Embaixadora dos EUA na ONU diz que lançamento de míssil da Coreia do Norte deixa mundo próximo da guerra

‘Se a guerra vier, o regime norte-coreano será totalmente destruído’, diz Nikki Haley. Embaixadora dos EUA pede que todos os países cortem relações com a Coreia do Norte.


 

Imahens divulgadas nesta quarta-feira (29) mostram o lançamento do míssil Hwasong-15 pela Coreia do Norte (Foto: REUTERS/KCNA)Imahens divulgadas nesta quarta-feira (29) mostram o lançamento do míssil Hwasong-15 pela Coreia do Norte (Foto: REUTERS/KCNA)

Imahens divulgadas nesta quarta-feira (29) mostram o lançamento do míssil Hwasong-15 pela Coreia do Norte (Foto: REUTERS/KCNA)

A embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Nikki Haley, disse nesta quarta-feira (29) durante reunião do Conselho de Segurança, que o último lançamento do míssil intercontinental feito pela Coreia do Norte deixou mundo próximo da guerra. E acrescentou que, se houver confronto, a Coreia do Norte vai ser completamente destruída.

“Nós nunca buscamos uma guerra com a Coreia do Norte, e até hoje não buscamos. Se a guerra vier, será por causa de seus atos contínuos de agressão como o que testemunhamos ontem”, disse Haley na ONU. “Se a guerra vier, não tenha dúvidas de que o regime norte-coreano será totalmente destruído”, acrescentou.

Nikki Haley, embaixadora dos EUA na ONU, durante reunião do Conselho de Segurança nesta quarta-feira (29) (Foto: Lucas Jackson/Reuters)Nikki Haley, embaixadora dos EUA na ONU, durante reunião do Conselho de Segurança nesta quarta-feira (29) (Foto: Lucas Jackson/Reuters)

Nikki Haley, embaixadora dos EUA na ONU, durante reunião do Conselho de Segurança nesta quarta-feira (29) (Foto: Lucas Jackson/Reuters)

A Coreia do Norte lançou o míssil Hwasong-15, que voou 1000km até cair no Mar do Japão, alcançou mais de 4.000 km de altitude, o que representa a máxima altura atingida até o momento por um projétil norte-coreano. A emissora de TV KCTC anunciou que o projétil é capaz de atingir “todo o território norte-americano” . Nesta quarta, a agência norte-coreana KCNA divulgou imagens do lançamento do míssil e do líder Kim Jong-un comemorando o teste (veja no topo desta matéria e abaixo).

Haley também pediu que todos os países cortem relações com a Coreia do Norte, e cobrou liderança da China neste quesito, pedindo que o país de Xi Jinping corte o fornecimento de petróleo à Coreia do Norte.

“Ninguém pode duvidar que o ditador da Coreia do Norte está se tornando mais agressivo em obsessão pelo poder nuclear”, afirmou.

A reunião de emergência do Conselho de Segurança desta quarta ocorre após pedido feito pelos Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul após o lançamento do míssil.

Foto divulgada nesta quarta-feira (29) mostra o líder norte-coreano Kim Jonh-Un acompanhando lançamento do míssil Hwasong-15 (Foto: REUTERS/KCNA)Foto divulgada nesta quarta-feira (29) mostra o líder norte-coreano Kim Jonh-Un acompanhando lançamento do míssil Hwasong-15 (Foto: REUTERS/KCNA)

Foto divulgada nesta quarta-feira (29) mostra o líder norte-coreano Kim Jonh-Un acompanhando lançamento do míssil Hwasong-15 (Foto: REUTERS/KCNA)

Kim Jong-un comemora o lançamento do míssil Hwasong-15 (Foto: REUTERS/KCNA)Kim Jong-un comemora o lançamento do míssil Hwasong-15 (Foto: REUTERS/KCNA)

Kim Jong-un comemora o lançamento do míssil Hwasong-15 (Foto: REUTERS/KCNA)

O líder norte-coreano Kim Jong-un comemora lançamento do míssil Hwasong-15 (Foto: REUTERS/KCNA)O líder norte-coreano Kim Jong-un comemora lançamento do míssil Hwasong-15 (Foto: REUTERS/KCNA)

O líder norte-coreano Kim Jong-un comemora lançamento do míssil Hwasong-15 (Foto: REUTERS/KCNA

 

Sanções

 

O último míssil disparado pela Coreia do Norte, um Hwasong-12 de alcance intermediário, foi lançado no dia 15 de setembro, sobrevoou o Japão e caiu no Oceano Pacífico.

A comunidade internacional condena os disparos de mísseis e considera os programas nuclear e balístico da Coreia do Norte violações contra as resoluções da ONU.

No dia 11 de setembro, o Conselho de Segurança da Organização impôs, por unanimidade, a proibição das exportações de produtos têxteis do país e limitou as importações de petróleo. Aquela foi a nona resolução de sanções aprovada por unanimidade pelo conselho de 15 membros desde 2006 sobre os programas de mísseis balísticos e nuclear da Coreia do Norte.

As sanções mais recentes foram uma resposta ao teste com uma bomba de hidrogênio, o sexto teste nuclear do país dos últimos 11 anos, ocorrido em 3 de setembro.

Coreia do Norte lança novo míssil após mais de 2 meses (Foto: Arte/G1)Coreia do Norte lança novo míssil após mais de 2 meses (Foto: Arte/G1)

Coreia do Norte lança novo míssil após mais de 2 meses (Foto: Arte/G1)

 Fonte: G1

Desertora do Exército norte-coreano relata rotina de estupros, higiene precária e menstruação interrompida

Fome que devastou a Coreia do Norte nos anos 90 levou muitas mulheres às forças armadas, em busca de melhores condições de vida© Reuters Fome que devastou a Coreia do Norte nos anos 90 levou muitas mulheres às forças armadas, em busca de melhores condições de vida

Uma ex-soldado da Coreia do Norte diz que ser mulher no quarto maior exército do mundo era tão desgastante para o organismo que ela logo parou de menstruar. E estupro, afirma, era uma realidade para muitas das companheiras com quem serviu.

Por quase 10 anos, Lee So Yeon dormiu na parte de baixo do beliche, em uma sala que dividia com mais de duas dúzias de mulheres. Cada uma delas possuía um gaveteiro para guardar seus uniformes. Em cima do móvel, cada uma mantinha duas fotografias emolduradas. Uma era do fundador da Coréia do Norte, Kim Il-sung. A segunda, do seu agora falecido sucessor, Kim Jong-il.

Lee partiu há uma década, mas mantém o cheiro daquele lugar vivo na memória.

“Nós suávamos bastante. O colchão em que dormíamos era feito de cascas de arroz e não de algodão. Então, todo o odor do corpo penetrava no colchão. Todo o odor de suor e outros cheiros estão ali. Não é agradável”.

Mulheres em treinamento: Mulheres tinham rotina de treinamentos mais leve que a dos homens, mas ainda assim com carga suficiente para afetar o funcionamento do corpo | Shutterstock© BBC Mulheres tinham rotina de treinamentos mais leve que a dos homens, mas ainda assim com carga suficiente para afetar o funcionamento do corpo | Shutterstock

Uma das razões para isso eram as condições das instalações de lavagem.

“Como mulher, uma das coisas mais difíceis é não poder tomar banho adequadamente”, diz Lee So Yeon.

“Porque não há água quente. Eles conectam uma mangueira a um riacho nas montanhas e é de lá que a água sai diretamente, às vezes com sapos e cobras”.

Motivação

Filha de um professor universitário, So Yeon, agora com 41 anos, cresceu no norte do país. Muitos homens de sua família haviam sido soldados, e, quando a fome devastou a Coreia do Norte nos anos 90, ela voluntariou-se – movida pelo pensamento de ter uma refeição garantida por dia. Milhares de outras jovens mulheres fizeram o mesmo.

“A fome resultou em um período particularmente vunerável para as mulheres na Coreia do Norte”, diz Jieun Baek, autor de North Korea’s Hidden Revolution (A Revolução escondida da Coreia do Norte, em tradução livre). “Mais mulheres tiveram que ingressar na força de trabalho e mais mulheres ficaram sujeitas a maus-tratos, especialmente a assédio e violência sexual”.

Juliette Morillot e Jieun Baek dizem que o depoimento de Lee So Yeon’s está de acordo com outros relatos que ouviram, mas alertam que desertores – aqueles que abandonam o serviço militar sem autorização – têm de ser tratados com cautela.

“Há uma alta demanda por informações da Coreia do Norte”, diz Baek. “Isso é quase incentivar as pessoas a contarem histórias exageradas à mídia, especialmente se são pagas para isso. Muitos desertores que não querem estar na mídia são muito críticos dos ‘desertores de carreira’. Vale a pena ter isso em mente”.

Informação de fontes oficiais da Coreia do Norte, por outro lado, é passível de ser pura propaganda.

Lee So Yeon não foi paga pela entrevista que concedeu à BBC.

Governo tem estimulado a distribuição de produtos de "marcas premium" para soldados, mas condições de vida no serviço militar continuam difíceis© Reuters Governo tem estimulado a distribuição de produtos de “marcas premium” para soldados, mas condições de vida no serviço militar continuam difíceis

No início, movida por um sentimento de patriotismo e esforço coletivo, ela, então com 17 anos, aproveitou a vida no Exército. Ela ficou impressionada com um secador de cabelo que recebeu, embora a eletricidade irregular significasse que usaria pouco o acessório.

Treinamento duro e alimentação reduzida causavam impacto

A rotina diária de homens e mulheres era aproximadamente parecida. Mulheres tendiam a ter, no entanto, um regime de treinos físicos ligeiramente menor – e eram obrigadas a realizar tarefas diárias como limpar e cozinhar, o que soldados homens eram dispensados de fazer.

“A Coreia do Norte é uma tradicional sociedade dominada por homens e tradicionais papeis de gênero permanecem”, diz Juliette Morillot, autora de North Korea in 100 questions (Coreia do Norte em 100 perguntas), publicado em francês.

O treinamento duro e rações alimentares muito reduzidas cobraram seu preço nos corpos de Lee So Yeon e de suas colegas recrutas.

“Depois de seis meses a um ano de serviço, não menstruávamos mais devido à desnutrição e ao ambiente estressante”, diz ela.

“As mulheres soldado diziam estar felizes por não estarem menstruando. Elas afirmavam que estavam felizes porque a situação era tão ruim que se também menstruassem seria teria sido pior”.

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Quem são os desertores?

  • Aproximadamente 70% dos desertores da Coreia do Norte são do sexo feminino – um fato relacionado com maiores níveis de desemprego entre mulheres.
  • Mais da metade estão com 20 ou 30 anos, em parte porque é mais fácil para pessoas jovens nadar em rios e resistir a jornadas difíceis.

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So Yeon diz que o Exército falhava no fornecimento de absorventes, e que ela e outras colegas frequentemente tinham como única escolha reutilizá-los.

“As mulheres até hoje usam o tradicional algodão branco”, diz Juliette Morillot. “Eles precisam ser lavados todas as noites quando estão for a da vista dos homens, então as mulheres levantam-se cedo e lavam”.

Recém-chegada de uma visita de campo onde falou com várias mulheres soldado, Morillot confirma que elas muitas vezes sentem falta de menstruar.

“Uma das garotas com quem falei, que tinha 20 anos, me disse que treinou tanto que teve a menstruação interrompida por dois anos”, contou ela.

Embora Lee So Yeon tenha se juntado ao Exército voluntariamente, em 2015 foi anunciado que todas as mulheres na Coreia do Norte devem prestar sete anos de serviços militares a partir dos 18 anos de idade.

Governo

Ao mesmo tempo, o governo da Coreia do Norte deu um passo incomum ao dizer que distribuiria uma marca sanitária premium, chamada Daedong, na maioria das unidades femininas.

“Pode ter sido uma maneira de se redimir pelas condições do passado, de corrigir em excesso este fenômeno bem conhecido de que as condições para as mulheres costumavam ser ruins”, diz Jieun Baek. “Pode ter sido uma maneira de melhorar o ânimo e fazer com que mais mulheres pensem: Uau, nossas necessidades serão atendidas”.

A marca de cosméticos premium Pyongyang Products também foi recentemente distribuída para várias unidades femininas de aviação, seguindo uma chamada de Kim Jong-un em 2016 para produtos de beleza norte-coreanos competirem com marcas globais como Lancome, Chanel e Christian Dior.

Apesar disso, as mulheres soldados baseadas em cidades do interior nem sempre têm acesso a banheiros privados. Algumas disseram a Morillot que muitas vezes têm que fazer suas necessidades na frente dos homens, tornando-se especialmente vulneráveis.

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O serviço militar na Coreia do Norte

  • Mulheres da Coreia do Norte devem prestar no mínimo sete anos de serviços militares e os homens são obrigados a server por 10 anos – é o serviço militar obrigatório mais longo do mundo.
  • Estima-se que cerca de 40% das mulheres com idades entre 18 e 25 anos estejam nas forças armadas – um número que deverá crescer uma vez que o serviço military se tornou obrigatório para mulheres há dois anos.
  • O governo diz que aproximadamente 15% do orçamento do país é gasto na área militar, mas grupos de pesquisa dizem que o número poderia chegar a 40%.
  • Estudantes talentosos, com habilidades especiais – por exemplo, em esportes e música – podem ser dispensados do serviço militar.

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Abuso sexual é rotina

O abuso sexual, dizem Baek and Morillot, é frequente.

Morillot diz que quando abordou a questão de estupros no Exército com mulheres soldado “a maioria disse que acontece com outras”. Nenhuma admitiu ter passado por esse tipo de experiência.

Lee So Yeon também diz que não foi estuprada durante sua temporada no serviço military, entre 1992 e 2001, mas que muitas de suas companheiras foram.

“O comandante ficava em seu quarto, na unidade, após o serviço, e violava as mulheres sob seu comando. Isso aconteceria repetidamente sem um fim”.

O Exército da Coreia do Norte diz que leva a sério o abuso sexual, com pena de prisão de até sete anos para homens culpados por estupro.

“Mas na maioria das vezes ninguém está disposto a testemunhar. Então os homens geralmente ficam impunes”, diz Juliette Morillot..

Silêncio

Ela acrescenta que o silêncio sobre abuso sexual no Exército está enraizado nas “atitudes patriarcais da sociedade norte-coreana” – as mesmas atitudes que garantem que as mulheres no Exército façam a maioria dos serviços domésticos.

As mulheres de origens pobres recrutadas para brigadas de construção, e alojadas em pequenos barracões ou cabanas informais, são especialmente inseguras, diz ela.

“A violência doméstica ainda é amplamente aceita e não denunciada, então no Exército ocorre a mesma coisa. Mas eu realmente deveria enfatizar o fato de existir o mesmo tipo de cultura (do assédio) no exército sul-coreano”.

Lee So Yeon, que serviu como sargento em uma unidade de sinalização perto da fronteira sul-coreana, finalmente deixou o exército aos 28 anos. Ela ficou aliviada por ter a chance de passar mais tempo com sua família, mas também sentiu que não estava preparada para a vida fora do Exército e lutou com dificuldades financeiras.

Em 2008 ela decidiu fugir para a Coréia do Sul.

Na primeira tentativa, ela foi pega na fronteira com a China e enviada para um campo de detenção por um ano.

Em sua segunda tentativa, pouco depois de sair da prisão, ela nadou o rio Tumen e atravessou a China. Lá, na fronteira, ela se encontrou com um agente que providenciou para que passasse da China para a Coréia do Sul.

Fonte: MSN

Perguntas e respostas sobre possível teste de bomba H na Coreia do Norte

País anunciou que detonou uma miniatura de bomba de hidrogênio.
Entenda a diferença entre ela e uma arma nuclear convencional.

A Coreia do Norte anunciou em 6/1/1/6 ter feito um teste bem-sucedido com uma miniatura de bomba dehidrogênio (a bomba H ou bomba termonuclear). O uso da arma ainda não foi confirmado por outros países, mas foi registrado um terremoto na área onde os norte-coreanos já fizeram outros testes nucleares. Segundo autoridades da Coreia do Sul, ele foi provocado artificialmente por uma explosão.

 

 

A Coreia do Norte realmente testou uma bomba de hidrogênio?
É difícil saber se a explosão subterrânea foi mesmo uma bomba H, como alega a Coreia do Norte. A agência sul-coreana de inteligência diz que esta ainda seria uma bomba de fissão (entenda a diferença a seguir).

Segundo o país vizinho, os norte-coreanos já estavam buscando uma maneira de “turbinar” sua bomba de fissão, adicionando trítio (uma forma radioativa de hidrogênio) na mistura do combustível nuclear. Isso aumenta um pouco o potencial destrutivo da arma nuclear mais convencional, mas não a transforma numa bomba H. Pode ser que o teste nuclear norte-coreano mais recente tenha usado uma dessas bombas de fissão turbinadas.

Qual é a diferença entre uma bomba de hidrogênio e uma bomba atômica convencional?
A bomba convencional, de fissão, funciona por meio da fragmentação de átomos grandes, como urânio e plutônio. Foi uma deste tipo que foi detonada em Hiroshima, no Japão, em 1945.

imagem da primeira bomba atômica lançada pelos americanos na cidade japonesa de Hisroshima, em 6 de agosto de 1945 (Foto: AFP)Primeira bomba atômica lançada pelos americanos
na cidade de Hiroshima, em 1945 (Foto: AFP)

A bomba de hidrogênio consegue sua energia a partir da fusão de isótopos de hidrogênio, átomos menores e fáceis de obter.

Bombas por fusão exigem muito mais energia para serem detonadas e devem ser usadas em combinação com um explosivo por fissão nuclear. Produzi-las requer uma engenharia mais sofisticada.

Qual é o potencial de destruição de uma bomba de hidrogênio?
Uma bomba H das mais “fracas” possui força de centenas de quilotoneladas – uma ordem de grandeza maior do que um explosivo típico de fissão nuclear. Uma quilotonelada equivale a uma explosão de mil toneladas de TNT.

A destruição que a detonação de uma bomba de hidrogênio causaria em uma área habitada ainda é objeto de especulação – e alimento para pesadelos.

Kim Jong-un assumiu comando do país após morte de seu pai em 2011 (Foto: Wong Maye-E/AP)Kim Jong-un, presidente norte-coreano
(Foto: Wong Maye-E/AP)

Qual é o potencial do arsenal nuclear norte-coreano?
Caso a Coreia do Norte tenha realmente conseguido produzir uma bomba de hidrogênio, o potencial destrutivo do arsenal atômico do país pode se multiplicar por 10 ou por 100.

Como aumentar a quantidade de “combustível” da bomba termonuclear é mais fácil do que para a bomba de fissão, não é difícil que um país multiplique seu potencial nuclear aceleradamente a partir do momento em que desenvolve sua primeira bomba H.

Foto divulgada pela KCNA  mostra ato na Coreia do Norte por teste nuclear (Foto: KCNA /AFP)Ato na Coreia do Norte, em 2013, por teste nuclear
(Foto: KCNA /AFP)

Como foram os outros testes?
A Coreia do Norte já fez outros três testes com bombas nucleares, entre2006 e 2013. Eles usaram bombas atômicas de primeira geração, por fissão nuclear, menos complexas de produzir.

O mais poderoso teste realizado pela Coreia do Norte até agora foi uma explosão subterrânea com energia estimada em 7 quilotoneladas, metade do poder destrutivo da bomba lançada pelos EUA sobre Hiroshima em 1945. A força da explosão norte-coreana de 2013 foi estimada pelo Serviço Geológico dos EUA, que mediu o impacto sismológico gerado pela operação.

Outros países já usaram ou testaram a bomba H?
A primeira bomba H detonada pelos EUA, num teste no Pacífico em 1952, tinha cerca de 10.500 quilotoneladas.

A maior explosão da história, num teste russo em 1961, foi superior a 50.000 quilotoneladas. Porém, armas termonucleares nunca foram efetivamente usadas em guerras.

Existe algum tratado que proíba o uso ou teste de armas nucleares?
A Organização das Nações Unidas (ONU) criou o Tratado de Não-Proliferação Nuclear em 1968. A Coreia do Norte era signatária, mas abandonou o tratado em 2003, após admitir ter um programa secreto de enriquecimento e de expulsar inspetores da ONU.

Em agosto do ano passado, a ONU cobrou a assinatura de um tratado que proíbe os testes nucleares. “O Tratado de Proibição Completa de Testes Nucleares [CTBT] é essencial para a eliminação de armas nucleares”, disse o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. A Coreia do Norte assinou o tratado na Assembleia Geral, mas ainda não ratificou.

Quando o escritor português José Luís Peixoto esteve pela primeira vez na Coreia do Norte, em 2012, precisou deixar o celular no aeroporto. Também estava terminantemente proibido de fotografar ou filmar o que via. Nos últimos três anos, as regras para os turistas mudaram um pouco — há duas semanas foi anunciada a expansão do aeroporto internacional de Pyongyang, o que pode indicar uma abertura maior. Mesmo assim, quem visita o país mais fechado do mundo é obrigado a seguir certas regras: viajar com agências de específicas, deixar o passaporte no aeroporto e fazer passeios predeterminados em grupos e sempre com guias.

A jornalista Fernanda Morena, 31 anos, morou por seis na China. Quando resolveu voltar para o Brasil, decidiu que sua última viagem seria para a Coreia do Norte — outra alternativa para cruzar a fronteira é pela Rússia. Meses antes, já havia tentado um visto de jornalista para cobrir a Crise dos Mísseis, sem sucesso. Dessa vez, como turista, escolheu a agência Koryo Tours, mais antiga a fazer o roteiro, fundada por um britânico. O pacote fechado, por cerca de US$ 600, incluía sete dias de visitas, dois deles praticamente na estrada até a cidade chinesa que faz fronteira com o país. Depois, mais seis horas de trem, que parava muitas vezes para checagem, onde policiais revistavam as malas

— Fui de trem, com chineses, porque falava mandarim. Além de ser mais barato que a viagem de avião, cruzei o país inteiro e pude ver o interior, muito pobre, que não teria visto se fosse de outra maneira — relembra. — Na estação de trem recolheram meu passaporte e eu fiquei apenas com um carta de visto. É o único documento que fica com você durante a viagem. Quando você recebe de volta seu passaporte, não tem qualquer carimbo, é como se eu nunca estivesse estado lá.

Os passeios são todos programados com detalhes e horários rígidos, e exigem a companhia constante — e atenta — de um guia da agência e outro norte-coreano. Mesmo no dia considerado livre para visitas, os turistas são vigiados de longe. Fernanda relembra que, no primeiro dia de viagem, um casal de turistas chineses de cerca de 18 anos decidiu não fazer os passeios, pois não se sentia bem. Por volta do meio-dia, atravessaram a ponte que ligava o hotel ao centro da cidade, a pé, e foram a um café.

— Uma pessoa que estava lá ligou para o Ministério do Turismo e acabaram recolhendo o casal. Os guias temiam ser prejudicados e os dois tiveram que assinar um termo de compromisso pedindo desculpas — conta a jornalista, que apelidou o local de “Alcatraz”, em referência à lendária prisão americana. — Uma vez, uma senhora saiu de casa quando me viu tirando fotos e reclamou com o guia, que foi me buscar. As pessoas são treinadas para não falar com os turistas. Só interagi com os norte-coreanos em dois momentos: num parque de diversões, que não estava no roteiro e conseguimos ir depois de muito insistir com um dos nossos guias; e às margens de um rio, onde um senhor pediu para tirar uma foto com ele. Rapidamente o guia me chamou.

Para quem sai do Brasil, o visto não é difícil — a não ser que o visitante seja jornalista — e custa em média US$ 55. O passaporte também fica retido com os guias até o retorno do grupo. O pacote custa em média de US$ 3.500, incluindo deslocamentos, hospedagem e alimentação. No Brasil, a agência Happy Way oferece a viagem desde 2012.

— Geralmente tentamos mandar um guia que fale português e espanhol para facilitar a comunicação — explica Danielle Schumaker, gerente comercial da empresa. — O público brasileiro ainda é limitado: a procura até ano passado não chegou a sete pessoas. Mas agora, com a embaixada do Brasil na Coreia do Norte, o turismo no país está um pouco mais facilitado, embora continue rígido.

O destino costuma ser procurado por turistas que preferem destinos mais exóticos, segundo Danielle. Muitos deles, ficam curiosos com o isolamento do povo da Coreia do Norte, e sentem a necessidade de ver de perto, para descobrir se aquilo realmente é real.

— Queríamos ver com nossos próprios olhos o país mais fechado do mundo. E realmente uma viagem para lá só é realizada dentro dos moldes da agência de turismo norte-coreana, acompanhado por dois guias e dentro de um roteiro pré-determinado. Não há liberdade nenhuma. Nós fomos com visto de turista, e não de jornalista. Justamente porque queríamos ver como um turista tradicional pode conhecer (e o que ele pode conhecer) da Coreia do Norte — conta André Fran, apresentador do programa “Não conta lá em casa”, do canal Multishow.

Ele esteve no país há cinco anos, quando as regras eram ainda mais severas. Um dos momentos mais surreais, relembra, foi quando lhe apresentaram a “última novidade da música na Europa: os Beatles”.

— Eles não têm a mínima noção de como o país é visto aos olhos do mundo, daí a curiosidade e as constantes perguntas sobre que achávamos, pensávamos e como víamos a Coreia do Norte e suas principais ações no cenário geopolítico mundial. Mas tudo era feito meio que entre sussurros.

TURISMO ABERTO

Viajar é o grande hobby da gerente de informação e mídia digital Glaucimara Silva: foram 40 países na última década — “e quanto mais exótico o destino, melhor”. Exatamente por isso, a Coreia do Norte sempre esteve na lista:

— Quando um amigo mudou-se para Pyongyang, para morar seis meses a trabalho, percebi que era a hora de tentar ir mesmo sabendo que talvez não pudéssemos nos encontrar, caso as restrições turísticas fossem de fato rígidas. No entanto, com o suporte dele, as coisas se mostraram bem mais fáceis — conta ela, que esteve no país no ano passado, com um visto diferente do tradicional, o que abriu muitas portas. — Não fui como turista, mas como convidada da empresa onde meu amigo trabalha, que assumiu as responsabilidades por mim.

Graças a isso, a experiência acabou sendo bem diferente da convencional. Como convidados, Glaucimara e outro brasileiro, Marcel Stenner, não precisaram se hospedar nos hotéis destinados aos turistas. Também não tiveram que ser acompanhados por nenhum guia em Pyongyang, onde andaram — a pé ou de bicicleta — à vontade.

— Fizemos fotos, vídeos, vimos a vida passar e nos surpreendemos com a normalidade da cidade. Nossa única restrição foi quanto ao transporte público e à moeda (usamos dólar e euro). Até andamos de metrô, mas o passeio fez parte de um pacote de um dia que contratamos lá para visitar locais em que só pode ir com autorização do governo e com alguém de confiança.

Neste dia, a dupla pode conversar bastante com dois guias norte-coreanos sobre todos os tipos de assunto.

— Fomos até zoados pela Copa do Mundo (a notícia do 7×1 contra a Alemanha chegou lá sem ser deturpada) e perguntados se o Rio de Janeiro era como apresentado na animação “Rio”. Também conversamos sobre o fato de o Brasil ter uma presidenta e, à época, outra candidata mulher concorrendo ao cargo mais importante do país — conta. — Acredito que, por termos respeitado o país e nos mostrado dispostos a formar a nossa própria opinião, uma opinião sem ser tendenciosa e preconceituosa, acabamos passando confiança aos norte-coreanos comuns. Não estávamos lá para julgar ninguém e nem comprovar nenhuma teoria, mas para conhecermos e aprendermos. É aquela coisa da gentileza gera gentileza. Não fomos hostis nem fomos hostilizados.

VIAGEM VIROU LIVRO

A experiência no país vivida pelo português José Luís Peixoto acabou virando um livro “Dentro do segredo” (Companhia das Letras). A viagem começou a ser concebida quase um ano e meio antes. E calhou de ser durante um megaevento, o aniversário de 100 anos Kim Il-sung, avô do atual presidente, Kim Jong-il.

 

— Decidi ir porque precisava de um desafio novo na escrita, que fosse completamente diferente de mim. Queria escrever sobre algo que fosse bem distante — conta. — Foi uma viagem bem fora do habitual, de quase um mês, que não era restrita à capital. E numa ocasião bem especial.

De lá para cá, Peixoto voltou duas vezes ao país, dessa vez como guia, parte de um projeto chamado de “Viagens de autor” — onde escritores são convidados para acompanhar grupos de turistas a lugares que estão referidos nos seus livros. A próxima viagem, com brasileiros e portugueses, acontece em outubro.

—Todas as visitas foram diferentes. Sinto que sei mais e menos, ao mesmo tempo. É uma complexidade enorme. Além de todas as questões politicas, existem as questões civilizatórias. As pessoas têm valores muito diferentes do nossos e veem o mundo de forma completamente diferente.

Fonte: O Globo

A internet da Coreia do Norte saiu do ar em 22/12/14, três dias após o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, prometer uma resposta do país ao ataque cibernético dos asiáticos à Sony Pictures. Na sexta, a FBI apontou o regime de Pyongyang como responsável por invadir os sistemas do estúdio de Hollywood, que resultou no vazamento de milhares de senhas e informações pessoais de funcionários e astros, além de conversas privadas entre executivos que causaram desconforto à empresa.

A interrupção da conexão à internet foi publicada pelo jornal “New York Times” e confirmadas ao G1 pelo Dyn Research, empresa que monitora instabilidades na rede mundial de computadores. “Atualmente, todas as quatro redes da Coreia do Norte que normalmente se conectam à internet global estão fora de alcance”, afirmou James Cowie, cientista-chefe da Dyn, por e-mail.

Desconectada
A internet norte-coreana começou a ter problema ainda no domingo e foi interrompida definitivamente às 2h de sábado (15h de sexta-feira, no horário de Brasília). A instabilidade durou 24 horas. Coincidentemente, os problemas começaram quando o governo da Coreia do Norte divulgaram um comunicado negando serem autores do ataque, pedindo que os EUA se desculpassem pela acusação e afirmando que o exército do país está pronto para um embate.

“Nosso mais duro contra-ataque será dirigido à Casa Branca, ao Pentágono e a todo o território continental dos Estados Unidos superando amplamente o contra-ataque simétrico declarado por [Barack] Obama”, afirma Pyongyang. A Coreia do Norte rebateu assim a acusação do FBI que, após investigação, responsabilizou o governo de Kim Jong-un pela invasão à Sony. Ameaças feitas pelo grupo hacker “Guardiães da Paz”, que reivindica o ataque, fizeram o estúdio cancelar o lançamento do filme “A Entrevista”. Apontado como estopim do conflito, o longa é comédia que mostra um plano da CIA para matar o líder norte-coreano.

Obama na entrevista de fim de ano (Foto: Pablo Martinez Monsivais/AP)Obama na entrevista de fim de ano (Foto: Pablo
Martinez Monsivais/AP)

‘Maneira proporcional
Para o presidente Obama, a invasão não foi “um ato de guerra”, mas “um ato de vandalismo cibernético que custou muito caro”. “Levamos isso muito a sério. Vamos responder de maneira proporcional”, sentenciou.

Cowie afirma que ainda não é possível saber a causa da suspensão da conexão, “mas os dados são consistentes com um ataque ou algo como uma falha de energia intermitente que afeta o equipamento de rede”. Na hipótese do ataque, o modelo utilizado, diz o cientista, é o DDoS. Chamado “ataque de negação”, ocorre quando um grande volume de tráfego é direcionado a um servidor com o objetivo de sobrecarregá-lo. Essa é a causa mais provável, afirma Cowi. “O padrão de longa instabilidade, seguida de suspensão, torna menos provável que seja o resultado de um simples corte de cabo de fibra ótica.”

Sob um regime ditatorial que mantém pouca conexão com o mundo, a Coreia do Norte possui poucas conexões com o mundo. Enquanto detém só quatro, países com população similar são mais conectadas. O Yemen possui 47, o Afeganistão, 370, e Taiwan, 5.031. Quinto em número de internautas no mundo e prestes a se tornar o quarto país da internet, o Brasil possui 26,5 mil redes de internet. Além dessas redes, a Coreia do Norte possui conexão a partir de um servidor da China Unicom, empresta estatal chinesa. Isso, porém, torna “a conectividade deles relativamente frágil

Fonte: G1

coreia do norte

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Fonte: Youtube

A Coreia do Norte ameaçou realizar um novo teste nuclear em resposta a uma resolução da ONU que constitui um primeiro passo para levar o regime comunista ante a justiça internacional por crimes contra a Humanidade.

Ao mesmo tempo, imagens feitas por satélites mostram que a Coreia do Norte poderia estar colocando em funcionamento uma fábrica de reprocessamento destinada à extração de plutônio de qualidade militar em seu complexo nuclear de Yongbyon.

A Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Geral da ONU votou na terça-feira uma resolução na qual solicita ao Conselho de Segurança que recorra ao Tribunal Penal Internacional (TPI) para denunciar crimes imputados ao regime norte-coreano.

Esta resolução é uma das tentativas de chamar a atenção de Pyongyang perante a comunidade internacional.

“Esta agressão pelos Estados Unidos não permitirá uma abstenção por muito mais tempo de um novo teste nuclear”, acrescentou em um comunicado.

“Nossa capacidade de dissuasão militar será reforçada para nos proteger contra qualquer intervenção militar dos Estados Unidos e qualquer tentativa de invasão armada”, ressaltou.

A Coreia do Norte realizou três testes nucleares, o último em fevereiro de 2013.

Moscou considerou, por sua vez, que a resolução da ONU é contra-producente”.

“A nosso ver, é contra-producente tentar fazer declarações ruidosas através de resoluções conflituosas na Assembleia Geral da ONU e no Conselho de Direitos Humanos”, declarou o ministro russo das Relações Exteriores, Sergeui Lavrov, após um encontro em Moscou com o emissário especial do líder norte-coreano Kim Jong-Un.

O governo sul-coreano, através de um comunicado do ministério da Defesa, informou que suas Forças Armadas estão alertas e não “tolerarão qualquer provocação”.

O texto da ONU, não vinculativo, é baseado em um relatório de 400 páginas, concluído após uma longa investigação sobre as violações dos direitos Humanos na Coreia do Norte, “inigualável no mundo contemporâneo.”

Durante um ano, os investigadores coletaram os testemunhos de exilados norte-coreanos e documentaram uma rede de campos de prisioneiros, onde ocorrem torturas, execuções extrajudiciais e estupros.

O relatório estima que a responsabilidade por essas violações, que constituem crimes contra a Humanidade, é das mais altas autoridades do Estado.

As autoridades norte-coreanas temem que Kim Jong-Un seja acusado perante o TPI, mesmo que o líder se recuse a comparecer voluntariamente.

A resolução deve ser estudada em dezembro por toda a Assembleia Geral da ONU.

Mas a chave do processo está nas mãos do Conselho de Segurança da ONU, onde é provável que a China, principal aliado da Coreia do Norte, e Rússia exerçam seu direito a veto.

Neste contexto, imagens captadas recentemente por satélites mostram nuvens de vapor sobre uma usina de reprocessamento de combustível em Yongbyon, segundo os pesquisadores do Instituto EUA-Coreia da Universidade Johns Hopkins de Washington.

Isso poderia indicar que os norte-coreanos estão preparando a reativação da fábrica de reprocessamento de combustível do reator que produz plutônio que pode entrar na composição de uma bomba atômica.

Fechada em 2007 sob um acordo de “apoio ao desarmamento”, o reator pode produzir, em princípio, seis quilos de plutônio por ano, o suficiente para fazer uma bomba nuclear, de acordo com especialistas estrangeiros.

A Coreia do Norte usou uma parte de seu estoque de plutônio para dois de seus três testes nucleares e ainda tem reservas suficientes para produzir seis bombas nucleares, de acordo com especialistas estrangeiros.

Fonte: Yahoo

So Se Pyong afirma que EUA querem arruinar a reputação do país. Investigação sobre crimes contra a humanidade continua

O enviado da Coreia do Norte disse ao Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas em 28/3/14 para “cuidar da sua vida”, durante debate sobre crimes contra a humanidade documentados em seu país por investigadores da Organização

So Se Pyong, embaixador da Coreia do Norte na ONU, também disse que a “cooperação nunca pode ser compatível com o confronto”, ao responder às críticas sem precedentes sobre seu histórico na área de Direitos Humanos, durante reunião em Genebra, Suíça.

Resolução aprovada

O conselho aprovou uma resolução, apresentada pelo Japão e pela União Europeia, pedindo que o Conselho de Segurança tome medidas para responsabilizar os que cometeram assassinatos, sequestros e tortura no país isolado.

Depois da conversa irritada, um investigador especial ganhou a aprovação do Conselho para continuar investigando as suspeitas de crimes contra a humanidade e outros abusos cometidos no país asiático por 30 votos contra 6, e 11 abstenções. China, Cuba, Paquistão, Rússia, Venezuela e Vietnã votaram contra a investigação.

O relatório, com base no testemunho de centenas de vítimas, concluiu que vários crimes contra a humanidade foram cometidos na Coréia do Norte, incluindo assassinatos em massa e torturas.

A resolução também condena “a longa e violações dos direitos humanos sistemáticas, generalizadas e brutas em curso e outros abusos dos direitos humanos” na Coreia do Norte, e exorta o país a começar a cooperar com a investigação da ONU.

Dirigida pelo juiz aposentado da Austrália Michael Kirby, a comissão alertou o líder norte-coreano Kim Jong-un, e outras pessoas de seu governo, sobre uma possível responsabilização por orquestrar crimes generalizados contra civis.

Em outro momento da reunião, Pyong disse que ‘patrocinadores’ do documento havia transformado o conselho “em um palco de confrontos políticos”. No início desta semana, ele convocou jornalistas durante sua passagem por Genebra para denunciar que os EUA querem minar a reputação da Coréia do Norte no mundo.

Fonte: IG

Ditador da Coreia do Norte impõe o próprio corte de cabelo aos homens do país

  • O líder norte-coreano Kim Jong-un visita uma fazenda de cogumelos em foto sem data divulgada pela agência de notícias central da Coreia do Norte (KCNA), em PyongyangO líder norte-coreano Kim Jong-un visita uma fazenda de cogumelos em foto sem data divulgada pela agência de notícias central da Coreia do Norte (KCNA), em Pyongyang

A ditadura de Kim Jong-un na Coreia do Norte parece não querer poupar nem mesmo a aparência de seus cidadãos.

Primeiro, o governou determinou 10 modelos de cortes diferentes para os homens e 18 para as mulheres. Agora, em mais uma demonstração de autoritarismo –e excentricidade–, o jovem líder decidiu impor o próprio corte de cabelo a toda a população masculina do país. A informação é da rádio “Free Asia”, citada pela emissora britânica “BBC”.

Com a nova medida, determinada há duas semanas, mas divulgada nesta quarta-feira (26), em breve, todos os homens norte-coreanos terão os cabelos raspados nos lados da cabeça e espetados em cima –ou, em uma rara variação, penteados para baixo e divididos ao meio– nos moldes do corte do ditador.

Os primeiros a terem seus estilos redefinidos à moda de Kim Jong-un foram os estudantes da capital Pyongyang, mas logo a obrigação foi estendida para o restante da população masculina.

13.mar.2014 – Em foto não datada, liberada nesta quinta-feira (13), o líder norte-coreano Kim Jong-Un inspeciona o Zoológico Central de Pyongyang, com novos prédios em construção e outros em reforma KCNA via KNS/AFP

“O corte de cabelo do nosso líder é muito particular, não fica bem em todos, dado que cada um tem um rosto e um formato de cabeça próprios”, disse um norte-coreano cuja identidade não foi revelada.

Corte ‘estilo socialista’

Segundo a “BBC”, para incentivar os ‘do contra’, a TV estatal norte-coreana lançou a campanha “Vamos cortar o cabelo no estilo de vida socialista”.

Em entrevista ao jornal “Korea Times”, outro norte-coreano, este radicado na China, não aposta que o corte vai se popularizar no país. Para o entrevistado –que não teve a identidade revelada– o corte “estilo socialista” mais parece “estilo contrabandista chinês”.

“Até meados dos anos 2000, este corte era conhecido como “cabelo de contrabandista chinês”, lembrou a fonte. (Com Ansa e BBC)

As polêmicas do ditador norte-coreano Kim Jong-un25 fotos

VERDADE OU MENTIRA: O presidente do país, Kim Jong-un, é acompanhado por outras autoridades norte-coreanas em uma visita a um hospital infantil em construção. Kim e seus auxiliares aparecem na área externa do local. A imagem foi divulgada pela KCNA no dia 6 de outubro. Internautas apontam manipulação na imagem
Fonte: Uol
As potências do Ocidente e da Ásia vão começar essa semana a fazer pressão para que a Coreia do Norte seja responsabilizada por crimes contra a humanidade, documentados em um relatório das Nações Unidas, mas admitem que suas chances de influenciar o país isolado, são escassas.

Funcionários da segurança da Coreia do Norte e possivelmente até o ditador Kim Jong-um deveriam enfrentar a justiça internacional por ordenar sistematicamente tortura, inanição e assassinatos comparáveis às atrocidades da era nazista, disseram investigadores da ONU, no mês passado.

Suas descobertas, baseadas em testemunhos de centenas de vítimas, desertores e testemunhas, são inequívocas. Eles exigem o fechamento de campos de prisioneiros políticos, que eles acreditam que contenham até 120 mil pessoas e a intervenção do Tribunal Penal Internacional (ICC, na sigla em inglês).

Aparições públicas de Kim Jong-un22 fotos

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13.mar.2014 – Em foto não datada, liberada nesta quinta-feira (13), o líder norte-coreano Kim Jong-Un inspeciona o Zoológico Central de Pyongyang, com novos prédios em construção e outros em reforma KCNA via KNS/AFP

Michael Kirby, um ex-juiz australiano que liderou a investigação independente, vai apresentar oficialmente o relatório ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, na segunda-feira. O fórum, que pediu a investigação sem precedentes há um ano, vai decidir como lidar com a Coreia do norte, em uma sessão que se estenderá até 28 de março.

Ativistas querem ação. “O fato de que essas violações sejam agora consideradas um crime contra a humanidade, determina que a comunidade internacional assuma a responsabilidade e aja,” disse à Reuters, Julie de Rivero da Human Rights Watch. “Pode ser um longo caminho, mas medidas precisam ser tomadas.”

Roseann Rife, da Anistia Internacional, disse em um comunicado: “Este é o primeiro teste real para que a comunidade internacional mostre que está falando sério sobre tomar providências em relação às descobertas assustadoras da Comissão. É preciso um esforço concentrado para aumentar a pressão para que o governo da Coreia do Norte cuide dessas violações sistemáticas, graves e generalizadas aos direitos humanos”.

O país já está na agenda da Assembleia Geral da ONU, mas o Conselho de Segurança tem focado até agora apenas em suas armas nucleares e na ameaça da sua proliferação, disse de Rivera. “Estamos defendendo que o Conselho de Segurança precisa lidar com os crimes na Coreia do Norte”.

As polêmicas do ditador norte-coreano Kim Jong-un25 fotos

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VERDADE OU MENTIRA: O presidente do país, Kim Jong-un, é acompanhado por outras autoridades norte-coreanas em uma visita a um hospital infantil em construção. Kim e seus auxiliares aparecem na área externa do local. A imagem foi divulgada pela KCNA no dia 6 de outubro. Internautas apontam manipulação na imagem Leia mais AFP

Mas ganhar o consenso internacional para fazer com que Kim seja acusado, vai provavelmente continuar sendo ilusório por enquanto, de acordo com diplomatas, fontes da ONU e ativistas. Isso se deve principalmente porque a China, aliada de Pyngyang, tem poder de veto no Conselho de Segurança, que teria que denunciar os crimes da Coreia do norte ao ICC.

A China sofreu críticas pesadas no relatório por ter forçado refugiados norte-coreanos a retornarem para casa onde eles enfrentam uma possível perseguição.

Pequim nega a acusação, dizendo que prefere “o diálogo construtivo” e tem uma posição de longa data contra o que ela considera uma ingerência sobre os assuntos internos de nações soberanas.

“Levar questões de Direitos Humanos ao ICC, não ajuda a melhorar as condições dos direitos humanos no país,” disse o porta-voz do ministério do exterior chinês Hua Chunying, no dia 17 de fevereiro, quando o relatório foi divulgado.

Pyongyang rejeitou as conclusões do relatório e da determinação dos investigadores, com quem ele não aceitou se reunir ou permitir que entrassem na Coreia do Norte, cujo nome oficial é República Popular Democrática da Coreia (RPDC). O grupo teve audiências públicas em Seul, Tóquio, Londres e Washington.

A China vai ter um papel importante no Conselho de Segurança, diminuindo as esperanças de uma ação rápida. Como Pyongyang não assinou os estatutos de Roma que criaram o ICC de Haia, seu promotor poderá agir apenas a pedido das potências mundiais.

Fonte: Uol