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Coparentalidade: nova forma de família

24/07/2017

Comunidade virtual une gente que está atrás de parceiro para ter filho

Objetivo da coparentalidade é dividir responsabilidades e criar criança em regime de guarda compartilhada, sem romance nem sexo entre pais.

Você já ouviu falar em coparentalidade? Reportagem do Fantástico apresenta uma nova forma de família, já contemplada pela lei. Fazer parte desse grupo significa encontrar alguém com quem ter um filho, dividir as responsabilidades e criá-lo em regime de guarda compartilhada, sem que haja romance nem sexo entre os pais.

Quem opta pela coparentalidade assume, em contrato, o compromisso de cumprir as responsabilidades de pai ou mãe. Os integrantes do “casal”, porém, têm vidas totalmente separadas. Em comum apenas a obrigação de cuidar da criança para sempre.

Conheça na reportagem a gaúcha que inaugurou o modelo no Brasil ao criar uma comunidade virtual que já tem 2.000 integrantes, pessoas que tiveram filhos seguindo a proposta e interessados em realizá-la. É o caso da cantora Ana Carolina que, junto com a namorada, Letícia Lima, procura um amigo para propor a coparentalidade.

Fonte: G1

Coparentalidade

Fonte: Youtube


Autismo

22/07/2017

 

Autismo: os avanços científicos por trás de um grande enigma

Transtorno afeta 1 em cada 68 crianças. Em breve, uma tecnologia que ajuda na detecção precoce do transtorno estará disponível nos consultórios pediátricos

“O início foi muito difícil. Suspeitei que houvesse algo errado quando ele era ainda muito pequeno, com 1 ano e 6 meses. O Fred não falava. A pediatra, a fonoaudióloga e os professores na escola afirmavam que estava tudo bem. Comentei com meu terapeuta: ‘Acho que estou me sabotando, coloco defeito no meu filho e todos dizem que ele é perfeito’. Foi quando ele me aconselhou a procurar ajuda. O Fred foi diagnosticado com 2 anos e 3 meses por um neuropediatra. No começo, tive de me sacrificar financeiramente. Vendi tudo, mas valeu a pena. Comemorei cada avanço: as primeiras três palavras na mesma frase; as sete primeiras, que me pareceram um discurso. O irmão mais novo, o Eduardo, ajudou muito na evolução dele, na comunicação. Outro dia, eu estava no carro e o Fred falava tanto que eu quase virei para trás para pedir que ficasse quieto. Você imagina isso? Ele fala pelos cotovelos. Até pouco tempo atrás, eu não conseguia dizer a frase ‘meu filho é autista’ sem cair em prantos. Hoje, vibro e, com orgulho, lembro de tudo o que ele conseguiu sendo autista.”

Em 9 de setembro de 1930, nasceu Donald Triplett, no Mississipi, Estados Unidos. Ele foi a primeira pessoa que recebeu o diagnóstico oficial de autismo. O garoto tinha 4 anos quando, em uma carta de 33 páginas, o pai, Beamon, relatava o comportamento peculiar, desconectado dos familiares, com indícios de uma inteligência fora do padrão e alta capacidade de memorização de seu filho ao psiquiatra Leo Kanner, chefe do departamento de psiquiatria infantil do Hospital Johns Hopkins, um dos mais respeitados especialistas daquele tempo. “Ele nunca demonstra alegria quando vê o pai ou a mãe. Parece fechado em sua concha e vive dentro de si”, escreveu. Algum tempo depois, Kanner apontava para um distúrbio até então desconhecido, caracterizando uma síndrome específica. As crianças observadas, segundo ele, tinham “lampejos de brilhantismo”, “uso distintivo de linguagem” e “desejo básico de solidão e mesmice”. Era o transtorno do espectro autista, como é chamado atualmente pelos cientistas.

Calcula-se que, nos Estados Unidos, uma a cada 68 crianças tem autismo, com proporção de uma menina para quatro meninos. Desde que o ‘caso 1’ foi descrito, em 1943, o conhecimento sobre o transtorno, ainda misterioso, avançou muito. Na área da prevenção, uma tecnologia conhecida como rastreamento ocular (eye-tracking) deverá estar disponível nos consultórios pediátricos em breve. O equipamento será capaz de verificar a direção do olhar da criança e observar mais de perto se há risco para o desenvolvimento do autismo. A ferramenta será tão essencial quanto a balança para acompanhar o ganho de peso ou a régua para medir o crescimento infantil.  Hoje, o diagnóstico do distúrbio é clínico, feito a partir de questionários e observação do comportamento do paciente. Os principais sintomas são dificuldade de comunicação e interação, além de padrões restritivos e repetitivos de comportamento. Os sinais surgem até os três anos de idade, sendo que podem ser detectados a partir dos 18 meses de vida.

Diz Guilherme Polanczyk , psiquiatra da infância e adolescência da USP: “O reconhecimento da doença e a intervenção precoce podem fazer a diferença na vida de uma criança com autismo”. Durante os primeiros anos de vida, o cérebro é ainda um órgão de enorme plasticidade. Tem a capacidade de se adaptar a novos mecanismos de funcionamento mediante os estímulos recebidos. Portanto, as terapias têm potencial de melhorar a comunicação, estimular o relacionamento afetivo e reduzir os comportamentos repetitivos.

Fonte: Veja

 

Ensino superior no Brasil

04/06/2017

Dez carreiras têm quase metade de todos os formados no Brasil desde 2001

Total de universitários mais que dobrou em 15 anos, mas 10 carreiras mais procuradas conquistam metade dos estudantes. Guia do G1 vai detalhar os cursos.

Escolher uma carreira no fim do ensino médio é um dos desafios que cada vez mais adolescentes têm enfrentado: em 2015, 2,2 milhões de estudantes tiveram que optar por uma das 324 carreiras atualmente oferecidas no Brasil.

O número de universitários mais que dobrou nos últimos 15 anos, mas a tendência na escolha dos cursos mantém um traço marcante. Um conjunto formado por 10 carreiras conquista praticamente metade de todos os universitários brasileiros.

 

Nos últimos 15 anos, quase 11 milhões de estudantes brasileiros conseguiram se formar na faculdade e receber um diploma. Desses, 5.341.147 decidiram seguir uma das seguintes carreiras:

 

  • administração
  • ciências biológicas
  • ciências contábeis
  • direito
  • educação física
  • enfermagem
  • engenharia civil
  • medicina
  • pedagogia
  • psicologia

 

Juntas, elas respondem por 48,7% do total de formandos desde 2001, e 48,3% de todos os estudantes matriculados em um curso de graduação presencial em 2015. Os dados são os mais recentes do Censo da Educação Superior, divulgado todos os anos pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

Essas dez carreiras, que em 2015 eram cursadas por 3.206.137 pessoas, também foram as mais procuradas entre os candidatos da edição do primeiro semestre de 2016 do Sistema de Seleção Unificada (Sisu).

As dez carreiras mais procuradas do Sisu em 2016 representam, juntas, 48,7% do total de formandos desde 2001 (Foto: Arte/G1)As dez carreiras mais procuradas do Sisu em 2016 representam, juntas, 48,7% do total de formandos desde 2001 (Foto: Arte/G1)

As dez carreiras mais procuradas do Sisu em 2016 representam, juntas, 48,7% do total de formandos desde 2001 (Foto: Arte/G1)

 

Expansão do ensino superior

 

Nos últimos 15 anos, o Brasil viu o número de calouros em cursos de graduação presenciais quase dobrar. Em 2001, 1.206.273 pessoas se matricularam no primeiro ano de um deles. Em 2015, esse número cresceu 84,5%, para 2.225.663, segundo os dados do Censo.

Nesse mesmo período, o número de cursos saltou de 12.155, em 1.391 instituições de ensino superior públicas e privadas, para 32.028 cursos em 2.364 instituições.

Mesmo durante essa expansão, a preferência dos estudantes por carreiras específicas manteve a mesma tendência: em 2001, 50% dos formados em graduação no Brasil cursaram uma das dez carreiras mencionadas acima. Em 2015, esse número foi de 49,1%.

Nos últimos 15 anos, a expansão de vagas nas faculdades privadas foi maior do que nas públicas (Foto: Arte/G1)Nos últimos 15 anos, a expansão de vagas nas faculdades privadas foi maior do que nas públicas (Foto: Arte/G1)

Nos últimos 15 anos, a expansão de vagas nas faculdades privadas foi maior do que nas públicas (Foto: Arte/G1)

 

Ensino público x ensino privado

 

Nesse meio tempo, o aumento de vagas foi maior entre as instituições privadas do que nas universidades públicas: enquanto a expansão do ensino superior foi de 48% nas universidades públicas, nas particulares o crescimento chegou a 66% nos últimos 15 anos.

Isso fez com que, atualmente, a razão de vagas públicas e privadas caísse de um para três para um a cada quatro. No início do século, 33,1% dos estudantes de graduação estavam matriculados em uma instituição pública. Já em 2015, essa concentração caiu para 24,5%.

É nas instituições privadas onde também é maior, historicamente, a concentração das carreiras mais procuradas. Em média, das 2.818.533 pessoas que se formaram em universidades públicas entre 2001 e 2015, 38,1% delas (1.072.872) buscaram uma dessas dez carreiras. Já nas privadas, essa porcentagem salta para 52,5%: no total, 8.147.747 conquistaram um diploma de graduação em uma instituição particular nesse período, e 4.274.978 o fizeram neste grupo de profissões.

Nos últimos 15 anos, a expansão de vagas nas faculdades privadas foi maior do que nas públicas (Foto: Arte/G1) (Foto: Arte/G1)Nos últimos 15 anos, a expansão de vagas nas faculdades privadas foi maior do que nas públicas (Foto: Arte/G1) (Foto: Arte/G1)

Nos últimos 15 anos, a expansão de vagas nas faculdades privadas foi maior do que nas públicas (Foto: Arte/G1) (Foto: Arte/G1)

 

Tendências

 

As dez carreiras são variadas e exigem diferentes perfis de profissionais. Elas também seguiram tendências diferentes: nem todas tiveram um crescimento constante nos últimos anos.

  • ADMINISTRAÇÃO: É a segunda carreira com o maior número de matrículas (em 2015, mais de 585 mil pessoas estudavam administração). Nos últimos 15 anos, o número de formados por ano cresceu de 35.149 para 99.216, um aumento de 182%.
  • PEDAGOGIA: Entre 2001 e 2015, 861.420 pessoas se formaram em pedagogia no Brasil, diploma atualmente obrigatório para quem quer atuar no ensino infantil e nos primeiros anos do fundamental.
  • DIREITO: É a carreira com o maior número de estudantes matriculados no Brasil: em 2015, eles eram 852.703. No mesmo ano, a carreira ultrapassou pela primeira vez a marca de 100 mil concluintes: 105.317 pegaram o diploma na área.
  • MEDICINA: É a carreira com a maior concorrência no Sisu. Nos últimos 15 anos, o número de vagas aumentou e o número de médicos formados ano a ano foi de 8.004, em 2001, para 17.042 em 2015, um crescimento de 87,2%.
  • EDUCAÇÃO FÍSICA: A carreira aparece no Censo dividida em licenciatura e bacharelado. Os dois cursos têm boa parte da grade curricular semelhante, mas o mercado de trabalho é diferente. Entre 2001 e 2015, 396.204 se formaram em um deles. A maior parte fez a licenciatura, mas a carreira de bacharelado tem crescido mais rapidamente.
  • ENFERMAGEM: Até 2009, era possível cursar duas carreiras na área: enfermagem ou enfermagem e obstetrícia. Desde 2010, elas foram unificadas. Em 2015, 259.986 estudavam para atuarem como enfermeiros e enfermeiras, e 34.640 pegaram um diploma na área. O número cresceu 460,7% na comparação entre 2001 e 2015. Porém, o ano em que houve o maior número de concluintes foi em 2001, quando 47.090 novos enfermeiros chegaram ao mercado.
  • CIÊNCIAS BIOLÓGICAS: Essa foi a sétima carreira mais procurada no Sisu do primeiro semestre de 2016: 140.922 candidatos concorreram às 8.099 vagas oferecidas. Entre o top 10, foi a carreira com menor concorrência (17,4 candidatos por vaga).
  • ENGENHARIA CIVIL: Impulsionada pelos grandes eventos esportivos, a engenharia civil tinha, em 2015, 349.347 alunos de graduação matriculados. Naquele ano, 25.217 novos engenheiros civis receberam o diploma, um aumento de 404% nos últimos 15 anos.
  • PSICOLOGIA: Na Fuvest 2017, a concorrência da carreira de psicologia só ficou atrás dos cursos de medicina. Segundo o Censo do Inep, em 2017 ela era a sétima carreira com mais matrículas de graduação (223.490). Nos últimos 15 anos, a média de novos profissionais formados na área foi de mais de 16 mil por ano. Em 2015, 23.285 pegaram diploma em psicologia.
  • CIÊNCIAS CONTÁBEIS: O décimo curso mais procurado do Sisu 2016 era o quinto com o maior número de matrículas de graduação presencial em 2015. No total, 266.095 faziam o curso, e 42.483 conseguiram o diploma no fim do ano. O número é 141% maior do que a quantidade de concluintes na área em 200  Fonte: G1

Discriminação na universidade

12/03/2017

Discriminação na universidade

Alunos bolsistas de renomados centros acadêmicos denunciam sofrer hostilidade de professores e colegas por virem de classe social mais baixa ou serem negros

Discriminação na universidadeUNIÃO Acima, da esq. para a dir., Gabriel Gomes, Michelle Egito, Adailton Ramalho, Mirela Cavalcante e Lucas Clementino formam um coletivo que denuncia atos de discriminação

Fabíola Perez

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Em uma das quadras da Fundação Getúlio Vargas (FGV), uma aluna bolsista de 17 anos do curso de administração ouviu, na sexta-feira 3, gritos de ofensa contra ela de uma pessoa ainda não identificada. “Negrinha, aqui, não”, dispararam durante um campeonato da instituição. Estudante de Arquitetura e Urbanismo da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), Lucas Clementino, de 19 anos, escutou de um professor em sala de aula: “Alunos que não têm dinheiro deveriam abandonar o curso.” Outra jovem, de 24 anos, que prefere não se identificar, do curso de Arquitetura e Urbanismo do Mackenzie, foi alvo de comentários racistas por parte de um professor. “Pedi para ele me incluir em um grupo de trabalho e ele disparou ‘poderia ter te colocado em frente à sala e te vendido, como faziam com os escravos’”, lembra. “Ninguém deu risada, ficou um clima de constrangimento e eu senti medo de dizer qualquer coisa.” Amanda Domingues, de 19 anos, cursa cinema na PUC e, para chegar à faculdade precisa pegar trem, dois ônibus e metrô. “Disseram que eu seria excluída da turma por morar muito longe.” João Victor dos Santos, de 22 anos, estudante de Ciências Sociais da Universidade Federal do Espírito Santo assistiu a um professor defender na sala de aula que alunos negros e pobres rebaixavam a qualidade de suas aulas. Jovens como esses, bolsistas de instituições de ensino superior, têm sido alvo constante de discriminação, não apenas de colegas, mas de professores, em um ambiente que, em tese, deveria primar pela diversidade. “São casos ainda mais graves porque atingem uma esfera de hierarquia em que o aluno se sente coagido a manter o silencio”, diz Clementino.

As manifestações de preconceito ocorrem na sala de aula. Um professor da Universidade Federal do Espírito Santo chegou a ser afastado por ser muito agressivo com os cotistas

Os relatos vieram à tona inicialmente pela página do Facebook “Bastardos da PUC”, em referência à expressão “Filhos da PUC”. “Tudo começou com um grupo no whatsapp para fazer desabafos e falar sobre dificuldades”, diz Gabriel da Costa Gomes, 22 anos, estudante de publicidade da PUC-RJ e bolsista do ProUni. O espaço, que começou com menos de mil seguidores em setembro atingiu em março 13.954 membros e reúne depoimentos de bolsistas vítimas de preconceito de professores. O objetivo é oferecer uma plataforma anônima para as denúncias e levar à reitoria casos de discriminação. No ano passado, por meio de uma determinação extrajudicial, a universidade tentou retirar a página do ar sob a alegação de que ela continha comentários depreciativos e mentirosos. Hoje, os organizadores estabeleceram um canal de diálogo com a reitoria para melhorar a eficiência da ouvidoria e estudam meios para investigar e punir professores denunciados.

Ataque O estudante de engenharia da computação A.F.G.D. foi alvo de comentários preconceituosos por parte de colegas na PUC-MG
ATAQUE O estudante de engenharia da computação A.F.G.D. foi alvo de comentários preconceituosos por parte de colegas na PUC-MG

A.F.D, de 23 anos, também bolsista, saiu do interior de Minas Gerais para estudar engenharia de computação na PUC-MG e conviveu com a hostilidade dos centros acadêmicos elitistas. “As pessoas falavam que apesar de ter vindo de uma cidade pequena, eu me vestia bem”, diz. “Outro dia, disseram que eu não saberia usar o cartão de crédito por ter vindo da roça.” Relatos como esses revelam que, mesmo após cinco anos de a Lei de Cotas ter sido sancionada e amplamente utilizada nas universidades, ainda há margem para preconceito. “Existe uma raiva incutida nessas atitudes. Os alunos que não aceitam os cotistas são de escola particular e classe social mais alta”, afirma a Maria Cristina Figueiredo Guasti, professora da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), que estudou a relação entre cotistas e não cotistas. Para ela, ainda persiste no imaginário do estudante a idéia de que o bolsista ocupa um espaço que não merece. Gabriel, da PUC, diz que a discriminação é reforçada, muitas vezes, de forma sutil em pequenas conversas em sala de aula. Segundo ele, em uma turma do curso de Design, a professora teria comentado, após dar uma nota baixa em uma prova: “tinha que ser bolsista mesmo.”

OUVIDORIAS
Nas aulas de Ciências Sociais, João Victor passou horas ouvindo argumentos contrários à política de cotas. Afastado pela universidade em 2015, o professor do departamento de economia, Manoel Luiz Malaguti, declarou que “o nível da educação está tão baixo que o professor não precisa se qualificar mais para dar aula, já que a maioria dos cotistas é negro, pobre, sem leitura e analfabeto funcional.” João Victor afirma que ele se referia ao grupo como membros de uma cultura inferior e diz que algumas listas de presença da universidade eram separadas entre cotistas e não cotistas. “A maior discriminação que já sofri foi na universidade”, diz. Agora, com a ajuda de páginas e grupos em redes sociais, o número de denúncias cresce rapidamente, segundo os organizadores dos coletivos. Na UFES, por exemplo, a média é de duas por semana. “Queremos criar uma cultura de denúncia dentro no ambiente universitário e precisamos do serviço das ouvidorias para isso”, afirma Gabriel. No caso recente da FGV, o diretor da escola de economia, Yoshiaki Nakano, publicou uma nota de repúdio, afirmando que são inaceitáveis quaisquer ações preconceituosas. Caso contrário, o espaço de educação e aprendizado continuará hostil e discriminatório para muitos jovens.

O que fazer para evitar?

• Dar transparência e eficácia aos canais de ouvidoria. Apostar em canais on-line para registrar a denúncia

• Tornar o processo de denúncia menos hostil e burocrático para a vítima. Melhorar o acolhimento e o sigilo para quem denuncia

• Aumentar os canais de denúncias anônimas e dar celeridade ao processo de investigação

• Promover a aproximação com a vítima. Incluir, por exemplo, mulheres para ouvir e registrar casos de estupro e pessoas negras para atender denúncias de racismo

• Oferecer o acompanhamento psicológico às vitimas

• Realizar campanhas de conscientização nas redes sociais, com o suporte de alunos e professores chefes de departamento

• Adotar medidas firmes de punição contra professores comprovadamente envolvidos em casos de discriminação

• Construir uma ouvidoria independente da instituição vinculada aos centros acadêmicos e coletivos

Fonte: Isto é

Mudanças no processo de adoção no Brasil precisam ser urgentes

16/02/2017

Justiça tira bebês de famílias em ‘situação de risco’

 

© Estadão

A Vara da Juventude de Belo Horizonte tem dois meses para explicar o encaminhamento compulsório para abrigos de 120 recém-nascidos sob o argumento de estarem em “situação de risco”. O problema foi atestado pelo Conselho Nacional dos Direitos Humanos das Crianças e Adolescentes (Conanda), da Secretaria de Direitos Humanos do governo federal, e chegou à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) e ao Alto Comissariado de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU). No início do mês, foi tema de audiência pública na Câmara dos Deputados, em Brasília.

Em quatro anos, quase quintuplicou o número de bebês separados de suas mães nas maternidades públicas da capital mineira, por ordem da Vara da Infância e da Juventude, e enviados para abrigos. Foram 29 casos em 2013; 72 em 2014; 140 em 2015; e 132 em 2016. Filhos de mães em situação de vulnerabilidade social, os bebês foram, em muitos casos, colocados na sequência para adoção. A escalada dos números chamou a atenção de funcionários da Secretária Municipal de Saúde.

Aline Paula de Oliveira, de 28 anos, conta que foi separada de seu primogênito, Zion, de 6 anos, ainda na maternidade, por ordem da Justiça, por ser dependente química. “Não me deixaram nem amamentá-lo. Eu não estava drogada (na época do parto). O sonho de ser mãe tinha me feito reduzir o consumo de crack.” O garoto foi dado para adoção e hoje a mãe sonha em poder revê-lo.

As denúncias de afastamento compulsório começaram em 2011 em Belo Horizonte. Em 2014, a orientação, até então informal, foi formalizada pelo Ministério Público de Minas, com a publicação de duas Recomendações (n.º 5 e 6), que orientavam “médicos, profissionais de saúde, agentes comunitários, gerentes e responsáveis por unidades básicas (…)” a avisar à Vara da Infância e da Juventude sempre que uma mulher em “situação de risco” fosse dar à luz. O objetivo era saber se a mulher queria dar o filho para adoção e apurar se havia negligência ou se a mãe era usuária de drogas.

Em 2016, as recomendações viraram a Portaria n.º 3. Assinado pelo juiz da Vara da Infância e da Juventude de Belo Horizonte Marcos Flávio Lucas Padula, o texto foi modificado e passou a prever “apuração de responsabilidade criminal” contra quem não a cumprisse. Seriam investigadas infrações do artigo 132 do Código Penal (expor a vida ou saúde de outrem a perigo direto e iminente, com pena de detenção de três meses a um ano) e do artigo 236 do Estatuto da Criança e do Adolescente, o ECA, (impedir ou embaraçar a ação de autoridade judiciária, membro do Conselho Tutelar ou representante do MP no exercício de função, com pena de detenção de seis meses a dois anos).

Foi do próprio Padula a maioria das decisões de afastamento compulsório de bebês. Diante dos protestos, o magistrado suspendeu em agosto deste ano a vigência da Portaria n.º 3.

A explosão no número de casos, envolvendo em geral mães pobres, pretas e pardas, desencadeou acusações de higienismo e preconceito contra a Justiça e de suposto atropelo no processamento regular das adoções. Com as recomendações e, depois, com a Portaria, o Conselho Tutelar (responsável pelas investigações familiares) teria sido afastado das ações. “Não é crime usar droga, não é crime morar na rua”, diz a presidente do Conanda, Fabiana Gadelha, que esteve em Belo Horizonte em setembro e considerou haver irregularidades. “Não há nada na lei que diga que essas mulheres não tenham o direito de dar à luz e sair da maternidade com seus filhos.”

O juiz é alvo de uma reclamação disciplinar apresentada ao Conselho Nacional de Justiça em 3 de outubro e encaminhada à Corregedoria Nacional de Justiça no dia 5, segundo o órgão. A Corregedoria não informou o conteúdo da reclamação, que tramita em sigilo e foi apresentada por uma pessoa – não por uma entidade. Um juiz analisará preliminarmente a reclamação e, se julgar cabível, dará andamento a ela, determinando eventuais diligências que considere necessárias.

No âmbito estadual, a Corregedoria-Geral de Justiça do Estado de Minas Gerais informou, em nota, que “instaurou procedimento para apurar denúncias e verificar se há alguma irregularidade decorrente da aplicação da antiga portaria, que está suspensa”. Segundo o órgão, “uma nova edição da portaria está sendo elaborada com aperfeiçoamentos e estão sendo ouvidas instituições como Ministério Público, Defensoria Pública e representantes do Conselho Nacional de Justiça”.

Padula nega irregularidades. Diz que há “uma campanha de calúnia e difamação” contra a Vara que comanda há anos.

A retirada compulsória de bebês nas maternidades tornou-se mais visível em Belo Horizonte por causa das recomendações e da Portaria, mas não é restrita à capital mineira. Todas as pessoas ouvidas pela comissão do governo federal que investiga os casos de BH relatam que a retirada ocorre em todo o País.

“A questão central nessa história toda é que essa medida vem sendo adotada como se fosse uma solução”, destaca Paulo Silveira, do Movimento Respeito é Bom e Eu Gosto, que atende população de rua, usuários de drogas e pessoas com distúrbios mentais. “É o Estado que não cumpre o seu papel de recolher essa menina, essa mulher. O Estado não permite que ela diga não à gravidez, mas também não permite que diga sim à maternidade.”

Definição. Uma das dificuldades de avaliar o encaminhamento compulsório de bebês a abrigos é a definição de “situação de risco”. Abrange de moradores de rua a pessoas com problemas mentais, passando por dependentes de drogas e vítimas de violência doméstica. Nenhuma dessas condições, por si, pode determinar a separação de mãe e filho. Segundo ECA, somente abuso, maus-tratos e abandono podem afastá-los. Mesmo assim, toda a família extensa da criança – avós e tios, por exemplo – deve ser escutada e considerada como potencial responsável. Além disso, é assegurado o direito pleno de defesa da mãe. Ou seja, ela precisa ser ouvida.

Em nota, a Secretaria de Saúde de Belo Horizonte afirmou que “defende a união familiar até que se comprove a incapacidade da mãe ou do familiar mais próximo de cuidar da criança, ou que se comprove a possibilidade de a criança sofrer danos no convívio com a mãe”. / COLABOROU FABIO GRELLET

Fonte: MSN

Crianças e adolescentes passam
anos à espera de adoção

Muitos chegam aos 18 anos sem nunca ter encontrado uma família.
Campanha na internet mostra os adolescentes que sonham com a adoção.

De acordo com o Cadastro Nacional de Adoção (CNA), do Conselho Nacional de Justiça, há cerca de 7,2 mil crianças aptas para adoção no Brasil. Muitas delas permanecem em abrigos por anos até que sejam recebidas por uma nova família. Outras chegam à maioridade na instituição e precisam procurar outro lugar para morar.

Em um abrigo de Jacareí, em São Paulo, com 16 crianças e adolescentes, está um menino de 11 anos. Ele tinha um ano de idade quando foi vendido pela mãe, que queria dinheiro para comprar drogas. O garoto vive em abrigos desde os três anos, chegou a morar com oito famílias diferentes, mas foi devolvido todas as vezes durante o período de convivência, que é o estágio anterior à adoção.

“A agitação dele e a falta de limite não deixa de ser fruto de tanto rompimento de vínculo ao longo da trajetória de vida. A última devolução aconteceu porque não houve uma adaptação dentro da família. A família não teve informação clara das questões, dessa agitação, não conseguiu lidar com essa demanda, não tinha vínculo fortalecido com ele”, explica o psicólogo Adriano Fonseca.

No mesmo abrigo vive um menino que fugiu de casa porque o padrasto batia nele e ameaçava abusar sexualmente da irmã mais nova. Ele e a irmã foram para o abrigo em 2013. Em 2015, a operária Leila Silva e o marido pediram a guarda provisória dos irmãos: “Como a psicóloga falou pra gente que o que ele precisava era de carinho, amor e atenção, a gente pensou que isso a gente tinha de sobra. Só que a gente não tinha experiência de lidar com traumas. O menino tinha muita dificuldade de ouvir não. Ele gritava, gritava de urrar. Uma vez, uma pessoa na frente de casa viu ele gritando e achou que a gente estava batendo nele, mas não estava. Era uma crise e a polícia chegou, conversou com ele, conversou com a gente. Levei ele em psicólogos, tinha paciência com ele”.

PREP adoção (Foto: TV Globo)Leila desistiu de adotar dois irmãos, após seis meses com eles

Durante uma das crises, o marido de Leila chegou a passar mal. Depois de seis meses morando com as crianças, o casal decidiu devolvê-los para o abrigo. “Quando a gente viu que a gente não ia conseguir ser o que eles precisavam, a gente teve que tomar essa atitude, mas dói muito”, desabafa Leila.

“Quando uma família pretendente à adoção recebe uma criança ou adolescente em guarda, tem que receber junto a história inteira dele, o histórico escolar, pedagógico, de saúde, de saúde mental, para o bem e para o mal. Inclusive as notícias mais desagradáveis e preocupantes têm que ser de conhecimento de quem está recebendo a criança para que nunca se alegue que foi enganado”, afirma a promotora de Justiça Renata Rivitti.

Os irmãos acabaram se separando. Hoje, a menina mora com parentes, na Bahia. O menino continua no abrigo e passa os finais de semana com a mãe biológica, que se separou do padrasto agressor.

Maioridade
Abraão mora em abrigos desde os cinco anos de idade. Agora, que completou 18 anos, se prepara para deixar o acolhimento. Ele trabalha como jovem aprendiz em uma empresa que prepara e entrega refeições.

A educadora Simone Ripari foi diretora do abrigo por 11 anos e fala um pouco do jovem: “No começo foi difícil. Ele não queria acordar para trabalhar, então eram brigas, ele xingava, ele achava ruim. Nosso trabalho dentro do abrigo é insistir no adolescente para que com 18 anos, quando não tem mais jeito, quando não tem mais apadrinhamento, adoção, quando não tem mais nada, ele tenha autonomia”.

PREP adoção (Foto: TV Globo)Abraão completou 18 anos e tem que deixar o abrigo

A mãe biológica de Abraão mora no bairro de Cangaíba, um dos mais violentos de São Paulo. Ela toma remédios para depressão e epilepsia e tem 11 filhos. Os três mais novos moram no abrigo com Abraão e apenas um mora com ela, Ezequiel, de 20 anos, que também morou no abrigo até os 18. Ao sair do abrigo, Abraão vai se juntar ao irmão. O pai de Abraão mora na rua, às margens do rio Tietê.

Uma vez por semana, Abraão e outros jovens que também estão saindo ou já saíram do abrigo se reúnem no o Instituto Fazendo História, que tenta ajudá-los a ter uma vida independente. Alice da Silva, de 18 anos, diz que não se sente preparada para sair do abrigo: “Se você tiver um lugar pra ir, você deu sorte. E se você não tiver lugar pra ir, não tiver república, você vai pra onde? Essa é a pergunta que fica. Você pode voltar pra casa da sua mãe, você pode virar mendigo, você pode fazer um monte de coisa”.

Mais chances de ser adotado
Para aumentar as chances de adoção, o Tribunal de Justiça de Vitória decidiu mostrar o rosto de crianças e jovens que sonham com uma nova família, produzindo vídeos para a internet. “A gente quer mostrar que essas crianças que são mais velhas ou que possuem alguma limitação também merecem a chance de ter uma família”, conta Taís Valle, assessora de imprensa do TJ.

Até agora, os vídeos já tiveram mais de 50 mil visualizações. Vinte e duas crianças e adolescentes toparam participar do projeto e 15 despertaram interesse de pretendentes para adoção. Os vídeos ficam no www.esperandoporvoce.com.brConfira acima alguns dos jovens que participam desse projeto.

O Tribunal de Justiça criou um banco de dados para organizar as informações das crianças e adolescentes que podem ser adotados. Hoje, no Espírito Santo, 110 crianças e adolescentes aguardam adoção, 95 tem mais de 10 anos, 14 tem entre dois e nove e apenas uma tem menos de dois.

Quase todos os interessados em adotar aceita uma criança que acabou de nascer, já os adolescentes praticamente não têm pretendentes. Em 2016, o Cadastro Nacional registrou 1.226 adoções de crianças e adolescentes no Brasil, apenas 13 tinham entre 15 e 17 anos.

Fonte: Rede Globo

Brasil tem 47 mil crianças em abrigos, mas só 7.300 podem ser adotadas

Burocracia e lentos trâmites judiciais fazem com que meninos e meninas demorem para encontrar uma família


Casados há mais de 10 anos, Rogério e Weykman comemoram a adoção dos quatro filhos: Juliana, 14 anos, Anna Cláudia, 3 (em pé), Maria Vitória, 5 e Luís Fernando, 4 - Acervo pessoal Quatro irmãos com idades entre 3 e 14 anos, negros, soropositivos (que tiveram a carga viral zerada em tratamento) e vivendo há um ano em um abrigo na Zona Oeste do Rio. Quatro vidas com as condições ideais para estarem à margem da sociedade e integrarem as estatísticas de abandono no país, mas que encontraram pelo caminho um casal disposto a reverter o que seria mais uma história com futuro incerto. Juliana, 14 anos, Maria Vitória, 5 anos, Luís Fernando, 4 anos, e Anna Cláudia, 3 anos, agora têm pais. Dois pais.

 

A opção de Rogério Koscheck e Weykman Padinho, casados há dez anos, tirou em 2014 as quatro crianças das estatísticas que assustam especialistas às vésperas do Dia Nacional da Adoção, celebrado amanhã: no Brasil, 47 mil crianças e adolescentes crescem nos abrigos mas, desses, apenas 7.300 estão aptos judicialmente para serem adotados, segundo balanço do Cadastro Nacional de Adoção (CNA) e do Cadastro Nacional de Crianças e Adolescentes Acolhidos (CNCA). Os dados também revelam que, em paralelo a isso, 33 mil pessoas estão habilitadas a adotar.

PREFERÊNCIA POR BEBÊS

Procurador de Justiça da Infância e Juventude, Sávio Bittencourt destaca que a burocracia e a lentidão dos trâmites judiciais fazem com que muitas crianças só possam ser adotadas tarde demais, quando já estão fora dos perfis mais procurados pelos candidatos a pais. Até lá, esses cerca de 40 mil jovens vivem nos abrigos, enquanto famílias esperam anos pela chance de adoção. O procurador lembra que a maioria das pessoas aptas a adotar busca, em geral, um perfil específico: bebês de até 3 anos, brancos e sem doenças congênitas. Apenas 50% dos pretendentes aceitam adotar negros, e somente 6,3% estão dispostos a adotar filhos com 8 anos de idade ou mais.


Com paralisia cerebral, Caio aguarda há sete anos por um novo lar - Marcelo Theobald

 

— A pessoa tem o direito de adotar um bebê, porque quer passar por todas as fases de seu desenvolvimento e acompanhar o seu crescimento. E isso é justo, não pode ser julgado — observa Bittencourt. — Mas por que essas 40 mil crianças, várias ainda bem pequenas, estão nas instituições e não são adotadas? A resposta é simples: a Justiça tem que ser mais rápida. Se a criança não entra no cadastro de adoção, torna-se invisível.

O procurador, que adotou dois de seus cinco filhos, ressalta que a Justiça costuma levar tempo demais para destituir o poder familiar sobre a criança. Isto é, retirar oficialmente a tutela da família biológica.

— Com isso, essas crianças ficam vegetando nos abrigos até se tornarem adolescentes e perderem o perfil de adotabilidade — lamenta ele.

No caso de Rogério e Weykman, o processo foi até rápido, uma exceção.

— Nossas vidas mudaram, as vidas deles se transformaram, sentimentos afloraram. A adoção foi a nossa única opção para realizar a paternidade, mas não imaginávamos que a interação seria tão grande, que a certeza seria inabalável, que poderíamos nos realizar tanto e que seríamos amados com tanta intensidade. É muito amor — relata o casal.


Aos 6 meses, Maria Clara, que também tem paralisia cerebral, já está na lista de adoção - Marcelo Theobald

 

Outras crianças não tiveram a mesma sorte. Há sete anos, Caio (nome fictício), de 10 anos, vive na ONG Dona Meca, na Taquara, Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio. O menino tem paralisia cerebral (encefalopatia crônica não progressiva) e foi abandonado pela família.

— Seus pais, de Japeri, município da Região Metropolitana do Rio, são usuários de drogas e não tinham condições de cuidar dele. Atualmente, temos 18 crianças na mesma situação — conta Rosângela Chacon, responsável pela ONG.

A mais nova moradora da instituição, com 6 meses de vida, é Maria Clara, que também tem paralisia cerebral e precisa de uma sonda para se alimentar. Ela e outras 17 crianças, segundo Rosângela, já estão em condições legais de serem adotadas.

Presidente da Comissão Nacional de Adoção do Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM), a advogada Silvana Moreira, que adotou um jovem de 16 anos, acredita que é preciso parar de tratar os genitores negligentes, que abusam e maltratam os filhos, como “coitados”. Outro erro, para ela, é tratar adotantes como pessoas boas e caridosas, já que criam filhos de outros.

— Não adotamos para fazer caridade, adotamos para termos filhos e esses filhos nos trazem muito mais felicidade do que se possa imaginar. Para fazer caridade, fazemos doações a abrigos e às demais causas sociais — compara.

Fonte: O Globo

Justiça propõe prazo máximo de oito meses para processo de adoção

Iniciativa do governo federal visa diminuir espera, que hoje pode chegar a seis anos

Armando e Katya com a filha Beatriz, de 9 anos, adotada aos 4 anos: nove meses de expectativa - Arquivo pessoal

As alterações incluem ainda a criação da figura do padrinho afetivo — que já existe em projetos estaduais, mas não consta na lei federal — e estabelecem prioridade para a adoção de meninos e meninas com deficiência ou problema de saúde e de grupos de irmãos. O conjunto de propostas é fruto de uma consulta pública realizada pelo ministério entre outubro e dezembro do ano passado, na internet e em audiências. Qualquer brasileiro pôde sugerir mudanças na lei de adoção, e os pontos de consenso foram incluídos nessa proposta, chamada de anteprojeto. Agora, ele será enviado para votação no Congresso e só entrará em vigor após ser sancionado pelo presidente Michel Temer.

As principais mudanças, em especial a limitação do tempo gasto com os trâmites da adoção, são vistas com bons olhos por especialistas.

— Enquanto a criança espera a burocracia, ela fica sendo filha do abrigo. E não tem pai pior do que o abrigo — pontua a advogada Silvana Monte Moreira, presidente da Comissão Nacional de Adoção do Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM).

Ela explica que essa demora costuma ser causada pela dificuldade de destituir o poder da família biológica sobre a criança. No caso de órfãos, o trâmite é fácil, mas, quando os pais estão vivos, o Estado tenta de tudo para que a criança volte para a família original. Isso é um aspecto complicador, segundo ela, porque muitas vezes os pais biológicos não têm condições de cuidar daquele filho. Em vários casos, eles sequer são encontrados.

Foi o que aconteceu com Beatriz, adotada aos 4 anos por Armando e Katya Char. Ninguém conhecia o paradeiro da mãe biológica da menina e, por isso, o processo acabou se estendendo mais do que o necessário. Foram nove meses, tempo considerado até curto para os moldes atuais da lei, mas que poderia ter sido menor.

— Acho que colocar prazo é sempre melhor do que ter prazo nenhum, embora esses limites de tempo sejam difíceis de cumprir na prática. Retirar a criança definitivamente da família biológica nem sempre é rápido — diz Armando.

PADRINHOS OFICIAIS

Para o promotor de Justiça Rodrigo Medina, se o anteprojeto for aprovado, isso será um ganho para o país em vários aspectos. Além do esforço por uma maior celeridade do processo, ele destaca a importância de se padronizar o apadrinhamento afetivo, que é voltado para aquelas crianças e adolescentes que não têm perspectiva de serem adotados. Alguns porque já estão com idade avançada, outros porque têm algum problema de saúde grave, por exemplo. Os padrinhos afetivos devem assinar um termo do abrigo onde a criança ou o adolescente se encontra e se comprometer a levá-lo para passear nos fins de semana, feriados escolares e férias.

— O mais importante deste tipo de programa é que a criança crie vínculos e possa ter alguma referência de família, alguma convivência comunitária — ressalta Medina, que coordena as promotorias da Infância e Juventude na área protetiva do Ministério Público do Rio de Janeiro. — Em alguns casos, o apadrinhamento afetivo até termina em adoção. E quando isso acontece é ótimo, porque sempre se trata de alguém que normalmente não seria adotado.

 

Ele destaca, no entanto, um ponto polêmico da proposta, com relação ao prazo que a mãe biológica tem para desistir de colocar o filho para adoção, depois de ter manifestado o desejo. Hoje, ela pode desistir até o último dia do processo, enquanto no anteprojeto consta que só pode haver essa desistência no máximo dez dias após a destituição do poder da família biológica sobre a criança.

— Hoje, é um prazo alargado demais, mas, na proposta, acredito que ele seja curto demais, rígido — avalia Medina.

Segundo o Cadastro Nacional de Adoção (CNA) do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), existem 7.167 crianças e adolescentes para adoção no Brasil, e mais de 38 mil pessoas querendo adotar.

Fonte: O Globo

Cresce número de jovens que decidem transar só depois do casamento

22/08/2016

Movimento pró-castidade tem milhões de seguidores

(Getty Images)

Parece cosa da Idade Média, mas até 2003 qualquer marido podia “devolver” a esposa se descobrisse que ela não era virgem quando se casou. Esse direito estava descrito no Código Civil aprovado em 1916. Bastava à “vítima” ingressar com uma ação de “denúncia” (no máximo dez dias depois do “sim, eu aceito”). Se a mulher não quisesse contestar, o casamento estava automaticamente anulado. Do contrário, ela precisava se submeter a um exame ginecológico para comprovar sua “pureza” enquanto solteira.

Daí você pensa: “ah, isso não existe mais” ou “ninguém casa virgem hoje em dia”. Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde Escolar (2009), rola mesmo um comportamento precoce – 28,7% dos jovens brasileiros de 13 a 15 anos já transaram. O que talvez você não imagine é a quantidade de gente comprometida com a campanha cristã “Eu escolhi esperar, criada em 2011 pelo pastor evangélico Nelson Júnior. Embora soe retrógrado e na contramão de conquistas ligadas à liberdade sexual, esse movimento pró-castidade já arrebanhou mais de três milhões de seguidores nas redes sociais.

No canal do Youtube, o pastor fala ao lado da esposa sobre relacionamentos, masturbação, sexo anal, sexo oral, e, claro, sobre a hora certa para transar.  O interessante é que, mesmo pregando “a importância de se viver uma vida sexual forma pura e santa”, a campanha não se restringe às mulheres e nem às pessoas virgens. Os não-virgens também podem aderir – desde que mudem sua postura e, a partir de então, esperem para transar com “a pessoa certa” na “hora certa” – e, claro, sob a aprovação divina.

Tomar decisões sobre a própria vida sexual é um direito de todos. Você pode optar por transar antes ou depois do casamento, pode não querer transar nunca. Por outro lado, quando “se guardar” serve para perpetuar o machismo, controlar a sexualidade feminina e julgar pessoas (aquelas que obedecem ao chamado de Deus valem mais e por isso vão para o céu enquanto todas as outras vão direto para o inferno)… essa escolha se torna bastante questionável.

Pedi algumas opiniões sobre a polêmica. Quem concorda com a espera pelo sexo depois do casamento, costuma usar argumentos religiosos e dogmáticos do tipo “se a bíblia diz que não pode transar antes porque é pecado, não tem como refutar”, pois “é um sinal de respeito a si e ao próximo” e que “é muito importante porque hoje em dia as pessoas mal se conhecem e já transam, o sexo está ficando cada vez mais banal”. Tem ainda aquela culpa cristã de “quem quiser que transe, mas ninguém consegue enganar a Deus” e a visão se que sexo só serve para a reprodução: “sexo não é um prazer carnal, mas sim uma união espiritual que possibilita a geração de filhos, a maior bênção de um casal”.

Quem discorda da ideia alega que “tem como refutá-la sim, pois a bíblia passou longe de ser a verdade absoluta para todos” e também que “esse tipo de campanha não passa de um conservadorismo desnecessário. É impensável a ideia de se casar antes de saber se as pessoas se encaixam sexualmente. Imagina se a química não bater, se a transa não for boa. Depois vai dar muito mais trabalho pra se separar, é muito melhor experimentar antes e evitar esse transtorno”.

Alguns acham que pregar pela abstinência sexual só reforça uma grande hipocrisia: “conheço várias pessoas na campanha, mas todas já transaram” ou “tem quem faça sexo anal pra manter o ‘lacre’ para o casamento. E se proclamam puros, alardeando ‘eu escolhi esperar’” e também “Passar a mão na bunda, dedada, sarro, tudo é sexo. Bora parar de achar que sexo é só penetração”. Sei lá, fico me perguntando quantos jovens (especialmente os religiosos), se casam super novos apenas para gozar com a permissão da igreja. Vocês concordam?

Fonte: Yahoo

Geração Y?

26/06/2016
 

O que diabos aconteceu com a
GERAÇÃO Y?!

Veja como o nosso ambiente de trabalho é divertido. Te pagaremos mal e não respeitaremos a sua hora de almoço. Hora-extra? Nem pensar! Whatsapp depois do trabalho? Com certeza, afinal de contas, você ainda não tem filhos! Ah, mas te daremos kit kat e café expresso de graça!

Um texto sobre liberdade, responsabilidades e as misérias de uma geração que está se perdendo no meio do caminho.

Na semana passada eu ouvi de um garoto, ainda na faculdade, o seguinte depoimento:

“Seu texto sobre a subserviência das empresas em relação ao cliente deveria ser pregado na porta de entrada de todas as empresas do país, nas salas de reuniões e ser repetido como mantra em palestras de empreendedorismo para todos os empresários do Brasil. As agências de publicidade, especificamente, estão atingindo um nível de servidão pior do que pastelaria.

Na pastelaria ninguém fica acelerando o pasteleiro. Ninguém manda e-mail para o pasteleiro mandando ele entregar o pastel na mesa dele até as 9h da manhã. Para o pasteleiro, quanto mais horas ele trabalhar, mais ele vai ganhar. Falar em hora extra em publicidade só vai fazer as pessoas rirem. Enfim, desculpa o desabafo”.

Somos uma geração de bobos que se acha esperta. Nossos pais davam duro, saiam de casa cedo, trabalhavam como doidos, indo e vindo do centro da cidade, em cartórios, lotéricas e visitas bancárias, muitas vezes em carros sem ar-condicionado, mas ganhavam bem o suficiente para sustentarem uma família com três filhos, carro, cachorro e ainda levavam todos para comerem churrasco aos domingos.

A geração de hoje se deixa enganar pela falsa sensação de divertimento, que nunca tem fim. Transformaram o ambiente de trabalho em um circo, para que você ouça: “Ei, mas aqui é divertido! Dane-se se não te pagamos horas-extra ou se te colocamos para trabalhar por toda a madrugada em troca de pizza. Aqui você pode trabalhar com boné!”.

Quando nossos pais estavam em casa, eles estavam em casa mesmo! Dane-se que o trabalho tinha sido duro, após as 18:00 eles sentavam naquele sofá da Mesbla, abriam a primeira Antártica da noite e era a hora do futebol. Qual foi a última vez que você esteve realmente desconectado do seu trabalho? Você tenta se convencer de que aquele Whatsapp do cliente às 00:00 não é nada demais, que é coisa pequena, que “pega mal” não responder. E aquele inbox no Facebook às 1:35 da manhã? “Ah, eu já estou aqui mesmo, né. Agora ele já viu que eu visualizei…”.

Provavelmente você caiu no mito do home-office libertador, que te faz perceber, anos depois, que ele só foi capaz de te “libertar” do horário comercial. “Ah, mas você trabalha em casa!”?-?pronto, é sinal de que receberá demandas ou mensagens a qualquer hora da madrugada.

Provavelmente você ainda não se ligou, mas você produz dezenas de vezes a mais do que o seu pai ou os seus tios conseguiam. Antes, para atender um cliente, você precisava ir na loja ou na casa dele, lá na puta que o pariu. Hoje? Skype. Antes, era FAX ou mandar documentos pelos correios. Hoje? E-mail. Antes, você estava limitado à sua cidade. Hoje? Internet, meu filho!

Entretanto, quanto é que você está ganhando? Acorde para a vida! Agências com mesa de sinuca, totó, chocolates à vontade, cafezinho expresso, pula-pula e vídeo-games significam apenas que você está pagando por tudo aquilo e que o seu salário, ao final do mês, sentirá a pancada.

“Tudo bem, porque eu amo o que eu faço!”.

Na semana retrasada eu ouvi isso. Estava contratando os serviços de uma START-UP de tecnologia para um dos meus negócios e havia esquecido de perguntar alguma coisa. Já eram 23:00 horas.Fui ao Skype, me certifiquei de que a menina do suporte estava OFFLINE e deixei uma mensagem. Poderia ter feito isso pelo Facebook, mas eu sabia que iria apitar lá na casa dela e não queria esse tipo de coisa, ainda mais naquele horário. Enfim, enviei a mensagem e deixei escrito: “Só me responda quando chegar ao escritório!”.

Faltando quinze minutos para uma da manhã, a menina me responde, pelo Facebook. Eu digo: “O que você está fazendo aqui? Te deixei uma mensagem no Skype! Vá dormir, namorar ou assistir aquelas séries no Netflix!” e ela me disse: “Ah, é que eu entrei no meu skype só para ver se estava tudo bem com os clientes. Vi a sua mensagem e retornei. Não custa nada, nem se preocupe. Eu amo o que faço. Rs”.

Eu amo o que faço…erre esse. À uma da manhã de terça feira. Com o teu chefe te pagando, provavelmente, entre dois mil e quinhentos a três mil reais para isso…e somos nós quem somos a geração dos “desapegados, que querem viver a vida”.

Estamos nos tornando uma geração de trintões cujas preocupações são os próximos shows do Artic Monkeys, a cerveja gourmet da moda e a próxima temporada de House of Cards. Uma geração sem filhos, que foge das responsabilidades, se iludindo com a ideia de que o seu chefe é seu amigo e que por isso você “quebra alguns galhos para ele”.

Ouvimos de todo tipo de especialista, que somos a geração livre por excelência, que preza pela mobilidade e pela qualidade no ambiente de trabalho, mas de alguma forma nós erramos o caminho e nos tornamos aquele tipo de gente que fica conversando com o cliente às 20:00 horas, enquanto janta com a mulher. E nos achamos o máximo, quando batemos o pé: “Ai, que saco, o meu chefe não me deixa em paz!”. Que corajoso!

Acredite, esse gordo manjava dos paranauês.

O resultado? Uma nação de escravos!

Olhávamos para nossos pais e avós e pensávamos que eles eram escravos da própria família. Que haviam tido muitos filhos e que isso, de alguma forma, os prendeu em uma vida cheia de amarras e limitações, mas, hoje, advinha só? Da sua idade ele já tinha casa própria e carro na garagem. E você? Figuras de ação do Mega-Man.

Em algum ponto entre o final da faculdade e o começo da vida adulta, nós perdemos a mão. Não estamos estabelecendo relações saudáveis de empregador e empregado, mas um misto de coleguismo com parceria e com prováveis projetos que poderão mudar o mundo, mas que não ajudam a pagar o aluguel.

Ah, mas você não é empregado? Tem o seu próprio negócio? É um empreendedor em início de carreira? As notícias também não são muito boas…

Você também é um escravo!

Com a popularização da tecnologia e da conectividade, os super-heróis deixaram de ser os esportistas e os homens engravatados de Wall-Street e passaram a ser os empreendedores do vale do silício. Aquele tipo de pessoa que usa camiseta sempre da mesma cor, tênis, vai trabalhar de bicicleta e mantém uma dieta ecologicamente adequada.

Aqui nós somos felizes e podemos levar o nosso cachorrinho para o trabalho, às sextas-feiras. Para falar a verdade, trabalhar aqui é tão legal, que nem precisamos voltar para casa!

Com isso, surgiu a cultura da motivação constante e da satisfação do cliente a qualquer custo. Não importa o que aconteça, a experiência do seu cliente deve sempre ser a melhor possível; ainda que ele seja um babaca!

Eu posso te falar uma coisa? Nem sempre o seu cliente tem razão. Nem sempre ele sabe o que é o melhor para o negócio dele e nem sempre aquele “logo dourado com bordas vermelhas, estilo a da propagada da mortadela Seara” é a melhor opção. O problema é que dizer isso na cara dele agora se tornou um crime! Não é proativo e engajado discutir com o cliente, ainda que ele esteja escandalosamente errado!

A cultura desses caras, importada para cá de uma maneira incompatível com a nossa realidade, diz que devemos buscar a composição sempre, fazermos reuniões intermináveis até que todos estejam satisfeitos e sorridentes. Dar pesos e medidas iguais aos especialistas e aos curiosos. O que acontece? Tentar extrair o dente do paciente com uma colher de pau.

Estamos na décima sétima alteração e o contrato diz que só faríamos até cinco? Sem problemas! A satisfação do cliente em primeiro lugar! Ele acha que não precisa fazer um contrato com você? Sem problemas, lá fora muita gente deixa isso para lá! O que? Agora ele não está te pagando? Cuidado! Não o cobre de maneira que possa parecer ofensiva! Não é isso que a Amazon faria!

Você está preso em uma camisa de força verbal.

A camisa de força verbal é um dos institutos comportamentais que mais causa dano à mente e à consciência de qualquer pessoa. No empreendedorismo, 90% dos profissionais sofrem desse tipo de mal.

A maior libertação, para qualquer proprietário, é quando este alcança certo grau de autonomia, que pode chamar a atenção do seu cliente e fazê-lo perceber que aquilo é para o seu próprio bem. Que, identificando o erro, ele está é justificando o seu dinheiro, ao dizer que ele está fazendo merda.

Aqui no Brasil, a educação ganhou status de religião. A mãe que paga a escola não quer ver seu filho criticado, afinal de contas, o boleto é caro. Do mesmo modo, o cliente chato?-?e insistente?-?não quer ser repreendido; ganha-se o mantra do “o cliente sempre tem razão”, em desfavor da alma do próprio empresário.

Vá à Itália e peça a comida do jeito que você quiser e ouvirá, imediatamente, um sonoro: “Não. Vá comer em outro canto”. Isso para o brasileiro é criminoso. Faz com que ele se insurja, contando aos amigos: “Acredita que eu pedi para fazer o macarrão mais mole e me disseram que não dava? Que ignorantes!”Ele não enxerga que ele mesmo é que é o pé no saco. Que não respeita nada nem ninguém. Vê no empreendedor alguém que deve servi-lo, independentemente de quão imbecil e sem propósito sejam os seus desejos.

O brasileiro de hoje está acostumado ao mando, porque paga. O código de defesa do consumidor criou um monstro, que custa a saúde emocional e física de milhões de empreendedores. O meu maior conselho a vocês, é: construa uma empresa que você possa mandar o cliente indesejado tomar no cu. Faça isso ou adoeça.

Entretanto, no mundo de arco-íris e pôneis da geração Y, que é feita de vidro, isso é ser rude, preconceituoso, antiquado, grosseirão. Às custas da própria saúde e do caixa da empresa, ele manterá aquele cliente chato, pentelho, arrogante e que?-?muitas vezes?-?nem te paga. É isso ou você não estará seguindo “o manual da cordialidade do Facebook”.

A conclusão? Não sei.

Da geração que iria mudar a maneira com que o mundo se relaciona a um bando de bebês de meia idade, que mora de aluguel e que o ponto alto do ano é o lançamento de mais um filme da guerra nas estrelas.

Gente que ama a liberdade, mas que está presa a um computador. Do tipo que está na décima quarta START-UP, sempre atrás daquele round de investimento que o tornará milionário. A menina que tem vergonha de dizer que é vendedora e que se apresenta como “líder-team da equipe de vendas” e do blogueiro que é articulista e CEO no perfil do Facebook.

Aonde é que fomos parar? O que é que aconteceu com a GERAÇÃO Y? Assim como o garoto do começo do texto: desculpem o desabafo.

Fonte: Site Cura e Ascensão 

Ansiedade da geração Y é problema para 69% das empresas

Combater a impaciência e saber lidar com as frustrações são os desafios dos jovens no mercado de trabalho, mas empresas também precisam se adaptar

Jovens no escritório

Geração Y: dinâmica, conectada… e impaciente (iStockphoto/Getty Images)

geração Y, de jovens nascidos entre 1978 e 1990, é conhecida por ser conectada, ágil, ter grande capacidade de identificar oportunidades e uma imensa vontade de experimentar coisas diferentes. Por outro lado, também é ansiosa e impaciente – características muitas vezes incompatíveis com a rotina corporativa. Segundo pesquisa da Ibmec e do Instituto Locomotiva, 69% dos executivos admitem que suas empresas não estão preparadas para lidar com a ansiedade da geração Y.

“Eles não têm paciência e querem que tudo aconteça rápido. A noção de tempo é diferente das demais gerações. Eles sempre querem algo diferente do que estão vivendo hoje”, explica a diretora executiva do Ibmec São Paulo, Juliana Salvador. Essa inquietação, muito diferente da geração X, que veio antes e priorizava estabilidade no trabalho e nas finanças, tem sido um obstáculo na busca por uma colocação no mercado. “Por mais que as companhias queiram que eles façam parte da equipe, as empresas estão estruturadas em uma rotina e hierarquia, e muitas vezes o jovem não se sente acolhido.

Mesmo assim, os jovens da geração Y ainda são muito cobiçados pelas empresas por suas qualidades: dinamismo, energia e iniciativa. “O que falta neles é ter passado por experiências e situações em que conseguiram superar as frustrações e entender que isso faz parte do amadurecimento”, opina Carla Blanquier, diretora de RH da iFood, empresa de delivery pela internet.

Adaptação

Para tentar aplacar a ansiedade própria da geração, sem abrir mão das qualidades do funcionário, as companhias criam estratégias de adaptação. “Investimos muito em comunicação e temos uma ação de happy hour mensal para apresentar as novidades da empresa e ouvir o que as pessoas têm a dizer”, diz Carla.

Para Juliana Salvador, as empresas saem ganhando quando buscam amenizar os pontos que mais incomodam a geração Y, como um local de trabalho fixo e a falta de abertura para opiniões diferentes. Ela alerta, porém, que os jovens da geração Y também precisam amadurecer e aprender a lidar com frustrações na carreira. “Dois recados para essa geração: eles precisam trabalhar a ansiedade e saber que a resiliência é uma das características mais requisitadas pelas empresas: aquela pessoa que tenta, tenta, tenta e no outro dia vai tentar de novo.”

 

Geração Y: feliz no trabalho, mas de bolso vazio

Levantamento do Bank of America mostra que 35% dos jovens de 18 a 34 anos recebem ajuda financeira dos pais

Compras com cartão de crédito

Compras com cartão de crédito (Thinkstock/VEJA)

 

Uma das principais diferenças entre a geração Y e as gerações anteriores, em especial os baby-boomers (que nasceram após a Segunda Guerra), é a sua relação com o trabalho. Os jovens que hoje têm de 18 a 34 anos relacionam carreira e satisfação pessoal de forma automática, diferentemente de seus pais, cujo objetivo profissional estava mais alinhado ao dinheiro do que ao prazer. Contudo, pesquisa recente divulgada pelo Bank of America, que ouviu cerca de 1000 jovens da geração Y, mostra que, apesar de mais satisfeitos profissionalmente, eles enfrentam mais dificuldades em se tornar independentes de seus pais. O levantamento Better Money Habbits Millenial Report mostra que 35% dos jovens dependem da renda de familiares e 53% não tem qualquer tipo de aplicação financeira.

O levantamento mostra que a maioria dos jovens da geração ‘millenial’ é otimista em relação ao futuro e espera ter uma vida mais próspera que seus pais. Porém, os jovens não colocam em prática um plano para atingir tal objetivo. “Eles estão confiantes em relação ao futuro, mas estão vivendo dia após dia, sem planos para o longo prazo”, afirma o coordenador da pesquisa, Andrew Plepler. Entre os jovens que possuem alguma poupança, 32% economizam com o objetivo de comprar uma casa, enquanto 33% têm objetivos de curto prazo, como a viagem de férias.

 

A pesquisa mostra discrepâncias entre a dependência da geração Y em relação aos pais. O maior porcentual de jovens dependentes se encontra na faixa etária de 18 a 24 anos, em que 48% recebem dinheiro dos pais. Já entre os que possuem entre 25 e 34 anos, apenas 17% contam com o auxílio.

Um dado interessante levantado pelo estudo é que os jovens que dependem da renda de familiares não são, necessariamente, aqueles que vivem com os pais. A pesquisa cita casos de ‘millenials’ que têm salários anuais de mais de 75 mil dólares (195 mil reais) e, mesmo assim, recebem ajuda. Nesse grupo, 25% têm auxílio para pagar compras de supermercado e outros 21%, para roupas. Até mesmo os que estão casados e trabalhando recebem, de alguma forma, renda de familiares: entre eles, 11% têm ajuda para pagar a conta de celular.

Fonte: Veja


Lei da Palmada é aprovada

22/05/2014

Após dois anos de tramitação na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, foi aprovado em 21/5/14, no colegiado, o projeto de lei que altera o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e proíbe a aplicação de castigos físicos a crianças e adolescentes.

Chamada até então de Lei da Palmada, o projeto seguirá para o Senado com o nome de Lei “menino Bernardo”, em homenagem ao garoto Bernardo Boldrini, assassinado no Rio Grande do Sul. Passado o debate acalorado da sessão promovida pela manhã e a presença da apresentadora Xuxa Meneghel, a bancada evangélica – que vinha obstruindo a votação do projeto nos últimos anos – cedeu e houve um acordo para a alteração do texto final.

O relator Alessandro Molon (PT-RJ) acrescentou apenas à definição de castigo a expressão “que resulte em sofrimento físico ou lesão” à criança ou ao adolescente. “Não queremos que as crianças sejam espancadas e tratadas de forma humilhante, seja com castigo físico ou não”, disse o relator.

O entrave era a bancada evangélica, que temia a “interferência” da legislação na educação familiar. O relator enfatizou que a proposta não prevê sanções aos pais por usar métodos punitivos na educação dos filhos, apenas encaminhamento dos pais denunciados ao Conselho Tutelar para orientação e, no máximo, advertência.

Na avaliação do petista, a presença de Xuxa pela manhã foi decisiva para a aprovação do texto. O caso Bernardo Boldrini também ajudou a sensibilizar os parlamentares, por isso o nome da lei foi alterado. Os deputados fizeram questão de retirar da lei o sobrenome do pai do garoto. “Não seria possível, exatamente numa lei que seria para evitar casos como esse, incluir o sobrenome de quem eventualmente tenha participado dessa tragédia”, justificou o relator.

Fonte: Yahoo

Síndrome de Down

03/06/2013
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Crônica da Cidade: que juventude é esta?!

30/05/2013

Caso você não o conheça, vou apresentá-lo. André Mehmari é um dos maiores pianistas do Brasil atualmente, um músico/arranjador/compositor/multiinstrumentista que tem como principal qualidade, além de sua técnica primorosa, o trânsito fácil e livre que consegue estabelecer entre os universos da música erudita e da música popular brasileira e o jazz. Ele chegou a vencer um Prêmio Visa de MPB Instrumental e vários concursos de composição erudita, já tocou ao lado de grandes cantoras como Ná Ozzetti e Mônica Salmaso, e tem seis discos lançados, todos excelentes. Você pode assistir abaixo dois exemplos desta competência instrumental:

Bem, feitas as apresentações, vamos ao motivo que me levou a escrever a respeito dele hoje, mais precisamente, a uma terrível experiência pela qual ele passou e que dá bem a medida dos tempos em que vivemos hoje. Peço permissão para colocar abaixo o texto que ele escreveu em sua página no Facebook. Leia com atenção, por favor…

“Há uns dias participei como convidado especial de um projeto musical educacional, para jovens de escolas públicas, de 10 a 12 anos, aqui perto de São Paulo. Levaram uma ótima banda, fizeram um roteiro bem bolado e caprichado com atores de primeira, e na segunda parte, a pedido da produção, entrei no palco, feliz da vida para falar de (Ernesto) Nazareth e anunciar as canções que se seguiriam.

Ao som de berros e injustificáveis vaias irracionais, ouvi toda sorte de grosseria: ‘sai daí, filho da puta!’ ‘Vai tomar no …!’, Vai se f….!’

Fiquei um tanto cabisbaixo, mas segui quase firme. Com muito orgulho, falei um pouco desta música. Acompanhado por um supermúsico amigo – o percussionista e compositor Caito Marcondes -, toquei desconcentrado e ainda estupefato uma suíte de maxixes ‘nazarethianos’ abraçando uma ária de opera. É, eu queria falar para eles desta coisa bonita da Musica, de não ter fronteiras, a não ser na cabeça de medíocres e preconceituosos.

Mas a fronteira ali estava tão antes de qualquer pensamento, de qualquer diálogo. Tudo tão aquém de qualquer desenvolvimento, que abaixei a cabeça e levei mecanicamente a apresentação até o final, acreditando que se tocasse para um único par de ouvidos férteis naquela plateia de 600 jovens pessoas já teria valido meu esforço, minha confiança na vida.

Sei bem que educação é sempre desafio e que o Brasil encontra-se muito longe de ter estrutura e pessoal adequado.

Meu apelo aqui fica para os pais, que acreditam que a educação de um filho se dá na escola. Ela se dá principalmente em casa, neste nível fundamental da formação do caráter de um ser humano. Não coloquem filhos no mundo se não estão aptos e dispostos a dar uma formação cuidadosa e apaixonada a estes novos seres.

E estou farto deste discurso politicamente ‘soft-new-age-correto’ e praticamente inefetivo, de aceitar tudo e botar panos quentes em tudo que um jovem faz e diz. Acredito que ele tem consciência de seus atos e cabe aos mais experientes apontar problemas, olhar esta turma como nossos semelhantes que, em poucos anos, estarão ocupando importantes cargos e funções.

Educação é invariavelmente feita com amor e dedicação e estas são responsabilidades primordiais dos pais, depois da escola e da experiência. De qualquer maneira agradeço a oportunidade de tocar para aqueles jovens, mesmo tendo sofrido agressões que me ofenderam. Sei que aqueles que ouviram saberão me agradecer no futuro. E estarei plenamente recompensado e tranquilo!”

Quem acompanha o que escrevo neste honrado espaço sabe bem o que penso a respeito desta molecada nos dias atuais. Para quem não sabe, vou repetir numa boa: salvo raríssimas exceções, toda uma geração de adolescentes brasileiros se transformou em uma manada de asnos!

É isto mesmo o que você acabou de ler. Sem tintas douradas ou palavras suaves. A realidade nua e crua é exatamente esta. Quem é pai ou mãe sabe exatamente o que quero dizer. Nos dias atuais, professores se transformaram em seres com nervos em frangalhos, com o espírito esgotado e abalado por terem que lidar com pequenos bucéfalos, precocemente empurrados para a vala da ignorância por causa do meio em que vivem, seja a família, os amigos e até mesmo a própria escola.

Meninos e meninas são capazes de sugar o bom humor de quem quer que seja, tão rapidamente quanto as palavras ásperas, os gritos e a violência verbal que emanam de suas bocas sujas e cérebros já necrosados. Conversando com professores, a opinião é unânime: sala de aula é hoje um lugar onde reina a insanidade. Capacidade de cognição e momentos de sensibilidade por parte destes adolescentes é visto como um autêntico milagre de natureza divina.

E quero deixar claro: isto não tem nada a ver com classe social e poder aquisitivo! Há uma horda de adolescentes cretinos milionários, ricos, pobres e miseráveis. A burrice e a falta de educação não fazem distinção.

O que aconteceu com o talentoso pianista André Mehmari em um teatro municipal de Campinas, mais precisamente no bairro da Vila Industrial, é sintomático da total falta de educação e bons modos de toda uma geração. Basta dar uma olhada no meu perfil do Twitter para ver a quantidade de ofensas pesadas – e que se multiplicam como moscas – toda vez que escrevo a respeito de ídolos musicais desta garotada sem cérebro. Palavrões cabeludíssimos escritos por meninas que sequer tiveram a sua primeira menstruação e meninos que nem conhecem o significado do termo “punheta”. Dá vontade de fazer vasectomia no dia seguinte…

Infelizmente, a escola não é mais capaz de propiciar aquela camada de civilização que complementava a educação familiar. Basta ver a quantidade de vídeos que inundam o You Tube com cenas de violência contra professores, colegas de classe e funcionários para sacar que toda uma geração de jovens já encara o seu semelhante como um rival, um adversário a ser derrotado de qualquer maneira, nem que seja preciso ir armado para as aulas. O fato de nenhum destes pequeninos monstros não reconhecer a autoridade no ambiente escolar é o retrato inequívoco da falta de autoridade dentro de casa. Não reconhecer isto é negar a existência de qualquer parâmetro de civilidade.

E há outro problema, tão sério quanto este: a superficialidade imediatista que vê sendo imposta a todos nós diariamente pelos meios de comunicação. Em um País que teoricamente prima pela “diversidade”, cada vez mais somos esbofeteados por estratégias de marketing desenfreadas, que tentam nos obrigar a tomar a cerveja “X”, vestir a roupa “Y” e comprar o carro “Z” para que ninguém se sinta… diferente! É o fim da picada!

Precisamos acabar com este papo de que “povo não gosta de cultura e arte”, que vem nivelando a programação das emissoras de TV e rádio a níveis abaixo do rasteiro. Temos que acabar com esta conversa de que “tudo é arte”, disseminada por pseudointelectuais de padaria, que defendem a ideia de que as classes menos favorecidas intelectualmente produzam a sua própria “cultura” e deixem de olhar para o passado ou para outras vertentes de informação e conhecimento. Para estes palhaços com pinta de sociólogos da PUC, tudo bem que isto resulte nos “Naldos”, “Lek Leks” e “quadradinhos de oito” da vida, pois é “cultura de um povo”. Cultura uma ova!

Ah, o nome do tal projeto do qual André participava chama-se Ouvir Para Crescer. Que ironia nauseante, não?

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