Anatel proíbe limites à banda larga fixa por tempo indeterminado
Medida foi aprovada nesta sexta-feira
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) decidiu proibir limites na internet fixa, por prazo indeterminado, até que o Conselho Diretor do órgão se posicione definitivamente sobre o tema. A medida foi aprovada, nesta sexta-feira, em reunião do Conselho.
Na última segunda-feira, a agência já havia determinado a suspensão, prevendo ainda uma carência de 90 dias que deveria ser respeitado pelas operadoras antes de adotar a prática. Segundo comunicado divulgado pela agência, o presidente da Anatel, João Rezende, propôs que o tema das franquias na banda larga fixa seja examinado com base nas manifestações recebidas pelo órgão.
“Até a conclusão desse processo, sem prazo determinado, as prestadoras continuarão proibidas de reduzir a velocidade, suspender o serviço ou cobrar pelo tráfego excedente nos casos em que os consumidores utilizarem toda a franquia contratada, ainda que tais ações estejam previstas em contrato de adesão ou plano de serviço”, diz um trecho da nota da Anatel.
No início desta semana, a Superintendência de Relações com Consumidores já havia proibido, em caráter preventivo, a limitação da internet fixa. Com a decisão desta sexta-feira, o processo foi avocado pelo Conselho Diretor da Agência, que passa a ser responsável pela sua análise e decisões relacionadas.
“A Anatel acompanha constantemente o mercado de telecomunicações e considera que mudanças na forma de cobrança – mesmo as previstas na legislação – precisam ser feitas sem ferir os direitos do consumidor, razão pela qual proibiu qualquer alteração imediata na forma de as prestadoras cobrarem a banda larga fixa. A Agência, cabe destacar, não proíbe a oferta de planos ilimitados, que dependem exclusivamente do modelo de negócios de cada operadora”, conclui o comunicado.
Hoje, o serviço prestado pelas operadoras de telefonia é cobrado de acordo com a velocidade de navegação contratada, sem limite de uso da internet. Já o sistema que prevê um teto para a quantidade de dados baixados na rede, ou seja, que estabelece uma franquia, funciona na internet usada em telefones celulares.
Limite para banda larga fixa só é adotado nos EUA e no Canadá
Na América Latina e Europa, prática mais comum é não impor franquia de dados

O limite para o tráfego de internet em pacotes de banda larga fixa, iniciativa que vem causando polêmica no Brasil, é uma prática pouco adotada no mundo. Levantamento feito pela empresa de tecnologia WeDo revela que apenas parte das operadoras de Canadá e Estados Unidos comercializa planos com quantidade pré-definida de dados, nos quais o usuário é obrigado a contratar pacotes adicionais para continuar navegando na rede após ter consumido todo o volume contratado para o mês. De acordo com a WeDo, as companhias ainda oferecem aos consumidores opções ilimitadas de dados, como ocorre hoje no país, na América Latina e em toda a Europa.
A criação de uma franquia para quantidade de dados trafegados na internet fixa — assim como já ocorre na telefonia móvel — surgiu após a Vivo, da espanhola Telefónica, anunciar que poderia passar a aplicar essa opção. Isso poderia ocorrer já a partir de 2017, o que gerou fortes críticas de clientes e órgãos de defesa do consumidor, além de embates entre a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), órgão que regula o setor, e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Segundo fontes, as demais operadoras do Brasil, como Oi e América Móvil (dona da Net e Claro), também estudam iniciativa semelhante à da Vivo
Atualmente, os contratos de Oi e Net já preveem cobrança ou velocidade reduzida após o fim da franquia de internet, mas as operadoras não aplicam a cláusula. As teles explicam que, pelo regulamento de suas ofertas, a quantidade de megabytes (Mb) varia de acordo com a velocidade, medida em megabits por segundo (Mbps).
NOS EUA, MAIS CONCORRÊNCIA E QUALIDADE
Segundo Raphael Roale, diretor de Desenvolvimento de Negócios para América Latina da WeDo, as teles de EUA e Canadá passaram a oferecer quantidades limitadas de dados na internet fixa devido à forte concorrência, algo que ainda não é aplicado no Brasil. Segundo ele, em mercados mais maduros, a qualidade (velocidade e estabilidade) da internet oferecida é maior em relação a países como o Brasil. Além disso, a estratégia das operadoras é oferecer planos com diferentes faixas de preços para atrair mais consumidores.
— EUA e Canadá têm muitas empresas. A concorrência realmente existe. Então, as companhias conseguem oferecer preços menores para planos com poucos dados, porque a qualidade é superior à praticada aqui. Mas no Brasil não há uma concorrência efetiva, pois há um oligopólio entre as quatro maiores companhias. Aqui, as pequenas operadoras alugam rede das grandes empresas de telefonia — disse Roale.
Segundo dados compilados pelo GLOBO, nos Estados Unidos a Comcast cobra US$ 39,99 por um pacote com franquia de 300 GB por mês e velocidade de até 25 Mbps para quem mora em Atlanta. Se ultrapassar essa franquia, paga US$ 10 por cada pacote de 5GB. No caso de franquia ilimitada, é preciso pagar adicional entre US$ 30 e US$ 35 por mês.
No Canadá, a Bell oferece pacote com velocidade de 100 Mbps por mês e franquia de 750 GB por 99,95 dólares canadenses. Com dados ilimitados, o valor salta para 149,95 dólares canadenses. É essa diferença de preços que gera preocupação no Brasil. Segundo uma fonte próxima ao governo, as teles já conversam com a Anatel sobre a criação de novos planos com franquias e se comprometem a manter planos ilimitados.
— Estamos conversando ainda. O assunto é muito polêmico. De qualquer forma, qualquer mudança terá de ser muito bem informada de forma clara aos clientes — disse essa fonte.
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Técnico da empresa Comcast Foto: TOM STRICKLAND / Bloomberg News Nos EUA existem os modelos limitados e ilimitados
Segundo dados pesquisados pelo GLOBO, nos EUA a Comcast cobra US$ 39,99 por um pacote com franquia de 300 GB por mês e velocidade de até 25 Mbps para quem mora em Atlanta. Se ultrapassar, o cliente pode pagar US$ 10 por pacote de 5GB. Mas se o consumidor optar por uma franquia ilimitada, é preciso pagar um adicional entre US$ 30 e US$ 35/mês.
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. Foto: Andrew Harrer / Bloomberg Modelo de franquia de internet limitada é pouco usado
A criação de uma franquia para quantidade de dados trafegados na internet fixa, assim como já ocorre na telefonia móvel, surgiu após a Vivo anunciar que poderia passar a aplicar esse modelo. No entanto, essa iniciativa que vem causando polêmica no Brasil, é uma prática pouco adotada no mundo.
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Técnico da empresa Comcast Foto: TOM STRICKLAND / Bloomberg News Nos EUA existem os modelos limitados e ilimitados
Segundo dados pesquisados pelo GLOBO, nos EUA a Comcast cobra US$ 39,99 por um pacote com franquia de 300 GB por mês e velocidade de até 25 Mbps para quem mora em Atlanta. Se ultrapassar, o cliente pode pagar US$ 10 por pacote de 5GB. Mas se o consumidor optar por uma franquia ilimitada, é preciso pagar um adicional entre US$ 30 e US$ 35/mês.
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Loja da Bell em Toronto Foto: Brent Lewin / Bloomberg No Canadá também existem os dois modelos
No Canadá, a Bell oferece aos moradores de Otário um pacote com velocidade de 100 Mbps por mês e uma franquia de 750 GB sai a 99,95 dólares canadenses. No caso de optar por um pacote com velocidade igual, mas com dados ilimitados, o valor salta para 149,95 dólares canadenses por mês.
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. Foto: Thomas Meyer / Bloomberg Portugal tem modelo de internet sem limite
Na Portugal Telecom, um pacote com tráfego de dados ilimitados por mês custa € 19,99 por mês, com velocidade de 30 Mbps. Na Telecom Italia (que no Brasil controla a TIM), oferece por € 19 por mês, uma internet ilimitada com velocidade de até 20 Mbps.
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Sede da British Telecom, em Londres Foto: BLOOMBERG NEWS Inglaterra também não limita a internet
Na Inglaterra, a British Telecom também oferece internet ilimitada com velocidade de 52 Mbps por 20 libras. A operadora britânica informou que “todos os planos tem quantidade ilimitada de dados por mês”.
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Sede da Telefonica, em Madrid, Espanha Foto: Angel Navarrete / Bloomberg Os espanhóis também usam internet sem limite
Na Espanha, a Telefónica (que comanda a Vivo) cobra € 32,30 mensais com uma velocidade de 30 Mbps e ainda ressalta em seu site que “o cliente poderá dispor do serviço sem limite de consumo e com caráter permanente”.
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Loja da operadora O2, da Telefonica Deutschland, em Berlim, Alemanha Foto: Krisztian Bocsi / Bloomberg Alemanha adota redução de velocidade
A única exceção da Europa é a Alemanha. A operadora O2, que pertence à Telefónica, oferece planos com franquia de internet, mas a diferença é que ela reduz a velocidade. Assim, quem optar por um plano com velocidade de 50 Mbps e com uma franquia de 300 GB por mês custa € 14,99 mensais. Mas só após o terceiro mês consecutivo em que a franquia é
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. Foto: Andrew Harrer / Bloomberg Na Argentina não há previsão de pacotes limitados
Na Argentina não existe ainda qualquer iniciativa de acabar com o acesso ilimitado no país. A empresa Fibertel oferece pacotes de navegação ilimitada a partir de 445 pesos mensais (US$ 30,60), com velocidade de seis Mbps (megabits por segundo). O plano mais caro, o Evolution, de 50 Mbps, fica em 990 pesos mensais (US$ 68,20).
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Cabos de rede ligados a computador Foto: Mario Proenca / Bloomberg O Uruguai também não debate franquia
Assim como na Argentina, no Uruguai os pacotes de internet também são ilimitados e também não existe ainda qualquer iniciativa de aplicar o modelo de franquia limitada. Na estatal Antel, um pacote com velocidade de 30 Mbps, custa 790 pesos uruguaios (US$ 25,40).
No Brasil, consumidores já temem aumento de custos. Professor e gerente de projetos, Paulo Thomaz usa a internet nas duas atividades, tanto para interagir com alunos quanto com clientes:
— Preciso estar conectado o tempo inteiro. Vai ser difícil me adequar a uma internet limitada. Já tentei fazer as contas, mas é tudo recente. Só sei que terei de repassar o custo para os meus clientes.
Na Europa, a prática ainda é oferecer pacotes sem limites, sempre atrelados a serviços como telefonia fixa e móvel. Na Portugal Telecom, pacote com dados ilimitados por mês custa € 19,99, com velocidade de 30 Mbps. Na Telecom Italia (que, no Brasil, controla a TIM), a internet ilimitada com velocidade de até 20 Mbps sai a € 19 por mês. Na Inglaterra, a British Telecom também oferece internet ilimitada com velocidade de 52 Mbps por £ 20.
NA ALEMANHA, REDUÇÃO SÓ APÓS TRÊS ‘ESTOUROS’
Na Espanha, a Telefónica cobra € 32,30 mensais com velocidade de 30 Mbps. No site, ressalta que “o cliente poderá dispor do serviço sem limite de consumo e com caráter permanente”.
— Esse movimento ganhou atenção no Brasil com a Vivo, da Telefónica. Mas o curioso é que, na Espanha, a Telefónica não tem esse tipo de plano — disse uma fonte do setor.
A exceção é a Alemanha. A operadora O2, que pertence à Telefónica, oferece planos com franquia de internet, mas a diferença é que reduz a velocidade. Mas a velocidade só é diminuída após o terceiro mês consecutivo em que a franquia é alcançada.
Em nota, a Vivo disse que “para os contratos novos, em que há previsão de franquia, antes de elas serem aplicadas (não há data definida), o cliente terá à sua disposição, durante vários meses, ferramentas para medir seu consumo mensal e assim identificar o plano mais adequado ao seu perfil de consumo. O cliente poderá optar por planos ilimitados ou com franquia”. A Oi informou que “atualmente não pratica redução de velocidade ou interrupção da navegação após o fim da franquia de dados de seus clientes de banda larga fixa. O serviço de banda larga da Oi possui limite de consumo de dados mensal, proporcional à velocidade contratada e informado no regulamento da oferta.” Rodrigo Abreu, presidente da TIM, informou que a empresa não vai aplicar a cobrança após o fim da franquia.
Teles monitoram redes sociais para conter perda de clientes
Empresas monitoraram até o que usuários ‘curtem’ na internet
Com o número de linhas de celulares em queda no Brasil, as operadoras de telefonia vêm fazendo o que podem para evitar a perda de clientes. Além de promoções agressivas e reformulações de pacotes de voz e dados, as teles recorrem a novas tecnologias, como o uso de softwares, para tentar manter a sua base de usuários em alta. Na lista de estratégias, está até o uso de ferramentas capazes de monitorar o que clientes curtem e compartilham na internet, medir o número de chamadas para a central de atendimento e registrar o volume de ligações para os concorrentes. Tudo para detectar o grau de risco de perder um consumidor.
As redes sociais vêm ganhando importância e protagonismo nesse planejamento estratégico, dizem especialistas. Só no Facebook, rede mais popular do país, as principais empresas, como Oi, TIM, Claro, Vivo, Net, Nextel e Sky, reúnem mais de 18 milhões de seguidores. Juntos, Facebook, WhatsApp, YouTube e Instagram respondem por metade do tráfego de internet móvel no país, segundo pesquisa da Ericsson.
Esse volume de informações vale ouro para as empresas. Os softwares nos quais o setor vem investindo são capazes de processar tuítes, curtidas e compartilhamentos dos usuários. Os dados compõem um conjunto de indicadores que são analisados pelas teles, como o valor médio das faturas e a sensibilidade a preço dos clientes.
— Hoje há uma série de padrões que detectam quando um cliente pode deixar a companhia, como reclamações envolvendo a qualidade do serviço e problemas envolvendo a fatura — explica Luís Rodeia, gerente de Produto da WeDo Technologies, empresa que desenvolve ferramentas para auxiliar empresas a aumentar receitas e reduzir custos.
Todo o esforço visa a compensar a menor quantidade de usuários de telefones móveis. O número de linhas recuou 9%, de 283,4 milhões, em março do ano passado, para 257,8 milhões, em março deste ano, segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
Na Oi, os investimentos vêm sendo feitos para tentar melhorar a experiência do usuário na hora em que ele entra em contato com a empresa. A companhia investiu em programas que detectam de onde o usuário se conecta no site da tele. Dessa forma, não é preciso informar em qual cidade ele está. Além disso, outro programa detecta de qual dispositivo ele está acessando o site da companhia: se for de um celular pré-pago, por exemplo, as primeiras informações são relativas a recargas; se for de um desktop, a oferta destacada é de TV por assinatura.
— Não há bala de prata. São pequenas coisas em conjunto que ajudam a reter o cliente. Por exemplo, temos dezenas de milhares de gravações pré-feitas. E, dependendo do tipo de cliente, o locutor dessas gravações muda de voz e altera o tom, com uma voz mais acolhedora. Isso tudo ocorre em milissegundos — disse João Pedro Cavalcanti, diretor de Atendimento da Oi.
DADOS EM TEMPO REAL
A Vivo também investe pesado. Alessandra Bomura, vice-presidente de Tecnologia da Informação da companhia, diz que a tele aumentou em 18 vezes sua capacidade de processamento de informações no ano passado. E que este ano a meta é elevar em mais 87 vezes. O objetivo é intensificar o uso em tempo real das características de clientes para a tomada de decisões de negócio. Alessandra cita um exemplo: as informações capturadas do cliente, seja nas lojas, serviços on-line e call centers, ajudam a perceber experiências negativas que ele possa ter enfrentado e, assim, antecipar ações que possam reverter uma possível saída do usuário da companhia.
— Tratando-se de retenção de clientes, temos ferramentas para decisão em tempo real que indicam ao atendente a oferta mais adequada em caso de intenção de cancelamento — diz Alessandra.
Fonte: O Globo






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