A morte de uma garota de oito anos no Iêmen, após a lua de mel com seu marido de 40 anos, movimenta ativistas e parte da comunidade internacional. Rawan foi vendida por seu padrasto por um saudita por cerca de R$ 6 mil e, em 7/9/13, morreu por conta de ferimentos internos no útero.
Ativistas de direitos humanos agora pedem que a família de Rawan e seu marido, que não teve o nome revelado, sejam responsabilizados e punidos pela morte da garota. Há também o pedido de que os países do Oriente Médio criem leis que proíbam o casamento de menores de 18 anos.
A mudança nas leis foi proposta em 2009, mas rejeitada pela ala conservadora dos parlamentares da Arábia Saudita, que julgaram a proposta como “não islâmica”. Um ano depois, uma menina de 13 anos morreu após cinco dias de sangramento interno causados também após relações sexuais com seu marido, fruto de um casamento comprado.
Em entrevista ao jornal alemão Der Tagesspiegel, um ativista considerou o fato como “horrível e cruel”.
Pela primeira vez na história, a Arábia Saudita lançou uma campanha contra a violência sofrida pelas mulheres. E a novidade vem acompanhada de um anúncio que ganhou destaque na imprensa internacional.
A propaganda saudita mostra o rosto de uma mulher que acaba de apanhar, com uma marca vermelha em um dos olhos. O ferimento ficam em destaque porque a mulher usa um niqab, vestimenta típica das muçulmanas que deixa apenas os olhos à mostra.
Segundo o tabloide britânico Daily Mail, a campanha leva o nome No More Abuse (Sem mais abusos, em português) e pode ser um sinal de progresso em um país onde todas as mulheres devem ter um guardião masculino, seja o pai ou o marido.
A mensagem que acompanha a imagem diz: “Algumas coisas não podem ser cobertas”. E também: “Combatendo o abuso contra as mulheres juntos”.
O anúncio é um trabalho da Fundação Khalid King, uma instituição de caridade criada pela família do falecido monarca, que governou de 1975 até sua morte, em 1982.
Um comunicado no site da Fundação explica que o número de casos de mulheres agredidas no país é muito maior do que aparenta: “É um fenômeno que ocorre no escuro”.
— Trata-se de um sistema abrangente para lidar com a violência e abuso de família, a fim de fornecer proteção legal para as mulheres e as crianças na Arábia Saudita.
A violência doméstica faz parte da cultura da Arábia Saudita, onde as mulheres vivem sob o controle de um parente do sexo masculino, que age como seu guardião. É preciso autorização para abrir uma conta bancária e até mesmo para aceitar uma proposta de casamento.
As mulheres também são proibidas de votar e dirigir, além de serem separadas dos homens em locais públicos.
O sistema patriarcal é o que leva muitos casos de abuso a não serem denunciados no país.
Sistema: R7
NO BRASIL, como denunciar?
A Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 – funciona 24 horas por dia, de segunda à domingo, inclusive feriados. A ligação é gratuita e o atendimento é de âmbito nacional.
Atendimento qualificado – A Central funciona com atendentes capacitadas em questões de gênero, nas políticas do Governo Federal para as mulheres, nas orientações sobre o enfrentamento à violência contra a mulher e, principalmente, na forma de receber a denúncia e acolher as mulheres. Utilizam um banco de dados com mais de 260 perguntas e respostas elaboradas com base nas informações disponíveis na Secretaria Especial de Políticas para Mulheres (SPM) e em todas as denúncias já recebidas por sua Ouvidoria. A capacitação das atendentes foi desenvolvida em parceria com o Instituto Patrícia Galvão, de São Paulo.
A criação da Central atende a uma antiga demanda dos movimentos feministas e de mulheres e de todos aqueles que atuam no contexto de mulheres em situação de violência. Além de encaminhar os casos para os serviços especializados, a Central fornecerá orientações e alternativas para que a mulher se proteja do agressor. Ela será informada sobre seus direitos legais, os tipos de estabelecimentos que poderá procurar, conforme o caso, dentre eles as delegacias de atendimento especializado à mulher, defensorias públicas, postos de saúde, instituto médico legal para casos de estupro, centros de referência, casas abrigo e outros mecanismos de promoção de defesa de direitos da mulher.
As beneficiárias diretas desse serviço serão as mulheres, mas o enfrentamento à violência contra a mulher repercute positivamente sobre toda a sociedade. Com a Central de Atendimento, todas as mulheres poderão receber atenção adequada quando em situação de violência, sem nenhuma exposição, pois o sigilo é absoluto e a identificação será opcional. Mas não só as mulheres que podem acionar os serviços. Homens que queiram fazer denúncias de casos de violência contra a mulher serão bem acolhidos.
A Central de Atendimento à Mulher é uma parceria da Secretaria Especial de Políticas para Mulheres (SPM) e as empresas Embratel, Eletronorte, Eletrobrás, Furnas e do Disque Denúncia do Rio de Janeiro.
Fonte: Central de Atendimento à Mulher






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