As escolas que venceram o bullying

Na contramão da maior parte das instituições de ensino do País, que ainda não possuem práticas para coibir a discriminação, alguns colégios já adotam modelos bem-sucedidos para assegurar a boa convivência entre os alunos


COMBATE Para coibir o bullying, alunas do Bandeirantes convidam colegas para atividades de integração (Crédito:GABRIEL REIS)

A imagem de um jovem cabisbaixo, isolado em um dos cantos do pátio, ou de uma criança acuada após ter sido vítima de provocações começa a se tornar rara em algumas escolas do País. Apesar de  numericamente ainda serem poucas, instituições de ensino têm desenvolvido metodologias específicas para combater a intimidação e se transformado em exemplos na batalha contra a discriminação e a propagação do ódio no ambiente escolar. O caminho não é simples, mas os resultados das iniciativas mostram que é possível coibir a prática.

Os programas anti-bullying vão desde grupos
de jovens que aprendem a auxiliar as vítimas até
palestras para capacitar pais e professores

Um desses colégios é o Bandeirantes, um dos mais tradicionais de São Paulo. Lá, as estudantes Mariana Avelar, 14 anos, e Isabela Cristante, de 12, fazem parte dos grupos de ajuda do Programa de Combate ao Bullying. Elas foram escolhidas pelos demais alunos para participar de dois dias de capacitação com uma equipe de professores universitários e psicólogos.

Por meio de situações hipotéticas, o treinamento deixou claro o que é bullying e como elas deveriam agir em diferentes casos. “As pessoas mais isoladas são aquelas com gostos diferentes da maioria. Tentamos nos aproximar até que o colega se sinta confiante para conversar”, diz Mariana, estudante do 9º ano. “Aprendemos que, às vezes, o problema é maior do que parece, e precisamos levá-lo aos orientadores”, conta Isabela, da 6ª série. Os estudantes também conversam com quem presencia ou pratica o bullying. “O agressor se conscientiza mais rapidamente” , afirma Isabela.

Com pulseiras para identificação, os participantes percorrem a escola auxiliando nos casos em que percebem o isolamento. A estratégia está funcionando. “Observamos a redução de casos”, afirma Marina Schwarz, orientadora da escola. “Hoje temos mais acesso aos episódios de provocação, que normalmente ocorrem por trás das autoridades.”


CONSCIÊNCIA A orientadora Edna e o estudante Igor Bomfim, do Soka (SP). “Se passar dos limites, já não é brincadeira”, diz ele (Crédito: GABRIEL REIS)

Outro colégio que adotou medidas para coibir o bullying é o Soka, também de São Paulo. Há dois anos, a escola organiza palestras com advogados e psicólogos. “Conversamos com os pais sobre a responsabilidade deles em verificar os celulares dos filhos. É preciso identificar se há indícios de bullying nas conversas em grupos de redes sociais”, afirma o diretor James Jun Yamauti.

A instituição também capacitou orientadores para dar assistência a alunos que chegam de outras escolas. “Trabalhamos com jovens que tiveram dificuldade de adaptação para que tenham um entrosamento melhor”, afirma Edna Zeferino Menezes, assistente de orientação educacional. Na sexta-feira 27, a escola deu início à semana do “Preconceito Não”, com palestras sobre direitos da população negra, questões de gênero e indígenas e a trajetória da população LGBT. “A ideia é que os alunos reflitam sobre questões que interferem diretamente no bullying e identifiquem se já vivenciaram situações semelhantes”, explica Yamauti. “Os constrangimentos diminuíram bastante. Se uma brincadeira passa dos limites, deixa de ser brincadeira”, afirma Igor Seiji Ando Bomfim, 15 anos, que relata ter ajudado colegas que sofreram discriminação.


AUXÍLIO O orientador Bruno Sciuto foi um dos profissionais capacitados pelo colégio Soka para apoiar alunos (Crédito:GABRIEL REIS)

Descontrole

Em um momento no qual o tema vem à tona mais uma vez após o bullying ter sido apontado pela polícia como um dos fatores que levaram um adolescente de 14 anos a atirar contra colegas em uma escola de Goiânia na sexta-feira 20, é fundamental que iniciativas como essas deixem de ser fatos isolados.

Os colégios devem começar a colocar em prática ações determinadas pela lei contra os atos de perseguição, em vigor desde abril do ano passado. Uma delas é a produção de relatórios bimestrais com eventuais casos. “O bullying não é controlado pelas autoridades pela falta de dados, o que dificulta o diagnóstico da extensão do problema”, afirma advogada Ana Paula Siqueira Lazzareschi, especialista em direito digital. Outro aspecto importante é que, além do suporte à vítima, as instituições devem oferecer assistência ao agressor.

A ocorrência ainda diária das intimidações mostra, no entanto, um descompasso muito grande entre o que faz a maioria das escolas e o que manda a legislação. Casos extremos, como o de Goiânia, evidenciam, porém, a urgência na adoção de medidas efetivas. “O bullying não pode ter sua gravidade subestimada e ser tratado como uma brincadeira de criança”, diz a advogada Ana Paula. “A cultura da vingança ainda é muito presente  na sociedade e é esse desejo que está por trás do comportamento do agressor”, diz.

Terminando em tragédias ou não, casos de bullying têm efeitos indeléveis para a vítima, o agressor e toda a escola. “Ocasionam rachas nas salas de aula, colocam metade dos alunos contra o agressor e a outra parte a favor da vítima”, diz Ana Paula. Por isso, os programas de combate a práticas tão cruéis são fundamentais para reverter o aumento da intolerância em ambientes de aprendizado. Não de destruição.

Disposição para ajudar

Satisfação em ver os colegas enturmados é o que move as alunas Mariana Avelar e Isabela Cristante, do 9º e do 6º ano, respectivamente, do Bandeirantes, em São Paulo. Há um ano, elas foram escolhidas para fazer um treinamento de capacitação e saber como atuar em casos de bullying. Desde então, as estudantes percorrem os espaços da escola e sempre que percebem situações de isolamento ou provocação se aproximam da vítima ou dos que testemunharam a ação. “Saber que consegui ajudar é muito bom”, diz Isabela.

 

De notas baixas a depressão na vida adulta, as marcas do bullying na vida de agredidos e agressores

Se não forem identificadas e combatidas a tempo, humilhações – que são mais comuns no Brasil do que se imagina – podem causar estragos na formação acadêmica e na saúde mental; veja ideias de como identificar e como responder ao problema.


Projeto de prevenção ao bullying em escola no interior de São Paulo (Foto: Osnei Réstio/Prefeitura de Nova Odessa)

Projeto de prevenção ao bullying em escola no interior de São Paulo (Foto: Osnei Réstio/Prefeitura de Nova Odessa)

Na pequena cidade no interior de São Paulo, o estudante Edmar Aparecido Freitas, de 18 anos, volta ao colégio onde concluiu o ensino médio, Coronel Benedito Ortiz, cumprimenta a zeladora e se dirige para o pátio. Lá, bem na hora do recreio, saca um revólver calibre 38 e começa a efetuar disparos. Após ferir nove pessoas, entre alunos, professores e funcionários, se mata com um tiro na cabeça.

O caso de Taiuva, a 363 km da capital paulista, é o primeiro que se tem notícia de bullying que termina em morte no Brasil – Edmar sofria de obesidade e, mesmo depois de perder 30 quilos, continuou a ser ridicularizado pelos colegas. De lá para cá, pelo menos três outros episódios deixaram um saldo de 16 mortos e 16 feridos.

A tragédia mais recente a reacender o debate sobre bullying aconteceu em Goiânia na semana passada, quando um estudante de 14 anos disparou contra colegas, matando dois e ferindo outros quatro. Testemunhas disseram que o aluno sofria com gozações dos colegas, mas os pais e a direção da escola afirmaram não ter conhecimento disso. Ainda se investiga se foi isso o que detonou o episódio.

Nesta terça-feira, um boletim hospitalar informou que uma das adolescentes baleadas no caso teve uma lesão na medula e ficou paraplégica.

Casos de bullying no ambiente escolar são mais comuns do que se pensa. Segundo dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), 7,4% dos 2,6 milhões de estudantes que cursaram o 9º ano do ensino fundamental em 2015 – algo em torno de 195 mil alunos – afirmaram ter sofrido bullying por parte dos colegas.

Entre os que se sentiram humilhados, os principais motivos de chacota foram a aparência do corpo (15,6%) e do rosto (10,9%).

O índice de alunos que admitiram já ter chantageado o colega, espalhado boatos ou criado apelidos pejorativos consegue ser ainda maior: 19,8% – ou 520 mil estudantes. Desses, 24,2% são meninos e 15,6%, meninas.

“As consequências são as mais variadas e dependem muito de cada indivíduo. No entanto, todas as vítimas, em maior ou menor proporção, sofrem com os ataques”, afirma a psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva, autora do livro Bullying: Mentes Perigosas nas Escolas. “Muitas delas levarão marcas profundas para a vida adulta e precisarão de apoio para superar o problema.”

O estrago mais evidente é no próprio rendimento escolar dos alunos que sofrem ou praticam esse tipo de agressão física ou psicológica.

Essa é uma das conclusões a que chegou a mais recente edição do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA, na sigla em inglês), de 2015. De acordo com o estudo, que avaliou o desempenho escolar de 540 mil estudantes de 72 países, escolas com alta incidência de bullying tendem a apresentar notas mais baixas do que aquelas que procuram combater essa prática dentro e fora de sala de aula.

“O bullying traz sérias consequências tanto para o agressor quanto para a vítima”, alerta Andreas Schleicher, diretor de Educação da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), responsável pela aplicação do PISA.

“Tanto aqueles que praticam bullying quanto os que sofrem estão mais sujeitos a tirar notas baixas, faltar às aulas e a largar os estudos que aqueles que não têm relação conflituosa com os colegas.”

 

Do bullying à depressão

 

A longo prazo, o impacto pode ser notado não apenas no desempenho escolar do aluno, mas também em sua saúde física e mental. É o que dizem dois estudos – um americano e outro britânico.

O primeiro deles, do Hospital Infantil de Boston, nos EUA, revela que quanto mais longo o período em que uma criança ou adolescente sofre ameaça, xingamento ou intimidação, mais grave e duradouro será o impacto sobre a saúde da vítima.

Para chegar a essa conclusão, a pediatra Laura Bogart e sua equipe monitoraram a saúde de 4,2 mil estudantes do quinto ao 10º ano. E descobriram que, não importa a idade, sofrer bullying pode causar desde baixa autoestima até quadros de estresse, ansiedade e depressão.

O outro estudo é da universidade King’s College London, na Inglaterra. A psicóloga Louise Arseneault investigou o histórico médico de mais de 7 mil britânicos desde a época em que tinham entre sete e 11 anos e ainda frequentavam o colégio até a quinta década de vida. E o resultado foi preocupante: indivíduos que sofreram maus-tratos na infância tinham mais propensão que os demais a desenvolver doenças psicossomáticas na vida adulta.

“Há uma máxima na medicina que diz: quanto mais cedo você diagnosticar um problema e começar a tratá-lo, melhor será o prognóstico. Esse raciocínio se aplica também ao bullying”, alerta o psiquiatra Ricardo Krause, vice-presidente da Associação Brasileira de Neurologia, Psiquiatria Infantil e Profissões Afins (ABENEPI).

“Quanto mais cedo você identificar um caso de bullying e começar a combatê-lo, menor será o estrago que ele vai causar na vida tanto da vítima quanto do agressor.”

 

O que é bullying – e o que não é

 

Mas, será assim tão fácil identificar um caso de bullying? Especialistas garantem que sim. Para tanto, a agressão deve reunir quatro características: a intenção do autor em ferir o alvo, a repetição da agressão, a presença de um público espectador e a concordância do alvo com relação à ofensa. Em outras palavras: discussões ou brigas pontuais entre alunos não são bullying. Conflitos entre aluno e professor também não.

E mais: o bullying físico, aquele que engloba violência como socos, chutes e empurrões, é o de mais fácil identificação. Mas existem outros sete tipos: psicológico, moral, verbal, sexual, social, material e virtual. Meninos praticam (e sofrem) mais bullying físico. Meninas, moral.

Quem sofre bullying, não importa o tipo, tende a apresentar um comportamento típico: no recreio, permanece isolado do resto do grupo ou próximo a adultos que podem protegê-lo das investidas do agressor. Em sala de aula, fala pouco, falta muito e tira notas baixas. Nas atividades em grupo, é sempre o último a ser escolhido. Em casa, quando está perto da hora de ir para a escola, costuma se queixar de dor de cabeça, enjoo ou tontura

Por que será?

 

“Em geral, as crianças não relatam seu sofrimento por medo ou vergonha. Por essa razão, a identificação precoce por pais ou professores é de suma importância”, avalia Barbosa Silva.

 

Como responder

 

Vigora no país desde o dia 9 de fevereiro de 2016 uma lei que obriga as escolas a combater o bullying.

O Programa de Combate à Intimidação Sistemática determina que equipes pedagógicas sejam capacitadas para desenvolver ações de prevenção e solução do problema, e que pais e familiares sejam orientados para identificar vítimas e agressores. Estabelece também que sejam realizadas campanhas educativas e fornecida assistência psicológica, social e jurídica a todos os envolvidos.

“Na prática, o combate ao bullying não melhorou em nada. O que as escolas fazem é dar palestras para os alunos, passar redação sobre o tema e ponto final. A capacitação dos educadores continua muito fraca e, sem ela, nada vai mudar”, avalia a psicóloga Valéria Rezende da Silva, autora do livro Bullying Não É Brincadeira.

Mas não basta capacitar os professores. A maioria deles já sabe distinguir entre brincadeira e perseguição, zoeira e ameaça, trolagem e intimidação. É preciso também engajar os pais e responsáveis na vida escolar de seus filhos, na opinião da psicopedagoga Maria Irene Maluf, diretora da Associação Brasileira de Psicopedagogia (ABPp).

“Precisamos desfazer a ideia de que o bullying é um problema para os professores resolverem. Na maioria das vezes, ele começa fora dos muros escolares”, ressalta Maluf.

Soluções para o problema existem, afirma a pedagoga Cléo Fante, autora de Fenômeno Bullying: Como Prevenir a Violência nas Escolas e Educar para a Paz. O mais famoso programa antibullying do mundo talvez seja o finlandês KiVa – acrônimo de “Kiusaamista Vastaan”, que significa “Contra o Bullying”, em livre tradução.

Diferentemente de outras metodologias, que focam o combate e a prevenção na figura da vítima e do agressor, o KiVa parte da premissa que, quando não faz nada, o espectador endossa a ação do agressor. “Em vez de apoiarem os praticantes de bullying ou de se omitirem de ajudar as vítimas, as testemunhas são orientadas a intervir, melhorando o convívio escolar”, explica Fante.

O KiVa foi criado em 2009 depois que um estudante de 18 anos invadiu sua escola na cidade de Jokela, em Tuusula, e matou oito pessoas.

Segundo levantamento com 30 mil alunos de 7 a 15 anos, o modelo pedagógico, desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Turku, chegou a erradicar o bullying em até 80% das escolas e a reduzir sua prática em outras 20%. Não por acaso, já foi exportado para mais de 20 países da Europa e América do Sul.

 Fonte: G1

ola diz que pais do colega que atirou são ‘tão ou mais culpados do que ele’

João Vitor Gomes, de 13 anos, estudava com o autor dos disparos há pelo menos quatro anos em um colégio de Goiânia. Além dele, outro aluno morreu e mais quatro ficaram feridos durante ataque.

Pais de João Vitor se emocionam ao falar da morte do filho em colégio de Goiânia (Foto: Paula Resende/G1)Pais de João Vitor se emocionam ao falar da morte do filho em colégio de Goiânia (Foto: Paula Resende/G1)

Pais de João Vitor se emocionam ao falar da morte do filho em colégio de Goiânia (Foto: Paula Resende/G1)

Os pais do estudante João Vitor Gomes, de 13 anos, que foi morto dentro da sala de aula, cobram a responsabilidade dos pais do atirador, um colega de 14 anos, pelo atentado, pois o adolescente tinha acesso a armas e sabia atirar. Além do primogênito do casal, os tiros causaram a morte de outro menino e deixaram quatro colegas feridos.

“Nada justifica, o menino era amigo de escola dele, se torna ainda mais difícil. Não é revolta, é indignação. Os pais são tão ou mais culpados do que ele. A situação foi propícia, tinha uma arma ao alcance dele, ele sabia manusear a arma, não matou meu filho sozinho”, disse a mãe do menino, a gestora de eventos Katiuscia Gomes Fernandes, de 40 anos, em entrevista exclusiva ao G1 e à TV Anhanguera.

G1 entrou em contato com a defesa da família do atirador após a declaração, mas não obteve retorno. Anteriormente, a advogada Rosângela Magalhães havia dito que o menino estava arrependido e abalado, assim como os pais dele, que são policiais militares.

 

João Vitor Gomes foi morto por colega no Colégio Goyases (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)João Vitor Gomes foi morto por colega no Colégio Goyases (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)

João Vitor Gomes foi morto por colega no Colégio Goyases (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)

De acordo com os pais de João Vitor, o filho e o atirador estudavam há pelo menos quatro anos juntos. Porém, eram amigos na escola, pois não frequentavam a casa um do outro e os pais não se conhecem.

“O João me falava que eles jogavam RPG [jogo de interpretação de papéis] juntos no recreio. Eles também estavam fazendo um projeto da escola juntos. O João me falava que ele era engraçado”, detalhou a mãe.

Mãe de João Vitor Gomes chora ao enterrar o corpo do filho, em Goiânia (Foto: Danila Bernardes/ TV Anhanguera)Mãe de João Vitor Gomes chora ao enterrar o corpo do filho, em Goiânia (Foto: Danila Bernardes/ TV Anhanguera)

Mãe de João Vitor Gomes chora ao enterrar o corpo do filho, em Goiânia (Foto: Danila Bernardes/ TV Anhanguera)

 

Filho dedicado

 

Os pais contam que João Vitor se dedicava muito a tudo que fazia. Neste ano, por exemplo, tinha tirado as melhores notas da turma em todos os simulados e se preparava para as Olimpíadas de Matemática.

 

“Era um filho obediente, muito estudioso, sério para aquilo que era para ser sério, como na escola e na catequese, mas muito brincalhão em casa, participativo, muito perfeccionista, humilde e sensível “, enumerou a mãe.

 

Pai de João Vitor, o analista de sistemas Fabiano Moreira Fernandes, de 43 anos, diz o filho era querido por todos os que o conheciam.

 

“Ele não tinha defeitos, era um grande amigo”, disse o pai, emocionado.

 

Além de João Vitor, o casal possui mais dois filhos, sendo um menino de 11 anos e uma menina de 8 meses de vida. “Só Deus é capaz de me dar forças para continuar vivendo. Tenho mais dois filhos e preciso de forças para cuidar deles”, disse a mãe.

Pai de João Vitor diz que o filho era 'sem defeitos' (Foto: Paula Resende/ G1)Pai de João Vitor diz que o filho era 'sem defeitos' (Foto: Paula Resende/ G1)

Pai de João Vitor diz que o filho era ‘sem defeitos’ (Foto: Paula Resende/ G1)

 

Atentado

 

O crime aconteceu na manhã do dia 20/10/17, em uma sala de aula do 8º ano do Colégio Goyases, no Conjunto Riviera, em Goiânia. Os disparos aconteceram no disparo entre duas aulas.

Segundo o delegado Luiz Gonzaga Júnior, responsável pelo caso, o autor dos disparos disse que sofria bullying de um colega e, inspirado em massacres como o de Columbine, nos Estados Unidos, e de Realengo, no Rio de Janeiro, decidiu cometer o crime. Filho de policiais militares, ele pegou a pistola .40 da mãe e a levou para a unidade educacional dentro da mochila.

Além de João Vitor, os tiros causaram a morte de João Pedro Calembo, também de 13 anos, e deixaram outros quatros colegas baleados. Um deles, Hyago Marques, recebeu alta em 22/10/17 e já se recupera em casa, mas outros três continuam internados.

João Vitor e João Pedro aparecem em centro de foto da turma (Foto: Arquivo Pessoal)João Vitor e João Pedro aparecem em centro de foto da turma (Foto: Arquivo Pessoal)

João Vitor e João Pedro aparecem em centro de foto da turma (Foto: Arquivo Pessoal)

 

Bullying

 

O coronel da Polícia Militar Anésio Barbosa da Cruz informou que o autor dos disparos era alvo de chacotas de colegas.  “Ele estaria sofrendo bullying, se revoltou contra isso, pegou a arma em casa e efetuou os disparos”, disse.

Um aluno de 15 anos, que estava na sala no momento do tiroteio, também contou que o adolescente era vítima de piadas maldosas.

 

 

Autor dos disparos e João Vitor eram colegas no Colégio Goyases há pelo menos quatro anos (Foto: Sílvio Túlio/ G1)Autor dos disparos e João Vitor eram colegas no Colégio Goyases há pelo menos quatro anos (Foto: Sílvio Túlio/ G1)

Autor dos disparos e João Vitor eram colegas no Colégio Goyases há pelo menos quatro anos (Foto: Sílvio Túlio/ G1)

 

Autor apreendido

 

O menor está apreendido apreendido na Delegacia de Polícia de Apuração de Atos Infracionais (Depai). A Justiça acatou pedido do MP e determinou  a internação provisória do menor por 45 dias. A Advogada que representa o adolescente disse que ele está “abalado” e “arrependido”

Tenente-coronel Marcelo Granja, assessor de imprensa da Polícia Militar, revelou ao G1 a conversa que teve com o pai do autor dos disparos, que é major da corporação. Segundo ele, o policial – seu amigo há mais de 15 anos – ainda está profundamente balado com o que aconteceu

O assessor informou que tanto o major quando a esposa, que também é policial e dona da arma usada pelo adolescente, serão ouvidos pela Corregedoria da PM. A oitiva deve ocorrer na próxima semana, mas ainda não há data definida.

Adolescente suspeito de efetuar disparos está apreendido, em Goiânia (Foto: Reprodução/ TV Anhanguera)Adolescente suspeito de efetuar disparos está apreendido, em Goiânia (Foto: Reprodução/ TV Anhanguera)

Adolescente suspeito de efetuar disparos está apreendido, em Goiânia (Foto: Reprodução/ TV Anhanguera)

 

O que se sabe até agora:

 

Veja a sequência dos fatos:

 

  • Colegas relatam que ouviram um barulho
  • Em seguida, os alunos viram o adolescente tirando a arma da mochila e atirando
  • Alunos correram para fora da sala de aula
  • O aluno descarregou um cartucho, carregou o segundo e deu um tiro, mas foi convencido pela coordenadora a travar a arma
  • Estudante foi levado para a biblioteca até a chegada dos policiais

 

 (Foto: Editoria de Arte/G1) (Foto: Editoria de Arte/G1)

Fonte: G1