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Depois dos leilões extrajudiciais feitos pelos bancos, agora CEF reduz crédito imobiliário

05/11/2017

Sem recursos, Caixa trava financiamentos e compradores podem perder imóvel

Em setembro, Caixa aumentou para 50% o teto para financiar imóveis usados; quem iniciou o processo mas não assinou contrato até a data da mudança precisará dar entrada maior.

No final de setembro, a professora universiária Ana Brambilla, de 36 anos, recebeu a notícia de que a CEF aprovou seu financiamento imobiliário. Ela daria 30% de entrada e financiaria o restante de um apartamento em São Paulo. Poucos dias depois, o banco mudou as regras do financiamento e passou a exigir que o comprador financie só até 50% do valor do imóvel. Faltando apenas a assinatura do contrato, o processo está parado.

Na agência, Ana recebeu a informação de que as condições acertadas com a Caixa seriam mantidas. Mas o prazo de 30 dias para assinar o contrato e o banco pagar os recursos terminou sem que o dinheiro fosse liberado.

Caixa Econômica é o principal banco que financia a habitação no país (Foto: Marcelo Brandt/G1)Caixa Econômica é o principal banco que financia a habitação no país (Foto: Marcelo Brandt/G1)

Caixa Econômica é o principal banco que financia a habitação no país (Foto: Marcelo Brandt/G1)

A Caixa informou ao G1 que os clientes que não assinaram o contrato até a data da mudança, 25 de setembro, independente de já terem carta de crédito aprovada, estarão enquadrados na regra nova. Ou seja, eles precisarão aumentar o valor da entrada para não perder a compra do imóvel usado.

O Procon tem um entendimento diferente, de que “a oferta vincula o fornecedor” e recomenda que os clientes lesados busquem seu direito em um órgão de defesa do consumidor ou na Justiça (leia mais abaixo).

 

Sonho perdido

 

A funcionária pública Fabiana Lourenço, de 36 anos, adiou a compra da casa própria após a alteração das regras da Caixa. Com dinheiro para dar 20% de entrada em um imóvel usado em Franco da Rocha (SP), ela teve o financiamento aprovado antes da mudança. Mas, o contrato não foi assinado a tempo, a exigência da entrada subiu para 50%. Ela desistiu do negócio e vai continuar morando na casa de seus pais, junto com a filha, de 6 anos.

 

“É um sonho que fica para trás”, lamenta. “Eles mudaram a regra do jogo no meio do jogo. Estou me sentindo lesada.”

 

Fabiana perdeu o apartamento que estava comprando, mesmo após ter o financiamento aprovado. (Foto: Arquivo Pessoal)Fabiana perdeu o apartamento que estava comprando, mesmo após ter o financiamento aprovado. (Foto: Arquivo Pessoal)

Fabiana perdeu o apartamento que estava comprando, mesmo após ter o financiamento aprovado. (Foto: Arquivo Pessoal)

Os casos de Ana e Fabiana não são exceções. Situações como as delas são relatadas em um grupo de Whatsapp que tem dezenas de participantes que compartilham problemas com a Caixa. Há várias pessoas que já se mudaram para o imóvel comprado após o pagamento da entrada, e agora temem precisar deixar a casa nova.

“Já estou morando na casa, mas não posso furar nada nas paredes”, reclamou uma usuária. “O que eles estão fazendo é um verdadeiro absurdo. Destruindo sonhos, eu estou revoltada.”

Grupo de Whatsapp foi criado para reunir pessoas que estão tendo dificuldades para assinar contrato de financiamento com a Caixa (Foto: Reprodução)Grupo de Whatsapp foi criado para reunir pessoas que estão tendo dificuldades para assinar contrato de financiamento com a Caixa (Foto: Reprodução)

Grupo de Whatsapp foi criado para reunir pessoas que estão tendo dificuldades para assinar contrato de financiamento com a Caixa (Foto: Reprodução)

Compradores e vendedores de imóveis reclamam da indefinição de seus processos de financiamento com aCaixa (Foto: Reprodução)Compradores e vendedores de imóveis reclamam da indefinição de seus processos de financiamento com aCaixa (Foto: Reprodução)

Compradores e vendedores de imóveis reclamam da indefinição de seus processos de financiamento com aCaixa (Foto: Reprodução)

 

Falta de recursos

 

Com cerca de 70% de participação no crédito imobiliário do país, a Caixa surpreendeu o mercado ao tomar uma série de medidas que restringiram o acesso aos financiamentos da casa própria, inclusive com recursos subsidiados (a juros mais baixos). Veja algumas medidas adotadas este ano:

 

  • Reduziu para 50% o limite de financiamento de imóveis usados;
  • Encerrou a linha pró-cotista do FGTS, a mais barata depois do Minha Casa, Minha Vida;
  • Passou a adotar limites mensais na liberação do crédito imobiliário;
  • Foi o único banco que não reduziu os juros neste ano diante dos cortes da taxa Selic;
  • Deixou de ser o banco com as menores taxas para financiar a casa própria (veja a tabela abaixo)

 

Em agosto, a Caixa já tinha reduzido o limite para financiar de 90 para 80% do valor do imóvel. Para imóveis usados, o banco fez dois cortes este ano: um primeiro em agosto, de 70% para 60%, e, agora, o para 50%

“Todos os financiamentos, segundo aquilo que foi passado pra gente, vão perder (as condições simuladas). Não tem o que fazer. O que foi passado para o gerente é tentar direcionar o cliente para os 50% de entrada, o que é impossível”, revela um correspondente da Caixa, que falou ao G1 sob condição de anonimato.

A medida atingiu linhas que usam recursos do FGTS (Minha Casa Minha Vida e pró-cotista) e da poupança (SBPE). Na outra ponta, os principais concorrentes do banco mantiveram ou até aumentaram o teto de financiamento do imóvel, entre 80% e 90%.

O correspondente da Caixa diz que a ordem é segurar o crédito. Segundo ele, há vários processos de financiamento “prontos para serem assinados”, mas que estão parados por falta de recursos.

 

“Eu estava com quatro processos em conformidade para gerar a minuta do contrato. Tudo pronto para ser assinado. A Caixa barrou”, contou o correspondente .

 

Em outubro, o superintendente da Caixa em São Paulo, Clayton Rosa Carneiro, disse ao G1 que não faltam recursos para os financiamentos, já que o banco liberou em 2017 um volume de crédito maior que no ano passado. Mas ele admitiu que há uma programação para a liberação dos recursos.

“Estamos adotando um controle de dotação mensal porque houve um descompasso entre oferta e demanda”.

 

Compra pela metade

 

Ao ter a proposta de financiamento aprovada, Ana pagou a entrada de 30% do valor do imóvel. Para isso, ela usou seu Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), somado a um valor economizado por seu marido, e deu uma entrada no apartamento. Com o financiamento travado, a professora não pode transferir o financiamento para outro banco porque sua conta do FGTS foi zerada.

 

“O meu FGTS está todo sequestrado pela Caixa, 19 anos de trabalho. Está numa conta que eu não sei qual é, num limbo”, reclama Ana.

 

“Não consegui assinar [o contrato] e não consegui falar com mais ninguém. Liguei na ouvidoria, mandei tweet, é um silêncio absoluto”, reclama Ana sobre a falta de retorno da Caixa.

Fabiana também lançou mão de seu FGTS e pagou o valor da entrada acertado no momento em que o fnanciamento havia sido aprovado. Além disso, as duas ainda tiveram despesas com documentação, taxa, abertura de contas e a vistoria exigida pelo banco, no valor de R$ 750.

Para Fátima Lemos, do Procon-SP, o consumidor pode fazer uma reclamação no Banco Central, procurar o órgão de defesa de sua região ou mesmo acionar a Justiça. Na sua avaliação, em alguns casos cabe também o ressarcimento de outros danos materiais, como o pagamento de aluguel.

“Houve a simulação, aprovação de crédito, toda a fase pré-contratual em que o fornecedor colocou as condições do financiamento e o valor que o consumidor tinha que dispor naquele momento. A princípio, o banco teria que cumprir com a oferta que foi feita, naquelas condições”, explica Lemos.

 

Venda pela metade

 

Se a situação é um transtorno para quem tenta comprar um imóvel, para quem precisa vender não é diferente. A professora Josielli dos Santos e o marido, o projetista Thiago Brum, colocaram seu apartamento à venda, em Limeira (SP) para comprar uma casa maior com o valor. Conseguiram comprador, que deu um valor de entrada, e a Caixa aprovou o financiamento do restante.

Comprador do imóvel de Thiago e Josielli pagaram a entrada e o casal entregou o imóvel. Com a demora da Caixa para liberar o financiamento do restante do valor, eles correm o risco de perder o negócio. (Foto: Arquivo pessoal)Comprador do imóvel de Thiago e Josielli pagaram a entrada e o casal entregou o imóvel. Com a demora da Caixa para liberar o financiamento do restante do valor, eles correm o risco de perder o negócio. (Foto: Arquivo pessoal)

Comprador do imóvel de Thiago e Josielli pagaram a entrada e o casal entregou o imóvel. Com a demora da Caixa para liberar o financiamento do restante do valor, eles correm o risco de perder o negócio. (Foto: Arquivo pessoal)

O casal então entregou o apartamento, mas segue aguardando a liberação do crédito pela Caixa. O prazo já se esgotou e o valor não foi liberado.

 

“Eu estou na casa da minha mãe. A compradora está entendendo que pode ter que sair, mas é uma situação chata. Ela já havia se acomodado”, lamenta Josielli.

 

Procurada por Josielli, a Caixa alegou falta de recursos. A família compradora pode perder o imóvel e o casal, a casa para onde iam se mudar.

 

Financiamento travado

 

A decisão da Caixa de segurar o crédito imobiliário afeta diretamente os clientes que compraram imóveis novos e usados. Apesar de a regra para imóveis novos não ter mudado, compradores reclamam da demora em liberar recursos de financiamento já aprovados.

É o caso do secretário Jefferson Bruno de Lima, de 28 anos. Em março, ele acertou a compra de uma casa nova em um condomínio em Mogi das Cruzes (SP). Pagou 20% de entrada para o construtor e teve o financiamento do restante aprovado pela Caixa. Mas ele espera há quase dois meses a liberação dos recursos.

 

“Eu gastei R$ 20 mil em móveis planejados, comprei geladeira. Vendi meu carro para pagar parte da entrada. Rescindi meu contrato de aluguel. Hoje estou morando na casa de um amigo, com todas as minhas coisas guardadas em caixas, esperando”, conta ele.

 

Jefferson tentou transferir seu financiamento para outro banco, o Itaú, mas conta que as condições não são convidativas. Ele precisaria dar um valor maior de entrada, o que não conseguiria fazer. “Sinceramente, estou quase desistindo. Sabe quando você se vê sem opção?”

 

Crédito restrito

 

Caixa Econômica Federal, em Manaus (Foto: Suelen Gonçalves/ G1 AM)Caixa Econômica Federal, em Manaus (Foto: Suelen Gonçalves/ G1 AM)

Caixa Econômica Federal, em Manaus (Foto: Suelen Gonçalves/ G1 AM)

Economistas apontam que a Caixa pode ter ficado mais criteriosa na concessão dos financiamentos imobiliários para melhorar a qualidade de sua carteira crédito e reduzir o perfil de risco frente a exigências do setor bancário.

Em nota, o banco diz que, além de aumentar o valor mínimo de entrada para financiar imóveis usados, passou a estabelecer “dotação orçamentária mensal para utilização dos recursos do FGTS do Programa Minha Casa Minha Vida”.

Segundo a Caixa, a estratégia serve para “cumprir o orçamento anual disponível até dezembro”. “Quanto às modalidades de créditos que possuem orçamento segregado por UF, a Caixa esclarece que em alguns estados o orçamento esgotou, mas poderá ser retomado no mês de novembro”, informa.

O banco não tem recursos suficientes para cumprir regras mais rígidas do sistema financeiro que entram em vigor no ano que vem e está negociando empréstimo de R$ 10 bilhões com o FGTS

 

Fim do pró-cotista

 

Em junho, a Caixa encerrou a linha de crédito pró-cotista, a mais barata depois do Minha Casa, Minha Vida, por falta de recursos do FGTS. O banco vai reabrir a linha em 2018, mas com orçamento só de R$ 5 bilhões, ou seja, redução de 35% em relação a 2017

Após a Caixa encerrar a linha, a única alternativa para financiar pelo pró-cotista é o Banco do Brasil, que cobra juros de 9% ao ano, mais a taxa referencial (TR). Nas demais linhas de crédito, o juro é maior (veja tabela abaixo).

Condições do financiamento imobiliário (nov/17)

BANCO JUROS SFH JUROS SFI JUROS PRÓ-COTISTA TETO FINANCIADO
Caixa a partir de 10,25% ao ano + TR a partir de 11,25% ao ano + TR linha esgotada Até 80% (novos) e até 50% (usados)
Banco do Brasil a partir de 9,24% ao ano + TR a partir de 10,15% a.a. mais TR 9% ao ano + TR Até 80% (SFH) e até 90% (pró-cotista e MCMV)
Itaú Unibanco a partir de 9,3% ao ano + TR a partir de 9,9% ao ano + TR não possui Até 82%
Bradesco a partir de 9,5% ao ano + TR a partir de 9,5% ao ano + TR não possui Até 80%
Santander a partir de 9,49% ao ano + TR a partir de 9,99% ao ano + TR não possui Até 80%
Fonte: Bancos

Segundo o especialista em mercado imobiliário Marcelo Prata, a tendência é que os recursos subsidiados da Caixa, como as linhas que usam recursos do FGTS, sejam menos direcionados para a classe média (perfil dos mutuários do pró-cotista), ficando mais restritos a programas sociais e de habitação como o Minha Casa, Minha Vida, voltados para famílias de renda mais baixa.

Para o professor da EESP (Escola de Economia de São Paulo) da Fundação Getulio Vargas Alberto Ajzental, os recursos da poupança devem suprir a oferta de crédito imobiliário no futuro. “É provável que a retomada do crédito imobiliário no próximo ano se dê com os recursos da poupança, na medida em que a economia vai ficando mais estável”, diz.

 

Movimento para outros bancos

 

Os especialistas acreditam que os compradores da classe média acabarão migrando automaticamente para os bancos privados. “A vocação natural da Caixa são os programas sociais e o banco deve priorizar isso daqui para frente”, aponta Prata.

Os bancos privados estão acirrando a concorrência com a Caixa no crédito imobiliário este ano. Eles anunciaram neste ano uma série de reduções dos juros do crédito imobiliário, mas a Caixa manteve as taxas praticadas em 2016, deixando de ser o banco com menor taxa de juros

“Desde a crise de 2014, sempre que a Caixa anunciava um ‘pacote de maldades’, os bancos privados seguiam seus passos num ‘efeito manada’, mas desta vez foi o contrário”, avalia Prata. “Enquanto a Caixa restringiu o crédito, os outros bancos anunciaram a redução de juros e mantiveram o teto do valor do imóvel”.

O especialista acredita que os principais concorrentes da Caixa estão amadurecendo seus produtos no segmento imobiliário, o que abre espaço para avançar em participação de mercado em um momento em que o banco estatal está mais restritivo.

Prata acredita que a diluição da participação da Caixa no crédito imobiliário também abre espaço para baratear os financiamentos pelo Custo Efetivo Total (CET), que envolve todas as taxas da operação como seguro e impostos, além dos juros.

“A maior competição pelo crédito imobiliário tem um alto impacto no valor das prestações, como o preço do seguro, uma vez que, com mais bancos atuando, mais seguradoras são envolvidas”.

Já na avaliação de Ajzental, o fato de a Caixa ter aberto mão de parte deste mercado não significa, necessariamente, que os outros bancos terão interesse em absorver toda a demanda que ficou desatendida.

“É provável que os outros bancos até queiram aumentar sua fatia no segmento, mas eles são mais seletos que a Caixa, historicamente, e não significa que vão compensar toda essa restrição. É mais provável que o mercado de crédito como um todo dê uma enxugada”, acredita.

Fonte: G1

Brasil cai de posição no ranking da igualdade entre homens e mulheres

02/11/2017

Brasil cai para a 90ª posição em ranking de igualdade entre homens e mulheres

No relatório do ano passado do Fórum Econômico Mundial, país ficou no 79º lugar em lista com 144 países. Desigualdade de gêneros voltou a crescer no mundo após 10 anos de avanços.

Brasil caiu para a 90ª posição em ranking do Fórum Econômico Mundial que analisa a igualdade entre homens e mulheres em 144 países. Em 2016, o Brasil ficou em 79 o. lugar. Em 2015, havia ficado na 85ª posição. Na primeira edição da pesquisa, feita em 2006, o Brasil estava em 67º.

Segundo o relatório Global Gender Gap Report 2017, divulgado nesta quinta-feira (2), apesar de igualdade de condições nos indicadores de saúde e educação e de “modestas melhorias” em termos de paridade econômica, as mulheres brasileiras ainda enfrentam acentuada discrepância em representatividade política, o que empurra o índice do Brasil para baixo.

Mais especificamente, as brasileiras sofrem com baixa participação em ministérios e no Legislativo, e salários mais baixos.

No subíndice “Empoderamento Político”, o Brasil caiu da 86ª posição para 110ª. Dos 513 deputados federais, apenas 51 são mulheres (10% do total). No Senado, elas representam 13 das 81 cadeiras (16%). Já no governo do presidente Michel Temer, somente 2 dos 28 ministérios são ocupados por mulheres (7%).

Segundo o relatório, a renda média da mulher corresponde a 58% da recebida pelo homem – mesmo percentual registrado no ano passado. A média salarial em 2017 é estimada em US$ 11.132 (R$ 36.330) para mulheres e US$ 19.260 (R$ 62.860) para homens.

Na saúde e na educação, as brasileiras têm melhores indicadores. Para cada estudante homem do ensino superior brasileiro, elas ocupam 1,4 vaga. Já a expectativa de vida feminina é de 67,8 anos, frente a 63,1 anos da masculina.

O Brasil ficou atrás da Argentina (33º), Colômbia (36º), Peru (48º), Uruguai (56º), Chile (63º) e México (81º). O desempenho do país é o terceiro pior na região que engloba América Latina e Caribe, depois apenas de Paraguai (96º) e Guatemala (110º).

Como destaque positivo no ano, o Brasil foi o único país da América Latina e um dos seis, em meio às 144 nações, a eliminar a desigualdade entre homens e mulheres na área de educação. Em saúde e sobrevivência, a diferença também está próxima do fim.

No que diz respeito à educação, são consideradas a taxa de alfabetização e de matrículas nos ensinos primário e secundário. Na saúde, a análise se dá sobre a razão entre os sexos no nascimento e a expectativa de vida saudável entre eles.

Brasil caiu para a 90ª posição em ranking do Fórum Econômico Mundial de igualdade entre homens e mulheres. Em 2006, estava em 67º (Foto: Divulgação)Brasil caiu para a 90ª posição em ranking do Fórum Econômico Mundial de igualdade entre homens e mulheres. Em 2006, estava em 67º (Foto: Divulgação)

Brasil caiu para a 90ª posição em ranking do Fórum Econômico Mundial de igualdade entre homens e mulheres. Em 2006, estava em 67º (Foto: Divulgação)

 

Desigualdade cresce no mundo após 10 anos de avanços

 

O relatório, que analisa a conjuntura nas áreas de trabalho, educação, saúde e política, mostra que a desigualdade de gênero voltou a crescer no mundo pela primeira vez após uma década de avanços constantes.

O estudo, realizado anualmente desde 2006, aponta que, mantido o ritmo atual, será preciso um século para acabar com a distância global entre homens e mulheres em escala mundial, contra os 83 anos calculados em 2016. Já as diferenças de gênero no local de trabalho persistirão por mais 217 anos, quando no ano passado a previsão era de 170 anos para se atingir este objetivo.

“Em 2017 nós não deveríamos estar vendo o progresso para a paridade de gêneros ter um retrocesso”, afirmou Saadia Zahidi, chefe de educação, gênero e trabalho do Fórum. “A igualdade de gênero é um imperativo moral e econômico. Alguns países entenderam isso e agora estão colhendo os dividendos das medidas tomadas para tratar o tema.”

Este retrocesso se explica pelo aumento da diferença entre homens e mulheres nos quatro pilares estudados pelos especialistas. “As áreas onde as diferenças entre sexos são mais difíceis de superar são economia e saúde”, enquanto “o abismo político entre os sexos é o mais escandaloso…”.

A Islândia se manteve na liderança do ranking de igualdade de gênero, seguida por Noruega e Finlândia.

Entre os países do G20, a França (11ª) ocupa a primeira posição em matéria de igualdade, seguida por Alemanha (12ª), Grã-Bretanha (15ª), Canadá (16ª) e África do Sul (19ª).

Estados Unidos aparece na posição 49ª e China em 100ª.

Entre os 20 mais bem posicionados, há apenas dois representantes latinos: Nicarágua, em 6º lugar, e Bolívia, em 17º lugar.

Oriente Médio e África do Norte são as regiões onde o abismo é maior. Os últimos colocados do ranking são Iêmen, Paquistão, Síria e Chade.

Confra o Top 10 no ranking de igualdade:

 

  1. Islândia
  2. Noruega
  3. Finlândia
  4. Ruanda
  5. Suécia
  6. Nicarágua
  7. Eslovênia
  8. Irlanda
  9. Nova Zelândia
  10. Filipinas

Fonte: G1

Bolívia registra o maior crescimento da América do Sul

30/10/2017

 Bolívia cresce a uma média de 5% há mais de cinco anos 

A Bolívia está há mais de uma década crescendo a uma média anual de 5% – muito superior à dos Estados Unidos e à dos países sul-americanos.

Apesar da crise no preço das commodities, o governo boliviano conseguiu manter o ritmo e foi cuidadoso para não desperdiçar o dinheiro que entrou após a nacionalização do gás e do petróleo em 2006.

O país tem crescido muito graças às exportações de gás natural que vende ao Brasil e à Argentina, o que gera o risco de ancorar seu crescimento a esse recurso. E, embora tenha feito esforços para diversificar a economia (com a venda de diesel, estanho e soja), permanece a pergunta de quanto tempo vai conseguir sustentar seu modelo de desenvolvimento.

Apesar disso, o crescimento ocorrido nos governos do presidente Evo Morales, que está no poder há mais de 10 anos, tem sido chamado de "milagre econômico boliviano".

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Edificio: Analistas do FMI, economistas bolivianos e até a oposição concordam que política econômica de Evo é eficaz | Foto: Getty Images© Getty Images Analistas do FMI, economistas bolivianos e até a oposição concordam que política econômica de Evo é eficaz | Foto: Getty Images
No ano passado, a Bolívia cresceu 4,3%, sendo seguida por Paraguai (4,1%) e Peru (4%). A lista segue com Colômbia (2%), Chile (1,6%) e Uruguai (1,5%).

O desempenho foi bastante alto se comparado ao dos Estados Unidos, que cresceu apenas 1,5%, e com a América Latina, que teve uma retração de 0,9%. O Brasil teve retração de 3,6% em 2016.

No campo político, a gestão de Evo tem sido elogiada por suas reformas inclusivas, mas duramente criticada por suas supostas tendências autoritárias, casos de corrupção e o nascimento de uma chamada "burguesia aymara" – em referência ao povo indígena do qual Evo faz parte.

Embora haja posições distintas em relação à atuação política do governo Morales, sobre a condução da economia os especialistas nacionais e internacionais convergem.

Segundo eles, estes são os três pilares do sucesso econômico da Bolívia:

1. Gás e petróleo
Em 2006, quando Evo Morales decretou a nacionalização dos hidrocarbonetos (como gás e petróleo), a economia boliviana entrou em uma nova era.

Essa fase incluiu, em alguns casos, a transferência de empresas privadas para as mãos do Estado e, em outros, a renegociação de contratos com empresas estrangeiras que continuaram operando no país.

Uma dezena de multinacionais assinaram novos contratos com a estatal YPFB (Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos), concordando em pagar uma taxa de entre 50% e 85% sobre o valor da produção, entre outras coisas.

Trabalhadores da indústria do gás: Em 2006 o governo renegociou os contratos de petróleo e gás com as empresas estrangeiras | Foto: Getty Images© Getty Images Em 2006 o governo renegociou os contratos de petróleo e gás com as empresas estrangeiras | Foto: Getty Images
"O governo aumentou consideravelmente as receitas do Estado", diz o economista Luis Pablo Cuba, professor convidado da Universidade Mayor de San Simón.

"A nacionalização e o imposto direto cobrado sobre os hidrocarbonetos foram alguns dos principais elementos que explicam o alto crescimento econômico", afirma.

A alta nas receitas foi acompanhada de fortes investimentos públicos e de um modelo de desenvolvimento produtivo baseado na demanda interna.

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2. Investimento planejado
"Nos últimos 14 anos, o crescimento econômico foi impulsionado principalmente pelo explosão dos preços das matérias-primas, pelo aumento de impostos, pelos significativos investimentos públicos e pelo alto gasto em políticas sociais", disse um porta-voz do Fundo Monetário Internacional (FMI) à BBC Mundo.

"Durante a explosão das commodities, a pobreza diminuiu e o governo sabiamente guardou uma parte dos recursos, construindo uma grande reserva financeira'", afirma.

Gás natural: O gás natural é a principal fonte de receitas da Bolívia; governo mantém contratos de longo prazo com cotação fixa | Foto: Getty Images© Getty Images O gás natural é a principal fonte de receitas da Bolívia; governo mantém contratos de longo prazo com cotação fixa | Foto: Getty Images
Essa poupança passou de US$ 700 milhões para US$ 20 bilhões, o que permitiu ao governo absorver o impacto da queda nos preços a partir de 2014.

A liderança da Bolívia no crescimento na América do Sul deve ser mantida neste ano e no próximo, segundo as projeções do FMI.

La Paz: O FMI prevê que o país deverá crescer 4,2% neste ano e 4% no próximo | Foto: Getty Images© Getty Images O FMI prevê que o país deverá crescer 4,2% neste ano e 4% no próximo | Foto: Getty Images
Uma análise da economista Nicole Laframboise, publicada no blog do órgão, sugere que outro fator importante foi a queda no uso de dólares (que costumava ser usado em vez da moeda local) há cerca de dez anos.

"Isso ajudou a melhorar a efetividade da política monetária, contribuiu para a estabilidade do setor financeiro e permitiu que mais bolivianos tivessem acesso a crédito e a serviços financeiros", disse a economista.

3. Estabilidade
Tanto economistas do FMI quanto analistas locais concordam que a estabilidade social contribuiu para o crescimento econômico.

Entre 2001 e 2005, a Bolívia teve cinco presidentes e um clima de alta polarização e conflito. O início do mandato de Evo também teve momentos complicados, como o processo constituinte e a oposição política se entrincheirando nas regiões ricas do país.

Mas o radicalismo dos primeiros anos foi diminuindo.

Evo Morales está no poder na Bolívia há mais de dez anos; críticos falam em aumento da corrupção, mas admitem estabilidade | Foto: Getty Images© Getty Images Evo Morales está no poder na Bolívia há mais de dez anos; críticos falam em aumento da corrupção, mas admitem estabilidade | Foto: Getty Images
A isso se somam indicadores de inclusão social que favorecem a estabilidade. A pobreza diminuiu consideravelmente. Em 2004, 63% da população era pobre. Em 2015, esse índice passou a 39%.

A distribuição de renda também melhorou nesse período, de acordo com dados do FMI. A Bolívia passou de país mais desigual da América do Sul a uma posição média no continente.

Esses sucessos beneficiaram a imagem internacional de um país governado por um partido composto por organizações sindicais e centrais agrárias indígenas e camponesas – e que negociaram com o governo um acordo para evitar uma crise.

Boliviana: O percentual de pobres no país passou de 63% em 2004 a 39% em 2015 | Foto: Getty Images© Getty Images O percentual de pobres no país passou de 63% em 2004 a 39% em 2015 | Foto: Getty Images
Adversários políticos do governo criticam o fato de alguns grupos foram excessivamente favorecidos pela entrada de dinheiro e que o crescimento, apesar de trazer benefícios, trouxe também a corrupção de políticos da situação.

Mesmo assim, a oposição reconhece que Evo tem tido uma política econômica segura e pragmática apesar do seu discurso radical - que inclui, por exemplo, a venda de gás através de contratos de longo prazo com cotação fixa, o controle da inflação e a manutenção das reservas fiscais.

Somália é país esquecido

27/10/2017

Alvo de um dos piores atentados, Somália vive no esquecimento

País chorou pelos 358 mortos no maior ataque de sua história

Alvo de um dos piores atentados, Somália vive no esquecimento

© REUTERS/Feisal Omar

No dia 14 de outubro, a Somália foi palco do maior atentado de sua história. Ao todo, 358 pessoas morreram e mais de 270 ficaram feridas. Mas este não foi o único ataque. Há mais de 26 anos, o país vive uma constante guerra civil que, raramente, chega às primeiras páginas do noticiário internacional.    Um caminhão, carregado com centenas de quilos de explosivos, atingiu um cruzamento movimentado em Mogadíscio.

O ataque não foi reivindicado por nenhum jihadista, mas as autoridades somalis atribuíram a ofensiva ao grupo fundamentalista islâmico Al Shabab, que vem aumentando suas ações no centro e no sul do país nos últimos meses.

A Somália é uma das nações que mais registram ataques terroristas no mundo (está na 7ª posição, atrás de Iraque, Afeganistão, Nigéria, Paquistão, Síria e Iêmen, de acordo com o Global Terrorism Index).

Os combatentes do Al Shabab, ligado à Al-Qaeda, tentam derrubar o governo central apoiado pelas Organizações da Nações Unidas (ONU) e pela União Africana (UA), atacando bases militares e alvos civis.Para entender porque o país vive em constante conflito é preciso uma “compreensão da guerra civil na Somália, e da existência e tipo de ação de grupos como o Al Shabab”, explicou o cientista político e professor de Relações Internacionais da Universidade Mackenzie Arnaldo Francisco Cardoso.

“O país africano afirmou sua independência em 1º de julho de 1960, descolonização ocorrida num contexto de disputa ideológica da Guerra Fria cujos reflexos internos podem ser observados durante a guerra com a Etiópia em que a Somália, apoiada pelos Estados Unidos, foi derrotada pelo país vizinho apoiado pela União Soviética”, acrescentou o cientista político.

No entanto, o caos se instaurou mesmo a partir de 1991, quando o ditador Mohamed Siad Barre foi derrubado. Isso deixou o país sem um governo efetivo e em mãos de milícias radicais islâmicas, senhores da guerra que respondem aos interesses de um clã determinado e grupos armados. A última eleição realmente democrática na Somália aconteceu em 1969. Até os dias de hoje, “o país enfrenta desafios de produzir alguma coesão social que permita a existência de um governo central legítimo capaz de oferecer os serviços básicos para sua população e um ambiente propício para o desenvolvimento econômico e social”, disse Cardoso.

Além dos ataques terroristas, os jihadistas impedem o acesso de grupos humanitários, o que tem agravado a fome no país, atingido por uma forte seca. De acordo com dados da ONU, mais de 6 milhões de pessoas precisam de ajuda. Este número corresponde à quase metade da população da Somália.    Neste ano, em fevereiro, o governo decretou catástrofe nacional.

No mesmo mês, o país elegeu seu novo presidente após ter adiado as eleições por cinco vezes. O ex-primeiro-ministro Mohamed Abdullahi Farmajo foi eleito pelo Parlamento.    “Um Estado falido é como a Somália é percebida pela comunidade internacional”, disse o professor da Mackenzie, ressaltando que, desde os anos 1990, a ONU e a UA constituíram forças internacionais para Missões de Paz no país com o objetivo de “pacificar e promover o diálogo e cooperação”. Mas não foram apenas os problemas humanitários que colocaram a Somália em evidência. “Depois do atentado de 11 de setembro de 2001, Estados falidos passaram a ser percebidos como ameaça a segurança internacional por se constituírem em ambiente propício para o desenvolvimento de grupos radicais que utilizam da violência e do terror para perseguir seus objetivos políticos”, acrescentou Cardoso.

Os extremistas são adeptos do wahabismo, versão fundamentalista da vertente sunita do Islã, enquanto a maioria dos somalis segue a linha do sufismo, considerada a “corrente mística e contemplativa” da religião. Al Shabab significa “A Juventude” em árabe. O grupo surgiu como uma ala radical da hoje extinta União das Cortes Islâmica da Somália em 2006, enquanto combatia forças etíopes que invadiram o país para apoiar o fraco governo interino.

O grupo impôs uma versão rígida da sharia (lei islâmica) nas áreas sob o seu comando. Entre as principais regras estão o apedrejamento até a morte de mulheres acusadas de adultério, além do amputamento dos acusados de roubo. A onda de violência causada pelo Al Shabab e até mesmo a instabilidade do governo da Somália tem causado um aumento no número de deslocados que tentam fugir da guerra civil instaurada no país.

“Nos últimos anos, os deslocados na Somália já passaram de três milhões, sendo uma parte significativa os que se lançam ao mar buscando refúgio em países da Europa, como a Itália”, explicou o professor da Mackenzie. Durante os últimos cinco anos, quando a crise migratória no continente europeu aumentou consideravelmente, a Itália tem sido uma das principais portas de entrada para imigrantes ilegais.

Neste ano, segundo a Agência Europeia de Guarda de Fronteira e Costeira (Frontex), o número de imigrantes ilegais que chegaram à Itália pelo Mediterrâneo foi de 99,8 mil pessoas. A crise na Somália, inclusive, tem sido uma das responsáveis pelo recebimento excessivo de refugiados no país da bota, o que elevou o número de crimes de ódio na Europa, praticados contra imigrantes e refugiados. Com informações da Ansa.

Fonte: Notícias ao minuto

Estelionato virtual

27/10/2017

Sucesso fake: músicos fraudam números de streaming usando robôs e ‘jabá 2.0’

Com dinheiro e truques digitais, fraude prejudica músicos que têm números verdadeiros. G1 investiga ‘mercado de plays’ e fala com sertanejo que admite sucesso inflado no YouTube.

 

O número que você vê abaixo de um clipe no YouTube ou de uma faixa no Spotify é cada vez mais importante para os músicos. Em um

m mundo em que a música é mais digital e menos física, ter muitos “plays” na internet indica sucesso, rende direitos autorais e leva a convites para shows, festivais e outras mídias.

Esses números podem significar muito para a carreira de um artista. Mas, para o público, eles nem sempre representam uma coisa: a verdade. Na batalha para aparentar sucesso, artistas têm usado outros aliados além de fãs reais. A guerra para aumentar a contagem envolve robôs e exércitos de falsos ouvintes que fraudam as cifras.

Vários sites cobram para inflar artificialmente os números, mesmo que serviços de streaming proíbam a prática nos termos de uso e tentem monitorar e banir fraudadores. Advogados dizem que a manipulação da contagem pode ser considerada crime de estelionato na lei brasileira, mas, já que ela acontece em sites estrangeiros, o processo legal seria difícil.

Dá para comprar qualquer coisa no submundo do falso sucesso:

 

  • Quer mil views a mais no seu clipe? Um site oferece o serviço por cerca de R$ 16. Pouco? Outro promete 2 milhões de tocadas por R$ 7,2 mil.
  • Também há venda de seguidores, likes e até unlikes (eles recomendam incluir um pouquinho de descurtidas em meio a um pacotão de curtidas, para parecer mais natural).

 

Site vende plays no Spotify (Foto: Reprodução)Site vende plays no Spotify (Foto: Reprodução)

Site vende plays no Spotify (Foto: Reprodução)

De onde vem esse milagre da multiplicação? Todos os sites contam a mesma história: têm uma rede de parceiros, ouvintes reais. O discurso comum é que todos os plays são orgânicos.

Em fóruns, músicos, usuários e programadores dizem que os acessos podem vir de outros lugares:

 

  1. Vários sites de venda usam robôs, ou seja, computadores programados para acessar automaticamente vídeos ou realizar outras interações para aumentar os números.
  2. Há também “fazendas de likes”. Geralmente funcionam em locais pobres da Ásia. São painéis com centenas de smartphones que ficam o tempo inteiro gerando esses cliques (diretamente por pessoas ou controlados por PCs – veja vídeo da GloboNews abaixo).
  3. O último truque é negociar espaço em playlists populares. Há site de “classificados” com gente cobrando para incluir músicas em listas com milhares de seguidores. Já que as playlists são as novas rádios, essa prática pode ser chamada de “jabá 2.0”.

 

‘Fazenda de likes’ na China tinha mais de 10 mil celulares fraudando popularidade na web

A fraude pode prejudicar os artistas que não a praticam. A renda de direitos autorais do streaming sai de uma parte do faturamento de empresas, como Google (dona do YouTube) e Spotify. O montante é distribuido aos artistas de acordo com o número de execuções das músicas. Ou seja: quem tem plays falsos pode ganhar mais e tirar parte dos honestos.

Não é incomum o YouTube cortar a contagem de plays de um vídeo ao identificar acessos artificiais. Em fóruns de músicos, há relatos de artistas que foram banidos após comprarem milhares de plays nos sites piratas. Mas também há quem passe ileso.

G1 analisou quatro sites que cobram para aumentar o número de plays. Todos têm origem nebulosa.

 

  1. O Streamify, o mais citado em fóruns, é um site que diz funcionar nos EUA desde 2010. Mas o endereço é de uma empresa da Bulgária criada em 2014.
  2. O Streampot, holandês, era bastante citado. Atualmente, porém, ele direciona os pedidos de compra para outro site, o Streamko, sem explicar a relação entre as marcas.
  3. O Massmediaplus, registrado no Canadá, não dá nenhuma informação sobre a empresa. Há apenas relatos de supostos clientes (exemplo:‘”Ótimo serviço’, Ben, usuário do YouTube.” )
  4. O último, Fiverr, é de uma empresa israelense com anúncios de “freelancers” de vários serviços. Nele não há venda direta de plays, mas há uma área de “serviços de Spotify” em que pessoas cobram para incluir músicas em playlists.

 

Nenhum dos sites respondeu às perguntas enviadas por e-mail sobre o seu funcionamento.

Site vende visualizações no YouTube (Foto: Reprodução)Site vende visualizações no YouTube (Foto: Reprodução)

Site vende visualizações no YouTube (Foto: Reprodução)

G1 falou com pessoas que tiveram contato com este mercado de comprar plays. Veja relatos:

 

Novos músicos: ‘empurrão’ arriscado

 

“Estou sempre buscando promover minhas músicas e achei esse site. Alguém conhece?”, pergunta um usuário no fórum oficial do Spotify, apontando para um dos serviços de inflar contagem.

“Já usei e funcionou. Mas ouvi que eles usam robôs para gerar streams, mesmo dizendo que não”, responde outro. Um usuário que trabalha com marketing, então, conta: “Gerencio quase 60 contas no Spotify e já tive 6 deletadas [após o Spotify detectar plays ilegítimos]. Não usem”.

Ele explica que os serviços tentam verificar grandes alterações. Se você tem 200 plays e compra mais mil, o número quintuplicado de repente pode ser identificado. Outro músico se apavora: “Cometi um erro terrível e comprei mil plays, agora não consigo cancelar”.

G1 localizou o usuário. Michael Maurice dia que tem 29 anos e é produtor de música eletrônica no Cairo, no Egito. “Um amigo me mandou um link sobre uma oferta deles de mil plays gratuitos para iniciar, então pensei ‘por que não?’, sem pesquisar muito”, conta. “Tentei falar com eles para cancelar, mas não responderam.”

 

“No fim não tive problemas. Foram 900 plays até agora.” Ele relata que os números crescem aos poucos, entre 170 e 200 por dia. Mas a experiência não valeu para ele. “Nada se compara a ter ouvintes reais que sacrificam uma parte do tempo deles para ouvir a sua criação”, conclui.

 

 

E os grandes? Sertanejo admite jabá às antigas e ‘jabá 2.0’

 

Com músicos mais populares, pode ser mais difícil detectar a fraude. Se ele tem 1 milhão de cliques, vai bem nas paradas e turbina com 100 mil para se sair ainda melhor (só 10% mais). Ninguém vai notar, certo? Mais ou menos… A ação de robôs pode deixar vestígios:

 

  • Discrepância entre visualizações e outras interações. Exemplo: um clipe foi visto 5 milhões de vezes, mas tem só 200 comentários, bem menos que outros clipes no mesmo patamar.
  • Comentários básicos ou sem sentido, em idiomas de locais onde o mercado de robôs é aquecido, como russo.
  • Número exageradamente alto em relação a outras redes sociais. Exemplo: um clipe com 5 milhões de views de um artista com 200 seguidores no Twitter.

 

Um dos perfis russos que comentou no clipe do sertanejo brasileiro que falou ao G1 ('super classe', diz o comentário em russo). O perfil não tem mais nenhum outro conteúdo ou atividade no YouTube, um sinal de que é apenas um 'robô' russo usado para inflar os números no YouTube, como admitiu o músico ao G1  (Foto: Reprodução)Um dos perfis russos que comentou no clipe do sertanejo brasileiro que falou ao G1 ('super classe', diz o comentário em russo). O perfil não tem mais nenhum outro conteúdo ou atividade no YouTube, um sinal de que é apenas um 'robô' russo usado para inflar os números no YouTube, como admitiu o músico ao G1  (Foto: Reprodução)

Um dos perfis russos que comentou no clipe do sertanejo brasileiro que falou ao G1 (‘super classe’, diz o comentário em russo). O perfil não tem mais nenhum outro conteúdo ou atividade no YouTube, um sinal de que é apenas um ‘robô’ russo usado para inflar os números no YouTube, como admitiu o músico ao G1 (Foto: Reprodução)

Esses exemplos acima são reais. Um artista sertanejo aceitou falar com o G1 sobre seu sucesso inflado sob condição de não ser identificado. Seu relato ajuda a entender o que leva muitos artistas que, segundo ele, já recorriam ao antigo jabá para as rádios, a usarem também o “jabá 2.0”.

 

Ele afirma que o pagamento a rádios já era algo esperado. “Rádio não tem jeito. A gente até já deu um Celta zero quilômetro para uma rádio. Era para arrebentar, tocar, tocar. É o comércio da rádio. Isso existe mesmo. Mas aí o número no YouTube também virou status para o artista.”

 

Quando ele lançou seu clipe, em 2013, tocar em rádio não era o único objetivo. “Você vai a um programa de TV e te apresentam dizendo quantos milhões você tinha no YouTube. Então todo mundo mete o pau”, ele explica.

 

“Eu desconfiei, mas na época deixei passar porque estava naquela coisa de glamour, fazendo shows. Mas hoje vejo que com certeza teve ‘uma ajudinha’. Teve muito acesso real no clipe, mas teve uma ajudinha também.”

 

Ele afirma que não se envolvia diretamente no jabá – nem nas rádios, nem em cliques falsos do YouTube. O tal clipe de 5 milhões de views, no auge do “sertanejo pegação”, foi o máximo que ele conseguiu.

Após romper com os empresários, lançou um disco no final de 2015 e colocou todas as músicas no YouTube. A faixa mais ouvida teve 1,8 mil acessos. Hoje, aos 27 anos, não sabe se vai continuar a carreira.

 

“É um meio muito sujo”, diz.

 

 

Brasileiros ‘alugam’ playlists

 

Outra prática para simular sucesso é comprar espaço em playlists. As listas de faixas, criadas pelos próprios usuários e que outros ouvintes podem seguir, são cada vez mais populares. Assim como uma emissora de rádio cobra para tocar, donos de playlists estão fazendo o mesmo.

Em agosto de 2015, após denúncias nos EUA, o Spotify mudou seus termos de conduta: proibiu explicitamente usuários de aceitarem dinheiro ou outra compensação para incluir músicas em playlists.

Mas ainda é fácil achar sites que atuam como “classificados” de aluguel de playlists. O G1 falou com Fernando Machado, brasileiro que tem uma lista no Spotify com 1,5 mil seguidores. O número é modesto, mas permite uma fonte de renda extra. Ele cobra R$ 15 para incluir uma música por duas semanas na lista.

O site mostra que mais de 100 pessoas já recorreram a esse serviço. Fernando também é músico e usa o dinheiro em sua própria carreira. “Eu trabalhava como vendedor de loja, não ganhava muito bem, fui mandado embora. Falei: ‘Tenho que fazer alguma coisa para investir na minha música'”, conta.

O mercado paralelo é tão aquecido que tem até quem ofereça o serviço de ouvinte compulsivo. O perfil de um brasileiro identificado no site como Gustavo Santos cobra R$ 15 para “ouvir sua música em uma playlist que toca por 24 horas por dia, 7 dias por semana”, durante 2 meses. Já teve 41 clientes.

Usuário cobra para incluir música em sua playlist, que ele mesmo toca sem parar no Spotify, e assim aumentar número de audições (Foto: Reprodução)Usuário cobra para incluir música em sua playlist, que ele mesmo toca sem parar no Spotify, e assim aumentar número de audições (Foto: Reprodução)

Usuário cobra para incluir música em sua playlist, que ele mesmo toca sem parar no Spotify, e assim aumentar número de audições (Foto: Reprodução)

 

Advogados: serviços de streaming devem reforçar ação

 

Além de burlar os termos de uso do sites, inflar a contagem artificialmente é crime? Sim, caso seja provado o uso de robôs ou outros acessos que não de ouvintes reais. A fraude pode ser considerada estelionato, por provocar prejuízo a outros músicos ou aos serviços de streaming, diz o advogado criminalista Diogo Tebet, Presidente da Comissão de Processo Penal da OAB-RJ.

Músicos (que podem ganhar menos dinheiro na divisão dos serviços de streaming e perder o lugar em shows e outras mídias diante dos fraudadores) ou empresas de streaming podem pedir ao Ministério Público para investigar a prática, caso se sintam lesados, diz Tebet.

No entanto, seria difícil investigar a origem dos acessos e comprovar como e quando os robôs foram usados, especialmente com os sites estrangeiros. “É difícil apontar uma infração, pois há pouca regra específica para essa área digital”, diz Luiz Fernando Marrey Moncau, de 35 anos, pesquisador do Stanford Center for Internet and Society.

O caso de vendas de lugares em playlist é ainda mais difícil de ser questionado legalmente, diz Moncau. O Brasil não tem regras específicas nem contra a prática de jabá em rádios.

Tudo se vende: site permite criar 10 comentários no YouTube por US$ 4,99, e promete que os comentários vão aparecer no vídeo que o usuário escolher (Foto: Reprodução)Tudo se vende: site permite criar 10 comentários no YouTube por US$ 4,99, e promete que os comentários vão aparecer no vídeo que o usuário escolher (Foto: Reprodução)

Tudo se vende: site permite criar 10 comentários no YouTube por US$ 4,99, e promete que os comentários vão aparecer no vídeo que o usuário escolher (Foto: Reprodução)

G1 perguntou ao Google e ao Spotify (líderes no mercado de streaming de música) e ao ECAD (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição) se eles pediram ou vão pedir investigação. Nenhum deles respondeu a este questionamento. O Ministério Público de São Paulo também foi procurado e disse que não há investigação sobre este assunto.

O mais provável, por enquanto, é que a solução venha com medidas das próprias plataformas de streaming, dentro de seus ambientes. Daniel Campello Queiroz, advogado e dono da CQRights, empresa que gerencia direitos autorais musicais, diz que as empresas devem investir nas ferramentas para perceber e banir os robôs.

 

“Qualquer medida no sentido de forjar um público que na verdade não existe prejudica os artistas que não utilizam esses métodos. Forjar é essencialmente contra a música, contra a arte”, ele diz.

 

A perda para os artistas que não fraudam seus números é clara: eles acabam ganhando menos direitos autorais. Mas todos podem se dar mal. “O artista que faz isso, caso se descubra e prove, certamente vai perder sua credibilidade perante os fãs e a indústria.”

 

O que dizem Google e Spotify

 

Tanto o YouTube quanto o Spotify permitem publicidade paga oficial em suas plataformas. Esses anúncios, legítimos, podem ajudar os artistas a divulgarem seu trabalho e terem mais visualizações. Mas o material deve ser claramente indicado como conteúdo publicitário das empresas, e só vai fazer o número subir se um usuário real clicar e ouvir a música.

É do interesse deles, portanto, combater estes atalhos de manipulação de números pelos usuários, como os robôs, as “fazendas de likes” e a venda de playlists particulares.

Eles enviaram notas ao G1:

Google: “A contagem de views é incrivelmente importante para nós no YouTube. Nós tomamos ações contra views gerados de maneiras que não seguem nossas regras, incluindo tentativas de terceiros de inflar artificialmente a contagem.”

Spotify: “Nós levamos a atividade de streaming fraudulento extremamente a sério. O Spotify possui várias ferramentas de detecção de fraude monitorando o consumo no serviço para detectar, investigar e lidar com atividades fraudulentas. Continuamos a investir pesadamente nos processos de refinação e na melhora dos métodos de detecção e remoção, para continuarmos reduzindo o impacto dessa atividade nos criadores de conteúdo e detentores de direitos legítimos.”

Usuária do Spotify (Foto: Jamile Alves / G1)Usuária do Spotify (Foto: Jamile Alves / G1)

Usuária do Spotify (Foto: Jamile Alves / G1)

Tufão no Japão

23/10/2017

Japão: tufão mata 2 e faz com que 29 mil pessoas sejam evacuadas

Japão: tufão mata 2 e faz com que 29 mil pessoas sejam evacuadas

 

As autoridades de Japão ordenaram a evacuação de 29.000 pessoas por conta do forte tufão Lan que se aproximou do país e alcançou a categoria 4 neste domingo (22).

Ao restante da população, as autoridades recomendaram que os cidadãos permaneçam em zonas seguras. Muitas pessoas foram encaminhadas para abrigos.

No momento, o tufão aproxima-se da costa sul da ilha de Honshu a cerca de 50 quilômetros por hora, com ventos de até 162 quilômetros por hora.

A tempestade já causou devastação em áreas do oeste do Japão, onde duas pessoas morreram.

As companhias aéreas Japan Airlines e All Nippon Airways cancelaram mais de 400 vôos neste domingo e 170 na segunda-feira (23).

Fonte: Notícias ao minuto

Tráfico continua domínio da Rocinha

09/10/2017

Moradores da Rocinha, em São Conrado, na Zona Sul do Rio, relatam nas redes sociais que está ocorrendo um intenso tiroteio em dois pontos da comunidade, na manhã deste domingo. Tiros estão sendo ouvidos na parte alta e também nas proximidades da Via Ápia, um dos acessos à favela, pela Autoestrada Lagoa-Barra. Um morador deu entrada no Hospital municipal Miguel Couto, na Gávea, também na Zona Sul. Egberto Fernandes Queiroz, de 23 anos, foi atingido no ombro quando estava dentro de casa

Segundo a Secretaria municipal de Saúde, Egberto foi atingido no ombro. Ele passou por procedimentos e foi liberado no final da tarde. A Polícia Militar ainda não comentou o episódio no qual o morador foi baleado.

De acordo com a Polícia Militar, por volta das 11h20, houve confronto entre traficantes e policiais do Batalhão de Choque ( BPChq) na Rua 1. Segundo o coronel Jorge Pimenta, comandante do batalhão, nessa área não houve registro de feridos. No local foram apreendidas uma pistola 9mm, além de munição de pistola e fuzil.

 

Pistola e munição apreendidas na Rua 1
Pistola e munição apreendidas na Rua 1 Foto: Divulgação/ Polícia Militar

 

De acordo com o comandante, policiais estavam fazendo um patrulhamento na localidade Terreirão quando foram recebidos a tiros. Houve troca de tiros durante um breve período.

Na parte alta da Rocinha, na localidade conhecida como Dioneia, um morador retornou para casa, pela manhã, e encontrou a casa com inúmeras perfurações na sala. Por sorte, não tinha ninguém em casa na hora do tiroteio. As marcas na parede são de armamento de grosso calibre, que atingiram também a televisão. Em um vídeo postado pelo perfil Onde Tem Tiroteio-RJ, o irmão do morador grava as imagens, chocado com a destruição.

 

Já na parte baixa da comunidade, o tiroteio também foi intenso de manhã. Um vídeo publicado no perfil Onde Tem Tiroteio-RJ mostra disparos nas proximidades da Via Ápia.

 

“A Rocinha não aguenta mais essa guerra. Meu filho de 2 aninhos está em pânico em isso”.

“Muitos tiros agora na Rocinha”.

“Se refugiar numa sala com um monte de crianças por causa de tiros e ouvir seus choros Até quando, Rocinha?”.

“Novo confronto agora aqui na Rocinha, que Deus proteja os moradores que ficam próximos a essa triste realidade”.

“Intenso tiroteio na Rocinha agora. Só Jesus na causa. Temo pela integridade dos irmãos que trabalham na UPA”.

A guerra na Rocinha

No dia 17 de setembro, moradores da comunidade enfrentaram a guerra do tráfico. Cerca de 60 bandidos ligados ao traficante Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem — que está preso num presídio federal em Porto Velho — invadiram a comunidade para expulsar Rogério Avelino da Silva, o Rogério 157, seu antigo aliado.

As Forças Armadas foram acionadas para a comunidade no dia 22 de setembro e ficaram por lá até o dia 29. Desde então, a PM vem reforçando a atuação na Rocinha.

Uma semana após a saída das Forças Armadas da Favela da Rocinha, moradores da comunidade ouvidos pelo EXTRA contaram que o clima de tensão vem aumentando com o temor de uma nova invasão por parte de bandidos rivais. Na última sexta-feira, o dia começou com tiroteios e uma adolescente de 16 anos atingida por bala perdida quando estava dentro de casa, na Rua 3.

Fonte:Extra

Perto da Rocinha, 27 freiras enclausuradas atendem os pedidos de preces pela paz

Irmã conviveu com tiroteio na Zona Norte

Intensas rajadas de tiros de fuzis e rasantes de helicópteros da polícia têm interrompido com frequência as orações das 27 irmãs clarissas que vivem sob clausura (sem contato com o mundo externo) no Mosteiro de Nossa Senhora dos Anjos, na Gávea. A instituição, um oásis de paz prestes a completar 90 anos de fundação, a cerca de três quilômetros da Favela da Rocinha, onde os confrontos pela disputa do tráfico se acirraram, virou o maior símbolo de esperança para os sobressaltados vizinhos. Uma média de 100 pedidos de orações chegam ao mosteiro por dia.

“Nossa capela passou a receber mais fiéis e solicitações de preces para que a situação se acalme. Na maioria das vezes, os pedidos de socorro chegam por cartas e bilhetes”, destacou a abadessa, madre Maria Pacífica de Jesus Crucificado, cujo nome de batismo é Gláucia Garcia de Almeida, de 83 anos, 63 deles enclausurados. Ao lado dela, um cesto repleto de súplicas em pequenos pedaços de papéis. “As orações ajudam muito, mas os governantes têm que fazer a parte deles também, com mais ações em segurança”, alfinetou, em tom de puxão de orelhas nas autoridades.

No parlatório, atrás de grades, as irmãs clarissas se orgulham da rotina de fé e oração, apesar dos sustos com os intensos tiroteiosMárcio Mercante / Agência O Dia

Violência alterou rotina

Madre Pacífica conta que são constantes os ‘sinais sonoros’ que indicam o domínio da violência do outro lado dos muros do convento, de seis andares, fincados junto à mata fechada. A floresta corta os fundos da imponente construção. “Esses dias, suspeitos fugiram pela vegetação, passando por dentro do mosteiro, em direção ao Horto e Jardim Botânico”, lamentou, preocupada, pois o local é usado pelas irmãs para retiros espirituais e meditações, nos chamados ‘Dias de Deserto’.

O terror na Rocinha obriga as freiras algumas enclausuradas há quase seis décadas a encurtarem horários de preces e mudarem a ordem de tarefas. Os fiéis encontram horários de missas e visitas ao parlatório pelo site Irmãs Clarissas

Irmã Maria Bernadete da Imaculada Conceição, batizada Maria da Glória Barros, 71, completou meio século de clausura domingo. “Há 50 anos ouço as aflições da comunidade, mas nunca me acostumo. É assustador”, testemunhou.

As três únicas irmãs que saem periodicamente para comprar remédios e alimentos Maria Lúcia, Nair e Maria Regina são as que tentam atualizar as notícias. “Elas relatam o desespero das pessoas nas ruas. Dessa forma, temos uma dimensão melhor do que está ocorrendo, já que, pelas regras, não temos acesso à TV, rádio ou jornais”, explicou irmã Maria Clara da Trindade, 59.

Vizinha do convento, a contadora Jane Alves, 49, passou a ir diariamente à capela do mosteiro. “Peço livramento de balas perdidas para todas as pessoas”, declarou. Por enquanto, porém, seus apelos não foram atendidos. Na sexta-feira, uma adolescente de 16 anos foi atingida por um tiro nas costas na Rocinha, dentro da própria casa.

Por outro lado, a voz uníssona das freiras e seus cânticos gregorianos, carregada de religiosidade e fé, transpõe os altos muros do convento. E ameniza, vez e outra, o ritmo aterrorizante dos tiroteios na região.

Um olho na missa e outro na RocinhaMárcio Mercante / Agência O Dia

Irmã conviveu com tiroteio na Zona Norte

Tiroteios na Rocinha fazem irmã Beatriz de Jesus Salvador, 41 anos, ter frio na espinha. Há 11 na clausura, e uma das cinco fluminenses do grupo, ela lembra de quando morava em Olaria, na Zona Norte, e ia ao Morro do Alemão e Vila Cruzeiro, sob fogo cruzado.

“Mesmo em missão de paz, tinha que pular sobre fuzis para passar. Infelizmente, a violência ainda impera, também na Zona Sul. Mas Deus é maior”, acredita. A rotina monástica começa às 4h30. “Até 21h, rezamos e cantamos em nome dos que lá fora não podem, ou não querem; limpamos o mosteiro; e produzimos artesanatos, vendidos para nosso sustento”, disse Maria José de Jesus Crucificado, 39, do Paraguai, interna há 11 anos. Como as colegas, ela enfrentou resistência familiar ao anunciar, “não o isolamento, mas a abertura para o infi nito”. Assim interpreta a clausura. As freiras, que cuidam ainda até de um cemitério interno, com 12 jazigos, recebem parentes esporadicamente.

Atrás de grades. A mais idosa hoje é irmã Maria Leonarda, de 96 anos, há 63 lá. Maria Mirtes, 33, é a “caçula”. As clarissas foram as primeiras religiosas portuguesas a chegar ao País, em 1677. Do convento carioca, de 1928, já nasceram 15 filiais. “Ainda há oito vagas para irmãs”, anuncia madre Pacífica.

Fonte: O Dia

Terrorismo nos Estados Unidos: agora, em Las Vegas

03/10/2017

O que se sabe até agora e o que falta saber sobre o ataque em Las Vegas

Dezenas de pessoas morreram e centenas ficaram feridas quando um homem – a partir do 32º andar de um hotel – abriu fogo contra multidão que participava de festival de música country em Las Vegas. Veja o que falta esclarecer do caso.

Motivação para assassinato em massa nos EUA ainda é mistério

Motivação para assassinato em massa nos EUA ainda é mistério

Pelo menos 59 pessoas morreram e mais de 500 ficaram feridas  no ataque do atirador Stephen Paddock na noite deste domingo (1º, madrugada de segunda no Brasil) contra uma multidão que estava em um festival de música country em Las Vegas.

Durante o dia, vários detalhes foram divulgados sobre o massacre, como, por exemplo, a identidade do atirador, mas outros pontos ainda estão por esclarecer.

Abaixo, veja o que se sabe e o que ainda não se sabe sobre o caso:

 

Qual foi a motivação do atirador para o ataque?

 

Isso permanece sem ser esclarecido. O homem de 64 anos era um contador aposentado sem histórico criminal no estado de Nevada, onde vivia atualmente. “Era um cara rico que jogava vídeo-pôquer em cruzeiros”, descreveu seu irmão Eric, acrescentando que Stephen jogava pôquer apostando US$ 100 por mão e podia comprar o que quisesse. De acordo com o familiar, ele teria ganhado dinheiro investindo em imóveis.

Eric afirmou que o atirador não tinha qualquer vínculo político ou religioso. “Nada. Nenhuma afiliação religiosa, política. Ele só saía para passear”, disse. “Era apenas um cara normal. Algo se rompeu nele, algo aconteceu”, sugeriu.

O pai de Paddock se chamava Patrick Benjamin Paddock, e era um ladrão de bancos que figurou na lista dos criminosos mais procurados pelo FBI de junho de 1969 até maio de 1977, de acordo com a CNN. Segundo Eric, seu pai morreu há alguns anos.

Stephen Paddock, o atirador do ataque em Las Vegas, em foto não datada do arquivo de seu irmão, Eric (Foto: Arquivo pessoal/Eric Paddock via AP)Stephen Paddock, o atirador do ataque em Las Vegas, em foto não datada do arquivo de seu irmão, Eric (Foto: Arquivo pessoal/Eric Paddock via AP)

Stephen Paddock, o atirador do ataque em Las Vegas, em foto não datada do arquivo de seu irmão, Eric (Foto: Arquivo pessoal/Eric Paddock via AP)

 

Como é possível um só homem matar e ferir tanta gente?

 

O ataque ocorreu no Route 91 Harvest Festival, um festival de música country na Strip — famosa rua repleta de hotéis e cassinos em Las Vegas. O atirador mirou a multidão de cerca de 22 mil pessoas a partir do 32º andar do Mandalay Bay, um famoso cassino e resort da cidade. Pelos vídeos divulgados, ele usou armas automáticas ou armas semiautomáticas adaptadas. No quarto de hotel, onde Paddock foi encontrado morto, havia 19 armas, segundo a polícia. Os tiros levaram pessoas em pânico a fugir do local correndo, em alguns casos pisoteando umas às outras enquanto policiais corriam para localizar e matar o atirador.

Quais armas foram usadas no ataque?

 

O xerife Joseph Lombardo, do condado de Clark, onde fica Las Vegas, disse que 19 armas foram apreendidas no quarto onde estava o atirador, de diversos calibres. No entanto, não está claro exatamente que tipo de armas eram. Especialistas brasileiros ouvidos pelo G1  disseram que os sons e a cadência das rajadas dos disparos indicam uso de armas automáticas ou armas semiautomáticas que sofreram adaptações para aumentar seu potencial destrutivo.

Uma autoridade fonte do “New York Times” disse que ele teria fuzis “no estilo do AR-15” e que haveria tripés no seu quarto para segurar as armas, uma maneira de superar o problema da grande distância do hotel até os alvos. Essas informações divulgadas pelo “Times”, no entanto, não foram confirmadas oficialmente.

 

O atirador teve alguma ajuda?

 

Até o momento, não há evidências disso. De acordo com o xerife Joseph Lombardo, não há nenhum indicativo de que o homem fosse ligado a algum grupo militante, e ele não era conhecido dos serviços de segurança. Autoridades afirmam que ele se suicidou após atirar contra a multidão.

A polícia chegou a dizer que uma mulher chamada Marilou Danley, de origem asiática, tinha viajado com o suspeito. Pouco depois, investigadores informaram que ela “não é mais procurada”.

“Investigadores fizeram contato com ela e não acreditam que ela esteja envolvida com o tiroteio”, disse a polícia em nota. Ela está em Tóquio no momento.

 

Há alguma participação de grupos terorristas no incidente?

 

O grupo extremista Estado Islâmico assumiu a autoria do ataque, por meio de sua agência de notícias Amaq. De acordo com a Amaq News, o atirador de Las Vegas teria se convertido ao islamismo meses atrás. No entanto, o FBI disse não ter encontrado evidência de ligação com terrorismo internacional. Em coletiva de imprensa, o xerife da polícia de Las Vegas, Joseph Lombardo, disse acreditar que não se tratava de um ataque terrorista.

Pessoas correm para deixar o local do festival de música country onde um atirador disparou sobre uma multidão em Las Vegas, nos EUA (Foto: David Becker/Getty Images/AFP)Pessoas correm para deixar o local do festival de música country onde um atirador disparou sobre uma multidão em Las Vegas, nos EUA (Foto: David Becker/Getty Images/AFP)

Pessoas correm para deixar o local do festival de música country onde um atirador disparou sobre uma multidão em Las Vegas, nos EUA (Foto: David Becker/Getty Images/AFP)

 

É o pior ataque a tiros da história dos EUA?

 

Sim, o ataque deste domingo em Las Vegas já pode ser considerado o pior ataque a tiros da história moderna dos Estados Unidos. Segundo a polícia, pelo menos 59 pessoas morreram e mais de 500 ficaram feridas.

Até agora, o pior ataque com armas registrado em solo norte-americano havia sido o caso da Boate Pulse, em Orlando, em 12/6/16 . Quarenta e nove pessoas foram mortas e 53 ficaram feridas.

Homem atira em multidão em Las Vegas, EUA (Foto: Arte/G1)Homem atira em multidão em Las Vegas, EUA (Foto: Arte/G1)

Homem atira em multidão em Las Vegas, EUA (Foto: Arte/G1)

Fonte: G1

Catalunha não consegue emancipar-se da Espanha

29/09/2017

 

Corte constitucional da Espanha anula independência da Catalunha

© Fournis par RFI

A Corte Constitucional espanhola anunciou nesta quarta-feira (8) que anulou a declaração unilateral de independência da Catalunha, adotada em 27 de outubro pelo Parlamento regional, em Barcelona. Com cartazes e aos gritos de “liberdade”, os separatistas catalães bloquearam estradas, ruas e linhas férreas, também nesta quarta-feira, em protesto contra a prisão de seus líderes, em um dia de greve geral.

O líder dos separatistas, o ex-presidente regional Puigdemont encontra-se desde 30 de outubro em Bruxelas com mais quatro membros de seu governo, após ter sido destituído pelo governo espanhol do premiê conservador Mariano Rajoy, que agora controla a administração regional da Catalunha. Os demais líderes estão em prisão preventiva, investigados pelos crimes de rebelião, sedição e desvio de dinheiro público.

As mesmas acusações pesam sobre Puigdemont e seus companheiros em Bruxelas, que aguardam a decisão da justiça belga sobre a extradição solicitada pela justiça espanhola.

No Congresso de Madri, Rajoy afirmou que “as coisas estão funcionando bem” e se mostrou esperançoso quanto as eleições convocadas para o dia 21 de dezembro. O premiê espanhol espera que o pleito sirva “para abrir uma nova fase política, que necessariamente deve ser uma etapa de tranquilidade, normalidade, de convivência”. As pesquisas apontam um resultado similar ao das eleições de 2015, quando os separatistas conquistaram a maioria dos assentos, mas não de votos.

Greve não teve adesão esperada

Convocada pelas associações e um sindicato separatistas, a greve visava paralisar a Catalunha, que reúne um quinto da riqueza do país, em protesto contra a prisão de vários líderes e contra a intervenção de Madri na autonomia catalã. Os grevistas concentram sua ação nos transportes, bloqueando 60 pontos da malha rodoviária, incluindo as duas principais autoestradas que ligam a região com a França e Madri, e os principais acessos à Barcelona, informou o serviço de tráfego regional.

A circulação de trens de alta velocidade entre Barcelona e a França também foi suspensa, depois que um grupo de manifestantes com bandeiras separatistas invadiu a vias férreas da estação de Girona, aos gritos de “liberdade, liberdade!”.

Outro grupo de manifestantes forçou o fechamento da principal atração turística da cidade, a basílica da Sagrada Família. Nas portas da igreja colaram um enorme cartaz com a mensagem: “A repressão não é uma solução” em inglês.

A greve foi convocada pelo sindicato separatista CSC pouco depois da decisão da Audiência Nacional de Madri de prender oito líderes regionais destituídos, mas não conta com o apoio dos principais sindicatos. O setor da educação foi o que mais aderiu à greve, uma vez que seu principal sindicato expressou publicamente apoio à mobilização.

Diferente da paralisação geral de 3 de outubro, convocada em protesto pela violência policial durante o referendo de independência do dia 1º, a maioria dos mercados, lojas e restaurantes de Barcelona abriram suas portas e as fábricas da região funcionaram normalmente nesta quarta-feira.

“A adesão à greve foi mínima na prática em todos os setores, menos no da educação”, assegurou em Barcelona Juan Antonio Puigserver, secretário do ministério do Interior espanhol.

Fonte: MSN

Governo espanhol assume controle da Catalunha

Reunião de ministros da Espanha aconteceu neste sábado. Medidas precisam de aprovação do Senado

Primeiro-ministro da Espanha Mariano Rajoy

O primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, fala durante uma coletiva de imprensa no Palácio da Moncloa em Madri – 21/10/2017 (Juan Medina/Reuters)

Neste sábado, o governo espanhol decidiu assumir o controle da região autônoma da Catalunha e destituir do poder o presidente regional, Carles Puigdemont, e todos os seus conselheiros — em aplicação do artigo 155 da Constituição –alegando “desobediência rebelde” das autoridades regionais, que iniciaram processo de independência.

Em entrevista coletiva, o presidente espanhol Mariano Rajoy argumentou que os objetivos da aplicação do Artigo 155 são, nesta ordem, retomar a legalidade, restabelecer a normalidade, manter a recuperação econômica e realizar eleições na Catalunha.

O governo também anunciou que fará eleições regionais na Cataluna em um prazo de seis meses.

Madri vai aplicar o artigo 155 da Constituição depois do prazo dado pelo gabinete do chefe do executivo espanhol, para que o presidente do governo regional da Catalunha, Carles Puigdemont esclareça se realmente declarou a independência da região durante a sessão plenária, no último dia 10.

Em carta enviada ao governo central, o líder catalão pede um diálogo para a opção de renunciar essa declaração de independência que, afirma ele, o parlamento regional não votou no dia 10. Puigdemont alerta, no entanto, que se a Espanha persistir em impedir o diálogo, o Parlamento poderá proceder a votação da declaração formal de independência.

A ativação do artigo 155 representa um movimento sem precedentes desde que a Espanha retomou a democracia, na década de 1970. Se a medida prosperar, a suspensão da autonomia não é automática, pois depende da aprovação do Parlamento, o que pode acontecer até o fim da próxima semana.

O que diz a Constituição:
A Espanha é um país descentralizado e a Constituição adotada em 1978 confere a suas 17 comunidades autônomas amplos poderes, com nos setores de saúde e educação, por exemplo. Mas inclui uma disposição que permite ao poder central intervir diretamente nos assuntos de uma região caso não opere de forma legal.

Histórico
No dia 1º de outubro, a Catalunha realizou um referendo pela independência, que teve comparecimento de 43% do eleitorado, dos quais mais de 90% afirmaram que querem a separação do país e a formação de uma república.

Desde o princípio, a votação foi considerada ilegal pelo governo de Madri, que enviou as forças de segurança para reprimir a votação. O confronto entre independentistas e forças de segurança terminou com mais de 800 feridos.

O governo espanhol considera que todo o processo do referendo foi ilegal.

No dia 10 de outubro, Puigdemont anunciou no parlamento o resultado do referendo em que aprovou o “sim” à independência catalã . Para o líder da região autônoma, com esse resultado, a região ganhou o “direito de ser independente, a ser ouvida e a ser respeitada”, mas propôs a abertura de um processo de diálogo com Madri.

Após a declaração, foi assinado um documento que proclamava a “República Catalã”, classificado no dia 11 como ato simbólico pelo governo catalão.

O pronunciamento frustrou os independentistas que esperavam a declaração unilateral da separação. O discurso não deixou evidente a posição do governo catalão, o que gerou dúvidas sobre o futuro da relação da região com a Espanha. Após a declaração, Madri pediu formalmente esclarecimentos.

Em resposta ao pedido de Rajoy, na segunda-feira 16, Puigdemont propôs ao governo espanhol dois meses de negociações, mas evitou responder claramente se declarou ou não a independência da região.

Posteriormente, autoridades espanholas afirmaram que esperavam uma declaração clara do presidente catalão até 10h (6h de Brasília) da quinta-feira 19.

Fonte: Veja


 

Regiões de Lombardia e Vêneto farão referendo por autonomia

Locais contam com cidades turísticas como Milão, capital da Lombardia, além de Verona e Veneza

Regiões de Lombardia e Vêneto farão referendo por autonomia

As prósperas regiões de Lombardia e Vêneto, no norte da Itália, vão organizar em 22 de outubro um referendo para pedir maior autonomia ao governo central italiano. A consulta, que ocorre em meio à crise na Espanha pelo plebiscito de independência da Catalunha, é uma iniciativa dos presidentes Roberto Maroni (da Lombardia) e Luca Zaia (de Vêneto), ambos do partido de extrema-direita Liga do Norte.

Os habitantes deverão dizer sim ou não a “formas adicionais e condições particulares de autonomia”. As regiões contam com cidades turísticas como Milão, capital da Lombardia, além de Verona e Veneza -esta última, capital de Vêneto. Ao contrário do que acontece na Catalunha, o referendo está em conformidade com a Constituição italiana, que prevê a possibilidade de o Parlamento atribuir essas formas de autonomia às regiões que as solicitem.

Fonte: Notícias ao minuto

Catalunha declara independência da Espanha

As cifras têm papel importante no processo de indepedência da Catalunha
O que Catalunha e Espanha perdem em separação
Manifestações pela independência da Catalunha: Manifestantes agitam bandeiras em uma manifestação em apoio à independência da Catalunha em Barcelona, na Espanha – 10/10/2017© Reuters Manifestantes agitam bandeiras em uma manifestação em apoio à independência da Catalunha em Barcelona, na Espanha – 10/10/2017O presidente catalão, Carles Puigdemont , declarou independência unilateral da Espanha nesta terça-feira. Em discurso ao parlamento que começou com uma hora de atraso em função de uma reunião de última hora entre o líder da Catalunha e seus aliados políticos, Puigdemont disse que “”a consulta disse sim à independência e desta maneira, que estou pronto para este trânsito”.O presidente catalão pediu, no entanto, que “o efeito da declaração de independência seja suspenso durante algumas semanas para que se abra um diálogo”. Ele disse que o governo realizará uma sessão ordinária para declarar formalmente a independência e iniciar um processo constituinte.O presidente catalão afirmou, pouco antes, que o que comunicaria não “é uma vontade pessoal ou uma mania de ninguém, é o resultado de 1º de outubro”.

“Nós nunca concordaremos com tudo, mas entendemos que o caminho a seguir não pode ser outro que o da democracia e da paz”, disse.

A declaração acontece pouco mais de uma semana após o referendo sobre a separação, considerado ilegal pela Espanha, e agrava a pior crise política do País em décadas. Puigdemont criticou a atuação do governo espanhol durante a consulta popular, que respondeu com violência e deixou centenas de feridos. “Esta é a primeira vez que um dia de eleição é desenvolvido entre os ataques da polícia aos que fazem fila para colocar seu voto em uma urna”.

Ultimato

Mais cedo nesta terça-feira, Madri deu ultimato a Carles, a quem pediu “que não faça nada irreversível” e que “volte à legalidade”. Na segunda-feira, o primeiro-ministro espanhol, Maniano Rajov, reforçou o posicionamento contrário ao movimento e afirmou que “a Espanha não será dividida”.  Em reunião do comitê de direção do PP (centro-direita, partido governante), Rajoy disse que o Executivo “fará tudo o que puder” para que a separação da Catalunha não aconteça.

“Tomaremos as medidas necessárias para impedir a independência. A separação da Catalunha não vai ocorrer. O Governo fará tudo o que puder para que assim seja”, disse.

União Europeia

O anúncio de uma Catalunha independente suscita, além das questões mais imediatas sobre a reação da Espanha, dúvidas sobre uma possível legitimação internacional – a França se adiantou e na véspera do pronunciamento disse que não reconheceria a independência catalã – e até mesmo sobre a permanência na União Europeia

Para Bruxelas a resposta seria a saída da região da Catalunha do bloco. A UE aderiu à posição do governo espanhol de considerar a consulta anticonstitucional e uma declaração de independência, ilegal.

A chave para o destino dos catalães na União Europeia será decisão da Justiça espanhola. Como aponta o ex-consultor jurídico do Conselho da UE Jean-Claude Piris, os países do bloco “não reconhecerão a Catalunha como um Estado, se nascer violando o Direito e, especialmente, a Constituição espanhola”.

E esse reconhecimento é essencial para poder fazer parte do clube dos 28. Os países-membros também poderão se mostrar reticentes quanto a acolher a Catalunha como Estado com base em um referendo que não reuniu as garantias necessárias – como comissão eleitoral e voto secreto – por pressão de Madri.

Poucas horas antes do pronunciamento de Puidgemont, o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, pediu ao líder catalão que não declarasse a independência e que buscasse o diálogo com o governo central da Espanha. “Eu peço que você respeite, em suas intenções, a ordem constitucional e não anuncie uma decisão que tornaria impossível o diálogo com Madri”, disse Tusk, referindo-se diretamente a Puigdemont.

O que a Catalunha e a Espanha perdem em caso de separação

1Mapa da Espanha cortando a Catalunha: As cifras têm papel importante no processo de indepedência da Catalunha© Getty Images As cifras têm papel importante no processo de indepedência da Catalunha

A economia tem um papel-chave no processo separatista da Catalunha. Tanto soberanistas quanto os contrários à independência usam cifras como argumentos pró e contra a secessão.A Catalunha diz que aporta ao tesouro espanhol mais do que recebe. Os dois grupos se acusam mutuamente de manipular dados e criar cenários que não existem.Qualquer que seja o resultado, é inevitável que ambas as partes percam algo, segundo o presidente do IEE (Instituto de Estudos Econômicos), José Luis Feito.Confira quais seriam as principais perdas para os dois lados em caso de separação.

 

O QUE A CATALUNHA PERDE

 

Bandeira catalunha em uma torre: A Catalunha poderia perder o euro, um PIB forte e muitas empresas© Getty Images A Catalunha poderia perder o euro, um PIB forte e muitas empresas

1. A permanência na União Europeia

 

A grande maioria dos estudos que analisam qual seria o impacto econômico da independência catalã mostram um cenário em que a Catalunha continua na União Europeia, ou pelo menos no Espaço Econômico Europeu, que dá acesso ao mercado único.

Mas a União Europeia já avisou que isso não acontecerá. Se a Catalunha se converter em um novo Estado, terá que solicitar seu ingresso na instituição e cumprir todas as exigências rigorosas, um processo que leva anos.

 

 

O governo catalão acredita que a UE não aplicará, na prática, esse discurso, embora não fazê-lo abrisse um precedente para outras regiões que também poderiam iniciar um processo separatista, como a Baviera alemã e a Lombardia italiana.

A saída do bloco também representaria um baque na área científica, já que empresas e universidades não poderiam participar de programas de pesquisa europeus. A Catalunha tem 1,5 bilhão de euros assegurados por um fundo de pesquisa da UE para o período 2014-2020.

Mapa da União Européia: A permanência na UE seria essencia para uma Catalunha independente© Getty Images A permanência na UE seria essencia para uma Catalunha independente

2. A zona do euro

 

A Generalitat (o governo catalão) disse que a Catalunha não deixará de utilizar o euro mesmo se ficar fora da zona da moeda.

Assim como faz o Equador com o dólar americano, o governo catalão manteria o euro como moeda para dar “segurança jurídica às transações empresariais de suas companhias”.

O economista Feito considera isso impossível, já que uma Catalunha independente nasceria com uma fuga de empresas e capitais que não a permitiria dar conta de pagamentos como os salários de seus funcionários nem nos primeiros cem dias.

Bandeira espanhola com euros: O governo catalão diz que a Catalunha continuará a usar o euro© Getty Images O governo catalão diz que a Catalunha continuará a usar o euro”Ninguém emprestaria euros ao Estado catalão, e ele teria que imprimir sua própria moeda. E ela seria brutalmente inflacionária”, afirma Feito à BBC Mundo, o serviço em espanhol da BBC. “E por não ser membro da zona do euro, sua dívida não poderia ser utilizada para pedir financiamento ao Banco Europeu.”

Segundo o economista, o mercado não dará opção à Generalitat, e este promoverá um “curralito” para conter a saída de euros, o que fará até os catalães pró-independência tentarem sacar seu dinheiro dos bancos.

Outra consequência da adoção do euro seria o encarecimento das exportações, reduzindo a competividade.

 

3. O Banco Central Europeu

 

Ao ficar de fora da zona do euro, a Catalunha perderia a rede de segurança que inclui o Banco Central Europeu, que durante a crise salvou várias entidades espanholas.

Logo após o líder catalão Carles Puigdemont anunciar que declararia a independência de forma unilateral, dois dos maiores bancos catalães, o Sabadell e o CaixaBank, decidiram transferir suas sedes para outras regiões da Espanha. A ação segurou um pouco a queda que sofriam na Bolsa.

Banco Central Europeu: A Catalunha perderia a segurança garantida pelo Banco Central Europeu© AFP A Catalunha perderia a segurança garantida pelo Banco Central EuropeuO Conselho Assessor para a Transição Nacional (CATN) da Catalunha acredita que a UE atuará para evitar um cenário catastrófico como o descrito por Feito, pois esses prejuízos afetariam cidadãos e empresas que são plenamente membros da UE.

 

4. A economia

 

Segundo o governo catalão, a região aporta mais ao tesouro espanhol do que recebe em troca. São 16 bilhões de euros, cerca de 8% de seu PIB.

“Mas isso não quer dizer que a Catalunha ganharia de maneira imediata 16 bilhões de euros (em caso de independência)”, diz o professor de tributação da UFP Barcelona School of Management, Albert Sagués.

Há gastos que no momento estão a cargo da Espanha, como os do Exército, da seguridade social e da aposentadoria. Segundo os cálculos de Sagués, descontados esses valores, a Generalit teria um superavit de 8 bilhões de euros.

O governo central admite que a Catalunha tem um saldo fiscal negativo, mas diz que de 5,02% do PIB, e não 8%, de acordo com dados do Ministério da Fazenda.

Fábrica catalã: A Catalunha é responsável por 19% do PIB da Espanha© AFP A Catalunha é responsável por 19% do PIB da EspanhaFeito diz que uma declaração unilateral de independência geraria um declínio significante da atividade econômica, o que derrubaria a economia e, consequentemente, aumentaria o desemprego.

O ministro da Economia espanhol, Luis de Guindos, diz que o PIB catalão se contrairia entre 25% e 30% em caso da secessão. O banco Credit Suisse, por sua vez, afirma que essa redução seria da ordem de 20%.

 

 

Para Sagués, a economia do novo Estado não diminuirá mais do que 4% – e isso no pior dos cenários.

“Na Segunda Guerra Mundial, os países perderam 25% do PIB. Estamos falando de uma situação de guerra em que morreram milhares de pessoas. Se alguém diz que o PIB catalão cairá 30%, quer dizer que o que acontecerá à Catalunha é pior do que uma guerra mundial. Não creio que seja o caso”, afirma.

Artur Mas em um carro catalão: A Catalunha abriga parte da indústria espanhola e é importante em setores como o automobilístico© Getty Images A Catalunha abriga parte da indústria espanhola e é importante em setores como o automobilístico

5. Fuga de empresas

 

Alguns informes, incluindo os da Generalitat, dão por certo que a produção do novo país sofrerá boicote por parte da Espanha. Isso porque há um antecedente.

Em 2004, o líder de um partido separatista fez declarações contra a candidatura de Madri aos Jogos Olímpicos de 2012. Isso acarretou um boicote do resto da Espanha à indústria da cava, um vinho espumante típico da Catalunha.

Na semana passada, uma das principais marcas desse setor, a Freixenet, anunciou que estudava transferir sua sede para fora do território catalão. Ao menos sete empresas fizeram o mesmo, entre elas a de energia Gás Natural Fenosa.

Garrafas de cava Freixenet: Empresas de cava como a Freixenet avaliam transferir sua sede para fora da Catalunha por medo de boicote | Foto: Neilson Barnard© BBC Empresas de cava como a Freixenet avaliam transferir sua sede para fora da Catalunha por medo de boicote | Foto: Neilson BarnardSegundo Feito, 80% das empresas na Catalunha são multinacionais e só estão na região porque ela faz parte da UE. Se saírem do bloco econômico, terão que pagar taxas.

Uma em cada três empresas de exportação da Espanha têm sede na Catalunha, assegurando 25% das exportações do país, segundo dados do Ministério da Economia.

Destino das cavas catalãs© BBC Destino das cavas catalãsAinda de acordo com a pasta, a Espanha compra 40% dos produtos que saem da Catalunha e os outros 40% vão para o resto da UE. Além disso, 14,3 % dos turistas que visitam a Catalunha são da Espanha.

Mesmo assim, o Conselho Assessor para a Transição Nacional da Catalunha acredita que um boicote levaria a uma queda do PIB não maior de 2%.

 

O QUE PERDE A ESPANHA

 

Bandeiras espanholas em Madri: A Espanha perderia sua região mais rica e o PIB per capta cairia© Getty Images A Espanha perderia sua região mais rica e o PIB per capta cairia

1. Sua região mais próspera

 

A Espanha ainda não se recuperou completamente da grave crise econômica que atravessou por quase uma década.

Há cerca de 4 milhões de desempregados e mais da metade deles tem procurado trabalho nos últimos 12 meses, segundo dados do INE (Instituto Nacional de Estatística) – sem os catalães, o número cairia para 3,4 milhões.

Gráfico do PIB espanhol© BBC Gráfico do PIB espanholCom a secessão, o país perderia sua região mais rica: em 2016, a Catalunha registrou um PIB recorde de 223,6 bilhões de euros, cifra superior à da economia do Equador e o dobro da do Panamá.

A independência custaria à Espanha a perda de 19% de seu PIB e de 18,4% de suas empresas – resultando em um Estado mais pobre. O PIB per capita também cairia para 23,50 euros, segundo cálculos do professor Sagués.

Pessoas procurando emprego: Há quatro milhões de desempregados na Espanha© Getty Images Há quatro milhões de desempregados na EspanhaDe acordo com dados de 2014 do Ministério da Fazenda, a Catalunha aporta 70,3 bilhões de euros (US$ 82 bilhões) nos cofres espanhóis, mais do que o restante das regiões.

Desse total, o governo central fica com US$ 11,5 bilhões, que utiliza para ajudar áreas mais pobres do país, como Extremadura.

O FMI (Fundo Monetário Internacional) se mostrou preocupado com a situação. Segundo a entidade, se as tensões políticas com a Catalunha continuarem, a confiança em investimentos e o consumo podem ser afetados.

Gráfico sobre o uso da língua catalã© BBC Gráfico sobre o uso da língua catalã

2. Inovação e empreendimento

 

A Catalunha é uma região que tem investido muito em pesquisa e inovação – e já desenvolveu indústrias pioneiras na Espanha.

Das 108.963 publicações científicas produzidas por universidades espanholas entre 2006 e 2015, 25,68% saíram da Catalunha. Madri vem em seguida, com 19,91%, segundo dados da Aliança 4 Universidades.

Barcelona ocupa o 5º lugar no ranking de startups na Europa, uma posição à frente de Madri. No ano passado, as startups catalãs captaram 282 milhões de euros, o que representou 56% de todos os investimentos realizados na Espanha.

Congresso de telefonia em Barcelona: Grandes eventos de tecnologia acontecem anualmente em Barcelona, como o Mobile World Congress© AFP Grandes eventos de tecnologia acontecem anualmente em Barcelona, como o Mobile World CongressA região também lidera o ranking de pedidos de patentes do país: em 2016, 35,1% das 547 solicitações vieram da Catalunha, contra 20,6% de Madri, segundo o Escritório Europeu de Patentes.

 

3. Infraestrutura

 

A independência da Catalunha levaria a Espanha a perder seu principal porto no mar Mediterrâneo, o de Barcelona, que no ano passado movimentou 48 milhões de toneladas.

O porto também é essencial para o turismo: 4 milhões de passageiros passaram por ele em 2016.

Outro porto importante da Catalunha é o de Tarragona, região que também abriga o maior número de indústrias químicas do país.

Muitos aeroportos também operam na Catalunha, como o El Prat, em Barcelona, que contabilizou 44,1 milhões de passageiros no último ano.

A região também abriga duas das seis indústrias nucleares da Espanha, responsáveis por produzir 40% da energia nuclear do país.

Praia ao lado de uma central nuclear: As cifras têm papel importante no processo de indepedência da Catalunha© AFP As cifras têm papel importante no processo de indepedência da Catalunha

4. Dívida externa e ativos

 

Uma das questões mais espinhosas de uma possível secessão é a dívida externa que teria o novo Estado catalão.

Os informes do Conselho Assessor para a Transição Nacional dizem que a Catalunha deveria assumir a dívida que está no nome da Generalitat, dos governos provinciais e municipais. O valor seria de US$ 90 bilhões, o equivalente a 35,4% de seu PIB. Desse total, US$ 61 bilhões correspondem a compromissos com o governo da Espanha.

A dívida em nome do Estado espanhol é utilizada para gastos e investimentos em prol de todas as regiões, incluindo a Catalunha, por isso muitos insistem para que ela assuma a parte que lhe cabe.

Em um debate ocorrido há dois anos, o ex-diretor da Bolsa de Barcelona, José Luis Oller, estimou em 180 bilhões de euros o peso da economia catalã na dívida da Espanha, em um debate ocorrido há dois anos. Ele também disse que era necessário somar o valor dos ativos que o Estado tinha na Catalunha, estimado em 50 bilhões de euros.

Porto de Barcelona: O porto de Barcelona é o mais importante do Mediterrâneo© AFP O porto de Barcelona é o mais importante do MediterrâneoA dívida total de uma Catalunha independente, segundo seus cálculos à época, seria de 290 bilhões de euros, ou 145% de seu PIB.

O CATN nega que a região deva aceitar as dívidas contraídas para investimentos e obras fora de sua área. Ele aconselha a negociação da dívida que não pode ser atribuída a um território concreto no caso de o Estado espanhol transferir ao novo país parte dos ativos comprados com esse dinheiro.

Por exemplo, se a Espanha se endividou para criar uma empresa pública que funcione a nível nacional, a Catalunha assumirá parte da dívida sempre que receber as ações correspondentes dessa companhia.

Como há poucas possibilidades de negociação neste momento, o mais provável em caso da secessão é que a Espanha tenha de pagar sozinha o total da dívida enquanto tenta resolver o conflito com o novo país nos tribunais internacionais, explica o economista Feito.

A Catalunha também avalia que a Espanha deve repartir igualmente os bens públicos fora do país, como as sedes das embaixadas, as plataformas de petróleo, as bases militares, os satélites espaciais e as contas em bancos estrangeiros.

 

5. Patrimônio cultural e turismo

 

A Espanha é uma potência turística. No ano passado, recebeu 75,3 milhões de visitantes estrangeiros, um recorde. Quase um quarto dessas pessoas (22,5%) tinham a Catalunha como destino.

A Sagrada Família em Barcelona: A Catalunha tem uma grande riqueza culturais, como as obras de Gaudí em Barcelona, entre as quais está a Sagrada Família© Getty Images A Catalunha tem uma grande riqueza culturais, como as obras de Gaudí em Barcelona, entre as quais está a Sagrada FamíliaSeus 580 quilômetros de costa oferecem praias paradisíacas, às quais se chega facilmente de trem ou ônibus. No inverno, as montanhas dos Pirineus estão entre as favoritas dos esquiadores.

A região também tem uma importante oferta cultural graças a obras que são patrimônio da humanidade, como as do arquiteto Antonio Gaudí, em Barcelona (A Sagrada Família, Parc Guell etc.)

Segundo o CATN, o governo catalão poderia exigir a devolução de arquivos, bens culturais e patrimônios nacionais que façam referência à Catalunha ou cujo autor seja catalão.

Com essa medida, obras de Salvador Dalí ou de Joan Miró que estão em exposição em museus de Madri, como o Reina Sofia, por exemplo, teriam que ser entregues ao novo Estado.

Fonte:MSN

Por que a Catalunha quer ser independente da Espanha?

Estudantes vestem bandeira da Catalunha em protesto favorável a referendo de independência da região da Espanha – 28/09/2017`© Reuters Estudantes vestem bandeira da Catalunha em protesto favorável a referendo de independência da região da Espanha – 28/09/2017

O governo regional da Catalunha anunciou nesta sexta-feira que está pronto para o referendo de domingo. Segundo os organizadores, 60.000 pessoas já se inscreveram para a votação, apesar dos esforços de Madri para barrar a iniciativa, declarada “inconstitucional” pelas autoridades espanholas.

Mas por que os catalães querem a independência? Os impulsos separatistas existem há séculos, mas cresceram de forma contundente a partir do ano de 2010, até conquistarem aproximadamente metade da população regional.

Assim como em outros movimentos separatistas, os catalães querem ter o poder de tomar as próprias decisões, sem interferências. Segundo uma pesquisa do Centre d´Estudis d´Opinió (CEO) , 26% da população usa o argumento da autonomia como principal razão para a independência. A crença de que estarão melhores sozinhos do que com a Espanha é apoiada por 23% da população, enquanto 19% desejam  um novo modelo de gestão política.

O convívio cada vez mais agressivo entre o governo regional e a administração central também é visto como um motivo para o desmembramento. As relações estão desgastadas e, para muitos, os vínculos são insustentáveis. Além disso, razões históricas, econômicas e culturais também têm grande peso no movimento.

História

Os catalães defendem que a região se formou como Estado separado por volta do século XII. Em 1150, o casamento de Petronilia, rainha de Aragão, e Ramon Berenguer IV, conde de Barcelona , formou uma dinastia e deixou aos filhos do casal todo o território das atuais regiões de Aragão e Catalunha como herança.

A disposição durou até a Guerra de Sucessão, que acabou com a derrota de Valência em 1707 e da Catalunha em 1714, dando origem à Espanha dos dias de hoje. Os reis que subiram ao poder nos anos após a guerra tentaram impor o castelhano e as leis espanholas na região, porém abandonaram suas tentativas em 1931, quando a Generalitat (o governo nacional da Catalunha) foi restaurada.

Em 1936, com a tomada do poder pelo ditador Francisco Franco, o separatismo catalão foi mais uma vez abafado. Em 1938, as forças do general assumiram o controle da região após uma batalha que matou 3.500 pessoas e levou muitas outras ao exílio. A região só restaurou sua autonomia em 1977, com o retorno da democracia

O governo da Espanha aprovou o estatuto de autonomia da Catalunha em 2006. Segundo as novas leis, o governo regional teria mais poder sobre as decisões envolvendo cobranças de impostos, questões judiciais e imigração. Porém, em 2010, o decreto foi desafiado e suspenso pelo Tribunal Constitucional nacional.

Ainda assim, a região tem indiscutível autonomia dentro da política nacional, já que a Constituição espanhola, aprovada por 90% dos eleitores catalães em 1978, se refere à Catalunha como “nacionalidade histórica”, além de reconhecer seu direito à autonomia. Porém, a derrota de 2010, somada a crise econômica que atingiu a Espanha, foi mais do que suficiente para reforçar a causa separatista.

Economia

A Catalunha é o coração industrial da Espanha – tanto pelo poder de seus portos e comércio têxteis, como, mais recentemente, pelas finanças, serviços e empresas de alta tecnologia. É a região mais rica do país, responsável por 20% do PIB em 2015

Existe uma crença incentivada pelos separatistas segundo a qual os cidadãos gastam mais com o governo central do que recebem de volta. De fato, a região é a que mais paga impostos: em 2016, os catalães pagaram 20,8% dos impostos recolhidos por Madri. Muitos políticos independentistas insistem que estariam melhor sem o restante da Espanha, já que manteriam todo os recursos na região, ajudando-a a se desenvolver ainda mais.

Porém, especialistas em política espanhola e europeia vêm questionando o argumento, que não segue a complexa lógica da economia global. Muitos acreditam que, como país independente, a Catalunha teria muitos custos extras para arcar. Além disso, perderia boa parte de sua rede de comércio.

“Se a Catalunha se tornar independente, não se separará somente da Espanha, mas da União Europeia também”, diz o catedrático de direito constitucional da Universidade Autónoma de Barcelona, Francesc de Carreras. Grande parte das relações que o empresariado catalão sustenta atualmente são com a Europa, principalmente França, Itália e Alemanha. “Todas as vantagens ficais e sobretudo as relações econômicas com esses países, concedidas pela UE, se perderiam e o impacto sobre as finanças catalãs seria imediato”, completa Carreras.

Língua e cultura

O independentismo catalão é também um movimento cultural. Muito se fala, inclusive, sobre o chamado catalanismo, uma necessidade dos cidadãos da região em se diferenciarem do resto do país e exaltarem seus costumes, lendas e festas próprios para o resto do mundo.

Em Barcelona, os símbolos nacionalistas estão por toda parte, inclusive em sua arquitetura modernista única. A cruz de São Jorge, personagem religioso cristão exaltado como o cavaleiro corajoso que no passado salvou a princesa e a cidade contra a invasão de um dragão, é estampada em monumentos, prédios e igrejas. O monstro da lenda catalã é associado especialmente à figura do estrangeiro que deseja acabar com sua liberdade e autonomia.

A região também celebra festividades únicas, como a Festa de Sant Medir, Dia de Sant Jordi, Festival de Gràcia e La Mercè.

A maioria da população fala o catalão. A língua é a oficial da região, junto ao castelhano. Com o fim do regime ditatorial de Francisco Franco, em 1975, e a restauração da democracia em todo o país, o idioma passou a ser usado na política, educação e nos meios de comunicação. Nas ruas, estradas e estações de metrô, se lê o catalão sempre em primeiro lugar.

A língua tem sua identidade própria, já que não é um dialeto derivado do espanhol, e é falada por 10 milhões de pessoas na Catalunha, Valência (dialeto valenciano), Ilhas Balearese na cidade italiana de Algueiro.

Fonte: Veja

Medidas de Temer ajudam, mas não resolvem crise no Brasil

29/09/2017

Com renda menor, trabalhadores sem carteira e autônomos puxam recuperação do emprego em 2017

Quantidade de empregados com carteira assinada cai na comparação com o ano anterior, mas salário médio aumenta; entre as pessoas sem carteira e trabalhadores por conta própria o cenário é inverso.


 

A recuperação do mercado de trabalho brasileiro em 2017 é puxada pela expansão de vagas que tradicionalmente pagam menos e estão ligadas à economia informal: os empregos sem carteira assinada e os profissionais autônomos, os chamados trabalhadores por conta própria. E, neste ano, seus rendimentos médios estão ainda menores do que em 2016. No mercado formal, a situação é a oposta – há menos gente trabalhando com carteira assinada, mas o salário médio aumentou.

É o que apontam dados da última Pesquisa Nacional de Domicílios (Pnad) Contínua, feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE). O desemprego vem caindo mês a mês desde fevereiro.

Em agosto, último dado divulgado, o número de desempregados no Brasil caiu 4,8%. Em relação ao mesmo período de 2016, no entanto, o número de pessoas sem trabalho aumentou 9,1%.

Desigualdades no mercado de trabalho (Foto: G1 )Desigualdades no mercado de trabalho (Foto: G1 )

Desigualdades no mercado de trabalho (Foto: G1 )

A realidade do mercado de trabalho brasileira é bastante desigual. Enquanto a quantidade de empregados com carteira assinada caiu 2,2% no trimestre encerrado em agosto, na comparação anual, a de trabalhadores sem carteira subiu 5,4%.

Aumentou também o número de pessoas trabalhando por conta própria, com alta de 2,8%. O IBGE classifica o trabalhador por conta própria como aquele que desenvolve a própria atividade econômica e não possui empregado. A categoria abrange de camelôs a advogados.

Depois de 8 anos trabalhando com carteira assinada, Carlos perdeu o emprego e busca refazer as finanças como motorista da Uber (Foto: Arquivo pessoal)Depois de 8 anos trabalhando com carteira assinada, Carlos perdeu o emprego e busca refazer as finanças como motorista da Uber (Foto: Arquivo pessoal)

Depois de 8 anos trabalhando com carteira assinada, Carlos perdeu o emprego e busca refazer as finanças como motorista da Uber (Foto: Arquivo pessoal)

Um dos que deixou o emprego formal na crise e voltou ao mercado de trabalho como autônomo foi Carlos Junho, de 45 anos. Depois de 8 anos trabalhando com carteira assinada na área de administração, ele ficou desempregado em 2014. Sem conseguir emprego, apelou para a informalidade. Há um ano, ele trabalha como motorista na Uber.

 

“A decisão foi tomada no desespero mesmo. Tendo que pagar pensão [alimentícia], eu não tinha outra fonte de renda”, conta ele.

 

O trabalho de motorista de Uber paga as contas, mas Carlos Junho não está confortável com a condição informal do trabalho. “O problema é você não ter garantia nenhuma. Hoje você tem, amanhã, quem sabe?”, destacou.

 

Renda menor

 

Os dados também mostram que os trabalhadores por conta própria e sem carteira assinada estão ganhando menos. Enquanto os trabalhadores com carteira tiveram aumento médio de 3% em seus rendimentos, os que não possuem carteira tiveram queda de 2,2% e os que trabalham por conta própria, de 2,4%, já considerando os efeitos da inflação. Ao mesmo tempo, o rendimento dos empregadores subiu 8%.

 

“Essas pessoas estão ficando para trás na recuperação da economia”, comenta o economista Everton Carneiro, analista da RC Consultores, sobre o rendimento dos trabalhadores sem carteira e por conta própria.

 

Ele destaca ainda que, entre os profissionais autônomos, os mais prejudicados são os informais. “A vasta maioria dessas pessoas está em situação mais difícil. A gente tem muito mais camelôs do que advogados e contadores”, ilustra Carneiro.

Segundo o IBGE, 81,6% dos trabalhadores por conta própria são informais – não tem Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ) – e 70% não contribuem com a Previdência Social. Dentre os quase 13 milhões de trabalhadores sem carteira assinada, 80,6% também não contribuem com a Previdência.

 

Do emprego formal ao bico

 

Sem emprego, Francisco e a família passaram preparar marmitas em casa para vendê-las na rua (Foto: Daniel Silveira/G1)Sem emprego, Francisco e a família passaram preparar marmitas em casa para vendê-las na rua (Foto: Daniel Silveira/G1)

Sem emprego, Francisco e a família passaram preparar marmitas em casa para vendê-las na rua (Foto: Daniel Silveira/G1)

Francisco Cleiton, de 38 anos, trabalhou por mais de 15 anos no ramo de construção civil. Perdeu o emprego com carteira assinada na crise em 2015, junto com outros familiares. Hoje, a família faz comida em casa e vende marmitas na rua.

Cleiton conta que a quantidade de horas trabalhadas caiu – assim como a renda familiar. “O lado positivo de trabalhar informal é que a gente chega aqui, vende e quando acaba vai embora. Não tem que cumprir horário”. O lado negativo, enfatiza ele, é a incerteza quanto ao futuro do negócio e o fato de estar desprovido de garantias trabalhistas, como férias, 13º salário e Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).

 

“Sou mais feliz seguro. A informalidade não me dá essa segurança”, lamenta Cleiton.

 

 

Situação de emergência

 

O crescimento do trabalho sem carteira e por conta própria, mesmo com menos garantias e rendimento menor, “é reflexo da crise acentuada que tivemos”, como explica o economista Sergio Firpo, professor do Insper. “Isso faz com que o novo trabalhador acabe, nessa situação emergencial, aceitando salários menores do que o de costume, e possivelmente no mercado informal.”

Trabalhadores por conta própria
Pessoas com mais de 14 anos trabalhando, em milhares
em milharespessoas ocupadasjun-jul-ago 2016set-out-nov 2016dez-jan-fev 2017mar-abr-mai2017jun-jul-ago 201721.75022.00022.25022.50022.75023.000
Fonte: IBGE

O coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo, diz que a condição de informalidade “não é boa no médio e longo prazo”.

“Quando essas pessoas não estão amparadas pelo emprego formal, elas não têm acesso ao crédito, por exemplo. Isso é prejudicial tanto para o trabalhador quanto para o próprio país, já que você tem menos gente contribuindo com a Previdência e menos gente tendo acesso ao consumo”, diz Azeredo.

Trabalhadores com carteira assinada
Pessoas com mais de 14 anos trabalhando, em milhares
em milharespessoas ocupadasjun-jul-ago 2016set-out-nov 2016dez-jan-fev 2017mar-abr-mai2017jun-jul-ago 201733.00033.25033.50033.75034.00034.250
Fonte: IBGE

 

Novos postos: salários menores e menos qualificação

 

As vagas formais criadas neste ano oferecem salários menores que os postos que foram fechados. Firpo, do Insper, aponta que aqueles que perderam o emprego no segundo trimestre de 2017 tinham uma renda 9,7% maior, em média, do que os que foram contratados no mesmo período.

Mas a diferença de valores já foi maior em 2016, de cerca de 12,6%, e vem diminuindo. Firpo explica que, em um movimento de recuperação de crise como o de agora, o mercado de trabalho formal geralmente reabsorve primeiro os empregados de menor custo para as empresas – ou seja, os menos qualificados são os primeiros a se reposicionar. “As pessoas com menos experiência, mais jovens, têm um custo menor para a empresa empregar”, aponta o economista.

Francisco Cleiton sentiu isso pessoalmente enquanto procurava emprego. “No auge da construção tinham vagas de encarregado de obras de R$ 4 mil. Agora a oferta é de R$ 1,8 mil”, diz ele, que mesmo fazendo “quentinhas” para vender, segue tentando uma vaga com carteira assinada na área em que atuava antes.

Isso não tem acontecido só na construção civil. A analista financeira Luíza Baeta, de 28 anos, procura emprego desde julho, quando a empresa na qual trabalhava informou aos funcionários que iria encerrar as atividades em setembro. Em três meses de procura, não conseguiu outro trabalho.

 

“Já fiz umas dez entrevistas. Em todas elas, os salários oferecidos estão, em média, 20% a 30% mais baixos e nem sempre oferecem todos os benefícios. O que estão oferecendo hoje é menos do que eu ganhava há dois anos”, conta Luíza.

 

Os economistas explicam que a oferta de salários menores é comum num momento de retomada da economia. “Você está diante de uma recessão, onde as empresas estão tentando reduzir gastos de todas as formas. É natural que isso se reflita, também, na oferta salarial”, aponta Azeredo.

Não é só teoria, como mostra a experiência de Cleiton. “Recentemente eu perdi uma vaga de pintor porque a empresa disse que minha capacitação era maior do que podiam pagar.

Fonte: G1

Desemprego chega a 12,6% em agosto e atinge 13,1 milhões, diz IBGE

Número de desocupados caiu 4,8% em relação ao trimestre encerrado em maio deste ano.

Desemprego atinge 12,6% em agosto e afeta 13,1 milhões de brasileiros, aponta IBGE

Desemprego atinge 12,6% em agosto e afeta 13,1 milhões de brasileiros, aponta IBGE

desemprego ficou em 12,6% no trimestre encerrado em agosto, segundo dados da Pnad Contínua, divulgados nesta sexta-feira (29) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No período, o Brasil tinha 13,1 milhões de desempregados, uma queda de 4,8% em relação ao trimestre terminado em maio.

Assim como no período anterior, a melhora na ocupação ainda é puxada pela informalidade e pelas contratações no setor público, de acordo com o coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo.

Na comparação com o mesmo trimestre do ano passado, porém, houve aumento de 9,1%. Ou seja, segundo o IBGE, em agosto deste ano o Brasil tinha 1,1 milhão de desempregados a mais que no mesmo período do ano passado.

 (Foto: Arte/G1) (Foto: Arte/G1)

(Foto: Arte/G1)

 

“Dizer que o pior já passou é precipitado. Temos um cenário exógeno, que é uma crise política que está em curso. Essa crise pode reverter todo esse processo de recuperação que a gente vem observando”, ponderou Azeredo.

 

Segundo o pesquisador, a grande expectativa é saber se o ano de 2017 vai terminar com mais ou menos desemprego do que havia no ano passado. “O que se vem se desenhando até aqui é de uma recuperação desse mercado de trabalho. Mas, para se saber até que ponto esse processo vai avançar, a gente precisa de mais PNADs contínuas para podermos avaliar”, disse.

O pesquisador apontou que o principal indicador de que há melhora no mercado de trabalho é o fato de que, em relação ao trimestre terminado em maio, a população em idade de trabalhar aumentou em 2,1 milhão de pessoas, enquanto a população na força de trabalho (ocupados e desocupados) aumentou em 2 milhões no período.

“Isso mostra que estamos com um nível de ocupação acompanhando o aumento da população em idade de trabalhar”, destacou.

Desemprego no Brasil recua pela quinta vez seguida

Desemprego no Brasil recua pela quinta vez seguida

 

População ocupada

 

No trimestre terminado em agosto, o Brasil tinha 91,1 milhões de pessoas ocupadas, um aumento nas duas bases de comparação. A ocupação, segundo Azeredo, está próxima do que foi observado entre em 2013 e 2014.

Na comparação com maio deste ano, 1,4 milhão de pessoas a mais estavam ocupadas (1,5%). Em relação a agosto do ano passado, o contingente aumentou em 1 milhão de pessoas (1%).

O número de trabalhadores por conta própria (22,8 milhões de pessoas) cresceu 2,1% em relação ao trimestre terminado em maio. Também houve variação positiva, de 2,8%, ante o mesmo período de 2016, representando um aumento de 612 mil pessoas.

População ocupada
Com carteira assinada: 34.176Sem carteira: 10.204Trabalhador doméstico: 6.122Setor público: 11.361Empregador: 3.946Conta própria: 22.235Familiar auxiliar: 2.093
Fonte: IBGE

 

Carteira assinada e informalidade

 

Segundo o IBGE, o número de carteiras de trabalho assinadas se manteve estável na comparação com maio (33,4 milhões). Se comparado com o mesmo período do ano passado, porém, houve queda de 2,2%, o que equivale a 765 mil trabalhadores a menos com carteira assinada neste ano.

O número de empregados sem carteira assinada cresceu em 2,7% na comparação com maio e 5,4% na comparação com agosto do ano passado. “O que a gente percebe agora é um crescimento do emprego sem carteira assinada, com quase 70% dos novos postos de trabalho sendo criados na informalidade“, destacou Azeredo.

Segundo o pesquisador, historicamente, o retorno de toda crise financeira no mercado de trabalho se dá com o aumento de postos de trabalho não registrados.

 (Foto: Arte/G1) (Foto: Arte/G1)

(Foto: Arte/G1)

 

Massa salarial

 

A massa de rendimento recebido em todos os trabalhos pelas pessoas ocupadas ficou estável em relação ao trimestre móvel de março a maio e também frente ao mesmo trimestre do ano passado, em R$ 186,7 bilhões, segundo o IBGE.

Questionado sobre o que de fato vai configurar a plena recuperação do mercado de trabalho, Azeredo afirmou que é a geração de vagas formais acompanhadas de aumento nos salários.

“A geração de vagas vai apontar que esse mercado está em avanço. Mas que essas vagas sejam de qualidade, ou seja, vagas voltadas para o mercado mais formal e que sejam vagas que façam o rendimento crescer acompanhando, pelo menos, a inflação”.

 

Destaques da Pnad de agosto:

 

 

  • O desemprego ficou em 12,6% no trimestre encerrado em agosto; o país tinha 13,1 milhões de desempregados, uma queda de 4,8% em relação ao trimestre terminado em maio.
  • Houve aumento de 9,1% frente ao mesmo trimestre do ano anterior, com 1,1 milhão de desempregados a mais.
  • No trimestre terminado em agosto, o Brasil tinha 91,1 milhões de pessoas ocupadas. Na comparação com maio deste ano, 1,4 milhão de pessoas a mais estavam ocupadas (1,5%). Em relação a agosto do ano passado, o contingente aumentou em 1 milhão de pessoas (1%).
  • O número de carteiras assinadas ficou estável ante maio (33,4 milhões). Mas frente ao mesmo período do ano passado, houve queda de 2,2%, ou 765 mil trabalhadores a menos com carteira assinada neste ano.
  • O número de empregados sem carteira assinada cresceu em 2,7% na comparação com maio e 5,4% na comparação com agosto do ano passado.

Fonte: G1

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