56% dos trabalhadores formais estão insatisfeitos com o trabalho, revela pesquisa
O emprego está voltando, mostram os dados do mercado de trabalho. O Brasil chegou a contabilizar mais de 14 milhões de desempregados este ano. Agora são 12,7 milhões, segundo o IBGE. Há um novo dado sobre o mercado de trabalho no país que acende um alerta para um dos principais debates sobre o tema: a qualidade do emprego e da relação entre empregadores e empregados.
Uma pesquisa feita pelo Instituto Locomotiva revela que 56% dos trabalhadores com carteira assinada estão insatisfeitos com seu emprego. Isto significa que 18,7 milhões de pessoas trocariam de lugar na busca de mais alegria no trabalho. Apenas um terço dos entrevistados pela entidade se declarou satisfeito de modo geral. Numa economia que tem 33,3 milhões de trabalhadores formais, como fazer para trocar mais da metade de lugar sem tira-los do mercado?
“Um dos grandes problemas das empresas, que nem no período da crise e do aumento do desemprego foi superado, é a troca de pessoal, o turnover. Qual prejuízo que isso tem para as empresas? Todo treinamento que a empresa investe nos funcionários deixa de existir quando ela perde este talento para alguma concorrência. Combater o turnover das empresas é um dos grandes desafios para construção da produtividade no Brasil”, disse ao Blog o economista Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva.
A mesma estatística do IBGE que mostra que o desemprego diminuiu nos últimos seis meses revela que 74% das vagas criadas entre janeiro e outubro deste ano estão na informalidade. Com a legislação trabalhista que surge depois da reforma, espera-se que boa parte deste contingente seja formalizado sob novas condições que não necessariamente a carteira de trabalho.
A pesquisa do Locomotiva mostrou que, dos 1019 entrevistados, 81% conhecem o tema da reforma trabalhista, mas não se consideram informados sobre as mudanças. A ameaça do desemprego pode ter se arrefecido com a melhora dos últimos meses, mas a preocupação com futuro, não, já que 87% disseram estar preocupados com os efeitos que a nova CLT vai causar no mercado.
Mesmo que convivendo com a insegurança com a nova legislação, os trabalhadores sinalizam que o salário não é a única forma de motivação para gerar satisfação. Para 87% dos entrevistados pelo Locomotiva, as premiações em produtos e serviços são uma boa forma de as empresas valorizarem seus funcionários. Já 80% acreditam que programas de premiação podem estimular muito a sensação de reconhecimento, a produtividade e a melhora do ambiente de trabalho, além da satisfação geral.
“A pesquisa deixou claro que, infelizmente, não basta apenas um bom salário para manter os funcionários motivados. Quando mais da metade de trabalhadores formais querem mudar de emprego, alguma coisa precisa ser revista no jeito em que as empresas estão engajando a sua força de trabalho”, disse Renato Meirelles.
Parece que está faltando também psicologia e noção de relações humanas dentro das empresas brasileiras. Numa escala de graus de satisfação dos trabalhadores, é como se salário fosse essencial, premiação fosse sensacional e o reconhecimento “imaterial”, fosse extraordinário.
A pesquisa mostra que 96% das pessoas consideram importante que as empresas reconheçam seus funcionários por meio de recompensas materiais como dinheiro, viagens, vale-presente, etc. E 90% consideram que este reconhecimento pode vir sob outras formas, como elogios, homenagens até mesmo uma estrela no peito, desde que seja uma atitude que valorize a entrega do trabalhador.
Fonte: G1
Trabalho: a distância entre o Brasil que emprega e o que demite
País fecha o semestre com saldo de 67.358 novas vagas, mas o balanço nacional mascara diferenças gritantes entre cidades e setores da atividade econômica

O maior empregador no primeiro semestre do ano foi o agronegócio, com um saldo positivo de 117.013 postos. (Luiz Maximiano/VEJA)
A criação de 67.358 vagas com carteira assinada de janeiro a junho traz um leve alento para um país mergulhado em prolongada crise. Foi o primeiro resultado positivo desde 2014. Em tempos de desemprego alto e incertezas na economia, o resultado traz esperança de dias melhores para quem busca uma ocupação para garantir o próprio sustento e o da família.
Mas o balanço nacional esconde diferenças abissais entre regiões e setores da atividade econômica. Enquanto há municípios que se beneficiam de setores aquecidos, com empresas contratando mais do que demitindo, outros ainda patinam na paralisia econômica.
Segundo os cálculos do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do trabalho, a campeã de geração de vagas formais foi a cidade de Franca, no interior de São Paulo, com 6.001 postos criados. No lado oposto está o Rio de Janeiro, com a destruição de 42.343 postos de trabalho. O cálculo do Caged leva em conta a diferença entre as contratações e demissões com carteira assinada, e é diferente da taxa de desemprego, que mede quantos estão procurando trabalho (veja ranking com as 20 primeiras ao fim desta matéria).
Setores da indústria
No caso da cidade paulista, o setor que puxou as contratações foi a indústria de calçados, responsável por 4.294 vagas a mais no período. O setor calçadista é um dos poucos ramos industriais do Caged que gerou vaga no país no primeiro semestre.
Para o presidente do Sindicato da Indústria de Calçados de Franca (Sindifranca), José Carlos do Couto, o aumento é fruto de uma recuperação atrasada nos empregos do final do ano passado. Tradicionalmente, as empresas do setor contratam entre novembro e dezembro. Mas, em razão da queda nas vendas desde 2013, essa reposição de mão de obra tem sido postergada. “No ano passado, só recuperamos em outubro. Neste ano, estamos em julho e ainda não conseguimos recontratar”, explica. Ele avalia que o setor poderia recuperar os níveis de quatro anos atrás se houvesse uma política de exportação de calçados, como ajustes em impostos.
Outra cidade beneficiada por um setor em alta é Santa Cruz do Sul, no Rio Grande do Sul, que foi a terceira melhor do país no semestre, com um saldo de 5.078 vagas – diferença entre demissões e contratações. Segundo o vice-presidente da Associação Comercial e Industrial de Santa Cruz do Sul (ACI), Lucas Rubinger, o município se beneficia da indústria do fumo existente na região do Vale do Rio Pardo, que tem crescido nos últimos anos.
As empresas costumam contratar no começo do ano, por causa da safra, atraindo até moradores de cidades da região. E as indústrias têm investido. “Nos últimos anos, tem acontecido um crescimento contínuo, com avanço em técnicas como melhoramento genético, máquinas de secagem e colheita”, diz Rubinger. A indústria do fumo também foi o principal fator de contratação na vizinha Venâncio Aires, quarta melhor colocada do país (4.652 vagas a mais).
Agropecuária
A indústria de transformação foi um dos setores que gerou vaga no semestre, com 27.776 postos a mais. Mas o maior empregador do período foi o agronegócio, com um saldo positivo de 117.013 postos. O desempenho chama a atenção porque a indústria é muito maior que o campo em termos de trabalhos com carteira assinada: são 7,3 milhões de postos de trabalho contra 1,6 milhão.
Segundo Gilberto Braga, professor de Finanças do Ibmec, o agronegócio costuma registrar alta nas vagas no começo de ano. O que surpreende, em 2017, é o volume de contratações. “Isso poderia até ter sido maior se não tivéssemos crises no setor, como a da carne”, avalia. A safra recorde deste ano foi o principal motivo da alta do PIB no primeiro trimestre.
A produção agropecuária foi o principal fator de alta nas vagas na segunda colocada do país, Bebedouro (SP), com saldo de 5.198 postos abertos no setor. De acordo com o presidente do Sindicato Rural da cidade, José Oswaldo Franco, o movimento que acontece anualmente por causa da safra foi beneficiado em 2017 pelo desempenho da laranja, cuja colheita é manual. “Neste ano, está bem maior, com 360 milhões de caixas contra 280 milhões no ano passado. A colheita não tem como ser mecanizada. Estão testando máquinas na Flórida, mas ainda não tem”, explica. O bom desempenho no setor agrário também foi o que puxou a alta em cidades produtoras de laranja no estado, como Matão (12ª no ranking de emprego nacional) e Mogi-Guaçu (16ª).
Perdas
Enquanto o agronegócio e setores da indústria apresentaram bom desempenho, o comércio e a construção civil, dois dos grandes empregadores nacionais, registraram baixa. Essas quedas foram os principais fatores que fizeram com que o Rio de Janeiro liderasse as perdas, com 42.343 vagas a menos.
Segundo o pesquisador do Ibre/FGV, Bruno Otonni, o mau desempenho da economia da cidade é reflexo da combinação de várias crises: baixa no setor de petróleo, desequilíbrio fiscal do estado e o efeito do fim da Copa de 2014 e da Olimpíada de 2016. Os eventos esportivos trouxeram investimentos no estado, e motivaram grandes obras de infraestrutura.
Além da queda nos preços do óleo no mercado internacional desde 2014 a quase metade do valor, a Operação Lava-Jato também impactou a economia no segmento. “Não prejudicou só a Petrobras, mas o setor como um todo, como a indústria naval, que é muito importante para o estado”, explica Otonni.
A queda no comércio varejista, com 11.651 vagas a menos, é um sinal da atividade econômica difícil no município. Este setor costuma refletir os problemas em outras áreas de economia. A queda no segmento, que demitiu mais que contratou 125.086 pessoas pelo país, também foi fator importante nas cidades de Fortaleza (CE) e Duque de Caxias (RJ), segundo e terceiro lugar em perdas no país, respectivamente.
Formalização
Para Sergio Firpo, professor de economia do Insper, é possível que os bons resultados de alguns setores, em meio a uma recuperação ainda tímida, se espalhem para outras atividades no segundo semestre.
Ele considera que a retomada do emprego deve ser influenciada pela instabilidade política e pelas novas leis trabalhistas, que entram em vigor a partir de novembro. As incertezas sobre o governo pesam na disposição das empresas em investir e contratar, enquanto a nova CLT pode aumentar as vagas com carteira assinada. “A desocupação caiu em junho, mas a maior proporção foi por aumento do emprego informal”, observa. O setor de serviços é um dos que tem potencial.
Fonte: Veja
Desemprego fica em 13,0% em junho e atinge 13,5 milhões, diz IBGE
Informalidade ajudou população desocupada a cair pela 1ª vez desde o fim de 2014.
O desemprego ficou em 13,0% no trimestre encerrado em junho, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (28) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da pesquisa Pnad Contínua. No período, o Brasil tinha 13,5 milhões de desempregados. Trata-se de um recuo de 0,7 ponto percentual em relação ao trimestre terminado em março de 2017. Ao olhar esta base de comparação, foi a primeira queda estatisticamente importante desde o trimestre terminado em dezembro de 2014, diz o IBGE. Mas frente ao mesmo trimestre de 2016, a taxa continua 1,7 ponto percentual maior, quando o desemprego estava em 11,3%. Já no trimestre terminado em maio, a taxa de desocupação era de 13,3% (Foto: Arte/G1) “É o primeiro movimento significativo de redução de taxa de desocupação em quase três anos. Isso, claro, é positivo”, afirmou o coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo. A taxa de desemprego é medida pelo IBGE por meio de uma média móvel trimestral, ou seja, de três meses, portanto, o dado de junho se refere ao período de abril a junho. O instituto divulga a taxa mensalmente. Em relação ao trimestre móvel encerrado em março, a população desocupada recuou 4,9%, passando de 14,1 milhões de desempregados para 13,5 milhões. Foi a primeira redução desde o trimestre terminado em dezembro de 2014, segundo o IBGE. Contudo, a desocupação ficou 16,4% acima do mesmo trimestre de 2016. “Verificamos que houve crescimento na indústria alimentícia, motoristas de transportes de passageiros e também nos segmentos ligados à beleza, como cabelereiros, pedicure e manicure. Nessa última categoria, é maciça a presença de pessoas que trabalham por conta própria”, afirmou Azeredo. A população ocupada, que era de 90,2 milhões no trimestre, cresceu 1,4% (mais 1,3 milhão de pessoas) em relação ao trimestre entre janeiro e março. “É importante notar que esses mais de 1,3 milhão que entraram no mercado de trabalho o fizeram por vias informais, sem carteira assinada”, observou Azeredo. O número de empregados com carteira de trabalho assinada (inclusive os trabalhadores domésticos) foi de 33,3 milhões, mantendo-se estável frente ao trimestre anterior e recuando 3,2% em relação ao mesmo trimestre móvel de 2016. Em 2014, havia 36,880 milhões de carteiras assinadas. Ou seja, redução de mais de três milhões de postos de trabalho formais no país, segundo o IBGE. Segundo Azeredo, esse é o pior momento no que se refere à carteira de trabalho. “Verificamos o menor número da série que investiga a quantidade de trabalhadores empregados com carteira assinada. São mais de três milhões de postos de trabalho com carteira assinada desde 2014. É uma notícia que entristece porque sabemos que a carteira assinada é fundamental para, por exemplo, o cálculo do tempo de contribuição para a Previdência”. (Foto: Arte/G1) Em relação ao mesmo período de 2016, a população ocupada recuou 0,6% (menos 562 mil pessoas), segundo o IBGE. Ainda segundo o IBGE, o rendimento médio real das pessoas ocupadas ficou estável frente ao trimestre encerrado em março de 2017, passando de R$ 2.125 para R$ 2.104 e também em relação ao mesmo trimestre de 2016, quando era de R$ 2.043. O número de trabalhadores por conta própria cresceu 1,8% na comparação com o trimestre anterior, somando 22,5 milhões de pessoas, mas recuou 1,8% em relação a 2016. Já o número de empregadores (4,2 milhões de pessoas) ficou estável frente ao trimestre imediatamente anterior e cresceu 13,1% (mais 484 mil pessoas) em relação ao mesmo trimestre de 2016. Já entre os trabalhadores domésticos, a ocupação ficou estável nas duas bases de comparação, chegando a 6,1 milhões de pessoas, de acordo com o IBGE./i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2017/I/1/yEQXBlTAmiO87BXcMBbg/pnad-taxa.jpg)
População desocupada
Aumento do trabalho informal
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Rendimento
Autônomos e empregadores
Fonte: G1
Quase 3 milhões procuram emprego há mais de dois anos, diz IBGE
Em termos absolutos, o número é o mais alto da série história da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), com início em 2012
© Divulgação
O número de brasileiros em busca de emprego há mais de dois anos voltou a subir em 2017. Após dois trimestres seguidos de queda, o número de pessoas nessa situação chegou a 2,9 milhões, ou 20,4% dos 14,2 milhões de desempregados do país.
Em termos absolutos, o número é o mais alto da série história da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), com início em 2012. Os dados foram divulgados pelo IBGE nesta quinta (18).
Há um ano, esse porcentual era de 18,2% e, no último trimestre de 2016, de 19,9%.
O número de pessoas procurando uma vaga há mais de um ano mas há menos de dois anos também atingiu o valor mais alto da série, com um contingente de 2,5 milhões de pessoas.
A maior parte dos desempregados está em busca de trabalho há pelo menos um mês e menos de um ano. No primeiro trimestre de 2017, eram 6,9 milhões de pessoas nessa situação.
SUBUTILIZAÇÃO
Desempregados, subocupados (pessoas que trabalham menos de 40 horas por semana mas gostariam de trabalhar mais) e quem faz parte da força de trabalho potencial mas não está empregado somaram 26,5 milhões de pessoas no primeiro trimestre.
Esse grupo forma a chamada subutilização da força de trabalho. Considerando toda a mão de obra disponível, a subutilização chegou a uma taxa de 24,1% no início do ano.
Há um ano, esse número era de 19,3%.
Fonte: Notícias ao minuto
Mercado tem 26,5 milhões de trabalhadores subutilizados, diz IBGE
Taxa de subutilização da força de trabalho ficou em 24,1% no primeiro trimestre. No trimestre anterior, ela ficou em 22,2%.
O mercado de trabalho encerrou o primeiro trimestre do ano com 26,5 milhões de trabalhadores desempregados e subocupados – 2,2 milhões a mais que no trimestre anterior. É o que aponta a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) divulgada nesta quinta-feira (18) pelo Instituto Nacional de Geografia e Estatística (IBGE).
Recessão e desemprego fizeram produtividade do trabalho recuar 7% entre 2014 e 2016
— Essa recessão brutal causou um colapso da produtividade do trabalho, que está estagnada desde 1980, com pequenas variações positivas na abertura comercial na primeira metade dos anos 1990 e, depois, nas microrreformas feitas entre 2003 e 2008. Mas esse crescimento acabou não sendo sustentável. Foi derrubado por uma combinação de investimentos em setores equivocados, que eram pouco produtivos e não deram resultado, e pela trajetória explosiva da dívida pública, que acabou com a confiança de consumidores e empresários e travou investimentos — avalia Fernando Veloso, pesquisador da área de trabalho da Fundação Getulio Vargas.
Ariana Stephanie Zerbinatti, economista e autora do estudo, diz que o recuo de 7% do indicador — resultado da divisão do PIB pelo número de trabalhadores — só não foi mais intenso porque o mercado de trabalho começou a demitir com mais intensidade apenas no segundo semestre de 2015. Essa queda, de acordo com o relatório, diz respeito ao período compreendido entre o primeiro trimestre de 2014 e o último de 2016, quando o PIB acumulou queda de 9%, e a ocupação recuou 2%.
— Pela forma como é calculada, a produtividade do trabalho, geralmente, apresenta recuo em períodos de crise, visto que o emprego tende a apresentar quedas menos intensas que o PIB. Ainda assim, esperamos alguma melhora da produtividade do trabalho este ano, encerrando com alta de 1%, graças à retomada gradual da atividade econômica, que deve crescer 0,3%. O mercado de trabalho ainda vai reagir de forma defasada a essa recuperação. A retomada da produtividade se dará mais pela produção do que pelo emprego — ressalta Ariana.
PIOR AINDA NA COMPARAÇÃO INTERNACIONAL
Para Cláudio Dedecca, economista da Unicamp especialista em mercado de trabalho, esse recuo mostra que o país está deixando de usar a sua capacidade de trabalho para potencializar a riqueza do país:
— É um dado preocupante, porque cada trabalhador brasileiro passou a produzir menos. A contribuição dele para o PIB reflete uma recessão muito violenta. Um elemento que tem de ser levado em conta decorre do fato de o Brasil ter uma dinâmica de produtividade muito ruim. Precisamos de muita gente para gerar um PIB que não é tão grande assim. Durante muito tempo, o emprego formal cresceu o dobro do PIB. Essa fragilidade foi amplificada pela recessão.
Para Dedecca, essa perda de produtividade impacta ainda mais na competitividade do país, o que reforça a dificuldade de uma retomada da atividade a níveis expressivos, acima de 6% ao ano, e sustentável, como é o caso da China, exemplifica.
Otto Nogami, professor de economia do Insper, no entanto, é mais otimista. Ele defende que, em um processo de retomada da economia como o país está vivendo, essa produtividade baixa pode se tornar um benefício:
— Já existe capacidade instalada, que está ociosa. Então, quando a demanda voltar a crescer, é só produzir mais com o mesmo quadro. Você consegue recuperar rapidamente o índice de produtividade. É o que ocorre nas economias americana e europeia, onde, com os mesmos recursos humanos, se produz mais, capacitando as pessoas e adicionando ferramentas.
Na comparação com outros países, a baixa produtividade do trabalho no país chama atenção. De acordo com Veloso, enquanto entre 1980 e 2015, a produtividade americana cresceu 1,5% ao ano, e a do Chile, 1,8%; a do Brasil não saiu do lugar, com 0,1%. De acordo o Bradesco, comparando a produtividade do trabalho dos países que passaram por crises recentes, o recuo brasileiro foi bastante próximo ao ocorrido na Grécia (-7,3%). Apesar da crise de duração semelhante à do Brasil, lá a contração do PIB foi bem maior, de 20%, e houve um ajuste mais profundo nos empregos. Já na Itália e nos EUA, as contrações da produtividade foram menores do que no Brasil, porque ambos tiveram quedas menos intensas do PIB e crises de menor duração.
COMÉRCIO E CONSTRUÇÃO PERDERAM MAIS
Setorialmente, o estudo aponta que a queda mais intensa da produtividade foi registrada pela construção civil, com recuo de 17,6% entre o primeiro trimestre de 2014 e o último de 2016. O resultado, explica Ariana, reflete a queda de aproximadamente 20% do PIB do setor no mesmo período, ao passo que o emprego caiu cerca de 2%. Queda em magnitude semelhante registou o comércio, de 17,2%.
— São setores que cresceram bastante nos anos 2000, muito por conta da expansão do acesso ao crédito. Realidade que foi totalmente revertida durante a recessão — opina Veloso.
Fonte: Jornal Extra
Número de trabalhadores sem emprego atinge recorde de 14,2 milhões
Taxa de desemprego chega a 13,7%, maior valor da série histórica

A taxa de desemprego alcançou 13,7%, também recorde da série histórica do IBGE, que começou em 2012. O avanço é forte tanto em relação ao primeiro trimestre de 2016 — quando estava 10,9% — e ao quarto trimestre de 2016 — quando chegou a 12%.
Fonte: Notícias ao Minuto
Além do número de desempregados e da própria taxa de desemprego, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) contínua mostrou uma série de recordes negativos. A população ocupada é a menor já registrada — 88,9 milhões, 1,7 milhão de pessoas a menos que no primeiro trimestre de 2017 —, o menor número de trabalhadores com carteira assinada — referência para empregos de maior qualidade —, e o menor nível de ocupação, que é o percentual de pessoas ocupadas em relação ao total da população em idade de trabalhar. A taxa chegou a 53,1% no primeiro trimestre, frente aos 54% do quarto trimestre e de 54,7% no primeiro trimestre de 2016.
QUEDA DO EMPREGO NA INDÚSTRIA E NA CONSTRUÇÃO
Os dados sobre o mercado de trabalho no primeiro trimestre mostraram queda no contingente de trabalhadores na indústria e na construção. Na indústria, a redução foi de 2,9% frente ao primeiro trimestre de 2016 — 342 mil pessoas a menos —, mas em ritmo menor na comparação com o quarto trimestre, de 0,3% ou 32 mil trabalhadores. No setor de construção, a queda foi maior, de 9,5% frente ao primeiro trimestre de 2016, de 719 mil pessoas. Na comparação com o quarto trimestre, o recuo chegou a 3,4%, de 242 mil trabalhadores.
O contingente de empregados com carteira assinada também caiu: 3,5% frente ao primeiro trimestre — 1,2 milhão de pessoas a mais — e 1,8% em relação ao quarto trimestre, quase 600 mil pessoas (599 mil). O número chegou a 33,4 milhões de pessoas, o menor contingente já observado na série histórica.
Segundo o IBGE, a renda média ficou em R$ 2.110, que é considerada estável frente ao trimestre anterior (R$ 2.064) e em relação ao primeiro trimestre de 2016 (R$ 2.059).
O cenário do mercado de trabalho ainda é de piora daqui para a frente, segundo especialistas. Segundo Alberto Ramos, chefe da área de pesquisas econômicas do Goldman Sachs, ainda haverá mais deterioração até que a economia possa mostrar sinais mínimos de crescimento que possa ajudar a absorver novos trabalhadores e, com isso, estabilizar a taxa de desemprego. “Esperamos que o mercado de trabalho se estabilize durante o segundo semestre e comece a se recuperar no fim do ano”, afirmou Ramos em relatório a clientes.
Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/economia/numero-de-trabalhadores-sem-emprego-atinge-recorde-de-142-milhoes-21270005#ixzz4fYoDe3mu
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Meirelles: perda de 63 mil vagas em março está dentro das expectativas
Ministro da Fazenda está em Washington, onde participa de reunião do FMI e do Banco Mundial
© DR
O fechamento de 63 600 vagas de emprego em Março de 2017 está dentro das expectativas, disse hoje (20) o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. Segundo ele, o corte de empregos com carteira assinada reflete a defasagem do mercado de trabalho, que se recupera alguns meses depois de a produção voltar a crescer.
De acordo com Meirelles, o emprego voltará a reagir e crescer de forma consistente no segundo semestre. Ele ressaltou que, no início deste ano, o país ainda conviverá com os efeitos da recessão que fez a economia contrair-se quase 8% nos últimos dois anos.
“O processo de reversão [da recessão econômica] tem certa defasagem no que diz respeito à criação de empregos. Então esse número é esperável porque, segundo a nossa expectativa, no meio do ano, no início do segundo semestre, teremos uma estabilização e o início de um fluxo mais estável de criação de empregos. É um processo normal de defasagem da contração econômica muito forte que o Brasil teve”, disse o ministro em áudio publicado na página oficial do Ministério da Fazenda.
Meirelles está em Washington, onde participa até sábado (22) da reunião de primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial. Segundo o ministro, indicadores como o IBC-Br, espécie de prévia do Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e serviços produzidos no país) divulgada do Banco Central, mostram que a economia está começando a se recuperar.
“Temos um processo de crescimento, segundo o IBC-Br, até mais forte do que se previa. O indicador mostrou crescimento de 0,6% em janeiro sobre o mês anterior e de 1,3% em fevereiro. É um número muito forte porque é um número mensal dessazonalizado [que desconsidera oscilações típicas da época do ano], indicando uma retomada”, acrescentou o ministro.
Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho, o país tinha registrado, em fevereiro, a criação de 35,6 mil postos formais de trabalho, o primeiro saldo positivo em 22 meses. A reversão do desempenho do mercado de trabalho em março, de acordo com Meirelles, indica que os dados sobre a atividade econômica devem apresentar uma acomodação neste mês.
PIB
O ministro, no entanto, ressaltou que é preciso esperar o IBC-Br de março e a divulgação do PIB do primeiro trimestre para analisar melhor o quadro econômico. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgará o PIB dos três primeiros meses deste ano somente em junho.
Meirelles manteve a previsão oficial de crescimento de 0,5% do PIB para este ano. Na comparação entre o quarto trimestre de 2017 em relação ao último trimestre de 2016, o ministro também manteve a estimativa de expansão de 2,7%. Ele voltou a explicar que os dados do ano cheio apresentam crescimento mais baixo porque carregam a recessão dos anos anteriores.
“Os indicadores estão dentro do previsto e mantemos nossa previsão do crescimento para 2017, dentro da expectativa de que a retomada é lenta em virtude do nível profundo da recessão e do alto nível de endividamento das empresas e das famílias que está sendo recuperado lentamente. Esperamos chegar ao final do ano crescendo a uma taxa forte”, comentou Meirelles. Com informações da Agência Brasil.
Fonte: Notícias ao Minuto
Taxa de desemprego fica em 13,2% em fevereiro e país tem 13,5 milhões sem emprego

Os dados foram divulgados nesta sexta-feira na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) Mensal, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)
O resultado da taxa de desemprego ficou acima da estimativa média de analistas consultados pela Bloomberg. Os especialistas projetavam uma taxa de desemprego de 13,1%.
– Com o trimestre encerrado em fevereiro, já temos dois terços do primeiro trimestre deste ano. Vemos um avanço expressivo da desocupação, atingimos o nível mais alto, chegando a 13,5 milhões de desempregados – afirma Cimar Azeredo, coordenador de trabalho e Rendimento do IBGE.
Ele destacou a influência do crescimento da desocupação para a piora do resultado:
– Essa característica de a taxa subir nesse período do ano é comum acontecer. É esperado que haja uma alta na passagem do quarto para o primeiro trimestre. Ela mostra a dispensa de trabalhadores temporário e o poder de efetivação que o mercado de trabalho tem.
13,5 MILHÕES SEM EMPREGO
O número de pessoas sem emprego ficou em 13,5 milhões em dezembro, janeiro e fevereiro, também recorde desde o início da série histórica iniciada em 2012. Foi um crescimento de 3,2 milhões (30,6%) de desempregados frente ao mesmo trimestre de 2016 e de 1,4 milhão (11,7%) de desempregados frente ao trimestre encerrado em novembro de 2016.
A população ocupada ficou em 89,3 milhões, atingindo o menor nível da série. Foi uma uma redução de 1% (menos 864 mil trabalhadores) frente aos três meses imediatamente anteriores e de 2% (menos 1,78 milhão de trabalhadores) comparado ao mesmo trimestre do ano passado. O nível de ocupação atingiu o menor nível da série, a 53,4%.
Devido ao aumento da população desocupada, a força de trabalho no país atingiu 102,9 milhões no período, representando um aumento de 0,5% frente ao trimestre encerrado em novembro. Já frente ao mesmo trimestre de 2016, foi um acréscimo de 1,4 milhão de pessoas nesse volume, uma alta de 1,4%.
RENDIMENTO
O rendimento médio no trimestre encerrado em fevereiro ficou em R$ 2.068, o que segundo o IBGE indica estabilidade nas duas comparações, frente ao trimestre anterior (R$ 2.049) e ao mesmo trimestre de 2016 (R$ 2.037). A massa de rendimento real dos trabalhadores no período ficou em R$ 180,2 bilhões, também estável.
MENOS EMPREGO COM CARTEIRA
O número de trabalhadores com carteira assinada recuou, chegando a 33,7 milhões de pessoas. São 337 mil pessoas a menos (-1%) frente ao trimestre imediatamente anterior. Já em um ano, foi uma queda de 3,3% no número, o que representa 1,1 milhão de trabalhadores celetistas a menos.
Em 2016, a taxa média anual de desemprego voltou a bater recorde histórico, desde o início da pesquisa, em 2012, atingindo 11,5% da força de trabalho em todo o Brasil. Cresceu 3 pontos percentuais em relação a 2015, quando ficou em 8,5%. Na média, 11,8 milhões de pessoas ficaram desempregadas ano passado.
– A carteira de trabalho continua em queda expressiva. A queda na carteira não se deu só na comparação anual como vemos observando, mas também na trimestral. Nessa passagem de ano, a gente teve uma perda de 337 mil postos de trabalhos com carteira assinada – diz Cimar Azeredo.
EMPREGO POR SETORES
O volume de empregados no setores da construção (6,9 milhões) e agricultura (8,8 milhões) atingiram os menores níveis desde o início da série histórica. Na construção, foi uma redução de 1,7% frente ao trimestre anterior (menos 118 mil empregados) e uma forte queda de 9,7% em comparação há um ano (menos 749 mil trabalhadores).
O setor da indústria em geral registrou queda nas duas comparações: de 2% (menos 225 mil pessoas) frente aos três meses encerrados em novembro e 4,3% na relação anual (511 mil trabalhadores a menos).
Brasil responderá por um terço dos novos desempregados em 2017
Estimativa é da Organização Internacional do Trabalho

O Brasil responderá por mais de um terço dos novos desempregados que vão surgir em 2017 no mundo todo, com 1,2 milhão de pessoas a mais que perderão seus postos, reforçando o cenário de que a economia brasileira ainda patina para começar a se recuperar. Os dados são da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que prevê que existirão 3,4 milhões a mais de desempregados no mundo neste ano, levando o total para mais de 200 milhões.
No documento, a OIT chamou a atenção para a deterioração do mercado de trabalho brasileiro, onde a “recessão mais profunda que o esperado em 2016 vai continuar a ter efeitos em 2017”.
Enquanto no mundo a taxa de desemprego deverá subir 0,1 ponto percentual, para 5,8%, no Brasil essa alta será de quase 1 ponto, passando de 11,5% em 2016 para 12,4% em 2017, projetou a OIT.
Para 2018, a expectativa é de que o desemprego continue subindo no país, com 200 mil pessoas a mais sem uma posição, para total de 13,8 milhões de brasileiros.
Na América Latina e Caribe, ainda segundo dados da OIT, 1,5 milhão de pessoas vão perder seus postos neste ano, somando 26,6 milhões de desempregados. Em 2018, esse número subirá a 27,1 milhões.
Dados do final de 2016 mostram que a atividade econômica no Brasil não deu sinais consistentes de retomada, o que deixa a recuperação esperada para este ano sob pressão.
A estimativa de crescimento para 2017 na pesquisa Focus do Banco Central é de apenas 0,5 por cento, depois de recuo de 3,49 por cento esperado para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2016.
axa de desemprego de 11,9% é recorde e atinge 12 milhões de pessoas
Grupo de desempregados é 33% maior que no mesmo período do ano passado

A taxa de desemprego no país atingiu 11,9% no trimestre encerrado em novembro, se mantendo no maior nível registrado desde o início da série histórica, iniciada em 2012, assim como o número de desempregados, que atingiu 12,1 milhões de pessoas. Há um ano, a taxa estava em 9% e no trimestre usado como base de comparação, encerrado em agosto de 2016, a taxa havia atingido o patamar histórico de 11,8%. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Mensal, divulgados pelo IBGE nesta quinta-feira.
Tanto a taxa de desemprego quanto o contingente de desempregados ficaram estatisticamente estáveis em relação ao trimestre anterior usado como base de comparação, quando 12 milhões de pessoas buscavam emprego. Em relação ao trimestre encerrado em novembro do ano passado, esse grupo cresceu 33,1%, o que equivale a 3 milhões de pessoas a mais em busca de trabalho.
Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, ressalta que, depois de dez trimestres consecutivos de alta da taxa em relação ao trimestre anterior usado como comparação, a taxa se estabilizou. É efeito da sazonalidade do período, quando historicamente a taxa estabiliza ou reduz por conta da contratação de trabalhadores temporários e de menor procura por emprego por conta das festas de fim de ano:
– Você vinha com queda expressiva da ocupação e aumento da desocupação até o trimestre encerrado em outubro. O resultado era que a taxa estava aumentando também. Agora, com dois terços do último trimestre do ano captados nesse trimestre, a desocupação para de subir e a ocupação para de cair. De certa forma é uma resposta a esse período sazonal. Esse cenário está longe de ser favorável porque ainda temos 12 milhões de pessoas desempregadas e a taxa média de desemprego esse ano já está em 11,2%, contra os 8.5% registrados em 2015, mas já é uma trégua dentro do atual contexto.
A população ocupada foi estimada em 90,2 milhões. Ficou estável em relação ao trimestre de junho a agosto de 2016 e recuou 2,1% em comparação com igual trimestre do ano passado, quando 92,2 milhões de pessoas tinham trabalho, o que representa uma redução de aproximadamente 1,9 milhão de pessoas ocupadas.
Bruno Ottoni, pesquisador do Ibre/FGV que acompanha os dados de mercado de trabalho, avalia que apesar dos números continuarem ruins, este ano, ao contrário de 2015, quando a recessão se sobrepôs com força sobre a sazonalidade, e a taxa saltou de 8,7% no trimestre encerrado em agosto para 9% em novembro, esse ano ela parece ter freado a alta do desemprego.
– Ainda é preciso aguardar o dado fechado do terceiro trimestre do ano, mas nesses dois primeiros meses desse período já vemos uma estabilização da taxa, com a população ocupada e desocupada estáveis. Mas é uma reação normal e esperada, por conta da sazonalidade – pondera Ottoni, que projeta uma taxa média de desemprego para 2016 de 11,5%, 3 pontos percentuais maior do que a do ano passado.
Nas contas do economista, em 2016 em média serão 3 milhões de desempregados mais do que em 2015. Fato que colabora para a economia continuar patinando em 2017.
– Na prática, isso converge com o cenário macro mais adverso do que esperávamos no meio do ano, e que levou a revisões para baixo do PIB. E, quanto mais pessoas desempregadas, é menos dinheiro dirando na economia, o que acaba restringindo o consumo – analisa Thiago Xavier, economista da consultoria Tendência que também estima que a taxa média para o ano de 2016 fique em 11,5% de força de trabalho sem emprego.
No primeiro trimestre de 2017 é consenso que a taxa já voltará a crescer, efeito da sazonalidade do período, que tradicionalmente demite mais por conta do fim do contrato dos trabalhos temporários. Uma pressão adicional no próximo ano, que fará a taxa passar dos 12%, segundo Xavier, são as pessoas que, por diferentes razões, como a dificultade de conseguir emprego, hoje não estão procurando trabalhado, mas devem retomar as buscas em 2017:
– A força de trabalho potencial ( que são as pessoas que não trabalham nem procuram empregam, mas que estão disponíveis) vem crescendo e podem voltar a procurar a qualquer momento. Só que, com a previsão de crescimento fraco para a economia em 2017, as contratações vão demorar a voltar a acontecer e a taxa dessa forma aumentará.
Os empregados no setor privado com carteira de trabalho assinada ficou em 34,1 milhões de pessoas – estável em relação ao trimestre de junho a agosto de 2016, mas 3,7% menor (ou menos 1,3 milhão de pessoas com carteira de trabalho assinada) em relação ao mesmo trimestre de 2015.
Na comparação entre o trimestre encerrado em novembro e o encerrado em agosto, além dos empregados com carteira no setor privado, ficaram estáveis o grupo de trabalhadores domésticos, no setor público e os trabalhadores familiares auxiliares. Tiveram alta os grupos de trabalhadores sem carteira, de 2,4% ou mais 246 mil pessoas, e de empregadores, de 5,5% ou mais 216 mil pessoas. Caiu o número de trabalhadores por conta própria (1,3% ou menos 297 mil pessoas ocupadas nesse grupo). Em relação ao mesmo período do ano passado, ficaram estáveis os grupos de trabalhadores domésticos, de empregados no setor público e de empregadores. Subiu o número de empregados sem carteira, 3,5% ou mais 350 mil pessoas). Encolheram, além do grupo de trabalhadores com carteira, os grupos por conta própria (3% ou menos 673 mil pessoas) e de auxiliar familiar (13,6% ou 331 mil pessoas a menos nessa atividade).
Por atividade, os grupos de trabalhadores no comércio, na administração pública e no transporte e armazenagem ficaram estáveis nas duas comparações. Os trabalhadores na agricultura caíram nas duas comparações ( 3,9% entre os trimestres desse ano e 4,7% em relação ao trimestre encerrado em novembro de 2015), assim como os na construção ( quedas de 2,2% e de 9% respectivamente). Tiveram alta nas duas comparações os grupos de empregados no setor de alojamento e alimentação ( de 4,6% e de 7,8%, respectivamente) e de trabalhadores em outros serviços (5,7% e 7%). A ocupação na indústria ficou estável em relação ao trimestre encerrado em agosto de 2016 e seguiu caindi na comparação anual (8,2% ou menos 1 milhão de trabalhadores).
RENDIMENTO FICOU ESTÁVEL
O rendimento médio real habitualmente recebido pelas pessoas ocupadas (R$ 2.032) ficou estável frente ao trimestre de junho a agosto de 2016 (R$ 2.027) e também em relação ao mesmo trimestre do ano anterior (R$ 2.041). A massa de rendimento real habitual em todos os trabalhos das pessoas ocupadas foi estimada em R$ 178,9 bilhões. Segundo o IBGE não mostrou variação significativa em relação ao trimestre de junho a agosto de 2016 e caiu 2,0% frente ao mesmo trimestre de 2015.
Os indicadores da Pnad Contínua são calculados para trimestres móveis, utilizando as informações dos últimos três meses consecutivos da pesquisa. A taxa do trimestre móvel terminado em novembro de 2016 foi calculada a partir das informações coletadas em setembro, outubro e novembro.
O Ministério do Trabalho divulga, em Brasília, às 16h30m, os resultados de novembro do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).
No Brasil, crescimento corre risco em 2017 após dois anos de recessão
Mercado prevê recuperação tímida, mas já há quem estime estagnação
A economia brasileira corre o risco de ficar estagnada em 2017. O mercado prevê expansão de apenas 0,50% este ano, mas já há quem estime estabilidade, uma projeção nada animadora após recessão que representa perda acumulada de mais de 7% nos dois últimos anos.
O ano de 2016 começou com a perspectiva de continuidade da recessão, mas acreditava-se que o ritmo seria menos intenso do que o de 2015, quando o Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços) despencou 3,8%. No início de janeiro, a projeção de recuo em 2016 era de 2,84%. Agora, está em 3,49%. O IBGE vai divulgar os números oficiais do ano passado em 17 de março.
— A economia continua sem forças. A perspectiva de consumo piorou um pouco, o mercado ainda terá uma piora adicional e por mais tempo. É difícil alguma notícia positiva até junho. O mais crítico é o investimento, que poderia reagir além de consumo e setor externo. A indústria não tem razão para investir porque está com enorme capacidade ociosa, e o programa de infraestrutura é pequeno e está atrasado — afirma José Francisco de Lima Gonçalves, professor da FEA/USP e economista-chefe do Banco Fator.
PROJEÇÃO OTIMISTA DE 1,5%
Ele é um dos dois economistas do mercado — ao lado de Nilson Teixeira, do CreditSuisse — que preveem um 2017 sem crescimento. Já o Bradesco espera variação de apenas 0,3%.
Professor do Instituto de Economia da Unicamp, Francisco Lopreato também vê com preocupação o cenário para este ano.
— Depois de dois anos de recessão forte, seria de se esperar uma recuperação pujante da economia brasileira, mas não parece que isso vai ocorrer. A situação política não dá sinais de que vai se estabilizar — alerta Lopreato.
Na outra ponta, com números e uma avaliação mais otimista, o Itaú Unibanco estima crescimento de 1,5% do PIB. A projeção, no entanto, acaba de ser revisada para baixo — ante taxa de 2% anteriormente —, acompanhando uma leva de revisões do mercado após o desempenho frustrante da economia no terceiro trimestre do ano passado. Pelo último Boletim Focus, que reúne as principais estimativas do mercado, o aumento será de 0,50%. A taxa é a mesma estimada pelo Santander, que classifica como “modesto” o crescimento esperado para 2017.
— Os fundamentos para alguma retomada estão presentes e isso vai permitir um crescimento moderado. O preço das commodities se estabilizou e até cresceu, a inflação está controlada e as expectativas estão ancoradas, o que permite a redução dos juros. As empresas estão menos alavancadas e com estoques mais ajustados — explica Felipe Salles, economista do Itaú Unibanco.
O cenário traçado pelo banco leva em consideração a aprovação de reformas, como a da Previdência, ainda que reconheça o aumento da incerteza política. O quadro seria diferente, então, no caso de acirramento da crise política. Essa preocupação se repete após um ano de 2016 profundamente afetado pelas questões políticas, especialmente o impeachment.
Se em relação à política ainda há dúvidas, vem da desaceleração da inflação a notícia positiva do ano de 2017. Após um 2016 em que os preços demoraram a ceder, com impacto em alimentos, a inflação caminha para o centro da meta do governo, que é de 4,5%, segundo as projeções do mercado. O último Focus prevê 4,85% do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2017. A última ata do Comitê de Política Monetária (Copom) e o próprio resultado da inflação oficial em novembro reforçam a avaliação de que será possível acelerar o ritmo de corte de juros já na primeira reunião do ano, este mês.
— A inflação surpreendeu positivamente. A inflação corrente está apontando para baixo, e as projeções são de que a taxa chegue perto da meta em 2017 e 2018. Esta é a receita para o Banco Central intensificar a queda de juros, que deve ser o principal estímulo para o crescimento este ano. Ao mesmo tempo, as reformas devem continuar — afirma Everton Gomes, economista do Santander.
JURO ABAIXO DE 10%
A inflação fechada de 2016 deve ficar no teto da meta — a última projeção do mercado já era de 6,40%. Para isso, teve ajuda do câmbio, que surpreendeu os analistas. A expectativa inicial era de que o dólar mantivesse a valorização observada em 2015, mas a mudança do cenário fez a cotação da moeda americana chegar a R$ 3,25 ao fim de 2016, bem abaixo do que era esperado no início do ano: R$ 4,20. Em 2017, a projeção do mercado é que o dólar encerre o ano a R$ 3,50, mas há quem estime um câmbio mais depreciado. Na estimativa do Santander, o dólar fecha 2017 em R$ 3,75.
— A taxa Selic vai cair. E a redução do diferencial de juros entre o Brasil e lá fora tende a reduzir a atração de recursos para o país — aponta Gomes.
Nas projeções do mercado, a taxa Selic fecha 2017 em 10,50%. Instituições como o BNP Paribas, no entanto, já veem a possibilidade de se alcançar um dígito no fim do ano: a projeção do banco francês é de 9,75%. A redução de juros pelo BC se estenderia por 2018, até alcançar 9%.
População ocupada tem queda recorde, e IBGE vê desalento
Em 3 anos, 5,5 milhões foram para a fila do desemprego

De acordo com o IBGE, a crise no mercado de trabalho já colocou 5,5 milhões de pessoas na fila do desemprego, desde outubro de 2013, período considerado pré-crise pela instituição. Em outubro de 2016, esse grupo se manteve estável em 12 milhões, em relação ao trimestre encerrado em julho, usado como base para a comparação, quando 11,8 milhões de pessoas buscavam trabalho. Mas subiu 32,7% (mais 3 milhões de pessoas) no confronto com igual trimestre de 2015. Os dados foram divulgados pela instituição na manhã desta terça-feira. Em outubro, o desemprego atingiu 11,8% da força de trabalho. No trimestre encerrado em julho de 2016, 11,6% da força de trabalho estavam desempregados. No ano passado, a taxa para esse período havia sido de 8,9%.
A população ocupada em outubro foi estimada em 89,9 milhões de pessoas. Caiu 0,7%, quando comparada ao trimestre de maio a julho de 2016 (menos 604 mil pessoas). Em comparação com igual trimestre de 2015, foi registrada queda de 2,6% (menos 2,4 milhões de pessoas) – é a maior da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad), iniciada em 2012.
Segundo o IBGE, o aumento da taxa em outubro, em relação ao trimestre encerrado em julho, ocorreu porque aumentaram as demissões. E ela só não foi maior porque a mesma quantidade de pessoas que perdeu o emprego entre julho e outubro (604 mil), foi o adicionada no grupo de inativos, ou seja, aqueles que não estão trabalhando nem procurando trabalho (+668 mil). Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, explica que é como se todas as pessoas que perderam o emprego não tivessem ido buscar uma vaga nova, deixando de pressionar o mercado.
– Quando você tem queda no contingente de ocupados, o de desocupados não aumenta, mas aumenta o de pessoas fora da força de trabalho, isso significa que as pessoas que foram demitidas sequer foram procurar. Foram direto para a população inativa. Seja por desestímulo, pelo desemprego ser recente. Mas, ao que tudo indica, é desalento, que está bastante associado a momentos de crise, dado que a notícia sobre não ter emprego, sobre estar difícil de se inserir, desestimula a procura. A divulgação completa do quarto trimestre vai dar clareza maior sobre isso – analisa Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE.
Cimar ressaltou, ainda, que preocupa a sobreposição da crise sobre a sazonalidade do período, que deveria favorecer o mercado de trabalho:
– O dado mais alarmante desse trimestre encerrado em outubro é a perda de 604 mil pessoas na passagem de trimestre na população ocupada, às vésperas do fim do ano, quando o desemprego já tinha de ceder por conta das contratações temporárias.
O número de empregados com carteira assinada no setor privado, estimado em 34 milhões de pessoas, apresentou queda de 0,9% frente ao trimestre de maio a julho de 2016 (menos 303 mil pessoas). Na comparação com igual trimestre do ano anterior, a redução foi de 3,7%
(menos 1,3 milhão de pessoas).
O rendimento médio real habitualmente recebido em todos os trabalhos (R$ 2.025) cresceu 0,9% frente ao trimestre de maio a julho de 2016 (R$ 2.006) e caiu 1,3% em relação ao mesmo trimestre do ano passado(R$ 2.052). De acordo com Azeredo, a renda subiu na comparação entre os trimestres desse ano porque as pessoas que têm perdido o emprego com carteira têm salários menores do que as que permanecem empregadas, elevando a média de remuneração da população ocupada.
A única posição na ocupação que registrou aumento do rendimento médio em relação ao trimestre de maio a julho de 2016 foi a de empregado no setor privado com carteira, apresentando aumento de 1,9%. As demais categorias não tiveram variação. Na comparação com o trimestre de agosto a outubro de 2015, os ocupados como empregadores tiveram queda no rendimento médio real habitual (-7,1%), as demais categorias apresentaram-se estáveis nos seus rendimentos médios.
Na comparação com o trimestre de maio a julho de 2016, os únicos rendimentos médios que apresentaram variação foram o do grupamento da agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e agricultura (4,3%) e o grupamento do comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas (3,4%). Os rendimentos médios dos demais grupamentos de atividade permaneceram estáveis. Frente ao mesmo trimestre do ano anterior, o rendimento de todos os grupamentos permaneceu estável.
A massa de rendimento real habitualmente recebido em todos os trabalhos pelas pessoas ocupadas foi estimada em R$ 177,7 bilhões no trimestre de agosto a outubro de 2016, não apresentando variação significativa em relação ao trimestre de maio a julho de 2016, e apresentando uma redução de 3,2% frente ao mesmo trimestre do ano anterior.
Fonte: O Globo






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