Combatentes do Estado Islâmico postaram anúncios no Facebook oferecendo mulheres capturadas como escravas sexuais – por apenas U$8 mil (cerca de R$ 28 mil) cada.

 

Imagens perturbadoras mostram mulheres jovens de 18 anos e mencionam os preços de “venda” das prisioneiras.

Os anúncios foram rapidamente removidos pelo Facebook, mas ressaltam a brutal realidade da vida para as prisioneiras do EI, que são vendidas e negociadas por combatentes com pouco dinheiro.

Ofertas publicadas pelo combatente Abu Assad Almani diziam: “Para todos que pensam em comprar uma escrava, esta custa apenas U$ 8 mil (R$ 28 mil),” e, “Outra escrava, também custa cerca de U$ 8 mil.”

Os anúncios foram vistos pelo Middle East Media Research Institute (Instituto de Pesquisa de Mídia do Oriente Médio).

Steven Stalinsky, do Instituto, disse: “Nós vimos muitos exemplos de brutalidade, mas os conteúdos que o EI tem disseminado ao longo dos últimos dois anos superou toda a maldade já vista.”

“A venda de mulheres escravas nas mídias sociais é apenas mais um exemplo disso.”

Uma terrível doença que “devora a carne humana” já infectou centenas de pessoas nos territórios controlados pelo ISIS na Síria e se alastrou por outros países — espalhando o medo de algo similar ao Ebola.

 

 

A Leishmaniose cutânea é uma infecção da pele, causada por um parasita que produz lesões e graves cicatrizes — geralmente nos rostos das pessoas — e é transmitida por insetos de areia infectados.

A Leishmaniose cutânea é endêmica na Síria e já foi conhecida como o “diabo de Aleppo” — mas agora, ela já cruzou a fronteira e está se espalhando pela região.

Peter Hotez, Reitor da Escola Nacional de Medicina Tropical dos EUA afirmou: “Estamos vendo muitas doenças nessas zonas de conflito, incluindo a leishmaniose, e precisamos impedir que elas avancem, do contrário, corremos o risco de outra situação como a do Ebola em zonas de conflito da África Ocidental em 2014.”

A organização humanitária Kurdish Red Crescent declarou que a doença havia se espalhado, devido ao hábito que os combatentes do ISIS têm de deixar os cadáveres nas ruas — mas agora, acredita-se que ela se alastrou devido à falta de serviços médicos no território controlado pelo ISIS.

O Dr. Waleed Al-Salem, da Escola de Medicina Tropical de Liverpool, disse: “É uma situação muito ruim. A doença se espalhou de forma dramática na Síria, mas também atingiu países como Iraque, Líbano, Turquia e até mesmo o sul da Europa, com a chegada dos refugiados.”

“Há milhares de casos na região, mas seu número ainda é subestimado, porque ninguém pode contar o número exato de pessoas afetadas.”

“Quando as pessoas são picadas pelos insetos transmissores — que são pequenos e bem menores que um mosquito — elas levam um período de dois a seis meses para desenvolver a infecção.”

“Então um indivíduo pode ter pego a doença na Síria, mas depois ter fugido para o Líbano ou para a Turquia, ou até mesmo para a Europa, em busca de refúgio.”

Fonte: Yahoo

Uma limpeza sectária e étnica está se intensificando na Síria e no Iraque. Comunidades que antes viviam juntas em paz estão tão temerosas umas das outras, depois de anos de guerra selvagem, que as seitas ou grupos étnicos mais poderosos estão expulsando os mais fracos. Este padrão está se repetindo em vários lugares — desde cidades sunitas capturadas por milicianos xiitas nas províncias ao redor de Bagdá, passando por enclaves cristãos no centro da Síria sob a ameaça do Estado Islâmico (EI), até aldeias do Turcomenistão ao sul da fronteira sírio-turca sendo bombardeadas por aviões russos.

A incapacidade de sírios e iraquianos de voltar para casa em segurança significa que Europa e Oriente Médio terão que lidar durante décadas adiante com uma irreversível crise de refugiados provocada pela guerra.

— Vamos acabar como os cristãos, sendo tirados do país à força — diz o jovem fotógrafo sunita Mahmoud Omar, que já morou em Ramadi, no Iraque.

Muitos fugiram em maio, quando o EI capturou a cidade, atualmente sob ataque das forças militares do governo xiita de Bagdá, que tenta recapturá-la. Cerca de 1,4 milhão de pessoas de Anbar — 43% da população da maior província iraquiana — estão deslocadas, diz a Organização Internacional para Migrações.

As tribos árabes sunitas na província de Raqqa, na Síria, emitiram uma declaração no início do mês passado acusando forças curdas — as Unidades de Proteção Popular (YPG) — de deslocar árabes da cidade Tal Abyad, na fronteira com a Turquia. As forças curdas dizem que “nenhum soldado das YPG pode entrar nas áreas árabes, onde os nossos combatentes estão presentes”. As YPG negam ter forçado os árabes a deixar Tal Abyad, mas curdos sírios muitas vezes consideram os árabes sunitas como colaboradores do EI.

Comunidades menores, como as dos cristãos no Iraque e na Síria, estão sendo eliminadas. Na aldeia de Sadad — que já foi lar de cinco mil membros da Igreja Ortodoxa Síria — as pessoas estão saindo porque há apenas algumas horas de eletricidade por dia e os preços são muito altos, mas acima de tudo porque os moradores têm medo de serem abatidos pelo EI. Dois anos atrás jihadistas sunitas radicais, liderados pela Jabhat al-Nusra, filiada à al-Qaeda, capturaram Sadad por dez dias, matando 45 cristãos e destruindo ou saqueando 14 igrejas antes de serem expulsos pelo exército sírio.

Na Síria, muitos dos cerca de 5,3 milhões de refugiados e 6,5 milhões de pessoas deslocadas provavelmente tiveram suas casas e bairros destruídos ou ocupados por membros bem armados de alguma comunidade hostil.

O mesmo se dá no Iraque. Descrevendo aldeias sunitas ao sul de Kirkuk, cujos habitantes foram expulsos por xiitas e curdos, um especialista de direitos humanos que quis manter o anonimato disse que “se os sunitas fogem, as pessoas dizem que é a prova de que eles estavam trabalhando com o EI e, se ficam, é dito que são membros de células adormecidas do EI esperando para atacar. Eles saem perdendo sempre”. A fuga em massa e as expulsões que estão ocorrendo são comparáveis às que aconteceram na Índia e no Paquistão em 1947, ou na Alemanha no final da Segunda Guerra Mundial.

‘Divisão irremediável’

“Os esforços de limpeza étnica local já estão tornando a divisão da Síria cada vez mais irremediável”, analisa o professor Fabrice Balanche, do Washington Institute for Near East Policy, no estudo chamado “Limpeza étnica ameaça Unidade da Síria”. Ele acrescenta que “a diversidade sectária está desaparecendo em muitas áreas do país”. A tomada de uma área inteira por uma única seita, etnia ou filiação política tende a ser difícil de reverter porque as casas são dadas aos novos proprietários que não querem abandoná-las.

Os árabes sunitas têm estado no centro da revolta contra o presidente sírio Bashar al-Assad desde 2011 e também consideram as comunidades não-sunitas como partidárias de Assad. Isso é o motivo dos distritos sunitas terem se tornado alvos do governo. Distritos inteiros de Damasco e Homs que já estiveram sob controle rebelde são hoje um mar de ruínas com cada edifício tendo sido destruído por explosivos. Mas a comunidade sunita também está socialmente dividida, com os mais letrados e de melhor poder aquisitivo aliando-se a Assad, opondo-se aos sunitas mais pobres, mais rurais e tribais.

Nisrine continuou dando aulas na escola durante meses enquanto o cerco se fechava em torno da cidade síria de Madaya, mas teve de desistir algumas semanas atrás, quando seus alunos ficaram fracos demais, por causa da fome, para caminhar até a escola.

Um paramédico local está sobrevivendo com os sais de reidratação que dá aos pacientes, enquanto um administrador de empresas faz sopa de grama para seu pai de 70 anos, consultando os pastores sobre quais eram os capins mais apreciados por seus rebanhos, há muito abatidos.

As populações de Madaya e da vizinha Zabadani tentaram, desde o início do sítio das forças pró-governamentais, em julho, manter a sociedade em funcionamento e adaptar-se a suas novas e surreais condições. Há o mercado ‘paralelo’ do outro lado das linhas de bloqueio, por exemplo, e as maneiras silenciosas ou inesperadas de como esse tipo de guerra pode matar: infartos, bebês natimortos, uma pisada em uma mina terrestre enquanto se procura comida.

E há a incansável contração física e psicológica de suas comunidades, a apenas uma hora de carro de Damasco, a capital síria, e a duas de Beirute, mas subitamente isoladas do mundo.

“Eu não vou a lugar nenhum”, disse Maleka Jabir, 85, que herdou a cidadania norte-americana de seu pai, um veterano da Primeira Guerra Mundial, e está tão enfraquecida pela fome e por problemas cardíacos que mal consegue andar. “Eu apenas me deito e fico na cama.”

Comboios chegaram a Madaya e a duas cidades próximas na quinta-feira (14), levando alimentos básicos, remédios e ajuda pela segunda vez esta semana, quando o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, declarou que “o uso de alimento como arma é um crime de guerra” e pediu que o governo sírio e todas as partes beligerantes suspendam seus cercos imediatamente.

Um número limitado de pessoas foi evacuado na segunda-feira (11), mas agentes de prestação de ajuda disseram que centenas de pessoas em Madaya continuam passando grande necessidade: pelo menos 28 morreram desde 1º de dezembro, segundo Khaled Mohammad, o profissional médico que sobrevive com sais, incluindo um homem de 37 anos na quarta-feira, Ali Awkar, que era de Zabadani e havia se refugiado em Madaya.

Hanaa Singer, principal autoridade do Unicef na Síria, disse que foi abordada durante a visita de ajuda a Madaya na segunda-feira por uma mulher com seis crianças desnutridas.

“Ela se jogou sobre mim, beijou meu ombro e se inclinou até minhas mãos”, lembrou Singer. “Ela disse: ‘Meu filho de 17 anos morreu de fome. Por favor, mantenha os outros vivos.'”

Este retrato da vida em Madaya é extraído de entrevistas com mais de dez moradores, realizadas durante vários meses e nos últimos dias por telefone e pela internet. Muitos falaram sob a condição de só serem identificados pelo primeiro nome, por segurança. Enquanto detalhes de suas experiências não podem ser confirmados de forma independente, profissionais de ajuda internacional que visitaram a cidade ou estiveram em contato direto com grupos locais forneceram relatos que confirmam os dos moradores.

Após quase cinco anos de guerra civil na Síria, a ONU estima que 400 mil pessoas estejam presas atrás das linhas de combate pelo governo, o Estado Islâmico ou insurgentes rivais.

Enquanto partes de Homs e os subúrbios de Damasco estão bloqueados há anos, Madaya conseguiu sobreviver relativamente ilesa até o último verão [no hemisfério norte].

Madaya e Zabadani ficam na extremidade sudeste das montanhas Qalamoun, na fronteira da Síria com o Líbano. Zabadani, onde rebeldes locais tomaram o controle em 2012, tornou-se um refúgio para insurgentes expulsos de outras áreas de fronteira pelo Hizbollah, a milícia xiita libanesa aliada ao presidente da Síria, Bashar al Assad.

Tanto moradores como autoridades do Hizbollah dizem que a maioria dos combatentes em Zabadani é afiliada a um grupo islamista sírio chamado Ahrar al-Sham, e um número menor ao mais moderado Exército Livre da Síria e à Frente al-Nusra, ligada à Al Qaeda.

Semanas de bombardeio pelo Hizbollah não desalojaram os insurgentes. Forças pró-governo aumentaram a pressão ao isolar Zabadani e Madaya, onde muitos civis de Zabadani, incluindo a professora Nisrine, haviam se refugiado. Tentando ganhar vantagem, rebeldes aliados aos insurgentes locais começaram a bloquear e bombardear Fouaa e Kfarya, duas cidades xiitas isoladas na província de Idlib, no noroeste da Síria.

E funcionou, parcialmente. Um cessar-fogo foi alcançado em setembro, mas com a nova campanha aérea da Rússia na Síria, as promessas de evacuar os feridos e suspender os cercos não foram cumpridas. Moradores de Madaya dizem que, pelo contrário, o sítio endureceu.

Nisrine deixou de receber seu salário. Sua escola foi bombardeada. Ela enviou o próprio filho à escola sem café da manhã, e os alunos começaram a perder a concentração.

“Como posso querer que ele aprenda, se está com fome?”, disse ela em outubro.

A clínica médica em Madaya, que funciona com a organização Médicos Sem Fronteiras, foi bombardeada e transferida para um porão. Mohammad, um técnico anestesista que vem atuando como médico, disse que ficou assoberbado com casos que não pôde tratar adequadamente: fraturas, amputações, ferimentos abdominais. Ele realizou cesarianas primitivas. Ultimamente, recorreu a dar xarope às crianças sob maior risco, pela glicose, reduzindo ainda mais os estoques.

Certa vez, disse Mohammad, médicos convenceram guardas do Hizbollah a permitirem que um menino de 16 anos com infecção urinária saísse para receber tratamento.

“Nós beijamos seus sapatos”, disse Mohammad mais tarde. “Estamos prontos para nos render, mas o regime congelou tudo”, afirmou. “Peço que o regime de Bashar lance um foguete e acabe com nossas vidas.”

Finalmente, em dezembro, algumas centenas de combatentes feridos foram evacuados de Zabadani, Fouaa e Kfarya. O marido de Nisrine, Ahmed, foi levado de ônibus de Zabadani a Beirute, depois voou para a Turquia e de lá chegou à província de Idlib, nas mãos de rebeldes. Nisrine e seu filho de 10 anos, Abdullah, continuaram presos em Madaya. Ahmed disse que recentemente falou com o menino.

“Sei que ele está faminto, mas não quer dizer”, relatou o pai por telefone. “Até as crianças estão agindo como adultos. Ele não me pede mais para trazer doces, só pão.” Seus vizinhos tinham acabado de abater o último cavalo da cidade. “Eu conhecia aquele cavalo”, disse Ahmed tristonho. “Não sei o que o regime quer”, disse. “Nós estamos prontos para partir, mas eles querem que morramos aqui.”

Singer, a autoridade da ONU, disse que, quando chegou com ajuda na segunda-feira, bandos de crianças se reuniram a seu redor no escuro, suplicando: “Tia, tia, desculpe, desculpe, você tem um pedaço de pão?”

“Foi isso que me matou”, disse Singer. “Elas pediam desculpas”.

Nos pacotes de alimentos havia itens básicos, como farelo de trigo e óleo, alguns quilos por pessoa. Mas não farinha ou pão.

Fonte: O Globo