Que a confiança é uma das bases de qualquer relacionamento que pretende ser saudável ninguém duvida ou questiona. Eu não consigo imaginar duas pessoas construindo uma história que não seja pautada na certeza de que ambos estão sendo honestos. Ou melhor, posso até imaginar elas tentando, como um monte de gente faz todos os dias. Só não acredito que elas serão bem sucedidas. Ainda assim olho com certa desconfiança para aqueles casais que sabem absolutamente tudo um do outro. Ser honesto significa que precisamos dividir todas as histórias vividas e por viver? Eu, particularmente, penso que não.

Não sei vocês, mas existem alguns detalhes da minha vida que eu preferiria que continuassem no passado. Certos episódios dos quais eu não me envergonho, mas que tão pouco contaria para os meus netos. Histórias protagonizadas por um outro Arthur, decisões tomadas por alguém diferente de quem eu sou hoje. Situações que contribuíram para que eu me tornasse a pessoa que me tornei. Mas que em sua grande maioria nada tem a ver com quem faz parte da minha vida hoje. Diante desse fato, não consigo perceber qual a utilidade de dividir certas informações com meu parceiro.

Coisas como o número de pessoas com quem eu transei, os porres que eu tomei ou as maluquices que eu fiz quando mais jovem certamente não contribuirão em nada para a construção de um relacionamento mais sólido, porque são coisas que ficaram no meu passado. Percebam que eu disse meu passado. Não nosso. Porque eu me refiro às coisas feitas antes de o relacionamento começar e que dizem respeito a mim e a ninguém mais.

Os partidários da junção absoluta de dois indivíduos que me desculpem, mas relação simbiótica só dá certo entre fungo e casca de árvore. É preciso garantir espaço para que as duas pessoas que compõem o casal consigam existir de forma plena, sob o risco de morrermos sufocados uns pelos outros. Reservar uma parte da minha vida só para mim não é mentir nem ser individualista. É manter claro onde termina uma pessoa e onde começa outra. Sem falar que namorado não é terapeuta nem melhor amigo. As duas últimas figuras existem, justamente, para que a gente tenha com quem falar de coisas que não quer comentar com a primeira.

Amiga, crescemos assistindo desenhos da Disney e vendo novelas da Globo. Então, é natural que a gente busque um relacionamento onde os dois indivíduos se encaixam tão perfeitamente que chegam a completar as frases um do outro. É dessa fantasia de encontro entre duas pessoas destinadas a ficarem juntas que vem a ideia de que você e o candidato a príncipe têm que ser um só. Precisa dizer que esse tipo de coisa não funciona na vida real? Acho que não, né?

Você tem todas as chances do universo de encontrar um cara incrível e viver feliz para sempre ao lado dele. Estamos todos de dedos cruzados torcendo para que isso aconteça. Relaxa, não dividir cada lembrança do seu passado ou cada impressão e pensamento que ocorra a você no presente não invalida esse projeto e nem te transforma em uma bruxa mentirosa. A essa altura do campeonato, o cara já deveria ter aprendido que uma certa dose de independência faz bem para todo mundo. Se ele ainda não sabe disso, teve a sorte de encontrar você, uma mulher inteligente que vai ter o maior prazer do mundo em ensinar a ele com todo amor e carinho essa lição tão importante.

 Também perguntei para algumas amigas quais eram suas crenças inquestionáveis sobre o universo masculino. O objetivo era tentar descobrir até que ponto elas conheciam mesmo seus companheiros barbados ou se elas não estavam se deixando levar pelo oceano de lugares comuns tão característico da guerra dos sexos. O resultado, meus caros, é que as mulheres são mesmo de Vênus e os homens de Marte e um grupo não tem muita noção do que se passa no planetinha do outro.

“Todo homem é igual” é um dos lemas repetido à exaustão pelas mentes femininas. A ideia que a maioria dos caras não vale um Babaloo de melancia e que vai pular a cerca na primeira oportunidade é, talvez, a maior mentira do universo. Além de ser uma baita injustiça. Claro que existem caras assim, que não vão perder a chance de ficar com uma garota se ela der chance, mesmo se eles forem comprometidos. Mas daí a pensar que somos um bando de galinhas é uma distância imensa.

A maioria das mulheres que são traídas por todos os caras com que se relacionam têm o péssimo hábito de se interessarem por sujeitos que tem a palavra “cachorro” tatuada na testa. Tipos que deram em cima delas quando estavam acompanhados pelas namoradas. Aí a loca começa a se relacionar com o sujeito e surta quando leva um par de chifres. Sorry, baby, mas se o cara desrespeitou a ex, tem grandes chances de desrespeitar você. Você é a culpada pela traição? Claro que não. Mas convém observar os homem pelos quais você se sente atraída e quebrar esse padrão. Muitas vezes, não é que os homens sejam todos iguais, mas é você que faz sempre as mesmas escolhas.

A ideia de que os homens acham que as mulheres que tomam iniciativa são fáceis é outro mito que precisa ser combatido para o bem dos relacionamentos da pós-modernidade. Eu estaria mentindo se dissesse que babacas que julgam mal as garotas com atitude são uma espécie em extinção. Mas o buraco é bem mais embaixo. O problema é que grande parte dos homens heterossexuais foram abduzidos e substituídos por meninos de apartamento criados pela avó que não sabem como preparar o próprio leite com chocolate. E isso, minha gente, coloca em perigo a perpetuação da espécie.

Porque diante desse mar de caras que estão mais preocupados em sair nas fotos de site de balada playba fazendo símbolo de Paz e Amor do que em tratar bem a moça que está ao lado deles, só resta às mulheres surpreender o colega e tomar alguma atitude. Aí, ao invés de admitir que é um bundão, que não tem a menor ideia do que fazer com um mulherão que sabe o que quer, ele prefere dizer que você é fácil. Na boa, você está melhor sem um cara desses. A boa notícia é que nem todo mundo pensa assim. Cada vez mais homens estão se ligando que esses joguinhos sexistas não têm nada a ver e chegam junto quando você sai na frente na paquera ao invés de voltar para casa com o rabo entre as pernas propagando preconceitos machistas.

A resistência masculina a atos românticos também é presença fácil na lista dos maiores defeitos dos homens. Acontece, minhas caras, que os homens são românticos, sim. Só que não há buquê de rosas vermelhas, recado deixado no espelho do banheiro ou café da manhã na cama que alcance a fantasia feminina do príncipe encantado. Porque ainda que ele não faça nenhuma dessas coisas óbvias, eu duvido que não rolem gestos gentis no dia-a-dia. É o respirar fundo enquanto você surta porque está de TPM. É topar ver aquele filme mela cueca no sábado à noite e ver você suspirando pelo galã bonitão. Esse é o verdadeiro romantismo, aquele que dá as caras no meio da dureza do cotidiano. Não o agrado programado pelo calendário. Ninguém está dizendo que os homens devam ser alçados a posição de heróis por causa desses gestos. Mas não custa nada reconhecê-los, não?

Claro que não existem regras. O mundo está repleto de gente diferente agindo de forma meio maluca. E, por mais contraditório que possa parecer, isso é bastante saudável. A dica é tentar olhar menos para o próprio umbigo e mais para o outro. Mas olhar de verdade, com olhos e ouvidos a postos para captar os sinais e tentar entender um bocadinho melhor o que realmente acontece do outro lado do balcão. Desencontros sempre vão rolar. O processo perene de descoberta do outro na tentativa de desatar esse nó é o que mantém os relacionamentos vivos e os amantes em constante movimento, um em direção ao outro.

Ser mulher… Eu vivo me perguntando como as mulheres conseguem lidar com tanta pressão. Porque é preciso estar sempre magra e bem vestida, com cabelo escovado, maquiagem feita e perfume etéreo exalando pela sala. Tudo isso se equilibrando em cima de sapatos de saltos altíssimos e fazendo cara de mistério. Na boa, tem que ter um outro jeito de atrair a atenção dos caras e conquistar o respeito das “amigas”.

Não estou dizendo que a partir de hoje o pijama deve ser promovido à roupa de gala. Os homens, como a maioria das pessoas, gostam de ver sua companheira bem arrumada. Eles morrem de orgulho de terem sido escolhidos por aquela garota que chama a atenção de todo mundo por sua beleza, elegância, inteligência e presença de espírito. Essa vaidade faz parte da natureza humana. O que não pode é isso virar um suplício para as mulheres. Porque, de verdade, os caras que valem a pena vão querer ser motivo de alegria e prazer para vocês e não de preocupação.

Sou 250% a favor da beleza. Gosto de roupas bonitas, de paisagens que tiram o fôlego, de gente que parece que saiu da capa de revista, de obras de arte que emocionam. Isso não quer dizer que eu sofra (muito) por não ter dinheiro para vestir todas essas roupas, estar nesses lugares, namorar essas pessoas ou ter uma das obras de arte pendurada na parede de casa. Esse é o ponto: mirar o mais alto possível, mas ficar contente por acertar onde der.

Não estou fazendo apologia à mediocridade. Só estou tentando tirar um pouco do peso que a sociedade, a cultura, o machismo, ou qualquer um desses entes sem rosto colocou sobre os ombros de vocês, mulheres. Porque nem todo mundo nasceu para ser top model, mãe exemplar, rainha do lar, gata sarada ou alta executiva. Muito menos todas essas coisas juntas.

Caprichar na produção no primeiro encontro faz parte. O que não rola é levar a personagem para cama e ficar, indefinidamente, nessa de ser a princesa-perfeita-que-não-solta-pum. Tem coisa mais assustadora do que acordar e dar de cara com uma pessoa penteada, de cara lavada e sorriso no rosto? Primeiro porque o cara vai achar que passou a noite com um androide. Depois ele vai se sentir mega inadequado com a remela nos olhos e o bafinho de quem ainda não escovou os dentes. Para que isso, minha gente?

De verdade? Tudo o que os caras procuram é uma mulher bacana que ria das piadas deles, não dê chilique por causa da sessão semanal de futebol com a galera, saiba ser companheira e com quem possam fazer sexo gostoso e sem frescura. O resto é coisa de revista feminina. Vai por mim, de homem eu entendo.

E na hora da paquera, gente? Então você está no bar com o pessoal do trabalho para aquele happy hour bacana depois de um longo dia de trabalho. Lá pelo terceiro chope, você percebe que um dos engravatados da mesa ao lado é bem bonitinho. Entre uma reclamação e outra a respeito do chefe, você repara que o sujeito está olhando para você e sorrindo. Você retribui, ele recebe sua “resposta” e continua o jogo. Depois de algum tempo, as fofocas do escritório começam a ficar mais interessantes do que esse “sorri e acena”. Aí fica a dúvida: dar o primeiro passo, levar a coisa para o próximo nível e correr o risco de parecer oferecida, ou esperar que o sujeito mova aquela bundinha linda e venha falar com você?

Não se preocupe, minha amiga, você não está sozinha. Tomar ou não tomar a iniciativa da paquera é um dos grandes dilemas da mulher na atualidade. Ao lado, talvez, de questões  como onde encontrar uma depiladora de confiança que atenda depois das 21h, por que você escolheu ter filhos em vez de fazer Mestrado na Inglaterra, ou como impedir que a fatia de pudim de leite que você comeu no almoço vá parar direto no seu quadril.

Eu poderia vir com um discurso igualitário cheio de frases como “não há nenhum problema em mulheres darem o primeiro passo” ou “vá à luta porque essa divisão sexista de papeis não está com nada”. Até porque eu acredito de verdade em tudo isso. Mas não seria honesto. Infelizmente ainda existem milhares de caras por aí que se intimidam quando a mulher toma a frente. O número deles vem diminuindo, é verdade, mas ainda assim convém pensar um pouquinho antes de decidir qual postura assumir.

A primeira pergunta a se fazer é que tipo de risco você está disposta a correr. Continuar olhando e sorrindo é, de longe, mais seguro. Afinal, caso o sujeito não se mova sempre dá para dizer que você nem queria mesmo ficar com o cara e que tudo não passou de uma grande diversão. Ok, jogar toda a responsabilidade nas costas do moço reduz a zero as chances de levar um fora, mas te coloca em uma posição de impotência.

Não me venham com essa história de que “se o sujeito estivesse a fim ele teria vindo falar comigo”. Mulheres não são boas em dar sinais claros sobre o que quer que seja, muito menos quando estão sexualmente atraídas pelo cara da mesa ao lado. Então, o sujeito pode, simplesmente, não ter sacado que você estava dando mole para ele. Além disso, alguns caras são tímidos e, a não ser que suas mães super protetoras os arrastassem pela mão, eles jamais tomariam a iniciativa de ir falar com você.

Outro ponto que precisa ser levado em conta é o tipo de cara que você procura. Se o sujeito que completa sua fantasia de família de comercial de margarina for um daqueles tipos mais certinhos (eu ia dizer coxinha, mas achei que poderia ofender alguém), com visões meio esteriotipadas sobre o papel de homens e mulheres na vida, fique exatamente onde está. A ousadia de cruzar o bar, sentar-se ao lado dele e puxar papo pode estar tão fora da maneira como ele enxerga as coisas que você certamente será mal interpretada. Simplificando: ele vai te achar fácil e não vai te levar a sério. Ou seja, se você espera um príncipe montado em um cavalo branco vai ter de fazer a donzela aprisionada na torre. É um porre, eu sei, mas são os ossos do ofício.

Ok, ninguém anda com crachá na balada. Então como saber se o sujeito vai te achar uma mulher de atitude ou uma piranha caso você toma a iniciativa? Tentativa e erro, minha cara, simples assim. Se o sujeito encarar numa boa sua investida, ponto para as meninas. Se ele nunca mais aparecer, agradeça à vida por tirar do seu caminho alguém que provavelmente não te faria feliz e bola para frente.

Por último, mas não menos importante. Por favor, esqueça essa história de mostrar as palmas das mãos, mexer no cabelo, rir jogando a cabeça para trás ou qualquer outra bobagem que o canal da National Geographic disse que demostram o seu interesse. Pode até ser cientificamente comprovado, mas os homens têm algumas inseguranças que os felinos da savana não possuem. Então convém brindá-los com um pouco mais de objetividade. Não precisa cruzar a pista de dança sensualizando e passar uma cantada de pedreiro. Um simples sorriso largo, olhando nos olhos dele e um gesto de “vem cá” com os dedos são suficientes para eliminar qualquer dúvida. Aí é confiar no seu taco e deixar o resto por conta da Mãe Natureza.

 E o que vocês acham daquele chavão de que os opostos se atraem? Algum de vocês conhece o “Sou hipster, namoro playboy”? Vale a pena conferir. O tumblrreúne um monte de situações hilárias de desencontros que supostamente rolam quando hipsters (essa gente de óculos de aro grosso, camisa xadrez e chapeu Panamá) namoram playboys (me recuso a explicar o que é um playboy). É impossível não se reconhecer em uma (ou muitas) das situações. O site é um sucesso porque trata com muito bom humor um tema que é para lá de universal: as diferenças entre as pessoas e o reflexo delas nos relacionamentos.

Tenho certeza que não é preciso ir muito longe na memória para dar de cara com meia dúzia de situações em que os seus gostos, posicionamentos e hábitos eram tão bizarramente diferentes dos do seu namorado(a) que ficava difícil imaginar porque, diabos, vocês estavam juntos. Eu mesmo já passei por isso milhares de vezes. Às vezes conseguimos administrar as arestas e seguir em frente juntos. Mas também já existiram casos que as divergências ou eram muito grandes ou se referiam a coisas que nenhum dos dois estava disposto a negociar e acabamos por romper.

As duas situações me ensinaram que respeito, tanto por você quanto pelo outro, é a chave para a construção de uma história saudável. A ausência dele é o caminho para um relacionamento onde um sempre dá as cartas e o outro sempre acata às ordens. A receita pode até parecer um bom negócio por um tempo, principalmente para quem determina as regras do jogo. Mas não se enganem, o espaço entre o opressor e o oprimido é sempre um vazio e essa conta emocional será cobrada, mais cedo ou mais tarde, com juros e correção monetária.

Admito que nem sempre é facil conviver com estilos de vida ou valores muito diferentes dos seus. Mas o esforço vale a pena. Estar aberto para que o outro traga sua bagagem (física, emocional, cultural, etc) é, talvez, a melhor parte do relacionar-se. Quem perde isso, seja por arrogância, insegurança ou falta de generosidade, está jogando fora uma oportunidade incrível de se transformar em algo melhor, não pela aceitação plena de tudo o que o outro tem, mas pelo aprendizado constante.

Veja bem, não estou dizendo que você tenha que aceitar tudo o que o outro fizer ou vice e versa. Isso é submissão ou teimosia. Estou falando de troca entre iguais, onde cada um dá o que tem de melhor e recebe, de bom grado e desde que lhe faça algum sentido, o que o outro oferece. Nada a ver com enfiar suas escolhas goela abaixo do parceiro ou se sentir na obrigação do que quer que seja.

Apesar da boa vontade e do afeto, nem todas as diferenças podem ser negociadas a ponto de coexistirem pacificamente. Porque tudo nessa vida tem limite. E com a gente não é diferente. Então, se você já está até a tampa com o jeito bronco ou mal educado do seu namorado, ou qualquer outra postura que seja uma agressão ou falta grave na sua opinião, converse com ele e coloque as cartas na mesa deixando bem claro o porquê esse tipo de comportamento coloca em risco o relacionamento de vocês. Só tome cuidado para não se perder na ilusão do príncipe encantado, afinal se você tem um monte de defeitos não há a menor lógica em esperar perfeição de quem quer que seja.

Em tempo, estou me referindo às diferenças significativas que podem resultar em problemas sérios para o relacionamento. Você gostar de rock e ele de pagode não entra nessa categoria. Ele ser louco por futebol e você achar o esporte a coisa mais chata do universo também não. Para esses casos eu sugiro que ambos cedam um pouco e acompanhem o parceiro de vez em quando. Não precisa ir ao estádio em toda partida ou não perder nenhum show. Todo mundo reconhece “esforços” desse tipo. E quando você ou ele não estiverem mesmo afim, liberem-se para ir só com os amigos. Eis uma ótima oportunidade para praticar a confiança entre vocês e aproveitar para colocar o papo em dia com a galera.

No fim, é sempre aquela história de tratar as pessoas como nós gostaríamos que nos tratassem. Só a gente sabe o trabalho que deu para chegar até aqui e colecionar lembranças, amigos, conhecimento, projetos, consquistas e sonhos. Se ver tudo isso ser desrespeitado ou diminuído por alguém soa como crime passível de punição severa, não faz sentido sair por aí ditando regra e dizendo o que é ou não digno de nota dentre as coisas que o outro traz consigo. Pense nisso antes de bater no peito cheio de si se achando o representante de tudo o que há de melhor na humanidade.

E quando termina o relacionamento? Um grande amigo terminou o namoro há alguns dias. O cara está sofrendo horrores. Até aí, ok. Normal doer quando o relacionamento acaba e ainda existe afeto, tesão e saudade. O problema é que o sujeito está se sentindo o cocô da mosca do cavalo do bandido por causa do fim de uma história que já se arrastava há meses e variava entre brigas homéricas e desejo de desaparecer e promessas de mudanças que nunca se cumpriam. Aí não dá, né minha gente?

Afeto é muito importante, mas, sozinho, ele não mantém duas pessoas juntas. A convivência tem que ser prazerosa na maior parte do tempo, os valores tem que ser parecidos e as pequenas coisas que fazem parte do dia a dia devem ser motivo de riso, não de atrito. Porque é nos detalhes que construímos os relacionamentos e é neles que a maioria dos relacionamentos desmorona.

Uma coisa é sentir a falta do outro. Outra, completamente diferente, é se achar a pior das mortais por causa do rompimento. Não dá para carregar sozinha toda a responsabilidade pelo término. Da mesma forma que não daria para carregá-la em caso de sucesso. Então, querida, controle o ego e trate de dar para cada um a parte que lhes cabe nesse latifúndio.

Aí você pensa “eu poderia ter encarnado a donzela inocente e sido mais compreensiva ou paciente e não criar tanto caso com todos os defeitos e manias dele que me irritavam a ponto de eu querer acertar o sujeito com uma cadeira”. Sim, do mesmo jeito que ele poderia ter encarnado o príncipe encantado mais vezes, de preferência um parecido com o Richard Gere com direito a limousine branca e tudo. Então para de sofrer à toa porque ninguém deve nada a ninguém. Negociar, fazer concessões e ceder fazem parte do jogo. Mas abrir mão das coisas a ponto de se sentir agredida é demais. Ninguém merece isso e se o relacionamento de vocês fosse saudável não seria preciso chegar tão longe.

Ok, a química entre vocês era incrível. O beijo do cara amolecia suas pernas. Ele sabia extamente como te fazer subir pelas paredes. Agora ele se foi e a ideia de nunca mais se deparar com um amante tão bom te atormenta. Dois tons a menos, por favor. Primeiro porque o sujeito não tinha o membro de ouro. Depois, como diria Madonna, what happens when you’re not in bed (o que acontece quando você não está na cama)? Porque ele mandar bem é importante, mas não é o bastante para sustentar um relacionamento.

Tudo bem, às vezes a gente pisa feio na bola e merece o pé na bunda. Aí, só nos cabe fazer o mea culpa, enfiar o rabo entre as pernas e torcer para ser perdoado, quando ainda há interesse, ou partir para outra, se a vontade de ir for maior do que a de ficar. Se for esse o caso, bora correr atrás do prejuízo e tentar reverter o quadro. Mas sem perder a noção.

Nada de sair por aí perseguindo o ex e deixando um milhão de mensagens na caixa postal. Ligar sem parar para o escritório também não é uma boa. Esperar na saída do expediente não é uma opção. Mandar flores para a firma JAMAIS (melhor deixar para lá qualquer coisa que envolva o trabalho dele, ok?). Homem ODEIA se sentir acuado (na verdade, todo ser humano emocionalmente saudável tem pavor de ser encurralado) então não sufoque o sujeito. Marque posição, mas deixe espaço para que ele decida. Se ele estiver a fim ele vai dizer. Homens não fazem doce. Isso não faz o menor sentido para a gente.

Em todos os casos, quando a ficha cai e a gente se vê em casa em uma noite de sábado rodeado apenas por farelos de amandita, vale a pena ter em mente que as manias e péssimos hábitos do sujeito ainda estáo lá. Basta raspar a tinta dourada que cobriu todas as lembranças de vocês dois de um dia para o outro e você vai vê-los. Talvez não acabe com a dor, mas ajuda a reunir forças para não abrir mais um vidro de nutella.

E o mito de que amizade entre mulheres é fake? Amizade é um lance incrível. Muito bom contar com duas ou três pessoas especiais com quem a gente pode dividir problemas, alegrias e um pedaço de bolo de chocolate no meio da semana (porque ninguém merece sair da dieta sozinha). Muito bom ter com quem tirar dúvidas sobre a carreira, pedir ajuda para esquecer aquele ex que não vale nada, mas de quem a gente morre de saudades, ou compartilhar a última fofoca sobre um desafeto em comum.

No entanto, como tudo mais que envolve o ser humano, a amizade não é uma ciência exata. Por vezes, as coisas saem bem diferente do que nós imaginávamos e as pessoas acabam se chateando. Pode ser uma frase fora de lugar, mau jeito na hora de dar uma bronca, ou mesmo falta de atenção com o outro por causa de uma semana corrida no trabalho ou porque o namoro novo tem consumido grande parte do tempo livre. O motivo importa pouco, desde que as coisas sejam resolvidas logo. Esse é o tipo de situação em que a passividade dos envolvidos só piora as coisas. Nada a ver ficar esperando que o outro adivinhe que está em falta ou deu mancada. Algumas pessoas são mais distraídas do que outras e o que é muito importante para você talvez não seja para mim. Então, se o cenário atual não agrada, abra o jogo o quanto antes.

Se foi você quem deu a bola fora, a primeira coisa a fazer é hastear a bandeirinha branca e pedir desculpas. Aí você vira para mim e diz cheia e ironia. “Jura? Isso nunca tinha passado pela minha cabeça.” Eu sei, pode parecer óbvio, mas assumir, verdadeiramente, a responsabilidade pela crise na amizade é um dos passos mais difíceis. Porque não adianta nada ir se desculpar se você estiver na defensiva, com quatro pedras na mão, pronta para revidar a qualquer comentário. É preciso estar de braços, coração e ouvidos abertos ao que o outro tem  dizer. Não se trata de escutar calada os desaforos e cobranças que podem vir à tona em momentos como esse. Mas manter em mente que o objetivo do encontro não é mostrar quem tem razão ou quem é vítima e carrasco e sim acertar as coisas, resolver o problema e voltar as boas com alguém de quem você gosta muito.

No caso em que você foi a pessoa prejudicada vale a pena avaliar até que ponto o motivo de tanta chateação faz jus ao gasto energético e desgaste emocional de se indispor com uma amiga. Em 90% dos casos um puxão de orelha bem humorado seguido de um “espero que isso nunca mais se repita” dão conta do recado. Se a falha for recorrente marque um café, ou uma cerveja se vocês forem adeptas de uma boa botecagem, e seja honesta. Intimidade para isso vocês, supostamente têm. Ninguém é perfeito, muito menos você e sua amiga. Então convém temperar seus relacionamentos com doses consideráveis de generosidade, porque sem ela nem as parcerias no jogo de buraco sobrevivem. Fica a dica dada no parágrafo acima, resolver a situação é mais importante do que descobrir de quem é a culpa.

Veja bem, estamos falando aqui de “delitos” leves. Coisas que se resolvem com uma boa conversa e um bocadinho de paciência. Porque algumas atitudes são bem complicadas de entender e quase impossíveis de explicar. Ficar com ex-namorado da amiga, por exemplo, só se for amor de outra vida ou encontro de almas gêmeas. Caso contrário, nem pensar. Paquerar o pretê da outra também deve ser incluído na categoria “De Jeito Nenhum”. Aliás, trairagens de qualquer tipo devem ser evitadas mesmo sob tortura e, quando ocorrerem, devem ser punidas com execução sumária de TODOS os envolvidos, porque o bofe também tem culpa no cartório.

Eu acredito, de verdade, que tudo se resolve com uma boa conversa. Isso não quer dizer que vamos conseguir lidar com todas as coisas bem o bastante a ponto de podermos continuar nossas vidas como se nada tivesse acontecido. Certas atitudes deixam marcas muito profundas ou abalam demais a confiança entre as pessoas. Por vezes, a única solução possível é ir embora, romper os laços e seguir caminhos separados. Não se trata de alimentar ressentimentos ou passar anos remoendo sentimentos ruins e arrastando correntes por aí. Mas de assumir que o vaso se quebrou de tal forma que é, simplesmente, impossível colá-lo.

Não estou falando de desejar coisas ruins para o outro, mas de desejar ser feliz sem o outro ao lado. Porque as amizades, como tudo mais na vida, também terminam. Isso não quer dizer que falhamos. Quer dizer apenas que a partir daquele ponto os caminhos se separam. Isso acontece naturlamente na maioria dos casos. Quando a vida trata de afastar o que não faz mais sentido estar junto. Mas por vezes são nossas atitudes que determinam o término das relações. Do segundo jeito dói mais, é verdade. Mas ele precisa ser encarado com a mesma naturalidade do primeiro.

Agora, e quando rola aquela pulada de cerca? Sou super a favor de relacionamentos duradouros. Acredito mesmo que casamentos e namoros têm vários pontos positivos. Passear de mãos dadas no domingo à tarde, dormir de conchinha quando dá na telha, sexo sem frescura e a intimidade que só o tempo traz são algumas das razões que me fazem sonhar com o pacote completo, com direito a casa com cerquinha branca e tals.

Claro que eu tenho noção que casar também é a cueca/calcinha esgarçada, o pum debaixo das cobertas, o mau humor depois de um dia complicado, o pé no sofá e a toalha molhada em cima da cama. Até aí sem muitos problemas, porque é da natureza humana se acomodar quando encontra uma situação confortável.

O problema é quando, em um dos pontos baixos dessa curva, a gente resolve dar uma olhada por cima da cerca para conferir o que rola no quintal do vizinho e, ao nos depararmos com a grama verdinha, decidimos pastar na propriedade alheia.

Gente, chifre é uma das verdades inexoráveis da vida. Se até a Ivete Sangalo e o Rodrigo Santoro foram corneados, não há a menor chance de nós, ímpios mortais, sairmos incólumes dessa história. A pergunta é o que fazer depois que o leite derrama, a Inês morre e tantas outras analogias para dizer que agora o erro já foi cometido e é tarde para lamentar.

Ninguém aqui quer banalizar a infidelidade, mas convém dar às coisas o peso e importância que elas possuem. Então, amiga, se você se pegou no banheiro do trabalho com aquele colega gostoso que deu em cima de você por meses e a história se resumiu à diversão sem compromisso em horário comercial não há a menor razão para você abrir o jogo com maridão. A única coisa que você vai conseguir com isso é chatear um sujeito que te ama e que aceitou dividir a vida com você. Desnecessário, né?

Agora, caso o lance com o boy magia da baia ao lado se tornar algo recorrente ou você perceber que além de se pegar com ele no banheiro do escritório, também rola uma vontade de sair para jantar e tomar um vinho talvez seja o momento de parar e repensar seu relacionamento oficial.

Longe de mim ser moralista. Mais do que em namoro ou casamento, eu acredito na felicidade. E se seu companheiro precisa de um suplente para te fazer feliz, talvez tenha algo meio fora do lugar. Não estou dizendo para você chegar em casa metendo o pé na porta e fazendo as malas por causa de uns amassos e uma sessão de sexo casual. Mas convém fazer alguma coisa se rolar uma ressaca moral.

Às vezes um conjunto de lingerie novo, uma jantar romântico em um lugar bacana ou um final de semana na praia são suficientes para reacender a chama (nossa, que expressão mais cafona!).

Se depois de pensar e pesar as coisas, você resolver levar as duas (ou mais) histórias ao mesmo tempo, um conselho: seja discreta. Não por culpa, medo de ser descoberta ou receio do que as pessoas podem pensar de você caso descubram, mas as por consideração pelo sujeito que está em casa. Afinal, se a decisão foi manter o casamento, você deve sentir algo de bom por ele. Então não custa nada ter cuidado para não magoar o moço.

Não sou machista. Mesmo. Penso que homens e mulheres têm direito iguais, inclusive quando o assunto é traição. Mas também acredito em tratar as pessoas como eu gostaria de ser tratado. E ser traído, por si só, já é uma experiência bem dolorosa (eu sei e você também sabe). Não precisamos piorar tudo desfilando de mãos dadas com o casinho para quem quiser ver e contar para o dono oficial do cargo.

Não existem respostas fáceis para questões difíceis e no caso de infidelidade não seria diferente. Decidir manter o casamento após uma, ou várias, puladas de cerca não é necessariamente um problema desde que você consiga lidar com o fato de que está fazendo algo que possivelmente vai magoar alguém que te ama e que você afirma amar. Se colocar no lugar do outro cosuma ajudar nessas horas. Tente pensar em como você se sentiria se estivesse do outro lado do balcão. A resposta pode ser difícil de encarar, mas certamente vai te ajudar a decidir como agir. Fácil? Não. Mas ninguém nunca disse que seria.

Bem, entre os chifres, há os virtuais, né? A Internet mudou a forma como as pessoas se relacionam. Sites de relacionamento, redes sociais, salas de bate-papo e programas que permitem a troca instantânea de mensagens configuram, hoje, um campo fértil para aumentar círculos de amigos, conhecer pessoas com gostos parecidos e encontrar possíveis pretendentes. Até aí, nada a reclamar. Afinal, ainda que boa parte dessas histórias jamais migre para o mundo real, quanto mais variadas forem as formas de interação social, maiores as chances das pessoas toparem com alguém que faça seus corações baterem mais forte.

O problema é que o aumento da “oferta” também fez crescer as tentações. Se por um lado a rede de computadores permitiu a criação de novos tipos de relacionamentos, com ela também nasceram novas modalidades de traição. É, minha amiga, a pulada de cerca virtual, ao que tudo indcia, é um problema mais do que real para os casais do século XXI.

Cutucadas, mensagens e curtidas, inocentes à primeira vista, podem ser o início de algo com chances efetivas de terminar em um belo par de chifres enfeitando a testa de alguém. Envie o primeiro spam quem nunca recebeu um comentário com segundas intenções em alguma foto ou foi adicionado pelo amigo de um amigo que não pensou duas vezes antes de puxar papo.

Dar bola para o sujeito é uma escolha pessoal e envolve os mesmos riscos que os relacionamentos extra conjugais do mundo real. Isso porque, apesar da sensação de maior liberdade e coragem, as regras ainda são as mesmas. Então, nem tente usar a internet como atenuante para suas escapadinhas (mesmo elas sejam apenas via e-mail, whatsapp ou SMS). Porque, nesses casos, vale a intenção. E ela está presente mesmo nos atos não realizados fisicamente.

Isso não quer dizer que toda e qualquer interação nas redes sociais seja um convite ao adultério ou uma prova inquestionável de que seu namorado está tendo um caso com aquela menina do trabalho dele que vive comentando tudo o que ele posta. Homem morre de preguiça de mulher paranóica do mesmo jeito que morre de preguiça de olhar vitrine em shopping sem inteção de comprar nada. Então, melhor pensar bem antes de bancar a paranóica e sair por aí cobrando explicações sobre uma história que só existe na sua cabeça. Além de correr o risco de sair com fama de maluca e barraqueira (e homem odeia mulher maluca e barraqueira mais do que odeia juiz de futebol ladrão) você pode levantar a bola de uma história que ele talvez nem tenha notado.

A criação de perfis fakes para espionar ou testar a fidelidade do outro também é a maior roubada. Primeiro porque não significa nada: o cara ignorar suas investidas não quer dizer que ele seja santo e se ele te der mole pode ser mais uma questão de vaidade do que de real intenção de fazer alguma coisa para valer.

Se em algum momento seu namorado lhe passar a senha dele para uma situação específica, como verificar uma informação ou imprimir um arquivo, por exemplo, mostre que você é digna da confiança dele e JAMAIS use essa informação em proveito próprio e sem o consentimento dele. Invadir o e-mail ou o Facebook alheio é uma péssima escolha. Além de ser crime.

Caso role alguma desconfiança, vale a pena parar para pensar nas razões nas quais se baseiam essa sensação. Se a avaliação não for suficiente para matar a pulga atrás da sua orelha, uma conversa honesta com seu namorado é a melhor solução.

E outro dia o Facebook anunciou ter alcançado a marca de um bilhões de usuários. Isso mesmo, você fez a conta certo, de cada seis pessoas que habitam este planeta, aproximadamente uma tem uma página na rede social criada por Mark Zuckerberg. Com tanta gente envolvida, mais cedo ou mais tarde os desmandos, maus modos e falta de noção que pululam no nosso dia a dia migrariam do mundo real para o virtual. Pois bem, infelizmente foi mais cedo. Exemplos de mau uso das redes sociais não faltam.

Encher a timeline das pessoas com atualizações, postagens e recados é o primeiro e talvez mais grave dos pecados que podem ser cometidos nas redes sociais. Na minha opinião, quem faz isso deveria ser condenado à fogueira, mas me parece que a Santa Inquisição abandonou a prática. Uma pena. Eu sei que você foi criada em um lar cheio de amor que girava em torno de cada pequena nescessidade sua e que por isso precisa, quase patologicamente, avisar a todos quando vai tomar água, fazer xixi, descascar uma laranja ou deixar/chegar ao trabalho. Na boa, não precisa. Mesmo. Primeiro porque a gente não liga. Depois porque faz você parecer uma louca carente e sem amigos. Melhor não, né?

Postar um milhão de fotos de bichinhos fofinhos com frases inspiradoras ou de autoria questionável é outro deslize que me faz considerar seriamente parar de receber as atualizações de certas pessoas. Caio Fernando Abreu, Clarice Linspector e Drummond JAMAIS escreveriam aquelas coisas e se tivessem escrito não gostariam que suas palavras viessem acompanhadas da foto de um filhote de cachorro. Se isso não for razão suficiente para você abandonar esse hábito, pensa que essas imagens são cafonas, muito cafonas. Tipo apresentação de Power Point com parábolas bíblicas. Se você ainda manda e-mails com apresentações em Power Point com parábolas bíblicas, pare de ler esse texo agora mesmo e volte para os anos 90. A humanindade agradece.

Compartilhar coisas que não são de interesse público é outra coisa que convém evitar. Outro dia uns amigos comentavam que a página deles foi invadida pelas fotos da cirurgia do menisco de um colega em comum. Eu, de verdade, não consigo imaginar o que passa pela cabeça do sujeito para ele achar que as pessoas vão curtir ver o joelho dele todo aberto. A dica é simples: a vida pessoal continua pessoal. Tente limitar o conteúdo das postagens a algo que realmente pode ser útil para quem recebe suas atualizações.

Tópicos muito específicos devem ser compartilhados com pessoas que se interessam pelo tema. Se você é super fã daquela banda finlandesa que faz múscia a partir de latas de sardinha, ótimo. Isso não quer dizer que eu vou achar super legal receber notificações sobre cada um dos videoclipes dos caras que você postar. Futebol, religião e novelas são assuntos que costumam gerar situações assim. Gente, o facebook permite que você separe seus contatos em justamente para evitar esse tipo de aborrecimento. Bora aprender a usar esse recurso e parar de encher o saco dos outros porque o seu time ganhou a partida do final de semana ou a Carminha levou uma surra do Tufão.

Ok, algumas causas são universais e devem ser defendidas por todos nós, mas as pessoas têm o direito de escolher até que ponto querem se envolver. Eu sou contra a violência doméstica ou contra crianças e animais, e não perco a oportunidade de alertar as pessoas sobre esses problemas. Mas prefiro não ver as fotos de um cão que apanhou até morrer ou assistir o video de uma criança sendo espancada pela babá. Esses são os meus limites. Seria elegante respeitá-los.

Marcar os outros em posts e fotos sem autorização também é pisar feio na bola. O mesmo vale para os aplicativos que mostram os lugares que você visitou. A pessoa tem o direito de não querer que saibam onde ela jantou ou o tanto que ela bebeu na última balada. Se para você não tem problema, tudo bem, mas tem gente que prefere não se expor tanto nas redes sociais. Na dúvida pergunte antes se pode associar as imagens e informações ao profile do outro.

No fundo, minha gente, é sempre sobre respeitar o espaço do outro e se colocar no lugar dele. Tipo civilidade, sabe? Pode parecer frescura no começo, mas todo mundo sai ganhando no final. Pode apostar.

A internet é um reflexo do mundo real e, como tal, apenas reproduz seus comportamentos. Se o sujeito flerta com meio mundo no Facebook, a culpa é dele, não do Facebook. O site só expôs um comportamento que ele teria mesmo que as redes sociais jamais fossem inventadas pelo homem. Nada a ver ficar colocando a culpa pelas suas escorregadelas, ou de quem quer que seja, na rede. O uso que damos à tecnologia é que pode ser bom ou mau.  Pense nisso antes de responsabilizar o mundo virtual por atitudes questonáveis que você pode vir a tomar.

E quando somos traídos, devemos perdoar ou seguir a vida sozinhos? Muita gente fica enjoada só ao pensar na traição. Não consegue ver motivos para achar que alguém possa perdoar ou ser perdoado por cometer um ato tão sujo e leviano. Epa, calma, calminha! As coisas não são tão “preto no branco” como a gente pensa, existem milhares de tons no meio disso tudo.

Antes de começar qualquer discussão a gente precisa entender o que quer dizer traição para cada pessoa. É fazer sexo com outra pessoa? É fazer sexo com uma pessoa de sexo diferente? É beijar na boca? É pensar em outra pessoa? É sair para tomar um café uma vez por semana e ter conversas profundas e filosóficas? É passar a noite conversando na internet? É se masturbar conversando com outra pessoa numa sala de bate-papo virtual? É mentir sobre coisas importantes para o casal?

Algumas pessoas acreditam que traição é algo físico, então só existe quando duas pessoas se tocam, trocam carícias e chegam, ou não, ao sexo. Outras pessoas acreditam que o pior de tudo é a traição emocional e intelectual — quando as pessoas trocam confidências, se tornam melhores amigas e você deixa de fazer parte desse momento da pessoa amada. Há ainda as que acreditam que enquanto a namorada estiver de caso com outra menina, tudo bem, mas não pode ser com outro cara.

Agora que você já sabe que tudo isso pode mudar a questão do que é traição, é hora de pensar: o que é traição pra mim? E depois de chegar a uma conclusão — que pode mudar de acordo com o momento que você está vivendo — é hora de partir para a segunda pergunta: eu deixaria isso para trás?

E aí existem milhares de outras coisas para pensar, mas a mais importante delas é: eu vou guardar mágoa? Porque mágoa é a pior coisa que existe e se você vai olhar para a pessoa com esse sentimento pulsando dentro de você é melhor seguir sua vida sozinho.

Se você acredita que pode enterrar essa pedra no caminho e usá-la para melhorar as coisas, aí você tem que pensar muito em como trabalhar isso. Antes de falar qualquer coisa para a pessoa é bom você saber muito bem o que está sentindo e como isso mudou você — porque cada pequena coisa que acontece na vida nos marca e modifica.

A traição é algo que, ao ser perdoado, deve ser deixada para trás e esquecida. Você nunca mais vai poder tocar no assunto ou jogar isso na cara da pessoa, vai ser como se nada daquilo tivesse acontecido. Para que isso seja possível você vai ter que colocar tudo para fora na hora certa: antes de aceitar que tudo siga seu rumo.

Trair como vingança, colocar a terceira pessoa contra a parede, usar o acontecido como arma para tudo ou contar para todas as pessoas do planeta o que aconteceu não são coisas saudáveis. Sim, muita gente faz, mas são coisas que não fazem bem nem a você, nem ao relacionamento e muito menos a quem está presenciando esse ato de masoquismo.

Ao decidir esquecer a traição você aperta o pause no relacionamento, volta até o dia em que aquilo aconteceu e apaga até o momento em que você resolveu seguir com aquela pessoa ao seu lado. Durante essa pausa você pode, e deve, perguntar tudo o que queria saber, pensar se o que você sente é forte o suficiente e deixar claro — pra você e para a outra pessoa — como seria caso isso acontecesse novamente. Essa conversa vai ser decisiva e deixará claros os rumos do relacionamento.

Fui eu quem traiu
A primeira coisa que você tem que pensar nesse momento é: por que eu fiz isso? Respostas como “eu tinha bebido demais”, “estava carente naquele dia” ou “apenas rolou” não serão aceitas. Você precisa pensar de verdade, mergulhar no fundo dos seus sentimentos e entender porque você foi procurar algo “fora de casa”.

Depois de encontrar essa resposta você precisa concluir se o motivo pode ser resolvido com a ajuda da outra pessoa ou é algo apenas seu. Se você traiu porque tem necessidade de fazer sexo com mais de uma pessoa a resposta é ficar solteiro ou buscar um relacionamento aberto. Se você traiu porque a outra pessoa não dá a atenção que você precisa, não te trata como você gostaria ou faz com que você se sinta mal, ela pode te ajudar a melhorar isso.

Se você concluir que pode mudar como se sente e resolver os problemas com a ajuda da outra pessoa, é hora de começar a pensar que vale a pena contar sobre a traição. Se você concluir que é algo apenas seu, é hora de conversar sobre outras possibilidades de relacionamento.

Antes de contar sobre a traição para a outra pessoa o que você mais precisa ter em mente é: estou fazendo isso para melhorar o relacionamento ou para tirar um peso das minhas costas?

A resposta sendo a primeira, você conta, arca com todos os problemas que isso pode trazer, joga limpo e depois disso manda a culpa embora. O relacionamento deve seguir como antes, com o pause dado da mesma maneira de quando você é traído. Você deve enterrar a culpa e viver de acordo com o novo “contrato” que fez com a pessoa que está contigo.

Lembre-se que se você leu esse texto até aqui é porque acha que traição é um erro. E insistir no erro é burrice, não é?!

 A gente quer ser moderninha, mas homem faz falta, né? E outro dia entrei numas de arrumar um namorado. Assim, com a praticidade de quem decide estudar inglês, fazer academia ou cortar o cabelo. Resolvi encarar a questão como a objetividade de quem desenvolve um projeto importante, desses que precisam de cronogramas, tabelas no Excel e planos de ação. Mobilizei amigos, explorei redes sociais e coloquei o bloco na rua em busca desse sujeito que me ajudaria a enfrentar com um pouco mais de leveza e prazer esses dias terrivelmente chatos.

As coisas andavam às mil maravilhas. Tudo que estava ao meu alcance foi feito para dar cabo a essa vida de homem só. O único detalhe é que o sucesso da contenda não dependia só de mim. E mesmo a parte que dependia não era assim tão fácil de manejar. Porque, vejam bem, por mais que a gente tenha nossos gostos e preferências, ninguém nunca sabe para quem a outra ponta da garrafa vai apontar.

Nessa minha incursão em busca de um homem para chamar de meu, me deparei com muitas coisas. Caras bonitos, mas sem uma gota de bom humor. Gente divertida que mora do outro lado do país. Um povo cheio de preconceitos, uma gente que não gosta de gordo, de magro, de quem bebe, de quem fuma, de quem vai para a balada, de quem é mais novo ou mais velho.

Descobri que boa parte das pessoas, eu incluído nesse grupo, não querem um namorado, querem um personagem para preencher um lugar bastante específico em suas vidas. Então, com essa ideia de príncipe encantado em mente saem pela vida fazendo listas de qualidades almejadas e defeitos inaceitáveis em um pretendente. Azar de quem se apaixonar por essa gente, porque vai se presentear com a ingrata tarefa de ser a representação de um sonho, a personificação de uma série de projeções vindas sabe-se lá deus de onde. Desnecessário dizer que vai dar errado, né?

Além do povo que espera o sujeito montado no cavalo branco (ou suas variações mais modernas e bem menos românticas) conheci um monte de gente que quer namorar, mas não está disposta a correr os riscos inerentes a qualquer história de amor. Aquele tipo que vive reclamando que está solteiro, mas vive arranjando desculpas para não mudar a situação.

Longe de mim incentivar alguém a encarar um relacionamento por carência, pressão social ou qualquer coisa que não seja amor. Mas também é impossível ignorar o esforço que algumas pessoas fazem para se manter na zona de conforto. Apesar de triste, esse tipo de comportamento não seria um problema se ele prejudicasse apenas aqueles que resolve assumí-lo. O problema é que vez ou outra mais alguém tem a infelicidade de ser arrastado por esse redemoinho de racionalização. Resultado: você confusa e apaixonada por um cara que diz estar a fim de ter um relacionamento sério, mas não faz efetivamente nada para levar as coisas para o próximo nível.  Não sei se você já percebeu, mas vai sofrer. Muito, provavelmente, se você estiver mesmo gostando dele.

Ninguém sai por aí com crachás no meio do peito indicando pontos fortes e fraquezas. Então convém não enlouquecer tentando adivinhar o comportamento das pessoas. No fim das contas é tudo uma questão de química. Ou bate ou não bate. Melhor nem tentar colocar ordem em um sistema pautado, justamente, na imprevisibilidade e no caos. Fazer a sua parte é uma coisa, forçar a barra é outra e confundir as duas é mais fácil do que a gente imagina.

 E a amizade colorida? Quem nunca se apaixonou por um amigo que atire a primeira pedra. Quem nunca confundiu todo aquele companheirismo, bem querer e proximidade com algo que ia muito além da broderagem que dê um passo a frente e deixe a sala imediatamente. Gente, na boa, tem coisa mais fácil do que se deixar levar por aquela sensação de confiança e intimidade e acabar imaginando que existe algo mais do que fraternidade em todos aqueles gestos e boa vontade? Não tem. É aí que mora o perigo.

Veja bem, amizade é um dos tipos mais poderosos de afeto que existem. Amigos vivem e morrem uns pelos outros, ouvem histórias, ajudam sem julgar e estão sempre lá para dar uma mão quando a barra pesa demais, seja com um conselho de última hora ou uma dose de tequila. Sem falar nos gostos parecidos, nas piadas internas e nas milhares de coisas vividas juntas que trazem uma sensação de aconchego que nem colo de mãe supera. Fala sério, essa é ou não é a receita de um relacionamento perfeito? Até seria, se não fosse por um pequeno detalhe: não há amor entre amigos. Pelo menos não do tipo romântico em que as pessoas se beijam, e se casam e vivem felizes para sempre em casas com cerquinha branca. E isso, minha amiga, muda tudo.

Porque amigos, ao contrário de namorados, não exigem exlcusividade, o que dá uma baita leveza para a história. Então pense bem antes de enfiar, a força, a carapaça de “homem da sua vida” naquele cara que você conhece há anos e que nunca deu sinais de querer levar o relacioamento de vocês para outro nível. Porque ele pode, simplesmente, não ser a melhor escolha para o papel.

Concordo que a gente não controla o que sente e muitas vezes somos pegos de surpresa por esse sentimento que tomou um rumo inesperado. No entanto, é preciso estar atento para não confundir os canais e colcoar na prateleira o amor o que deveria ser jogado no cesto da carência. Porque eu aposto como esse amor repentino surgiu, justamente, em um momento em que a vida te deu uma rasteira e você, sem muitas perspectivas, se voltou para o ombro amigo mais próximo.

O lance da projeção também pode levar as pessoas a pensar que o sentimento pelo outro deixou de ser amizade. Porque, as vezes, a gente gosta tanto do outro, admira tanto o outro, se diverte tanto com o outro que acaba querendo ser o outro. Só que não dá, né? Então a gente enfia na cabeça que quer ter o outro só para gente na tentativa de absorver por osmose um bocadinho daquilo tudo que faz dele um ser tão especial. Precisa dizer que isso não vai dar certo? Acho que não.

Não estou dizendo que amigos não podem ser amantes e vice-versa. De vez em quando o afeto se transforma e ganha outros significados. Sorte dos pombinhos se conseguirem manter seu relacionamento leve e profundo como as grandes amizades sãos. O problema é pensar que amor e amizade são etapas de um mesmo processo. Porque geralmente não são.

Longe de mim desencorajar quem quer que seja a viver suas paixões por mais improváveis que elas pareçam. Só acho que não custa nada conferir se tem água na piscina antes de pular. Ou melhor, convém ver se a tal piscina existe mesmo ou se não é uma miragem criada pela sede extrema de afeto da qual sofremos vez ou outra na vida.

E o que vocês acham de a gente ser amante? Chifre é uma das verdades inexoráveis da vida. Já fui duramente criticado por afirmar isso acima. Mas digo e repito, sob o risco de ser atacado pelos moralistas ou desacreditado pelos românticos: mais cedo ou mais tarde todo mundo trairá ou será traído. Ainda que seja uma vez só. Ainda que não seja nada sério. O lance é tão parte da nossa cultura que criaram até uma data para homenagear o pessoal que de vez em quando resolve dar uma passeada pelo quintal do vizinho para conferir se a grama por lá é mesmo mais verde.

A ideia inicial era escrever um texto com prós e contras de ser amante. Tanto para homens quanto para mulheres. Eu tentei, de verdade, encontrar um lado bom nessa história do ponto de vista do terceiro lado desse triângulo amoroso. Mas não deu. Mesmo. Eu, particularmente, acho que ser amante é a maior roubada do universo. Sério. Sou um cara bastante ciumento e a simples possibilidade de dividir meu objeto de desejo com outra pessoa me tira do sério. Ainda que eu seja a filial e, tecnicamente, esteja errado. No entanto, há quem dê conta de viver nessa espécie de clandestinidade afetiva.

Veja bem, ser amante é quase como estar em um relacionamento que não tem as partes mais legais de estar comprometido. Porque existe o tesão, o carinho e a vontade de viver milhares de coisas juntos. Mas nada disso pode ser vivido de forma plena porque há sempre a necessidade de se esconder e de disfarçar e o medo de ser descoberto.

É tipo quando você está apaixonada por um cara que só está a fim de te pegar de vez em quando. O papo é bom, o sexo é bacana, o sujeito é divertido e os momentos que vocês passam juntos são incríveis. Mas quando ele vai embora sem dizer quando volta, ou se volta, fica aquele vazio, aquela sensação de abandono. Quando você se envolve com alguém comprometido rola algo parecido. Porque dá a impressão de que você recebe o que sobra do outro. Talvez por uma mistura de insegurança, sentimento de posse e vaidade isso não me parece ser suficiente para fazer alguém feliz.

Gente, longe de mim iniciar uma caça às bruxas. Nada me irrita mais do que esse povo de vestido de florzinha e colar de pérolas que fica ditando regras sobre a vida afetiva e a sexualidade dos outros. Sou a favor da felicidade e acredito de verdade que o caminho para chegar a ela é bastante pessoal. Se você não se incomoda em ter encontros furtivos em horários inusitados ou não existir oficialmente na vida do outro, tudo bem.  Eu não consigo. Mas eu não sou medida de nada.

Nem vou entrar no aspecto ético dessa história toda, porque há pouco a dizer em defesa de quem aceita ser a outra, ou o outro. Sem moralismos, mas quem, assim como eu, já foi traído sabe o quanto dói. Não consigo encontrar argumentos que justifiquem um comportamento capaz de causar tamanho sofrimento a alguém. Claro que a culpa não é só da amante. Para ser sincero, acho que ela é mais vítima do que vilã. Mas vale a máxima do “quando um não quer dois não traem”. Então convém ficar longe do bofe alheio, ainda que ele insista em ficar bem pertinho de você. Se não por respeito, pelo menos por medo. Porque dizem que a vida devolve tudo em dobro e chifre é que nem perfume do Avon: ainda que você use pouco, o estrago é sempre imenso. Imagine se vier em grande quantidade.

Amiga, você quer bater um papo de mulherzinha comigo? Então, escreva para gente, que alguma mulherzinha de nossa Equipe vai te responder, beleza?
Beijocas da Lyly