Os protestos de caminhoneiros nas rodovias do Paraná completam 15 dias em 27/2/15. Desde o dia 13, foram vários pontos de bloqueio em rodovias estaduais e federais do estado. Na maioria dos trechos fechados, apenas os veículos de carga, com exceção dos com cargas vivas, são impedidos de seguir viagem. A categoria é contra os aumentos constantes do preço do litro do óleo diesel e o valor pago pelos fretes, que são considerados baixos.
Confira abaixo os pontos interditados em rodovias federais e estaduais do Paraná.
Nas rodovias federais, os caminhoneiros descumprirem uma determinação da Justiça que impõe multa entre R$ 1 mil a R$ 50 mil por hora de bloqueio em rodovias de Curitiba, de Foz do Iguaçu, Toledo, Guarapuava e Londrina. Na quinta-feira (26), o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, determinou às superintendências da Polícia Federal (PF) a abertura de inquéritos para apurar se ocorreram abusos nos protestos de caminhoneiros, que também são realizados em outros estados brasileiros.
Após horas de negociações, sindicatos e associações que representam caminhoneiros aceitaram, em 25/2/15, os termos do acordo proposto pelo governo para colocar fim aos protestos da categoria. Entretanto, o acordo não contou com o apoio de Ivar Luiz Schmidt, que se diz representante do Comando Nacional do Transporte, movimento que, segundo ele, é responsável por cerca de 100 pontos de bloqueio nas estradas.
Com os caminhões parados nas estradas, houve redução no número de fretes. O problema reflete em vários setores da economia do estado. Nas regiões oeste e sudoeste, por exemplo, os aeroportos de Cascavel e Foz do Iguaçu estão sem combustível para abastecer as aeronaves. Os frigoríficos da região também precisaram paralisar os trabalhos. Na quinta, o local deixou de abater 420 mil frangos e dispensou 2,6 mil funcionários.
A operação do Porto de Paranaguá, principal terminal de exportação de produtos agrícolas do país, também é prejudicada por causa dos protestos. No início da semana, apenas 10% dos carregamentos previstos para foram realizados.
Três pessoas foram presas durante um tumulto na BR-277, no Trevo Cataratas, em Cascavel, na tarde de quinta-feira.
Lei dos caminhoneiros
Nesta quarta (25), após se reunir com lideranças dos caminhoneiros e com representantes de empresários, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Miguel Rossetto, afirmou que o governo se comprometeu a sancionar sem vetos a Lei dos Caminhoneiros. A matéria foi aprovada na Câmara no último dia 11 e estabelece regras para o exercício da profissão de motorista.
Responsável pela interlocução do governo com os movimentos sociais, Rossetto frisou que a Lei dos Caminhoneiros vai prever que os caminhões que trafegarem vazios e com o eixo suspenso estarão isentos do pagamento de pedágio.
Confira as rodovias federais interditadas até as 12h20 desta sexta-feira
BR-277, km 338, Guarapuava
BR-277, km 452, Laranjeiras do Sul
BR-369, km 500, Corbélia
BR-373, km 265, Prudentópolis
BR-376, 504, Ponta Grossa
BR-376, km 232, Apucarana
BR-467, km 75, Toledo
BR-476, km 343, Paula Freitas
Confira as rodovias estaduais interditadas até as 12h20
PR-090, km 343, Assaí
PR-158, km 528, Pato Branco
PR-160, km 053, Cornélio Procópio
PR-170, km 26, Florestópolis
PR-170, k 381, Guarapuava
PR-180, km 203, Goioerê
PR-180, km 205, Goioerê
PRC-180, km 465, Francisco Beltrão
PRC-180, km 471, Francisco Beltrão
PR-182, km 481, Ampére
PR-182, km 459, Realeza
PR-182, km 320, Toledo
PR-218, km 254, Astorga
PR-272, km 218, Faxinal
PRC-280, km 134, Palmas
PRC-280, km 175, Clevelândia
PRC-280, km 255, Marmeleiro
PRC-280, km 194, Mariópolis
PR-281, km 467, Chopinzinho
PR-281, km 520, Chopinzinho
PR-281, km 535, Dois Vizinhos
PR-281, km 542, Dois Vizinhos
PR-281, km 421, Mangueirinha
PR-317, km 104, Maringá
PR-317, km 055, Santa Fé
PR-317, km 047, Santa Fé
PR-323, km 303, Umuarama
PR-323, km 163, Paiçandu
PR-323, km 311, Umuarama
PR-441, km 28, Reserva
PR-444, km 08, Arapongas
PR-445, km 80, Cambé
PR-458, km 000, Flórida
PRC-466, km 179, Pitanga
PRC-466, km 245, Guarapuava
PR-466, km 100, Jardim Alegre
PR-466, km 91, Faxinal
PR-471, km 222, Nova Prata do Iguaçu
PR-479, km 86, Moreira Sales
PR-483, km 001, Francisco Beltrão
PRC-487, km 295, Manoel Ribas
PR-558, km 004, Campo Mourão
PR-566, km 012, Itapejara do Oeste
O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, afirmou que determinou às superintendências da Polícia Federal (PF) a abertura de inquéritos para apurar se ocorreram abusos nos protestos de caminhoneiros que bloquearam dezenas de rodovias do país nos últimos dias. Na quinta, 9 estados registravam manifestações nas estradas contra o aumento do diesel e o valor do frete, entre outras reivindicações.
Em entrevista coletiva no Ministério da Justiça, Cardozo também disse ter mandado a Polícia Rodoviária Federal (PRF) multar os motoristas que estão bloqueando as estradas federais. Segundo ele, as multas serão utilizadas para identificar os motoristas que descumprirem as ordens judiciais de desbloqueio de rodovias federais em municípios de 11 estados.
Ao considerarem ilegais os bloqueios das estradas, os juízes fixaram diferentes valores de multas que alcançam até R$ 50 mil para cada hora que os manifestantes se recusarem a liberar as pistas. Para cobrar essas multas, é que o governo recorrerá aos registros das infrações de trânsito.
Pelas decisões, os caminhoneiros e entidades de trabalhadores rodoviários estão impedidos de bloquear a circulação de pessoas em todas as rodovias de Minas Gerais, São Paulo, Bahia, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Ceará e em 14 municípios de outros cinco estados – Paraná, Goiás, Tocantins, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
De acordo com o ministro, a Advocacia-Geral da União (AGU) ficou encarregada de agilizar o registro das multas de trânsito dos caminhoneiros para que sejam tomadas as medidas judiciais cabíveis para a cobrança das multas por descumprimento das ordens judiciais.
O titular da Justiça ressaltou na coletiva que a pasta recebeu relatos de que “atos ilícitos” estão ocorrendo nas manifestações realizadas nas estradas.
“Eu determinei ao diretor da PF que as superintendências abram imediatamente inquéritos para apurar quaisquer ilícitos que estejam ocorrendo [nos protestos nas rodovias]. Todos serão rigorosamente objeto de apuração policial para responsabilização. As notícias que chegam é que atos ilícitos estão sendo realizados, que pessoas estão proibidas de circular”, informou Cardozo.
Abastecimento – A paralisação dos caminhoneiros começa a afetar os consumidores. Na Ceagesp, técnicos calculam uma redução de 10% nas frutas oriundas da região Sul do país. No Paraná, algumas cidades enfrentam falta de combustível e, em outras, elevação de preços – postos em cidades menores, sobretudo no sudoeste do Estado, chegam a vender o litro da gasolina a 5 reais.
O Porto de Paranaguá é um reflexo da paralisação. De um total de 900 caminhões que deveriam chegar até o local para descarregar, apenas 45 chegaram e a previsão para os próximos dias seria de 1.600 caminhões, o que não deve ocorrer. Em Foz do Iguaçu, as autoridades colocaram em prática um plano de emergência para evitar a falta de combustíveis, no caso do aeroporto, a Infraero colocou em execução um plano de contingência.
Em entrevista à Rádio CBN, o diretor do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis do Paraná (Sindicombustíveis-PR), Valter Venson, disse que “a preocupação é que a falta de álcool, diesel e gasolina, além de prejudicar os usuários, possa interferir na segurança pública, uma vez que ambulâncias e viaturas policiais podem ficar paradas”.
O sindicato também alertou para o perigo desses caminhões, carregados com produto inflamável, ficarem estacionados na beira das estradas por muito tempo.
Produtores paranaenses reclamam que sem o combustível, o fornecimento de ração para aves pode ser interrompido. “As aves vão morrer de fome e não tem combustível nem para fazer vala para enterrar os animais”, queixou-se Amarildo Brustolin, integrante da Comissão de Avicultura da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep).
Fiat – Em Betim (MG), a Fiat dispensou 6.000 funcionários dos dois primeiros turnos pelo segundo dia consecutivo. Considerando que a planta produz aproximadamente 3.000 carros diariamente, a paralisação dos dois turnos faz com que pelo menos 2.000 veículos deixem de ser produzidos por dia.
Nesta segunda-feira, cerca de 6.000 trabalhadores do segundo e do terceiro turnos já tinham sido liberados. Segundo a Fiat, eles estão sendo dispensados porque o protesto impediu que as autopeças e componentes utilizados na fabricação de veículos chegue no horário programado.
A fábrica de Betim está localizada na BR-381 (rodovia Fernão Dias), principal ligação entre São Paulo e Belo Horizonte. A unidade fica em uma região de alta concentração industrial, próxima à refinaria Gabriel Passos da Petrobras.
A Fiat afirma que está monitorando o protesto, “na expectativa de que a situação se normalize”, para decidir quando os trabalhadores devem voltar. A montadora informou que os funcionários do turno da noite (23h-5h) estão “mobilizados” para irem trabalhar nesta terça-feira caso a situação das rodovias melhorem ao longo do dia. A empresa não descarta ter que dispensar os colaboradores novamente nesta quarta.
Confira, abaixo, o impacto da greve no Paraná:
COMBUSTÍVEIS
Postos já enfrentam falta de combustíveis em função da paralisação, mas o desabastecimento não é generalizado. Há casos em Pelotas, Passo Fundo, Santa Maria e municípios das Missões. A Região Metropolitana ainda não é afetada porque os carregamentos que chegam aos postos saem das bases das distribuidoras em Canoas, abastecidas pela Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), onde não houve bloqueio. Postos costumam operar com reserva para comercializar combustíveis até três dias caso não haja reposição, mas a duração do estoque varia conforme o tamanho do estabelecimento e a demanda.
SUPERMERCADOS
A previsão da Associação Gaúcha de Supermercados (Agas) é que os principais produtos afetados pela paralisação sejam carnes, frutas, legumes e verduras, mas há a expectativa que alguns estabelecimentos consigam encher as gôndolas com fornecedores regionais. Na rede Zaffari e Bourbon (detentora de 29 estabelecimentos no Estado), o único produto em falta até o momento é o leite in natura — que não fica em estoque, sendo abastecido diariamente —, e alternativas estão sendo buscadas para suprir a demanda. A empresa Walmart (proprietária de 117 lojas Big, Nacional, TodoDia, Maxxi Atacado e Sam’s Club no Estado) não informou se há desabastecimento.
LEITE
Com parte das rodovias bloqueadas, a indústria gaúcha têm encontrado dificuldades para receber matéria-prima e embalagens para fabricar o produto. Mercadorias como leite pasteurizado, que são entregue aos supermercados diariamente, já estão em falta nas prateleiras. O estoque de produtos derivados — como iogurte e queijo — devem devem ser suficientes para mais uma semana.
FRUTAS
Mamão, abacate, laranja, limão e manga, que são trazidas em grande parte são trazidos de fora do Estado já estão em falta. Caminhões que vem de São Paulo, Bahia e Minas Gerais carregados de alimentos para abastecer as prateleiras gaúchas estão parados na estrada. As frutas disponíveis para a venda em Porto Alegre são apenas aquelas produzidas na própria Capital ou na região metropolitana, insuficientes para suprir a necessidade. Nas Centrais de Abastecimento do RS (Ceasa), a expectativa é por esta quinta-feira — tradicionalmente, dia de carregamentos de compradores do Interior. Caso as cargas de hortifrutigranjeiros não cheguem à central em Porto Alegre em função da paralisação, os preços devem subir.
CORRESPONDÊNCIAS E ENCOMENDAS
Com o atraso na chegada de caminhões dos Correios que trafegam por rodovias bloqueadas, a entrega de correspondências e encomendas pode sofrer atrasos no Rio Grande do Sul. As demais cargas, transportadas por estradas que não sofrem o impacto do protesto ou por avião, estão sendo entregues normalmente. A paralisação dos caminhoneiros ainda provoca a suspensão temporária dos serviços de Sedex 10 e Sedex 12 em algumas localidades do Estado, já que não é possível garantir o cumprimento dos prazos.
ELETRÔNICOS E ELETRODOMÉSTICOS
A maior parte do que é vendido no Estado é produzido na região Sudeste do país. A estimativa é que os estoques durem pelo menos mais quatro dias. Se a paralização continuar, televisores e aparelhos de ar condicionado poderão faltar nas lojas nas próximas duas semanas.
ROUPAS E CALÇADOS
Lojistas do interior do Rio Grande do Sul enfrentam dificuldades no recebimentos de acessórios de vestuário. Como a reposição é feita semanalmente, a expectativa é que o estoque dure pelo menos mais sete dias. Podem faltar algumas peças nas prateleiras, mas o desabatecimento não é imediato.
CARNE BOVINA
Frigoríficos do Estado têm dificuldade para receber matéria-prima e para entregar a carne para a venda em açougues. Por tratar-se de mercadoria perecível, o volume de estoques é pequeno e a partir de hoje o desabastecimento começa a aparecer de forma mais intensa em algumas regiões.
CARNE SUÍNA
Pelo menos seis unidades de frigoríficos suspenderam as atividades devido a falta de matéria-prima para abate. As regiões Noroeste,Vale do Taquari e Alto U
Na expectativa de que os caminhões consigam chegar às propriedades, produtores gaúchos mantêm o leite nos resfriadores até o último minuto. Mas à medida que o tempo passa — e o transporte não vem —, o produto vai perdendo qualidade. Como não é recolhido, acaba ficando impróprio para o consumo.
— As empresas não têm como dar garantias de que conseguirão buscar. O produtor segura o leite na esperança de entregar — explica Cleonica Back, coordenadora no Estado da Federação dos Trabalhafores na Agricultura Familiar (Fetraf-Sul).
Sem qualidade, o produto não pode ser doado para comunidades carentes, e o alimento precisa ser jogado fora. Estimativa da Fetraf-Sul aponta que na Região Noroeste, passa de 80% o percentual de indústrias que não consegue buscar o leite (na foto, imagem do produto sendo jogado fora na propriedade de Anderson Prediger, em Sede Nova).
O Sindicato das Indústrias de Laticínios e Produtos Derivados do Estado (Sindilat-RS) também estima que 90% da produção foi afetada na região.
— É muito difícil. O produtor tem de trabalhar sabendo que vai perder tudo — lamenta Cleonice.
Conforme o Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sipoa) da superintendência estadual do Ministério da Agricultura, não existem restrições legais para doações do produto. O órgão, no entanto, não pode recomendar o consumo do leite sem inspeção.
Em nota, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), manifestou preocupação com os efeitos da paralisação dos caminhoneiros. “Independentemente de reconhecermos o direito de protesto e de manifestação, temos o dever de alertar para o fato de que a duração e o alcance desse movimento já estão provocando graves perturbações nas cadeias produtivas do agronegócio”, afirma no documento o presidente da entidade, João Martins da Silva Junior, acrescentando ainda que se não houver uma soluções haverá “teremos danos irreparáveis à economia da produção, com reflexos severos na vida de toda a população brasileira”.
O protesto de caminhoneiros que começou em Santa Catarina já se espalhou por pelo menos mais sete Estados – São Paulo, Bahia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Goiás e Paraná – e provoca transtornos pelo país. Os bloqueios causam desabastecimento de combustível e alimentos em algumas regiões e prejudicam o agronegócio no Centro-Oeste. Os caminhoneiros reclamam do aumento do preço do diesel e das tarifas de pedágio.
Motoristas enfrentam dificuldades para cruzar 69 pontos de 24 rodovias federais em seis Estados. Na noite de ontem, eram 64 trechos bloqueados em 23 estradas federais.
A Polícia Rodoviária Federal monitora os bloqueios de tráfego em estradas federais e informou que segue protocolos de controle de distúrbios – o uso da força, em casos extremos, foi atutorizado pelo Ministério da Justiça. Nesta terça-feira, foram registrados casos de violência: no sul de Minas, motoristas que não respeitaram os pontos de bloqueio foram apedrejados. Na Rodovia Fernão Dias, no município de Perdões, caminhoneiros que tentaram furar os bloqueios também reclamaram de pedradas. Em outros pontos, a reclamação é que grevistas tentaram reter documentos. Somente veículos de passeio, ônibus e ambulâncias cruzam as estradas mineiras.
Em São Paulo, o acesso ao Porto de Santos também foi interrompido no quilômetro 64 da rodovia Anchieta, sentido litoral.
Justiça – No Rio Grande do Sul, a 3ª Vara Federal de Pelotas (RS) determinou nesta terça o desbloqueio de trechos das BRs 293, 116 e 392. A decisão é a primeira a atender pedido da Advocacia-Geral da União (AGU), que na noite de ontem ajuizou ações em sete Estados para solicitar a liberação das rodovias federais.
A AGU entrou com ações para liberar as estradas bloqueadas por caminhoneiros em Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná e Santa Catarina. Nesta terça, uma nova ação foi protocolada, desta vez no Estado de São Paulo.
Na decisão da Justiça de Pelotas, que tem caráter liminar (provisório), foi fixada ainda multa de 5.000 reais por hora de permanência não autorizada dos manifestantes nas pistas, além da aplicação de sanção prevista no Código de Trânsito Brasileiro, que estabelece como infração gravíssima a promoção de eventos organizados sem permissão da autoridade de trânsito.
Fonte: G1 e Estadão






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