Palavra-chave: Brasil
A nova classe média – formada pelas pessoas que ascenderam agora para esse grupo – tem uma contribuição maior dos jovens do que nas classes mais altas. O estudo “Vozes da classe média” lançado em 20/9/12 pela Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República e antecipado pelo GLOBO, aponta que 49% dos filhos dessa nova classe média estudaram mais do que os pais. Além disso, esses jovens contribuem com R$ 71 para cada R$ 100 que o pai coloca na família, ao passo que filhos da classe alta contribuem com apenas R$ 20 para cada R$ 100.
Essa nova classe média também incluiu os negros. Como antecipou O GLOBO, oito em cada dez pessoas que ascenderam à classe média na última década são negras. Segundo o estudo, na última década, 37 milhões de pessoas ascenderam à classe média brasileira. Essa fatia da população já é maioria (53%) e pode até decidir uma eleição.
O coordenador-residente do Sistema das Nações Unidas no Brasil, Jorge Chediek, lembrou, durante o evento de apresentação do trabalho nesta quinta-feira, que o foco de atuação dos organismos internacionais costuma ser a miséria. Mas que é preciso voltar os olhos para a nova classe média, em um esforço para impedir que quem melhorou de vida retorne à pobreza.
– Tem que fazer as duas coisas: manter o esforço para eliminar a pobreza extrema e calibrar as políticas públicas para atender demandas da classe média – disse Chediek, outro parceiro do “Vozes da classe média”. O critério adotado pelo governo é o de que a classe média é formada por pessoas com renda familiar per capita de R$ 291 a R$ 1.019 por mês.
Para o ministro da SAE, Moreira Franco, o grande desafio com a ascensão desse contingente à classe média é garantir sustentabilidade a esse grupo, preservando o que ela já conquistou e dar chance de que ela continue conquistando. Renato Meirelles, sócio-diretor do instituto de pesquisa Data Popular, parceiro do governo no “Vozes da classe média”, destacou que para gerar essas oportunidades é preciso que o governo e as empresas olhem de forma diferente para esse grupo.
– Políticas públicas para a classe média não têm mais a ver com política assistencial. Têm a ver com política econômica, redução de juros, redução de impostos – disse Meireles.
O diretor de Ações Estratégicas da SAE, Ricardo Paes de Barros, destacou que o grupo deve ser olhado pelo governo e empresas como algo positivo, para criarem ações focadas em suas necessidades, evitando que ela se torne algo negativo para a economia do país:
– Essa classe média é um tremendo ativo, mas tem que ser tratada com muito cuidado e políticas específicas, de tal maneira a não se tornar um passivo, seja em termo de balança de pagamentos, inflação ou endividamento – disse Paes de Barros.
Educação pode garantir a manutenção na classe média
O acesso à educação poder ser um dos diferenciais que garantam a sustentabilidade desse novo grupo. Segundo Paes de Barros, um dos fatores que explicam a diferença de renda entre a classe média e a alta está na educação: a média de anos de estudo na classe alta (12 anos) é 50% maior do que na média (8 anos). Além disso, ele afirma que um desafio para a classe média é reduzir a rotatividade no emprego, o que pode ser feito melhorando a qualificação profissional dos trabalhadores e conscientizando empresários sobre a importância da criação de carreiras nas empresas.
– Para essa classe média continuar ascendendo, ela vai precisar de acesso cada vez maior a uma educação média de melhor qualidade e mais acesso à educação superior. Vai precisar também de formação profissional continuada – disse Paes de Barros.
Estimada em 104 milhões de pessoas, a nova classe média prefere pagar pela escola dos filhos, recorre a hospitais particulares em caso de necessidade e não abre mão de um plano de saúde. Enquanto 5% da classe baixa possuem planos de saúde, esse percentual sobe para 24% na classe média.
A equipe econômica do governo já enxerga “sinais claros” de recuperação da atividade no segundo semestre do ano, por meio dos indicadores divulgados até o momento. Na 16ª edição do boletim ‘Economia Brasileira em Perspectiva’ divulgado nesta sexta-feira pelo Ministério da Fazenda, há a avaliação de que o desempenho da atividade brasileira na primeira metade do ano foi influenciado pelo agravamento da crise internacional. “Vale ressaltar que, ao contrário do que foi visto em vários países, a economia brasileira não registrou queda de crescimento no primeiro semestre de 2012”, escreveram os técnicos.
O documento destaca também que as medidas anticíclicas e a ênfase dada pelo governo aos investimentos “já começaram a surtir efeito”. “A economia brasileira reage para alcançar um crescimento mais vigoroso a partir do segundo semestre de 2012”, comentaram os técnicos. A expectativa da equipe é a de que a economia estará crescendo a um ritmo anualizado de 4% “ao final do ano”.
A expectativa de que haverá recuperação da atividade industrial não preocupa a equipe econômica do governo em relação aos possíveis impactos sobre os preços. “Os níveis de utilização da capacidade instalada garantem que a recuperação da atividade econômica não provocará pressões inflacionárias”, trouxe o boletim.
O documento destacou também que tanto o índice de confiança da indústria como o do consumidor permanecem na “zona de otimismo” a despeito da deterioração do ambiente macroeconômico internacional. “Esses indicadores apresentarão sensível melhora com o maior dinamismo da economia no segundo semestre”.
Fonte: Yahoo
Imagine viver num país de dimensões continentais cuja economia está entre as maiores do mundo, mas onde cerca de 30 milhões de pessoas que moram nas grandes cidades ainda não têm acesso à coleta de esgoto. Esse país se chama Brasil, e o mapa do saneamento básico nos cem municípios mais populosos do território nacional foi divulgado hoje (16) pelo Instituto Trata Brasil e a GO Associados no auditório da Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo.
O estudo se baseou nos dados no Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento Básico (SNIS), publicado regularmente pelo Ministério das Cidades. Os números mais recentes refletem a realidade do país em 2010. A pesquisa analisou três itens: nível de cobertura dos serviços de distribuição de água, coleta de esgoto e tratamento de efluentes; investimentos e melhorias realizadas na rede de água e esgoto; e nível de eficiência e perdas na distribuição de água.
Dentre as maiores cidades do país, Santos, no litoral paulista, foi a mais bem avaliada pelo ranking do Instituto Trata Brasil, que é publicado desde 2007. Segundo o estudo, todos os domicílios santistas são atendidos pela rede de água e esgoto. O desperdício também é baixo na cidade que hospeda o maior porto de cargas da América Latina: apenas 13% da água distribuída às residências de Santos acabou se perdendo.
Melhores e piores
A lista das grandes cidades brasileiras em melhor situação quanto a saneamento básico segue com Maringá (PR), Franca (SP), Uberlândia (MG) e Jundiaí (SP). Isso não quer dizer que os cinco municípios que encabeçam o ranking ostentem os melhores indicadores em todos os quesitos: a metodologia adotada pela Trata Brasil e GO Associados faz uma média ponderada do desempenho de cada cidade em cada categoria e só então classifica a qualidade dos serviços.
Entre as capitais, Brasília (DF) é a mais bem ranqueada – está em 11° lugar. Depois vêm Belo Horizonte (MG) e São Paulo (SP) entre as 20 primeiras; e Goiânia (GO), Vitória (ES), Salvador (BA), Campo Grande (MS), Rio de Janeiro (RJ), Fortaleza (CE), Florianópolis (SC) e Porto Alegre (RS) entre as 50 melhores. As demais capitais do nordeste e as capitais do norte do Brasil aparecem nas últimas colocações – da 82ª em diante.
No extremo da tabela se destaca Macapá, capital do Amapá, onde apenas 42% dos domicílios têm acesso à água, pouco mais de 5% é beneficiado com coleta de esgoto e incríveis 75% da água distribuída se perdem em sistemas de distribuição ineficientes – é o maior índice de desperdício entre as cidades analisadas pela pesquisa. No pé do ranking ainda figuram Porto Velho-RO, Jaboatão dos Guararapes-PE, Ananindeua-PA e Santarém-PA.
“Há um atraso de investimentos de muitos anos no Brasil, o que gerou um déficit muito grande: hoje há uma falta generalizada de serviços, não só no que se refere à distribuição de água, mas principalmente à coleta e tratamento de esgotos e perda de água. São índices enormes para o nível econômico que o país atingiu”, contextualiza Édison Carlos, presidente do Instituto Trata Brasil. “Convivemos com um sistema de saneamento de pelo menos três décadas atrás e vivemos com uma escassez hídrica brutal, porque as maiores fontes de água doce estão na Amazônia, longe da maioria da população.”
Desigualdade
Édison Carlos lembra que mais da metade da população brasileira não está conectada à rede de esgoto: isso quer dizer que a água do banho, da torneira ou da descarga de suas casas – quando há casa – não segue cano abaixo para alguma estação de tratamento de efluentes. São aproximadamente 100 milhões de pessoas desassistidas, número equivalente a toda população da Argentina, Colômbia e Chile juntas. A situação é ainda pior para uma parte delas. “Ainda temos 10 milhões de brasileiros que não têm acesso sequer a um banheiro digno”, critica. “É uma vergonha.”
Para o presidente do Instituto Trata Brasil, é fundamental acompanhar a evolução dos serviços de saneamento básico nas cem maiores cidades do país. Os grandes municípios brasileiros concentram 40% da população brasileira, ou seja, 77 milhões de pessoas. Concentram também a maioria das obras públicas, dos empregos e da produção econômica. Portanto, diz, deveriam puxar o desenvolvimento do Brasil também em saneamento.
Apesar dos números desanimadores, porém, a situação tem evoluído ultimamente. “A liberação de recursos para as grandes cidades brasileiras através do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) têm melhorado a situação”, contextualiza o presidente da Trata Brasil. “Hoje já temos 20 grandes municípios que universalizaram a distribuição de água e estão muito próximos da universalização da coleta e do tratamento de esgotos.”
Édison lembra que, no Brasil, a construção e ampliação das redes de água e esgoto é uma responsabilidade dos governos municipais, que, na falta de recursos próprios, podem contar com verbas federais destinadas especialmente para o setor. “As grandes cidades não podem mais reclamar que não têm dinheiro. Há R$ 10 bilhões parados no Ministério das Cidades esperando projetos de saneamento”, afirma. “É uma questão de investimento. Por que Minas, São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná estão melhorando? Porque estão investindo. Há muito trabalho a ser feito.”
Saúde
Para o especialista, a carência histórica do Brasil em saneamento básico tem duas razões principais: as já conhecidíssimas falta de vontade política dos governos municipais e falta de pressão popular. “O brasileiro não vive sem água, é um bem vital e indiscutível, mas aprendeu a viver sem coleta de esgoto. Às vezes existe a rede, mas a pessoa não quer se conectar para não ter que pagar pelo serviço”, diz. “Os números mostram que o brasileiro não valoriza o saneamento básico e simplesmente não cobra as autoridades. Por isso, as prefeituras se sentem estimuladas a investir em outras áreas.”
E a falta de interesse político persiste apesar da importância do saneamento básico para as demais áreas da administração pública, que se traduzem em qualidade de vida para a população. Édison Carlos relaciona a inexistência de redes de água e esgoto à ocorrência de doenças, mortalidade infantil, impacto ambiental e problemas ligados ao trabalho e à educação.
Essa relação entre saneamento e saúde pode ser traduzida em números: as dez cidades brasileiras pior posicionadas no ranking do Instituto Trata Brasil registraram 546% mais casos de internações por diarreia do que as 20 melhores colocadas. A morte de crianças também foi maior: 49% entre recém-nascidos, 61% entre 1 e 4 anos de idade e 57% entre 5 e 9 anos. “A prefeitura que não investe em água e esgoto gasta mais com atendimento de saúde e perde dinheiro em educação e turismo”, conclui.
Fonte: Revista Brasil Atual
Ao doar apenas até agosto deste ano, US$ 75 milhões em comida para os países que enfrentam situações de crise, o Brasil passa a ser considerado um dos maiores colaboradores do Programa Mundial de Alimentos (PMA) da comunidade internacional. Em 2011, o governo brasileiro doou mais de 300 mil toneladas de comida para 35 países. Paralelamente, o Brasil é apontado como uma das nações que mais se destacam no apoio à ajuda humanitária.
Em comunicado, o PMA ressaltou a atuação do Brasil tanto na doação de alimentos como na assistência humanitária internacional, por meio de parcerias. O governo brasileiro comunicou que manterá as doações de alimentos não só até dezembro como também em 2014.
A ideia é distribuir até o fim do ano 90 mil toneladas de arroz para a Bolívia e Honduras, na América Latina, e Burundi, Congo, Etiópia, Gâmbia, Uganda, Moçambique, Níger, Senegal e Zimbábue, na África.
O Brasil colabora com missões de paz no Haiti, país cujo governo atua para buscar a estabilidade política, econômica e social, e na Síria, que há 17 meses enfrenta confrontos internos devido às divergências entre o presidente, Bashar Al Assad, e a oposição.
O Ministério das Relações Exteriores informou que o Brasil mantém uma série de parcerias com vários países para estimular a produtividade agrícola e o desenvolvimento rural, na tentativa de buscar a segurança alimentar.
“As experiências em programas de alimentação escolar, em que os alimentos são comprados a partir de pequenos agricultores locais podem enriquecer o debate entre o Brasil e os governos africanos em torno da promoção do direito à alimentação”, disse o diretor do Centro de Excelência do Programa Mundial de Alimentos para a África, Daniel Balaban, que atua em parceria com o Brasil.
Só no Haiti, o país mais pobre das Américas, mais de 24 mil toneladas de arroz e feijão brasileiros foram distribuídas para os moradores que sofreram com o terremoto de janeiro de 2010. Os custos de distribuição foram cobertos pela Espanha. Na África, mais de 65 mil toneladas de milho e feijão brasileiros foram doados para países, como a Somália.
Fonte: Yahoo
A falta de mão de obra qualificada afeta 69% das empresas, segundo pesquisa divulgada nesta quarta-feira pela CNI (Confederação Nacional da Indústria).
Para mais da metade (52%) das empresas do setor industrial consultadas, a má qualidade da educação básica é uma das principais dificuldades para qualificar esses funcionários.
Para driblar esse problema,78% das empresas oferecem a capacitação necessária no próprio local de trabalho.
“É um problema que atinge a indústria como um todo, dificultando o aumento de produtividade e a qualidade do produto”, afirma o gerente-executivo da Unidade de Pesquisa da CNI, Renato da Fonseca.
Embora todas as áreas e categorias profissionais sejam atingidas por esse gargalo, a área de produção, principalmente operadores e técnicos, é a mais prejudicada.
A sondagem da entidade entrevistou executivos de 1.616 empresas entre os dias 3 e 26 de janeiro. Entre as empresas ouvidas, 931 são pequenas, 464 médias e 221 grandes.
CONSTRUÇÃO CIVIL
Outra pesquisa, dessa vez a cargo da Fundação Getúlio Vargas, já havia detectado os problemas de formação profissional da mão de obra nacional.
O trabalho da FGV mostrou que somente 17,8% dos trabalhadores ocupados na construção civil freqüentaram curso de educação profissional.
De 16 setores analisados na pesquisa, os com maior proporção de pessoas formadas em cursos de educação profissional são: automobilístico (45,71%), finanças (38,17%), petróleo e gás (37,34%). Já os com menor proporção são agronegócio (7%), outros (13,54%) e construção civil (17,8%).
Ao se levar em conta os níveis de formação (qualificação profissional, curso técnico e graduação tecnológica), a construção civil aparece em 14º lugar no ranking relativo à qualificação profissional e também na 14ª posição no referente a cursos técnicos. E aparece em 13º lugar se considerado o nível de graduação tecnológica. No total, são 16 setores avaliados.
Um dos principais temas de reflexão é que, apesar do aumento da escolaridade e dos salários no setor, há maior escassez de mão de obra na construção civil.
Por não empregar mulheres e jovens, os segmentos mais escolarizados da população, a tendência é de acirramento do apagão de mão de obra qualificada, segundo o estudo. A opção dos jovens é por trabalhos menos braçais. Dos 29 milhões de jovens ocupados, apenas 2 milhões trabalham no setor da construção civil.
Fonte: Folha
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Fonte: Youtube
Quase 30% dos brasileiros compromete até 10% da renda com compras parceladas. Destes, 36,5% têm renda superior a R$ 9,600.
Em seguida, segundo revela a Sondagem de Expectativas do Consumidor feita pela FGV (Fundação Getúlio Vargas), aparecem 24,8% dos brasileiros com com comprometimento da renda entre 11% e 50%. Neste caso, o destaque vai para os brasileiros com renda entre R$ 2.100 e R$ 4.800.
Os brasileiros com renda entre R$ 2.100 e R$ 4.800 aparecem novamente em destaque quando a questão é o comprometimento de 51% a 100% da renda. Dos 3,3% dos brasileiros nesta condição, a faixa representa 5,0%.
A pesquisa também revela que 0,9% dos brasileiros tem mais de 100% da renda comprometida com dívidas. Para este percentual, a maioria (3,1%) são aqueles com renda até R$ 2 mil.
Cidades
De acordo com a sondagem, 36,3% dos brasileiros com até 10% da renda comprometida com dívidas está em Recife.
A maioria dos brasileiros com comprometimento entre 11% e 50% estão concentrados em Belo Horizonte, com 30,3%.
O levantamento também mostra que Recife também lidera entre o comprometimento de 51% a 100%, com 5,4%. Já Belo Horizonte volta a aparecer no comprometimento acima de 100%, com 1,7%.
Em São Paulo, a maioria (28,5%) tem até 10% da renda comprometida com dívidas. Já 39,9% dos paulistanos disseram que não tem contas parceladas.
Fonte: Yahoo
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Fonte: Youtube
No momento de agravamento da crise global, muitos especialistas se perguntam qual será o impacto sobre o Brasil. Mas não basta olhar para o curto prazo. Nas próximas décadas, para onde o país caminha? O GLOBO levou essa indagação a funcionários do governo, economistas, professores, médicos, cientistas e esportistas. O objetivo era traçar um retrato do Brasil que queremos para os próximos 10 ou 20 anos. Em 2022, por exemplo, quando completará o bicentenário da Independência, o Brasil deverá estar entre as cinco economias mais importantes do globo e uma de suas principais reservas de energia.
O Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos) saltará dos US$ 2,4 trilhões do ano passado para cerca de US$ 3,5 trilhões, avançando no caminho de chegar aos US$ 5 trilhões em 2030. Em 2022, os quase 210 milhões de brasileiros, dos quais 70% em idade produtiva – recorde de todos os tempos -, serão um mercado consumidor de fazer inveja a grandes nações e permitirão ao país começar a próxima década com a missão de deixar de ser, para realizar, a velha promessa de futuro.
No Executivo, não há um plano de voo oficial que vá muito além de dez anos com metas claras. Em geral, os planejamentos são do tamanho dos mandatos políticos. A União, por exemplo, teve dificuldade de fazer parcerias com a China na área de preservação de biodiversidade, durante a Rio+20, pois só temos projetos no setor para dez anos, enquanto os asiáticos planejam as próximas três décadas, contou a ministra Izabella Teixeira.
Integrantes da equipe da presidente Dilma Rousseff dizem que um dos grandes desafios é conciliar as políticas voltadas para a ampliação do mercado interno, com mais renda e acesso a crédito, às estratégias de sustentabilidade do país. E esta será cada vez mais a realidade brasileira nas próximas décadas. As ações do Ministério da Fazenda que consideram práticas sustentáveis ainda são residuais. Para a iniciativa privada, os maiores esforços devem estar concentrados na educação, em investimentos e nas reformas tributária e administrativa.
– O meio ambiente está na agenda da economia, em projetos isolados, mas crescendo: o Minha Casa, Minha Vida, por exemplo, amplia o número de habitações no país, mas já exige materiais verdes. Vantagens tributárias para automóveis mais eficientes, que estão sendo discutidas agora, serão outra novidade – diz uma fonte do governo.
Planejamento estratégico é frágil
Cada um dos 24 ministérios e 13 órgãos com status de ministério na Esplanada tem um planejamento específico, que, muitas vezes, não se comunica com o dos vizinhos. A própria presidente, segundo assessores próximos, tem uma visão muito particular. O economista João Paulo dos Reis Velloso, que foi ministro do Planejamento nos governos Médici e Geisel, é sarcástico ao falar da estratégia oficial de longo prazo:
– Se você souber de uma, me avise – ironizou. – O PAC não tem nada de ruim, mas é apenas um programa. Foi depois que o Planejamento virou ministério que começaram os voos de galinha – alfinetou o economista, responsável pelo II Plano Nacional de Desenvolvimento (PND), de 1975-79.
O “Brasil 2022”, compêndio com mais de 100 páginas elaborado pela Secretaria de Assuntos estratégicos (SAE) da Presidência da República à época em que ainda era comandada pelo então ministro Samuel Pinheiro Guimarães, é o documento oficial que mais se aproxima de uma visão estratégica de longo prazo. Criado em 2010 ainda durante o governo Lula, o relatório vê um país ainda mais soberano, que participará em igualdade de condições de fóruns internacionais como o Conselho de Segurança da ONU e o G-20, com uma sociedade mais justa e progressista até 2022.
Ali, estão relacionados 180 sonhos – alguns vagos, outros mais precisos -, mas sem os respectivos meios de torná-los realidade. A lista dos desejos, que estão sendo chamados de “Metas do Centenário”, inclui desde crescer mais de 7% ao ano e reduzir à metade do número de homicídios no país a dobrar o número de municípios atendidos por serviços aéreos, passando por zerar o déficit habitacional brasileiro, assegurar 100% de acesso a saneamento à população e atingir cinco livros per capita como índice de leitura nacional.
Neste momento, a SAE está ampliando o que teria sido essa primeira tentativa de criar diretrizes de mais longo prazo para o país. O ministro Wellington Moreira Franco conta que está sendo feito o Plano 2022 + 10. As metas devem ser conhecidas em 2013.
Desigualdade regional continuará caindo
Somado ao enorme crescimento do mercado consumidor, que deve receber quase 20 milhões de brasileiros até 2022, os investimentos e essa projeção recorde do governo para a população economicamente ativa (70%), devem levar o Brasil para a lista das cinco principais, passando Alemanha e França. No entanto, o Brasil seria ultrapassado pela Índia e ficaria em quinto. A colocação exata, contudo, dependerá do resto do mundo. Se todos crescerem, as chances de o país subir no ranking são menores. A Confederação Nacional da Indústria (CNI), por sua vez, estima que o país poderá ter em 2030 um PIB entre US$ 4,497 trilhões e US$ 5,226 trilhões, dependendo se a média do crescimento do país ficar em 3,3% ao ano – primeiro cenário – ou em 3,9%, na segunda estimativa. Os quatro primeiros do ranking serão, segundo a entidade, China, EUA, Japão e Índia.
José Augusto Coelho Fernandes, diretor de Política e Estratégia da CNI, acredita que o futuro do país está nas mãos dos brasileiros :
– Acredito que 70% da agenda do futuro do país estão nas mãos dos brasileiros. É claro que é melhor um ambiente de crescimento global, mas parte das nossas soluções independe disso. Precisamos de mais educação, mais inovação, de uma reforma tributária, regras trabalhistas mais modernas e mais investimentos em infraestrutura, independentemente da piora ou não da crise da Europa, da recuperação dos Estados Unidos ou do crescimento chinês – explica.
Vanessa Petrelli Corrêa, a nova presidente do Ipea, diz que para falar do futuro do país é necessário estudar seu passado recente. O crescimento médio brasileiro nas últimas duas décadas do século passado, de 2,2%, praticamente dobrou para 4,3% ao ano no período entre 2004 e 2011:
– Neste período os investimentos subiram, aumentou o consumo, aproveitamos o bom momento das commodities, o governo fez uma forte política social de distribuição de renda e os bancos públicos ampliaram o crédito. O crescimento reduziu a desigualdade entre as regiões, o que deve ser intensificado nas próximas duas décadas – afirma a economista.
Os investimentos precisam continuar crescendo forte para dar conta dessa expansão. A CNI, por exemplo, indica que o país precisará de sete milhões de residências em 15 anos, a um custo de R$ 60 bilhões. A matriz eólica será a terceira mais usada em 2020, com mais de 6% do parque de geração de energia elétrica. Ambientalistas querem que o saneamento seja universalizado até 2030.
O petróleo está na agenda do país com a exploração na camada do pré-sal. Esta é uma das grandes apostas do governo, que espera que o país seja alçado nos próximos 20 anos ao ranking das cinco grandes reservas do planeta, que podem atrair mais de R$ 350 bilhões em investimentos até lá.
Embora ainda não tenha conseguido a aprovação do projeto que distribui os recursos desse petróleo que será retirado de profundezas até bem pouco tempo inimagináveis, governo e iniciativa privada se preparam para o futuro. O governo trabalha para que essa riqueza seja usada como uma poupança, a partir da criação do Fundo Social, que pode sair até o fim do ano.
Para o economista Sergio Besserman, o petróleo tem que ser o provedor de recursos financeiros para a transição para a economia do futuro, que estará baseada na sustentabilidade:
– Podemos fazer o que Celso Furtado chamou de deslocamento do centro dinâmico. E o nosso terá muita ciência, tecnologia e baixo carbono.
Fonte: Yahoo
O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, recebeu a bandeira olímpica das mãos do presidente do Comitê Olímpico Internacional, Jacques Rogge, neste domingo, marcando oficialmente o início do novo ciclo, que levará os Jogos à Cidade Maravilhosa em 2016.
A bandeira foi entregue no estádio olímpico de Stratford, nos momentos finais da cerimônia de encerramento dos Jogos de Londres, e será levada para o Rio de Janeiro nesta segunda-feira e hasteada na comunidade do complexo do Alemão.
A entrega foi realizada depois do hino da Grécia, país que inventou os Jogos Olímpicos na Antiguidade, e do hino olímpico.
Em seguida, a bandeira olímpica foi ‘devolvida’ por Boris Johnson, prefeito de Londres a Jacques Rogge, que a apresentou a Eduardo Paes.
A bandeira brasileira foi hasteada e o hino nacional tocou no estádio de Stratford, dando início ao espetáculo ‘Abraço’, de oito minutos, que apresentou a diversidade cultural do país, que contou com a presença do ‘Rei’ Pelé, maior craque da história do futebol.
O show do Brasil em Londres começou com o gari Renato Sorriso, famoso por desfilar como passista no sambódromo durante o Carnaval do Rio de Janeiro.
Renato apareceu varrendo o chão do estádio, antes de ser interrompido por um ator-segurança que chegou para “prendê-lo”.
No meio da discussão entre os dois homens, surgem ritmistas, que empolgaram o estádio com suas percussões, seguidos de Marisa Monte que apareceu no topo de um incrível carro alegórico que na verdade era o prolongamento do seu vestido.
A cantora, que representou a deusa Iemanjá, cantou as Bachianas, de Heitor Villa-Lobos, numa coregrafia com 225 dançarinos voluntários residentes na Europa, sendo 31 brasileiros de diversas cidades do país, que vestiram figurinos assinados pelo estilista e artista plástico Jum Nakao.
Depois de Marisa apareceu o rapper BNegão, que cantou a música “Maracatú atômico”, do cantor pernambucano Chico Science, falecido em 1997.
O som do mangue beat deu vez ao samba soul de Wilson Simonal, com “Nem vem que não tem”, na voz grave do cantor Seu Jorge, vestido de malandro, com um terno branco e uma camisa dourada.
Em seguida apareceu a modelo Alessandra Ambrósio, que dançou com Seu Jorge e Renato Sorriso.
O show foi encerrado com uma das músicas mais emblemáticas do Rio de Janeiro, “Aquele abraço”, de Gilberto Gil, cantada em coro por Seu Jorge, BNegão e Marisa Monte, que voltou em cena com um vestido longo mais discreto, num cenário que exibia imagens do calçadão de Copacabana.
Foi nessa hora que surgiu a maior estrela do esporte brasileiro, o Rei Pelé, que entrou no palco abraçando os cantores e arrancando muitos aplausos do público.
Dois atletas olímpicos também participaram da festa, o velejador Robert Scheidt, maior medalhista brasileiro com cinco pódios, dois ouros, duas pratas e um bronze, esse último conquistado em Londres.
Os oito minutos de festa brasileira no evento custaram 20 milhões de reais foram acinados pelos cineastas Cao Hamburger e Daniela Thomas.
Fonte: Yahoo
Veja a festa de abertura e de encerramento
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Fonte: Youtube
Brasil é o 4º país com mais dinheiro em paraísos fiscais, diz organização
Brasileiros tornaram o país o quarto maior cliente de contas em paraísos fiscais, segundo relatório da Tax Justice Network (rede de justiça fiscal, em livre tradução).
Segundo o relatório, ainda não divulgado, brasileiros tinham depositado de 1970 até 2010 cerca de US$ 520 bilhões (ou mais de R$ 1 trilhão) nessas contas, onde se pode guardar dinheiro em razoável sigilo, sem ter de responder a muitas perguntas nem pagar imposto.
Promotor diz haver provas de remessas de Maluf para Jersey
Tribunal de paraíso fiscal julga processo contra Maluf
Defesa diz ser ‘impossível’ Maluf ter desviado US$ 1 bi de obra
O valor equivale a pouco mais de um quinto do PIB (Produto Interno Bruto) oficial brasileiro.
De acordo com o estudo, o tamanho da fuga de capitais do país é maior do que a dívida externa acumulada no período, de US$ 324,5 bilhões.
O documento foi escrito pelo economista James Henry para a Tax Justice Network, organização independente, focada nesse tipo de levantamento, que surgiu em 2003 no Parlamento britânico.
Henry cruzou dados do Banco de Compensações Internacionais, do FMI (Fundo Monetário Internacional), do Banco Mundial e de governos para chegar aos valores, segundo informações da BBC.
No ranking de países elaborado pela organização, o Brasil perde apenas para a China (US$ 1,2 trilhão), a Rússia (US$ 779 bilhões) e a Coreia do Sul (US$ 779 bilhões).
Na América Latina, além do Brasil, o México, a Argentina e a Venezuela estão entre os 20 que mais enviaram dinheiro a paraísos fiscais.
Ao todo, ao menos US$ 21 trilhões não contabilizados estão depositados nessas contas, diz o documento.
“A maior parte da renda de investimento perdida pelos países foi recebida por elites privadas de nações em desenvolvimento, que tinham contas em bancos no exterior, mas nunca declaravam em seus países a renda recebida”, disse Henry no relatório.
JERSEY
Nesta semana, teve fim no Judiciário da ilha de Jersey as audiências de processo que apura suspeita de que o deputado federal Paulo Maluf (PP-SP) tenha desviado para o paraíso fiscal britânico US$ 22 milhões de obras da Prefeitura de São Paulo durante sua gestão, de 1993 a 1996.
A decisão sobre o caso pode sair em até três meses, segundo advogados da prefeitura, que deu início à ação. Caberá recurso.
A assessoria do deputado nega que ele mantenha contas bancárias fora do país.
Fonte: Tax Justice Network
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