O mau hálito, ou halitose, pode ser resultado de uma série de fatores e são mais de 50 causas possíveis. Os chamados “alimentos detergentes”, pode contribuir para diminuição e prevenção do mau odor. O dentista Anderson Bernal lista quais são e explica porque eles podem ajudar a combater a halitose.

A maçã, a cenoura, o pepino e o aipo, crus ou com casca, são os que têm maior ação de limpeza porque realizam uma espécie de raspagem dos dentes, o que impede o acúmulo de bactérias, que causam os odores indesejados. “Sentir os dentes um pouco ásperos evidencia a formação de placa bacteriana. Após o consumo desses alimentos, passando a língua por eles novamente, você os sentirá lisinhos” relata o especialista.

Com poder adstringente e bactericida, o limão também é um ótimo aliado. Ele elimina as bactérias presentes na boca e no sistema digestivo. Outro adstringente natural é o gengibre, que estimula alguns processos digestivos por fazer parte da categoria dos alimentos antioxidantes e anticoagulantes. Acrescentar gengibre às refeições ou carregar balinhas da planta podem ser estratégias simples para combater o mau hálito. Mastigar folhas de hortelã para acelerar a digestão é outra dica do dentista.

O iogurte natural sem açúcar também um aliado na luta contra o mau hálito. A ingestão desse produto reduz os níveis de gás sulfídrico, uma das causas do problema de halitose. “Esse gás é resultante dos processos metabólicos anaeróbicos – que ocorrem na ausência de ar – do nosso corpo e tem odor similar ao de ovo podre”, explica Bernal. Por fim, a ingestão de água também é indicado porque estimula as glândulas salivares e ajuda a eliminar os resíduos do corpo, inclusive da boca.

Mau hálito, ou halitose, é um problema que traz sérias consequências sociais, pessoais e até profissionais para a pessoa que sofre do mal. Muitas vezes o distúrbio não é encarado com a seriedade que deveria e, por isso, acaba sendo tratado de forma superficial, de modo a mascarar o sintoma sem, de fato, atacar sua causa.

São muitos os fatores que geram a halitose e, em alguns casos, ela pode ser multifatorial, ou seja, causada por uma somatória de problemas. Diferente da crença popular, o mau hálito não tem relação com o estômago. Na maioria dos casos (90 a 95%), ele tem origem na boca, mas também pode ser causado por doenças metabólicas ou sistêmicas, ou, ainda, ser originado nas vias aéreas superiores.

Segundo a dentista Celi Vieira, especialista em periodontia pela Associação Paulista de Cirurgião Dentista, o mau hálito é sempre indicativo de alguma outra situação, que pode ser:

Fisiológica – a halitose matinal é um exemplo. Ela ocorre graças à estagnação da saliva de repouso no dorso lingual que acontece durante o sono, já que não movimentamos a boca. A saliva de repouso é aquela produzida sem nenhum estímulo e contém grande quantidade de proteína salivar. Esta proteína, por sua vez, facilita a ação das mais de seis bilhões de bactérias presentes na nossa boca, favorecendo a formação dos compostos de enxofre. “Os componentes do enxofre são considerados os vilões do mau hálito, pois são os maiores causadores de alteração no hálito e têm a capacidade mais agressiva de incomodar”, afirma a especialista.

Transitória – pode ser causada pela fome, ingestão de algum alimento de odor forte, dieta desequilibrada, cirurgia na região da boca, etc. Quando estamos há muito tempo sem comer, nosso organismo passa a queimar as reservas de gordura, o que provoca um cheiro desagradável. Ele, na verdade, é expelido pelo pulmão, e não pelo estômago, e não possui cheiro de enxofre como no caso visto acima. Segundo a periodontista, a melhor forma de tratar a halitose transitória é evitando que ela aconteça. “Se está com fome, o remédio é comer. Se a dieta está desequilibrada, tem de ser ajustada”, recomenda.

Patológica – neste caso, a halitose é um sinal de que há algo de errado no nosso corpo. Na maioria dos casos, está associada a alterações na produção salivar, que causam excesso ou falta de saliva na boca. É também frequentemente causada por inflamações na região bucal, como periodontites, gengivites, amidalite, rinites, sinusite, etc. Além disso, doenças sistêmicas, como o diabetes e a síndrome de Sjögren (doença autoimune que reduz a secreção das glândulas salivares e lacrimais), também podem causar o mau hálito.

O diabetes faz com que o paciente urine mais do que o normal, causando desidratação e, portanto, boca seca, o que origina o mau hálito. Mas a doença também pode causar a falsa halitose, ou halitose subclínica. Esta é uma condição em que a pessoa sente um gosto muito alterado na boca e o associa ao mau hálito, que, na verdade, não existe. “Esses pacientes chegam hoje em grande quantidade nos consultórios e mutilam suas vidas no quesito social, sentimental e profissional, porque acham que o mau hálito é constante e extremamente forte, mas ele realmente não é detectado”, explica Celi. O distúrbio, portanto, apresenta as mesmas consequências que a halitose real. Ele geralmente é provocado pela assialia, que é a ausência total de saliva (muito comum no diabetes), ou mesmo por medicações que causam um gosto ruim na boca. Neste caso, o paciente deve procurar um especialista apto a tratar o problema – em geral, o dentista.

Como identificar e tratar a halitose?
A melhor forma de identificar é através do olfato humano. O problema é que a pessoa que sofre de halitose geralmente não sente o mau cheiro. Isso acontece porque, após cerca de um segundo expostas a determinado odor, as células olfativas se adaptam a ele, o que é conhecido como fadiga olfatória. Por isso, os especialistas aconselham que a pessoa que desconfia que tem mau hálito pergunte a alguém de confiança. A Associação Brasileira de Halitose disponibiliza em seu site um serviço de envio de mensagem anônima para quem deseja alertar um conhecido sobre o problema, mas não gostaria de dizer pessoalmente.

Uma vez identificada a halitose, ou mesmo se há apenas suspeitas, a orientação é procurar um profissional especializado em periodontia que consiga identificar a causa do problema. Tenha cuidado com os tratamentos que envolvam apenas a limpeza ou raspagem da língua, pois isso não irá solucionar o problema. “O maior nicho de formação de compostos de enxofre é o dorso lingual, mas ele só promove essa produção se houver outras alterações no organismo. Muitos profissionais resumem o tratamento à limpeza de língua, o que é um grande risco. Ao decorrer dos anos, o uso indiscriminado dos raspadores e mesmo da escovação da língua agride as papilas linguais e acabam formando nichos que agregam bactérias, ou seja, fazem o trabalho justamente oposto”, alerta a especialista. “Limpar a língua é importante apenas quando a qualidade bucal ainda não foi equilibrada. Depois que o tratamento acaba, a própria lavagem fisiológica da saliva já é suficiente”, completa.

Celi afirma que um bom tratamento começa com um bom diagnóstico, que identifique o tipo de halitose e as alterações que estão gerando o mau hálito. “Não adianta querer estimular a produção salivar se o profissional não entende por que o paciente está tendo déficit. É um tratamento completamente relacionado a descobrir as causas que levam ao problema”, diz.

Dicas para amenizar o mau hálito
Alguns hábitos podem ajudar a controlar o possível odor desagradável. Beber muita água, ter uma alimentação fibrosa e que exija bastante mastigação (que é o estímulo mecânico para a produção de saliva), manter hábitos adequados de higiene bucal e ter cuidado com os horários e escolha da alimentação são alguns deles.

Dica: carregue sempre na bolsa um kit de higiene com escova, fio e creme dental, uma garrafinha de água e saquinhos com frutas secas, que são bons para evitar longos períodos de jejum e exercitar as glândulas salivares através da mastigação.

Mau hálito: repelente humano

Constrangedor para quem tem e também para quem é alvo dele, o mau hálito tem poderes repelentes inquestionáveis. Para não se transformar num espantalho de plantão, siga as dicas de Leonor e abra a boca sem medo.

 

Às vezes passamos por situações constrangedoras, do tipo avisar a alguém que a calça está aberta ou aturar um chato de conversa mole, que ainda por cima gosta de falar bem de pertinho e, para piorar a situação, tem um hálito de fazer qualquer urubu desmaiar!

Pois é. Nesse caso, você sofre pelo desconforto de estar recebendo no nariz esse turbilhão de bactérias fétidas, mas a situação do indivíduo não te atrapalha. O pior é quando isso acontece com uma pessoa de quem você gosta e, por isso, merece ser avisada de que alguma coisa está errada. Mas como dizer para alguém que o seu hálito está um tanto quanto desagradável? Eta, situaçãozinha complicada!

Muitas vezes também nos perguntamos se o nosso próprio hálito não está incomodando, sobretudo depois de comermos certos alimentos como cebola crua, couve flor, alho. Então, antes de enfrentarmos alguns pratos deliciosos, como um bom Gazpacho, uma sopa fria de cebola, alho, pimentão e tomate, tudo cru, é bom pensar em quem está à nossa volta. Afinal, ninguém gosta de ver os outros se afastando a cada sopro que damos…

O mau hálito pode ter várias causas, como um desenvolvimento bacteriológico na boca, algum problema de digestão ou de intestino, uma infeção na garganta. Oitenta e cinco por cento dos casos são conseqüentes de problemas no interior da boca e, por isso, é bom estar sempre atento à higiene bucal. As bactérias vão se acumulando na língua e são eliminadas pela saliva. Essa falta de salivação durante a noite, já que dormimos de boca fechada, é a causa do mau hálito do despertar, aquele que te faz sair da cama na maior correria antes de dar o primeiro beijinho de bom dia no seu amado. O álcool e o tabaco também são grandes colaboradores para a formação do mau cheiro na nossa boca por diminuírem a quantidade de saliva.

Mas vamos às perguntas:

Como saber se estamos com mau hálito?
Temos várias soluções. A mais simples é perguntar diretamente a alguém íntimo se estamos com um cheiro desagradável. Outra opção é colocar as duas mãos fechadas em cone, na frente da sua boca, soprar e sentir o cheiro. Hoje em dia, existem até pequenos medidores da qualidade do hálito, o princípio é o mesmo do medidor de poluição dos automóveis!

Bem, na dúvida, o melhor é escovar os dentes. Não quero dar uma de dentista, mas é bom lembrar como é importante fazer uma boa escovação e passar o fio dental. Às vezes, ficamos surpresos com a quantidade de “coisas” que ficam escondidas entre cada dente! Se você estiver longe da sua maravilhosa escova de dente, a solução é recorrer às balinhas mentoladas, de preferência sem açúcar, já que o doce favorece o desenvolvimento de bactérias. Quando eu era criança, sempre ouvia minha avó, que tinha passado pelas duas guerras mundiais, dizer que para uma verdadeira limpeza dos dentes nada melhor do que esfregar um bom pedaço de carvão nos dentes…

Como avisar que seu interlocutor está lhe incomodando devido ao seu cheiro?
Se for uma pessoa de trato fácil, sempre acho que a franqueza é a melhor solução. E se o outro ficar sem graça, ainda podemos lembrar que isso acontece com todo mundo. Infelizmente, esses casos de intimidade são raros. Primeira opção: vamos nos afastando um pouco do “foco”. Segunda opção: oferecemos uma balinha (só a idéia de um alívio momentâneo vai fazer com que você encontre uma salvação no fundo da sua linda bolsa de mulher!). Terceira solução: tentar falar com alguém que tenha intimidade com essa pessoa e pedir para que lhe dê um toque.

Pois é, essa questão toca a todos diretamente, mas e quem tem cachorro? Esses pobres animais sofrem dos mesmos problemas! Aí só depende da paciência do dono em escovar os dentes do seu grande companheiro, já que não há balinha que resolva!

Fonte: Terra