“Em sânscrito, a palavra ‘SGOM’ (algo como familiarizar-se) é usada, no Tibete, para
designar o que conhecemos como meditação, na cultura ocidental. A vida superior é
paradoxal, ou seja, corre em paralelo à mente e não a toca. A meditação é o meio de
transcender a experiência da mente e perceber a vida superior, na sua própria
dimensão. A meditação é uma prática somente indicada para aqueles que já possuem
certo grau de concentração mental e buscam aperfeiçoar a compreensão das relações
mentais com os elementos da vida. Antes de se acessar o estado meditativo (que é
incidental), a mente humana necessita desenvolver uma estabilidade de concentração,
que suporte esta experiência superior sobremental. Não é o ego humano que busca a
prática da meditação. É a consciência da sua alma que, quando se apronta para
despertar, projeta uma luz atrativa na direção da sua consciência inferior. A
consciência da alma se faz
perceber através de uma voz interna e silenciosa, que usufrui das vias intuitivas
para se comunicar. Sabendo disto, o ser humano iniciante na meditação deve apenas
concentrar a sua mente e entregar-se, em silêncio desinteressado, ao comando de sua
própria alma […] O planeta Terra está passando por uma transformação em sua grade
de energias. A incorporação da quinta dimensão na consciência dos elementais da
Terra impulsionará a humanidade a uma frequência vibracional correspondente aos
estados meditativos, relativos às experiências dos corpos de luz humanos. Desta
forma, as técnicas milenares tradicionais de meditação estão se tornando
ultrapassadas, pela própria facilitação da elevação da consciência planetária.”
(Do livro “VIA CORAÇÃO, caminhos da transformação”, págs 162 e 165, Horácio Netho,
Ed. Alfabeto, 2011)

“Um ser humano pode perdurar por longos períodos praticando várias técnicas de
meditação
e vivenciar uma reduzida carga de experiências conscienciais. Contudo, um outro ser
humano pode penetrar acentuadamente os níveis mais sutis da consciência em pouco
tempo de prática meditativa. Cada ser conduz, normalmente, um nível diferenciado de
propósito diante o seu status evolutivo. Daí, a verdadeira meditação deve respeitar
a individualidade de cada ser, deve se encaminhar como uma prática livre sem
desejos ou metas totalmente definidas. Desta forma, cada ser estará apto para
acessar mais adequadamente o que lhe for correspondente segundo a regência da sua
própria consciência superior […] A partir da sua dimensão de linguagem, as
palavras tentarão expor uma apresentação, uma imagem ou uma idéia sobre as
realidades divinas. Mesmo usufruindo das combinações mais harmônicas e perfeitas
entre as palavras, em qualquer idioma, o plano divino ainda será distorcido. A
consciência humana só compreenderá a divindade por via
direta e esta via é acessada por meio do silêncio, da concentração, da pureza, do
estado meditativo e contemplativo […] Caso o ser ainda não tenha um bom nível de
meditação, ele vai estar sempre diante o plano das máscaras, das personalidades e
dos egos. Nunca poderá se aproximar verdadeiramente da essência de um outro ser.
Ficará limitado ao plano das ilusões, da superficialidade aparente e se perderá
facilmente com a sua ignorância diante os seus julgamentos infundados. Desta forma,
perderá muitas oportunidades de se elevar por não ser capaz de perceber a luz maior
de outros seres e se beneficiar dela […] O místico contemplativo não conduz
técnicas meditativas, está além delas. Ele traz o veio da luz superior acessível em
sua consciência e a toca quando quer […] O ego só é melhor compreendido através
de um certo distanciamento. A meditação é a prática vivencial adequada para
promover o distanciamento e a
observação da consciência humana sobre si própria. Por este meio, a consciência
humana superior ao ego poderá revelar-lhe a sua essência […] Não é a mente que
cria a realidade ou a ilusão, ela simplesmente confirma ou nega estes aspectos. A
natureza da ilusão e da realidade estão acima da capacidade mental. Somente em
meditação e silêncio interno profundo pode-se perceber a essência do propósito da
mente […] Com a meditação analítica e investigativa, o ser pode perceber como se
manifestam e quais espaços ocupam as suas dimensões física, emocional e mental
[…] É da natureza da mente querer estar sempre no controle da vida. Porta-se como
um controlador tirano, ditando o que deve e o que não deve, o que é e o que não é.
Meditar é desapossar este ditador (mente) e entregar o cargo a Deus, humildemente
em silêncio para que um novo reinado surja.”  (Do livro “VIA TERRA, caminhos da
luz”, Horácio Netho)

Com agradecimento ao Leitor Horácio Netho