Exoneração: cresce o número de servidores que abandonam a carreira pública

Estado: professores são os que mais deixam a carreira pública
Estado: professores são os que mais deixam a carreira pública Foto: Márcia Foletto / arquivo

A crise financeira pela qual passa o Estado do Rio tem feito muitos servidores desistirem do sonho da carreira pública. Com os constantes atrasos de salários, incertezas de data de pagamento, além da perspectiva de não haver reajuste nos próximos anos e de haver corte de benefícios como férias prêmio, por exemplo, centenas de profissionais vêm pedindo a exoneração de seus cargos.

A coluna ouviu dezenas de histórias de servidores que preferiram não se identificar mas dizem que vão abandonar a carreira pública devido ao sucateamento pelo qual passa o governo. É o caso de um grupo de pelo menos dez professores do interior do estado, que pensa em pedir exoneração até o meio do ano. O motivo é o mesmo: descontentamento com a carreira.

— Tenho uma matrícula no estado e, em outro horário, leciono em escola particular. Porém, hoje, a carreira pública no Estado do Rio deixou de ser interessante, pois os planos de carreira estão defasados, e ficamos com salários atrasados por dois meses, sem falar no 13º que ainda não recebemos. Além disso, com as contrapartidas do socorro aos estados pela União, existe a possibilidade de perdermos reajustes anuais e benefícios como férias prêmio e triênios. Definitivamente, se isso acontecer, pedirei exoneração para me dedicar ao ensino particular ou arrumar outro emprego em qualquer área — diz o professor.

A professora Maria Andrade também quer desistir da carreira pública no estado.

— Não há perspectiva alguma de melhora. Ao contrário, acho que a situação ficará pior. A saída é pedir a exoneração.

No Rio, uma servidora da Saúde que se dedica há mais de 15 anos ao estado diz não aguentar mais a atual situação e afirma que deixará a função com tristeza.

— Estudei muito para conseguir uma vaga no funcionalismo, mas hoje não quero mais continuar. É humilhante.

Em dois anos, 94% das exonerações foram a pedido do servidor

O efeito da crise sobre os servidores do estado, que vêm pedindo exoneração, é confirmado por dados do próprio governo. De acordo com números da Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz), entre janeiro de 2015 e abril deste ano, período mais agudo da crise financeira, foram registradas 3.493 exonerações no serviço público estadual. Destas, 3.271 exonerações foram a pedido dos próprios servidores — 94% das demissões.

Ainda segundo dados da pasta, entre estas exonerações, estão incluídos servidores de todas as áreas. Do total, 68% são da Secretaria estadual de Educação (Seeduc), 8% da Secretaria de Saúde, 7% da área militar e os outros 17% estão divididos entre os demais órgãos do Executivo.

A Sefaz vê os números de outra forma. Segundo a secretaria, a exoneração não é intimamente ligada à crise, pois “é comum servidores pedirem exoneração quando passam para outros concursos”.

 

 

Falta de salário é principal motivo para desistências

De acordo com a advogada especialista em Direito do Trabalho Patrícia Neves Bezerra, é comum que, em períodos de crise financeira, como a do Estado do Rio, profissionais peçam exoneração, pois muitos não conseguem se manter sem os salários ou mesmo com os constantes atrasos.

— É como se o estado forçasse o servidor a pedir a exoneração, porque, é impossível sobreviver sem salários e com a instabilidade de não saber quando terá algum dinheiro na conta — diz.

Segundo a advogada, servidores que pedirem exoneração e estiverem com salários e benefícios atrasados devem ir à Justiça em busca dos direitos.

Fonte: Jornal Extra

10 concursos mais bem pagos e disputados do paí

Um dos motivos que leva milhares de brasileiros a investir nos estudos para prestar concursos públicos é a alta remuneração oferecida. Além do salário inicial, o profissional tem diversas bonificações ao longo da carreira. Em cargos de confiança, o servidor ganha um acréscimo no salário, e os planos de carreira, que proporcionam aumentos salariais periódicos. Confira os concursos mais concorridos:

1) Senado Federal e Câmara dos Deputados

O concurso do Senado é um dos mais concorridos. O último, realizado em março deste ano, teve 157.939 inscritos para 246 vagas disponíveis, o que representa uma média de 642,02 candidatos por vaga. A remuneração oferecida foi de R$ 13.833,64 para técnico legislativo e polícia legislativa, R$ 18.440,64 para analista legislativo e R$ 23.826,57 para consultor legislativo.

A Câmara dos Deputados tem uma das mais altas remunerações. A próxima seleção será realizada no dia 3 de junho e oferece 34 vagas de nível superior para sete cargos diferentes. A remuneração inicial é de R$ 11.914,88.

A última seleção na Câmara foi realizada em 2007 e ofereceu 212 vagas com salários entre R$ 3.252,22 e R$ 9.008,12.

2) Receita Federal

O último concurso da Receita Federal foi realizado em dezembro de 2009, quando foram oferecidas 450 vagas para o cargo de auditor fiscal, com remuneração de R$ 13.067,00, e outras 700 vagas para o cargo de analista tributário, com remuneração de R$ 7.624,56. Ao todo, 158.005 pessoas se inscreveram. A previsão é de que o próximo edital do concurso seja lançado em junho deste ano.

3) Tribunal de Contas da União

O TCU divulgou nota recentemente anunciando a realização de concurso público para o preenchimento de 29 vagas de nível médio para o cargo de técnico federal de controle externo. A remuneração inicial é de R$ 6.308,42, podendo chegar a R$ 9.334,55. A última seleção para o tribunal de nível médio teve 28.769 pessoas inscritas. O último concurso de nível superior para o tribunal foi realizado no ano passado e ofereceu 70 vagas de auditor federal do controle externo. No total, quase onze mil pessoas se inscreveram para concorrer aos cargos com remuneração inicial de R$ 11.256,83.

4) Ministério Público da União

O último concurso do MPU, realizado em 2010, teve 754.791 inscritos para concorrer a 590 vagas, sendo 408 para o cargo de técnico (nível médio) e 186 para analista (nível superior). A remuneração oferecida foi de R$ 3.993,09 para técnicos e R$ 6.551,52 para analistas.

5) Polícia Federal

A Polícia Federal realizou concurso público, no início de maio, para o preenchimento de 600 vagas – sendo 500 para o cargo de agente e 100 para o cargo de papiposcopista. Ao todo, 119.005 pessoas concorreram aos cargos com salários iniciais de R$ 7.514,33. Está previsto para este mês o lançamento de mais um concurso, que oferecerá 600 vagas – 350 para o cargo de escrivão, 150 para delegado e 100 para perito, com salários de R$ 7.818 para escrivão e R$ 13.672,00 para delegado e perito.

6) Banco Central

Os concursos do Banco Central atraem milhares de interessados, graças aos bons salários oferecidos. A remuneração inicial de técnico (nível médio) é de R$ 4.917, podendo chegar a R$ 8.449. Já para o cargo de analista (nível superior), o salário é de R$ 12.960. Existem 13 classes nas carreiras. Os servidores do quadro exercem funções de confiança. Há possibilidade de preenchimento de cargos comissionados de assessoramento e gestão. A previsão é de que seja lançado edital para concurso público ainda neste ano. Segundo previsões do próprio BC, 279 funcionários deverão sair em 2012, 224 em 2013 e 131 em 2014.

7) Controladoria-Geral da União – CGU

A CGU também oferece salários atrativos. O concurso que será realizado nos dias 16 e 17 de junho deste ano, oferece 250 vagas de nível superior, com remuneração inicial de R$ 12.960,77. As vagas são para analista de finanças e controle nas áreas Administrativa, Correição, Com. Social, Auditoria e Fiscalização, Tec. da Informação e Prevenção e Ouvidoria. A última seleção da CGU foi em 2008 e ofereceu 220 vagas de analista de finanças e controle (nível superior) e 180 vagas de técnico de finanças e controle (nível médio), com remuneração de R$ 8.484,53 e R$ 3.907,79, respectivamente.

8) Agência Brasileira de Inteligência

O último concurso da Abin ocorreu em 2010 e ofereceu 80 vagas – sendo 50 para o cargo de oficial técnico de inteligência (nível superior) e 30 para o cargo de agente técnico de inteligência (nível médio). A remuneração oferecida foi de R$ 10.216,12 para nível superior e R$ 4.211,04 para nível médio. Ao todo, mais de 49 mil pessoas se inscreveram no concurso, o que representou média de 615 candidatos por vaga.

9) Supremo Tribunal Federal

A última seleção para o STF, ocorrida em 2008, ofereceu 188 vagas – 77 para técnico judiciário (nível médio) e 111 para analista judiciário (nível superior). A remuneração oferecida foi de R$ 3.323,52 a R$ 5.484,08, de acordo com o cargo. O concurso, organizado pelo Cespe/UnB, teve 135.521 inscrições e 94.442 validadas pela confirmação do pagamento da taxa. A concorrência média foi de 502,35 candidatos por vaga. Previsto um novo edital no segundo semestre deste ano para formação de cadastro reserva.

10) Petrobras

O grande atrativo da Petrobras é o pacote de benefícios da empresa que inclui o auxílio creche ou auxílio acompanhante; auxílio ensino (pré-escolar, fundamental e médio) para os filhos; complementação educacional; assistência multidisciplinar de saúde (médica, odontológica, psicológica e hospitalar) e benefício farmácia; Plano de Previdência; e participação nos lucros e/ou resultados. Oferece várias opções de Nível Superior e Nível Técnico. Nos últimos concursos a remuneração variou de R$ 1.994,30 a R$ 6.883,05.

Fonte: Yahoo