, entre 2008 e 2013, num valor total estimado de R$ 138,6 bilhões. Essa montanha de dinheiro para beneficiar empresários seria suficiente para pagar cinco anos e três meses de vencimentos ao funcionalismo, já incluindo o 13º salário. Esse cálculo tomou por base a folha de pouco mais de R$ 2 bilhões, paga em janeiro, segundo o Caderno de Recursos Humanos da Secretaria estadual de Planejamento.
O relatório já foi apresentado aos conselheiros do TCE-RJ, mas ainda não foi votado. No documento, o relator José Gomes Graciosa analisou, com técnicos do tribunal, a elevação dos totais de isenções concedidas pelo governo do estado de 2008 a 2013, ano a ano. Empresas de vários segmentos foram favorecidas, como as dos setores automotivo e de petróleo, energia elétrica e bebidas. A questão é que os benefícios fiscais contemplaram até empresários de ramos específicos, de pouco alcance para a população, como o de joias e pedras preciosas.
A análise do relatório sobre as isenções estava marcada para ontem, mas Aloysio Neves, um dos conselheiros do TCE-RJ, pediu vista do documento para analisar melhor os números.
O relatório é muito extenso. Não estou antecipando meu voto, mas a análise deve ser mais abrangente, já que se trata de uma política fiscal. Talvez a análise seja no sentido de alertar o governo que é chegada a hora de rever essa política (de concessões de isenções fiscais, comuns naquele período analisado). Mas essa não é a causa da crise estadual
Ainda não há uma data para o relatório será votado. O presidente do TCE-RJ, Jonas Lopes de Carvalho Júnior, afirmou que “só irá se pronunciar após deliberação sobre o caso”.
Em nota, a Secretaria estadual de Fazenda alegou que desconhece o relatório e o número apresentado pelo relator com o total de isenções que teriam sido concedidas no período. A pasta ainda informou que a política de atração de empresas para o estado serviu para gerar novos empregos.
Promessa é pagar servidores na sexta-feira
A montanha de dinheiro que deixou de entrar nos cofres públicos em seis anos hoje salvaria Pezão, que agora tenta conseguir R$ 1,445 bilhão para pagar os 468.621 ativos, inativos e pensionistas que ainda não receberam seus salários de fevereiro. A Secretaria estadual de Fazenda não especificou quanto falta para fechar a folha, mas trabalha com a promessa de que o pagamento será feito no dia 11. Ontem, ao anunciar o atraso, o governo pediu a “compreensão dos servidores” e voltou a citar os problemas econômicos vividos pelo Rio.
O histórico da crise só piora. Os salários de novembro foram pagos em dezembro, de forma parcelada, a quem recebe mais do que R$ 2 mil. Já segunda parte do 13º foi dividida em cinco prestações, até abril. Para minimizar os atrasos, o calendário de pagamentos foi alterado do segundo para o sétimo dia útil.
— Aguardo uma ajuda do governo federal — disse Pezão, ontem, após uma reunião com governadores em Brasília.
Com salário atrasado, servidora do Rio pede compreensão a banco
Sem recursos para honrar salários, Pezão pede compreensão
Depois de comunicar que não conseguiria pagar o salário do funcionalismo público estadual nesta quarta-feira por conta da arrecadação insuficiente, e pedir “compreensão” dos servidores, o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, teve de lidar com a reação da população. Mas além da revolta natural dos servidores, houve também quem tenha aproveitado a (grave) situação para arrancar algumas risadas no Facebook. A professora Gabriella Costa Silva, por exemplo, decidiu pedir também “compreensão” ao seu banco, solicitando que a instituição não cobrasse os juros do cartão de crédito.
Em apenas seis horas, o post de Gabriella já teve 500 curtidas e mais 1 mil compartilhamentos.
Por mensagem, Gabriella chegou a conversar com a instituição. Apesar do apelo (criativo) da servidora, infelizmente os juros serão devidamente cobrados pelo banco, mesmo diante do pedido encarecido por “compreensão”.
Inspirados em Gabriella, outros usuários do Facebook decidiram fazer apelos por compreensão a seus bancos. Também, vêm rolando uma chuva de memes e piadas envolvendo a crise financeira pela qual passam os cofres de Pezão.
Fonte: Blog do AFR
Com novo calendário, servidores têm dificuldades para quitar dívidas
Quem contava com 13º viu finanças desandarem após parcelamento do benefício
Servidores estaduais fazem manifestação em frente à Alerj na última quinta-feira – Gabriel de Paiva / Agência O Globo
A família toda vivia da pesca, e parecia que Sirleia Couto Raimundo não ia escapar: aos 13 anos, começou a vender caranguejo pelas ruas de Alcântara, um bairro de São Gonçalo. Mas a menina, que nasceu na área de um antigo quilombo em Magé e tinha tudo para passar a vida repetindo o que tantos parentes fizeram antes dela, conseguiu mudar seu destino. Filha mais velha de uma mulher que nunca pisou numa escola, Sirleia acumulou a vida de camelô com a de estudante. Virou professora. Ganhou uma bolsa para cursar pós-graduação na França.
Mas hoje, quando abre a geladeira, num apartamento alugado na Tijuca, não enxerga suas conquistas. Vê apenas a penúria que lembra a da sua infância. Meia maçã, um molho de tomate aberto, uma alface, poucos ovos e um pote de margarina pela metade denunciam que tem sido difícil equilibrar as contas. A crise financeira do estado é também a dela.
Desde que o governo passou, em dezembro, a fazer malabarismos para honrar a folha de R$ 2 bilhões – que contempla 223.131 pessoas em atividade, 152.866 aposentados e 90.415 pensionistas -, os servidores estaduais começaram a viver também na corda bamba. Os que contavam com o pagamento da segunda parcela do 13º salário no fim do ano, para quitar dívidas acumuladas em 2015, viram as finanças desandarem após o parcelamento do vencimento em cinco vezes.
Os cerca de cem mil funcionários que optaram por pegar empréstimo bancário para ter o valor integral do 13º em mãos ganharam um pouco mais de fôlego, mas foram surpreendidos com a mudança do calendário de pagamento – o salário, antes depositado no segundo dia útil, passou para o sétimo e, depois, para o décimo. Agora, todos têm pela frente o desafio de quitar juros das contas que não conseguiram acertar na data prevista.
Somando as contas atrasadas, Sirleia conversa com o filho Rafael – Antonio Scorza / Agência O Globo
Com a corda no pescoço, Sirleia, professora de um Ciep, já deixou de lado o plano de saúde, mesmo com o fantasma de um AVC, que ela já teve, a atormentá-la. Viu a luz da casa que mantém em Magé ser cortada. O uniforme de cavalaria do filho, que passou em concurso para o Colégio Militar, não pôde comprar. Na quarta-feira passada, enquanto reclamava das condições de vida dos servidores numa passeata do Largo do Machado até o Palácio Guanabara, não escondia o coração partido: “Meu menino saiu da escola direto para o curso e só vai almoçar às 19h, quando chegar em casa. Não tenho como dar dinheiro para ele comer na rua”. Mas difícil mesmo, diz Sirleia, foi abrir mão da esperança:
– Sempre acreditei que a educação era transformadora. Falo isso para os meus alunos, mas dentro do meu coração não acredito mais. Estudei muito, sou a única de 11 irmãos formada. Não ganho reajuste há muito tempo, tenho quatro empréstimos. Recebo do estado pouco mais de R$ 1,5 mil, e hoje não tenho condições para nada. Contava com o 13 º salário para pagar parte dos R$ 3 mil que devo no cheque especial. Não quis pegar o empréstimo do 13º em banco, proposto pelo estado, porque, se o governador não pagar, meu nome vai ficar mais sujo ainda. Estou perdendo a esperança. Já pensei até em vender bala no metrô.
‘Contava com o 13º salário para pagar R$ 3 mil que devo no cheque especial. Já pensei até em vender bala no metrô’
– SIRLEIA COUTO RAIMUNDOProfessora de português
Se está difícil para Sirleia, que ainda conta com o salário de uma escola municipal em Belford Roxo, está dramático para servidores que só têm o vencimento do estado. Lotada na Secretaria de Saúde, Ana Maria Pereira do Couto tira da bolsa um leque de contas vencidas. São quatro de telefone, duas de água e uma da loja de departamentos onde ela sequer entra mais. Isso sem contar a fatura do cartão de crédito e os boletos dos dois conselhos profissionais dos quais faz parte: o de fisioterapia e o de enfermagem. Com quatro empréstimos consignados e salário de pouco mais de R$ 1,5 mil, ela diz que o dinheiro, que nunca sobrou, escasseia cada vez mais com a crise:
– Tenho que comprar até papel higiênico e água para levar para o prédio onde trabalho, na Rua México. Estaria sem luz em casa se minha filha não tivesse ajudado. Estou desesperada porque, se não quitar os R$ 400 do Conselho Regional de Fisioterapia, terei o registro cassado e não poderei sequer correr atrás de um dinheiro por fora. O governador pediu compreensão, mas pedi o mesmo a vários credores, e nenhum respondeu.
Ana já trabalha há 22 anos no estado. É do tempo em que passar em concurso público e garantir estabilidade era o sonho de muitos. Hoje, o sonho acabou. Pelo menos para a professora de artes plásticas Vanessa Saldanha.
– Não pude fazer compra de comida este mês. Minha mãe diz que nunca imaginou que eu fosse passar por essa humilhação – diz a jovem, que enfrenta ainda dificuldades para realizar outro sonho. – Fechei meu casamento em setembro do ano passado, e a festa será em agosto. Com a mudança na data de liberação dos salários, atrasei o pagamento do salão, da maquiadora. Minhas contas venciam no dia 2 e estavam em débito automático. Como o salário não chegou, entrei no negativo e estou pagando juros – diz Vanessa, que já se conformou em não seguir o ditado “quem casa quer casa”: vai morar com a mãe após trocar alianças.
Moradia é um tema sensível também para Antônio Cláudio Menezes. Professor da Faetec, que tem salários melhores do que o resto da rede estadual, ele teve que se mudar do quarto e sala que alugava no Humaitá. Não conseguiu pagar em dia. Diante da multa astronômica pelo atraso e do reajuste que estava para chegar, não viu outro jeito a não ser deixar o imóvel. Há um mês, vive de favor na Tijuca. Conseguiu negociar um parcelamento da conta de telefone com a operadora, mas teme o mês que vem.
‘O governador nos pediu compreensão, mas pedi o mesmo a vários credores, e nenhum respondeu’
– ANA MARIA COUTOServidora da Secretaria de Saúde
– Já ouvi que vão parcelar o próximo salário em duas vezes. Assim não tem planejamento que aguente. Até tirei uma licença da escola para voltar ao movimento sindical. Temos que lutar para que as condições dos servidores melhorem – discursa.
O secretário de Fazenda, Júlio Bueno, diz que as agruras pelas quais os servidores estão passando incomodam a todos, mas que só não pegou o 13º salário emprestado no banco quem não quis.
– O estado vai arcar com toda a responsabilidade – afirma o secretário.
Ele diz que a luta para conseguir receitas extraordinárias prossegue:
– O problema é que nem sempre conseguimos as receitas extraordinárias no tempo que as despesas pedem. O estado tem um déficit de R$ 19 bilhões e, na economia brasileira, não se sabe o que vai acontecer no mês seguinte. Você quer me perguntar se eu asseguro o próximo pagamento em dia. Mas, para responder isso com segurança, eu precisaria ter todo o valor dos salários em caixa hoje, e estou longe disso. Não somos só nós que estamos assim. O Rio Grande do Sul está em situação pior do que a gente.
Ana Couto segura as contas atrasadas – Antonio Scorza / Agência O Globo
Após tarifaço, argentinos são forçados a mudar hábitos de consumo
Para se adaptar, cidadãos formam grupos de compra, trocam escola e vendem roupas usadas
Compras conjuntas. Macarena Rawson criou clubes para economizar com as compras no atacado – Janaína Figueiredo / O Globo
O assunto se repete, diariamente, em conversas de café, na porta das escolas, nos escritórios e, principalmente, em reuniões sociais: como adaptar um orçamento cada vez mais limitado ao aumento, expressivo, do custo de vida na Argentina. Depois do tarifaço anunciado pelo governo Mauricio Macri em abril — o transporte público foi reajustado em 100% — este mês foi a vez dos combustíveis, que subiram 10%. No próximo mês de junho, já se sabe que a passagem do metrô portenho passará de 4,50 pesos (US$ 0,31) para 7,50 pesos (US$ 0,51). Macri disse recentemente entender “a dor e a raiva” dos argentinos, mas insiste em justificar um ajuste que já provocou queda de 2,3% no consumo das famílias nos primeiros quatro meses do ano, frente ao mesmo período do ano passado, de acordo com pesquisa da empresa de consultoria CCR.
— Entendo a dor e a raiva quando as pessoas veem os aumentos. Seria feliz se não tivesse que ter aplicado aumento algum, mas a economia estava à beira do colapso, deixaram (os governos Kirchner) o Banco Central sem reservas e o país isolado do mundo — declarou o chefe de Estado, tentando acalmar os ânimos de uma sociedade cada vez mais angustiada com o cenário econômico.
O tarifaço de abril representou um golpe duro no bolso dos argentinos. Em alguns casos, os reajustes das tarifas de energia elétrica e água chegaram a 300%. Isso, somado a uma inflação que atingiu cerca de 12% entre janeiro e abril, alimentada, principalmente, pela desvalorização de quase 40% do peso em dezembro passado, obrigou a maioria da população a modificar hábitos de consumo.
ABASTECENDO EM OUTRO PAÍS
A jornalista Macarena Rawson Paz criou 46 grupos na rede social Facebook, que ajudam mais de 200 mil pessoas, de todo o país, a conviver com a recessão e a inflação alta.
Um dos grupos, lançado por Macarena há menos de um mês, é o “Cheap 2 Cheap Go Market”, que já tem oito mil integrantes e organiza compras comunitárias em supermercados de atacado. Segundo a jornalista, separada e mãe de cinco filhos, “assim conseguimos poupar, em alguns casos, até 50%“:
— A situação econômica explica o sucesso dos grupos. Já estou preparando o “Cheap 2 Cheap Pool”, que vai ajudar as pessoas a economizar gasolina dividindo o carro, por exemplo, no caso dos que moram longe de Buenos Aires e trabalham na capital. Muitos apoiamos e votamos por este governo, sabendo que viria este ajuste. Hoje estamos, todos, vendo como nos acomodamos melhor.
O primeiro grupo começou com 400 membros, em março do ano passado, e hoje já tem 18 mil pessoas que todos os dias compram e vendem roupas e objetos usados, em bom estado, no momento em que renovar o armário nas lojas portenhas tornou-se praticamente inviável.
Algumas famílias argentinas foram obrigadas a adotar medidas mais drásticas, como mudar as crianças de escola, em alguns casos, até mesmo para escolas públicas (cuja qualidade de ensino piorou muito nas últimos décadas). Mas, em geral, os cortes no orçamento familiar são menos dolorosos e afetam mais consumos considerados de luxo, como restaurantes e hotéis. Neste setor, a queda do faturamento já atingiu 30%, desde o começo do ano.
— Estamos resistindo, com a melhor intenção de não começar com demissões — admitiu o presidente da Federação Empresárial de Hotelaria e Gastronomia, Roberto Brunello.
Filas de automóveis na Argentina cruzam a fronteira com o Paraguai e o Brasil para encher os tanques de combustíveis e aliviar a escalada inflacionária que agora afetou o preço da gasolina. O fenômeno é registrado nas províncias nordestinas da Argentina, Misiones, Formosa e Corrientes, que fazem fronteira com os vizinhos. Os consumidores conseguem o litro do combustível por um preço entre US$ 0,30 e US$ 0,50 mais baratos que nos fornecedores nacionais. A prática ainda não fez cair a venda de combustíveis no país, mas o consumo de eletricidade recuou 9,4% em março passado, confirmou a Fundação para o Desenvolvimento Elétrico.
INFLAÇÃO ESTIMADA EM 35% AO ANO
Em seu relatório, a CCR mostrou que o parcela dos chamados “consumidores racionais”, aqueles que pensam antes de fazer uma compra, aumentou de 42% para 51% entre 2015 e os primeiros meses deste ano.
— Desvalorização, ajuste e aumento de tarifas levam, inevitavelmente, à queda do consumo interno. O que estamos vivendo era esperado. No segundo semestre, os aumentos salariais que já estão sendo negociados impedirão que o consumo continue caindo, mas não vai subir — disse a economista Soledad Pérez Duhalde, da empresa de consultoria Abeceb, que projeta inflação entre 35% e 36% para este ano.
Um dos mais afetados pela retração da demanda interna são os supermercados. Muitos argentinos passaram a comprar marcas mais baratas e frequentar supermercados que vendem no atacado. Em março, as vendas caíram 8% em relação ao mesmo mês de 2015, prejudicando, principalmente, o consumo de bens duráveis e produtos de perfumaria. A demanda por alimentos e bebidas, de acordo com a Associação de Supermercados Unidos, também não caiu tanto.
Perguntado sobre a crise econômica em seu próprio país e ao clima de insatisfação crescendo pelo aumento da pobreza, da inflação e do desemprego, o presidente Mauricio Macri mostrou-se confiante, em sua primeira entrevista coletiva com correspondentes estrangeiros, realizada ontem:
— Estamos numa transição difícil, mas a estamos percorrendo mais juntos do que nunca. No segundo semestre a inflação vai cair drasticamente.
Invasão ‘hermana’: produtos argentinos avançam nas prateleiras
Medidas do novo governo da Argentina elevarão ainda mais a oferta de itens
Doce de leite, queijo e vinhos argentinos em supermercado – Pablo Jacob
Primeiro, vieram os alfajores Havanna. Depois, os sorvetes de doce de leite Freddo. Duas das principais marcas argentinas planejam até 50 novos espaços no Brasil neste ano e investimentos, somados, de R$ 13 milhões. E é só o início de uma maior oferta de itens dos hermanos no varejo brasileiro. Movimento que, segundo economistas e especialistas em comércio exterior, será ampliado com as mudanças promovidas por Mauricio Macri, que assumiu a Presidência argentina no fim de 2015 e derrubou as alíquotas de exportação de boa parte dos produtos. Na última semana, o governo Macri chegou a um acordo com os “fundos abutres”, que haviam rejeitado propostas anteriores de reestruturação de dívida. Isso pode ajudar a Argentina a voltar ao mercado de crédito internacional, e as empresas terão acesso a dinheiro mais barato no exterior.
Nas principais redes de varejo brasileiras, essas mudanças já se refletem em maior oferta de itens. É o caso das famosas carnes argentinas, como a picanha e o bife de chorizo. Nelson Raymundi Filho, gerente geral comercial do Grupo Pão de Açúcar, conta que no fim de 2015 voltou a importar carnes:
— Fizemos visitas a frigoríficos argentinos e retomamos as parcerias. Com a mudança de governo, houve equalização do câmbio, o que facilita a compra dos produtos de lá. E o governo criou incentivos aos frigoríficos locais, que os repassaram.
A competitividade é citada por Alex Ribeiro, diretor comercial do Prezunic, do grupo chileno Cencosud. Somente neste ano, a rede vai mais que dobrar a quantidade de itens argentinos nas gôndolas, com a chegada de cinquenta produtos. A lista é diversa: doce de leite Vacalin, alfajor, queijos, peixes e carnes.
— Os produtos argentinos estão competitivos em relação aos brasileiros e europeus. Na Argentina, a cadeia de custo é menor, seja na carga tributária ou nos impostos trabalhistas — diz Ribeiro. — No segundo semestre, o crescimento será ainda maior.
Segundo Leonardo Paz Neves, professor de Relações Internacionais do Ibmec/RJ e coordenador do Centro Brasileiro de Relações Internacionais, a expectativa é de aumento da venda de grãos e itens manufaturados:
— Macri derrubou as barreiras tarifárias e, agora, as empresas poderão acessar recursos externos, aumentando sua competitividade. Enquanto o Brasil se enfraquece, a Argentina tende a se fortalecer no comércio exterior.
No caso dos vinhos, mesmo com o aumento da carga tributária no Brasil, Jones Valduga, diretor da Domino Importação, conseguiu ampliar o limite do prazo de pagamento, de 75 para 105 dias. Com isso, diz, pôde gerir melhor o fluxo de caixa:
— Consigo importar mais. A previsão é de crescimento de 15% este ano com novos rótulos.
A Havanna pretende chegar a 320 lojas no Brasil em cinco anos — das quais 40 em 2016 —, superando as 200 na Argentina, ressalta Bruna Guimarães, gerente de Franquia da empresa. Este ano, espera-se alta de 37% no faturamento, que em 2015 foi de R$ 55 milhões.
A Freddo, fundada em 1969, quer abrir de cinco a dez unidades no Brasil neste ano. Em 2015, foram cinco.
— Queremos chegar entre 40 e 45 lojas neste ano. É uma previsão. Vai depender da economia brasileira. Esperamos uma recuperação no segundo semestre — conta Juliano Russo, responsável pela operação no Brasil.
Já a Arcor, do chocolate Tortuguita e das balas Butter Toffes, prepara mais de 40 lançamentos neste ano.
José Augusto de Castro, da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB),prevê aumento de importações. Ele cita o avanço de malte de cerveja, chocolates, azeitonas e azeites:
Dilma chega a casa de Lula, em São Bernardo do Campo
Presidente visita seu antecessor um dia após a condução coercitiva dele à PF
Lula cumprimenta e tira fotos com simpatizantes que fazem vigília na porta do prédio onde mora o ex-presidente – Pedro Kirilos / Agência O Globo
A presidente da República, Dilma Rousseff, chegou por volta das 13h30 do dia 5/3/16 à casa de Luiz Inácio Lula da Silva, em São Bernardo do Campo. Ela pousou em Congonhas às 13h e seguiu para o ABC paulista de helicóptero. A reunião não faz parte da agenda oficial de Dilma e ocorre um dia após a condução coercitiva de Lula para prestar depoimento na 24ª fase da Operação Lava-Jato.
Minutos após entrar no prédio, Dilma e Lula acenaram na varanda do apartamento, de mãos dadas. Dona Marisa Letícia, mulher do petista, também apareceu.
Dilma já fez um pronunciamento ontem no qual manifestou “inconformismo” com a ação contra o ex-presidente. Disse ainda que a medida era “desnecessária”, pois Lula já teria comparecido diversas vezes de forma voluntária para prestar esclarecimentos. A presidente chegou a cogitar participar de um evento de apoio a Lula realizado na noite de sexta-feira, mas acabou não comparecendo. Ministros foram escalados para ir a São Paulo representá-la.
Em frente ao prédio onde Lula mora, em São Bernardo do Campo, cerca de 250 manifestantes, segundo a Polícia Militar, fazem vigília desde cedo em solidariedade ao ex-presidente. Os apoiadores do PT estão vestidos com camisetas vermelhas e carregando bandeiras do Brasil.
No início da tarde, o petista desceu para saudar os manifestantes, distribuiu abraços e tirou fotos. Em seguida, falou brevemente no microfone de um carro de som.
— Eu só vim cumprimentar os companheiros que estão aqui e agradecer a solidariedade. Não tem cabimento discursar aqui porque estamos do lado de um hospital — disse.
Por volta das 9 horas os policiais interditaram uma das pistas da avenida em que o petista mora. Uma faixa com os dizeres “Lula o mais honesto e honrado deste país”, foi colocada na entrada do prédio. Na maior parte do tempo, o clima é pacífico, mas eventualmente os manifestantes hostilizam as equipes de televisão da imprensa.
Os presentes entoam o tradicional canto: “Lula, guerreiro do povo brasileiros” e também “Lula é meu amigo, mexeu com ele, mexeu comigo”.
A modelo Ju Isen, conhecida como a musa das manifestações contra o governo, foi protestar a favor da Operação Lava-Jato e causou confusão. Vestindo uma camiseta do Brasil, a modelo passou em frente aos protesto pró-Lula acompanhada de um segurança carregando uma bandeira do país.
Os favoráveis ao presidente lançaram garrafas d’água e gritaram palavras de ordem contra a moça. A Polícia Militar teve que intervir, e a modelo deixou o local em um táxi.
— Como musa das manifestações, quis vir fazer um protesto pacífico, mas como não consegui estou indo embora – disse.
De acordo com o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Rafael Marques, que está na frente da casa de Lula, a operação contra o ex-presidente foi exagerada.
— O jeito com que o ex-presidente foi levado foi exagerado e violento. A Lava-Jato tem como mérito o combate à corrupção, mas também tem o demérito, na minha opinião, de estar atuando politicamente em vários momentos — disse o sindicalista.
A visita de Dilma a Lula é um gesto da presidente em um momento em que os dois foram acusados pelo ex-líder do governo Delcídio Amaral, que fechou acordo de delação premiada com o Ministério Público. A presidente criticou o vazamento da delação e afirmou que caso se confirmem as declarações de Delcídio elas seriam movidas por “vingança”.
Moro defende condução coercitiva e diz ‘que não significa antecipação de culpa’
Em nota, juiz lamentou ainda que a operação tenha levado a confrontos
O juiz Sérgio Moro – Givaldo Barbosa/09-09-2015 / Agência O Globo
O juiz Sérgio Moro divulgou nota neste sábado em que afirma que as buscas e apreensões e a condução coercitiva do ex-presidente presidente Luiz Inácio Lula da Silva para prestar depoimento na sexta-feira são medidas investigatórias que visam apenas esclarecer a verdade e “não significam antecipação de culpa do ex-presidente”.
A condução coercitiva de Lula na Lava-Jato gerou polêmica no meio jurídico. Eles alegam que é praxe da Justiça convidar a testemunha ou o investigado a prestar esclarecimentos primeiro e, apenas em caso de recusa ou de não comparecimento injustificado, emite-se mandado de coerção.
A condução coercitiva é um instrumento legal que obriga o cidadão a depor perante a Justiça e é cumprida na presença da polícia. O objetivo é auxiliar o juiz nas investigações e não caracteriza prisão. Na sua decisão, Moro justificou o mandado como medida para preservação da ordem pública, citando o tumulto ocorrido no último dia 17, em Barra Funda (SP), quando manifestantes pró e contra Lula se envolveram em confronto. Na ocasião, estava previsto um depoimento do ex-presidente em outro processo na Justiça paulista, que foi cancelado em cima da hora.
“Colhendo o depoimento mediante condução coercitiva, são menores as probabilidades de que algo semelhante ocorra, já que essas manifestações não aparentam ser totalmente espontâneas. Com a medida, sem embargo do direito de manifestação política, previnem-se incidentes que podem envolver lesão a inocentes”, escreveu Moro em seu despacho sobre a 24ª fase da operação.
Na nota divulgada neste sábado, o juiz também lamentou que a operação tenha levado a confrontos, ainda que pontuais, em ” manifestação políticas inflamadas, com agressões a inocentes, exatamente o que se pretendia evitar”. E afirmou que repudia qualquer tipo de violência e que a democracia, numa sociedade livre, reclama tolerância em relação a opiniões divergentes, respeito à lei e às instituições constituídas e compreensão em relação ao outro”.
“Nota oficial da 13ª Vara Federal de Curitiba
A pedido do Ministério Público Federal, este juiz autorizou a realização de buscas e apreensões e condução coercitiva do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva para prestar depoimento. Como consignado na decisão, essas medidas investigatórias visam apenas o esclarecimento da verdade e não significam antecipação de culpa do ex-Presidente. Cuidados foram tomados para preservar, durante a diligência, a imagem do ex-Presidente. Lamenta-se que as diligências tenham levado a pontuais confrontos em manifestação políticas inflamadas, com agressões a inocentes, exatamente o que se pretendia evitar. Repudia este julgador, sem prejuízo da liberdade de expressão e de manifestação política, atos de violência de qualquer natureza, origem e direcionamento, bem como a incitação à prática de violência, ofensas ou ameaças a quem quer que seja, a investigados, a partidos políticos, a instituições constituídas ou a qualquer pessoa. A democracia em uma sociedade livre reclama tolerância em relação a opiniões divergentes, respeito à lei e às instituições constituídas e compreensão em relação ao outro ”
Condução coercitiva de Lula na Lava-Jato gera polêmica no meio jurídico
Marco Aurélio, do STF, diz que agir em detrimento da lei é ‘justiçamento’
Agentes da Polícia Federal em frente à sede do Instituto Lula, um dos endereços em que foi cumprido mandado de condução coercitiva – Marcos Alves
Advogados constitucionalistas e professores de Direito criticaram a decisão do juiz Sérgio Moro de recorrer à condução coercitiva para ouvir o depoimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Eles alegam que é praxe da Justiça convidar a testemunha ou o investigado a prestar esclarecimentos primeiro e, apenas em caso de recusa ou de não comparecimento injustificado, emite-se mandado de coerção.
A Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) saiu em defesa de Moro, afirmando que a medida foi tomada “de forma justificada e absolutamente proporcional”. Em nota, a Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) rechaçou os ataques à Operação Aletheia. De acordo com a associação, foram respeitados “os direitos de ampla defesa e do devido processo legal, sem nenhuma espécie de abuso ou excesso”. Também negou que a operação seja um espetáculo midiático ou tenha enfoque político.
A condução coercitiva é um instrumento legal que obriga o cidadão a depor perante a Justiça e é cumprida na presença da polícia. O objetivo é auxiliar o juiz nas investigações e não caracteriza prisão. Na sua decisão, Moro justificou o mandado como medida para preservação da ordem pública, citando o tumulto ocorrido no último dia 17, em Barra Funda (SP), quando manifestantes pró e contra Lula se envolveram em confronto. Na ocasião, estava previsto um depoimento do ex-presidente em outro processo na Justiça paulista, que foi cancelado em cima da hora.
“Colhendo o depoimento mediante condução coercitiva, são menores as probabilidades de que algo semelhante ocorra, já que essas manifestações não aparentam ser totalmente espontâneas. Com a medida, sem embargo do direito de manifestação política, previnem-se incidentes que podem envolver lesão a inocentes”, escreveu Moro. No caso de Marisa Letícia, mulher de Lula, o pedido de condução coercitiva foi indeferido, pois o juiz entendeu que um depoimento agendado não causaria risco à ordem pública. Mas essa justificativa não é consenso entre acadêmicos:
— Manutenção da ordem pública é um fundamento da prisão preventiva e não da condução coercitiva. Moro está fazendo uma leitura inventiva, criativa da norma que acena para um abuso de poder. É como criar uma categoria light da prisão preventiva. Isso não existe — disse Beatriz Vargas, professora de Direito Penal da UnB.
No despacho, Moro também deixou claro que a condução coercitiva deveria ser executada apenas caso “o ex-presidente, convidado a acompanhar a autoridade policial para depoimento, recuse-se a fazê-lo”. Segundo Leonardo Vizeo, advogado constitucionalista da Organização dos Advogados do Brasil (OAB-RJ), costuma-se emitir uma intimação para comparecimento do investigado em data agendada para o depoimento antes da expedição do mandado de condução coercitiva.
— O que Moro fez foi um falso convite. É preciso dar um tempo para resposta — afirmou o professor de Direito da FGV Oscar Vilhena.
O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal, também criticou o juiz:
— Eu só concebo condução coercitiva se houver recusa do intimado para comparecer. É o figurino legal. Basta ler o que está no código de processo — disse. — Deve ser o último recurso. Você hoje é um cidadão e pedem que você seja intimado para prestar um depoimento. Em vez de expedirem o mandado de intimação, podem conduzir coercitivamente, como se dizia, debaixo de vara?
O ministro lembrou que não há informação de que Lula tenha se recusado a prestar depoimento e destacou que os fins não podem justificar os meios:
— Quando se potencializa o objetivo a ser alcançado em detrimento de lei, se parte para o justiçamento, e isso não se coaduna com os ares democráticos da Carta de 88 (Constituição).
Em nota, a ANPR disse que “os procuradores da República à frente do caso — bem como a Justiça Federal, a Polícia Federal e a Receita Federal — atuaram novamente de acordo com a mais rígida e cuidadosa observância dos preceitos legais”. Frisou ainda que “a condução coercitiva é instrumento de investigação previsto no ordenamento e foi autorizada no caso do ex-presidente Lula de forma justificada e absolutamente proporcional, para ser aplicada apenas se o investigado eventualmente se recusasse a acompanhar a autoridade policial para depoimento penal. Em momento algum as garantias constitucionais do investigado (como o direito ao silêncio, o direito à assistência de advogado, o direito à integridade física e o direito à imagem) foram ou podem ser desrespeitadas”.
A condução coercitiva também foi alvo de polêmica em outro processo em que o ex-presidente é alvo. Lula obteve um habeas corpus preventivo para não comparecer a depoimento que seria realizado na última quinta-feira, dentro da investigação do MP de São Paulo sobre o caso do tríplex do Guarujá. A defesa questionava a necessidade de Lula e Marisa serem conduzidos coercitivamente para prestar esclarecimentos. As informações foram enviadas por escrito.
Semanas antes, o depoimento em Barra Funda sobre o mesmo caso fora cancelado por liminar do Conselho Nacional do Ministério Público. A decisão atendia ao pedido do deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP), que questionava a legitimidade do promotor Cássio Conserino por sua suposta parcialidade na condução do caso.
PRÁTICA RECORRENTE NA LAVA-JATO
Em uma das frentes da Lava-Jato, conduzida pelo Ministério Público Federal, Lula chegou a depor espontaneamente sobre suposto tráfico de influência, mas não há informação de que havia sido convidado a prestar depoimento sobre suas relações com o tríplex de Guarujá ou sobre o sítio de Atibaia, que são alvo da atual fase da apuração.
Para Alamiro Velludo, professor de Direito da USP, a oposição de Lula ao depoimento presencial à Justiça paulista não deve ser interpretado como recusa a prestar esclarecimento em outro processo.
— O acontecimento em uma investigação não é fator para justificar ação em outra. Uma coisa é a Justiça estadual de São Paulo e outra é a federal — disse Velludo, lembrando que o ex-presidente não tem prerrogativa de foro privilegiado. — Ninguém está acima da lei. Porém existe uma lei que define como as pessoas devem ser convocadas. O que houve ali (na decisão de Moro) foi uma ilegalidade.
Breno Melaragno, professor de Direito Penal da PUC-Rio, pondera que essa tem sido a prática adotada pelo juiz:
— Moro tem mantido essa conduta desde o início da Lava-Jato. Não foi diferente com o Lula.
As suspeitas que pairam sobre Lula
Nome do ex-presidente é citado em vários momentos das investigações em curso no país
A delação de Delcídio
Revelações do senador à força-tarefa da Lava Jato, obtidas por ISTOÉ, complicam de vez a situação da presidente Dilma e comprometem Lula
Pouco antes de deixar a prisão, no dia 19 de fevereiro, o senador Delcídio do Amaral (PT-MS) fez um acordo de delação premiada com a força-tarefa da Lava Jato. ISTOÉ teve acesso às revelações feitas pelo senador. Ocupam cerca de 400 páginas e formam o mais explosivo relato até agora revelado sobre o maior esquema de corrupção no Brasil – e outros escândalos que abalaram a República, como o mensalão.
Com extraordinária riqueza de detalhes, o senador descreveu a ação decisiva da presidente Dilma Rousseff para manter na estatal os diretores comprometidos com o esquema do Petrolão e demonstrou que, do Palácio do Planalto, a presidente usou seu poder para evitar a punição de corruptos e corruptores, nomeando para o Superior Tribunal de Justiça (STJ) um ministro que se comprometeu a votar pela soltura de empreiteiros já denunciados pela Lava Jato.
O senador Delcídio também afirmou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tinha pleno conhecimento do propinoduto instalado na Petrobras e agiu direta e pessoalmente para barrar as investigações – inclusive sendo o mandante do pagamento de dinheiro para tentar comprar o silêncio de testemunhas. O relato de Delcídio é devastador e complica de vez Dilma e Lula, pois trata-se de uma narrativa de quem não só testemunhou e esteve presente nas reuniões em que decisões nada republicanas foram tomadas, como participou ativamente de ilegalidades ali combinadas –a mando de Dilma e Lula, segundo ele.
Nos próximos dias, o ministro Teori Zavascki decidirá se homologa ou não a delação. O acordo só não foi sacramentado até agora por conta de uma cláusula de confidencialidade de seis meses exigida por Delcídio. Apesar de avalizada por procuradores da Lava Jato, a condição imposta pelo petista não foi aceita por Zavascki, que devolveu o processo à Procuradoria-Geral da República e concedeu um prazo até a próxima semana para exclusão da exigência. Para o senador, os seis meses eram o tempo necessário para ele conseguir escapar de um processo de cassação no Conselho de Ética do Senado. Agora, seus planos parecem comprometidos.
As preocupações de Delcídio fazem sentido. Sobretudo porque suas revelações implicaram colegas de Senado, deputados, até da oposição, e têm potencial para apressar o processo de impeachment de Dilma no Congresso. O que ele revelou sobre a presidente é gravíssimo. Segundo Delcídio, Dilma tentou por três ocasiões interferir na Lava Jato, com a ajuda do ex-ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. “É indiscutível e inegável a movimentação sistemática do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo e da própria presidente Dilma Rousseff no sentido de promover a soltura de réus presos na operação”, afirmou Delcídio na delação.
A terceira investida da presidente contou com o envolvimento pessoal do senador petista. No primeiro anexo da delação, Delcídio disse que, diante do fracasso das duas manobras anteriores, uma das quais a famosa reunião em Portugal com o presidente do STF, Ricardo Lewandowski, “a solução” passava pela nomeação do desembargador Marcelo Navarro para o STJ. “Tal nomeação seria relevante para o governo”, pois o nomeado cuidaria dos “habeas corpus e recursos da Lava Jato no STJ”. Na semana da definição da estratégia, Delcídio contou que esteve com Dilma no Palácio da Alvorada para uma conversa privada.
Os dois conversavam enquanto caminhavam pelos jardins do Alvorada, quando Dilma solicitou que Delcídio, na condição de líder do governo, “conversasse como o desembargador Marcelo Navarro, a fim de que ele confirmasse o compromisso de soltura de Marcelo Odebrecht e Otávio Marques de Azevedo”, da Andrade Gutierrez. Conforme acertado com a presidente, Delcídio se encontrou com Navarro “no próprio Palácio do Planalto, no andar térreo, em uma pequena sala de espera”, o que, segundo o senador, pode ser atestado pelas câmeras de segurança. Na reunião, de acordo com Delcídio, Navarro “ratificou seu compromisso, alegando inclusive que o dr. Falcão (presidente do STJ, Francisco Falcão) já o havia alertado sobre o assunto”.
O acerto foi cumprido à risca. Em recente julgamento dos habeas corpus impetrados no STJ, Navarro, na condição de relator, votou pela soltura dos dois executivos. O problema, para o governo, é que o relator foi voto vencido. No placar: 4×1 pela manutenção da prisão.
A ação de uma presidente da República no sentido de nomear de um ministro para um tribunal superior em troca do seu compromisso de votar pela soltura de presos envolvidos num esquema de corrupção é inacreditável pela ousadia e presunção da impunidade. E joga por terra todo seu discurso de “liberdade de atuação da Lava Jato”, repetido como um mantra na campanha eleitoral. Só essa atitude tem potencial para ensejar um novo processo de impeachment contra ela por crime de responsabilidade.
Segundo juristas ouvidos por ISTOÉ, a lei 1.079 que define os crimes de responsabilidade diz no artigo nono, itens 6 e 7, que atenta contra a probidade administrativa – e é passível de perda de mandato – usar de suborno ou qualquer outra forma de corrupção para levar um funcionário público a proceder ilegalmente ou agir de forma incompatível com a dignidade, a honra e o decoro. O que também poderá trazer problemas para Dilma é o trecho da delação de Delcídio a respeito da compra da refinaria de Pasadena, no Texas, considerada um dos negócios mais desastrosos da Petrobras e que foi firmado em 2006 com um superfaturamento de US$ 792 milhões, quando Dilma presidia o Conselho de Administração da estatal.
A versão da presidente era de que ela e os conselheiros do colegiado não tinham conhecimento de cláusulas desfavoráveis a Petrobras, mas Delcídio no anexo 17 da delação é taxativo: “Dilma tinha pleno conhecimento de todo o processo de aquisição da refinaria”. “A aquisição foi feita com conhecimento de todos. Sem exceção”, reforçou o senador. Não seria a primeira vez que Delcídio desmentiria Dilma na delação. No anexo 03, o senador garante que ela teve participação efetiva na nomeação de Nestor Cerveró para a diretoria da BR Distribuidora, contrariando o que ela havia afirmado anteriormente.
No relato aos procuradores, Delcídio disse que “tem conhecimento desta ingerência (de Dilma), tendo em vista que, no dia da aprovação pelo Conselho, estava na Bahia e recebeu ligações de Dilma”. Ex-diretor internacional da Petrobras, Cerveró foi preso em janeiro de 2015, acusado de receber propina em contratos da estatal com empreiteiras. Até então, a indicação de Cerveró era atribuída a Lula e José Eduardo Dutra, ex-presidente da BR Distribuidora, falecido no ano passado. Mas segundo Delcídio, a atuação de Dilma foi “decisiva”. A presidente ligou para ele duas vezes.
Teor explosivo: Depoimento prestado no STF por Delcídio do Amaral (PT-MS) aguarda a homologação.
Na parte inferior, o termo de acordo e os principais tópicos da delação
Na primeira, a presidente telefonou “perguntando se o Nestor já havia sido convidado para ocupar a diretoria financeira da BR Distribuidora”. “Depois, ligou novamente, confirmando a nomeação de Nestor para o referido cargo”, o que se concretizou no dia 3 de março de 2008. Cerveró foi o pivô da prisão de Delcídio. Em 25 de novembro do ano passado, pela primeira vez desde 1985, o Supremo mandava prender um senador no exercício do mandato. Um dos motivos apontados pelo ministro Teori Zavascki foi a oferta de uma mesada de R$ 50 mil para que Cerveró não celebrasse um acordo de delação premiada.
Na delação, Delcídio não só forneceu detalhes do pagamento como fez uma revelação bombástica: disse que o mandante dos pagamentos à família Cerveró foi o ex-presidente Lula. O senador petista trata do tema no anexo 02 da delação. Segundo Delcídio, Lula pediu “expressamente” para que ele ajudasse o amigo e pecuarista José Carlos Bumlai, porque ele estaria implicado nas delações de Fernando Baiano e Nestor Cerveró. Bumlai, segundo o senador, gozava de “total intimidade” e exercia o papel de “consigliere” da família Lula – expressão usada pela máfia italiana e consagrada no filme “O Poderoso Chefão” para designar o conselheiro que detinha uma posição de liderança e representava o chefe em reuniões importantes.
A transcrição da delação pelos procuradores diz no que consistia a ajuda exigida por Lula a Bumlai: “No caso, Delcídio intermediaria o pagamento de valores à família de Cerveró”. Na conversa com o ex-presidente, de acordo com outro trecho da delação, Delcídio diz que “aceitou intermediar a operação”, mas lhe explicou que “com José Carlos Bumlai seria difícil falar, mas que conversaria com o filho, Maurício Bumlai, com quem mantinha boa relação”. O acerto foi sacramentado. Depois de receber a quantia de Maurício Bumlai, a primeira remessa de R$ 50 mil foi entregue em mãos pelo próprio Delcídio ao advogado de Cerveró, Edson Ribeiro, também preso pela Lava Jato.
Os repasses de dinheiro se repetiram em outras oportunidades, de acordo com Delcídio, por meio do assessor Diogo Ferreira. O total recebido foi de R$ 250 mil. Para os procuradores que tomaram o depoimento de Delcídio, a revelação é de extrema gravidade e pode justificar a prisão do ex-presidente Lula. Integrantes da Lava Jato elaboram o seguinte raciocínio: se o que embasou a detenção de Delcídio, preventivamente, foi a tentativa do senador de obstruir as investigações, atestada pela descoberta do pagamento a Cerveró, o mesmo se aplicaria a Lula, o mandante de toda a artimanha.
Não seria a primeira vez que, durante a delação aos integrantes da Lava Jato, Delcídio envolveria Lula na compra do silêncio de testemunhas. De acordo com o senador, Lula e o ex-ministro da Fazenda e da Casa Civil, Antonio Palocci, em meados de 2006, articularam o pagamento a Marcos Valério para que ele se calasse sobre o mensalão. O dinheiro, um total de R$ 220 milhões destinados a sanar uma dívida, segundo Delcídio, foi prometido por Paulo Okamotto. Aos procuradores, o senador relatou uma conversa com Lula em que ele o alerta: “Acabei de sair do gabinete daquele que o senhor enviou a Belo Horizonte (Okamotto). Corra, Presidente, senão as coisas ficarão piores do que já estão”.
Na sequência, Palocci ligou para Delcídio dizendo que o Lula estava “injuriado” em razão do teor da conversa, mas que ele (Palocci), a partir daquele momento, “estaria assumindo a responsabilidade pelo pagamento da dívida”. Valério, de acordo com o senador petista, não recebeu a quantia integral pretendida. De todo o modo, diz o trecho da delação, “a história mostrou a contrapartida: Marcos Valério silenciou”. Ainda sobre o mensalão, Delcídio – ex-presidente da CPI dos Correios – disse ter testemunhado na madrugada do dia 5 de abril de 2006 as “tratativas ilícitas para retirada do relatório (final da CPI) dos nomes de Lula e do filho Fábio Luís Lula da Silva em um acordão com a oposição”. Assim, segundo o anexo 21 da delação, Lula se salvou do impeachment.
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O senador ainda lembrou aos procuradores uma frase do ex-ministro José Dirceu: “Pode checar quem ia à Granja do Torto aos domingos. Te garanto que não era eu”. Sem dúvida, afirmou Delcídio, tratava-se de uma referência a Delúbio Soares e Marcos Valério. Hoje, de acordo com Delcídio, um dos temas que “mais aflige” o ex-presidente Lula é a CPI do Carf. O colegiado apura a compra de MPs durante o governo do petista para favorecer montadoras e o envolvimento do seu filho, Luis Claudio, no esquema. Segundo o senador petista, “por várias vezes Lula solicitou a ele que agisse para evitar a convocação do casal Mauro Marcondes e Cristina Mautoni para depor”.
O consultor Mauro Marcondes, amigo de Lula desde os tempos do ABC, e sua mulher foram presos na Operação Zelotes, da PF, acusado de intermediar a compra de MPs. Documentos integrantes da Operação mostram que a LFT, uma empresa de marketing esportivo pertencente a Luis Claudio Lula da Silva, recebeu R$ 1,5 milhão na mesma época em que lobistas foram remunerados por empresas interessadas na renovação da medida provisória. Afirmou Delcídio aos procuradores da Lava Jato: “Lula estava preocupado com as implicações à sua própria família, especialmente os filhos Fábio Luís e Luis Cláudio”, fato confirmado a ele por Maurício Bumlai.
Outra CPI, desta vez a dos Bingos (encerrada em 2006), segundo Delcídio, teria agido para proteger a presidente Dilma. A declaração vem no bojo de uma revelação que compromete a campanha da presidente em 2010. No anexo 29 da delação, o senador petista afirmou que “uma das maiores operações de caixa 2 para a campanha de Dilma em 2010 foi feita através do empresário Adir Assad”, condenado no fim de 2015 por ser um dos operadores do esquema do Petrolão.
“Orientados pelo tesoureiro de campanha de Dilma, José Di Filippi, os empresários faziam contratos de serviços com as empresas de Assad, que repassava recursos para as campanhas eleitorais”. De acordo com Delcídio, o encerramento prematuro e sem relatório final da CPI dos Bingos deveu-se exclusivamente a esse fato. “Quando o governo percebeu que as várias quebras de sigilo levariam à campanha Dilma 2010, determinaram o encerramento dos trabalhos”, afirmou. Parte dos depoimentos de Delcídio foi tomado dentro do próprio Supremo Tribunal Federal.
Segundo informou à ISTOÉ um dos procuradores responsáveis pelo acordo de delação, para que Delcídio conseguisse deixar a carceragem, em Brasília, sem ser notado, foi montada uma verdadeira operação de guerra envolvendo dezenas de policiais. Desde o início das tratativas a preocupação maior de Delcídio foi justamente com o vazamento prematuro do acordo. Por isso, as insistentes negativas de seus advogados. Até livrar sua pele no Senado, ele preferia o sigilo. Com o novo cenário, de altíssima octanagem, Brasília estremece. Pior para Delcídio. Melhor para os fatos.
Dilma interferiu na lava jato
No anexo 01 da delação, o senador Delcídio do Amaral revela que em três ocasiões a presidente Dilma Rousseff, no exercício do mandato, e o ex-ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, tentaram interferir na Lava Jato. Nomeação do ministro Marcelo Navarro para o STJ fez parte de acordo para soltura de executivos presos.
“1 – A Primeira Investida do Planalto
A despeito dos discursos do governo com relação à sua isenção nos rumos da operação Lava jato, é indiscutível e inegável a movimentação sistemática do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e da própria presidente Dilma Rousseff no sentido de tentar promover a soltura de réus presos no curso da referida operação. Faz parte dessa articulação o advogado Sigmaringa Seixas, figura influente quando se trata, no governo, de indicações para os tribunais superiores. Nas conversas com José Eduardo Cardozo, Dilma se refere a Sigmaringa como ‘the old man’.
A primeira investida do Planalto para tentar alterar os rumos da Lava Jato salta aos olhos pela ousadia: o encontro realizado em 07/07/2015 (18 dias após a prisão de Marcelo Odebrecht e Otávio Azevedo) entre Dilma, José Eduardo e o presidente do STF, Ricardo Levandowski, numa escala em Porto (Portugal) para supostamente falar sobre o reajuste de verbas do Poder Judiciário. A razão apontada pela Presidência é absolutamente injustificável… …A razão principal do encontro, em verdade, foi a mudança nos rumos da Lava Jato. Contudo, a reunião foi uma fracasso, em função do posicionamento retilíneo do ministro Lavandowski, ao afirmar que não se envolveria.
2- A Segunda Investida do Planalto
Em virtude da falta de êxito na primeira investida, mudou-se a estratégia, que se voltou, então, para o STJ, José Eduardo esteve em Florianópolis em agenda institucional… … A ideia era indicar para uma das vagas no STJ o presidente do TJ de Santa Catarina, Nelson Schaefer. Em contrapartida, o ministro convocado, Dr. Trisotto, votaria pela libertação dos acusados Marcelo Odebrecht e Otavio Azevedo. A investida foi em vão porque Trisotto se negou a assumir tal responsabilidade espúria. Mais um fracasso de José Eduardo em conseguir uma nomeação”.
3- Terceira Investida do Planalto
Após os dois fracassos anteriores, rapidamente desenhou-se uma nova solução que passava pela nomeação de Marcelo Navarro, desembargador do TRF da 5ª Região, muito ligado ao ministro e presidente do STJ, Dr. Francisco Falcão. Tal nomeação seria relevante para o governo, pois o nomeado entraria na vaga detentora de prevenção para o julgamento de todos os Habeas Corpus e recursos da Lava Jato no STJ. Na semana da definição da nova estratégia, Delcídio do Amaral esteve com a presidente Dilma no Palácio da Alvorada para uma conversa privada. Conversaram enquanto caminhavam pelos jardins do Palácio e Dilma solicitou que Delcídio conversasse com o desembargador Marcelo Navarro a fim de que ele confirmasse o compromisso de soltura de Marcelo e de Otavio…
… Conforme o combinado, Delcídio do Amaral se encontrou com o desembargador Marcelo Navarrro no próprio Palácio do Planalto, no andar térreo, em uma pequena sala de espera, o que poderá ser atestado pelas câmeras do Palácio. Nessa reunião, muito rápida pela gravidade do tema, o Dr. Marcelo ratificou seu compromisso, alegando inclusive que o Dr. Falcão já o havia alertado sobre o assunto. Dito e feito. A sabatina do Dr. Marcelo pelo senado e correspondente aprovação ocorreram em tempo recorde. Em recente julgamento dos habeas Corpus impetrados no STJ, confirmando o compromisso assumido, o Dr. Marcelo Navarro, na condição de relator, votou favoravelmente pela soltura dos dois executivos (Marcelo e Otavio). Entretanto, obteve um revés de 4X1 contra seu posicionamento, vez que as prisões foram mantidas pelos outros ministros da 5ª turma do STJ.”
Dilma sabia de tudo do acerto de Pasadena
O senador conta que como presidente do Conselho de Administração da Petrobras, Dilma Rousseff, sabia que por trás da compra da Refinaria de Pasadena havia um esquema de superfaturamento para desviar recursos da estatal. Ela poderia ter barrado as negociações, mas os contratos foram aprovados pelo Conselho de Administração em tempo recorde e a Petrobras teve um prejuízo de US$ 792 milhões, como foi comprovado pela Lava Jato e pelo TCU.
“Dilma Rousseff, como então presidente do Conselho de Administração da Petrobras, tinha pleno conhecimento de todo o processo de aquisição da Refinaria de Pasadena e de tudo o que esse encerrava. A alegação de Dilma de que ignorava o expediente habitualmente utilizado em contratos desse tipo, alegando desconhecimento de cláusula como put option, absolutamente convencional, é, no mínimo, questionável. Da mesma forma, discutir um revamp de refinaria que nunca ocorreu, é inadmissível. A tramitação do processo de aquisição de Pasadena durou um dia entre a reunião da Diretoria Executiva e o Conselho de Administração. Delcídio esclarece que a aquisição de Pasadena foi feita com o conhecimento de todos. Sem exceção”.
Dilma queria Cerveró na Petrobrás
O senador revela como, em 2008, Dilma Rousseff atuou de forma decisiva para que Nestor Cerveró fosse mantido na direção da Petrobras. Na ocasião, Cerveró perdeu o cargo de diretor Internacional por pressão do PMDB, mas Dilma conseguiu coloca-lo na Diretoria Financeira da BR Distribuidora.
“Diferentemente do que afirmou Dilma Rousseff em outras oportunidades, a indicação de Nestor Cerveró para a Diretoria Financeira da BR Distribuidora contou efetivamente com a sua participação. Delcídio do Amaral tem conhecimento dessa ingerência tendo em vista que, no dia da aprovação pelo Conselho, estava na Bahia e recebeu ligações de Dilma…
…Não é correta a informação de que a Diretoria Financeira da BR Distribuidora tenha sido produto de entendimento exclusivo de Lula e Dutra (José Eduardo). Dilma Rousseff teve atuação decisiva, comprovada através das ligações mencionadas, quando da sua chegada ao Rio de Janeiro para a reunião do Conselho de Administração da Petrobras. Dilma Rousseff ligou para Delcídio perguntando se o Nestor já havia sido convidado para ocupar a Diretoria Financeira da BR Distribuidora. Depois, ligou novamente confirmando a nomeação de Nestor para o referido cargo, o que restou concretizado na segunda-feira, 03/03/2008, quando da posse de Nestor na BR Distribuidora e de Jorge Zelada na área internacional da Petrobras”.
CPI dos bingos protegeu Dilma
No anexo 29 da delação premiada, o senador Delcídio do Amaral descreve aos membros da Lava Jato uma operação de caixa dois na campanha de Dilma em 2010 feita pelo doleiro Adir Assad. Segundo Delcidio, o esquema seria descoberto pela CPI dos Bingos, mas o governo usou a base de apoio no Congresso para barrar a investigação dos parlamentares.
“Uma das maiores operações de caixa dois da campanha de Dilma em 2010 foi feita através de Adir Assad. Orientados pelo tesoureiro da campanha, José Filippi, os empresários faziam contratos de serviços com as empresas de Assad, que repassava os recursos para as campanhas eleitorais. Esse expediente foi largamente utilizado e o encerramento prematuro e sem relatório final da CPI dos Bingos deveu-se exclusivamente a esse fato. Quando o governo percebeu que as várias quebras de sigilo levariam à campanha de Dilma, determinou o encerramento imediato dos trabalhos”.
Lula mandou pagar Cerveró
Um dos relatos mais explosivos feitos pelo senador Delcídio do Amaral à operação Lava Jato está no anexo 2. O senador revela aos procuradores que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva comandou o esquema do pagamento de uma mesada a Cerveró para tentar evitar sua delação premiada. Foi por intermediar esses pagamentos que Delcídio acabou na cadeia. Lula não queria que o ex-diretor da Petrobras mencionasse o esquema do pecuarista José Carlos Bumlai na compra de sondas superfaturadas feitas pela estatal.
“Lula pediu expressamente a Delcídio do Amaral para ajudar o Bumlai porque supostamente ele estaria implicado nas delações de Fernando Soares e Nestor Cerveró. No caso, Delcídio intermediaria o pagamento de valores à família de Cerveró com recursos fornecidos por Bumlai. Delcídio explicou a Lula que com José Carlos Bumlai seria difícil falar, mas que conversaria com o filho, Maurício Bumlai, com quem mantinha uma boa relação. Delcidio, vendo a oportunidade de ajudar a família de Nestor, aceitou intermediar a operação.
A primeira remessa de R$ 50.000,00 foi entregue pelo próprio Delcidio do Amaral em mãos do advogado Edson Ribeiro, após receber a quantia de Mauricio Bumlai, em um almoço na churrascaria Rodeio do Iguatemi, em 22/05/2015 (em anexo existe base documental para isso). As entregas de valores à família de Nestor Cerveró se repetiram em outras oportunidades. Nessas outras oportunidades quem fez a entrega foi o assessor Diogo Ferreira (em anexo existe base documental disso). O total recebido pela família de Nestor foi de R$ 250.000,00. O próprio Bernardo (filho de Nestor Cerveró) recebeu em espécie do Diogo.
Lula comprou o silêncio de Marcos Valério
O ex-presidente cedeu às chantagens do publicitário Marcos Valério que exigiu R$ 220 milhões para se calar na CPI dos Correios sobre os meandros do Mensalão. Em seu depoimento, Delcídio afirma que ele e Paulo Okamotto (presidente do Instituto Lula) tentaram negociar o pagamento, mas que foi o ex-ministro Antônio Palocci quem assumiu essa tarefa.
“Em 14/02/2006 foi conversado sobre o pagamento de uma dívida prometida por Paulo Okamotto em Belo Horizonte, a fim de que Marcos Valério silenciasse em relação às questões do mensalão. Nos dois dias seguintes, Delcidio do Amaral se reuniu sucessivamente: primeiro com Paulo Okamoto, a fim de que ele cumprisse com o prometido em Belo Horizonte (de acordo com Marcos Valério o valor seria de R$ 220 milhões); segundo com o ex-presidente Lula, sendo que na conversa Delcidio disse expressamente ao presidente: ‘acabei de sair do gabinete daquele que o senhor enviou à Belo Horizonte. Corra presidente, senão as coisas ficarão piores do que já estão’.
No dia seguinte, Delcidio recebeu uma ligação do então ministro da Justiça, Marcio Thomaz Bastos, na qual este disse: ‘parece que sua reunião com o Lula foi muito boa, né?’. A resposta de Delcidio foi a seguinte: ‘não sei se foi boa para ele’. Na sequência, o ministro da Fazenda, Palocci, ligou para Delcidio dizendo que Lula estava ‘injuriado’ com ele em razão do teor da conversa. Contudo, Palocci disse que estaria, a partir daquele momento, assumindo a responsabilidade pelo pagamento da dívida. Marcos Valério recebeu, mas não a quantia integral pretendida. De todo modo, a história mostrou a contrapartida: Marcos Valério silenciou.”
“Exclusão de Lula e Lulinha da CPI dos correios evitou o impeachment”
No anexo 21 da delação, Delcídio relata a forte atuação de Lula e aliados sobre os parlamentares da CPI dos Correios. O senador, que presidiu a CPI, afirma que a votação do relatório que poupou o ex-presidente foi duvidosa.
“Lula se salvou de um impeachment com a exclusão de seu nome e de seu filho Fábio Lula da Silva (o Lulinha) na madrugada do dia 05/04/2006 do relatório final da CPI dos Correios, que foi aprovado em votação polêmica e duvidosa naquele mesmo dia”.
Lula pressiona CPI do CARF para proteger a família
Delcidio afirmou aos procuradores da Lava Jato que, como líder do governo, foi pressionado por Lula para que Mauro Marcondes e Cristina Mautoni não fossem depor na CPI que apura a venda de Medidas Provisórias. Ele revelou que o ex-presidente temia que o casal pudesse implicar seus filhos no escândalo.
“Delcidio do Amaral tem conhecimento de que um dos temas que mais aflige o presidente Lula é a CPI do Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais). A preocupação do ex- presidente foi elevada especialmente quando da convocação de Mauro Marcondes e sua esposa Cristina Mautoni. Por várias vezes o próprio Lula solicitou a Delcidio que agisse para evitar a convocação do casal para depor perante a CPI. Lula alegava que estava muito preocupado com eles.
Mas, em verdade, Lula estava preocupado com implicações à sua própria família, especialmente com os filhos Fábio Luiz Lula da Silva e Luiz Claudio Lula da Silva. Esse fato foi confirmado a Delcídio por Maurício Bumlai, que conhece muito bem a relação dos familiares de Lula com a casal. Em resposta a insistência de Lula, Delcídio, como líder do governo no Senado, mobilizou a base do governo para derrubar os requerimentos de convocação do casal na reunião ocorrida em 05/11/2015, onde logrou êxito”.
Bumlai é o consigliere da família Lula
No anexo 6 de sua delação premiada, Delcidio descreve as relações de Bumlai com o ex-presidente e sua família. Fala sobre os negócios escusos envolvendo o pecuarista e a Petrobras e cita as obras no sítio de Atibaia.
“Ao contrário do que afirma o ex-presidente Lula, José Carlos Bumlai goza de total intimidade com ele, representando de certa maneira o papel de ‘consigliere’ da família Lula….
De todas as ações ilícitas de Bumlai, uma das mais relevantes é a aquisição/operação, pela Petrobras, da sonda Vitória 10.000, cujos desdobramentos políticos e financeiros são muito maiores do que os divulgados. O negócio foi feito com a finalidade de quitar uma dívida de Bumlai com o Banco Schahim, divida essa de R$ 12 milhões. O contrato girou em torno de US$ 16 milhões… A realidade é que o contrato não só quitou a dívida de Bumlai como pagou dívidas da campanha presidencial de Lula em 2006…
Bumlai foi o principal responsável pela implementação do Instituto Lula, disponibilizando de todo o aparato logístico e financeiro. Foi também a pessoa que ficou responsável, em um primeiro momento, pelas obras do sítio de Atibaia, do ex-presidente Lula. Delcidio tem conhecimento de que Bumlai já tinha contratado arquiteto e engenheiro para a realização das obras, o que foi abortadopor Léo Pinheiro, outro grande amigo do presidente, que pessoalmente se dispôs a fazer o serviço através da OAS em um curto espaço de tempo”.
Pedágio na CPI da Petrobras
Delcído diz que os senadores Gim Argello (PTB-DF) e Vital do Rego (PMDB-PB) e os deputados Marco Maia (PT-RS) e Fernando Francischini (SD-PR) cobravam de empreiteiros para não serem convocados na CPI da Petrobras.
“Delcidio do Amaral sabe de ilicitudes envolvendo o desfecho da CPI que apurava os crimes no âmbito da Petrobras. A CPI obrigava Léo Pinheiro, Júlio Camargo e Ricardo Pessoa a jantarem todas as segundas-feiras em Brasília. O objetivo desses jantares era evitar que os empresários fossem convocados para depor na CPI. Os senadores Gim Argello, Vital do Rego e os deputados Marco Maia e Francischini cobravam pedágio para não convocar e evitar maiores investigações contra Léo Pinheiro, Júlio Camargo e Ricardo Pessoa.”
Pedro Corrêa conta em sua delação que Lula sabia do petrolão
Informação é da revista Época, que diz que delação está prestes a ser assinada
O ex-deputado Pedro Corrêa – Ailton de Freitas/2005 / Agência O GLOBO
O ex-deputado federal Pedro Corrêa, ex-presidente do Partido Progressista (PP) condenado e preso no mensalão e na Lava-Jato, contou durante negociação de delação premiada que Luiz Inácio Lula da Silva sabia da existência do petrolão e sabia da função exercida no esquema pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa. A informação é de reportagem da revista ‘Época’, publicada neste sábado, que diz que a delação deve ser assinada nos próximos dias.
A publicação semanal detalha que dos 73 capítulos e mais de 130 agentes políticos citados na proposta de delação de Corrêa, o personagem principal é o ex presidente. Pedro Corrêa ofereceu aos investigadores relatar cinco episódios comprometedores envolvendo Lula.
De acordo com a ‘Época’, o ex-parlamentar detalha que o embrião do esquema de corrupção da Petrobras era o mensalão. E acrescenta que, desde 2004, “o petrolão financiava o mensalão”.
Os investigadores que conversaram com a revista e que tiveram acesso à proposta de delação de Corrêa contam que os relatos dele são bastante detalhados e impressionam pela capacidade de memória do ex-parlamentar. Eles ponderam, no entanto, que, diferente de outras colaborações, Pedro Corrêa não apresenta provas robustas, como extratos bancários, mas faz o que chamaram de “verdadeira crônica da política brasileira”, apontando irregularidades em diversos períodos da história e em distintos partidos.
Corrêa foi condenado pelo mensalão a sete anos e dois meses pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Começou a cumprir a pena no fim de 2013. No semiaberto, ele tinha o direito de sair durante o dia para trabalhar e voltar para a cadeia só à noite, para dormir. No ano passado, o ex-parlamentar recebeu autorização para trabalhar como médico radiologista em uma clínica localizada em Garanhuns, cidade vizinha. Depois, passou a trabalhar no próprio presídio. Quando foi transferido para Curitiba, como era prisão preventiva, ele perdeu esse benefício e passou a ficar na prisão o dia inteiro.
Na Lava-Jato, ele foi condenado a 20 anos e sete meses de prisão pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. Segundo a denúncia, ele recebeu ao menos R$ 11,7 milhões em vantagens indevidas do esquema de corrupção na Petrobras.
Cidades registram ‘aplaudaço’ à PF após Lula depor na Lava Jato
MPF suspeita que ex-presidente se beneficiou de crimes na Petrobras.
Instituto e empresa de palestras recebeu R$ 30 milhões de investigadas
Diversas cidades brasileiras registraram um “aplaudaço” em apoio à Polícia Federal na noite desta sexta-feira (4), dia em que foi deflagrada a 24ª fase da Operação Lava Jato, que investiga se o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se beneficiou do esquema de corrupção na Petrobras. O movimento foi convocado pelas redes sociais.
As manifestações ocorreram em ao menos 14 estados.
O MPF alega que Lula era um dos “principais beneficiários” do esquema de corrupção que atuava na Petrobras e que surgiram evidências de que os crimes cometidos na estatal o “enriqueceram” e financiaram campanhas eleitorais e o caixa do PT.
O ex-presidente foi alvo de mandado de condução coercitiva (quando uma pessoa é forçada a se apresentar para depor) e foi ouvido pela Polícia Federal no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, pela manhã. Em seguida, Lula foi para o diretório do PT, onde disse ter se sentido um “prisioneiro” e que “jamais” se recusaria a prestar depoimento.
A defesa do ex-presidente pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a suspensão dos procedimentos da 24ª fase da Operação Lava Jato, intitulada Aletheia (busca da verdade). A ministra Rosa Weber, entretanto, negou. Ao todo, foram expedidos 44 mandados judiciais, sendo 33 de busca e apreensão e 11 de condução coercitiva, em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Brasília.
“Quero manifestar o meu mais absoluto inconformismo com o fato de o ex-presidente Lula, que por várias vezes compareceu de forma voluntária para prestar esclarecimentos perante as autoridades, seja agora submetido a uma desnecessária condução coercitiva para prestar mais um depoimento”, disse.
O líder do DEM na Câmara, deputado Pauderney Avelino (AM), afirmou que o epsiódio mostra que “ninguém está acima da lei”. O presidente nacional do PSDB, Aécio Neves – que perdeu a eleição de 2014 para Dilma – afirmou que os indícios de que o PT cometeu crimes “estão vindo à luz”.
“Os graves indícios de irregularidades e crimes cometidos à sombra do projeto de poder do PT finalmente estão vindo à luz. Vamos continuar apoiando as investigações. O Brasil merece conhecer a verdade”, disse Aécio, por nota no Facebook
STF nega pedido para anular investigações contra Lula na Lava-Jato
Segundo a ministra Rosa Weber, não houve ‘ilegalidade irrefutável’ na condução das apurações
A Ministra Rosa Maria Weber – Ailton de Freitas / 04-10-2012 / Agência O Globo
A ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou nesta sexta-feira o pedido feito pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para interromper as investigações contra ele e também as ações deflagradas em 4/3/16 Segundo a ministra, não houve “ilegalidade irrefutável” na condução das apurações.
“A imposição de óbice à atividade persecutória, mormente dentro dos limites estreitos de cognição relacionados ao exame de provimentos liminares, demanda o reconhecimento de ilegalidade irrefutável, patente e de imediata compreensão, sob pena de indevida ingerência em prerrogativa constitucional titularizada pelo Ministério Público em nome da sociedade. Não é o que se verifica”, ponderou Rosa.
Na semana passada, Lula entrou com ação no STF pedindo que as investigações contra ele sejam suspensas até a definição sobre qual o órgão indicado para conduzir os casos: se o Ministério Público de São Paulo, ou o Ministério Público Federal. A defesa de Lula também pede que as apurações saiam do âmbito da Lava-Jato. Segundo a defesa, há conflito de competência, porque os dois órgãos estariam investigando os mesmos fatos, o fato de empreiteiras terem pago benfeitorias no tríplex em Guarujá e no sítio de Atibaia, ambos em São Paulo. Os imóveis seriam destinados ao uso pessoal de Lula.
No entanto, o Ministério Público Federal enviou ofício ao STF explicando que o Ministério Público de São Paulo investiga apenas as transferências de empreendimentos da Cooperativa Habitacional dos Bancários Bancoop para a OAS. O caso do tríplex surgiu a partir dessa investigação, mas os procuradores já teriam transferido as suspeitas para o Ministério Público Federal, onde atua a força-tarefa da Lava-Jato. A mesma força-tarefa também estaria conduzindo as investigações referentes ao sítio.
Na manhã desta sexta-feira, a defesa de Lula anexou na mesma ação pedido para que fossem suspensos os procedimentos e diligências da Operação Aletheia, deflagrada na manhã desta sexta-feira. Segundo a defesa, as medidas foram o “último movimento do concerto executado por uma orquestra bem afinada”. Para os advogados, a condução coercitiva de Lula para prestar depoimento foi desnecessária. Isso porque ele já prestou depoimento à PF após ser notificado em outra investigação. “Portanto, não há nenhuma base para presumir que, regularmente notificado, não iria repetir um ato de cuja realização não relutara”, diz a defesa.
Fonte: O Globo, G1, Épocae Isto é
Empresas recusaram acordo de R$ 1 bi para se livrar da Lava-Jato
Negociação foi proposta por Marcio Thomaz Bastos. Acerto administrativo poria fim à Lava-Jato
Negociação. Márcio Thomaz Bastos no plenário do STF durante julgamento do mensalão: ex-ministro propôs acordo com empreiteiras que incluía pagamento de indenização – Ailton de Freitas / Ailton de Freitas/2-8-2012
Seis meses após o início da Operação Lava-Jato, em setembro de 2014 advogados das maiores empreiteiras brasileiras sentaram-se à mesa do ex-ministro da Justiça e advogado Márcio Thomaz Bastos para ouvir o seu diagnóstico: era melhor que todos fizessem um grande acordo para tentar encerrar as investigações. O preço era assumir a culpa em atos de corrupção envolvendo a Petrobras e pagar uma indenização a ser rateada entre as empresas. Algo estimado, na época, em R$ 1 bilhão, valor que teria sido surgido a partir de conversas de Bastos com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot.
A proposta foi recusada. Dois meses depois, a Polícia Federal começou a prender executivos de empresas como Camargo Corrêa, OAS, Engevix e UTC.
Segundo os advogados que participaram das conversas, a oposição mais contundente veio das empresas Odebrecht, OAS e Engevix. Bastos, ex-ministro do governo Lula, mirava o futuro pelo espelho do retrovisor. Primeiro, conhecia o rigor do juiz da 13ª Vara Federal em Curitiba, Sérgio Moro, de outros carnavais — principalmente em processos que envolviam lavagem de dinheiro e corrupção.
O advogado já detectava a ação de uma força- tarefa bem articulada, com profissionais dispostos a chegar longe. E percebeu cedo que, do Palácio do Planalto, não viria o bombeiro (ou bombeira) disposto a apagar aquele fogo.
Minuta com base na lei anticorrupção
Bastos, que foi ministro da Justiça por quatro anos e meio e, em 2014, advogava para Camargo Corrêa e Odebrecht, encomendou a redação de uma minuta à luz da então recém-aprovada Lei Anticorrupção, para circular entre as empresas investigadas. O GLOBO obteve acesso ao documento que poderia ter sido a peça-chave de uma outra narrativa para a Lava-Jato — que completa dois anos na próxima quinta-feira. Pela minuta, “colaboradores e dirigentes” das empresas assumiam terem estado em “situações de potencial conflito com dispositivos legais” e manifestavam “inequívoca disposição em colaborar com a administração na elucidação dos fatos supracitados”.
As empresas se comprometeriam a “cessar a prática” de atos de corrupção relatados no acordo, que seria formalizado pela Controladoria-Geral da União (CGU). Obrigavam-se a “cooperar plenamente com as apurações”, ressarcir “integralmente o dano ao Erário” que viesse a ser identificado, para poderem continuar a ser contratadas pelo poder público. E incluía uma cláusula benéfica às empresas: a qualquer momento poderiam “desistir das obrigações previstas”, ficando “sem efeito” eventuais declarações apresentadas à autoridade.
“Se arrecadar R$ 1 bilhão para fazer dez penitenciárias, estou satisfeito”, teria dito Rodrigo Janot a Bastos, segundo relato do advogado José Francisco Grossi, testemunha do encontro dos dois. Duas fontes próximas a Bastos também confirmaram o valor.
— Ali buscávamos pontes para uma conversa. Era tudo preliminar. Naturalmente, Janot precisaria ainda conversar com os procuradores — conta Grossi.
Na época advogado da UTC, Alberto Toron confirma ser de Thomaz Bastos a ideia original do acordo, sobre o qual conversou com ele e em encontros com outros advogados.
— É preciso lembrar que o contexto de hoje é bem diferente do que havia em setembro de 2014. Não havia empresário preso, apenas uma suspeita de participação de empresas em atos investigados — diz.
Mesmo prestando serviços para a Odebrecht, o ex-ministro ouvia da empresa as ressalvas mais contundes à proposta, segundo os relatos. A maior dificuldade da multinacional brasileira era assumir responsabilidade por crimes, com repercussão em contratos internacionais.
— As empresas só consideravam a ideia de pagar multa e finalizar a investigação, sem assunção de culpa — disse Toron.
No encontros, advogados contra o acordo mencionavam haver elementos para anular a ação policial em tribunais superiores. Segundo relatos de participantes da reunião, diziam que “o primeiro time de criminalistas ainda não havia entrado em campo”, e que a morte da Lava-Jato era questão de tempo.
“O Brasil mudou, é preciso tomar cuidado”, respondia Bastos, que também mencionava a necessidade de se considerar melhorias em políticas de governança das empresas, inclusive com participação direta de órgãos do governo.
A proposta de acordo foi tocada por Bastos bem antes de várias descobertas da Lava-Jato — como as contas da Odebrecht e de diretores da Petrobras no exterior, repasses a ao ex-ministro José Dirceu e a ação de operadores de propina.
— Naquela época, havia um movimento, uma sucessão de delações com menções às grandes empresas. O agravamento da crise já ocorria e era previsível — conta o criminalista Celso Vilardi, que nos meses seguintes se tornaria o responsável por acordo de executivos da Camargo Corrêa com a força-tarefa da Lava-Jato.
Vilardi lembra o alerta feito por Bastos, desde o início, para o papel das colaborações premiadas. O próprio Vilardi considerava que a anulação de provas — principal estratégia apresentada por advogados que atuaram contra o acordo — não surtiria o efeito esperado:
— Paulo Roberto Costa (ex-diretor de Abastecimento da Petrobras) confessou a existência de contas no exterior para receber propina de empresas, dinheiro que voltou para o Estado. Anular a operação implicaria aceitar devolver esse dinheiro para pessoas que assumiram crimes. Que magistrado de tribunal superior concordaria com isso? — pergunta Vilardi.
No início de novembro, poucos dias antes da fase da Lava-Jato que ficou conhecida como “Juízo Final”, advogados tiveram um encontro com procuradores. Souberam que seria preciso entregar muito mais informação à polícia e assumir responsabilidades para evitar qualquer ação da Justiça. Como noticiou O GLOBO, a CGU também tentou levar adiante a ideia de viabilizar algum acordo após a morte de Bastos, em 20 novembro de 2014.
O procurador-geral da República não chegou a defender publicamente a proposta de acordo de Bastos. Em encontros com advogados após a morte do ex-ministro, ele se opôs à ideia de formalização de acordo em conjunto e, principalmente, sem assunção de culpa. Quando vazaram informações sobre a continuidade das conversas, sofreu forte reação da força-tarefa, o que resultou no sepultamento de qualquer iniciativa da procuradoria pelo acordo.
Advogada da Odebrecht nos encontros com Bastos, Dora Cavalcanti disse não ter recebido a minuta redigida por encomenda do ex-ministro, de quem afirma ter sido bastante próxima.
— Se chegou a nós, não passou por mim — afirmou Dora, que completou “não ter a lembrança de reunião específica sobre a proposta”.
Responsável pela defesa da Engevix no início da Lava-Jato, o advogado Augusto de Arruda Botelho também disse não ter tratado do assunto com Bastos. O advogado da OAS, Roberto Telhada, não respondeu ao GLOBO.
Por meio da assessoria, Janot disse desconhecer a estimativa de R$ 1bilhão para encerrar a Lava-Jato. Afirmou que considerava, desde aquela época, a força-tarefa em Curitiba a autoridade competente para conduzir qualquer negociação.
Certas imagens valem mais que mil palavras. Assim é fácil entender por que a missão da COP21 é evitar que a temperatura se eleve mais de 2ºC e o nível dos oceanos suba de 4,3 metros a 9,9 metros até o fim do século
Não é de hoje que ouvimos histórias de que a Terra estaria próxima de acabar. Pelo menos todo ano, um alerta sobre o fim do planeta fica em evidência.Desta vez não se trata de um apocalipse ou meteoro, um site especializado afirma que o planeta se aproxima aceleradamente do seu fim por conta de uma alteração na temperatura.
Um “ponto irreversível” foi ultrapassado pela temperatura do hemisfério norte, onde foram registrados dois graus acima do ponto de inflexão, o que foi discutido na última Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, ocorrida em dezembro do ano passado, em Paris.
Sendo assim, uma vez que a maior parte do hemisfério norte superou os níveis normais de temperatura nesse último inverno, o aquecimento global não é impossível e nem uma ameaça futura, mas uma realidade, comprovada na escassez de água, inundações e secas que afetam planeta em grandes proporções.
Com informações do Mirror.
Fonte: Revista Planeta
Nada como o argumento da imagem para convencer as pessoas sobre uma provável realidade indesejada, não é? Nas fotos desta reportagem, você pode ver com seus próprios olhos como ficarão cartões-postais do mundo atual, incluindo a Igreja da Candelária, no Rio de Janeiro, se os gases de efeito estufa seguirem sendo emitidos desenfreadamente, tal como acontece hoje. As imagens foram criadas pelo artista gráfico Nickolay Lamm e estão baseadas no relatório da organização independente norte-americana Climate Central, publicado em novembro na PNAS (Proceedings of the National Academy of Sciences), revista da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos.
O aquecimento global causado pelo acúmulo de gases-estufa, que não deixam o calor se dissipar, já provocou um aumento do nível do mar de cerca de 20 centímetros, desde 1880 até hoje. O ritmo de elevação só tende a acelerar. Os cientistas calculam que, somente no século 21, é provável que os oceanos subam de 60 centímetros a 2 metros mais. Tudo depende de quanta poluição atmosférica a humanidade ainda pretende despejar na atmosfera.
Wall Street, a icônica rua do centro financeiro de Nova York, é usada para mostrar onde chegará o nível do mar se a temperatura subir 2ºC e 4ºC (foto anterior).
Segundo as projeções da Climate Central, se não forem tomadas medidas para diminuir emissões, a temperatura global subirá 4,5oC, até 2100, em comparação aos níveis pré-industriais. Como consequência, você, seus filhos ou netos verão o nível dos oceanos subir de 4,3 metros a 9,9 metros, até o fim deste século, submergindo os primeiros andares de diversas áreas de cidades costeiras superpopulosas como Mumbai (Índia), Xangai (China), Nova York (EUA), Londres (Inglaterra) e Sydney (Austrália). Qualquer semelhança com a Veneza que conhecemos hoje não será mera coincidência.
A escadaria da Igreja da Candelária, no centro do Rio de Janeiro, ficará submersa com o clima 4ºC mais quente do que hoje
A forma mais incisiva de evitar esses aumentos é implementar a tão falada “economia de baixo carbono” – já que as medições dos gases de efeito estufa têm como base o carbono. Essa é a questão que estará sobre as mesas de negociações da 21ª Conferência das Partes das Nações Unidas para Mudanças Climáticas (COP21), na França (veja matéria sobre elaaqui). “Em dezembro, uma nova rodada-chave de diálogos sobre o clima global acontece em Paris. As decisões tomadas lá deverão influenciar fortemente qual desses cenários de futuro será mais provável”, escreve Benjamin Strauss, coautor do estudo, no site da Climate Central.
Barreira vital
Para evitar catástrofes climáticas como as mostradas nas imagens que ilustram estas páginas, o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU (IPCC, da sigla em inglês) propõe não deixar o aumento da temperatura ultrapassar 2ºC. Isso envolve questões de segurança alimentar, preservação de espécies, acesso à água doce e, inclusive, a integridade de milhões de cidades costeiras. Ameaçados desde já, alguns países e cidades insulares pedem que o limite-alvo seja fixado em 1,5ºC.
O moderno bairro de Pudong e o centro histórico de Xangai, polo financeiro da China, que ficam nas margens do rio Huangpu, perderão vários andares das suas construções com 4ºC a mais no termômetro
Grande parte dos 196 países que participarão da COP21 apresentou suas propostas voluntárias para conter essa elevação. Segundo as avaliações da Climate Interactive, entretanto, as perspectivas não são muito animadoras. A ONG, sediada em Washington (EUA), usou um simulador desenvolvido especialmente para visualizar os cenários prováveis e descobriu que o que os países se oferecem até agora a fazer ainda não é suficiente.
A Opera House, cartão-postal de Sydney, Austrália, se salvaria por questão de centímetros, por estar construída sobre um platô
Se os países não fizerem nada mais além do que se propuseram até 2025 ou 2030, o aumento será de 3,5ºC. Se derem continuidade às ações sugeridas, a temperatura irá aumentar 3,2ºC. Caso a China (o maior poluidor do mundo) se comprometa a reduzir em 2% por ano suas emissões após atingir o pico de emissões previsto para 2030, a elevação recuaria um pouco mais, alcançando 3ºC. Com o envolvimento de outros países em desenvolvimento até 2035, o aumento não passaria de 2,6ºC. Na melhor das hipóteses, somente se todos os países alcançassem seus picos em 2035 e reduzissem suas emissões em 3,5% por ano seria possível frear a elevação da temperatura nos emblemáticos 2ºC.
O desafio é enorme: a água já está batendo na canela da humanidade e pode passar do pescoço. Somente com um real comprometimento mundial – como o que foi visto no Protocolo de Montreal, de 1987, para impedir o aumento do buraco na camada de ozônio – ainda se poderão manter as praias, as cidades, os animais, as fontes de água doce e a vida como conhecemos hoje até o fim deste século.
Superaquecimento no Golfo
Kuwait: picos de 60 graus Celsius daqui a alguns anos
O aquecimento global promete castigar severamente o Golfo Pérsico, área-chave da extração de petróleo, afirmam cientistas americanos. Em pesquisa publicada na revista Nature Climate Change, Jeremy Pal e Elfatih Eltahir, do Massachusetts Institute of Technology (MIT), afirmam que, se nada for feito em relação à mudança climática, os picos de temperatura atingidos na região serão ocorrências quase diárias em 2070. A combinação fatal de temperatura de 46°C e umidade de 50% quase foi atingida em Bandar Mahshahr (Irã) em julho deste ano. As previsões mostram que a temperatura de 45°C será comum no verão em vários pontos do Golfo daqui a alguns anos, com picos de 60°C no Kuwait. Meca e Jeddah, locais de peregrinação na Arábia Saudita, também não escaparão do calor extremo. Os países produtores de petróleo da região, sobretudo a Arábia Saudita, costumam frustrar as negociações sobre o clima.
MP-SP denuncia Estado por “criar indústria da multa”
Entre 2008 e 2011, Detran usou somente 0,05% do arrecadado com multas em melhorias no trânsito
O Ministério Público de São Paulo ajuizou ação civil pública com pedido de liminar para que o estado seja proibido de movimentar recursos de multas de trânsito que, segundo o órgão, estão sendo recolhidas irregularmente em conta do Tesouro Estadual. Para a promotoria, o governo paulista, por meio de seus órgãos de fiscalização de trânsito, tem criado uma indústria da multa por conta do direcionamento indevido dos recursos.
A ação se baseia em auditoria realizada pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-SP) que aponta que verbas de multas arrecadadas pelo Detran, DER e DERSA entram diretamente na conta do Tesouro, como fonte de receita, sem emprego de conta individualizada e destinação vinculada. A auditoria ocorreu depois de denúncias de que o Detran utilizou somente 0,5% dos valores arrecadados com multas, entre 2008 e 2011, dentro do que estabelece o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), ou seja, para sinalização, engenharia de tráfego e de campo, policiamento e fiscalização e educação de trânsito.
No entendimento da Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social da Capital, a manobra descaracteriza a verdadeira função das multas. “Não há uma fonte/conta detalhada e específica para depósito dos valores angariados pelo Estado a título de multas por infrações de trânsito, o que impede verificar se o Governo do Estado de São Paulo vem respeitando a vinculação prevista no art. 320 do CTB. Há sim uma conta única do Tesouro Estadual, de forma que a transferência dos recursos é realizada pela Secretaria Estadual da Fazenda”, cita o MP na ação.
Em 2014, somente o Detran arrecadou R$ 227 milhões com multas. “Não há como se saber se tais recursos arrecadados foram destinados ao órgão de trânsito arrecadatório, nem tampouco se foram aplicados conforme estabelece o Código Nacional de Trânsito”.
A ação considera a prática ilegal e uma violação ao Código Nacional de Trânsito e à Lei de Responsabilidade Fiscal que vinculam a arrecadação das multas a atividades ligadas diretamente à política nacional de trânsito. “Ao utilizar os valores arrecadados com as multas para outros fins da atividade estatal, a multa passa a ser fonte de receita tributária do Estado, a fomentar a verdadeira indústria de arrecadação fiscal”.
Na ação, a promotoria pede à Justiça que conceda liminar determinando que não sejam movimentados os recursos da arrecadação das multas e que o dinheiro não seja aplicado em outros serviços…
…a não ser aqueles relacionados ao trânsito.
Para a promotoria, existem provas explícitas de que a destinação irregular dos recursos compromete o desenvolvimento do trânsito. “Basta trafegar por estradas estaduais com administração não concedida à iniciativa privada para se entender as nefastas consequências dessa desvirtuada gestão: são esburacadas e mal projetadas; sinalização deficiente e desgastada; ausência de projeto concreto de engenharia de tráfego a prestigiar a fluidez do trânsito, sobretudo em épocas de grande fluxo; pífia formação e reciclagem de condutores; ausência de campanhas educativas permanentes, dentre tantas outras”, conclui.
Gestão petista acusa MP de perseguição política
O Ministério Público Estadual (MPE-SP) acusa a gestão da prefeitura paulista de usar indevidamente R$ 617 milhões arrecadados com multas de trânsito. Segundo reportagem da Agência Estado, o órgão responsabiliza pelo possível desvio dos recursos o prefeito Fernando Haddad, o secretário de Transportes, Jilmar Tatto; o ex-secretário de Finanças Marcos de Barros Cruz e o atual, Rogério Ceron de Oliveira.
O promotor Marcelo Milani, que ajuizou a ação civil pública na Justiça, alega que a prefeitura paulista deixou de destinar os recursos para a educação no trânsito. Ainda segundo ele, a gestão Haddad tem atuado com o único objetivo de criar uma indústria de multas. Na ação, Milani pede ao Judiciário o bloqueio de bens do prefeito e de secretários e que a cidade receba R$ 185 milhões pelos danos.
O promotor apresenta na ação vídeos que mostram agentes da Companhia de Engenharia de Tráfego aplicando multas sem orientar os motoristas. Em um dos casos, agentes estão na Marginal Pinheiros escondidos atrás de uma árvore com um radar móvel.
Por meio de nota, a gestão Haddad alegou que a alegação de desvio de recursos das multas trata-se de uma questão interpretativa. A prefeitura afirma que a aplicação do dinheiro foi feita com base na legislação, da mesma forma que ocorreu em outras administrações. Ainda segundo a administração municipal, a ação apenas contra a atual administração “causa estranheza”.
Indústria da multa Em agosto, a Rádio SulAmérica Trânsito denunciou um suposto esquema na CET, no qual agentes deveriam cumprir a metas mensais de multas. Na reportagem de Renata Carvalho…
…e Ronaldo Rodrigues, funcionários da companhia, que tiveram suas identidades preservadas, revelaram sofrer pressão para atuar e guinchar mais veículos – a meta seria remover 120 veículos por dia. “Depois que houve troca de diretoria começou o terrorismo em cima da gente. Querem mais autuações. Em uma reunião disseram que a única forma de não sermos transferidos era aumentar os registros de multas”, disse um dos funcionários.
Ainda de acordo com a denúncia, as ameaças são feitas em reuniões a portas fechadas, de forma sutil e verbal. A pressão e o medo dos agentes acabam influenciando na interpretação de irregularidade de trânsito. “Há 15 anos trabalho na CET e nunca aconteceu isso. Éramos instruídos a agir corretamente”, reforça o funcionário.
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