Prefeitura identifica 22 pontos de usuários de crack após megaoperação na Cracolândia

Segundo secretário, usuários estão sendo monitorados pelo serviço social e de saúde.

 

Dependentes químicos da Cracolândia (Foto: Celso Tavares/G1)Dependentes químicos da Cracolândia (Foto: Celso Tavares/G1)

Dependentes químicos da Cracolândia (Foto: Celso Tavares/G1)

A Guarda Civil Metropolitana (GCM) mapeou 22 pontos de concentração de usuários de crack em São Paulo após megaoperação contra o tráfico na Cracolândia, no Centro. O secretário estadual de Desenvolvimento Social, Floriano Pesaro, disse que recebeu o relatório com o mapeamento às 7h15 desta quinta-feira (24).

“[São] aproximadamente 340 pessoas espalhadas na região da Nova Luz ampliada. Pega um pedacinho de Santa Efigênia, Santa Cecília, além da Praça Princesa Isabel . Segundo o secretário, esses usuários estão sendo monitorados pelo serviço social e de saúde.

Questionado se os 22 pontos surgiram após a operação, Pesaro disse que antes eles estavam concentrados na Dino Bueno e que isso facilitava o tráfico de drogas. “Antes da operação, a concentração era no fluxo, e o fluxo só aumentou [de anos para cá]”.

Prefeitura de São Paulo está proibida de retirar pessoas da Cracolândia à força

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O secretário falou com a imprensa antes de entrar em uma reunião com o prefeito João Doria (PSDB) sobre o projeto Redenção. Ele disse que não considera necessária a proposta do município sobre internação compulsória.

“Internação compulsória é algo que só existe quando há um laudo psiquiátrico. É individual e depende de avaliação de cada um, de cada dependente químico. Ela não pode ser a estratégia, ela não será a estratégia”, disse o secretário. “A legislação já prevê a questão da internação, compulsória ou voluntária, já temos legislação para isso. Sabemos qual é o caminho.”

 

Abrigos lotados

 

Os abrigos da Prefeitura ficaram lotados . Em pelo menos quatro centros de acolhimento visitados pela equipe do Bom Dia SP, na madrugada desta quinta-feira (25), não havia vagas disponíveis para as pessoas em situação de rua.

Um usuário de crack há nove anos, que não quis se identificar, conta que tentou ficar em um dos abrigos e, sem vaga, teve que dormir na rua.

“Eu tento, mas eu não consigo, porque está muito lotado. Aí, eu fico na rua, arrumo uma coberta, um pouquinho de comida e venho deitar. Estou tentando ver se eu consigo arrumar uma clínica, mas não consegui. Fui atrás de uma, mas o rapaz disse que eu tinha que ir lá para Rio Grande da Serra, mas eu não sabia ir.”

Font: G1

Governo e Prefeitura fazem ação na Cracolândia, em São Paulo

Um balanço da operação será divulgado mais tarde neste domingo

 A prefeitura paulistana e o governo do estado deflagraram neste domingo uma grande operação policial na região da Cracolândia para combater o tráfico de drogas. A Polícia Militar e a Secretaria de Segurança Pública ainda não deram informações sobre número de prisões, de feridos e como transcorreu a ação. Um balanço da operação deve ser divulgado mais tarde.

O prefeito João Dória visitou a região na manhã de hoje e disse que não houve vítimas durante a operação. A ação, afirmou Doria, faz parte do projeto Redenção. “[A operação] foi feita com muita eficiência, sem vítimas, sem violência. No âmbito medicinal e urbanístico, as ações começam agora – as internações dos que são psicodependentes, o atendimento da população em situação de rua que não é psicodependente e a reurbanização da área”, afirmou.

Doria disse também, em entrevista, que o projeto De Braços Abertos, da prefeitura anterior, foi finalizado. “Não haverá mais pensão, hotel, nenhum tipo de acomodação desse tipo, como existia anteriormente. Toda a área será reurbanizada, os hotéis serão fechados e a área passará por amplo projeto de reurbanização”.

Segundo o movimento Craco Resiste, a operação começou por volta das 4h, com forte presença de policiais. Integrantes do movimento disseram à reportagem que a polícia chegou jogando bombas. “De repente, tinha 300 ou 400 policiais do GOE [Grupo de Operações Especiais da Polícia Civil], jogando bomba e dizendo que era para acabar com o tráfico, mas aqui tem é um monte de aviãozinho [um intermediário, uma pessoa que busca e entrega droga ao cliente]. Não tem tráfico nenhum aqui. De repente, não tem mais ninguém na Cracolândia, disse Raphael Escobar à Agência Brasil. “O Doria [João Doria, prefeito de São Paulo] está querendo acabar com a Cracolândia, limpar a Cracolândia. Mas ninguém sabe o que ele fará com as pessoas daqui”, acrescentou.

O projeto De Braços Abertos (DBA) funcionou durante a gestão do prefeito Fernando Haddad, com foco na redução de danos. Além dele, há também na região o programa estadual Recomeço, que busca dependentes nas ruas a fim de levá-los para tratamento e reabilitá-los para o trabalho. Em casos extremos, são usadas internações involuntárias e compulsórias.

O projeto Redenção, da gestão Doria, pretende erradicar o tráfico de drogas em oito regiões da cidade conhecidas como Cracolândia. O projeto prevê ações em cinco campos: policial, social, medicinal, urbanística e de zeladoria urbana. As iniciativas, segundo a prefeitura, vão envolver grupos de trabalho que serão coordenados por quatro frentes: governo municipal, governo estadual, governo federal e sociedade civil organizada.

 Fonte: O Dia