Vários tornados provocaram, em 31/5/13,  uma nova tragédia nos Estados Unidos, matando nove pessoas em Oklahoma e outras três no vizinho Estado do Missouri, afetando quase a mesma região devastada por um fenômeno similar no dia 20 de maio, quando ocorreram 24 óbitos.

Entre os mortos encontram-se uma mãe e seu bebê, que morreram em um acidente com o carro no qual se deslocavam pela estrada interestadual 40, indicou Betsy Randolph, porta-voz do sistema de estradas de Oklahoma, à rede NBC.

De acordo com as autoridades, inúmeras pessoas ficaram feridas em colisões e acidentes de carro. Os ventos violentos deixaram muitos feridos – 87 segundo o jornal local The Oklahoman – e causaram muitos estragos. Vários veículos, entre eles caminhões de carga, capotaram devido à força dos ventos.

No Missouri, o governador Jay Nixon, que declarou estado de emergência na noite de sexta-feira, visitou neste sábado as zonas mais afetadas para avaliar os danos, e reafirmou seu pedido à população para que permaneça em casa e evite se deslocar pelas áreas de desastre.

“O Missouri foi atingido por uma série de importantes tornados nas últimas semanas, e os perigosos fenômenos da noite passada ocorrem após vários dias de fortes chuvas”, advertiu Nixon em um comunicado.

O sistema de previsão de tempestades do Serviço Nacional de Meteorologia com sede em Norman, Oklahoma, recomendou que as pessoas fiquem protegidas e longe das estradas.

Na sexta-feira, os serviços meteorológicos deram o alerta por tornados no estado de Oklahoma, levantado com a chegada da noite, mas mantiveram o alarme por possíveis inundações e fortes ventos.

Segundo a imprensa local, cinco tornados atingiram a região de Oklahoma City com ventos de até 145 quilômetros por hora acompanhados de fortes chuvas de granizo. Estes tornados também provocaram enchentes. O aeroporto de Oklahoma City precisou ser evacuado e mais de 170 mil pessoas ficaram sem energia.

A rede de televisão KFOR informou que ocorreram grandes danos nos arredores das cidades de El Reno e Yukon. Esta é a segunda grande emergência provocada pelos tornados nesta região do centro-sul dos Estados Unidos em menos de duas semanas.

Oklahoma City está dentro do chamado “Corredor de Tornados”, que se estende da Dakota do Sul ao centro do Texas, uma região particularmente vulnerável a estes fenômenos.

No dia 20 de maio, um tornado de grandes dimensões com ventos de até 320 quilômetros por hora devastou a pequena cidade de Moore, perto de Oklahoma, deixando 24 mortos e 377 feridos e afetando mais de 33 mil pessoas.

Furacão é um ciclone tropical. Trata-se de fenômeno meteorológico caracterizado pela formação de sistema de baixa pressão e grandes tempestades, com ventos de, no mínimo, 118 km/h. Como exemplo, pode-se citar o Sandy, que atingiu os Estados Unidos em 2012 e provocou US$ 20 bilhões em prejuízos.

Diferenças
O furacão é quase igual ao tufão. Na verdade, de acordo com Ernani de Lima Nascimento, doutor em Meteorologia pela Universidade de Oklahoma (EUA) e professor da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), o termo “tufão” se refere ao mesmo fenômeno – só que em outra localização geográfica. Quando ocorre no Oceano Atlântico ou Pacífico Leste, chama-se furacão. No Pacífico Oeste, tufão.

E os dois fenômenos são classificados como ciclones, ambos com baixa pressão e ventos girando em torno de seus centros. Mas os ciclones não se restringem ao furacão e ao tufão. “Existem também os ciclones extratropicais, como aqueles que atingem o litoral sul do Brasil e que trazem com eles as frentes frias que nos atingem com frequência. Esses ciclones extratropicais são completamente diferentes dos ciclones tropicais”, pontua Nascimento.

Mais intenso, o tornado também é uma coluna de ar giratória, que se desloca em uma determinada velocidade em volta de um centro de baixa tensão. Contudo, seu tamanho e sua duração são menores em comparação com os furacões. “Enquanto o furacão é um aglomerado de centenas de tempestades que pode durar vários dias e apresentar um diâmetro de várias centenas de quilômetros, os tornados formam-se a partir da base de uma tempestade e têm diâmetro que raramente ultrapassa os 2 km e duração tipicamente menor que 10, 15 minutos”, destaca o especialista em tempestades. Mesmo assim, embora seja menor e tenha curta duração, o tornado é bem mais destrutivo do que um furacão, e seus ventos podem ultrapassar 500 km/h.

Onde
Estados Unidos, Costa do México, América Central e o chamado Caribe Superior são as regiões que costumam ser mais atingidas pelos furacões, que podem chegar a grandes velocidades e destruir cidades inteiras. Esses locais são propensos a esse fenômeno, pois congregam dois fatores essenciais: a temperatura do oceano nos primeiros 50 metros de profundidade deve estar acima de 26 graus Celsius e os ventos sobre esse oceano aquecido precisam ser fracos.

Formação
Conforme Nascimento, com essas condições, aglomerados de tempestades podem se organizar durante várias horas, extraindo o calor e umidade do oceano até crescer e atingir um estágio em que adquirem um giro herdado do próprio movimento de rotação da Terra. No hemisfério sul, os furacões giram no sentido horário, enquanto que, no hemisfério norte, a tempestade gira no sentido oposto.

Dissipação
Ainda segundo o especialista, furacões, quando adentram um continente, entram em fase de dissipação, porque perdem sua fonte primária de energia, o oceano aquecido. “Enquanto o furacão estiver sobre o oceano aquecido e encontrando um ambiente desprovido de intensas variações do vento com a altura, ele poderá continuar a se intensificar, produzindo pressões cada vez mais baixas no seu centro e ventos cada vez mais fortes em sua superfície”, explica Nascimento.

Intensidade
Levando em consideração a velocidade dos ventos, os furacões são classificados em cinco categorias, conforme a escala Saffir-Simpson, desenvolvida em 1970 pelo engenheiro Herbert Saffir e pelo doutor Robert Simpson. A fim de que o ciclone tropical atinja a classificação de furacão, ele deve apresentar ventos de, no mínimo, 119 km/h, o que o coloca na categoria 1 da escala Saffir-Simpson. Os ventos podem ser bem mais intensos. Quando estão entre 154 km/h e 177 km/h, o furacão é de categoria 2, e alguns danos já podem ser observados. Na categoria 3, os ventos ficam entre 178 km/h e 209 km/h, e danos mais graves podem ocorrer, até mesmo levando a mortes. Já na categoria 4, os ventos atingem entre 210 km/h e 249 km/h. A partir de 250 km/h, o furacão é de categoria 5, considerado extremamente grave e raro. “Esses últimos são maiores e mais energéticos, com grande força destrutiva dos ventos e das intensas chuvas”, salienta o meteorologista Augusto José Pereira Filho, professor do IAG/USP.

No Brasil
A ocorrência de furacões no País não é comum, afinal o Brasil dificilmente combina os dois fatores determinantes para a formação desse fenômeno. “As águas do Atlântico Sul são, em geral, menos aquecidas, e os ventos próximos da superfíce são mais intensos e inibem a formação e organização de furacões”, argumenta o professor do IAG/USP. Entretanto, em março de 2004, o furacão Catarina atingiu o sul do País, nas áreas litorâneas do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Com ventos que chegaram a cerca de 180 km/h, o Catarina foi o primeiro furacão observado no Atlântico Sul. “O Catarina foi um caso extraordinário, exatamente por ter sido um fenômeno que evoluiu para a condição de um ciclone tropical trazendo consigo ventos destrutivos típicos de um furacão”, explica Nascimento. Embora seja um fenômeno raro, Pereira Filho alerta que ele pode ocorrer novamente, se houver os “ingredientes” adequados para a sua formação: águas quentes, ventos calmos e manutenção (olho).

Com cerca de 1.200 tornados por ano, os Estados Unidos são o país que mais sofre com a quantidade destes fenômenos no mundo. Os tornados são particularmente frequentes nos Estados das grandes planícies – o “tornado alley” – um corredor no centro do país onde as massas de ar frio e quente se encontram.

Diante de um panorama de completa destruição, os moradores da localidade de Moore, em Oklahoma, iniciaram nesta quarta-feira a dura tarefa de reconstrução da comunidade devastada há dois dias por um tornado que deixou pelo menos 24 mortos, incluindo nove crianças, e centenas de feridos.

As autoridades informaram que a maioria dos corpos foram recuperados dos escombros do que era uma localidade suburbana de Oklahoma City, que viu duas escolas e áreas inteiras destruídas.

Após as grandes divergências dos números de vítimas, o chefe de polícia de Oklahoma City, Bill Citty, disse em uma entrevista coletiva que 20 pessoas faleceram em Moore e quatro em outras localidades.

O gabinete da governadora de Oklahoma, Mary Fallin’s, informou que o tornado deixou 353 feridos, sendo 148 com cortes e contusões por objetos arremessados, 85 atingidos por escombros e quatro golpeados por veículos deslocados pelo vento de mais de 300 km/k.

Mais de 100 pessoas foram resgatadas com vida dos escombros, disse Terri Watkins, do Departamento de Gestão de Emergências de Oklahoma. De acordo com as autoridades, pelo menos 237 pessoas ficaram feridas.

O presidente Barack Obama “viajará no domingo para a região de Oklahoma City para acompanhar as operações”, revelou o porta-voz Jay Carney.

Obama “se reunirá com famílias afetadas e agradecerá aos membros dos serviços de socorro”, acrescentou Carney, lembrando que “o presidente pediu que sua administração forneça todos os recursos à disposição (do Estado federal) para apoiar as operações dirigidas pela governadora (Fallin) e sua equipe”.

O presidente, que declarou estado de desastre na região, lamentou a devastação provocada pelo tornado e prometeu estar ao lado da população afetada nos esforços de resgate e reconstrução.

“A população de Moore deve saber que seu país estará no local ao lado deles o tempo necessário para reconstruir suas casas e escolas”.

“Há espaços vazios onde antes havia quartos e salas de estar, e salas de aula. Com o tempo vamos precisar preencher estes espaços com amor, risos e comunidade”, disse Obama. A população local permanece chocada com a tragédia

“É irreal. É tão visceral”, afirmou o contador Roger Graham, de 32 anos, enquanto remexia nas ruínas da casa de três quartos em que morava com a esposa Kalissa, professora, para tentar recuperar algo.

Curtis Carver, de 38 anos, veterano do Corpo de Marines que serviu por dois anos no Iraque, descreveu Moore, sua cidade natal, como uma “zona de guerra”, enquanto aguardava em um posto de controle policial a autorização para recuperar alguns objetos dos escombros de sua casa.

“Era minha casa, a casa dos meus filhos”, disse Carver. Os dois filhos do ex-marine escaparam ilesos, mas Carver não recebeu permissão para avançar, já que sua casa está em uma área ainda considerada muito perigosa.

“Agora não está. Não resta nada. É uma pilha de madeiras…. e me deixam afastado”, disse.

O tornado atingiu o nível EF-5, o mais potente na escala de magnitude do fenômeno, com ventos de mais de 320 km/h, disse à AFP Kelly Pirtle, do Laboratório de Tempestades Severas, do serviço meteorológico nacional.

O tornado de dimensões históricas, de três quilômetros de largura, arrasou na tarde de segunda-feira a cidade de Moore, de 55.000 habitantes, levando tudo em sua passagem, carros, casas, postes de energia elétrica, além de ter provocado incêndios pontuais em um fenômeno que durou 45 minutos.

O epicentro da tragédia foi a escola primária Plaza Towers, onde os aterrorizados professores e alunos seguiram para os corredores e banheiros.

Algumas crianças, no entanto, faleceram na tragédia. “Eu só ouvia pessoas gritando e chorando”, disse Claire Gossett, de 11 anos, ao jornal New York Times.

Boa parte dos escombros consistem em pedaços de madeira de menos 30 cm de comprimento e outras partes de material de construção. Os objetos grandes são escassos e muito dispersos.

Ao caminhar pela área destruída é possível encontrar objetos pessoais: uma roda de bicicleta, uma luva de beisebol, uma bola de golfe, uma meia de Natal.

Os voluntários ajudavam os moradores a desenterrar documentos como passaportes e declarações de impostos, assim como objetos de Star Wars ou parte de uma coleção de moedas, disse Michael Albrecht, que estava em Moore para uma reunião empresarial no dia do tornado e decidiu ficar para ajudar na reconstrução.

O tornado de segunda-feira seguiu mais ou menos a mesma trajetória do tornado de maio de 1999, que deixou 44 mortos, centenas de feridos e destruiu milhares de casas.

Os tornados geralmente afetam as planícies de Oklahoma, mas o fenômeno de segunda-feira atingiu uma área urbana. Pela qualidade do terreno, poucas residências são construídas com porão ou abrigo para tempestades.

Oklahoma City fica no chamado “Corredor dos Tornados”, que vai de Dakota do Sul ao centro do Texas, uma região particularmente vulnerável aos fenômeno.

Fonte: Terra