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Tráfico continua domínio da Rocinha

09/10/2017

Moradores da Rocinha, em São Conrado, na Zona Sul do Rio, relatam nas redes sociais que está ocorrendo um intenso tiroteio em dois pontos da comunidade, na manhã deste domingo. Tiros estão sendo ouvidos na parte alta e também nas proximidades da Via Ápia, um dos acessos à favela, pela Autoestrada Lagoa-Barra. Um morador deu entrada no Hospital municipal Miguel Couto, na Gávea, também na Zona Sul. Egberto Fernandes Queiroz, de 23 anos, foi atingido no ombro quando estava dentro de casa

Segundo a Secretaria municipal de Saúde, Egberto foi atingido no ombro. Ele passou por procedimentos e foi liberado no final da tarde. A Polícia Militar ainda não comentou o episódio no qual o morador foi baleado.

De acordo com a Polícia Militar, por volta das 11h20, houve confronto entre traficantes e policiais do Batalhão de Choque ( BPChq) na Rua 1. Segundo o coronel Jorge Pimenta, comandante do batalhão, nessa área não houve registro de feridos. No local foram apreendidas uma pistola 9mm, além de munição de pistola e fuzil.

 

Pistola e munição apreendidas na Rua 1
Pistola e munição apreendidas na Rua 1 Foto: Divulgação/ Polícia Militar

 

De acordo com o comandante, policiais estavam fazendo um patrulhamento na localidade Terreirão quando foram recebidos a tiros. Houve troca de tiros durante um breve período.

Na parte alta da Rocinha, na localidade conhecida como Dioneia, um morador retornou para casa, pela manhã, e encontrou a casa com inúmeras perfurações na sala. Por sorte, não tinha ninguém em casa na hora do tiroteio. As marcas na parede são de armamento de grosso calibre, que atingiram também a televisão. Em um vídeo postado pelo perfil Onde Tem Tiroteio-RJ, o irmão do morador grava as imagens, chocado com a destruição.

 

Já na parte baixa da comunidade, o tiroteio também foi intenso de manhã. Um vídeo publicado no perfil Onde Tem Tiroteio-RJ mostra disparos nas proximidades da Via Ápia.

 

“A Rocinha não aguenta mais essa guerra. Meu filho de 2 aninhos está em pânico em isso”.

“Muitos tiros agora na Rocinha”.

“Se refugiar numa sala com um monte de crianças por causa de tiros e ouvir seus choros Até quando, Rocinha?”.

“Novo confronto agora aqui na Rocinha, que Deus proteja os moradores que ficam próximos a essa triste realidade”.

“Intenso tiroteio na Rocinha agora. Só Jesus na causa. Temo pela integridade dos irmãos que trabalham na UPA”.

A guerra na Rocinha

No dia 17 de setembro, moradores da comunidade enfrentaram a guerra do tráfico. Cerca de 60 bandidos ligados ao traficante Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem — que está preso num presídio federal em Porto Velho — invadiram a comunidade para expulsar Rogério Avelino da Silva, o Rogério 157, seu antigo aliado.

As Forças Armadas foram acionadas para a comunidade no dia 22 de setembro e ficaram por lá até o dia 29. Desde então, a PM vem reforçando a atuação na Rocinha.

Uma semana após a saída das Forças Armadas da Favela da Rocinha, moradores da comunidade ouvidos pelo EXTRA contaram que o clima de tensão vem aumentando com o temor de uma nova invasão por parte de bandidos rivais. Na última sexta-feira, o dia começou com tiroteios e uma adolescente de 16 anos atingida por bala perdida quando estava dentro de casa, na Rua 3.

Fonte:Extra

Perto da Rocinha, 27 freiras enclausuradas atendem os pedidos de preces pela paz

Irmã conviveu com tiroteio na Zona Norte

Intensas rajadas de tiros de fuzis e rasantes de helicópteros da polícia têm interrompido com frequência as orações das 27 irmãs clarissas que vivem sob clausura (sem contato com o mundo externo) no Mosteiro de Nossa Senhora dos Anjos, na Gávea. A instituição, um oásis de paz prestes a completar 90 anos de fundação, a cerca de três quilômetros da Favela da Rocinha, onde os confrontos pela disputa do tráfico se acirraram, virou o maior símbolo de esperança para os sobressaltados vizinhos. Uma média de 100 pedidos de orações chegam ao mosteiro por dia.

“Nossa capela passou a receber mais fiéis e solicitações de preces para que a situação se acalme. Na maioria das vezes, os pedidos de socorro chegam por cartas e bilhetes”, destacou a abadessa, madre Maria Pacífica de Jesus Crucificado, cujo nome de batismo é Gláucia Garcia de Almeida, de 83 anos, 63 deles enclausurados. Ao lado dela, um cesto repleto de súplicas em pequenos pedaços de papéis. “As orações ajudam muito, mas os governantes têm que fazer a parte deles também, com mais ações em segurança”, alfinetou, em tom de puxão de orelhas nas autoridades.


No parlatório, atrás de grades, as irmãs clarissas se orgulham da rotina de fé e oração, apesar dos sustos com os intensos tiroteiosMárcio Mercante / Agência O Dia

Violência alterou rotina

Madre Pacífica conta que são constantes os ‘sinais sonoros’ que indicam o domínio da violência do outro lado dos muros do convento, de seis andares, fincados junto à mata fechada. A floresta corta os fundos da imponente construção. “Esses dias, suspeitos fugiram pela vegetação, passando por dentro do mosteiro, em direção ao Horto e Jardim Botânico”, lamentou, preocupada, pois o local é usado pelas irmãs para retiros espirituais e meditações, nos chamados ‘Dias de Deserto’.

O terror na Rocinha obriga as freiras algumas enclausuradas há quase seis décadas a encurtarem horários de preces e mudarem a ordem de tarefas. Os fiéis encontram horários de missas e visitas ao parlatório pelo site Irmãs Clarissas

Irmã Maria Bernadete da Imaculada Conceição, batizada Maria da Glória Barros, 71, completou meio século de clausura domingo. “Há 50 anos ouço as aflições da comunidade, mas nunca me acostumo. É assustador”, testemunhou.

As três únicas irmãs que saem periodicamente para comprar remédios e alimentos Maria Lúcia, Nair e Maria Regina são as que tentam atualizar as notícias. “Elas relatam o desespero das pessoas nas ruas. Dessa forma, temos uma dimensão melhor do que está ocorrendo, já que, pelas regras, não temos acesso à TV, rádio ou jornais”, explicou irmã Maria Clara da Trindade, 59.

Vizinha do convento, a contadora Jane Alves, 49, passou a ir diariamente à capela do mosteiro. “Peço livramento de balas perdidas para todas as pessoas”, declarou. Por enquanto, porém, seus apelos não foram atendidos. Na sexta-feira, uma adolescente de 16 anos foi atingida por um tiro nas costas na Rocinha, dentro da própria casa.

Por outro lado, a voz uníssona das freiras e seus cânticos gregorianos, carregada de religiosidade e fé, transpõe os altos muros do convento. E ameniza, vez e outra, o ritmo aterrorizante dos tiroteios na região.


Um olho na missa e outro na RocinhaMárcio Mercante / Agência O Dia

Irmã conviveu com tiroteio na Zona Norte

Tiroteios na Rocinha fazem irmã Beatriz de Jesus Salvador, 41 anos, ter frio na espinha. Há 11 na clausura, e uma das cinco fluminenses do grupo, ela lembra de quando morava em Olaria, na Zona Norte, e ia ao Morro do Alemão e Vila Cruzeiro, sob fogo cruzado.

“Mesmo em missão de paz, tinha que pular sobre fuzis para passar. Infelizmente, a violência ainda impera, também na Zona Sul. Mas Deus é maior”, acredita. A rotina monástica começa às 4h30. “Até 21h, rezamos e cantamos em nome dos que lá fora não podem, ou não querem; limpamos o mosteiro; e produzimos artesanatos, vendidos para nosso sustento”, disse Maria José de Jesus Crucificado, 39, do Paraguai, interna há 11 anos. Como as colegas, ela enfrentou resistência familiar ao anunciar, “não o isolamento, mas a abertura para o infi nito”. Assim interpreta a clausura. As freiras, que cuidam ainda até de um cemitério interno, com 12 jazigos, recebem parentes esporadicamente.

Atrás de grades. A mais idosa hoje é irmã Maria Leonarda, de 96 anos, há 63 lá. Maria Mirtes, 33, é a “caçula”. As clarissas foram as primeiras religiosas portuguesas a chegar ao País, em 1677. Do convento carioca, de 1928, já nasceram 15 filiais. “Ainda há oito vagas para irmãs”, anuncia madre Pacífica.

Fonte: O Dia

Terrorismo nos Estados Unidos: agora, em Las Vegas

03/10/2017

O que se sabe até agora e o que falta saber sobre o ataque em Las Vegas

Dezenas de pessoas morreram e centenas ficaram feridas quando um homem – a partir do 32º andar de um hotel – abriu fogo contra multidão que participava de festival de música country em Las Vegas. Veja o que falta esclarecer do caso.

Motivação para assassinato em massa nos EUA ainda é mistério

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Pelo menos 59 pessoas morreram e mais de 500 ficaram feridas  no ataque do atirador Stephen Paddock na noite deste domingo (1º, madrugada de segunda no Brasil) contra uma multidão que estava em um festival de música country em Las Vegas.

Durante o dia, vários detalhes foram divulgados sobre o massacre, como, por exemplo, a identidade do atirador, mas outros pontos ainda estão por esclarecer.

Abaixo, veja o que se sabe e o que ainda não se sabe sobre o caso:

 

Qual foi a motivação do atirador para o ataque?

 

Isso permanece sem ser esclarecido. O homem de 64 anos era um contador aposentado sem histórico criminal no estado de Nevada, onde vivia atualmente. “Era um cara rico que jogava vídeo-pôquer em cruzeiros”, descreveu seu irmão Eric, acrescentando que Stephen jogava pôquer apostando US$ 100 por mão e podia comprar o que quisesse. De acordo com o familiar, ele teria ganhado dinheiro investindo em imóveis.

Eric afirmou que o atirador não tinha qualquer vínculo político ou religioso. “Nada. Nenhuma afiliação religiosa, política. Ele só saía para passear”, disse. “Era apenas um cara normal. Algo se rompeu nele, algo aconteceu”, sugeriu.

O pai de Paddock se chamava Patrick Benjamin Paddock, e era um ladrão de bancos que figurou na lista dos criminosos mais procurados pelo FBI de junho de 1969 até maio de 1977, de acordo com a CNN. Segundo Eric, seu pai morreu há alguns anos.

Stephen Paddock, o atirador do ataque em Las Vegas, em foto não datada do arquivo de seu irmão, Eric (Foto: Arquivo pessoal/Eric Paddock via AP)Stephen Paddock, o atirador do ataque em Las Vegas, em foto não datada do arquivo de seu irmão, Eric (Foto: Arquivo pessoal/Eric Paddock via AP)

Stephen Paddock, o atirador do ataque em Las Vegas, em foto não datada do arquivo de seu irmão, Eric (Foto: Arquivo pessoal/Eric Paddock via AP)

 

Como é possível um só homem matar e ferir tanta gente?

 

O ataque ocorreu no Route 91 Harvest Festival, um festival de música country na Strip — famosa rua repleta de hotéis e cassinos em Las Vegas. O atirador mirou a multidão de cerca de 22 mil pessoas a partir do 32º andar do Mandalay Bay, um famoso cassino e resort da cidade. Pelos vídeos divulgados, ele usou armas automáticas ou armas semiautomáticas adaptadas. No quarto de hotel, onde Paddock foi encontrado morto, havia 19 armas, segundo a polícia. Os tiros levaram pessoas em pânico a fugir do local correndo, em alguns casos pisoteando umas às outras enquanto policiais corriam para localizar e matar o atirador.

Quais armas foram usadas no ataque?

 

O xerife Joseph Lombardo, do condado de Clark, onde fica Las Vegas, disse que 19 armas foram apreendidas no quarto onde estava o atirador, de diversos calibres. No entanto, não está claro exatamente que tipo de armas eram. Especialistas brasileiros ouvidos pelo G1  disseram que os sons e a cadência das rajadas dos disparos indicam uso de armas automáticas ou armas semiautomáticas que sofreram adaptações para aumentar seu potencial destrutivo.

Uma autoridade fonte do “New York Times” disse que ele teria fuzis “no estilo do AR-15″ e que haveria tripés no seu quarto para segurar as armas, uma maneira de superar o problema da grande distância do hotel até os alvos. Essas informações divulgadas pelo “Times”, no entanto, não foram confirmadas oficialmente.

 

O atirador teve alguma ajuda?

 

Até o momento, não há evidências disso. De acordo com o xerife Joseph Lombardo, não há nenhum indicativo de que o homem fosse ligado a algum grupo militante, e ele não era conhecido dos serviços de segurança. Autoridades afirmam que ele se suicidou após atirar contra a multidão.

A polícia chegou a dizer que uma mulher chamada Marilou Danley, de origem asiática, tinha viajado com o suspeito. Pouco depois, investigadores informaram que ela “não é mais procurada”.

“Investigadores fizeram contato com ela e não acreditam que ela esteja envolvida com o tiroteio”, disse a polícia em nota. Ela está em Tóquio no momento.

 

Há alguma participação de grupos terorristas no incidente?

 

O grupo extremista Estado Islâmico assumiu a autoria do ataque, por meio de sua agência de notícias Amaq. De acordo com a Amaq News, o atirador de Las Vegas teria se convertido ao islamismo meses atrás. No entanto, o FBI disse não ter encontrado evidência de ligação com terrorismo internacional. Em coletiva de imprensa, o xerife da polícia de Las Vegas, Joseph Lombardo, disse acreditar que não se tratava de um ataque terrorista.

Pessoas correm para deixar o local do festival de música country onde um atirador disparou sobre uma multidão em Las Vegas, nos EUA (Foto: David Becker/Getty Images/AFP)Pessoas correm para deixar o local do festival de música country onde um atirador disparou sobre uma multidão em Las Vegas, nos EUA (Foto: David Becker/Getty Images/AFP)

Pessoas correm para deixar o local do festival de música country onde um atirador disparou sobre uma multidão em Las Vegas, nos EUA (Foto: David Becker/Getty Images/AFP)

 

É o pior ataque a tiros da história dos EUA?

 

Sim, o ataque deste domingo em Las Vegas já pode ser considerado o pior ataque a tiros da história moderna dos Estados Unidos. Segundo a polícia, pelo menos 59 pessoas morreram e mais de 500 ficaram feridas.

Até agora, o pior ataque com armas registrado em solo norte-americano havia sido o caso da Boate Pulse, em Orlando, em 12/6/16 . Quarenta e nove pessoas foram mortas e 53 ficaram feridas.

Homem atira em multidão em Las Vegas, EUA (Foto: Arte/G1)Homem atira em multidão em Las Vegas, EUA (Foto: Arte/G1)

Homem atira em multidão em Las Vegas, EUA (Foto: Arte/G1)

Fonte: G1

Catalunha luta para emancipar-se da Espanha

29/09/2017

 

Catalunha declara independência da Espanha

As cifras têm papel importante no processo de indepedência da Catalunha

O que Catalunha e Espanha perdem em separação
Manifestações pela independência da Catalunha: Manifestantes agitam bandeiras em uma manifestação em apoio à independência da Catalunha em Barcelona, na Espanha – 10/10/2017© Reuters Manifestantes agitam bandeiras em uma manifestação em apoio à independência da Catalunha em Barcelona, na Espanha – 10/10/2017 

 

O presidente catalão, Carles Puigdemont , declarou independência unilateral da Espanha nesta terça-feira. Em discurso ao parlamento que começou com uma hora de atraso em função de uma reunião de última hora entre o líder da Catalunha e seus aliados políticos, Puigdemont disse que “”a consulta disse sim à independência e desta maneira, que estou pronto para este trânsito”.

O presidente catalão pediu, no entanto, que “o efeito da declaração de independência seja suspenso durante algumas semanas para que se abra um diálogo”. Ele disse que o governo realizará uma sessão ordinária para declarar formalmente a independência e iniciar um processo constituinte.

O presidente catalão afirmou, pouco antes, que o que comunicaria não “é uma vontade pessoal ou uma mania de ninguém, é o resultado de 1º de outubro”.

“Nós nunca concordaremos com tudo, mas entendemos que o caminho a seguir não pode ser outro que o da democracia e da paz”, disse.

A declaração acontece pouco mais de uma semana após o referendo sobre a separação, considerado ilegal pela Espanha, e agrava a pior crise política do País em décadas. Puigdemont criticou a atuação do governo espanhol durante a consulta popular, que respondeu com violência e deixou centenas de feridos. “Esta é a primeira vez que um dia de eleição é desenvolvido entre os ataques da polícia aos que fazem fila para colocar seu voto em uma urna”.

Ultimato

Mais cedo nesta terça-feira, Madri deu ultimato a Carles, a quem pediu “que não faça nada irreversível” e que “volte à legalidade”. Na segunda-feira, o primeiro-ministro espanhol, Maniano Rajov, reforçou o posicionamento contrário ao movimento e afirmou que “a Espanha não será dividida”.  Em reunião do comitê de direção do PP (centro-direita, partido governante), Rajoy disse que o Executivo “fará tudo o que puder” para que a separação da Catalunha não aconteça.

“Tomaremos as medidas necessárias para impedir a independência. A separação da Catalunha não vai ocorrer. O Governo fará tudo o que puder para que assim seja”, disse.

União Europeia

O anúncio de uma Catalunha independente suscita, além das questões mais imediatas sobre a reação da Espanha, dúvidas sobre uma possível legitimação internacional – a França se adiantou e na véspera do pronunciamento disse que não reconheceria a independência catalã – e até mesmo sobre a permanência na União Europeia

Para Bruxelas a resposta seria a saída da região da Catalunha do bloco. A UE aderiu à posição do governo espanhol de considerar a consulta anticonstitucional e uma declaração de independência, ilegal.

A chave para o destino dos catalães na União Europeia será decisão da Justiça espanhola. Como aponta o ex-consultor jurídico do Conselho da UE Jean-Claude Piris, os países do bloco “não reconhecerão a Catalunha como um Estado, se nascer violando o Direito e, especialmente, a Constituição espanhola”.

E esse reconhecimento é essencial para poder fazer parte do clube dos 28. Os países-membros também poderão se mostrar reticentes quanto a acolher a Catalunha como Estado com base em um referendo que não reuniu as garantias necessárias – como comissão eleitoral e voto secreto – por pressão de Madri.

Poucas horas antes do pronunciamento de Puidgemont, o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, pediu ao líder catalão que não declarasse a independência e que buscasse o diálogo com o governo central da Espanha. “Eu peço que você respeite, em suas intenções, a ordem constitucional e não anuncie uma decisão que tornaria impossível o diálogo com Madri”, disse Tusk, referindo-se diretamente a Puigdemont.

O que a Catalunha e a Espanha perdem em caso de separação

1Mapa da Espanha cortando a Catalunha: As cifras têm papel importante no processo de indepedência da Catalunha© Getty Images As cifras têm papel importante no processo de indepedência da Catalunha

A economia tem um papel-chave no processo separatista da Catalunha. Tanto soberanistas quanto os contrários à independência usam cifras como argumentos pró e contra a secessão.

A Catalunha diz que aporta ao tesouro espanhol mais do que recebe. Os dois grupos se acusam mutuamente de manipular dados e criar cenários que não existem.

Qualquer que seja o resultado, é inevitável que ambas as partes percam algo, segundo o presidente do IEE (Instituto de Estudos Econômicos), José Luis Feito.

 

Confira quais seriam as principais perdas para os dois lados em caso de separação.

 

O QUE A CATALUNHA PERDE

 

Bandeira catalunha em uma torre: A Catalunha poderia perder o euro, um PIB forte e muitas empresas© Getty Images A Catalunha poderia perder o euro, um PIB forte e muitas empresas 

1. A permanência na União Europeia

 

A grande maioria dos estudos que analisam qual seria o impacto econômico da independência catalã mostram um cenário em que a Catalunha continua na União Europeia, ou pelo menos no Espaço Econômico Europeu, que dá acesso ao mercado único.

Mas a União Europeia já avisou que isso não acontecerá. Se a Catalunha se converter em um novo Estado, terá que solicitar seu ingresso na instituição e cumprir todas as exigências rigorosas, um processo que leva anos.

 

 

O governo catalão acredita que a UE não aplicará, na prática, esse discurso, embora não fazê-lo abrisse um precedente para outras regiões que também poderiam iniciar um processo separatista, como a Baviera alemã e a Lombardia italiana.

A saída do bloco também representaria um baque na área científica, já que empresas e universidades não poderiam participar de programas de pesquisa europeus. A Catalunha tem 1,5 bilhão de euros assegurados por um fundo de pesquisa da UE para o período 2014-2020.

Mapa da União Européia: A permanência na UE seria essencia para uma Catalunha independente© Getty Images A permanência na UE seria essencia para uma Catalunha independente 

2. A zona do euro

 

A Generalitat (o governo catalão) disse que a Catalunha não deixará de utilizar o euro mesmo se ficar fora da zona da moeda.

Assim como faz o Equador com o dólar americano, o governo catalão manteria o euro como moeda para dar “segurança jurídica às transações empresariais de suas companhias”.

O economista Feito considera isso impossível, já que uma Catalunha independente nasceria com uma fuga de empresas e capitais que não a permitiria dar conta de pagamentos como os salários de seus funcionários nem nos primeiros cem dias.

Bandeira espanhola com euros: O governo catalão diz que a Catalunha continuará a usar o euro© Getty Images O governo catalão diz que a Catalunha continuará a usar o euro”Ninguém emprestaria euros ao Estado catalão, e ele teria que imprimir sua própria moeda. E ela seria brutalmente inflacionária”, afirma Feito à BBC Mundo, o serviço em espanhol da BBC. “E por não ser membro da zona do euro, sua dívida não poderia ser utilizada para pedir financiamento ao Banco Europeu.”

Segundo o economista, o mercado não dará opção à Generalitat, e este promoverá um “curralito” para conter a saída de euros, o que fará até os catalães pró-independência tentarem sacar seu dinheiro dos bancos.

Outra consequência da adoção do euro seria o encarecimento das exportações, reduzindo a competividade.

 

3. O Banco Central Europeu

 

Ao ficar de fora da zona do euro, a Catalunha perderia a rede de segurança que inclui o Banco Central Europeu, que durante a crise salvou várias entidades espanholas.

Logo após o líder catalão Carles Puigdemont anunciar que declararia a independência de forma unilateral, dois dos maiores bancos catalães, o Sabadell e o CaixaBank, decidiram transferir suas sedes para outras regiões da Espanha. A ação segurou um pouco a queda que sofriam na Bolsa.

Banco Central Europeu: A Catalunha perderia a segurança garantida pelo Banco Central Europeu© AFP A Catalunha perderia a segurança garantida pelo Banco Central EuropeuO Conselho Assessor para a Transição Nacional (CATN) da Catalunha acredita que a UE atuará para evitar um cenário catastrófico como o descrito por Feito, pois esses prejuízos afetariam cidadãos e empresas que são plenamente membros da UE.

 

4. A economia

 

Segundo o governo catalão, a região aporta mais ao tesouro espanhol do que recebe em troca. São 16 bilhões de euros, cerca de 8% de seu PIB.

“Mas isso não quer dizer que a Catalunha ganharia de maneira imediata 16 bilhões de euros (em caso de independência)”, diz o professor de tributação da UFP Barcelona School of Management, Albert Sagués.

Há gastos que no momento estão a cargo da Espanha, como os do Exército, da seguridade social e da aposentadoria. Segundo os cálculos de Sagués, descontados esses valores, a Generalit teria um superavit de 8 bilhões de euros.

O governo central admite que a Catalunha tem um saldo fiscal negativo, mas diz que de 5,02% do PIB, e não 8%, de acordo com dados do Ministério da Fazenda.

Fábrica catalã: A Catalunha é responsável por 19% do PIB da Espanha© AFP A Catalunha é responsável por 19% do PIB da EspanhaFeito diz que uma declaração unilateral de independência geraria um declínio significante da atividade econômica, o que derrubaria a economia e, consequentemente, aumentaria o desemprego.

O ministro da Economia espanhol, Luis de Guindos, diz que o PIB catalão se contrairia entre 25% e 30% em caso da secessão. O banco Credit Suisse, por sua vez, afirma que essa redução seria da ordem de 20%.

 

 

Para Sagués, a economia do novo Estado não diminuirá mais do que 4% – e isso no pior dos cenários.

“Na Segunda Guerra Mundial, os países perderam 25% do PIB. Estamos falando de uma situação de guerra em que morreram milhares de pessoas. Se alguém diz que o PIB catalão cairá 30%, quer dizer que o que acontecerá à Catalunha é pior do que uma guerra mundial. Não creio que seja o caso”, afirma.

Artur Mas em um carro catalão: A Catalunha abriga parte da indústria espanhola e é importante em setores como o automobilístico© Getty Images A Catalunha abriga parte da indústria espanhola e é importante em setores como o automobilístico 

5. Fuga de empresas

 

Alguns informes, incluindo os da Generalitat, dão por certo que a produção do novo país sofrerá boicote por parte da Espanha. Isso porque há um antecedente.

Em 2004, o líder de um partido separatista fez declarações contra a candidatura de Madri aos Jogos Olímpicos de 2012. Isso acarretou um boicote do resto da Espanha à indústria da cava, um vinho espumante típico da Catalunha.

Na semana passada, uma das principais marcas desse setor, a Freixenet, anunciou que estudava transferir sua sede para fora do território catalão. Ao menos sete empresas fizeram o mesmo, entre elas a de energia Gás Natural Fenosa.

Garrafas de cava Freixenet: Empresas de cava como a Freixenet avaliam transferir sua sede para fora da Catalunha por medo de boicote | Foto: Neilson Barnard© BBC Empresas de cava como a Freixenet avaliam transferir sua sede para fora da Catalunha por medo de boicote | Foto: Neilson BarnardSegundo Feito, 80% das empresas na Catalunha são multinacionais e só estão na região porque ela faz parte da UE. Se saírem do bloco econômico, terão que pagar taxas.

Uma em cada três empresas de exportação da Espanha têm sede na Catalunha, assegurando 25% das exportações do país, segundo dados do Ministério da Economia.

Destino das cavas catalãs© BBC Destino das cavas catalãsAinda de acordo com a pasta, a Espanha compra 40% dos produtos que saem da Catalunha e os outros 40% vão para o resto da UE. Além disso, 14,3 % dos turistas que visitam a Catalunha são da Espanha.

Mesmo assim, o Conselho Assessor para a Transição Nacional da Catalunha acredita que um boicote levaria a uma queda do PIB não maior de 2%.

 

O QUE PERDE A ESPANHA

 

Bandeiras espanholas em Madri: A Espanha perderia sua região mais rica e o PIB per capta cairia© Getty Images A Espanha perderia sua região mais rica e o PIB per capta cairia 

1. Sua região mais próspera

 

A Espanha ainda não se recuperou completamente da grave crise econômica que atravessou por quase uma década.

Há cerca de 4 milhões de desempregados e mais da metade deles tem procurado trabalho nos últimos 12 meses, segundo dados do INE (Instituto Nacional de Estatística) – sem os catalães, o número cairia para 3,4 milhões.

Gráfico do PIB espanhol© BBC Gráfico do PIB espanholCom a secessão, o país perderia sua região mais rica: em 2016, a Catalunha registrou um PIB recorde de 223,6 bilhões de euros, cifra superior à da economia do Equador e o dobro da do Panamá.

A independência custaria à Espanha a perda de 19% de seu PIB e de 18,4% de suas empresas – resultando em um Estado mais pobre. O PIB per capita também cairia para 23,50 euros, segundo cálculos do professor Sagués.

Pessoas procurando emprego: Há quatro milhões de desempregados na Espanha© Getty Images Há quatro milhões de desempregados na EspanhaDe acordo com dados de 2014 do Ministério da Fazenda, a Catalunha aporta 70,3 bilhões de euros (US$ 82 bilhões) nos cofres espanhóis, mais do que o restante das regiões.

Desse total, o governo central fica com US$ 11,5 bilhões, que utiliza para ajudar áreas mais pobres do país, como Extremadura.

O FMI (Fundo Monetário Internacional) se mostrou preocupado com a situação. Segundo a entidade, se as tensões políticas com a Catalunha continuarem, a confiança em investimentos e o consumo podem ser afetados.

Gráfico sobre o uso da língua catalã© BBC Gráfico sobre o uso da língua catalã 

2. Inovação e empreendimento

 

A Catalunha é uma região que tem investido muito em pesquisa e inovação – e já desenvolveu indústrias pioneiras na Espanha.

Das 108.963 publicações científicas produzidas por universidades espanholas entre 2006 e 2015, 25,68% saíram da Catalunha. Madri vem em seguida, com 19,91%, segundo dados da Aliança 4 Universidades.

Barcelona ocupa o 5º lugar no ranking de startups na Europa, uma posição à frente de Madri. No ano passado, as startups catalãs captaram 282 milhões de euros, o que representou 56% de todos os investimentos realizados na Espanha.

Congresso de telefonia em Barcelona: Grandes eventos de tecnologia acontecem anualmente em Barcelona, como o Mobile World Congress© AFP Grandes eventos de tecnologia acontecem anualmente em Barcelona, como o Mobile World CongressA região também lidera o ranking de pedidos de patentes do país: em 2016, 35,1% das 547 solicitações vieram da Catalunha, contra 20,6% de Madri, segundo o Escritório Europeu de Patentes.

 

3. Infraestrutura

 

A independência da Catalunha levaria a Espanha a perder seu principal porto no mar Mediterrâneo, o de Barcelona, que no ano passado movimentou 48 milhões de toneladas.

O porto também é essencial para o turismo: 4 milhões de passageiros passaram por ele em 2016.

Outro porto importante da Catalunha é o de Tarragona, região que também abriga o maior número de indústrias químicas do país.

Muitos aeroportos também operam na Catalunha, como o El Prat, em Barcelona, que contabilizou 44,1 milhões de passageiros no último ano.

A região também abriga duas das seis indústrias nucleares da Espanha, responsáveis por produzir 40% da energia nuclear do país.

Praia ao lado de uma central nuclear: As cifras têm papel importante no processo de indepedência da Catalunha© AFP As cifras têm papel importante no processo de indepedência da Catalunha 

4. Dívida externa e ativos

 

Uma das questões mais espinhosas de uma possível secessão é a dívida externa que teria o novo Estado catalão.

Os informes do Conselho Assessor para a Transição Nacional dizem que a Catalunha deveria assumir a dívida que está no nome da Generalitat, dos governos provinciais e municipais. O valor seria de US$ 90 bilhões, o equivalente a 35,4% de seu PIB. Desse total, US$ 61 bilhões correspondem a compromissos com o governo da Espanha.

A dívida em nome do Estado espanhol é utilizada para gastos e investimentos em prol de todas as regiões, incluindo a Catalunha, por isso muitos insistem para que ela assuma a parte que lhe cabe.

Em um debate ocorrido há dois anos, o ex-diretor da Bolsa de Barcelona, José Luis Oller, estimou em 180 bilhões de euros o peso da economia catalã na dívida da Espanha, em um debate ocorrido há dois anos. Ele também disse que era necessário somar o valor dos ativos que o Estado tinha na Catalunha, estimado em 50 bilhões de euros.

Porto de Barcelona: O porto de Barcelona é o mais importante do Mediterrâneo© AFP O porto de Barcelona é o mais importante do MediterrâneoA dívida total de uma Catalunha independente, segundo seus cálculos à época, seria de 290 bilhões de euros, ou 145% de seu PIB.

O CATN nega que a região deva aceitar as dívidas contraídas para investimentos e obras fora de sua área. Ele aconselha a negociação da dívida que não pode ser atribuída a um território concreto no caso de o Estado espanhol transferir ao novo país parte dos ativos comprados com esse dinheiro.

Por exemplo, se a Espanha se endividou para criar uma empresa pública que funcione a nível nacional, a Catalunha assumirá parte da dívida sempre que receber as ações correspondentes dessa companhia.

Como há poucas possibilidades de negociação neste momento, o mais provável em caso da secessão é que a Espanha tenha de pagar sozinha o total da dívida enquanto tenta resolver o conflito com o novo país nos tribunais internacionais, explica o economista Feito.

A Catalunha também avalia que a Espanha deve repartir igualmente os bens públicos fora do país, como as sedes das embaixadas, as plataformas de petróleo, as bases militares, os satélites espaciais e as contas em bancos estrangeiros.

 

5. Patrimônio cultural e turismo

 

A Espanha é uma potência turística. No ano passado, recebeu 75,3 milhões de visitantes estrangeiros, um recorde. Quase um quarto dessas pessoas (22,5%) tinham a Catalunha como destino.

A Sagrada Família em Barcelona: A Catalunha tem uma grande riqueza culturais, como as obras de Gaudí em Barcelona, entre as quais está a Sagrada Família© Getty Images A Catalunha tem uma grande riqueza culturais, como as obras de Gaudí em Barcelona, entre as quais está a Sagrada FamíliaSeus 580 quilômetros de costa oferecem praias paradisíacas, às quais se chega facilmente de trem ou ônibus. No inverno, as montanhas dos Pirineus estão entre as favoritas dos esquiadores.

A região também tem uma importante oferta cultural graças a obras que são patrimônio da humanidade, como as do arquiteto Antonio Gaudí, em Barcelona (A Sagrada Família, Parc Guell etc.)

Segundo o CATN, o governo catalão poderia exigir a devolução de arquivos, bens culturais e patrimônios nacionais que façam referência à Catalunha ou cujo autor seja catalão.

Com essa medida, obras de Salvador Dalí ou de Joan Miró que estão em exposição em museus de Madri, como o Reina Sofia, por exemplo, teriam que ser entregues ao novo Estado.

Fonte:MSN

Por que a Catalunha quer ser independente da Espanha?

Estudantes vestem bandeira da Catalunha em protesto favorável a referendo de independência da região da Espanha – 28/09/2017`© Reuters Estudantes vestem bandeira da Catalunha em protesto favorável a referendo de independência da região da Espanha – 28/09/2017

O governo regional da Catalunha anunciou nesta sexta-feira que está pronto para o referendo de domingo. Segundo os organizadores, 60.000 pessoas já se inscreveram para a votação, apesar dos esforços de Madri para barrar a iniciativa, declarada “inconstitucional” pelas autoridades espanholas.

Mas por que os catalães querem a independência? Os impulsos separatistas existem há séculos, mas cresceram de forma contundente a partir do ano de 2010, até conquistarem aproximadamente metade da população regional.

Assim como em outros movimentos separatistas, os catalães querem ter o poder de tomar as próprias decisões, sem interferências. Segundo uma pesquisa do Centre d´Estudis d´Opinió (CEO) , 26% da população usa o argumento da autonomia como principal razão para a independência. A crença de que estarão melhores sozinhos do que com a Espanha é apoiada por 23% da população, enquanto 19% desejam  um novo modelo de gestão política.

O convívio cada vez mais agressivo entre o governo regional e a administração central também é visto como um motivo para o desmembramento. As relações estão desgastadas e, para muitos, os vínculos são insustentáveis. Além disso, razões históricas, econômicas e culturais também têm grande peso no movimento.

História

Os catalães defendem que a região se formou como Estado separado por volta do século XII. Em 1150, o casamento de Petronilia, rainha de Aragão, e Ramon Berenguer IV, conde de Barcelona , formou uma dinastia e deixou aos filhos do casal todo o território das atuais regiões de Aragão e Catalunha como herança.

A disposição durou até a Guerra de Sucessão, que acabou com a derrota de Valência em 1707 e da Catalunha em 1714, dando origem à Espanha dos dias de hoje. Os reis que subiram ao poder nos anos após a guerra tentaram impor o castelhano e as leis espanholas na região, porém abandonaram suas tentativas em 1931, quando a Generalitat (o governo nacional da Catalunha) foi restaurada.

Em 1936, com a tomada do poder pelo ditador Francisco Franco, o separatismo catalão foi mais uma vez abafado. Em 1938, as forças do general assumiram o controle da região após uma batalha que matou 3.500 pessoas e levou muitas outras ao exílio. A região só restaurou sua autonomia em 1977, com o retorno da democracia

O governo da Espanha aprovou o estatuto de autonomia da Catalunha em 2006. Segundo as novas leis, o governo regional teria mais poder sobre as decisões envolvendo cobranças de impostos, questões judiciais e imigração. Porém, em 2010, o decreto foi desafiado e suspenso pelo Tribunal Constitucional nacional.

Ainda assim, a região tem indiscutível autonomia dentro da política nacional, já que a Constituição espanhola, aprovada por 90% dos eleitores catalães em 1978, se refere à Catalunha como “nacionalidade histórica”, além de reconhecer seu direito à autonomia. Porém, a derrota de 2010, somada a crise econômica que atingiu a Espanha, foi mais do que suficiente para reforçar a causa separatista.

Economia

A Catalunha é o coração industrial da Espanha – tanto pelo poder de seus portos e comércio têxteis, como, mais recentemente, pelas finanças, serviços e empresas de alta tecnologia. É a região mais rica do país, responsável por 20% do PIB em 2015

Existe uma crença incentivada pelos separatistas segundo a qual os cidadãos gastam mais com o governo central do que recebem de volta. De fato, a região é a que mais paga impostos: em 2016, os catalães pagaram 20,8% dos impostos recolhidos por Madri. Muitos políticos independentistas insistem que estariam melhor sem o restante da Espanha, já que manteriam todo os recursos na região, ajudando-a a se desenvolver ainda mais.

Porém, especialistas em política espanhola e europeia vêm questionando o argumento, que não segue a complexa lógica da economia global. Muitos acreditam que, como país independente, a Catalunha teria muitos custos extras para arcar. Além disso, perderia boa parte de sua rede de comércio.

“Se a Catalunha se tornar independente, não se separará somente da Espanha, mas da União Europeia também”, diz o catedrático de direito constitucional da Universidade Autónoma de Barcelona, Francesc de Carreras. Grande parte das relações que o empresariado catalão sustenta atualmente são com a Europa, principalmente França, Itália e Alemanha. “Todas as vantagens ficais e sobretudo as relações econômicas com esses países, concedidas pela UE, se perderiam e o impacto sobre as finanças catalãs seria imediato”, completa Carreras.

Língua e cultura

O independentismo catalão é também um movimento cultural. Muito se fala, inclusive, sobre o chamado catalanismo, uma necessidade dos cidadãos da região em se diferenciarem do resto do país e exaltarem seus costumes, lendas e festas próprios para o resto do mundo.

Em Barcelona, os símbolos nacionalistas estão por toda parte, inclusive em sua arquitetura modernista única. A cruz de São Jorge, personagem religioso cristão exaltado como o cavaleiro corajoso que no passado salvou a princesa e a cidade contra a invasão de um dragão, é estampada em monumentos, prédios e igrejas. O monstro da lenda catalã é associado especialmente à figura do estrangeiro que deseja acabar com sua liberdade e autonomia.

A região também celebra festividades únicas, como a Festa de Sant Medir, Dia de Sant Jordi, Festival de Gràcia e La Mercè.

A maioria da população fala o catalão. A língua é a oficial da região, junto ao castelhano. Com o fim do regime ditatorial de Francisco Franco, em 1975, e a restauração da democracia em todo o país, o idioma passou a ser usado na política, educação e nos meios de comunicação. Nas ruas, estradas e estações de metrô, se lê o catalão sempre em primeiro lugar.

A língua tem sua identidade própria, já que não é um dialeto derivado do espanhol, e é falada por 10 milhões de pessoas na Catalunha, Valência (dialeto valenciano), Ilhas Balearese na cidade italiana de Algueiro.

Fonte: Veja

Medidas de Temer ajudam, mas não resolvem crise no Brasil

29/09/2017

Com renda menor, trabalhadores sem carteira e autônomos puxam recuperação do emprego em 2017

Quantidade de empregados com carteira assinada cai na comparação com o ano anterior, mas salário médio aumenta; entre as pessoas sem carteira e trabalhadores por conta própria o cenário é inverso.


 

A recuperação do mercado de trabalho brasileiro em 2017 é puxada pela expansão de vagas que tradicionalmente pagam menos e estão ligadas à economia informal: os empregos sem carteira assinada e os profissionais autônomos, os chamados trabalhadores por conta própria. E, neste ano, seus rendimentos médios estão ainda menores do que em 2016. No mercado formal, a situação é a oposta – há menos gente trabalhando com carteira assinada, mas o salário médio aumentou.

É o que apontam dados da última Pesquisa Nacional de Domicílios (Pnad) Contínua, feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE). O desemprego vem caindo mês a mês desde fevereiro.

Em agosto, último dado divulgado, o número de desempregados no Brasil caiu 4,8%. Em relação ao mesmo período de 2016, no entanto, o número de pessoas sem trabalho aumentou 9,1%.

Desigualdades no mercado de trabalho (Foto: G1 )Desigualdades no mercado de trabalho (Foto: G1 )

Desigualdades no mercado de trabalho (Foto: G1 )

A realidade do mercado de trabalho brasileira é bastante desigual. Enquanto a quantidade de empregados com carteira assinada caiu 2,2% no trimestre encerrado em agosto, na comparação anual, a de trabalhadores sem carteira subiu 5,4%.

Aumentou também o número de pessoas trabalhando por conta própria, com alta de 2,8%. O IBGE classifica o trabalhador por conta própria como aquele que desenvolve a própria atividade econômica e não possui empregado. A categoria abrange de camelôs a advogados.

Depois de 8 anos trabalhando com carteira assinada, Carlos perdeu o emprego e busca refazer as finanças como motorista da Uber (Foto: Arquivo pessoal)Depois de 8 anos trabalhando com carteira assinada, Carlos perdeu o emprego e busca refazer as finanças como motorista da Uber (Foto: Arquivo pessoal)

Depois de 8 anos trabalhando com carteira assinada, Carlos perdeu o emprego e busca refazer as finanças como motorista da Uber (Foto: Arquivo pessoal)

Um dos que deixou o emprego formal na crise e voltou ao mercado de trabalho como autônomo foi Carlos Junho, de 45 anos. Depois de 8 anos trabalhando com carteira assinada na área de administração, ele ficou desempregado em 2014. Sem conseguir emprego, apelou para a informalidade. Há um ano, ele trabalha como motorista na Uber.

 

“A decisão foi tomada no desespero mesmo. Tendo que pagar pensão [alimentícia], eu não tinha outra fonte de renda”, conta ele.

 

O trabalho de motorista de Uber paga as contas, mas Carlos Junho não está confortável com a condição informal do trabalho. “O problema é você não ter garantia nenhuma. Hoje você tem, amanhã, quem sabe?”, destacou.

 

Renda menor

 

Os dados também mostram que os trabalhadores por conta própria e sem carteira assinada estão ganhando menos. Enquanto os trabalhadores com carteira tiveram aumento médio de 3% em seus rendimentos, os que não possuem carteira tiveram queda de 2,2% e os que trabalham por conta própria, de 2,4%, já considerando os efeitos da inflação. Ao mesmo tempo, o rendimento dos empregadores subiu 8%.

 

“Essas pessoas estão ficando para trás na recuperação da economia”, comenta o economista Everton Carneiro, analista da RC Consultores, sobre o rendimento dos trabalhadores sem carteira e por conta própria.

 

Ele destaca ainda que, entre os profissionais autônomos, os mais prejudicados são os informais. “A vasta maioria dessas pessoas está em situação mais difícil. A gente tem muito mais camelôs do que advogados e contadores”, ilustra Carneiro.

Segundo o IBGE, 81,6% dos trabalhadores por conta própria são informais – não tem Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ) – e 70% não contribuem com a Previdência Social. Dentre os quase 13 milhões de trabalhadores sem carteira assinada, 80,6% também não contribuem com a Previdência.

 

Do emprego formal ao bico

 

Sem emprego, Francisco e a família passaram preparar marmitas em casa para vendê-las na rua (Foto: Daniel Silveira/G1)Sem emprego, Francisco e a família passaram preparar marmitas em casa para vendê-las na rua (Foto: Daniel Silveira/G1)

Sem emprego, Francisco e a família passaram preparar marmitas em casa para vendê-las na rua (Foto: Daniel Silveira/G1)

Francisco Cleiton, de 38 anos, trabalhou por mais de 15 anos no ramo de construção civil. Perdeu o emprego com carteira assinada na crise em 2015, junto com outros familiares. Hoje, a família faz comida em casa e vende marmitas na rua.

Cleiton conta que a quantidade de horas trabalhadas caiu – assim como a renda familiar. “O lado positivo de trabalhar informal é que a gente chega aqui, vende e quando acaba vai embora. Não tem que cumprir horário”. O lado negativo, enfatiza ele, é a incerteza quanto ao futuro do negócio e o fato de estar desprovido de garantias trabalhistas, como férias, 13º salário e Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).

 

“Sou mais feliz seguro. A informalidade não me dá essa segurança”, lamenta Cleiton.

 

 

Situação de emergência

 

O crescimento do trabalho sem carteira e por conta própria, mesmo com menos garantias e rendimento menor, “é reflexo da crise acentuada que tivemos”, como explica o economista Sergio Firpo, professor do Insper. “Isso faz com que o novo trabalhador acabe, nessa situação emergencial, aceitando salários menores do que o de costume, e possivelmente no mercado informal.”

Trabalhadores por conta própria
Pessoas com mais de 14 anos trabalhando, em milhares
em milharespessoas ocupadasjun-jul-ago 2016set-out-nov 2016dez-jan-fev 2017mar-abr-mai2017jun-jul-ago 201721.75022.00022.25022.50022.75023.000
Fonte: IBGE

O coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo, diz que a condição de informalidade “não é boa no médio e longo prazo”.

“Quando essas pessoas não estão amparadas pelo emprego formal, elas não têm acesso ao crédito, por exemplo. Isso é prejudicial tanto para o trabalhador quanto para o próprio país, já que você tem menos gente contribuindo com a Previdência e menos gente tendo acesso ao consumo”, diz Azeredo.

Trabalhadores com carteira assinada
Pessoas com mais de 14 anos trabalhando, em milhares
em milharespessoas ocupadasjun-jul-ago 2016set-out-nov 2016dez-jan-fev 2017mar-abr-mai2017jun-jul-ago 201733.00033.25033.50033.75034.00034.250
Fonte: IBGE

 

Novos postos: salários menores e menos qualificação

 

As vagas formais criadas neste ano oferecem salários menores que os postos que foram fechados. Firpo, do Insper, aponta que aqueles que perderam o emprego no segundo trimestre de 2017 tinham uma renda 9,7% maior, em média, do que os que foram contratados no mesmo período.

Mas a diferença de valores já foi maior em 2016, de cerca de 12,6%, e vem diminuindo. Firpo explica que, em um movimento de recuperação de crise como o de agora, o mercado de trabalho formal geralmente reabsorve primeiro os empregados de menor custo para as empresas – ou seja, os menos qualificados são os primeiros a se reposicionar. “As pessoas com menos experiência, mais jovens, têm um custo menor para a empresa empregar”, aponta o economista.

Francisco Cleiton sentiu isso pessoalmente enquanto procurava emprego. “No auge da construção tinham vagas de encarregado de obras de R$ 4 mil. Agora a oferta é de R$ 1,8 mil”, diz ele, que mesmo fazendo “quentinhas” para vender, segue tentando uma vaga com carteira assinada na área em que atuava antes.

Isso não tem acontecido só na construção civil. A analista financeira Luíza Baeta, de 28 anos, procura emprego desde julho, quando a empresa na qual trabalhava informou aos funcionários que iria encerrar as atividades em setembro. Em três meses de procura, não conseguiu outro trabalho.

 

“Já fiz umas dez entrevistas. Em todas elas, os salários oferecidos estão, em média, 20% a 30% mais baixos e nem sempre oferecem todos os benefícios. O que estão oferecendo hoje é menos do que eu ganhava há dois anos”, conta Luíza.

 

Os economistas explicam que a oferta de salários menores é comum num momento de retomada da economia. “Você está diante de uma recessão, onde as empresas estão tentando reduzir gastos de todas as formas. É natural que isso se reflita, também, na oferta salarial”, aponta Azeredo.

Não é só teoria, como mostra a experiência de Cleiton. “Recentemente eu perdi uma vaga de pintor porque a empresa disse que minha capacitação era maior do que podiam pagar.

Fonte: G1

Desemprego chega a 12,6% em agosto e atinge 13,1 milhões, diz IBGE

Número de desocupados caiu 4,8% em relação ao trimestre encerrado em maio deste ano.

Desemprego atinge 12,6% em agosto e afeta 13,1 milhões de brasileiros, aponta IBGE

Desemprego atinge 12,6% em agosto e afeta 13,1 milhões de brasileiros, aponta IBGE

desemprego ficou em 12,6% no trimestre encerrado em agosto, segundo dados da Pnad Contínua, divulgados nesta sexta-feira (29) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No período, o Brasil tinha 13,1 milhões de desempregados, uma queda de 4,8% em relação ao trimestre terminado em maio.

Assim como no período anterior, a melhora na ocupação ainda é puxada pela informalidade e pelas contratações no setor público, de acordo com o coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo.

Na comparação com o mesmo trimestre do ano passado, porém, houve aumento de 9,1%. Ou seja, segundo o IBGE, em agosto deste ano o Brasil tinha 1,1 milhão de desempregados a mais que no mesmo período do ano passado.

 (Foto: Arte/G1) (Foto: Arte/G1)

(Foto: Arte/G1)

 

“Dizer que o pior já passou é precipitado. Temos um cenário exógeno, que é uma crise política que está em curso. Essa crise pode reverter todo esse processo de recuperação que a gente vem observando”, ponderou Azeredo.

 

Segundo o pesquisador, a grande expectativa é saber se o ano de 2017 vai terminar com mais ou menos desemprego do que havia no ano passado. “O que se vem se desenhando até aqui é de uma recuperação desse mercado de trabalho. Mas, para se saber até que ponto esse processo vai avançar, a gente precisa de mais PNADs contínuas para podermos avaliar”, disse.

O pesquisador apontou que o principal indicador de que há melhora no mercado de trabalho é o fato de que, em relação ao trimestre terminado em maio, a população em idade de trabalhar aumentou em 2,1 milhão de pessoas, enquanto a população na força de trabalho (ocupados e desocupados) aumentou em 2 milhões no período.

“Isso mostra que estamos com um nível de ocupação acompanhando o aumento da população em idade de trabalhar”, destacou.

Desemprego no Brasil recua pela quinta vez seguida

Desemprego no Brasil recua pela quinta vez seguida

 

População ocupada

 

No trimestre terminado em agosto, o Brasil tinha 91,1 milhões de pessoas ocupadas, um aumento nas duas bases de comparação. A ocupação, segundo Azeredo, está próxima do que foi observado entre em 2013 e 2014.

Na comparação com maio deste ano, 1,4 milhão de pessoas a mais estavam ocupadas (1,5%). Em relação a agosto do ano passado, o contingente aumentou em 1 milhão de pessoas (1%).

O número de trabalhadores por conta própria (22,8 milhões de pessoas) cresceu 2,1% em relação ao trimestre terminado em maio. Também houve variação positiva, de 2,8%, ante o mesmo período de 2016, representando um aumento de 612 mil pessoas.

População ocupada
Com carteira assinada: 34.176Sem carteira: 10.204Trabalhador doméstico: 6.122Setor público: 11.361Empregador: 3.946Conta própria: 22.235Familiar auxiliar: 2.093
Fonte: IBGE

 

Carteira assinada e informalidade

 

Segundo o IBGE, o número de carteiras de trabalho assinadas se manteve estável na comparação com maio (33,4 milhões). Se comparado com o mesmo período do ano passado, porém, houve queda de 2,2%, o que equivale a 765 mil trabalhadores a menos com carteira assinada neste ano.

O número de empregados sem carteira assinada cresceu em 2,7% na comparação com maio e 5,4% na comparação com agosto do ano passado. “O que a gente percebe agora é um crescimento do emprego sem carteira assinada, com quase 70% dos novos postos de trabalho sendo criados na informalidade“, destacou Azeredo.

Segundo o pesquisador, historicamente, o retorno de toda crise financeira no mercado de trabalho se dá com o aumento de postos de trabalho não registrados.

 (Foto: Arte/G1) (Foto: Arte/G1)

(Foto: Arte/G1)

 

Massa salarial

 

A massa de rendimento recebido em todos os trabalhos pelas pessoas ocupadas ficou estável em relação ao trimestre móvel de março a maio e também frente ao mesmo trimestre do ano passado, em R$ 186,7 bilhões, segundo o IBGE.

Questionado sobre o que de fato vai configurar a plena recuperação do mercado de trabalho, Azeredo afirmou que é a geração de vagas formais acompanhadas de aumento nos salários.

“A geração de vagas vai apontar que esse mercado está em avanço. Mas que essas vagas sejam de qualidade, ou seja, vagas voltadas para o mercado mais formal e que sejam vagas que façam o rendimento crescer acompanhando, pelo menos, a inflação”.

 

Destaques da Pnad de agosto:

 

 

  • O desemprego ficou em 12,6% no trimestre encerrado em agosto; o país tinha 13,1 milhões de desempregados, uma queda de 4,8% em relação ao trimestre terminado em maio.
  • Houve aumento de 9,1% frente ao mesmo trimestre do ano anterior, com 1,1 milhão de desempregados a mais.
  • No trimestre terminado em agosto, o Brasil tinha 91,1 milhões de pessoas ocupadas. Na comparação com maio deste ano, 1,4 milhão de pessoas a mais estavam ocupadas (1,5%). Em relação a agosto do ano passado, o contingente aumentou em 1 milhão de pessoas (1%).
  • O número de carteiras assinadas ficou estável ante maio (33,4 milhões). Mas frente ao mesmo período do ano passado, houve queda de 2,2%, ou 765 mil trabalhadores a menos com carteira assinada neste ano.
  • O número de empregados sem carteira assinada cresceu em 2,7% na comparação com maio e 5,4% na comparação com agosto do ano passado.

Fonte: G1

MEIs podem desaparecer

22/09/2017

1,2 milhão de MEIs correm o risco de ter registro cancelado até dezembro

A poucos dias do fim do prazo, programa de parcelamento de dívidas recebeu adesão de apenas 46 mil de um total de 2 milhões de microempreendedores com débitos com a Receita.

Cerca de 1,2 milhão de microempreendedores individuais, os chamados MEIs, podem ter o registro cancelado até dezembro e, consequentemente, perder o CNPJ, por inadimplência e não cumprimento das regras do programa, disse ao G1 o secretário Especial da Micro e Pequena Empresa do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, José Ricardo Veiga. O número representa 16% dos mais de 7 milhões de MEIs registrados no país.

Segundo o secretário, dos cerca de 2 milhões de MEIs com débitos com a Receita Federal, cerca de 1,3 milhão se enquadram atualmente nas condições previstas pela legislação para cancelamento do registro: 2 anos consecutivos de não pagamento da guia de recolhimento mensal e de omissão da declaração anual das operações comerciais.

O MEI foi criado em 2009 para incentivar a formalização de pessoas que trabalham por conta própria e até hoje nunca foi feita nenhuma suspensão ou cancelamento do registro de devedores. Há anos, o percentual de inadimplência tem se mantido ao redor de 60% e, segundo a Receita, o saldo devedor atual dos MEIs é de cerca de R$ 1,7 bilhão.

O número de novos MEIs tem aumentado em cerca de 1 milhão por ano e superou neste mês a marca de 7,4 milhões de pessoas. Veja gráfico abaixo

Evolução do número de MEIs no Brasil
Total de microempreendedores individuais registrados, em milhões
0,5450,5451,4421,4422,4752,4753,4363,4364,434,435,4515,4516,4446,4447,4637,463set/2010set/2011set/2012set/2013set/2014set/2015set/2016set/201702468
Fonte: Portal do Empreendedor

A avaliação do governo, entretanto, é que o número de mais de 7,4 milhões de MEIs está inflado. “Acreditamos que tem hoje mais de 1 milhão de inativos”, afirma Veiga, citando as possibilidades de retorno ao emprego com carteira assinada, abandono do negócio ou mero desconhecimento das obrigações ao fazer o registro.

 

Etapas antes do cancelamento

 

Para “limpar” a base de cadastro, o governo federal lançou em julho um programa de parcelamento de débitos  em até 120 meses para oferecer uma oportunidade de regularização antes da publicação da primeira lista de cancelamentos. O prazo para fazer o pedido termina no dia 2 de outubro.

Segundo a Receita Federal, até o dia 18 de setembro, a adesão ao programa somava apenas 46.652 pedidos, o que correspondia a um total de R$ 86,3 milhões em parcelamentos.

O governo espera que o número de adesões possa chegar a 100 mil até o fim do prazo. “Se chegarmos a 100 mil vamos ter ainda 1,2 milhão MEIs que vão estar no alvo para serem cancelados”, estima o secretário especial da Micro e Pequena Empresa.

Veiga explica que antes da publicação da primeira leva de cancelamentos, será feita uma suspensão do cadastro dos inadimplentes por 30 dias. Durante esse período, os MEIs com débito terão uma última chance para evitar a perda do CNPJ, mas sem as vantagens do programa de parcelamento de débitos.

“Só ao final disso a gente vai fazer o cancelamento, acreditando que quem passar dessa peneira toda é porque realmente já está inativo e não está operando com o seu CNPJ”, diz o secretário.

A primeira leva de cancelamentos deverá ocorrer antes do final do ano. “A Receita Federal está aguardando o encerramento do prazo de adesão ao parcelamento especial para proceder a exclusão dos CNPJ dos MEIs que apresentarem irregularidade tributária”, informou o Fisco.

Veiga esclarece ainda que o MEI que tiver o CNPJ cancelado poderá fazer novamente a inscrição, se assim quiser, mas ficará com a dívida inscrita no CPF.

 José Ricardo Veiga, secretário Especial da Micro e Pequena Empresa do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Foto: Divulgação/Mdic) José Ricardo Veiga, secretário Especial da Micro e Pequena Empresa do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Foto: Divulgação/Mdic)

José Ricardo Veiga, secretário Especial da Micro e Pequena Empresa do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Foto: Divulgação/Mdic)

Apesar do “pente-fino” em curso, o secretário afirma que o programa não tem fins de arrecadação e que a limpeza da base de cadastros ajudará no aperfeiçoamento do MEI.

 

“Quem perde ao ficar inadimplente é o próprio microempreendedor, porque perde as vantagens de cobertura previdenciária”, destaca.

 

No ano de 2016, essa fonte de arrecadação garantiu R$ 1,51 bilhão aos cofres públicos, segundo a Receita. As vantagens oferecidas pelo programa, entretanto, implicam numa renúncia fiscal equivalente à arrecadação. Para 2017, a Receita estima uma renúncia tributária de R$ 1,55 bilhão com o MEI

“Para o governo, o MEI é uma política muito mais de cidadania empresarial. Não é exatamente uma renúncia fiscal”, afirma o secretário. “O MEI trouxe para dentro da arrecadação do Tesouro algo que estava na informalidade e ficava à margem da cobrança”, continua.

CATEGORIAS MAIS COMUNS DE MEIS

Atividade Número de cadastros
Comércio varejista de artigos do vestuário e acessórios 673.457
Cabeleireiros 572.419
Obras de alvenaria 316.418
Lanchonetes e similares 213.359
Minimercados, mercearias e armazéns 181.514
Fornecimento de alimentos preparados preponderantemente para consumo domiciliar 165.955
Bares e similares 161.764
Outras atividades de tratamento de beleza 157.477
Instalação e manutenção elétrica 151.694
Demonstração de produtos e distribuição de material promocional 147.411
Fonte: Portal do Empreendedor

 

Como funciona o MEI

 

O MEI foi lançado em 2009 para incentivar a formalização de trabalhadores como doceiros, camelôs, manicures, cabeleireiros, eletricistas, donos de pequenos bares e lanchonetes, entre outros. Com o registro, o trabalhador passa a ter CNPJ e a emitir notas fiscais, atuando como uma empresa, o que também facilita financiamentos e aluguel de máquinas de cartão de débito e crédito.

Além disso, o microempreendedor tem garantido benefícios da Previdência como auxílio-doença, salário-maternidade e aposentadoria por idade, mediante pagamento mensal de pouco mais de R$ 50.

Para se tornar um MEI, trabalhador tem de ganhar até R$ 60 mil por ano (R$ 5 mil por mês), não ter participação em outra empresa e ter até um empregado. A partir de 2018, o limite de faturamento anual subirá para R$ 81 mil, o equivalente a R$ 6.750 mensais.

O recolhimento de tributo é mensal e pago em guia única. O valor é de 5% do salário mínimo, referente a contribuições previdenciárias, e R$ 5 de ISS para o município, se a atividade for serviço, ou R$ 1 de ICMS para o Estado, se for comércio ou indústria. Os valores atuais variam entre R$ 47,85 e R$ 53,85.

Série do G1 conta histórias de empreendedorismo na crise

Série do G1 conta histórias de empreendedorismo na crise

 

Empreendedorismo por necessidade

 

Ainda que seja uma oportunidade de formalização de trabalhadores, o crescimento do número de MEIs também reflete a forte destruição de vagas no mercado formal de trabalho e o chamado empreendedorismo por  necessidade

Dados da Serasa Experian mostram que, de cada 10 empresas abertas atualmente no País, 8 são MEIS . Em 2010, essa natureza jurídica respondia por apenas cerca de 44% dos nascimentos de empresas.

E a tendência é que o número de MEIs continua a crescer em meio às dificuldades de recolocação no mercado formal e ao número ainda elevado de trabalhadores que seguem à margem da formalização.

A participação dos trabalhadores por conta própria na população ocupada avançou de 22% em 2012 para 25% em 2017, para um total de 22,6 milhões de pessoas no trimestre encerrado em julho, segundo dados do IBGE. Ou seja, um número 3 vezes maior do que o de MEIs registrados.

Cadastro no MEI é alternativa para empreendedores em meio à crise, diz Sebrae

Cadastro no MEI é alternativa para empreendedores em meio à crise, diz Sebrae

 

Como parcelar os débitos

 

A solicitação do parcelamento deve ser feita pela internet, através do Portal do Empreendedor e do Simples Nacional

As dívidas acumuladas até maio de 2016 poderão ser parceladas em até 120 prestações, que deverão ter valor de pelo menos R$ 50. Para débitos de boletos vencidos após maio de 2016, o parcelamento será de, no máximo, 60 meses.

Para solicitar a adesão ao programa, o inadimplente deve apresentar a Declaração Anual Simplificada para o Microempreendedor Individual (DASN-Simei) relativa aos respectivos períodos de apuração.

O aplicativo irá calcular a quantidade de parcelas de forma automática, considerando o maior número de parcelas possível. O valor de cada parcela mensal será acrescido de juros da taxa Selic mais 1%, relativamente ao mês em que o pagamento estiver sendo efetuado.

De acordo com a Receita, o pedido de parcelamento:

 

  • deverá ser apresentado das 8h do dia 3 de julho até às 20 horas do dia 2 de outubro de 2017;
  • abrange a totalidade dos débitos exigíveis;
  • independe de apresentação de garantia;
  • implica confissão irrevogável e irretratável da totalidade dos débitos;
  • será considerado automaticamente deferido depois de decorridos 90 dias da data de sua protocolização, caso não haja manifestação da autoridade concedente
  • o valor de cada parcela em atraso será acrescido de juros da taxa Selic mais 1%, relativamente ao mês em que o pagamento estiver sendo efetuado
  • a falta de pagamento de três parcelas, consecutivas ou não, ou a existência de saldo devedor após a data de vencimento da última parcela, cancela o benefício

 

Na hipótese de boletos posteriores a maio de 2016 também em atraso, o parcelamento em até 120 prestações deve ser requerido antes do ordinário, para garantir que os débitos até maio de 2016 sejam parcelados com o prazo especial de 120 meses.

Caso a dívida esteja com a exigibilidade suspensa em decorrência de discussão administrativa ou judicial, informou a Receita, o microempreendedor individual deverá, até 2 de outubro de 2017, comparecer à unidade da Receita de seu domicílio tributário para comprovar a desistência expressa e irrevogável da impugnação ou do recurso interposto, ou da ação judicial.

 Fonte: G1

Onda de furacões assusta a América

13/09/2017

Ao se aproximar do Caribe, Lee passa de tempestade para furacão

Previsão é que ele ganhe ainda mais intensidade até segunda-feira; já o Maria, que se aproxima dos Estados Unidos, perde força após devastar Porto Rico

Furacão Maria

A imagem de satélite feita pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), mostra o furacão Maria. A tempestade devastou áreas em Porto Rico, nas Ilhas Virgens americanas e em Guadalupe (Jose Romero/NOAA/RAMMB/AFP)

tempestade tropical Lee, que está a 1.408 quilômetros das Bermudas, no Caribe, ganhou força neste domingo e se transformou em um furacão de categoria 1, informou novo boletim do Centro Nacional de Furacões (NHC, na sigla em inglês) dos Estados Unidos, divulgado neste domingo.

Já o furacão Maria, que devastou áreas em Porto Rico, nas Ilhas Virgens Americanas e em Guadalupe, perdeu intensidade e foi rebaixado para a categoria 2 enquanto avança em direção ao norte, se aproximando da costa sudeste dos Estados Unidos. Apesar das mudanças, os dois furacões não representam atualmente ameaça para áreas povoadas.

Neste momento, Maria está a 495 quilômetros do norte das Bahamas e a 855 quilômetros do Cabo Hatteras, no estado americano da Carolina do Norte. O furacão se move a 15 quilômetros por hora, com ventos máximos sustentados de 110 quilômetros por hora. Apesar de ter perdido intensidade, o NHC indicou que a Carolina do Norte e a Carolina do Sul, além da parte central da costa leste dos Estados Unidos, devem monitorar o avanço do furacão Maria.

Quanto ao Lee, o NHC afirmou que o furacão se move a 2 quilômetros por hora, com ventos máximos sustentados de 140 quilômetros por hora – uma intensidade bem menor do que a do furacão Maria. No entanto, a expectativa do órgão americano é que Lee se fortaleça nas próximas horas e se torne um furacão mais intenso na segunda-feira.

Tempestade no México

No México, uma nova tempestade tropical, batizada de Pilar, se formou em frente à costa oeste do país e deve causar chuvas fortes em várias regiões, informou neste domingo o Serviço Meteorológico Nacional (SMN).

Segundo as previsões do órgão, Pilar não chegará a se tornar furacão, mas trará chuvas intensas durante sua passagem em paralelo à costa oeste do México. Atualmente, a tempestade tropical está a 95 quilômetros ao sul de Cabo Corrientes, em Jalisco.

O fenômeno se desloca para noroeste com velocidade de 10 quilômetros por hora, com ventos máximos sustentados de 75 quilômetros por hora. O SMN prevê tempestades intensas e torrenciais (de 150 a 250 milímetros de chuva) nos estados de Jalisco e Nayari. Também estão afetados os estados de Sinaloa, Colima e Michoacán.

Além disso, essas regiões serão afetadas com ventos superiores a 60 quilômetros por hora e por ondas que devem ultrapassar os três metros.

O órgão pediu que a população dos estados que podem ser atingidos sigam as recomendações da Proteção Civil e se prepare para a passagem da tempestade tropical. O SMN também estabeleceu uma zona de vigilância em coordenação com o centro americano de observações de furacões, NHC.

Errata: a primeira versão deste texto informava que o furacão era de categoria máxima, mas ele é de categoria 1 – o máximo é 5.

Fonte: Veja

Após devastar Dominica, Maria chega à Guadalupe e causa 1ª morte

Segundo Dennis Feltgen, porta-voz do NHC, o Maria mantiver sua força, poderá ser o maior furacão a atingir Porto Rico desde 1932

Após devastar Dominica, Maria chega à Guadalupe e causa 1ª morte

 

Ofuracão Maria atingiu na tarde desta terça-feira (19) à ilha de Guadalupe, um território francês no Caribe.

Autoridades locais confirmaram a morte de uma pessoa, mas o nome da vítima não foi divulgado. Pelo menos outras duas pessoas estão desaparecidas e cerca de 40% da população (o equivalente a 80 mil casas) está sem energia.

Outras 70 mil casas estão sem luz na ilha de Martinica, também território francês no Caribe.

O tempestade, que tinha sido rebaixado à categoria 4 no fim da segunda-feira (18), voltou a ser classificada como categoria 5 pelo Centro Nacional de Furacões dos EUA (NHC).

Mais cedo, o furacão devastou a ilha de Dominica e a tendência é que chegue às Ilhas Virgens britânicas e americanas e a Porto Rico entre terça-feira à noite e quarta-feira (20).

Segundo o NHC, no atual estágio o furacão poderá causar inundações e enchentes e ameaçar vidas.

Cerca de 70% das casas da Dominica tiveram seus telhados arrancados pelo furacão.

O primeiro-ministro de Dominica, Roosevelt Skerrit, um dos afetados pelo fenômeno, afirmou nesta terça que os moradores da ilha perderam “tudo o que o dinheiro pode comprar e substituir”.

Sua casa foi destelhada pela tempestade e ele teve que ser resgatado pelos bombeiros.

Skerrit escreveu em uma rede social que “o vento levou o telhado das casas de quase todas as pessoas com as quais eu conversei ou fiz contato”. Ele também afirmou que o dano era “devastador (…), de fato incompreensível” e pediu “ajuda de todo tipo”.

Jacques Witkowski, diretor-geral de segurança civil da França, disse que em Martinica, operações de reconhecimento ainda estavam em curso, “mas já podemos atestar que não há danos significativos”.

No início do mês, 68 pessoas morreram com a passagem do furacão Irma, sendo 36 em ilhas do Caribe e 32 no território continental dos Estados Unidos, cujo Estado mais atingido foi a Flórida.

O novo furacão deve passar ao sul das costas de Saint Martin e Saint-Barthélemy, ambas devastadas pelo furacão Irma, segundo o ministério da Defesa da Holanda.

“Na trajetória prevista, o olho de Maria se movimentará para o nordeste do Mar do Caribe hoje, com uma aproximação das Ilhas Virgens e de Porto Rico esta noite e na quarta-feira”, informou o NHC.

Segundo Dennis Feltgen, porta-voz do NHC, o Maria mantiver sua força, poderá ser o maior furacão a atingir Porto Rico desde 1932, quando uma tempestade de categoria 4 devastou a ilha. Com informações da Folhapress.

Fonte: G1

Autoridades estimam que furacão Irma destruiu 25% das casas nas ilhas de Florida Keys

Região fica ao sul da ponta da península da Flórida e foi varrida pelos ventos.


 

Uma área de casas-trailer na região de Florida Keys, na Flórida, após a passagem do Irma (Foto: AP/Matt McClain)Uma área de casas-trailer na região de Florida Keys, na Flórida, após a passagem do Irma (Foto: AP/Matt McClain)

Uma área de casas-trailer na região de Florida Keys, na Flórida, após a passagem do Irma (Foto: AP/Matt McClain)

A Agência Federal de Gestão de Emergências (Fema) dos Estados Unidos informou nesta terça-feira (12) que o arquipélago Florida Keys, por onde o furacão Irma passou com categoria 4 no domingo, teve parte substancial de suas contruções destruídas.

“Estimativas iniciais – e foi por esta razão que pedimos às pessoas que evacuassem a área por causa da maré – apontam que 25% das casas de Florida Keys foram destruídas e 60% foram danificadas”, afirmou Brock Long, administrador da Fema.

Imagens aéreas mostram destruição nas ilhas de Florida Keys nos EUA

Imagens aéreas mostram destruição nas ilhas de Florida Keys nos EUA

“No geral, todas as casas de Florida Keys foram afetadas de uma maneira ou de outra”, acrescentou.

O olho do furacão Irma tocou terra no arquipélago com ventos de 215 km/h no domingo, segundo dados do Centro Nacional de Furacões (NHC) dos EUA. Pelo menos dez mortes no país são atribuídas ao Irma e diversas cidades ficaram parcialmente inundadas, como Miami Beach e Jacksonville.

Após sobrevoar a área de Florida Keys, o governador Rick Scott disse que a zona tinha ficado “devastada” e os estacionamentos de trailers destruídos.

“Há devastação. Só espero que todos tenham sobrevivido, o que vimos foi horrível. (…) Há muitos danos”, contou Scott.

Moradores andam por parque de trailers destruído em Plantation Key, ilha ao sul da Flórida (Foto: Carlos Barria/Reuters)Moradores andam por parque de trailers destruído em Plantation Key, ilha ao sul da Flórida (Foto: Carlos Barria/Reuters)

Moradores andam por parque de trailers destruído em Plantation Key, ilha ao sul da Flórida (Foto: Carlos Barria/Reuters)

Após chegar a Florida Keys, Irma se deslocou para o norte e impactou o litoral sudoeste da península da Flórida na tarde do domingo e prosseguiu pelo interior para o norte do estado, o que o debilitou.

Após passar para o estado da Geórgia, já como tempestade tropical, Irma continuou a enfraquecer e agora é um ciclone pós-tropical e já se situa sobre o Alabama.

A Fema enviou cerca de 2,4 milhões de rações de comida e 1,4 milhão de litros de água à Flórida para atender as emergências causadas pelo Irma, enquanto 628 mil rações e 900 mil litros de água foram encaminhados ao estado da Geórgia.

Parque de trailers na ilha de Plantation Key, na região de Florida Keys (Foto: Carlos Barria/Reuters)Parque de trailers na ilha de Plantation Key, na região de Florida Keys (Foto: Carlos Barria/Reuters)

Parque de trailers na ilha de Plantation Key, na região de Florida Keys (Foto: Carlos Barria/Reuters)

Homem sentado em porta de loja após a passagem do Irma em Islamorada Key, em Florida Keys, nesta terça (12) (Foto: Carlos Barria/Reuters)Homem sentado em porta de loja após a passagem do Irma em Islamorada Key, em Florida Keys, nesta terça (12) (Foto: Carlos Barria/Reuters)

Homem sentado em porta de loja após a passagem do Irma em Islamorada Key, em Florida Keys, nesta terça (12) (Foto: Carlos Barria/Reuters)

Placa proíbe a entrada de moradores a área de Islamorada, em Florida Keys, nesta terça (12) (Foto: Reuters/Carlos Barria)Placa proíbe a entrada de moradores a área de Islamorada, em Florida Keys, nesta terça (12) (Foto: Reuters/Carlos Barria)

Placa proíbe a entrada de moradores a área de Islamorada, em Florida Keys, nesta terça (12) (Foto: Reuters/Carlos Barria)

Imagens de satélite mostram Key West, uma das cidades de Florida Keys, em janeiro (à esquerda), e na segunda feira (11) (Foto: Digital Globe Via AP)Imagens de satélite mostram Key West, uma das cidades de Florida Keys, em janeiro (à esquerda), e na segunda feira (11) (Foto: Digital Globe Via AP)

Imagens de satélite mostram Key West, uma das cidades de Florida Keys, em janeiro (à esquerda), e na segunda feira (11) (Foto: Digital Globe Via AP)

Trajeto Irma (Foto: Arte/G1)Trajeto Irma (Foto: Arte/G1)

Trajeto Irma (Foto: Arte/G1)

Terremoto no México

13/09/2017

Terremoto no México: mais de 130 mortes foram confirmadas

Há registros de incêndios e vazamento de gás em outros bairros da Cidade do México

Terremoto no México: mais de 130 mortes foram confirmadas

 

Sobe para 138 o número de vítimas fatais confirmadas no terremoto que atingiu o México em 19/9/17 . Conforme a Agência de Proteção Civil, foram contabilizadas 36 mortes apenas na capital, Cidade do México. Outras 64 pessoas morreram em Morelos, 29 em Puebla e 9 no estado do México.

Autoridades atualizaram o número de mortes em Puebla, antes divulgado como 49. Conforme o jornal italiano La Repubblica, duas mulheres de 30 anos perderam a vida na queda de parte de um edifício, no Centro Histórico da Cidade do México. Outras duas vítimas, um homem e uma mulher, foram atingidos pela estrutura da Escola Normal do Estado.

A estimativa é de que pelo menos 3,8 milhões de mexicanos estejam sem abastecimento de energia elétrica. As pistas do Aeroporto Internacional Benito Juáre, na capital, foram atingidas e cerca de 180 voos foram cancelados. Cartões-postais da cidade também foram afetados. O histórico estádio Azteca sofreu rachaduras.

O presidente Enrique Peña Nieto confirmou que 27 casas ou edifícios desmoronaram na capital. Um deles foi em Condesa, no Centro da Cidade do México. De acordo com o responsável pela Proteção Civil da capital, Fausto Lugo, há pessoas soterradas, além de registros de incêndios e vazamento de gás em outros bairros da Cidade do México.

O The Guardian chegou a publicar que o Serviço Geológico dos Estados Unidos aumentou a intensidade do tremor para 7,4 na escala Ritcher. O epicentro foi sentido em Puebla, com 51 km de profundidade.

O sismo abala o país exatos 32 anos após o maior terremoto sofrido na Cidade do México, em 1985, quando 10 mil pessoas morreram. No último dia 8, a área de Oaxaca, onde o tremor desta terça também foi sentido, foi uma das mais atingidas. Equipes de resgate informam que 45 pessoas morreram na região. Foram 96 mortes em todo o país. O epicentro foi próximo à fronteira com a Guatemala e foi sentido na Cidade do México.

Fonte: G1

 

Número de mortos em terremoto no México sobe para 96

Mais de dois milhões de pessoas foram atingidas no sul do país

Terremoto no sul do México deixa 96 mortos

Terremoto no sul do México deixa 96 mortos

O número de mortos pelo terremoto de 8,1 graus de quinta-feira (7) no México, o mais intenso em um século no país, subiu para 96 nesta segunda-feira (11) após a confirmação de novos óbitos no estado de Oaxaca, informou a presidência, segundo a France Presse.

Eduardo Sánchez, porta-voz da presidência do México, confirmou o novo balanço, depois que o governador de Oaxaca informou na televisão local sobre as novas vítimas no estado.

Estima-se, segundo o jornal mexicano “El Universal”, que mais de dois milhões de pessoas foram atingidas no sul do país. Apenas em Oaxaca morreram 76 pessoas. O governador do estado, Alejandro Murat, afirmou que uma avaliação preliminar indica que 12 mil moradias foram atingidas – apenas na cidade de Juchitan, 5.000 casas foram destruídas.

“Estamos unidos para enfrentar essa crise humanitária”, disse Murat, completando que 1 milhão de pessoas em Oaxaca precisam de comida, água, elerticidade e auxílio na reconstrução de moradias.

Sobe para 96 o número de mortes causadas pelo terremoto que atingiu o México

Sobe para 96 o número de mortes causadas pelo terremoto que atingiu o México

Em Chiapas, estado mais próximo ao epicentro do tremor, 1,5 milhão de pessoas foram afetadas, segundo oficiais citados pela Reuters.

Estados de Oaxaca, Chiapas e Tabasco foram os mais atingidos pelo tremor, considerado o mais forte a atingir o país desde 1932, segundo o “El Universal”. Centenas de milhares de pessoas estão sem abastecimento de água nesta região.

 (Foto: ARTE/G1) (Foto: ARTE/G1)

(Foto: ARTE/G1)

 

Texas

 

Diante da magnitude do terremoto que atingiu o país, o México decidiu interromper a ajuda humanitária que estava sendo prestada às vítimas do Furacão Harvey, que atingiu o Texas no mês passado. A informação foi confirmada pelo ministro de Relações Exteriores do país.

Sobe para 96 o número de mortes causadas pelo terremoto que atingiu o México

Sobe para 96 o número de mortes causadas pelo terremoto que atingiu o México

Fonte: G1

Furacão “Harvey” castiga Houston, no Texas

29/08/2017

 

O antes e depois do furacão ‘Harvey’

Comparações postadas nas redes sociais mostram a magnitude das inundações em Houston

A rodovia 45 de Houston, antes e depois do 'Harvey'Ampliar foto
A rodovia 45 de Houston, antes e depois do ‘Harvey’ GETTY/REUTERS

O furacão Harvey, que castiga Houston, no Texas, desde a última sexta-feira deixou até agora oito mortos e mais de 30.000 desalojados. A quarta maior cidade dos Estados Unidos  se encontra, literalmente, debaixo d’água. A imprensa e as redes sociais estão mostrando os graves danos causados na região, compartilhando imagens do antes e depois dessas históricas inundações.

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“Essa imagem da I-45 de Houston em um dia normal ao lado de uma atual ajuda a contextualizar a magnitude das inundações”.

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“Houston completamente debaixo d’água”.

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“Uma extraordinária inundação em Houston. Aqui está o antes e o depois da I-160″.

“Do lado esquerdo, o Memorial Park no sábado; do lado direito, o Memorial Park na manhã de domingo”.

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“Houston antes e depois (por enquanto)”.

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“Antes e depois das inundações em Houston. Rezem por eles. É horrível”.


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“Precisam de ajuda o quanto antes. Retuitem, por favor”.

A ajuda não demorou a chegar após essa imagem se popularizar nas redes sociais. Os serviços de emergência resgataram 15 moradores do lar, que foram esvaziados de helicóptero. Uma nova imagem mostra alguns deles sãos e salvos.

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“Lembram da imagem dos idosos do Texas com água até o peito após o furacão Harvey? Nova imagem: Estão a salvo”.

Fonte: El País

Acidentes de barco na Bahia e Pará

27/08/2017

Marinha liga 80% dos naufrágios a erro humano

Declaração foi dada pelo comandante da Marinha brasileira, o almirante Eduardo Bacellar Leal Ferreira

Marinha liga 80% dos naufrágios a erro humano

 

Ocomandante da Marinha brasileira, almirante Eduardo Bacellar Leal Ferreira, disse ao Estado que 80% dos acidentes com embarcações registrados em rios, lagos e mares do País são por “negligência, imperícia ou imprudência”. Apesar de admitir problemas de fiscalização, ele afirmou que os naufrágios no Pará e na Bahia na semana passada, com 41 mortos, não estão diretamente ligados a essa questão.

“A fiscalização precisa melhorar? Precisa. Mas não é só isso”, afirmou. “Não é possível ter um fiscal em cada rio e ponto do País e vistoriar todas as embarcações.” Ele lembra que no Brasil são mais de 20 mil quilômetros de vias navegáveis. Por semana, 4,5 mil viagens intermunicipais são por barcos, lanchas e navios, conforme a pesquisa divulgada neste ano pelo IBGE.

Ele ressalta que a fiscalização é difícil porque muitas vezes a distância entre a unidade da Marinha e a área a ser vistoriada chega a 500 quilômetros – como, por exemplo, na Amazônia.

Não há, porém, previsão de abertura de novos postos de fiscalização. Segundo o Comando da Marinha, em 2016 houve 9,8 mil infrações, das quais 2.379 concentradas em Amazonas, Rondônia, Roraima e Acre. No total, foram inspecionadas 173 mil embarcações em 2016. Neste ano, houve 108 mil perícias.

A Capitania dos Portos da Bahia (CPBA), por exemplo, faz diariamente ações de inspeção na Baía de Todos os Santos, “até mesmo em fins de semana e feriados”, como destaca a Marinha. Nessas ações, são abordadas as embarcações atracadas e verificam tripulação, lotação e equipamentos obrigatórios de segurança até coletes, sinalizadores, rádios e boias. Só em 2017, a CPBA fez 5.847 inspeções em embarcações do tipo na Baía de Todos os Santos.

Problemas

Pelos rios do Pará navegam diariamente cerca de 30 mil embarcações autorizadas pela Marinha, mas a Agência Estadual de Regulação e Controle de Serviços Públicos (Arcon) liberou até hoje só 128 para o transporte de passageiros no Estado. “Quando detectamos irregularidade, comunicamos à Arcon para as providências”, disse José Alexandre Santiago, o comandante dos Portos do Pará,. Bruno Guedes, da Arcon, ressalta que o proprietário sabe seus deveres. “Infelizmente ainda há gente que prefere fazer de forma clandestina.”

Para o almirante, três fatores são preponderantes para que os acidentes caiam: mudar a mentalidade e educação de quem transporta e dos passageiros – que têm de se preocupar em cobrar, por exemplo, coletes salva-vidas -; a punição mais rápida pela Justiça; e a fiscalização.

Fonte: Notícias ao minuto

Estado Islâmico ataca a Catalunha

27/08/2017

Sobe para 16 o número de mortes em ataques na Catalunha

Uma turista alemã, que havia ficado gravemente ferida no ataque, morreu em 27/8/17

Sobe para 16 o número de mortes em ataques na Catalunha

Morreu em 27/8/17 uma turista alemã, de 51 anos, que havia ficado gravemente ferida no ataque terrorista na região da Rambla, em Barcelona.

De acordo com o jornal espanhol ‘El País’, a informação foi confirmada pelo Departamento de Saúde da Catalunha. Com essa morte, subiu para 16 o número de vítimas mortais no duplo ataque em Barcelona e Cambrils, ocorrido nos dia 17 de agosto e 18 de agosto.

Segundo informações da imprensa local, a mulher permaneceu em condição crítica na UTI do hospital desde 17 de agosto, dia do ataque.

Ao todo, 24 pessoas ainda continuam internadas em hospitais. Destas, cinto estão em estado crítico, quatro graves e 15 menos graves.

O grupo jihadista Estado Islâmico reivindicou a autoria dos ataques.

Fonte: Notícias ao minuto

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