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Embaixadora dos EUA na ONU diz que lançamento de míssil da Coreia do Norte deixa mundo próximo da guerra
‘Se a guerra vier, o regime norte-coreano será totalmente destruído’, diz Nikki Haley. Embaixadora dos EUA pede que todos os países cortem relações com a Coreia do Norte.
Imahens divulgadas nesta quarta-feira (29) mostram o lançamento do míssil Hwasong-15 pela Coreia do Norte (Foto: REUTERS/KCNA)
A embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Nikki Haley, disse nesta quarta-feira (29) durante reunião do Conselho de Segurança, que o último lançamento do míssil intercontinental feito pela Coreia do Norte deixou mundo próximo da guerra. E acrescentou que, se houver confronto, a Coreia do Norte vai ser completamente destruída.
“Nós nunca buscamos uma guerra com a Coreia do Norte, e até hoje não buscamos. Se a guerra vier, será por causa de seus atos contínuos de agressão como o que testemunhamos ontem”, disse Haley na ONU. “Se a guerra vier, não tenha dúvidas de que o regime norte-coreano será totalmente destruído”, acrescentou.
Nikki Haley, embaixadora dos EUA na ONU, durante reunião do Conselho de Segurança nesta quarta-feira (29) (Foto: Lucas Jackson/Reuters)
A Coreia do Norte lançou o míssil Hwasong-15, que voou 1000km até cair no Mar do Japão, alcançou mais de 4.000 km de altitude, o que representa a máxima altura atingida até o momento por um projétil norte-coreano. A emissora de TV KCTC anunciou que o projétil é capaz de atingir “todo o território norte-americano” . Nesta quarta, a agência norte-coreana KCNA divulgou imagens do lançamento do míssil e do líder Kim Jong-un comemorando o teste (veja no topo desta matéria e abaixo).
Haley também pediu que todos os países cortem relações com a Coreia do Norte, e cobrou liderança da China neste quesito, pedindo que o país de Xi Jinping corte o fornecimento de petróleo à Coreia do Norte.
“Ninguém pode duvidar que o ditador da Coreia do Norte está se tornando mais agressivo em obsessão pelo poder nuclear”, afirmou.
A reunião de emergência do Conselho de Segurança desta quarta ocorre após pedido feito pelos Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul após o lançamento do míssil.
Foto divulgada nesta quarta-feira (29) mostra o líder norte-coreano Kim Jonh-Un acompanhando lançamento do míssil Hwasong-15 (Foto: REUTERS/KCNA)
Kim Jong-un comemora o lançamento do míssil Hwasong-15 (Foto: REUTERS/KCNA)
O líder norte-coreano Kim Jong-un comemora lançamento do míssil Hwasong-15 (Foto: REUTERS/KCNA
Sanções
O último míssil disparado pela Coreia do Norte, um Hwasong-12 de alcance intermediário, foi lançado no dia 15 de setembro, sobrevoou o Japão e caiu no Oceano Pacífico.
A comunidade internacional condena os disparos de mísseis e considera os programas nuclear e balístico da Coreia do Norte violações contra as resoluções da ONU.
No dia 11 de setembro, o Conselho de Segurança da Organização impôs, por unanimidade, a proibição das exportações de produtos têxteis do país e limitou as importações de petróleo. Aquela foi a nona resolução de sanções aprovada por unanimidade pelo conselho de 15 membros desde 2006 sobre os programas de mísseis balísticos e nuclear da Coreia do Norte.
As sanções mais recentes foram uma resposta ao teste com uma bomba de hidrogênio, o sexto teste nuclear do país dos últimos 11 anos, ocorrido em 3 de setembro.
Coreia do Norte lança novo míssil após mais de 2 meses (Foto: Arte/G1)
Fonte: G1
Desertora do Exército norte-coreano relata rotina de estupros, higiene precária e menstruação interrompida
Uma ex-soldado da Coreia do Norte diz que ser mulher no quarto maior exército do mundo era tão desgastante para o organismo que ela logo parou de menstruar. E estupro, afirma, era uma realidade para muitas das companheiras com quem serviu.
Por quase 10 anos, Lee So Yeon dormiu na parte de baixo do beliche, em uma sala que dividia com mais de duas dúzias de mulheres. Cada uma delas possuía um gaveteiro para guardar seus uniformes. Em cima do móvel, cada uma mantinha duas fotografias emolduradas. Uma era do fundador da Coréia do Norte, Kim Il-sung. A segunda, do seu agora falecido sucessor, Kim Jong-il.
Lee partiu há uma década, mas mantém o cheiro daquele lugar vivo na memória.
“Nós suávamos bastante. O colchão em que dormíamos era feito de cascas de arroz e não de algodão. Então, todo o odor do corpo penetrava no colchão. Todo o odor de suor e outros cheiros estão ali. Não é agradável”.
Uma das razões para isso eram as condições das instalações de lavagem.
“Como mulher, uma das coisas mais difíceis é não poder tomar banho adequadamente”, diz Lee So Yeon.
“Porque não há água quente. Eles conectam uma mangueira a um riacho nas montanhas e é de lá que a água sai diretamente, às vezes com sapos e cobras”.
Motivação
Filha de um professor universitário, So Yeon, agora com 41 anos, cresceu no norte do país. Muitos homens de sua família haviam sido soldados, e, quando a fome devastou a Coreia do Norte nos anos 90, ela voluntariou-se – movida pelo pensamento de ter uma refeição garantida por dia. Milhares de outras jovens mulheres fizeram o mesmo.
“A fome resultou em um período particularmente vunerável para as mulheres na Coreia do Norte”, diz Jieun Baek, autor de North Korea’s Hidden Revolution (A Revolução escondida da Coreia do Norte, em tradução livre). “Mais mulheres tiveram que ingressar na força de trabalho e mais mulheres ficaram sujeitas a maus-tratos, especialmente a assédio e violência sexual”.
Juliette Morillot e Jieun Baek dizem que o depoimento de Lee So Yeon’s está de acordo com outros relatos que ouviram, mas alertam que desertores – aqueles que abandonam o serviço militar sem autorização – têm de ser tratados com cautela.
“Há uma alta demanda por informações da Coreia do Norte”, diz Baek. “Isso é quase incentivar as pessoas a contarem histórias exageradas à mídia, especialmente se são pagas para isso. Muitos desertores que não querem estar na mídia são muito críticos dos ‘desertores de carreira’. Vale a pena ter isso em mente”.
Informação de fontes oficiais da Coreia do Norte, por outro lado, é passível de ser pura propaganda.
Lee So Yeon não foi paga pela entrevista que concedeu à BBC.
No início, movida por um sentimento de patriotismo e esforço coletivo, ela, então com 17 anos, aproveitou a vida no Exército. Ela ficou impressionada com um secador de cabelo que recebeu, embora a eletricidade irregular significasse que usaria pouco o acessório.
Treinamento duro e alimentação reduzida causavam impacto
A rotina diária de homens e mulheres era aproximadamente parecida. Mulheres tendiam a ter, no entanto, um regime de treinos físicos ligeiramente menor – e eram obrigadas a realizar tarefas diárias como limpar e cozinhar, o que soldados homens eram dispensados de fazer.
“A Coreia do Norte é uma tradicional sociedade dominada por homens e tradicionais papeis de gênero permanecem”, diz Juliette Morillot, autora de North Korea in 100 questions (Coreia do Norte em 100 perguntas), publicado em francês.
O treinamento duro e rações alimentares muito reduzidas cobraram seu preço nos corpos de Lee So Yeon e de suas colegas recrutas.
“Depois de seis meses a um ano de serviço, não menstruávamos mais devido à desnutrição e ao ambiente estressante”, diz ela.
“As mulheres soldado diziam estar felizes por não estarem menstruando. Elas afirmavam que estavam felizes porque a situação era tão ruim que se também menstruassem seria teria sido pior”.
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Quem são os desertores?
Aproximadamente 70% dos desertores da Coreia do Norte são do sexo feminino – um fato relacionado com maiores níveis de desemprego entre mulheres.
Mais da metade estão com 20 ou 30 anos, em parte porque é mais fácil para pessoas jovens nadar em rios e resistir a jornadas difíceis.
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So Yeon diz que o Exército falhava no fornecimento de absorventes, e que ela e outras colegas frequentemente tinham como única escolha reutilizá-los.
“As mulheres até hoje usam o tradicional algodão branco”, diz Juliette Morillot. “Eles precisam ser lavados todas as noites quando estão for a da vista dos homens, então as mulheres levantam-se cedo e lavam”.
Recém-chegada de uma visita de campo onde falou com várias mulheres soldado, Morillot confirma que elas muitas vezes sentem falta de menstruar.
“Uma das garotas com quem falei, que tinha 20 anos, me disse que treinou tanto que teve a menstruação interrompida por dois anos”, contou ela.
Embora Lee So Yeon tenha se juntado ao Exército voluntariamente, em 2015 foi anunciado que todas as mulheres na Coreia do Norte devem prestar sete anos de serviços militares a partir dos 18 anos de idade.
Governo
Ao mesmo tempo, o governo da Coreia do Norte deu um passo incomum ao dizer que distribuiria uma marca sanitária premium, chamada Daedong, na maioria das unidades femininas.
“Pode ter sido uma maneira de se redimir pelas condições do passado, de corrigir em excesso este fenômeno bem conhecido de que as condições para as mulheres costumavam ser ruins”, diz Jieun Baek. “Pode ter sido uma maneira de melhorar o ânimo e fazer com que mais mulheres pensem: Uau, nossas necessidades serão atendidas”.
A marca de cosméticos premium Pyongyang Products também foi recentemente distribuída para várias unidades femininas de aviação, seguindo uma chamada de Kim Jong-un em 2016 para produtos de beleza norte-coreanos competirem com marcas globais como Lancome, Chanel e Christian Dior.
Apesar disso, as mulheres soldados baseadas em cidades do interior nem sempre têm acesso a banheiros privados. Algumas disseram a Morillot que muitas vezes têm que fazer suas necessidades na frente dos homens, tornando-se especialmente vulneráveis.
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O serviço militar na Coreia do Norte
Mulheres da Coreia do Norte devem prestar no mínimo sete anos de serviços militares e os homens são obrigados a server por 10 anos – é o serviço militar obrigatório mais longo do mundo.
Estima-se que cerca de 40% das mulheres com idades entre 18 e 25 anos estejam nas forças armadas – um número que deverá crescer uma vez que o serviço military se tornou obrigatório para mulheres há dois anos.
O governo diz que aproximadamente 15% do orçamento do país é gasto na área militar, mas grupos de pesquisa dizem que o número poderia chegar a 40%.
Estudantes talentosos, com habilidades especiais – por exemplo, em esportes e música – podem ser dispensados do serviço militar.
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Abuso sexual é rotina
O abuso sexual, dizem Baek and Morillot, é frequente.
Morillot diz que quando abordou a questão de estupros no Exército com mulheres soldado “a maioria disse que acontece com outras”. Nenhuma admitiu ter passado por esse tipo de experiência.
Lee So Yeon também diz que não foi estuprada durante sua temporada no serviço military, entre 1992 e 2001, mas que muitas de suas companheiras foram.
“O comandante ficava em seu quarto, na unidade, após o serviço, e violava as mulheres sob seu comando. Isso aconteceria repetidamente sem um fim”.
O Exército da Coreia do Norte diz que leva a sério o abuso sexual, com pena de prisão de até sete anos para homens culpados por estupro.
“Mas na maioria das vezes ninguém está disposto a testemunhar. Então os homens geralmente ficam impunes”, diz Juliette Morillot..
Silêncio
Ela acrescenta que o silêncio sobre abuso sexual no Exército está enraizado nas “atitudes patriarcais da sociedade norte-coreana” – as mesmas atitudes que garantem que as mulheres no Exército façam a maioria dos serviços domésticos.
As mulheres de origens pobres recrutadas para brigadas de construção, e alojadas em pequenos barracões ou cabanas informais, são especialmente inseguras, diz ela.
“A violência doméstica ainda é amplamente aceita e não denunciada, então no Exército ocorre a mesma coisa. Mas eu realmente deveria enfatizar o fato de existir o mesmo tipo de cultura (do assédio) no exército sul-coreano”.
Lee So Yeon, que serviu como sargento em uma unidade de sinalização perto da fronteira sul-coreana, finalmente deixou o exército aos 28 anos. Ela ficou aliviada por ter a chance de passar mais tempo com sua família, mas também sentiu que não estava preparada para a vida fora do Exército e lutou com dificuldades financeiras.
Em 2008 ela decidiu fugir para a Coréia do Sul.
Na primeira tentativa, ela foi pega na fronteira com a China e enviada para um campo de detenção por um ano.
Em sua segunda tentativa, pouco depois de sair da prisão, ela nadou o rio Tumen e atravessou a China. Lá, na fronteira, ela se encontrou com um agente que providenciou para que passasse da China para a Coréia do Sul.
Fonte: MSN
Perguntas e respostas sobre possível teste de bomba H na Coreia do Norte
País anunciou que detonou uma miniatura de bomba de hidrogênio.
Entenda a diferença entre ela e uma arma nuclear convencional.
A Coreia do Norte anunciou em 6/1/1/6 ter feito um teste bem-sucedido com uma miniatura de bomba dehidrogênio (a bomba H ou bomba termonuclear). O uso da arma ainda não foi confirmado por outros países, mas foi registrado um terremoto na área onde os norte-coreanos já fizeram outros testes nucleares. Segundo autoridades da Coreia do Sul, ele foi provocado artificialmente por uma explosão.
A Coreia do Norte realmente testou uma bomba de hidrogênio?
É difícil saber se a explosão subterrânea foi mesmo uma bomba H, como alega a Coreia do Norte. A agência sul-coreana de inteligência diz que esta ainda seria uma bomba de fissão (entenda a diferença a seguir).
Segundo o país vizinho, os norte-coreanos já estavam buscando uma maneira de “turbinar” sua bomba de fissão, adicionando trítio (uma forma radioativa de hidrogênio) na mistura do combustível nuclear. Isso aumenta um pouco o potencial destrutivo da arma nuclear mais convencional, mas não a transforma numa bomba H. Pode ser que o teste nuclear norte-coreano mais recente tenha usado uma dessas bombas de fissão turbinadas.
Qual é a diferença entre uma bomba de hidrogênio e uma bomba atômica convencional?
A bomba convencional, de fissão, funciona por meio da fragmentação de átomos grandes, como urânio e plutônio. Foi uma deste tipo que foi detonada em Hiroshima, no Japão, em 1945.
Primeira bomba atômica lançada pelos americanos
na cidade de Hiroshima, em 1945 (Foto: AFP)
A bomba de hidrogênio consegue sua energia a partir da fusão de isótopos de hidrogênio, átomos menores e fáceis de obter.
Bombas por fusão exigem muito mais energia para serem detonadas e devem ser usadas em combinação com um explosivo por fissão nuclear. Produzi-las requer uma engenharia mais sofisticada.
Qual é o potencial de destruição de uma bomba de hidrogênio?
Uma bomba H das mais “fracas” possui força de centenas de quilotoneladas – uma ordem de grandeza maior do que um explosivo típico de fissão nuclear. Uma quilotonelada equivale a uma explosão de mil toneladas de TNT.
A destruição que a detonação de uma bomba de hidrogênio causaria em uma área habitada ainda é objeto de especulação – e alimento para pesadelos.
Kim Jong-un, presidente norte-coreano
(Foto: Wong Maye-E/AP)
Qual é o potencial do arsenal nuclear norte-coreano?
Caso a Coreia do Norte tenha realmente conseguido produzir uma bomba de hidrogênio, o potencial destrutivo do arsenal atômico do país pode se multiplicar por 10 ou por 100.
Como aumentar a quantidade de “combustível” da bomba termonuclear é mais fácil do que para a bomba de fissão, não é difícil que um país multiplique seu potencial nuclear aceleradamente a partir do momento em que desenvolve sua primeira bomba H.
Ato na Coreia do Norte, em 2013, por teste nuclear
(Foto: KCNA /AFP)
Como foram os outros testes?
A Coreia do Norte já fez outros três testes com bombas nucleares, entre2006 e 2013. Eles usaram bombas atômicas de primeira geração, por fissão nuclear, menos complexas de produzir.
O mais poderoso teste realizado pela Coreia do Norte até agora foi uma explosão subterrânea com energia estimada em 7 quilotoneladas, metade do poder destrutivo da bomba lançada pelos EUA sobre Hiroshima em 1945. A força da explosão norte-coreana de 2013 foi estimada pelo Serviço Geológico dos EUA, que mediu o impacto sismológico gerado pela operação.
Outros países já usaram ou testaram a bomba H?
A primeira bomba H detonada pelos EUA, num teste no Pacífico em 1952, tinha cerca de 10.500 quilotoneladas.
A maior explosão da história, num teste russo em 1961, foi superior a 50.000 quilotoneladas. Porém, armas termonucleares nunca foram efetivamente usadas em guerras.
Existe algum tratado que proíba o uso ou teste de armas nucleares?
A Organização das Nações Unidas (ONU) criou o Tratado de Não-Proliferação Nuclear em 1968. A Coreia do Norte era signatária, mas abandonou o tratado em 2003, após admitir ter um programa secreto de enriquecimento e de expulsar inspetores da ONU.
Em agosto do ano passado, a ONU cobrou a assinatura de um tratado que proíbe os testes nucleares. “O Tratado de Proibição Completa de Testes Nucleares [CTBT] é essencial para a eliminação de armas nucleares”, disse o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. A Coreia do Norte assinou o tratado na Assembleia Geral, mas ainda não ratificou.
Quando o escritor português José Luís Peixoto esteve pela primeira vez na Coreia do Norte, em 2012, precisou deixar o celular no aeroporto. Também estava terminantemente proibido de fotografar ou filmar o que via. Nos últimos três anos, as regras para os turistas mudaram um pouco — há duas semanas foi anunciada a expansão do aeroporto internacional de Pyongyang, o que pode indicar uma abertura maior. Mesmo assim, quem visita o país mais fechado do mundo é obrigado a seguir certas regras: viajar com agências de específicas, deixar o passaporte no aeroporto e fazer passeios predeterminados em grupos e sempre com guias.
A jornalista Fernanda Morena, 31 anos, morou por seis na China. Quando resolveu voltar para o Brasil, decidiu que sua última viagem seria para a Coreia do Norte — outra alternativa para cruzar a fronteira é pela Rússia. Meses antes, já havia tentado um visto de jornalista para cobrir a Crise dos Mísseis, sem sucesso. Dessa vez, como turista, escolheu a agência Koryo Tours, mais antiga a fazer o roteiro, fundada por um britânico. O pacote fechado, por cerca de US$ 600, incluía sete dias de visitas, dois deles praticamente na estrada até a cidade chinesa que faz fronteira com o país. Depois, mais seis horas de trem, que parava muitas vezes para checagem, onde policiais revistavam as malas
— Fui de trem, com chineses, porque falava mandarim. Além de ser mais barato que a viagem de avião, cruzei o país inteiro e pude ver o interior, muito pobre, que não teria visto se fosse de outra maneira — relembra. — Na estação de trem recolheram meu passaporte e eu fiquei apenas com um carta de visto. É o único documento que fica com você durante a viagem. Quando você recebe de volta seu passaporte, não tem qualquer carimbo, é como se eu nunca estivesse estado lá.
Os passeios são todos programados com detalhes e horários rígidos, e exigem a companhia constante — e atenta — de um guia da agência e outro norte-coreano. Mesmo no dia considerado livre para visitas, os turistas são vigiados de longe. Fernanda relembra que, no primeiro dia de viagem, um casal de turistas chineses de cerca de 18 anos decidiu não fazer os passeios, pois não se sentia bem. Por volta do meio-dia, atravessaram a ponte que ligava o hotel ao centro da cidade, a pé, e foram a um café.
— Uma pessoa que estava lá ligou para o Ministério do Turismo e acabaram recolhendo o casal. Os guias temiam ser prejudicados e os dois tiveram que assinar um termo de compromisso pedindo desculpas — conta a jornalista, que apelidou o local de “Alcatraz”, em referência à lendária prisão americana. — Uma vez, uma senhora saiu de casa quando me viu tirando fotos e reclamou com o guia, que foi me buscar. As pessoas são treinadas para não falar com os turistas. Só interagi com os norte-coreanos em dois momentos: num parque de diversões, que não estava no roteiro e conseguimos ir depois de muito insistir com um dos nossos guias; e às margens de um rio, onde um senhor pediu para tirar uma foto com ele. Rapidamente o guia me chamou.
Para quem sai do Brasil, o visto não é difícil — a não ser que o visitante seja jornalista — e custa em média US$ 55. O passaporte também fica retido com os guias até o retorno do grupo. O pacote custa em média de US$ 3.500, incluindo deslocamentos, hospedagem e alimentação. No Brasil, a agência Happy Way oferece a viagem desde 2012.
— Geralmente tentamos mandar um guia que fale português e espanhol para facilitar a comunicação — explica Danielle Schumaker, gerente comercial da empresa. — O público brasileiro ainda é limitado: a procura até ano passado não chegou a sete pessoas. Mas agora, com a embaixada do Brasil na Coreia do Norte, o turismo no país está um pouco mais facilitado, embora continue rígido.
O destino costuma ser procurado por turistas que preferem destinos mais exóticos, segundo Danielle. Muitos deles, ficam curiosos com o isolamento do povo da Coreia do Norte, e sentem a necessidade de ver de perto, para descobrir se aquilo realmente é real.
— Queríamos ver com nossos próprios olhos o país mais fechado do mundo. E realmente uma viagem para lá só é realizada dentro dos moldes da agência de turismo norte-coreana, acompanhado por dois guias e dentro de um roteiro pré-determinado. Não há liberdade nenhuma. Nós fomos com visto de turista, e não de jornalista. Justamente porque queríamos ver como um turista tradicional pode conhecer (e o que ele pode conhecer) da Coreia do Norte — conta André Fran, apresentador do programa “Não conta lá em casa”, do canal Multishow.
Ele esteve no país há cinco anos, quando as regras eram ainda mais severas. Um dos momentos mais surreais, relembra, foi quando lhe apresentaram a “última novidade da música na Europa: os Beatles”.
— Eles não têm a mínima noção de como o país é visto aos olhos do mundo, daí a curiosidade e as constantes perguntas sobre que achávamos, pensávamos e como víamos a Coreia do Norte e suas principais ações no cenário geopolítico mundial. Mas tudo era feito meio que entre sussurros.
TURISMO ABERTO
Viajar é o grande hobby da gerente de informação e mídia digital Glaucimara Silva: foram 40 países na última década — “e quanto mais exótico o destino, melhor”. Exatamente por isso, a Coreia do Norte sempre esteve na lista:
— Quando um amigo mudou-se para Pyongyang, para morar seis meses a trabalho, percebi que era a hora de tentar ir mesmo sabendo que talvez não pudéssemos nos encontrar, caso as restrições turísticas fossem de fato rígidas. No entanto, com o suporte dele, as coisas se mostraram bem mais fáceis — conta ela, que esteve no país no ano passado, com um visto diferente do tradicional, o que abriu muitas portas. — Não fui como turista, mas como convidada da empresa onde meu amigo trabalha, que assumiu as responsabilidades por mim.
Graças a isso, a experiência acabou sendo bem diferente da convencional. Como convidados, Glaucimara e outro brasileiro, Marcel Stenner, não precisaram se hospedar nos hotéis destinados aos turistas. Também não tiveram que ser acompanhados por nenhum guia em Pyongyang, onde andaram — a pé ou de bicicleta — à vontade.
— Fizemos fotos, vídeos, vimos a vida passar e nos surpreendemos com a normalidade da cidade. Nossa única restrição foi quanto ao transporte público e à moeda (usamos dólar e euro). Até andamos de metrô, mas o passeio fez parte de um pacote de um dia que contratamos lá para visitar locais em que só pode ir com autorização do governo e com alguém de confiança.
Neste dia, a dupla pode conversar bastante com dois guias norte-coreanos sobre todos os tipos de assunto.
— Fomos até zoados pela Copa do Mundo (a notícia do 7×1 contra a Alemanha chegou lá sem ser deturpada) e perguntados se o Rio de Janeiro era como apresentado na animação “Rio”. Também conversamos sobre o fato de o Brasil ter uma presidenta e, à época, outra candidata mulher concorrendo ao cargo mais importante do país — conta. — Acredito que, por termos respeitado o país e nos mostrado dispostos a formar a nossa própria opinião, uma opinião sem ser tendenciosa e preconceituosa, acabamos passando confiança aos norte-coreanos comuns. Não estávamos lá para julgar ninguém e nem comprovar nenhuma teoria, mas para conhecermos e aprendermos. É aquela coisa da gentileza gera gentileza. Não fomos hostis nem fomos hostilizados.
VIAGEM VIROU LIVRO
A experiência no país vivida pelo português José Luís Peixoto acabou virando um livro “Dentro do segredo” (Companhia das Letras). A viagem começou a ser concebida quase um ano e meio antes. E calhou de ser durante um megaevento, o aniversário de 100 anos Kim Il-sung, avô do atual presidente, Kim Jong-il.
— Decidi ir porque precisava de um desafio novo na escrita, que fosse completamente diferente de mim. Queria escrever sobre algo que fosse bem distante — conta. — Foi uma viagem bem fora do habitual, de quase um mês, que não era restrita à capital. E numa ocasião bem especial.
De lá para cá, Peixoto voltou duas vezes ao país, dessa vez como guia, parte de um projeto chamado de “Viagens de autor” — onde escritores são convidados para acompanhar grupos de turistas a lugares que estão referidos nos seus livros. A próxima viagem, com brasileiros e portugueses, acontece em outubro.
—Todas as visitas foram diferentes. Sinto que sei mais e menos, ao mesmo tempo. É uma complexidade enorme. Além de todas as questões politicas, existem as questões civilizatórias. As pessoas têm valores muito diferentes do nossos e veem o mundo de forma completamente diferente.
Fonte: O Globo
A internet da Coreia do Norte saiu do ar em 22/12/14, três dias após o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, prometer uma resposta do país ao ataque cibernético dos asiáticos à Sony Pictures. Na sexta, a FBI apontou o regime de Pyongyang como responsável por invadir os sistemas do estúdio de Hollywood, que resultou no vazamento de milhares de senhas e informações pessoais de funcionários e astros, além de conversas privadas entre executivos que causaram desconforto à empresa.
A interrupção da conexão à internet foi publicada pelo jornal “New York Times” e confirmadas ao G1 pelo Dyn Research, empresa que monitora instabilidades na rede mundial de computadores. “Atualmente, todas as quatro redes da Coreia do Norte que normalmente se conectam à internet global estão fora de alcance”, afirmou James Cowie, cientista-chefe da Dyn, por e-mail.
Desconectada
A internet norte-coreana começou a ter problema ainda no domingo e foi interrompida definitivamente às 2h de sábado (15h de sexta-feira, no horário de Brasília). A instabilidade durou 24 horas. Coincidentemente, os problemas começaram quando o governo da Coreia do Norte divulgaram um comunicado negando serem autores do ataque, pedindo que os EUA se desculpassem pela acusação e afirmando que o exército do país está pronto para um embate.
“Nosso mais duro contra-ataque será dirigido à Casa Branca, ao Pentágono e a todo o território continental dos Estados Unidos superando amplamente o contra-ataque simétrico declarado por [Barack] Obama”, afirma Pyongyang. A Coreia do Norte rebateu assim a acusação do FBI que, após investigação, responsabilizou o governo de Kim Jong-un pela invasão à Sony. Ameaças feitas pelo grupo hacker “Guardiães da Paz”, que reivindica o ataque, fizeram o estúdio cancelar o lançamento do filme “A Entrevista”. Apontado como estopim do conflito, o longa é comédia que mostra um plano da CIA para matar o líder norte-coreano.
Obama na entrevista de fim de ano (Foto: Pablo
Martinez Monsivais/AP)
‘Maneira proporcional‘
Para o presidente Obama, a invasão não foi “um ato de guerra”, mas “um ato de vandalismo cibernético que custou muito caro”. “Levamos isso muito a sério. Vamos responder de maneira proporcional”, sentenciou.
Cowie afirma que ainda não é possível saber a causa da suspensão da conexão, “mas os dados são consistentes com um ataque ou algo como uma falha de energia intermitente que afeta o equipamento de rede”. Na hipótese do ataque, o modelo utilizado, diz o cientista, é o DDoS. Chamado “ataque de negação”, ocorre quando um grande volume de tráfego é direcionado a um servidor com o objetivo de sobrecarregá-lo. Essa é a causa mais provável, afirma Cowi. “O padrão de longa instabilidade, seguida de suspensão, torna menos provável que seja o resultado de um simples corte de cabo de fibra ótica.”
Sob um regime ditatorial que mantém pouca conexão com o mundo, a Coreia do Norte possui poucas conexões com o mundo. Enquanto detém só quatro, países com população similar são mais conectadas. O Yemen possui 47, o Afeganistão, 370, e Taiwan, 5.031. Quinto em número de internautas no mundo e prestes a se tornar o quarto país da internet, o Brasil possui 26,5 mil redes de internet. Além dessas redes, a Coreia do Norte possui conexão a partir de um servidor da China Unicom, empresta estatal chinesa. Isso, porém, torna “a conectividade deles relativamente frágil
A Coreia do Norte ameaçou realizar um novo teste nuclear em resposta a uma resolução da ONU que constitui um primeiro passo para levar o regime comunista ante a justiça internacional por crimes contra a Humanidade.
Ao mesmo tempo, imagens feitas por satélites mostram que a Coreia do Norte poderia estar colocando em funcionamento uma fábrica de reprocessamento destinada à extração de plutônio de qualidade militar em seu complexo nuclear de Yongbyon.
A Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Geral da ONU votou na terça-feira uma resolução na qual solicita ao Conselho de Segurança que recorra ao Tribunal Penal Internacional (TPI) para denunciar crimes imputados ao regime norte-coreano.
Esta resolução é uma das tentativas de chamar a atenção de Pyongyang perante a comunidade internacional.
“Esta agressão pelos Estados Unidos não permitirá uma abstenção por muito mais tempo de um novo teste nuclear”, acrescentou em um comunicado.
“Nossa capacidade de dissuasão militar será reforçada para nos proteger contra qualquer intervenção militar dos Estados Unidos e qualquer tentativa de invasão armada”, ressaltou.
A Coreia do Norte realizou três testes nucleares, o último em fevereiro de 2013.
Moscou considerou, por sua vez, que a resolução da ONU é contra-producente”.
“A nosso ver, é contra-producente tentar fazer declarações ruidosas através de resoluções conflituosas na Assembleia Geral da ONU e no Conselho de Direitos Humanos”, declarou o ministro russo das Relações Exteriores, Sergeui Lavrov, após um encontro em Moscou com o emissário especial do líder norte-coreano Kim Jong-Un.
O governo sul-coreano, através de um comunicado do ministério da Defesa, informou que suas Forças Armadas estão alertas e não “tolerarão qualquer provocação”.
O texto da ONU, não vinculativo, é baseado em um relatório de 400 páginas, concluído após uma longa investigação sobre as violações dos direitos Humanos na Coreia do Norte, “inigualável no mundo contemporâneo.”
Durante um ano, os investigadores coletaram os testemunhos de exilados norte-coreanos e documentaram uma rede de campos de prisioneiros, onde ocorrem torturas, execuções extrajudiciais e estupros.
O relatório estima que a responsabilidade por essas violações, que constituem crimes contra a Humanidade, é das mais altas autoridades do Estado.
As autoridades norte-coreanas temem que Kim Jong-Un seja acusado perante o TPI, mesmo que o líder se recuse a comparecer voluntariamente.
A resolução deve ser estudada em dezembro por toda a Assembleia Geral da ONU.
Mas a chave do processo está nas mãos do Conselho de Segurança da ONU, onde é provável que a China, principal aliado da Coreia do Norte, e Rússia exerçam seu direito a veto.
Neste contexto, imagens captadas recentemente por satélites mostram nuvens de vapor sobre uma usina de reprocessamento de combustível em Yongbyon, segundo os pesquisadores do Instituto EUA-Coreia da Universidade Johns Hopkins de Washington.
Isso poderia indicar que os norte-coreanos estão preparando a reativação da fábrica de reprocessamento de combustível do reator que produz plutônio que pode entrar na composição de uma bomba atômica.
Fechada em 2007 sob um acordo de “apoio ao desarmamento”, o reator pode produzir, em princípio, seis quilos de plutônio por ano, o suficiente para fazer uma bomba nuclear, de acordo com especialistas estrangeiros.
A Coreia do Norte usou uma parte de seu estoque de plutônio para dois de seus três testes nucleares e ainda tem reservas suficientes para produzir seis bombas nucleares, de acordo com especialistas estrangeiros.
Fonte: Yahoo
So Se Pyong afirma que EUA querem arruinar a reputação do país. Investigação sobre crimes contra a humanidade continua
O enviado da Coreia do Norte disse ao Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas em 28/3/14 para “cuidar da sua vida”, durante debate sobre crimes contra a humanidade documentados em seu país por investigadores da Organização
So Se Pyong, embaixador da Coreia do Norte na ONU, também disse que a “cooperação nunca pode ser compatível com o confronto”, ao responder às críticas sem precedentes sobre seu histórico na área de Direitos Humanos, durante reunião em Genebra, Suíça.
Resolução aprovada
O conselho aprovou uma resolução, apresentada pelo Japão e pela União Europeia, pedindo que o Conselho de Segurança tome medidas para responsabilizar os que cometeram assassinatos, sequestros e tortura no país isolado.
Depois da conversa irritada, um investigador especial ganhou a aprovação do Conselho para continuar investigando as suspeitas de crimes contra a humanidade e outros abusos cometidos no país asiático por 30 votos contra 6, e 11 abstenções. China, Cuba, Paquistão, Rússia, Venezuela e Vietnã votaram contra a investigação.
O relatório, com base no testemunho de centenas de vítimas, concluiu que vários crimes contra a humanidade foram cometidos na Coréia do Norte, incluindo assassinatos em massa e torturas.
A resolução também condena “a longa e violações dos direitos humanos sistemáticas, generalizadas e brutas em curso e outros abusos dos direitos humanos” na Coreia do Norte, e exorta o país a começar a cooperar com a investigação da ONU.
Dirigida pelo juiz aposentado da Austrália Michael Kirby, a comissão alertou o líder norte-coreano Kim Jong-un, e outras pessoas de seu governo, sobre uma possível responsabilização por orquestrar crimes generalizados contra civis.
Em outro momento da reunião, Pyong disse que ‘patrocinadores’ do documento havia transformado o conselho “em um palco de confrontos políticos”. No início desta semana, ele convocou jornalistas durante sua passagem por Genebra para denunciar que os EUA querem minar a reputação da Coréia do Norte no mundo.
Fonte: IG
Ditador da Coreia do Norte impõe o próprio corte de cabelo aos homens do país
O líder norte-coreano Kim Jong-un visita uma fazenda de cogumelos em foto sem data divulgada pela agência de notícias central da Coreia do Norte (KCNA), em Pyongyang
A ditadura de Kim Jong-un na Coreia do Norte parece não querer poupar nem mesmo a aparência de seus cidadãos.
Primeiro, o governou determinou 10 modelos de cortes diferentes para os homens e 18 para as mulheres. Agora, em mais uma demonstração de autoritarismo –e excentricidade–, o jovem líder decidiu impor o próprio corte de cabelo a toda a população masculina do país. A informação é da rádio “Free Asia”, citada pela emissora britânica “BBC”.
Com a nova medida, determinada há duas semanas, mas divulgada nesta quarta-feira (26), em breve, todos os homens norte-coreanos terão os cabelos raspados nos lados da cabeça e espetados em cima –ou, em uma rara variação, penteados para baixo e divididos ao meio– nos moldes do corte do ditador.
Os primeiros a terem seus estilos redefinidos à moda de Kim Jong-un foram os estudantes da capital Pyongyang, mas logo a obrigação foi estendida para o restante da população masculina.
13.mar.2014 – Em foto não datada, liberada nesta quinta-feira (13), o líder norte-coreano Kim Jong-Un inspeciona o Zoológico Central de Pyongyang, com novos prédios em construção e outros em reforma KCNA via KNS/AFP
“O corte de cabelo do nosso líder é muito particular, não fica bem em todos, dado que cada um tem um rosto e um formato de cabeça próprios”, disse um norte-coreano cuja identidade não foi revelada.
Corte ‘estilo socialista’
Segundo a “BBC”, para incentivar os ‘do contra’, a TV estatal norte-coreana lançou a campanha “Vamos cortar o cabelo no estilo de vida socialista”.
Em entrevista ao jornal “Korea Times”, outro norte-coreano, este radicado na China, não aposta que o corte vai se popularizar no país. Para o entrevistado –que não teve a identidade revelada– o corte “estilo socialista” mais parece “estilo contrabandista chinês”.
“Até meados dos anos 2000, este corte era conhecido como “cabelo de contrabandista chinês”, lembrou a fonte. (Com Ansa e BBC)
As polêmicas do ditador norte-coreano Kim Jong-un25 fotos
VERDADE OU MENTIRA: O presidente do país, Kim Jong-un, é acompanhado por outras autoridades norte-coreanas em uma visita a um hospital infantil em construção. Kim e seus auxiliares aparecem na área externa do local. A imagem foi divulgada pela KCNA no dia 6 de outubro. Internautas apontam manipulação na imagem
Fonte: Uol
As potências do Ocidente e da Ásia vão começar essa semana a fazer pressão para que a Coreia do Norte seja responsabilizada por crimes contra a humanidade, documentados em um relatório das Nações Unidas, mas admitem que suas chances de influenciar o país isolado, são escassas.
Funcionários da segurança da Coreia do Norte e possivelmente até o ditador Kim Jong-um deveriam enfrentar a justiça internacional por ordenar sistematicamente tortura, inanição e assassinatos comparáveis às atrocidades da era nazista, disseram investigadores da ONU, no mês passado.
Suas descobertas, baseadas em testemunhos de centenas de vítimas, desertores e testemunhas, são inequívocas. Eles exigem o fechamento de campos de prisioneiros políticos, que eles acreditam que contenham até 120 mil pessoas e a intervenção do Tribunal Penal Internacional (ICC, na sigla em inglês).
13.mar.2014 – Em foto não datada, liberada nesta quinta-feira (13), o líder norte-coreano Kim Jong-Un inspeciona o Zoológico Central de Pyongyang, com novos prédios em construção e outros em reforma KCNA via KNS/AFP
Michael Kirby, um ex-juiz australiano que liderou a investigação independente, vai apresentar oficialmente o relatório ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, na segunda-feira. O fórum, que pediu a investigação sem precedentes há um ano, vai decidir como lidar com a Coreia do norte, em uma sessão que se estenderá até 28 de março.
Ativistas querem ação. “O fato de que essas violações sejam agora consideradas um crime contra a humanidade, determina que a comunidade internacional assuma a responsabilidade e aja,” disse à Reuters, Julie de Rivero da Human Rights Watch. “Pode ser um longo caminho, mas medidas precisam ser tomadas.”
Roseann Rife, da Anistia Internacional, disse em um comunicado: “Este é o primeiro teste real para que a comunidade internacional mostre que está falando sério sobre tomar providências em relação às descobertas assustadoras da Comissão. É preciso um esforço concentrado para aumentar a pressão para que o governo da Coreia do Norte cuide dessas violações sistemáticas, graves e generalizadas aos direitos humanos”.
O país já está na agenda da Assembleia Geral da ONU, mas o Conselho de Segurança tem focado até agora apenas em suas armas nucleares e na ameaça da sua proliferação, disse de Rivera. “Estamos defendendo que o Conselho de Segurança precisa lidar com os crimes na Coreia do Norte”.
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VERDADE OU MENTIRA: O presidente do país, Kim Jong-un, é acompanhado por outras autoridades norte-coreanas em uma visita a um hospital infantil em construção. Kim e seus auxiliares aparecem na área externa do local. A imagem foi divulgada pela KCNA no dia 6 de outubro. Internautas apontam manipulação na imagem Leia maisAFP
Mas ganhar o consenso internacional para fazer com que Kim seja acusado, vai provavelmente continuar sendo ilusório por enquanto, de acordo com diplomatas, fontes da ONU e ativistas. Isso se deve principalmente porque a China, aliada de Pyngyang, tem poder de veto no Conselho de Segurança, que teria que denunciar os crimes da Coreia do norte ao ICC.
A China sofreu críticas pesadas no relatório por ter forçado refugiados norte-coreanos a retornarem para casa onde eles enfrentam uma possível perseguição.
Pequim nega a acusação, dizendo que prefere “o diálogo construtivo” e tem uma posição de longa data contra o que ela considera uma ingerência sobre os assuntos internos de nações soberanas.
“Levar questões de Direitos Humanos ao ICC, não ajuda a melhorar as condições dos direitos humanos no país,” disse o porta-voz do ministério do exterior chinês Hua Chunying, no dia 17 de fevereiro, quando o relatório foi divulgado.
Pyongyang rejeitou as conclusões do relatório e da determinação dos investigadores, com quem ele não aceitou se reunir ou permitir que entrassem na Coreia do Norte, cujo nome oficial é República Popular Democrática da Coreia (RPDC). O grupo teve audiências públicas em Seul, Tóquio, Londres e Washington.
A China vai ter um papel importante no Conselho de Segurança, diminuindo as esperanças de uma ação rápida. Como Pyongyang não assinou os estatutos de Roma que criaram o ICC de Haia, seu promotor poderá agir apenas a pedido das potências mundiais.
Ao completar sete dias sem a mãe, os filhos gêmeos de Claudia Silva Ferreira ganharam neste domingo uma festa de aniversário. No alto da comunidade Congonha, em Madureira, no Rio de Janeiro, voluntários e moradores organizaram a comemoração na praça batizada com o apelido de Claudia, Cacau. A auxiliar de serviços gerais morreu depois de ter sido baleada durante operação policial no morro, quando saia para comprar pão. A vítima chegou a ser socorrida e colocada no camburão de viatura da polícia, de onde caiu e foi arrastada no chão por cerca de 300 metros.
O aniversário de dois dos oito filhos de Claudia, sendo quatro adotados, foi organizado com a ajuda da vizinhança e de voluntários. A comemoração teve doces, salgados, refrigerantes e presentes para garotada. “Ela (Claudia) já queria fazer a festa. Todo mundo se reuniu para realizar essa vontade”, disse um dos filhos, Angelo Gabriel Ferreira, 14 anos.
Durante a festa, o marido de Claudia, Alexandre Fernandes da Silva, cobrou que o episódio mude a cultura da Polícia Militar. “Sei que o que ocorreu comigo já aconteceu em várias comunidades, mas não dessa proporção, então, creio que o governador (Sérgio Cabral), que o secretário de Segurança (José Mariano Beltrame) olhem para cá.” A família quer que os envolvidos na morte sejam condenados e cobrará reparação por Claudia ter sido arrastada pela viatura policial. As cenas foram gravadas por um cinegrafista amador.
“Vamos em busca de todas as formas legais para que os culpados paguem. Aguardamos que se faça justiça”, disse Diego Gomes, amigo da família. “Quem provocou essa atrocidade, em todos os aspectos, desde o tiro, desde colocar no camburão, até arrastar ela na rua”, acrescentou.
Moradores de Congonha aproveitaram o evento também para denunciar ações truculentas da Polícia Militar (PM) na comunidade. Relataram abusos nas revistas, no trato com as mulheres e nas operações. “Eles não têm respeito com morador, xingam, tem que acabar com isso”, disse Marília Regina Ferreira. “O morro tem morador, não é só bandido”, completou. A dona de casa Cláudia Regina contou que crianças ficam em risco. “As operações coincidem com a saída da escola, quando estão no caminho para casa ou brincando na rua.”
Na última semana, os policiais que arrastaram Claudia foram soltos.
Os moradores ainda cobram serviços públicos. “Precisamos desde intervenções em infraestutura, têm encostas que estão caindo, a rede de iluminação e de energia é precária, falta manutenção nas ruas, tirar o lixo acumulado, até serviço social. Os jovens estão abandonados, não tem o que fazer, e famílias precisam de apoio”, cobrou Diego Gomes.
Para a moradora Cristina Ferreira, além da iluminação “que ajudaria a resolver problemas de segurança e daria condições mais dignas” de vida aos moradores, é preciso podar a vegetação com urgência. “Ali, onde a Claudia morreu, o mato está altíssimo. Precisa vir podar em toda a comunidade. Depois, tem que melhorar a limpeza. Ninguém vem aqui em cima tirar o lixo”, reivindicou.
Procurada pela reportagem, PM pede que a comunidade denuncie casos de abusos por parte de policiais. As denúncias podem ser feitas para Ouvidoria, pelo telefone 3399-1199, ou para o Disque-Denúncia, 2253-117.
A prefeitura do Rio não se manifestou sobre as reclamações dos moradores até a publicação da reportagem.
O garçom autônomo Mário José Cavalcanti Sales, 47 anos, não suportou o aluguel de R$ 380 que pagava por um único cômodo (quarto/banheiro, conjugados) na favela de Paraisópolis (zona sul de São Paulo) e embarcou naquela que, para vários outros amigos dele, seria a grande oportunidade de enfim construir a própria casa: ajudou na ocupação de um terreno que “há anos” estava sem uso. Desde setembro, ele é um dos cerca de 1,2 mil moradores da ocupação “Faixa de Gaza”, na mesma região – ou uma mini-favela dentro da favela.
Assim como Sales, moradores de outras ocupações que reivindicaram resultados da política habitacional do prefeito Fernando Haddad (PT) por meio de um protesto na quinta-feira, no centro de São Paulo, alegaram que a especulação imobiliária em regiões de periferia são a razão principal para as invasões. O grupo é formado em grande parte de nordestinos de Estados como Rio Grande do Norte, Ceará e Alagoas. Figuram entre eles domésticas, pedreiros, garçons e costureiras – praticamente todos, ou maioria, estimam, sem curso superior.
O Terra conversou com moradores das ocupações Nova Deda, Faixa de Gaza e União Palestina, as três da zona sul da capital paulista. Além delas, integram o ato liderado pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) também as ocupações Estaiadinha (zona norte) e Capadócia (zona sul). Ao todo, os organizadores estimam que todas elas representem uma demanda de pelo menos 18 mil novas moradias.
“A Câmara que nos aguarde”, avisa morador
Pai de dois filhos, Sales contou que está há 27 anos em São Paulo. Saiu do Ceará, onde já pagava aluguel, para seguir sem casa própria em território paulista. “Pago aluguel há 30 anos, e, só em Paraisópolis, estou há 13 deles. É uma especulação muito grande, a ponto de eu não aguentar. O que queremos agora é que o prefeito mude o zoneamento lá da região, onde só se pode construir mansões, para que possamos ter nosso canto em paz”, disse. E avisou: “sabemos que quem vota o Plano Diretor que permite essas mudanças de zoneamento é a Câmara. Íamos lá, hoje, mas acabamos vindo para a prefeitura. A Câmara que nos aguarde”, afirmou.
A votação do Plano Diretor estava prevista para o início deste mês, mas acabou adiada para abril.
Moradores fazem ‘rondas noturnas’ contra reintegração
Vizinha de Sales, a costureira Maria Luiza Silva, 36 anos, está há 14 deles em São Paulo – ela é de Natal. Ano passado, contou, não deu conta de sustentar os três filhos pequenos e ainda pagar o aluguel de R$ 620 por três cômodos na favela e foi para a mesma ocupação. “As pessoas da própria favela superfaturaram o preço dos aluguéis, moça, aquilo virou uma covardia”, lamentou.
Integrante da ocupação Nova Deda, sobre a qual os moradores afirmam haver o risco iminente de uma reintegração de posse pedida pelo município, a desempregada Ana Cristina Nascimento, 34 anos, contou à reportagem que o aluguel de R$ 500 que pagava até novembro do ano passado não coube mais no orçamento doméstico. Separada, vivem na ocupação ela e três filhos.
“Quem diz que morador de ocupação é só desocupado não sabe de nada. Quem não quer ter um teto? E a gente ainda vive com medo de uma reintegração – é medo todo dia”, relatou.
Foi justamente o medo de uma reintegração de madrugada – o grande trauma dos moradores, relataram, foi a do Pinheirinho, em 2012, em São José dos Campos – que levou os ocupantes da Nova Palestina a se organizarem em 21 grupos, ou células, para garantir a segurança do grupo. Ao todo, estimam, são mais de 10 mil pessoas lá.
“A gente precisou correr o risco de enfrentar um despejo porque não tinha como pagar aluguel. Eu mesma pagava R$ 500 no Capão Redondo (zona sul de SP) e tenho sete filhos, sou casada… não tem condições. Para muita gente esse valor não pesa, mas, para quem acaba indo para uma ocupação, é muito dinheiro”, declarou a doméstica Maria Quitéria de Oliveira, 47 anos, que há 25 anos deixou Alagoas para viver em São Paulo.
“Na ocupação nós nos ajudamos. Formamos grupos de cinco pessoas para fazer rondas noturnas e para checar se não está havendo brigas entre os moradores, por exemplo. Temos uma cozinha comunitária e muita gente de fora faz doações. Pedimos pelo boca a boca mesmo, e posso dizer: as pessoas são muito solidárias. Só falta mesmo o poder público fazer a parte dele”, definiu a garçonete autônoma Francisca Alexsandra, 43 anos, que trocou o Ceará por São Paulo há 14 anos.
“As pessoas de fora são solidárias com a gente”
“Sandra”, como prefere ser chamada, ainda não mora na Nova Palestina, apesar de participar “de tudo que é possível: protesto, assembleias, mutirão na cozinha e arrecadação de alimentos”. “Estou ajudando porque tenho esperança que logo eu me mude para lá. Não tem por que o prefeito manter um decreto de utilidade pública de uma área onde moram pessoas, para se fazer ali uma praça, se a 50 metros dessa mesma área existe o Parque do Guarapiranga”, completou a garçonete.
Ela se refere ao decreto assinado pelo então prefeito Gilberto Kassab (PSD) transformando a antiga área privada em área de utilidade pública. Segundo o MTST, Haddad teria prometido revogar a medida até janeiro deste ano – quando completou um ano de governo -, o que ainda não ocorreu.
Uma comissão de moradores das cinco ocupações foi recebida por representantes da Secretaria Municipal de Relações Governamentais durante pouco mais de quatro horas. O município ainda não se manifestou oficialmente sobre o caso.
Reúso, a técnica que poderia diminuir o consumo de água em 50%
A crise hídrica está longe de acabar, e o Brasil precisa avançar na adoção do reúso – que permite levar “a água da privada de volta para a torneira”
FONTE DE SEGUNDA, DE PRIMEIRA – Jardim do WTC, complexo comercial de São Paulo regado com água tratada: sustentabilidade (Caio Guatelli/VEJA)
Nos últimos meses, o assunto murchou, por assim dizer, nas conversas do dia a dia. Mas o problema da crise hídrica, especialmente em São Paulo, está longe de ser resolvido. As chuvas que caíram na última semana na capital paulista não alteraram o quadro alarmante. Até agosto de 2014, o nível dos principais reservatórios que abastecem a região metropolitana de São Paulo estava em 23,5%. Hoje, chega a no máximo 21,1%. Responsável pelo atendimento de 5 milhões de pessoas, o Sistema Alto Tietê atingiu em agosto o nível mais baixo desde 2003, de 13,8%. No último dia 3 de setembro, o volume útil do maior reservatório que abastece o Estado do Rio de Janeiro, o de Paraibuna, chegou a 0,83%. Um ano atrás, estava em 11%. A conclusão é – para usar um termo incontornável – cristalina: não há como deixar de economizar água.
O aproveitamento da chuva para irrigar jardins ou limpar áreas comuns reduz o consumo em 26%. A instalação de hidrômetros individuais derruba o valor da conta de água em até 56%. Contudo, independentemente dessas estratégias, é imperioso lançar mão de outro recurso: o reúso. É verdade que, a partir da crise, foi disseminada a prática de reutilização da água do banho e da máquina de lavar para alguns fins específicos, como a descarga sanitária. No entanto, uma vez derramada na rede de esgoto, o entendimento é que aquela água havia se tornado inaproveitável. Nada mais equivocado. Com o tratamento adequado do esgoto, um estabelecimento comercial de grande porte, como um shopping center, pode reaproveitar tão bem a água que o consumo tenderá a cair até 50%.
O reúso é largamente empregado, por exemplo no Estado americano da Califórnia, onde a escassez abriu a possibilidade de levar água “da privada para a torneira”, como os técnicos costumam dizer. De acordo com a legislação local, é permitida a chamada potabilização indireta. Funciona da seguinte maneira: a água tratada é misturada com a das bacias subterrâneas e depois passa para o sistema de abastecimento comum. “Escutamos pessoas dizendo que não querem beber água da privada. Depois de passar por três estágios de purificação, porém, ela sai mais limpa do que a água que não é de reúso e chega a sua casa”, comparou o americano Henry Vaux, professor de economia dos recursos da Universidade da Califórnia. Para motivar a população, Bill Gates, fundador da Microsoft, o homem mais rico do mundo, gravou um vídeo no qual aparece bebendo água produzida em uma estação de tratamento de esgoto. A Fundação Bill & Melinda Gates pretende distribuir miniusinas de tratamento por toda a África.
Em dezembro do ano passado, um projeto enviado à Sabesp pelo professor de hidrologia Ivanildo Hespanhol, da Universidade de São Paulo, defendeu o tratamento de esgoto para solucionar a crise hídrica – e, de quebra, despoluir os rios. Com previsão para entrar em operação daqui a dez anos, ao custo de 3 bilhões de reais, o sistema abasteceria 3,5 milhões de pessoas. De qualquer forma, ao contrário do que ocorre nos Estados Unidos, no Brasil as ações em torno do reúso de água não levam em conta a possibilidade de consumo. O emprego aqui é mais comum em processos industriais, geração de energia, irrigação, jardinagem, limpeza etc. Diferentemente do que se observa na Califórnia, a legislação brasileira não deixa claro o que é permitido ou não nessa frente. De acordo com o advogado Vinicius Vargas, do escritório Barros Pimentel, a lei de saneamento fala sobre água potável, mas não sobre reciclagem. “O saneamento é um serviço público e por isso deve ser especificado em lei para que os agentes possam seguir a mesma fórmula”, explica ele.
Segundo o engenheiro hídrico Thiago de Oliveira, da fornecedora de água de reúso General Water, a prática, na realidade, já existe no país – “Só não é assumida”. Oliveira afirma que um exemplo claro disso é a Represa Guarapiranga, na região metropolitana de São Paulo, rodeada por esgotos irregulares. “Pouco se fala sobre ela, mas 15% do nível da represa é o próprio esgoto voltando para o tratamento”, garante. O engenheiro diz também que a General Water já produziu água potável. “Nos nossos testes, tivemos o mesmo nível de pureza da água que é distribuída para consumo.” Desde o início da crise, a empresa viu a procura pelo seu serviço crescer 100% e teve 30% de aumento no número de clientes. Entre eles, há até um centro administrativo que, com reúso de água e poços artesianos, se tornou totalmente independente da rede pública. A Aquapolo, parceria entre a Odebrecht e a Sabesp, fornecedora do mesmo serviço, abastece o polo petroquímico da região do ABC Paulista, produzindo um volume equivalente ao necessário para o consumo de uma cidade de 500 000 habitantes. Com isso, as empresas da área de Mauá economizam 50% do valor que pagavam antes por água potável.
Para Thiago de Oliveira, aceitar estações de tratamento de esgoto “é adotar um novo modo, mais consciente, de lidar com os recursos hídricos”. Ele observa que o modelo atual mantém a mentalidade no Império Romano, quando se construíam extensos aquedutos para buscar abastecimento em lugares distantes com nascentes puras. O cenário do momento, entretanto, argumenta Oliveira, “pede que a nossa política para o meio ambiente se espelhe no exemplo de Londres, onde o Rio Tâmisa, cuja despoluição levou 150 anos, hoje é povoado por 125 espécies de peixe e voltou a receber os esportes náuticos”.
Curiosamente, ao mesmo tempo em que, no Brasil, é grande a resistência à reutilização de água, a reciclagem do lixo já faz parte das políticas públicas. Segundo Gabriela Yamaguchi, gerente de campanhas do instituto ambiental Akatu, “a água está em outro capítulo da cultura do brasileiro; a reciclagem ficou restrita à categoria das embalagens, por exemplo”. E conclui: “Pelo menos, ao reciclá-las, também estamos economizando água”. Diante dos números da crise hídrica atual, será prudente não demorar a entrar de vez no próximo capítulo.
Fonte: Veja
A gestão eleitoreira da crise da água em São Paulo agrava a situação de um sistema que já está em colapso, de acordo com o professor aposentado da USP Julio Cerqueira César. “O uso do volume morto jogou o problema da água para depois da eleição”, disse o professor no evento “Crise da água: de quem é a culpa?” promovido por CartaCapitalna terça-feira, 9. “O racionamento foi colocada pela Sabesp como uma solução técnica, e o governador adotou uma solução política”, afirma.
Segundo Cerqueira César, a Sabesp, ainda em janeiro deste ano, apresentou ao governo um plano que previa o racionamento, diante do baixo índice dos reservatórios desde então, mas o governador impediu a ação, sob a justificativa de que seria uma medida irresponsável. O racionamento, pelo menos o anunciado oficialmente, tem sido evitado desde maio com o uso da reserva técnica chamada de volume morto. Na primeira etapa, foram 185 bilhões de litros bombeados desta reserva para o consumo de parte da população paulista. Em agosto, no entanto, mesmo com o implemento inicial, a Sabesp precisou captar uma segunda cota deste volume, de mais 100 bilhões.
Atualmente, o sistema Cantareira, responsável pelo abastecimento de água de parte de São Paulo e de Campinas, opera com 10% da sua capacidade. O nível do Sistema Alto Tietê, complementar ao Cantareira, está em 15%. A gestão dos sistemas cabe à Sabesp. O governo de São Paulo indica o presidente da instituição que, por sua vez, nomeia todos os diretores da empresa. Além disso, o estado é o principal acionista da Sabesp, que lucra 10 bilhões de reais por ano. “Desde de o começo, em janeiro, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) assumiu o comando da crise. Ele está conduzindo o problema pessoalmente e politicamente. Ele queria passar a Copa do Mundo e as eleições sem racionamento, e é o que está conseguindo fazer”, diz Cerqueira César.
Falta de investimentos
Além dos baixos índices pluviométricos, atribui-se à crise do abastecimento em São Paulo a falta de investimentos no setor, como a construção de novos reservatórios. “A Sabesp é a 4ª companhia de saneamento básico do mundo, e se considerarmos que opera em apenas um país, ela é a maior do mundo. Até os anos 90, a Sabesp chegou a uma situação invejável”, afirma Cerqueira César. “De 1990 pra cá, os governos se preocuparam apenas com os processos eleitorais. A Sabesp aposentou seus engenheiros sanitaristas e passou a ser comandada por economistas e advogados. Parou de se preocupar com seus usuários e passou a se preocupar com seus dividendos.”
Em 2007, a diretoria da Sabesp já previa o colapso do sistema e o governo do Estado passou a planejar novos reservatórios. Um estudo foi encomendado e o prazo de execução foi estabelecido em 180 dias, mas só foi entregue em 2014, sete anos depois. O resultado é a obra do Sistema Produtor São Lourenço, que está prevista para ficar pronta em 2018.
De acordo com Antonio Zuffo, pesquisador e professor da Unicamp, que também estava presente no evento, o Sistema São Lourenço está sendo projetado para acrescentar 4,7 m³ por segundo de vazão de água ao Sistema Cantareira. “Se acontecer a redução da precipitação em 20 a 30%, que é o que está previsto, o Sistema Cantareira perde 7 m³ por segundo de vazão. Ou seja, o São Lourenço não seria suficiente para compensar a perda”, explica o professor.
Outro ponto levantado é o desperdício que ocorre na distribuição da água. Segundo Zuffo, a Sabesp chega a perder 40% da sua produção. “Se conseguíssemos uma redução de 50% do que é perdido hoje no Sistema Cantareira, seria recuperado o equivalente a quatro sistemas parecidos com o São Lourenço. Conseguiríamos um redução da perda em aproximadamente 10 ou 12 m³ por segundo de vazão. Seria como se colocássemos um sistema que produz 12 m³ por segundo”, diz o pesquisador da Unicamp.
As perdas acontecem porque as adutoras não são fixas e, com a variação de pressão, acabam se deslocando e desgastando nas juntas, o que causa os vazamentos, difíceis de detectar, explica Zuffo. Para César, o prejuízo é inadmissível. “A Sabesp é uma indústria de água potável. A matéria-prima é a água. Se uma empresa particular tivesse um sistema como esse, que perde 40% do seu produto, ela estaria falida”, diz o professor da USP.
Sob a justificativa de impedir essa perda na distribuição, a Sabesp tem reduzido a pressão da água nos canos e algumas residências paulistanas já enfrentam uma espécie de racionamento velado. Em julho, o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) encaminhou à Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp), a Geraldo Alckmin e à Sabesp um documento contabilizando uma média de 14 reclamações por dia de corte no abastecimento de água em residências paulistanas.
Ainda que seja um fator importante, a falta de chuvas ou as variações climáticas não explicam, sozinhas, o colapso do sistema, segundo Zuffo. A alegação de que desmatamento na Amazônia, apontado como causador da baixa precipitação na região do Sudeste, é equivocada. “Em 1953 não havia desmatamento na região, nas proporções que temos hoje, e tivemos período de seca em São Paulo”, esclarece o pesquisador da Unicamp.
O evento “Crise da água: de quem é a culpa?” faz parte da série de debates Diálogos Capitais e contou com a mediação do repórter Fabio Serapião.
Fonte: Carta Capital
A pior seca dos últimos 80 anos provocou mudanças no comportamento na Grande São Paulo. A maioria dos moradores fechou as torneiras e conseguiu reduzir o consumo de água.
Por outro lado, tem muita gente que não economizou e ainda aumentou o gasto de água. Tem gente que acha que pode gastar mais porque “está pagando”. Mas, a maioria dos moradores da região metropolitana já percebeu como a crise é grave.
Ao todo, 76% dos moradores abastecidos pela Sabesp na grande São Paulo seguraram o consumo. E economizaram quase 4 mil litros de água por segundo. Mas, a notícia ruim é que 24% dos consumidores gastaram mais. Muita gente economizou porque diz que a água não está chegando. Mas, teve mudança de comportamento.
Depois da festança, a bagunça de sempre. O que mudou no salão é o jeito de limpar. De uns tempos para cá é só com balde com água, rodo e pano. O resultado da mudança é impressionante.
“A primeira conta eu assustei. Eu achei que tinha alguma coisa errada, eu já peguei as contas, já ia ligar pra Sabesp, fiquei com medo de no mês seguinte vir três vezes o valor” conta Charles Lacerda, dono do salão de festas.
Charles assustou porque a conta de água diminuiu demais mesmo. Em agosto de 2013 ele pagava mais de R$ 140. Um ano depois, caiu para menos de R$ 70. E com o bônus para quem economizou, o valor foi lá para baixo: R$ 47.
“É um hábito que tem que se manter. Não tem mais jeito de voltar atrás não”, afirma Charles.
A mudança de habito no salão resultou também em mudança de lugares. A mangueira que antes ficava na frente e era muito lembrada e usada, agora está no depósito dentro do lixo. Ela está lá porque ela não é usada há, pelo menos, seis meses.
O salão de festas do Charles fica no Jaçanã, bairro da zona norte da cidade de São Paulo onde as pessoas mais reduziram o consumo de água em julho, segundo pesquisa da Sabesp.
O mesmo levantamento também deixa claro que os moradores que mais economizaram vivem nos bairros mais distantes: como Perus, Vila Maria, Freguesia do Ó, Vila Nova Cachoeirinha.
A geografia também revela que os que menos reduziram o consumo estão nos locais mais nobres ou mais centrais de São Paulo, por exemplo, na Sé, no Butantã, na Vila Mariana, nos Jardins.
O que tem a ver com a ocupação desses locais, rebate o presidente da Associação dos Moradores dos Jardins.
“Evidentemente, nessa região há um polo comercial muito grande com hospitais, restaurantes, hotéis”, afirma Fernando José da Costa, presidente da AME Jardins.
Em alguns casos a consciência surge por causa da circunstância. A advogada Melina Elias Pereira diz que não lava mais a garagem de jeito nenhum porque simplesmente não tem água para isso. “Está faltando todo dia. Entre 21h e 22h acaba. Só volta às 6 h no dia seguinte, todos os dias. Já faz uns 3 meses que está todo dia”, conta.
Falando em dia a dia, lembra do salão do Charles lá no Jaçanã? A mudança de rotina ali, afetou também o hábito em casa de todo mundo. Dos funcionários, do patrão, da família do patrão.
Bom Dia Brasil: Só falta dizer que está todo mundo tomando banho rápido na sua casa também.
Charles: É, rápido e com hora marcada.
Jéssica Fagundes da Costa, funcionária do salão de festas: Roupa a gente costumava a lavar durante a semana, agora já lava tudo no final de semana, junta tudo para lavar depois.
Bom Dia Brasil: O que você faz com esse dinheirinho que sobra, que não gasta com a conta de água?
Jéssica Fagundes: Dá para comprar alguma coisa para gente, maquiagem, alguma roupa. É um dinheiro que sobra para a gente.
Milhares de paulistanos afirmam que há falta de água em casa toda a noite e sempre, pontualmente, no mesmo horário. Mas, em nota, a Sabesp reafirma que não há racionamento ou restrição de consumo em nenhuma das 364 cidades atendidas pela empresa.
Fonte: Globo
O governador Geraldo Alckmin (PSDB) disse que não espera racionamento de água neste ano nem em 2015. A declaração foi feita em coletiva de imprensa da Parada Gay.
“Nós esperamos que não tenha nem este ano nem o ano que vem”, afirmou o tucano, depois de ser questionado se haverá o rodízio de água na Região Metropolitana de São Paulo.
Isso, apesar de o reservatório que abastece parte da Grande São Paulo de água não parar de secar. Dados da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) mostram que o Sistema Cantareira atingiu 10,1% de sua capacidade total neste domingo um novo recorde histórico.
No sábado, 3, o patamar era de 10,3%. Uma semana atrás, o índice era um ponto percentual maior: 11,1%. Já no mesmo dia (4 de maio) do ano passado, o volume armazenado era muito maior, de 62,4%.
O governo do Estado de São Paulo informou que a Agência Reguladora de Saneamento e Energia (Arsesp) aprovou a proposta da multa de 30% para quem elevar o consumo de água na Grande São Paulo. Segundo a Secretaria Estadual de Saneamento e Recursos Hídricos, a medida agora está sendo avaliada pela Procuradoria-Geral do Estado antes de entrar em vigor. A intenção do governo é começar a multar os clientes da Sabesp em junho a partir do consumo medido em maio. De acordo com a secretaria, o cálculo será feito a partir da média do consumo mensal realizado em 2013.
Antes da multa, outras alternativas foram colocadas em prática. Neste ano, a Sabesp intensificou a captação de água em outras fontes já disponíveis, como o Sistema Alto Tietê, e deu andamento a projetos para captar água em regiões mais distantes, como o Sistema São Lourenço, no interior do Estado. Além disso, a companhia anunciou no início deste ano a oferta de um desconto de 30% para clientes que reduzissem em 20% o consumo de água.
O governador Geraldo Alckmin anunciou a construção de dois novos reservatórios de água na Bacia dos rios Piracicaba, Jundiaí e Capivari (PCJ) para atender a região metropolitana de Campinas, no interior.
O reservatório Pedreira será construído no Rio Jaguari, entre Pedreira e Campinas, e o Duas Pontes, no Rio Camanducaia, nas cidade de Amparo. O projeto tinha sido anunciado em fevereiro, mas somente agora foi assinado.
A estratégia, segundo Mauro Arce, secretário de Saneamento e Recursos Hídricos, é que com os dois novos reservatórios, que juntos irão armazenar cerca de 67,4 milhões de metros cúbicos de água, a bacia do PCJ não dependa tanto da água do Sistema Cantareira.
O conjunto de reservatórios segue diminuindo e nesta sexta chegou a 10,4% da capacidade. Hoje a região do PCJ capta 3 metros cúbicos por segundo do sistema.
A construção dos dois novos reservatórios ainda depende da elaboração de um projeto executivo que deve ser concluído em 18 meses. Depois disso, serão mais dois anos para a construção
A captação de água do volume morto do Sistema Cantareira ameaça trazer à tona poluentes depositados no fundo das represas, onde se concentram contaminantes que não são tratados por sistemas convencionais para o abastecimento. Três especialistas em biologia e toxicidade em corpos d’água fizeram o alerta ao Ministério Público Estadual (MPE), que abriu inquérito civil para investigar a crise hídrica do sistema responsável pelo abastecimento de 14,3 milhões de habitantes na Grande São Paulo e no interior.
“Quando se cogita fazer o uso do volume morto, por causa das condições emergenciais de necessidades hídricas, antes que esteja disponível para o abastecimento público, deve passar por análise criteriosa e tratamento adequado para atendimento dos padrões normatizados de qualidade de água”, afirmam, em parecer, Dejanira de Franceschi de Angelis e Maria Aparecida Marin Morales, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), e Silvia Regina Gobbo, da Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep).
O documento embasou o pedido feito pelos promotores do Grupo de Atuação Especial do Meio Ambiente (Gaema) para que a Agência Nacional de Águas (ANA), o Departamento de Água e Energia Elétrica (DAEE), a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) e a Companhia do Saneamento Básico de São Paulo (Sabesp) informem quais os critérios de uso do volume morto. O MPE exige quais garantias foram pedidas para não haja movimentação do lodo das represas durante a captação e quais exames de qualidade da água serão feitos.
Segundo as pesquisadoras, “quanto mais baixo o nível dos reservatórios, maior é a concentração de poluentes, recomendando maiores cuidados com seus múltiplos usos”. Entre os elementos citados que contaminam os mananciais há compostos inorgânicos (metais e outros agentes tóxicos), orgânicos altamente reativos com os sistemas biológicos (hidrocarbonetos aromáticos, biocidas e fármacos), microbiológicos (bactérias, fungos e protozoários patogênicos) e vírus.
“Muitos dos poluentes que contaminam os rios apresentam potencialidade de alterar o material genético dos organismos expostos, até mesmo do homem, e, consequentemente, desencadear problemas de saúde, como desenvolvimento de doenças crônicas (tais como alterações nas funções da tireoide, do fígado, dos rins), agudas (tais como intoxicações, alergias, diarreias), degenerativas (Parkinson, Alzheimer etc.) e o câncer”, relataram as pesquisadoras da Unesp e da Unimep.
Para os promotores do Gaema, a mortandade de mais de 20 toneladas de peixe no Rio Piracicaba, em fevereiro, provocada pela baixa vazão do manancial, foi “apenas um dos primeiros indicadores visuais da gravidade da situação, que, se persistir, poderá acarretar em impactos gravíssimos, muitas vezes irreversíveis”. Ontem, diante da situação, o MPE negou à ANA e ao DAEE pedido de prorrogação de 30 dias para que eles respondessem quais critérios serão adotados para a retirada da água do volume morto.
Autorizações. A Sabesp informou que apenas se pronunciará sobre os questionamento após ser notificada pelo MPE. No entanto, a empresa afirmou que tem todas as autorizações ambientais para a execução da obra de captação de água do volume morto.
De acordo com a Sabesp, as obras foram iniciadas no dia 17 do mês passado nas Represas Atibainha, em Nazaré Paulista, e Jaguari, em Bragança Paulista. A intervenção vai custar R$ 80 milhões e será concluída em dois meses. “O volume de água que estará à disposição para abastecimento público é de 200 bilhões de litros. A reserva total é de 300 bilhões de litros”, informou a Sabesp.
Fonte: Estadão
A chuva dos últimos dias ajudou a elevar em 0,2 ponto o nível de água armazenado no Sistema Cantareira, responsável pelo abastecimento de quase 9 milhões de clientes da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) na Grande SP. De sexta-feira (28) para sábado (1º/3), o volume de água passou de 16,4% para 16,6% e voltou ao patamar observado na quinta-feira (27), segundo informações do portal da Sabesp. Apesar da pequena elevação, trata-se do primeiro aumento do índice dos reservatórios desde dezembro do ano passado.
De acordo com os dados da Sabesp, choveu somente 73 milímetros em fevereiro, contra uma média histórica de 202,6 milímetros de chuva do mês.
No começo de fevereiro, a Sabesp anunciou uma campanha para estimular a redução no consumo, oferecendo desconto de 30% na conta de quem economizar 20% do seu consumo de água, devido a falta de chuvas. O desconto vale apenas para os consumidores abastecidos pelo Sistema Cantareira.
A Sabesp informou que a economia de água do Sistema Cantareira foi de 500 litros por segundo entre os dias 2 e 9 de fevereiro, primeira semana em vigor do incentivo financeiro, que concede desconto de 30% nas contas de consumidores que reduzirem, pelo menos, 20% o consumo médio em um período de 12 meses: fevereiro de 2013 a janeiro de 2014. De acordo com a Sabesp, os 500 litros por segundo significam uma economia de 302 milhões de litros de água em uma semana. “É o suficiente para encher 120 piscinas olímpicas”, informou a empresa, em nota enviada à imprensa.
A Sabesp comunicou que a redução aconteceu mesmo com um aumento de 2ºC na temperatura na primeira semana de fevereiro e ressaltou que desenvolve estudos de engenharia para determinar a melhor alternativa para a utilização da reserva técnica do Sistema Cantareira, volume de água que está armazenado na represa Jaguari/Jacareí.
A empresa ainda comunicou que passou a abastecer 1,6 milhão de pessoas com o Sistema Alto Tietê. Dessa forma, esses consumidores deixaram de receber água do Sistema Cantareira. “É importante esclarecer que todos os outros sistemas de abastecimento estão em situação normal”.
A estiagem em rios e reservatórios de São Paulo, causada pela seca atípica, já provoca racionamento de água no interior e abre contagem regressiva para que a crise não se repita na Grande São Paulo. Enquanto a cidade de Valinhos, na região de Campinas, já começou a remanejar o fornecimento entre bairros, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) descartou ontem cortes no abastecimento da Região Metropolitana só até o dia 15, quando se espera a volta das chuvas mais constantes e intensas.
O atual cenário já abriu uma disputa entre o comitê que representa as Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) e a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) pela reserva de água do Sistema Cantareira, que atingiu ontem seu nível mais baixo para o período desde que foi criado, em 1974. As cidades do interior pediram oficialmente aos governos federal e estadual que a Sabesp deixe de usar 6.000 litros de água por segundo do banco de águas (uma reserva estratégica) para garantir o abastecimento da Região Metropolitana.
O pedido foi sugerido pelo Ministério Público Estadual na sexta-feira e aprovado pelo comitê das bacias do PCJ. Ele será analisado hoje pela Agência Nacional de Águas (ANA) e pelo Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE), gestores dos recursos hídricos da Cantareira. Caso seja aprovado, a Sabesp, que pediu a manutenção da captação, terá de racionar o uso de água para os 8,8 milhões de pessoas da Grande São Paulo abastecidas pelo Cantareira, responsável por 47% da oferta da Região Metropolitana
Oficialmente, o comitê pediu uma quebra na regra de distribuição da água do Cantareira, impedindo que a Sabesp use nos próximos dias água do banco, criado para suprir o abastecimento no período seco de inverno, que vai de abril a setembro. Em períodos normais, esse banco estaria sendo recarregado pelas chuvas de verão. Pela regra de operação, com os níveis atuais dos reservatórios, 30 mil litros de água do Cantareira são enviados para a Grande São Paulo e 3 mil litros por segundo para o interior, em uma área com 5,5 milhões de moradores.
No limite
O engenheiro Francisco Lahoz, do órgão que aprovou o pedido, afirma que a Sabesp tem garantido o fornecimento dos 30 mil litros de água por segundo porque está usando a água reservada do banco. A Sabesp informou que não se pronunciaria sobre a proposta. “A medida tem como objetivo evitar o rebaixamento dos reservatórios para um nível menor do que 20%, que inviabilizaria a transposição de água entre eles e afetaria o fornecimento”, disse.
Ontem, Alckmin disse acreditar que o programa que dá desconto de 30% na conta para quem economizar ao menos 20% será suficiente para evitar o racionamento nesta primeira quinzena do mês. “Entendo que, com essa medida tomada, e se nós tivermos chuvas a partir do dia 15, será suficiente. Claro que isso vai depender da resposta da sociedade, que acho que é positiva. Veja que nós já tivemos isso em 2004 e houve uma boa resposta”, afirmou.
Multa
Enquanto nada é definido, o prefeito de Campinas, Jonas Donizette (PSB), determinou que a Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento da cidade (Sanasa) estude medidas de incentivo à economia de água nos moldes do programa da Sabesp e já antecipou de julho para este mês o período em que é proibido usar água para lavar calçadas, sob pena de multa equivalente a três vezes o valor da última fatura de água. “Em razão da gravidade do momento, com a falta de chuvas e o calor intenso, decidimos tomar essa medida.”
A dona de casa Maria Ercília Freitas, de 74 anos, conta que o calor faz com que ela use mais água. “Não consigo mais ficar dentro de casa durante a tarde. Para dar uma refrescada, aproveitei para jogar uma água na calçada”, afirma ela, que agora pode ser multada se voltar a praticar a chamada “vassoura hidráulica”, quando é usada água para “varrer” o chão.
A capacidade nos reservatórios de água do Sistema Cantareira caiu abaixo dos 19% nesta quinta-feira (13) e pela primeira vez na história o nível chegou a 18,8%, segundo a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo(Sabesp). Para a empresa ligada ao governo de São Paulo, essa é uma situação crítica, mas que ainda não exige racionamento na capital.
Esta semana tem sido marcada por quedas diárias da capacidade dos reservatórios de água. No domingo (9), o nível chegou, pela primeira vez, abaixo dos 20%, a 19,8%. A Sabesp ofereceu 30% de desconto para quem economizar – apenas na capital, estão sendo economizados cerca de 500 litros por segundo, segundo a empresa.
Para a Sabesp, a falta de chuva e o calor recorde são os responsáveis pelo nível tão baixo do Sistema Cantareira. “O mês de dezembro de 2013 foi especialmente ruim: teve 62 milímetros de chuva, quando a média histórica é de 226 milímetros. Foi o pior dezembro desde que a medição começou a ser feita, há 84 anos”, aponta a companhia.
Em janeiro, as chuvas que normalmente chegam a 300 milímetros ficaram em 87,7 milímetros. “Além disso, tivemos o janeiro mais quente da história e, como não chove [o que ajudaria a baixar a temperatura], o consumo de água acaba se mantendo em nível elevado o dia todo”, destaca a Sabesp.
Os vazamentos na rede de abastecimento também prejudicam os reservatórios. O G1 criou um mapa interativo para que o internauta aponte onde esse problema está ocorrendo.
Problema localizado
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), comentou na tarde desta quinta-feira sobre a situação na Cantareira. “É um problema bastante localizado. Não tempos problemas na Guarapiranga, no Alto Cotia e nos demais sistemas de água”, disse.
O governador afirmou que uma reunião com a Sabesp nesta quinta irá discutir soluções para o abastecimento. “A Sabesp está estudando o volume morto da Cantareira. São 400 milhões de metros cúbicos de água que não são utilizados porque não tinha equipamento para chegar a essa profundidade”, afirmou. Ele acrescentou que a empresa na reunião deve apresentar quais equipamentos, qual o custo e o impacto desta retirada.
Histórico
Apesar de que, no dia 9 de fevereiro de 2004, o nível do Sistema Cantareira estava em 5,6%, a Sabesp informa “que os níveis foram revisados e, a partir de agosto daquele ano, uma regulamentação determinou que fossem incorporados volumes que antes eram considerados como reserva técnica”.
Portanto, a empresa não contava na medição os 20% que havia no reservatório. “Assim sendo, naquela época, o índice era de cerca de 25%, maior que o atual”, diz.
O sistema
Formado por quatro represas, o Sistema Cantareira é responsável por abastecer casas de mais de 8 milhões de moradores da Zona Norte, do Centro, de pequena parte da Zona Leste e de 11 municípios da Região Metropolitana de São Paulo (Franco da Rocha, Francisco Morato, Caieiras, Osasco, Carapicuíba, Santana de Parnaíba, São Caetano do Sul e parte das cidades de Guarulhos, Barueri, Taboão da Serra e Santo André).
A Sabesp classificou o cenário como “preocupante” e anunciou no dia 1° um desconto de 30% para quem economizar água. Para quem quiser participar, a informação sobre o sistema que abastece a residência está disponível na conta de água.
“Nos demais [sistemas], mantém a tarifa normal, porque choveu na média e os sistemas se recompuseram”, disse a presidente da Sabesp, Dilma Pena, em entrevista coletiva. “Vamos ter um impacto no faturamento que ainda não mensuramos. E faremos a gestão disso.”
O desconto será válido de fevereiro a setembro, exceto para Santana de Parnaíba, onde a política vai de março a setembro, “por uma questão específica do sistema”, segundo Dilma.
A presidente da Sabesp também afastou a possibilidade de racionamento. “Não estamos pensando em racionamento. Ele não está no nosso radar”, disse. Segundo ela, o desconto deve vir já na próxima conta de água recebida pelos consumidores.
A estratégia é similar à usada em 2004, quando já houve desconto na conta para quem economizou água. Desta vez, no entanto, o consumidor pode ter um abatimento ainda maior. Quem diminuir o consumo em cerca de 20% terá 30% de desconto na fatura.
“Como tivemos um índice pluviométrico baixíssimo em janeiro, a Sabesp está adotando um incentivo econômico para que a população poupe água. O consumidor que reduzir 20% de seu consumo, tendo como referência a média dos últimos 12 meses, terá uma redução na tarifa de 30%. Isso tem um impacto significativo na conta de água. Como ele reduz o volume, e a estrutura tarifária é por faixa de consumo, então ele tem uma redução real ainda maior”, afirmou a presidente da Sabesp.
Dilma explicou que a média de consumo diário é de 161 litros por habitante na região metropolitana de São Paulo. A campanha pede que esse valor seja reduzido para 128 litros, ou cerca de 20%.
“É um incentivo econômico para que, nessa situação crítica, a população faça a adesão. Temos certeza que a população vai aderir e acatar o chamamento. Não dá para encher a piscina e tomar um banho de 30 minutos. Mas dá para fazer todas as atividades”, ressaltou.
A presidente da companhia explicou que o desconto real na conta dos consumidores que aderirem à economia pode ser ainda maior que os 30%, já que ele será aplicado sobre o valor já menor. “Com a redução, passa a haver uma tarifa de 30,9%. Mas, por mudar de faixa, a redução real será de 48%.”
A conta do cliente abastecido pelo Sistema Cantareira terá um informe com a meta de redução a ser atingida, segundo a Sabesp.
Saiba como economizar
Para economizar água, a Sabesp recomenda que o consumidor adote algumas atitudes diárias. Veja abaixo:
– Tome banhos rápidos e feche a torneira ao se ensaboar;
– Lave a louça de uma vez e feche a torneira ao ensaboá-la;
– Não lave a calçada nem o quintal, use a vassoura;
– Ao lavar o carro, use um balde;
– Acumule roupas para lavar na máquina de uma vez só;
– Deixe a torneira fechada ao escovar os dentes e fazer a barba.
Outro fator que colabora para o desperdício de água são os vazamentos. A Sabesp oferece um curso gratuito que ensina práticas simples para identificar possíveis problemas em instalações hidráulicas. O programa é aberto ao público em geral e é ministrado nos períodos da manhã e da tarde.
Os participantes recebem uma cartilha explicativa ilustrada e um certificado de conclusão.
Quem se interessar deve procurar a regional da Sabesp mais próxima de sua residência.
O Ministério Público Estadual (MPE) instaurou um inquérito civil para investigar suspeita de favorecimento de empresas em contratos feitos pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) no programa de redução de perdas de água. A concessionária investiu cerca de R$ 1,15 bilhão entre 2008 e 2013 para diminuir o desperdício na rede de distribuição, mas não atingiu as metas estabelecidas pela Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp). Além da Sabesp, outras 13 empresas são alvo da apuração.
O inquérito foi aberto em abril pelo promotor Marcelo Daneluzzi, do Patrimônio Público e Social, em meio à crise de abastecimento do Sistema Cantareira. Além do índice de perdas de água acima da meta, revelado pelo Estado em fevereiro, o promotor considerou indícios de irregularidades nos contratos e informações obtidas a partir de uma denúncia anônima de um suposto ex-funcionário da empresa. Ontem, a Sabesp informou desconhecer o teor da denúncia (leia abaixo) .
Além da concessionária, as empresas representadas são: BBL Engenharia Construção e Comércio Ltda, Enops Engenharia Ltda, Enorsul Serviços em Saneamento Ltda, Ercon Engenharia Ltda, Etep Estudos Técnicos e Projetos Ltda, Job Engenharia e Serviços Ltda, Opertec Engenharia Ltda, OPH Engenharia e Gerenciamento Ltda, Cia Brasileira de Projetos e Empreendimentos (Cobrape), Restor Comércio e Manutenção de Equipamentos Ltda, Sanit Engenharia Ltda, Sanesi Engenharia e Saneamento Ltda, e VA Saneamento Ambiental Ltda.
A suspeita do promotor é de que tenha havido “direcionamento em favor dessas empresas, mediante exigências de certificação elaboradas por entidade de classe formada pelas próprias empresas” – no caso, a Associação Brasileira de Ensaios Não Destrutivos e Inspeção (Abendi). Para Daneluzzi, “a situação indica possível irregularidade administrativa, noticiando direcionamento contratual e absoluta falta de eficiência administrativa do programa”.
Entre 2008 e 2013, o índice de perdas de água na rede da Sabesp caiu 8,5%, de 34,1% do volume produzido para 31,2%. Apesar da redução, o índice que mede a quantidade de água desperdiçada entre a estação de tratamento e a caixa d’água dos imóveis, ficou acima da meta de 30,5% estabelecida pela Arsesp, que fiscaliza o serviço. A média nacional de desperdício efetivo é de 38,8%. Somente no ano passado foram perdidos 924,8 bilhões de litros, quantidade próxima da capacidade máxima do Cantareira: 981,6 bilhões
A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) informou em nota que precisaria conhecer a origem das informações que deram base à abertura do inquérito pelo Ministério Público Estadual (MPE) para se manifestar a respeito e afirmou que “o índice de perdas físicas (vazamentos) da empresa é de 20,3%”.
“Com os investimentos do Programa de Redução de Perdas, nos últimos dez anos, o índice caiu 8 pontos porcentuais, enquanto a Itália tem índice de 29%, a França tem 26% e o Estado da Filadélfia (EUA) tem 25,6%. Existem também perdas que impactam o faturamento, como hidrômetros danificados, ligações irregulares e furtos”, informou a Sabesp.
A companhia disse que o Programa de Redução de Perdas de Água, criado em 2007, tem recursos previstos de R$ 5,9 bilhões para troca de ligações domiciliares, hidrômetros e redes de água e também serão pesquisados vazamentos não visíveis em 150 mil quilômetros de redes. Além disso, diz que tem contrato com a Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA) para investimentos e transferência de tecnologia.
Em nota, A BBL Engenharia afirmou que os contratos celebrados com a Sabesp “foram executados no estrito rigor do escopo e dos prazos definidos nos instrumentos de contratação e com a alta qualidade que sempre caracterizou os serviços” da empresa e aguardará a oportunidade para esclarecer as questões levantadas.
A Cobrape afirmou ser “empresa com conhecida experiência em saneamento e recursos hídricos, e seus contratos com a Sabesp são diligentemente cumpridos”. Segundo a empresa, a Associação Brasileira de Ensaios não Destrutivos e Inspeção (Abendi) não é associação de classe nem é formada por empresas”, segundo indício levantado pelo Ministério Público.
O advogado da OPH Engenharia, Fabio Menna, afirmou que a empresa “se sente surpresa” com a notícia do inquérito e “se coloca à disposição para eventuais esclarecimentos”. Ele disse que a empresa é “idônea” e que “nunca sofreu qualquer tipo de sanção por irregularidades seja por infrações contratuais ou técnicas”.
O advogado da Enorsul, Marcelo Leonadro, afirmou que a empresa “trabalha exclusivamente na prestação de serviço técnico para idenfitifcar vazamento na rua e foi contratada por pregão eletrônico com preço fixado pela Sabesp”.
O sócio da Ercon Engenharia, Isaac Zingerevitz, afirmou que “nada tem a temer quanto a eventuais investigações referentes a serviços de detecção de vazamentos” e os resultados apresentados pela empresa à Sabesp “sempre foram a contento”. Procuradas pela reportagem, Enops, Etep, Opertec, Job Engenharia, Sanit, Sanesi, Restor e VA Saneamento Ambiental não se manifestaram.
Após relatos de falta d’água em diversos bairros da zona norte de São Paulo, a zona oeste também começou a registrar interrupções no abastecimento. Moradores e comerciantes da Lapa relatam problemas no fornecimento há cerca de três semanas. A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), no entanto, nega a ocorrência de racionamento ou rodízio de água.
“Desde o último sábado, estamos com o abastecimento reduzido: apenas uma hora pela manhã e uma hora no fim da tarde. Estou tendo de driblar as caixas para manter os apartamentos com água”, afirma Luís Henrique Oseliero, síndico de um conjunto de duas torres residenciais na Rua George Smith, em que vivem cerca de mil pessoas.
No entanto, o trabalho do síndico não foi suficiente para manter todos os apartamentos abastecidos na manhã de ontem. “Um morador me ligou reclamando que não havia mais água e que ele teria de sair sem escovar os dentes. Mas já ligamos várias vezes para a Sabesp, e eles continuam dizendo que não há racionamento”, relata.
Nas quadras próximas ao condomínio, estabelecimentos comerciais enfrentam o mesmo problema. Em um bar da Rua 12 de Outubro, o abastecimento tem sido interrompido por volta das 18h, de três a quatro vezes por semana, segundo o gerente. “Até as 23h, ficamos com a água armazenada da caixa d’água. Depois, volta durante a madrugada”, diz Paulo Sérgio de Maria.
Ele afirma não ter procurado a Sabesp para saber o que acontece por acreditar que se trata de racionamento. “A gente sabe que é isso. E, como não chegou a faltar água na torneira ainda, não liguei. Mas as moças que trabalham nas lojas aqui perto estão reclamando muito”, relata.
Em uma padaria na Rua Clemente Álvares, o problema começou na semana retrasada. Segundo um dos proprietários do estabelecimento, que prefere não se identificar, o abastecimento costumava ser interrompido à noite, mas na terça-feira faltou água durante o dia. “Quando falta durante o dia, ‘me quebra as pernas’. O que todo mundo está falando é que não tem mais água na Lapa mesmo.”
Morador do Butantã, também na zona oeste, ele contou ainda que a Sabesp tem interrompido o fornecimento na sua casa diariamente, da 0h às 4h.
A companhia diz que, “por causa de manobras técnicas operacionais para a transferência de vazões dos Sistemas Guarapiranga e Alto Tietê para atendimento de alguns bairros, atualmente abastecidos pelo Sistema Cantareira, podem ocorrer eventuais momentos de desabastecimento, especialmente nos pontos altos”.
Previsão.
A Sabesp afirma que, com o uso do volume morto, a partir desta quinta-feira, somado à previsão de que haverá até setembro, período da seca, o mínimo de chuvas dos últimos 80 anos, será possível chegar até outubro, início do período de chuvas, sem a necessidade de decretar o racionamento de água na cidade.
Uma falha nas portas de um dos trens da Linha 3-Vermelha do Metrô paralisou o ramal em dez das 18 estações, na noite de 4/2/14. Por causa do calor e da superlotação, usuários que esperavam mais de 20 minutos para seguir viagem acionaram os botões de emergência para abertura de portas de sete composições diferentes. Houve tumulto e pânico entre os passageiros. Os trens circularam apenas entre as Estações Corinthians-Itaquera e Tatuapé. Na confusão, seguranças do Metrô agrediram passageiros na Estação Sé. Houve tumulto e depredação na plataforma. Reforço policial foi solicitado pela direção da empresa. Milhares de usuários tiveram de caminhar pelos corredores estreitos ao lado dos trilhos. Ao redor das Estações Marechal Deodoro, Santa Cecília, República e Anhangabaú era possível ver passageiros chorando e passando mal. Na Sé, passageiros foram socorridos pelos bombeiros. “Foi muita gente espremida na multidão”, disse um segurança do Metrô. O auxiliar administrativo Mauro André de Souza Pereira, de 29 anos, tentava voltar para casa do trabalho, quando enfrentou a pane. “Na Marechal Deodoro, o trem ficou parado por uns 40 minutos. Quando saiu, antes de chegar à Estação Santa Cecília, parou de novo. Tudo fechado. Comecei a transpirar, a ter problema de pressão, foi horrível”, contou. Pereira disse que chegou às 18h à Estação Barra Funda e esperou por 35 minutos para embarcar. Segundo ele, o trem em que estava parou duas vezes até chegar a Santa Cecília. Sem ar-condicionado e com a circulação paralisada, os passageiros quebraram o lacre de emergência e saíram do trem. Na Estação Anhangabaú, Nataly Castro também relatou a confusão entre os usuários. “Estava tão cheio que já tinham vetado o acesso dos passageiros na linha porque não tinha lugar na plataforma. Não tinha mesmo. Já na Sé, eles diziam que havia um problema na República. Os seguranças tiveram de sair da estação, porque as pessoas estavam agressivas, ficaram nervosas”, afirmou. A Estação Sé teve a situação mais tensa. Segundo passageiros, seguranças da empresa tentaram restabelecer a operação ao fazer os usuários voltarem para um dos trens parados ali, que vinha do Anhangabaú. Foi quando os passageiros que passavam mal se recusaram e houve briga. A estação teve placas indicativas e vidros quebrados. Passageiros chutaram as latarias e as janelas do trem. Em meio à briga, mulheres tentavam subir as escadas superlotadas. O acesso às plataformas da Linha 1-Azul teve de ser fechado. À noite, ao Jornal da Globo, o secretário dos Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes, acusou a ação de “grupos organizados”. “Havia pessoas gritando palavras de ordem em meio ao tumulto”, disse. Segundo ele, tudo vai ser apurado. Frota K. O presidente do Sindicato dos Metroviários, Altino de Melo Prazeres, disse que o trem que provocou a pane é o veículo K-07. A composição faz parte de um lote de trens reformados a partir de 2008 pelo Metrô cujos contratos foram cancelados na segunda-feira, 3, pelo Ministério Público Estadual, que considerou a reforma “danosa” ao Estado, uma vez que os trens vêm apresentando problemas. O Metrô foi questionado sobre o trem K-07 e não respondeu até 23h30. Em nota, a empresa disse que o problema no primeiro carro foi na Sé e se resolveu em 8 minutos, mas “alguns usuários permaneceram nas passarelas de emergência”. Linha 4. O caos na Linha 3 foi a segunda falha ontem no sistema. À tarde, uma pane elétrica havia afetado o serviço da Linha 4-Amarela (Luz-Butantã), provocando o fechamento das Estações Luz e República. A ViaQuatro afirmou que houve uma falha elétrica externa.
Cerca de 500 manifestantes, segundo a Polícia Militar (PM), interditaram, em 29/4/14, a Rua Tuiuti, no Tatuapé, zona leste paulistana, na altura da Avenida Radial Leste. O grupo participa do 6º Ato contra a Copa, questionando os gastos para o Mundial. Não foi divulgado o trajeto que os manifestantes pretendem seguir.
Antes mesmo do começo da passeata, três menores de idade foram detidos dentro da Estação Tatuapé do metrô, segundo a PM, com estilingue, pedras e faca dentro da mochila.
O último ato contra a Copa foi realizado há duas semanas, saindo da Avenida Paulista. O grupo, com cerca de 1,5 mil pessoas seguiu pela Avenida Rebouças até o Butantã. Ao fim do protesto, duas agências bancárias foram depredadas. Houve confronto e 54 pessoas foram detidas.
Na página do Movimento contra Copa do Mundo 2014, no Facebook, que convocou a manifestação, o evento esportivo é criticado e são cobrados mais investimentos em áreas como saúde e educação. “Vergonha e hipocrisia! Vem me falar que o ponto negativo foi a morte de três trabalhadores? A vida vale muito mais que evento onde quem lucra é a Fifa [Federação Internacional de Futebol]. E os hospitais que têm em Itaquera [bairro da zona leste onde fica o estádio do Corinthians]?”, questionam os organizadores da manifestação.
Fonte: Correioweb
Um protesto contra a Copa do Mundo, realizado em 22/2/14, no Centro de São Paulo, teve cerca de 230 detidos, segundo balanço da Polícia Militar à 0h30. Agências bancárias foram depredadas e houve confronto entre policiais e manifestantes. Segundo a PM, sete pessoas ficaram feridas: cinco policiais e dois manifestantes.
Foi a primeira vez que a polícia paulista usou a “Tropa do Braço”, um grupo de 140 policiais não armados e treinados em artes marciais, como o jiu-jitsu, que cerca e isola manifestantes.
Convocado pela internet, o protesto “Não vai ter Copa” teve início às 17h, na Praça da República, em frente à Secretaria de Educação do Estado. A concentração fez com que a Feira da República fechasse mais cedo. Às 18h, cerca de mil pessoas protestavam no Centro, de acordo com a PM.
Por volta da 18h40, um grupo de mascarados, alguns deles carregando pedaços de pau, começou a quebrar portas de agências bancárias e orelhões, e a polícia usou bombas de efeito moral. Perto do Theatro Municipal, algumas pessoas atearam fogo a sacos de lixo e houve correria.
Manifestantes foram detidos para averiguação na Rua Coronel Xavier de Toledo, próximo a uma das entradas da estação Anhangabaú do Metrô. Com a ajuda de escudos e viaturas, policiais bloquearam a Rua 7 de Abril.
Por volta das 21h, de acordo com o major Larry Saraiva, a PM já havia levado os cerca de 120 detidos para, ao menos, três delegacias da região central: 4° Distrito Policial (Consolação), 1° Distrito Policial (Liberdade) e 78º Distrito Policial (Jardins). No horário, os últimos ônibus com manifestantes presos deixavam a rua Coronel Xavier de Toledo.
Durante o confronto, ao menos cinco policiais e dois manifestantes ficaram feridos. Ainda segundo a Polícia Militar, foi encontrado um coquetel molotov dentro de uma mochila deixada na estação Ana Rosa do Metrô. Câmeras de segurança captaram o momento em que a bagagem foi deixada, segundo a PM.
‘Tropa do Braço’
A PM usou policiais especializados em artes marciais para acompanhar de perto a manifestação. Eles carregavam capacetes, cassetetes e algemas. Ao longo do trajeto, eles seguiram em fila ao lado dos manifestantes. Quando houve o primeiro tumulto, os policiais fizeram um círculo e isolaram boa parte dos detidos para averiguação. Além da “Tropa do Braço”, policiais de outros grupamentos que normalmente participam de controles de distúrbios com uso de armas não letais, como Rocam e Força Tática, seguiam o ato.
Jornalista é detido por meia hora
Entre os detidos na manifestação, estavam jornalistas, entre eles, o repórter do G1 Paulo Toledo Piza.
Por volta das 18h50, Piza estava perto de onde o primeiro tumulto com depredações. No ponto onde ele estava, na altura do número 404 da Rua Xavier de Toledo, outras sete pessoas também foram detidas junto com ele quando corriam para se proteger.
O grupo foi abordado por PMs, que chegaram a dar golpes de cassetete em um jovem. Todos foram detidos e receberam ordem para sentar na calçada. O jornalista mostrou o crachá, mas não foi liberado. Ele ficou cerca de 30 minutos retido e impedido de trabalhar. Não foi algemado e não sofreu agressões físicas nem verbais. Durante o período, policiais chegaram a impedir que Piza usasse o telefone e exigiram que ficasse com as mãos para trás.
Ele só foi liberado por volta das 19h20. Antes, porém, o grupo onde estava foi levado a um ponto onde estavam outros detidos, entre eles o repórter de O Globo Sérgio Roxo e o fotojornalista freelancer Victor Moryama. O fotógrafo Bruno Santos, que cobria o ato pelo Terra, relatou ter sido agredido por policiais militares e precisou passar por atendimento médico. Ele diz que seu equipamento ficou destruído.
A manifestação contra a realização da Copa do Mundo no Brasil, realizada em 25/1/14, na capital paulista, terminou em depredação na região central de São Paulo. Após a dispersão do protesto, que reuniu cerca de 1,5 mil pessoas, um pequeno grupo depredou um carro da Polícia Metropolitana de São Paulo.
Um carro que passava pelo local da manifestação pegou fogo ao passar por cima de um colchão incendiado. A família que estava dentro do veículo foi retirada por fotógrafos que registravam o protesto.
Um grupo correu para o hotel Lison, na Rua Augusta, onde foram cercados pela polícia. Segundo a rádio CBN, cerca de 40 manifestantes foram detidos. O protesto foi convocado pelas redes sociais e reuniu black blocs, movimentos sociais, partidos políticos de esquerda, entre outros grupos.
A manifestação teve início no Vão Livre do Masp, na Avenida Paulista, por volta das 17h e seguiu para a Praça da Sé, na região central da capital paulista. Durante a movimentação, houve pequenos focos de brigas e confrontos com as forças policiais, que foram rapidamente contornados. Ao todo, o governo de São Paulo mobilizou em torno de 2,5 mil policiais militares para acompanhar o protesto, que recebeu tanto apoio como vaias de moradores da região central de São Paulo.
Os manifestantes carregavam cartazes e entoavam gritos de protesto, como “Dilma, vê se me escuta: na Copa do Mundo vai ter luta”, ou “Brasil, vamos acordar. Professor vale mais do que o Neymar”. Durante a passagem do protesto, comerciantes com lojas ao longo do trajeto da passeata fecharam seus estabelecimentos. Um das presenças ilustres durante a manifestação foi do coordenador da Pastoral do Povo de Rua de São Paulo, Júlio Lancellotti.
— São sempre importantes as manifestações, que são o grito preso na garganta das pessoas. A Copa do Mundo não pode se sobrepor às necessidades de vida do nosso povo — disse o religioso.
Ao todo, o governo de São Paulo mobilizou em torno de 2,5 mil policiais militares para acompanhar o protesto, que recebeu tanto apoio como vaias de moradores da região central de São Paulo. Os manifestantes carregavam cartazes e entoavam gritos de protesto, como “Dilma, vê se me escuta: na Copa do Mundo vai ter luta”, ou “Brasil, vamos acordar. Professor vale mais do que o Neymar”.
Durante a passagem do protesto, comerciantes com lojas ao longo do trajeto da passeata fecharam seus estabelecimentos. Um das presenças ilustres durante a manifestação foi do coordenador da Pastoral do Povo de Rua de São Paulo, Júlio Lancellotti.
Os jovens da nova classe média brasileira (classe C) têm um poder de consumo de R$ 129,9 bilhões, de acordo com um estudo feito pelo Instituto Data Popular e divulgada nesta segunda-feira. Esse valor representa mais que a soma dos jovens das classes alta e baixa juntos, que possuem, respectivamente, R$ 80 bilhões e R$ 19,9 bilhões. A constatação foi feita no estudo “O rolezinho e os jovens da classe média”.
De acordo com o presidente do instituto, os participantes dos rolezinhos se reúnem nos shoppings que já estão acostumados a frequentar. “Barrar este público é um erro, já que se trata de dizer para uma importante parcela de consumidores que eles não são bem-vindos”, disse Renato Meirelles. Segundo ele, boa parte desses jovens está usando roupas de marca que compraram no próprio shopping.
O levantamento do Data Popular apontou que o Brasil tem atualmente 30,7 milhões de jovens com idades entre 16 e 24 anos. Destes, 16,6 milhões foram ao shopping pelo menos uma vez no último mês. A média mensal é de 3,3 vezes. Os jovens da classe C representam cerca de 9 milhões neste número.
“Pesquisamos também a perspectiva de consumo nos próximos meses desse segmento da sociedade e o levantamento revelou que 15% dos jovens da classe média (2,8 milhões) têm intenção de comprar um notebook, enquanto que 11% (2,1 milhões) desejam adquirir um smartphone, e outros 11%, um tablet. Hoje, mais da metade (55%) dão mais valor a marcas e qualidade quando vão às compras do que em anos anteriores”, explica Meirelles.
Para a realização da pesquisa, foram entrevistados 1,5 mil jovens entre 16 e 24 anos entre os dias 20 de novembro e 3 de dezembro.
Em um evento criado nas redes sociais, jovens do País inteiro estão sendo convidados para fazer parte de um “rolezinho” nacional marcado para o dia 1º de fevereiro. Classificando a proposta de manifestação como “maior rolé do mundo”, os autores da página no Facebook planejam reunir centenas para protestar “contra a brutal e covarde ação diária da polícia militar (sic) no Brasil, seja nos shoppings ou nas periferias”.
A proposta vai “contra toda forma de descriminação aos jovens, pobres e negros” e pretende agrupar “a Favela e a Orla, a Rua e o Condomínio”. Os organizadores do evento pedem que os participantes “postem os rolezinhos que vao rolar ja nos proximos finais de semana e remarquem tbm pra dia 1º de fevereiro (sic)”.
Confira na íntegra o convite do evento:
“Contra toda forma de descriminação aos jovens, pobres e negros, em especial contra a brutal e covarde ação diária da polícia militar no Brasil, seja nos shoppings ou nas periferias.
VAMO COLA NO MAIOR ROLÉ DO MUNDO!
Postem os rolezinhos que vao rolar ja nos proximos finais de semana e remarquem tbm pra dia 1º de fevereiro.
Vamos convidar todos os nossos amigos chamar a Favela e a Orla, a Rua e o Condomínio pra colar nesse rolezão!”
Além do Shopping Leblon, que já havia avisado que não funcionaria em 19/1/14, o shopping Rio Design Leblon também não abriu as portas por causa do “rolezinho” marcado para ter início às 16h20
Uma das entradas do Rio Design, na Avenida Ataulfo de Paiva, no bairro da zona sul do Rio, foi completamente coberta com tapumes a fim de evitar atos de vandalismo. Um aviso informava aos clientes que as atividades serão retomadas apenas amanhã.
“Acabou o último lugar onde a gente tinha sossego”, disse uma mulher após ler o aviso, mas que não quis se identificar.
Até a noite deste sábado, mais de 9 mil pessoas haviam confirmado presença pelo Facebook no “rolezinho” de protesto marcado para ocorrer no Shopping Leblon, um dos mais luxuosos do Rio.
É grande a quantidade de policiais militares e guardas municipais ao longo de toda a Avenida Afrânio de Melo Franco, onde ficam o Shopping Leblon e o Rio Design. A segurança também está reforçada na Rua Aristides Espínola, onde fica a residência do governador Sérgio Cabral, e na Avenida Delfim Moreira, já que após a administração do Shopping Leblon obter, na última quinta-feira, liminar na Justiça para impedir o “rolezinho” em suas dependências, foi convocado um evento semelhante com a presença de black blocs, nas imediações da residência do governador.
Até as 15h50, não havia qualquer sinal de manifestantes pelas ruas do Leblon.
Criado em resposta à lei que proíbe bailes funks nas ruas da capital paulista, os encontros marcados pela internet por fãs do estilo musical em shoppings estão se espalhando pelo País.
Nesses encontros, apelidados de “rolezinhos” e embalados pelo funk estilo ostentação (que faz apologia a bens materiais), jovens, majoritariamente negros e de periferia, reúnem-se nos corredores dos centros comerciais para “zoar, pegar geral, se divertir etc”, como definido nas redes sociais.
Inspirados por esse fenômeno, que tem dividido opiniões, seis adultos de Salvador resolveram promover, no Shopping Barra, a versão baiana do “rolezinho”.
No Facebook, a página do evento (“Rolezinho das Antigas”), contava com 528 presenças confirmadas até as 22h de sexta-feira.
Motivações
Em conversa com A TARDE, quatro dos seis organizadores do encontro explicaram os motivos que provocaram a convocação.
Os universitários Maria Hortência Pinheiro, 22, e Alan Valadares, 24 – ligados ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB) -, participaram, em junho, das manifestações que ocuparam as ruas do País. Porém, fazem questão de diferenciar os dois fenômenos.
“São dois movimentos totalmente distintos. Quem hoje condena o rolezinho, estava na rua em junho. A burguesia também estava se manifestando”, disse Maria.
Para Valadares, a rejeição de agora é motivada pelo que chama de “preconceito racial e socioeconômico”.
“Esse preconceito está presente no dia a dia. A reação que a classe média tradicional teve diante desses jovens só reforça isso”, afirmou.
Pacifismo
Já o bancário Álvaro Queirós e a professora Marijane Correia, 36, afirmam que, a princípio, o objetivo era impactar, mas que o desenrolar da polêmica mudou os rumos do “rolezinho” soteropolitano.
“A ideia é rever os amigos antigos, que, na década de 1990, davam rolé (sic) no shopping. Queremos nos divertir, na paz, para mostrar que todos podem ser incluídos nos ambientes”, disse Marijane.
Medo
Controverso, o “rolezinho”, assunto garantido em rodas de conversas, causam temor a clientes de shoppings.
É o caso da recepcionista Priscila D’Almeida, 23. Para ela, alguns grupos se aproveitam da situação para fazer baderna, pondo em risco a integridade dos clientes.
“Se eu estiver com minha avó, enquanto promovem uma correria para assustar alguém, ela pode se ferir gravemente, por exemplo”, diz.
Posicionamentos
O Shopping Barra informou, em nota enviada pela assessoria, que “em acordo com o art. 5º da Constituição Federal, o estabelecimento respeita a liberdade de expressão e reunião pacífica, assim como preza pela integridade, segurança e bem-estar de todos os seus frequentadores e corpo de funcionários”.
A direção do centro comercial não confirmou se vai aumentar o número de seguranças na data do encontro.
Também por meio de nota, a Polícia Militar afirmou estar “acompanhado a movimentação, através do Serviço de Inteligência”. Segundo a corporação, “caso haja alguma necessidade de intervenção, essa será realizada dentro dos aspectos da legalidade e rigor previstos em lei”.
O coordenador regional da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), Edson Piaggio, afirmou preferir que os adolescentes “não frequentem os centros, caso queiram gerar desordem”.
Para ele, “melhor seria que fossem feitos rolezinhos para doar sangue ou para limpar as praias”.
O “rolezinho” marcado para este domingo no Moinhos Shopping, em Porto Alegre, teve um número de participantes semelhante ao número de jornalistas enviados para cobrir o evento. Setenta e sete pessoas estavam confirmadas no evento no Facebook – que foi denunciado e apagado pela rede social quando tinha mais de 500 confirmados -, mas aproximadamente 20 pessoas se reuniram com os organizadores para caminhar pelo shopping e cantar funk – sem ostentação.
Às 16h20, horário marcado para a reunião, menos de 10 pessoas estavam reunidas do lado de fora para o evento. Centenas de outros frequentadores estavam no shopping, que tinha quase todas as lojas abertas. Os cinemas do Moinhos costumam lotar nos domingos, e não foi diferente neste. Havia uma tensão evidente entre seguranças e funcionários do shopping, que não se refletia entre os lojistas e frequentadores. Seguranças interpelavam repórteres que tiravam fotos e chamavam funcionários do marketing para autorizá-los. “A intenção é preservar os frequentadores”, disse um deles.
O Conselho Tutelar foi chamado. “Tivemos denúncias de moradores do Moinhos, preocupados com os ‘favelados’ e ‘maloqueiros’ que viriam ao shopping. É lamentável essa postura. Os rolezinhos sempre existiram, os jovens estão aqui para debater seu cotidiano, e nós estamos aqui para fiscalizar”, disse Cristiano Pinto, da Microrregião do Centro.
Fábio Fleck mostrava-se preocupado com a discriminação aos eventuais frequentadores, e também com as punições previstas. A juíza Cleiciana Guarda Lara Pech, a pedido da administradora do Moinhos Shopping, decidiu que os organizadores do “rolezinho” deveriam “abster-se de qualquer tipo de manifestação”, incluindo “consumir produtos adquiridos fora do estabelecimento” – na página do Facebook, alguns manifestantes falavam em comer pão com mortadela na praça de alimentação. As vitrines das joalherias próximas à entrada do Moinhos Shopping estavam vazias.
“Parece que somos vagabundos que querem quebrar o shopping. O que tá se provando é o contrário. Se acontecer algum prejuízo, eu serei o culpado e vou pagar, mas não estou preocupado”, disse o organizador Fábio Fleck. “É decepcionante que tem mais policiais que manifestantes. Não somos sequer um movimento: somos um grupo de pessoas que se reuniu pelo Facebook”. Quando perguntado sobre a baixa adesão, Fleck afirmou que não se preocupava. “Sempre falei que viria quem quisesse”, afirmou.
Quando entraram no shopping, os organizadores do “rolezinho” foram escoltados por um batalhão de fotógrafos e repórteres. Enquanto davam entrevistas, chegou outra turma: cerca de 10 pessoas com camisetas da União da Juventude Socialista (UJS), movimento estudantil ligado ao PCdoB. Cantando sucessos do funk como “Glamurosa”, “Bumbum na Água” e “Quadradinho de Oito”, os jovens passaram por três andares do shopping, acompanhados por jornalistas e seguranças. Alguns funcionários fecharam as portas das lojas. “Houve uma orientação de fechar em caso de tumulto. Mas nós sempre fechamos quando entra muita gente ao mesmo tempo. Não é discriminação”, disse Silvana, funcionária de uma loja de roupas.
“Existe a discriminação da galera que tem a grana, discriminando quem não tem. Só porque cantamos funk? É um espaço da elite, mas que a periferia tem que frequentar com naturalidade”, disse Ismael Cardoso, estudante da USP, dentro de uma loja da All-Star. Ismael participou de “rolezinhos” também em São Paulo. “Lá, eles foram acusados de vandalismo e decidiram ir para o Ibirapuera. Vão quebrar as árvores?”, afirma.
O espanhol Gonzalo Durán, morador de Porto Alegre há 15 anos, acompanhou o “rolezinho” por curiosidade. Ele foi comprar um cooler para seu notebook. “Acho que pessoas que fazem distúrbios devem ser enquadradas na Justiça, mas também tem muitas pessoas de terno e gravata que incomodam a paz das favelas, com desapropriações para a construção civil…existem outros tipos de rolés violentos. Tomara que esse esquema de segurança também sirva para prender os delinquentes de colarinho branco”, afirmou.
Um “rolezinho” acabou por se transformar em protesto no Shopping Plaza, em Niterói (RJ), no final da tarde de 18/1/14. O ato começou por volta das 19h10 e acabou às 20h40. Ao contrário do “grito de liberdade” da periferia que marcou os atos de São Paulo, o tom foi político, com gritos contra o governador Sérgio Cabral e o tradicional “não vai ter Copa (do Mundo)”.
Logo no início do ato, ocorreu um princípio de confusão, com manifestantes tentando entrar em lojas, e seguranças impedindo, além de correria no prédio. Assustados, muitos clientes do shopping entraram nas lojas, com medo. “O que é isso que está acontecendo”, perguntava a dona de casa Simone Barbosa, ao lado da neta, Sofia, que chorava, com medo. Não houve, contudo, nenhum ato de violência e a Polícia Militar sequer se fez presente nas mediações do Shopping Plaza.
Cerca de 30 pessoas participaram. Eles tentavam entrar nas lojas alegando o direito de ir e vir, mas eram impedidos pelos seguranças. Muitos estabelecimentos fecharam as portas. Diversos curiosos se aglomeraram nas escadas rolantes, que foram paralisadas durante o “rolezinho-protesto”.
“Eu acho justo protestar, mas não acredito que esteja acontecendo qualquer ato de racismo aqui dentro”, opinou o publicitário Alexandre Lima. Nenhum ato de vandalismo ocorreu durante o manifesto do grupo.
Os manifestantes gritavam ainda frases “estamos na rua e a luta continua” e “amanhã vai ser maior”. Eles cantaram funks antigos do Rio de Janeiro e foram acompanhados todo o tempo por cerca de 20 seguranças, muitos deles à paisana. “Ih, vai fechar, ih, vai fechar”, gritavam, sempre que os comerciantes baixavam as portas com a aproximação do grupo.
O tom político do ato ficou reforçado pela liderança do cantor e compositor PH Lima. Figura conhecida das manifestações que ocorreram no ano passado, ele foi candidato a vereador de São Gonçalo pelo PSOL, participou da invasão da Câmara Municipal de Niterói, também no ano passado, e chegou a ser detido. Em toda a manifestação, porém, apenas cantava e proferia palavras de ordem.
“Se fosse um bando de playboyzinho, como colocam nos filmes, aquela loja ali não estaria fechada”, apontou PH Lima, 25, para um dos estabelecimentos que fechou as portas naquele momento. “Tenho certeza que aqueles vendedores não recebem nem 1% do lucro da loja. Não estamos quebrando nada, Niterói está com uma cárie que se chama racismo”, completou em um dos seus discursos.
Alguns vendedores chegaram a protestar contra o ato. Um deles chegou a fazer um cartaz: “Eu ganho por comissão, obrigado, rolezinho”. Os manifestantes quiseram tirar satisfação e houve um novo princípio de confusão, rapidamente contido pelos seguranças. O mesmo ocorreu quando o grupo tentou entrar no café Starbucks.
“Não acho justo, também tenho que pagar aluguel, e estou deixando de ganhar nesse momento. Todo mundo tem direito de se manifestar, mas não pode prejudicar os outros”, afirmou o vendedor Anderson Azevedo.
Muitos jornalistas, em especial os que portavam câmera fotográfica ou de vídeo, foram impedidos de entrar no local, inclusive o repórter fotográfico do Terra Mauro Pimentel. O shopping fechou as portas tão logo o “rolezinho” teve início. Após o ato, a assessoria de imprensa do Shopping Plaza soltou a seguinte nota:
“O Plaza Shopping Niterói informa que, na tarde deste sábado, dia 18, foi necessário interromper as atividades do centro de compras temporariamente. A medida adotada pelo empreendimento fez parte do pla
O shopping de luxo JK Iguatemi, na zona oeste de São Paulo, fechou as portas na tarde deste sábado diante da promessa de mais um “rolezinho” organizado por jovens. Com faixas e instrumentos musicais, o movimento deste sábado ganha um tom mais político e reivindicatório do que os atos anteriores.
“Basta de Apartheid. Fim do genocídio ao povo negro”, dizia uma das faixas. A reclamação é pelo fato de a administração do shopping JK ter conseguido, no último sábado, uma liminar proibindo um “rolezinho” já agendado pelos jovens. De acordo com a decisão, o evento denominado “Rolezaum no Shoppim” foi proibido e a pena para cada manifestante identificado seria uma multa de R$ 10 mil por dia.
Outra faixa do evento, escrita em inglês, dizia que “No País da Copa do Mundo, shoppings racistas proíbem a entradas de pessoas negras e pobres”. Com gritos de guerra, que em nada lembram os “rolezinhos” registrados na periferia da capital, os jovens criticam o posicionamento do estabelecimento comercial: “chega de Apartheid, é ‘rolezinho’ nos shoppings da cidade”.
Antes da chegada dos manifestantes, o shopping funcionava normalmente.
Racismo
Entre os participantes do movimento está um advogado que disse representar os jovens. Elizeu Soares Lopes sugeriu aos manifestantes que deixassem os instrumentos de lado e, em fila, entrassem no shopping. Diante da recusa dos seguranças em deixar o grupo passar, Elizeu alegou estar sofrendo crime de racismo, já que ele é negro.
O advogado e outros jovens deixaram o local e foram até o 96º DP, na avenida Luís Carlos Berrini, para registrar um boletim de ocorrência por “racismo, constrangimento ilegal e imputação de prática criminosa”. “Eles estão achando que a gente vai cometer algum crime, antes disso acontecer”, criticou o advogado.
Posição do shopping
O Shopping Center JK Iguatemi, em nota, aponta que “respeita manifestações democráticas e pacíficas, mas o espaço físico e a operação de um shopping não são planejados para receber qualquer tipo de manifestação. Com o compromisso de garantir a segurança de seus clientes, lojistas e colaboradores, e de acordo com procedimento padrão utilizado em situações semelhantes, o empreendimento interrompeu temporariamente suas atividades neste sábado, 18 de janeiro”.
Polêmica
Os “rolezinhos” ganharam repercussão em todo o Brasil por causa das tentativas dos estabelecimentos comerciais em impedir o ingresso de jovens nos prédios, mesmo que, em alguns casos, nenhum crime fosse cometido. Ontem, a juíza Isabela Pessanha Chagas, da 14ª Vara Cível do Rio de Janeiro proibiu o “rolezinho” marcado para este final de semana no Shopping Leblon.
A decisão da magistrada diverge da assinada pelo juiz Alexandre Eduardo Scsinio, de Niterói, que indeferiu pedido de liminar para impedir o evento no Plaza Shopping. No Estado de São Paulo, o Ministério Público abriu uma frente com cinco promotorias para tentar mediar a relação entre os jovens, o poder público e os donos de shopping centers. A Justiça já vetou ao menos mais um “rolezinho”, no Tatuapé, marcado para este fim de semana. No entanto, pelas redes sociais, há encontros marcados para outros locais, incluindo o shopping JK Iguatemi e o Parque do Ibirapuera.
Os shoppings Metrô Tatuapé e Boulevard Tatuapé, que compõem o Complexo Comercial do Tatuapé, em São Paulo, conseguiram liminar na Justiça nesta quinta-feira proibindo “rolezinhos” em suas dependências até o fim de fevereiro. Segundo a decisão da Justiça, há eventos marcados pela internet para acontecerem no local no próximo sábado, no dia 26 de janeiro e no dia 22 de fevereiro.
De acordo com o juiz Luis Fernando Nardelli, da 3ª Vara Cível, “em algumas ocasiões, os ‘rolezinhos’ resultaram em arrastão dentro do estabelecimento comercial, como se extrai nas reportagens referentes ao Shopping Internacional de Guarulhos e ao Shopping Metrô Itaquera”. Por isso, para o magistrado, “é justo” o “receio dos autores de serem molestados na posse mansa e pacífica dos shoppings”.
“A liberdade de expressão prevista na Constituição Federal não abarca a violência, tampouco prejuízo aos usuários e aos outros lojistas”, afirma o juiz. “É de rigor estabelecer o limite e impedir a aglomeração de pessoas cujo objetivo precípuo é a realização de tumulto e vandalismo.” Segundo a decisão, quem descumprir a liminar poderá ser multado em R$ 10 mil.
Bahia
Em Salvador, na Bahia, cerca de 220 participantes aceitaram participar do ‘Rolezinho das Antigas’, que está previsto para acontecer no dia 1º de fevereiro no shopping da Barra. O evento foi criado em protesto contra os “atos segregacionistas” envolvendo o uso de força policial durante os “rolezinhos” em São Paulo.
Ceará
Mais de 270 pessoas já confirmaram presença no ‘Rolézinho em Fortaleza’, encontro marcado para o dia 9 de fevereiro no Shopping Iguatemi, na capital cearense. “A ideia é passar a mensagem de que a periferia tem voz e existe. Vamos chegar lá na boa, na paz e passear no shopping. Afinal de contas, a cidade também é nossa, correto?”, afirmam os organizadores na descrição do evento.
Distrito Federal
Em Brasília, o evento “Rolezinho no Xópim Iguatemi do Lago Norte”, já registrava 1,4 mil confirmações no Facebook na manhã desta quarta-feira. O encontro está marcado para o próximo dia 25 no shopping Iguatemi, que fica no Lago Norte, região nobre da capital.
Na descrição do evento, os organizadores afirmam não ter a intenção de promover arrastões ou atos de vandalismo, e que são solidários às vítimas de violência policial durante os encontros que terminaram em confusão em São Paulo.
Minas Gerais
Pelo menos dois eventos foram marcados no Estado para os próximos dias. Para o domingo, mais de 400 pessoas confirmaram presença no “Rolezaum no Paty Savassi (ou Praia do Shopping Estação)”, shopping Pátio Savassi.
Já o “Rolézinho no Minas Shopping – Apartheid às avessas”, previsto para sábado, conta com apenas 40 adesões até a manhã desta quarta-feira.
Pará
O “Rolezinho no Shopping Boulevard – Belém (PA)”, marcado para o dia 25 de janeiro no shopping da capital paraense já conta com mais de 260 participantes confirmados. “Nada muito pretensioso, só ver o que tem de novo aí nas lojas maneiras daquela galera que mora na Doca. Chama uns amigos e cola aí pra gente sacar qual é a vibe do momento”, diz a descrição do evento.
Rio Grande do Sul
Segundo os organizadores do ‘Rolezinho Moinhos Shopping Porto Alegre’, previsto para acontecer no próximo domingo na capital gaúhca, o ato ocorre em apoio “ao povo da zona leste de São Paulo e das periferias das grandes cidades de todo o Brasil. Contra toda forma de opressão aos pobres e negros, em especial contra a brutal e covarde ação diária da Polícia Militar no Brasil, seja nos shoppings, nas praias ou nas periferias”.
Os criadores do “rolezinho” afirmam ainda que a manifestação é pacífica, e que furtos ou atos como violência e depredação não estarão relacionados com o grupo.
Rio de Janeiro
“Em apoio à galera de São Paulo, contra toda forma de opressão e discriminação aos pobres e negros, em especial contra a brutal e covarde ação diária da polícia militar no Brasil, seja nos shoppings, nas praias ou nas periferias”, descreve o evento.
São Paulo
A capital paulista é a cidade com maior número de eventos: o do Ibirapuera recebe o evento com maior número de adesões no Facebook: mais de 2.280. O parque deve servir de palco para rolezinhos também nos dias 25 deste mês e 2 de fevereiro.
No dia 24, novos encontros estão marcados para Suzano, na Grande São Paulo, e para o Shopping Aricanduva, na zona leste da capital, até esta quarta-feira, com 105 confirmados. Dois dias depois é a vez do Shopping Bonsucesso. No dia 1º de fevereiro, estão marcados “rolezinhos” no Shopping Aricanduva e no Mauá Plaza Shopping.
Santa Catarina
Na onda dos eventos marcados por todo o País, os catarinenses também organizaram, para o dia 26 de janeiro, o ‘Rolezinho Iguatemi’, marcado para ocorrer entre 16h e 22h, no Shopping Iguatemi. Pelo menos 350 pessoas já confirmaram presença no ato.
A maioria dos paulistanos se disse contra os chamados “rolezinhos” – eventos agendados por jovens através das redes sociais em shoppings centers e espaços públicos, que se tornaram alvo de polêmica após tumultos em alguns centros de compra da capital paulista -, de acordo com pesquisa divulgada nesta sexta-feira pela agência de pesquisa de mercado e inteligência Hello Research. Segundo o levantamento, 71% dos moradores da cidade se disseram contra esse tipo de evento.
De acordo com a pesquisa, 87% das pessoas ouvidas afirmaram ter tomado conhecimento sobre esse tipo de evento. Do total, 24% se disseram favoráveis aos “rolezinhos”, e 5% disseram não ter opinião formada sobre o assunto.
O levantamento aponta que as mulheres são as mais exaltadas, sendo que 76% delas são contra. Entre os homens este número é de 65%.
Outro dado apontado pela pesquisa é que, quanto maior a idade, maior a rejeição a esse tipo de evento. Segundo o levantamento, entre jovens de 16 e 24 anos há uma menor taxa de rejeição (65%). Entre pessoas de 25 a 34 anos, a rejeição sobe para 69%. Na faixa de 35 a 44 anos, fica em 77%. Acima dos 45 anos, 84% são contrários ao “rolezinho”.
O levantamento aponta também que, quanto maior o poder aquisitivo, maior a rejeição com o “rolezinho”. Segundo a pesquisa, 82% dos entrevistados que pertencem à classe A se disseram contra os eventos, enquanto, na classe B, esse número é de 79%; na C de 73%; e, na D, de 56%.
“Os números mostram que a população em geral é contrária ao movimento. Entretanto não há dúvidas de que existem posições antagônicas sobre o tema. Principalmente em relação à classe social, sendo que quanto mais alta, maior a rejeição, e a idade, tendo em vista que os mais velhos são mais contrários ao movimento”, afirmou, em nota, Davi Bertoncello, diretor executivo da Hello Research.
Paulistanos são a favor de liminares contra “rolezinhos”
De acordo com o levantamento, 68% dos entrevistados se disseram a favor de medidas judiciais que proíbem a realização desse tipo de evento em shoppings. Entre as mulheres, este número chega a 71%.
Em alguns desses encontros, a Policia Militar foi autorizada a abordar e revistar jovens que a própria PM julgasse suspeitos. Este decisão foi apoiada por 70% dos entrevistados.
Menos da metade dos entrevistados considera impedimento como preconceito
Outra questão discutida na pesquisa buscou entender se o ato de impedir estes jovens de circularem em grande número pelos shoppings foi um ato discriminatório. Neste quesito 42% dos entrevistados concordaram com a afirmação, enquanto 55% discordaram.
Na classe A, apenas 33% das pessoas acreditam se tratar de ato discriminatório. Na classe B este número sobe para 42%. Na classe C fica em 40%. Na classe D, 52% entende ser um ato de discriminação.
Quando o assunto foi relativo às declarações de alguns lojistas de que parte dos jovens teriam cometido atos de vandalismo dentro dos shoppings, 91% da população foi contra aos atos de vandalismo.
“Para aqueles que defendiam a tese de que o ‘rolêzinho’ se trata da nova modalidade de manifestação popular, os números mostram que, por enquanto, o fenômeno não conta com a simpatia da maioria. Os próximos dias serão determinantes para a confirmação e/ou mudança deste cenário. Vamos ficar atentos aos próximos passos destes jovens”, disse Bertoncello.
A pesquisa ouviu 628 paulistanos, de idades entre 16 e 56 anos, de todas as classes sociais e moradores de todas as regiões da cidade de São Paulo, entre os dias 15 e 16 deste mês. A margem de erro do levantamento é de 4 pontos percentuais.
A Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop) afirmou nesta sexta-feira, em nota, que “é a favor das liminares concedidas aos shoppings de forma a controlar e impedir a formação de eventos denominados ‘rolezinhos’”. Segundo a associação, as decisões da Justiça são válidas porque os frequentadores desses eventos “assustam clientes e, consequentemente, prejudicam as vendas”.
A Alshop afirmou que é “favorável à criação de espaços públicos ou disponibilidade em espaços existentes para que atividades sociais e culturais possam ser realizadas de forma segura e sem prejuízo aos outros cidadãos”.
Para o presidente da associação, Nabil Sahyoun, “a prefeitura de São Paulo possui espaços públicos pouco utilizados na cidade para que esses jovens possam se manifestar de maneira pacífica”. “(Os shoppings) devem ser protegidos, pois circulam milhares de pessoas nos shoppings diariamente respeitando o direito de ir e vir da nossa população.”
O Governo do Espírito Santo criou três contas correntes para doações em dinheiro destinadas à ajuda humanitária nos municípios afetados pelas fortes chuvas que seguem castigando o Estado nesta semana.
Banestes, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil estarão aptos a receber recursos de pessoas que desejam ajudar aos capixabas afetados de alguma forma pelas consequências desses eventos naturais extremos.
“É um dos maiores volumes de chuva que o Espírito Santo já enfrentou e todo o tipo de ajuda é bem-vinda e, por isso, estamos abrindo mais essa frente de atuação. O mais importante é preservar vidas”, destacou o governador.
As contas correntes para recebimento de doações para as vítimas das enchentes são:
BANESTES
AGENCIA: 0271
CONTA: 23.765.589
BANCO DO BRASIL
AGENCIA: 3665-X
CONTA: 150.000-7
CAIXA ECONÔMICA FEDERAL
Agência 0167-8
Operação 06
CONTA: 10.004
Centro Operacional para atendimento demandas
O Governo do Estado também criou um centro operacional na sede do Corpo de Bombeiros, na Enseada do Suá, em Vitória, para o atendimento de demandas. No local, representantes de todas as secretarias do Estado ficarão de plantão durante os dias 24 e 25.
Prejuízos
O montante necessário para a recuperação de todo o Espírito Santo ainda não foi divulgado. Na tarde desta segunda-feira (23), o governador Renato Casagrande (PSB) informou que este cálculo deverá ser realizado nos próximos dias.
“Reuni a minha equipe e pedi que todas as secretarias façam esse levantamento, para que a gente possa calcular o tamanho real deste prejuízo. Os dados também serão repassados ao governo federal, para que possa nos ajudar”, disse o governador.
O cálculo total dos prejuízos deverá ser divulgado nas próximas semanas.
Rede Social
O Corpo de Bombeiros do Espírito Santo pede para que a população curta a página da corporação no Facebook. Na rede social, os bombeiros informam sobre as operações que estão sendo realizadas em todo o Estado. “A rede social é muito importante porque ajuda a desmentir muitos boatos. A população pode pedir ajuda, além de acompanhar as ações que estão sendo realizadas por toda a nossa equipe”, disse o comandante do Corpo de Bombeiro, coronel Edmilton.
Mais de 40 barragens com intervenções
Em todo o Espírito Santo, 43 barragens já sofreram algum tipo de intervenção para evitar inundações. As informações são do secretário estadual de Agricultura e Pesca, Ênio Bergoli.
As principais medidas que os produtores rurais devem adotar neste momento são:
• Rebaixar o nível de água em meio metro nas barragens com área inundada menor do que 15 hectares, e em um metro naquelas com área inundada igual ou superior a 15 hectares.
• Em caso de chuvas de grande intensidade ou longa duração, a água nos monges deve ser liberada imediatamente.
• Evitar medidas que ampliem o escoamento superficial nas áreas acima do barramento, como capina de lavouras.
• Limpar periodicamente as caixas secas nas estradas internas e nos carreadores das propriedades.
A Seag informa que os agricultores devem procurar esclarecimentos sobre o manejo das barragens nas unidades do Idaf e Incaper localizadas em todos os municípios do Espírito Santo.
De acordo com o secretário, cerca de 30% da produção de hortaliça de todo o Estado foi dizimada pelas chuvas.
Sobe para 21 o número mortos em decorrência da chuva que ocorre em praticamente todo o Espírito Santo. Segundo o comando da Defesa Civil Estadual, às 18h58 desta quarta-feira (25), foram confirmadas quatro mortes em Baixo Guandu, uma em Barra de São Francisco, seis em Colatina, uma em Domingos Martins, oito em Itaguaçú e uma em Nova Venécia.
Reduziu o número de pessoas que ainda estão em abrigos ou casas de parentes e amigos. Até o início desta tarde, mais de 48 mil estavam fora de suas casas. No balanço anterior, o número chegou a quase 50 mil. A Defesa Civil informou que o levantamento do número de pessoas afetadas continua prejudicado pela dificuldade de acesso a muitas localidades, algumas totalmente isoladas pela intensa inundação, sem comunicação, água potável e energia elétrica.
COMO FAZER DOAÇÕES
Postos por todas as regiões do estado recebem doações.*Maiores necessidades são água, cestas básicas e colchões.
Doações também podem ser feitas nas contas bancárias do Corpo de Bombeiros.
Subiu para 50 o número de municípios mais afetados e são eles: Afonso Claudio, Agua Doce do Norte, Águia Branca, Alto Rio Novo, Aracruz, Baixo Guandu, Barra de São Francisco, Bom Jesus do Norte, Brejetuba, Cachoeiro de Itapemirim, Cariacica, Castelo, Colatina, Conceição da Barra, Conceição do Castelo, Domingos Martins, Ecoporanga, Fundão, Governador Lindemberg, Guarapari, Ibatiba, Ibiraçu, Itaguaçu, Itarana, Jeronimo Monteiro, João Neiva, Laranja da Terra, Linhares, Mantenópolis, Marechal Floriano, Muniz Freire, Nova Venécia, Pancas, Rio Bananal, Santa Leopoldina, Santa Maria de Jetibá, Santa Teresa, São Domingos do Norte, São Gabriel da Palha, São Mateus, São Roque do Canaã, Serra, Vargem Alta, Venda Nova do Imigrante, Viana, Vila Pavão, Vila Valério, Vila Velha e Vitória.
A Secretaria Nacional de Defesa Civil continua enviando alertas de risco de inundação e deslizamento de terra nas regiões com mais chuvas. O governo decretou Situação de Emergência em todas as áreas afetadas por desastres decorrentes das últimas chuvas.
Dificuldade
Em situação delicada, moradores de Itaguaçu, no Noroeste do Espírito Santo, decidiram, nesta quarta-feira (25), pegar comida suja de lama que foi descartada por um mercado. Eles dizem que o novo problema é a falta de alimentos e água potável. O governo do estado comunicou que tem enviado kits de sobrevivência para as cidades atingidas, mas as vítimas reclamaram que isso ainda não é suficiente. Várias partes da cidade ficaram alagadas por conta das chuvas e oito pessoas morreram.
População atingida oela chuva recolhe alimentos descartados por supermercado em Itaguaçu, Noroeste do Espírito Santo (Foto: Vitor Jubini/ A Gazeta)
Casagrande
O governador do Espírito Santo Renato Casagrande disse que as últimas chuvas já são o maior evento climático da história do Espírito Santo. “Vamos ter que reconstruir todo Espírito Santo”, afirmou.
Sete aeronaves auxiliam os trabalho dos bombeiros e Defesa Civil nos municípios mais afetados. Em algum deles, como Baixo Guandu, o socorro às vítimas só é possível por helicópteros.
O secretariado de governo vai se reunir para iniciar as discussões da reconstrução das áreas atingidas. “É muito trabalho. Muitas regiões destruídas. Pontes, rodovias, casas, tudo destruído pelas águas. Vamos ter muito trabalho para recuperar tudo isso. E o governo estará ao lado dos municípios ajudando nessa recuperação”, declarou o governador.
Dilma
“Nunca vi tanta água”, declarou a presidente Dilma Rousseff ao sobrevoar as áreas al 24/12/13. O voo durou aproximadamente 40 minutos. A presidente explicou que a prioridade é salvar as pessoas afetadas e em situação de risco, evitando mortes. Uma ponte provisória também será providenciada na ES-080, em um trecho que ficou destruído. Dilma sobrevoou as cidades em um helicóptero da Força Aérea, junto com a equipe e o governador do estado, Renato Casagrande. A presidente contou que desde que saiu de Brasília, nesta manhã, monitorou os locais de visitação no Espírito Santo e definiu maneiras de ajudar o estado e a população.
Estradas
Uma cratera se abriu na rodovia BR-259, na altura de Itapina, distrito de Colatina, Noroeste do Espírito Santo, nesta quarta-feira, em consequência de uma tromba d’água que caiu na região. A via liga o território capixaba ao estado de Minas Gerais. Equipes do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) foram ao local e pedem para que as pessoas não tentem se deslocar entre Colatina e Baixo Guandu.
A BR-101 foi interditada em dois pontos nesta manhã em trechos que cortam o município de Linhares, região Norte do Espírito Santo, conforme informou a empresa EcoRodovias, que administra a rodovia federal. Nas duas situações há alagamentos. Do quilômetro 150 a 155, a água chega a um metro de altura e o trânsito está bloqueado nos dois sentidos. É recomendado aos motoristas que evitem o local.
Bombeiros do Rio
Vinte militares do Corpo de Bombeiros do Rio embarcaram em 25/12/13 em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB), na Base Aérea do Galeão, com destino ao Espírito Santo. Os bombeiros, que fazem parte do Grupamento de Busca e Salvamento (GBS) e são especialistas em salvamento em desastres, vão atuar em apoio às ocorrências causadas pelas chuvas que atingiram o estado. Outro grupo de militares seguiu por terra.
FGTS
Os moradores de municípios atingidos pelas chuvas e que decretarem estado de calamidade ou situação de emergência podem sacar o dinheiro do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) na Caixa Econômica Federal. Os saques são para os cidadãos que tiverem conta e saldo no fundo e que não realizaram o saque do valor pelo mesmo motivo nos últimos 12 meses.
O trabalho escravo gera lucros de US$ 150 bilhões por ano, duas vezes superior ao tráfico internacional de drogas. Dados divulgados pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) apontam que a prostituição, construção, mineração e agricultura estão entre os maiores responsáveis por esses lucros ilegais. O trabalho de empregadas domésticas que não são pagas também aparece entre os mais lucrativos.
No mundo, 21 milhões de pessoas são exploradas. A diferença entre o que essas vítimas geram com seu trabalho e o quanto são pagas ou custam é o valor que a OIT estima que seja os lucros para quem os explora.
Os valores envolvidos na exploração de trabalhadores são três vezes superiores ao que a OIT estimava até agora. No comércio internacional de drogas, a ONU calcula que os lucros anuais chegam a US$ 65 bilhões. Já o uso de trabalhadores escravos no setor da construção, mineração e em fábricas ainda movimenta US$ 35 bilhões em lucros, ante US$ 9 bilhões na Agricultura.
Mas é a indústria do sexo que mais lucra. A OIT estima que os benefícios anuais de quem explora as mulheres atingem US$ 99 bilhões. Desse total, US$ 31 bilhões são gerados na Ásia e outros US$ 26 bilhões nos países ricos. Pelo menos 4,5 milhões de pessoas seriam exploradas sexualmente e cada uma gera US$ 21 mil por ano em média a quem as explora.
Na América Latina, a exploração sexual também corresponde a grande parte dos lucros: cerca de US$ 10 bilhões dos US$ 12 bilhões gerados na região por todos os setores que ainda usam trabalho escravo. No total, cerca de 400 mil pessoas trabalham de forma forçada no setor da prostituição na América Latina. Por cada trabalhador escravo, a estimativa da OIT é de que os lucros na América Latina sejam equivalentes a US$ 7,5 mil por ano.
Agricultura Se o setor agrícola é um dos que mais empregam trabalhadores escravos no mundo, os lucros obtidos são relativamente mais baixos. Na América Latina, os valores chegam a cerca de US$ 200 milhões e o fenômeno afeta 350 mil pessoas. Um dos setores que mais preocupam a OIT é o da madeira. Segundo a entidade, pessoas de locais pobres são as maiores vítimas de trabalho forçado no setor madeireiro.
Outro setor que chama a atenção é o do trabalho doméstico. Na América Latina, elas chegam a 650 mil pessoas e permitem que famílias e empresas deixem de pagar US$ 500 milhões em salários. No mundo, US$ 8 bilhões não são pagos em salários a essas mulheres que trabalham em condições análogas à escravidão. Na construção, em fábricas e mineração seriam outras 190 mil vítimas na região. As informações são do jornal
O setor de construção civil lidera os casos identificados pela fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) como trabalho escravo, superando a agricultura, conforme balanço da pasta sobre ações realizadas em 2013. Foram identificadas 849 pessoas em regime de trabalho análogo à escravidão na construção, segundo dados do Grupo Especial de Fiscalização Móvel do MTE, divulgados nesta quinta-feira, 15.
A agricultura, até então a principal vilã do trabalho escravo no País, registrou 342 casos de pessoas libertadas do trabalho escravo no ano passado. Na pecuária foram resgatadas mais 276 pessoas. O grupo do MTE fez 36 fiscalizações no setor de construção, contra 44 na pecuária e 23 na agricultura.
O Ministério realizou ao todo 179 fiscalizações em todo o País, conforme a Divisão de Fiscalização para Erradicação do Trabalho Escravo (Detrae), avaliando as condições laborais de 27.701 trabalhadores, formalizados ou não. O órgão identificou 2.063 pessoas sob situação análoga à escravidão e aplicou R$ 8 milhões em multas aos empregadores infratores, além de lavrar 4.327 autos de infração em razão das irregularidades encontradas.
Área urbanas
Os centros urbanos lideram a lista do trabalho escravo. Foram resgatadas 1.068 pessoas em áreas urbanas, o equivalente a 51,8% dos 2.063 resgates feitos no ano passado. Foi a maior quantidade de pessoas identificadas sob essa condição de trabalho em área urbana da série histórica do MTE, que fez 300 fiscalizações nessas regiões.
O Estado com mais casos em área urbana foi Minas Gerais, onde foi feito o maior número de resgates. Foram 367 trabalhadores libertados na área urbana mineira, após 14 fiscalizações – a maior parte (173 casos) na construção. Minas liderou entre os Estados também em número geral de casos de escravidão, somando todos os setores econômicos, com 446 resgates.
São Paulo foi o segundo Estado com o maior número de casos absolutos, com 419 pessoas resgatadas. O Estado também foi o segundo em casos em áreas urbanas, com 360 pessoas resgatadas após 16 fiscalizações. O maior número de casos (256) foi verificado na construção. O setor ficou atrás da indústria da confecção paulista (104 casos), apesar de a construção ter recebido menos fiscalizações (5 ações) que as confecções (11 ações). Tradicionalmente, em São Paulo, a confecção é o setor econômico com as maiores punições pelo descumprimento das leis trabalhistas – especialmente pela emprego irregular de mão de obra ilegal boliviana.
O Rio de Janeiro teve 129 trabalhadores identificados sob regime análogo à escravidão em área urbana, sendo 36 deles na construção e 93, no setor de alimentação.
Cidades
A cidade de Guarulhos liderou os casos identificados pelo MTE como de trabalho escravo no Estado de São Paulo. O município da região metropolitana da capital paulista teve 111 pessoas classificadas como trabalhadores escravizados – todas elas atuavam na construção.
A cidade só perdeu em número de casos para a mineira Conceição do Mato Dentro, distante cerca de 170 quilômetros de Belo Horizonte, onde 173 pessoas sob condição de escravidão foram identificadas trabalhando para a construção civil.
A capital do Rio de Janeiro liderou a identificação de casos no Estado, com 93 trabalhadores libertados no setor alimentício. Atrás do Rio, no ranking das cinco cidades com mais casos em 2013, ficou Granja (CE), onde 85 coletores de palha de carnaúba foram classificados pelo MTE como trabalhadores escravizados. A quinta cidade da lista é Itaberaí (GO), onde 70 trabalhadores da construção foram resgatados.
O Ministério Público do Trabalho (MPT) abriu um inquérito para investigar a empreiteira brasileira Odebrecht pela possível prática de aliciamento para trabalho escravo em Angola. A decisão ocorreu após o órgão ter tomado conhecimento de reportagem da BBC Brasil com denúncias de ex-funcionários contra as condições de trabalho numa usina da empresa no país africano. O inquérito está a cargo do procurador do trabalho Rafael de Araújo Gomes, de Araraquara (SP).
Na reportagem, publicada nesta sexta-feira, operários que trabalharam na construção do complexo industrial Biocom, na província de Malanje, relatam ter enfrentado uma série de provações, entre as quais cárcere privado, retenção de passaportes e condições insalubres nos alojamentos.
Ao custo de quase R$ 1 bilhão, o complexo industrial será o primeiro de Angola a produzir açúcar, etanol e eletricidade. O MPT, ógão vinculado ao Ministério Público da União, também investigará as empresas Pirâmide e a Planusi, ambas com sede no interior de São Paulo e que foram subcontratadas pela Odebrecht na construção.
Segundo a assessoria do MPT, o órgão solicitou às empresas informações sobre todos os trabalhadores brasileiros que atuaram na obra. A Biocom diz que a construção conta hoje com 1,8 mil funcionários, entre brasileiros e angolanos.
O órgão diz que também levantará todos os processos trabalhistas movidos contra as empresas pelas supostas más condições na obra. Só em Américo Brasiliense (SP), sede da Pirâmide, tramitam cerca de 60 ações contra as empresas, segundo o advogado José Maria Camos Freitas, que representa um grupo de trabalhadores egressos de Angola.
Freitas diz que os operários foram submetidos a “trabalho análogo à escravidão” no país africano, algo que as empresas negam. A partir da investigação, o MPT decidirá se entrará com ação judicial contra as empresas.
Morte de brasileiro
A investigação tratará ainda da morte do brasileiro Donizetti Francisco Fernandes, que atuava como coordenador da Planusi na obra. O corpo de Fernandes, 55 anos, foi encontrado coberto por queimaduras em 19 de maio em Malanje, cidade a 80 quilômetros da usina. Entre os operários, conta-se que ele foi amarrado e teve o corpo incendiado após uma briga.
Segundo a Biocom, porém, uma investigação policial revelou que Fernandes morreu por causa de “queimaduras diversas após um curto-circuito da geladeira, que provocou um incêndio nas instalações onde se encontrava”, fora das instalações da indústria, quando ele estava de folga. Parentes e amigos do operário contestam a versão. Seu corpo, trazido ao Brasil em 30 de maio, foi enterrado em Sertãozinho (SP).
Com inauguração prevista para 2014, o complexo industrial Biocom é uma sociedade entre a Odebrecht (40%), a angolana Damer (40%) e a estatal petrolífera Sonangol (20%). A legislação angolana obriga empresas estrangeiras a se associar com grupos locais em investimentos no setor de biocombustíveis.
Indenização
Em primeira instância, a Justiça tem determinado que os trabalhadores que entraram com ações contra as empresas sejam indenizados. Em decisão recente numa ação movida pelo operário Dilmar Messias da Silva, o juiz federal do trabalho Carlos Alberto Frigieri diz que o empregador “não preparou o ambiente de trabalho para o significativo número de trabalhadores que transportou para Angola, deixando de proporcionar condições mínimas de higiene, tornando o trabalho mais penoso e degradante”.
Ele condenou a Odebrecht e a Pirâmide, empregadora direta do operário, a indenizá-lo em R$ 30 mil por danos morais e horas extras não pagas. As empresas, que negam haver qualquer irregularidade na obra, recorreram da decisão e de todas as outras condenações. Os recursos serão analisados pelo Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região, em Campinas.
As companhias dizem que as instalações e condições de trabalho na usina atendem às legislações brasileira e angolana. Elas negam as acusações de cárcere privado e afirmam que os seus funcionários visitam cidades próximas com frequência.
De acordo com as empresas, “problemas pontuais” nos refeitórios e alojamentos, como alguns decorrentes de vazamentos no período de chuvas, foram rapidamente sanados.
Confira, abaixo, os principais argumentos que cada empresa apresentou contra as acusações:
Odebrecht
A Odebrecht incumbiu a Biocom de responder em seu nome.
Biocom
“Para a execução do seu projeto industrial, a Biocom efetuou a contratação de empresas que atuam no segmento há diversos anos, com know-how e expertise na construção de outras unidades industriais no Brasil e no mundo.
Cabe salientar que o pagamento de toda e qualquer parcela relativa à prestação dos serviços pela Biocom às subcontratadas exige a apresentação de documentos comprobatórios do recolhimento de encargos sociais e trabalhistas (…).
Também são realizadas na Biocom palestras de integração sobre segurança, saúde e meio ambiente com todos os empregados próprios e terceiros, sendo que possuímos índices extremamente baixos de ocorríencia de acidentes comparado às demais empresas instaladas na região.
A Biocom fornece instalações sociais e condições de trabalho condizentes com o exigido nas legislações angolanas e brasileiras, com alojamentos, refeitórios, EPIs e sanitários condizentes com as Normas Regulamentadoras brasileiras e angolanas. São contratadas empresas especializadas para a realização de serviços de limpeza e manutenção predial, administração de refeitório e segurança patrimonial, e problemas pontuais com relação a esses serviços são identificados e corrigidos de imediato.
Informamos também (…) que não prosperam as alegações de cárcere privado, sendo frequente a ida de empregados de nossas subcontratadas para locais turísticos da região, para a boate local ou confraternização com os empregados da Biocom em seus alojamentos.
Também prestamos apoio no retorno de todos os empregados de nossas subcontratadas que manifestam seu desejo de regressar ao brasil, ao que as passagens são obtidas com o intervalo de poucos dias.”
Pirâmide
“A Pirâmide Assistência Técnica atua há 17 anos no mercado, com mais de 1,5 mil empregados (…). A contratação dos empregados (para a obra em Angola) ocorreu em absoluto respeito à legislação trabalhista brasileira. Em momento prévio à celebração do Contrato de Trabalho, foram realizadas palestras de aculturamento em que as condições locais (angolanas) foram expostas aos respectivos candidatos às vagas em aberto, com a apresentação de fotos e vídeos do local de trabalho.
É importante ressaltar que nenhum empregado contratado foi responsável pelo pagamento de quaisquer despesas da viagem (…) Nas instalações da Biocom foram fornecidos meio ambiente de trabalho e social condizentes com as exigências constantes nas Normas Regulamentadoras brasileiras, fato apurado por nosso técnico de SSMA responsável no Projeto. Situações pontuais com relação a problemas nos refeitórios (…) foram imediatamente corrigidas (…).
As empresas contratadas para o fornecimento de refeições sofrem auditorias regulares para se verificar a procedência e a qualidade dos produtos que são utilizados.
Não procedem, também, as alegações de cárcere privado (…) e o trânsito dos empregados na região é livre, sendo que diversos deles optaram por visitar pontos turísticos da região, frequentar a boate do município (…)
Não bastassem tais fatos, vários ex-empregados foram mais de uma vez a Angola, isto é, se canditaram novamente a uma vaga de emprego após ter retornado do pais africano, o que demonstra que as condições de trabalho estavam longe de corresponder ao cenário narrado por alguns destes e, que em termos econômicos a prestação de serviços no país estrangeiro era benéfica.
Todos os empregados que solicitaram seu retorno ao Brasil, independente do motivo, foram atendidos em referido pleito, sem a imposição de cumprimento de qualquer condição precedente. Entretanto, é possível que, em razão de indisponibilidade de passagens para dias específicos, alguns tiveram de aguardar durante alguns dias para verificação da disponibilidade da passagem e obtenção da documentação necessária para a viagem. Ressaltamos, entretanto, que mesmo durante este período não houve qualquer obrigatoriedade de trabalho para qualquer empregado que desejasse o desligamento.
São realizados, quando da contratação e desligamento de empregados da Pirâmide, exames médicos admissionais/demissionais, situação em que, quando constatada qualquer doença decorrente do exercício profissional, são oferecidas todas as garantias e proteções oferecidas por lei aos empregados.
Não é permitida a prática, entre os empregados da Pirâmide ou dentro das instalações da Biocom, de qualquer tipo de comércio de bens ou produtos (…).”
Planusi
“A Planusi mantém com regularidade, nas instalações da Biocom, apenas um Coordenador de Obras que faz a interface entre as partes (Planusi e Biocom), e essa contratação foi feita respeitando-se a legislação trabalhista brasileira. Vale ressaltar que quaisquer despesas de viagem (…) são, e sempre foram da responsabilidade da Biocom, não cabendo a nosso colaborador qualquer custo (…).
As instalações da Biocom estão de acordo com as exigências constantes nas Normas Regulamentadoras brasileiras. (…) As empresas contratadas para o fornecimento de refeições sofrem auditorias regulares para se verificar a procedência e a qualidade dos produtos que são utilizados. (…)
Jamais tivemos conhecimento ou sequer soubemos de alguma alusão sobre alegações de cárcere privado. A segurança patrimonial é realizada por prestador de serviços especializado e o trânsito dos empregados na região é livre. Prova disso é que a morte do nosso coordenador de obras Sr. Donizete veio a acontecer acidentalmente, fora das instalações da Biocom, fora do horário e dia de trabalho (final de semana) na província de Malanje (distante aproximadamente 80 quilômetros) onde, conforme consta do documento oficial emitido pela Direção Provincial de Investigação Criminal do Comando Provincial de Malanje, ele e outros amigos estavam a passeio, com objetivo de recreação e lazer. (Entendemos que esse fato, por si só, demonstra o quão livre é o trânsito dos funcionários, e descaracteriza a alegação de cárcere privado).
(…)Temos conhecimento de que todos os colaboradores sempre foram/são atendidos quanto a possível manifesto do desejo de retornar ao Brasil, independente do motivo, sem a imposição de cumprimento de qualquer condição precedente. Só se faz necessária a espera quando há indisponibilidade de passagens para os dias escolhidos, ou para a obtenção da documentação necessária para a viagem.
Informamos também que todo funcionário de nossa empresa, no ato da contratação e desligamento, assim como periodicamente, é submetido a exames médicos (admissionais/periódicos/demissionais), situação em que, se constatada qualquer doença decorrente do exercício profissional, oferece-se toda a assistência e proteção garantidas por lei.
(…)Ressaltamos que estão disponíveis para consulta de vossa reportagem os respectivos comprovantes de pagamento de todos os encargos trabalhistas, incluindo as verbas rescisórias de nossos colaboradores que prestaram ou prestam serviço nesta obra em Angola.”
W Líder
“A respeito do email enviado por Vossa Senhoria noticiando a publicação da matéria referente a denúncias feitas por funcionários que trabalharam na construção do complexo Biocom, localizado na província de Malanje, tem a empresa W Líder Montagens Industriais a esclarecer:
– não houve descumprimento de acordos trabalhistas;
– não houve maus tratos;
– os trabalhadores em nenhum momento foram submetidos às condições degradantes de trabalho análogo à escravidão;
– as condições de trabalho, alojamento e refeição não eram precárias;
– não é fato verdadeiro de que trabalhadores adoeceram na obra em razão das péssimas condições de trabalho;
– não é fato verdadeiro de que os trabalhadores eram proibidos de deixarem o local de trabalho por seguranças armados;
– não é fato verdadeiro de que havia brigas frequentes na obra.
Registra-se, ainda, que esta empresa não só cumpriu como fez cumprir todas as normas de segurança e medicina do trabalho. A integridade física e psicológica de todos os colaboradores desta empresa foi preservada.”
A violência contra as mulheres é um dos “grandes dramas de nosso tempo”, uma “escandalosa” situação que ainda afeta muitas mulheres e meninas, denunciou neste domingo a ONU por causa do Dia Internacional da Eliminação da Violência contra a Mulher, realizado em 25 de novembro.
“É escandaloso que ainda hoje em dia, para muitas mulheres e meninas, a violência se encontre à espreita, nas esquinas, nos lugares de trabalho ou em suas próprias casas. E frequentemente, a justiça está ausente”, alertou a alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay.
Segundo Pillay, em muitos lugares “as mulheres são humilhadas ou intimidadas por denunciar à polícia a violência, particularmente a sexual” e quando o fazem “enfrentam cruéis e insensíveis reações oficiais, que de maneira efetiva impedem todo o acesso à justiça”.
Por isso, a ONU pede aos Estados que, baseado no direito internacional, garantam que seus sistemas de justiça penal “estejam livres de ranços de gênero” em todas as fases de um processo, a investigação, a perseguição, os interrogatórios, a proteção das vítimas e testemunhas, e o pronunciamento de sentenças.
“A insinuação de que as mulheres têm uma propensão a mentir e que seu testemunho deve ser tomado com cautela deve ser eliminada, assim como a ideia de que as mulheres incitam a comissão da violência sexual por estar fora à noite ou por se vestirrem de uma maneira em particular”, advertiu a alta comissária.
Pillay pediu que o Dia Internacional da Eliminação da Violência contra a Mulher seja aproveitado para acabar com “os danosos estereótipos de gênero que ajudam a perpetuar um clima no qual a violência contra as mulheres é considerada aceitável ou merecida”.
Segundo a responsável da ONU, a violência contra mulheres ou meninas se perpetuou por séculos de dominação masculina e de discriminação de gênero, uma violência “cimentada em normas profundamente arraigadas socialmente”.
“Estas normas só reconhecem valor às mulheres a partir de noções discriminatórias de castidade ou ‘honra’ e são frequentemente usadas para controlar e humilhar não somente as vítimas, mas também suas famílias e comunidades”, explicou.
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