A Crimeia votou em 16/3/14 por uma esmagadora maioria a favor da reunificação desta península ucraniana à Rússia, em um referendo denunciado por Kiev e pelo Ocidente.
“Noventa e três por cento dos habitantes da Crimeia votaram neste domingo a favor de se integrar à Rússia, e 7% se pronunciaram a favor do status autônomo da Crimeia dentro da Ucrânia”, de acordo com uma pesquisa de boca de urna divulgada pelas autoridades separatistas da Crimeia.
A Crimeia foi historicamente parte da Rússia até que a União Soviética a cedeu à Ucrânia, em 1954, por decisão de Nikita Khrushchev. No entanto, Moscou manteve no porto de Sebastopol a base de sua frota no Mar Negro.
A população da região é, em sua maioria, de língua russa, e favorável à incorporação à Rússia. Já as minorias ucraniana e tártara, que representam 37% da população, haviam pedido o boicote do referendo.
Após a divulgação dos primeiros resultados, milhares de ucranianos saíram às ruas de Simferopol e Sebastopol para comemorar.
O primeiro-ministro da Crimeia, Sergei Aksyonov, saudou imediatamente esta decisão histórica e anunciou que pedirá oficialmente na segunda-feira a anexação da região à Rússia.
“Obrigado a todos os que participaram do referendo e expressaram sua opção. Tomamos uma decisão muito importante que entrará para a história”, declarou Aksyonov em sua conta no Twitter.
“O Parlamento da Crimeia se reunirá na segunda-feira em sessão extraordinária para adotar uma candidatura oficial de integração à Federação da Rússia”, acrescentou.
Já a Casa Branca rejeitou os resultados do referendo e criticou as ações perigosas e desestabilizadoras de Moscou nesta crise.
“Este referendo é contrário à Constituição da Ucrânia, e a comunidade internacional não reconhecerá os resultados desta votação realizada sob ameaças de violência e intimidação por parte da intervenção militar russa que viola as leis internacionais”, declarou o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney.
O referendo, apresentado como um exercício de democracia popular pelas autoridades separatistas e por Moscou, foi realizado na presença de milhares de soldados russos que controlam a região há duas semanas junto às milícias separatistas.
O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou em uma conversa por telefone com a chefe de governo alemão, Angela Merkel, que respeitaria “a escolha dos habitantes da Crimeia” e repetiu que o referendo estava em conformidade com o direito internacional.
Horas antes da divulgação dos primeiros resultados, a União Europeia condenou oficialmente o referendo, classificando-o de “ilegal e ilegítimo”, e anunciou que serão decididas sanções na segunda-feira.
As autoridades separatistas chegaram ao poder em Simferopol após a destituição em Kiev, no dia 22 de fevereiro, do presidente pró-russo Viktor Yanukovytch.
Os eleitores da Crimeia, 1,5 milhão de pessoas, deveriam optar entre “a reunificação com a Rússia como membro da Federação Russa” ou o retorno a um status de 1992, que nunca foi aplicado e que concede uma maior autonomia à região.
A opção de manter o status atual dentro da Ucrânia não fazia parte das opções.
– Bases ucranianas desbloqueadas –
Por sua vez, o ministro da Defesa interino da Ucrânia, Igor Teniukh, anunciou neste domingo que a Rússia aceitou levantar o bloqueio das bases militares da Ucrânia na Crimeia até o dia 21 de março.
Estas bases, que até agora estavam bloqueadas pelas forças russas ou pró-russas e cujo abastecimento se tornou difícil, poderão reconstituir suas reservas durante este período de tempo, indicou o ministro.
Teniukh acrescentou que as tropas ucranianas na Crimeia seguiam em estado de alerta, mas que no local a situação era calma.
Por sua vez, a tensão parecia se intensificar no leste da Ucrânia, onde manifestantes pró-russos entraram nas sedes do Ministério Público e dos serviços especiais (SBU) na cidade de língua russa de Donetsk, após uma manifestação a favor da anexação da Crimeia à Rússia.
Os manifestantes invadiram os dois edifícios sem encontrar grande resistência por parte das forças de segurança. Eles exigem a libertação de seu líder, o autoproclamado “governador” Pavlo Gubarev.
Neste contexto, o primeiro-ministro ucraniano, Arseni Yatseniuk, pediu à OSCE o envio urgente de observadores no leste e no sul da Ucrânia, incluindo na Crimeia.
“O mandato deve ser ampliado ao leste e ao sul da Ucrânia, incluindo a Crimeia”, declarou Yatseniuk, segundo um comunicado do governo. “Espero que esta decisão seja votada durante uma reunião extraordinária da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE)”, acrescentou.
O governo ucraniano não para de repetir que o referendo na Crimeia é ilegal e anticonstitucional, mas não tem meios para se opor a ele.
Os países ocidentais classificaram de ilegítimo o referendo. Também advertiram que o resultado não será reconhecido em nível internacional e que estão dispostos a aplicar sanções contra a Rússia
EUA estão incomodados com ação militar russa na Ucrânia, diz Obama
Soldados russos assumiram o controle de regiões na Crimeia.
Presidente deposto Viktor Yanukovich reapareceu na Rússia.
A Ucrânia se “encontra à beira do desastre”, após a “declaração de guerra” feita pela Rússia, declarou neste domingo o primeiro-ministro Arsenii Iatseniuk. “É o alerta vermelho. Não é uma ameaça, é, na verdade, uma declaração de guerra ao meu país”, disse.
“Nós pedimos para que o presidente Putin retire suas forças armadas e cumpra suas obrigações internacionais, assim como os acordos bilaterais e multilaterais entre a Rússia e a Ucrânia”, acrescentou.
“Se o presidente russo quer ser o presidente que iniciou uma guerra entre dois países vizinhos e amigos, entre a Ucrânia e a Rússia, ele está perto de alcançar este objetivo. Estamos à beira do desastre”, disse Iatseniuk, falando em inglês durante um pronunciamento para a imprensa no Parlamento.
“A Rússia não tinha qualquer razão para invadir a Ucrânia e nós acreditamos que nossos parceiros, assim como toda a comunidade internacional, apoiarão a manutenção da integralidade do território ucraniano, e farão o possível para impedir este conflito militar provocado pela Rússia”, afirmou.
A Ucrânia anunciou neste domingo a convocação de seus reservistas após a ameaça russa de intervenção militar em seu território.
O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, alertou este domingo a Rússia de que se arrisca a perder o seu lugar no prestigiado grupo dos oito devido ao envio de tropas para a república ucraniana da Crimeia.
O presidente (russo) Vladimir Putin, “pode não ter (cimeira do) G8 em Sochi, pode mesmo não continuar no seio do G8 se isto continuar”, advertiu Kerry em declarações à televisão norte-americana NBC.
Antes, os ministros dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido e da França anunciaram terem decidido suspender a sua participação nas reuniões preparatórias da cimeira do Grupo dos oito (os sete países mais industrializados – Alemanha, França, Itália, Reino Unido, Canadá, Estados Unidos e Japão – e a Rússia), prevista para decorrer em junho na cidade russa de Sochi.
“O Reino Unido vai juntar-se a outros países do G8 suspendendo a sua cooperação sob a égide do G8, presidido este ano pela Rússia, o que inclui as reuniões desta semana para a preparação da cimeira do G8”, disse o chefe da diplomacia britânica à cadeia televisiva Sky News, antes de partir para Kiev.
O chefe da diplomacia francesa, Laurent Fabius, disse que a França espera que sejam suspensas “as reuniões de preparação do G8”, reagindo à situação de tensão entre Kiev e Moscovo, depois da câmara alta do parlamento russo ter aprovado no sábado, por unanimidade, um pedido do presidente Vladimir Putin para autorizar “o recurso às forças armadas russas no território da Ucrânia”.
O Canadá, por sua vez, decidiu mesmo suspender a sua participação na cimeira. Além disso, retirou o seu embaixador na Rússia, em protesto pela intervenção militar russa na Ucrânia, e solicitou a Moscovo que “retire imediatamente” as suas tropas daquele país.
Ucrânia: presença de tropas russas gera ameaça de guerra
“Qualquer violação na soberania da Ucrânia será profundamente desestabilizadora”, disse Obama. “Os EUA vão estar ao lado da comunidade internacional afirmando que haverá custos para qualquer intervenção militar na Ucrânia”, acrescentou o presidente americano.
“Estamos agora profundamente incomodados com os relatos de movimentações militares feitos pela Federação Russa dentro da Ucrânia”, disse Obama a jornalistas na Casa Branca.
O presidente interino da Ucrânia, Olexander Turchinov, pediu nesta sexta que o presidente russo, Vladimir Putin, “pare imediatamente com sua agressão não dissimulada e retire seus militares da Crimeia”, em declarações transmitidas pela televisão.
Turchinov denunciou uma provocação de Moscou, pois, segundo ele, “provoca-se o conflito e, em seguida, anexa-se o território”. Ele fez uma comparação dessa situação com a intervenção da Rússia na Geórgia em 2008.
Nesta sexta, pelo menos 20 homens vestindo o uniforme da frota russa do Mar Negro e armados com rifles cercaram um posto de fronteira da Ucrânia, perto da cidade portuária de Sebastopol, na região ucraniana da Crimeia.
De acordo com a Reuters, um representante da Turchinov na Crimeia disse que 13 aeronaves russas desembarcaram na península do Mar Negro com 150 pessoas a bordo cada uma. Mais de 10 helicópteros militares russos sobrevoaram a Crimeia e militares russos bloquearam uma unidade da guarda de fronteira ucraniana na cidade portuária de Sevastopol, disse o guarda.
Embaixadora
A embaixadora dos EUA na ONU, Samantha Power, pediu também nesta sexta o envio urgente de uma missão internacional de mediação para tentar acalamar a crise na região da Crimeia e pediu à Rússisia que volte atrás em relação a sua presenaça na região.
Ela também disse que o governo está “muito preocupado” com as informações de que há forças russas no território ucraniano e condenou “qualquer movimento” que busque “minar a integridade territorial” do país.
O presidente da Ucrânia, Viktor Yanukovich, denunciou ser vítima de um “golpe de Estado” em uma entrevista a uma emissora de TV ucraniana, segundo a agência russa Interfax.
“Os eventos testemunhados por nosso país e todo o mundo são um exemplo de um golpe Estado”, disse o presidente, segundo a Reuters.
Yanukovich também disse que não tem a intenção de renunciar nem de deixar o país, como disseram líderes da oposição. Ele ainda afirmou que todas as decisões tomadas pelo Parlamento neste sábado – inclusive a libertação imediata da líder oposicionista Yulia Tymoshenko – são ilegais.
O presidente ainda comparou a situação na Ucrânia com a tomada do poder pelos nazistas na Alemanha na década de 1930.
Na mesma entrevista, Yanukovich chamou os oposicionistas de “gângsters” e disse que não irá negociar com eles.
Yanukovich deixou Kiev neste sábado e seguiu para paradeiro desconhecido. O presidente não divulgou onde está, mas disse que vai permanecer no sudeste da Ucrânia.
Ganna German, uma de suas colaboradoras, disse que Yanukovytch está em Jarkiv, cidade do leste da Ucrânia, segundo a AFP. “O presidente cumpre com suas funções constitucionais. Vai falar hoje pela televisão em Jarkiv”, disse.
Com sua ausência da capital, sua casa, escritório e outros prédios do governo foram tomados pela oposição.
Um acordo entre assinado entre Yanukovich e os líderes da oposição nesta sexta-feira (21) determinou a realização de eleições presidenciais antecipadas no país e a volta à Constituição de 2004, que reduz os poderes presidenciais. O acordo também prevê a formação de um “governo de unidade”, em uma tentativa de solucionar a violenta crise política.
As Forças Armadas anunciaram em um comunicado que não irão se envolver na crise política.
Escritório tomado
Com sua ausência da capital, manifestantes tomaram o gabinete do presidente.
O manifestante Ostap Kryvdyk, que se descrevia como um comandante do protesto, afirmou que alguns membros do grupo entraram nos escritórios, mas não houve saques. “Vamos guardar o edifício até que o próximo presidente venha”, afirmou ele à Reuters. “Yanukovich nunca voltará.”
A residência do presidente fora de Kiev está sendo guardada por milícias de “autodefesa” formadas por manifestantes. Centenas de pessoas entraram no terreno, mas não no prédio.
O vice-presidente dos Estados Unidos, Joseph Biden, deixou claro para o presidente da Ucrânia, Viktor Yanukovich, em uma ligação telefônica, em 20/2/14, que o os EUA “estão preparados” para punir os funcionários responsáveis pela violência exercida contra os manifestantes nos protestos de oposição em Kiev, a capital da ex-república soviética.
“O vice-presidente condenou a violência contra os civis em Kiev e pediu que o presidente Yanukovich retire todas as forças de segurança das ruas, polícia, franco-atiradores, unidades militares e paramilitares, e as forças irregulares”, informou hoje a Casa Branca em comunicado.
Em Kiev, os enfrentamentos entre as forças de segurança e os manifestantes endureceram nos últimos dois dias e já ocorreram pelo menos 75 mortes, de acordo com os números oferecidos pelas autoridades de saúde do país.
O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, condenou hoje “o uso da força contra os civis por parte das forças de segurança” em Kiev, e pediu, mais uma vez, a retirada de todos estes homens armados.
“O povo da Ucrânia e a comunidade internacional farão com que os responsáveis pelo ocorrido prestem contas, e os Estados Unidos já começaram a adotar sanções contra os responsáveis pela violência”, disse Kerry, segundo um comunicado do Departamento de Estado.
Em 21/2/14, o governo americano anunciou a proibição da emissão de vistos de entrada para 20 funcionários da Ucrânia que são considerados responsáveis pela violência contra os manifestantes em Kiev.
Essa foi a segunda sanção dos Estados Unidos contra o governo ucraniano desde que começaram os protestos, depois que vistos já concedidos a vários nacionais do país do leste europeu, considerados responsáveis pelo uso da força contra os manifestantes, foram cancelados no final de janeiro.
“Não há tempo para os artifícios políticos. O presidente Yanukovich deve realizar negociações sérias com a oposição imediatamente para estabelecer um novo governo interino que tenha amplo apoio. Esta é a única maneira de começar as difíceis, porém necessárias, reformas constitucionais e econômicas que a Ucrânia necessita”, considerou Kerry.
E acrescentou: “Reafirmamos o compromisso dos Estados Unidos com o povo da Ucrânia e pedimos que todos os membros da comunidade internacional ajudem para que esse país recupere a estabilidade”.
Por outro lado, o Departamento de Defesa advertiu hoje que suas relações com a Ucrânia ficarão prejudicadas se o governo de Kiev decidir usar as Forças Armadas para reprimir os protestos contra o governo de Viktor Yanukovich.
O porta-voz do Pentágono, o contra-almirante John Kirby, revelou que o secretário de Defesa, Chuck Hagel, tentou ao longo de toda a semana falar com seu colega ucraniano, mas não foi atendido.
Devido a esta situação “incomum”, Kirby aproveitou sua entrevista coletiva de hoje para pedir que o governo de Yanukovich mantenha suas Forças Armadas nos quartéis e não as utilize para reprimir os protestos em todo o país.
Hoje, o primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, disse que teme que a Ucrânia esteja cada vez mais perto de uma guerra civil entre os que apoiam uma maior aproximação com a União Europeia e as regiões mais favoráveis à Rússia.
O Parlamento ucraniano aprovou hoje uma resolução para evitar a utilização de tropas nos protestos e pôr fim às chamadas operações antiterroristas das forças de segurança, que utilizaram munição real e rifles contra civis.
Confrontos foram registrados em 19/1/14, ao fim de um protesto em Kiev que reuniu cerca de 200 mil opositores pró-europeus e desafiou as autoridades, após a adoção de novas leis reforçando as punições contra os manifestantes.
Quando a mobilização na Praça da Independência, também chamada de Maïdan, chegava ao fim, alguns manifestantes tentaram romper um cordão de segurança para chegar ao Parlamento e chegaram a entrar em furgões da polícia que bloqueavam o acesso. Eles incendiaram um dos veículos. As forças de segurança responderam com golpes de cassetetes e bombas de gás lacrimogêneo e efeito moral, além de jatos d’água.
Pelo menos duas pessoas ficaram feridas nos confrontos, segundo um correspondente da AFP. O boxeador e líder da oposição Vitali Klitschko tentava acalmar os ânimos, pedindo que a multidão não provocasse a polícia.
Antes, por volta de 200 mil pessoas participaram pacificamente das manifestanções na Praça da Independência, desafiando as autoridades depois da proibição de qualquer ato público no centro de Kiev até 8 de março e das novas leis promulgadas na sexta-feira pelo presidente Viktor Yanukovytch, que introduzem ou reforçam as sanções contra os manifestantes.
A chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Catherine Ashton, está a levar a cabo uma missão de conciliação junto do Presidente ucraniano, face à crise política que eclodiu no país, no final de Novembro, depois da recusa de Viktor Ianukovitch em assinar um acordo de associação.
Face a rumores de que o regime de Kiev exige uma contrapartida financeira maior, um porta-voz da Comissão Europeia, Olivier Bailly, esclareceu que “a prosperidade e o futuro da Ucrânia não podem ser submetidos a uma espécie de leilão para ver quem sobe mais o preço”.
“A situação na Ucrânia também é um tema quente no Parlamento Europeu (PE)”, refere a enviada da euronews, Natalia Richardson-Vikulina. “Reunidos em Estrasburgo, os eurodeputados estão chocados com o uso da força, mas também surpreendidos com a determinação com que o povo defende a integração europeia”, acrescentou.
Os parlamentares preparam uma resolução para a ser votada esta quinta-feira.
O eurodeputado socialista polaco, Marek Siwiec, disse não compreender “esta lógica de um passo para frente, dois para trás. Não vejo uma estratégia para avançar, mas enquanto a violência não atingir proporções que resultem num grande número de vítimas, exorto ambos os lados a encontrarem uma solução para o conflito”.
A eurodeputada dos Verdes alemã, Rebecca Harms, refere que “a resolução do PE pretende que haja uma maior presença política, um mais alto grau de responsabilização por parte da UE e do PE no que se passa em Kiev”.
Há nove anos, o então chanceler federal da Alemanha, Gerhard Schröder, telefonou para o presidente da Rússia, Vladimir Putin. O assunto era a Ucrânia. Na ocasião, centenas de milhares tomavam as ruas de Kiev em protestos contra fraudes nas eleições presidenciais. Era a chamada Revolução Laranja. “Deixe-nos ajudar para que a situação não saia do controle”, disse Schröder. “Precisamos de uma Ucrânia democrática e pacífica.”
Em 2004, a Rússia estava ao lado de Viktor Yanukovytch, o candidato acusado de estar por trás das fraudes eleitorais. Putin chegou a parabenizá-lo pela vitória. No fim, Moscou deixou de interferir – os protestos continuaram pacificamente, e a eleição foi remarcada, consagrando a vitória da oposição. Só em 2010 Yanukovytch pôde se eleger presidente.
Até o momento, a atual chanceler federal alemã, Angela Merkel, ainda não telefonou a Putin para conversar sobre a crise ucraniana. Ela, no entanto, teria diversas razões para fazê-lo. A situação na Ucrânia é tão tensa quanto a de 2004. Centenas de milhares vão há semanas às ruas de Kiev, em protesto em prol de uma aproximação com a União Europeia.
A crise foi deflagrada, entre outros motivos, pela pressão da Rússia sobre a Ucrânia – Moscou ameaçou Kiev com restrições comerciais caso assinasse o tratado de associação à UE. O governo Yanukovytch acabou congelando o acordo e gerou o estopim para o início dos protestos.
Chance de ajudar
Alguns na Ucrânia desejam a participação da Alemanha em dois aspectos: Berlim poderia contribuir com o diálogo entre o presidente e a oposição, no intuito de evitar derramamento de sangue; ou atuar junto aos russos para que Moscou não exerça pressão sobre Kiev na questão da aproximação com a UE.
Jens Paulus, chefe da equipe para a Europa do Instituto Konrad Adenauer – ligado à União Democrata Cristã (CDU), o partido de Merkel – não acredita nessa iniciativa. “Acho esse papel intermediário, que sempre é esperado de nós, bastante difícil”, opina. “A Alemanha não pode e não deve exercer essa função.”
Entretanto, ele admite que a Alemanha conhece a Rússia “um pouco melhor” do que os outros países europeus. Berlim poderia, nas conversações sobre uma associação da Ucrânia à UE, contribuir para um melhor entendimento dos “interesses russos na região”.
Sabine Fischer, chefe da divisão de pesquisa sobre a CEI (Comunidade dos Estados Independentes) do instituto alemão SWP, também têm suas dúvidas. “Acho que, em todo caso, a Alemanha deve atuar juntamente com seus parceiros europeus para que não ocorram choques violentos entre os manifestantes e as forças de segurança”, diz a especialista. “Essa seria basicamente uma atividade mediadora.”
Na última semana, o ministro alemão do Exterior, Guido Westerwelle, viajou a Kiev para participar de um encontro da Organização para a Segurança e Cooperação (OSCE). O ministro aproveitou a ocasião para visitar os manifestantes na Praça da Independência. Ele se encontrou com líderes da oposição, mas também com membros do governo.
Indignação russa
Sua passagem por Kiev acabou gerando indignação em Moscou. O primeiro-ministro russo, Dimitri Medvedev, e seu ministro do Exterior, Sergei Lavrov, acusaram Westerwelle de interferir nos assuntos internos da Ucrânia.
O governo alemão rejeitou as acusações. Mas a intenções de Berlim parecem ir mais além. Merkel estaria planejando se encontrar com o líder da oposição, Vitali Klitschko, em meados de dezembro, durante conferência da UE em Bruxelas, para dar-lhe um apoio moral. Os russos certamente não iriam apreciar muito essa atitude.
Parte da imprensa alemã, como o tradicional jornal Frankfurter Allgemeine Zeitung (FAZ), vê a Ucrânia como um “peso nas relações Alemanha-Rússia”. Ao mesmo tempo, alguns analistas russos não concordam com essa observação.
Para Vladislav Belov, diretor do Centro de Estudos Alemães da Academia Russa de Ciências, Westerwelle estava em Kiev na condição de um ministro que está perto de deixar o cargo, e o significado de sua visita não deve ser superestimado.
Belov ressalta que Merkel já afirmou que Alemanha e Rússia não devem conversar em tons extremos sobre uma futura cooperação, ou seja, o debate não deve se basear nas opções “ou a Ucrânia se une à Europa ou à Rússia”.
A chanceler federal também já afirmou que vai tratar do assunto com Putin em seu próximo encontro, no início de 2014. Vladislav Belov também não acredita que as relações bilaterais entre os dois países deverão ser afetadas pela crise em Kiev.
Ucrânia: Procuradoria-geral inicia processo de pedido de extradição de Ianukovich
A procuradoria-geral da Ucrânia anunciou hoje o início do processo de pedido de extradição do deposto Presidente Viktor Ianukovich, que se refugiou na Rússia.
“A procuradoria-geral espera, depois de apresentar em breve o pedido [de extradição] a Moscovo, receber uma resposta positiva da procuradoria-geral da Federação Russa”, indica um comunicado.
O documento sublinha que “a realização de uma conferência de imprensa em Rostov-no-Don (cidade meridional russa) por parte do cidadão ucraniano Viktor Ianukovitch é uma confirmação do facto de que este se encontra noterritório da Federação Russa”.
Kiev recorda que o direito internacional e a Convenção Europeia sobre a entrega de pessoas que infringiram a lei (1957) regulam os processos de extradição entre a Ucrânia e a Rússia.
Entretanto, o procurador-geral, Oleg Majnitski, recordou que a justiça ucraniana autorizou a detenção do chefe de Estado deposto para ser processado penalmente.
“Foi parar à Rússia através da Crimeia com a ajuda de oficiais patriotas de um Estado desconhecido, depois de a Ucrânia já ter emitido um mandado de busca e captura internacional de Ianukovich”, explicou.
Há umas horas, a procuradoria-geral tinha adiantado que pediria a extradição de Ianukovich se se confirmasse oficialmente que se encontra em território da vizinha Rússia.
O comunicado oficial recorda que o Presidente deposto fugido é suspeito de assassínios em massa e premeditados e de abuso de poder e que a Justiça ucraniana já ordenara a sua detenção, bem como a de vários dos seus colaboradores mais próximos.
A Rada Suprema (parlamento) pediu esta semana ao Tribunal Penal Internacional, com sede em Haia, que julgue Ianukovich e outros antigos altos responsáveis por crimes contra a humanidade.
As novas autoridades acusam-nos do “assassínio em massa” de cidadãos ucranianos “durante as ações de protesto maciças no período compreendido entre 21 de novembro de 2013 e 22 de fevereiro de 2014”.
Ianukovich quebrou hoje, numa
Fonte: Euronews, G1 e Yahoo






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