Por Carmem FARAGE

Todos falam bastante sobre karma. Essa palavra que antes era
restrita a círculos religiosos e filosóficos, está definitivamente no
vocabulário de nossa civilização. No sânscrito, «karmam», está a origem do
termo, ao qual alguns associam o significado de destino imutável.

Karma é
um acúmulo de elos entre espíritos, elos que foram criados através de muitas
existências, em função da atração e da aversão. Ele é considerado também o
produto da lei de causa e efeito, que se destina a aprimorar cada
espírito.
Quando se diz que é um acúmulo, devemos entender que o karma é
composto por diversas situações, que foram gerando um conjunto energético
intenso, impresso no espírito e no perispírito. Esse acúmulo é como uma herança
legada pela alma ao homem que a possui, sendo algo que tem existência real e se
apresenta durante a vida humana sob muitos e variados aspectos.

O fator
cumulativo do karma não faz com que ele seja apresentado a cada pessoa de uma só
vez. A natureza do karma, que objetiva a correção dos acúmulos negativos, faz
com que cada espírito tenha a oportunidade de, aos poucos, entrar em contato com
os elos kármicos, isto é, o karma não desaba sobre alguém com todos os seus
múltiplos laços ao mesmo tempo. E por isso que, para a maioria das pessoas, as
situações kármicas não são todas percebidas em apenas uma vida. Assim como os
acúmulos levaram muitas vidas para se efetivar, poderão consumir várias vidas
para serem eliminados.

Quando falamos em laços ou elos kármicos, temos
que imaginar duas almas atadas por uma atração ou aversão. Os fatores atrativos
(ou de repulsa) foram vivenciados com intensidade tal que imprimiram ao espírito
uma agressão, da qual o perispírito carrega uma marca. Ao nascer, o homem vai
carregar consigo esse acúmulo, recebido do espírito que nele está
encarnado.
Visto como resultado da lei de causa e efeito, o karma tem um
sentido grave de que o homem vai receber exatamente aquilo que deu. Todo ato,
pensamento ou palavra de baixa qualidade fica impresso na alma e no perispírito,
criando uma massa composta de fluidos extremamente negativos. O peso dessa massa
deve ser expurgado através do corpo físico, passando o homem por sofrimentos da
mesma intensidade, ou até da mesma qualidade, que impôs a seu
semelhante.

A purificação kármica, que visa a eliminação da massa
fluídica composta pela negatividade acumulada, ocorre de variadas maneiras,
podendo se manisfestar, por exemplo, como um relacionamento problemático, mas
podendo também se apresentar como causa de uma doença mental ou física, na
incapacidade de ganhar dineiro ou na sexualidade mal-orientada. Seja qual for a
origem dos acúmulos kármicos, sua eliminação se faz sempre por meio da
dor.
Nossa idéia das depurações espirituais provenientes da queima do karma
não é, contudo, determinista. É uma lei justa e sábia que cada qual colha aquilo
que plantou, mas cremos que sempre é possível passar a trabalhar o karma de uma
maneira positiva e libertadora, em vez de tão somente sofrer os resultados. Com
o uso da razão e do livre-arbítrio, qualquer situação kármica poderá ser
modificada. Todo karma é eliminado pela ação do homem que se determinar a
fazê-lo.

O karma também não deve ser visto como um julgamento divino dos
atos humanos, cujas consequências agradáveis ou dolorosas são proporcionadas ao
homem por Deus. O karma é de exclusiva responsabilidade pessoal. Deus não tem
nada que ver com as atitudes geradoras de karma; pelo contrário, os erros
causadores de acúmulos kármicos só afastam o homem de sua natureza divina,
separando-o de Deus.
As situações kármicas existem para o aprendizado. As
circunstâncias kármicas não podem nos dominar, mas servem, isso sim, como uma
maneira de aprender a viver melhor. Oriundas de ações da vida presente ou de
vidas passadas, as boas ou más condições da existência não tem outra finalidade
a não ser dar lições ao espírito, ajudando-o a desenvolver. Toda doença,
qualquer espécie de padecimento, todas as circunstâncias adversas ou infelizes
são consequência de um acúmulo kármico pesado.

A infelicidade gerada pelo
karma é exatamente proporcional à importância da lição que deverá ser aprendida.
Uma condição pesada muito árdua corresponde sempre, portanto, à oportunidade de
realizar um grande aprendizado. E sempre que se aprende uma lição kármica,
existe a condição de restabelecer na vida presente, a harmonia. Por isso,
dizemos que é possível queimar nesta existência uma situação de karma e voltar a
ser feliz.
O karma pode ser visto como a distância que nos separa de Deus.
Imagine que criamos um atoleiro ou um abismo ao nos afastarmos das verdades
divinas que deveriam nos guiar, ficando merghulhados na ilusão criada pela nossa
mente confusa. Esse fosso impede que enxerguemos a realidade de Deus e seu plano
de felicidade para nós.
Para encerrar nossa reflexão de hoje, precisamos nos
lembrar sempre de que nossa civilização tem o apoio de Cristo para se libertar
do seu karma, pois ele aceitou para si o karma da humanidade por meio do seu
sacrifício na cruz. A beleza desse ato de amor deve ser imitada por todo aquele
que julga o próprio karma muito pesado. Amparado pelo amor de Jesus por nós,
nenhum ser humano, por mais sofredor que seja, poderá se considerar incapaz de
fazer algo por si e pela humanidade, por pior que considere seu karma.

Fonte: Site Vidanova