No Nordeste, 17% das mulheres sofreram violência física ao menos uma vez, diz estudo

‘Machismo arraigado’ na região é um dos fatores do alto índice de violência contra as mulheres no âmbito familiar.

 

Mulheres agredidas têm queda de rendimento no trabalho e têm média salarial mais baixa, mostra estudo (Foto: Marcelo Brandt/G1)Mulheres agredidas têm queda de rendimento no trabalho e têm média salarial mais baixa, mostra estudo (Foto: Marcelo Brandt/G1)

Mulheres agredidas têm queda de rendimento no trabalho e têm média salarial mais baixa, mostra estudo (Foto: Marcelo Brandt/G1)

Três capitais do Nordeste lideram o ranking negativo da violência contra a mulher na região, conforme estudo divulgado nesta quinta-feira (23) pela ONU Mulheres e feito em parceria com a Universidade Federal do Ceará (UFC). Salvador, Natal e Fortaleza têm prevalência de violência doméstica física de 19,7%, 19,3%, e 18,9%, respectivamente. Em média, 17,2% das mulheres que vivem em uma capital nordestina sofreu violência física pelo menos uma vez na vida.

Apenas nos últimos 12 meses, 11% das mulheres nordestinas foram vítimas de violência psicológica, enquanto 5% sofreram agressões físicas e 2% violência sexual no contexto doméstico e familiar.

Os dados fazem parte da Pesquisa Condições Socioeconômicas e Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, que entrevistou 10 mil mulheres, representativas de 5 milhões de mulheres que vivem nas capitais nordestinas.

Prevalência de violência doméstica por tipo

Estado Violência emocional Violência física Violência sexual
Aracaju 26,3 15,4 8
Fortaleza 27 18,9 6,9
João Pessoa 32,5 17,8 8,8
Maceió 30,2 18,4 8,6
Natal 34,8 19,3 8,3
Recife 28,6 17,5 5,1
Salvador 24 19,7 7,8
São Luís 19,7 12,5 3,6
Teresina 22,1 14,2 6,3
Fonte: Onu Mulheres e UFC

O estudo mostra ainda que as crianças também são expostas à violência dentro de casa. Em Fortaleza, em 31% dos casos de violência contra mulheres, crianças também foram agredidas.

Também na capital cearense, 55% das crianças presenciaram quando mulheres foram agredidas dentro do domicílio, conforme o estudo.

Outro dado que a pesquisa destaca como “alarmante” é a “espiral da violência”, quando seguidas gerações mantêm a prática de violência na família. “Quatro a cada 10 mulheres que cresceram em um lar violento sofreram o mesmo tipo de violência na vida adulta. Ou seja, há uma repetição de padrão em seu próprio lar”, destaca o estudo.

Exposição de filhos à violência sofrida pela mãe

Estado Presenciou agressões Também foi agredida
Aracaju 62,1 15,5
Fortaleza 55,1 31,5
João Pessoa 64,2 22,8
Maceió 60,2 23,8
Natal 47,3 22,2
Recife 52,7 20,5
Salvador 52,5 30,1
São Luís 44,1 13,3
Teresina 50,9 30,7
Fonte: Onu Mulheres e UFC

 

‘Machismo arraigado’

 

Para Nadine Gasman, da ONU Mulheres Brasil, o machismo “arraigado” no Nordeste é uma das causas do índice de violência doméstica na região. “O Nordeste é uma das regiões com mais desigualdades no país, com machismo arraigado e concentração de população negra. A pesquisa capta a complexidade da violência, que demanda respostas políticas”, afirma Gasman.

Ainda conforme Gasman, a pesquisa revela uma necessidade “urgente” de medidas para conter a violência contra a mulheres. O estudo “traça um quadro concreto para ação urgente do poder público e da sociedade brasileira para impedir que mulheres e meninas fiquem para trás do desenvolvimento”, afirma.

 

Queda na produtividade

 

A pesquisa mostra também que as mulheres que sofrem agressão têm queda na produtividade no trabalho, o que impacta no salário.

Mulheres vítimas de violência domésticas, nos últimos 12 meses, reportam menor frequência no exercício de sua capacidade de concentração, na capacidade de dormir bem, em tomar decisões, além de se sentir frequentemente estressada e menos feliz em comparação as mulheres não vitimadas pelos parceiros.

Para a região Nordeste, mulheres vítimas de violência doméstica apresentam uma duração média de emprego 21% menor do que a duração daquelas que não sofrem violência e possuem um salário cerca de 10% menor do que aquelas que não são vítimas de violência. Ser vítima de violência doméstica se correlaciona negativamente com a produtividade e o salário-hora da mulher, e esse efeito é maior em mulheres negras.

 Fonte: G1

Violência contra mulher no interior de SP supera 3 vezes a da capital

Em relação às lesões corporais dolosas (quando há intenção), a capital registrou 779 e o interior, 2.794

© iStock

Com o dobro da população em relação à capital, o interior de São Paulo registra pelo menos três vezes mais casos de violência contra a mulher. Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), no ano passado houve, em média, 3,5 tentativas de homicídio por mês contra mulheres na capital, ante 17,9 no interior (três vezes mais).

Em relação às lesões corporais dolosas (quando há intenção), a capital registrou 779 e o interior, 2.794 (três vezes e meia mais). Já os casos de estupro consumados ficaram proporcionalmente iguais: média de 10 por mês na capital e de 20 no interior (duas vezes mais). Os homicídios que vitimaram as mulheres mantiveram a mesma proporção: 2,25 por mês na capital e 4,45 no interior (duas vezes mais).

Nos primeiros três meses de 2017, a violência contra a mulher no interior cresceu ainda mais, na comparação com os números da capital. Houve 2 tentativas de homicídio por mês em São Paulo e 16,3 no interior (oito vezes mais). A média mensal de lesões corporais em mulheres foi de 745 na capital e 2.971 no interior (quatro vezes maior). Já a média mensal de estupros consumados foi de 11,3 na capital e de 25 no interior. No período também foram registrados dois casos por mês de feminicídio, crime de ódio com base no gênero, na capital e 4,3 no interior.

O interior de São Paulo tem 23,5 milhões de habitantes e a capital paulista, 12 milhões, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A estatística leva em consideração os casos relacionados à Lei Maria da Penha, ou seja, aqueles caracterizados como de violência doméstica e familiar contra a mulher. Após abril de 2016, foram incluídos os casos de feminicídio. Muitos tiveram desfecho em cidades pacatas do interior, com baixos indicadores de violência.

Morte por não abortar

Foi o que aconteceu em Saltinho, cidade de 7 mil habitantes, na região de Piracicaba, em 24 de abril. O gerente de uma fábrica de roupas, Cristiano Romualdo, de 39 anos, matou a publicitária Denise Stella, de 31 anos, com quem mantinha relacionamento extraconjugal, porque ela engravidou e se negava a abortar. Romualdo jogou o corpo à beira de uma estrada. O gerente confessou o crime e está preso. Os dois eram conhecidos na pequena cidade que, nos últimos dez anos, tinha registrado apenas dois homicídios.

Para a assistente social Elisabete Pires da Silva, do Centro de Integração da Mulher (CIM-Mulher) de Sorocaba, que há 20 anos acolhe vítimas da violência doméstica, embora álcool e droga sejam os principais motivadores das agressões, em áreas mais remotas persiste um sentimento de posse do homem em relação à mulher.

“Ainda há um traço cultural machista, de que o homem pode ter toda a liberdade e a mulher, não. Quando se insurge, é reprimida e, muitas vezes, agredida. A cultura começa dentro de casa, quando pai e mãe toleram que o filho deixe roupas espalhadas e não ajude mas tarefas domésticas, mas obrigam a filha a fazer.”

Duas chacinas acontecidas em dezembro de 2016 no interior de São Paulo tiveram o machismo como ingrediente, segundo investigações policiais.

A primeira foi registrada em Jaboticabal. Depois de ser rejeitado por uma garota de programa, o cabeleireiro William Ferreira Costa, de 27 anos, matou seis pessoas em um bordel. Entre as vítimas, quatro eram mulheres, entre elas Dione da Silva Lima pivô do crime, e a dona do bordel, Leonilda Lucindo. Ele tentou justificar os assassinatos alegando que estava com a mulher quando outro homem a pegou pela mão e a levou ao quarto.

A segunda chacina aconteceu na noite de 31 de dezembro. O técnico de laboratório Sidnei Ramis de Araújo, de 46 anos, invadiu uma casa, em Campinas, e matou a tiros 12 pessoas da família e se suicidou. Nove das vítimas eram mulheres, entre elas sua ex-mulher, Isamara Filier, de 41 anos. Ela havia registrado cinco boletins de ocorrência por ameaças do ex-marido.

Uma carta escrita pelo homem revelou que a chacina era uma vingança. O texto tinha também conteúdo de ódio contra as mulheres. Na ocasião, o órgão as Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e Empoderamento das Mulheres (ONU Mulheres) repudiou o crime, considerando violência de gênero e fruto do “machismo”. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo. Com informações do Estadão Conteúdo.

Fonte: Notícias ao minuto

Vendedora denuncia violência doméstica e delegado pergunta se ‘não foi o guarda-roupa’

A vendedora Flávia Batista Florêncio, moradora da cidade de Piancó, no sertão paraibano, foi à delegacia denunciar uma agressão do ex-companheiro, mas relatou ter sido questionada pelo delegado se o ferimento não teria sido causado pela porta de um guarda-roupa ou uma queda.

A mulher contou à TV Paraíba que foi agredida quando voltava para casa com uma amiga. “Já entrou batendo em mim. Não lembro de muito coisa. Lembro de imagens. Quando eu me deito para dormir, vejo flashes, não consigo lembrar de tudo”, relatou.

Segundo a mãe de Flávia contou à reportagem, o delegado fez perguntas irônicas a ela sobre o que teria causado as escoriações.

“O delegado perguntou ironicamente ‘tem certeza que isso não foi a porta do guarda-roupa?’, ‘tem certeza que a senhora não caiu da escada?”.

Segundo a vendedora, ele não autorizou a medida protetiva e informou à advogada dela que não seria um “segurança particular”. Por isso, Flávio fez um pedido direto ao Ministério Público.

À reportagem da TV Paraíba, o delegado Rodrigo Pinheiro, responsável pelo caso, não respondeu sobre o tratamento dado à mulher quando ela foi registrar a ocorrência.

Ele disse ainda que tem duas linhas de investigação: a primeira, apresentada pela vítima, de que foi agredida em casa pelo ex-companheiro; e a outra de que ela foi agredida durante uma briga em um bar.

O delegado disse que irá ouvir testemunhas para concluir o inquérito policial e que não concedeu a medida protetiva porque avaliou que não era necessário.

Foto: Arquivo pessoal/ Reprodução
Fonte: Yahoo

Mulher vai à DP registrar queixa de calúnia e difamação e sai acusada de furto

Karine Fernandes voltou à delegacia para provar que era dela casaco que vendedora a acusava de ter furtado de loja em Madureira
Karine Fernandes voltou à delegacia para provar que era dela casaco que vendedora a acusava de ter furtado de loja em Madureira Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo

A autônoma Karine Fernandes dos Santos Santana, de 26 anos, moradora na Pavuna, compareceu na última quinta-feira, na 29ªDP (Madureira) para prestar queixa de calúnia e difamação sofrida numa loja de roupas do bairro. A jovem, que havia sido acusada injustamente, por uma vendedora, de furtar um casaco que na verdade era seu, contou que saiu da delegacia na condição de acusada.

Nesta quarta-feira, ela voltou à DP para provar, por meio de apresentação de nota fiscal e fotografias que era a dona de fato da roupa. Ela saiu da delegacia com um termo de declaração, no qual pede para reverter a acusação contra a vendedora, pelo crime que originou a sua ida ao local, na semana anterior.

— Fiquei desnorteada em casa caçando essa nota, encontrei ela, trouxe aqui, mas não consegui recuperar meu casaco, pois estão dizendo que foi para a perícia — disse a moça, sobre a peça comprada em 28 de abril, numa loja de São João de Meriti, na Baixada Fluminense, conforme comprovante apresentado à polícia.

A revolta maior de Karine, é com reação à forma como ela diz ter sido tratada tanto pela vendedora, como pelos policiais que conduziram a ocorrência. A jovem contou que sentiu humilhada na loja e na delegacia.

Tudo começou na quinta-feira passada, quando ela entrou no estabelecimento e resolveu experimentar uma roupa, que não a agradou. Karine disse que saiu do provador, devolveu a peça e foi embora. Momentos depois, já noutra loja, na mesma rua, a vendedora da primeira loja veio atrás dela, acusando-a de ter levado do estabelecimento o casaco preto que estava com ela.

— Ela (a vendedora) me abordou, puxou meu casaco e começou a falar que eu tinha pego da loja. Fui me defendendo, falando que era um absurdo e ela dizendo que as câmeras iriam provar (que ela estava falando a verdade) e eu dizendo que era aquilo mesmo que eu queria (as imagens das câmeras). Eu comecei a chorar, minha voz estava trêmula — afirmou.

Karine seguiu a moça, recuperou o casaco, já dentro da primeira loja, onde teria começado uma seção de constrangimentos, que continuou na presença de um segurança, que ameaçou agredi-la. Ela contou que ligou pra o 190 e para familiares e aguardou por cerca de duas horas a chegada dos policiais, que tentaram convencê-la a não levar o caso à delegacia. Na DP, os constrangimentos teriam continuado, dessa vez por parte dos agentes que a atendeu.

— Eu arrisco dizer que o atendimento na delegacia foi pior do que a acusação de furto, porque também aqui tentaram me persuadir a não levar o caso para frente. Enfim, tratando como se fosse um caso bobo. Tinha ainda o menosprezo como mulher e preta. A partir do momento que eu disse que ia levar pra frente, gritaram em alto e bom som que eu seria indiciada por furto.

A advogada Roberta Cristina Eugênio, do gabinete da vereadora Marielle Franco, presidente da Comissão de Defesa da Mulher da Câmara Municipal, a qual Karine recorreu, disse que vai acompanhar a apuração da atuação dos policiais junto a Corregedoria da polícia Civil e , com a ajuda da Comissão de Direitos Humanos da Alerj, pretende encaminhar o caso de Karine à Defensoria Pública do Estado, por meio do Núcleo Contra a Desigualdade Racial.

– Embora não tenha havido uma acusação verbal de cunho racial, Karine sente que na verdade a abordagem se deu pelo fato de ela ser negra. É um caso que reverbera para o racismo estrutural na sociedade e mostra como as pessoas negras são tratadas – disse a advogada.

A loja Belíssima, onde ocorreu o fato, foi procurada pelo EXTRA, mas a gerência informou que não se manifestaria. A vendedora, não foi localizada.

A assessoria de imprensa da Polícia Civil informou que as investigações estão em andamento na 29ª DP (Madureira) para apurar o caso. “Partes e testemunhas estão sendo ouvidas. O casaco foi encaminhado ao ICCE para realização de perícia”, diz a nota.

Fonte:Extra