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O garçom autônomo Mário José Cavalcanti Sales, 47 anos, não suportou o aluguel de R$ 380 que pagava por um único cômodo (quarto/banheiro, conjugados) na favela de Paraisópolis (zona sul de São Paulo) e embarcou naquela que, para vários outros amigos dele, seria a grande oportunidade de enfim construir a própria casa: ajudou na ocupação de um terreno que “há anos” estava sem uso. Desde setembro, ele é um dos cerca de 1,2 mil moradores da ocupação “Faixa de Gaza”, na mesma região – ou uma mini-favela dentro da favela.
Assim como Sales, moradores de outras ocupações que reivindicaram resultados da política habitacional do prefeito Fernando Haddad (PT) por meio de um protesto na quinta-feira, no centro de São Paulo, alegaram que a especulação imobiliária em regiões de periferia são a razão principal para as invasões. O grupo é formado em grande parte de nordestinos de Estados como Rio Grande do Norte, Ceará e Alagoas. Figuram entre eles domésticas, pedreiros, garçons e costureiras – praticamente todos, ou maioria, estimam, sem curso superior.
O Terra conversou com moradores das ocupações Nova Deda, Faixa de Gaza e União Palestina, as três da zona sul da capital paulista. Além delas, integram o ato liderado pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) também as ocupações Estaiadinha (zona norte) e Capadócia (zona sul). Ao todo, os organizadores estimam que todas elas representem uma demanda de pelo menos 18 mil novas moradias.
“A Câmara que nos aguarde”, avisa morador
Pai de dois filhos, Sales contou que está há 27 anos em São Paulo. Saiu do Ceará, onde já pagava aluguel, para seguir sem casa própria em território paulista. “Pago aluguel há 30 anos, e, só em Paraisópolis, estou há 13 deles. É uma especulação muito grande, a ponto de eu não aguentar. O que queremos agora é que o prefeito mude o zoneamento lá da região, onde só se pode construir mansões, para que possamos ter nosso canto em paz”, disse. E avisou: “sabemos que quem vota o Plano Diretor que permite essas mudanças de zoneamento é a Câmara. Íamos lá, hoje, mas acabamos vindo para a prefeitura. A Câmara que nos aguarde”, afirmou.
A votação do Plano Diretor estava prevista para o início deste mês, mas acabou adiada para abril.
Moradores fazem ‘rondas noturnas’ contra reintegração
Vizinha de Sales, a costureira Maria Luiza Silva, 36 anos, está há 14 deles em São Paulo – ela é de Natal. Ano passado, contou, não deu conta de sustentar os três filhos pequenos e ainda pagar o aluguel de R$ 620 por três cômodos na favela e foi para a mesma ocupação. “As pessoas da própria favela superfaturaram o preço dos aluguéis, moça, aquilo virou uma covardia”, lamentou.
Integrante da ocupação Nova Deda, sobre a qual os moradores afirmam haver o risco iminente de uma reintegração de posse pedida pelo município, a desempregada Ana Cristina Nascimento, 34 anos, contou à reportagem que o aluguel de R$ 500 que pagava até novembro do ano passado não coube mais no orçamento doméstico. Separada, vivem na ocupação ela e três filhos.
“Quem diz que morador de ocupação é só desocupado não sabe de nada. Quem não quer ter um teto? E a gente ainda vive com medo de uma reintegração – é medo todo dia”, relatou.
Foi justamente o medo de uma reintegração de madrugada – o grande trauma dos moradores, relataram, foi a do Pinheirinho, em 2012, em São José dos Campos – que levou os ocupantes da Nova Palestina a se organizarem em 21 grupos, ou células, para garantir a segurança do grupo. Ao todo, estimam, são mais de 10 mil pessoas lá.
“A gente precisou correr o risco de enfrentar um despejo porque não tinha como pagar aluguel. Eu mesma pagava R$ 500 no Capão Redondo (zona sul de SP) e tenho sete filhos, sou casada… não tem condições. Para muita gente esse valor não pesa, mas, para quem acaba indo para uma ocupação, é muito dinheiro”, declarou a doméstica Maria Quitéria de Oliveira, 47 anos, que há 25 anos deixou Alagoas para viver em São Paulo.
“Na ocupação nós nos ajudamos. Formamos grupos de cinco pessoas para fazer rondas noturnas e para checar se não está havendo brigas entre os moradores, por exemplo. Temos uma cozinha comunitária e muita gente de fora faz doações. Pedimos pelo boca a boca mesmo, e posso dizer: as pessoas são muito solidárias. Só falta mesmo o poder público fazer a parte dele”, definiu a garçonete autônoma Francisca Alexsandra, 43 anos, que trocou o Ceará por São Paulo há 14 anos.
“As pessoas de fora são solidárias com a gente”
“Sandra”, como prefere ser chamada, ainda não mora na Nova Palestina, apesar de participar “de tudo que é possível: protesto, assembleias, mutirão na cozinha e arrecadação de alimentos”. “Estou ajudando porque tenho esperança que logo eu me mude para lá. Não tem por que o prefeito manter um decreto de utilidade pública de uma área onde moram pessoas, para se fazer ali uma praça, se a 50 metros dessa mesma área existe o Parque do Guarapiranga”, completou a garçonete.
Ela se refere ao decreto assinado pelo então prefeito Gilberto Kassab (PSD) transformando a antiga área privada em área de utilidade pública. Segundo o MTST, Haddad teria prometido revogar a medida até janeiro deste ano – quando completou um ano de governo -, o que ainda não ocorreu.
Uma comissão de moradores das cinco ocupações foi recebida por representantes da Secretaria Municipal de Relações Governamentais durante pouco mais de quatro horas. O município ainda não se manifestou oficialmente sobre o caso.
Reúso, a técnica que poderia diminuir o consumo de água em 50%
A crise hídrica está longe de acabar, e o Brasil precisa avançar na adoção do reúso – que permite levar “a água da privada de volta para a torneira”
FONTE DE SEGUNDA, DE PRIMEIRA – Jardim do WTC, complexo comercial de São Paulo regado com água tratada: sustentabilidade (Caio Guatelli/VEJA)
Nos últimos meses, o assunto murchou, por assim dizer, nas conversas do dia a dia. Mas o problema da crise hídrica, especialmente em São Paulo, está longe de ser resolvido. As chuvas que caíram na última semana na capital paulista não alteraram o quadro alarmante. Até agosto de 2014, o nível dos principais reservatórios que abastecem a região metropolitana de São Paulo estava em 23,5%. Hoje, chega a no máximo 21,1%. Responsável pelo atendimento de 5 milhões de pessoas, o Sistema Alto Tietê atingiu em agosto o nível mais baixo desde 2003, de 13,8%. No último dia 3 de setembro, o volume útil do maior reservatório que abastece o Estado do Rio de Janeiro, o de Paraibuna, chegou a 0,83%. Um ano atrás, estava em 11%. A conclusão é – para usar um termo incontornável – cristalina: não há como deixar de economizar água.
O aproveitamento da chuva para irrigar jardins ou limpar áreas comuns reduz o consumo em 26%. A instalação de hidrômetros individuais derruba o valor da conta de água em até 56%. Contudo, independentemente dessas estratégias, é imperioso lançar mão de outro recurso: o reúso. É verdade que, a partir da crise, foi disseminada a prática de reutilização da água do banho e da máquina de lavar para alguns fins específicos, como a descarga sanitária. No entanto, uma vez derramada na rede de esgoto, o entendimento é que aquela água havia se tornado inaproveitável. Nada mais equivocado. Com o tratamento adequado do esgoto, um estabelecimento comercial de grande porte, como um shopping center, pode reaproveitar tão bem a água que o consumo tenderá a cair até 50%.
O reúso é largamente empregado, por exemplo no Estado americano da Califórnia, onde a escassez abriu a possibilidade de levar água “da privada para a torneira”, como os técnicos costumam dizer. De acordo com a legislação local, é permitida a chamada potabilização indireta. Funciona da seguinte maneira: a água tratada é misturada com a das bacias subterrâneas e depois passa para o sistema de abastecimento comum. “Escutamos pessoas dizendo que não querem beber água da privada. Depois de passar por três estágios de purificação, porém, ela sai mais limpa do que a água que não é de reúso e chega a sua casa”, comparou o americano Henry Vaux, professor de economia dos recursos da Universidade da Califórnia. Para motivar a população, Bill Gates, fundador da Microsoft, o homem mais rico do mundo, gravou um vídeo no qual aparece bebendo água produzida em uma estação de tratamento de esgoto. A Fundação Bill & Melinda Gates pretende distribuir miniusinas de tratamento por toda a África.
Em dezembro do ano passado, um projeto enviado à Sabesp pelo professor de hidrologia Ivanildo Hespanhol, da Universidade de São Paulo, defendeu o tratamento de esgoto para solucionar a crise hídrica – e, de quebra, despoluir os rios. Com previsão para entrar em operação daqui a dez anos, ao custo de 3 bilhões de reais, o sistema abasteceria 3,5 milhões de pessoas. De qualquer forma, ao contrário do que ocorre nos Estados Unidos, no Brasil as ações em torno do reúso de água não levam em conta a possibilidade de consumo. O emprego aqui é mais comum em processos industriais, geração de energia, irrigação, jardinagem, limpeza etc. Diferentemente do que se observa na Califórnia, a legislação brasileira não deixa claro o que é permitido ou não nessa frente. De acordo com o advogado Vinicius Vargas, do escritório Barros Pimentel, a lei de saneamento fala sobre água potável, mas não sobre reciclagem. “O saneamento é um serviço público e por isso deve ser especificado em lei para que os agentes possam seguir a mesma fórmula”, explica ele.
Segundo o engenheiro hídrico Thiago de Oliveira, da fornecedora de água de reúso General Water, a prática, na realidade, já existe no país – “Só não é assumida”. Oliveira afirma que um exemplo claro disso é a Represa Guarapiranga, na região metropolitana de São Paulo, rodeada por esgotos irregulares. “Pouco se fala sobre ela, mas 15% do nível da represa é o próprio esgoto voltando para o tratamento”, garante. O engenheiro diz também que a General Water já produziu água potável. “Nos nossos testes, tivemos o mesmo nível de pureza da água que é distribuída para consumo.” Desde o início da crise, a empresa viu a procura pelo seu serviço crescer 100% e teve 30% de aumento no número de clientes. Entre eles, há até um centro administrativo que, com reúso de água e poços artesianos, se tornou totalmente independente da rede pública. A Aquapolo, parceria entre a Odebrecht e a Sabesp, fornecedora do mesmo serviço, abastece o polo petroquímico da região do ABC Paulista, produzindo um volume equivalente ao necessário para o consumo de uma cidade de 500 000 habitantes. Com isso, as empresas da área de Mauá economizam 50% do valor que pagavam antes por água potável.
Para Thiago de Oliveira, aceitar estações de tratamento de esgoto “é adotar um novo modo, mais consciente, de lidar com os recursos hídricos”. Ele observa que o modelo atual mantém a mentalidade no Império Romano, quando se construíam extensos aquedutos para buscar abastecimento em lugares distantes com nascentes puras. O cenário do momento, entretanto, argumenta Oliveira, “pede que a nossa política para o meio ambiente se espelhe no exemplo de Londres, onde o Rio Tâmisa, cuja despoluição levou 150 anos, hoje é povoado por 125 espécies de peixe e voltou a receber os esportes náuticos”.
Curiosamente, ao mesmo tempo em que, no Brasil, é grande a resistência à reutilização de água, a reciclagem do lixo já faz parte das políticas públicas. Segundo Gabriela Yamaguchi, gerente de campanhas do instituto ambiental Akatu, “a água está em outro capítulo da cultura do brasileiro; a reciclagem ficou restrita à categoria das embalagens, por exemplo”. E conclui: “Pelo menos, ao reciclá-las, também estamos economizando água”. Diante dos números da crise hídrica atual, será prudente não demorar a entrar de vez no próximo capítulo.
Fonte: Veja
A gestão eleitoreira da crise da água em São Paulo agrava a situação de um sistema que já está em colapso, de acordo com o professor aposentado da USP Julio Cerqueira César. “O uso do volume morto jogou o problema da água para depois da eleição”, disse o professor no evento “Crise da água: de quem é a culpa?” promovido por CartaCapitalna terça-feira, 9. “O racionamento foi colocada pela Sabesp como uma solução técnica, e o governador adotou uma solução política”, afirma.
Segundo Cerqueira César, a Sabesp, ainda em janeiro deste ano, apresentou ao governo um plano que previa o racionamento, diante do baixo índice dos reservatórios desde então, mas o governador impediu a ação, sob a justificativa de que seria uma medida irresponsável. O racionamento, pelo menos o anunciado oficialmente, tem sido evitado desde maio com o uso da reserva técnica chamada de volume morto. Na primeira etapa, foram 185 bilhões de litros bombeados desta reserva para o consumo de parte da população paulista. Em agosto, no entanto, mesmo com o implemento inicial, a Sabesp precisou captar uma segunda cota deste volume, de mais 100 bilhões.
Atualmente, o sistema Cantareira, responsável pelo abastecimento de água de parte de São Paulo e de Campinas, opera com 10% da sua capacidade. O nível do Sistema Alto Tietê, complementar ao Cantareira, está em 15%. A gestão dos sistemas cabe à Sabesp. O governo de São Paulo indica o presidente da instituição que, por sua vez, nomeia todos os diretores da empresa. Além disso, o estado é o principal acionista da Sabesp, que lucra 10 bilhões de reais por ano. “Desde de o começo, em janeiro, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) assumiu o comando da crise. Ele está conduzindo o problema pessoalmente e politicamente. Ele queria passar a Copa do Mundo e as eleições sem racionamento, e é o que está conseguindo fazer”, diz Cerqueira César.
Falta de investimentos
Além dos baixos índices pluviométricos, atribui-se à crise do abastecimento em São Paulo a falta de investimentos no setor, como a construção de novos reservatórios. “A Sabesp é a 4ª companhia de saneamento básico do mundo, e se considerarmos que opera em apenas um país, ela é a maior do mundo. Até os anos 90, a Sabesp chegou a uma situação invejável”, afirma Cerqueira César. “De 1990 pra cá, os governos se preocuparam apenas com os processos eleitorais. A Sabesp aposentou seus engenheiros sanitaristas e passou a ser comandada por economistas e advogados. Parou de se preocupar com seus usuários e passou a se preocupar com seus dividendos.”
Em 2007, a diretoria da Sabesp já previa o colapso do sistema e o governo do Estado passou a planejar novos reservatórios. Um estudo foi encomendado e o prazo de execução foi estabelecido em 180 dias, mas só foi entregue em 2014, sete anos depois. O resultado é a obra do Sistema Produtor São Lourenço, que está prevista para ficar pronta em 2018.
De acordo com Antonio Zuffo, pesquisador e professor da Unicamp, que também estava presente no evento, o Sistema São Lourenço está sendo projetado para acrescentar 4,7 m³ por segundo de vazão de água ao Sistema Cantareira. “Se acontecer a redução da precipitação em 20 a 30%, que é o que está previsto, o Sistema Cantareira perde 7 m³ por segundo de vazão. Ou seja, o São Lourenço não seria suficiente para compensar a perda”, explica o professor.
Outro ponto levantado é o desperdício que ocorre na distribuição da água. Segundo Zuffo, a Sabesp chega a perder 40% da sua produção. “Se conseguíssemos uma redução de 50% do que é perdido hoje no Sistema Cantareira, seria recuperado o equivalente a quatro sistemas parecidos com o São Lourenço. Conseguiríamos um redução da perda em aproximadamente 10 ou 12 m³ por segundo de vazão. Seria como se colocássemos um sistema que produz 12 m³ por segundo”, diz o pesquisador da Unicamp.
As perdas acontecem porque as adutoras não são fixas e, com a variação de pressão, acabam se deslocando e desgastando nas juntas, o que causa os vazamentos, difíceis de detectar, explica Zuffo. Para César, o prejuízo é inadmissível. “A Sabesp é uma indústria de água potável. A matéria-prima é a água. Se uma empresa particular tivesse um sistema como esse, que perde 40% do seu produto, ela estaria falida”, diz o professor da USP.
Sob a justificativa de impedir essa perda na distribuição, a Sabesp tem reduzido a pressão da água nos canos e algumas residências paulistanas já enfrentam uma espécie de racionamento velado. Em julho, o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) encaminhou à Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp), a Geraldo Alckmin e à Sabesp um documento contabilizando uma média de 14 reclamações por dia de corte no abastecimento de água em residências paulistanas.
Ainda que seja um fator importante, a falta de chuvas ou as variações climáticas não explicam, sozinhas, o colapso do sistema, segundo Zuffo. A alegação de que desmatamento na Amazônia, apontado como causador da baixa precipitação na região do Sudeste, é equivocada. “Em 1953 não havia desmatamento na região, nas proporções que temos hoje, e tivemos período de seca em São Paulo”, esclarece o pesquisador da Unicamp.
O evento “Crise da água: de quem é a culpa?” faz parte da série de debates Diálogos Capitais e contou com a mediação do repórter Fabio Serapião.
Fonte: Carta Capital
A pior seca dos últimos 80 anos provocou mudanças no comportamento na Grande São Paulo. A maioria dos moradores fechou as torneiras e conseguiu reduzir o consumo de água.
Por outro lado, tem muita gente que não economizou e ainda aumentou o gasto de água. Tem gente que acha que pode gastar mais porque “está pagando”. Mas, a maioria dos moradores da região metropolitana já percebeu como a crise é grave.
Ao todo, 76% dos moradores abastecidos pela Sabesp na grande São Paulo seguraram o consumo. E economizaram quase 4 mil litros de água por segundo. Mas, a notícia ruim é que 24% dos consumidores gastaram mais. Muita gente economizou porque diz que a água não está chegando. Mas, teve mudança de comportamento.
Depois da festança, a bagunça de sempre. O que mudou no salão é o jeito de limpar. De uns tempos para cá é só com balde com água, rodo e pano. O resultado da mudança é impressionante.
“A primeira conta eu assustei. Eu achei que tinha alguma coisa errada, eu já peguei as contas, já ia ligar pra Sabesp, fiquei com medo de no mês seguinte vir três vezes o valor” conta Charles Lacerda, dono do salão de festas.
Charles assustou porque a conta de água diminuiu demais mesmo. Em agosto de 2013 ele pagava mais de R$ 140. Um ano depois, caiu para menos de R$ 70. E com o bônus para quem economizou, o valor foi lá para baixo: R$ 47.
“É um hábito que tem que se manter. Não tem mais jeito de voltar atrás não”, afirma Charles.
A mudança de habito no salão resultou também em mudança de lugares. A mangueira que antes ficava na frente e era muito lembrada e usada, agora está no depósito dentro do lixo. Ela está lá porque ela não é usada há, pelo menos, seis meses.
O salão de festas do Charles fica no Jaçanã, bairro da zona norte da cidade de São Paulo onde as pessoas mais reduziram o consumo de água em julho, segundo pesquisa da Sabesp.
O mesmo levantamento também deixa claro que os moradores que mais economizaram vivem nos bairros mais distantes: como Perus, Vila Maria, Freguesia do Ó, Vila Nova Cachoeirinha.
A geografia também revela que os que menos reduziram o consumo estão nos locais mais nobres ou mais centrais de São Paulo, por exemplo, na Sé, no Butantã, na Vila Mariana, nos Jardins.
O que tem a ver com a ocupação desses locais, rebate o presidente da Associação dos Moradores dos Jardins.
“Evidentemente, nessa região há um polo comercial muito grande com hospitais, restaurantes, hotéis”, afirma Fernando José da Costa, presidente da AME Jardins.
Em alguns casos a consciência surge por causa da circunstância. A advogada Melina Elias Pereira diz que não lava mais a garagem de jeito nenhum porque simplesmente não tem água para isso. “Está faltando todo dia. Entre 21h e 22h acaba. Só volta às 6 h no dia seguinte, todos os dias. Já faz uns 3 meses que está todo dia”, conta.
Falando em dia a dia, lembra do salão do Charles lá no Jaçanã? A mudança de rotina ali, afetou também o hábito em casa de todo mundo. Dos funcionários, do patrão, da família do patrão.
Bom Dia Brasil: Só falta dizer que está todo mundo tomando banho rápido na sua casa também.
Charles: É, rápido e com hora marcada.
Jéssica Fagundes da Costa, funcionária do salão de festas: Roupa a gente costumava a lavar durante a semana, agora já lava tudo no final de semana, junta tudo para lavar depois.
Bom Dia Brasil: O que você faz com esse dinheirinho que sobra, que não gasta com a conta de água?
Jéssica Fagundes: Dá para comprar alguma coisa para gente, maquiagem, alguma roupa. É um dinheiro que sobra para a gente.
Milhares de paulistanos afirmam que há falta de água em casa toda a noite e sempre, pontualmente, no mesmo horário. Mas, em nota, a Sabesp reafirma que não há racionamento ou restrição de consumo em nenhuma das 364 cidades atendidas pela empresa.
Fonte: Globo
O governador Geraldo Alckmin (PSDB) disse que não espera racionamento de água neste ano nem em 2015. A declaração foi feita em coletiva de imprensa da Parada Gay.
“Nós esperamos que não tenha nem este ano nem o ano que vem”, afirmou o tucano, depois de ser questionado se haverá o rodízio de água na Região Metropolitana de São Paulo.
Isso, apesar de o reservatório que abastece parte da Grande São Paulo de água não parar de secar. Dados da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) mostram que o Sistema Cantareira atingiu 10,1% de sua capacidade total neste domingo um novo recorde histórico.
No sábado, 3, o patamar era de 10,3%. Uma semana atrás, o índice era um ponto percentual maior: 11,1%. Já no mesmo dia (4 de maio) do ano passado, o volume armazenado era muito maior, de 62,4%.
O governo do Estado de São Paulo informou que a Agência Reguladora de Saneamento e Energia (Arsesp) aprovou a proposta da multa de 30% para quem elevar o consumo de água na Grande São Paulo. Segundo a Secretaria Estadual de Saneamento e Recursos Hídricos, a medida agora está sendo avaliada pela Procuradoria-Geral do Estado antes de entrar em vigor. A intenção do governo é começar a multar os clientes da Sabesp em junho a partir do consumo medido em maio. De acordo com a secretaria, o cálculo será feito a partir da média do consumo mensal realizado em 2013.
Antes da multa, outras alternativas foram colocadas em prática. Neste ano, a Sabesp intensificou a captação de água em outras fontes já disponíveis, como o Sistema Alto Tietê, e deu andamento a projetos para captar água em regiões mais distantes, como o Sistema São Lourenço, no interior do Estado. Além disso, a companhia anunciou no início deste ano a oferta de um desconto de 30% para clientes que reduzissem em 20% o consumo de água.
O governador Geraldo Alckmin anunciou a construção de dois novos reservatórios de água na Bacia dos rios Piracicaba, Jundiaí e Capivari (PCJ) para atender a região metropolitana de Campinas, no interior.
O reservatório Pedreira será construído no Rio Jaguari, entre Pedreira e Campinas, e o Duas Pontes, no Rio Camanducaia, nas cidade de Amparo. O projeto tinha sido anunciado em fevereiro, mas somente agora foi assinado.
A estratégia, segundo Mauro Arce, secretário de Saneamento e Recursos Hídricos, é que com os dois novos reservatórios, que juntos irão armazenar cerca de 67,4 milhões de metros cúbicos de água, a bacia do PCJ não dependa tanto da água do Sistema Cantareira.
O conjunto de reservatórios segue diminuindo e nesta sexta chegou a 10,4% da capacidade. Hoje a região do PCJ capta 3 metros cúbicos por segundo do sistema.
A construção dos dois novos reservatórios ainda depende da elaboração de um projeto executivo que deve ser concluído em 18 meses. Depois disso, serão mais dois anos para a construção
A captação de água do volume morto do Sistema Cantareira ameaça trazer à tona poluentes depositados no fundo das represas, onde se concentram contaminantes que não são tratados por sistemas convencionais para o abastecimento. Três especialistas em biologia e toxicidade em corpos d’água fizeram o alerta ao Ministério Público Estadual (MPE), que abriu inquérito civil para investigar a crise hídrica do sistema responsável pelo abastecimento de 14,3 milhões de habitantes na Grande São Paulo e no interior.
“Quando se cogita fazer o uso do volume morto, por causa das condições emergenciais de necessidades hídricas, antes que esteja disponível para o abastecimento público, deve passar por análise criteriosa e tratamento adequado para atendimento dos padrões normatizados de qualidade de água”, afirmam, em parecer, Dejanira de Franceschi de Angelis e Maria Aparecida Marin Morales, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), e Silvia Regina Gobbo, da Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep).
O documento embasou o pedido feito pelos promotores do Grupo de Atuação Especial do Meio Ambiente (Gaema) para que a Agência Nacional de Águas (ANA), o Departamento de Água e Energia Elétrica (DAEE), a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) e a Companhia do Saneamento Básico de São Paulo (Sabesp) informem quais os critérios de uso do volume morto. O MPE exige quais garantias foram pedidas para não haja movimentação do lodo das represas durante a captação e quais exames de qualidade da água serão feitos.
Segundo as pesquisadoras, “quanto mais baixo o nível dos reservatórios, maior é a concentração de poluentes, recomendando maiores cuidados com seus múltiplos usos”. Entre os elementos citados que contaminam os mananciais há compostos inorgânicos (metais e outros agentes tóxicos), orgânicos altamente reativos com os sistemas biológicos (hidrocarbonetos aromáticos, biocidas e fármacos), microbiológicos (bactérias, fungos e protozoários patogênicos) e vírus.
“Muitos dos poluentes que contaminam os rios apresentam potencialidade de alterar o material genético dos organismos expostos, até mesmo do homem, e, consequentemente, desencadear problemas de saúde, como desenvolvimento de doenças crônicas (tais como alterações nas funções da tireoide, do fígado, dos rins), agudas (tais como intoxicações, alergias, diarreias), degenerativas (Parkinson, Alzheimer etc.) e o câncer”, relataram as pesquisadoras da Unesp e da Unimep.
Para os promotores do Gaema, a mortandade de mais de 20 toneladas de peixe no Rio Piracicaba, em fevereiro, provocada pela baixa vazão do manancial, foi “apenas um dos primeiros indicadores visuais da gravidade da situação, que, se persistir, poderá acarretar em impactos gravíssimos, muitas vezes irreversíveis”. Ontem, diante da situação, o MPE negou à ANA e ao DAEE pedido de prorrogação de 30 dias para que eles respondessem quais critérios serão adotados para a retirada da água do volume morto.
Autorizações. A Sabesp informou que apenas se pronunciará sobre os questionamento após ser notificada pelo MPE. No entanto, a empresa afirmou que tem todas as autorizações ambientais para a execução da obra de captação de água do volume morto.
De acordo com a Sabesp, as obras foram iniciadas no dia 17 do mês passado nas Represas Atibainha, em Nazaré Paulista, e Jaguari, em Bragança Paulista. A intervenção vai custar R$ 80 milhões e será concluída em dois meses. “O volume de água que estará à disposição para abastecimento público é de 200 bilhões de litros. A reserva total é de 300 bilhões de litros”, informou a Sabesp.
Fonte: Estadão
A chuva dos últimos dias ajudou a elevar em 0,2 ponto o nível de água armazenado no Sistema Cantareira, responsável pelo abastecimento de quase 9 milhões de clientes da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) na Grande SP. De sexta-feira (28) para sábado (1º/3), o volume de água passou de 16,4% para 16,6% e voltou ao patamar observado na quinta-feira (27), segundo informações do portal da Sabesp. Apesar da pequena elevação, trata-se do primeiro aumento do índice dos reservatórios desde dezembro do ano passado.
De acordo com os dados da Sabesp, choveu somente 73 milímetros em fevereiro, contra uma média histórica de 202,6 milímetros de chuva do mês.
No começo de fevereiro, a Sabesp anunciou uma campanha para estimular a redução no consumo, oferecendo desconto de 30% na conta de quem economizar 20% do seu consumo de água, devido a falta de chuvas. O desconto vale apenas para os consumidores abastecidos pelo Sistema Cantareira.
A Sabesp informou que a economia de água do Sistema Cantareira foi de 500 litros por segundo entre os dias 2 e 9 de fevereiro, primeira semana em vigor do incentivo financeiro, que concede desconto de 30% nas contas de consumidores que reduzirem, pelo menos, 20% o consumo médio em um período de 12 meses: fevereiro de 2013 a janeiro de 2014. De acordo com a Sabesp, os 500 litros por segundo significam uma economia de 302 milhões de litros de água em uma semana. “É o suficiente para encher 120 piscinas olímpicas”, informou a empresa, em nota enviada à imprensa.
A Sabesp comunicou que a redução aconteceu mesmo com um aumento de 2ºC na temperatura na primeira semana de fevereiro e ressaltou que desenvolve estudos de engenharia para determinar a melhor alternativa para a utilização da reserva técnica do Sistema Cantareira, volume de água que está armazenado na represa Jaguari/Jacareí.
A empresa ainda comunicou que passou a abastecer 1,6 milhão de pessoas com o Sistema Alto Tietê. Dessa forma, esses consumidores deixaram de receber água do Sistema Cantareira. “É importante esclarecer que todos os outros sistemas de abastecimento estão em situação normal”.
A estiagem em rios e reservatórios de São Paulo, causada pela seca atípica, já provoca racionamento de água no interior e abre contagem regressiva para que a crise não se repita na Grande São Paulo. Enquanto a cidade de Valinhos, na região de Campinas, já começou a remanejar o fornecimento entre bairros, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) descartou ontem cortes no abastecimento da Região Metropolitana só até o dia 15, quando se espera a volta das chuvas mais constantes e intensas.
O atual cenário já abriu uma disputa entre o comitê que representa as Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) e a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) pela reserva de água do Sistema Cantareira, que atingiu ontem seu nível mais baixo para o período desde que foi criado, em 1974. As cidades do interior pediram oficialmente aos governos federal e estadual que a Sabesp deixe de usar 6.000 litros de água por segundo do banco de águas (uma reserva estratégica) para garantir o abastecimento da Região Metropolitana.
O pedido foi sugerido pelo Ministério Público Estadual na sexta-feira e aprovado pelo comitê das bacias do PCJ. Ele será analisado hoje pela Agência Nacional de Águas (ANA) e pelo Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE), gestores dos recursos hídricos da Cantareira. Caso seja aprovado, a Sabesp, que pediu a manutenção da captação, terá de racionar o uso de água para os 8,8 milhões de pessoas da Grande São Paulo abastecidas pelo Cantareira, responsável por 47% da oferta da Região Metropolitana
Oficialmente, o comitê pediu uma quebra na regra de distribuição da água do Cantareira, impedindo que a Sabesp use nos próximos dias água do banco, criado para suprir o abastecimento no período seco de inverno, que vai de abril a setembro. Em períodos normais, esse banco estaria sendo recarregado pelas chuvas de verão. Pela regra de operação, com os níveis atuais dos reservatórios, 30 mil litros de água do Cantareira são enviados para a Grande São Paulo e 3 mil litros por segundo para o interior, em uma área com 5,5 milhões de moradores.
No limite
O engenheiro Francisco Lahoz, do órgão que aprovou o pedido, afirma que a Sabesp tem garantido o fornecimento dos 30 mil litros de água por segundo porque está usando a água reservada do banco. A Sabesp informou que não se pronunciaria sobre a proposta. “A medida tem como objetivo evitar o rebaixamento dos reservatórios para um nível menor do que 20%, que inviabilizaria a transposição de água entre eles e afetaria o fornecimento”, disse.
Ontem, Alckmin disse acreditar que o programa que dá desconto de 30% na conta para quem economizar ao menos 20% será suficiente para evitar o racionamento nesta primeira quinzena do mês. “Entendo que, com essa medida tomada, e se nós tivermos chuvas a partir do dia 15, será suficiente. Claro que isso vai depender da resposta da sociedade, que acho que é positiva. Veja que nós já tivemos isso em 2004 e houve uma boa resposta”, afirmou.
Multa
Enquanto nada é definido, o prefeito de Campinas, Jonas Donizette (PSB), determinou que a Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento da cidade (Sanasa) estude medidas de incentivo à economia de água nos moldes do programa da Sabesp e já antecipou de julho para este mês o período em que é proibido usar água para lavar calçadas, sob pena de multa equivalente a três vezes o valor da última fatura de água. “Em razão da gravidade do momento, com a falta de chuvas e o calor intenso, decidimos tomar essa medida.”
A dona de casa Maria Ercília Freitas, de 74 anos, conta que o calor faz com que ela use mais água. “Não consigo mais ficar dentro de casa durante a tarde. Para dar uma refrescada, aproveitei para jogar uma água na calçada”, afirma ela, que agora pode ser multada se voltar a praticar a chamada “vassoura hidráulica”, quando é usada água para “varrer” o chão.
A capacidade nos reservatórios de água do Sistema Cantareira caiu abaixo dos 19% nesta quinta-feira (13) e pela primeira vez na história o nível chegou a 18,8%, segundo a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo(Sabesp). Para a empresa ligada ao governo de São Paulo, essa é uma situação crítica, mas que ainda não exige racionamento na capital.
Esta semana tem sido marcada por quedas diárias da capacidade dos reservatórios de água. No domingo (9), o nível chegou, pela primeira vez, abaixo dos 20%, a 19,8%. A Sabesp ofereceu 30% de desconto para quem economizar – apenas na capital, estão sendo economizados cerca de 500 litros por segundo, segundo a empresa.
Para a Sabesp, a falta de chuva e o calor recorde são os responsáveis pelo nível tão baixo do Sistema Cantareira. “O mês de dezembro de 2013 foi especialmente ruim: teve 62 milímetros de chuva, quando a média histórica é de 226 milímetros. Foi o pior dezembro desde que a medição começou a ser feita, há 84 anos”, aponta a companhia.
Em janeiro, as chuvas que normalmente chegam a 300 milímetros ficaram em 87,7 milímetros. “Além disso, tivemos o janeiro mais quente da história e, como não chove [o que ajudaria a baixar a temperatura], o consumo de água acaba se mantendo em nível elevado o dia todo”, destaca a Sabesp.
Os vazamentos na rede de abastecimento também prejudicam os reservatórios. O G1 criou um mapa interativo para que o internauta aponte onde esse problema está ocorrendo.
Problema localizado
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), comentou na tarde desta quinta-feira sobre a situação na Cantareira. “É um problema bastante localizado. Não tempos problemas na Guarapiranga, no Alto Cotia e nos demais sistemas de água”, disse.
O governador afirmou que uma reunião com a Sabesp nesta quinta irá discutir soluções para o abastecimento. “A Sabesp está estudando o volume morto da Cantareira. São 400 milhões de metros cúbicos de água que não são utilizados porque não tinha equipamento para chegar a essa profundidade”, afirmou. Ele acrescentou que a empresa na reunião deve apresentar quais equipamentos, qual o custo e o impacto desta retirada.
Histórico
Apesar de que, no dia 9 de fevereiro de 2004, o nível do Sistema Cantareira estava em 5,6%, a Sabesp informa “que os níveis foram revisados e, a partir de agosto daquele ano, uma regulamentação determinou que fossem incorporados volumes que antes eram considerados como reserva técnica”.
Portanto, a empresa não contava na medição os 20% que havia no reservatório. “Assim sendo, naquela época, o índice era de cerca de 25%, maior que o atual”, diz.
O sistema
Formado por quatro represas, o Sistema Cantareira é responsável por abastecer casas de mais de 8 milhões de moradores da Zona Norte, do Centro, de pequena parte da Zona Leste e de 11 municípios da Região Metropolitana de São Paulo (Franco da Rocha, Francisco Morato, Caieiras, Osasco, Carapicuíba, Santana de Parnaíba, São Caetano do Sul e parte das cidades de Guarulhos, Barueri, Taboão da Serra e Santo André).
A Sabesp classificou o cenário como “preocupante” e anunciou no dia 1° um desconto de 30% para quem economizar água. Para quem quiser participar, a informação sobre o sistema que abastece a residência está disponível na conta de água.
“Nos demais [sistemas], mantém a tarifa normal, porque choveu na média e os sistemas se recompuseram”, disse a presidente da Sabesp, Dilma Pena, em entrevista coletiva. “Vamos ter um impacto no faturamento que ainda não mensuramos. E faremos a gestão disso.”
O desconto será válido de fevereiro a setembro, exceto para Santana de Parnaíba, onde a política vai de março a setembro, “por uma questão específica do sistema”, segundo Dilma.
A presidente da Sabesp também afastou a possibilidade de racionamento. “Não estamos pensando em racionamento. Ele não está no nosso radar”, disse. Segundo ela, o desconto deve vir já na próxima conta de água recebida pelos consumidores.
A estratégia é similar à usada em 2004, quando já houve desconto na conta para quem economizou água. Desta vez, no entanto, o consumidor pode ter um abatimento ainda maior. Quem diminuir o consumo em cerca de 20% terá 30% de desconto na fatura.
“Como tivemos um índice pluviométrico baixíssimo em janeiro, a Sabesp está adotando um incentivo econômico para que a população poupe água. O consumidor que reduzir 20% de seu consumo, tendo como referência a média dos últimos 12 meses, terá uma redução na tarifa de 30%. Isso tem um impacto significativo na conta de água. Como ele reduz o volume, e a estrutura tarifária é por faixa de consumo, então ele tem uma redução real ainda maior”, afirmou a presidente da Sabesp.
Dilma explicou que a média de consumo diário é de 161 litros por habitante na região metropolitana de São Paulo. A campanha pede que esse valor seja reduzido para 128 litros, ou cerca de 20%.
“É um incentivo econômico para que, nessa situação crítica, a população faça a adesão. Temos certeza que a população vai aderir e acatar o chamamento. Não dá para encher a piscina e tomar um banho de 30 minutos. Mas dá para fazer todas as atividades”, ressaltou.
A presidente da companhia explicou que o desconto real na conta dos consumidores que aderirem à economia pode ser ainda maior que os 30%, já que ele será aplicado sobre o valor já menor. “Com a redução, passa a haver uma tarifa de 30,9%. Mas, por mudar de faixa, a redução real será de 48%.”
A conta do cliente abastecido pelo Sistema Cantareira terá um informe com a meta de redução a ser atingida, segundo a Sabesp.
Saiba como economizar
Para economizar água, a Sabesp recomenda que o consumidor adote algumas atitudes diárias. Veja abaixo:
– Tome banhos rápidos e feche a torneira ao se ensaboar;
– Lave a louça de uma vez e feche a torneira ao ensaboá-la;
– Não lave a calçada nem o quintal, use a vassoura;
– Ao lavar o carro, use um balde;
– Acumule roupas para lavar na máquina de uma vez só;
– Deixe a torneira fechada ao escovar os dentes e fazer a barba.
Outro fator que colabora para o desperdício de água são os vazamentos. A Sabesp oferece um curso gratuito que ensina práticas simples para identificar possíveis problemas em instalações hidráulicas. O programa é aberto ao público em geral e é ministrado nos períodos da manhã e da tarde.
Os participantes recebem uma cartilha explicativa ilustrada e um certificado de conclusão.
Quem se interessar deve procurar a regional da Sabesp mais próxima de sua residência.
O Ministério Público Estadual (MPE) instaurou um inquérito civil para investigar suspeita de favorecimento de empresas em contratos feitos pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) no programa de redução de perdas de água. A concessionária investiu cerca de R$ 1,15 bilhão entre 2008 e 2013 para diminuir o desperdício na rede de distribuição, mas não atingiu as metas estabelecidas pela Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp). Além da Sabesp, outras 13 empresas são alvo da apuração.
O inquérito foi aberto em abril pelo promotor Marcelo Daneluzzi, do Patrimônio Público e Social, em meio à crise de abastecimento do Sistema Cantareira. Além do índice de perdas de água acima da meta, revelado pelo Estado em fevereiro, o promotor considerou indícios de irregularidades nos contratos e informações obtidas a partir de uma denúncia anônima de um suposto ex-funcionário da empresa. Ontem, a Sabesp informou desconhecer o teor da denúncia (leia abaixo) .
Além da concessionária, as empresas representadas são: BBL Engenharia Construção e Comércio Ltda, Enops Engenharia Ltda, Enorsul Serviços em Saneamento Ltda, Ercon Engenharia Ltda, Etep Estudos Técnicos e Projetos Ltda, Job Engenharia e Serviços Ltda, Opertec Engenharia Ltda, OPH Engenharia e Gerenciamento Ltda, Cia Brasileira de Projetos e Empreendimentos (Cobrape), Restor Comércio e Manutenção de Equipamentos Ltda, Sanit Engenharia Ltda, Sanesi Engenharia e Saneamento Ltda, e VA Saneamento Ambiental Ltda.
A suspeita do promotor é de que tenha havido “direcionamento em favor dessas empresas, mediante exigências de certificação elaboradas por entidade de classe formada pelas próprias empresas” – no caso, a Associação Brasileira de Ensaios Não Destrutivos e Inspeção (Abendi). Para Daneluzzi, “a situação indica possível irregularidade administrativa, noticiando direcionamento contratual e absoluta falta de eficiência administrativa do programa”.
Entre 2008 e 2013, o índice de perdas de água na rede da Sabesp caiu 8,5%, de 34,1% do volume produzido para 31,2%. Apesar da redução, o índice que mede a quantidade de água desperdiçada entre a estação de tratamento e a caixa d’água dos imóveis, ficou acima da meta de 30,5% estabelecida pela Arsesp, que fiscaliza o serviço. A média nacional de desperdício efetivo é de 38,8%. Somente no ano passado foram perdidos 924,8 bilhões de litros, quantidade próxima da capacidade máxima do Cantareira: 981,6 bilhões
A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) informou em nota que precisaria conhecer a origem das informações que deram base à abertura do inquérito pelo Ministério Público Estadual (MPE) para se manifestar a respeito e afirmou que “o índice de perdas físicas (vazamentos) da empresa é de 20,3%”.
“Com os investimentos do Programa de Redução de Perdas, nos últimos dez anos, o índice caiu 8 pontos porcentuais, enquanto a Itália tem índice de 29%, a França tem 26% e o Estado da Filadélfia (EUA) tem 25,6%. Existem também perdas que impactam o faturamento, como hidrômetros danificados, ligações irregulares e furtos”, informou a Sabesp.
A companhia disse que o Programa de Redução de Perdas de Água, criado em 2007, tem recursos previstos de R$ 5,9 bilhões para troca de ligações domiciliares, hidrômetros e redes de água e também serão pesquisados vazamentos não visíveis em 150 mil quilômetros de redes. Além disso, diz que tem contrato com a Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA) para investimentos e transferência de tecnologia.
Em nota, A BBL Engenharia afirmou que os contratos celebrados com a Sabesp “foram executados no estrito rigor do escopo e dos prazos definidos nos instrumentos de contratação e com a alta qualidade que sempre caracterizou os serviços” da empresa e aguardará a oportunidade para esclarecer as questões levantadas.
A Cobrape afirmou ser “empresa com conhecida experiência em saneamento e recursos hídricos, e seus contratos com a Sabesp são diligentemente cumpridos”. Segundo a empresa, a Associação Brasileira de Ensaios não Destrutivos e Inspeção (Abendi) não é associação de classe nem é formada por empresas”, segundo indício levantado pelo Ministério Público.
O advogado da OPH Engenharia, Fabio Menna, afirmou que a empresa “se sente surpresa” com a notícia do inquérito e “se coloca à disposição para eventuais esclarecimentos”. Ele disse que a empresa é “idônea” e que “nunca sofreu qualquer tipo de sanção por irregularidades seja por infrações contratuais ou técnicas”.
O advogado da Enorsul, Marcelo Leonadro, afirmou que a empresa “trabalha exclusivamente na prestação de serviço técnico para idenfitifcar vazamento na rua e foi contratada por pregão eletrônico com preço fixado pela Sabesp”.
O sócio da Ercon Engenharia, Isaac Zingerevitz, afirmou que “nada tem a temer quanto a eventuais investigações referentes a serviços de detecção de vazamentos” e os resultados apresentados pela empresa à Sabesp “sempre foram a contento”. Procuradas pela reportagem, Enops, Etep, Opertec, Job Engenharia, Sanit, Sanesi, Restor e VA Saneamento Ambiental não se manifestaram.
Após relatos de falta d’água em diversos bairros da zona norte de São Paulo, a zona oeste também começou a registrar interrupções no abastecimento. Moradores e comerciantes da Lapa relatam problemas no fornecimento há cerca de três semanas. A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), no entanto, nega a ocorrência de racionamento ou rodízio de água.
“Desde o último sábado, estamos com o abastecimento reduzido: apenas uma hora pela manhã e uma hora no fim da tarde. Estou tendo de driblar as caixas para manter os apartamentos com água”, afirma Luís Henrique Oseliero, síndico de um conjunto de duas torres residenciais na Rua George Smith, em que vivem cerca de mil pessoas.
No entanto, o trabalho do síndico não foi suficiente para manter todos os apartamentos abastecidos na manhã de ontem. “Um morador me ligou reclamando que não havia mais água e que ele teria de sair sem escovar os dentes. Mas já ligamos várias vezes para a Sabesp, e eles continuam dizendo que não há racionamento”, relata.
Nas quadras próximas ao condomínio, estabelecimentos comerciais enfrentam o mesmo problema. Em um bar da Rua 12 de Outubro, o abastecimento tem sido interrompido por volta das 18h, de três a quatro vezes por semana, segundo o gerente. “Até as 23h, ficamos com a água armazenada da caixa d’água. Depois, volta durante a madrugada”, diz Paulo Sérgio de Maria.
Ele afirma não ter procurado a Sabesp para saber o que acontece por acreditar que se trata de racionamento. “A gente sabe que é isso. E, como não chegou a faltar água na torneira ainda, não liguei. Mas as moças que trabalham nas lojas aqui perto estão reclamando muito”, relata.
Em uma padaria na Rua Clemente Álvares, o problema começou na semana retrasada. Segundo um dos proprietários do estabelecimento, que prefere não se identificar, o abastecimento costumava ser interrompido à noite, mas na terça-feira faltou água durante o dia. “Quando falta durante o dia, ‘me quebra as pernas’. O que todo mundo está falando é que não tem mais água na Lapa mesmo.”
Morador do Butantã, também na zona oeste, ele contou ainda que a Sabesp tem interrompido o fornecimento na sua casa diariamente, da 0h às 4h.
A companhia diz que, “por causa de manobras técnicas operacionais para a transferência de vazões dos Sistemas Guarapiranga e Alto Tietê para atendimento de alguns bairros, atualmente abastecidos pelo Sistema Cantareira, podem ocorrer eventuais momentos de desabastecimento, especialmente nos pontos altos”.
Previsão.
A Sabesp afirma que, com o uso do volume morto, a partir desta quinta-feira, somado à previsão de que haverá até setembro, período da seca, o mínimo de chuvas dos últimos 80 anos, será possível chegar até outubro, início do período de chuvas, sem a necessidade de decretar o racionamento de água na cidade.
Uma falha nas portas de um dos trens da Linha 3-Vermelha do Metrô paralisou o ramal em dez das 18 estações, na noite de 4/2/14. Por causa do calor e da superlotação, usuários que esperavam mais de 20 minutos para seguir viagem acionaram os botões de emergência para abertura de portas de sete composições diferentes. Houve tumulto e pânico entre os passageiros. Os trens circularam apenas entre as Estações Corinthians-Itaquera e Tatuapé. Na confusão, seguranças do Metrô agrediram passageiros na Estação Sé. Houve tumulto e depredação na plataforma. Reforço policial foi solicitado pela direção da empresa. Milhares de usuários tiveram de caminhar pelos corredores estreitos ao lado dos trilhos. Ao redor das Estações Marechal Deodoro, Santa Cecília, República e Anhangabaú era possível ver passageiros chorando e passando mal. Na Sé, passageiros foram socorridos pelos bombeiros. “Foi muita gente espremida na multidão”, disse um segurança do Metrô. O auxiliar administrativo Mauro André de Souza Pereira, de 29 anos, tentava voltar para casa do trabalho, quando enfrentou a pane. “Na Marechal Deodoro, o trem ficou parado por uns 40 minutos. Quando saiu, antes de chegar à Estação Santa Cecília, parou de novo. Tudo fechado. Comecei a transpirar, a ter problema de pressão, foi horrível”, contou. Pereira disse que chegou às 18h à Estação Barra Funda e esperou por 35 minutos para embarcar. Segundo ele, o trem em que estava parou duas vezes até chegar a Santa Cecília. Sem ar-condicionado e com a circulação paralisada, os passageiros quebraram o lacre de emergência e saíram do trem. Na Estação Anhangabaú, Nataly Castro também relatou a confusão entre os usuários. “Estava tão cheio que já tinham vetado o acesso dos passageiros na linha porque não tinha lugar na plataforma. Não tinha mesmo. Já na Sé, eles diziam que havia um problema na República. Os seguranças tiveram de sair da estação, porque as pessoas estavam agressivas, ficaram nervosas”, afirmou. A Estação Sé teve a situação mais tensa. Segundo passageiros, seguranças da empresa tentaram restabelecer a operação ao fazer os usuários voltarem para um dos trens parados ali, que vinha do Anhangabaú. Foi quando os passageiros que passavam mal se recusaram e houve briga. A estação teve placas indicativas e vidros quebrados. Passageiros chutaram as latarias e as janelas do trem. Em meio à briga, mulheres tentavam subir as escadas superlotadas. O acesso às plataformas da Linha 1-Azul teve de ser fechado. À noite, ao Jornal da Globo, o secretário dos Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes, acusou a ação de “grupos organizados”. “Havia pessoas gritando palavras de ordem em meio ao tumulto”, disse. Segundo ele, tudo vai ser apurado. Frota K. O presidente do Sindicato dos Metroviários, Altino de Melo Prazeres, disse que o trem que provocou a pane é o veículo K-07. A composição faz parte de um lote de trens reformados a partir de 2008 pelo Metrô cujos contratos foram cancelados na segunda-feira, 3, pelo Ministério Público Estadual, que considerou a reforma “danosa” ao Estado, uma vez que os trens vêm apresentando problemas. O Metrô foi questionado sobre o trem K-07 e não respondeu até 23h30. Em nota, a empresa disse que o problema no primeiro carro foi na Sé e se resolveu em 8 minutos, mas “alguns usuários permaneceram nas passarelas de emergência”. Linha 4. O caos na Linha 3 foi a segunda falha ontem no sistema. À tarde, uma pane elétrica havia afetado o serviço da Linha 4-Amarela (Luz-Butantã), provocando o fechamento das Estações Luz e República. A ViaQuatro afirmou que houve uma falha elétrica externa.
Os jovens da nova classe média brasileira (classe C) têm um poder de consumo de R$ 129,9 bilhões, de acordo com um estudo feito pelo Instituto Data Popular e divulgada nesta segunda-feira. Esse valor representa mais que a soma dos jovens das classes alta e baixa juntos, que possuem, respectivamente, R$ 80 bilhões e R$ 19,9 bilhões. A constatação foi feita no estudo “O rolezinho e os jovens da classe média”.
De acordo com o presidente do instituto, os participantes dos rolezinhos se reúnem nos shoppings que já estão acostumados a frequentar. “Barrar este público é um erro, já que se trata de dizer para uma importante parcela de consumidores que eles não são bem-vindos”, disse Renato Meirelles. Segundo ele, boa parte desses jovens está usando roupas de marca que compraram no próprio shopping.
O levantamento do Data Popular apontou que o Brasil tem atualmente 30,7 milhões de jovens com idades entre 16 e 24 anos. Destes, 16,6 milhões foram ao shopping pelo menos uma vez no último mês. A média mensal é de 3,3 vezes. Os jovens da classe C representam cerca de 9 milhões neste número.
“Pesquisamos também a perspectiva de consumo nos próximos meses desse segmento da sociedade e o levantamento revelou que 15% dos jovens da classe média (2,8 milhões) têm intenção de comprar um notebook, enquanto que 11% (2,1 milhões) desejam adquirir um smartphone, e outros 11%, um tablet. Hoje, mais da metade (55%) dão mais valor a marcas e qualidade quando vão às compras do que em anos anteriores”, explica Meirelles.
Para a realização da pesquisa, foram entrevistados 1,5 mil jovens entre 16 e 24 anos entre os dias 20 de novembro e 3 de dezembro.
Em um evento criado nas redes sociais, jovens do País inteiro estão sendo convidados para fazer parte de um “rolezinho” nacional marcado para o dia 1º de fevereiro. Classificando a proposta de manifestação como “maior rolé do mundo”, os autores da página no Facebook planejam reunir centenas para protestar “contra a brutal e covarde ação diária da polícia militar (sic) no Brasil, seja nos shoppings ou nas periferias”.
A proposta vai “contra toda forma de descriminação aos jovens, pobres e negros” e pretende agrupar “a Favela e a Orla, a Rua e o Condomínio”. Os organizadores do evento pedem que os participantes “postem os rolezinhos que vao rolar ja nos proximos finais de semana e remarquem tbm pra dia 1º de fevereiro (sic)”.
Confira na íntegra o convite do evento:
“Contra toda forma de descriminação aos jovens, pobres e negros, em especial contra a brutal e covarde ação diária da polícia militar no Brasil, seja nos shoppings ou nas periferias.
VAMO COLA NO MAIOR ROLÉ DO MUNDO!
Postem os rolezinhos que vao rolar ja nos proximos finais de semana e remarquem tbm pra dia 1º de fevereiro.
Vamos convidar todos os nossos amigos chamar a Favela e a Orla, a Rua e o Condomínio pra colar nesse rolezão!”
Além do Shopping Leblon, que já havia avisado que não funcionaria em 19/1/14, o shopping Rio Design Leblon também não abriu as portas por causa do “rolezinho” marcado para ter início às 16h20
Uma das entradas do Rio Design, na Avenida Ataulfo de Paiva, no bairro da zona sul do Rio, foi completamente coberta com tapumes a fim de evitar atos de vandalismo. Um aviso informava aos clientes que as atividades serão retomadas apenas amanhã.
“Acabou o último lugar onde a gente tinha sossego”, disse uma mulher após ler o aviso, mas que não quis se identificar.
Até a noite deste sábado, mais de 9 mil pessoas haviam confirmado presença pelo Facebook no “rolezinho” de protesto marcado para ocorrer no Shopping Leblon, um dos mais luxuosos do Rio.
É grande a quantidade de policiais militares e guardas municipais ao longo de toda a Avenida Afrânio de Melo Franco, onde ficam o Shopping Leblon e o Rio Design. A segurança também está reforçada na Rua Aristides Espínola, onde fica a residência do governador Sérgio Cabral, e na Avenida Delfim Moreira, já que após a administração do Shopping Leblon obter, na última quinta-feira, liminar na Justiça para impedir o “rolezinho” em suas dependências, foi convocado um evento semelhante com a presença de black blocs, nas imediações da residência do governador.
Até as 15h50, não havia qualquer sinal de manifestantes pelas ruas do Leblon.
Criado em resposta à lei que proíbe bailes funks nas ruas da capital paulista, os encontros marcados pela internet por fãs do estilo musical em shoppings estão se espalhando pelo País.
Nesses encontros, apelidados de “rolezinhos” e embalados pelo funk estilo ostentação (que faz apologia a bens materiais), jovens, majoritariamente negros e de periferia, reúnem-se nos corredores dos centros comerciais para “zoar, pegar geral, se divertir etc”, como definido nas redes sociais.
Inspirados por esse fenômeno, que tem dividido opiniões, seis adultos de Salvador resolveram promover, no Shopping Barra, a versão baiana do “rolezinho”.
No Facebook, a página do evento (“Rolezinho das Antigas”), contava com 528 presenças confirmadas até as 22h de sexta-feira.
Motivações
Em conversa com A TARDE, quatro dos seis organizadores do encontro explicaram os motivos que provocaram a convocação.
Os universitários Maria Hortência Pinheiro, 22, e Alan Valadares, 24 – ligados ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB) -, participaram, em junho, das manifestações que ocuparam as ruas do País. Porém, fazem questão de diferenciar os dois fenômenos.
“São dois movimentos totalmente distintos. Quem hoje condena o rolezinho, estava na rua em junho. A burguesia também estava se manifestando”, disse Maria.
Para Valadares, a rejeição de agora é motivada pelo que chama de “preconceito racial e socioeconômico”.
“Esse preconceito está presente no dia a dia. A reação que a classe média tradicional teve diante desses jovens só reforça isso”, afirmou.
Pacifismo
Já o bancário Álvaro Queirós e a professora Marijane Correia, 36, afirmam que, a princípio, o objetivo era impactar, mas que o desenrolar da polêmica mudou os rumos do “rolezinho” soteropolitano.
“A ideia é rever os amigos antigos, que, na década de 1990, davam rolé (sic) no shopping. Queremos nos divertir, na paz, para mostrar que todos podem ser incluídos nos ambientes”, disse Marijane.
Medo
Controverso, o “rolezinho”, assunto garantido em rodas de conversas, causam temor a clientes de shoppings.
É o caso da recepcionista Priscila D’Almeida, 23. Para ela, alguns grupos se aproveitam da situação para fazer baderna, pondo em risco a integridade dos clientes.
“Se eu estiver com minha avó, enquanto promovem uma correria para assustar alguém, ela pode se ferir gravemente, por exemplo”, diz.
Posicionamentos
O Shopping Barra informou, em nota enviada pela assessoria, que “em acordo com o art. 5º da Constituição Federal, o estabelecimento respeita a liberdade de expressão e reunião pacífica, assim como preza pela integridade, segurança e bem-estar de todos os seus frequentadores e corpo de funcionários”.
A direção do centro comercial não confirmou se vai aumentar o número de seguranças na data do encontro.
Também por meio de nota, a Polícia Militar afirmou estar “acompanhado a movimentação, através do Serviço de Inteligência”. Segundo a corporação, “caso haja alguma necessidade de intervenção, essa será realizada dentro dos aspectos da legalidade e rigor previstos em lei”.
O coordenador regional da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), Edson Piaggio, afirmou preferir que os adolescentes “não frequentem os centros, caso queiram gerar desordem”.
Para ele, “melhor seria que fossem feitos rolezinhos para doar sangue ou para limpar as praias”.
O “rolezinho” marcado para este domingo no Moinhos Shopping, em Porto Alegre, teve um número de participantes semelhante ao número de jornalistas enviados para cobrir o evento. Setenta e sete pessoas estavam confirmadas no evento no Facebook – que foi denunciado e apagado pela rede social quando tinha mais de 500 confirmados -, mas aproximadamente 20 pessoas se reuniram com os organizadores para caminhar pelo shopping e cantar funk – sem ostentação.
Às 16h20, horário marcado para a reunião, menos de 10 pessoas estavam reunidas do lado de fora para o evento. Centenas de outros frequentadores estavam no shopping, que tinha quase todas as lojas abertas. Os cinemas do Moinhos costumam lotar nos domingos, e não foi diferente neste. Havia uma tensão evidente entre seguranças e funcionários do shopping, que não se refletia entre os lojistas e frequentadores. Seguranças interpelavam repórteres que tiravam fotos e chamavam funcionários do marketing para autorizá-los. “A intenção é preservar os frequentadores”, disse um deles.
O Conselho Tutelar foi chamado. “Tivemos denúncias de moradores do Moinhos, preocupados com os ‘favelados’ e ‘maloqueiros’ que viriam ao shopping. É lamentável essa postura. Os rolezinhos sempre existiram, os jovens estão aqui para debater seu cotidiano, e nós estamos aqui para fiscalizar”, disse Cristiano Pinto, da Microrregião do Centro.
Fábio Fleck mostrava-se preocupado com a discriminação aos eventuais frequentadores, e também com as punições previstas. A juíza Cleiciana Guarda Lara Pech, a pedido da administradora do Moinhos Shopping, decidiu que os organizadores do “rolezinho” deveriam “abster-se de qualquer tipo de manifestação”, incluindo “consumir produtos adquiridos fora do estabelecimento” – na página do Facebook, alguns manifestantes falavam em comer pão com mortadela na praça de alimentação. As vitrines das joalherias próximas à entrada do Moinhos Shopping estavam vazias.
“Parece que somos vagabundos que querem quebrar o shopping. O que tá se provando é o contrário. Se acontecer algum prejuízo, eu serei o culpado e vou pagar, mas não estou preocupado”, disse o organizador Fábio Fleck. “É decepcionante que tem mais policiais que manifestantes. Não somos sequer um movimento: somos um grupo de pessoas que se reuniu pelo Facebook”. Quando perguntado sobre a baixa adesão, Fleck afirmou que não se preocupava. “Sempre falei que viria quem quisesse”, afirmou.
Quando entraram no shopping, os organizadores do “rolezinho” foram escoltados por um batalhão de fotógrafos e repórteres. Enquanto davam entrevistas, chegou outra turma: cerca de 10 pessoas com camisetas da União da Juventude Socialista (UJS), movimento estudantil ligado ao PCdoB. Cantando sucessos do funk como “Glamurosa”, “Bumbum na Água” e “Quadradinho de Oito”, os jovens passaram por três andares do shopping, acompanhados por jornalistas e seguranças. Alguns funcionários fecharam as portas das lojas. “Houve uma orientação de fechar em caso de tumulto. Mas nós sempre fechamos quando entra muita gente ao mesmo tempo. Não é discriminação”, disse Silvana, funcionária de uma loja de roupas.
“Existe a discriminação da galera que tem a grana, discriminando quem não tem. Só porque cantamos funk? É um espaço da elite, mas que a periferia tem que frequentar com naturalidade”, disse Ismael Cardoso, estudante da USP, dentro de uma loja da All-Star. Ismael participou de “rolezinhos” também em São Paulo. “Lá, eles foram acusados de vandalismo e decidiram ir para o Ibirapuera. Vão quebrar as árvores?”, afirma.
O espanhol Gonzalo Durán, morador de Porto Alegre há 15 anos, acompanhou o “rolezinho” por curiosidade. Ele foi comprar um cooler para seu notebook. “Acho que pessoas que fazem distúrbios devem ser enquadradas na Justiça, mas também tem muitas pessoas de terno e gravata que incomodam a paz das favelas, com desapropriações para a construção civil…existem outros tipos de rolés violentos. Tomara que esse esquema de segurança também sirva para prender os delinquentes de colarinho branco”, afirmou.
Um “rolezinho” acabou por se transformar em protesto no Shopping Plaza, em Niterói (RJ), no final da tarde de 18/1/14. O ato começou por volta das 19h10 e acabou às 20h40. Ao contrário do “grito de liberdade” da periferia que marcou os atos de São Paulo, o tom foi político, com gritos contra o governador Sérgio Cabral e o tradicional “não vai ter Copa (do Mundo)”.
Logo no início do ato, ocorreu um princípio de confusão, com manifestantes tentando entrar em lojas, e seguranças impedindo, além de correria no prédio. Assustados, muitos clientes do shopping entraram nas lojas, com medo. “O que é isso que está acontecendo”, perguntava a dona de casa Simone Barbosa, ao lado da neta, Sofia, que chorava, com medo. Não houve, contudo, nenhum ato de violência e a Polícia Militar sequer se fez presente nas mediações do Shopping Plaza.
Cerca de 30 pessoas participaram. Eles tentavam entrar nas lojas alegando o direito de ir e vir, mas eram impedidos pelos seguranças. Muitos estabelecimentos fecharam as portas. Diversos curiosos se aglomeraram nas escadas rolantes, que foram paralisadas durante o “rolezinho-protesto”.
“Eu acho justo protestar, mas não acredito que esteja acontecendo qualquer ato de racismo aqui dentro”, opinou o publicitário Alexandre Lima. Nenhum ato de vandalismo ocorreu durante o manifesto do grupo.
Os manifestantes gritavam ainda frases “estamos na rua e a luta continua” e “amanhã vai ser maior”. Eles cantaram funks antigos do Rio de Janeiro e foram acompanhados todo o tempo por cerca de 20 seguranças, muitos deles à paisana. “Ih, vai fechar, ih, vai fechar”, gritavam, sempre que os comerciantes baixavam as portas com a aproximação do grupo.
O tom político do ato ficou reforçado pela liderança do cantor e compositor PH Lima. Figura conhecida das manifestações que ocorreram no ano passado, ele foi candidato a vereador de São Gonçalo pelo PSOL, participou da invasão da Câmara Municipal de Niterói, também no ano passado, e chegou a ser detido. Em toda a manifestação, porém, apenas cantava e proferia palavras de ordem.
“Se fosse um bando de playboyzinho, como colocam nos filmes, aquela loja ali não estaria fechada”, apontou PH Lima, 25, para um dos estabelecimentos que fechou as portas naquele momento. “Tenho certeza que aqueles vendedores não recebem nem 1% do lucro da loja. Não estamos quebrando nada, Niterói está com uma cárie que se chama racismo”, completou em um dos seus discursos.
Alguns vendedores chegaram a protestar contra o ato. Um deles chegou a fazer um cartaz: “Eu ganho por comissão, obrigado, rolezinho”. Os manifestantes quiseram tirar satisfação e houve um novo princípio de confusão, rapidamente contido pelos seguranças. O mesmo ocorreu quando o grupo tentou entrar no café Starbucks.
“Não acho justo, também tenho que pagar aluguel, e estou deixando de ganhar nesse momento. Todo mundo tem direito de se manifestar, mas não pode prejudicar os outros”, afirmou o vendedor Anderson Azevedo.
Muitos jornalistas, em especial os que portavam câmera fotográfica ou de vídeo, foram impedidos de entrar no local, inclusive o repórter fotográfico do Terra Mauro Pimentel. O shopping fechou as portas tão logo o “rolezinho” teve início. Após o ato, a assessoria de imprensa do Shopping Plaza soltou a seguinte nota:
“O Plaza Shopping Niterói informa que, na tarde deste sábado, dia 18, foi necessário interromper as atividades do centro de compras temporariamente. A medida adotada pelo empreendimento fez parte do pla
O shopping de luxo JK Iguatemi, na zona oeste de São Paulo, fechou as portas na tarde deste sábado diante da promessa de mais um “rolezinho” organizado por jovens. Com faixas e instrumentos musicais, o movimento deste sábado ganha um tom mais político e reivindicatório do que os atos anteriores.
“Basta de Apartheid. Fim do genocídio ao povo negro”, dizia uma das faixas. A reclamação é pelo fato de a administração do shopping JK ter conseguido, no último sábado, uma liminar proibindo um “rolezinho” já agendado pelos jovens. De acordo com a decisão, o evento denominado “Rolezaum no Shoppim” foi proibido e a pena para cada manifestante identificado seria uma multa de R$ 10 mil por dia.
Outra faixa do evento, escrita em inglês, dizia que “No País da Copa do Mundo, shoppings racistas proíbem a entradas de pessoas negras e pobres”. Com gritos de guerra, que em nada lembram os “rolezinhos” registrados na periferia da capital, os jovens criticam o posicionamento do estabelecimento comercial: “chega de Apartheid, é ‘rolezinho’ nos shoppings da cidade”.
Antes da chegada dos manifestantes, o shopping funcionava normalmente.
Racismo
Entre os participantes do movimento está um advogado que disse representar os jovens. Elizeu Soares Lopes sugeriu aos manifestantes que deixassem os instrumentos de lado e, em fila, entrassem no shopping. Diante da recusa dos seguranças em deixar o grupo passar, Elizeu alegou estar sofrendo crime de racismo, já que ele é negro.
O advogado e outros jovens deixaram o local e foram até o 96º DP, na avenida Luís Carlos Berrini, para registrar um boletim de ocorrência por “racismo, constrangimento ilegal e imputação de prática criminosa”. “Eles estão achando que a gente vai cometer algum crime, antes disso acontecer”, criticou o advogado.
Posição do shopping
O Shopping Center JK Iguatemi, em nota, aponta que “respeita manifestações democráticas e pacíficas, mas o espaço físico e a operação de um shopping não são planejados para receber qualquer tipo de manifestação. Com o compromisso de garantir a segurança de seus clientes, lojistas e colaboradores, e de acordo com procedimento padrão utilizado em situações semelhantes, o empreendimento interrompeu temporariamente suas atividades neste sábado, 18 de janeiro”.
Polêmica
Os “rolezinhos” ganharam repercussão em todo o Brasil por causa das tentativas dos estabelecimentos comerciais em impedir o ingresso de jovens nos prédios, mesmo que, em alguns casos, nenhum crime fosse cometido. Ontem, a juíza Isabela Pessanha Chagas, da 14ª Vara Cível do Rio de Janeiro proibiu o “rolezinho” marcado para este final de semana no Shopping Leblon.
A decisão da magistrada diverge da assinada pelo juiz Alexandre Eduardo Scsinio, de Niterói, que indeferiu pedido de liminar para impedir o evento no Plaza Shopping. No Estado de São Paulo, o Ministério Público abriu uma frente com cinco promotorias para tentar mediar a relação entre os jovens, o poder público e os donos de shopping centers. A Justiça já vetou ao menos mais um “rolezinho”, no Tatuapé, marcado para este fim de semana. No entanto, pelas redes sociais, há encontros marcados para outros locais, incluindo o shopping JK Iguatemi e o Parque do Ibirapuera.
Os shoppings Metrô Tatuapé e Boulevard Tatuapé, que compõem o Complexo Comercial do Tatuapé, em São Paulo, conseguiram liminar na Justiça nesta quinta-feira proibindo “rolezinhos” em suas dependências até o fim de fevereiro. Segundo a decisão da Justiça, há eventos marcados pela internet para acontecerem no local no próximo sábado, no dia 26 de janeiro e no dia 22 de fevereiro.
De acordo com o juiz Luis Fernando Nardelli, da 3ª Vara Cível, “em algumas ocasiões, os ‘rolezinhos’ resultaram em arrastão dentro do estabelecimento comercial, como se extrai nas reportagens referentes ao Shopping Internacional de Guarulhos e ao Shopping Metrô Itaquera”. Por isso, para o magistrado, “é justo” o “receio dos autores de serem molestados na posse mansa e pacífica dos shoppings”.
“A liberdade de expressão prevista na Constituição Federal não abarca a violência, tampouco prejuízo aos usuários e aos outros lojistas”, afirma o juiz. “É de rigor estabelecer o limite e impedir a aglomeração de pessoas cujo objetivo precípuo é a realização de tumulto e vandalismo.” Segundo a decisão, quem descumprir a liminar poderá ser multado em R$ 10 mil.
Bahia
Em Salvador, na Bahia, cerca de 220 participantes aceitaram participar do ‘Rolezinho das Antigas’, que está previsto para acontecer no dia 1º de fevereiro no shopping da Barra. O evento foi criado em protesto contra os “atos segregacionistas” envolvendo o uso de força policial durante os “rolezinhos” em São Paulo.
Ceará
Mais de 270 pessoas já confirmaram presença no ‘Rolézinho em Fortaleza’, encontro marcado para o dia 9 de fevereiro no Shopping Iguatemi, na capital cearense. “A ideia é passar a mensagem de que a periferia tem voz e existe. Vamos chegar lá na boa, na paz e passear no shopping. Afinal de contas, a cidade também é nossa, correto?”, afirmam os organizadores na descrição do evento.
Distrito Federal
Em Brasília, o evento “Rolezinho no Xópim Iguatemi do Lago Norte”, já registrava 1,4 mil confirmações no Facebook na manhã desta quarta-feira. O encontro está marcado para o próximo dia 25 no shopping Iguatemi, que fica no Lago Norte, região nobre da capital.
Na descrição do evento, os organizadores afirmam não ter a intenção de promover arrastões ou atos de vandalismo, e que são solidários às vítimas de violência policial durante os encontros que terminaram em confusão em São Paulo.
Minas Gerais
Pelo menos dois eventos foram marcados no Estado para os próximos dias. Para o domingo, mais de 400 pessoas confirmaram presença no “Rolezaum no Paty Savassi (ou Praia do Shopping Estação)”, shopping Pátio Savassi.
Já o “Rolézinho no Minas Shopping – Apartheid às avessas”, previsto para sábado, conta com apenas 40 adesões até a manhã desta quarta-feira.
Pará
O “Rolezinho no Shopping Boulevard – Belém (PA)”, marcado para o dia 25 de janeiro no shopping da capital paraense já conta com mais de 260 participantes confirmados. “Nada muito pretensioso, só ver o que tem de novo aí nas lojas maneiras daquela galera que mora na Doca. Chama uns amigos e cola aí pra gente sacar qual é a vibe do momento”, diz a descrição do evento.
Rio Grande do Sul
Segundo os organizadores do ‘Rolezinho Moinhos Shopping Porto Alegre’, previsto para acontecer no próximo domingo na capital gaúhca, o ato ocorre em apoio “ao povo da zona leste de São Paulo e das periferias das grandes cidades de todo o Brasil. Contra toda forma de opressão aos pobres e negros, em especial contra a brutal e covarde ação diária da Polícia Militar no Brasil, seja nos shoppings, nas praias ou nas periferias”.
Os criadores do “rolezinho” afirmam ainda que a manifestação é pacífica, e que furtos ou atos como violência e depredação não estarão relacionados com o grupo.
Rio de Janeiro
“Em apoio à galera de São Paulo, contra toda forma de opressão e discriminação aos pobres e negros, em especial contra a brutal e covarde ação diária da polícia militar no Brasil, seja nos shoppings, nas praias ou nas periferias”, descreve o evento.
São Paulo
A capital paulista é a cidade com maior número de eventos: o do Ibirapuera recebe o evento com maior número de adesões no Facebook: mais de 2.280. O parque deve servir de palco para rolezinhos também nos dias 25 deste mês e 2 de fevereiro.
No dia 24, novos encontros estão marcados para Suzano, na Grande São Paulo, e para o Shopping Aricanduva, na zona leste da capital, até esta quarta-feira, com 105 confirmados. Dois dias depois é a vez do Shopping Bonsucesso. No dia 1º de fevereiro, estão marcados “rolezinhos” no Shopping Aricanduva e no Mauá Plaza Shopping.
Santa Catarina
Na onda dos eventos marcados por todo o País, os catarinenses também organizaram, para o dia 26 de janeiro, o ‘Rolezinho Iguatemi’, marcado para ocorrer entre 16h e 22h, no Shopping Iguatemi. Pelo menos 350 pessoas já confirmaram presença no ato.
A maioria dos paulistanos se disse contra os chamados “rolezinhos” – eventos agendados por jovens através das redes sociais em shoppings centers e espaços públicos, que se tornaram alvo de polêmica após tumultos em alguns centros de compra da capital paulista -, de acordo com pesquisa divulgada nesta sexta-feira pela agência de pesquisa de mercado e inteligência Hello Research. Segundo o levantamento, 71% dos moradores da cidade se disseram contra esse tipo de evento.
De acordo com a pesquisa, 87% das pessoas ouvidas afirmaram ter tomado conhecimento sobre esse tipo de evento. Do total, 24% se disseram favoráveis aos “rolezinhos”, e 5% disseram não ter opinião formada sobre o assunto.
O levantamento aponta que as mulheres são as mais exaltadas, sendo que 76% delas são contra. Entre os homens este número é de 65%.
Outro dado apontado pela pesquisa é que, quanto maior a idade, maior a rejeição a esse tipo de evento. Segundo o levantamento, entre jovens de 16 e 24 anos há uma menor taxa de rejeição (65%). Entre pessoas de 25 a 34 anos, a rejeição sobe para 69%. Na faixa de 35 a 44 anos, fica em 77%. Acima dos 45 anos, 84% são contrários ao “rolezinho”.
O levantamento aponta também que, quanto maior o poder aquisitivo, maior a rejeição com o “rolezinho”. Segundo a pesquisa, 82% dos entrevistados que pertencem à classe A se disseram contra os eventos, enquanto, na classe B, esse número é de 79%; na C de 73%; e, na D, de 56%.
“Os números mostram que a população em geral é contrária ao movimento. Entretanto não há dúvidas de que existem posições antagônicas sobre o tema. Principalmente em relação à classe social, sendo que quanto mais alta, maior a rejeição, e a idade, tendo em vista que os mais velhos são mais contrários ao movimento”, afirmou, em nota, Davi Bertoncello, diretor executivo da Hello Research.
Paulistanos são a favor de liminares contra “rolezinhos”
De acordo com o levantamento, 68% dos entrevistados se disseram a favor de medidas judiciais que proíbem a realização desse tipo de evento em shoppings. Entre as mulheres, este número chega a 71%.
Em alguns desses encontros, a Policia Militar foi autorizada a abordar e revistar jovens que a própria PM julgasse suspeitos. Este decisão foi apoiada por 70% dos entrevistados.
Menos da metade dos entrevistados considera impedimento como preconceito
Outra questão discutida na pesquisa buscou entender se o ato de impedir estes jovens de circularem em grande número pelos shoppings foi um ato discriminatório. Neste quesito 42% dos entrevistados concordaram com a afirmação, enquanto 55% discordaram.
Na classe A, apenas 33% das pessoas acreditam se tratar de ato discriminatório. Na classe B este número sobe para 42%. Na classe C fica em 40%. Na classe D, 52% entende ser um ato de discriminação.
Quando o assunto foi relativo às declarações de alguns lojistas de que parte dos jovens teriam cometido atos de vandalismo dentro dos shoppings, 91% da população foi contra aos atos de vandalismo.
“Para aqueles que defendiam a tese de que o ‘rolêzinho’ se trata da nova modalidade de manifestação popular, os números mostram que, por enquanto, o fenômeno não conta com a simpatia da maioria. Os próximos dias serão determinantes para a confirmação e/ou mudança deste cenário. Vamos ficar atentos aos próximos passos destes jovens”, disse Bertoncello.
A pesquisa ouviu 628 paulistanos, de idades entre 16 e 56 anos, de todas as classes sociais e moradores de todas as regiões da cidade de São Paulo, entre os dias 15 e 16 deste mês. A margem de erro do levantamento é de 4 pontos percentuais.
A Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop) afirmou nesta sexta-feira, em nota, que “é a favor das liminares concedidas aos shoppings de forma a controlar e impedir a formação de eventos denominados ‘rolezinhos’”. Segundo a associação, as decisões da Justiça são válidas porque os frequentadores desses eventos “assustam clientes e, consequentemente, prejudicam as vendas”.
A Alshop afirmou que é “favorável à criação de espaços públicos ou disponibilidade em espaços existentes para que atividades sociais e culturais possam ser realizadas de forma segura e sem prejuízo aos outros cidadãos”.
Para o presidente da associação, Nabil Sahyoun, “a prefeitura de São Paulo possui espaços públicos pouco utilizados na cidade para que esses jovens possam se manifestar de maneira pacífica”. “(Os shoppings) devem ser protegidos, pois circulam milhares de pessoas nos shoppings diariamente respeitando o direito de ir e vir da nossa população.”
O trabalho escravo gera lucros de US$ 150 bilhões por ano, duas vezes superior ao tráfico internacional de drogas. Dados divulgados pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) apontam que a prostituição, construção, mineração e agricultura estão entre os maiores responsáveis por esses lucros ilegais. O trabalho de empregadas domésticas que não são pagas também aparece entre os mais lucrativos.
No mundo, 21 milhões de pessoas são exploradas. A diferença entre o que essas vítimas geram com seu trabalho e o quanto são pagas ou custam é o valor que a OIT estima que seja os lucros para quem os explora.
Os valores envolvidos na exploração de trabalhadores são três vezes superiores ao que a OIT estimava até agora. No comércio internacional de drogas, a ONU calcula que os lucros anuais chegam a US$ 65 bilhões. Já o uso de trabalhadores escravos no setor da construção, mineração e em fábricas ainda movimenta US$ 35 bilhões em lucros, ante US$ 9 bilhões na Agricultura.
Mas é a indústria do sexo que mais lucra. A OIT estima que os benefícios anuais de quem explora as mulheres atingem US$ 99 bilhões. Desse total, US$ 31 bilhões são gerados na Ásia e outros US$ 26 bilhões nos países ricos. Pelo menos 4,5 milhões de pessoas seriam exploradas sexualmente e cada uma gera US$ 21 mil por ano em média a quem as explora.
Na América Latina, a exploração sexual também corresponde a grande parte dos lucros: cerca de US$ 10 bilhões dos US$ 12 bilhões gerados na região por todos os setores que ainda usam trabalho escravo. No total, cerca de 400 mil pessoas trabalham de forma forçada no setor da prostituição na América Latina. Por cada trabalhador escravo, a estimativa da OIT é de que os lucros na América Latina sejam equivalentes a US$ 7,5 mil por ano.
Agricultura Se o setor agrícola é um dos que mais empregam trabalhadores escravos no mundo, os lucros obtidos são relativamente mais baixos. Na América Latina, os valores chegam a cerca de US$ 200 milhões e o fenômeno afeta 350 mil pessoas. Um dos setores que mais preocupam a OIT é o da madeira. Segundo a entidade, pessoas de locais pobres são as maiores vítimas de trabalho forçado no setor madeireiro.
Outro setor que chama a atenção é o do trabalho doméstico. Na América Latina, elas chegam a 650 mil pessoas e permitem que famílias e empresas deixem de pagar US$ 500 milhões em salários. No mundo, US$ 8 bilhões não são pagos em salários a essas mulheres que trabalham em condições análogas à escravidão. Na construção, em fábricas e mineração seriam outras 190 mil vítimas na região. As informações são do jornal
O setor de construção civil lidera os casos identificados pela fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) como trabalho escravo, superando a agricultura, conforme balanço da pasta sobre ações realizadas em 2013. Foram identificadas 849 pessoas em regime de trabalho análogo à escravidão na construção, segundo dados do Grupo Especial de Fiscalização Móvel do MTE, divulgados nesta quinta-feira, 15.
A agricultura, até então a principal vilã do trabalho escravo no País, registrou 342 casos de pessoas libertadas do trabalho escravo no ano passado. Na pecuária foram resgatadas mais 276 pessoas. O grupo do MTE fez 36 fiscalizações no setor de construção, contra 44 na pecuária e 23 na agricultura.
O Ministério realizou ao todo 179 fiscalizações em todo o País, conforme a Divisão de Fiscalização para Erradicação do Trabalho Escravo (Detrae), avaliando as condições laborais de 27.701 trabalhadores, formalizados ou não. O órgão identificou 2.063 pessoas sob situação análoga à escravidão e aplicou R$ 8 milhões em multas aos empregadores infratores, além de lavrar 4.327 autos de infração em razão das irregularidades encontradas.
Área urbanas
Os centros urbanos lideram a lista do trabalho escravo. Foram resgatadas 1.068 pessoas em áreas urbanas, o equivalente a 51,8% dos 2.063 resgates feitos no ano passado. Foi a maior quantidade de pessoas identificadas sob essa condição de trabalho em área urbana da série histórica do MTE, que fez 300 fiscalizações nessas regiões.
O Estado com mais casos em área urbana foi Minas Gerais, onde foi feito o maior número de resgates. Foram 367 trabalhadores libertados na área urbana mineira, após 14 fiscalizações – a maior parte (173 casos) na construção. Minas liderou entre os Estados também em número geral de casos de escravidão, somando todos os setores econômicos, com 446 resgates.
São Paulo foi o segundo Estado com o maior número de casos absolutos, com 419 pessoas resgatadas. O Estado também foi o segundo em casos em áreas urbanas, com 360 pessoas resgatadas após 16 fiscalizações. O maior número de casos (256) foi verificado na construção. O setor ficou atrás da indústria da confecção paulista (104 casos), apesar de a construção ter recebido menos fiscalizações (5 ações) que as confecções (11 ações). Tradicionalmente, em São Paulo, a confecção é o setor econômico com as maiores punições pelo descumprimento das leis trabalhistas – especialmente pela emprego irregular de mão de obra ilegal boliviana.
O Rio de Janeiro teve 129 trabalhadores identificados sob regime análogo à escravidão em área urbana, sendo 36 deles na construção e 93, no setor de alimentação.
Cidades
A cidade de Guarulhos liderou os casos identificados pelo MTE como de trabalho escravo no Estado de São Paulo. O município da região metropolitana da capital paulista teve 111 pessoas classificadas como trabalhadores escravizados – todas elas atuavam na construção.
A cidade só perdeu em número de casos para a mineira Conceição do Mato Dentro, distante cerca de 170 quilômetros de Belo Horizonte, onde 173 pessoas sob condição de escravidão foram identificadas trabalhando para a construção civil.
A capital do Rio de Janeiro liderou a identificação de casos no Estado, com 93 trabalhadores libertados no setor alimentício. Atrás do Rio, no ranking das cinco cidades com mais casos em 2013, ficou Granja (CE), onde 85 coletores de palha de carnaúba foram classificados pelo MTE como trabalhadores escravizados. A quinta cidade da lista é Itaberaí (GO), onde 70 trabalhadores da construção foram resgatados.
O Ministério Público do Trabalho (MPT) abriu um inquérito para investigar a empreiteira brasileira Odebrecht pela possível prática de aliciamento para trabalho escravo em Angola. A decisão ocorreu após o órgão ter tomado conhecimento de reportagem da BBC Brasil com denúncias de ex-funcionários contra as condições de trabalho numa usina da empresa no país africano. O inquérito está a cargo do procurador do trabalho Rafael de Araújo Gomes, de Araraquara (SP).
Na reportagem, publicada nesta sexta-feira, operários que trabalharam na construção do complexo industrial Biocom, na província de Malanje, relatam ter enfrentado uma série de provações, entre as quais cárcere privado, retenção de passaportes e condições insalubres nos alojamentos.
Ao custo de quase R$ 1 bilhão, o complexo industrial será o primeiro de Angola a produzir açúcar, etanol e eletricidade. O MPT, ógão vinculado ao Ministério Público da União, também investigará as empresas Pirâmide e a Planusi, ambas com sede no interior de São Paulo e que foram subcontratadas pela Odebrecht na construção.
Segundo a assessoria do MPT, o órgão solicitou às empresas informações sobre todos os trabalhadores brasileiros que atuaram na obra. A Biocom diz que a construção conta hoje com 1,8 mil funcionários, entre brasileiros e angolanos.
O órgão diz que também levantará todos os processos trabalhistas movidos contra as empresas pelas supostas más condições na obra. Só em Américo Brasiliense (SP), sede da Pirâmide, tramitam cerca de 60 ações contra as empresas, segundo o advogado José Maria Camos Freitas, que representa um grupo de trabalhadores egressos de Angola.
Freitas diz que os operários foram submetidos a “trabalho análogo à escravidão” no país africano, algo que as empresas negam. A partir da investigação, o MPT decidirá se entrará com ação judicial contra as empresas.
Morte de brasileiro
A investigação tratará ainda da morte do brasileiro Donizetti Francisco Fernandes, que atuava como coordenador da Planusi na obra. O corpo de Fernandes, 55 anos, foi encontrado coberto por queimaduras em 19 de maio em Malanje, cidade a 80 quilômetros da usina. Entre os operários, conta-se que ele foi amarrado e teve o corpo incendiado após uma briga.
Segundo a Biocom, porém, uma investigação policial revelou que Fernandes morreu por causa de “queimaduras diversas após um curto-circuito da geladeira, que provocou um incêndio nas instalações onde se encontrava”, fora das instalações da indústria, quando ele estava de folga. Parentes e amigos do operário contestam a versão. Seu corpo, trazido ao Brasil em 30 de maio, foi enterrado em Sertãozinho (SP).
Com inauguração prevista para 2014, o complexo industrial Biocom é uma sociedade entre a Odebrecht (40%), a angolana Damer (40%) e a estatal petrolífera Sonangol (20%). A legislação angolana obriga empresas estrangeiras a se associar com grupos locais em investimentos no setor de biocombustíveis.
Indenização
Em primeira instância, a Justiça tem determinado que os trabalhadores que entraram com ações contra as empresas sejam indenizados. Em decisão recente numa ação movida pelo operário Dilmar Messias da Silva, o juiz federal do trabalho Carlos Alberto Frigieri diz que o empregador “não preparou o ambiente de trabalho para o significativo número de trabalhadores que transportou para Angola, deixando de proporcionar condições mínimas de higiene, tornando o trabalho mais penoso e degradante”.
Ele condenou a Odebrecht e a Pirâmide, empregadora direta do operário, a indenizá-lo em R$ 30 mil por danos morais e horas extras não pagas. As empresas, que negam haver qualquer irregularidade na obra, recorreram da decisão e de todas as outras condenações. Os recursos serão analisados pelo Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região, em Campinas.
As companhias dizem que as instalações e condições de trabalho na usina atendem às legislações brasileira e angolana. Elas negam as acusações de cárcere privado e afirmam que os seus funcionários visitam cidades próximas com frequência.
De acordo com as empresas, “problemas pontuais” nos refeitórios e alojamentos, como alguns decorrentes de vazamentos no período de chuvas, foram rapidamente sanados.
Confira, abaixo, os principais argumentos que cada empresa apresentou contra as acusações:
Odebrecht
A Odebrecht incumbiu a Biocom de responder em seu nome.
Biocom
“Para a execução do seu projeto industrial, a Biocom efetuou a contratação de empresas que atuam no segmento há diversos anos, com know-how e expertise na construção de outras unidades industriais no Brasil e no mundo.
Cabe salientar que o pagamento de toda e qualquer parcela relativa à prestação dos serviços pela Biocom às subcontratadas exige a apresentação de documentos comprobatórios do recolhimento de encargos sociais e trabalhistas (…).
Também são realizadas na Biocom palestras de integração sobre segurança, saúde e meio ambiente com todos os empregados próprios e terceiros, sendo que possuímos índices extremamente baixos de ocorríencia de acidentes comparado às demais empresas instaladas na região.
A Biocom fornece instalações sociais e condições de trabalho condizentes com o exigido nas legislações angolanas e brasileiras, com alojamentos, refeitórios, EPIs e sanitários condizentes com as Normas Regulamentadoras brasileiras e angolanas. São contratadas empresas especializadas para a realização de serviços de limpeza e manutenção predial, administração de refeitório e segurança patrimonial, e problemas pontuais com relação a esses serviços são identificados e corrigidos de imediato.
Informamos também (…) que não prosperam as alegações de cárcere privado, sendo frequente a ida de empregados de nossas subcontratadas para locais turísticos da região, para a boate local ou confraternização com os empregados da Biocom em seus alojamentos.
Também prestamos apoio no retorno de todos os empregados de nossas subcontratadas que manifestam seu desejo de regressar ao brasil, ao que as passagens são obtidas com o intervalo de poucos dias.”
Pirâmide
“A Pirâmide Assistência Técnica atua há 17 anos no mercado, com mais de 1,5 mil empregados (…). A contratação dos empregados (para a obra em Angola) ocorreu em absoluto respeito à legislação trabalhista brasileira. Em momento prévio à celebração do Contrato de Trabalho, foram realizadas palestras de aculturamento em que as condições locais (angolanas) foram expostas aos respectivos candidatos às vagas em aberto, com a apresentação de fotos e vídeos do local de trabalho.
É importante ressaltar que nenhum empregado contratado foi responsável pelo pagamento de quaisquer despesas da viagem (…) Nas instalações da Biocom foram fornecidos meio ambiente de trabalho e social condizentes com as exigências constantes nas Normas Regulamentadoras brasileiras, fato apurado por nosso técnico de SSMA responsável no Projeto. Situações pontuais com relação a problemas nos refeitórios (…) foram imediatamente corrigidas (…).
As empresas contratadas para o fornecimento de refeições sofrem auditorias regulares para se verificar a procedência e a qualidade dos produtos que são utilizados.
Não procedem, também, as alegações de cárcere privado (…) e o trânsito dos empregados na região é livre, sendo que diversos deles optaram por visitar pontos turísticos da região, frequentar a boate do município (…)
Não bastassem tais fatos, vários ex-empregados foram mais de uma vez a Angola, isto é, se canditaram novamente a uma vaga de emprego após ter retornado do pais africano, o que demonstra que as condições de trabalho estavam longe de corresponder ao cenário narrado por alguns destes e, que em termos econômicos a prestação de serviços no país estrangeiro era benéfica.
Todos os empregados que solicitaram seu retorno ao Brasil, independente do motivo, foram atendidos em referido pleito, sem a imposição de cumprimento de qualquer condição precedente. Entretanto, é possível que, em razão de indisponibilidade de passagens para dias específicos, alguns tiveram de aguardar durante alguns dias para verificação da disponibilidade da passagem e obtenção da documentação necessária para a viagem. Ressaltamos, entretanto, que mesmo durante este período não houve qualquer obrigatoriedade de trabalho para qualquer empregado que desejasse o desligamento.
São realizados, quando da contratação e desligamento de empregados da Pirâmide, exames médicos admissionais/demissionais, situação em que, quando constatada qualquer doença decorrente do exercício profissional, são oferecidas todas as garantias e proteções oferecidas por lei aos empregados.
Não é permitida a prática, entre os empregados da Pirâmide ou dentro das instalações da Biocom, de qualquer tipo de comércio de bens ou produtos (…).”
Planusi
“A Planusi mantém com regularidade, nas instalações da Biocom, apenas um Coordenador de Obras que faz a interface entre as partes (Planusi e Biocom), e essa contratação foi feita respeitando-se a legislação trabalhista brasileira. Vale ressaltar que quaisquer despesas de viagem (…) são, e sempre foram da responsabilidade da Biocom, não cabendo a nosso colaborador qualquer custo (…).
As instalações da Biocom estão de acordo com as exigências constantes nas Normas Regulamentadoras brasileiras. (…) As empresas contratadas para o fornecimento de refeições sofrem auditorias regulares para se verificar a procedência e a qualidade dos produtos que são utilizados. (…)
Jamais tivemos conhecimento ou sequer soubemos de alguma alusão sobre alegações de cárcere privado. A segurança patrimonial é realizada por prestador de serviços especializado e o trânsito dos empregados na região é livre. Prova disso é que a morte do nosso coordenador de obras Sr. Donizete veio a acontecer acidentalmente, fora das instalações da Biocom, fora do horário e dia de trabalho (final de semana) na província de Malanje (distante aproximadamente 80 quilômetros) onde, conforme consta do documento oficial emitido pela Direção Provincial de Investigação Criminal do Comando Provincial de Malanje, ele e outros amigos estavam a passeio, com objetivo de recreação e lazer. (Entendemos que esse fato, por si só, demonstra o quão livre é o trânsito dos funcionários, e descaracteriza a alegação de cárcere privado).
(…)Temos conhecimento de que todos os colaboradores sempre foram/são atendidos quanto a possível manifesto do desejo de retornar ao Brasil, independente do motivo, sem a imposição de cumprimento de qualquer condição precedente. Só se faz necessária a espera quando há indisponibilidade de passagens para os dias escolhidos, ou para a obtenção da documentação necessária para a viagem.
Informamos também que todo funcionário de nossa empresa, no ato da contratação e desligamento, assim como periodicamente, é submetido a exames médicos (admissionais/periódicos/demissionais), situação em que, se constatada qualquer doença decorrente do exercício profissional, oferece-se toda a assistência e proteção garantidas por lei.
(…)Ressaltamos que estão disponíveis para consulta de vossa reportagem os respectivos comprovantes de pagamento de todos os encargos trabalhistas, incluindo as verbas rescisórias de nossos colaboradores que prestaram ou prestam serviço nesta obra em Angola.”
W Líder
“A respeito do email enviado por Vossa Senhoria noticiando a publicação da matéria referente a denúncias feitas por funcionários que trabalharam na construção do complexo Biocom, localizado na província de Malanje, tem a empresa W Líder Montagens Industriais a esclarecer:
– não houve descumprimento de acordos trabalhistas;
– não houve maus tratos;
– os trabalhadores em nenhum momento foram submetidos às condições degradantes de trabalho análogo à escravidão;
– as condições de trabalho, alojamento e refeição não eram precárias;
– não é fato verdadeiro de que trabalhadores adoeceram na obra em razão das péssimas condições de trabalho;
– não é fato verdadeiro de que os trabalhadores eram proibidos de deixarem o local de trabalho por seguranças armados;
– não é fato verdadeiro de que havia brigas frequentes na obra.
Registra-se, ainda, que esta empresa não só cumpriu como fez cumprir todas as normas de segurança e medicina do trabalho. A integridade física e psicológica de todos os colaboradores desta empresa foi preservada.”
Este abaixo assinado e contra o Instituto Royal, localizado um em São Roque e outra em RS. Onde são praticadas experiências com cães Beagles que são confinados, e após as experiências de 90 dias de sofrimento, eles praticam a eutanásia, que nada mais é do que um assassinato, sendo que a eutanásia só é praticada com o consentimento do paciente, e eu nunca vi um cachorro dizer que consente… Vamos fazer o governo nos ouvir!!! Vamos derrubar essa Instituição macabra!!! Vamos acabar com essa massa de assassinatos!!! Com várias assinaturas seremos ouvidos! Vamos fazer a diferença para esses seres indefesos!!!
Advogado: ativistas do Greenpeace estão em condições desumanas
A brasileira Ana Paula é uma das ativistas presas na Rússia
Os tripulantes do Greenpeace indiciados por pirataria por terem participado de um protesto contra a exploração de petróleo no Ártico estão vivendo em “condições desumanas” na prisão e são transportados entre centros prisinais russos como “galinhas de uma granja ruim”, afirmou um advogado esta segunda-feira. Na semana passada, autoridades russas indiciaram por pirataria os 30 tripulantes do navio Artic Sunrise, da ONG, entre eles, a bióloga brasileira Ana Paula Maciel, provocando uma onda de protestos em várias partes do mundo.
Os ativistas de 18 nacionalidades diferentes cumprem prisão preventiva de dois meses entre as cidades de Murmansk e Apatity, cerca de 2 mil quilômetros ao norte de Moscou e acima do círculo Ártico.
O advogado do Greenpeace Sergei Golubok afirmou durante entrevista coletiva hoje que muitos ativistas não tiveram acesso a água potável ou estão passando fome porque não conseguiram comer a comida das prisões. “Sua situação na prisão não pode ser chamada de outra coisa senão de desumana”, afirmou a jornalistas Golubok, falando por videoconferência de Murmansk.
Os ativistas detidos em Apatity têm que fazer longas viagens em frias vans prisionais para as audiências em Murmansk, acrescentou. “Ali as pessoas são confinadas como galinhas de uma granja ruim”, afirmou. “Ninguém recebe cuidados de saúde adequados”, continuou, destacando que alguns ativistas não querem a comida da prisão por questões éticas e religiosas.
Os ativistas também se queixaram da vigilância constante de suas celas por câmeras de vídeo instaladas inclusive no banheiro, acrescentou. Centros de prisão preventiva, que são chamados na Rússia de Isoladores de Investigação (Sizo), não são muito diferentes das prisões comuns, conhecidas por condições degradantes e abusos.
Os problemas dos ativistas se agravam pelo fato de a maioria ser estrangeira e não falar russo, disse Golubok. Com isso, tarefas simples como tirar dinheiro de suas contas bancárias ou pedir aos guardas da prisão permissão para abrir uma janela se tornam impossíveis. “Eles não conseguem falar com os parentes por telefone porque devem falar em um idioma que os funcionários dos centros de detenção tenham facilidade de compreender”, afirmou Golubok.
Um ativista de direitos humanos disse à AFP na semana passada que ativistas do Greenpeace estavam “à beira do choque”, devido às condições em suas celas frias e escuras. Um dos ativistas sofre de asma e outro não tem a tiroide. “Basicamente, eles foram desligados do mundo exterior”, disse Golubok.
Na semana passada, o embaixador italiano em Moscou convocou uma reunião com os embaixadores de vários países europeus para coordenar os passos para tentar assegurar a libertação dos ativistas.
Um representante do Ministério das Relações Exteriores da Nova Zelândia admitiu, contudo, que havia pouco que pudessem fazer. “Nossas autoridades não são capazes de intervir no processo judicial de outro país, nem podem tentar tirar vantagem do processo”, declarou à AFP um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores e Comércio em comentários enviados por e-mail. “Trata-se de uma questão legal atualmente em curso na justiça da Rússia”, concluiu.
A bióloga brasileira Ana Paula Maciel e outro ativista britânico do Greenpeace, que pertencem ao grupo de 30 pessoas que foram presas na Rússia por organizarem um protesto contra a exploração de petróleo no Ártico, foram acusados formalmente de pirataria, informou o advogado da ONG Mikhail Kreindlin, citado pela agência russa Interfax.
O Comitê de Instrução russo apresentou ainda as acusações contra o restante dos ativistas, que estavam a bordo do navio “Arctic Sunrise”, na cidade de Murmansk.
“Dois de nossos ativistas foram acusados de pirataria marítima em um grupo organizado. São cidadãos do Brasil e do Reino Unido”, assinalou o advogado.
Kreindlin também afirmou que as acusações são “absolutamente infundadas, arbitrárias e ilegais”.
“Nossos ativistas não tinham nenhuma intenção de se apoderar da propriedade de ninguém. Não havia nenhuma ação criminosa”, acrescentou.
Todos os ativistas detidos estão em prisão preventiva por supostamente tentarem invadir uma plataforma de petróleo da empresa russa Gazprom no dia 19 de setembro.
“Um grupo de pessoas a bordo do ‘Arctic Sunrise’ e com bastante equipamento destinado a um fim que ainda não foi esclarecido violaram o perímetro de segurança de 500 metros da plataforma Prirazlomnaya e se aproximaram dela”, disse ontem um porta-voz do Comitê de Instrução para resumir os argumentos da acusação.
Os ativistas são da Rússia, Brasil, EUA, Argentina, Reino Unido, Canadá, Itália, Ucrânia, Nova Zelândia, Holanda, Dinamarca, Austrália, República Tcheca, Polônia, Turquia, Finlândia, Suécia e França.
Após o protesto, o navio da ONG foi apreendido pela guarda de fronteiras russa e seus tripulantes detidos e transferidos a terra para responderem perante a justiça.
A Gazprom planeja começar a produção de petróleo nessa plataforma no primeiro trimestre de 2014. Segundo a ONG, isso aumentaria o risco de um vazamento de petróleo em uma área que contém três reservas n
O Ministério das Relações Exteriores afirmou que o governo brasileiro instruiu o embaixador do País em Moscou, Fernando Barreto, a assinar uma “carta de garantia” pela ativista brasileira do Greenpeace presa na Rússia, a bióloga Ana Paula Maciel. Pelo documento, o governo brasileiro pede que a ativista aguarde as investigações em liberdade. O pedido, feito por recomendação do ministro Luiz Alberto Figueiredo, garante às autoridades russas que ela terá bom comportamento e que se apresentará à Justiça enquanto for requisitada.
A brasileira faz parte do grupo de 30 pessoas que estão presas provisoriamente desde o último dia 19, após um protesto contra a exploração de petróleo no Ártico.
Os 30 ativistas vão ser indiciados nesta quarta-feira por pirataria, informou a agência Interfax, citando uma fonte da polícia. Na Rússia, o delito de prática de pirataria pode ser punido com até 15 anos de prisão.
Cerca de 50 manifestantes protestavam, contra a prisão de ativistas do Greenpeace na Rússia. Com faixas pedindo a liberdade da bióloga brasileira Ana Paula Maciel, o grupo se concentrou no vão livre do Masp, na avenida Paulista.
Segundo informações da Polícia Militar, os manifestantes se reuniram por volta das 10h e não bloquearam a via. Ativistas ambientais pediam a liberação dos 30 representantes do Greenpeace detidos após protesto em uma plataforma de petróleo, no Ártico.
Segundo o Greenpeace Brasil, 200 pessoas se reuniram na avenida Paulista. O ato coordenado aconteceu em mais de 140 cidades, de 47 países. Vestidos de branco e ao som de maracatu, os manifestantes entoaram “gritos de paz”, pedindo a libertação dos ativistas.
“Viemos nos somar a milhares de pessoas ao redor do mundo que estão pedindo a liberdade desse grupo de 30 pessoas detidas na Rússia. Queremos demonstrar solidariedade, mas também trazer uma mensagem de paz e alegria”, disse Fernando Rossetti, diretor-executivo do Greenpeace Brasil.
Família de ativista faz apelo à presidente
A família de Ana Paula também veio de Porto Alegre para acompanhar a manifestação. “Estou emocionada com a presença de tantas pessoas que não conheciam minha filha, mas que vieram aqui prestar solidariedade”, disse Rosangela Maciel, mãe da ativista brasileira detida na Rússia. “Eu não só tenho esperança, como tenho a certeza de que minha filha, muito em breve, voltará para casa. Ela só fez o bem e não pode ser culpada por isso.”
Rosangela fez ainda um apelo à presidente Dilma por sua intervenção no caso: “A presidente Dilma foi uma guerreira como minha filha e já foi presa porque lutava por algo que acreditava. Acredito que como mãe, ela vai se solidarizar com a Ana Paula e intervir junto às autoridades russas pela libertação de minha filha e das outras pessoas presas”, concluiu.
Vinte oito ativistas e dois jornalistas foram presos no dia 19 de setembro pelas autoridades russas, depois de um protesto pacífico em uma plataforma de petróleo da empresa Gazprom, no mar de Pechora. O Greenpeace Internacional é contra a exploração de óleo no Ártico.
Na quarta-feira, os detidos foram acusados formalmente de pirataria, conforme informou o advogado da ONG Mikhail Kreindlin. Hoje, a Rússia minimizou uma ação legal da Holanda sobre a prisão e a instalação de um processo judicial contra os ativistas, afirmando que o protesto do grupo em uma plataforma de petróleo no Ártico foi “pura provocação”.
A Holanda lançou uma ação legal contra a Rússia na sexta-feira, afirmando que o país prendeu ilegalmente ativistas e outras pessoas que estavam no navio de bandeira holandesa no mês passado, quando protestavam contra a exploração de petróleo no Ártico.
A acusação de pirataria feita pelos russos pode resultar em penas de até 15 anos de prisão. “Uma acusação de pirataria contra um protesto não violento é um grave precedente contra a liberdade de expressão. Aqueles ativistas estavam lá em defesa do Ártico e do planeta e agiram de modo pacífico, como sempre fizemos ao longo dos nossos 40 anos de história”, disse Fernando Rossetti.
Um porta-voz do Comitê de Investigação (CI) confirmou à AFP que os ativistas serão indiciados, mas se negou a dar detalhes sobre as acusações.
Mais cedo, a chefe de uma comissão de vigilância penitenciária informou que os ativistas estão praticamente em estado de choque por causa de sua situação.
“Muitos deles estão quase em estado de choque. Não entendem do que são acusados”, declarou à AFP Irina Païkatcheva, que visitou os militantes em prisão preventiva em Murmansk.
“Não podiam imaginar estas consequências depois de uma ação pacífica em um país democrático”, explicou Païkatcheva.
Os 30 ativistas que participaram da ação – 26 estrangeiros e quatro russos – foram colocados em prisão preventiva até 24 de novembro sob acusação de “pirataria”, um delito que pode valer até 15 anos de prisão.
O barco do grupo, o Arctic Sunrise, foi interceptado em 19 de setembro por um grupo da guarda costeira russa e rebocado para Murmansk.
Os tripulantes do barco tentavam abordar uma plataforma da empresa Gazprom no Ártico para protestar contra os projetos de extração de petróleo na região.
Em nota, o Greenpeace afirmou que o Comitê de Investigação russo disse que, nesta quarta-feira, serão apresentadas acusações formais às ativistas Dima Litvinov, dos Estados Unidos, e Sini Saarela, da Finlândia.
“Não recebemos qualquer informação oficial sobre o conteúdo dessas acusações”, afirmou Ben Ayliffe, coordenador da campanha do Ártico do Greenpeace Internacional, rechaçando a hipótese de pirataria. “Qualquer acusação de pirataria contra protestos pacíficos é absurda e não tem mérito algum nas leis russas ou internacionais. Os ativistas agiram pacificamente contra os riscos de exploração de petróleo no Ártico pela empresa Gazprom”, disse Ayliffe na nota divulgada pela ONG.
Em todo o planeta, milhões de pessoas de todas as idades estão tomando as ruas e se mobilizando online para dizer não à corrupção e à injustiça e pedir um mundo melhor. Uma hashtag do Twitter no Brasil pode sintetizar a história: #OGiganteAcordou.
E, em quase todos os lugares em que isso está acontecendo, a Avaaz – hoje com a força de quase 25 milhões de membros! – está presente. Para dar apenas um exemplo: o Senado brasileiro citou repetidamente nossa comunidade na semana passada, enquanto votava a proposta para facilitar a lei de iniciativa popular, reduzindo para 500.000 a quantidade de assinaturas necessárias para se apresentar novas propostas de leis no Congresso.
Estamos crescendo em mais de 1 milhão de novos membros por mês, cada vez mais rápido. Na medida em que mais cidadãos despertam, estamos nos dando conta de que o mundo é realmente nosso. E, embora tenhamos grandes desafios pela frente, o futuro depende de todos nós.
Quando nos juntamos e permanecemos juntos, nós vencemos. Confira abaixo as vitórias e atualizações das últimas semanas:
Brasil diz NÃO à corrupção e SIM à uma democracia do século XXI
Entrega de 1,6 milhão de assinaturas ao Senado brasileiro
Os brasileiros estão dando um basta à corrupção desenfreada. Primeiro foi a campanha da Lei da Ficha Limpa, de enorme sucesso, que tornou inelegíveis os políticos condenados por órgãos colegiados da Justiça. Estudos mostram que a Avaaz desempenhou um papel fundamental nesta conquista. Recentemente, um membro da Avaaz criou uma das maiores petições online da história do Brasil, com mais de 1,6 milhão de assinaturas exigindo que os senadores removam o presidente do Senado do poder, um político duvidoso com uma série de acusações de corrupção. Ele ainda está no poder, mas estamos muito perto de acabar com o processo de votação secreta que lhe permitiu obter sua posição no Senado.
Melhor ainda: o Senado acabou de aprovar uma proposta para tornar mais fácil e mais rápido a possibilidade dos cidadãos forçarem os políticos a agir. A Avaaz foi citada várias vezes durante o debate no Senado, quando eles concordaram em reduzir pela metade o número de assinaturas necessárias para leis de iniciativa popular, e determinaram que as assinaturas online serão válidas. Agora, estamos fazendo de tudo para fazer a Câmara selar esse acordo.
Bangladesh: Esperança dos escombros
Jornal sueco destaca o nosso anúncio contra a H&M que foi proibido
Quando o prédio de uma fábrica de roupas em Bangladesh desabou, matando mais de mil pessoas, a Avaaz juntou forças às organizações de direitos trabalhistas locais para colocar pressão em dois grandes nomes da indústria internacional da moda. O objetivo: fazer com que eles assinassem um acordo de proteção dos trabalhadores que serviria de modelo para o restante do mundo.
Os membros da Avaaz cobriram as páginas da H&M e GAP no Facebook com mensagens. E, quando nossos anúncios publicitários voltados ao presidente da H&M foi rejeitado na Suécia – país de origem da empresa – deu-se início à um grande debate na mídia e online. Executivos de alto-escalão da H&M falaram por telefone com a Avaaz e, 3 dias depois, eles assinaram o acordo. Isso motivou mais de 75 outras marcas a seguirem este exemplo! GAP e Walmart ainda não estão na lista dos que assinaram o acordo, mas a campanha ainda está ativa!
Vitória para as abelhas na Europa!
Vento, chuva e neve: mantivemos a pressão para salvar as abelhas
Após mais de dois anos realizando campanhas, tivemos um papel fundamental para fazer com que a Europa proibisse pesticidas letais para as abelhas, pelo menos até 2015! Conseguimos essa vitória após dois anos de ações, em que inundamos ministros com emails, juntamos mais de 2,6 milhões de assinaturas, organizamos protestos com criadores de abelhas (com a presença de uma abelha inflável gigante de 5 metros de altura), financiamos pesquisas de opinião pública, e muitas outras ações.
Esta tem sido uma longa batalha contra grandes corporações como a Bayer, e nada disso seria possível se não fosse pela colaboração de muitos cientistas, especialistas no assunto, funcionários de governo que apoiaram a campanha, criadores de abelhas e grupos ambientalistas. De acordo com a organização Amigos da Terra: “A enorme petição da Avaaz e as suas campanhas criativas ajudaram a levar essa campanha até o final.”
Impedindo a remoção forçada do povo Masai
1,7 milhão de membros da Avaaz apoiam o direito do povo Masai de viver em suas terras ancestrais
O governo da Tanzânia queria realizar uma remoção forçada de várias famílias, teoricamente para que turistas ricos pudessem caçar leões e leopardos! Mas 1,7 milhão de nós nos juntamos para dizer “não”, alertando as redes de televisão CNN e Al Jazeera para cobrirem essa história, e lançando anúncios publicitários com foco no governo da Tanzânia em jornais locais, além de pressionar os doadores de ajuda financeira internacional para que fizessem perguntas à Tanzânia sobre a tentativa de remoção. O presidente da Tanzânia, Jakaya Kikwete, não queria ouvir as vozes em protesto, mas os Masai continuaram perseverantes. Finalmente, quando membros do povo Masai foram ao parlamento da Tanzânia e exigiram que o direito deles de viver em terras ancestrais fosse respeitado, o Primeiro-ministro assinou uma carta prometendo buscar uma solução permanente para o conflito em conjunto com os Masai. Até agora conseguimos impedir a remoção, mas continuaremos a lutar até que o presidente Kikwete desista de uma vez desta ideia.
Indo muito além da fracassada guerra às drogas
Presidente da Guatemala Pérez Molina diz SIM pelo fim da fracassada guerra às drogas
As vozes de centenas de milhares de membros da Avaaz de toda as Américas exigiram dos líderes que fossem adotadas políticas mais humanas em relação às drogas. O resultado foi uma declaração história feita pela OEA (Organização dos Estados Americanos) que sugere ir além da proibição e combater as drogas como uma questão prioritária de saúde, não uma missão militar.
Nossa petição teve um papel fundamental. Entregamos as assinaturas diretamente ao presidente da Guatemala, Otto Pérez Molina, diante de toda a mídia. Molina explicou a nossa estratégia com suas próprias palavras: “Agradecemos à Avaaz por essa petição porque dá a nós, os líderes políticos do continente, a força que precisamos para debater essa questão sem ela ser vista como um tabu.”
Pondo um fim à guerra contra as mulheres
O ônibus rosa da Avaaz circula por Nova Délhi com o ‘primeiro ministro Singh’ a bordo, exigindo educação pública para combater os estupros
Na Índia, uma estudante de 23 anos foi estuprada brutalmente em um ônibus, morrendo em decorrência dos ferimentos em seguida. Nas Maldivas, uma garota de 15 anos de idade foi condenada ao apedrejamento por praticar “sexo fora do casamento”. Na Somália, uma jovem foi violentada por vários homens das forças de segurança que deveriam protegê-la.
Em cada um destes casos, os membros da Avaaz ajudaram a transformar horror em esperança, amplificando milhões de nossas vozes na mídia, para pressionar os governos a aprovar leis mais fortes que protejam as mulheres. Nas Maldivas, a nossa campanha ameaçando o setor de turismo nos ofereceu uma porta aberta para os maiores líderes políticos do país, que afirmaram que a garota não seria apedrejada por agora, e uma pesquisa encomendada pela Avaaz conquistou as manchetes, mostrando que os cidadãos desejam uma mudança nas leis. Na Índia, um grande ônibus rosa, com uma enorme representação do primeiro ministro Singh portando a nossa mensagem, circulou pelas ruas de Délhi e agora há um interesse crescente pelo nosso apelo por uma campanha massiva de educação pública que desafie atitudes retrógradas em relação às mulheres. Estas são apenas as pontas do iceberg em nossa luta contra a misoginia.
Salvando as Baleias de um Massacre
Entregando nosso pedido para salvar as baleias à secretária de Estado para Questões Econômicas da Holanda
Quando um magnata islandês lançou sua brutal caçada de verão, com o objetivo de transformar espécies ameaçadas de baleias em comida para cachorro, a Avaaz iniciou uma campanha para impedir o envio das carcaças sangrentas para o Japão. Mais de 1,1 milhão de nós convencemos os políticos holandeses a se comprometer a fechar os portos nacionais para este carregamento. E então aparecemos outra vez na Alemanha, quando ele tentou redirecionar a carga pela cidade de Hamburgo. O Ministério do Meio Ambiente alemão respondeu às mensagens enviadas por membros da Avaaz imediatamente através do Twitter e, trabalhando juntamente com o Greenpeace, criamos pressão suficiente para enviar a carne de baleia de volta para a Islândia! O governo alemão agora pediu que o porto recuse todos os carregamentos de carne de baleia no futuro, 200.000 membros da Avaaz na Alemanha estão exigindo que a maior rede de supermercados do país pare de vender produtos ligados à empresa responsável pela caça às baleias e estamos buscando extinguir as outras rotas de lucro do caçador de baleias até que ele perceba que essa prática tem que acabar.
Combatendo a Sonegação Global de Impostos
Membros da Avaaz em ação pedindo ao Primeiro-ministro Harper que agisse contra à sonegação de impostos
Todos os anos, empresas gananciosas e indivíduos muito ricos usam esquemas para esconder uma fortuna estimada em cerca de $1 trilhão, privando governos de impostos que eles precisam coletar para consertar nossos serviços públicos e nossos países. Este ano vislumbramos uma oportunidade para sair em busca dessa quantia que está faltando nos nossos cofres públicos, criamos uma enorme petição e trabalhamos junto ao famoso cantor Baaba Maal e às organizações Save the Children, ActionAid, além de outros grupos, para fazer nossas vozes chegarem a David Cameron, presidente do G8. Nossa carta, assinada por 21.000 representantes de empresas de todo o mundo, ajudou a colocar esta questão como pró-negócios e pró-cidadãos e a mudar as posições da Alemanha e do Canadá, resultando em um acordo histórico que poderá levar os governos a trabalhar em conjunto para por um fim à sonegação de impostos. A ‘Declaração Lough Erne’ foi breve quanto a questões específicas, mas nos dá uma enorme vantagem na hora de cobrar que os governos bloqueiem esquemas suspeitos para não pagar impostos.
É incrível poder fazer parte de uma comunidade composta por cidadãos de cada pedacinho do mundo, unidos por ações comuns e efetivas. Nosso gigante adormecido está caminhando, trazendo possibilidades tremendas de mudança. Mal podemos esperar para ver o que nossa comunidade fará daqui para a frente.
Com amor, esperança e uma gratidão enorme por esta comunidade capaz de mudar o mundo,
Ricken, Jamie, Oli, Alex, Dalia, Joseph, Laura, Mais, Michelle e o restante da equipe da Avaaz
PS — Inspirado para mudar algo? Muitas campanhas da Avaaz (como as nossas maiores campanhas durante os protestos no Brasil e na Turquia) foram criadas por membros da nossa comunidade! Crie agora a sua campanha sobre qualquer tema – local, nacional ou global
As centrais sindicais, como a CSP-Conlutas, estão convocando a classe trabalhadora à greve geral, no dia 11 de julho, a greve geral para cobrar do governo e dos patrões o atendimento as reivindicações da classe trabalhadora.
O Brasil está sendo sacudido nas últimas semanas por grandes manifestações de rua. O povo está indo às ruas, com a juventude à frente, para cobrar dos nossos governantes solução para as mazelas que afligem a vida de todos: além do transporte, saúde, educação, moradia, inflação, violência policial, corrupção, desmandos dos políticos, entre muitas outras.
A classe trabalhadora brasileira precisa ocupar participar dos protestos de forma organizada, e em defesa das reivindicações geral e específica:
– Reduzir o preço e melhorar a qualidade dos transportes coletivos;
– Mais investimentos na saúde e educação pública;
– Fim do fator previdenciário e aumento das aposentadorias;
– Redução da jornada de trabalho;
– Fim dos leilões das reservas de petróleo;
– Contra o PL 4330 da terceirização;
– Contra o PL 092 que permite privatizar o serviço público;
– Reforma Agrária;
– Reajuste linear e data-base para os servidores públicos.
A estas reivindicações, obviamente, podem agregar-se outras que cada categoria achar adequado e que ajude a mobilizar os trabalhadores.
De quem vamos cobrar o atendimento destas reivindicações? Muitas das reivindicações são cobradas aos patrões diretamente, nas campanhas salariais ou fora delas. No entanto, a maior parte dos problemas, que afetam a classe trabalhadora, é causada pelas decisões dos governos estaduais, municipais e federal. É para cobrar destes governo que é importante participar das manifestações no dia 11 de julho. O governo Dilma tem demonstrado muita disposição quando se trata de atender os interesses das grandes empresas e dos bancos, mantendo a sangria aos cofres públicos com o pagamento dos juros da dívida pública que leva 48% do orçamento da União, o equivalente a R$ 800 bilhões.
O primeiro passo de uma longa jornada Para que se criem condições de resolver os problemas apontados nas manifestações de rua e para atender as necessidades dos trabalhadores é preciso cobrar do governo a suspensão do pagamento da dívida externa e interna, que todo ano destina metade do orçamento do país aos banqueiros e grandes especuladores. Só assim haverá recursos para investir na educação, moradia, transporte e na saúde pública.
É preciso parar as privatizações (a começar com o fim dos leilões das reservas de petróleo) e reverter as que já forma feitas, recuperar o patrimônio público que foi entregue a preço de banana para empresas privadas. Sem isso não há soberania nem futuro para o país. O governo precisa de parar de dar dinheiro público para as grandes empresas, para que haja recursos para financiar as políticas públicas que melhorem a vida do povo.
É preciso acabar com o domínio dos bancos sobre o nosso país. O povo brasileiro trabalha a vida inteira apenas para enriquecer banqueiros. É preciso estatizar o sistema financeiro, de modo que o sistema bancário possa estar a serviço de promover crédito barato para a população e para financiar aquilo que for de interesse da população.
Nenhuma destas mudanças será feita sem muita luta contra, pois nenhuma destas medidas cabe dentro do modelo econômico aplicado no país pelo governo Dilma (e reproduzido nos estados e municípios pelos governadores e prefeitos). Por isso é importante entender que nossa luta está apenas no começo. Que o dia 11 seja prenuncio de uma jornada duradoura e que só termine quando mudarmos o país!
O desafio das centrais sindicais e sindicatos de todo o país Em toda luta que se pretenda vencer é preciso saber contra quem lutamos. A jornada que ora se inicia tem como objetivo fortalecer as mobilizações em curso para mudar o país e melhorar a vida dos trabalhadores e do povo pobre. Essa mudança só será possível houver uma inversão completa do modelo econômico que se aplica no país hoje. Trata-se de um modelo todo voltado para favorecer os bancos, as empreiteiras, as grandes empresas e o agronegócio.
Não vai haver investimentos necessários na educação e saúde pública, na moradia popular, nos transportes públicos, na melhoria dos salários, das aposentadorias, ampliação dos direitos dos trabalhadores enquanto este modelo persistir. E este modelo econômico que aí está não caiu do céu. Foi definido e é aplicado pelo governo que aí está. Pelo governo Dilma, principalmente, e também pelos governos estaduais e municipais.
É contra estes governos e seu modelo econômico que lutamos. Cabe às centrais sindicais, algumas delas apoiadoras do governo, fazer uma escolha. Ou ficam do lado dos trabalhadores e suas reivindicações e levam adiante esta luta contra o governo até forçarmos uma mudança de fundo no país, em benefício dos trabalhadores; ou ficam do lado do governo e acabarão tendo de abandonar a defesa dos interesses da nossa classe.
Por isso nos preocupa declarações com as que deram dirigentes da CUT, comprometendo-se a fazer campanha pela reforma política e do plebiscito conforme pedido do governo. Não há como atender a dois senhores. Defender o governo é incompatível com defender os trabalhadores. Nossa trincheira é a dos trabalhadores. Na outra estão os governos e os patrões (que são os beneficiados pelas políticas praticadas destes governos).
Presidenta Dilma: Enrolação, não! A presidenta Dilma tem dito que está ouvindo a cobrança dos manifestantes. Mas, ao invés de apresentar solução concreta para os problemas da saúde, da educação, da moradia, do transporte, aparece com uma proposta de Reforma política e de Plebiscito. Nós achamos que o sistema político brasileiro, dominado pela corrupção, precisa sim mudar, não representa o povo brasileiro. Mas nem por isso vamos aceitar que nos vendam gato por lebre, trazendo este assunto à tona desta forma, apenas para fugir de atender nossas demandas.
Se a solução é plebiscito, por que então não convocar um plebiscito para que o povo decida se o país deve ou não aplicar 10% do PIB na educação pública, já? Porque não perguntar no Plebiscito, o que o povo acha de o país destinar metade do orçamento federal para banqueiros e grandes especuladores, sob a forma de pagamento de uma dívida que ninguém sabe se existe? Porque não perguntar no Plebiscito se o povo é a favor de leiloar as reservas de petróleo que o país tem, para as empresas privadas estrangeiras?
Agora, Plebiscito para que os mesmos políticos e partidos que sempre dominaram a política brasileira definam como é que vão continuar dominando, não tem nenhum sentido. Se fosse Plebiscito para mudar mesmo, porque então não perguntar se o povo é a favor, sim ou não, de que o salário de um deputado, senador, presidente da república, seja igual ao salário de um professor? Se o povo é a favor, sim ou não, da revogabilidade do mandato do político que não cumprir seus compromissos de campanha? Ou se o povo é a favor, sim ou não, de confiscar todos os bens e colocar na cadeia os corruptos e os corruptores?
Força Sindical aprova greves e protestos para o dia 11; rodovias serão fechada
A coordenação da Força Sindical divulgou o cronograma do Dia Nacional de Luta com Greves e Manifestações, que acontecerá no dia 11 de julho. De acordo com o grupo, as manifestações ocorrem em todo o Estado de São Paulo e deverão fechar as principais rodovias paulistas, além das marginais Tietê, Pinheiros e a avenida Paulista, na capital.Na manhã de hoje, dirigentes das centrais sindicais se reuniram com o Secretário de Segurança Pública de São Paulo, Fernando Grella, e com o comandante da Polícia Militar, coronel Benedito Roberto Meira e garantiram atos pacíficos. “Informamos que as manifestações serão generalizadas em todo o Estado, com muita organização . Se tiver alguma pessoa infiltrada, com a intenção de fazer atos de vandalismo, nós mesmos avisaremos a polícia”, afirmou o presidente da Força Sindical, o deputado Paulinho da Força (PDT).
Participam das manifestações, além da Força Sindical, a Central única dos Trabalhadores (CUT), a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), a União Geral dos Trabalhadores (UGT) e a Nova Central. De acordo com os sindicalistas, o metrô de São Paulo deverá parar por algumas horas e os funcionários dos portos também devem cruzar os braços.
Se tiver alguma pessoa infiltrada, com a intenção de fazer atos de vandalismo, nós mesmos avisaremos a polícia
Paulinho da Força presidente da Força Sindical
O governo estadual, por meio do secretário de segurança pública, informou que garantirá o direito de greve e manifestação dos trabalhadores. Além das centrais sindicais, a União Nacional dos Estudantes (UNE) e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) devem realizar atos por todo o Brasil.
As principais reivindicações dos manifestantes são o fim do fator previdenciário, 40 horas semanais, reajuste para aposentados e ampliação nos investimentos nas áreas da Saúde e da Educação, além da reforma política e econômica no Brasil.
Protestos contra tarifas mobilizam população e desafiam governos de todo o País
Mobilizados contra o aumento das tarifas de transporte público nas grandes cidades brasileiras, grupos de ativistas organizaram protestos para pedir a redução dos preços e maior qualidade dos serviços públicos prestados à população. Estes atos ganharam corpo e expressão nacional, dilatando-se gradualmente em uma onda de protestos e levando dezenas de milhares de pessoas às ruas com uma agenda de reivindicações ampla e com um significado ainda não plenamente compreendido.
A mobilização começou em Porto Alegre, quando, entre março e abril, milhares de manifestantes agruparam-se em frente à Prefeitura para protestar contra o recente aumento do preço das passagens de ônibus; a mobilização surtiu efeito, e o aumento foi temporariamente revogado. Poucos meses depois, o mesmo movimento se gestou em São Paulo, onde sucessivas mobilizações atraíram milhares às ruas; o maior episódio ocorreu no dia 13 de junho, quando um imenso ato público acabou em violentos confrontos com a polícia.
A grandeza do protesto e a violência dos confrontos expandiu a pauta para todo o País. Foi assim que, no dia 17 de junho, o Brasil viveu o que foi visto como uma das maiores jornadas populares dos últimos 20 anos. Motivados contra os aumentos do preço dos transportes, mas também já inflamados por diversas outras bandeiras, tais como a realização da Copa do Mundo de 2014, a nação viveu uma noite de mobilização e confrontos em São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Salvador, Fortaleza, Porto Alegre e Brasília.
A onda de protestos mobiliza o debate do País e levanta um amálgama de questionamentos sobre objetivos, rumos, pautas e significados de um movimento popular singular na história brasileira desde a restauração do regime democrático em 1985. A revogação dos aumentos das passagens já é um dos resultados obtidos em São Paulo e outras cidades, mas o movimento não deve parar por aí. “Essas vozes precisam ser ouvidas”, disse a presidente Dilma Rousseff, ela própria e seu governo alvos de críticas.
O presidente nacional da Força Sindical, Paulinho da Força, afirmou nesta segunda-feira que o PT tenta “contrabandear” a paralisação geral programada para quinta-feira (11) em várias cidades do País. Segundo o líder sindical, o partido propositalmente tenta desvirtuar o foco das pautas das demandas específicas dos trabalhadores ao convocar a militância a apoiar a ideia do plebiscito, por exemplo.
“A gente vê isso (o apoio ao plebiscito) muito mal. Se quiser apoiar a causa (defendida pela Força Sindical) será bem-vindo. A pauta é clara, é única, não tem essa história de plebiscito”, afirmou Paulinho. “Não vamos aceitar uma coisa que nem sabemos no que vai dar. (…) Esse plebiscito é um OVNI.”
A Força Sindical divulga a partir desta segunda-feira cidades e locais onde ocorrerão greves e atos. Segundo Paulinho, um ato será feito na avenida Paulista a partir das 12h na quinta-feira.
No mesmo dia, a Central Única dos Trabalhadores (CUT), que colocou a defesa do plebiscito junto às suas pautas trabalhistas, também fará manifestações pelo País. Os eventos desta central sindical têm o apoio do PT, que inclusive divulgou o ato em seu site oficial.
Um possível encontro entre os dois atos preocupa Paulinho, que afirmou que a marcha da manifestação feita pela Força Sindical pode ser modificada. “Assim não tem nenhuma possibilidade de ter o contrabando do PT.”
Apesar de criticar o que classifica como tentativa de desvirtuar a manifestação, Paulinho afirmou que aceita a participação de partidos nos atos. “Se apoiarem a causa dos trabalhadores, serão bem-vindos”.
Centrais no RJ aderem ao Dia Nacional de Luta com greves e protestos
Para cobrar a redução da jornada de trabalho de 44 horas semanais para 40 horas, mudanças nas regras da aposentadoria (fim do fator previdenciário) e reajustes para aposentados, cinco centrais sindicais organizam atividades no Rio. O Dia Nacional de Luta, em 11 de julho, culminará com um ato próximo à Igreja Candelária, a partir das 15h.
Para definir a agenda, que deve incluir passeatas, protestos e paralisações, as centrais se reuniram nesta terça-feira na sede da Força Sindical. De acordo com o presidente estadual da entidade, Francisco Dal Prá, ela será levada à aprovação dos sindicatos e, na próxima segunda-feira, divulgada a estratégia de mobilização.
Entre os itens mais importantes da pauta de reivindicação, Dal Prá destacou a redução da jornada de trabalho, que deve ser aprovada pelo Congresso Nacional, por meio de proposta de emenda à Constituição, pronta para ser votada desde setembro de 2012. “A redução vai dar mais tempo para o trabalhador investir na formação profissional e na família, gerando mais 2 milhões de empregos”, disse.
Representando a Central Única dos Trabalhadores (CUT), o coordenador do Setor Naval, Jadir Baptista confirmou que já discute atos com a participação dos 127 sindicatos filiados no Rio, conforme orientação nacional. “Os fluminenses estão mobilizados, inclusive em Campos dos Goytacazes e Niterói, no norte do estado e na região metropolitana”, declarou.
Baptista destacou que as manifestações das últimas semanas não incorporaram as reivindicações trabalhistas. “Tinha a questão da educação, do funcionamento do governo, contra a corrupção, que somos contra também, mas sem tocar claramente no ponto”, acrescentou.
O Dia Nacional de Lutas também incorpora reivindicações dos movimentos sociais, como a reforma agrária e o fim dos leilões de petróleo. É esperada a participação desses grupos nos atos.
Também participaram do encontro a Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST), que reúne os sindicatos das principais empresas do setor de transportes, da União Geral dos Trabalhadores (UGT) e a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).
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