O presidente do Conselho de Comércio Exterior da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Rubens Barbosa, acusou neste sábado o governo argentino de ferir mortalmente o Mercosul e afirmou que o bloco deixou de lado o enfoque comercial para se tornar um instrumento de política regional.
“Nos últimos meses adotaram medidas que mataram o Mercosul. A Argentina vai ser responsável pelo fim do Mercosul”, disse Rubens Barbosa à Rádio Mitre de Buenos Aires.
Segundo o empresário, “o Mercosul hoje como instrumento de política comercial acabou, não vale nada para abrir o comércio, se transformou agora em um foro político, o que vimos ontem (sexta-feira) foi o julgamento do Paraguai e a entrada da Venezuela sem negociação ou compromisso”.
A cúpula do Mercosul realizada em 29/6 na cidade argentina de Mendoza (oeste) decidiu suspender o Paraguai devido à destituição do presidente Fernando Lugo, até a realização de eleições em abril de 2013, e acertou o ingresso da Venezuela como membro pleno do bloco.
O empresário atacou as restrições impostas pela Argentina, e também citou os problemas que certos produtos argentinos enfrentam para chegar ao mercado brasileiro, como vinhos, uvas, cítricos e medicamentos, entre outros.
“A Argentina adotou medidas que vão contra o Mercosul, e agora aceitam a Venezuela sem qualquer negociação concreta”, disse Rubens Barbosa, que trabalhou na chancelaria brasileira durante o governo de Fernando Henrique Cardoso.
Rubens Barbosa lembrou que o “Tratado de Assunção (1991 que deu origem ao Mercosul) estabelecia a abertura do comércio entre os sócios e o que ocorre agora é exatamente o inverso”.
O governo brasileiro condenou em 23 de Junho de 2012 a
“ruptura da ordem democrática” no Paraguai, após o impeachment do então
presidente do país, Fernando Lugo, na sexta-feira e anunciou a convocação do
embaixador em Assunção para consultas.
Em nota, o Ministério das Relações Exteriores criticou o “condena o rito
sumário de destituição do mandatário do Paraguai” e afirmou que Lugo não teve
garantido um amplo direito de defesa.
O Congresso paraguaio decidiu na quinta-feira abrir processo de impeachment
contra Lugo sob a acusação de que ele não teria cumprido adequadamente suas
funções por conta de um episódio em que 17 sem-terras foram mortos num confronto
com a polícia do país.
No dia seguinte, o Senado do Paraguai aprovou por ampla maioria a destituição
de Lugo, um socialista e ex-bispo católico, e deu posse ao então
vice-presidente, o liberal Federico Franco. A oposição a Lugo tem ampla maioria
nas duas Casas do Congresso paraguaio.
“Medidas a serem aplicadas em decorrência da ruptura da ordem democrática no
Paraguai estão sendo avaliadas com os parceiros do Mercosul e da Unasul (União
das Nações Sul-Americanas), à luz de compromissos no âmbito regional com a
democracia”, afirmou a nota do Itamaraty.
“O governo brasileiro ressalta que não tomará medidas que prejudiquem o povo
irmão do Paraguai”, acrescentou a nota.
Após a destituição, Lugo aceitou, em pronunciamento, o impeachment. E disse
que se considerava ex-presidente e pediu que as manifestações em resposta ao
impeachment fossem pacíficas. Ele também afirmou à ocasião que a democracia
paraguaia estava “profundamente ferida”.
Alguns países que compõem a Unasul -como Argentina, Equador, Venezuela e
Bolívia- anunciaram na sexta-feira que não reconheciam o novo governo do
Paraguai.
Os chefes de Estado do Mercosul -formado por Brasil, Paraguai, Argentina e
Uruguai- devem se reunir na semana que vem em reunião de cúpula do bloco na
cidade argentina de Mendoza.
Fonte: Reuters






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