A possibilidade de partidos ou políticos pagarem para jovens cometerem atos de vandalismo é hipótese admitida por algumas lideranças do estado. O presidente da Alerj, Paulo Melo (PMDB), disse estranhar o grau de violência contra alvos pré-determinados pelos manifestantes, inclusive as sedes do legislativo. Segundo ele, a hipótese de participação de políticos será investigada numa CPI, que está sendo instaurada na Casa. O presidente da executiva estadual do PMDB, Jorge Picciani, acrescentou:
— Não posso acusar ninguém. Mas não tenho dúvida de que há envolvimento de políticos, inclusive com mandato porque os manifestantes particularizaram alguns alvos. Essa conduta é um fato grave, uma irresponsabilidade que nada traz de benefícios ao regime democrático.
Presidente da Câmara do Rio, Jorge Felippe (PMDB) afirmou que não se surpreendeu com a declaração de que os protestos podem ter a política como pano de fundo.
— Não tenho dúvidas de envolvimento de partidos e militantes. As bandeiras de partidos em manifestações tornam isso cabal porque nenhuma legenda reclamou do uso delas — disse Felippe, sem citar partidos nominalmente.
O presidente estadual do PSD, Índio da Costa, também acredita no envolvimento de políticos. Mas, por falta de provas, não quer citar nomes:
— A pergunta é: a quem interessa o caos? O certo é que esse ambiente de confronto não interessa ao morador seja de qual classe social for ou a cidade.
O vereador Cesar Maia (DEM) também acredita nessa hipótese.
— O ponto agora não é terem recebido, mas quem pagou — afirma ele.
O presidente estadual do PSOL, Rogério Alimandro, disse não acreditar que políticos paguem militantes. De acordo com ele, os atos violentos partem de minorias e atrapalham:
— Existe uma pauta legítima de reivindicações. É por isso, que acontecem manifestações.
O presidente estadual do PPS, Comte Bittencourt, disse não ter elementos para afirmar se existem militantes pagos, mas defendeu a apuração da denúncia. Já o presidente estadual do PR, Anthony Garotinho, não quis se manifestar sobre o assunto.
Serviços de inteligência já apuram violência
O chefe de Polícia Civil, delegado Fernando Veloso, disse nesta quarta-feira que há pelo menos três investigações já em andamento para apurar a ação violenta de manifestantes em protestos.
— O que temos são vários inquéritos em várias delegacias, tudo monitorado e capitaneado pela Coordenadoria de Inteligência da Polícia Civil (Cinpol) e pela inteligência da Secretaria de Segurança. Não é só uma investigação. Não é só uma delegacia, porque esse fenômeno é complexo. A resposta para o homicídio (a morte do cinegrafista da Band) está dada, mas nós não estamos satisfeitos com isso. Vamos continuar a investigação — disse Veloso.
Segundo ele, também será instaurado um inquérito para investigar a denúncia de que Fábio Raposo e Caio Silva de Souza foram contratados para praticar atos de vandalismo. Para Veloso, está claro que alguns manifestantes agem de forma organizada.
— Nas investigações feitas desde junho do ano passado, observamos que há pessoas que não demonstram estar nas manifestações de forma isolada. Pode ser que haja uma ligação entre elas e até entre manifestações — disse o chefe de Polícia.
Em Brasília, o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, afirmou que a prisão de Caio não deve ser “glamourizada”. Para Beltrame, “a tolerância da sociedade já ultrapassou os limites”.
— É obrigação nossa. Não temos que glamourizar prisão nenhuma. Em qualquer país sério, o disparo de um rojão num lugar como a Central do Brasil não seria tolerado — disse o secretário, que esteve no gabinete do senador Pedro Taques (PDT-MT) para entregar o anteprojeto de lei que criminaliza atos de violência em protestos.
O secretário afirmou, ainda, que outras prisões de manifestantes violentos ainda precisam ser feitas:
— O caso (de Caio Souza) não é de vandalismo, mas de homicídio. A prisão foi uma resposta rápida, profissional. Como esse foi preso, muitos outros têm de ser presos — disse, pouco antes de deixar o Senado.
Pessoas são recrutadas para manifestações
Em 10 de novembro do ano passado, o GLOBO revelou que a Polícia Civil já investigava indícios de que pessoas estariam sendo recrutadas, inclusive fora do estado, para participarem de manifestações no Rio. Para isso, teriam recebido dinheiro, alimentação e transporte. Alguns nomes apareciam vinculados a partidos políticos como o PR. O trabalho, mantido em sigilo, reúne equipes da Coordenadoria de Informações e Inteligência (Cinpol) e da Delegacia de Repressão dos Crimes de Informática (DRCI). O levantamento é sustentado por depoimentos prestados por pessoas detidas e apreensões, inclusive de computadores, feitas ao longo do período de protestos.
Durante as investigações, a polícia chegou ao nome de Sebastião Rodrigues Mahado Júnior, mencionado em informes como Nayt, seu apelido. Ligado ao ex-governador Anthony Garotinho, do PR, ele foi lotado no gabinete do deputado estadual Geraldo Pudim (PR) como assessor parlamentar. No monitoramento realizado nas apurações, Nayt aparece como integrante de um suposto esquema que incluiria o pagamento de R$ 450 a algumas das pessoas que participaram das manifestações.
O assessor aparece nas investigações como o suposto elo com alguns dos ativistas do movimento conhecido como Ocupa Cabral, que permaneceu durante 52 dias acampado na Avenida Delfim Moreira, junto à Rua Aristides Espínola, no Leblon. O principal interlocutor de Nayt entre os manifestantes seria Jair Seixas Rodrigues, mais conhecido como Baiano, que ficou preso por mais de dois meses no Complexo Penitenciário de Gericinó por acusação de formação de quadrilha ou bando durante um protesto em 15 de outubro do ano passado. Baiano iria participar ontem de uma audiência de instrução e julgamento ontem na 14ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça, que foi transferida para o próximo dia 2 de abril.
A reportagem do GLOBO mostrou ainda que o autônomo Anderson Harry Grutzmacher se infiltrou na organização do PR para revelar o que acontecia nos bastidores dos protestos. Ele gravou conversas no celular que disse terem sido feitas inclusive dentro da presidência do PR, tendo como interlocutor o secretário-geral do partido, Fernando Peregrino. E afirmou ainda que recebeu R$ 2 mil para pagar a alimentação e o transporte de cerca de 15 pessoas que levou para manifestações.
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O ataque com rojão responsável por matar o cinegrafista Santiago Andrade desencadeou reações em série e tem potencial para alterar o rumo dos protestos que ganharam as ruas em junho passado. O impacto não se resumiu à comoção popular. Pôde ser sentido até no Congresso Nacional, onde dois projetos de lei devem ser votados em breve: um tipifica o crime de terrorismo para enquadrar black blocs, outro prevê punição à prática de desordem e proíbe máscaras em manifestações.
José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça, propôs uma “política de Estado de proteção ao jornalista”. Andrade captava imagens em um protesto contra o aumento da tarifa de ônibus no Rio, quando foi atingido pelo artefato, que teria sido acionado pelo foragido Caio Silva de Souza. O velório de Andrade será realizado amanhã, entre 7h e 11h. Ao meio-dia ocorre a cremação.
O episódio repercutiu no Exterior. A Associação Mundial de Jornais (WAN-IFRA), que representa 18 mil publicações, 15 mil sites e mais de 3 mil empresas, e o Fórum Mundial de Editores enviaram carta à presidente Dilma Rousseff manifestando indignação. Na correspondência, as duas entidades lamentam a morte do cinegrafista, manifestam a expectativa de que os responsáveis sejam levados à Justiça e requisitam que o trabalho dos jornalistas seja exercido com segurança no Brasil.
O que pode acontecer
AÇÃO POLICIAL
O governo federal promete interferir mais efetivamente no combate à violência durante protestos. Depois de a presidente Dilma Rousseff determinar que a Polícia Federal apoie as investigações sobre a morte do cinegrafista, outras medidas devem ser tomadas nos próximos dias. Ontem, em um encontro de representantes das empresas de comunicação, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, anunciou para amanhã uma reunião sobre propostas de reação. Uma delas pode ser impedir o anonimato dos manifestantes. O governo federal já vinha estudando maneiras de enfrentar a violência nos protestos, alarmado com a perspectiva de que eles se intensifiquem com a aproximação da Copa do Mundo.
Em breve, a Força Nacional de Segurança Pública, formada por policiais militares e civis voluntários, terá 10 mil homens à disposição para intervir caso as polícias locais precisem de apoio. As Forças Armadas também ficarão de prontidão, para agir em caso de solicitação direta da Presidência ou dos governadores. A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) manterá centros nos locais dos jogos. Como não há forma de evitar manifestações, a estratégica das polícias será a de esgotar a negociação e intervir somente se houver vandalismo ou crime. Para essa eventualidade, o Ministério da Justiça já investiu R$ 40 milhões em armas de baixa letalidade, como bombas de gás lacrimogêneo.
No Estado, o secretário da Segurança Pública, Airton Michels, diz que a Brigada Militar (BM) age de forma adequada nos protestos. Ele diz que não haverá mudança de estratégia, mas contingentes podem vir do Interior para aumentar o policiamento durante atos na Capital. O Estado está preparado para trazer 2 mil homens com rapidez.
– Achamos que o procedimento da BM é absolutamente correto. Tem sido modelo para o país, até agora não tivemos a integridade das pessoas ferida e nem mortes – defende.
LEGISLAÇÃO
Em meio a manifestações de repúdio e de cobranças por punições exemplares, o presidente do Senado, Renan Calheiros, decidiu colocar em votação em plenário, em duas semanas, o projeto de lei que define o crime de terrorismo para enquadrar black blocs. Senadores chegaram a defender que se use a norma para enquadrar ações de vandalismo e depredação cometidas nas manifestações de rua, mas abrandaram o discurso diante da preocupação do governo em passar uma imagem de insegurança no ano da Copa. Atualmente, não há legislação específica para o crime de terrorismo. Sem uma lei, crimes têm sido submetidos à Lei de Segurança Nacional, da época da ditadura militar.
Pela proposta que deve ir a votação, o crime de terrorismo será punido com 15 a 30 anos de prisão em regime fechado. As penas poderão ser elevadas se houver morte ou uso de artefato explosivo, como no caso de Santiago Andrade. Se aprovado pelo Senado, o texto terá de passar pela Câmara.
Na reunião de ontem com representantes de empresas de comunicação, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, defendeu a elaboração de uma “política de estado de proteção ao jornalista” por um grupo de trabalho, formado por profissionais da imprensa, advogados e especialistas em segurança pública, que deve se reunir já na terça-feira. O objetivo do ministro é chegar a um consenso sobre medidas que possam estar valendo até a Copa.
Na próxima quinta-feira, em Aracaju (SE), Cardozo participará de uma reunião com secretários de Segurança dos Estados para discutir medidas a serem tomadas para coibir a violência nos protestos. Titular da pasta no Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame elaborou, com juristas, um projeto de lei para punir a incitação ou prática de desordem em local público e a proibição do uso de máscaras em manifestações. A proposta deve ser votada pelo Congresso.
OPINIÃO PÚBLICA
Especialistas atribuem o esvaziamento dos protestos iniciados em junho à intensificação da violência. A morte do cinegrafista Santiago Andrade tende a aumentar o receio daqueles que já estavam distanciados das ruas devido às estratégias agressivas dos black blocs e ao enfrentamento com a polícia.
– Vai haver, sim, um aumento do temor entre aqueles que saíam para protestar. Foi um ataque covarde. O cidadão que ia protestar com os filhos na cacunda, levando o chimarrão, não vai mais – comenta José Luiz Bica de Melo, professor de Sociologia e Teorias Políticas da Unisinos.
Rodrigo Stumpf González, professor do programa de pós-graduação em Ciência Política da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), acredita que a ampla repercussão do caso envolvendo o profissional da Bandeirantes também vai contribuir para afastar as pessoas que não são ligadas a movimentos sociais.
– A vítima foi um jornalista, mas poderia ter sido qualquer um. Isso deve desmobilizar parte da população, e os grupos mais violentos vão acabar ficando mais visados, mais isolados, perdendo o apoio de quem via a violência como saída – afirma.
González também crê que a comoção resulte no arrefecimento dos ânimos diante de fatores com potencial, como no ano passado, para reunir multidões – a inauguração de obras para a Copa do Mundo e o reajuste das tarifas do transporte público, por exemplo.
– Se não tivesse acontecido esse episódio, teríamos, a partir de agora, um retomar daquelas manifestações. Em Porto Alegre, vamos ter um grande descontentamento se o fim da greve significar aumento das passagens. Seria natural ocorrerem mobilizações. Com a tragédia, essas mobilizações passarão a ser limitadas a grupos mais organizados – prevê o docente da UFRGS.
MANIFESTANTES
Grupos organizados que estão à frente dos protestos de rua afirmam que a morte de Santiago Andrade não vai interferir nas mobilizações. Eles lamentam o ocorrido, mas atribuem a violência praticada por manifestantes à necessidade de reagir à repressão policial. Em Porto Alegre, integrantes do Bloco de Luta pelo Transporte Público, que tem realizado atos frequentes, garantem que os protestos não devem diminuir ou mudar por causa do cinegrafista.
– Enquanto não forem resolvidos os problemas, não vamos sair das ruas. Pode ser que os ânimos se acirrem – diz Lucas Fogaça, do Bloco de Luta e militante do PSTU.
O uso de rojões, comum em protestos na capital gaúcha, é algo que, diz Fogaça, não pode ser impedido.
– Nunca orientamos a jogar rojões. Muitas vezes é um estímulo da própria pessoa e, por isso, não vamos sugerir que deixem de levar – explica Fogaça.
A postura de grupos como os Black Blocs tem sido colocar o caso de Andrade como um episódio isolado de violência praticada por manifestantes, em meio a inúmeros casos de agressões policiais menos badalados. Citam exemplos como o do jovem que morreu após cair de um viaduto, durante ato em Belo Horizonte, e do homem baleado pela polícia em uma abordagem após um ato contra a Copa, no Rio.
Apesar de os grupos afirmarem que nada muda com o caso do cinegrafista, a professora visitante do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Alba Zaluar, acredita que adeptos da tática black bloc devem, naturalmente, recuar. Em manifestação na segunda-feira, no Rio, a socióloga identificou mudanças na postura dos participantes mais violentos.
– Eles já não se comportaram daquela forma excessiva, quebrando tudo. Nossa batalha agora é essa: convencê-los de que isso não está levando a lugar nenhum. É um transtorno muito grande para a cidade – comenta Alba.
O advogado Jonas Tadeu Nunes, que defende Caio Silva de Souza e Fábio Raposo (suspeitos de envolvimento na morte do cinegrafista Santiago Andrade), disse nesta quarta-feira (12) na Cidade da Polícia que alguns manifestantes recebiam dinheiro de organizações — que não foram reveladas — para irem aos protestos e convocarem outros jovens às manifestações no Rio de Janeiro, dentre eles o próprio Caio.
“Ele foi aliciado a participar de manifestação e cada manifestação que participava, com intuito de ‘vamos fazer um quebra-quebra. Você ganha R$ 150’”, disse o advogado em entrevista à GloboNews (veja a íntegra da entrevista no segundo vídeo da reportagem). “Eles não me passaram precisamente nome de ninguém. Mas passaram assim: ‘Doutor, manda investigar’”, acrescentou Jonas Tadeu.
Ainda segundo Jonas, Caio recebia um salário mínimo no trabalho, como auxiliar de serviços gerais de uma empresa terceirizada pelo Hospital Rocha Faria, e grande parte do dinheiro seria utilizado para pagar o aluguel da casa da mãe. Embora tenha dito que isto não eximiria a culpa do rapaz, relacionou a condição “miserável” com o crime.
“Assim que estive com o pai do Caio, vi a situação de miséria que ele vive. Me deu uma tristeza muito grande. Esses jovens são aliciados, recebem fomentos financeiros de organismos que organizam estes protestos com o objetivo de desarticular o governo, em vez de fazer uma oposição correta. Tem que ir atrás das pessoas que aliciam outros jovens. Eles desgraçaram a família de outros jovens e do Santiago”, disse o advogado, sem se aprofundar em quem seriam os responsáveis pelo suposto aliciamento.
Em entrevista à repórter Bette Lucchese, da TV Globo, Caio afirmou que costumava ir a manifestações. O advogado dele, entretanto, ponderou que o motivo seria a ajuda de custo supostamente recebida pelo rapaz. “Ele sempre foi aliciado, sempre recebeu dinheiro. Quanto mais páginas estes jovens abrirem nas redes sociais, quanto mais convocações tiver para outros jovens, eles são recompensados. Tem um fomento financeiro, mas não sei de onde vem.
Preso na manhã desta quarta-feira em Feira de Santana, Caio Silva de Souza admitiu à reportagem que acendeu o rojão durante a manifestação de quinta-feira (6). O suspeito chegou ao Rio, às 8h42 desta quarta-feira, pelo Aeroporto Internacional Tom Jobim, na Ilha do Governador, Zona Norte. Na entrevista, ele disse que não sabia que o objeto era um rojão, e sim um “cabeção de nego”.
Perguntado se acendeu junto com Fábio Raposo, ele balança a cabeça de forma positiva. Ele afirmou ainda que, depois da veiculação das imagens onde apareceria recebendo o rojão, teve medo de ser morto por “pessoas envolvidas nas manifestações”.
‘Namorada está desesperada’, diz advogado
De acordo com o advogado Jonas Tadeu Nunes, a namorada de Caio foi a responsável por convencer o suspeito a se entregar à polícia. Ele estava foragido na Bahia e teria tido que vender o celular para comprar a passagem mais barata. Na rodoviária, Caio teria ainda pedido dinheiro para conseguir o valor completo da passagem. Desde a viagem, passou fome e sede e bebeu água na pia do hotel — tudo ainda de acordo com Tadeu.
Fonte: Zero Hora






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