O ex-goleiro do Flamengo, Bruno Fernandes, é acusado de ser o mandante da morte da modelo Eliza Samudio, com quem tinha um filho, em junho de 2010. O atleta e mais quatro reús vão a júri popular nesta segunda-feira (19) no Tribunal de Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte (MG).

Eliza Samudio foi vista pela última vez ao deixar um hotel no Rio de Janeiro em 4 de junho de 2010, quando foi ao sítio de Bruno em Esmeraldas (MG), para buscar um acordo sobre a paternidade de Bruno Samudio, filho dela com o jogador. Vinte dias depois a polícia recebeu uma denúncia de que a modelo havia sido morta no local e que o bebê ainda estaria no sítio.

A criança foi encontrada na cidade Natal de Bruno, Ribeirão das Neves (MG) em 26 de junho depois de Dayanne Rodrigues, mulher de Bruno, a ter entregado para o funcionário Wemerson Marques. Hoje, Bruno Samudio está sob a guarda da vó materna, Sônia Fátima de Moura, que mora em Campo Grande (MS).

A juíza Marixa Fabiane Lopes, que preside o julgamento do goleiro Bruno Fernandes pelo assassinato de sua ex-amante Eliza Samudio, determinou  o desmembramento do processo em relação ao ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, o Bola. Liderados pelo advogado Ércio Quaresma, os defensores do ex-policial, acusado de executar a vítima, abandonaram o julgamento e o réu recusou-se a ser representado por um defensor público.

Com a decisão, Marixa deu prazo de dez dias para que ele nomeie novo advogado e seu julgamento deve ocorrer junto com o Wemerson Marques de Souza e Elenílson Vítor da Silva, em data que ainda vai ser marcada. Os advogados do braço direito de Bruno, Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, também ameaçaram deixar o julgamento, mas o acusado afirmou querer ser julgado junto com o amigo e, caso seus defensores abandonem o plenário, ele passará a ser representado por um defensor público.

A decisão ocorreu após uma manhã tumultuada, que atrasou em mais de três horas o início da sessão. O julgamento estava previsto para começar às 9 horas, mas Marixa só conseguiu iniciar oficialmente os trabalhos ao meio-dia. Porém, após cerca de uma hora de discussão com Quaresma, a sessão voltou a ser suspensa e só foi reiniciada às 15h30. Além de Macarrão e Bola, a magistrada fez a mesma pergunta para Bruno, sua ex-mulher Dayanna Rodrigues do Carmo – que vai permanecer sentada ao lado do jogador durante o julgamento – e outra ex-namorada do goleiro, Fernanda Gomes de Castro. Todos concordaram em ser julgados imediatamente.

Após a saída dos advogados de Bola do plenário, que criticaram a “falta de imparcialidade” do julgamento porque a magistrada limitou o tempo para que os defensores apresentassem questões preliminares, a sessão começou a transcorrer tranquila, bem diferente dos tumultos que marcaram toda a manhã no Tribunal do Júri de Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte.

Antes de deixar o plenário, Ércio Quaresma já havia discutido com o colega Rui Pimenta, que representa Bruno, e já havia protagonizado outro bate-boca com a magistrada ao exigir acesso às mídias com depoimentos de testemunhas. A juíza determinou que esse material poderia ser assistido em equipamento do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG), mas a defesa de Bola alega não ter tido acesso aos interrogatórios. Os advogados chegaram a recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para adiar o julgamento, mas o pedido foi negado pelo ministro Joaquim Barbosa.

No primeiro dia de julgamento de Bruno pela morte e cárcere privado da mãe de seu filho, Eliza Samúdio, 19 de Novembro de 2012, apenas uma testemunha de acusação foi ouvida. Cleiton Gonçalves, ex-motorista do goleiro.

Após os advogados de Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, desistirem de defender seu cliente por divergências com a juíza Marixa Fabiane, e o ex-policial ter rejeitado defensoria pública, o julgamento foi retomado às 15h32, depois de mais de duas horas de paralisação para almoço. Neste momento, começou a ser escolhido o Conselho de Sentença, o júri, que será composto por seis mulheres e um homem.

Às 17h08, as testemunhas de acusação começaram a ser ouvidas, mas só deu tempo de Cleiton Gonçalves, ex-motorista do goleiro, falar. A juíza começou a ler o depoimento prestado anteriormente por Cleiton, onde o ex-motorista diz nunca ter tido contato com Eliza Samúdio. Depois, ele passou a responder perguntar feitas pela promotoria.

Em alguns momentos, Bruno ria dos comentários de Cleiton, que não reconheceu a ré Fernanda Castro, chamada de ”gostosa” pelo promotor Henry Wagner. A sessão foi encerrada às 19h43 e será reiniciada nesta terça-feira, com mais depoimentos das testemunhas de acusação.

O goleiro Bruno Fernandes retirou o advogado Rui Caldas Pimenta de sua defesa. O anúncio da destituição do defensor foi feito pelo próprio jogador, que alegou estar “se sentindo inseguro” ao pedir a palavra no início dos trabalhos do segundo dia de julgamento pelo sequestro e suposto assassinato de sua ex-amante Elisa Samudio, de 24 anos. O goleiro será representado agora apenas pelo advogado Francisco Assis Eustáquio Simim, que era defensor também da ex-mulher do jogador, Dayanne Rodrigues do Carmo.

Com isso, a juíza Marixa Fabiane Lopes determinou o desmembramento do processo em relação a Dayanne, que será julgada em data ainda a ser marcada pelo sequestro e cárcere privado do bebê que Elisa teve com Bruno. Ontem, o processo já havia sido desmembrado em relação ao ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, acusado do assassinato é ocultação de cadáver de Elisa, após seus advogados abandonarem o plenário antes mesmo do início formal do julgamento. Os dois devem ser julgados junto com Wemerson Marques de Souza, o Coxinha, e Elenílson Vitor da Silva, também envolvidos no caso.

Em 20/11/12, Pimenta nem chegou a entrar no plenário do Tribunal do Júri do Fórum de Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte. Antes de informar sobre a destituição, Bruno se reuniu com outros advogados que participam do processo e convidou Carla Silene Cardoso Lisboa Fernandes para ser sua advogada. Carla, no entanto, alegou à juíza Marixa Fernandes que não tinha condições de assumir a causa, pois já faz a defesa de outra ex-namorada do goleiro, Fernanda Gomes de Castro, processada pelo sequestro e cárcere privado de Elisa e do bebê da vítima.

Além de informar sobre a destituição de Pimenta, Bruno queria que a magistrada adiasse o julgamento para que ele tivesse prazo para nomear um novo advogado. Ele tentou destituir também Simim, alegando que não queria “prejudicar” Dayanne. Mas a juíza inverteu a questão e liberou Dayanne, que chorou muito desde o início da discussão e deixou o plenário aos prantos após ser liberada pela magistrada.

A ex-namorada do goleiro Bruno Fernandes Fernanda Gomes de Castro afirmou em depoimento na tarde de 22/11/12 que a denúncia de que outra ex-amante do jogador, Eliza Samudio, foi assassinada é “verdadeira”. Mas alegou à juíza Marixa Fabiane Lopes, que preside o julgamento sobre o caso em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, que “não sabe” porque está sendo acusada do sequestro e cárcere privado da vítima e do bebê que Eliza teve com Bruno.

Assumiu, porém, que foi encarregada de cuidar da criança ainda no Rio de Janeiro, quando mãe e filho foram levados para a casa do atleta por Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão. E que seguiu com o goleiro para a região metropolitana de Belo Horizonte em um carro, enquanto Eliza era levada para o mesmo local por Macarrão e Jorge Rosa, primo do atleta já condenado pelo crime, em outro veículo.

Fernanda também admitiu que mentiu em depoimento à Polícia Civil sobre a agressão de um primo de Bruno, Jorge Rosa, então com 17 anos e já condenado por envolvimento com o assassinato, contra Eliza. Durante as investigações do caso, Fernanda alegou que o hematoma apresentado por Eliza teria sido causado por um assalto, apesar de saber da real agressão, ocorrida no Rio de Janeiro.

Em depoimento de cinco horas e cinco minutos encerrado às 4h13 desta quinta-feira, Macarrão acusou Bruno de ter mandado matar Eliza e admitiu que a vítima foi mantida em um sítio do goleiro em Esmeraldas, na região metropolitana de Belo Horizonte, até ser levada para ser entregue a seu assassino – que alegou não saber identificar – na região da Pampulha, na capital.

Fernanda também admitiu ter estado com Eliza em um jogo de futebol em Ribeirão das Neves, também na Grande BH, e no sítio. Mas o depoimento da acusada tem uma série de contradições em relação ao de Macarrão, do qual o promotor Henry Wagner Vasconcelos também apontou diversas lacunas em relação às provas levantadas pela Polícia Civil e pelo Ministério Público Estadual (MPE).

O depoimento da ex-namorada de Bruno foi o último antes do início dos debates orais entre acusação e defesa para que o júri popular, formado por seis mulheres e um homem, decida o destino de Fernanda e Macarrão. Inicialmente, a previsão inicial era de que o júri durasse duas a três semanas, mas o processo foi desmembrado em relação a três outros acusados, inclusive Bruno, após uma série de manobras dos advogados de defesa.

O ex-braço direito do goleiro Bruno Fernandes, Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, admitiu, em 22/11/12, que entregou a amante do jogador, Eliza Samúdio, para um desconhecido com a promessa de que ela seria levada para conhecer um apartamento que Bruno daria a ela em Belo Horizonte, mas já “pressentindo” que ela seria executada. Macarrão disse que seguia ordens do atleta, que o chamou de “bundão”, e afirmou que teme por sua vida por ser um “arquivo vivo”.

“Guardei isso tudo dois anos, quatro meses e 22 dias. Não aguentava mais porque não sou esse monstro que todo mundo colocou. Não sou o Luiz Henrique traficante, que acabou com a vida do Bruno. Se alguém acabou com a vida, foi ele que acabou com a minha. Sei que agora sou X9 (alcaguete), mas minhas filhas estão crescendo. Agora sou um arquivo vivo. Tenho medo de morrer”, afirmou, durante depoimento que, no meio da madrugada, já ultrapassava três horas de duração no julgamento pelo assassinato de Eliza, desaparecida desde junho de 2010.

Macarrão narrou toda sua relação com o goleiro, mas evitou qualquer citação ao ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, acusado de ter executado a vítima. “Ele não vai acusar o Bola, porque teme pela vida de sua família”, afirmou o advogado José Arteiro, assistente da acusação no processo.

As declarações foram feitas após a exibição de vídeos com reportagens sobre o caso, além das imagens com o relato de Sérgio Rosa Sales sobre os últimos dias de Eliza Samúdio no sítio de Bruno em Esmeraldas, na região metropolitana de Belo Horizonte. Sales era primo de Bruno e era o único acusado do homicídio de Eliza que aguardava o julgamento em liberdade, mas foi assassinado em agosto. O relato dele foi essencial para as investigações em torno do caso.

Entre os vídeos exibidos estava também uma conversa de Bruno com policiais civis que fizeram a escolta do goleiro do Rio de Janeiro para Belo Horizonte, após ele ser preso por determinação da Justiça. Bruno chega a dizer que, diante de tudo, “não confia” mais em Macarrão.

Antes de começar a ser interrogado pelo promotor Henry Wagner Vasconcelos e pelos advogados de defesa, Macarrão disse também que queria pedir perdão a Elenílson Vitor da Silva, Wemerson Marques de Souza, o Coxinha, e a outra ex-namorada de Bruno, Fernanda Gomes de Castro, também réus no processo que devem ser julgados a partir de 4 de março de 2013, data marcada também para o julgamento do goleiro e de Bola. “Aconteceram várias coisas nesses dois anos e meio que complicaram a vida deles”, afirmou, referindo-se ao período em que foi morar no Rio de Janeiro trabalhando para o jogador.

O ex-braço direito do goleiro Bruno, Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, de 27 anos, foi condenado, em 23/11/12, a 15 anos de prisão pela morte e pelo sequestro de Eliza Samudio, ex-amante do atleta. Já a ex-namorada do goleiro Fernanda de Castro foi condenada a 5 anos por sequestro e cárcere privado.

A juíza Marixa Fabiane Lopes, em sua sentença, destacou que não há dúvidas do crime, que apresenta “detalhes sórdidos, de impiedade e de perversidade”. No entanto, ela levou em consideração a confissão em plenário de Macarrão. Por isso, aplicou a pena mínima para homicídio qualificado, de 12 anos, acrescida de 3 anos pelo sequestro.

A mãe de Eliza, Sonia Samudio, ajoelhou-se na frente do plenário no momento em que a juíza anunciou a pena. E se disse “aliviada”. Já o promotor afirmou estar “feliz” com a sentença, mas ressaltou que não houve vitória, uma vez que uma pessoa (Eliza) está morta. O advogado Lúcio Adolfo, que representa o goleiro Bruno, estuda pedir a suspensão da juíza “por tudo o que ela fez no processo”. Os réus ainda podem recorrer da sentença.

Macarrão está preso há 2 anos, 4 meses e 17 dias. Pela sentença de ontem, terá de cumprir até 12 anos em reclusão. Já Fernanda ficará em liberdade. A juíza destacou que a ré é primária e tem bons antecedentes.

Com informações de O Estado de S. Paulo