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Palavra-chave: Brasil

Classe média no Brasil já representa 53% da população

21/09/2012

A nova classe média – formada pelas pessoas que ascenderam agora para esse grupo – tem uma contribuição maior dos jovens do que nas classes mais altas. O estudo “Vozes da classe média” lançado em 20/9/12 pela Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República e antecipado pelo GLOBO, aponta que 49% dos filhos dessa nova classe média estudaram mais do que os pais. Além disso, esses jovens contribuem com R$ 71 para cada R$ 100 que o pai coloca na família, ao passo que filhos da classe alta contribuem com apenas R$ 20 para cada R$ 100.

 

Essa nova classe média também incluiu os negros. Como antecipou O GLOBO, oito em cada dez pessoas que ascenderam à classe média na última década são negras. Segundo o estudo, na última década, 37 milhões de pessoas ascenderam à classe média brasileira. Essa fatia da população já é maioria (53%) e pode até decidir uma eleição.

O coordenador-residente do Sistema das Nações Unidas no Brasil, Jorge Chediek, lembrou, durante o evento de apresentação do trabalho nesta quinta-feira, que o foco de atuação dos organismos internacionais costuma ser a miséria. Mas que é preciso voltar os olhos para a nova classe média, em um esforço para impedir que quem melhorou de vida retorne à pobreza.

– Tem que fazer as duas coisas: manter o esforço para eliminar a pobreza extrema e calibrar as políticas públicas para atender demandas da classe média – disse Chediek, outro parceiro do “Vozes da classe média”. O critério adotado pelo governo é o de que a classe média é formada por pessoas com renda familiar per capita de R$ 291 a R$ 1.019 por mês.

Para o ministro da SAE, Moreira Franco, o grande desafio com a ascensão desse contingente à classe média é garantir sustentabilidade a esse grupo, preservando o que ela já conquistou e dar chance de que ela continue conquistando. Renato Meirelles, sócio-diretor do instituto de pesquisa Data Popular, parceiro do governo no “Vozes da classe média”, destacou que para gerar essas oportunidades é preciso que o governo e as empresas olhem de forma diferente para esse grupo.

– Políticas públicas para a classe média não têm mais a ver com política assistencial. Têm a ver com política econômica, redução de juros, redução de impostos – disse Meireles.

O diretor de Ações Estratégicas da SAE, Ricardo Paes de Barros, destacou que o grupo deve ser olhado pelo governo e empresas como algo positivo, para criarem ações focadas em suas necessidades, evitando que ela se torne algo negativo para a economia do país:

– Essa classe média é um tremendo ativo, mas tem que ser tratada com muito cuidado e políticas específicas, de tal maneira a não se tornar um passivo, seja em termo de balança de pagamentos, inflação ou endividamento – disse Paes de Barros.

Educação pode garantir a manutenção na classe média

O acesso à educação poder ser um dos diferenciais que garantam a sustentabilidade desse novo grupo. Segundo Paes de Barros, um dos fatores que explicam a diferença de renda entre a classe média e a alta está na educação: a média de anos de estudo na classe alta (12 anos) é 50% maior do que na média (8 anos). Além disso, ele afirma que um desafio para a classe média é reduzir a rotatividade no emprego, o que pode ser feito melhorando a qualificação profissional dos trabalhadores e conscientizando empresários sobre a importância da criação de carreiras nas empresas.

– Para essa classe média continuar ascendendo, ela vai precisar de acesso cada vez maior a uma educação média de melhor qualidade e mais acesso à educação superior. Vai precisar também de formação profissional continuada – disse Paes de Barros.

Estimada em 104 milhões de pessoas, a nova classe média prefere pagar pela escola dos filhos, recorre a hospitais particulares em caso de necessidade e não abre mão de um plano de saúde. Enquanto 5% da classe baixa possuem planos de saúde, esse percentual sobe para 24% na classe média.

Em outro aspecto do comportamento da nova classe média, verificou-se que o gasto com transporte privado é, em média, cinco vezes maior do que  com o  público. Ao menos, é o que revela estudo feito pelo Ipea (Instituto de Pesquisa  Econômica Aplicada) também divulgado em 20/9/12.
De acordo com o levantamento, os dados da POF (Pesquisa de Orçamento Familiar) de 2009 concluem que os moradores das capitais das nove regiões metropolitanas estudadas – São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Recife, Fortaleza, Salvador e Belém – comprometem cerca de 12,65% da renda com transporte privado, enquanto o transporte público representa 2,58% das despesas.

No geral, os brasileiros destas regiões gastam 15,23% do orçamento com transporte. Além disso,  aponta o estudo, os moradores das capitais gastam mais com deslocamento urbano do que os moradores das cidades que se localizam no entorno da metrópole e das outras cidades do Estado. Veja na tabela abaixo os gastos com transportes:

Participação da renda com transporte urbano
Local Transporte Público Transporte Privado Total
Fonte: Ipea/POF 2009
Capital (Região metropolitana) 2,89% 10,99% 13,88%
Outras cidades da região metropolitana 4,36% 12,07% 16,43%
Outras cidades 1,66% 14,24% 15,90%
Total 2,58% 12,65% 15,23%

O menor comprometimento orçamentário das famílias das capitais com transporte indica melhores condições de mobilidade e de inserção social das mesmas.

Transporte público
O transporte público atinge mais o orçamento das famílias que moram na cidade do que o transporte privado, revelam os dados. Nas capitais,  68% dos moradores gastam com transporte público, contra 48% do transporte privado. Na região metropolitana, 67% comprometem o orçamento com público e 42% com o privado. Somente nas outras cidades do estado que esse quadro se inverte. A maioria (57%) gasta mais com transporte privado e 37% dos moradores com o público.

Quanto à modalidade de transporte, os serviços de ônibus são os com maiores gastos da população urbana. Enquanto o mototáxi é o de menor custo. Na capital, os gastos com ônibus são de 78,4%, seguido por ferrovias (3,8%), alternativos (5,1%), táxi (12,1%) e mototáxi (0,4%). Já nas outras cidades da região mentropolitana, as porcentagens para essas modalidades são de 88,0%, 4,7%, 3,7%, 2,5% e 0,7%, respectivamente.

Nos demais municípios, o mototáxi apresenta gastos ligeiramente mais elevados, enquanto as ferrovias caem. O comprometimento do orçamento com essas modalidades é de 3,2% e 0,3%, respectivamente. Os ônibus ficaram com 77,6%, os alternativos com 11,5% e o táxi com 7,3%.

45 Curiosidades sobre a Nova Classe Média

1
Na última década, o perfil socioeconômico do país mudou – e muito. A principal novidade foi o fortalecimento da classe C, composta por famílias que têm uma renda mensal domiciliar total (somando todas as fontes) entre R$ 1.064,00 e R$ 4.561,00.
2
Os números indicam que ocorreu uma considerável mobilidade social nos últimos anos: entre 2004 e 2010, 32 milhões de pessoas ascenderam à categoria de classes médias (A, B e C) e 19,3 milhões saíram da pobreza.
3
Não se pode dizer que o país tenha mudado da noite para o dia. A modificação resulta de múltiplos fatores, da estabilização de preços às mudanças demográficas, da educação ao mercado de trabalho.
4
Os 94,9 milhões de brasileiros que compõem a nova classe média corresponde a 50,5% da população – ela é dominante do ponto de vista eleitoral e do ponto de vista econômico. Detêm 46,24% do poder de compra (dados 2009) e supera as classes A e B (44,12%) e D e E (9,65%). (Neri)
5
A classe C em 1992 era composta por 34,96% da população. Em 2009 chegou a 50,5% (dados para 2010 apontam cerca de 52%).
6
Os jovens da classe C, mais educados e conectados, são hoje os formadores de opinião na família e na comunidade. (Meirelles)
7
Entre 2002 e 2010 os eleitores de nível universitário na classe C saltaram de 6 milhões para 9 milhões. Serão 11 milhões em 2014. Incluindo aqueles com ensino médio, eram 48 milhões no ano passado e serão 52 milhões em 2014.
8
68% dos jovens da classe C estudaram mais que os pais. (Meirelles)
9
A nova classe média não deseja o estilo de vida das elites e prefere produtos que valorizam a sua origem. (Meirelles)
10
79% da nova classe média confiam mais nas recomendações de parentes que na propaganda da TV.
11
Eleitores da classe C por região: N = 4%; NE = 22,6%; CO = 7,8%; SE = 48,2%; S= 17,4%
12
Em 2009 a classe C foi responsável por 881 bilhões de reais dos gastos com consumo – a maior fatia do total de 2,2 trilhões do País. Só na área de educação, com pagamento de escola, material escolar e livros, o consumo foi de 15,7 bilhões (em 2002 esse consumo foi de 1,8 bilhão!)
13
Segundo pesquisa da Fractal, a nova classe média deseja cultivar respeito próprio (99,2%), ser respeitada pelos outros (99,1%), ter segurança para viver (99,1%), desfrutar da vida (98,5%), sentir que alcançou as aspirações (98,2%).
14
De acordo com a pesquisa de Jessé de Souza, o valor básico da nova classe média é a transmissão familiar da importância do trabalho duro e continuado, mesmo em condições sociais muito adversas – é a ética do trabalho. De modo geral, a nova classe média advém de família estruturada, com a incorporação de papéis familiares tradicionais.
15
Até poucos anos atrás, depois de quitadas as contas do mês, essas pessoas não tinham um centavo sobrando para consumir mais do que os itens da cesta básica. Hoje, colecionam sapatos, têm acesso à tecnologia e frequentam faculdades. Tudo isso graças a mudanças profundas na economia brasileira que elevaram a renda dos brasileiros. Nos últimos sete anos, essa camada da população teve um aumento superior a 40% em sua renda familiar, que hoje vai de R$ 1,1 mil a R$ 4,5 mil. Esse aumento já injetou na economia mais R$ 100 bilhões desde 2002.
16
De acordo com dados do instituto de pesquisa Data Popular, a classe C é responsável por 78% do que é comprado em supermercados, 60% das mulheres que vão a salões de beleza, 70% dos cartões de crédito no Brasil e 80% das pessoas que acessam a internet. “A nova classe média movimenta R$ 273 bilhões na internet por ano somente com seu salário, se considerarmos o crédito disponível à ela, esse montante dobra”.
17
Essa nova classe social cresce cerca de 4% ao ano. Mais da metade da população brasileira se enquadra nesta nova classe média de ex-pobres que estão a cada dia que passa melhorando de vida e agora vivendo na classe média C. As pessoas que formam essa nova classe média são aquelas que antes não tinham conta em banco e só consumiam o que realmente era necessário, mas que hoje comprar o primeiro carro zero e constroem a sua casa própria. Isso está acontecendo por causa do aumento de emprego e também por causa dos reajustes nos salários que também contribuem para o crescimento dessa nova classe.
18
Os emergentes são a maior novidade econômica, social e política do Brasil na última década. Essa classe crescente é a grande novidade do “Brasil bem-sucedido” dos últimos anos, mas ainda é pouco conhecida. De um lado existe muito preconceito em relação a ela, como em geral aos setores populares no Brasil. (Jessé de Souza)
19
No último quarto de século, a exemplo do que ocorreu em praticamente todos os países emergentes, houve um intenso processo de mobilidade social vertical. Não só a mobilidade individual que constitui um campo tradicional de estudo dos sociólogos, mas mobilidade também estrutural, de toda uma camada, em decorrência de processos econômicos poderosos, como a abertura das economias, uma fase de vigoroso crescimento da economia mundial e, no caso brasileiro, o controle da inflação e a consequente expansão do crédito. Em vez dos integrantes da classe média tradicional, que apenas almejavam reproduzir o status dos pais, num universo mais ou menos estático, os da “nova” classe média têm a ambição de “subir na vida”, viver melhor, consumir mais e, portanto, aprender e se qualificar a fim de gerar a renda consentânea com essa forma de viver. (Bolívar)
20
O crescimento econômico brasileiro beneficiou tanto os setores superiores e privilegiados quanto os populares. Mas o crescimento mais dinâmico veio da “parte de baixo” da sociedade brasileira, o que mostra o efeito positivo para todos – inclusive para os setores privilegiados que ganham (e muito) com o novo quadro econômico – de políticas simples como o Bolsa Família e o microcrédito. O desafio para a transformação efetiva da “pirâmide” em “losango”, onde as camadas médias, pelo menos quanto à renda, são maiores que as de baixo e as de cima, implica manter aumentos reais do salário mínimo e aprofundar a política social. (Jessé)
21
A nova classe média tem maioria jovem, negra e que sofre menos de problemas de excesso de peso que as classes mais ricas, aponta levantamento do Ibope.
22
Chamada de “nova classe média” a classe C passou a englobar mais da metade dos brasileiros pela primeira vez em 2011. São 32 milhões de pessoas com idade entre 12 e 64 anos, nas principais regiões metropolitanas de todo o Brasil, sendo 20% na classe C1 e 30% na classe C2. Essa migração em massa alterou o rumo da divisão historicamente desigual do bolo no Brasil e proporcionou o surgimento de um grupo com características socioculturais próprias.
23
A nova classe C é predominantemente jovem, composta por expressiva fatia de afrodescendentes. Em Salvador, por exemplo, 41% das pessoas que fazem parte dessa faixa da população são negros e, em Brasília, 22%.
24
A população de classe C tem menos problemas com o peso, em comparação com os mais ricos, decorrência direta de menos excessos na alimentação, somado a mais mobilidade física rotineira. Apenas 27% da classe C1 estão acima do peso, contra 31% da AB1.
25
“O homem dessa categoria tende a viver menos e as mulheres exercem mais responsabilidade sobre a família, têm mais autonomia socioeconômica e, consequentemente, de consumo”, diz Dora Câmara, diretora comercial do Ibope Mídia e responsável pela pesquisa.
26
Do ponto de vista econômico, a classe C está mais otimista. Em 2005, 40% declararam estar melhor do que no ano anterior. Já em 2009, este percentual subiu para 50%. Em relação às perspectivas futuras, o percentual de otimismo também aumentou: em 2005, 74% estavam otimistas com o próximo ano e, em 2009, este percentual foi a 84%.
27
A pesquisa revela que 19% das pessoas de classe C planejam comprar imóvel nos próximos meses e 9,5 milhões pretendem adquirir um automóvel nos próximos 12 meses (novo ou usado).
28
Entre as áreas com grande potencial de crescimento, destaque para a baixa proporção da população de classe C que fala mais de um idioma (apenas 23%) e para os investimentos em aparência e cuidados pessoais, prioritários, sobretudo, para as mulheres e os jovens (64% responderam que é muito importante manter-se jovem).
29
Com emprego garantido e mais renda, os brasileiros migram dos serviços públicos de educação e saúde para redes privadas. O objetivo é conseguir um melhor atendimento, só que agora é o setor privado que não consegue dar conta da demanda e manter a qualidade.
30
De acordo com Henrique Salvador, presidente da Associação Nacional dos Hospitais Privados (Anahp), a concorrência é cada vez maior entre as operadoras de convênio, que fazem planos mais baratos para atrair a classe C. A estratégia provoca uma sobrecarga nos hospitais.
31
“O Brasil vive um ciclo de crescimento e uma das conquistas mais desejadas é um plano de saúde”, diz Salvador. Em 2010, o número de usuários do sistema privado de saúde cresceu 9%, o dobro do crescimento médio anual desde 2000. Segundo a Anahp, hoje 24% dos brasileiros são atendidos na rede particular.
32
A migração de pessoas do setor público para o privado que ocorre na área de saúde também se dá na de educação. Em 2003, 11% dos alunos matriculados nos ensinos fundamental e médio frequentavam escolas privadas. Esse porcentual está em 16% hoje e deve chegar a 20% em cinco anos.
33
“Hoje, as classes C e D começam a ter acesso às escolas privadas. E quem já tem filhos na rede particular busca opções melhores”, diz Benjamin Ribeiro da Silva, presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino de São Paulo (Sieesp). Para o professor, o problema de falta de vagas está concentrado nas escolas que atendem a classe B.
34
Os números comprovam a força da classe C. De 2002 a 2008, houve um aumento de cerca de 7% no número de domicílios de classe C – o que equivale a dizer que, em seis anos, as famílias pertencentes a esse estrato social pularam de 13 milhões para 19 milhões. No mesmo período, a massa de renda dessa mesma classe apresentou um aumento de aproximadamente 150 bilhões de reais. Está ocorrendo hoje no Brasil um momento de enorme mobilidade social”, analisou a Luciana. “Com uma redução de famílias das classes D e E, e um aumento de famílias das classes C – e B também, só que mais secundariamente”.
35
O atual aumento do poder de consumo da população – causado, entre outros motivos, pela estabilidade da moeda e a consequente expansão do crédito (responsável hoje por 50% do PIB brasileiro) – vem chamando a atenção de diversos segmentos da sociedade – de estudiosos a economistas, passando pelo empresariado e dando trabalho extra para os estrategistas de marketing.
36
Um dos exemplos da atualidade do tema é o livro A Classe Média Brasileira – ambições, valores e projetos de sociedade, escrito em parceria pelos cientistas políticos Amaury de Souza e Bolívar Lamounier. Ao longo das 190 páginas da obra, no entanto, o tom é mais de análise do que de comemoração. “O ponto que eu gostaria de levantar é: Seriam sustentáveis esses índices de crescimento dessa nova classe média?”, pergunta Amaury de Souza. “Existem boas razões para pensar que ela se defronta hoje com problemas bastante graves. Tanto assim que houve um receio generalizado com a crise financeira do ano passado, no sentido de que o mau momento poderia arrastar uma boa parte dessa nova classe C de volta à linha de pobreza”.
37
O conceito de classe média não se resume ao nível de renda, simplesmente. Nesse sentido, seria “forçar a barra” chamar esse contingente expressivo – são 30 milhões de pessoas – de classe média, usando apenas o critério da renda. E as classes sociais se definem por outros critérios, como a sua forma de ver o mundo, sua cosmovisão, sua atitude perante a vida, suas memórias, sua história. E esses são fatores um pouco mais qualitativos, que não foram pesquisados. Essa chamada “nova classe média” é nova, mas não é média, pelo menos do jeito como conhecíamos a classe média convencional, que desenvolvia e estimulava o esforço pessoal, que tinha um mundo amplo, tinha escolaridade tradicional na família. A nova classe média parece que está se restringindo, por enquanto, a fatores ainda referentes à situação anterior. Ela tem mais renda, mas continua “espiritualmente” a mesma. Pode fazer mais o que já fazia antes. Não houve ainda uma ruptura muito pronunciada. São pessoas que fizeram um esforço pessoal gigantesco, e que valorizam as realidades mais próximas de si. (Jorge Cláudio Ribeiro)
38
O mundo dessas pessoas ainda é pequeno, restrito à família, ao bairro, às suas preocupações mais imediatas. Ela pretende que a sociedade e o Estado lhe deem mais daquilo que já tem, mas não realidades, propostas e possibilidades diferentes. É religiosamente também conservadora, no sentido de que ainda mantém os laços religiosos provindos, na sua maioria, de igrejas evangélicas. Por isso mesmo são conservadoras também. Muitos são o primeiro universitário da família. Escolhem a faculdade de grife, mas que não seja muito cara, um curso não muito exigente, mas aquele que foi possível entrar. Muitos não se envolvem com o ambiente universitário, mas querem ter o diploma. Ainda não viram muita efetividade em uma escolaridade maior. Interessante é que muitos não têm ainda segurança nessa nova posição. Estão endividados, não têm perspectiva de futuro muito clara, e os laços anteriores, que são sua rede de sustentação, se mantêm. Essa rede é representada pelos hábitos, pela cultura, pela religião e pelos relacionamentos comunitários do seu bairro. (Jorge Cláudio Ribeiro)
39
A nova classe C rural, cuja renda domiciliar varia de R$ 1.126 a R$ 4.854 por mês, passou a dominar o cenário ao expandir-se 72% desde 2003. O estudo “Pobreza e a Nova Classe Média no Brasil Rural”, coordenado pelo pesquisador Marcelo Cortes Neri, mostra que esse estrato social somava 35,4% da população rural no ano passado – em 2003, era 20,6%. “A redução da desigualdade foi mais forte e mais rápida na área rural, sobretudo nas regiões mais pobres”, diz Neri. Em 2009, o segmento tinha 9,1 milhões dos 25,7 milhões de habitantes rurais.
40
Moradia de 15% da população brasileira, a zona rural do país viveu uma forte redução na pobreza, cujo índice global recuou de 51,5% para 31,9% dos residentes. “Houve uma visível elevação da renda rural, algo que antes só ocorria na área urbana. Há mobilidade social mais dinâmica no meio rural, o que melhorou a vida das pessoas”, diz o ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel.
41
Nos estratos menos favorecidos, a redução da pobreza ocorreu sobretudo com a forte elevação das transferências de renda do Estado. Houve um acréscimo de 79% nessa fonte de renda na zona rural desde 2003, segundo o estudo da FGV – no Brasil, a elevação chegou a 37,6%. A aposentadoria rural cresceu 65%, ante 34% no total nacional. E os programas sociais avançaram 221% no período, revela Marcelo Neri.
42
O governo considera relevante a mudança de padrão na redução da desigualdade da área rural. “O rural era mais atrasado que o urbano, não seguia a mesma tendência”, analisa o ministro Cassel. “O mais importante foi a ascensão das classes D e E para uma classe C forte, mais homogênea”, afirma. O movimento de ascensão social no campo deve continuar no futuro próximo. O pesquisador Marcelo Neri aponta que a zona rural está cumprindo a chamada “Meta do Milênio”, um conjunto de oito compromissos de avanço social. Na redução da extrema pobreza, cuja meta prevê reduzir pela metade essa condição até 2015, o Brasil já atingiu 43% do objetivo nesses últimos seis anos. “Estamos muito mais rápidos no rural. E temos mais espaço para avançar justamente nessas áreas mais pobres”, diz Neri. A classe D, por exemplo, soma 30,2% da população rural e 23,6% dos habitantes urbanos. “Temos 7,8 milhões de brasileiros do campo que podem virar classe média em breve”.
43
A nova classe média brasileira é formada por pessoas mais jovens, com um nível de escolaridade maior (e dispostas a aumentá-lo), mais exigente na hora de consumir e decidir onde investir o seu dinheiro e inserida no mercado de trabalho formal.
44
A forte mobilidade social no Brasil está provocando mudanças profundas no perfil dos jovens trabalhadores da classe C. Com nível de escolaridade superior ao dos pais, eles ingressam no mercado desempenhando funções menos tradicionais e que pagam salários melhores, conforme estudo elaborado pelo Instituto Data Popular. A pesquisa comprova que cada ano de estudo até o ensino superior significa 15% a mais de rendimentos. O sócio-diretor do Data Popular, Renato Meirelles, ressaltou que, pela pesquisa, apenas 26% da atual geração de pais pertencentes à classe C concluíram o ensino fundamental, contra 65% dos filhos.
45
Na maioria das famílias de classe média brasileira, os pais ainda são mecânicos, pedreiros, empregadas domésticas, cozinheiras. Os filhos, vendedores de lojas, operadores de telemarketing, recepcionistas. De modo geral, nessas famílias quem comanda tem uma escolaridade baixa. Porém, seus filhos já estão seguindo outro rumo. Segundo um levantamento da consultoria Data Popular, 68% dos jovens da Classe C estudaram mais que seus pais. Nas classes A e B esse percentual não passa de 10%. Os dados revelam a importância que o estudo tem hoje na vida dos futuros chefes de família da classe que mais cresce no País. Hoje, o sonho de muitos desses jovens não é apenas o carro zero e o celular de última geração, o diploma de Ensino Superior e o MBA tornaram-se mais importantes do que qualquer outro produto disponível no mercado

Mais um indicador apontou que o Brasil caminha para se tornar um país de classe média. Segundo o Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM), o número de municípios com desenvolvimento socioeconômico “moderado” dobrou de 2000 a 2010. Porém, os avanços ainda são concentrados: a Região Norte apresenta indicadores ruins e o Nordeste ainda precisa levar a prosperidade ao interior.

São Paulo se aproxima de um nível considerado alto – as 14 cidades com maior IFDM são paulistas, com Indaiatuba no primeiro lugar. Todas são do interior, onde está concentrada a riqueza do Estado. A capital fica em 29.º lugar no ranking estadual e em 32.º no nacional. Ainda assim, é a segunda melhor no IFDM 2010, atrás apenas de Curitiba (PR).

 

Calculado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), o IFDM classifica o desenvolvimento socioeconômico dos municípios numa escala de 0 a 1. Na última década, o número de municípios com nível “moderado” (entre 0,6 e 0,8) passou de 1.655 (30,1% dos 5.565 municípios do País) para 3.391 (61%). A parcela de municípios com índice considerado “baixo” (abaixo de 0,4) passou de 18,2%, em 2000, para 0,3%, em 2010.

 

O crescimento do emprego e da renda puxou a evolução da média nacional na década, mas o avanço nos indicadores de educação e saúde foi o principal responsável por disseminar o desenvolvimento. “O mercado de trabalho formal é muito concentrado, mesmo em São Paulo”, diz o gerente de Estudos Econômicos da Firjan, Guilherme Mercês.

 

Apesar da concentração do emprego formal em poucas cidades, o presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcelo Neri, chama a atenção para o ritmo de crescimento. Segundo ele, a geração de vagas segue maior fora dos grandes centros, embora eles ainda concentrem os empregos. Para a classe média continuar crescendo, são necessários “políticas públicas, ações privadas e tempo”, diz Neri. Segundo ele, uma década é pouco para superar as desigualdades do País.

 

A média brasileira do IFDM foi de 0,7899 em 2010, avanço de 3,9% ante o IFDM de 2009, refletindo a recuperação econômica de 2010 – a economia cresceu 7,5% após a leve recessão de 2009. De 2000 a 2010, o avanço na média nacional foi de 32,7%.

Fontes: Sae e OESP

Medidas do Governo Dilma afastam o Brasil da crise internacional

27/08/2012

A equipe econômica do governo já enxerga “sinais claros” de recuperação da atividade no segundo semestre do ano, por meio dos indicadores divulgados até o momento. Na 16ª edição do boletim ‘Economia Brasileira em Perspectiva’ divulgado nesta sexta-feira pelo Ministério da Fazenda, há a avaliação de que o desempenho da atividade brasileira na primeira metade do ano foi influenciado pelo agravamento da crise internacional. “Vale ressaltar que, ao contrário do que foi visto em vários países, a economia brasileira não registrou queda de crescimento no primeiro semestre de 2012”, escreveram os técnicos.

O documento destaca também que as medidas anticíclicas e a ênfase dada pelo governo aos investimentos “já começaram a surtir efeito”. “A economia brasileira reage para alcançar um crescimento mais vigoroso a partir do segundo semestre de 2012”, comentaram os técnicos. A expectativa da equipe é a de que a economia estará crescendo a um ritmo anualizado de 4% “ao final do ano”.

A expectativa de que haverá recuperação da atividade industrial não preocupa a equipe econômica do governo em relação aos possíveis impactos sobre os preços. “Os níveis de utilização da capacidade instalada garantem que a recuperação da atividade econômica não provocará pressões inflacionárias”, trouxe o boletim.

O documento destacou também que tanto o índice de confiança da indústria como o do consumidor permanecem na “zona de otimismo” a despeito da deterioração do ambiente macroeconômico internacional. “Esses indicadores apresentarão sensível melhora com o maior dinamismo da economia no segundo semestre”.

Fonte: Yahoo

Saneamento básico ainda é precário no Brasil

19/08/2012

Imagine viver num país de dimensões continentais cuja economia está entre as maiores do mundo, mas onde cerca de 30 milhões de pessoas que moram nas grandes cidades ainda não têm acesso à coleta de esgoto. Esse país se chama Brasil, e o mapa do saneamento básico nos cem municípios mais populosos do território nacional foi divulgado hoje (16) pelo Instituto Trata Brasil e a GO Associados no auditório da Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo.

O estudo se baseou nos dados no Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento Básico (SNIS), publicado regularmente pelo Ministério das Cidades. Os números mais recentes refletem a realidade do país em 2010. A pesquisa analisou três itens: nível de cobertura dos serviços de distribuição de água, coleta de esgoto e tratamento de efluentes; investimentos e melhorias realizadas na rede de água e esgoto; e nível de eficiência e perdas na distribuição de água.

Dentre as maiores cidades do país, Santos, no litoral paulista, foi a mais bem avaliada pelo ranking do Instituto Trata Brasil, que é publicado desde 2007. Segundo o estudo, todos os domicílios santistas são atendidos pela rede de água e esgoto. O desperdício também é baixo na cidade que hospeda o maior porto de cargas da América Latina: apenas 13% da água distribuída às residências de Santos acabou se perdendo.

Melhores e piores

A lista das grandes cidades brasileiras em melhor situação quanto a saneamento básico segue com Maringá (PR), Franca (SP), Uberlândia (MG) e Jundiaí (SP). Isso não quer dizer que os cinco municípios que encabeçam o ranking ostentem os melhores indicadores em todos os quesitos: a metodologia adotada pela Trata Brasil e GO Associados faz uma média ponderada do desempenho de cada cidade em cada categoria e só então classifica a qualidade dos serviços.

Entre as capitais, Brasília (DF) é a mais bem ranqueada – está em 11° lugar. Depois vêm Belo Horizonte (MG) e São Paulo (SP) entre as 20 primeiras; e Goiânia (GO), Vitória (ES), Salvador (BA), Campo Grande (MS), Rio de Janeiro (RJ), Fortaleza (CE), Florianópolis (SC) e Porto Alegre (RS) entre as 50 melhores. As demais capitais do nordeste e as capitais do norte do Brasil aparecem nas últimas colocações – da 82ª em diante.

No extremo da tabela se destaca Macapá, capital do Amapá, onde apenas 42% dos domicílios têm acesso à água, pouco mais de 5% é beneficiado com coleta de esgoto e incríveis 75% da água distribuída se perdem em sistemas de distribuição ineficientes – é o maior índice de desperdício entre as cidades analisadas pela pesquisa. No pé do ranking ainda figuram Porto Velho-RO, Jaboatão dos Guararapes-PE, Ananindeua-PA e Santarém-PA.

“Há um atraso de investimentos de muitos anos no Brasil, o que gerou um déficit muito grande: hoje há uma falta generalizada de serviços, não só no que se refere à distribuição de água, mas principalmente à coleta e tratamento de esgotos e perda de água. São índices enormes para o nível econômico que o país atingiu”, contextualiza Édison Carlos, presidente do Instituto Trata Brasil. “Convivemos com um sistema de saneamento de pelo menos três décadas atrás e vivemos com uma escassez hídrica brutal, porque as maiores fontes de água doce estão na Amazônia, longe da maioria da população.”

Desigualdade

Édison Carlos lembra que mais da metade da população brasileira não está conectada à rede de esgoto: isso quer dizer que a água do banho, da torneira ou da descarga de suas casas – quando há casa – não segue cano abaixo para alguma estação de tratamento de efluentes. São aproximadamente 100 milhões de pessoas desassistidas, número equivalente a toda população da Argentina, Colômbia e Chile juntas. A situação é ainda pior para uma parte delas. “Ainda temos 10 milhões de brasileiros que não têm acesso sequer a um banheiro digno”, critica. “É uma vergonha.”

Para o presidente do Instituto Trata Brasil, é fundamental acompanhar a evolução dos serviços de saneamento básico nas cem maiores cidades do país. Os grandes municípios brasileiros concentram 40% da população brasileira, ou seja, 77 milhões de pessoas. Concentram também a maioria das obras públicas, dos empregos e da produção econômica. Portanto, diz, deveriam puxar o desenvolvimento do Brasil também em saneamento.

Apesar dos números desanimadores, porém, a situação tem evoluído ultimamente. “A liberação de recursos para as grandes cidades brasileiras através do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) têm melhorado a situação”, contextualiza o presidente da Trata Brasil. “Hoje já temos 20 grandes municípios que universalizaram a distribuição de água e estão muito próximos da universalização da coleta e do tratamento de esgotos.”

Édison lembra que, no Brasil, a construção e ampliação das redes de água e esgoto é uma responsabilidade dos governos municipais, que, na falta de recursos próprios, podem contar com verbas federais destinadas especialmente para o setor. “As grandes cidades não podem mais reclamar que não têm dinheiro. Há R$ 10 bilhões parados no Ministério das Cidades esperando projetos de saneamento”, afirma. “É uma questão de investimento. Por que Minas, São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná estão melhorando? Porque estão investindo. Há muito trabalho a ser feito.”

Saúde

Para o especialista, a carência histórica do Brasil em saneamento básico tem duas razões principais: as já conhecidíssimas falta de vontade política dos governos municipais e falta de pressão popular. “O brasileiro não vive sem água, é um bem vital e indiscutível, mas aprendeu a viver sem coleta de esgoto. Às vezes existe a rede, mas a pessoa não quer se conectar para não ter que pagar pelo serviço”, diz. “Os números mostram que o brasileiro não valoriza o saneamento básico e simplesmente não cobra as autoridades. Por isso, as prefeituras se sentem estimuladas a investir em outras áreas.”

E a falta de interesse político persiste apesar da importância do saneamento básico para as demais áreas da administração pública, que se traduzem em qualidade de vida para a população. Édison Carlos relaciona a inexistência de redes de água e esgoto à ocorrência de doenças, mortalidade infantil, impacto ambiental e problemas ligados ao trabalho e à educação.

Essa relação entre saneamento e saúde pode ser traduzida em números: as dez cidades brasileiras pior posicionadas no ranking do Instituto Trata Brasil registraram 546% mais casos de internações por diarreia do que as 20 melhores colocadas. A morte de crianças também foi maior: 49% entre recém-nascidos, 61% entre 1 e 4 anos de idade e 57% entre 5 e 9 anos. “A prefeitura que não investe em água e esgoto gasta mais com atendimento de saúde e perde dinheiro em educação e turismo”, conclui.

Fonte: Revista Brasil Atual

Brasil é um dos maiores doadores de alimentos do mundo

18/08/2012

Ao doar apenas até agosto deste ano, US$ 75 milhões em comida para os países que enfrentam situações de crise, o Brasil passa a ser considerado um dos maiores colaboradores do Programa Mundial de Alimentos (PMA) da comunidade internacional. Em 2011, o governo brasileiro doou mais de 300 mil toneladas de comida para 35 países. Paralelamente, o Brasil é apontado como uma das nações que mais se destacam no apoio à ajuda humanitária.


Em comunicado, o PMA ressaltou a atuação do Brasil tanto na doação de alimentos como na assistência humanitária internacional, por meio de parcerias. O governo brasileiro comunicou que manterá as doações de alimentos não só até dezembro como também em 2014.

A ideia é distribuir até o fim do ano 90 mil toneladas de arroz para a Bolívia e Honduras, na América Latina, e Burundi, Congo, Etiópia, Gâmbia, Uganda, Moçambique, Níger, Senegal e Zimbábue, na África.

O Brasil colabora com missões de paz no Haiti, país cujo governo atua para buscar a estabilidade política, econômica e social, e na Síria, que há 17 meses enfrenta confrontos internos devido às divergências entre o presidente, Bashar Al Assad, e a oposição.

O Ministério das Relações Exteriores informou que o Brasil mantém uma série de parcerias com vários países para estimular a produtividade agrícola e o desenvolvimento rural, na tentativa de buscar a segurança alimentar.

“As experiências em programas de alimentação escolar, em que os alimentos são comprados a partir de pequenos agricultores locais podem enriquecer o debate entre o Brasil e os governos africanos em torno da promoção do direito à alimentação”, disse o diretor do Centro de Excelência do Programa Mundial de Alimentos para a África, Daniel Balaban, que atua em parceria com o Brasil.

Só no Haiti, o país mais pobre das Américas, mais de 24 mil toneladas de arroz e feijão brasileiros foram distribuídas para os moradores que sofreram com o terremoto de janeiro de 2010. Os custos de distribuição foram cobertos pela Espanha. Na África, mais de 65 mil toneladas de milho e feijão brasileiros foram doados para países, como a Somália.

Fonte: Yahoo

Brasil vive crise de falta de mão-de-obra qualificada

15/08/2012

A falta de mão de obra qualificada afeta 69% das empresas, segundo pesquisa divulgada nesta quarta-feira pela CNI (Confederação Nacional da Indústria).

Para mais da metade (52%) das empresas do setor industrial consultadas, a má qualidade da educação básica é uma das principais dificuldades para qualificar esses funcionários.

Para driblar esse problema,78% das empresas oferecem a capacitação necessária no próprio local de trabalho.

“É um problema que atinge a indústria como um todo, dificultando o aumento de produtividade e a qualidade do produto”, afirma o gerente-executivo da Unidade de Pesquisa da CNI, Renato da Fonseca.

Embora todas as áreas e categorias profissionais sejam atingidas por esse gargalo, a área de produção, principalmente operadores e técnicos, é a mais prejudicada.

 
 
 

A sondagem da entidade entrevistou executivos de 1.616 empresas entre os dias 3 e 26 de janeiro. Entre as empresas ouvidas, 931 são pequenas, 464 médias e 221 grandes.

CONSTRUÇÃO CIVIL

Outra pesquisa, dessa vez a cargo da Fundação Getúlio Vargas, já havia detectado os problemas de formação profissional da mão de obra nacional.

O trabalho da FGV mostrou que somente 17,8% dos trabalhadores ocupados na construção civil freqüentaram curso de educação profissional.

De 16 setores analisados na pesquisa, os com maior proporção de pessoas formadas em cursos de educação profissional são: automobilístico (45,71%), finanças (38,17%), petróleo e gás (37,34%). Já os com menor proporção são agronegócio (7%), outros (13,54%) e construção civil (17,8%).

Ao se levar em conta os níveis de formação (qualificação profissional, curso técnico e graduação tecnológica), a construção civil aparece em 14º lugar no ranking relativo à qualificação profissional e também na 14ª posição no referente a cursos técnicos. E aparece em 13º lugar se considerado o nível de graduação tecnológica. No total, são 16 setores avaliados.

Um dos principais temas de reflexão é que, apesar do aumento da escolaridade e dos salários no setor, há maior escassez de mão de obra na construção civil.

Por não empregar mulheres e jovens, os segmentos mais escolarizados da população, a tendência é de acirramento do apagão de mão de obra qualificada, segundo o estudo. A opção dos jovens é por trabalhos menos braçais. Dos 29 milhões de jovens ocupados, apenas 2 milhões trabalham no setor da construção civil.

Fonte: Folha

O Brasil como grande produtor mundial de alimentos

06/08/2012

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Fonte: Youtube

Brasileiro segue endividado em 2012

04/08/2012

 

Quase 30% dos brasileiros compromete até 10% da renda com compras parceladas. Destes, 36,5% têm renda superior a R$ 9,600.

Em seguida, segundo revela a Sondagem de Expectativas do Consumidor feita pela FGV (Fundação Getúlio Vargas), aparecem 24,8% dos brasileiros com com comprometimento da renda entre 11% e 50%. Neste caso, o destaque vai para os brasileiros com renda entre R$ 2.100 e R$ 4.800.

Os brasileiros com renda entre R$ 2.100 e R$ 4.800 aparecem novamente em destaque quando a questão é o comprometimento de 51% a 100% da renda. Dos 3,3% dos brasileiros nesta condição, a faixa representa 5,0%.

A pesquisa também revela que 0,9% dos brasileiros tem mais de 100% da renda comprometida com dívidas. Para este percentual, a maioria (3,1%) são aqueles com renda até R$ 2 mil.

Cidades
De acordo com a sondagem, 36,3% dos brasileiros com até 10% da renda comprometida com dívidas está em Recife.

A maioria dos brasileiros com comprometimento entre 11% e 50% estão concentrados em Belo Horizonte, com 30,3%.

O levantamento também mostra que Recife também lidera entre o comprometimento de 51% a 100%, com 5,4%. Já Belo Horizonte volta a aparecer no comprometimento acima de 100%, com 1,7%.

Em São Paulo, a maioria (28,5%) tem até 10% da renda comprometida com dívidas. Já 39,9% dos paulistanos disseram que não tem contas parceladas.

Fonte: Yahoo

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Fonte: Youtube

 

Como estará o Brasil em 2022?

29/07/2012

No momento de agravamento da crise global, muitos especialistas se perguntam qual será o impacto sobre o Brasil. Mas não basta olhar para o curto prazo. Nas próximas décadas, para onde o país caminha? O GLOBO levou essa indagação a funcionários do governo, economistas, professores, médicos, cientistas e esportistas. O objetivo era traçar um retrato do Brasil que queremos para os próximos 10 ou 20 anos. Em 2022, por exemplo, quando completará o bicentenário da Independência, o Brasil deverá estar entre as cinco economias mais importantes do globo e uma de suas principais reservas de energia.

O Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos) saltará dos US$ 2,4 trilhões do ano passado para cerca de US$ 3,5 trilhões, avançando no caminho de chegar aos US$ 5 trilhões em 2030. Em 2022, os quase 210 milhões de brasileiros, dos quais 70% em idade produtiva – recorde de todos os tempos -, serão um mercado consumidor de fazer inveja a grandes nações e permitirão ao país começar a próxima década com a missão de deixar de ser, para realizar, a velha promessa de futuro.

No Executivo, não há um plano de voo oficial que vá muito além de dez anos com metas claras. Em geral, os planejamentos são do tamanho dos mandatos políticos. A União, por exemplo, teve dificuldade de fazer parcerias com a China na área de preservação de biodiversidade, durante a Rio+20, pois só temos projetos no setor para dez anos, enquanto os asiáticos planejam as próximas três décadas, contou a ministra Izabella Teixeira.

Integrantes da equipe da presidente Dilma Rousseff dizem que um dos grandes desafios é conciliar as políticas voltadas para a ampliação do mercado interno, com mais renda e acesso a crédito, às estratégias de sustentabilidade do país. E esta será cada vez mais a realidade brasileira nas próximas décadas. As ações do Ministério da Fazenda que consideram práticas sustentáveis ainda são residuais. Para a iniciativa privada, os maiores esforços devem estar concentrados na educação, em investimentos e nas reformas tributária e administrativa.

– O meio ambiente está na agenda da economia, em projetos isolados, mas crescendo: o Minha Casa, Minha Vida, por exemplo, amplia o número de habitações no país, mas já exige materiais verdes. Vantagens tributárias para automóveis mais eficientes, que estão sendo discutidas agora, serão outra novidade – diz uma fonte do governo.

Planejamento estratégico é frágil

Cada um dos 24 ministérios e 13 órgãos com status de ministério na Esplanada tem um planejamento específico, que, muitas vezes, não se comunica com o dos vizinhos. A própria presidente, segundo assessores próximos, tem uma visão muito particular. O economista João Paulo dos Reis Velloso, que foi ministro do Planejamento nos governos Médici e Geisel, é sarcástico ao falar da estratégia oficial de longo prazo:

– Se você souber de uma, me avise – ironizou. – O PAC não tem nada de ruim, mas é apenas um programa. Foi depois que o Planejamento virou ministério que começaram os voos de galinha – alfinetou o economista, responsável pelo II Plano Nacional de Desenvolvimento (PND), de 1975-79.

O “Brasil 2022”, compêndio com mais de 100 páginas elaborado pela Secretaria de Assuntos estratégicos (SAE) da Presidência da República à época em que ainda era comandada pelo então ministro Samuel Pinheiro Guimarães, é o documento oficial que mais se aproxima de uma visão estratégica de longo prazo. Criado em 2010 ainda durante o governo Lula, o relatório vê um país ainda mais soberano, que participará em igualdade de condições de fóruns internacionais como o Conselho de Segurança da ONU e o G-20, com uma sociedade mais justa e progressista até 2022.

Ali, estão relacionados 180 sonhos – alguns vagos, outros mais precisos -, mas sem os respectivos meios de torná-los realidade. A lista dos desejos, que estão sendo chamados de “Metas do Centenário”, inclui desde crescer mais de 7% ao ano e reduzir à metade do número de homicídios no país a dobrar o número de municípios atendidos por serviços aéreos, passando por zerar o déficit habitacional brasileiro, assegurar 100% de acesso a saneamento à população e atingir cinco livros per capita como índice de leitura nacional.

Neste momento, a SAE está ampliando o que teria sido essa primeira tentativa de criar diretrizes de mais longo prazo para o país. O ministro Wellington Moreira Franco conta que está sendo feito o Plano 2022 + 10. As metas devem ser conhecidas em 2013.

Desigualdade regional continuará caindo

Somado ao enorme crescimento do mercado consumidor, que deve receber quase 20 milhões de brasileiros até 2022, os investimentos e essa projeção recorde do governo para a população economicamente ativa (70%), devem levar o Brasil para a lista das cinco principais, passando Alemanha e França. No entanto, o Brasil seria ultrapassado pela Índia e ficaria em quinto. A colocação exata, contudo, dependerá do resto do mundo. Se todos crescerem, as chances de o país subir no ranking são menores. A Confederação Nacional da Indústria (CNI), por sua vez, estima que o país poderá ter em 2030 um PIB entre US$ 4,497 trilhões e US$ 5,226 trilhões, dependendo se a média do crescimento do país ficar em 3,3% ao ano – primeiro cenário – ou em 3,9%, na segunda estimativa. Os quatro primeiros do ranking serão, segundo a entidade, China, EUA, Japão e Índia.

José Augusto Coelho Fernandes, diretor de Política e Estratégia da CNI, acredita que o futuro do país está nas mãos dos brasileiros :

– Acredito que 70% da agenda do futuro do país estão nas mãos dos brasileiros. É claro que é melhor um ambiente de crescimento global, mas parte das nossas soluções independe disso. Precisamos de mais educação, mais inovação, de uma reforma tributária, regras trabalhistas mais modernas e mais investimentos em infraestrutura, independentemente da piora ou não da crise da Europa, da recuperação dos Estados Unidos ou do crescimento chinês – explica.

Vanessa Petrelli Corrêa, a nova presidente do Ipea, diz que para falar do futuro do país é necessário estudar seu passado recente. O crescimento médio brasileiro nas últimas duas décadas do século passado, de 2,2%, praticamente dobrou para 4,3% ao ano no período entre 2004 e 2011:

– Neste período os investimentos subiram, aumentou o consumo, aproveitamos o bom momento das commodities, o governo fez uma forte política social de distribuição de renda e os bancos públicos ampliaram o crédito. O crescimento reduziu a desigualdade entre as regiões, o que deve ser intensificado nas próximas duas décadas – afirma a economista.

Os investimentos precisam continuar crescendo forte para dar conta dessa expansão. A CNI, por exemplo, indica que o país precisará de sete milhões de residências em 15 anos, a um custo de R$ 60 bilhões. A matriz eólica será a terceira mais usada em 2020, com mais de 6% do parque de geração de energia elétrica. Ambientalistas querem que o saneamento seja universalizado até 2030.

O petróleo está na agenda do país com a exploração na camada do pré-sal. Esta é uma das grandes apostas do governo, que espera que o país seja alçado nos próximos 20 anos ao ranking das cinco grandes reservas do planeta, que podem atrair mais de R$ 350 bilhões em investimentos até lá.

Embora ainda não tenha conseguido a aprovação do projeto que distribui os recursos desse petróleo que será retirado de profundezas até bem pouco tempo inimagináveis, governo e iniciativa privada se preparam para o futuro. O governo trabalha para que essa riqueza seja usada como uma poupança, a partir da criação do Fundo Social, que pode sair até o fim do ano.

Para o economista Sergio Besserman, o petróleo tem que ser o provedor de recursos financeiros para a transição para a economia do futuro, que estará baseada na sustentabilidade:

– Podemos fazer o que Celso Furtado chamou de deslocamento do centro dinâmico. E o nosso terá muita ciência, tecnologia e baixo carbono.

Fonte: Yahoo

TERMINAM AS OLIMPÍADAS 2012

29/07/2012

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, recebeu a bandeira olímpica das mãos do presidente do Comitê Olímpico Internacional, Jacques Rogge, neste domingo, marcando oficialmente o início do novo ciclo, que levará os Jogos à Cidade Maravilhosa em 2016.

A bandeira foi entregue no estádio olímpico de Stratford, nos momentos finais da cerimônia de encerramento dos Jogos de Londres, e será levada para o Rio de Janeiro nesta segunda-feira e hasteada na comunidade do complexo do Alemão.

A entrega foi realizada depois do hino da Grécia, país que inventou os Jogos Olímpicos na Antiguidade, e do hino olímpico.

Em seguida, a bandeira olímpica foi ‘devolvida’ por Boris Johnson, prefeito de Londres a Jacques Rogge, que a apresentou a Eduardo Paes.

A bandeira brasileira foi hasteada e o hino nacional tocou no estádio de Stratford, dando início ao espetáculo ‘Abraço’, de oito minutos, que apresentou a diversidade cultural do país, que contou com a presença do ‘Rei’ Pelé, maior craque da história do futebol.

O show do Brasil em Londres começou com o gari Renato Sorriso, famoso por desfilar como passista no sambódromo durante o Carnaval do Rio de Janeiro.

Renato apareceu varrendo o chão do estádio, antes de ser interrompido por um ator-segurança que chegou para “prendê-lo”.

No meio da discussão entre os dois homens, surgem ritmistas, que empolgaram o estádio com suas percussões, seguidos de Marisa Monte que apareceu no topo de um incrível carro alegórico que na verdade era o prolongamento do seu vestido.

A cantora, que representou a deusa Iemanjá, cantou as Bachianas, de Heitor Villa-Lobos, numa coregrafia com 225 dançarinos voluntários residentes na Europa, sendo 31 brasileiros de diversas cidades do país, que vestiram figurinos assinados pelo estilista e artista plástico Jum Nakao.

Depois de Marisa apareceu o rapper BNegão, que cantou a música “Maracatú atômico”, do cantor pernambucano Chico Science, falecido em 1997.

O som do mangue beat deu vez ao samba soul de Wilson Simonal, com “Nem vem que não tem”, na voz grave do cantor Seu Jorge, vestido de malandro, com um terno branco e uma camisa dourada.

Em seguida apareceu a modelo Alessandra Ambrósio, que dançou com Seu Jorge e Renato Sorriso.

O show foi encerrado com uma das músicas mais emblemáticas do Rio de Janeiro, “Aquele abraço”, de Gilberto Gil, cantada em coro por Seu Jorge, BNegão e Marisa Monte, que voltou em cena com um vestido longo mais discreto, num cenário que exibia imagens do calçadão de Copacabana.

Foi nessa hora que surgiu a maior estrela do esporte brasileiro, o Rei Pelé, que entrou no palco abraçando os cantores e arrancando muitos aplausos do público.

Dois atletas olímpicos também participaram da festa, o velejador Robert Scheidt, maior medalhista brasileiro com cinco pódios, dois ouros, duas pratas e um bronze, esse último conquistado em Londres.

Os oito minutos de festa brasileira no evento custaram 20 milhões de reais foram acinados pelos cineastas Cao Hamburger e Daniela Thomas.

Fonte: Yahoo

 

Veja a festa de abertura e de encerramento

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[yframe url=’http://www.youtube.com/watch?v=7qH1O95_zWk’]

[yframe url=’http://www.youtube.com/watch?v=pYVgacjkwUs&feature=related’]

 

 

Fonte: Youtube

 

Brasil na quarta posição do ranking internacional

26/07/2012

Brasil é o 4º país com mais dinheiro em paraísos fiscais, diz organização

Brasileiros tornaram o país o quarto maior cliente de contas em paraísos fiscais, segundo relatório da Tax Justice Network (rede de justiça fiscal, em livre tradução).

Segundo o relatório, ainda não divulgado, brasileiros tinham depositado de 1970 até 2010 cerca de US$ 520 bilhões (ou mais de R$ 1 trilhão) nessas contas, onde se pode guardar dinheiro em razoável sigilo, sem ter de responder a muitas perguntas nem pagar imposto.

Promotor diz haver provas de remessas de Maluf para Jersey
Tribunal de paraíso fiscal julga processo contra Maluf
Defesa diz ser ‘impossível’ Maluf ter desviado US$ 1 bi de obra

O valor equivale a pouco mais de um quinto do PIB (Produto Interno Bruto) oficial brasileiro.

De acordo com o estudo, o tamanho da fuga de capitais do país é maior do que a dívida externa acumulada no período, de US$ 324,5 bilhões.

O documento foi escrito pelo economista James Henry para a Tax Justice Network, organização independente, focada nesse tipo de levantamento, que surgiu em 2003 no Parlamento britânico.

Henry cruzou dados do Banco de Compensações Internacionais, do FMI (Fundo Monetário Internacional), do Banco Mundial e de governos para chegar aos valores, segundo informações da BBC.

No ranking de países elaborado pela organização, o Brasil perde apenas para a China (US$ 1,2 trilhão), a Rússia (US$ 779 bilhões) e a Coreia do Sul (US$ 779 bilhões).

Na América Latina, além do Brasil, o México, a Argentina e a Venezuela estão entre os 20 que mais enviaram dinheiro a paraísos fiscais.

Ao todo, ao menos US$ 21 trilhões não contabilizados estão depositados nessas contas, diz o documento.

“A maior parte da renda de investimento perdida pelos países foi recebida por elites privadas de nações em desenvolvimento, que tinham contas em bancos no exterior, mas nunca declaravam em seus países a renda recebida”, disse Henry no relatório.

JERSEY

Nesta semana, teve fim no Judiciário da ilha de Jersey as audiências de processo que apura suspeita de que o deputado federal Paulo Maluf (PP-SP) tenha desviado para o paraíso fiscal britânico US$ 22 milhões de obras da Prefeitura de São Paulo durante sua gestão, de 1993 a 1996.

A decisão sobre o caso pode sair em até três meses, segundo advogados da prefeitura, que deu início à ação. Caberá recurso.

A assessoria do deputado nega que ele mantenha contas bancárias fora do país.

Fonte: Tax Justice Network

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