Sobe para 21 o número de mortos após um atentado a bomba em um restaurante em Cabul, no Afeganistão. Segundo as autoridades locais, 13 são estrangeiros e oito são afegãos, informa a agência France Presse.
De acordo com a agência EFE, entre os estrangeiros estavam o principal responsável do Fundo Monetário Internacional (FMI) no país, Wabel Abdulla, e três funcionários da Organização das Nações Unidas (ONU). As duas organizações internacionais emitiram comunicados confirmando as mortes após o atentado no centro da capital afegã.
A EFE informa ainda que um porta-voz talibã, Zabihullah Mujahid, reivindicou a autoria do ataque em nome do movimento. Em entrevista à agência local AIP, Mujahid elevou para 29 o número de “altos funcionários estrangeiros” que morreram no atentado. Os talibãs costumam exagerar o número de vítimas de seus ataques.
Em comunicado posterior enviado à EFE, o talibã explicou que “o ataque foi uma vingança pelos ataques estrangeiros na província de Parwan, onde há dois dias arrasaram dez casas e mataram mulheres e crianças indefesas”.
“São notícias trágicas e no fundo estamos todos desolados. Nossos corações estão com a família e os amigos de Wabel, assim como com os entes queridos das outras vítimas do ataque”, disse em comunicado a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde.
Wabel Abdallah, de 60 anos e com nacionalidade libanesa, foi nomeado o mais alto representante do FMI no Afeganistão em 2008, após ter trabalhado para essa organização em diferentes cargos, a maioria deles relacionados com o Oriente Médio.
No atentado também morreram três funcionários da ONU, organização que condenou os ataques contra civis como o ocorrido “por serem inaceitáveis e violarem de maneira flagrante as leis internacionais em matéria humanitária”.
“Estes ataques devem acabar imediatamente”, disse hoje um porta-voz do secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, em comunicado.
“O secretário-geral envia suas mais profundas condolências às famílias e amigos dos que morreram hoje e seu desejo de que os feridos melhorem em breve”, completou.
O atentado coincide com o início do último ano das tropas da Otan no Afeganistão, de acordo com o calendário de retirada gradual que será concluído em dezembro, quando as forças locais assumirão a segurança em todo o território afegão.
Segundo o chefe da polícia de Cabul, Mohammed Zahir, três terroristas participaram do ataque, mas apenas um detonou sua carga explosiva, depois que os outros dois foram abatidos pelas forças de segurança.
Testemunhas citadas pela agência local ‘AIP’ garantiram que após a explosão foi possível ouvir uma breve troca de tiros no local, e acrescentaram que as forças de segurança isolaram a área, sobre a qual sobrevoam helicópteros militares
O Conselho de Segurança Nacional Afegão, liderado pelo presidente Hamid Karzai, diz que o ataque suicida que matou 21 pessoas, na sexta-feira, em Cabul, foi obra de serviços de inteligência estrangeiros, dada a sua sofisticação.
“O nível de complexidade e sofisticação do ataque não pode ser apenas da responsabilidade dos talibãs”, disse a presidência afegã, numa aparente acusação ao vizinho Paquistão, conforme relata a agência de notícias francesa (AFP).
Segundo as autoridades afegãs, “não resta nenhuma dúvida que serviços de inteligência estrangeiros estão por trás desses ataques”, numa declaração que está a ser interpretada pela imprensa como uma acusação à inteligência paquistanesa (ISI).
Cabul tem vindo a acusar regularmente o seu vizinho Paquistão de apoiar os talibãs para defender os seus interesses estratégicos na região, algo que as autoridades de Islamabad (capital paquistanesa) sempre negaram.
Além do bombista-suicida que se fez explodir à entrada do restaurante, dois outros conseguiram entrar e dispararam indiscriminadamente.
Este ataque foi o mais mortífero no Afeganistão, cometido contra civis estrangeiros, desde a queda do regime talibã, em 2001, e foi condenado unanimemente pela comunidade internacional, que denunciou o ato como “violência terrível” e “injustificável”.
Afegãos “unidos contra os ataques”
Em 19/1/14, uma centena de pessoas marchou nas ruas de Cabul com cartazes a dizerem “Não ao terrorismo!” para denunciar este ataque.
Os participantes reuniram-se frente ao restaurante onde aconteceu o ataque, “A Taberna do Líbano”, um local numa das zonas mais privilegiadas da capital afegã habitualmente frequentado por diplomatas, consultores, trabalhadores humanitários e outros representantes da comunidade de expatriados.
Depois de depositarem flores na entrada parcialmente destruída do estabelecimento, um homem fez o papel de vítima e deixou-se cair no chão, como que atingido por uma bala, e uma jovem mulher desenhou simbolicamente a sua silhueta no chão com tinta branca.
“Estamos aqui para denunciar os atos terroristas que ocorreram em Cabul há dois dias”, disse à AFP um dos participantes, Lailee Rahimi. “Queremos homenagear as vítimas e mostrar que os afegãos permanecem unidos contra esses ataques”, acrescentou.
Fonte: Jornal de Notícias e G1






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