Em Les jours du pouvoir, livro que será lançado nesta semana, em Paris, o
ex-ministro da Agricultura da França Bruno Le Maire revela bastidores do poder
entre 2007 e 2012 – os anos de Nicolas Sarkozy à frente do Palácio do Eliseu.
Entre intrigas de poder e elogios ao decote de Angela Merkel, uma passagem do
ex-ministro revela a preocupação do ex-presidente com o iminente risco de
falência da Grécia e de implosão da zona do euro. Referindo-se a uma reunião de
ministros realizada em 15 de novembro de 2011, o chefe de Estado teria
questionado: “Ninguém sabe se o euro existirá no final da semana. Por exemplo,
as cédulas: se for necessário imprimir francos com urgência, como faremos?”.
Pode parecer precipitado, mas essa visão catastrofista sobre o futuro da
União Europeia está sendo sepultada nas principais capitais do bloco. Em lugar
de discutir a crise, os chefes de Estado e de governo se prepararam para a
próxima reunião de Bruxelas, em fevereiro, na qual debaterão a retomada. Pouco
mais de dois anos depois do auge da crise, os sinais do início da recuperação
econômica, em especial dos países do sul, começam a se multiplicar. Ainda é cedo
para otimismo, mas os indicadores da Europa começam aos poucos a sair do
vermelho. Se a contenção fiscal, a recessão e o desemprego em massa ainda são a
tônica em países como a Espanha, a Grécia, Portugal e a Itália, economistas
indicam que o cenário está, aos poucos, mudando.
Dados relativos aos investimentos externos revelam que países do sul da
Europa receberam nos últimos quatro meses de 2012 um total € 93 bilhões em novos
investimentos, segundo levantamento do banco ING. Essa cifra inverte, pela
primeira vez em três anos, a debandada de capital, que somou € 406 bilhões só
nos oito primeiros meses de 2012. Nesses países, o custo dos juros cobrados por
investidores por dívidas soberanas vêm caindo. É o caso de Espanha, Portugal e
Itália, que registram os níveis mais baixos em dois anos.
Além disso, há outros sinais de otimismo: depois de três anos de reformas
econômicas dolorosas, as exportações dos países mediterrâneos vêm crescendo –
13% na Grécia e 8% na Itália. Em 2012, Roma registrou um excedente na balança
comercial estimado entre € 8 bilhões e € 10 bilhões, o maior em uma década. Uma
das explicações para o aumento das exportações pode ser o Índice de Gestores de
Compras (Purchasing Managers Index, PMI) medido pela consultoria Markit. Segundo
o estudo, a zona do euro atingiu em janeiro seu melhor desempenho em um ano. “Se
o setor industrial parece ter puxado para baixo a economia da zona do euro no
último trimestre do ano passado, acentuando o retorno da recessão, o PMI
alimenta a esperança de ver o primeiro trimestre marcar o início da retomada”,
escreveu Chris Williamson, economista-chefe da consultoria.
Desemprego. Outro sintoma foi revelado pelo Escritório Estatístico das
Comunidades Europeias (Eurostat) na sexta-feira: o nível de desemprego, recorde,
ficou estável em dezembro pela primeira vez em dois anos, interrompendo
sucessivas altas.
“Os elementos positivos na economia da zona do euro e da União Europeia se
devem ao fato de que a crise das dívidas soberanas está mais ou menos
resolvida”, explicou ao Estado Xavier Timbeau, responsável pelo departamento de
previsões do Observatório Francês de Conjuntura Econômica (OFCE), de Paris. “A
crise da dívida tinha um impacto muito forte sobre as bolsas, sobre o
financiamento de alguns estados. Sair dessa crise é inevitavelmente um elemento
positivo.”
Para especialistas como Timbeau, essa boas notícias sobre a atividade
econômica europeia são fruto da leveza que tem predominado recentemente nos
mercados financeiros. Na última semana, bancos da zona do euro reembolsaram com
dois anos de antecedência um total de € 137 bilhões de um total de € 489 bilhões
em empréstimos oferecidos no ano passado pelo Banco Central Europeu (BCE).
Bolsas. Nas bolsas de valores, o desempenho também é o melhor em anos. Nessa
semana o euro atingiu seu maior valor frente ao dólar nos últimos 14 meses: US$
1,3657. Frente ao yen, a valorização é ainda maior: 125,96 ienes por euro, o
maior valor em 33 meses. Também os principais índices dos mercados de Londres,
Paris e Frankfurt registram valorizações. O índice pan-europeu FTSEurofirst 300,
medido em Londres, atingiu o pico de 23 meses em janeiro.
Em Davos, Mario Draghi, presidente do BCE, embarcou na onda de discreto
otimismo. “A situação é consideravelmente mais favorável que o era no ano
passado”, afirmou, antecipando suas previsões de retorno do crescimento: “Nós
vemos uma retomada vindo no segundo semestre deste ano”.
Embora seja prevista e esteja amparada em alguns números de performance
econômica, essa nova expectativa gera até algumas surpresas. Na quinta-feira, o
parlamento da Letônia aprovou uma série de textos que permitirá ao país, já em
2014, solicitar a Bruxelas algo impensável há um ano: o ingresso antecipado do
país na zona do euro.
Fonte: OESP
[yframe url=’http://www.youtube.com/watch?v=YO4HmzPdWAY’]
[yframe url=’http://www.youtube.com/watch?v=tpUKE13bGF8′]
[yframe url=’http://www.youtube.com/watch?v=L0m68izyvNQ’]
[yframe url=’http://www.youtube.com/watch?v=B4UiW2jDKL8′]
[yframe url=’http://www.youtube.com/watch?v=JfA8vO8ecpQ’]
[yframe url=’http://www.youtube.com/watch?v=enWci1hBELE’]
Fonte: Youtube






You have to Login