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Metade mais pobre dos cariocas detém só 10,7% da renda. Concentração aumentou em 40 anos
Abismo social. Vista do Pavão-Pavãozinho, em Copacabana: avanço educacional foi menor para os cariocas pobres entre 2001 e 2010, o que ajuda a explicar o motivo de a distribuição de renda na cidade ter avançado menos que a do Brasil
A partir de 1º janeiro de 2017, o novo prefeito do Rio terá um desafio histórico: a crônica desigualdade da Cidade Maravilhosa, que faz os 10% mais ricos concentrarem 51,8% da renda, enquanto os 50% mais pobres ficam com 10,7%. Em 1970, essa apropriação da renda era de 43,9% para o topo da pirâmide e de 14,2% para a base. Há formas de avançar no caminho de um Rio mais igual, dizem especialistas, mudando a imagem da Cidade Partida, retratada pelo escritor Zuenir Ventura em 1994. Eles citam a vocação natural de saúde e esportes, o setor de óleo e gás, que, mesmo com a crise da Petrobras, é força econômica, e aproveitar o número menor de crianças para investir em estudo em tempo integral e nos jovens.O economista Marcelo Neri, diretor da FGV Social, que estudou o Rio de Janeiro ao longo de quatro décadas e constatou o aumento da desigualdade de 1970 a 2010, vê potencial na cidade, explorando o envelhecimento da população carioca. A proporção de idosos acima de 65 anos mais que dobrou no período, passando de 4,9% para 10,5%. Para o economista, o Rio poderia ser a Flórida brasileira, uma capital de saúde e esportes, aproveitando os investimentos em infraestrutura para as Olimpíadas
Entre as 27 capitais, o Rio tem a segunda maior parcela de renda da Previdência (25,4% da renda total). Segundo Neri, 92,1% dos benefícios são maiores que o mínimo.
— O Rio pode virar a capital da saúde, onde medicina, qualidade de vida e esportes, dada a infraestrutura olímpica recém-instalada, têm lugar privilegiado. Também podemos aproveitar que a parcela de crianças vem caindo para melhorar a educação.
Apesar da desigualdade, o Rio ostenta qualidade de vida maior que o Brasil. O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) da cidade é de 0,799, maior que o do Brasil, que é de 0,727. Nesse indicador, quanto mais próximo de 1, melhor a qualidade de vida, medida por renda média, educação e expectativa de vida.
A economista Hildete Pereira de Melo, professora da UFF, diz que o petróleo ainda é uma força no Rio:
— O petróleo ainda é uma questão importante. Não é uma carta fora do baralho. Há um polo tecnológico importante que foi montado.
Pelo estudo exclusivo do economista, diferentemente do Brasil, onde a desigualdade aumentou entre 1960 e 1970, os primeiros anos da ditadura militar, no Rio esse movimento se deu mais nos anos 1970 e 1990. Os 10% mais ricos ganhavam, em 2010, 21,8 vezes mais que os 10% mais pobres. Em 1970, a relação era de 14,52 vezes.
A concentração de renda na cidade
A partir de 2011, o caminho na direção de uma sociedade mais justa começou a ser trilhado, e a desigualdade passou a recuar lentamente. No Brasil, a distribuição de renda melhorou a partir de 2001.
A boa notícia é que, apesar de a desigualdade permanecer alta, não está subindo como no Brasil, nos últimos trimestres. O país amarga dois anos de recessão forte, com aumento rápido do desemprego e piora na distribuição de renda:
— A desigualdade brasileira sobe nos últimos dois anos, e a do Rio fica estável.
Os eventos esportivos blindaram o Rio da crise brasileira. Enquanto o rendimento do trabalho no país caiu 5,54% no segundo trimestre de 2016, frente ao mesmo período do ano passado, no Rio, ainda permanecia subindo 7,4%, diz Neri.
O economista Manuel Thedim, do Instituto de Estudos de Trabalho e Sociedade (Iets), diz que, a curto prazo, o Rio vai sofrer:
— Não tem caminho bonito a curto prazo. Do mesmo jeito que as Olimpíadas foram um amortecedor para a crise, o fim dos Jogos vai corrigir essa direção. Mas o lado positivo é que o Brasil está parando de piorar, o que pode ajudar o Rio.
Na perspectiva histórica, Hildete diz que o Rio perdeu muito economicamente nesses 40 anos, com as indústrias indo para São Paulo, levando o centro financeiro a reboque:
— Perdemos indústria para São Paulo e para a Zona Franca de Manaus. Tínhamos aqui um polo eletroeletrônico que migrou para a Zona Franca, criada em 1967, levando os bons empregos. Isso sem falar no setor naval. Com a crise, veio um desemprego enorme.
Thedim oferece outra explicação para a desigualdade na cidade. Ao analisar os dados mais recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnadc), do IBGE, observou a dificuldade dos cariocas menos escolarizados em manter sua renda, enquanto aqueles que têm mais de 12 anos de estudo conseguem proteger os ganhos ou perder menos em momentos de recessão. Um dos motivos para essa disparidade é a alta concentração, na capital, de servidores públicos e aposentados, que conseguem preservar a renda.
— O Rio tem escolaridade maior que a do resto do Brasil. E os mais ricos conseguiram proteger a renda diante da crise extraordinária na década de 1980. Os mais pobres sofreram mais.
TRANSFERÊNCIA DE RENDA MAIOR A PARTIR DE 2011
Neri constatou que o avanço educacional foi menor para os cariocas pobres do que para a média brasileira entre 2001 e 2011, o que também ajuda a explicar por que o Brasil distribuiu melhor a renda desde 2001. No país, a escolaridade cresceu 2,32% ao ano de 2001 a 2011, contra 1,3% no Rio.
Os programas de transferência de renda também só começaram a vir com força para a cidade a partir de 2011, afirma o diretor da FGV Social:
— Um dos fatores por trás da redução da desigualdade brasileira foi a implementação de programas como Bolsa Escola e, depois, Bolsa Família, a partir de 2000. O Rio ficou fora desse movimento inicialmente, pela sua renda mais alta e, depois, por afastamento entre níveis de governo. Houve um esforço de cadastramento local no Bolsa Família, e, a partir de 2011, foi adotado o Cartão Família Carioca. A renda dos mais pobres, que não aumentou no período de 2001 a 2011, passou a crescer com as transferências.
Neri lembra a frase do economista André Urani, um estudioso das questões do Rio, morto em 2011, que traduz a distância social em terras cariocas:
— Ele dizia que, no Rio, bastava atravessar uma rua para o IDH mudar.
Pobreza crônica: Zona Portuária tem 18,2% dos moradores vivendo com até R$ 206
Região é a mais pobre da cidade, considerando-se os bairros que já existiam em 1970
Tamara Correia da Silva parou de estudar quando ficou grávida do primeiro filho, Isaac, de 10 anos. O marido dela perdeu o emprego e vive de serviços de limpeza. A esperança é que os filhos tenham uma vida melhor. – Custódio Coimbra / O Globo
A Zona Portuária do Rio sofre de uma pobreza crônica e é a mais pobre entre os bairros que já existiam em 1970. Botafogo aparece com a menor parcela de lares onde a renda domiciliar per capita é de até R$ 206, com 2,7%. Reunindo os bairros de Caju, Gamboa, Saúde e Santo Cristo, a Zona Portuária já teve parte da região revitalizada, com o VLT, o Boulevard Olímpico e a reurbanização do entorno. mas, até 2010, pouco avançou no combate a uma das chagas brasileiras, que tem caído muito nas últimas décadas no Brasil: a pobreza. A região somava 18,2% de pobres em 2010. Há 40 anos, eram 23,4%.
O diretor da FGV Social, Marcelo Neri, fez um recorte para analisar historicamente os diferentes bairros do Rio. Estudou os que já existiam em 1970 e viu como avançaram os indicadores sociais, isolando fatores como migração.
REVITALIZAÇÃO RECENTE
Naquela época, em 1970, Santa Cruz, Anchieta, Penha, Ramos, Campo Grande, Bangu e Jacarepaguá tinham renda mais baixa que a Zona Portuária. Em 2010, ela passou a ser a mais pobre. Era um período em que o Complexo do Alemão praticamente não existia, e a Rocinha estava incluída no bairro da Lagoa. A Barra da Tijuca tinha pouco mais de cinco mil moradores.
Mesmo incluindo regiões que não existiam naquela época, a Zona Portuária aparece com o maior índice de pobreza. Só perde para Jacarezinho, que tem 19,3% de pobres. Nesse recorte, o conjunto de bairros ao longo do Porto divide o segundo lugar com o Complexo do Alemão, em mais um desafio que se apresenta para o próximo prefeito do Rio.
— É uma pobreza crônica, mudou muito pouco em 40 anos — afirma Neri.
O estudo, feito com dados do Censo Demográfico de 2010, o mais recente, ainda não incorporou os efeitos do processo de revitalização da Praça Mauá.
A região recebeu VLT e museus, e os moradores deixaram de conviver com a Perimetral. Mas a violência urbana ainda preocupa. Nos morros da Providência, têm acontecido tiroteios, mesmo com a Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), que chegou em 2010.
— Meu pai tem bar aqui no Santo Cristo há 50 anos. Pela primeira vez, fomos assaltados — contou Cláudio Leonardo Lopes Mendes, que tem a lanchonete na via por onde passa o VLT.
Ele vê muitos avanços no bairro onde cresceu ajudando o pai no bar, mas diz que a recessão atual está freando as melhorias:
— As pessoas conseguiram comprar carro, casa, mas agora está difícil manter isso.
Mendes ressalta que, para a revitalização se concretizar de verdade naquela região da Zona Portuária, é preciso atrair mais comércio para o local, como bancos e supermercados:
— Os preços dos aluguéis subiram muito, e está ficando inviável vir para cá.
FALTA DE SERVIÇOS
A costureira aposentada Maria Carvalho de Almeida, de 78 anos, mora no bairro desde o fim dos anos 1970. Juntamente com a irmã Erotilde, viveu as mudanças na região. Aprova o VLT e o Teleférico da Providência, inaugurado em julho de 2014, mas reclama, assim como sua irmã, da falta de de comércio variado no bairro::
— O único supermercado que existia na região fechou recentemente. Para ir ao banco, precisamos nos deslocar para a Rodoviária.
Tamara Correia da Silva, que tem cinco filhos — Isaac, de 10 anos, Larissa, de 8, Miguel, de 5, Thales, de 3, e Agatha, de 8 meses —, diz que a vida está melhor do que na sua infância. Ela, que tem 26 anos, sempre morou no Santo Cristo. Atualmente, ela mora na casa da mãe, de dois quartos, junto com as crianças, o marido e uma irmã. O marido de Tamara perdeu o emprego de segurança e vive de pequenos serviços de limpeza e de eletricista. Os R$ 240 do Bolsa Família ajudam. Tamara teve que parar de estudar quando engravidou de Isaac, mas pretende voltar. Sobre os planos para o futuro, ela responde:
— Já passei muita dificuldade, o que mais quero é que meus filhos possam estudar e ser alguém na vida.
Estudo registra avanço social em Botafogo
Total de pobres encolhe a 2,7% com presença de classe média e menor desigualdade
A guia turística Salete Martins chegou ao Santa Marta no fim de 1970, e se surpreendeu com as casas de madeira – Agência O Globo / Custódio Coimbra
Quando cheguei aqui, aos 9 anos, vindo de Crateús, no interior do Ceará, olhava para cima e só via casinhas de madeira. Hoje, o morro está colorido. Agora, a gente só vê casa de tijolo e colorida — compara a guia turística Salete Martins, que chegou ao Morro Santa Marta, em Botafogo, no fim dos anos 1970.
A região, que inclui Botafogo, Catete, Cosme Velho, Flamengo, Glória, Humaitá e Laranjeiras, é a que tem menos pobres na cidade. Eram 2,7% em 2010. Quarenta anos antes, houve um avanço social importante. Em 1970, os pobres correspondiam a 7% da região. Mesmo quando se inclui os bairros mais novos, que nasceram depois de 1970, Botafogo permanece com menos pobres. Dentro da Zona Sul, exibiu o melhor desempenho social. Segundo Marcelo Neri, da FGV Social, a menor desigualdade explica o resultado da região:
— É um dado consistente. Vem desde o Censo 2000, pelo menos. O resultado não se deve à renda, onde Lagoa e Barra apresentam níveis maiores, mas à menor desigualdade. Botafogo é mais homogênea, lugar mais de classe média que Lagoa e Barra.
Copacabana viu a pobreza cair de 6,3% para 5,4%, um resultado pequeno para um período de 40 anos:
— Copacabana, que era o bairro dos jovens em 1970, envelheceu. Tinha 28% da população entre 15 a 29 anos, e agora essa parcela caiu para 16%. A população está envelhecendo, e isso tende a gerar uma certa estagnação, principalmente nos últimos anos, de economia ruim.
Na Lagoa, que no século passado incluía a Rocinha, também não houve um recuo grande na pobreza. Atualmente, são 8,8%. Em 1970, eram 8,1%. Essa região engloba também outros bairros, como Ipanema, Leblon, Gávea, Jardim Botânico, São Conrado e Vidigal.
PACIFICADO, MAS AINDA COM ESGOTO A CÉU ABERTO
Segundo Salete, a situação começou a melhorar no Santa Marta a partir de 2003, com a urbanização e melhoria dos becos e vielas e o colorido dado às casas, numa parceria com uma fábrica de tintas:
— Mas ainda há esgoto a céu aberto ao lado do Plano Inclinado.
O bondinho chegou em 2008, um pouco antes da instalação da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP). Suavizou a subida íngreme do morro. A comunidade, que é modelo de pacificação, viu os preços dos imóveis dispararem. Uma casa que poderia custar R$ 15 mil já é vendida por R$ 140 mil, diz José Mário Hilário dos Santos, no quarto mandato à frente da Associação de Moradores do Santa Marta, onde vivem mais de cinco mil pessoas.
— A favela é modelo de pacificação, porque há outras secretarias atuando na comunidade. Fizemos a regularização fundiária de mais de 400 imóveis. Conseguimos água encanada com tarifa social de R$ 25.
O maior problema, segundo Santos, é o pagamento da energia. Não há tarifa social para o serviço, o que onera igualmente a todos, do barraco de madeira à casa de dois andares. O local recebe cerca de dez mil turistas por mês, diz Santos, mas a insegurança começou a voltar. Em março, houve tiroteio no local.
A empresária Elaine Cruz mora em Botafogo há oito anos com o marido, Leonardo Bottino, a filha Maria Eduarda, de 4 anos, e o enteado Breno, de 22 anos. Procurou o bairro para comprar um imóvel maior e com mais conforto. O marido, engenheiro da Petrobras, é nascido e criado na região, o que também atraiu a família.
A empresária Elaine Cruz e o marido, o engenheiro Leonardo Bottino, escolheram Botafogo para morar há oito anos – Agência O Globo / Hermes de Paula
— Vimos uma mudança significativa no comércio, com mais lojas, restaurantes e consumo de maneira geral. O número de edifícios novos triplicou, e muitos são de luxo — conta Elaine.
A desigualdade marcante do Rio também é vista a olho nu no bairro, diz Elaine. Vilas humildes ficam lado a lado com os novos prédios de luxo, com piscinas e áreas de lazer, que invadiram Botafogo nos últimos anos.
— Ainda há vilas de casas tão humildes, que, visivelmente, vivem com dificuldade — afirma Elaine, acrescentando que se considera uma privilegiada. — Faz muita diferença ter água encanada e não ficar sem luz quando há conflito no morro. Ou ficar sem lâmpadas e geladeira no calor do Rio de Janeiro. E isso tudo acontece bem próximo da gente.
POBREZA CAIU MAIS NA ZONA OESTE
No estudo, Neri verificou que a pobreza só diminuiu com força nos bairros da Zona Oeste. Em Santa Cruz, que tinha quase a metade da população na pobreza em 1970 (45,2%), agora tem 17,8%. Ainda entre as maiores taxas da cidade, mas o avanço foi inegável. Campo Grande também deu um salto. Saiu de 39,3% de pobres para 11,5%. O mesmo aconteceu com Jacarepaguá: reduziu a pobreza de 30,3% para 7,1%.
A nova orla do Centro ganha vida
Se existe um carioca que ficou orgulhoso com a imagem do Boulevard Olímpico lotado durante os Jogos, ele é João Pedro Backheuser. Ao ver a Praça Mauá transformada numa grande área de lazer, o arquiteto — que foi um dos autores do projeto de urbanização da Orla Conde — sentiu-se como uma espécie de anfitrião. Em 2012, ele o catalão Ignasi Riera, do escritório B+ABR, desenharam o que seria a nova borda da Baía de Guanabara, um trabalho de reurbanização e ressignificação. Na época, a região era sinônimo de decadência. E pouca gente acreditava que algum dia, em sã consciência, alguém poderia caminhar ou tirar selfies ao longo dos 3,5 quilômetros daquela desconhecida área do Centro.
— A ideia da derrubada da Perimetral e da reurbanização do Porto já me acompanhava desde os tempos de faculdade. Meu trabalho final de curso, em 1994, foi sobre a Zona Portuária. O urbanista muitas vezes vem na frente, acredita e sonha — diz ele, que confessa ter ficado preocupado com a multidão que invadiu “sua obra”, mas ficou satisfeito ao ver que ela resistiu.
Para chegar ao traçado que hoje é percorrido pelo pedestre, conta Backheuser, o grupo de trabalho partiu do conceito de que uma cidade deve ser feita para pessoas, não para carros. Depois de derrubar o Elevado da Perimetral, era preciso criar uma via que convidasse o público a caminhar, às vezes sentar, e, principalmente, contemplar a paisagem da Baía. Não é à toa que em vários pontos o piso forma um caminho rumo ao mar.
— O lugar inaugura uma nova convivência da cidade com o pedestre. Foi criado um espaço público multifuncional, que serve para caminhar e usar outros meios de transportes como VLT e bicicleta — explica o urbanista, que também teve o escritório selecionado num concurso para desenhar a Vila de Mídia, junto à rodoviária, espaço que acabou não saindo do papel.
No projeto da Orla Conde, a Praça Mauá é o ponto de equilíbrio. Por isso, a localização da estátua do Barão de Mauá foi repensada.
— Havia preocupação com a estátua, que colocamos no eixo de visão dos três principais pontos de acesso à praça: a Avenida Rio Branco, o Boulevard e o caminho do 1º Distrito Naval. Fazer este caminho também foi um momento tenso do projeto — conta Backheuser, que precisou negociar com a Marinha a liberação da área que conecta os dois lados da orla. — Seriam 20 metros, depois 5 metros, e conseguimos fechar num calçadão de dez metros de largura, com aquela ponte passando por baixo da ponte da Marinha.
UM LUGAR PARA MORAR
Passada a fase inicial da paixão, na qual a beleza física da região é o que atrai os visitantes, João Pedro acredita que a relação entre os moradores do Rio e a nova orla vai se aprofundar.
— O Centro passou a ser visto pelos cariocas como um lugar de estar, de se divertir. As crianças, que hoje vão aos museus da Praça Mauá, no futuro terão uma relação diferente da que a minha geração teve com a região, que era um local de trabalho, de coisas burocráticas. Eles vão ter uma memória afetiva. Ao poucos, o Centro vai virar um lugar onde as pessoas vão pensar em morar — planeja ele, que também participou da criação do Velódromo para a Olimpíada e de praças para a Zona Portuária e assinou o projeto de um hotel cinco estrelas no silo do Moinho Fluminense.
Um dos próximos recantos que deve conquistar a cidade, aposta o urbanista, é a praça perto do AquaRio, da igrejinha da Saúde e da Fábrica de Espetáculos do Teatro Municipal:
—É uma praça com vista para a Baía. Quando o aquário abrir, ela vai ganhar vida.
Morador da Gávea, Backheuser também pensa em transformações para a Zona Sul. Na sua lista de projetos e sonhos, estão a reurbanização da orla do Jardim de Alah e a instalação de um sistema de transporte com barcos na Lagoa Rodrigo de Freitas. Também repousa em uma de suas pranchetas virtuais a ideia que transformaria em parques as margens de vários rios da Baixada Fluminense. A proposta acabou abortada por causa da crise do estado.
— Há áreas enormes ao longo dos rios da Baixada que devem servir de bolsões de armazenamento de água na época de chuvas. Só que elas vão sendo ocupadas e reocupadas informalmente, e o que acontece são as catástrofes. Passamos três anos trabalhando ao longo dos rios, numa proposta do governo estadual, que previa a limpeza e a despoluição das águas. Nossa parte era pensar as margens e criar parques lineares, um projeto em conjunto com a Coppe/UFRJ, que delimitasse essas regiões e, ao mesmo tempo, oferecesse áreas de lazer para a população — conta Backheuser, que é mestre em arquitetura e desenho urbano pela Universidade Columbia.
As delações da Odebrecht começaram a produzir efeitos nos mundos político e jurídico, mas um dos pontos das colaborações ainda não saiu do papel: o cumprimento das penas pelos 77 delatores imediatamente após a homologação dos acordos. A cláusula inédita em negociações da Operação Lava Jato é exclusiva aos executivos e ex-executivos da empreiteira baiana.
Os delatores concordaram com a Procuradoria-Geral da República (PGR) em cumprir as sanções antes mesmo da condenação. O Estado apurou, porém, que, ao homologar as colaborações, a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, indicou que o cumprimento da pena deve ser estabelecido pelo juiz responsável pelo processo penal a que cada executivo responder.
As delações da Odebrecht foram homologadas pela ministra há mais de três meses. De forma excepcional, Cármen Lúcia analisou os acordos após a morte do ministro Teori Zavascki em um acidente de avião e antes do sorteio que definiu o novo relator da Lava Jato no STF, ministro Edson Fachin.
Na prática, a decisão da presidente da Corte gera insegurança para que os delatores comecem a cumprir suas penas, sob o risco de eventualmente o tempo não ser considerado pelo magistrado que julgá-los.
Advogados que participaram das negociações consideram que a controvérsia deve voltar ao Supremo, para ser resolvida de forma definitiva. Para isso, as defesas dos delatores precisam provocar o STF a analisar esse trecho das colaborações ou acionar a própria PGR, que atua após a assinatura das delações para assegurar a validade dos termos acertados.
Para fontes ligadas à Odebrecht, os delatores estão em um “limbo” e cada um aguarda a movimentação dos demais sobre o assunto. O conteúdo das delações foi revelado pelo Estado no dia 11 do mês passado, mas os termos dos acordos com as imposições feitas aos delatores permanecem sob sigilo. A pena estabelecida é considerada por investigadores como um parâmetro que serve de limite à condenação do juiz em cada caso.
Primeira instância. Na Odebrecht, em razão da grande quantidade de delatores, a maior parte dos executivos nem sequer foi investigada e denunciada pelo Ministério Público Federal (MPF). A impossibilidade do cumprimento antecipado transfere a um juiz de primeira instância, como Sérgio Moro, a definição sobre o futuro dos colaboradores.
Há executivos que desejam dar início ao cumprimento da pena o quanto antes. Como também quer a empresa, a intenção é deixar para trás o envolvimento no escândalo de corrupção.
Só os delatores que chegaram a ser presos preventivamente durante as investigações da Lava Jato e, portanto, já têm restrições de liberdade, cumprem a pena de forma antecipada. Isso porque o tempo em que permanecerem impossibilitados de sair de casa ou estiverem com tornozeleira é descontado no momento da condenação, como Márcio Faria, Rogério Araújo e Hilberto Mascarenhas.
Marcelo Odebrecht, herdeiro e ex-presidente do grupo, também já cumpre pena. Ele é o único que precisará ficar detido, apesar do acordo com a PGR. Marcelo foi preso em junho de 2015 e vai continuar na prisão até o fim deste ano, chegando a 2 anos e meio em regime fechado em Curitiba.
A pena de Marcelo acertada com o MPF totaliza dez anos. Ao sair da prisão, ele vai passar pelas três outras etapas estabelecidas para os demais delatores: regime fechado domiciliar, no qual não pode sair de casa; semiaberto domiciliar, em que pode sair para trabalhar durante o dia e deve voltar à noite; aberto domiciliar, no qual deve permanecer em casa nos fins de semana e feriados.
Dos delatores, 26 continuam trabalhando na empresa, especialmente os mais jovens. Eles estão afastados de cargos de direção e de funções com contato com o poder público. Durante o regime domiciliar fechado, poderão contribuir de casa.
A Odebrecht informou que está colaborando com a Justiça no Brasil e nos países em que atua e reiterou que já reconheceu os seus erros, pediu desculpas públicas, assinou um acordo de leniência com as autoridades brasileiras e da Suíça e com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos. A PGR não comentou os termos do acordo em razão do sigilo. O STF também não se manifestou.
US$ 2,6 bi é o valor que a Odebrecht terá de pagar em multas aos governos do Brasil, dos Estados Unidos e da Suíça por ter se envolvido em escândalos de corrupção. US$ 2,39 bi serão pagos ao governo brasileiro em razão de ter participado de cartéis na celebração de contratos com a Petrobrás. US$ 93 mi é o montante que ficará com o governo americano.
Fonte:MSN
Setor de propinas da Odebrecht movimentou US$ 3,3 bilhões de 2006 a 2014, diz delator
Executivo responsável pela área disse que alertou presidente do grupo sobre o risco das movimentações: ‘Suicídio financeiro, suicídio de risco, suicídio de segurança, suicídio de tudo’.
O setor destinado ao pagamento de propinas da Odebrecht movimentou cerca de US$ 3,370 bilhões (R$ 10,6 bilhões) entre 2006 e 2014. O número consta de uma tabela entregue à Procuradoria Geral da República (PGR) pelo ex-executivo do grupo Hilberto Mascarenhas, responsável pela chamada Área de Operações Estruturada, que realizava o controle de vantagens indevidas pagas a políticos.
Delator afirma que Odebrecht repassou US$ 3 bilhões em propina e caixa 2
Em depoimento aos investigadores da Operação Lava Jato (veja no vídeo acima), ele contou que chegou a alertar o presidente do grupo, Marcelo Odebrecht, para o volume do dinheiro, que alcançou, tanto em 2012 quanto em 2013, US$ 730 milhões (R$ 2,2 bilhões, na cotação atual).
No depoimento, o procurador questiona o motivo da queda, no ano seguinte, para US$ 450 milhões e Hilberto diz que a movimentação trazia risco de “suicídio” para a empresa.
“Sabe por quê? Porque eu tava de saco cheio de falar. E aí eu pressionei. Os outros anos eu falava, falava que eu estava preocupado, estava preocupado, muita gente participando desse assunto nas obras … Eu fui a Marcelo várias vezes. Marcelo, ó pra isso? Não tem condição. 730 milhões de dólares é mais de bilhão [de reais]. Nenhum mercado tem isso em disponibilidade de dinheiro por fora e nem tem como você operar isso, rapaz. Isso aqui é suicídio”, disse.
“Suicídio financeiro suponho?”, emenda o procurador.
“Suicídio financeiro, suicídio de risco, suicídio de segurança, suicídio de tudo”, completa o ex-executivo. “Eu pedia um formalismo, entendeu? A questão não era o dinheiro. Era um formalismo. Vamos tratar esse assunto como um extra, como uma necessidade. Isso não é você ter o prazer de comprar alguém. Já estava virando o cara ter o prazer de comprar alguém”, narrou.
O setor funcionou até 2015, mesmo após o início da Operação Lava Jato, por ordem de Marcelo Odebrecht.
Forma dos pagamentos
Em outro trecho, o responsável pelo departamento de propina explica que os pagamentos, para brasileiros ou estrangeiros de vários países onde a Odebrecht tinha obras, era quase todo feito via offshores, empresas que são criadas em paraísos fiscais apenas pra essas operações financeiras.
Outra parte, menor, era feita em espécie, com a entrega de pacotes ou malas de dinheiro em locais combinados entre funcionários da empresa e intermediários dos políticos. Com o crescimento do volume de pagamentos, foi preciso contratar um funcionário só para administrar os valores.
Hilberto ainda explicou que, por ordem de Marcelo Odebrecht, as propinas só podiam ser pagas naquelas obras cujos pagamentos já haviam sido efetuados para a empreiteira.
“Ele [funcionário] tinha um papel determinado por Marcelo, que não desse andamento a nenhuma solicitação, de nenhuma obra, que tivesse conta corrente negativa. Acho que o que ele queria era forçar aquela obra a correr atrás de regularizar a conta corrente”, afirmou.
O executivo ainda conta que depois tentou convencer o presidente do grupo a autorizar repasses de propina antes do pagamento pela obra, de forma a viabilizá-lo.
“Se você proíbe que ele receba esse dinheiro, ele não vai receber a fatura, ele vai continuar sempre negativo… ‘Não, mas eu quero que ele corra atrás’, ele dizia, ‘sem precisar dar nada’… Isso é um sonho na noite de verão né, porque não era assim que funcionava. Esperamos que no futuro mude, mas as tesourarias dos órgãos não funcionavam assim… Se não me der o meu, não sai aqui o pagamento”, contou.
Delações da Odebrecht: entenda o maior escândalo de corrupção do país
Veja como os investigadores chegaram à empresa e como o comportamento de Marcelo Odebrecht mudou ao longo da investigação.
Esta semana, o Brasil assistiu a inúmeros depoimentos de delatores da construtora Odebrecht, que está no centro do maior escândalo de corrupção do Brasil revelado pela operação Lava Jato. Saiba como os investigadores chegaram a uma das mais importantes empreiteiras do país e como o comportamento do presidente da empresa mudou ao longo da investigação.
Foram oito meses de investigação – o começo foi em 17 de março de 2014 – até a Lava Jato chegar ao esquema de corrupção que unia as principais construtoras do país à Petrobras. Esse elo motivou a sétima fase da operação, que ficou conhecida como Juízo Final.
Inicialmente, a Odebrecht era citada de forma secundária, mas aos poucos as suspeitas contra a maior empreiteira do pais foram ganhando corpo. A Odebrecht resistia e por diversas vezes declarou não ter qualquer envolvimento em negociações ilícitas.
Em junho de 2015, a Polícia Federal prendeu o então presidente da construtora, Marcelo Bahia Odebrecht, que continuou negando irregularidades. Mesmo depois de três meses preso, em Curitiba, o empresário disse em depoimento à CPI da Petrobras que não abria mão dos valores morais e que delator é dedo duro.
“Quando lá em casa minhas meninas tinham uma discussão, falavam que tinha uma briga, eu dizia: ‘Olha, quem fez isso?’. Eu talvez brigasse mais com quem dedurou do que aquele que fez de fato. Para alguém dedurar precisa ter o que dedurar, esse é o primeiro fato. Isso eu acho que não ocorre aqui”, disse Odebrecht na ocasião.
As investigações continuaram avançando e a situação da empreiteira mudou quando, em fevereiro do ano passado, a Lava Jato cumpriu a 23ª fase da operação, batizada de Acarajé. Os policias prenderam, na Bahia, Maria Lucia Tavares, na época, secretaria de Marcelo Odebrecht, que desempenhava uma função estratégica na construtora. Com a prisão dela, a polícia descobriu que a empresa tinha criado um setor exclusivamente para fazer pagamentos ilegais para políticos e funcionários da Petrobras.
O setor existia oficialmente no organograma da empresa. Era chamado de “departamento de operações estruturadas”. Maria Lucia deu os detalhes de como ele funcionava e entregou planilhas com o registro de repasses. Para os investigadores, uma prova incontestável.
“Ficou claro que a empresa Odebrecht realmente tinha um setor que organizava, contabilizava, possuía hierarquia e alçadas para o pagamento de propinas”, disse Carlos Fernando dos Santos, procurador da República.
No dia em que o departamento de propina foi descoberto, a Odebrecht divulgou um comunicado, o “compromisso com o Brasil”, em que afirmava estar disposta a fazer uma colaboração definitiva.
A partir daí, a postura com a Lava Jato começou a mudar e a empresa iniciou negociações com o Ministério Público Federal para fechar uma delação premiada. Em março de 2016, Marcelo Odebrecht foi condenado a 19 anos e quatro meses de prisão por corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa. Foi considerado o mandante de pagamentos de US$ 35 milhões e quase R$ 110 milhões de propina a funcionários da Petrobras.
No fim do ano passado, a empresa assinou um acordo de leniência com os procuradores da Lava Jato e aceitou devolver R$ 6,8 bilhões ao longo de 20 anos. Em comunicado enviado à Rede Globo, com o título “Desculpe, a Odebrecht errou”, a construtora reconheceu que participou de práticas impróprias em sua atividade empresarial.
Ao mesmo tempo, 78 executivos e ex-executivos da empresa assinaram os acordos de delação, confessando os atos de corrupção. Foi a maior colaboração premiada do mundo. Cento e dezesseis procuradores ouviram 950 depoimentos, em uma espécie de força tarefa que durou uma semana e percorreu as cinco regiões do país.
Com a morte do primeiro relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, ministro Teori Zavascki, as delações foram homologadas pela presidente do STF, ministra Carmem Lucia, no fim de janeiro, e devolvidas em seguida para o Ministério Público Federal. No dia 14 de março, às 17h, Rodrigo Janot entregou ao Supremo dez caixas com 320 pedidos ao ministro Edson Fachin, que substituiu Teori Zavascki na relatoria da Lava Jato. Entre os pedidos, estava a abertura de 83 inquéritos para investigar políticos e também o fim do sigilo da delação que agora começam a ser esmiuçadas.
Fonte: G1
Condução coercitiva de blogueiro é grave atentado à liberdade de imprensa, diz Repórteres Sem Fronteiras
Para a ONG Repórteres sem Fronteiras (RSF), com sede em Paris, a “clara tentativa de quebra do sigilo da fonte” do blogueiro Eduardo Guimarães, do “Blog da Cidadania”, representa “um grave atentado à liberdade de imprensa e à Constituição brasileira, que garante esse direito”, afirmou à BBC Brasil Artur Romeo, coordenador de comunicação da organização no Brasil.O blogueiro Eduardo Guimarães foi alvo, na terça-feira, de um mandado de condução coercitiva determinado pelo juiz Sergio Moro, da 13ª Vara Federal do Paraná.Guimarães prestou depoimento na Superintendência da Polícia Federal em São Paulo. Moro também determinou a apreensão de documentos, aparelhos e arquivos eletrônicos do blogueiro.
A ação apura o suposto vazamento de informações da 24ª fase da operação Lava Jato, iniciada em março de 2016, que tinha como alvos o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sua família e assessores.
“A condução coercitiva desse jornalista já é por si só um abuso, já que ele não havia sido convocado para depor nem se negado a fazê-lo”, afirma Romeo, da RSF. “É um recurso abrupto para forçar o depoimento”, ressalta.
O blogueiro, que já havia chamado Moro de “psicopata” em sua conta no Twitter, divulgou informações vazadas sobre a condução coercitiva de Lula, que ocorreu em março.
O Ministério Público Federal disse na época que a divulgação da informação teria prejudicado a operação.
A Repórteres sem Fronteiras diz que está investigando o caso do blogueiro e que ainda não conversou com Guimarães. Mas com base nos elementos obtidos até o momento, para a organização “está claro que houve tentativa de quebra do sigilo da fonte, agravada pela condução coercitiva”.
Em nota, a Justiça Federal do Paraná afirma que Guimarães “é um dos alvos de investigação de quebra de sigilo de investigação criminal no âmbito da Lava Jato, ocorrida antes mesmo de buscas e apreensões”.
“Pelas informações disponíveis, o Blog da Cidadania é veículo de propaganda política, ilustrado pela informação em destaque que o titular seria candidato a vereador pelo PC do B pela cidade de São Paulo”, diz a nota da Justiça do Paraná, acrescentando que Guimarães “não é jornalista, independentemente da questão do diploma”.
“Seu blog destina-se apenas a permitir o exercício de sua própria liberdade de expressão e a veicular propaganda político-partidária”, acrescenta ainda a nota da Justiça Federal do Paraná.
“Não é necessário diploma para ser jornalista, mas também não é suficiente ter um blog para sê-lo. A proteção constitucional ao sigilo de fonte protege apenas quem exerce a profissão de jornalista, com ou sem diploma. A investigação, por ora, segue em sigilo, a fim de melhor elucidar os fatos”, conclui a nota.
Para a RSF, “é extremamente preocupante um juiz emitir juízo de valor sobre a atuação de um jornalista ou de um blogueiro que edita há 12 anos um blog de opinião e de informações de interesse público”, diz Romeo.
A Repórteres sem Fronteiras ressalta que a profissão de jornalista vem evoluindo nos últimos anos e prefere não entrar na discussão se blogueiro é jornalista ou não ou se ele tem diploma.
“Há um entendimento amplo do trabalho de jornalista. Ele edita um blog, transmite informações de interesse público e, como são sigilosas, a Polícia Federal vai coagi-lo a revelar a fonte”, diz Romeo.
A RSF irá divulgar uma nota sobre a condução coercitiva de Guimarães.
Moro obriga blogueiro a explicar vazamento de ação contra Lula
O Juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, determinou nesta terça-feira a condução coercitiva (quando o cidadão é obrigado a depor) do blogueiro de esquerda Carlos Eduardo Cairo Guimarães, responsável pelo Blog da Cidadania, no âmbito de um inquérito que apura o vazamento de informações sigilosas da 24ª fase da Operação Lava Jato, a Aletheia, envolvendo Lula. Ele foi levado para a sede da PF em São Paulo para confirmar a fonte que lhe passou dados prévios da ação antes que ela fosse deflagrada, no início de março do ano passado.
Guimarães é investigado junto com outras pessoas por violação de sigilo funcional. “Diligências foram autorizadas com base em requerimento da autoridade policial e do MPF. Neste contexto, apura-se a conduta de agente público e das pessoas que supostamente teriam divulgado informações sigilosas e que poderiam ter colocado investigações em risco”, diz nota da assessoria de imprensa da Justiça Federal de Curitiba. Os detalhes do processo não foram revelados, porque ele tramita em sigilo de Justiça. Segundo o advogado Fernando Hideo, que defende Guimarães, além da condução coercitiva, Moro autorizou a apreensão de computadores, celulares e outros aparelhos que pudessem esclarecer como ele obteve os dados.
O defensor negou que Guimarães tenha, de posse das informações, ajudado investigados da Lava Jato a suprimir provas e classificou as medidas como “lamentáveis e arbitrárias”. Hideo invocou o direito de sigilo de fonte previsto no inciso XIV do artigo 5º, da Constituição — “é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional” —, para dizer que seu cliente não era obrigado a revelar a sua fonte.
A Justiça Federal ressaltou que apenas quem exerce a profissão de jornalista, “com ou sem diploma”, têm direito à proteção constitucional do sigilo de fonte. Segundo a nota, Guimarães não é jornalista e o seu blog é “veículo de propaganda política”. Eduardo Guimarães é filiado ao PCdoB e foi candidato a vereador na cidade de São Paulo nas eleições de 2016. Durante a campanha, Lula gravou um vídeo pedindo votos para ele. A tática não teve efeito, porque o blogueiro teve apenas 1.302 votos e não conseguiu se eleger. Além de blogueiro, ele também é comerciante.
Em texto enviado à imprensa, a força-tarefa da Lava Jato disse que há provas de que Guimarães “informou diretamente” alvos da investigação sobre medidas judiciais que seriam cumpridas na Aletheia, antes de publicar a matéria em seu blog. “Portanto, a diligência não foi motivada pela divulgação das informações à sociedade”, afirmou a nota.
O advogado de Guimarães repudiou as declarações, dizendo que, ao divulgar as informações, é “óbvio” que ele está exercendo a atividade jornalística. “Condicionar a qualificação de ‘informação jornalística’ ao conteúdo das manifestações não tem outro nome: é censura. Mais do que um direito individual do cidadão Eduardo, viola-se a garantia de acesso à informação de toda a sociedade, essencial ao estado democrático de direito”, afirmou o advogado.
Em seu site, Guimarães costumar fazer postagens críticas à Lava Jato alinhadas com a retórica dos partidos de esquerda que acusam a operação de abusos e espetacularização.
No início deste ano, Moro entrou com uma representação contra Guimarães na PF por ameaça depois que o blogueiro postou Twitter que os “delírios de um psicopata investido de um poder discricionário como Sergio Moro vão custar seu cargo, sua vida”.
Guimarães, por outro lado, protocolou uma denúncia contra o juiz na Corregedoria Nacional de Justiça, em março de 2015, contestando a prisão temporária de Marice Corrêa Lima, cunhada do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto.
Para o advogado do blogueiro, neste caso do inquérito que levou à condução coercitiva de Guimarães, Moro deveria se declarar suspeito de analisar um processo contra alguém de quem já se queixou na Justiça.
Repercussão
A condução coercitiva do blogueiro foi alvo de controvérsia nas redes sociais — levou o nome de Eduardo Guimarães aos trending topics (assuntos mais comentados) do Twitter — e também fora delas.
Em nota, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) protestaram contra a medida. “A PF ataca a liberdade de imprensa e de expressão do blogueiro – a mesma PF que tem vazado informações seletivamente de acordo com os próprios interesses, sem levar em consideração os interesses da sociedade”. As entidades dizem, ainda, que a iniciativa “representa um terrível precedente, que coloca em risco um dos mais importantes princípios do jornalismo – garantir o direito da população à informação”.
A Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, cuja liderança é formado por três petistas — o presidente, Padre João (MG), e os vices, Nilto Tatto (SP) e Paulo Pimenta (RS) — também emitiu nota condenando a ação. “Sérgio Moro não pode tomar as informações veiculadas no blog objeto de investigação. Além de violar o direito fundamental da liberdade de expressão e negar o sigilo de fonte, o juiz vale-se de sua posição para intimidades aqueles que denunciam a ilegalidade de suas práticas”, diz o texto.
Leia a nota na íntegra da assessoria de imprensa da Justiça Federal de Curitiba:
O senhor Carlos Eduardo Cairo Guimarães é um dos alvos de investigação de quebra de sigilo de investigação criminal no âmbito da Operação Lava Jato, ocorrida antes mesmo de buscas e apreensões.
Neste contexto, apura-se a conduta de agente público e das pessoas que supostamente teriam divulgado informações sigilosas e que poderiam ter colocado investigações em risco. Eduardo Guimarães não foi preso, mas conduzido coercitivamente para prestar declarações e já foi liberado.
Pelas informações disponíveis, o Blog da Cidadania é veículo de propaganda política, ilustrado pela informação em destaque de que o titular seria candidato a vereador pelo PCdoB pela a cidade de São Paulo. Juntos aos cadastros disponíveis, como ao TSE, o próprio investigado se autoqualifica como comerciante e não como jornalista.
As diligências foram autorizadas com base em requerimento da autoridade policial e do MPF de que Carlos Eduardo Cairo Guimarães não é jornalista, independentemente da questão do diploma, e que seu blog destina-se apenas a permitir o exercício de sua própria liberdade de expressão e a veicular propaganda político-partidária.
Não é necessário diploma para ser jornalista, mas também não é suficiente ter um blog para sê-lo. A proteção constitucional ao sigilo de fonte protege apenas quem exerce a profissão de jornalista, com ou sem diploma. A investigação, por ora, segue em sigilo, a fim de melhor elucidar os fatos.
Leia a nota na íntegra do advogado Fernando Hideo, que defende Eduardo Guimarães
A defesa repudia a nota oficial da Justiça Federal do Paraná, que, de maneira autoritária e contrariando o posicionamento do STF, pretende definir quem é ou não jornalista de acordo com juízos de valor sobre as informações e opiniões veiculadas em determinado meio de comunicação. Condicionar a qualificação de ‘informação jornalística’ ao conteúdo das manifestações não tem outro nome: é censura. No mais, é inquestionável que o fato em apuração (divulgação pública de uma informação) foi praticado no exercício de atividade jornalística. Pouco importa se ele também exerce a profissão de comerciante, é óbvio que ao divulgar publicamente estava se praticando atividade jornalística. Mais do que um direito individual do cidadão Eduardo, viola-se a garantia de acesso à informação de toda a sociedade, essencial ao estado democrático de direito.
Leia a nota na íntegra do MPF do Paraná
Nesta data, no âmbito da operação Lava Jato, foram executadas diligências policiais com a finalidade de aprofundar apurações relacionadas ao crime de obstrução da justiça. Dentre os motivos das providências, estão provas de que um blogueiro informou diretamente aos investigados a existência de medidas judiciais sob sigilo e pendentes de cumprimento. Esse vazamento para os investigados ocorreu antes mesmo da publicação das informações no blog, portanto a diligência não foi motivada pela divulgação das informações à sociedade. Além disso, as providências desta data não tiveram por objetivo identificar quem é a fonte do blogueiro, que já era conhecida, mas sim colher provas adicionais em relação a todos os envolvidos no prévio fornecimento das informações sigilosas aos investigados.
O Ministério Público Federal reforça seu respeito ao livre exercício da imprensa, essencial à democracia. Reconhece ainda a importância do trabalho de interesse público desenvolvido por blogueiros e pela imprensa independente. Trata-se de atividade extremamente relevante para a população, que inclusive contribui para o controle social e o combate à corrupção.
Fonte: MSN
Intelectuais criticam desmandos da Lava Jato
Nota publicada em 23/9/16 por acadêmicos, jornalistas e economistas constata que acontecimentos recentes, que vão desde a censura a protestos às espetaculares conduções coercitivas, revela “as entranhas da cultura da arbitrariedade”. A manifestação condena a recente prisão do ex-ministro Guido Mantega e questiona “Quem vai limitar a arbitrariedade da força-tarefa da Operação Lava-Jato e do juiz Sérgio Moro?’
Luiz Gonzaga Belluzzo é um dos economistas que assina a nota
Confira nota na íntegra
Nota pública em defesa da ordem constitucional, em desagravo a Guido Mantega
A ordem pública brasileira vem sendo ameaçada sistematicamente por aqueles que deveriam protegê-la.
O direito ao protesto coletivo vem sendo coibido por intervenções provocativas, abusivas e desproporcionais por parte da Polícia Militar, como se a velha polícia política das ditaduras estivesse de novo às soltas.
Ano a ano, cidadãos brasileiros invisíveis são conduzidos coercitivamente a depoimentos – ou algo pior – sem serem intimados pela justiça.
Quando o espetáculo da acusação sem prova e da condução sem intimação é exibido deliberadamente por agentes da lei, na persecução de objetivos estranhos à ordem jurídica e da publicidade sem limites, a cultura da arbitrariedade expõe suas entranhas.
O caráter republicano e isento da Operação Lava-Jato já foi posto à prova, e reprovado, inúmeras vezes.
Há seis meses, o evento da condução coercitiva do cidadão Luís Inácio Lula da Silva, que não resistiu a uma intimação judicial porque sequer foi intimado, parecia marcar o auge na exposição pública da arbitrariedade dos que o perseguiam, levando a uma reação firme, e republicana, de uma sociedade que já escolheu em que regime de garantias civis e políticas quer viver.
O episódio da prisão do professor e economista Guido Mantega levou o arbítrio a novos limites. A fragilidade da acusação e a desproporção da ação tornaram-se ainda mais evidentes por causa de sua coincidência com a presença do acusado em um centro cirúrgico, acompanhando a esposa enferma.
O professor e economista Guido Mantega deu mostras de dedicar-se à coisa pública de modo republicano. É um homem público de endereço conhecido e não representa qualquer ameaça à ordem pública. O mesmo não pode ser dito de seus perseguidores.
Se fosse necessário prender Guido Mantega para recolher possíveis provas, por que foi possível soltá-lo tão rapidamente depois que a sociedade conheceu o absurdo de sua prisão, sob alegação de que as diligências para coleta de documentos não seriam prejudicadas se fosse solto? Se não seriam, por que foi expedida a ordem original de prisão desde logo?
Como todo brasileiro, Guido Mantega merece o respeito de suas garantias constitucionais.
O combate à corrupção não pode ser um pretexto para corromper a Constituição, autorizar a perseguição política e inflar vaidades de juízes, procuradores e policiais.
Quem vai limitar a arbitrariedade da força-tarefa da Operação Lava-Jato e do juiz Sérgio Moro? É a pergunta que fazem os cidadãos que, abaixo, subscrevem este documento em defesa da ordem constitucional e contra mais um golpe às instituições democráticas.
Luiz Gonzaga Belluzzo – Professor Titular de Economia – UNICAMP
Marilena Chauí – Professora Titular da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, USP
Maria da Conceição Tavares – Professora emérita da UFRJ e da Unicamp.
Luís Carlos Bresser-Pereira – Professor Titular de Economia – FGV
Tereza Campello – Economista e Ex-Ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome da presidenta Dilma Rousseff
Eleonora Menicucci Oliveira – Profa Titular de Sociologia da Unifesp e ex-Ministra de Politicas para as Mulheres do governo Dilma Rousseff
Pedro Paulo Zahluth Bastos – Professor Associado (Livre Docente) – Economia – UNICAMP
Theotonio dos Santos – Professor Visitante da UERJ e Professor Emérito da UFF
Ladislau Dowbor – Professor Titular de Economia – PUC-SP
Eleuterio F. S. Prado – Professor Titular de Economia da USP
Walquiria Domingues Leão Rêgo – Socióloga e professora titular da Unicamp
Gilberto Maringoni – Professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC (UFABC)
Hermano de Medeiros Ferreira Tavares – Professor Titular (aposentado) – Faculdade de Engenharia Elétrica – e ex-reitor da Unicamp
Nelson Rodrigues dos Santos – Professor Titular – Faculdade de Ciências Médicas – UNICAMP
Luiz Carlos de Freitas – professor titular da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP
Marcio Pochmann – Professor IE/Unicamp
Itala M. Loffredo D’Ottaviano – Professor Titular em Lógica, UNICAMP
João Quartim de Moraes – Professor Titular de Filosofia – UNICAMP
Joaquim Palhares – Carta Maior
Lena Lavinas – Professora Titular de Economia (UFRJ)
Maria de Lourdes Rollemberg Mollo – Professora Titular da UNB
Antonio Prado – Secretário Executivo Adjunto da Comissão Econômica para a América Latina (CEPAL)
Antonio Correa de Lacerda – Economista – Professor PUC-SP
Matías Vernengo – Professor of Economics, Bucknell U. – Co-editor, Review of Keynesian Economics
Rosa Maria Marques, professora titular do Departamento de Economia e do Programa de Estudos Pós-graduados em Economia Política da PUCSP e presidente da Associação Brasileira de Economia da Saúde
Sebastião Velasco e Cruz – Professor Titular do Departamento de Ciência Política da Unicamp
Wladimir Pomar – Jornalista e escritor
Armando Boito Jr. – Professor do Departamento de Ciência Política – Unicamp
Laurindo Lalo Leal Filho – Professor da ECA/USP
Maria Rita Loureiro – Professora titular da FEA/USP e FGV/SP
Alfredo Saad Filho – SOAS, University of London
Maryse Fahri – Professora IE/Unicamp
Giorgio Romano Schutte – Professor de Relações Internacionais e Economia da Universidade Federal do ABC (UFABC)
Gastão Wagner de Sousa Campos – Professor Livre-Docente, Departamento de Medicina Preventiva e Social, Universidade Estadual de Campinas
Frederico Mazzucchelli – Professor IE/Unicamp
Nelson Marconi – Economista – FGV
Carlos Aguiar de Medeiros – Professor associado da Universidade Federal do Rio de Janeiro
Clemente Ganz Lucio – Economista
Ricardo Musse – Departamento de sociologia da USP
Valter Pomar – Professor da UFABC
Carlos Berriel – Professor do IEL/Unicamp
Fernando Nogueira da Costa – Professor IE – Unicamp
Hugo Gama Cerqueira – Professor do Cedeplar, Universidade Federal de Minas Gerais
Rubem Murilo Leão Rêgo – Sociólogo e professor da Unicamp
Wolfgang Leo Maar – Professor titular da UFSCar
Tatiana Berringer – Professora Adjunta da Universidade Federal do ABC
Márcia Mendonça – Instituto de Estudos da Linguagem – IEL – Unicamp
Adriano Codato – Cientista Político – Professor UFPR
Cristina Fróes de Borja Reis – Professora adjunta da Universidade Federal do ABC
Daniela Magalhães Prates – Professora do IE/Unicamp
Hildete Pereira de Melo – Professora associada da UFF
Claudio Salm – Professor de Economia _ UFRJ
Marcelo Milan – Professor de Economia e Relações Internacionais, UFRGS
Rubens Sawaya – Economista, professor da PUCSP.
Anna Christina Bentes – Departamento de Lingüística, Instituto de Estudos da Linguagem -UNICAMP
Humberto Miranda – Professor do IE e Pesquisador do CEDE/UNICAMP
Reginaldo Moraes – Professor de Ciência Política – Unicamp
Eduardo Fagnani – Professor IE/Unicamp
Alcides Goularti Filho – UNESC/CNPq
Daniela S. Gorayeb – Professora Facamp
Marcus Ianoni Ciência Política UFF
Adriana Nunes Ferreira – Professora do IE/Unicamp
Francisco Luiz C. Lopreato – Professor IE/Unicamp
José Eduardo Roselino – Professor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR)
Guilherme Mello – Professor IE/Unicamp
Marco Antonio Martins da Rocha – IE/Unicamp
Alexandre de Freitas Barbosa – Professor de História Econômica e Economia Brasileira – Instituto de Estudos Brasileiros – Universidade de São Paulo (IEB/USP)
Luiz Fernando de Paula – Professor titular da FCE/UERJ
Fábio Eduardo Iaderozza – Professor de Economia da Facamp e do Centro de Economia e Administração da PUC Campinas (CEA)
Rodrigo Vianna – Jornalista e historiador (USP)
Ana Luíza Matos de Oliveira – Doutoranda IE/Unicamp
Adriana Aparecida Quartarolla – Doutoranda em Linguística na UNICAMP e professora de Língua Portuguesa na FACAMP
Marcelo Manzano – Professor FACAMP
Lygia Sabbag Fares Gibb – Professora universitária e doutoranda IE/Unicamp
Beatriz Freire Bertasso – Professora Facamp
Darci Frigo, advogado – Terra de Direitos
Artur Scavone – Jornalista
Benedito Ferraro – PUC-Campinas
Sávio Machado Cavalcante – Professor de Sociologia (IFCH/Unicamp)
Juliana Pinto de Moura Cajueiro – Facamp
Roberta Gurgel Azzi – professora
Miguel Henrique Russo – professor
Lava Jato: Advogado de Lula diz que Tribunal criou juiz acima da lei
O Tribunal Regional Federal da 4ª Região arquivou em 22/9/16 representação contra o juiz federal Sergio Moro por ter divulgado conversa entre os ex-presidentes Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No argumento do Tribunal, os processos da Lva Jato “trazem problemas inéditos e exigem soluções inéditas”. Cristiano Zanin, um dos advogados de Lula declarou que o TRF-4 criou a figura de um juiz acima da Constituição Federal e das leis.
Cristiano Zanin
Em entrevista ao Brasil 247, Zanin classificou a decisão como inadmissível. “O que é inédito? Todo ato de persecução penal requer estrita observância da lei. Se a corte reconhece que nem todos precisam observar as mesmas normas, dá espaço para arbitrariedades”, questionou.
O afastamento de Moro foi pedido por um grupo de 19 advogados. O motivo foi a retirada do sigilo das investigações contra o ex-presidente Lula. Com a divulgação na imprensa, Lula e a presidente Dilma Roussef tiveram conversas expostas. Após o pedido ser rejeitado pela Corregedoria, os advogados apelaram para a Corte Especial, que arquivou o processo.
Zanin explicou que a Constituição e a lei não deixam dúvidas sobre a privacidade do sigilo telefônico.Ele citou o caso do juiz Baltasar Garzón, na Espanha, que foi afastado por ordenar a gravação de conversas na prisão entre advogados e seus clientes. “Isso porque nem chegou a divulgar as falas”, afirmou o advogado.
Ele adiantou que decisão do TRF-4 reforça a necessidade de recorrer à Organização das Nações Unidas contra a postura do juiz Sérgio Moro. “No Brasil, o Judiciário e os órgãos responsáveis pela fiscalização judicial se negaram a fazer o controle efetivo dos atos jurisdicionais relativos ao caso.”
Supremo manda para o STJ inquérito que investiga governador Geraldo Alckmin
Com decisão, STJ passará a apurar as delações de executivos da Odebrecht que envolvem governador. Procurado, Alckmin disse confiar que investigação encerrará dúvidas.
Inquérito que investiga Alckmin chega ao STJ e fica em segredo
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) recebeu nesta semana um inquérito que investiga o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB).
O procedimento foi enviado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e está em segredo de justiça. O STJ é a instância na qual tramitam processos que envolvem governadores.
Procurada, a assessoria de Alckmin enviou a seguinte declaração do governador: “Nunca nossa vida pública precisou tanto de transparência e verdade. Confio que a apuração das informações pela Justiça encerrará todas as dúvidas.”
Em abril, o ministro do Supremo Edson Fachin determinou que fossem encaminhadas ao STJ delações da Odebrecht que envolvem o Governador
Delatores disseram que a construtora teria repassado dinheiro para a campanha de Alckmin ao governo paulista e que as quantias não teriam sido declaradas na prestação de contas.
Ainda segundo delatores, um cunhado do Governador teria recebido, pessoalmente, parte desses valores. Também teria havido doação oficial.
Fonte: G1
Prisão de Andrea Neves deixa Aécio acéfalo e encerra ciclo de poder do tucano no PSDB
A prisão de Andrea Neves, por si só, já é uma bomba para seu irmão Aécio (PSDB-MG), agora afastado do Senado e sob risco de encarceramento. Ela sempre foi o cérebro e o coração da carreira política do tucano.
Tinha influência sobre todo o grupo de apoio do mineiro.Influenciou a comunicação de todas as campanhas de Aécio, de seu governo à frente de Minas e dos aliados que o sucederam nas disputas pelo Estado, como o senador Antonio Anastasia (PSDB-MG).
Divulgação
Andrea Neves, irmã do senador Aécio Neves (PSDB-MG)
Sua prisão deixa Aécio órfão e acéfalo sob tiroteio jamais imaginado pelos aliados mais próximos. A única certeza é de que o ato encerra um ciclo de poder do mineiro à frente do PSDB, que deve se afastar de Aécio para evitar “a extinção do partido”.
A informação de que a entrega de dinheiro a um parente dos Neves havia sido filmada pela PF já dava margem para especulação sobre o pedido de prisão de Aécio ainda na noite desta quarta (17). Aliados conjecturaram o que teria levado o senador a um gesto tão arrojado em tempos de Lava Jato.
Aécio sabia que estava sob a mira dos investigadores. Se cercava de cuidados para falar ao celular. Escondia telefones dentro de gavetas para conversas privadas. Caiu no grampo do empresário Joesley Batista num hotel em São Paulo.
Parte de sua equipe da campanha presidencial encerrou a noite de quarta-feira às lágrimas. Descobriram, nesta quinta, que o pior não havia começado
Fonte: Folha de São Paulo
Em 21/3/17, este blog apurou, a cúpula do PSDB decidiu: o candidato à presidente 2018 vai ser João Doria e o seu vice o ACM Neto. Geraldo Alckmin nem foi avisado disso (ainda).
O que fulminou o nome de Alckmin : o furo do Globo, dessa terça. Escreveu O Globo: o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, enviou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) pedidos de abertura de inquérito contra mais de dez governadores em exercício, entre eles o de São Paulo, Geraldo Alckmin, do PSDB, que disputou a Presidência em 2006. O pedido sobre o tucano estaria relacionado a repasses que a Odebrecht fez para as campanhas dele ao governo de São Paulo, em 2010, e também em 2014. Segundo um dos delatores, pelo menos um dos pagamentos teve como intermediário Adhemar Ribeiro, cunhado do governador.
O Movimento Brasil Livre foi quem lançou A campanha por Doria presidente e ACM Neto como vice, há dias
Ronaldo Caiado fechou para disputar o governo de Goiás.
Bolsonaro saiu do PSC, de fato, deixou o pastor Everaldo nas nuvens. Bolsonaro é pré-candidato à Presidência da República na próxima disputa, em 2018, e apareceu em quarto lugar na última pesquisa Datafolha, de dezembro do ano passado, com 9% das intenções de voto.
As negociações com Bolsonaro estão sendo conduzidas pela cúpula nacional do PR, partido que tem a quinta maior bancada da Câmara, com 39 deputados.
O parlamentar fluminense já conversou sobre o assunto com o ex-deputado Valdemar Costa Neto (SP), um dos condenados no processo do mensalão e que exerce forte influência na legenda.
Bolsonaro também nessa quarta aceitou o PR.
Esse é o quadro. Por ora, ou… por hora!!!!
Fonte: Yahoo
Governo Alckmin é denunciado por crime de responsabilidade
Auditores fiscais do estado ingressaram com ação acusando o governo de prejudicar o caixa do estado por meio de operações de crédito com empresa fraudulenta
Alckmin e Villela: ‘Governo está tentando adiantar uma receita de forma artificial’, denuncia Sinafresp
São Paulo – Auditores fiscais do estado de São Paulo entraram ontem (1º) no Ministério Público do Estado de São Paulo com uma ação popular contra o governo de Geraldo Alckmin (PSDB) por fraudes em operações de crédito. Se confirmados, os atos configuram crime de responsabilidade, implicando rombo futuro no patrimônio público para “maquiar” as contas, inflando o orçamento de curto prazo do estado.
“Se confirmado, isso configura crime de responsabilidade dos secretários e de quaisquer entes do governo que tenham parte nisso. Agora, cabe ao Ministério Público analisar. Para nós, as operações alteram o balanço, o orçamento do estado de forma fraudulenta”, afirmou o vice-presidente do Sindicato dos Agentes Fiscais de Rendas do Estado de São Paulo (Sinafresp), o auditor fiscal Gláucio Honório.
Por esse esquema, o estado fornece créditos à empresas, ele tem contas a receber de empresas inadimplentes, ou que cometeram infrações. Esses valores a receber são divididos em lotes preferenciais e não preferenciais. A fim de adiantar o recebimento, o estado vende estes lotes para empresas financeiras ou bancos. As preferenciais têm maior liquidez, ou seja, possuem menor risco de não serem pagas, isso porque, de tempos em tempos, o estado promove parcelamento dessas dívidas, perdoando multas ou juros.
O mercado realiza esse tipo de prática corriqueiramente. O problema é quando as fraudes começam. Agrupar dívidas e vendê-las a empresas terceiras foi uma prática utilizada em larga escala com títulos podres do mercado imobiliário norte-americano, o que desencadeou a crise de 2008. Em São Paulo, a gestão Alckmin pode estar realizando fraudes que podem implicar graves danos futuros, segundo o Sinafresp.
Os títulos podem ser vendidos para empresas privadas, visando ao recebimento mais rápido dos valores. Aí começa a fraude, de acordo com o sindicato. Alckmin criou uma empresa “mista” que compra esses títulos de dívidas, a Companhia Paulista de Securitização (CPSEC), que vem comprando os lotes não preferenciais nos últimos anos. São os de mais alto risco. Não haveria problema, se esta empresa fosse privada. Mas na prática, ela é uma sociedade anônima, com cerca de 3 milhões de ações no mercado. Apenas três não são do estado, pertencem ao ex-secretário da Fazenda Renato Villela e a mais dois funcionários do alto escalão da pasta.
“Esta suposta empresa não é mista de fato. Ela é do governo. Veja, o problema é que empresas públicas não quebram. Se houver rombo, os cofres públicos vão cobrir. Isso fere a Lei de Responsabilidade Fiscal”, explica Glauco. “Ele (Alckmin) está tentando adiantar uma receita de forma artificial. Nos títulos de alto risco, ele pega uma aplicação de longo prazo e a transforma em dinheiro de curto prazo. Isso é um jogo de balanço que traz dinheiro fictício, carregando riscos futuros para a saúde das contas públicas”, continua. O objetivo seria inflar o orçamento do ano, maquiando os valores do caixa, o que pode causar um rombo, uma bolha futura.
AÇÃO PÚBLICA
Trecho da ação contra o estado de São Paulo por violação da Lei de Responsabilidade Fiscal
Posição do estado
Em nota, a Secretaria da Fazenda afirma que as operações da CPSEC foram autorizadas pela Assembleia Legislativa, e que de 2012 a 2015, a empresa acrescentou R$ 2,14 bilhões aos cofres do estado. Entretanto, Glauco insiste que “existem muitas coisas para serem explicadas”. Isso porque o valor citado pela secretaria possui “inconsistência”.
“Na nota do estado, eles dizem que a CPSEC trouxe R$ 2,14 bilhões. Todavia, o balanço da secretaria mostra debêntures (títulos) na ordem de R$ 6 bilhões. Por que ele só trouxe R$ 2,14 bilhões? Exatamente porque esta operação de crédito trouxe dinheiro, mas existe o risco de parte das dívidas”, explica o auditor. “Outro problema é que o projeto passou pelo Legislativo em 2009, e a primeira operação foi realizada em 2012. Isso começou durante a gestão de José Serra (PSDB) e, talvez, ele tivesse a noção de que isso não era totalmente legal”, afirmou.
Queda de secretário
Na terça-feira, Alckmin anunciou a troca do comando da pasta da Fazenda. Saiu Renato Villela (dono de pequena parte da CPSEC, o que de acordo com o estado “justifica” o teor “misto” da empresa), empossando Hélcio Tokeshi. Apesar de alegar “motivos pessoais”, os auditores fiscais consideram que mobilizações da categoria e denúncias – como a apresentada na RBA de problemas em relação ao ICMS – influenciaram na decisão.
“Villela tinha um viés contrario ao servidor público de carreira. Ele sempre fez questão de deixar isso muito claro com suas atitudes, como de não dialogar com a categoria. Com isso, ele criou um verdadeiro caos na secretaria. Isso se refletiu na queda da arrecadação. Ele dizia que a culpa era da crise, mas de acordo com índices, a arrecadação caiu mais do que qualquer justificativa. Ele nunca admitiu, mas a razão foi o mau direcionamento, má administração e trabalho inadequado”, afirmou.
A ação no novo secretário segue uma incógnita, porém, o Sinafresp projeta esperanças. “Nossa expectativa, mesmo sem conhecer o novo secretário é de que ele tenha algum conhecimento do serviço público”, disse Glauco. A intenção é de que a pasta atue de forma “mais técnica e menos política”, disse. “Sabemos que a Fazenda sempre terá algum viés político, mas que ele seja menor.”
Para auditores fiscais, Alckmin tira impostos dos ricos para cobrar dos pobres
No governo tucano, taxação que mais impacta no poder de compra da população, o ICMS, é cobrada de forma desigual: ganham os ricos, pagam os pobres
por Gabriel Valery, da RBA publicado 25/08/2016 10:45, última modificação 25/08/2016 13:55
Para auditores, política fiscal de Alckmin é arbitrária: “Por que a camada mais rica paga menos impostos?”, questiona auditor
São Paulo – “A política fiscal do governo de Geraldo Alckmin (PSDB) tem uma lógica: tirar impostos dos mais ricos e aumentar dos mais pobres”, define o auditor fiscal da Receita de São Paulo Leandro Ferro, diretor de comunicação do Sindicato dos Auditores Fiscais do Estado de São Paulo (Sinafresp). A categoria iniciou esta semana a campanha Pobre Paga Mais, com objetivo de alertar a população sobre desigualdades na cobrança de tributos estaduais, especialmente no Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).
“O ICMS é o imposto mais importante do estado, que representa a maior arrecadação”, explica. O problema é a forma com que o governo tucano negocia os valores comprados, já que o Executivo é o responsável por definir as alíquotas de incidência sobre os produtos. “O governo pode reajustar esses valores a qualquer tempo. O que impressiona é que os produtos que a população mais consome possuem uma taxa alta. Já aqueles que só os mais ricos tem acesso tem baixas alíquotas”, completa.
A lista da desigualdade é grande. Alimentos da cesta básica sofrem incidência de 7% de ICMS. Já produtos mais procurados por pessoas de maior renda, como picanha e filé mignon são isentos. “Isso é uma decisão política, sem análise técnica, que o governador toma. Alguns produtos gozam de tratamento especial. Por exemplo, incide sobre os automóveis 12%; e sobre jet-skis, 7%. Não existe uma justificativa e nós queremos que a sociedade questione isso. Por que esse tratamento diferenciado? Por que a camada mais rica paga menos impostos?”, questiona o auditor.
“A lógica é que o estado aproveita da situação. Ninguém vai deixar de contratar luz ou internet, então, de forma oportunista, ele joga a alíquota lá em cima”, afirma. O problema, é que estes produtos que todos utilizam, ricos e pobres, também impactam de forma desigual sobre as classes. “Por exemplo, uma pessoa ganha R$ 5 mil e uma outra R$ 10 mil. O que as duas pessoas compram sai pelo mesmo preço, mas para a que ganha R$ 5 mil, o peso do imposto é muito maior. Então, é um tributo que desequilibra o poder de compra. Para piorar, existem essas alíquotas sem lógica, menores para quem pode pagar mais, o que agrava a situação”, explica.
A campanha conta com página na internet para divulgar as desigualdades promovidas pelo governo de Geraldo Alckmin, além de exibição de outdoors em diversas cidades e de propagandas em rádio. Como proposta, a categoria cobra a aprovação da Lei Orgânica da Administração Tributária (Loat), que existe há dez anos e foi engavetada pela gestão tucana. “A Loat é o primeiro passo para começarmos a reverter estas arbitrariedades”, afirma o auditor.
“Dentro de vários pontos, o projeto promove uma reestruturação, tanto na carreira dos auditores, quanto na Secretaria da Fazenda do Estado, que é o órgão responsável pela estruturação dos tributos. Então, ela significa autonomia para os auditores, que são profissionais concursados, técnicos em economia e contabilidade, capacitados para planejar a política tributária do Estado para fazer a arrecadação justa e eficiente”, diz Ferro. A ideia é impor resistência às arbitrariedades do balcão de negócios que é o governo Alckmin.
Imoralidade tucana
O problema é que, além de engavetar a proposta, a gestão tucana não abre espaço para conversas. “O governo Alckmin é muito pouco receptivo para dialogar com os servidores públicos em geral. Conosco não é diferente. Então, o projeto está totalmente parado, o governo se nega a dar o mínimo de andamento na discussão. O diálogo é zero. Tentamos marcar reuniões com o governador nos últimos três anos e nunca conseguimos. É muito difícil para nós.”
O descaso de Alckmin com a categoria pode ser compreendido pela fiscalização dos auditores diante de irregularidades do governo, explica Ferro. “No começo do ano, denunciamos benefícios ilegais e imorais que o governo estava concedendo há mais de cinco anos para algumas empresas do setor de frigoríficos. As empresas tinham dívidas milionárias com o estado, e mesmo nessa situação conseguiam benefícios. O rombo foi de R$ 3,5 bilhões”, afirma. A denúncia conseguiu reverter 50% deste valor para os cofres estaduais.
Outro estudo realizado pelos auditores constatou que o setor foi responsável por 10% das doações de campanha para a reeleição de Alckmin em 2014. “Elas doaram mais de R$ 4 milhões. O trabalho de vigilância constante do Fisco Paulista pretende evitar, interferências políticas contra os interesses dos governos de plantão, benefícios desmedidos a grandes grupos sem contrapartidas reais à população e injustiças tributárias danosas”, diz o dirigente do Sinafresp.
Contra aparelhamento de Alckmin, auditores de São Paulo realizam eleições
Auditores realizaram eleições à revelia do governo tucano para tentar assegurar o direito da categoria de escolher seu representante máximo. Cargo vem sendo utilizado para fins políticos
por Gabriel Valery, da RBA publicado 22/09/2016 17:40
Posse do novo secretário Hélcio Tokeshi, ao lado de Alckmin. Futuro do fisco ainda é incerto
São Paulo – O governador Geraldo Alckmin (PSDB) utilizou a Fazenda do estado como instrumento de negociatas políticas, através do aparelhamento da pasta, segundo denúncia dos auditores fiscais da Receita que acabou desencadeando um processo à revelia do tucano. Os profissionais se organizaram e, com ampla participação dos servidores, realizaram eleições para a escolha do coordenador da Administração da Receita, cargo mais importante da área, atrás apenas do secretário da pasta.
Luís Gustavo Theodoro foi eleito com 1.049 votos a partir de lista tríplice, com a participação de mais de 1.500 funcionários. Ele venceu Alexandro C. G. Afonso, que ficou com 764 votos e Valdemar T. Figueira Confort, com 653. “A ideia surgiu porque é prevista na lei orgânica que rege a categoria. Outras carreiras também funcionam desta forma, faz parte do fortalecimento das instituições brasileiras”, afirmou o secretário-geral do Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita de São Paulo (Sinafresp), Guilherme Jacob.
“Começamos a questionar se uma pessoa sem conhecimento técnico seria a mais adequada para a gestão máxima da carreira. Com isso, queremos defender o interesse público. Queremos que o aspecto tributário seja visto da forma mais correta o possível. Queremos cobrar mais de quem sonega impostos e menos de quem tem menos. Gostaríamos de promover e conquistar a justiça fiscal”, disse o auditor. A carreira é responsável, entre outros, de fiscalizar o Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), imposto que mais incide sobre o poder de compra da população.
O ofício foi direcionado ao secretário Hélcio Tokeshi, que assumiu a pasta no dia 29 de agosto no lugar de Renato Villela. A categoria vinha realizando campanhas contra a gestão de Villela, que além de não abrir diálogo com os profissionais, “tocava a pasta, sob comando de Alckmin, como balcão de negócios”. Apesar da alegação de motivos pessoais, o Sinafresp pensa que a pressão da categoria, com a campanha Pobre Paga Mais, por exemplo, surtiu efeito no caso.
“A ingerência política que acaba vindo com apadrinhamentos políticos prejudicam o fisco”, afirmou Jacob. Agora, os auditores esperam que a pasta aceite, ou ao menos, abra um espaço para diálogo com a categoria. “Essa alteração atenderia a grandes pleitos dos trabalhadores, como a escolha do diretor máximo.”
Outro aspecto levantado pelos auditores é a de regularização do fisco paulista, que vem apresentando déficits seguidos, muito além do que a crise financeira que abateu o país nos últimos anos pode justificar. “É fundamental atentar para o fato de que São Paulo acumula desastrosos 9,4% de queda real em arrecadação apenas entre janeiro e agosto de 2016 e esta não é a primeira tentativa de apoio da classe para a reversão do grave cenário”, diz o documento direcionado ao secretário.
As eleições foram feitas à revelia e a aceitação por parte dos tucanos ainda é duvidosa. No ofício, o Sinafresp afirma que “espera não só ter seu pleito reconhecido, mas também solicita um desagravo por parte da secretaria, no intuito de reparar o equívoco adotado ao negar não só a viabilização dessa prerrogativa legal, mas também o amparo logístico e institucional à sua realização”.
5 conselhos clássicos de carreira que já estão ultrapassados
O mundo do trabalho se transformou radicalmente na última década, e certos comportamentos que no passado traziam sucesso já não valem mais
Há pouco mais de uma década, a ideia de permitir horários flexíveis aos funcionários soava como absurdo aos ouvidos da maioria das empresas. Hoje, o empregador que não está aberto a essa ideia pode afastar seus melhores talentos, principalmente se forem jovens
Essa é apenas uma entre tantas mudanças de comportamento que solaparam algumas “verdades universais” do mundo do trabalho — como o pressuposto de que um profissional sério começa e encerra o expediente sempre no mesmo horário, por exemplo.
Segundo o coach João Luiz Pasqual, muitos conselhos clássicos de carreira já não fazem mais sentido atualmente porque as relações profissionais se tornaram muito mais fluidas.
“O ambiente físico e psicológico das empresas se tornou menos controlador”, explica ele. “Ao mesmo tempo, a relação entre empregador e funcionário deixou de ser apenas financeira, comercial, e passou a envolver a busca por propósito, por significado”.
Menos formal, mais livre em alguns aspectos e certamente mais exigente, o mercado de trabalho passou a preferir a transparência à obediência. “As empresas não querem mais o funcionário que só fala o que elas querem ouvir”, afirma Carolina Cabral, gerente da consultoria Robert Half. “Preferem alguém sincero, que diga quando o negócio está no caminho errado”.
Diante de tantas mudanças, veja a seguir 5 conselhos sobre gestão de carreira que já ficaram completamente ultrapassados:
Conselho ultrapassado #1: “Fique o maior tempo possível em cada emprego”
Segundo Cabral, da Robert Half, a estabilidade ainda é um fator observado pelos recrutadores quando eles avaliam um currículo. Passagens profissionais muito curtas podem dar a entender que o candidato é pouco resiliente ou que tem problemas de relacionamento.
Porém, a recomendação de ficar o maior tempo possível no mesmo emprego, para provar a sua capacidade de ser fiel a um empregador, não vale mais em todos os casos. “Se você não está subindo na hierarquia e sequer está recebendo novas responsabilidades, a sua permanência prolongada naquele emprego hoje pode ser vista como estagnação”, diz a recrutadora.
Conselho ultrapassado #2: “Faça pós-graduação o quanto antes”
Ter um diploma, por si só, está fazendo cada vez menos diferença para novas gerações. Para se traduzir em oportunidades, a educação precisa fazer sentido dentro do seu plano de carreira. Por isso, diz Cabral, não faz mais sentido se apressar para fazer uma pós depois de acabar a faculdade.
“Deixe para fazer o curso no momento em que você tiver mais certeza do que quer”, recomenda ela. Para Rafael Souto, presidente da consultoria Produtive, o ideal é buscar a pós-graduação com pelo menos dois anos de graduação, à exceção de pessoas que já têm certeza do que pretendem fazer ou já atuam na área escolhida.“Quando você percebe que não tem conhecimentos que precisa ter, pode antecipar a especialização”, diz ele
Conselho ultrapassado #3: “Tenha uma única especialidade”
Já não é mais seguro se tornar um “hiper especialista” em uma determinada área da sua profissão, de acordo com o coach João Luiz Pasqual. “O mercado quer um profissional que entenda profundamente de um determinado tema, sim, mas não só daquele tema”, explica ele.
Isso advém do papel da interdisciplinaridade para a inovação e da valorização do “olhar de proprietário” pelas empresas, que agora querem um profissional preocupado com o negócio como um todo. Porém, o extremo oposto também não é uma boa ideia. Se você domina um grande leque de temas, mas não conhece profundamente nenhum deles, também corre o risco de ficar para trás
Conselho ultrapassado #4: “Obedeça sem questionar”
Na época em que a relação entre funcionários e empresas era pautada apenas pela troca de dinheiro por trabalho, o empregador queria simplesmente ser obedecido. Hoje, remunera pessoas para pensar em soluções para seus problemas — e não importa o nível hierárquico. “O mercado hoje quer um profissional resiliente, mas não um mero executor de tarefas”, diz Pasqual.
Isso significa que as empresas não apenas aceitam ser contestadas em alguns momentos, como também esperam por isso. “Hoje é preciso assumir uma postura de protagonismo dentro da empresa, então você pode e deve se manifestar sobre o que julga importante”, recomenda o coach.
Conselho ultrapassado #5: “Se a verdade for desagradável, minta”
Você foi demitido porque cometeu um erro grave? Seu inglês não é tão bom assim? Antigamente, muita gente diria para você omitir ou distorcer essas informações no seu currículo ou na entrevista de emprego. Hoje em dia, a recomendação é oposta: ainda que a verdade soe mal, seja sincero.
Em processos seletivos, candidatos mentirosos são facilmente pegos pelo cruzamento de informações entre empresas e consultorias de recrutamento. Segundo Cabral, esconder uma falha é pior do que expô-la e buscar explicá-la. Ao contrário do passado, quando se valorizava uma figura idealizada do funcionário, o empregador atual prefere profissionais imperfeitos, mas autênticos.
Fonte: Exame
Consultoria lista profissões que devem sumir do mapa em 2025
E também enumera as que estarão em alta até lá
Central de atendimento: operador de telemarketing é uma das profissões que deve acabar até 2025 – Custódio Coimbra / Custódio Coimbra
— O mercado, nos próximos anos, aposta em profissionais que têm facilidade de se relacionar com várias culturas e perfis diferentes ao mesmo tempo. O grande ponto para que você tenha sucesso não está ligado necessariamente ao que você sabe e sim a como você consegue interpretar, analisar e interligar os dados disponíveis — afirma Antonio Gil, sócio da área de Gestão de Pessoas da Ernst & Young no Rio.
José Augusto Figueiredo, presidente no Brasil e vice-presidente na América Latina da consultoria LHH, lembra que a robotização é um tópico inevitável neste debate. Segundo ele, todas as forças de trabalho que podem ser eficientemente substituídas por máquinas, uma hora ou outra, deixam de existir.
— É o caso dos caixas de banco, cada vez menos procurados em função dos dispositivos eletrônicos, ou profissionais que cuidavam do check-in em companhias aéreas, uma atividade que foi praticamente toda robotizada — ilustra ele.
Por outro lado, como pondera Figueiredo, carreiras pautadas na interpretação humana e na emoção tendem a oferecer mais segurança neste sentido.
— Dificilmente uma enfermeira, um psicólogo ou um gestor de pessoas será substituído desta maneira — menciona ele.
Mas prever o fim de uma determinada profissão, entretanto, não deve ser necessariamente algo apocalíptico. Na opinião de Figueiredo, cabe ao profissional observar as tendências e se antecipar às mudanças.
— Às vezes, precisamos nos adiantar em dez anos — resume ele. — Temos que estar sempre aprendendo novas tecnologias e observando os caminhos possíveis para aquela área de atuação. A profissão de carteiro, por exemplo, certamente está ameaçada pelo declínio no volume de correspondências. Entretanto, o trabalho com uma empresa de logística está cheio de possibilidades, já que a entrega de compras feitas pela internet só aumenta.
A especialização é o caminho que o profissional deve encontrar para sobreviver, acredita Celso Georgief, especialista em Recursos Humanos e sócio diretor da DSG Brasil. Ele concorda em parte com a lista feita pela Ernst & Young.
— Não acredito no fim da profissão de contador, por exemplo. A função será aperfeiçoada, e este profissional deverá estar capacitado para maior envolvimento com aspectos de auditoria, departamento financeiro e análise de gestão — afirma ele.
Especialista em consultoria contábil, o fundador do Grupo Insigne, Sérvulo Mendonça, também acredita na transformação da profissão, fruto de adaptações educacionais, currículos, formas e modelos de atuação e técnica mais vinculada aos mecanismos tecnológicos.
— Essa afirmação pode fazer com que jovens talentos não busquem as tais profissões — alerta ele.
Para os que têm uma profissão em iminência de extinção, Georgief alerta para a necessidade de um redirecionamento de carreira. E para ontem.
— Este profissional precisa estar atento a oportunidades ou áreas que são atraentes e ter criatividade e coragem para tentar a mudança. Um profissional de coaching poderá ajudar nisso — aconselha.
FUTURO LOGO ALI
Em contrapartida, professores, tão desvalorizados no aspecto financeiro, segundo o estudo, terão dias melhores. Antonio lembra que o ensino passará a ser pontual, atendendo às necessidades e demandas específicas de cada indivíduo, além de haver a consolidação do ensino à distância.
Funcionária da Cultura Inglesa, Vaddie Najnan já vive esta realidade. Professora de inglês desde 2003, ela passou a se dedicar inteiramente às aulas online.
— A vantagem é que consigo organizar os meus horários e trabalhar de casa. No dia a dia não há muito diferença, principalmente para os alunos, que têm rendimento muito bom ao falar, escutar e pensar o tempo todo em inglês — relata ela, lembrando que o seu valor salarial é o mesmo de um professor do curso presencial da empresa.
O jovem que está entrando agora no mercado de trabalho não encontra instituições para prepará-lo para este novo mundo, acredita Tiago Mattos, fundador da escola de atividades criativas Perestroika, especialista em futurismo.
— O sistema que conhecemos hoje foi todo inspirado pelo sistema de educação pública, massificada e gratuita, concebido na Europa. Ele foi criado à imagem e semelhança do contexto profissional da época: a Revolução Industrial. Portanto, as escolas hoje nos preparam para um trabalho em fábricas. As universidades pararam no tempo. A maioria prepara os estudantes para profissões que não existem mais — afirma ele, que consegue ver modelos de aprendizagem que se massificarão em breve:
— Vejo pelo menos três no curto prazo. A aprendizagem móvel (via celular, no momento em que o estudante desejar); aulas em realidade virtual (que nos permite viver situações que seriam impossíveis de reproduzir analogicamente); tutores via inteligência artificial (como o Smart toy Cognitoy), que promoverão uma aprendizagem mais de acordo com a curiosidade do aluno do que com a intenção do professor. Sem falar, claro, no autodidatismo (via plataformas colaborativas ou tutoriais do Youtube) — relata o especialista em futurismo.
SEM PREPARAÇÃO
Antonio Gil, da Ernst & Young: jovens não têm tanto medo de errar – Divulgação
Nem as unidades educacionais nem as empresas estão prontas. Segundo a análise da Ernst & Young, atualmente, apenas 27% das empresas acreditam estar preparadas, enquanto menos de 50% das corporações possuem talentos na casa preparados para assumir posições críticas.
— A informação empoderou as pessoas. Hoje, os jovens conseguem comparar organizações sob as mais diversas perspectivas. Aquela estrutura tradicional de organograma está sendo desafiada — diz Oliver Kamakura, sócio da área de Gestão de Pessoas da consultoria, que destaca mudanças ainda na filosofia de vida desta geração:
— A motivação das pessoas para trabalhar oito horas por dia não é mais somente o dinheiro e sim a identificação com um propósito alinhado ao seu objetivo pessoal — salienta.
Antonio Gil Franco, também sócio da área de Gestão de Pessoas da Ernst & Young, acredita que a nova geração de trabalhadores se preocupa muito mais em fazer parte de uma empresa que ela tenha orgulho.
— Um estudo mostra que, em 2025, o indivíduo poderá ter passado por mais de 10 postos de trabalho até os 25 anos. É uma geração que não tem tanto medo de errar e de se expor. Mesmo em um cenário de crise, é muito critica. Eles entendem que o nome deles é importante, querem ter uma legado — explica ele.
EMPREGOS QUE PODEM DEIXAR DE EXISTIR EM 2025
Operador de telemarketing
Contador
Reparador de relógios
Analista de crédito
Corretor de seguros e imóveis
Árbitro de futebol
Lavrador rural
Caixa
Digitador
EMPREGOS QUE SERÃO POPULARES EM 2025
– “Professional triber”: Profissional freelancer, especialista em unir pessoas de diferentes em culturas em torno de um projeto comum. Cada vez mais a diversidade está presente no mercado de trabalho e essa função tem a habilidade de integrar as pessoas para que tenham a melhor performance e harmonia em equipe.
– Professor freelancer: O ensino passa a ser pontual, atendendo às necessidades e demandas específicas de cada indivíduo. Sem falar no incremento do ensino à distância, por meio de tecnologias de vídeo conferências.
– Fazendeiros Urbanos: Aumento da conscientização do consumo e produção autônomas de alimentos orgânicos em áreas urbanas.
– Cuidadores: A diminuição da natalidade e o aumento da idade laboral dos indivíduos vão impulsionar a função dos cuidadores. A elevação da expectativa de vida da população, a aposentadoria tardia e a mudança do comportamento das famílias que passam a ter menos filhos são exemplos que contribuem para esse crescimento.
– Instaladores domésticos especialistas em tecnologia (Smart house): Maior procura por especialistas em casas inteligentes e aumento da demanda por casas automatizadas.
– Designer especializado em impressão 3D: Maior procura por aplicações em 3D. As impressoras facilitam a transformação da ideia em matéria. Exemplos: próteses e impressão de projetos tridimensionais.
– Designer de realidade virtual: Aumento do acesso ao ambiente de realidade virtual, por meio de especialistas na criação desses ambientes. Exemplos: visitas virtuais a museus, países, pontos turístico, etc.
Na opinião de Celso Georgief, especialista em Recursos Humanos e sócio diretor da DSG Brasil, essas profissões também estarão em alta em 2025:
– Perito forense digital
– Especialistas em energias alternativas
– Direito em geral, principalmente Direito internacional e arbitragem
– Analisa de gestão
– Consultoria estratégica
As profissões voltadas para qualidade de vida também estarão em alta, já que as pessoas vão viver mais e cada vez mais se preocupam com a qualidade de vida que terão.
30/03/2016 11h18 – Atualizado em 30/03/2016 11h20
Ministério do Trabalho reconhece mais 12 ocupações profissionais
Entre as novas categorias estão entrevistador social e agente de endemias.
Reconhecimento da ocupação não quer dizer que sua regulamentação.
O Ministério do Trabalho e Previdência Social atualizou a Classificação Brasileira de Ocupações, com a inclusão de 12 novas categorias profissionais. Entre elas estão agente de combate a endemias, condutor de ambulância, mestre de cerimônias e entrevistador social. Com as novas inclusões, as ocupações reconhecidas chegam a 2,6 mil.
Segundo o ministério, o reconhecimento de uma ocupação é feito após um estudo das atividades e do perfil da categoria.A CBO é o documento que reconhece a existência de determinada ocupação e não a sua regulamentação. A regulamentação da profissão é realizada por lei, cuja apreciação é feita pelo Congresso Nacional e submetida à sanção da Presidência da República.Veja abaixo as novas ocupações e as definições de cada uma:Tecnólogo em soldagem – Elabora o plano de qualificação de procedimentos de soldagem e qualifica profissionais da área.
Mestre de cerimônias – Conduz eventos públicos, corporativos e sociais presenciais, seguindo roteiro elaborado por organizadores.
Entregador de publicações – Entrega correspondências, objetos e publicações, organizando e fazendo triagem dos mesmos.
Concierge – Recepciona e prestam serviços de apoio a clientes, pacientes, hóspedes, visitantes e passageiros; presta atendimento telefônico e fornece informações em diversos estabelecimentos.
Entrevistador social – Entrevista famílias de baixa renda, orienta sobre os programas sociais e políticas públicas, e encaminha para órgãos competentes, caso necessário.
Agente de combate a endemias – Realiza ações de controle de endemias, promove educação sanitária e ambiental e orienta a comunidade para promoção de saúde por meio de inspeções domiciliares.
Casqueador de animais – Monitora doenças, lesões e traumatismos em animais. Corta excessos de cascos, limpa e higieniza ferimentos no local.
Ferrador de animais – Coloca e substitui ferraduras em animais, detecta presença de ferimentos nas patas e recomenda encaminhamento a veterinário, se necessário.
Tapeceiro de autos – Responsável por fabricar ou reformar estofamento e revestimento interno de veículos.
Condutor de ambulância – Transporta pacientes e auxilia equipes de saúde nos atendimentos de urgência e emergência.
Operador de abastecimento de combustível de aeronave – Realiza operações de abastecimento e destanqueio de combustível de aeronaves.
Monitor de sistemas eletrônicos de segurança interno – Ativa e monitora os sistemas, analisa os eventos e imagens recebidos da central de alarme monitorada, identifica problema e encaminha ocorrências ao setor responsável.
Monitor de sistemas eletrônicos de segurança externo – Monitora os equipamentos e sistemas da central de monitoramento, realizar inspeção técnica no local monitorado, realizar manutenções corretiva e preventiva dos sistemas.
Já as profissões que resistem à crise são:
Trabalhadores nos Serviços de Manutenção de Edificações
Operadores de Telemarketing
Recepcionistas
Técnicos Auxiliares de Enfermagem
Trabalhadores Auxiliares nos Serviços de Alimentação
Garçons, Barmen, Copeiros e Sommeliers
Trabalhadores de Cargas e Descargas de Mercadorias
A inacreditável concentração de renda e riqueza no Brasil
Os 5% mais ricos detêm 28% da renda total e da riqueza, sendo que o 1% dos declarantes mais ricos acumulam 14% da renda e 15% da riqueza. E os 0,1% mais ricos detêm 6% da riqueza declarada e da renda total.
Se eu contar para um estrangeiro qual é a concentração de renda e riqueza no Brasil, ele simplesmente dirá: unbelievable! Achará que minha narrativa não merece crédito por ser não acreditável ou incrível. Ele achará que tal injustiça social não se pode imaginar, explicar, admitir. Para ele, é inimaginável, inconcebível que uma sociedade ocidental dita civilizada, no século XXI, ainda aceite tal desigualdade. Ela é exagerada, desmedida, fora do comum, excessiva…
Se é desmedida, tem de ser medida. Antes de a presidenta eleita, Dilma Rousseff, promulgar a Lei nº 12.527/2011, que regulamenta o direito constitucional de acesso às informações públicas, as informações sobre as DIRPF não eram acessíveis. Essa norma entrou em vigor em 16 de maio de 2012 e criou mecanismos que possibilitam, a qualquer pessoa, física ou jurídica, sem necessidade de apresentar motivo, o recebimento de informações públicas dos órgãos e entidades.
A lei vale para os três Poderes da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, inclusive aos Tribunais de Conta e Ministério Público. Entidades privadas sem fins lucrativos também são obrigadas a dar publicidade a informações referentes ao recebimento e à destinação dos recursos públicos por elas recebidos. Após um governo democrático, tornou-se possível medir com maior precisão, principalmente, o que era antes muito difícil: a concentração de riqueza no País.
A Secretaria da Receita Federal (SRF) deu acesso ao maior detalhamento dos grandes números das DIRPF de 2008 a 2014, cujos anos-calendários (AC) são os anteriores. Quanto à DIRPF 2015-AC 2014, ainda na gestão de Nelson Barbosa como ministro da Fazenda, juntamente com a primeira edição do Relatório da Distribuição Pessoal da Renda e da Riqueza da População Brasileira de 2016, foi publicada uma portaria que registra a obrigatoriedade da divulgação dessa análise, com bases anuais, para que a população brasileira possa conhecer melhor a distribuição de renda e do patrimônio no nosso país.
O relatório que passa a ser produzido e divulgado anualmente a partir do ano corrente é um avanço fundamental para nossa democracia. Ele dá mais transparência à estrutura da distribuição da renda e da riqueza no Brasil. Espero que não ocorra um retrocesso democrático que imponha que essa portaria não seja doravante cumprida.
Para simplificar a apresentação do Relatório 2016, foi feita uma agregação do rendimento total por decil, deixando desagregados apenas os últimos estratos: 5%, 1% e 0,1% mais ricos. A partir dessa desagregação é possível verificar a concentração da renda e riqueza de forma mais detalhada: os 5% mais ricos detêm 28% da renda total e da riqueza, sendo que o 1% dos declarantes mais ricos acumulam 14% da renda e 15% da riqueza. Os 0,1% mais ricos detêm 6% da riqueza declarada e da renda total.
As informações foram desagregadas em centis – isto porque por lei não se pode individualizar contribuintes –, incluindo a informação por milésimo no 99º centil, das Declarações do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física 2015, ano-calendário 2014. A SRF divulgou três planilhas (em Excel e PDF), sendo que a Tabela I compreende a distribuição por centis tendo como classificação a renta tributável bruta (RTB).
O desafio para a análise científica contemporânea é transformar complexidade em simplicidade. No caso, quando deparamos com uma imensa planilha Excel de 110 linhas e 18 colunas, temos que usar recursos como agrupamentos de tópicos, segmentação de dados, tabelas dinâmicas, auto-soma e média, depurar fórmulas,unir planilhas e tabelas, mesclar e centralizar célula etc. Foi o que fizemos para criar indicadores da estratificação social da renda (tributável bruta, sujeita à tributação exclusiva, e isenta), das deduções, do imposto devido, dos bens e direitos e, por fim, das dívidas e ônus.
Os simples agrupamentos já revelam desigualdades sociais assombrosas. Estavam obrigados à entrega da DIRPF/2015 aqueles que receberam rendimentos tributáveis na declaração, cuja soma foi superior a R$ 26.816,55. Então, as pessoas que receberam em média menos de R$ 2.234,71 mensais (ou 3,09 salários mínimos de 2014: R$ 724,00) são consideradas “párias”, isto é, não-contribuintes ou “intocáveis” pelo fisco.
Em 2013, a população em idade ativa (PIA), isto é, com 15 anos ou mais de idade, chegou a 156,6 milhões. Nesse universo, cerca de 102,5 milhões (65,5%) compunham a população economicamente ativa (PEA) e 54,1 milhões de pessoas (34,5%) formavam a população não economicamente ativa (PNEA). Em outras palavras, os 27.367.071 de contribuintes representavam pouco mais de ¼ da PEA. Eles comporiam as “castas” brasileiras. Talvez, por isso mesmo, os demais não são tratados como cidadãos…
Fizemos a classificação social dos declarantes por agrupamentos da seguinte forma: metade (50%) seria a “classe média baixa” (CMB); 40% seria a “classe média-média” (CMM), 9% a “classe média-alta” (CMA), 1% dos “ricos” (R), inclusive o 0,1% composto de “ricaços” (RR).
No caso dos primeiros 50% (CMB), o limite superior da RTB do 50o. centil foi de declarante que recebeu 33,75 mil reais no ano de 2014. Porém, a renda média anual per capita foi pouco menos de 20 mil reais ou R$ 1.640,30 mensais, o que equivalia a 2,3 salários mínimos. Metade dos declarantes (13,7 milhões) ficaram nesse segmento.
Outros 11 milhões de declarantes estavam na CMM com o top dela recebendo quase R$ 105 mil no ano, porém a renda média anual per capita foi 56 mil reais ou R$ 4.660 mensais. Esse equivalente a 6,4 salários mínimos era o que recebia, por exemplo, um recém-formado em alguma universidade de excelência no Estado de São Paulo em 2014.
A CMA, “que se acha” – como dizia minha avó, “come angu, mas arrota peru” –, era composta por menos de 2,5 milhões de pessoas, cuja mais abonada recebeu R$ 316 mil reais no ano de 2014, mas a média anual per capita era 164 mil reais ou R$ 13.700 mensais, o equivalente a quase dezenove salários mínimos. Acima dela estavam os ricos.
O 1% top da distribuição de RTB (desconsiderando outros rendimentos) recebiam em renda média anual per capita mais de ½ milhão de reais (R$ 531.108) ou R$ 44.259 mensais, o que equivalia a 61 salários mínimos. Mas o mais impressionante é que 27.367 pessoas (0,1% dos declarantes) recebiam a renda média mensal per capita de R$ 135 mil!
Essa renda tributável bruta representava para esses 0,1% menos de 42% de seu rendimento total. Pois tinham 17% dos rendimentos sujeitos à tributação exclusiva, entre os quais ganhos de capital, rendimentos de aplicações financeiras, juros sobre capital próprio e participação no lucro ou resultados, e 41% de rendimento isento! Entre estes, lucros e dividendos, ou seja, o ganho de capital acionário ou recuperação de prejuízos em renda variável. Ser capitalista aqui em Terrae Brasilis não é o melhor negócio sem risco – e tributação?!
Proporcionalmente, a CMB tinha mais despesas dedutíveis (quase 40%) com dependentes. A CMM se destacava mais pelas despesas com instrução. E a CMA privilegiava mais investirem em previdência complementar, pois seu RTB médio mensal (4.659,91) já ultrapassava o teto do INSS em 2014: R$ 4.390,24.
É chocante o confronto entre as três tabelas divulgadas pela SRF. Além da Tabela I (RTB) com os dados citados, ela divulgou a Tabela II, que compreende a distribuição por centis tendo como classificação o somatório da RTB mais os rendimentos dos sócios ou titulares de micro e pequenas empresas mais os rendimentos recebidos a título de lucros e dividendos (RB1), e a Tabela III, que compreende a distribuição por centis tendo como classificação o somatório da RTB mais os rendimentos dos sócios ou titulares de micro e pequenas empresas mais os rendimentos recebidos a título de lucros e dividendos mais os rendimentos sujeitos à tributação exclusiva (RB2).
As RTB médias anuais de cada centil não se diferencia muito quando se acrescenta o RB1. Porém, há grande diferença quando se compara com a coluna onde se considera o RB2. Calculando a diferença entre RB2 e RB1, obtêm-se só os rendimentos sujeitos à tributação exclusiva por ano. Aí, então, as diferenças de 10 em 10 centis vão se tornando gritantes. E ficam mais pronunciadas quando, na última coluna, estimam-se os valores mensais desses dez centis selecionados. O 100o. obteve de rendimentos sujeitos à tributação exclusiva, onde se destacam os ganhos de capital, os rendimentos de aplicações financeiras, juros sobre capital próprio e participação nos lucros ou resultados (PLR), R$ 461 mil mensais!
O mais inacreditável é constituído pelos dados divulgados pela SRF para os decis do 99o. percentil. Será verdade que, considerando todos os rendimentos (RB2) do 1% top, o limite superior desse centil (com 273.671 declarantes) atinge R$ 1.071.215.915,10?! Quem é este bilionário em renda? Será que é o mesmo que ganhou no ano de 2014 renda tributável bruta de R$ 154 milhões? RB2 sete vezes maior do que a RTB?!
A RB2 média anual desses ricos (1% top) atingiu pouco mais de seis milhões de reais: R$ 6.077.746,42. Porém, os valores de cada decil do 99o. percentil são inacreditavelmente elevados: cerca de 10 vezes maior, ou seja, acima de R$ 61 milhões até ultrapassar R$ 69 milhões no 0,1% ricaço. Se isso for verdade, cada um desses decis, composto por 27.367 pessoas, ganhou a cada mês de 2014 o valor médio de R$ 5,261 milhões. Suspeito que os dados divulgados pela SRF referentes a RB2 dos decis do 99o. percentil estão com a vírgula deslocada em um décimo, ou seja, tem que se mover em uma casa à esquerda.
Como proxy para verificar se a origem dessa riqueza está em rendimentos de aplicações financeiras, pelo Relatório ANBIMA de Private Banking em dezembro de 2014 haviam 57.705 grupos econômicos como clientes – na época a ANBIMA não distinguia entre grupos e clientes, por exemplo, em dezembro de 2015 eram 52.050 grupos e 109.894 o número de clientes resultado da soma dos CPFs e CNPJs atendidos pelo Private. A posição de AuM (Assetsunder Management) somava R$ 645.064,51 milhões. Considerando a Selic média anual em 2014 (11,6%) aplicada sobre esse saldo, o rendimento seria R$74.827.483.160. Dividindo-o por 57.705 grupos, daria o rendimento financeiro médio per capita anual de R$ 1.296.724,43. Esse valor equivaleria a “apenas” R$ 108.060,37 mensais, longe daqueles R$ 5,261 milhões.
Então, estes rendimentos sujeitos à tributação exclusiva viriam não tanto de rendimentos de aplicações financeiras, mas sim de ganhos de capital, juros sobre capital próprio, participação no lucro ou resultados. A exploração de capital produtivo parece ter oferecido melhores resultados, para os ricaços, do que os juros compostos sobre o capital financeiro. O principal fator de concentração de renda estaria aí.
Corrigidos os valores divulgados pela SRF para cada decil do 99o. percentil em uma casa decimal, os números se tornam mais realistas com a média mensal de R$ 485.217,96 de rendimentos sujeitos à tributação exclusiva. Estimo que os rendimentos financeiros teriam sido 22% deles.
Se os dados divulgados pela SRF estiverem corretos, o retrato social revelado é que a grande maioria dos brasileiros mal ultrapassou o estágio de apenas quatro gerações de descendentes de escravos – seus bisavôs. Conquistou poucos direitos da cidadania, sejam civis-sociais-políticos,sejam econômicos. A desigualdade é tão pronunciada que os trabalhadores explorados parecem estar ainda em senzalas com as quais as casas-grandes pouco se importam…
Tabela I e II – Informações da DIRPF 2015 (Ano Calendário 2014) de 10 em 10 centis
*Fernando Nogueira da Costa é professor titular do IE-Unicamp. Autor de “Brasil dos Bancos” (Edusp, 2012), ex-vice-presidente da Caixa Econômica Federal (2003-2007)
Bangladesh é um dos países mais pobres do mundo. Sua população, de cerca de 157 milhões de pessoas segundo dados do Banco Mundial, vive em condições muito precárias, e uma parte importante dela (mais de 30%) vive abaixo da linha da pobreza.
Além disso, os salários são miseráveis e as condições de trabalho são semelhantes à escravidão, com jornadas extremamente longas que superam, com folga, as oito horas diárias.
Um dos aspectos mais surpreendentes sobre o país é que a prostituição é completamente legalizada, mesmo com uma população majoritariamente muçulmana (mais de 90%). A fotógrafa Sandra Hoyn viajou a Bangladesh para documentar esta realidade.
Ela visitou o bordel de Kandapara e fotografou suas residentes. Situado na cidade de Tangail, o local abriga mais de 700 profissionais do sexo. Hoyn teve que ganhar a confiança das prostitutas e, com o tempo, conseguiu fotografá-las em um ambiente mais íntimo.
Ela confessa que uma das experiências mais difíceis foi ver uma menina de 15 anos que não queria fazer sexo com um cliente. Ele havia chegado ao bordel com quatro amigos, e todos queriam ter relações sexuais com a menor.
O projeto se chama “The Longing of Others” (“Os Desejos dos Outros,” em tradução livre).
Na ânsia de defender Dilma, Gleisi troca pés por mãos e ouve o que não queria
Gleisi Hoffmann (PT) provocou comoção no Senado. Durante a sessão de julgamento de Dilma Rousseff, disse que seus pares não tem condições morais de decidir o futuro da presidente. Deu a entender que se trata de um grupo desqualificado.
“Qual é a moral deste Senado para julgar a presidenta da República?” perguntou Gleisi retoricamente. A provocação foi respondida com ferocidade pela oposição, defendida com igual ferocidade pelo PT e acabou levando à suspensão temporária da sessão.
Ronaldo Caiado (DEM-GO), que disse não ser “assaltante de aposentado”, numa referência aos supostos desvios de empréstimos de funcionários que levaram o ministro Paulo Bernardo à cadeia. Lindbergh Faria (PT-RJ) disse que Caiado era canalha. E assim por diante.
O nível do debate mostra que o Senado realmente tem uma qualificação abaixo do esperado. E claro que a ação de Gleisi é mais retórica: se tivesse motivos para impugnar seus pares num julgamento tão decisivo quanto esse, iria à Justiça contra eles. Não foi.
Gleisi também se expôs ao contra-ataque evidente. Enrolada na Lava Jato, com o marido tendo sido preso, sabe que sua carreira está arriscada. Óbvio que diriam que ela é que não tem moral para falar do Senado.
Mas Gleisi decidiu ser dilmista até o fim. Atitude que exige certa coragem. Pena que na luta pela manutenção de Dilma, tenha exagerado. Se o Congresso realmente tem gente desqualificada, tem senadores que são belos exemplos de conduta.
E generalizar só serve à demonização da política. Não fosse por mais nada, Gleisi deveria fazer uma ressalva a seus 12 correligionários. Nem isso fez. São todos iguais?
Depois do impeachment de Dilma, se ele vier, o país precisará continuar. O Senado seguirá existindo. E detonar tudo e todos incondicionalmente é um desserviço.
Fonte: Yahoo
Nelson Barbosa reafirma legalidade em atos da presidenta Dilma
O ex-ministro da Fazenda Nelson Barbosa, testemunha de defesa da presidenta Dilma Rousseff, disse em 27/8/16, durante o julgamento final do processo de impeachment, que a edição de decretos de créditos suplementares segue o mesmo esquema há mais de dez anos.
Na primeira hora de oitiva no Senado Federal, Barbosa acrescentou que a elaboração dos decretos é feita por “técnicos concursados que trabalham com isso há muito tempo”. Ele disse esse instrumento dá mais liberdade aos agentes públicos para utilizar os recursos em um ambiente de orçamento limitado. “Em 2009, foram editados 32 processos de abertura de crédito suplementar. Foram aprovados pelo TCU sem ressalvas a esse aspecto”, destacou.
Sobre a crise econômica que atingiu o país, o ex-ministro disse que a causa foi uma série de fatores externos e internos. Como exemplo ele citou a correção dos vários preços subsidiados. “O preço de commodities, queda do preço do petróleo, correção de preços administrados, cortes de gastos, paralisação política do Congresso com as pautas-bomba, a Lava Jato”, justificou.
Ainda segundo Barbosa, se não tivesse ocorrido a queda brusca de receita, por causa da falta de crescimento, a crise “não teria acontecido”.
Essa não é a primeira vez que Barbosa vem ao Senado para defender Dilma Rousseff: ele também foi ouvido na fase de instrução do processo pela Comissão Especial do Impeachment que foi presidida pelo senador Raimundo Lira (PMDB-PB).
Além de Barbosa também será ouvido nesta sábado (27), na condição de informante, o professor de direito da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), Ricardo Lodi Ribeiro. O pedido para alterar a condição do depoimento de Lodi Ribeiro foi feito pelo advogado de Dilma, José Eduardo Cardozo, pelo fato do professor ter atuado como assistente de perícia no processo.
Depois que Lodi Ribeiro responder às perguntas dos senadores, o ministro Ricardo Lewandowski, que preside o julgamento do impeachment no Senado, encerra a fase de oitiva de testemunhas. A expectativa dos parlamentares é encerrar os trabalhos ainda neste sábado, até o fim da tarde.
Tucanos baseiam-se em inverdades
O senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES), em sua fala durante a sessão do Senado em 27/8/16, afirmou que o procurador da República do Distrito Federal, Ivan Marx, desautorizou dizer que tenha inocentado a presidenta Dilma pelos os crimes das leis fiscais e orçamentárias e contra a improbidade administrativa.
Logo em seguida, o ministro da Justiça do governo Dilma, José Eduardo Cardoso, rebateu o senador tucano. “A nota divulgada pelo Ministério Público Federal não diz que o procurador Ivan Marx inocentou ou acusou Dilma Rousseff e sim que ele não extraiu nenhum juízo condenatório sobre a presidenta da república”, afirmou.
A senadora Vanessa Grazziotin também desconstruiu a fala do senador: “Ninguém utilizou o procurador da República para dizer que o mesmo teria inocentado a presidenta, um procurador da República sequer pode investigar uma presidenta da república, nós temos domínio das leis”, salientou.
Julgamento será retomado na segunda
O julgamento será retomado às 9h de segunda-feira (29) com a presidenta afastada Dilma Rousseff. O ex-presidente Lula também comparecerá na Casa. Além de apresentar pessoalmente sua defesa aos 81 senadores, Dilma também responderá perguntas de parlamentares. Movimentos sociais preparam uma recepção no Senado para prestar solidariedade à presidenta.
Sem Lula, Dilma aparece bem em pesquisas eleitorais
Caso o ex-presidente não possa concorrer, o mais beneficiado será mesmo Jair Bolsonaro
Os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff prestam homenagens durante velório de Marco Aurélio Garcia, assessor de assuntos internacionais dos governos de Lula e Dilma Rousseff, na assembleia legislativa – 21/07/2017 (Nelson Almeida/AFP)
Com a aproximação do julgamento de Lula pelo TRF-4, o instituto Paraná fez um levantamento trocando o nome do ex-presidente por outros candidatos do PT.
De acordo com essa pesquisa, caso Lula não possa concorrer, o maior beneficiado será Jair Bolsonaro. O ex-militar lidera em todos os cenários, sempre acima dos 20 pontos porcentuais.
Mas a maior surpresa é o desempenho de Dilma Rousseff. Sem Lula, a ex-presidente seria a candidata mais competitiva do partido. Bolsonaro é o primeiro, com 22,8%.
Ela fica em segundo na pesquisa, com 13,4% dos votos, bem à frente de Geraldo Alckmin (8,7%), Ciro Gomes (7,7%) e Joaquim Barbosa (7,6%). Jacques Wagner, por exemplo, cravou 3,9%.
Sem a ex-presidente na disputa, Bolsonaro aparece com 23,2%. A segunda colocação ficaria com Marina Silva (14,8%)
O instituto perguntou também quem seria o candidato mais forte sem Lula. Entre nomes como Fernando Haddad, Gleisi Hoffman e Ciro, deu Dilma. Quase 30% acham que a ex-presidente herdaria naturalmente a votação do padrinho político.
Fonte: Veja
Campanha de ódio vai na direção oposta: Lula cresce nas pesquisas
A explicação para o tamanho ódio a Lula e ao PT parece óbvia, diante do fato que os promotores do MPF paranaense acusam um cidadão apenas baseados em “convicções”
O ambiente de ódio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao partido que representa, o PT, torna-se cada vez mais irrespirável desde a última quinta-feira, quando procuradores do Ministério Público Federal afirmaram, em espetáculo midiático ilustrado com gravuras de Power Point, que Lula seria o chefe do esquema de corrupção da Operação Lava Jato.
Os ataques ao líder petista, no entanto, parecem exercer efeito contrário junto à opinião pública. Quanto mais acusações, maior o prestígio de Lula junto ao eleitor, conforme a pesquisa do Instituto Datafolha constatou em sua última pesquisa, em Julho deste ano, ratificada esta semana por outro levantamento, desta vez do Instituto Bahia Pesquisa e Estatística (Babesp).
Lula e Marisa têm sido alvo de uma série de perseguições pela Justiça brasileira
A explicação para o fenômeno parece óbvia, diante do fato que os promotores do MPF paranaense acusam um cidadão apenas baseados em “convicções”. Nesta quinta-feira, o advogado Maurício Rands, professor da Universidade Federal de Pernambuco e autor do livro A Era Lula, lançado em 2010, comentou a atitude dos promotores que atuam ao lado do juiz Sergio Moro, titular da Justiça Federal, naquele Estado.
Segundo Maurício Rands, “no último dia 14, os Procuradores do Ministério Público Federal afirmaram, em espetáculo midiático no Jornal Nacional, que Lula seria o chefe do esquema de corrupção da Lava Jato. E que seria o dono dos famosos sítio e tríplex. Trata-se do maior ataque já desferido contra Lula. Capaz de torna-lo inelegível até 2018. Com estardalhaço, fizeram uma sessão de marketing político”.
“Li a denúncia penal. Notei, como muito muitos, a falta das provas em que se fundamentam. Ou, no caso do sítio, do tríplex e do acervo, vi que avançaram sua interpretação a partir de alguns poucos indícios. Chegaram a classificar Lula de ‘comandante máximo da organização criminosa”, completa.
Imagem danificada
Apesar das graves denúncias, ainda segundo Rands, “sequer fizeram o enquadramento nesse tipo penal, definido no § 1º do art. 1º da Lei 12.850/2013. Limitaram-se a enquadrá-lo nos crimes de corrupção passiva (art. 317, caput e §1º, do Código Penal) e lavagem de dinheiro, (art. 1º c/c o art. 1º §4º, da Lei nº 9.613/98). Ficaram nas generalidades do tipo ‘temos convicções’ ou ‘não dá para o Lula dizer de novo que não sabia’. Ora, ‘convicção’, cada um tem a sua. Mas, para acusar judicialmente, requerem-se provas. Pelo menos no Estado de Direito”.
“Acabaram por usar com fins políticos a estrutura do MPF. Prejudicaram a imagem de uma instituição essencial à administração da justiça, cuja maioria de seus membros exerce o ofício sem excessos e desvios de finalidade. De quebra, enfraqueceram a Lava Jato e vitimizaram Lula, dividindo ainda mais a nação”, acrescentou.
Crítico do PT, partido do qual se desfiliou em 2012, Rands pensa que “Lula tornou-se um personagem bem menor do que já foi. Por seus próprios erros. Deixou de usar seu imenso capital político para promover as mudanças na forma de fazer política e na estrutura do Estado brasileiro, contra as quais ele reclama como se não tivesse governado 8 anos. Um capital político, aliás, merecidamente acumulado por ter reduzido a miséria e a desigualdade em seus governos”.
Doutor em Direito pela britânica Universidade de Oxford, Rands aponta que, sob a presidência de Lula, “é fato que se ampliou a corrupção endêmica do país. Nas campanhas, cedeu ao expediente fácil de delegar a linha política a marqueteiros inescrupulosos como Duda Mendonça e João Santana, sempre inclinados a mentir aos eleitores. Errou também quando escolheu para sucessora uma pessoa que, muitos já sabiam, não tinha a menor aptidão política e administrativa para governar um país tão complexo. Ou, ainda, ao alimentar um estilo personalista autoindulgente e populista macunaímico”.
Lula lidera
“Todos esses erros, todavia, só podem ser punidos de dois modos. Os erros políticos e administrativos, pelo voto. Os ilícitos, pelo devido processo legal, que requer provas. Não apenas meras interpretações midiáticas. Ironicamente, o MPF valeu-se das mesmas apresentações fofas em Power Point com as quais Dilma entediava tantas reuniões em Brasília. Há leitores que gostam de Lula. Outros que não o toleram. Mas todos amam as liberdades e as garantias individuais. Mormente quando o que está em jogo é a sua própria”, acrescenta.
Em defesa das garantias constitucionais do cidadão brasileiro, Rands afirma que “o excesso cometido no dia 14 coloca em risco direitos sagrados de todos os cidadãos. O risco passa a ser à vida, à liberdade, à honra e ao patrimônio de cada um de nós”. Tamanha voracidade no cerceamento das liberdades individuais podem, claramente, explicar porque Lula lidera, isoladamente, as pesquisas de intenção de voto para a eleição presidencial de 2018.
Após dividir a liderança com a ex-senadora Marina Silva (Rede) nos últimos levantamentos, o petista oscilou positivamente e abriu vantagem sobre a potencial adversária, que caiu na preferência dos brasileiros. Os nomes do PSDB consultados também tiveram oscilação negativa ou mantiveram os índices anteriores, o que favoreceu o petista no quadro geral da pesquisa. Além do ex-presidente, o único a ganhar espaço numa eventual disputa presidencial foi Michel Temer, que tinha entre 1% e 2% em abril e, há dois meses, aparece com índices que variam de 4% a 6%.
Acima da média
Pesquisa realizada pelo Instituto Bahia Pesquisa e Estatística (Babesp), há uma semana, no entanto, comprova os dados do Datafolha. Segundo o estudo, o ex-presidente Lula segue na liderança folgada das intenções de voto para 2018. Com 49%, na capial baiana, o petista está a frente na pesquisa espontânea. Na fila, José Serra (PSDB) vem logo a seguir, com 21,4%. Marina Silva (Rede) tem 9,4% e o juiz Sérgio Moro — um dos responsáveis pelos processos da Operação Lava Jato — tem 4%. Dos entrevistados, 5,4% ainda não sabem em quem votar e 7,9% disseram que anulariam o voto.
No cenário nacional, é Marina Silva que vem na segunda posição, com 17%, de acordo com o Datafolha. O senador Aécio Neves (PSDB-MG) aparece tecnicamente empatado com a líder do partido Rede Sustentabilidade, com 14%. Em seguida aparecem Jair Bolsonaro (PSC), com 7%, Ciro Gomes (PDT), com 5%, Michel Temer (PMDB), com 5%, Luciana Genro (PSol), com 2%, Ronaldo Caiado (DEM), com 1%, e Eduardo Jorge (PV), também com 1%. Votariam em branco ou nulo 18%, e 7% não opinaram.
O panorama observado há 60 dias, no entanto, não difere muito do momento atual ou do instante observado em outra pesquisa, realizada em abril deste ano, com os mesmos nomes. Lula tinha 21% e estava empatado com Marina, que aparecia com 19%. No mesmo patamar que a ex-senadora, Aécio tinha 17%, e em seguida vinham Bolsonaro, com os mesmos 8%, Ciro Gomes, que tinha 7%, Luciana Genro, com os mesmo 2%, Michel Temer, que tinha 2%, e Ronaldo Caiado e Eduardo Jorge, que mantiveram o 1% anterior. Havia ainda 17% que votariam em branco ou nulo e 5% que não opinaram.
Lula segue com desempenho acima da média entre os mais pobres e menos escolarizados, e é ultrapassado pelos adversários conforme o avanço da renda e do nível de escolaridade. Entre os que estudaram até o ensino fundamental, 30% votariam no petista neste cenário; entre os que estudaram até o ensino médio, esse índice cai para 20%, e fica em 13% na parcela que estudou até o ensino superior.
Na fatia dos mais pobres, com renda mensal familiar de até 2 salários, 28% votariam em Lula. No segmento com renda de 2 a 5 salários, esse índice cai para 17%; entre quem mora em domicílios com renda de 5 a 10 salários, fica em 14%; e na fatia dos mais ricos, com renda familiar superior a 10 mínimos, atinge 11%. O petista também tem ampla vantagem no Nordeste, com 39% das intenções de voto, com larga vantagem sobre Marina, que aparece com 17%.
Empate com Bolsonaro
Segundo o Datafolha, nos segmentos dos mais escolarizados e mais ricos há uma disputa acirrada pela preferência dos brasileiros. Entre quem estudou até o ensino superior, Maria tem 18% das intenções de voto, e na sequencia aparecem Lula (13%), Bolsonaro (13%), Aécio (12%) e Ciro (7%). Na parcela da população com renda mensal familiar de 5 a 10 salários, Bolsonaro tem 19%, Aécio, 16%, Lula, 14%, e 11% preferem Marina. Entre quem tem renda familiar superior a 10 salários, Bolsonaro fica com 16%, Ciro tem 15%, Marina, 14%, Aécio, 12%, Lula, 11%, e Temer, 9%.
Com Alckmin como candidato do PSDB, Lula é escolhido por 23%, Marina fica com 18%, e o tucano, com 8%. Esse índice coloca Alckmin em situação de empate com Bolsonaro (8%), Temer (6%) e Ciro (6%), e na sequência aparecem Luciana Genro (2%), Caiado (2%) e Eduardo Jorge (1%). Os votos em branco ou nulo somam 20%, e 7% não opinaram.
O mesmo cenário, em abril deste ano, mostrava Lula com 23%, empatado com Marina (23%). Em seguida apareciam Alckmin (9%), Ciro Gomes (8%), Bolsonaro (8%), Luciana Genro (2%), Michel Temer (2%), Eduardo Jorge (1%) e Ronaldo Caiado (1%), além dos 18% que votariam em branco ou anulariam e 6% que não opinaram.
Lula vence em qualquer cenário
Na simulação em que Serra representa a candidatura do PSDB, Lula continua com 23%, e Marina fica com 17%. O senador paulista aparece na sequência, com 11%, no mesmo patamar de Bolsonaro (7%). Em seguida pontuam Ciro Gomes (6%), Temer (6%), Luciana Genro (2%), Ronaldo Caiado (2%) e Eduardo Jorge (1%). Votariam em branco ou nulo 19%, e 7% não opinaram sobre a disputa.
Em abril, Lula e Marina tinham 22% no mesmo cenário, e em seguida apareciam Serra (11%), Ciro (7%), Bolsonaro (7%), Luciana Genro (2%), Temer (2%), Caiado (1%) e Eduardo Jorge (1%). Votos em branco ou nulo somavam 19%, e 7% não opinaram.
Por fim, no último cenário apresentado, que incluiu o juiz Sérgio Moro (sem partido), além de Serra, Aécio e Alckmin – para que essa disputa fosse possível, os três tucanos teriam que disputar a eleição por partidos diferentes – e os demais nomes já listados nas simulações anteriores, Lula também lidera de forma isolada. O petista tem 22% das intenções de voto, contra 14% de Marina, 10% de Aécio, 8% de Moro, 6% de Bolsonaro, 5% de Serra, 4% de Ciro, 4% de Temer, 4% de Alckmin, 2% de Luciana Genro, 1% de Caiado, e 1% de Eduardo Jorge. Uma parcela de 14% votaria em branco ou nulo, e 6% não opinaram.
Na pesquisa anterior, o cenário com os mesmos nomes tinha Lula com 21%, seguido por Marina (16%), Aécio (12%), Moro (8%), Bolsonaro (6%), Ciro (6%), Serra (5%), Alckmin (5%), Luciana Genro (2%), Caiado (1%), Eduardo Jorge (1%) e Temer (1%). Votos em brancos e nulos somavam 13%, e 4% não opinaram.
Na pesquisa espontânea, quando nenhum nome é apresentado aos entrevistados, Lula tem 6% das citações para a disputa presidencial, no mesmo patamar de Aécio (4%) e Bolsonaro (3%) e Dilma (2%). Também são mencionadas espontaneamente Marina (1%), Temer (1%) e Ciro Gomes (1%), entre outros com menos de 1%. A maioria (64%), porém, não cita nenhum nome.
Após atingir seu índice mais alto em março deste ano, a rejeição ao ex-presidente Lula voltou a cair, mas o petista continua sendo o nome mais rejeitado entre os testados para a corrida eleitoral. Em março, 57% declaravam que não votariam de jeito nenhum em Lula, taxa que caiu para 53% em abril e agora está em 46%, a mais baixa desde novembro de 2015, quando 47% rejeitavam o petista.
A rejeição a Aécio também recuou entre abril e julho, de 33% para 29%, enquanto a rejeição a Temer passou de 27% para 29% no mesmo período. Em seguida aparecem Serra (19%, ante 21% em abril), Bolsonaro (19%, ante 15% em abril), Marina Silva (17%, ante 20% em abril), Alckmin (16%, ante 19% em abril), Ciro Gomes (13%, ante 15% em abril), Luciana Genro (12%, ante 15% em abril), Ronaldo Caiado (10%, ante 12% em abril), Eduardo Jorge (10%, ante 12% em abril) e Sérgio Moro (9%, mesmo resultado de abril). Há ainda 7% que rejeitam todos, 3% que não rejeitam nenhum e 5% que não opinaram.
Rejeição
A rejeição a Lula cresce de acordo com o grau de escolaridade e renda familiar dos entrevistados. Entre quem estudou até o ensino fundamental, é de 36%, vai a 49% entre os que estudaram até o ensino médio, e atinge 53% entre os que chegaram ao ensino superior. Na parcela dos mais pobres, com renda mensal familiar de até 2 salários, 38% não votariam de jeito nenhum em Lula.
Entre quem recebe de 2 a 5 salários, o índice sobe para 51%, vai a 58% entre os que ganham de 5 a 10 salários, e atinge 62% na fatia dos mais ricos, com renda superior a 10 salários. Também há grande variação regional na rejeição ao petista: no Nordeste, 27% dizem que não votariam de jeito nenhum no ex-presidente; no Norte, são 42%; no Centro-Oeste, 52%; no Sudeste, 53%; e no Sul, 55%.
Na fatia dos mais escolarizados, a rejeição a Temer (36%), Aécio (35%) e Bolsonaro (33%) também fica acima da média. Entre os mais ricos, a situação é similar: 41% rejeitam o tucano, 37% rejeitam Bolsonaro, e a eles se juntam Marina Silva, rejeitada por 26% do segmento, e Luciana Genro, por 23%. O senador mineiro também enfrente rejeição acima da média no Nordeste (36%), assim como Michel Temer (36%).
Nas situações de 2º turno consultadas pelo Datafolha, Lula se recuperou no embate direto com os tucanos e diminuiu a desvantagem em relação à Marina Silva. A ex-senadora, por sua vez, ganharia de todos os nomes do PSDB consultados. A comparação, neste caso, é com levantamento realizado em novembro do ano passado.
Lula e os alfaiates
Para o jornalista baiano Emiliano José, em artigo publicado no blog Conversa Afiada, do editor Paulo Henrique Amorim, Lula segue como contraponto. “Lula agride os bem-pensantes, os homens brancos engravatados de paletó preto, os jornalistas acomodados à ideologia da Casa-Grande, àquela parcela das camadas médias cuja repulsa a pobres é visceral. Ele é uma irrupção vinda das camadas mais pobres, sem eira nem beira, sem paletó preto gravata e diploma, inaceitável para um País cuja história está marcada a ferro e a fogo por quase 400 anos de escravidão”.
Emiliano José dispara: “Um nordestino pobre não tinha o direito de chegar à presidência da República”.
E acrescenta: “Além disso, não se vergar, não se curvar aos costumes dominantes, não assumir os trejeitos da Casa-Grande, e desenvolver políticas voltadas àquela gentinha tão desprezível, de operários aos catadores de papel. Não tinha o direito de inventar bolsa-família, prouni, pronatec, espalhar universidades públicas, institutos federais, essa baboseira toda. Claro, se não ganharam no voto, vai na tora mesmo, vai no golpe. Está certo, o problema é essencialmente político. Mas, é um problema político muito especial. Lula é o primeiro estranho no ninho a chegar à presidência da República, sempre ocupada por homens engravatados de paletó preto”.
Leia, adiante, um trecho do artigo:
“Não tem jeito: recorro às lições da história para tentar explicar as pretensões dos inimigos de Lula, desejos contidos que sejam.
“Lembro da Revolução dos Alfaiates, dos quatro condenados à morte: João de Deus do Nascimento, Manuel Faustino Santos Lira, Lucas Dantas do Amorim Torres e Luiz Gonzaga das Virgens e Veiga. Foram enforcados na Praça da Piedade, dia 8 de novembro de 1799. Mortos para dar o exemplo, descartado um monte de gente da elite envolvida na conspiração. Sempre assim.
“Os quatro foram esquartejados.
“Pedaços dos corpos expostos em lugares públicos para serem vistos por todos.
“De modo a horrorizar, um efeito-demonstração do terror.
“Durante cinco dias, a população de Salvador olhou nos olhos mortos dos quatro mártires, para suas cabeças despregadas dos corpos, alternando sentimentos de compaixão e indignação.
“Terror, consciente.
“Dia 13 de novembro, as cabeças cortadas, outras partes dos corpos foram retiradas e enterradas, única forma de acabar com o odor exalado pela putrefação dos restos retalhados dos cadáveres.
“A Coroa portuguesa não podia, ou não queria, deixar florescer a ideia da revolução democrático-burguesa, cuja influência crescia na esteira da Revolução Francesa.
“E a Revolução dos Alfaiates, com negros e pobres participando, insinuava uma igualdade que suprimisse a escravidão, inaceitável para a Coroa e também para as elites locais.
“Da mesma forma, inaceitável tenha Lula iniciado um processo de ascensão dos pobres no Brasil, conferindo-lhe, além da melhoria das condições de vida, o estatuto de cidadãos, pois milhões estavam excluídos de tudo quando ele ascendeu à presidência da República.
“Não podem esquartejá-lo.
“Querem, mas não podem”, conclui.
Fonte: Yahoo
Lula denuncia desespero da Lava Jato para impedir sua candidatura
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva emitiu uma nota em 26/8/16 denunciando as arbitrariedades da Operação Lava Jato para inviabilizar sua candidatura à Presidência em 2018. “O povo está percebendo, a cada dia com mais clareza, os movimentos da mídia, dos partidos adversários do PT e de agentes do Estado, que não atuam de forma republicana, para afastar Lula do processo político, por vias tortuosas e autoritárias”, afirma o comunicado.
Ricardo Stuckert Filho
Leia a íntegra da nota:
O relatório do delegado Marcio Anselmo sobre o Edifício Solaris, divulgado nesta sexta-feira (26), é a prova cabal de que, após dois anos de investigações marcadas por abusos e ilegalidades, os operadores da Lava Jato não encontraram nenhuma prova ou indício de envolvimento do ex-presidente Lula nos desvios da Petrobras.
Não encontraram porque este envolvimento nunca existiu, como bem sabe a Lava Jato. Mas seus operadores não podem admitir, publicamente, que erraram ao divulgar, por tanto tempo e com tanto estardalhaço, falsas hipóteses e ilações. Por isso, comportam-se de forma desesperada, criando factoides para manter o assunto na mídia. O relatório do delegado Anselmo é “uma peça de ficção”, de acordo com a defesa de Lula.
Lula não é e nunca foi dono do apartamento 164-A do Solaris nem de qualquer imóvel além dos que declara no Imposto de Renda. O relatório do delegado Anselmo não acrescenta nada aos fatos já conhecidos. É uma caricatura jurídica; um factoide dentre tantos criados com a intenção de levar Lula a um julgamento pela mídia, sem provas e sem direito de defesa.
É simplesmente inadmissível indiciar um ex-presidente por suposta (e inexistente) corrupção passiva, a partir de episódios transcorridos em 2014, quatro anos depois de encerrado seu governo. É igualmente inadmissível indiciar pelo mesmo suposto crime o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamoto, que também não é servidor público.
Mais grave, injusto e repugnante, no entanto, é o indiciamento de Marisa Letícia Lula da Silva. Trata-se de mesquinha vingança do delegado e de seus parceiros na Lava Jato, a cada dia mais expostos perante a opinião pública nacional e internacional, pelos abusos sistematicamente cometidos.
Esta mais recente violência da Lava Jato contra Lula e sua família só pode ser entendida por 3 razões:
O desespero dos operadores da Lava Jato, que não conseguiram entregar para a imprensa a mercadoria prometida, ou seja: provas contra Lula nos desvios da Petrobras.
Trata-se de mais uma retaliação contra o ex-presidente por ter denunciado os abusos da Lava Jato à Corte Internacional de Direitos Humanos da ONU;
É mais um exemplo da sistemática sintonia entre o calendário da Lava Jato e a agenda do golpe, tentando criar um “fato novo” na etapa final do processo de impeachment.
O povo brasileiro reconhece Lula como o melhor presidente que o país já teve, o que está claro nas pesquisas sobre as eleições de 2018. O povo está percebendo, a cada dia com mais clareza, os movimentos da mídia, dos partidos adversários do PT e de agentes do Estado, que não atuam de forma republicana, para afastar Lula do processo político, por vias tortuosas e autoritárias.
Têm medo de Lula e têm pavor da força do povo no processo democrático.
Fonte: Portal Vermelho
Exclusivo: a delação que Janot jogou no lixo
PGR anula acordo do empreiteiro Léo Pinheiro, da OAS, descartando revelações pesadíssimas contra Lula – e que mencionam também Dilma, Aécio e Serra
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, tomou a decisão mais controversa da Operação Lava-Jato na semana passada. Diante da repercussão da reportagem de capa de VEJA, Janot informou que as negociações de delação do empreiteiro Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, estão encerradas. O vasto material produzido ao longo de cinco meses de tratativas entre a Procuradoria e o empreiteiro foi enviado para o incinerador, eliminando uma das mais aguardadas confissões sobre o escândalo de corrupção na Petrobras.
Para quem vive atormentado desde 2014, quando surgiu a Lava-Jato, a decisão de Janot representa um alívio ou até a salvação. Léo Pinheiro se preparava para contar os detalhes de mais de uma década de simbiose entre o poder e a corrupção. Em troca de uma redução de pena, o empreiteiro ofereceu aos investigadores um calhamaço com mais de setenta anexos. São capítulos que mostram como a corrupção se apoderou do Estado em diversos níveis.
VEJA teve acesso ao conteúdo integral de sete anexos que o procurador-geral decidiu jogar no lixo. Eles mencionam o ex-presidente Lula, a campanha à reeleição da presidente afastada Dilma Rousseff e, ainda, dois expoentes do tucanato, o senador Aécio Neves e o ministro José Serra. A gravidade das acusações é variável. Para Lula, por exemplo, as revelações de Léo Pinheiro são letais. Lula é retratado como um presidente corrupto que se abastecia de propinas da OAS para despesas pessoais. O relato do empreiteiro traz à tona algo de que todo mundo já desconfiava, mas que ninguém jamais confirmara: Lula é o verdadeiro dono do famoso tríplex no Guarujá, no litoral de São Paulo — comprado, reformado e mobiliado com dinheiro de uma conta em que a OAS controlava as propinas devidas ao PT.
O tríplex do Edifício Solaris é o tema de um dos anexos que narram crimes praticados pelo ex-presidente. O empreiteiro conta que, em 2010, soube, por intermédio de João Vaccari, então tesoureiro do PT, que Lula teria interesse em ficar com o imóvel no prédio. Vaccari, que está preso, pediu ao empreiteiro que reservasse a cobertura para o ex-presidente. Não perguntou o preço. E quem pagou? Léo Pinheiro responde: “Ficou acertado com Vaccari que esse apartamento seria abatido dos créditos que o PT tinha a receber por conta de propinas em obras da OAS na Petrobras”. Ou seja: dinheiro de propina pagou esse pequeno luxo da família Lula. Para transformar o que era um dúplex em um tríplex mobiliado, a conta, segundo a perícia, ficou em pouco mais de1 milhão de reais. Pinheiro esclarece até mesmo se Lula sabia que seu tríplex era produto de desvios da Petrobras. “Perguntei para João Vaccari se o ex-presidente Lula tinha conhecimento do fato, e ele respondeu positivamente”, diz o anexo.
Respostas
O senador Aécio Neves rechaça as afirmações atribuídas ao sr. Leo Pinheiro e divulgadas por VEJA.
Trata-se de repetição das mesmas citações já publicadas há dois meses, sem a apresentação de quaisquer elementos ou provas que as atestem.
A correção e regularidade dos procedimentos de execução das obras da Cidade Administrativa de MG foram atestadas pelos órgãos públicos de controle do Estado e por empresa de gerenciamento e auditoria externa, contratada por meio de processo de licitação.
É falsa a afirmação de que Aécio Neves teria “um operador”. As doações feitas pela OAS ao PSDB estão devidamente registradas na Justiça Eleitoral e ocorreram dentro da legalidade.
Em nota, o ministro José Serra afirma que a reportagem de VEJA desta semana, que o menciona, “infelizmente não seguiu um preceito básico do jornalismo: ouvir o outro lado. Caso o tivesse feito, teria evitado equívocos. Saberia, por exemplo, que, ao contrário do que dá a entender a matéria, a licitação, a assinatura do contrato e o início das obras do trecho sul do Rodoanel aconteceram em 2006. O mandato de José Serra no governo de São Paulo teve inicio em 1º de janeiro de 2007. Os dois dirigentes da área de transportes mencionados na matéria concluíram suas funções em 2006 e não continuaram em seus cargos na nova administração. Ao assumir o governo paulista, José Serra determinou, sim, a renegociação desse contrato, reduzindo seus custos em quase 4%. A economia para os cofres públicos foi de R$ 174 milhões –equivalentes a R$ 300 milhões a preços atuais.”
Juízes afirmam que Gilmar Mendes age contra a Lava Jato
Irritados com ministro do Supremo, para quem os holerites da toga são o’seu pequeno assalto’, magistrados alegam, por meio de entidade de classe, que ‘intenção’ é decretar o fim das investigações
Gilmar Mendes. Foto: André Dusek/Estadão
Os juízes estão em pé de guerra com o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Em nota divulgada nesta quarta-feira, 24, a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), principal entidade da toga, atacou o ministro por declarações que ele fez sobre os holerites da categoria.
Os juízes afirmam que Gilmar Mendes ‘milita contra as investigações da Operação Lava Jato, com a intenção de decretar o seu fim, e utiliza como pauta a remuneração da magistratura’.
Nesta quarta-feira, um dos colegas de Gilmar Mendes, o Ministro Marco Aurélio defendeu a continuidade da Lava Jato e afirmou que é preciso apurar o vazamento de informações sobre a delação do ex-presidente da OAS Léo Pinheiro. Questionado sobre o que achava da avaliação do colega Gilmar Mendes, que disse que era preciso colocar freios nos procuradores que conduzem as apurações, Marco Aurélio discordou e afirmou que esse é papel da Procuradoria-Geral da República.
“Há o sistema nacional de freios e contrapesos. O Ministério Público vem atuando e reafirmo o que venho dizendo: mil vezes o excesso do que a acomodação. E temos o Judiciário para corrigir possíveis erros de procedimentos”, afirmou.
Em entrevista ao jornal O Globo, Gilmar Mendes cobrou o Conselho Nacional de Justiça para ‘tomar providências’ e frear o que classificou de abusos do contracheque dos juízes.
Gilmar Mendes declarou que os subsídios da magistratura nos Estados chegam a R$ 100 mil mensais. “Como isso é legal, se ninguém pode ultrapassar o teto dos ministros do Supremo, que é de trinta e poucos mil?”, questiona o ministro da Corte máxima.
Para Gilmar, ‘o País virou uma república corporativa em que cada qual, se aproveitando da autonomia administrativa e financeira, faz seu pequeno assalto’. Nesta terça-feira, 23, o ministro já havia chamado para o embate os procuradores da Lava Jato. Ele desferiu o mais contundente ataque à força-tarefa que desvendou o esquema de corrupção na Petrobrás.
“O cemitério está cheio desses heróis”, disse Gilmar, irritado com a citação a seu colega na Corte, Dias Toffoli, em suposta delação do empreiteiro Léo Pinheiro, da OAS.
Gilmar está convencido que ‘o vazamento ocorreu na Procuradoria’.
Em nota, a AMB repudiou suas afirmações. “É lamentável que um ministro do STF, em período de grave crise no País, milite contra as investigações da Operação Lava Jato, com a intenção de decretar o seu fim, e utilize como pauta a remuneração da magistratura. O ministro defende financiamento empresarial de campanha e busca descredibilizar as propostas anticorrupção que tramitam no Congresso Nacional, ao invés de colaborar para o seu aprimoramento.”
“O Judiciário vem sendo atacado e desrespeitado por uma série de iniciativas que visam a enfraquecer a magistratura”, diz o texto. “O questionamento sobre seus vencimentos é uma consequência desse movimento, uma vez que coloca em dúvida a recomposição parcial dos subsídios, já prevista na Lei Orçamentária de 2016, cuja aprovação se arrasta desde julho de 2015, quando o STF enviou a proposta ao Congresso Nacional.”
A entidade dos juízes ressalta que ‘considera inadmissível qualquer ataque vindo de autoridades e instituições ligadas ou não ao Poder Judiciário’.
A nota lembra que Gilmar não é juiz de carreira – antes de chegar ao Supremo, foi procurador da República e chefe da Advocacia-Geral da União no governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB)
“Não serão aceitas manifestações deselegantes e afrontosas, ainda mais feitas por integrantes do Judiciário que não iniciaram carreira na primeira instância, em comarcas de difícil acesso e sujeitas a toda série de limitações, inclusive a terem seus foros incendiados, como ocorreu há poucos dias em Goiatuba, no interior de Goiás.”
A nota é subscrita pelo presidente da AMB, João Ricardo Costa. “O ministro esqueceu de dizer que os magistrados possuem limitações legais e constitucionais a que não estão sujeitas outras carreiras do Estado, estando impedidos de ter outras fontes de renda além da remuneração pelo exercício dos seus cargos, que somente pode ser complementada com a dedicação dentro das salas de aula.”
Os juízes dizem que sustentam ‘outro conceito de magistratura, que não antecipa julgamento de processo, que não adota orientação partidária, que não exerce atividades empresariais, que respeita as instituições e, principalmente, que recebe somente remuneração oriunda do Estado, acrescida da única exceção legal da função do magistério’.
O PROTESTO DOS MAGISTRADOS CONTRA GILMAR MENDES
‘A Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) repudia as declarações do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, de que as instituições do Poder Judiciário se aproveitam da autonomia administrativa e financeira para fazer “seu pequeno assalto”.
O Judiciário vem sendo atacado e desrespeitado por uma série de iniciativas que visam a enfraquecer a magistratura. O questionamento sobre seus vencimentos é uma consequência desse movimento, uma vez que coloca em dúvida a recomposição parcial dos subsídios, já prevista na Lei Orçamentária de 2016, cuja aprovação se arrasta desde julho de 2015, quando o STF enviou a proposta ao Congresso Nacional.
A AMB considera inadmissível qualquer ataque vindo de autoridades e instituições ligadas ou não ao Poder Judiciário. Não serão aceitas manifestações deselegantes e afrontosas, ainda mais feitas por integrantes do Judiciário que não iniciaram carreira na primeira instância, em comarcas de difícil acesso e sujeitas a toda série de limitações, inclusive a terem seus foros incendiados, como ocorreu há poucos dias em Goiatuba, no interior de Goiás.
Além disso, o ministro esqueceu de dizer que os magistrados possuem limitações legais e constitucionais a que não estão sujeitas outras carreiras do Estado, estando impedidos de ter outras fontes de renda além da remuneração pelo exercício dos seus cargos, que somente pode ser complementada com a dedicação dentro das salas de aula.
É lamentável que um ministro do STF, em período de grave crise no País, milite contra as investigações da Operação Lava Jato, com a intenção de decretar o seu fim, e utilize como pauta a remuneração da magistratura. O ministro defende financiamento empresarial de campanha e busca descredibilizar as propostas anticorrupção que tramitam no Congresso Nacional, ao invés de colaborar para o seu aprimoramento.
Sustentamos outro conceito de magistratura, que não antecipa julgamento de processo, que não adota orientação partidária, que não exerce atividades empresariais, que respeita as instituições e, principalmente, que recebe somente remuneração oriunda do Estado, acrescida da única exceção legal da função do magistério.
Dessa forma, a AMB repudia que autoridades se aproveitem de um momento tão fundamental para a democracia para buscar espaço midiático, desrespeitando as instituições. A entidade reforça que é fundamental, cada vez mais, fortalecer o Judiciário como um órgão que tem atuado fortemente a favor do cidadão brasileiro, prezando sua autonomia e independência funcional.
Funcionários públicos garantem alta renda do Sudoeste e da Octogonal
Mais de 68% dos domicílios das regiões vivem com rendimentos superiores a 10 salários mínimos
Fonte: Correioweb
Mais da metade da população economicamente ativa do Sudoeste e da Octogonal tem o Estado como chefe. São 52,28% dos profissionais empregados na Administração Pública – incluindo servidores das esferas federal, distrital e as empresas estatais. Os servidores federais são maioria (64,7%). Os dados foram divulgados na tarde desta quarta-feira (17/8) pela Companhia de Planejamento do Distrito Federal.
A presença de tantos funcionários públicos eleva a renda familiar na região, mais de 68% dos domicílios vivem com rendimentos superiores a 10 salários mínimos. O que mostra que para morar no Sudoeste e na Octogonal é preciso um contra cheque generoso. A renda domiciliar média é de R$ 14.837,77 e a per capita, R$ 6.589,90.
Os altos rendimentos permitem uma vida confortável e bons índices de desenvolvimento humano. Dos imóveis, 50,28% são próprios e quitados. O acesso à internet é de 96,44% e 89,99% das casas possuem um automóvel. Apenas 6,15% usa o ônibus como meio de transporte. Nenhuma criança entre 6 e 4 anos é analfabeta, assim como 55,17% dos habitantes dos bairros têm curso superior completo.
Seguindo a característica brasileira de concentração de renda e cor, 61,75% dos moradores do Sudoeste/Octogonal são brancos. Em relação a religião, 64,95% se declara católico. Entretanto, o engajamento religioso é maior do que o social – apenas 2,67% dos moradores informaram ligação com sindicatos, associações, Organizações Não-Governamentais, cooperativas e grêmios estudantis.
A população do Sudoeste é de 53.262 habitantes e 22.762 domicílios. A maioria dos moradores locais (61,17%) está na faixa etária entre 25 e 59 anos.
Lago Sul é a terceira região do país com maior renda mensal: R$ 27.378
Em primeiro e segundo lugar, estão os bairros de Vila Nova Conceição e Paraíso, respectivamente, ambos em São Paulo
Uma pesquisa realizada pelo Instituto Geofusion apontou o Lago Sul como a terceira região do país que tem a maior renda média por domicílio: os moradores de uma só casa acumulam a bolada de R$ 27.378 mensais. Segundo os dados, o bairro só fica atrás da Vila Nova Conceição (R$ 36.453) e de Paraíso (R$ 27.748), ambos localizados na Grande São Paulo.
O objetivo do estudo, segundo a Geofusion, é mostrar quais são as áreas brasileiras que possuem o maior percentual de moradores ganhando acima de R$ 3.418, valor base para ser considerado pertencente à classe AB. Apesar de o Lago Sul estar atrás de duas regiões paulistas no quesito renda média mensal, é na Asa Sul onde há a maior concentração de moradores pertencentes à classe AB. seguida por Lago Sul e Sudoeste, respectivamente.
Entre os domicílios localizados na Asa Sul, 94,03% pertencem à classe AB, e a renda média das casa deste bairro é de R$ 18.591. Apesar de ter a maior renda média da capital, o Lago Sul fica em segundo lugar na lista de moradores pertencente à classe AB, com 94,02%. Para fechar o pódium, está o Sudoeste, que tem renda média de R$ 15.957 e possui 91,93% dos domicílios na classe AB.
Outros dois bairros do DF também aparecem na lista: Asa Norte e Taguatinga, com rendas mensais de R$ 16.329 e R$10.949, respectivamente.
Prezado Leitor, se você é uma pessoa solitária, quer desabafar ou deseja uma opinião fraterna e desinteressada sobre algum problema que o aflige, escreva-nos carta para o endereço informado no rodapé do site, ou, se preferir, mande e-mail para grandefraternidadebranca @terra2012.com.br.
Todas as correspondências serão respondidas no menor prazo possível.
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