A dor e solidão de Maria!

Ismael de Almeida

E o Cristo tão amado por nós seus amigos, veio à Terra como terno e suave alento de Deus, como perfume de rosas, para trazer ao coração humano, uma vivência de paz e de amor, e plantar jardins floridos nas almas da humanidade, e o homem com pés de besta pisoteou os jardins plantados pelo Senhor do Amor, espalhando ódio e vingança, em toda parte onde habita um ser humano.

Jesus viveu em Nazaré, a cidade de pássaros azuis, de doce cantar, de tardes pintadas de ouro pelos raios do sol que inundava, a cidade de encantos mil.

Ali depois da morte do Cristo Maria sua mãe viveu sua solidão, sonhava e sonhava com seu filho excelso, num resplendor divino que envolve as grandes almas que servem à humanidade.

Dir-se-ia que Maria absorvia todos os amores de seu filho, que eram acolhidos em seu coração e faziam brilhar seus olhos claros sempre orvalhados de silenciosa tristeza, irradiando tesouros de abnegação e bondade sem limite.

É verdade que o corpo físico é um reflexo da alma, e Maria era de uma beleza sublime e angelical, e os enormes padecimentos sofridos por ela, não alquebrou o seu corpo, mas deu a ela uma luminosidade que parecia divina.

Maria nasceu para os grandes martírios da alma, e sua existência foi um cálice de amargura sorvida, gota à gota. Maria veio para apagar toda dor, secar toda lágrima, estender as mãos para socorrer todo necessitado, trazer para seu coração a dor alheia, e suportou a maior dor do mundo quando viu morrer seu filho amado crucificado como malfeitor.

E quando a noite trazia seu manto de estrelas, Maria levava sua alma ferida para o Céu Infinito, e chorava sua desdita.

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Maria orava, coração machucado, olhos orvalhados, em solidão,

De alma sofrida, recolhia em si mesma, aos poucos como gotas de fogo,

Que feria sua alma pela falta do filho amado, que nunca mais voltaria!

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Maria orava ao Pai Eterno! — Deus meu, tem piedade de minha dor, apazigua minha solidão, recolhe o clamor de minha alma; eu vivo uma tristeza de morte!

Quem pode compreender a dor de uma mãe, que perde o filho cravado numa cruz?

Paz e Luz!

A dor da humanidade é muito grande, em toda parte do planeta há um grito de sofrimento, em meio a esta angústia eu te invoco, apelo a tua misericórdia, Ó Pai de Bondade!

Deus fala ao coração de cada ser humano que o busca com ternura de filho, e ali ressoa a voz sem som do amor inextinguível do Pai Eterno.

Meu Pai! Somos apenas aves errantes, que voamos sobre as planícies do mundo, levando as semente de amor de Nosso Senhor Jesus Cristo, e as depositamos nos corações sofridos, e nos ombros dos que carregam pesadas cruzes.

Pai de Ternura! Buscamos sufocar nossa própria dor, a fim de trazer para nós as dores de outros corações para curar a dor do mundo, que atemoriza os pequenos, por que o sofrimento espreita em toda parte, para angustiar as almas desprevenidas.

Senhor! Tu nos dá a solidão para que possamos encontrar a grandeza do infinito amor, que flui de teu coração como um manancial inesgotável. Tem piedade da humanidade, Meu Pai, em tuas mãos santas depositamos nossa angústia e o sofrimento humano.

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Quem caminha na vida buscando o amor do Senhor,

Encontra dentro de si mesmo, o ninho mais suave,

Pois o Pai do Céu vem de encontro àquele que o ama!

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A Natureza é uma incansável criadora de beleza, pois Deus a abençoou, para que ela abençoe àqueles que a buscam com ternura encontrará paz e consolo.

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Quando o ser humano unir a dor ao amor, alçará voos nunca sonhados na imensidão do infinito, e encontrará rosas brancas de paz e o aconchego de Deus.

Paz e Luz!

 Fonte: Anjo de Luz