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Tragédia ambiental da Samarco

06/12/2015

Um mês da tragédia – veja ações da polícia, MP, MPF, Justiça e Samarco

G1 fez levantamento de todas as investigações a respeito do desastre.
Veja o que já foi feito após o rompimento da Barragem de Fundão.

O que causou o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, na Região Central de Minas? Por que as licenças concedidas pelos órgãos ambientais, as fiscalizações e a expertise da Samarco , cujas donas são a Vale a anglo-australiana BHP Billiton, não foram suficientes para prevenir o ocorrido e poupar sofrimento e vidas? A tragédia em Mariana completa um mês neste sábado (5) sem muitas respostas. As causas e as responsabilidades pelo ocorrido são apuradas e não há prazo para a conclusão de inquéritos.

Até o momento, a mineradora não sabe explicar o que levou ao colapso da barragem e à consequente liberação do “mar de lama”, que devastou vilarejos. Centenas de pessoas foram obrigadas a deixar suas casas sem olhar para trás, correndo para se proteger. Hoje, estão em hotéis ou casas alugadas, sem previsão de uma solução definitiva. Alguns não conseguiram fugir da avalanche de lama e rejeitos de minério e estão na lista de mortos e desaparecidos.

Atuação da Polícia (Foto: Arte/G1)
 

DESASTRE AMBIENTAL
Barragem se rompe em Mariana

Aberto um dia após atragédia, o inquérito criminal da Polícia Civil de MG investiga as causas e as consequências do rompimento da barragem, além dos crimes ambientais e os homicídios ocorridos. De acordo com a Polícia Civil, a fase de depoimentos prevê 60 pessoas interrogadas até o fim de dezembro. A investigação é considerada complexa e depende do resultado de laudos.

A previsão era de conclusão da investigação em 30 dias, mas o delegado regional de Ouro Preto, Rodrigo Bustamante, conseguiu a prorrogação do prazo com a Justiça.

Os crimes investigados pela Polícia Civil são homicídio, crime de soterramento, crimes ambientais contra fauna, flora e poluição de rios, além de outros crimes que podem surgir ao longo do inquérito e também a partir dos resultados de perícia.

Os danos desta tragédia ultrapassam os limites de Minas, chegando ao Rio Doce, que corta o Leste mineiro e o Nordeste do ES. Diante disso, a Superintendência da Polícia Federal em Minas Gerais abriu, no dia 17 de novembro, inquérito policial para apurar se o rompimento da barragem de Fundão foi crime ambiental e as circunstâncias da tragédia. A poluição causada ao rio e que tornou necessária a interrupção do abastecimento de água em várias comunidades é um dos pontos desta investigação.

O pedido de abertura partiu do procurador da república José Adércio Leite Sampaio, que pede que órgãos como a Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam), o Conselho de Política Ambiental (Copam) e o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) também sejam investigados, além da Samarco. Para ele, há apontamentos de irregularidades durante o licenciamento da barragem.

Atuação do Ministério Público (Foto: Arte/G1)

Cabe ao Ministério Público propor ação de responsabilidade civil pelos danos causados ao meio ambiente, o que já foi feito. A pedido do Ministério Público Estadual, a Justiça em Mariana determinou o bloqueio de R$ 300 milhões da Samarco para resguardar o direito à indenização das famílias afetadas pelo rompimento.

Novas ações podem ser propostas a partir de inquéritos civis públicos, que estão em andamento. Pelo Ministério Público de Minas Gerais (MP-MG), o último foi aberto nesta quinta-feira (3) para investigar a atuação de servidores de órgão ambientais que liberaram a licença de operação da Samarco. Segundo promotores, há indícios de irregularidades que podem levar à exoneração. As operações da Vale na mina em Mariana também são apuradas.

Parte do degrau da barragem Germano, em Minas, cedeu após o colapso da barragem do Fundão (Foto: Corpo de Bombeiros/Reprodução/Fantástico)Parte do degrau da barragem Germano
(Foto: Corpo de Bombeiros/Reprodução/Fantástico)

Uma força-tarefa composta por nove promotores já investigava a causa do rompimento e a segurança das barragens Santarém e Germano, que estão em risco, conforme a própria Samarco admitiu. Uma série de recomendações foi expedida e levou ao pagamento de auxílio-financeiro às famílias por parte da Samarco.

A atuação dos promotores e de procuradores do MPF também resultou na assinatura de um Termo de Compromisso Preliminar com a Samarco, garantindo montante mínimo de R$ 1 bilhão para ser gasto em medidas de prevenção, contenção e compensação dos danos ambientais.

“Uma requisição que o Ministério Público vem fazendo há algum tempo é de que a empresa apresente a projeção dos possíveis impactos em caso de rompimento das estruturas remanescentes [barragens de Germano e Santarém] e de um plano de ação caso isso aconteça. Isso é uma questão de extrema urgência uma vez que as [barragens] que ficam lá apresentam risco. Então como o que foi requisitado pelo Ministério Público não foi atendido, foram feitos pedidos de prorrogação de prazo – que consideramos bem razoáveis – foi necessário o agendamento de uma ação civil pública pra que a Justiça determinasse essa entrega”, disse o promotor de Justiça Mauro Elloviccth, a área de Meio Ambiente. Em relação ao plano de emergência, a empresa disse já respondeu à Justiça.

Há também um termo de compromisso assinado pela Samarco para preservar o patrimônio cultural sacro dos vilarejos de Bento Rodrigues, Paracatu e Gesteira, em Mariana, e a cidade de Barra Longa, ambas na Região Central de Minas Gerais.

De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), uma força-tarefa foi criada e reúne sete procuradores, sendo quatro de Minas Gerais, dois do Espírito Santo e um do Rio de Janeiro. Os esforços estão concentrados na responsabilização pelo rompimento da barragem.

Neste sentido, há quatro inquéritos civis em andamento para: 1) apurar a responsabilidade ambiental pelo dano; 2) apurar a responsabilidade dos órgãos de fiscalização; 3) buscar a proteção das comunidades tradicionais atingidas (índios e quilombolas) e 4) apurar a existência e ou eficácia de medidas preventivas nas barragens do Complexo de Germano. Paralelamente, os procuradores conduzem um procedimento investigatório criminal sobre as responsabilidades quantos aos crimes ambientais.

Procuradores da União, de Minas Gerais e do Espírito Santo protocolaram na segunda-feira (30), na Justiça Federal do Distrito Federal, uma ação civil pública que cobra a criação de um fundo público de R$ 20 bilhões para reparar danos causados pelo rompimento de uma barragem em Mariana (MG), que contaminou com lama a bacia do Rio Doce. O rio cruza os dois estados e é o principal manancial de diversos municípios mineiros e capixabas. A ideia é do fundo é que ele seja abastecido em até R$ 2 bilhões por ano no período de uma década por Samarco,  Vale e BHP Billion. Segundo a Seção Judiciária do Distrito Federal, após o protocolo, não houve movimentação no processo.

Com o desastre, as operações da Samarco foram paralisadas. O Ministério Público do Trabalho (MPT) cobra a garantia de manutenção dos empregos dos trabalhadores da empresa e dos funcionários terceirizados. Nesta sexta-feira (4), após uma reunião com o MPT, a mineradora se comprometeu a manter seus funcionários e empregados terceirizados empregados até o dia 1º de março. Atualmente, os funcionários estão em licença remunerada e férias coletivas, inclusive na unidade de Ubu, no Espírito Santo.

Os danos ambientais causados pelo rompimento da barragem de Fundão são incalculáveis. A lama que invadiu o Rio Doce tirou o sustento de mais de mil pescadores e a Samarco deverá indenizá-los. O valor solicitado pelos pescadores é de pelo menos um salário mínimo por mês, ou seja, R$ 788. A audiência que deve decidir sobre isso foi adiada para o dia 16 de dezembro.

Atuação da Justiça (Foto: Arte/G1)

Ações estão em curso em tribunais de Justiça Federal e Estadual em Minas e no Espírito Santo. Em uma delas, o diretor-presidente da Samarco, Ricardo Vescovi, conseguiu um habeas corpus preventivo para não ser preso por desobediência, em caso de descumprimento de medidas determinadas pela 1ª Vara da Fazenda Pública Estadual, Registros Públicos e Meio Ambiente de Colatina.

Dentre as medidas, o juiz determinava o fornecimento de água potável para os municípios de Colatina, Baixo Guandu e Linhares; a apresentação de um plano para reduzir os impactos ambientais e sociais no Rio Doce; o resgate da fauna aquática para a reinserção em ambiente natural.

No dia 30, a 2ª Vara da Fazenda Pública e Autarquias de Belo Horizonte determinou que a Samarco deposite, em juízo, R$ 1 bilhão para garantir a reparação dos danos causados pelo rompimento da barragem de Fundão. A empresa também pode apresentar bens do mesmo valor como caução.

Rio Doce pescadores (Foto: Alexandre Nascimento/G1)Rio Doce (Foto: Alexandre Nascimento/G1)

De acordo com o juiz Michel Curi e Silva, a empresa terá que depositar outros R$ 50 milhões, “tendo em vista as despesas emergenciais já feitas pelo Estado de Minas Gerais, pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF), pelo Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam) e pela Fundação Estadual de Meio Ambiente (Feam) – autores da ação”.

O juiz Michel Curi e Silva também ordenou que a empresa garanta o fornecimento de água à população de Belo Oriente, Periquito, Alpercata, Governador Valadares, Tumiritinga, Galiléia, Resplendor, Ituetá e Aimorés, cidades afetadas pelo “mar de lama”.

A Samarco ainda terá que monitorar a qualidade da água da Bacia do Rio Doce. As determinações deverão ser cumprida entre cinco e dez dias, sob pena de multa diária no valor de R$ 1 milhão, limitada a R$ R$ 100 milhões. A Samarco informou que recebeu a intimação e que vai atendê-la no prazo legal.

Já os R$ 300 milhões bloqueados pela Justiça em Mariana serão usados exclusivamente para reparar os danos causados às famílias afetadas pela tragédia na cidade.

O risco que as barragens de Santarém e Germano ainda representam levaram ao pedido judicial de esvaziamento preventivo do reservatório da Usina Hidrelétrica (UHE) Risoleta Neves, em Santa Cruz do Escalvado, na Região da Zona da Mata. O Consórcio Candonga, responsável pela usina, foi intimado nesta quarta-feira (2) e, de acordo com a 1ª Vara da Fazenda Pública Estadual em Minas, teria dois dias para cumprir a determinação. Até a noite desta sexta-feira (4), o consórcio ainda não havia informado se as medidas foram tomadas.

Atuação da Samarco (Foto: Arte/G1)

Em função do rompimento da barragem de Fundão e das graves consequências, incluindo mortes, a mineradora Samarco – cujas donas são a Vale e a anglo-australiana BHP – recebeu uma série de recomendações de órgão público e do Ministério Público e teve que adotar medidas para amparar as famílias desabrigadas. Algumas que deveriam ser emergenciais ainda não foram concluídas.

jh_mariana (Foto: TV Globo)Desabrigados e o prefeito de Mariana, Duarte Júnior
(Foto: Reprodução/TV Globo)

Um mês após o desastre, 115 das 313 famílias desabrigadas estavam em casas alugadas pela empresa, o que representa pouco mais de um terço do total. O restante ainda aguardava a transferência em casas de parentes e em hotéis. Estas pessoas tiveram as casas destruídas ou afetadas em Bento Rodrigues, Paracatu de Cima e de Baixo, em Mariana, e na cidade de Barra Longa.  Segundo a empresa, a transferência só ocorre após cada família ser ouvida e aprovar o local da nova moradia.

O auxílio financeiro aos desabrigados começou a ser pago nos últimos dias. Em resposta às recomendações do Ministério Público, a Samarco propôs o pagamento mensal de um salário mínimo para cada família, acrescido de 20% para cada um dos dependentes, além de uma cesta básica no valor de R$ 338,61. Este dinheiro não representa uma indenização, que ainda será discutida.

“A partir do momento em que todas as famílias estiverem com casas alugadas e recebendo uma remuneração mensal, nós vamos começar a discutir as indenizações e a reconstrução as comunidades. Nós entendemos que começar essa discussão agora é muito difícil, porque as famílias estão muito vulneráveis”, disse o promotor Guilherme de Sá Meneghin, da 2ª Promotoria de Justiça da Comarca de Mariana.

A entrega inicial é de 115 cartões de auxílio financeiro às famílias das comunidades de Bento Rodrigues, Paracatu, Pedras, Camargos, Ponte do Gama e Campinas, distritos de Mariana (MG), impactados pelo acidente com as barragens. O dinheiro é para ser usado em despesas pessoais. O crédito é feito no 5º dia útil de cada mês e o valor é retroativo a novembro.

A Samarco afirma que todos os esforços necessários, com apoio irrestrito da Vale e BHP Billiton, foram mobilizados para priorizar o atendimento e a integridade das pessoas que estavam no local do acidente ou nas áreas afetadas. A empresa contratou três organizações de ajuda humanitária para desenvolvimento de um plano de assentamento, que inclui acolhimento às famílias, apoio psicossocial e triagem médica.

A empresa também forneceu cestas básicas, itens de higiene pessoal, material e equipamentos de limpeza, kits escolares e ração animal. Cerca de 700 profissionais da Samarco, de várias áreas, também estão atuando no atendimento às comunidades.

A mineradora informou que um estudo está em andamento para discussão do auxílio financeiro também para famílias de Barra Longa e outras comunidades, como produtores rurais, pescadores e garimpeiros, além daquelas que não tiveram suas casas atingidas, mas foram isoladas. A proposta será discutida em conjunto com os órgãos de proteção aos direitos humanos.

Em função do corte na captação de água, medidas de abastecimento tiveram que ser adotadas. Segundo a Samarco, 266 milhões de litros de água potável e 5 milhões de litros de água mineral foram distribuídos em municípios do Espírito Santo e Minas Gerais.

Peixes mortos estão sendo recolhidos diariamente (Foto: Rodrigo Nunes/ VC no ESTV)Peixes mortos estão sendo recolhidos diariamente
(Foto: Rodrigo Nunes/ VC no ESTV)

Em relação à poluição causada pela lama ao Rio Doce, a Samarco monitora amostras de água coletadas em trechos impactados. Uma consultoria foi contratada para elaborar um plano de ações de recuperação ambiental. Segundo a empresa, 150 mil peixes foram resgatados para preservar as espécies e, no futuro, devem ser utilizados para repovoamento do rio. Eles foram encaminhados para outros cursos d’água, que possuem as mesmas características do habitat original das espécies.

Mas o impacto na fauna começou a ser contabilizado com toneladas de peixes mortos, destinadas a aterros sanitários. De acordo com relatório do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), das mais de 80 espécies de peixes apontadas como nativas da bacia antes da tragédia, 11 são classificadas como ameaçadas de extinção e 12 são endêmicas do Rio Doce – ou seja, existiam apenas lá. Segundo a Samarco, foram resgatados seis espécies de peixes consideradas ameaçadas e raras.

Nove mil metros de barreiras foram instalados nas margens do rio e algumas ilhas para isolar a fauna e a flora. A partir da recomendação de organizações ambientais, a lama foi direcionada para ao mar, onde a diluição será mais rápida. Quatro máquinas trabalham 24 horas por dia nas escavações, com apoio de uma draga e bombas.

José Lino Moraes, 62 anos, pescador e sofre com a lama no Rio Doce, em Linhares (Foto: Bernardo Coutinho/A Gazeta)José Lino Moraes, 62 anos, pescador e sofre com a
lama no Rio Doce, em Linhares
(Foto: Bernardo Coutinho/A Gazeta)

Consequentemente, o impacto é grande na vida dos pescadores que tiravam o sustento do Rio Doce. Em um acordo após uma reunião do Ministério Público do Trabalho, em Belo Horizonte, a empresa  concordou em pagar os mesmos valores e benefícios já disponilizados para desabrigados de Mariana, que são o salário mínimo, mais 20% por dependente e uma cesta básica mensal para pescadores e pequenos produtores rurais.

Segundo o Ibama, ao longo do caminho percorrido pela lama, ao menos 1.249 pescadores foram afetados em mais de 40 cidades mineiras e capixabas. A mineradora diz que está recebendo das prefeituras a lista oficial de pescadores cadastrados com finalidade de acelerar o processo de identificação e cadastro.

Com o desastre, as operações da Samarco foram paralisadas. Os empregados que não estão atuando em ações ligadas ao acidente estão em período de férias coletivas. Em nota no dia 27 deste mês, a Samarco chegou a dizer que não poderia “cumprir os compromissos financeiros com seus funcionários e fornecedores” em função do bloqueio de cerca de R$ 300 milhões determinado pela Justiça. Contudo, na última semana informou que está em dia com empregados e fornecedores.

06/11 - Carros e destroços de casas são vistos em meio a lama após o rompimento de uma barragem de rejeitos da mineradora Samarco no Distrito de Bento Rodrigues, no interior de Minas Gerais (Foto: Felipe Dana/AP)Carros e destroços de casas são vistos em meio a lama após o rompimento de uma barragem de rejeitos da mineradora Samarco no Distrito de Bento Rodrigues, no interior de Minas Gerais (Foto: Felipe Dana/AP)

 Fonte: G1

Acidente da mineradora Samarco vai afetar balança comercial

A arrecadação do município e do Estado em que a empresa está localizada são fortemente dependentes dos royalties da mineração

A paralisação das atividades da mineradora Samarco, em decorrência do rompimento de uma barragem de rejeitos em Mariana (MG), tem consequências que vão além dos impactos sociais e ambientais. Décima primeira maior exportadora do País, a empresa tem peso nas exportações de minério de ferro, um dos produtos que mais contribui para manter a balança comercial brasileira superavitária. Além disso, a arrecadação do município e do Estado em que a empresa está localizada são fortemente dependentes dos royalties da mineração.

Entre janeiro e outubro, as exportações da Samarco somaram US$ 1,85 bilhão, ou 1,15% do volume de produtos exportados pelo País No período, a empresa foi responsável por pouco mais de 15% do total de minério de ferro comercializado com o exterior, o segundo principal produto da pauta brasileira, atrás apenas da soja.

Desde o rompimento da barragem do Fundão, no dia 5 de novembro, a extração de minério de ferro na mina de Germano, a única da empresa, está paralisada. Dias depois do acidente, que soterrou o distrito de Bento Rodrigues e deixou ao menos nove mortos e dez desaparecidos, o governo embargou a licença de operação da unidade. Desta forma, a atividade no complexo industrial de Ubu, no Espírito Santo, onde a empresa faz a pelotização do minério de ferro, foi paralisada em 11 de novembro. Os estoques para venda devem se esgotar no início de dezembro, segundo previsão da empresa.

Segundo analistas, os efeitos na balança comercial, pelo menos no curto prazo, devem ser amenos. “Os estoques das empresas do setor estão altos e podem compensar a participação da Samarco no total de exportações”, afirma o economista da 4E Consultoria Bruno Lavieri. “Mas nos primeiros meses de 2016, sem a safra agrícola, o minério de ferro deve ter um peso maior na balança e os efeitos da paralisação da mina devem ser mais sentidos.”

A indústria brasileira também deve ser impactada pela tragédia com a Samarco. Em relatório recente, a consultoria LCA reviu suas projeções para o PIB deste ano (para -3,3%) e do próximo (-1,7%) e citou que um dos principais motivos é a deterioração na perspectiva para o setor, em parte por causa da paralisação da mineradora. “As nossas projeções para o PIB sofreram alterações associadas, sobretudo, aos efeitos do desastre ambiental de Mariana (MG), que deverá prejudicar significativamente a atividade da indústria extrativa mineral neste 4º trimestre e em 2016”, diz a consultoria.

A situação da Samarco também deve afetar a arrecadação, que já vinha caindo em função da retração acentuada nos preços do minério de ferro. Segundo dados da consultoria Fioito, a arrecadação da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (Cfem) em Minas Gerais este ano acumula queda de 27,8% de janeiro a novembro, ante igual intervalo do ano passado.

Na cidade de Mariana, a baixa é menor, de 16,4%, para R$ 83,71 milhões. Isso ocorre porque, após anos de briga judicial, a Samarco reconheceu há algumas semanas débitos com Mariana e Ouro Preto referentes à diferença na arrecadação da Cfem e fez um primeiro pagamento de R$ 10,551 milhões, sendo R$ 6,025 milhões para Mariana.

Do total arrecadado com a Cfem, 65% vão para o município produtor, 23% para o Estado e 12% para a União. Minas Gerais é a que mais arrecada, representando mais de 40% do total recolhido pelos governos estaduais. Entretanto, como o imposto só é pago no segundo mês subsequente ao fato gerador, o impacto da paralisação das atividades da Samarco após o acidente de 5 de novembro será sentido só a partir de janeiro.

“Esse prazo poderá ser estendido um pouco pela comercialização de estoques da empresa e minérios já extraídos e em fase de produção. Mas com a produção parada, a tendência é não arrecadar nada”, diz Valdir Farias, diretor executivo da Fioito. “E ainda tem alguns impostos que incidem sobre a produção, como o ICMS e o próprio IRPJ, que também serão afetados.”

O professor de economia do Ibmec-MG Felipe Leroy lembra que o grau de dependência da região e do Estado em relação à atividade extrativa mineral é muito elevado. “O município de Mariana praticamente inexiste sem a Samarco”.

A empresa empregava cerca de 3,5 mil em 2014, sendo quase 2 mil em Minas. Sua receita operacional líquida foi de R$ 7,53 bilhões no ano passado, com 100% da produção voltada para exportação. “Pode ser que no médio a longo prazo outras atividades acabem amenizando um pouco o impacto econômico desse desastre, mas no curto prazo os danos são irreparáveis”, diz Leroy.

“A paralisação da Samarco vai representar uma queda de 27% da nossa arrecadação, cerca de R$ 6 milhões por mês”, afirma o prefeito de Mariana, Duarte Júnior (PPS).

Leroy acredita que, passado o atual alvoroço, dentro de alguns meses a atividade da Samarco deve ser retomada, tanto em função das negociações políticas, já que os governos municipais e estadual dependem da arrecadação oriunda da mina, quanto com a pressão popular, considerando os empregos que a produção gera.

Manifestações a favor da Samarco, inclusive, já tiveram início. Em 17 de novembro, um grupo de mil pessoas fez uma passeata em Mariana em prol da manutenção das atividades da mineradora. Em Anchieta (ES), onde está localizado o complexo de Ubu, um ato com reivindicações semelhantes foi realizado na sexta-feira (27) Em redes sociais, surgiram grupos em defesa da empresa, como o “Fica Samarco” e “Somos Todos Samarco”, que mobilizaram mais de 5 mil seguidores.

“Se a empresa paralisar definitivamente as suas atividades, podemos perder mais de 4 mil empregos diretos e indiretos em Mariana. Além disso, vai haver impactos no comércio local, trazendo enormes prejuízos para o município”, ressalta o prefeito da cidade.

Ainda que reconheça a dependência da mineração, Leroy critica a falta de regulamentação no setor. Apesar de Minas Gerais ser o principal Estado produtor de minérios, ainda não existe um plano estadual de desenvolvimento dessa atividade. “O Pará já tem esse plano estadual, que serve para diagnosticar o comportamento do setor e nortear as medidas de regulamentação”, aponta.

Já na opinião de Faria, da consultoria Fioito, o único aspecto positivo da catástrofe da Samarco é que o acidente pode acabar acelerando a aprovação do novo Marco Regulatório da Mineração (projeto de lei 5.807, de 2013). Um dos pontos do projeto é transformar o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) em uma agência reguladora, com maior independência, mais autonomia e melhorar infraestrutura para fiscalizar o setor. “É bem provável que o acidente resulte em uma pressão maior pela aprovação do texto, que já havia sido exaustivamente debatido”, comenta.

Fonte: Correioweb

Aberto processo de IMPEACHMENT de DILMA

03/12/2015

Eduardo Cunha autoriza abrir processo de impeachment de Dilma

Presidente da Câmara informou que acolheu pedido do jurista Hélio Bicudo.
Peemedebista também criou comissão especial que analisará impeachment.

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, informou nesta quarta-feira (2) que autorizou a abertura do processo de impeachment da presidente Dilma. O peemedebista afirmou que, dos sete pedidos de afastamento que ainda estavam aguardando sua análise, ele deu andamento ao requerimento formulado pelos juristas Hélio Bicudo e Miguel Reale Júnior.

 

PROCESSO DE IMPEACHMENT
Presidente da Câmara anuncia abertura

O pedido de Bicudo – um dos fundadores do PT – foi entregue a Cunha em 21/10/15. Na ocasião, deputados da oposição apresentaram ao presidente da Câmara uma nova versão do requerimento dos dois juristas para incluir as chamadas “pedaladas fiscais” do governo em 2015, como é chamada a prática de atrasar repasses a bancos públicos a fim de cumprir as metas parciais da previsão orçamentária. A manobra fiscal foi reprovada pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

Na representação, os autores do pedido de afastamento também alegaram que a chefe do Executivo descumpriu a Lei de Responsabilidade Fiscal ao ter editado decretos liberando crédito extraordinário, em 2015, sem o aval do Congresso Nacional.

“Quanto ao pedido mais comentado por vocês, proferi a decisão com o acolhimento da denúncia. Ele traz a edição de decretos editados em descumprimento com a lei. Consequentemente, mesmo a votação do PLN 5 [projeto de revisão da meta fiscal de 2015] não supre a irregularidade”, disse Cunha em entrevista coletiva na Câmara dos Deputados no início da noite desta quarta.

Resposta de Dilma
Dilma negou prática de atos ilícitos em sua gestão  e afirmou que recebeu com “indignação” a decisão do peemedebista. A declaração ocorreu no Salão Leste do Palácio do Planalto, que durou cerca de três minutos.

“Hoje [quarta] eu recebi com indignação a decisão do senhor presidente da Câmara dos Deputados de processar pedido de impeachment contra mandato democraticamente conferido a mim pelo povo brasileiro”, disse Dilma, em pronunciamento no Palácio do Planalto.

“São inconsistentes e improcedentes as razões que fundamentam esse pedido. Não existe nenhum ato ilícito praticado por mim, não paira contra mim nenhuma suspeita de desvio de dinheiro público”, acrescentou.

Ao deixar a Câmara na noite desta quarta, o presidente da Câmara afirmou que não comentaria as declarações da presidente Dilma Rousseff. “Eu não vou comentar. Cada um tem sua maneira de… Eu fui bastante zeloso nas minhas palavras”, disse.

Ele afirmou ainda que marcou para às 11h30 desta quinta (2) reunião com líderes partidários para discutir procedimentos do processo de impeachment de Dilma. “Marquei reunião às 11h30 para falar da questão como um todo”, disse.

Dilma diz que não "existe nenhum ato ilícito" praticado por ela (Foto: Ueslei Marcelino/Reuters)

Cassação no Conselho de Ética
O despacho do peemedebista autorizando a abertura do impeachment ocorreu no mesmo dia em que a bancada do PT na Câmara anunciou que vai votar pela sequência do processo de cassação de Cunha no Conselho de Ética. Ao longo do dia, Cunha consultou aliados sobre a possibilidade de abrir o processo de afastamento da presidente da República.

À tarde, ele tratou do assunto, em seu gabinete, com deputados de PP, PSA, PMDB, DEM, PR e SD. Segundo parlamentares ouvidos pelo G1, Cunha queria checar se teria apoio dos partidos caso decidisse autorizar o impeachment.

Nos bastidores, aliados do presidente da Câmara mandavam recados ao Palácio do Planalto de que ele iria deflagrar o processo de afastamento da presidente se o Conselho de Ética desse andamento ao processo de quebra de decoro parlamentar que pode cassar o mandato dele.

Justificativa de Cunha
Ao justificar a decisão de abrir o processo de impeachment, Cunha alegou que o argumento central que ele considerou foi o fato de Dilma ter editado decretos liberando crédito extraordinário, em 2015, sem o aval do Congresso Nacional. De acordo com o peemedebista, esses decretos, que não foram submetidos ao Legislativo, somam R$ 12,5 bilhões.

“Nesse particular, entendo que a denúncia oferecida atende aos requisitos mínimos necessários, eis que indicou ao menos seis decretos assinados pela denunciada no exercício financeiro de 2015, em desacordo com a Lei de Diretrizes Orçamentárias e, portanto, sem autorização do Congresso Nacional”, afirmou Cunha, na decisão de autorizar o processo de impeachment.

O presidente destaca, no despacho, que há indícios de participação direta de Dilma no suposto crime de responsabilidade, já que ela própria assinou a liberação de dinheiro não previsto no Orçamento de 2015.

Eduardo Cunha diz que nunca um mandato recebeu tantos pedidos para abertura de processo de impeachment (Foto: Ueslei Marcelino/Reuters)

“Importante destacar que os seis decretos apontados foram assinados pela denunciada, o que significa dizer que já indícios suficientes da sua participação direta nessa conduta que, em tese, importa em crime de responsabilidade”, argumenta o peemedebista.

Eduardo Cunha destacou ainda que Dilma agiu, ao liberar o dinheiro, como se a situação financeira do país fosse de superávit (mais receita que despesa), sendo que depois enviou projeto pedindo para reduzir a meta fiscal.

saiba mais

“Também não ignoro ter o Poder Executivo enviado ao Congresso Nacional projeto de lei alterando a meta fiscal de 2015, porém, além de pendente de apreciação, mesmo se for aprovado, não altera a realidade dos fatos: Até o presente momento, o Poder Executivo, comandado pela denunciada, administrou o Orçamento de 2015 como se a situação fosse superavitária, quando o déficit estimado pode chegar a R$ 100 bilhões”, argumenta.
Cunha ressaltou ainda que não autorizaria um pedido baseado apenas nas “pedaladas fiscais” cometidas em 2014, porque, para ele Dilma não pode sofrer impeachment por atos cometidos num mandato anterior.

“Os fatos e atos supostamente praticados pela denunciada em relação a essa questão [atraso de pagamento a bancos públicos] são anteriores ao atual mandato. Assim, com todo respeito às opiniões contrárias considero inafastável a aplicação do § 4º do artigo 86 da Constituição Federal, o qual estabelece não ser possível a responsabilização da presidente da República por atos anteriores ao mandato vigente”, disse o presidente da Câmara.

Comissão especial
Com a ordem de Cunha, será criada uma comissão especial na Câmara com 66 deputados titulares e o mesmo número de suplentes. O grupo será responsável pela elaboração de um parecer pelo prosseguimento ou arquivamento do processo de impeachment. O relatório terá de ser apreciado pelo plenário principal da Casa.

Os parlamentares serão escolhidos de acordo com a proporcionalidade das bancadas na Câmara. Será obrigatório assegurar a participação de representantes de todas legendas e blocos que compõem a Casa.

Para ser aprovado, o parecer dependerá do apoio de, pelo menos, dois terços dos 513 deputados (342 votos). Se os parlamentares decidirem pela abertura do processo de  impeachment, Dilma será obrigada a se afastar do cargo por 180 dias, e o processo seguirá para julgamento do Senado

Na entrevista coletiva desta quarta, Cunha confirmou que já havia autorizado a criação da comissão especial.

“Não falei com ninguém do Palácio. É uma decisão de muita reflexão, de muita dificuldade. […] Não quis ocupar a presidência da Câmara para ser o protagonista da aceitação de um pedido de impeachment. Não era esse o meu objetivo. Mas, repito, nunca, na história de um mandato houve tantos pedidos de impeachment como neste mandato”, ressaltou o peemedebista.

No despacho que determinou a criação da comissão especial, que se baseou nos termos do § 2º do art. 218 do regimento interno da Câmara, Cunha ressaltou que Dilma será investigada pela prática de suposto crime de responsabilidade.

Arte Rito do Impeachment (Foto: Editoria de Arte / G1)

Conselho de Ética
Na tarde desta quarta, os deputados do PT decidiram, em uma reunião na Câmara, que os três integrantes do partido no Conselho de Ética – Zé Geraldo (PT-PA), Léo de Brito (PT-AC) e Valmir Prascidelli (PT-SP) – irão votar acatar o relatório prévio do deputado  que recomenda a continuidade do processo que investiga Cunha.

O Conselho de Ética começou a analisar o parecer preliminar de Pinato nesta terça (1º), porém, manobras de aliados de Cunha acabaram inviabilizando a votação. O colegiado tentou retomar o debate nesta quarta, mas, devido à sessão do Congresso Nacional, o presidente do Conselho, deputado José Carlos Araújo (PSB-BA), teve de adiar novamente a apreciação do relatório.

Pelo regimento interno do Congresso, votações no plenário impedem qualquer deliberação nas comissões da Câmara e do Senado. A análise do relatório foi remarcada para a próxima terça (8).

Diante da decisão do PT de não apoiar Cunha no Conselho de Ética, deputados do Solidariedade tentaram convencer Eduardo Cunha a abrir o processo de afastamento de Dilma antes de terça, quando o parecer de Fausto Pinato poderá ser analisado.

O deputado Paulo Pereira da Silva (SD-SP), o Paulinho da Força, argumentou ao peemedebista que há pelo menos três integrantes do Conselho de Ética – do DEM, do PSB e do PTB – que poderão mudar o voto e defender o arquivamento do processo de Cunha, se o presidente da Câmara decidir sobre o impeachment até a próxima reunião do colegiado.

“Acho que o PT deu para nós oportunidade única. Tem muita gente que, se tivesse pedido de impeachment, mudava de opinião. Acho que ele tem que decidir até terça”, defendeu Paulinho da Força.

Deputados de outros partidos da oposição se reuniram na tarde desta quarta no gabinete da liderança do DEM para avaliar as chances de Cunha deflagrar o impeachment. Além do DEM, participaram da discussão deputados do Solidariedade, do PPS e da ala do PMDB que se opõe ao governo.

No início da tarde, quando a bancada do PT fazia reunião para decidir se apoiaria o parecer de Pinato, o presidente da Câmara estava reunido com deputados aliados. Ele foi informado por um deputado do PT, por telefone, da decisão da bancada.

Segundo aliados de Cunha ouvidos pelo G1, logo depois o presidente da Câmara iniciou a consulta dos líderes e deputados sobre o impeachment.

 

ORÇAMENTO
Governo faz corte de R$ 10,7 bilhões

Revisão da meta de 2015
Apesar da abertura do processo de impeachment, a presidente da República obteve uma vitória importante nesta quarta-feira no Congresso Nacional. Em sessão conjunta da Câmara e do Senado, os congressistas aprovaram a revisão da meta fiscal 2015 e e autorizaram um rombo de R$ 119,9 bilhões.

O Executivo dependia da revisão da meta para não descumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal. Se o Congresso não tivesse reduzido a meta, o governo teria que cumprir o que estava legalmente em vigor – uma meta de R$ 55,3 bilhões de superávit primário (economia para pagar juros da dívida pública).

Até outubro, as contas públicas já tinham apresentado um rombo de R$ 33 bilhões, o maior da história, indicando que o governo dificilmente conseguiria fechar o ano no azul.

Fonte: G1

CONFERÊNCIA DO CLIMA, em Paris

02/12/2015

Conferências do Clima das Nações Unidas ocorrem todos os anos desde 1995. Mas, pela primeira vez, serão 153 governantes a se reunir fora da sede da ONU, em Paris, na França, para discutir medidas para conter as emissões de gases do efeito estufa, que causam as mudanças climáticas. Mas por que este ano a Conferência está sendo mais falada? Por que todos eles irão participar de sua abertura nesta segunda-feira (30)? E o mais importante: por que você deve prestar atenção (se ainda não se importava tanto com o tema)?

UOL aponta a seguir as principais questões que fazem desta talvez a reunião climática mais importante desde o Protocolo de Kyoto, firmado em 1997.

 

12 razões para prestar atenção na COP

 

 

Primeiro acordo global para reduzir emissões

Espera-se para Paris o primeiro acordo em que todos os países se comprometem a reduzir suas emissões de gases do efeito estufa. O Protocolo de Kyoto, único acordo existente hoje, foi prorrogado até 2020. É preciso que se chegue a um acordo em 2015 para que o novo tratado entre em vigor até lá. E, pela primeira vez, uma antiga reivindicação dos países desenvolvidos deve ser atendida: no Protocolo de Kyoto, só os países ricos tinham metas de redução dos gases. Hoje, como a maior emissora é a China (e Brasil e Índia estão no top 10 entre os maiores emissores), os países desenvolvidos exigiam que todos os países se comprometessem com uma redução e não apenas eles.

 

EUA e China fizeram acordo

Os dois maiores emissores do planeta firmaram um acordo no final de 2014 com metas com o quanto vão diminuir suas emissões nos próximos anos. A China, pela primeira vez, se comprometeu a atingir o ápice de suas emissões de CO2 no máximo até 2030. Já os EUA assumem o compromisso de reduzir as emissões em 2025 entre 26% e 28% em relação a 2005. Os dois juntos representam 45% das emissões mundiais dos gases do efeito estufa.

 

Já existem metas voluntárias

E não só os dois grandes, ao menos 155 países anunciaram seus objetivos nacionais para reduzir ou limitar as emissões de gases do efeito estufa antes de 2025 ou 2030. Esse seria o ano limite para que as emissões continuem subindo. Essas são metas voluntárias, ou seja, o que cada país acha que é possível reduzir e não existe nenhuma sanção caso não atinja a meta. Elas receberam o nome de INDCs, a sigla em inglês para Contribuições Nacionalmente Determinadas Pretendidas. Os planos descrevem como e quanto os países vão reduzir e as ações que vão fazer.

Mas as metas não são suficientes

As INDCs devem representar pontos de partida para a ação, não os seus tetos, diz a ONU. Isso porque estudos atuais indicam que mesmo que os países implementem as INDCs, o planeta ainda irá sofrer um aumento de temperatura global entre 2,7º C e 3,5º C (dependendo das estimativas utilizadas nos modelos). Estes valores são muito altos, mas melhor do que continuar no caminho atual, do qual irá resultar um aumento de temperatura global em mais de 4º C. As negociações devem forçar para que se chegue a emissões que limitem o aquecimento a 2ºC ou menos. Para reduzir a diferença entre esses 3ºC e o objetivo de 2ºC, muitos países defendem novos compromissos, mais ambiciosos, a cada cinco anos.

Alguém precisa pagar a conta

Na reunião de Paris também deverá ser estabelecido um pacote de financiamento. Muitos países em desenvolvimento vão necessitar da cooperação internacional, incluindo financiamento e tecnologia, para poderem seguir na direção de um futuro de baixo carbono. Assim, os países desenvolvidos terão que explicar em detalhe como vão concretizar o compromisso assumido anteriormente de mobilizar US$ 100 bilhões, por ano, até 2020, para apoiar os países em desenvolvimento. O investimento para o período pós 2020 também terá que ser debatido. Mas agora, os países desenvolvidos querem que países em desenvolvimento, mas em boa situação econômica, como o Brasil e a China, também contribuam. Esses países falaram que só concordam em financiar parcerias Sul-Sul.

Emissões nunca pararam de crescer

Mesmo com toda ação feita nas 20 Conferências do Clima anteriores, as emissões só crescem. Então, espera-se que em Paris seja definida uma data limite para que as emissões parem de crescer. A formulação deste objetivo pode ser muito precisa – fixando, por exemplo, uma data limite para o pico das emissões – ou muito mais vaga, com termos como “transformação global de baixo nível de carbono” ou “neutralidade de carbono”, que consiste em alcançar o equilíbrio entre o carbono liberado na atmosfera e o montante equivalente retido ou compensado seja igual a zero.

Estamos perto do limite

Para que se tenha uma chance provável de alcançar a meta de 2 ºC, as emissões globais de gases do efeito estufa chegam ao pico em 2020 ou antes em torno de 85% dos cenários no banco de dados de cenários do IPCC, e todas as regiões chegam ao pico até 2020.

Precisamos chegar a emissão zero até 2050

O objetivo de limitar o aumento da temperatura global a 2ºC até ao final do século foi decidido pela primeira vez em Copenhague e depois aprovado na Conferência do Clima em Cancún, em 2010. O IPCC afirma que as emissões de devem ser reduzidas de 40 a 70% até 2050, abaixo dos níveis de 2010, e cair para próximo de zero ou abaixo entre 2055 e 2070, para que se tenha uma chance provável de limitar o aquecimento a 2 ºC. Se nada for feito e o mundo continuar no caminho atual, deverá haver um aumento médio global da temperatura de 4ºC até ao final deste século. Já aquecemos 1ºC e mesmo que os níveis de CO2 parassem de aumentar amanhã, a temperatura continuaria a crescer em cerca de 0,5ºC.

Ano mais quente

2015 deve acabar com um recorde nada agradável: o ano com a maior temperatura média global registrada até agora. Isso não é, no entanto, uma grande novidade. Ao longo da última década, sete anos entraram na lista dos dez mais quentes da história humana.

Todo mundo tem que contribuir

As ações para reduzir as emissões devem ser feitas pelos governos, mas também pela sociedade civil e empresas. A Agenda de Ação Lima-Paris é uma iniciativa conjunta que engloba as presidências francesas e peruanas da COP, o Escritório do Secretário-Geral das Nações Unidas e o Secretariado da CQNUAC. Tem como objetivo mobilizar uma ação robusta por parte do mundo dos negócios e de outros atores não estatais no sentido de caminhar para uma sociedade de baixo carbono e mais resiliente. Durante a conferência será realizado, a 5 de dezembro, um “Dia de Ação” para fazer o anúncio de várias iniciativas.

O que acontece se os países não chegarem a um acordo em Paris?

Sem um acordo global, será mais difícil – ou mesmo impossível – conseguir a cooperação internacional necessária para limitar o aumento da temperatura em 2ºC e evitar maiores tragédias ambientais. Sabendo que as alterações climáticas são um problema que atravessa fronteiras, a nossa capacidade de as limitar a níveis seguros será diminuída.

Então Paris pode resolver o problema das alterações climáticas?

Não existem soluções rápidas ou mágicas para as alterações climáticas. O desafio do clima é um dos mais complexos que o mundo alguma vez enfrentou. Um acordo em Paris não é um ponto de chegada, mas sim um ponto de partida decisivo no modo como todos os países – atuando em conjunto, com base num acordo transparente e legal – traçarão um caminho para uma sociedade de baixo carbono.
Fonte: Yahoo

 

Depois de perder espaço para a coalizão internacional, Estado islâmico muda estratégia e agora ataca fora da Síria e Iraque

28/11/2015

 

Cerca de 600 combatentes do Estado Islâmico mortos nas últimas três semanas

O secretário de Estado americano John Kerry afirmou neste do domingo que 600 combatentes do grupo Estado Islâmico foram mortos na Síria nas últimas três semanas.

“Na Síria, nas últimas três semanas, o Dash perdeu 3.000 km2 e 600 combatentes”, afirmou Kerry, usando o nome em árabe do Estado Islâmico.

John Kerry também advertiu ao regime sírio e a seus aliados contra qualquer violação de seus compromissos de trégua e ajuda humanitária na Síria.

“Todas as partes devem respeitar o cessar das hostilidades, cooperar na ajuda humanitária e respeitar o processo de negociações para chegar a uma transição política” afirmou em coletiva de imprensa em Paris.

Fonte: Terra

Forças do governo sírio são vistas após tomar o controle da vila de Kiffin, na província de Aleppo, no dia 11 de fevereiro de 2016

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Forças do governo sírio são vistas após tomar o controle da vila de Kiffin, na província de Aleppo, no dia 11 de fevereiro de 2016

Pelo menos 50 jihadistas do grupo Estado Islâmico (EI) foram mortos em 24 horas em combates com o exército sírio, que avança na província de Aleppo, informou neste domingo o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

“Esses jihadistas foram mortos nos combates e pelos ataques da aviação russa”, que apoia o regime na sua progressão nessa província do norte, próxima da fronteira com a Turquia, indicou à AFP Rami Abdel Rahman, diretor do OSDH.

Desde sábado, as tropas do regime tomaram 18 aldeias em um eixo de cerca de 40 km entre o leste de Aleppo e Raqa (norte), a fortaleza do grupo extremista na Síria, de acordo com o OSDH.

“O exército agora cerca o EI em 16 outras aldeias ao sul deste eixo. O regime quer tomar e consolidar a sua presença no leste e sudeste da província”, afirmou Abdel Rahman.

Com o apoio da aviação russa, as tropas do regime têm tido sucesso sobre os rebeldes e jihadistas em uma série de vilarejos e cidades na província de Aleppo.

 

Estado Islâmico corta salários e leiloa terras confiscadas diante de crise econômica

Bombardeios ocidentais a bancos e menor capacidade de arrecadação provocam austeridade e incitam deserções

Cortes em um dos motes da propaganda extremista, o salário dos combatentes, tem aflorado o número de deserções do Estado Islâmico – REUTERS TV / REUTERS

A crise econômica chegou ao Estado Islâmico. Na contramão da propaganda, o EI agora corta salários de dirigentes e combatentes e leiloa terras confiscadas para melhorar a arrecadação. Em Raqqa, capital do califado, a remuneração das fileiras foi reduzida pela metade. Assim como a ideologia, a instabilidade financeira se alojou no centro da retórica de recrutamento de jovens desolados no Ocidente e jovens deslocados pelos conflitos no Oriente Médio. Se antes o grupo extremista se gabava de prover ajuda social, habitação e bons salários aos que migrassem para seus territórios na Síria e no Iraque, hoje o sistema da organização terrorista é regido pela austeridade. A carestia se aprofunda à medida em que se intensificam os bombardeios aéreos da coalização internacional liderada pelos Estados Unidos.

— O grupo extremista se viu obrigado a reduzir à metade o salário de dirigentes e em 30% a remuneração de soldados e oficiais — confirmou ao “El Mundo” o analista Hashem al-Hashimi, assessor do governo iraquiano e importante fonte de informação sobre o que acontece na cidade sitiada de Mossul. — Os ataques aéreos golpearam nove bancos do Estado Islâmico. Em pelo menos um deles, havia US$ 150 milhões depositados. Os demais haviam sido esvaziados previamente.

Uma investida aérea ocidental, por exemplo, destruiu a sede do Banco al-Rashid, no Leste de Mossul. Mais tarde, a agência de notícias afiliada ao grupo terrorista, al Amaq, divulgaria um vídeo dos escombros da instalação. O depósito, usado como Banco Central, impôs à cidade uma economia de guerra, o que piorou as já precárias condições de vida na cidade sitiada.

Segundo uma ativista local que não quis se identificar, o extremistas responderam à crescente ameaça esvaziando as reservas de dinheiro para ocultá-las em túneis perfurados no subsolo da cidade. Para transportar esses recursos, eles preferiram táxis e transportes públicos em uma tentativa desesperada de se esconder dos aviões de vigilância, disse a ativista ao “El Mundo”.

Tais reservas são especialmente importantes porque o governo central proibiu transferências bancárias para regiões controladas pelo Estado Islâmico. A saída encontrada para o revés na economia foi também leiloar terras confiscadas da minoria cristã, expulsa da cidade em julho de 2014. Os terroristas ainda acresceram impostos e intensificaram o tráfico de seres humanos e antiguidades.

— A situação é muito ruim. As pessoas têm fome, têm medo. A maioria das famílias não tem dinheiro para comida, mas também não tem opções de escapar — afirmou ao jornal espanhol Said Mamuzini, ex-dirigente do Partido Democrático do Curdistão em Mossul. — Os preços dos alimentos sobem diariamente e o Estado Islâmico tenta agora compensar as perdas a partir da elevação de impostos. A saúde também foi afetada. Os remédios estão mais caros e as salas de cirurgia são reservadas para combatentes do EI.

DERROTA NO FRONT E DISPUTAS INTERNAS

Antes da tomada de Mossul, o EI compôs uma rede de sustentação financeira calcada em extorsões, vendidas como promessas de proteção a habitantes do local. Eram os “impostos revolucionários”, que financiaram o auge do grupo. Empreiteiras, por exemplo, destinavam entre 5% e 10% de cada contrato aos jihadistas. Desde 2011, os terroristas também desfrutaram dos US$ 16 milhões mensais que Bagdá enviava para pagar os salários dos funcionários da província de Nínive.

No entanto, um grave golpe às finanças da organização terroristas começou com os bombardeios ocidentais contra refinarias e caminhões de transporte de petróleo, uma das principais rendas do grupo. Da mesma forma, a decisão do governo iraquiano de suspender o pagamento de seus funcionários em áreas controladas pelo EI dizimou outra fonte de arrecadação dos extremistas.

A limitação de recursos também pôs em evidência as disputas no interior do grupo extremistas liderado por Abu Bakr al-Baghdadi – Uncredited / AP

A austeridade no Estado Islâmico tem motivado a deserção de combatentes. O EI tenta preencher o vazio nas fileiras — considerado crime sob pena de morte — com o recrutamento de crianças e adolescentes sírios. Com o rebaixamento de salários, afloraram também as disputas entre os quadros dirigentes do EI, em especial entre as tropas de Baghdadi e os batalhões de Abu Omar al-Shishani, o jihadista checheno e ex-sargento georgiano que opera como comandante das fileiras na Síria.

Fonte: O Globo

Estado Islâmico usa de WhatsApp a Twitter para promover ‘terrorismo viral’

Jihadistas usam chat seguro para bate-papo e moeda digital para doações.
EI recruta, arrecada dinheiro e faz propaganda na internet.

Foto publicada no Instagram pelo perfil Jihadology, associado ao Estado Islamico. (Foto: Reprodução/Instagram/Jihadology)Foto publicada no Instagram pelo perfil Jihadology, associado ao Estado Islamico. (Foto: Reprodução/Instagram/Jihadology)

Troca de mensagens criptografadas por Whatsapp e Telegram. Hashtags espalhadas pelo Twitter. Selfies no Instagram. Vídeos no Youtube. Troca da moeda virtual bitcoin. Parecem inocentes ações de quem é antenado em tecnologia, mas são a forma como usa a internet o grupo jihadista EI, que, na opinião de especialistas, faz uso sem precedentes do meios digitais, a ponto de os EUA chamarem o movimento de “terrorismo viral”.

“Não estamos mais caçando terroristas vivendo em cavernas que apenas se comunicam via mensageiros. Estamos encarando inimigos cujas mensagens e chamados de ataque são postados e promovidos em tempo real”, diz Michael McCaul, deputado republicano que chefia o comitê de segurança nacional dos EUA.

“O grupo toma vantagem de todas as ferramentas e funções das redes sociais para garantir a ampla distribuição de suas mensagens”, explica John Mulligan, diretor do Centro Nacional de Contra-terrorismo dos EUA.

A atuação digital do EI não se resume a propaganda. “O grupo terrorista está usando essas tecnologias e sites hospedados nos EUA para recrutar, encorajar pessoas a executar ataques terroristas em todo o mundo e para levantar dinheiro”, afirma ao G1 Michael Smith II, cofundador da Kronos Advisory, consultoria norte-americana em assuntos de defesa

Por exibir mensagens abertas a todos, o Twitter é um dos canais preferidos e exemplo da atuação do grupo. Em março deste ano, o Brookings Institute identificou 46 mil contas de apoiadores ou militantes do EI. A radiografia aponta que 75% tinham o árabe como idioma primário e eram seguidas por cerca de mil usuários. Apesar de ter fãs acima da média, os perfis seguem uns aos outros. Por outro lado, um quinto dos perfis “falava” inglês. Isso, dizem os pesquisadores J.M. Berger e Jonathon Morgan, mostra como as contas são usadas não só para pregar para convertidos mas também para atrair curiosos e adeptos a ataques.

Foto publicada no Instagram pelo perfil Jihadology, associado ao Estado Islamico. (Foto: Reprodução/Instagram/Jihadology)Foto publicada no Instagram pelo perfil Jihadology, associado ao Estado Islamico. (Foto: Reprodução/Instagram/Jihadology)

Terrorismo viral
Foi essa dinâmica que propiciou um tiroteio no Texas (EUA), em maio deste ano, aponta o Departamento de Segurança Nacional dos EUA. Quatro meses após o ataque ao jornal francês “Charlie Hebdo”, que publicara charges de Maomé, um centro de convenções da cidade de Garland anunciou exibição e concurso de desenhos do principal profeta do islamismo.

Um militante do EI sugeriu no Twitter que o evento tivesse o mesmo fim da publicação francesa. Foi contatado pelo norte-americano Elton Simpson, de 30 anos, e o papo continuou via mensagens diretas. Mas não deve ter parado ali.

“Que Alá nos aceite como mujahideen [combatentes santos]”, escreveu Simpson em um tuíte que incluiu a hashtag #texasattack. A mensagem foi ao ar 15 minutos antes de ele e um amigo dispararem contra o centro e serem mortos depois. Apesar de assumido pelo EI, o atentado foi saudado por apoiadores. “Os irmãos no Texas não tinham experiência em tiroteios mas foram rápidos ao defender a honra do profeta Maomé”, tuitou Junaid Hussain, hacker britânico que, até ser morto em agosto, era um dos maiores recrutadores do EI.

‘Selfies jihadistas’
“Esse ataque exemplifica uma nova era em que o terrorismo se tornou viral”, diz McCaul, para quem o microblog é só um dos meios para isso. Outras populares ferramentas também constam das “armas” da facção. O YouTube, plataforma de vídeos do Google, abriga vídeos das sangrentas execuções. No Instragram são publicadas “selfies jihadistas”. Os argumentos religiosos para as mortes vão parar no “JustPasteIt”. E roteiros de viagem à Síria estão no Ask.fm. Segundo o Brookings Institute, entre janeiro de 2014 e setembro deste ano, a produção auviovisual do grupo chegou a 845 peças.

A atividade digital não ocorre sem que os militantes tomem cuidado. Pesquisadores do Centro de Combate ao Terrorismo de West Point descobriram um manual de cibersegurança apresentado a recrutas. O intuito é empregar serviços que usem criptografia (embaralham as mensagens) ou passem por sistemas que impedem rastreamento, como a Deep Web.

Criptografia
O documento recomenda o uso dos apps de chat Cryptocat e Telegram, devido à forte criptografia, e do Wickr, por destruir as mensagens de forma segura. Para a troca de e-mails, o EI sugere o Hushmail e o ProtonMail. O Gmail, do Google, é citado como seguro desde que o navegador usado seja o Tor (outra recomendação) ou uma rede virtual privada.

O relatório faz ressalvas ao Instagram, pois o dono do aplicativo, o Facebook, tem um histórico ruim em relação a proteção à privacidade. Aparelhos que rodem Android, do Google, ou iOS, da Apple, não são completamente vetados. São permitidos se as comunicações forem feitas pela rede Tor. Liberados estão os smartphones “anti-espionagem” Cryptophone e BlackPhone. Para sanar dúvidas, o EI fornece um serviço de help-desk 24 horas por dia.

Moedas digitais
O EI também usa os meios digitais para sustentar as finanças. Embora o contrabando de petróleo seja uma das grandes fontes de renda, as doações também ajudam a fechar a conta. Segundo o Instituto Europeu para Estudos em Segurança, essas contribuições são feitas em bitcoin para fugir do sistema bancário, fácil de seguir. As transações com as moedas digitais não revelam emissores e receptores, apenas as contas de origem e destino.

Um grupo de hackers que luta para minar o poderio digital do grupo achou uma das carteiras eletrônicas ligadas ao grupo, que, em setembro, tinha mais de US$ 3 milhões.

Arsenal digital do Estado Islâmico (Foto: Editoria de Arte/G1)Arsenal digital do Estado Islâmico (Foto: Editoria de Arte/G1)

Contra-ataque
Anteriormente associados aos hackers ativistas do Annonymous, o Ghost Security Group reporta suas descobertas sobre o EI às autoridades norte-americanas, como o FBI, com a ajuda da empresa Kronos Advisory.

O grupo é exemplo da diversidade da luta contra o EI na internet. Reunidos na fronteira digital estão hackers, empresas que fornecem serviços usados pelos jihadistas e os governos de alguns dos países mais poderosos do mundo.

O Reino Unido já afiou suas garras. Para o chanceler George Osborne, a “brutalidade assassina do EI tem um forte elemento digital”. Sem dar maiores detalhes, ele afirmou que o grupo tenta invadir os sistema britânicos, o que será retaliado. “Nós nos reservamos o direito de responder a um ciberataque do jeito que nós escolhermos”, afirmou durante o anúncio do novo Centro Cyber Nacional, focado em cibersegurança, que custará 2 bilhões de libras.

Os EUA possuem uma força-tarefa contra o terrorismo, composta por FBI, Departamento de Segurança Nacional, entre outros órgãos. O grupo argumenta que as ações resvalam na impossibilidade de interceptar mensagens trocadas por ferramentas criptografas. “Infelizmente, a mudança constante das formas de comunicação na internet está rapidamente ultrapassando as leis e a tecnologia criada para permitir a interceptação legal de conteúdos de comunicação”, afirma Michael Steinbach, diretor-assistente do FBI.

“Esses serviços são desenvolvidos e empregados sem qualquer capacidade de aplicar a lei para coletar informações fundamentais para investigações criminais e de segurança nacional e dos procedimentos penais”, diz. Para driblar a adversidade, a força-tarefa tenta fazer o Congresso dos EUA forçar empresas de tecnologia a reduzir o nível da criptografia.

A indústria já se manifestou contra a proposta. O presidente-executivo da Apple, Tim Cook, por exemplo, já afirmou que nem a empresa consegue burlar o próprio sistema de criptografia. Defensores da privacidade argumentam que essas medidas criarão arcabouço legal para a espionagem de cidadãos comuns.

áreas controladas pelo ei (Foto: Editoria de Arte/G1)

Anonymous ataca site do Estado Islâmico e troca conteúdo por receita de Prozac

 Em sua guerra contra o Estado Islâmico, os hackers do Anonymous e seus aliados acabam de abater mais um alvo e da maneira mais genial possível. Membros do GhostSec, um dos grupos que está combatendo os radicais islâmicos na internet, anunciaram que invadiram a dark web usada pelos terroristas e removeu sites que faziam propaganda ao EI. No lugar do conteúdo original, eles colocaram um anúncio de Prozac, um remédio usado para o tratamento de depressão e outros distúrbios psiquiátricos. Além do anúncio, os hackers ainda deixaram uma pequena mensagem aos membros e simpatizantes do Estado Islâmico. No texto, eles indicam o medicamente como uma forma de fazer com que as pessoas que acessavam aquela página tivessem mais calma em suas vidas. Mais do que isso, o GhostSec ainda pedia para que todos olhassem aquela imagem enquanto eles continuavam a melhorar sua infraestrutura para entregar ao Estado Islâmico aquilo que ele tanto deseja. Como se não bastasse a provocação, o grupo ainda colocou o link de uma farmácia online especializada na venda de remédios a partir de bitcoins. Assim, se algum membro ou simpatizante do EI estiver mesmo interessado no Prozac apresentado, pode adquirir isso sem precisar gastar muito. Em outras palavras, foi uma ótima sacada dos hackers na hora de provocar seus inimigos. Esse é apenas mais um dos ataques realizados pelo Anonymous e seus aliados nesta guerra ao terror dentro da internet. Como já comentamos anteriormente, esses hackers se uniram para atrapalhar a vida e as operações dos extremistas no ambiente digital, derrubando algumas centenas de páginas e perfis que apoiavam as ações do Estado Islâmico. Por outro lado, vários especialistas em segurança estão criticando as ações do próprio Anonymous pelo modo com que ele está lidando com esse combate ao terrorismo. A principal questão é que os ataques orquestrados pelos ciberativistas são indiscriminados e afetaram jornalistas, pesquisadores e outras pessoas que nada tinham a ver com os radicais do Oriente Médio.

Fonte: Yahoo

Exército sírio avança contra Estado Islâmico em Aleppo, diz TV estatal

Parte de estrada que liga cidade a Raqqa foi capturada.
Governo sírio e seus aliados também tiveram ganhos perto de Homs.

O exército sírio capturou território do Estado Islâmico ao leste de Aleppo incluindo vários quilômetros da estrada que liga a cidade com Raqqa, considerada reduto jihadista, informou a TV estatal síria neste sábado.

As áreas relatadas como capturadas estão a leste de Kweires, base aérea apreendida do controle do Estado Islâmico em 10 de novembro, em uma das várias ofensivas travadas pelo exército sírio com suporte de ataques áereos russos, forças iranianas e militantes do Hezbollah libanês.

A Reuters não pôde confirmar de forma independente o relato.

Uma manchete da TV estatal disse que o exército havia capturado as aldeias Kaskis e Akula e vastas áreas de terras agrícolas, apreendendo túneis e fortificações construídas pelos os jihadistas, e foram áreas de desminagem minadas pelo grupo.

As aldeias estão a cerca de 60 quilômetros a leste de Aleppo.

O governo sírio e seus aliados também tiveram ganhos contra Estado Islâmico ao sudeste de Homs.

Fonte: O Globo

Rússia tinha razão: ‘Turquia recebe petróleo do Estado Islâmico’

Os ataques aéreos russos à infraestrutura petrolífera jihadista causaram a insatisfação natural da Turquia, que parece ser o principal consumidor de petróleo do EI, de acordo com a imprensa alemã.

Depois da derrubada do bombardeiro russo Su-24 pela Força Aérea turca, o presidente Putin afirmou que Ancara parece ser cúmplice dos terroristas, já que compra o petróleo nas regiões da Síria capturados por extremistas, e ele tem razão ao dizê-lo, escreve o jornal alemão Bild.

A Turquia se transformou em um grande consumidor de petróleo do grupo extremista Estado Islâmico, continuou o autor do artigo. Os empresários turcos têm acordos de compra de petróleo com jihadistas que lhes permitem obter uma receita de $10 milhões por semana.

 

Presidente da Rússia, Vladimir Putin

O Kremlin há muito tempo que obteve informações de que o petróleo a partir de territórios capturados pelo EI na Síria estava sendo transportado para a Turquia. Quando as Forças Aerospaciais russas começaram a realizar mais ataques contra a infraestrutura do EI, isso não poderia ser ignorado por Ancara.

De acordo com o Bild, a política turca em relação aos jihadistas não é completamente transparente: embora Ancara tenha dado aos americanos a oportunidade de usar a base aérea do país para o lançamento de ataques contra as posições do EI, Erdogan permite que os terroristas cruzem a fronteira para a Síria sem obstáculos.

Ao mesmo tempo, observa o Bild, a Turquia não é o único país que está fazendo acordos sujos com os militantes islâmicos para obter lucro. O contrabando é igualmente realizado para a Jordânia e Curdistão, onde o mercado negro de petróleo do Estado Islâmico é florescente, afirmou Eckart Woertz, analista sênior do Centro de Barcelona para os Assuntos Internacionais.

O presidente russo, Vladimir Putin, depois de uma conferência de imprensa com o presidente francês, François Hollande, disse que quantidades significativas do petróleo procedentes das áreas controladas pelo EI na Síria estão sendo transportadas para a Turquia:

“Nós estamos falando sobre o abastecimento em escala industrial do petróleo dos territórios sírios capturados por terroristas — a partir dessas áreas exatas e não de quaisquer outras. E podemos observar a partir do ar, para onde os caminhões estão indo”, anunciou o presidente. “Eles estão se movendo para a Turquia, dia e noite.”

Fonte: Sputnik

 

Polícia italiana executa mandados de prisão em várias cidades da Itália e de Kosovo; grupo propagava ideologia jihadista

Militantes do Estado Islâmico, contra o qual países como a França e a Rússia declararam guerra
Divulgação/Estado Islâmico

Militantes do Estado Islâmico, contra o qual países como a França e a Rússia declararam guerra

 A polícia italiana deflagrou nesta terça-feira (1) uma operação contra cidadãos de Kosovo suspeitos de apologia ao terrorismo e ódio racial. Estão sendo executados mandados de prisão em várias cidades italianas e em Kosovo, com apoio das autoridades locais. Ao menos quatro pessoas foram presas.

O inquérito que levou à operação foi conduzida pela Direção Central da Polícia de Prevenção, a célula antiterrorista da Itália, e por dois núcleos da Divisão de Investigação Geral e Operações Especiais (Digos) de Brescia. Os agentes identificaram contatos de uma suposta organização terrorista que, através de sites e redes sociais, propagava a ideologia jihadista.

De acordo com os investigadores, o grupo já teria publicado fotos com armas em punho e os quatro detidos foram reconhecidos como extremistas declaradamente militantes do Estado Islâmico.

Os suspeitos de terrorismo presos na Itália haviam publicado ameaças contra o papa Francisco na internet, de acordo com as forças de segurança locais. “Lembrem-se que não haverá outro papa depois deste. Será o último”, é uma das mensagens difundidas pelo grupo detido.

Desde os atentados de 13 de novembro, em Paris, que deixaram 130 mortos, a Itália reforçou toda sua segurança, principalmente em Roma e no Vaticano. O país foi alvo de ameaças do Estado Islâmico, além de receber notificações sobre pacotes-bombas.

O primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, disse na semana passada que o mundo “está diante de um inimigo perigoso, o qual ninguém pode subestimar”. Neste sentido, o ministro da Justiça da Itália, Andrea Orlando, apresentou medidas para monitorar todas as formas de comunicação oferecidas pelas novas tecnologias, inclusive o console da marca PlayStation. Assim como as redes sociais, o videogame estaria sendo usado por terroristas para transmissão de mensagens.

Em 12 de novembro, um dia antes da série de atentados em Paris, a Itália e várias nações europeias prenderam mais de 17 pessoas em uma megaoperação contra o terrorismo.

Papa Francisco faz discurso na ONU: investigadores afirmam que ele podia ser um dos atacados
Sebastian Rodriguez/Gobierno de Chile – 25.09.2015

Papa Francisco faz discurso na ONU: investigadores afirmam que ele podia ser um dos atacados
Fonte: IG

Parlamento da Alemanha aprova ação contra o Estado Islâmico na Síria

País enviará aeronaves e 1,2 mil militares para apoiar coalizão internacional.
Não estão previstos bombardeios aéreos.

A câmara baixa do Parlamento da Alemanha aprovou nesta sexta-feira (4) os planos do governo de se juntar à campanha militar internacional contra o grupo jihadista Estado Islâmico na Síria.

Dos 598 parlamentares que participaram da votação, 445 votaram a favor, 146 contra e sete se abstiveram.

A missão vai incluir o envio de seis jatos de reconhecimento Tornado, uma fragata para ajudar a proteger o porta-aviões francês Chales de Gaulle, aeronaves e reabastecimento e até 1,2 mil militares.

A Alemanha não irá realizar bombardeios na Síria – o que já é feito por Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia.

O Reino Unido foi o último país a se juntar aos bombardeios, que começaram em 3/12 e atingiram campos de petróleo na Síria

As operações ocidentais não são coordenadas com Moscou, acusada de não atacar somente o EI, como também os rebeldes sírios não jihadistas para ajudar o regime do presidente Bashar al Assad, seu aliado.

Transição política
Os países ocidentais descartam enviar tropas terrestres à Síria, apesar de Washington anunciar sua intenção de mandar centenas de soldados das forças especiais ao Iraque e à Síria.

O secretário de Estado americano, John Kerry, defendeu na quinta-feira a presença de tropas terrestres árabes e sírias para combater o EI, durante uma reunião ministerial da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE), em Belgrado.

“Todo o mundo sabe que, sem a capacidade de encontrar tropas terrestres dispostas a se opor ao Daesh (acrônimo do EI em árabe), o conflito não poderá ser vencido completamente apenas com os bombardeios”, declarou Kerry.

Ele explicou que pensa em tropas “sírias e árabes”, e não ocidentais, embora tenha afirmado que os Estados Unidos poderão enviar 50 unidades de suas forças especiais à Síria.

“Se conseguirmos pôr em marcha uma transição política, permitiremos que todas as nações e entidades se unam, o Exército sírio junto com a oposição… junto com Rússia, Estados Unidos e outros para ir lutar contra o Daesh”, disse Kerry.

Além da luta antijahdista, os ocidentais asseguram que fazem todo o possível para obter uma transição política na Síria.

“Imaginem com que velocidade se eliminaria essa praga (o EI), no espaço de alguns meses, se fôssemos capazes de conseguir essa resolução política”, insistiu o secretário de Estado.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, anunciou uma reunião internacional em Nova York para encontrar uma solução política para o conflito que assola a Síria desde 2011.

Fonte: G1

EI executa adolescentes por ouvirem música pop e faltarem orações

Casos ocorrem em Mossul, reduto do grupo no Iraque, em um momento em que jihadistas perdem terreno no país

Em outro caso de decapitação em público, jovem é morto por jihadista do Estado Islâmico – Reprodução

 

Em novos casos de atrocidades que têm como vítimas adolescentes, o Estado Islâmico decapitou um jovem por ouvir música pop e matou a tiros outros dois que faltaram as orações de sexta-feira, informou a mídia curda. Os casos ocorreram em Mossul, reduto do grupo no Iraque, e fazem parte de uma política de repressão a liberdades individuais. Mas também podem ser vistos como uma tentativa desesperada de propaganda, em um momento em que os jihadistas estão perdendo terreno no país com avanços das forças inimigas.

Segundo a agência curda de notícias “Ara News”, o adolescente Ayham Hussein, de 15 anos, foi preso por jihadistas depois de ser encontrado ouvindo música ocidental na mercearia de seu pai. Em seguida, ele foi levado a um tribunal islâmico e condenado à morte. O jovem foi decapitado em praça pública e o corpo dele foi depois enviado à família. A história não foi confirmada de forma independente, mas a mídia curda indica que o caso levou a uma rara demostração de revolta.

Os jihadistas consideram a música como instrumento de corrupção e proíbem que elas sejam tocadas em lojas, escolas e espaços públicos.

Outros dois jovens também foram presos na última sexta-feira por não terem comparecido às orações na mesquita de Mossul, informou a mesma agência. O ativista local Abdulah al-Malla contou que eles foram baleados do lado de fora do templo dois dias depois da detenção.

“A execução ocorreu depois de ser lido no tribunal uma declaração determinando que qualquer pessoa que falte as orações na mesquita enfrentem a mesma punição”, disse o ativista.

No final de janeiro, um garoto de 14 anos foi brutalmente executado na Síria por acusações semelhantes e seus pais foram forçados a assistir à decapitação do próprio filho.

Fonte: O Globo

Depois de Paris, Bruxelas sofre ataque terrorista

24/11/2015

 

Novas operações em Bruxelas. Principal suspeito ainda em fuga

A polícia belga seguiu o rasto das operações antiterrorismo do dia 22/11/15 e fez cinco novas detenções na manhã desta segunda-feira. As novas capturas deram-se durante várias “buscas suplementares”, efectuadas em Bruxelas e Liège. Somam-se agora às 16 pessoas detidas durante a noite. “Há um total de 21 pessoas detidas desde ontem”, resume um comunicado do gabinete do procurador federal belga. “Estão a ser agora interrogadas pela polícia.”

Salah Abdeslam continua em fuga e, acredita a investigação, está ainda na Bélgica, para onde fugiu depois dos atentados de Paris. Acredita-se que o francês tem um colete de explosivos e que estará preparado para fazer um novo atentado, possivelmente em Bruxelas. A capital está em alerta de segurança máximo. Escolas e metro estão encerrados.

Os jornais belgas La Libre e Le Soir avançavam na noite de domingo que a polícia tinha avistado Salah a bordo de um BMW, nos arredores de Liège, mas que este conseguira escapar a um controlo de estrada e partido em direcção à Alemanha.

As notícias foram desmentidas nesta segunda-feira pelo procurador belga, que disse que o caso não estava relacionado com as operações antiterrorismo no país. “O veículo foi identificado. As investigações que se seguiram mostraram que não há de todo ligação com a operação em curso”, lê-se no comunicado.

Não foram encontradas armas ou explosivos nas buscas desta segunda-feira – cinco aconteceram em Bruxelas, outras duas em Liège. O mesmo aconteceu com as 19 operações da noite de domingo, o que sugere que a polícia está longe de células jihadistas que possam passar à acção no curto-prazo. Tudo o que a polícia encontrou nesta manhã foram 26 mil euros numa das casas investigadas.

Noite agitada

As 19 operações policiais  estenderam-se por Bruxelas (Molenbeek, Anderlecht, Jette, Schaarbeek, Woluwe e Forest) e Charleroi. Ocorreu um incidente em Molebeek: a polícia disparou dois tiros contra um veículo que seguia em direcção a agentes. O condutor, que ficou ferido, fugiu, mas foi mais tarde detido.

O centro de Bruxelas viveu uma noite agitada. Um jornalista da BBC relatou que a população que vive na zona foi avisada para se manter em casa e longe das janelas, que deviam manter-se fechadas. Algumas pessoas que jantavam em restaurantes da área informaram, via Twitter, que foram escoltadas para fora dos estabelecimentos até zonas seguras. Outras disseram que as mandaram ficar dentro dos restaurantes, de portas trancadas e abrigados.

Ao início da noite de 22/11, a polícia fez um pedido para que não fossem divulgados pormenores sobre a operação em curso, um apelo dirigido sobretudo aos meios de comunicação mas também a todos os que publicam informações nas redes sociais. O jornal belga Le Soir informou os leitores que ia cumprir o pedido da polícia e outros jornais, como o  L’Avenir ou L’Echo, fizeram o mesmo.

Fonte: O Público

Salah Abdeslam muda de ideia e aceita ser extraditado para a França

Advogado diz que principal suspeito dos atentados de Paris não estava ciente sobre os planos de ataques em Bruxelas

    Questionado após sair de uma audiência, Sven Mary disse que seu cliente não estava ciente dos ataques de terça-feira que mataram pelo menos 31 pessoas e deixaram 300 feridas em Bruxelas.

    Abdeslam é o único sobrevivente conhecido entre as pessoas que teriam comandado os ataques de 13 de novembro em Paris, em que 130 pessoas morreram.

    As autoridades francesas, que o procuravam desde 14 de novembro, agora aguardam sua extradição.

    — Salah Abdeslam me indicou seu desejo de ir à França o mais rapidamente possível — afirmou o advogado, acrescentando que ele obteve um adiamento para 7 de abril da audiência que deve decidir se ele continuará detido. — Ele entendeu que aqui há apenas uma pequena parte do registro. Ele quer se explicar na França, é algo bom.

    A decisão constitui um giro na defesa de Abdeslam. Mary havia indicado um dia depois da prisão do suspeito que ele iria se opor à extradição. Dentro de uma semana, o tribunal belga vai realizar a primeira audiência sobre a extradição.

    As autoridades acreditam que os ataques em Bruxelas estejam ligados com a rede terrorista que cometeu os atentados de Paris. O Estado Islâmico (EI) disse que estava por trás de ambos os ataques.

    Fonte: O Globo

    LEVY e o ajuste fiscal….. só para o povo

    18/10/2015

    Dilma custa ao Brasil o dobro de Elizabeth II ao Reino Unido

    Gastos públicos brasileiros são crescentes e estão sem controle

      Reverência. A presidente Dilma espera pela chanceler alemã na rampa do Palácio do Planalto: só com os palácios em Brasília e as viagens da presidente, custo é de R$ 390 milhões por ano – Ueslei Marcelino/Reuters

      A presidente vai reduzir seu salário, do vice-presidente e dos 31 ministros a partir de novembro. Dilma Rousseff ganha R$ 26,7 mil mensais e deve perder 10%, pouco mais de três salários mínimos.

      O corte salarial no topo do poder, porém, é meramente simbólico num governo onde os gastos são crescentes.

      O caso da Presidência da República é exemplar. Na última década, se tornou um agrupamento burocrático de dezenas de organismos, fundos e secretarias extraordinárias. Gastou R$ 9,3 bilhões no ano passado —210% mais que em 2005, já descontada a inflação do período.

      É um volume de dinheiro quase três vezes maior, por exemplo, que o gasto anual do Estado do Rio na manutenção da rede pública de saúde, com 60 hospitais (1.050 leitos de UTI).

      Ano passado, as despesas do núcleo administrativo diretamente vinculado a Dilma somaram R$ 747,6 milhões, recorde no primeiro mandato.

      Pouco mais da metade disso (R$ 390,3 milhões) foi usado para pagar assessoria e serviços prestados à presidente nos palácios onde trabalha e reside e durante as viagens, segundo dados da Secretaria de Administração da Presidência disponíveis no Portal da Transparência, do governo federal.

      Dilma já custa para os brasileiros praticamente o dobro do que a rainha Elizabeth II e a família real para os súditos britânicos. A monarquia consumiu, em 2014, o equivalente a R$ 196,3 milhões, segundo relatório anual da Casa Real, tendo-se como referência a cotação da moeda (libra) no fim de agosto.

      Numa comparação republicana, o custeio do gabinete de Dilma equivale a 60% do escritório de Barack Obama. O presidente dos Estados Unidos gastou R$ 648 milhões com serviços na Casa Branca e na residência oficial, segundo relatório sobre a execução orçamentária no último ano.

      Em Washington, como em Brasília, parte das despesas presidenciais acaba dissimulada no orçamento. A diferença fica por conta da credibilidade sobre as contas dos dois governos e a eficácia do controle público.

      Nos EUA, Congresso e organizações sociais mantêm ativa fiscalização. No Brasil, sobra desconfiança, e o controle é rarefeito. “Aqui, além da pouca transparência, o excesso de truques e maquiagens fez crescer em progressão geométrica o descrédito nas contas governamentais”, diz Gil Castelo Branco, da ONG Contas Abertas.

      Em Brasília, a rotina de Dilma fica circunscrita a um raio de 15 quilômetros: trabalha no Palácio do Planalto, mora no Alvorada e passa fins de semana na Granja do Torto, uma casa de campo.

      Logo cedo, a presidente passeia nos jardins do Alvorada, à margem do Lago Paranoá, entre araucárias e sibipurunas plantadas por Yoichi Aikawa, jardineiro do imperador japonês Hirohito, que doou o projeto paisagístico há mais de meio século. Caminha sobre um tapete vegetal três vezes maior que o Maracanã, com sutil variação de tons de verde derivada das gramas Esmeralda (Zoysia japonica), Batatais (Paspalum notatum) e São Carlos (Axonupus compressus). A irrigação e a jardinagem consomem R$ 4 milhões anuais.

      Os prédios da Presidência abrigam multidões de servidores públicos, assessores contratados e a mão de obra alugada de secretárias, telefonistas, vigilantes, faxineiros e garçons, entre outros. Os serviços de manutenção somam R$ 220 milhões por ano.

      Vigilância e limpeza custam R$ 5,7 milhões anuais. Nas portarias, há um batalhão de vigias. Representam uma fração (R$ 1,5 milhão) de uma das maiores despesas do setor público: R$ 3 bilhões ao ano em policiamento privado, com elevada concentração em quatro grupos (Confederal, TBI, Albatroz e Santa Helena Vigilância). Ano passado, esse tipo de gasto superou os investimentos realizados por um conjunto de 33 órgãos, incluídos os ministérios do Esporte, das Comunicações e da Cultura.

      Há despesas mais prosaicas, como R$ 9,7 mil para quatro camareiras que lavam as roupas do vice-presidente Michel Temer, sob compromisso de “sigilo de informações”. E R$ 7,8 mil para tratamento semanal da piscina do Palácio do Jaburu, onde Temer mora.

      Recorrentes mudanças administrativas, produto da instabilidade nas relações da presidente com aliados, levaram à contratação permanente (por R$ 1milhão por ano) de empresa especializada na montagem e desmontagem de paredes divisórias no Planalto.

      Cada despesa nova leva uma justificativa pomposa. Exemplo: os R$ 39 mil pagos para encerar o piso de mármore do Planalto têm “o objetivo de manter a nobreza dos ambientes por onde circulam autoridades”, diz o contrato.

      O esmero burocrático se reflete na mesa do poder, com espaço para opções individuais, como a escolha do chefe de cozinha. Nem sempre dá certo. No governo Fernando Henrique Cardoso, por exemplo, um sargento da Marinha foi enviado a Paris com a missão de aprender a cozinhar. Voltou, agradeceu e partiu para a aventura de um negócio próprio.

      Nas 28 copas, a prestação de serviços custa R$ 7,4 milhões. Por elas circulam 88 garçons, sempre em camisa branca, calça, paletó de dois botões e cinco bolsos, gravata-borboleta e sapatos pretos. Há 58 copeiras em calças sem pregas, blusa de mangas três-quartos, em microcrepon (do tipo anarruga), sob avental xadrez preto e branco, com viés nas laterais. Os uniformes são exigência contratual.

      A intensidade do movimento entre copa e cozinha varia conforme a predileção do governante por festas e homenagens. O governo Dilma foi de comemorações no primeiro mandato: gastou-se R$ 302,7 milhões, 40% mais que Lula em oito anos. Em 2014, foram R$ 77,3 milhões, média de R$ 213 mil por cada dia do calendário da reeleição.

      Luxo e fartura ambientam as cozinhas dos palácios. Paga-se R$ 9 mil por banho restaurador dos utensílios em prata 925 (esterlina, com 92,5% de pureza). Os gastos com alimentação no Planalto somam R$ 16 milhões anuais.

      Desse total, uma fatia de R$ 1,3 milhão fica reservada para prover a despensa, os cardápios sob encomenda e a adega da presidente, com capacidade para 2.000 garrafas. Quase tudo é mantido em segredo. Aos curiosos, a presidência acena com um decreto (nº 7.724) assinado pela própria Dilma, em 2012, onde se lê: “As informações que puderem colocar em risco a segurança do presidente da República, vice-presidente e seus cônjuges e filhos ficarão sob sigilo até o término do mandato em exercício ou do último mandato, em caso de reeleição.”

      Como nem os donos de segredos de Estado conseguem guardá-los, sabe-se que um dos mais caros cardápios é mantido à margem da contabilidade rotineira de copa e cozinha palaciana: custa R$ 2 milhões anuais o serviço de comida a bordo do avião presidencial.

      Já foi mais. Em 2006, Lula chegou a gastar R$ 3,7 milhões — mais que a conta dos cinco mil telefones da presidência naquele ano. Ele instituiu um padrão em voos, preservado por Dilma, com variedade de carnes (coelho assado, costeleta de cordeiro, rã, pato, picanha e peixe). O café da manhã a bordo custa R$ 58,60; a bandeja de frutas, R$ 102; cada canapé de caviar sai a R$ 7; camarão ou salmão defumado, a R$ 4,60.

       

      Em viagens ao exterior, Dilma prefere hotéis às residências oficiais nas embaixadas brasileiras. Em junho, passou três dias numa suíte do St. Regis, em Nova York, decorada por joalheiros da Tiffany. Depois, passou um dia em São Francisco, Califórnia, no hotel Fairmont, cuja suíte principal tem um mapa estelar em folhas de ouro contra um céu de safira. O custo médio das diárias nos EUA foi de R$ 36 mil.

      Para servi-la e à comitiva foram contratados 19 limusines, 15 motoristas, dois ônibus e um caminhão para transportar bagagens. Custou R$ 360 mil (o pagamento atrasou dois meses).

      Em Atenas, na Grécia, em 2011, a presidente gastou R$ 244 mil numa “escala técnica” de 24 horas — mais de R$ 10 mil por hora.

      Fonte: O Globo

      Além de guerras, questões climáticas embalam as migrações mundiais

      04/10/2015

      Desastres naturais forçam migrações de 60 mil por dia

      Vítimas das mudanças climáticas deslocam-se em busca de meios de subsistência

      O Pentágono chama de “multiplicação de ameaças”. O secretário de Estado americano, John Kerry, alerta para os “novos refugiados”. Sua antecessora, a pré-candidata à Presidência dos EUA Hillary Clinton, ressalta a “guerra pela água”. Paddy Ashdown, um político veterano britânico, acredita que o planeta vive uma “crise humanitária”. Não importa o termo, a população desalojada pelas mudanças climáticas e pelas catástrofes naturais preocupa autoridades mundiais. Estima-se que, desde 2008, cerca de 22,5 milhões de pessoas deixaram suas casas, por ano, devido a eventos extremos do clima — o equivalente a 62 mil casos diários. Este cenário ainda pode piorar.

      Essas pessoas são desabrigadas por problemas como a desertificação de terras, ou mesmo por catástrofes como tufões e inundações, mais comuns devido às mudanças no clima. A odisseia em busca de moradia pode começar dentro do próprio país. Normalmente, os refugiados migram do campo para áreas urbanas, onde enfrentam problemas, já que habilidades como o cultivo agrícola não podem ser aproveitadas.

      — Cada centro urbano deve desenvolver uma forma para reduzir o contraste entre a elite local e os miseráveis que chegam — defendeu Beatriz Sanches, professora de Direito Internacional da Universidade de Los Andes, na Colômbia, durante o Encontro das Américas sobre as Mudanças Climáticas, que aconteceu em Bogotá. — Mesmo diante das dificuldades das zonas rurais, deixamos que um Deus Todo Poderoso resolva tudo.

      Para piorar, há uma confusão crescente sobre as categorias dos refugiados. Os milhares de migrantes que tentam trocar a guerra civil na Síria pela Europa Ocidental fogem também da seca. Entre 2006 e 2011, o país asiático sofreu com a estiagem. O mesmo problema se manifesta na África, onde somalis e etíopes testemunham a desertificação do campo, inviabilizando a agricultura de subsistência. Tentam buscar uma solução nas balsas lotadas que atravessam o Mar Mediterrâneo, em direção à Itália.

      — Em qualquer lugar do planeta, as mudanças climáticas podem levar à desertificação e à perda da qualidade de vida. Com um ambiente propício à violência, pode ocorrer um cenário semelhante ao da Síria — avalia o economista Pavan Sukhdev, embaixador da ONU para Meio Ambiente. — E há locais em que o clima, sozinho, já serve como um gatilho para a migração. O derretimento de calotas polares da Antártica e do Ártico, por exemplo, pode levar a um aumento do nível do mar de até seis metros neste século.

       Rebecca Blackwell/APRebecca Blackwell/AP

      A inundação teria consequências drásticas em Bangladesh, o oitavo país mais populoso do mundo, que perderia para as águas cerca de 17% de seu território até 2050. Estes eventos extremos levariam ao surgimento de mais de 20 milhões de refugiados climáticos naquela região.

      EXCLUÍDOS NA CIDADE

      Javier Gonzaga, da Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais da Universidade de Caldas, também da Colômbia, assinala que os migrantes climáticos não conseguem mais manter os meios seculares que garantiam sua sobrevivência.

      — Não é possível saber se a principal causa da migração é a pobreza ou a destruição do ecossistema rural. Ambos estão unidos — explica Gonzaga. — A vulnerabilidade social, associada às migrações ligadas ao clima, está aumentando com diferentes intensidades em cada país. Alguns cenários alarmistas previstos pela ONU para 2070 já podem ocorrer no meio do século.

      A ONU e algumas instituições de pesquisa, como o Centro de Monitoramento de Deslocamento do Conselho Norueguês de Refugiados, acreditam que o número de pessoas desalojadas pelo clima pode chegar à marca de 250 milhões, por ano, em 2050.

      A categoria de migrantes climáticos não é protegida pelo direito internacional, como são os refugiados de guerra que há meses deixam a Síria ou as vítimas de violações de direitos humanos. Então, podem ser obrigados a voltar para a região devastada. Também precisam adaptar-se a diferentes legislações, idiomas e culturas, e podem ser excluídos de sistemas básicos de assistência social, como o acesso a escolas ou a programas de saúde.

      Alguns Estados insulares já providenciam o deslocamento de sua população. O arquipélago de Kiribati, no Oceano Pacífico, comprou terras na vizinha Fiji. No Oceano Índico, as Maldivas perderiam todas as suas 1.200 ilhas. A economia, baseada no turismo e na pesca, seria aniquilada. Por isso, seu governo planeja construir ilhas artificiais flutuantes, enquanto negocia programas de evacuação com autoridades da Austrália e da Índia.

      — A falta de preparo para lidar com as catástrofes naturais sempre foi um grande desafio para as nações — lamenta Irwin Redlener, diretor do Centro Nacional de Preparação para Desastres dos EUA. — Às vezes, os custos são importantes. Em outras ocasiões, há fatores psicológicos e culturais que inibem a adoção de uma “preparação mental” entre os cidadãos ou mesmo dos chefes de Estado.

      MORTE DOS CORAIS

      Segundo Sukhdev, as consequências das mudanças climáticas nos oceanos podem repercutir mesmo nos países que não correm risco de serem afundados.

      — Os oceanos vão absorver o excesso de carbono na atmosfera e, com isso, as águas ficarão mais ácidas — descreve. — A vida marinha dos corais, que são a fonte de alimentação dos peixes, está ameaçada. Até 600 milhões de pessoas que dependem da indústria pesqueira nos litorais não conseguirão manter sua atividade econômica e precisarão migrar. E, muitas vezes, estão próximas a zonas urbanas superpopulosas, onde não devem encontrar espaço ou oportunidades.

      Coordenador do Centro Universitário de Estudos e Pesquisas sobre Desastres (Ceped-UFSC), Antonio Edésio Jungles pondera que o Brasil melhorou recentemente seus sistemas de alerta precoce contra desastres climáticos. O país, no entanto, continua exposto a fenômenos cada vez mais intensificados pelas mudanças climáticas.

      — As consequências são lentas e graduais. Em Santa Catarina, por exemplo, temos problemas de estiagens cíclicas, o que faz com que a população se afaste e as empresas deixem de se instalar em algumas regiões. Essas catástrofes climáticas devem se acirrar nos próximos anos — comenta. — Tudo tem um limite, um ponto em que o equilíbrio com a cadeia produtiva, a flora e a fauna fica comprometido, e muitas vezes estas mudanças não são rapidamente percebidas.

      Sukhdev já enxerga mudanças provocadas pelo clima no país.

      — Algumas cidades costeiras, como Salvador, Rio, Recife e São Luís, estarão entre as prejudicadas pela modificação no ecossistema marinho — revela. — Em São Paulo, a temperatura registrada no último dia de inverno foi de 37 graus Celsius. Nem no verão este índice seria comum.

      Perguntado sobre qual região do planeta estaria mais a salvo das mudanças climáticas — e receptiva aos migrantes —, Sukhdev foi taxativo:

      — Estamos em uma estrada e está vindo um caminhão. Podemos sair da frente dele daqui a um segundo ou daqui a cinco ou dez, mas ele vai passar de qualquer forma. Não há uma região. O que existe é a economia verde e sustentável. E ela precisa ser adotada.

      Fonte: O Globo

      Nem com mensalidades salgadas operadoras de planos de saúde particulares individuais conseguem saúde financeira

      13/09/2015

      A quebra da Unimed Paulistana levantou algum temor no mercado de um risco sistêmico no setor de saúde, o que afetaria indiretamente companhias de capital aberto. Embora esse receio seja visto como exagerado por especialistas, o caso da Unimed Paulistana chamou atenção para um problema de difícil solução no mercado de saúde suplementar brasileiro: a falta de alternativas no negócio de planos individuais. A modalidade sofre com uma redução de oferta e, nos últimos anos, várias operadoras deixaram de oferecer esses planos por considerarem o negócio pouco atrativo financeiramente.

      A explicação para a falta de apetite de operadoras pelos planos individuais é, segundo pessoas no setor, um descompasso entre um alto ritmo de crescimento dos custos com atendimento médico e o controle dos reajustes de preço feito pela Agência Nacional de Saúde (ANS). O fato é que tais planos ainda atendem cerca de 10 milhões de pessoas, 19% do total do mercado, beneficiários que em maior frequência são aposentados e idosos. A falta de alternativas expõe o desafio de como atender essas pessoas e, em São Paulo, já praticamente não há oferta de planos individuais fora da Unimed.

      Analistas do mercado ponderam que hoje há companhias bastante saudáveis entre as operadoras mais relevantes do mercado. A existência de operadoras menores, mais expostas aos planos individuais e que precisam melhorar sua gestão, porém, é um fato.

      Nos últimos anos, diversas operadoras deixaram de vender novos planos individuais: é o caso de todas as grandes seguradoras, além da Amil e da Intermédica, entre outras. “Se o governo quiser que haja aumento de oferta, tem que haver flexibilização das regras, e acredito que uma maior oferta de planos individuais seja importante para a competição”, diz Luiz Augusto Carneiro, superintendente Executivo do IESS.

      Os custos das operadoras de planos de saúde individuais com consultas, exames, terapias e internações cresceram 17,7% nos 12 meses encerrados em junho de 2014, o dado mais recente apurado pelo Índice de Variação de Custos Médico-Hospitalares (VCMH) do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS). O reajuste de preço autorizado pela Agência Nacional de Saúde (ANS) este ano foi de 13,55% e ele foi de 9,65% ano passado.

      No início do mês, foi determinado que a Unimed Paulistana deve negociar a transferência da totalidade de sua carteira de beneficiários num prazo de 30 dias. Para especialistas, o caminho mais simples seria que a carteira fosse incorporada pelo próprio sistema Unimed, por meio da Central Nacional Unimed (CNU) e a Federação das Unimeds do Estado de São Paulo (Fesp), mas pessoas nesse mercado avaliam que há sinais de divergências entre os gestores dessas cooperativas e a Unimed Paulistana.

      Se não houver solução, a carteira da Unimed Paulistana iria a leilão, mas experiências recentes com leilões foram frustradas, lembra o advogado José Luiz Toro. “Tem operadora que tem medo de assumir carteira de outra e ficar responsável por dividas trabalhistas e tributárias, é um receio que não é fundamentado na regulamentação, mas existe”, diz. No caso do leilão falhar, os beneficiários da Unimed Paulistana teriam portabilidade para migrar para outros planos de mesmo preço sem carência, o que o advogado vê como um risco porque poderia elevar a sinistralidade de outras companhias do mercado.

      A Agência Nacional de Saúde (ANS) publicou uma nova regra flexibilizando algumas normas para transferência de carteira de beneficiários em leilões, o que pode influenciar no caso da Unimed Paulistana. Entre as mudanças, consta a possibilidade de aumentar preços em planos individuais caso se comprove sinistralidade superior aos percentuais históricos.

      Para a professora Ana Maria Malik, coordenadora de um centro de estudos de gestão em saúde da Fundação Getúlio Vargas (FGV), oportunidades em melhoria de gestão de custo precisam ser capturadas pelas operadoras. Ana Maria destaca iniciativas de prevenção de doenças e melhor acompanhamento do histórico dos pacientes como uma forma de reduzir despesas e melhorar a saúde financeira das companhias.

      Fonte: Veja

      Meio milhão de brasileiros fica sem plano de saúde

      Com desemprego, usuários abandonaram proteção nos primeiros sete meses deste ano

      A crise econômica afetou a saúde, e quase meio milhão de brasileiros deixou de contar com a proteção de planos de assistência médica nos primeiros sete meses deste ano. Dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) mostram que o universo de 50,69 milhões de usuários registrado em janeiro foi encolhendo mês a mês e chegou em julho a 50,19 milhões. A queda inverte a curva de crescimento do setor nos últimos anos e acompanha o aumento do desemprego, sobretudo no mercado formal. Das 492 mil pessoas que ficaram sem plano ou seguro-saúde, a grande maioria tinha plano empresarial, aquele pago pelas companhias para seus funcionários.

      O movimento é percebido pelas operadoras, que consideram, porém, se tratar mais de uma desaceleração.

       

       

      — O mercado de saúde suplementar tem registrado um avanço mais lento da base de beneficiários. Claro que uma das razões é o menor volume de contratação de planos empresariais, resultado da redução da atividade econômica. Mas a preocupação com a saúde faz com que as famílias mantenham os planos e seguros de saúde mesmo após episódios de desemprego ou queda de remuneração — pondera Marcio Coriolano, presidente da FenaSaúde, entidade que representa 24 seguradoras de saúde.

      FALTAM PLANOS INDIVIDUAIS

      Mas, mesmo quando um trabalhador que ficou desempregado ou se aposentou faz um esforço para pagar um plano por conta própria, ele encontra obstáculo: contratar um plano individual é missão quase impossível. Hoje, menos de 20% dos segurados contam com essa modalidade

      — A oferta de planos individuais é quase inexistente, e o que existe é monopolizado por poucas empresas, que cobram caro pelo serviço — avalia Joana Cruz, advogada especialista em Saúde do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec).

      Uma pesquisa realizada pelo Idec nas 27 capitais, no fim do primeiro semestre deste ano, identificou que em cinco delas (Belo Horizonte, Salvador, Macapá, São Luís e Vitória) o consumidor não tem qualquer opção de plano individual com cobertura completa (ambulatorial, hospitalar e obstetrícia). Em outras 11 capitais (Rio Branco, Maceió, Manaus, Salvador, Goiânia, Campo Grande, Cuiabá, Belém, Boa Vista, Porto Alegre e Florianópolis), somente uma operadora — a Unimed — oferecia o serviço.

      — O agravante é que, quando o consumidor encontra essa opção, pesa demais no bolso. A mensalidade inicial média de um plano com abrangência nacional para um usuário na faixa dos 30 anos compromete 40% de sua renda média. Diante disso, ou a pessoa opta por pagar, ou usa particular quando precisa ou vai parar no SUS (Sistema Único de Saúde) — complementa Joana.

      No Rio, a oferta também é escassa. Levantamento feito pelo GLOBO na última quinta-feira com as dez operadoras com o maior número de beneficiários da cidade — 70% dos clientes da capital — mostra que apenas três vendem planos individuais (Unimed-Rio, Assim e Grupo Cemeru). Para uma mulher de 45 anos, as mensalidades variaram entre R$ 454,29 e R$ 721,48. Amil, Bradesco Saúde, Golden Cross, Sul América Seguros, Memorial Saúde e Central Nacional Unimed não trabalham com a modalidade. As repórteres não conseguiram contato com a Notre Dame Intermédica, que está entre as dez maiores.

      Ricardo Kimaid: esforço para manter contrato – Agência O Globo / Ana Branco

      Foi por causa dessa dificuldade que o microempresário Ricardo Bahouth Kimaid se esforçou para manter o seguro-saúde da Sul América na categoria empresarial, que paga há cerca de dez anos. O contrato cobria três pessoas — ele, um dependente e uma funcionária. O problema é que, após a aposentadoria da empregada, ele ficou com apenas duas pessoas no plano, número insuficiente para caracterizar a modalidade empresarial. Kimaid descobriu, então, que a operadora não vendia planos individuais.

      — Se, após pagar por quase dez anos o plano de saúde como empresa, ela for diluída, eu fico descoberto, pois não há plano individual. Essa é mais uma das covardias que cometem com o cidadão, refém da inoperância e indiferença de nossos governantes. Isso porque, nos planos individuais, os aumentos giram em torno da inflação do período, já nos coletivos, o reajuste, que é livre, tem ficado muito maior, em torno dos 17% — reclama.

      A SulAmérica informou que, por estratégia, não vende planos individuais desde 2004.

      Segundo a advogada especialista na área de saúde Renata Vilhena, para as operadoras não é vantajoso trabalhar com planos individuais porque, ao contrário do que acontece nas modalidades coletivas, o reajuste é regulado pela ANS, que determina o percentual máximo de aumento. Este ano, foi de 13,55%, o maior da última década. Além disso, por ser um produto caro, em geral, quem paga os planos individuais são idosos ou pessoas com doenças crônicas, que usam muito os serviços, ou seja, custam caro para as operadoras.

      — O mercado suspendeu a venda de planos individuais para driblar a proteção legal e poder cobrar uma mensalidade maior. Além disso, manter a venda dessa modalidade de plano leva as operadoras a incorporarem em sua carteira grupos de risco, como pessoas idosas, que estão amparadas pelo rigor do limite dos reajustes e que usariam mais os serviços — diz a advogada.

      OPERADORAS CONTRA TETO

      O setor de saúde suplementar não esconde o descontentamento com a regulação. Para Coriolano, o controle de preços é um entrave que desestimula a venda de planos individuais.

      — A política de reajustes desconsidera a evolução dos custos médicos, que crescem a índices superiores aos aumentos autorizados pelo regulador. A atuação da regulação deveria estimular a livre concorrência e o bom funcionamento dos livres mercados — disse Coriolano, ressaltando que os recursos dos planos de saúde são finitos e obtidos unicamente por meio do pagamento de mensalidades por cidadãos e empresas.

      Pedro Ramos, diretor da Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge), reforça a crítica da FenaSaúde e acrescenta que o controle dos reajustes provoca desequilíbrio econômico-financeiro insustentável às empresas.

      A extinção da Unimed Paulistana e a crise na Unimed-Rio, empresas fortes no mercado de planos individuais, reforçam o ponto de vista de Ramos. A cooperativa médica carioca, que está sob direção fiscal da ANS, encerrou 2014 com um prejuízo de R$ 198 milhões. Uma parte, R$ 108 milhões, foi coberta pelo Fundo de Reserva. Os R$ 90 milhões restantes devem ser pagos pelos médicos cooperados, mas a decisão precisa ser aprovada em assembleia marcada para o próximo dia 26.

      Segundo a cooperativa, os resultados deste ano estão dentro da previsão e orçamento traçados, que estimavam um ano ainda de dificuldades. O plano previa várias medidas de redução de custos, cujos efeitos demorariam um certo período para aparecer. A Unimed Brasil, que representa as cooperativas do sistema, afirma não haver qualquer evidência “de que os desafios enfrentados por operadoras de grande porte estejam relacionados à oferta de planos individuais”. Hoje, 40% dos clientes Unimed têm essa modalidade de plano.

      PALAVRA DOS ESPECIALISTAS

      Na visão de Ligia Bahia, professora do Instituto de Estudos de Saúde Coletiva da UFRJ, é um escândalo não ter plano individual:

       

      — As empresas não fazem saúde. Dizem que têm margem de ganho pequeno, de 2%, mas são 2% de R$ 150 bilhões. Tanto que elas não querem mudar o sistema, qualquer proposta que a gente faz não é aceita. A maioria desses milhares de brasileiros que saíram dos planos de saúde este ano é terceirizado das empreiteiras. Não tinham plano de saúde, passaram a ter, perderam de novo junto com o emprego e agora não têm dinheiro para pagar por conta própria. E mesmo os que têm dinheiro não encontram planos individuais para comprar. Terão que optar por um plano por adesão, que é um falso coletivo. São mais caros e têm menos garantias. Isso é um escândalo. As empresas deveriam ser obrigadas a oferecer planos individuais e a preços razoáveis. Quanto à ANS, tenho cada vez mais clareza de que nossa reguladora é muito fraca.

      Já a advogada Renata Vilhena observa que as famílias costumam cortar o plano de saúde por último de seus orçamentos:

      — Apesar dos altos índices de demissões de trabalhadores com carteira assinada, o que indica a perda de benefícios como o plano de saúde, eu acredito que, por parte das famílias, é a última despesa a ser cortada no orçamento familiar. O consumidor pode ser demitido, ter o plano da empresa cortado, mas fará o possível e o impossível para contratar outro plano. A possibilidade de só ter o SUS para ser atendido assusta. Principalmente a classe média. Mas, justamente para poder cobrar uma mensalidade maior, fugindo da rigidez dos planos individuais, poucas empresas ofertam essa modalidade. Só é possível melhorar o acesso do cidadão à saúde suplementar mediante atuação transparente da Agência Nacional de Saúde, que deve ser administrada por pessoas isentas e não que tenham participado da diretoria de operadoras do setor.

      Planos de saúde: valem o quanto custam?

      Ferramenta mostra, em tempo real, desembolso do setor. Especialistas veem estratégia para aumento

      Hoje, ao meio-dia, os custos com a saúde suplementar no país vão atingir R$ 22,7 bilhões este ano. É o que informa o “Custômetro”, nova ferramenta on-line lançada pela Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge) — que representa empresas privadas de assistência à saúde do segmento de medicina de grupo — divulgada em primeira mão pela “Defesa do Consumidor”. Segundo a entidade, o objetivo é dar transparência aos valores investidos pelo setor. Já para especialistas em saúde e defesa do consumidor, o instrumento é mais uma ferramenta do segmento para pressionar por reajustes maiores dos planos de saúde, no cabo de guerra travado entre empresas e usuários.

      Como um ‘Impostômetro’

      A exemplo do “Impostômetro”, criado pelas associações comerciais paulistas, o instrumento permitirá acompanhar, em tempo real, os valores desembolsados pelas operadoras para manter os serviços aos cerca de 50 milhões de beneficiários. A cada R$ 4 mil desembolsados, o placar muda.

      — A finalidade é mostrar como estamos gastando com o cliente. Durante anos, tivemos uma relação muito desgastada, e isso precisa melhorar. A informação e, principalmente, a sua transparência é primordial em todos os sentidos — afirma Pedro Ramos, diretor da Abramge.

      Para a professora do Instituto de Estudos em Saúde Coletiva da UFRJ Ligia Bahia, a intenção está distante de ser uma melhora de relacionamento, mas será interessante ver o que virá:

      — A intenção é clara: querem justificar aumentos das mensalidades mediante o argumento de que os custos assistenciais sobem mais do que a inflação. Não é que eles estejam errados, nos países ricos isso acontece em função da conjugação de envelhecimento populacional e inovações tecnológicas. No Brasil, porém, não se sabe, pois não existem informações confiáveis. Os empresários se acostumaram a chutar. O que seria útil saber é o gasto por destinação de cada plano e de cada empresa.

      ‘Medicina bem feita é barata’

      Mais contundente, Carlos Thadeu de Oliveira, gerente técnico do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), acredita que será impossível o consumidor verificar se aquele custo é o que realmente foi arcado pela operadora, ressaltando que há ganhos em negociações de escala, por exemplo, que não podem ser avaliados pelo usuário:

      — Trata-se de uma pseudoinformação, cujo propósito único é o de justificar mais aumentos dos planos, mais benesses fiscais às operadoras e mais calotes ao SUS. É como pedir à raposa para contar os ovos das galinhas.

      Num primeiro momento, o consumidor terá acesso apenas ao montante total aplicado pelo setor, mas a ideia, antecipa o diretor da Abramge, é abrir os dados sobre os gastos, por procedimentos e operadoras. Com a divulgação, admite Ramos, busca-se aprofundar a discussão sobre quais são os principais motivos da constante elevação das despesas assistenciais e o impacto no setor. Segundo o Mapa Assistencial da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), 43,3% das despesas são de internações; 33,6%, de consultas; 18,5%, de exames complementares; e 4,6%, de terapias. Mas o mais importante, diz o executivo da Abramge, é conscientizar os usuários de que 25% do que se gasta, seja no setor privado ou no público, são desperdício, por falta de coordenação no atendimento, tratamentos excessivos, fraudes, corrupção e má gestão:

      — Pretendemos alertar o cliente para que use o plano com bom senso. Se marcou a consulta, compareça ou avise que não vai. O índice de absenteísmo nos consultórios, clínicas e hospitais é de 20% a 30%. Isso custa dinheiro, o que acaba pesando para os dois lados. Um terço do montante gasto poderia estar sendo economizado se não houvesse o absenteísmo. Se atingirmos a meta de acabar com o desperdício, quem ganha é o consumidor.

      Ramos chama atenção ainda para o fato de que, a cada cem reais gastos na saúde suplementar, R$ 85 vão para os custos assistenciais, ou seja, 85%. Os 15% restantes da receita são divididos entre despesas administrativas e comerciais, taxas e impostos. Ele admite que é impossível falar em custos sem mencionar reajuste de preços, o que pode fazer com que mais consumidores deixem esse mercado: só no ano passado, um milhão de pessoas deixaram de ser beneficiárias de planos de saúde. Este ano, ele estima perda semelhante, já que muitos brasileiros já não conseguem pagar o custo das mensalidades. Mesmo assim, o diretor da Abramge insiste na necessidade de reajustes maiores:

      — Nos últimos dez anos, o governo concedeu reajustes aquém da inflação médica, hoje em torno de 17%. Enquanto a inflação era de 10%, davam 5%. Se os reajustes fossem equiparados, estaria tudo equilibrado. Com a atual receita, sem combater o desperdício, não tem como o setor passar pela crise e voltar a crescer. Não há um cálculo atuarial para ver como o aumento do rol da ANS, por exemplo, impacta as operadoras. Aumentam os benefícios, e o que vemos são empresas quebrando sistematicamente.

      Longe de uma solução

      Para a economista do Idec Ione Amorim, o que é preciso é uma fiscalização mais rigorosa, regulação das atividades entre operadoras e prestadoras de serviço e maior transparência nos repasses de recursos com responsabilidade fiscal e jurídica:

      — Expor o custo médio não corrige distorções que encarecem serviços, servem de porta de entrada para superfaturamento e precarização dos procedimentos e resultam em baixa qualidade de serviços, com custos crescentes para o usuário.

      Na avaliação do médico cardiologista Luiz Roberto Londres, dono da Clínica São Vicente e um dos fundadores do Observatório da Saúde — site em que se discutem práticas consideradas antiéticas na área médica e se mostram esforços para reconstruir a saúde pública — a iniciativa da Abramge está longe de atacar a causa da elevação dos custos da saúde e de priorizar a qualidade:

      — A medicina bem feita é barata. Noventa por cento dos diagnósticos se fecham com a conversa, exames são feitos para comprovação. Se fosse adotado um pensamento eminentemente ético e social, os custos cairiam, e os pacientes ficariam mais satisfeitos. A medicina foi deturpada.

      Em nota, a ANS esclarece que a metodologia para calcular o índice máximo de reajuste dos planos individuais considera a média ponderada dos percentuais aplicados aos planos coletivos com mais de 30 beneficiários. O objetivo, diz a agência, é dar ao usuário de plano individual as vantagens obtidas nos acordos feitos pelos planos coletivos, que têm maior poder na negociação nos aumentos.

      ‘Caixa-preta da saúde’

      Diretora executiva da Aceso Global, organização que busca o fortalecimento dos sistemas de saúde nos mercados emergentes e países em desenvolvimento, a americana Maureen Lewis acredita que o Brasil tem lições a tirar do programa de reforma da saúde dos EUA, o Obamacare, e diz que informação é uma peça-chave para melhorar a eficiência da saúde suplementar.

      A saúde suplementar no Brasil vive um momento de crise. Como a senhora vê o segmento no país?

      O Brasil está no meio de uma recessão econômica, o que coloca pressão sobre os cidadãos e os prestadores de serviços. No lado do fornecedor, eles estão perdendo inscritos — isso porque as famílias estão ganhando menos dinheiro ou perdendo emprego. Isso afeta a rentabilidade dos serviços de saúde.

      O setor tem citado muito o modelo americano como inspiração para uma mudança no país. Qual a sua avaliação?

      Os EUA têm tido muitos problemas em dar a todos acesso aos cuidados de saúde. Não há um SUS, apenas um seguro para os mais pobres e aposentados. Por outro lado, em muitos aspectos, o Brasil se assemelha ao sistema de saúde americano, uma vez que é fragmentado: existem vários pagadores e provedores, e a divisão público-privada no financiamento é quase a mesma. Algumas das reformas do Obamacare, como a promoção de maior qualidade, maior eficiência e menores custos, são altamente relevantes para o Brasil. Isso significa ter melhores dados sobre muitos aspectos. Sem mais e melhores dados e um acompanhamento constante, é difícil saber o que acontece na caixa-preta da saúde. É uma lição importante dos EUA. Sem os dados, o Obamacare não poderia ter criado os incentivos para reduzir custos e aumentar a qualidade.

      Qual seria o melhor caminho para a saúde suplementar no Brasil?

      É difícil dizer. Há muitas maneiras de melhorar a eficiência, com mais assistência ambulatorial, menos internações e ênfase em prevenção. A melhor forma de incentivar maior eficiência e qualidade é o contribuinte ter mais informações sobre onde os custos são elevados e dar incentivos aos prestadores

      Fonte: O Globo

      Em Gaza, devastação também compromete vida da população

      13/09/2015

      ‘Milhões vão viver de forma sub-humana’, diz Mahmoud Elkhafif

      Chefe de Assistência ao Povo Palestino da ONU afirma que ‘situação em Gaza não é sustentável’

      Garoto palestino pedala entre ruínas de casas na Faixa de Gaza Foto: IBRAHEEM ABU MUSTAFA / REUTERS
      Garoto palestino pedala entre ruínas de casas na Faixa de Gaza – IBRAHEEM ABU MUSTAFA / REUTERS

       

      Por que a Unctad chegou à conclusão de que Gaza vai ficar inabitável até 2020?

      Desde 2007, Gaza está sob bloqueio israelense, num cerco econômico, onde nada é permitido entrar, a não ser itens humanitários essenciais. Além disso, nos últimos seis anos, sofreu três operações militares feitas por Israel. Nosso relatório já tinha chegado a essa conclusão (de que Gaza ficaria inabitável até 2020) em 2012. Se considerarmos o último conflito, e que nenhuma providência foi tomada, a situação é muito pior do que nossas previsões de 2012

      Quais foram os principais danos sofrido por Gaza em 2014?

       

      Cerca de 56 mil residências, 15 hospitais, 150 escolas, além de mil estabelecimentos industriais ou comerciais foram totalmente ou parcialmente destruídos. Após a guerra, nenhuma medida de reconstrução foi tomada. Alguma coisa precisa ser feita: 1,8 milhão de pessoas, que devem chegar a 2,1 milhões em 2020, vão viver em condições sub-humanas. Esta situação não é sustentável. 

      Qual a recomendação da ONU?

      Basicamente, três coisas: suspender o bloqueio feito desde 2007; permitir a entrada de material para reconstrução; não repetir as operações militares. Também é urgente reativar o Acordo de Movimentação e Acesso, assinado em 2005 entre Israel e a Autoridade Palestina, baseado essencialmente em três pontos: conectar Gaza à Cisjordânia; construir e operar o porto de Gaza; começar as negociações para o aeroporto de Gaza. O Egito poderia ser incluído, de modo que o pacto fosse selado entre Gaza e os outros dois lados.

      E se isso não ocorrer?

      A situação em Gaza é explosiva e não é benéfica a ninguém. A comunidade internacional deve assumir sua responsabilidade. Uma solução permanente para o conflito entre israelenses e palestinos deve ser encontrada. Manter 1,8 milhão de pessoas sob esse bloqueio não é produtivo e, em 2020, vai ficar pior.

      Milhares de casas destruídas pela guerra continuam inabitáveis em Gaza

      Um ano após conflito com Israel, território palestino ainda está sendo reconstruído

      
Edifícios continuam destruídos em Beit Lahia, na Faixa de Gaza
Foto: TOMAS MUNITA / NYT
      Edifícios continuam destruídos em Beit Lahia, na Faixa de Gaza – TOMAS MUNITA / NYT

       

      Fouad Harara, de 56 anos, chega em sua casa na Rua Montar antes das 6h para comparar o trabalho que foi feito no dia anterior ao desenho de seu maço espesso de plantas de engenharia. Ele volta no meio do dia com frango e arroz para os dez homens que, nas últimas quatro semanas, estão completando o chão de blocos de concreto onde Harara espera reabrir sua loja de serviços elétricos e levantar colunas para o segundo dos sete andares que estão nas plantas.

      — Exatamente do jeito que era — conta Harara sobre a construção que vai repor a casa que ergueu em 1993, uma das centenas derrubadas pelos ataques israelenses em Shejaiya, bairro de Gaza que fica na fronteira, durante a guerra do verão passado. — Eu vivia confortavelmente aqui. Perdemos tudo, mas ainda está na minha memória.

      Mais de um ano depois que as hostilidades na Faixa de Gaza entre os militantes de Israel e Palestina pararam em 26 de agosto de 2014, nenhuma das quase 18 mil casas destruídas ou severamente prejudicadas em Gaza está habitável. Cerca de 12% dos seus donos conseguiram aprovação para reconstruir do complexo Mecanismo de Reconstrução de Gaza, criado pelas Nações Unidas, Israel e a Autoridade Palestina, mas menos de 4% já começaram a comprar cimento e outros materiais. 

      IMPASSE PARA RECONSTRUÇÃO

      Os envolvidos no processo e grupos de defesa atribuem a demora a uma briga política interna na Palestina, ao envolvimento de Israel na aprovação dos projetos e dos participantes e à falta de fundos. No fim do ano passado, doadores internacionais mandaram cerca de US$349 milhões, dos US$2,5 bilhões pedidos para a reconstrução de Gaza, e grande parte desse valor foi gasto na remoção de escombros, em alojamento temporário para 100 mil pessoas ou em reparos menores.

      Shejaiya, o bairro destruído perto da fronteira com Israel, na Cidade de Gaza – TOMAS MUNITA / NYT

      Oficiais de Israel, da Palestina e das Nações Unidas sabem que o mercado negro de Gaza sofreu uma inundação de cimento, com parte dele indo parar sem dúvida nas redes de túneis subterrâneos — exatamente o que o sistema de monitoramento está tentando evitar.

      — Sabemos e acreditamos que parte disso vai para os lugares errados — afirma o major

      Adam Avidan, a principal pessoa de Israel no Mecanismo. A certa altura, 18 dos 30 beneficiários compraram toda a sua necessidade de cimento e “no mesmo dia o venderam no mercado negro. Eles não construíram suas casas”.

      Cerca de 37 mil toneladas de cimento estão guardadas nos armazéns de Gaza, perto ou já fora de sua data de validade para os projetos.

       

      Mofeed M. Al Hassaina, ministro da Habitação e de Serviços Públicos que fica em Gaza, estava em Shejaiya em 23 de julho quando Harara ficou entre os primeiros donos a começar a reconstruir, cercado pelos cliques das câmeras. Mas Hassaina afirma ter medo de voltar ao bairro e recusou um convite para a inauguração de uma escola depois de três dias de protestos de moradores na porta de seu escritório.

      — Não posso ir até lá porque eles estão bravos. Talvez estejam nos xingando e gritando comigo porque andam frustrados com suas vidas.

      Grupos da sociedade civil da Palestina fizeram uma petição em agosto pedindo o fim do Mecanismo de Reconstrução, dizendo que o acesso de Israel à base de dados de casas destruídas e seu papel na revisão das inscrições só arraigou seu controle sobre Gaza, uma posição que encontra eco em um relatório publicado recentemente pelo Gisha, um grupo israelense que promove liberdade de movimentos para os palestinos.

      Mas Hassaina, outros líderes palestinos e representantes das Nações Unidas disseram que Israel fez sua parte em um período de tempo razoável e que permitiu a entrada de cimento em Gaza. O problema principal, segundo eles, são os cofres vazios.

      — Agora temos dois mil nomes que foram aprovados por Israel, eles mandam material, mas onde está o dinheiro? —pergunta Hassaina.

      O Catar forneceu US$6 milhões de um pedido de US$50 milhões para reconstruir mil casas, explica ele, e o “Kuwait prometeu US$75 milhões, mas não recebemos nada ainda”.

      FALTA DE PLANO

      Outros reclamam que a reconstrução está sendo feita de maneira fragmentada, sem um plano de desenvolvimento geral incluindo infraestrutura para vizinhanças como Shejaiya ou mudanças estruturais na economia para resolver a questão do desemprego em Gaza, que está acima dos 40%. O mecanismo esperava ir além da reconstrução das casas destruídas no ano passado para resolver a falta de 85 mil moradias que Gaza tinha antes da guerra.

      — Voltar à situação de junho de 2014 não é ok. Longe disso, seria condenar Gaza a mais miséria — afirma Robert Piper, vice-coordenador especial para o processo de paz. — O desastre em potencial é que não nos movemos rápido o suficiente no software, planejando e coordenando.

      Piper e Bashir Rayyes, coordenador da Autoridade Palestina para a reconstrução de Gaza, diz que o foco nas moradias destruídas foi muito mesquinho. Cerca de 78 mil famílias de Gaza receberam dinheiro para reformar casas que tiveram prejuízos pequenos ou moderados, mas muitos deles revenderam o cimento por três vezes mais do que os 250 siclos, cerca de US$135, por tonelada recomendado pelo Mecanismo.

      Hassaina, o ministro de Serviços Públicos, diz que 455 toneladas de escombros foram removidas; mas ainda há 1,5 milhões de toneladas no local. De acordo com o site do Mecanismo, 115 projetos maiores, como escolas, hospitais e estradas estão sendo construídos, 15 foram terminados e 237 estão na fila de aprovação. Rayyes afirma que 95% da rede elétrica de Gaza e do suprimento de água foram restaurados.

       

      Harara tem uma fotografia de sua casa antiga pregada na tenda que montou depois que a guerra acabou, onde passa todos os dias. A imagem mostra uma castanheira florescente, que ele afirma ter sido derrubada pelas bombas de Israel.

      A alguns metros dali, galhos verdes saem do chão, uma parte da árvore aparentemente está revivendo.

      — Somos a mesma coisa: nossas casas e nós mesmos — afirma o irmão de Harara, Abed, de 53 anos. — Não morremos. Nossas raízes são como as dessa árvore.

      Fonte: O Globo

      Gaza: dez anos sem Israel e ainda sob cerco

      Após retirada de colonos, território palestino afunda na pobreza sob os bloqueios militar e comercial


      Escombros. Em meio a uma tempestade de areia, palestino olha os prédios atingidos durante o úlitmo conflito entre Israel e Hamas – AFP/8-9-2015

       

      O palestino Yousef Bashir tinha 15 anos quando, em 2004, no quintal de casa, na Faixa de Gaza, levou um tiro nas costas, que seccionou nervos perto da espinha. Caiu no chão: paralisado. Foi levado às pressas a um hospital local e, depois, a outro em Tel Aviv. Em pouquíssimo tempo conheceu o poder militar e os cuidados de uma medicina de alto nível, ambos israelenses. Um ano depois, após meses reaprendendo a andar, viu soldados de Israel evacuarem o assentamento judeu de Kfar Darom, perto de casa. Era 2005, e Tel Aviv ordenava a retirada de todos os colonos do território palestino. Agora, uma década depois, Bashir afirma que o tiro mudou sua vida. Mas, na ótica do palestino, hoje mestrando em “Paz, conflito e coexistência” na Universidade Brandeis, Massachusetts, o cenário ainda é o mesmo em Gaza.

      — Apesar de sair, Israel ainda controla o território por mar, ar e terra. E impôs o bloqueio. Nada foi feito para aliviar as tensões e buscar a verdadeira paz — afirma ele. — Os únicos judeus que conhecia eram militares. Mas vi israelenses salvarem minha vida. Meu pai disse para usar isso como oportunidade de fazer a diferença.

      Bashir se diz ativista pela paz, e busca mudança para a terra natal, mas reconhece que, até agora, “Israel deixou Gaza para aumentar a ocupação do lado de fora”. E os 1,8 milhão de palestinos na região vivem sob o que a ONU classifica como “condições socioeconômicas terríveis”.

       

       

      — Israel é responsável pelo bloqueio e, claro, pela pobreza — afirma o especialista em Oriente Médio Sébastien Boussois, da Universidade Livre de Bruxelas, ressaltando a cooperação política do Egito no cerco.

      ‘Hamas é inimigo confortável’

      De acordo com o último relatório sobre assistência aos palestinos, da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad), o desemprego em Gaza chegou a 44% em 2014, o maior já registrado. A insegurança alimentar afeta 72% das famílias. “O bem-estar econômico é o pior em duas décadas”, afirma o documento. Após o último conflito com Israel, entre julho e agosto do ano passado, o número de refugiados dependente de distribuição de alimentos aumentou de 72 mil, em 2000, para 868 mil — quase metade da população.

      — A última guerra foi devastadora para a população — enfatiza Aaron Miller, consultor das negociações árabe-israelenses do Departamento de Estado dos EUA durante vários governos.

      Já o pesquisador Shmuel Even, especialista em Inteligência do Instituto para Estudos de Segurança Nacional, em Tel Aviv, responsabiliza o Hamas, partido político com braço armado que governa Gaza. Segundo ele, o “conflito do Hamas com Israel e a Autoridade Palestiniana, além da atividade terrorista, cria insegurança”.

      — E sem estabilidade, não há equilíbrio social e econômico — afirma Even. — Urgente é um cessar-fogo de longo prazo entre Hamas e Israel, que permitiria reconstruir Gaza. O problema é o Hamas não reconhecer a existência de Israel.

       

      Mas Boussois faz um contraponto, ao enxergar na estratégia do governo conservador de Israel, comandado pelo premier Benjamin Netanyahu, a ideia de que o “Hamas é um inimigo confortável, porque apenas lança alguns foguetes”. E alerta:

      — Netanyahu sabe que é perigoso acabar com o Hamas. O que irá acontecer? O Estado Islâmico, que ronda a Península do Sinai, seria um inferno para eles.

      Para Aaron Miller, não há solução a curto prazo. Segundo ele, “não há liderança nos EUA, em Israel, ou no lado palestino para mudar a situação”. Otimista, o palestino Bashir conta que a vida segue em Gaza, apesar da falta de itens como água e eletricidade. Segundo ele, “você vê as pessoas buscando a vida”. Já a Unctad descreve um panorama sombrio: o relatório conclui que, sem mudanças, “a Faixa de Gaza vai se tornar inabitável até 2020”.

      Fonte: O Globo

      China também enfrenta menor crescimento econômico

      07/09/2015

      China revisa PIB de 2014 para baixo

      Economia cresceu 7,3% em vez de 7,4% no ano passado. Em agosto, reservas do país em moeda estrangeira têm maior perda mensal


      Investidores acompanham o desempenho dos mercados chineses – ALY SONG / REUTERS
      No momento em que o mundo acompanha com preocupação a desaceleração da segunda maior economia mundial, a China anunciou uma revisão para baixo do PIB de 2014. Em vez de 7,4%, a economia chinesa cresceu 7,3% no ano passado, de acordo com dado do Escritório Nacional de Estatística divulgado nesta segunda-feira. O número final só será anunciado em janeiro de 2016.

      No mesmo dia, o governo anunciou que as reservas do país em moeda estrangeira registrara, sua maior queda mensal em agosto, refletindo as tentativas de Pequim para conter uma depreciação do yuan e para estabilizar a os mercados financeiros depois da decisão de surpresa de desvalorizar a divisa no mês passado.

      O PIB ficou em 63,6 trilhões de yuans (US$ 10 trilhões) no ano passado, o que representa uma queda de 32,4 bilhões de yuans em relação à estimativa inicial, disse o escritório em comunicado em seu site. O órgão revisou a expansão do setor de serviços em 2014 em 0,3 ponto percentual, para 7,8%, o que contribuiu para a queda na taxa de crescimento do PIB estimado. O setor primário, o agrícola, cresceu 4,1% no ano passado, enquanto a expansão do setor secundário, que inclui manufatura e construção, subiu 7,3%.

      A expansão de 7,4% na atividade econômica já representava o pior resultado desde 1990. Os 7,3%, que representam a revisão de uma “confirmação preliminar”, também. E a meta das autoridades chinesas é que o desempenho econômico de 2015 fica na casa de 7%, mas mutos analistas temem que esse número não seja alcançado.De acordo com a AFP, o banco ANZ prevê que p PIB desacelere para 6,4% no terceiro trimestre e feche os últimos três meses do ano em 6,8% . Assim, a taxa anual ficaria abaixo dos 7% esperados pelas autoridades chinesas.

      A desaceleração da economia e os temores de que o enfraquecimento seja maior do que o previsto provocaram pânico nas Bolsas chinesas no mês passado, afetando, consequentemente, outros mercados do mundo. Nesta segunda-feira, as Bolsas chinesas voltaram a fechar em baixa. A de Xangai recuou 2,5%, assim como a de Shenzen. O mercado de Hong Kong fechou em queda de 1,23%, já o de Tóquio, no Japão, subiu 0,38%.

      As reservas cambiais da China, as maiores do mundo, diminuíram em US$ 93,9 bilhões no mês passado, a US$ 3,557 trilhões, segundo dados do banco central publicados nesta segunda-feira. A queda deixou os observadores do se perguntando se os esforços da China para apoiar o yuan são sustentáveis, na medida em que sai capital do país por causa dos temores de uma desaceleração econômica e perspectivas de alta nas taxas de juros nos Estados Unidos.

      Por outro lado, houve um certo alívio com o fato de a queda nas reservas não ter sido ainda maior, uma vez que havia especulações de que a perda pudesse ter chegado a US$ 200 bilhões. A queda nas reservas se acelerou após a desvalorização do yuan de quase 2% em 11 de agosto, que provocou novas preocupações sobre a economia e venda generalizada da moeda.

      Wendy Chen, analista en Nomura International, disse à AFP que “a correção do PIB do ano passado se deve sobretudo ao setor de serviços, que cresceu menos do que o anunciado pelos números iniciais”. O desenvolvimento do setor de serviços é central na estratégia do governo para um novo modelo, mais centrado no consumo interno que nos investimentos públicos e nas exportações.

      — Isso dignifica que a estrutura econômica da China não evoluiu também como se espetava — afirmou Chen à AFP.

      Dois índices publicados na semana passada mostraram forte contração na atividade manufatureira em agosto, o que deixou os investidores com medo de que o país esteja se preparando para um “pouso forçado”. Esses dados se unem à piora no comércio exterior chinês em julho, quando houve uma clara queda nas exportações (-8,3%) e nas importações (-8,1%), além da desvalorização do yuan pelas autoridades chinesas em meados do mês passado.

      A China representam 13 do PIB mundial e os mercados temem um contágio da desaceleração do país. Mas Qian Qimin, analista do grupo Shenwan Hongyuan, disse à AFP que “a correção do número do PIB do ano passado tem pouco impacto no mercado”.

      — É um número do ano passado, e de qualquer forma todo o mundo sabe que a economia não está bem. O mercado continua flutuando, mas as ações das pequenas empresas estão se recuperando depois das fortes perdas sofridas — acrescentou o analista.

      No acumulado em 12 meses encerrados em junho, as Bolsas chinesas registraram uma valorização de 150%. A partir de então, os investidores já amargam uma queda de 40%. E neste cenário, o país aprovou um documento que esboça uma reforma de suas empresas estatais.

      Fonte: O Globo
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