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Cresce longevidade do brasileiro

02/12/2017

Expectativa de vida do brasileiro ao nascer foi de 75,8 anos em 2016, diz IBGE

Em dados sobre mortalidade apresentados nesta sexta-feira (1), brasileiro que nasceu em 2016 deve viver, em média, três meses a mais que os nascidos em 2015.

 

A expectativa de vida ao nascer no Brasil era de 75,8 anos em 2016, um aumento de três meses e 11 dias em relação ao ano anterior, segundo informou nesta sexta-feira (1º) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Expectativa de vida aumentou mais de 30 anos de 1940 a 2016, diz IBGE

Expectativa de vida aumentou mais de 30 anos de 1940 a 2016, diz IBGE

Em 2015, a expectativa de vida ao nascer no Brasil era de 75,5 — também um aumento de aproximadamente três meses em relação a 2014.

Ao longo do tempo a expectativa do brasileiro vem aumentando: o brasileiro que nascia em 1940 vivia, em média, 45,5 anos; em 1970, 57,6 anos, chegando a mais de 75 anos a partir de 2015.

O aumento também foi de 3,5 nos últimos 10 anos. O brasileiro nascido em 2006 tinha a expectativa de viver 72,3 anos; número que passou para 75,8 em 2016.

As ‘Tábuas Completas de Mortalidade do Brasil de 2015′, que o IBGE divulga anualmente, apresenta as expectativas de vida por idade. O que significa, na prática, o quanto em média o brasileiro vai viver a mais a partir daquela idade apresentada.

Assim, em média, o brasileiro que tinha 5 anos em 2016 tinha uma expectativa de viver, em média, mais 72 anos. O que tinha 20 anos, tinha expectativa de viver mais 57,5 em média. Confira abaixo, na tabela, algumas expectativas de vida médias a partir da idade em 2016.

Expectativa de vida a partir da idade

0 75,8
10 67
20 57,5
30 48,3
40 39,1
50 30,3
60 22,3
70 15,1
80 ou mais 9,5
Fonte: IBGE

 

Mulher vive em média 79,4 anos

 

As mulheres continuam vivendo mais que os homens, embora as expectativas de vida de ambos os gêneros tenham aumento em relação ao ano anterior. A expectativa de vida dos homens aumentou de 71,9 anos em 2015 para 72,2 anos em 2016, enquanto a das mulheres foi de 79,1 para 79,4 anos.

Também os homens têm mais chance de não ultrapassar os 25 anos que as mulheres, segundo o IBGE. Eles são mais vítimas de mortes de causas não naturais, como acidentes de trânsito e homicídios.

Em 2016, um homem de 20 anos tinha 4,5 vezes mais chance de não completar 25 anos do que uma mulher no mesmo grupo de idade.

Expectativa de vida ao nascer do homem (1940 – 2016)

Santa Catarina tem maior expectativa do Brasil (79,1 anos)

 

O estado de Santa Catarina tem a maior expectativa de vida do país. Lá, o brasileiro que nasceu em 2016 tem a expectativa de viver, em média, 79,1 anos. Em seguida, estão os estados de Espírito Santo, Distrito Federal e São Paulo, com a expectativa acima de 78 anos.

A menor expectativa de vida registrada foi do Maranhão, com 70,1 anos. Ao todo, oito estados estão acima da média nacional. São eles: Rio de Janeiro, Paraná, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, São Paulo, Distrito Federal, Espírito Santo e Santa Catarina.

 

Expectativa de vida no mundo

 

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde divulgados em 2016, em relação ao ano de 2015, o Japão seguia à frente na longevidade mundial: o japonês que nasceu em 2015 vive, em média, 83,7 anos — 8,2 anos a mais que o brasileiro que nasceu no mesmo ano. Confira, na tabela abaixo, dados de outros países.

Exemplos globais e expectativa de vida (2015)

Japão 83,7
Suíça 83,4
França 82,4
Coreia do Sul 82,3
Canadá 82,2
Estados Unidos 79,3
China 76,1
Argentina 76,3
Brasil 75,5
Colômbia 74,8
Congo 64,7
Guiné-Bissau 58,9
Angola 52,4
Fonte: Organização Mundial da Saúde

 

Aposentadoria

 

Brasileiro vive mais e isso tem impacto na aposentadoria

Brasileiro vive mais e isso tem impacto na aposentadoria

O aumento da expectativa de vida do brasileiro tem impacto direto sobre a aposentadoria, já que a Previdência tem que arcar com o benefício por mais tempo, enquanto os anos de contribuição continuaram os mesmos.

Analista Edgar Vicentin escapou do cálculo novo da aposentadoria

Analista Edgar Vicentin escapou do cálculo novo da aposentadoria

Os dados do IBGE sobre expectativa de vida são considerados no cálculo do fator previdenciário, que define o valor das aposentadorias. A nova tábua, no entanto, não altera as regras para quem irá se aposentar pela regra que exige que a soma entre a idade e o tempo de contribuição some 85 para as mulheres e 95 para os homens.

Contribuir mais alguns meses pode ser vantajoso para quem está perto de se aposentar

Contribuir mais alguns meses pode ser vantajoso para quem está perto de se aposentar

 

 Fonte: G1

Salário médio na Suíça é de 5 mil dólares

02/12/2017

Por que uma das cidades mais ricas do mundo vai expulsar dezenas de milionários de suas casas

Em Zurique, pessoas com uma renda acima da média da população vivem em moradias sociais, com aluguéis subsidiados pelo governo, mas novas regras obrigarão parte delas a procurar um novo lugar para viver.

Cerca de 20% dos inquilinos de moradias sociais de Zurique serão afetados pelas novas regras (Foto: lekca060/Creative Commons)Cerca de 20% dos inquilinos de moradias sociais de Zurique serão afetados pelas novas regras (Foto: lekca060/Creative Commons)

Cerca de 20% dos inquilinos de moradias sociais de Zurique serão afetados pelas novas regras (Foto: lekca060/Creative Commons)

Eles ganham mais dinheiro do que a média da população em uma das cidades mais ricas do mundo e, ainda assim, vivem em casas com aluguéis subsidiados pelo governo local. Mas isso vai acabar.

Zurique aprovou nesta semana uma lei com novas regras para o programa de moradias sociais. O objetivo é combater essa distorção, e um fato em especial chamou bastante atenção: 132 milionários viviam em residências assim em 2014, quando a Prefeitura apresentou a proposta – e eles serão despejados.

Segundo as autoridades desta que é a cidade mais populosa da Suíça, com 400 mil habitantes, muitos outros se beneficiam desta ajuda apesar de serem capazes de pagar o preço de um aluguel no valor de mercado.

É bom dizer que não são necessariamente magnatas com investimentos nos Emirados Árabes e uma frota de carrões estacionados na garagem. Mas são pessoas cujos rendimentos são mais altos do que o salário médio suíço, que é de cerca de US$ 60 mil (R$ 196,3 mil) por ano – o segundo maior da Europa, atrás apenas de Luxemburgo – e um valor bem maior do que a renda das famílias alvos do programa social.

 

Limite de renda

 

Desde 2011, investidores imobiliários na cidade precisam destinar ao menos 33% dos empreendimentos a moradias sociais, que são administradas por empresas públicas. Essas habitações são alugadas a preços que permitem amoritzar os custos de construção e manutenção, mas não é possível lucrar com eles.

O salário médio na cidade suíça é de US$ 60 mil (R$ 196,3 mil) por ano, o segundo maior da Europa (Foto: Jonny_Joka/Creative Commons)O salário médio na cidade suíça é de US$ 60 mil (R$ 196,3 mil) por ano, o segundo maior da Europa (Foto: Jonny_Joka/Creative Commons)

O salário médio na cidade suíça é de US$ 60 mil (R$ 196,3 mil) por ano, o segundo maior da Europa (Foto: Jonny_Joka/Creative Commons)

Em paralelo, existe um outro programa de moradias sociais construídas e gerenciadas pelo governo local. Desde a criação da cota de 33%, o governo ergueu 1,5 mil moradias sociais. Assim, há uma oferta de 9 mil apartamentos do tipo atualmente.

O valores do aluguel social variam entre 623 francos suíços (R$ 2.059), para imóveis com até 1,5 cômodos, e 2,2 mil francos ( R$ 7.211), para aqueles de seis cômodos ou mais – cozinha e banheiro não são contabilizados como cômodos, e um corredor de entrada extenso ou uma cozinha mais ampla podem ser considerados meio cômodo.

A Prefeitura detectou que muitos desses imóveis não são ocupados pelos mais pobres – ou menos ricos, a depender do ponto de vista. Assim, além dos 132 milionários que serão expulsos de suas casas, o mesmo acontecerá com os outros que ganham bem o bastante para dispensar o apoio público.

As novas regras dizem claramente que o “inquilino social” não pode ter um salário acima de quatro vezes o valor do aluguel social. Sua renda pode aumentar enquanto vive ali, mas, se ultrapassar seis vezes o aluguel, o governo pode pedir que ele se mude.

Empreedimentos imobiários em Zurique precisam destinar 33% de suas unidades a moradias sociais (Foto: stooni/Creative Commons)Empreedimentos imobiários em Zurique precisam destinar 33% de suas unidades a moradias sociais (Foto: stooni/Creative Commons)

Empreedimentos imobiários em Zurique precisam destinar 33% de suas unidades a moradias sociais (Foto: stooni/Creative Commons)

Haverá uma revisão dos contratos a cada dois anos para verificar se o morador ainda atende ao critério de renda. O imóvel também deve ser a única residência do inquilino e sua família.

Antes, não havia um limite de renda previsto na lei que regula o programa. Seu texto apenas dizia que deveria haver “uma proporção adequada entre a renda e o aluguel”. Segundo os cálculos de autoridades, hoje, cerca de 19% dos inquilinos sociais não se enquadrariam nas novas normas.

Em alguns casos, explicou a Prefeitura à BBC Brasil, uma pessoa pode ter começado a alugar o local quando tinha uma renda menor – era um estudante, por exemplo, que depois conseguiu um emprego, se casou, recebeu uma herança e assim por diante.

 

Muito suave?

 

Foram criados mecanismos para suavizar as mudanças. As novas regras serão primeiro aplicadas aos novos aluguéis, e há a expectativa de quem tenha uma renda superior ao limite máximo se mude por conta própria, antes que o governo precise intervir.

A ideia é reduzir o índice de inquilinos sociais com renda superior ao limite máximo para 15% ao longo de um período de cinco anos. Quem tiver de se mudar receberá ajuda para encontrar uma nova casa rapidamente.

O governo oferecerá ao menos duas alternativas no setor privado de acordo com sua renda. Mas, se a pessoa ganhar mais de 230 mil francos suíços (R$ 764 mil) por ano, serão despejados sem direito a esse benefício. Hoje, 190 pessoas se enquadrariam nesse perfil.

Críticos desta flexibilidade das normas dizem que o governo local de centro-esquerda não quer perder votos e, assim, busca reduzir o impacto da reformulação do programa habitacional. Segundo a imprensa local, a oposição queria regras bem mais duras.

De qualquer forma, o novo sistema só passará a valer no primeiro semestre de 2018, depois que algumas etapas burocráticas forem cumpridas. Então, quem estiver na mira das futuras ordens de despejo terá tempo para buscar uma nova casa

Fonte: G1

Brasil: um país de pobres

30/11/2017

Metade dos trabalhadores brasileiros tem renda menor que o salário mínimo, aponta IBGE

Renda abaixo do mínimo é possível entre trabalhadores informais e por conta própria; pesquisa revela que 10% da população concentra 43% da soma de rendimentos do país.

 

Uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira (29) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revela que 50% dos trabalhadores brasileiros recebem por mês, em média, 15% menos que o salário mínimo. Além disso, o rendimento daqueles que ganham mais é 360 vezes maior do que o dos trabalhadores que têm renda mais baixa.

Crise econômica acentua desigualdade no Brasil, aponta IBGE

Crise econômica acentua desigualdade no Brasil, aponta IBGE

 

“O Brasil já é conhecido como um dos países com as piores desigualdades de rendimento do mundo. Essa pesquisa enfatiza ainda mais o quão desigual é o país”, disse a gerente da pesquisa, Maria Lúcia Vieira.

 

O levantamento foi feito ao longo de 2016 por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD). Naquele ano, o salário mínimo era de R$ 880,00. Dos 88,9 milhões de trabalhadores ocupados no ano, 44,4 milhões recebiam, em média, R$ 747 por mês.

A lei brasileira prevê um salário mínimo para os trabalhadores com carteira assinada. O rendimento abaixo desse valor é possível entre a população com emprego informal e os trabalhadores por conta própria, como vendedores ambulantes e donos de pequenos negócios.

Muitos vendedores ambulantes e trabalhadores sem carteira assinada recebem menos que o mínimo (Foto: TV Anhanguera/Reprodução)Muitos vendedores ambulantes e trabalhadores sem carteira assinada recebem menos que o mínimo (Foto: TV Anhanguera/Reprodução)

Muitos vendedores ambulantes e trabalhadores sem carteira assinada recebem menos que o mínimo (Foto: TV Anhanguera/Reprodução)

Do total de trabalhadores, 4,4 milhões (5%) recebiam, em média, apenas R$ 73 mensais. Já 889 mil (1%) recebiam, em média, R$ 27 mil. “Isso significa que aqueles com maiores rendimentos recebiam 360 vezes mais que os com menores rendimentos”, enfatizou a pesquisadora.

A soma dos rendimentos recebidos por todos os brasileiros em 2016 foi de R$ 255 bilhões por mês, em média. Desse valor, 43,4% estava concentrado nas mãos de 10% da população do país. Já a parcela dos 10% das pessoas com os menores rendimentos detinha apenas 0,8% da massa.

A análise regional mostrou que a Região Sudeste concentrou R$ 132,7 bilhões da massa de rendimento do país, superior à soma das demais regiões. As regiões Sul (R$ 43,5 bilhões) e Nordeste (R$ 43,8 bilhões) produziram cerca de 1/3 da massa de rendimentos do Sudeste. Já as regiões Centro-Oeste (R$ 21,8 bilhões) e Norte (R$ 13,4 bilhões) produziram, respectivamente, 16,4% e 10,1% do Sudeste.

Desigualdade no Brasil: 1% dos brasileiros concentra 43% da renda do país, aponta IBGE

Desigualdade no Brasil: 1% dos brasileiros concentra 43% da renda do país, aponta IBGE

“É claro que tem de ser maior porque é no Sudeste onde está concentrada a maior parcela da população, 42%, do país”, destacou Cimar Azeredo, Coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE.

Segundo Azeredo, 44% dos “outros rendimentos” pagos no país estão concentrados no Nordeste. “Isso mostra o peso e a importância dos programas de transferência de renda para aquela população”.

“Aí a gente vê o tamanho da desigualdade econômica no país”, enfatizou Maria Lúcia.

 

Renda domiciliar per capita

 

O rendimento médio real domiciliar per capita foi de R$ 1,2 mil por mês em 2016. Nas regiões Norte e Nordeste, a média foi de R$ 772. A maior média foi observada no Sudeste, com R$ 1,5 mil.

Com isso, o índice de Gini, que calcula o nível de desigualdade de renda em um país, do rendimento domiciliar per capita para o Brasil naquele ano foi estimado em 0,549. O Sul do país apresentou o menor índice, de 0,473, e o Sudeste o maior, de 0,535. O índice de Gini vai de 0 (perfeita igualdade) a 1 (desigualdade máxima).

Para a gerente da pesquisa, Maria Lúcia Vieira, o levantamento enfatiza a necessidade do Brasil combater as desigualdades sociais e econômicas a fim de alavancar seu desenvolvimento.

 

“A gente sabe que país nenhum vai crescer sob uma base desigual”, destacou.

 

 

Fontes de rendimento

 

Dos 205,5 milhões de habitantes no Brasil, 124,4 milhões (60,5%) possuíam algum tipo de renda em 2016, segundo o IBGE. A maior parcela do rendimento da população provém da remuneração pelo trabalho, conforme a pesquisa.

Segundo o levantamento, 42,4% da população possuía rendimento de trabalho, ao passo que 24% possuía algum rendimento proveniente de outras fontes, como aposentadoria e benefícios sociais.

O IBGE destacou que havia diferenças significativas entre as regiões em relação à fonte de rendimento da população. No Sul, por exemplo, 47,1% das pessoas com renda a obtinham por meio do trabalho. Já o Nordeste concentrava o maior percentual de pessoas que recebiam rendimento de outras fontes.

Dentre os rendimentos distintos da remuneração pelo trabalho, aposentadorias e pensões se destacaram como a principal fonte. Da população com renda, 13,9% recebia aposentadoria ou pensão; 2,4% recebia pensão alimentícia, mesada ou doação; 1,8% tinha renda de aluguel; e 7,7% recebia algum tipo de rendimento de outras fontes, como rendimentos de poupança, seguro-desemprego e dos programas de transferência de renda do governo, como o Bolsa Família, por exemplo.

Considerando apenas o Bolsa Família, o IBGE constatou que 14,3% dos domicílios do país têm essa fonte de renda. No Nordeste, este percentual salta para 29,3% dos domicílios e no Norte para 27,2%. O menor percentual foi observado no Sul (5,4%), seguido pelo Sudeste (6,9%) e Centro-Oeste (9,4%).

Já o Benefício de Prestação Continuada (BPC), conforme apontou a pesquisa, estava presente na renda de 3,4% dos domicílios brasileiros. Nordeste e Norte são as regiões com maior percentual deste benefício – respectivamente 5,4% e 5,3% – seguidas pelo Centro-Oeste (3,6%), Sudeste (2,3%) e Sul (2,1%).

Cimar Azeredo enfatizou que o rendimento médio domiciliar per capita dos domicílios onde havia pagamento de Bolsa Família foi de R$ 331, enquanto nos domicílios onde nenhum morador o recebia foi de R$ 1.446.

 

Região

 

A análise regional revela que o Nordeste foi a região que concentrou a maior parcela de pessoas que tinham renda distintas de trabalho, aposentadoria, pensão e aluguel.

 

“Isso mostra o peso e a importância de programas sociais de distribuição de renda nestas regiões com maior desigualdade do país”, avaliou Maria Lúcia Vieira, gerente da pesquisa.

 

Infográfico mostra fontes de renda além do trabalho por região (Foto: Alexandre Mauro/G1)Infográfico mostra fontes de renda além do trabalho por região (Foto: Alexandre Mauro/G1)

Infográfico mostra fontes de renda além do trabalho por região (Foto: Alexandre Mauro/G1)

Fonte: G1

Maioria dos aposentados no Brasil ganha um salário mínimo

Dados recentes da Secretaria de Previdência Social contabilizam mais de 19 milhões de aposentados pelo INSS

Maioria dos aposentados no Brasil ganha um salário mínimo

Após a polêmica da possível mudança nas regras para a aposentadoria, proposta que foi enviada pelo Governo Federal para o Congresso, no fim do ano passado, brasileiros que contribuem com o Instituto Nacional do Seguro Social tiveram (INSS) se questionam sobre algumas alterações na legislação.

Segundo o UOL, dados recentes da Secretaria de Previdência Social contabilizam mais de 19 milhões de aposentados pelo INSS. A idade média que o brasileiro se aposenta, de acordo com a entidade, é 58 anos. A maioria deles ganha apenas um salário mínimo (R$ 937). No entanto, se a medida do governo entrar em vigor, para se aposentar, o trabalhador deverá ter, no mínimo, 65 anos de idade e 25 anos de contribuição com o instituto.

Mas você sabe quanto um aposentado recebe, mensalmente, se pendurar as chuteiras for por tempo de contribuição? E por idade? Esse são os dois tipos de aposentadoria mais comuns, atualmente. Saiba o que cada um deles tem direito:

- Por tempo de contribuição

Contribuir com o INSS por 35 anos, no entanto, no caso dos homens, pode receber o benefício também com 30 anos. Cerca de 5,7 milhões de pessoas fazem parte do grupo.

- Por idade

Pouco mais de dez milhões de pessoas se aposentam por idade. Nesse caso, os homens precisam ter pelo menos 65 anos e as mulheres, 60 anos. Todos precisam ter contribuído com o INSS por 15 anos, no mínimo.

Fonte: Notícias ao minuto

Nasa alerta para perigo de tsunamis nas cidades litorâneas do Brasil

26/11/2017

NASA

Fonte: Youtube

Golpe também no Zimbabue

15/11/2017

Zimbábue: militares estão “em processo de tomar o comando”

Afirmação é do secretário-geral do partido da oposição no Zimbábue, o Movimento para a Mudança Democrática (MDC-T), Douglas Mwonzora

Zimbábue: militares estão "em processo de tomar o comando"

© Reuters

Em uma entrevista telefônica a partir do Zimbábue com o canal sul-africano ANN7, Mwonzora reiterou: “Esta é a definição padrão de um golpe de Estado. Se isto não é um golpe, o que será?”.

Mwonzora acrescentou que o partido governante, a União Nacional Africana do Zimbábue - Frente Patriótica (ZANU-PF) “estão em fase de negação, mas que já não têm o controle”.

O exército do Zimbábue desmentiu na madrugada de hoje que esteja em curso um golpe de Estado militar, garantindo que o Presidente, Robert Mugabe, se encontra em segurança, depois de uma noite de agitação na capital, com soldados armados e veículos militares nas ruas da capital e o registro de pelo menos três explosões.

Em relação à mensagem que um porta-voz do exército leu na televisão nacional na noite da terça-feira (14), em que descartou que estivesse a ocorrer um “golpe militar”, Mwonzora considerou que “é um comunicado normal quando os militares intervêm”.

“Há muito ressentimento contra (o Presidente) Robert Mugabe e a sua esposa (Grace)”, sublinhou o político da oposição, que pediu aos cidadãos que “tenham cuidado”, já que a “situação é anormal”.

Embora o secretário-geral do MDC-T tenha dito que “é a hora de salvar o país”, também afirmou que “não será permitido um derramamento de sangue”.

O mesmo canal de televisão contatou um porta-voz do ZANU-PF, Kennedy Mandaza, que se encontrava na África do Sul, e que apenas disse que “está a seguir de perto o desenvolvimento da situação no Zimbábue”.

A conversa telefônica com Mandaza caiu após ser questionado pelo paradeiro do Presidente Mugabe, que segundo o canal sul-africano SABC, poderá encontrar-se sob prisão domiciliar.

A tensão no Zimbábue começou a aumentar na tarde de terça-feira, depois de vários tanques terem sido vistos em direção a Harare, um dia depois do chefe das forças armadas do país, o general Constantino Chiwenga, ter condenado a demissão do vice-presidente do país. Ele teria advertido de que seriam tomadas “medidas corretivas” caso se mantivesse a eliminação dos veteranos no partido de Mugabe (de 93 anos e no poder desde a independência do Zimbabué, em 1980).

O ZANU-PF disse que as palavras de Chiwenga sugeriam uma “conduta de traição” destinada a “incitar à insurreição e ao desafio violento da ordem constitucional”.

A atual crise no Zimbábue surge após a destituição, na semana passada, do vice-presidente Emmerson Mnangagwa, que era apontado como sucessor de Mugabe, tal como a primeira-dama Grace Mugabe.

Mnangagwa, há muito considerado o braço direito do Presidente, foi humilhado e demitido das suas funções e fugiu do país após um braço-de-ferro com a primeira-dama, Grace Mugabe.

Figura controversa conhecida pelos seus ataques de cólera e dirigente do braço feminino do partido do marido, a primeira-dama de 52 anos tem muitos opositores, tanto no partido quanto no Governo. Com este afastamento, fica na posição ideal para ser a sucessora do marido, que apesar da idade avançada e da saúde frágil foi nomeado pela Zanu-PF como candidato às eleições presidenciais de 2018.

Fonte: Notícias ao Minuto

Afeganistão consagra-se como grande produtor mundial de ópio

15/11/2017

Produção de ópio bate recorde no Afeganistão e deve ampliar oferta de droga barata no mundo

Foram 9 mil toneladas, 87% mais do que no ano passado, de acordo com relatório divulgado nesta quarta-feira; estima-se que essa quantidade de ópio possa ser usada para produzir de 320 a 530 toneladas de heroína.

O Afeganistão nunca produziu tanto ópio quanto em 2017. Foram 9 mil toneladas, 87% mais do que no ano passado, de acordo com relatório divulgado nesta quarta-feira (15) pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (Unodc) e pelo Ministério Anti-Narcóticos do Afeganistão. Estima-se que essa quantidade de ópio possa ser usada para produzir de 320 a 530 toneladas de heroína.

A consequência desse aumento de produção no Afeganistão é global. Segundo o Unodc, uma heroína mais barata deve chegar aos consumidores ao redor do mundo.

“Quantidades muito maiores vão agora chegar aos mercados mundiais, provocando maiores problemas de saúde e sociais”, afirmou Yury Fedotov, diretor-executivo da Unodc.

Em tese, toda a produção de ópio do Afeganistão pode ser usada para fabricar heroína. Mas estima-se que metade seja consumida na própria região, sem processamento – o país enfrenta altos índices de consumo de ópio.

A outra metade vira matéria-prima para produção de morfina e, em seguida, heroína.

Cultivo de papoula no Afeganistão (Foto: BBC)Cultivo de papoula no Afeganistão (Foto: BBC)

Cultivo de papoula no Afeganistão (Foto: BBC)

“Já é tempo de a comunidade internacional e do Afeganistão priorizarem o controle das drogas e reconhecer que todos os países têm responsabilidade nesse problema global”, continuou Fedotov.

O Afeganistão e o México são as principais fontes de drogas derivadas de ópio no mundo. Os principais mercados são Estados Unidos e Europa, onde o uso dessas substâncias não para de crescer. Só nos EUA, mais de 700 mil pessoas reportaram ter consumido heroína em 2012.

A explosão no uso de opiáceos, no entanto, não chegou ao Brasil. Aqui o problema é outro, o crack.

Plantações de papoula ocupam mais de 300 mil hectares no Afeganistão, o maior cultivo do mundo (Foto: AP Photo/Rahmat Gul)Plantações de papoula ocupam mais de 300 mil hectares no Afeganistão, o maior cultivo do mundo (Foto: AP Photo/Rahmat Gul)

Plantações de papoula ocupam mais de 300 mil hectares no Afeganistão, o maior cultivo do mundo (Foto: AP Photo/Rahmat Gul)

 

Ópio financia grupos extremistas

 

O patamar atual de produção de ópio no Afeganistão é inédito. O recorde anterior, registrado em 2007, foi de 7,4 mil toneladas, 20% menos.

A área de cultivo chegou a 328 mil hectares em 2017. Isso equivale a mais de duas cidades de São Paulo em campos de papoula, planta que dá origem ao ópio.

Além de se tratar de uma questão de saúde pública, o Unodc alerta que o aumento da produção da substância no Afeganistão pode elevar o financiamento de grupos extremistas, como o Talebã.

Isso porque a cadeia ilícita do ópio pode irrigar os cofres desses grupos. O volume de recursos envolvidos é muito alto: US$ 1,4 bilhão, equivalente a 7% do PIB do Afeganistão.

A invasão do país pelos Estados Unidos não diminuiu o problema do ópio, pelo contrário. A produção registrada em 2017 é quase o triplo da contabilizada em 2000, ano que antecedeu o início da operação americana na região, iniciada após os ataques de 11 de setembro de 2001

Fonte: G1

Cai número de nascimentos no Brasil

15/11/2017

Número de nascimentos no Brasil cai pela 1ª vez desde 2010, aponta IBGE

Em 2016, foram registrados 2,79 milhões de nascimentos, queda de 5,1% ante 2015. Número de casamentos também caiu e o de divórcios aumentou.

 

Número de nascimentos no país cai pela primeira vez desde 2010, diz IBGE

Número de nascimentos no país cai pela primeira vez desde 2010, diz IBGE

O número de nascimentos

número de nascimentos registrados no Brasil caiu pela 1ª vez desde 2010, segundo as estatísticas do Registro Civil 2016, divulgadas nesta terça-feira (14) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento mostra que no ano passado também houve queda no número de casamentos, ao passo que o de divórcios aumentou.

Em 2016, foram registrados 2,79 milhões nascimentos no Brasil, o que representa uma queda 5,1%, ou 151 mil nascimentos a menos, na comparação com 2015.

Apesar do país já ter registrado queda no número de nascimentos em anos anteriores, o percentual de 2016 ficou bem acima. Em 2010, houve recuo de 0,2% em relação ao ano anterior. Em 2009, a queda foi de 1,3%. Em 2006 e 2007, foram verificadas retrações de 2,6% e 1,7%, respectivamente.

Registros de nascimentos no Brasil

A região com maior queda nos nascimentos em 2016 foi o Centro-Oeste (-5,6%) e o Sul, com menor queda, de 3,8%. No Nordeste e no Sudeste, o recuo foi de 5,5%, e no Sul, de 3,8%.

Roraima foi o único estado a registrar mais nascimentos, com alta de 3,9%. Pernambuco registrou a maior queda (-10%), seguido por Tocantins (-8%), Sergipe (-7,5%) e Rio Grande do Norte (-7%). Em São Paulo, houve recuo de 5,1% e, no Rio de Janeiro, queda de -6,5%.

Embora a pesquisa do IBGE seja apenas numérica, sem apontar as possíveis causas, a queda dos nascimentos em 2016 aconteceu em meio à pior recessão da história do Brasil  e em um período em que houve uma epidemia de zika, que pode provocar microcefalia. Pernambuco foi o primeiro estado onde o aumento dos casos de zika chamou a atenção das autoridades de saúde.

A região Norte teve a maior concentração de nascimentos no grupo de mães de 20 a 24 anos (29,6%). Por outro lado, as regiões Sul e Sudeste têm perfil de mães com idade mais avançada. Nessas regiões, o maior percentual de nascimentos ocorre entre as mulheres de 25-29 anos (24,7% no Sul e 24,3% no Sudeste), 20-24 anos (23,5% em ambas) e 30-34 anos (22,1% em ambas).

 

Casamentos caem 3,7%

 

Já o número de casamentos no país caiu 3,7% no ano passado, segundo o IBGE. A redução foi observada tanto nos casamentos entre cônjuges de sexos diferentes quanto para os cônjuges do mesmo sexo, com exceção das Regiões Sudeste e Centro-Oeste que apresentaram aumento nos registros de casamento gay.

Casamento coletivo no sábado (22) em Florianópolis (Foto: Associação Amigos da Cidadania Catarinense/Divulgação)Casamento coletivo no sábado (22) em Florianópolis (Foto: Associação Amigos da Cidadania Catarinense/Divulgação)

Casamento coletivo no sábado (22) em Florianópolis (Foto: Associação Amigos da Cidadania Catarinense/Divulgação)

Foram registrados 1.095.535 casamentos civis em 2016 em todo o país. As uniões entre pessoas de sexos diferentes caíram 3,7%, enquanto as entre pessoas do mesmo sexo recuaram 4,6%, representando 0,49% do total de casamentos registrados, revertendo tendência verificada no ano anterior. Em 2015, casamentos gays cresceram cinco vezes mais do que os hetero.

Piauí foi o estado que registrou a maior queda no número de casamentos (-13,2%), seguido por Alagoas (-12,53%), Paraíba (-11,31%) e Roraima (-10%). Na outra ponta, o Amapá foi o destaque com aumento de 20% no número de casamentos registrados. Em São Paulo, houve queda de 2,9% e, no Rio de Janeiro, recuo de 0,10%.

 

Divórcios e guarda compartilhada crescem

 

Em 2016, o número de divórcios concedidos em 1ª instância ou por escrituras extrajudiciais aumentou 4,7% em relação a 2015, totalizando 344.526 registros, segundo o IBGE.

Em média, o homem se divorciam aos 43 anos, e a mulher aos 40. No Brasil, o tempo médio entre a data do casamento e a data da sentença ou escritura do divórcio é de 15 anos.

Segundo o IBGE, é maior proporção dos divórcios ocorreu em famílias constituídas somente com filhos menores de idade (47,5%) e em famílias sem filhos (27,2%).

A guarda dos filhos menores segue predominantemente com a mãe, mas a fatia caiu de 78,8% em 2015 para 74,4% em 2016. Já a guarda compartilhada aumentou de 12,9% em 2015 para 16,9% em 2016.

 

Mortalidade até os 14 anos cai

 

A pesquisa do IBGE mostra ainda que caiu a mortalidade até os 14 anos de idade, ao passo que aumentou o número de óbitos nas idades mais avançadas, em especial acima dos 50 anos, um reflexo do envelhecimento populacional.

Em 2016, um homem de 20 anos tinha onze vezes mais chance de não completar os 25 anos do que uma mulher, segundo o IBGE.

No grupo de homens de 15 a 24 anos, estados como São Paulo, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rondônia, Distrito Federal, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Pernambuco e Minas Gerais conseguiram reduzir a quantidade de óbitos por causas externas, estatística que inclui as vítimas da violência. Por outro lado, houve aumento em estados como a Bahia, Sergipe e Piauí.

O volume de óbitos registrados no Brasil nos últimos 10 anos cresceu 24,7%, passando de 1.019.393 registros em 2006 para 1.270.898 em 2016. “Enquanto nas idades iniciais os declínios foram significativos, foram observados aumentos importantes para as idades acima de 50 anos, fruto do envelhecimento populacional”, destaca o IBGE.

 Fonte: G1

Jovens sem perspectivas no Irã

12/11/2017

UMA GERAÇÃO SEM PERSPECTIVAS

Subemprego. Jovem trabalha em barraca de comida num mercado de pulgas de Teerã: comércio informal e lotadas têm sido a saída mesmo para quem tem curso superior - Extra

Com 80 milhões de habitantes, o Irã é lar hoje de mais de 30 milhões de pessoas que nasceram ou aprenderam a ver o mundo sob o comando de aiatolás, em uma das mais polêmicas teocracias do mundo. Desde 1979, véus coloridos e roupas acinturadas roubaram espaço do chador preto que cobre o corpo das mulheres. Os celulares tornaram-se acessórios tão indispensáveis quanto onipresentes, e a polícia de costumes já não interrompe o carinho entre namorados. Mas os filhos da Revolução Islâmica querem mais do que concessões pontuais. Formados mas acuados pelo desemprego, querem oportunidade. Apartados do diálogo político e social, querem voz e liberdade. Incertos sobre a possibilidade de reformas, dividem-se entre a resignação e o desejo de emigrar.

- As gerações mais novas estão cada vez mais abertas, conectadas. Querem mais liberdade. E se preocupam com a economia. Não há emprego. Estão mais interessadas em questões sociais, em oportunidades para todos, e não só para quem tem boas conexões com o Estado – explica Nasim Banaei, de 29 anos, produtora na revista para jovens “Chelcheragh”.

Entrar no mercado de trabalho é um desafio. De acordo com o Centro de Estatísticas do Irã, o desemprego entre 15 e 29 anos alcançou 25,9% em 2016, mais que o dobro dos 12,4% entre o conjunto da população. Estima-se que, hoje, cerca de dois milhões procuram vagas, mas não encontram. Um drama adicional para um país com alto grau de escolarização – o número de universitários cresceu quase 25 vezes desde a revolução – e excelência acadêmica, em áreas como engenharia, ciências e medicina. Não encontram vagas 29% dos homens com nível superior e 34% das mulheres.

Sem diálogo na universidade

É um reflexo direto dos problemas econômicos decorrentes da gestão temerária da economia nos oito anos de governo de Mahmoud Ahmadinejad e das sanções às quais o Irã foi submetido na última década.

- Há pouco capital para investimentos, e a economia desacelerou. Não há empregos em geral, mas a situação para os jovens é particularmente ruim. O que sobra é subemprego – diz Mosley Yeshaneh, editor de Cidades do segundo maior jornal iraniano, “Iran Daily”.

Mansour, de 29 anos, e Ali, de 33, são exemplos. O primeiro, graduado em Informática, faz parte do exército de jovens que dirigem em Teerã como prestadores de serviço para o governo e empresas ou em lotadas informais. O segundo, após cursar Física e Informática, encontrou emprego apenas atrás do balcão de uma farmácia. Este ano, perdeu o posto para um trabalhador disposto a ganhar menos.

- A saída tem sido o comércio informal, nas ruas e nos bazares, vendendo comida. Cada vez mais param para pensar se vale a pena ir à universidade – conta a professora Sanaz, de 38 anos, que, como os dois rapazes, preferiu não dar o sobrenome.

A dificuldade de alcançar independência financeira acentua a insatisfação com as restrições impostas pelo regime iraniano. Os filhos da Revolução Islâmica sentem-se oprimidos e vigiados pelo governo e reclamam de não encontrarem na universidade um ambiente propício ao diálogo.

- Na universidade, há uma linha vermelha. Quando expressamos o que pensamos do governo, da economia, ou queremos discutir os rumos do país, nos é dito que isso não é da nossa conta. As universidades são muito religiosas, ambientes conservadores. Estão mais preocupados se o mantô está apropriado – relata a estudante Leily Marefi, de 18 anos.

A inquietação parece ser um legado dos protestos que se seguiram à reeleição de Ahmadinejad, sob suspeita de fraude, em 2009. A série de manifestações foi duramente reprimida. Hoje jornalista, Minoo Momeny, 45, ficou presa por um mês. Sua pauta, oito anos depois, não mudou:

- Quero mais liberdade de expressão.

Lidar com a frustração coletiva é uma das missões do presidente Hassan Rouhani. Reeleito em maio, o moderado adotou medidas para aliviar críticas. A infraestrutura de banda larga e a velocidade da internet foram ampliadas, e o acesso a sites estrangeiros e às redes sociais, facilitado.

O controle, porém, é estrito. Páginas internacionais comumente são bloqueadas. Telegram, WhatsApp e Instagram estão liberados, e por eles circula um intenso volume de informações, inclusive de jornais e redes de TV estrangeiras. Já Facebook e Twitter estão fora de alcance.

O tráfego de e-mails, segundo os iranianos, é monitorado. Mensagens são interceptadas.

- Na universidade, é comum um recado sutil, de que, em vez de certos tipos de debates, a gente foque no estudo. O resultado é que há uma alienação, as discussões ficam restritas a um grupo pequeno e muito próximo – revela Mohammad, de 24 anos, mestrando em Ciências Humanas na Universidade de Teerã.

Segundo Syed Mortazavi, professor de Ciências Políticas na Universidade Islâmica Azad, uma promessa de Rouhani é afrouxar a atividade política de entidades estudantis e ONGs. Mas a flexibilização é lenta – e incerta.

- Rouhani tem buscado diálogo com as pontas linha dura e reformista do regime. É promissora a ideia de maior inserção política. Mas ainda não temos uma visão clara – avalia Mortazavi.

Costumes e direitos humanos também figuram na pauta de liberdade dos filhos da revolução. Questões como virgindade e sexo antes do casamento já não são tabus. Mas os jovens se sentem afrontados por problemas mais triviais, como rapazes e moças saírem ou ficarem em um ambiente sozinhos, a censura social a morar sozinho ou dividir apartamento e a ausência de espaços de convivência além dos cafés.

- Por que eu não posso ir a um estádio de futebol? É proibido para mulheres! – questiona Hoda Hashemi, 33.

Enforcamento de homossexuais

Violações de direitos e violência também preocupam. A homossexualidade é crime, e a denúncia de quatro cidadãos pode levar à cadeia e execução. Ao GLOBO foi relatado um caso de enforcamento de dois universitários, seis anos atrás.

- Há mais gays do que se supõe no Irã, e as relações são mascaradas pela tradição de afeto público entre homens. Há aplicativos de namoro e locais de encontro. Mas é uma população tomada pelo medo – afirmou um estudante.

A possibilidade de os EUA revogarem o acordo nuclear que levanta as sanções é um fator adicional de desalento.

- O acordo nuclear acendeu uma esperança de melhora. Agora, o sentimento é o de que estamos em suspenso – lamenta Mehdi Ahmadpanah, de 33 anos, editor-chefe da “Chelcheragh”.

É comum encontrar quem não queira esperar o desfecho. Em 2009, o Fundo Monetário Internacional já listava o Irã como o país que mais perde cérebros. Uma pesquisa da Universidade de Teerã com seu corpo discente revelou que um em cada dois estudantes considera deixar o país.

- Não quero investir nos estudos para não ter retorno ou ter minha boca calada. Não vejo futuro para mim no Irã – sentencia Leily Marefi.

Fonte: O Globo

Arábia Saudita faz devassa em seu governo contra a corrupção e atinge o Líbano

06/11/2017

 

A guerra dos tronos toma a Arábia Saudita

Fayez Nureldine/AFP
TrindadeTrindade desfeita. Muhammad bin Salman (dir.), ministro da Defesa, Salman, pai e rei, e Bin Nayef (esq.), ex-herdeiro deposto e preso em julho. A foto é de janeiro

Perto da meia-noite do sábado 4, dezenas de executivos e consultores foram despejados sem aviso de seus quartos no Ritz-Carlton de Riyadh. As vagas eram necessárias para abrigar 11 príncipes e pelo menos 38 ministros, políticos e grandes empresários, detidos por ordem do príncipe herdeiro, Muhammad bin Salman. Com suas portas fechadas e guardadas, o hotel tornou-se, até segunda ordem, uma penitenciária de luxo.

Entre os presos estão o príncipe Mitaib, até a véspera comandante da Guarda Nacional, e seu irmão Turki, ex-governador de Riyadh, ambos filhos do rei Abdullah, morto em 2015, quatro ministros, o príncipe Al-Waleed bin Talal, homem mais rico do mundo árabe, Bakr bin Laden, presidente da maior empreiteira saudita (e meio-irmão de Osama), os presidentes das três tevês estatais e também o da principal rede privada, a MBC. Estima-se que até 800 bilhões de dólares podem ser confiscados desses detidos por alegação de corrupção.

Não houve sequer uma simulação de processo legal e não há como levar a sério o tuíte de apoio do presidente Donald Trump. “Confio muito no Rei Salman e no Príncipe Herdeiro da Arábia Saudita, eles sabem exatamente o que fazem. Alguns dos que eles tratam com dureza têm ‘ordenhado’ seu país por anos!” Ordenhar a vaca leiteira do petróleo tem sido a vida de toda a elite saudita, sem exceções, há gerações. Trata-se de um expurgo e um golpe palaciano, provavelmente combinado com o primeiro-genro, Jared Kushner, em sua viagem sem aviso à Arábia Saudita em 30 de outubro.

Tradicionalmente, o país era governado pelo consenso da família real e o equilíbrio entre seus principais ramos, cada um deles com seus próprios associados e aliados empresariais, militares e religiosos, era arbitrado pelo monarca.

O herdeiro rompeu a tradição para impor uma hegemonia absoluta. Não faltará na mídia ocidental, também amamentada pela vaca saudita, quem louve as reformas supostamente liberais e progressistas do jovem déspota, mas o gesto é parte da ascensão das direitas nacionalistas no século XXI.
Como outros grandes exportadores de petróleo, a Arábia Saudita também sofre com a queda de preços orquestrada em parte por ela mesma para expulsar concorrentes do mercado. Não há recursos para garantir a todos os setores da elite as benesses com as quais se acostumaram no auge da bonança.

Ao mesmo tempo, fracassou a política externa das últimas décadas, que não isolou o Irã nem derrubou Bashar al-Assad ao financiar fundamentalistas sunitas na Síria e no Iraque (inclusive a Al-Qaeda e o Estado Islâmico) e lobbies anti Irã em Washington

É necessário mudar de rumo, fazer escolhas, modernizar o Estado e cortar privilégios, mas o país entra em um dos mais perigosos entre os caminhos possíveis.

Desde 2015, quando Salman se tornou rei e o filho Muhammad ministro da Defesa, o país enredou-se em aterradoras violações de direitos humanos na interminável guerra civil no Iêmen, na repressão violenta à minoria xiita no seu próprio reino, em um impasse sem solução com o Catar que enfraqueceu a liderança saudita no Golfo Pérsico e na tentativa fracassada de independência do Curdistão iraquiano

Essas aventuras, com as quais se queria reafirmar o poder saudita e o prestígio do rei e de seu herdeiro, estão custando caro em termos financeiros e simbólicos. O golpe é uma fuga para a frente, com a qual se pretende pôr irreversivelmente o reino no rumo pretendido antes que os fiascos unam a elite saudita contra a presunçosa dupla.

Ao atacar parte da elite e patrocinar reformas superficiais, como a permissão a mulheres para dirigir, pai e filho ganharam o aplauso de sauditas mais jovens, ansiosos por medidas de modernização. Esperam atrair investimentos internacionais para projetos como a cidade automatizada de Neom, planejada junto à Jordânia e o Sinai a um custo de 500 bilhões de dólares, com leis próprias e mais robôs do que humanos.

Pelo verniz de modernidade, deram cidadania à robô Sophia, construída por uma empresa de Hong Kong, para irritação das mulheres sauditas com a robô livre para não usar véu e se mover em público entre homens.

Entretanto, as próprias dúvidas sobre a estabilidade da monarquia trazidas pelo golpe fazem os investidores pensarem duas vezes antes de apostar nesses projetos mirabolantes. E como se não bastasse, o país em convulsão lança-se em novas peripécias.

Em visita a Riyadh no próprio sábado do expurgo, o primeiro-ministro libanês, Saad Hariri, sunita aliado dos sauditas cujo pai foi assassinado (supostamente pelo Hezbollah) em 2005, anunciou sua renúncia e acusou o Irã e o Hezbollah de quererem assassiná-lo, enquanto um míssil supostamente iraniano e lançado pelos rebeldes houthis do Iêmen era interceptado pelo sistema antimísseis perto do aeroporto da capital, servindo de pretexto para o rei bloquear os portos iemenitas e agravar ainda mais a pavorosa crise humanitária de um país devastado pela fome e pelo cólera.

Possivelmente em coordenação com Benjamin Netanyahu através de Jared Kushner, Salman e filho parecem querer provocar o Hezbollah a um golpe no Líbano que sirva de pretexto a um ataque de Israel capaz de varrer a influência iraniana e síria do país.

Se possível, também açular o Irã a uma atitude suficientemente agressiva para fortalecer Trump ante os europeus em seu esforço para restaurar as sanções a Teerã e, quem sabe, mover outra guerra.

Tudo isso se encaixa no modus operandi do inquieto príncipe saudita e pode comprometer não só o país, como o Oriente Médio e o mundo em uma crise mais grave do que aquelas da Síria e do Iêmen.

 Fonte: Carta Capital

Hezbollah afirma que premiê libanês está ‘detido’ na Arábia Saudita

Em discurso na TV, Hassan Nasrallah disse que Arábia forçou renúncia e não permite que Saad Hariri retorne ao país. Líder do Hezbollah afirmou ainda que árabes estão incentivando Israel a atacar o Líbano.

 

Mulher exibe foto do líder do Hezbolahh, Hassan Nasrallah, durante seu pronunciamento na TV libanesa, em Beirute, na sexta-feira (10) (Foto: AP Photo/Bilal Hussein)Mulher exibe foto do líder do Hezbolahh, Hassan Nasrallah, durante seu pronunciamento na TV libanesa, em Beirute, na sexta-feira (10) (Foto: AP Photo/Bilal Hussein)

Mulher exibe foto do líder do Hezbolahh, Hassan Nasrallah, durante seu pronunciamento na TV libanesa, em Beirute, na sexta-feira (10) (Foto: AP Photo/Bilal Hussein)

O chefe do movimento xiita Hezbollah acusou nesta sexta-feira (10) a Arábia Saudita de ter “detido” o primeiro-ministro libanês, Saad Hariri, que na última semana

chefe do movimento xiita Hezbollah acusou nesta sexta-feira (10) a Arábia Saudita de ter “detido” o primeiro-ministro libanês, Saad Hariri, que na última semana anunciou inesperadamente na capital saudita sua renúncia ao cargo

“O chefe de governo libanês está detido na Arábia Saudita, no momento não é permitido que ele retorne ao Líbano”, indicou Hassan Nasrallah em um discurso exibido na televisão, segundo a AFP.

Em plena tensão entre a Arábia Saudita e o Irã, Nasrallah afirmou que Riad está incentivando Israel a atacar o Líbano.

“O mais perigoso é que se está incentivando Israel a atacar o Líbano”, ressaltou.

“Falo a respeito de informações que confirmam que a Arábia Saudita pediu a Israel para atacar o Líbano (…). Mas atualmente estamos mais fortes”, disse Nasrallah, advertindo para “um mau cálculo [estratégico]“.

A crise atemoriza a população libanesa, que sofreu com uma guerra civil entre 1975 e 1990 e viveu um conflito com Israel em 2006.

O primeiro-ministro libanês Saad al-Hariri durante coletiva de imprensa, em outubro (Foto: Mohamed Azakir/Reuters)O primeiro-ministro libanês Saad al-Hariri durante coletiva de imprensa, em outubro (Foto: Mohamed Azakir/Reuters)

O primeiro-ministro libanês Saad al-Hariri durante coletiva de imprensa, em outubro (Foto: Mohamed Azakir/Reuters)

O premiê libanês é um muçulmano sunita, cujo partido é rival do Hezbollah na cena política libanesa, apesar de ter ministros do movimento xiita em seu governo.

 

Arábia x Irã

 

O caso está sendo percebido como uma nova disputa entre a Arábia Saudita, sunita, e o Irã, xiita, aliado do Hezbollah.

As duas potências do Oriente Médio já se enfrentam em várias questões regionais, especialmente nas guerras no Iêmen e na Síria.

O presidente libanês, Michel Aoun, ainda não aceitou a renúncia de Hariri e espera se encontrar com o premiê para analisar a questão.

Aoun manifestou sua “preocupação” com o destino de Hariri, e informou ao encarregado de negócios saudita em Beirute que a forma como ocorreu sua renúncia é “inaceitável”.

O presidente libanês tem multiplicado seus contatos diplomáticos para solucionar a crise.

Segundo Nasrallah, o premier libanês está em “prisão domiciliar” na Arábia Saudita e foi “obrigado” a apresentar sua renúncia por Riad, “lendo um texto escrito por eles”.

Hariri comunicou sua renúncia em um discurso divulgado pelo canal de notícias Al Arabiya, no qual denunciou o “controle” exercido pelo Irã e seu aliado Hezbollah no Líbano.

Segundo seus detratores, o Hezbollah – único movimento a não depor as armas ao final da guerra civil libanesa – tem forte influência nas questões do Estado libanês e seu arsenal é um dos principais focos de discórdia no Líbano.

 

Preocupação dos EUA e da ONU

 

O secretário de Estado americano, Rex Tillerson, pediu nesta sexta-feira que não se use o Líbano para um conflito de interesses, após a crise provocada pela renúncia de Hariri.

Tillerson afirmou não ter “qualquer indício” de que Hariri esteja sendo mantido na Arábia Saudita contra sua vontade, mas manifestou sua preocupação com os efeitos que sua renúncia possa ter na estabilidade do governo libanês, composto de cristãos e muçulmanos sunitas e xiitas.

Em uma mensagem que parece dirigida principalmente ao Irã e ao Hezbollah, o chefe da diplomacia americana advertiu que “não há um lugar legítimo no Líbano para qualquer força, milícia, ou elementos armados estrangeiros, que não sejam os das forças de segurança legítimas do Estado libanês, que devem ser reconhecidas como a única autoridade na segurança do Líbano”.

O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, alertou hoje que um novo conflito no Líbano teria “consequências devastadoras” e disse estar envolvido em “intensos” contatos com todas as partes para buscar uma distensão da situação.

 

Semanas decisivas

 

Se a crise política do Líbano se tornar violenta, o conflito resultante pode atrair os Estados Unidos e Israel para uma disputa mais profunda em todo o Oriente Médio. Autoridades israelenses, sauditas e americanas consideram o Irã como o principal “patrocinador estatal do terrorismo”.

A Arábia Saudita classifica o Irã como a principal fonte de conflito no Oriente Médio, especialmente porque o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem se posicionado cada vez mais contra Teerã.

Para Israel, o Hezbollah representa uma ameaça à segurança em sua fronteira. Os Estados Unidos o classificam como um “grupo terrorista”. SYezid Sayigh, especialista do think tank Carnegie Middle East Center, ouvido pela Deutsche Welle, acredita que as próximas semanas e meses serão decisivos, especialmente se os EUA recomendarem novas sanções contra o Irã.

 

História problemática

 

Politicamente, o Líbano está dividido em linhas sectárias, com poder distribuído entre os principais grupos religiosos do país.

Sob um acordo de 1943, após a independência do Líbano da França, a presidência deveria ser ocupada por um cristão maronita, o primeiro-ministro deveria ser muçulmano sunita, e o presidente do Parlamento, um muçulmano xiita. Desde um acordo para acabar com o conflito civil de 15 anos, em 1990, o sistema confessional continuou sendo empregado com relativo sucesso.

O pai do ex-primeiro-ministro, Rafik Hariri, foi assassinado em 2005. Após uma longa investigação, um tribunal apoiado pela ONU emitiu mandados de prisão para quatro membros do Hezbollah, acusando os extremistas pelo assassinato. O grupo nega qualquer envolvimento.

Fonte: G1

Campanha anticorrupção assinala “nascimento de uma nova Arábia Saudita”


Imagem do edifício-sede da empresa de Alwaleed bin Talal, um dos príncipes agora detidos em Riade

 

Onda de detenções vem reforçar o poder do herdeiro do trono saudita, que avisara que ninguém, “seja príncipe seja ministro”, está acima das leis. Analista considera que o reino está a viver uma “transição muito importante”.

O príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, viu reforçados os vastos poderes que já detém no reino na sequência da detenção na noite de sábado para domingo de onze príncipes da família real, entre os quais o poderoso ministro da Guarda Nacional, Miteb bin Abdullah, e o empresário e multimilionário Alwaleed bin Talal, quatro ministros em funções e vários ex-ministros, todos acusados de corrupção. Uma ação sem precedentes na história desta monarquia da região do Golfo.

Numa recente entrevista, Mohammed bin Salman, conhecido pelas iniciais MbS, notara que “ninguém está acima da lei, seja um príncipe seja um ministro”. Para um especialista em política da região, Fawaz Gerges, “está a assistir-se ao nascimento de uma nova Arábia Saudita”. Falando à CNN, Gerges explicou que “tudo o que tem sucedido neste último ano” no reino evidencia que o príncipe herdeiro “está a pôr em prática as suas ideias, a neutralizar a oposição mas também quer impedir, como disse há dias, a desagregação da economia e a saída de recursos para outros países”. Para Gerges, “a Arábia Saudita está a viver uma importante, muito importante transição”.

As prisões sucederam um pouco por toda a Arábia Saudita, com os detidos a serem levados para o hotel Ritz Carlton na capital, Riade. A Reuters escrevia ontem que um dos seus jornalistas foi impedido de se aproximar do local, onde era visível um forte dispositivo de segurança assim como ambulâncias.

A justificação para as detenções foi a “proteção dos dinheiros públicos e o combate à corrupção”, disse o ministro da Cultura e Informação, Awad bin Saleh, à agência oficial saudita. Mas, para os analistas, a razão central para as detenções assenta no reforço dos poderes de MbS, em especial sobre as forças de segurança, e na neutralização de críticos às suas políticas. Entre os afastados de funções estão pessoas que se opõem à política externa seguida por Riade, nomeadamente na questão do boicote ao Qatar, ou a decisões no plano interno, como o fim de uma série de subsídios a pessoas e a empresas ou a privatização de empresas públicas, como se espera que venha a suceder, ainda que de forma parcial, com a petrolífera Aramco.

Noutras áreas, o anúncio em setembro do fim da proibição de as mulheres conduzirem e alguns aspetos da Visão 2030, programa de reforma e modernização da sociedade saudita que teve na sua génese MbS, estariam também a ser contestados por setores mais conservadores. Entre os aspetos da Visão 2030 que suscitam anticorpos nos meios conservadores está o incentivo à entrada de turistas, a promoção de espetáculos públicos “diversificados” e uma liberalização controlada da vida social.

Ao afastar importantes figuras na complexa hierarquia e teia de relações na esfera da família real, MbS, de 32 anos, consolida a posição como príncipe herdeiro e, atendendo à idade avançada do pai, 81 anos, está a reunir condições para dirigir o reino por várias décadas. Muitos observadores da política saudita consideravam que, ainda antes da presente onda de prisões, MbS era já o homem mais poderoso no reino e seu governante de facto.

As detenções foram conhecidas pouco depois do anúncio da criação pelo rei Salman, também ontem, de uma comissão de luta contra a corrupção, presidida precisamente pelo filho, MbS. A principal surpresa foi a detenção de Alwaleed bin Talal, de 62 anos, neto do fundador da dinastia Saud, sobrinho do rei Salman e um dos 50 homens mais ricos do mundo, segundo a lista da Forbes para 2017, com uma fortuna estimada em 18 mil milhões de dólares. Bin Talal é conhecido pelas suas extravagâncias, que passam, entre outros aspetos, por ter oferecido automóveis de luxo Bentley a pilotos de combate sauditas que participaram na guerra no Iémen, mas principalmente como investidor, sendo o maior acionista individual do Citigroup e com presença noutras áreas como o imobiliário.

Quanto a Miteb bin Abdullah, este é filho do anterior rei, Abdullah, e o último elemento desta linhagem da família real a ocupar uma posição de poder real com o comando da Guarda Nacional. Corpo que pode ser considerado a guarda pretoriana do regime saudita, detendo o estatuto de ramo das Forças Armadas e estando sempre sob comando de um elemento preponderante da família real, que responde diretamente perante o monarca.

A Guarda Nacional tem ainda a particularidade de ser formada apenas por elementos das tribos leais à família Saud. Com mais de 220 mil efetivos, tem como missões centrais a proteção da família real e a segurança das cidades santas de Meca e Medina, entre outras tarefas.

As detenções agora efetuadas sucedem dois meses depois de o rei Salman ter afastado o sobrinho Mohammed bin Nayef da linha de sucessão, substituindo-o por MbS. Entre os presos estão ainda o comandante da Marinha de Guerra, o antigo diretor da transportadora aérea nacional, o irmão mais velho de Osama bin Laden, Bakr bin Laden, que dirige a principal empresa de construção civil no reino, vários outros empresários, o ministro da Economia, Adel Fakeih, e o proprietário das televisões MBC e Al-Arabiya.

Estas detenções seguem-se a outras em setembro, em que foram presas 30 pessoas, quer clérigos conservadores quer opositores aos Saud.

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Fonte: Diário de Notícias

Massacre no Texas

06/11/2017

Atirador entra em igreja batista nos EUA e mata 26 pessoas com rifle

Suspeito é homem branco vestido de preto. Cidade Sutherland Springs, no Texas, tem pouco mais de 362 habitantes.

Atirador abre fogo em igreja no Texas e deixa mortos e feridos

Atirador abre fogo em igreja no Texas e deixa mortos e feridos

Um atirador abriu fogo e

m atirador abriu fogo em uma igreja batista na pequena cidade de Sutherland Springs, no Texas, Estados Unidos, e deixou 26 mortos e 20 feridos neste domingo (5). O suspeito foi encontrado morto após uma pequena perseguição, mas as autoridades ainda não sabem se ele cometeu suicídio ou foi morto por um morador. O FBI ajuda nas investigações.

“Vinte e seis vidas foram perdidas”, disse o governador do estado, Greg Abbott. “Não sabemos se o número vai subir ou não, tudo o que sabemos é que são muitos e essa será uma longa manhã de luto para queles que sofrem”. Abbott classificou o ato como o pior tiroteio em massa da história moderna do Texas.

Freeman Martin, porta-voz do Departamento de Segurança Pública do Texas, disse que 23 vítimas morreram dentro da igreja, outras duas do lado de fora e uma durante o transporte para o hospital. Algumas pessoas que estavam dentro da igreja conseguiram escapar.

Segundo Freeman Martin:

 

  • O homem foi visto todo vestido de preto e usando um colete à prova de balas por volta das 11h20 (horário local) em um posto de gasolina.
  • Ele atravessou a rua, saiu do veículo e começou a atirar na igreja.
  • Em seguida ele foi para o lado da igreja atirando, entrou no local e continuou a atirar.
  • Quando ele deixava a igreja, uma pessoa não identificada conseguiu desarmar o atirador e ele fugiu.
  • Outra pessoa da área o perseguiu.
  • O suspeito bateu com seu veículo.
  • Ele foi encontrado morto depois de fugir do local. A polícia ainda não sabe dizer se ele levou um tiro ou atirou em si mesmo durante a perseguição.
  • No carro, foram encontradas outras armas.
  • Ao todo, são 20 feridos, mas não se sabe ainda quantas pessoas acompanhavam o culto.
  • As idades das vítimas variam de 5 a 72 anos de idade.

 

Igreja cercada por policiais após tiroteio no Texas (Foto: Nick Wagner/Austin American-Statesman vía AP)Igreja cercada por policiais após tiroteio no Texas (Foto: Nick Wagner/Austin American-Statesman vía AP)

Igreja cercada por policiais após tiroteio no Texas (Foto: Nick Wagner/Austin American-Statesman vía AP)

 

O suspeito

 

Ainda segundo Martin, o suspeito é um homem branco “talvez com seus 20 poucos anos”. Ele também disse que a pessoa que conseguiu desarmar o atirador não se feriu. As autoridades agora trabalham para identificar as vítimas e notificar as famílias.

Segundo a agência de notícias AP, duas fontes policiais que não quiseram se identificar por conta das investigações em andamento, identificaram o atirador como Devin P. Kelley, de 26 anos. Um dos policiais disse que Kelly vivia nas proximidades de San Antonio e não parece estar associado a grupos terroristas.

Ele disse ainda que foram analisados posts que Kelley pode ter feito em redes sociais antes do ataque de domingo, incluindo um em que uma arma AR-15 é mostrada.

 

Feridos

 

De acordo com comunicado divulgado pelo hospital Connally Memorial Medical Center, oito pessoas foram atendidas no local com ferimentos de bala. Quatro delas foram transferidas para o hospital da Univerdade de San Antonio para tratamento sendo uma em estado crítico. Três pacientes foram tratados e liberados e um permance internado no hospital.

Familiares aguardam informações sobre vítimas de tiroteio no Texas (Foto: Nick Wagner/Austin American-Statesman via AP)Familiares aguardam informações sobre vítimas de tiroteio no Texas (Foto: Nick Wagner/Austin American-Statesman via AP)

Familiares aguardam informações sobre vítimas de tiroteio no Texas (Foto: Nick Wagner/Austin American-Statesman via AP)

Além do Connally Memorial, pelo menos outros dois hospitais da região receberam feridos, mas ainda não há informações sobre o estado de saúde dos pacientes.

Sutherland Springs é uma pequena comunidade do Texas e tem cerca de 362 habitantes.

De acordo com uma testemunha ouvida pela KSAT, afiliada da rede ABC no local, um homem entrou na Igreja Batista e abriu fogo por volta das 11h30 do horário local (15h30, pelo horário de Brasília). Ainda de acordo com a TV, policiais e dos bombeiros chegaram ao local do tiroteio e helicópteros foram ao local para transportar vítimas a hospitais.

Sherry Pomeroy, mulher do pastor Frank Pomeroy da igreja, contou a CNN que a filha deles, de 14 anos, morreu no local durante o tiroteio. Nem Sherry nem o pastor estavam na igreja neste domingo, 5.

Mapa mostra local onde ficava igreja em que atirador deixou mortos e feridos no Texas (Foto: Igor Estrella/G1)Mapa mostra local onde ficava igreja em que atirador deixou mortos e feridos no Texas (Foto: Igor Estrella/G1)

Mapa mostra local onde ficava igreja em que atirador deixou mortos e feridos no Texas (Foto: Igor Estrella/G1)

Polícia atendem vítimas de tiroteio em igreja de Sutherland Springs, no Texas (Foto: MAX MASSEY/ KSAT 12/via REUTERS)Polícia atendem vítimas de tiroteio em igreja de Sutherland Springs, no Texas (Foto: MAX MASSEY/ KSAT 12/via REUTERS)

Polícia atendem vítimas de tiroteio em igreja de Sutherland Springs, no Texas (Foto: MAX MASSEY/ KSAT 12/via REUTERS)

Trump lamenta

O presidente dos EUA Donald Trump, que está em uma viagem pela Ásia, usou o Twitter para comentar o tiroteio: “Que Deus esteja com as pessoas de Sutherland Springs. Estou monitorando a situação aqui do Japão”. governador do Texas, Greg Abbott, também falou no Twitter sobre o tiroteio: “Nossas orações estão com aqueles machucados por este ato maligno. Nossos agradecimentos aos agentes da lei por sua resposta. Mais detalhes em breve”. Momentos depois ele anunciou que estava se dirigindo ao local para apoiar familiares das vítimas e acompanhar as investigações.

Atirador abre fogo dentro de igreja no Texas e deixa mortos e feridos

Atirador abre fogo dentro de igreja no Texas e deixa mortos e feridos

FBI chega ao local do tiroteio em Sutherland Springs no Texas (Foto: MAX MASSEY/ KSAT 12/via REUTERS)FBI chega ao local do tiroteio em Sutherland Springs no Texas (Foto: MAX MASSEY/ KSAT 12/via REUTERS)

FBI chega ao local do tiroteio em Sutherland Springs no Texas (Foto: MAX MASSEY/ KSAT 12/via REUTERS)

Helicóptero leva vitimas de atirador em igreja de Sutherland Springs, no Texas (Foto: MAX MASSEY/ KSAT 12/via REUTERS)Helicóptero leva vitimas de atirador em igreja de Sutherland Springs, no Texas (Foto: MAX MASSEY/ KSAT 12/via REUTERS)

Helicóptero leva vitimas de atirador em igreja de Sutherland Springs, no Texas (Foto: MAX MASSEY/ KSAT 12/via REUTERS)

Ambulâncias atendem vítimas de atirador em igreja de Sutherlando Springs, no Texas (Foto: MAX MASSEY/ KSAT 12/via REUTERS)Ambulâncias atendem vítimas de atirador em igreja de Sutherlando Springs, no Texas (Foto: MAX MASSEY/ KSAT 12/via REUTERS)

Ambulâncias atendem vítimas de atirador em igreja de Sutherlando Springs, no Texas (Foto: MAX MASSEY/ KSAT 12/via REUTERS)

Carros de polícia são vistos em Sutherland Springs, onde atirador deixou vítimas  em igreja (Foto: Liz Summers/via REUTERS)Carros de polícia são vistos em Sutherland Springs, onde atirador deixou vítimas  em igreja (Foto: Liz Summers/via REUTERS)

Carros de polícia são vistos em Sutherland Springs, onde atirador deixou vítimas em igreja (Foto: Liz Summers/via REUTERS)

Fonte: G1

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