Apontado como principal suspeito da morte do enteado Joaquim Ponte Marques, de três anos, no interior de São Paulo, Guilherme Longo já havia apresentado comportamento agressivo, segundo declaração da mãe do menino, Natália Mingoni Ponte, à polícia. Ela e Longo tiveram a prisão temporária decretada no último domingo (10), mesmo dia em que o corpo da criança foi localizado.

De acordo com o promotor do caso, Marcus Tulio Alves Nicolino, Natália revelou que o marido chegou a ameaçar a jogar o filho do casal, de quatro meses, contra a parede, em razão do choro do bebê.

— Ela falou isso ontem [domingo] informalmente. Não consta nas declarações, mas ela disse que Guilherme [Longo] afirmava que se a criança [o filho de quatro meses] não parasse de chorar, ele a jogaria contra a parede.

Ainda segundo o promotor, a mulher afirmou também que Joaquim — fruto de um relacionamento anterior dela — era visto por Longo como um empecilho. Segundo Nicolino, o suspeito tinha ciúme do ex-marido de Natália.

— Ontem, ela declarou que sempre que o casal brigava, e isso estava acontecendo com uma certa frequência nos dias antes dos fatos, ele [Longo] colocava como motivo da briga o fato de o menino [Joaquim] não ser o filho dele. Ele se referia ao menino como um “pedacinho do ex-marido” da mulher, que estava presente na vida dele.

O representante do Ministério Público acrescentou que o suspeito teria ameaçado se matar.

— No domingo, ele [Longo] teria ameaçado se matar, porque assim, Natália ficaria com um pedacinho dele [o bebê] e ficaria com um pedacinho do ex-marido, que era pai do Joaquim.

Agressão ou negligência

A investigação tenta esclarecer se Joaquim foi vítima de agressão ou negligência. Os policiais também apuram se ele poderia ter morrido por excesso ou falta de insulina. O garoto era diabético.

O corpo da criança, sepultado nesta segunda-feira (11), na cidade de São Joaquim da Barra, no interior de São Paulo, foi encontrado por pescadores boiando no rio Pardo, em Barretos. Ele usava um pijama estampado idêntico ao descrito pela mãe e pelo padrasto no boletim de ocorrência, feito horas depois do desaparecimento da criança. Segundo os dois suspeitos, o menino sumiu de dentro do quarto durante a madrugada de 5/11/13, em Ribeirão Preto. No mesmo cômodo, dormia o bebê de quatro meses.

O promotor Marcus Tulio Alves Nicolino enfatizou que somente a perícia poderá determinar a causa da morte de Joaquim.

—  Só poderemos ter certeza do que aconteceu, se houve algum ferimento, se houve sinais de morte violenta com a divulgação do laudo, que demora de 20 a 30 dias. O que o médico afirmou de antemão é que a criança não morreu afogada.

Ameaça

Natália, segundo o promotor, contou também que ultimamente estaria sendo ameaçada pelo marido por querer se separar dele.

— Perguntei por que não havia feito boletim de ocorrência, por que não procurou a delegacia, e ela não soube explicar.

Nicolino informou que, em um primeiro momento, a mulher não relatou problemas na relação com o atual marido.

— No começo, não houve declaração neste sentido. Ontem, começou a aparecer um cenário diferente. A gente agora precisa aprofundar as investigações. Quem sabe ela fala mais coisas. Quem sabe ela traz mais relatos da vida do casal, porque esta informação de que ele [Longo] não aceitava o menino é muito importante.

Em função da suspeita de homicídio qualificado, o que torna o crime hediondo, a prisão temporária de Longo e de Natália terá duração de 30 dias, podendo ser prorrogada por mais 30. O casal nega envolvimento na morte da criança.

Fonte: R7