Servidores do RJ enfrentam mais um dia de fila para receber doações; saiba como doar

Por causa da crise, servidores esperaram desde as 5h da manhã desta terça-feira pela doação de mantimentos básicos.

 

Servidores estaduais enfrentam mais um dia de fila para receber doações de alimentos

Servidores estaduais enfrentam mais um dia de fila para receber doações de alimentos

Os servidores estaduais ativos e inativos do Rio de Janeiro enfrentaram mais um dia de fila para receber comida. Às 5h desta terça-feira (18), já havia gente na fila. A previsão é de que 300 cestas básicas sejam distribuídas nesta terça.

No último sábado (15), primeiro dia de distribuição, cerca de 50 servidores voltaram para a casa sem mantimentos, já que a quantidade disponibilizada foi insuficiente para todos os necessidados.

Para doar alimentos não perecíveis (arroz, feijão, macarrão, farinha, fubá, sal, açúcar, leite em pó) basta entregar os itens, de segunda a sexta-feira, nos seguintes endereços no Centro do Rio: Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe), na rua Evaristo da Veiga 55, 7º andar; na Coligação dos Policiais Civis (Colpol), na Rua Sete de Setembro 141, 2º andar; no Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário (Sind-Justiça), na Travessa do Paço 23, 13º andar e também na Universidade do Estadual do Norte Fluminense (Uenf), na Avenida Alberto Lamego 2.000, no Parque Califórnia, em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense.

Fonte: G1

 

Sem salários, aposentados do Estado do Rio vivem em abrigos públicos e pensionatos

Aposentado pelo Estado, Gilson Alves vive em um abrigo na Ilha do Governador
Aposentado pelo Estado, Gilson Alves vive em um abrigo na Ilha do Governador Foto: Márcio Alves / Márcio Alves / 26-7-2017

Aposentado desde 2012, o técnico em radiologia Gilson Alves, de 69 anos, tem saudade do tempo em que recebia do Estado do Rio seu salário em dia. Segundo ele, nunca lhe faltou nada. O aluguel era pago em dia, a feira enchia a despensa e o dinheiro dava para bancar todas as obrigações. A crise, porém, passou como um furacão em sua vida. Com dois salários atrasados — maio e junho —, Seu Gilson ficou sem condições de bancar o aluguel. Ele “morou” na rua, por poucos dias, antes de ser acolhido pelo abrigo Stella Maris, na Ilha do Governador, administrado pela Prefeitura do Rio.

— Quero que o governo pense um pouco na situação que estamos passando. Ninguém chega no armazém ou no mercado e diz que vai pagar em dois ou três meses. Estamos vivendo um dia pior que o outro — disse o aposentado, que recebeu a reportagem do EXTRA em uma visita ao abrigo.

O aposentado, que perdeu a perna esquerda em um acidente aos 5 anos, recebe toda a assistência necessária no abrigo.

— Tive uma vida boa, de forma humilde. Não tenho parentes. Com os problemas no nosso pagamento, acabei aqui dentro (no abrigo). Sou querido por todos aqui— festejou.

Segundo Tereza Bergher, secretária Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos, o número de pessoas em situação de rua triplicou entre 2013 e 2016 — passou 5.580 para 14.279. Bergher lembrou que o atraso sobre os salários dos servidores contribuiu decisivamente para esse aumento.

— Acho que toda essa crise do Estado teve um reflexo no município. É uma situação humilhante para quem trabalhou a vida toda. Esse é apenas um entre os vários casos anônimos que existem pela cidade — lamentou a secretária.

Pensionato vira destino

- ELZA BRAZ
– ELZA BRAZ Foto: Marcelo Theobald / Extra – Economia

Também aposentada pelo Estado, Elza de Souza Braz, de 54 anos, viu ruir, em pouco tempo, a tranquilidade da vida que levava na Ilha de Paquetá. Servidora da secretaria de Fazenda por 33 anos, ela trocou a casa em um condomínio fechado na Ilha, por um pensionato em Botafogo. Ela conta que perdeu tudo diante do atraso do pagamento de sua aposentadoria.

— Eu tinha uma vida tranquila. Estava planeja minha mudança para Portugal. A crise começou e minha vida mudou. Tenho três cartões de crédito e a dívida acumulada é de R$ 50 mil. Não tenho dinheiro para pagar o mês do pensionato em que estou morando — desabafou a servidora.

Segundo Elza, a situação tem afetado sua saúde:

— Estou deprimida. São 200 mil famílias nessa situação. Contei com a ajuda de amigos para receber pouco mais de R$ 200. Usei parte desse valor para pagar as quentinhas que compro no dia a dia.

A decisão do Estado de priorizar o pagamento dos servidores ativos, e deixar boa parte dos aposentados e pensionistas com salários atrasados foi criticada pela secretária Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos, Tereza Bergher.

— É um absurdo deixar os aposentados e pensionistas em salário. É um momento em que a pessoa está fragilizada. Precisando ir ao médico, se cuidar. Justamente nessa fase, existe a ausência do Estado. É dramático. É desumano — avaliou.