Pelo menos oito pessoas morreram e cinco ficaram feridas em mais uma noite de
violência na região metropolitana de São Paulo. Entre as vítimas, está uma
criança de um ano.

Estes crimes começaram ao final da noite de
quinta-feira e prolongaram-se pela madrugada num período de 10 horas. Desde
quarta-feira, já morreram 16 pessoas e 17 ficaram feridas no estado de São
Paulo.

Em São Bernardo do Campo, um dos seis tiros disparados contra um
veículo na noite de quinta-feira matou uma criança de um ano. Quando voltava do
supermercado com a mãe e o padrasto, o menino foi ferido no pescoço por um homem
que passava pelo casal num carro.

Na zona leste de São Paulo, um
segurança de 47 anos foi morto a tiro por dois homens que seguiam numa mota.
Segundo a polícia, a vítima foi confundida com um polícia militar quando voltava
para casa depois do trabalho.

Ainda na noite de quinta-feira, um homem
de 34 anos foi esfaqueado e morto, na região central de São Paulo. O homem terá
sido ferido por desconhecidos e entrou a correr na estação de autocarros, onde
caiu numa das plataformas. As pessoas presentes chamaram a Unidade de Suporte
Avançado, mas a vítima já estava morta.

Na zona sul de São Paulo, um
homem morreu durante uma alegada troca de tiros com polícias militares dentro de
uma escola pública. O suspeito terá atirado contra uma viatura e, na tentativa
de fugir à polícia, invadiu o estabelecimento de ensino.

Já na zona
metropolitana de São Paulo, dois homens armados mataram uma pessoa e feriram
outra ao início da noite. As vítimas foram atacadas quando chegavam a casa. Os
homens surgiram de mota, atiraram e fugiram, sem roubar nada.

Desde o
início do ano, pelo menos 92 polícias foram assassinados no estado de São Paulo.
Dessas vítimas, 18 estavam reformados e três estavam em serviço. Além disso, o
estado continua a enfrentar um grande índice de violência. Segundo dados da
Secretaria de Segurança Pública, só na capital houve um crescimento de 102,82%
no número de homicídios no mês de Setembro, em comparação ao mesmo período do
ano passado.

No dia 15 de novembro, os familiares de polícias mortos
manifestaram-se na região central de São Paulo. A manifestação seguiu até ao
cemitério de Araçá, onde fica o mausoléu da Polícia Militar

Para combater a onda de violência em São Paulo, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e o governador do Estado, Geraldo Alckmin (PSDB), definiram, em 6/11/12, após encontro no Palácio dos Bandeirantes, seis áreas de cooperação entre as esferas estadual e federal. Uma das principais iniciativas é a criação de uma agência para coordenar, de maneira integrada, as ações de inteligência das polícias estadual e federal no combate ao crime organizado. “As organizações criminosas não tem fronteiras. É fundamental participarmos juntos”, ressaltou o governador. Já o ministro destacou a importância do trabalho conjunto no setor de inteligência: “Não se combate o crime organizado sem inteligência.”

As outras áreas de cooperação entre o governo federal e o de São Paulo envolvem a administração penitenciária – com a possibilidade da transferência de presos para presídios federais -; a contenção do crime organizado por ações empreendidas por vias rodoviária, marítima e aérea; o enfrentamento ao crack; cooperação das polícias científica e pericial, além da criação de um centro de comando dessas ações integradas.

 

Para detalhar as ações que serão desenvolvidas em conjunto pelos dois governos, uma nova reunião está agendada para a próxima segunda-feira (12), na capital paulista, com representantes do governo estadual e do ministro da Justiça.

 

José Eduardo Cardozo afirmou que não serão enviadas tropas federais para São Paulo, ressaltando que mais de 130 mil policiais já atuam no Estado. A ação integrada entre as inteligências dos dois governos tem por objetivo a produção de protocolos para “asfixiar financeiramente o crime organizado”, ressaltou o ministro da Justiça. “Juntos, os governos estadual e federal são muito mais fortes no combate ao crime organizado”, emendou o governador.

 

Além de Cardozo e Alckmin, participaram do encontro desta terça-feira, no Palácio dos Bandeirantes, os secretários Sidney Beraldo (Casa Civil), Antonio Ferreira Pinto (Segurança Pública) e Lourival Gomes (Administração Penitenciária), além de membros da cúpula das polícias Federal, Militar e Civil e representantes do Ministério Público e da Administração Penitenciária.

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, levou à reunião de 6/11/12 com o governo de São Paulo, no Palácio dos Bandeirantes, um relatório de inteligência da Polícia Federal com raio X do PCC. Cardozo oferecerá ainda 300 vagas em presídios de segurança máxima. Já o Estado pretende usar essas vagas para o envio de criminosos que se envolverem em mortes de agentes públicos – neste ano, já foram assassinados 90 PMs e 3 agentes penitenciários.

Quatro unidades – Porto Velho (RO), Mossoró (RN), Campo Grande (MS) e Catanduvas (PR) – totalizam 832 vagas, das quais 500 estão ocupadas. A unidade com mais vagas disponíveis é Mossoró. É também a mais odiada pelos detentos – nesta época, o calor lá passa dos 35°C e recentemente houve problema de abastecimento de água.

O governo federal espera por uma lista de criminosos que o Estado pretende isolar. A partir daí, será feita a logística da transferência em um prazo mínimo de 48h a 72h. A União também oferecerá apoio logístico e de inteligência, por meio de técnicos da Receita e do Sistema Brasileiro de Inteligência (Abin).

Há expectativa, não confirmada, de que o chefão criminoso Marcos Camacho, o Marcola, seja incluído na lista. Ele comandou em 2006 a última grande onda de violência desencadeada em São Paulo, com a ajuda de outros líderes dentro dos presídios estaduais.

Na ocasião, ele e outros criminosos foram transferidos para presídios de outros Estados, mas a ação resultou em mais violência porque os bandidos continuaram fazendo as ordens chegarem aos comparsas. Caso a transferência ocorra, será a primeira vez que detentos paulistas serão isolados em bloco nos presídios federais. O relatório a ser entregue pelo governo federal mostra o modo de atuação do grupo hoje, como ele faz circular seus recursos e um perfil dos seus principais líderes dentro e fora das prisões.

Estrutura

Dotados de modernos equipamentos de vigilância e controle, os presídios federais são considerados fortalezas quase inexpugnáveis. Até agora, não houve nem sequer um caso de fuga ou rebelião nem registro de detento comandando ações de dentro da cela.

Nesses presídios, os detentos só têm contato com advogados, nos parlatórios, e com o cônjuge, nas visitas íntimas.

A revista e o controle são tão rigorosos que a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) fez queixa formal ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) contra juízes que têm autorizado a interceptação do contato de advogados com clientes. Há câmeras espalhadas por todo o espaço penitenciário e até os contatos de agentes carcerários e presos são gravados.

Nesta terça-feira, ocorrerá a primeira reunião entre autoridades federais e estaduais após o bate-boca público entre Cardozo, que diz ter oferecido ajuda federal a São Paulo em reunião em junho, e o secretário de Estado da Segurança paulista, Antônio Ferreira Pinto, que alega que a visita foi só de cortesia.

A troca de farpas só terminou com a intervenção da presidente Dilma Rousseff, que telefonou para Alckmin e combinou com ele a articulação de um plano de segurança, com tropas federais e estaduais juntas, como ocorreu no Rio e em Alagoas.

Diante da gravidade da situação, Cardozo mobilizou toda a cúpula do ministério para a reunião. O diretor-geral da PF, Leandro Coimbra, teve de cancelar participação no encontro anual da Interpol, em Roma, para estar em São Paulo. Também foram convocados os diretores da Polícia Rodoviária Federal, Maria Alice do Nascimento, e do Departamento Penitenciário, Augusto Rossini, além da secretária nacional de Segurança Pública, Regina Miki. As informações são do jornal

 

No início da madrugada de 6/11/12, na Rua Alberto Buriti, na Favela do Jardim Carumbé, região da Vila Brasilândia, dois homens em uma moto abriram fogo contra um grupo de pessoas reunido em frente a um bar. Parte das vítimas foi socorrida por testemunhas; as demais, por policiais militares. Duas foram encaminhadas para o pronto-socorro do Hospital Geral de Taipas, onde morreram. Para o Hospital de Vila Penteado foram levadas as outras duas. Apenas uma sobreviveu. Com esse crime, registrado no 72º Distrito Policial, da Vila Penteado, sobe para 13 o número de chacinas ocorridas na Região Metropolitana de São Paulo neste ano, com um total de 41 mortos.

 

Ainda na mesma região, cerca de três horas antes, três pessoas foram feridas a tiros na Rua Antonio de Almeida Viana. Atendidas no pronto-socorro João Paulo, duas delas morreram. Uma das vítimas seria o filho de um ex-policial militar, porém a informação ainda não foi confirmada. Um adolescente 17 anos é o único sobrevivente e passou por cirurgia no Hospital de Vila Penteado. O duplo homicídio também foi registrado na delegacia de Vila Penteado.

 

Uma hora depois, na altura do nº 1.600 da Rua Joaquim Afonso de Souza, na Vila Cachoeirinha, zona norte da cidade, dois jovens, ambos filhos de um ex-policial militar das Rondas Ostensivas Tobias Aguiar (Rota), foram perseguidos e baleados por ocupantes de um veículo, cujas placas e modelo não foram anotados. Tiago de Souza Ferrão, de 27 anos, e Diego de Souza Ferrão, 22, e um amigo deles, que saiu ileso, ocupavam um Corsa preto. Tiago e Diego foram atendidos no pronto-socorro Santana, mas apenas o segundo sobreviveu e foi transferido para o pronto-socorro do Mandaqui. Os dados da ocorrência foram registrados também no 72ºDP.

 

Por volta das 21h, testemunhas ligaram para a Polícia Militar informando que vários tiros haviam sido disparados na Rua Porto Seguro, no Bom Retiro, região central da cidade. Ao chegarem no local, os policiais encontraram dois homens caídos na rua em frente ao imóvel nº 98. Ambos foram levados pelos policiais para o pronto-socorro Santana. Segundo a Polícia Civil, até ao final da madrugada, ambas as vítimas permaneciam internadas, mas o estado de saúde delas não foi informado. O caso foi registrado no 8º Distrito Policial, do Brás/Belém.

 

Um agente penitenciário de 47 anos foi morto a tiros na noite de 4/11/12, em Guarulhos, na Grande São Paulo, segundo a polícia. O irmão dele também foi baleado. Além do agente e de seu irmão, pelo menos 13 pessoas foram baleadas -  três delas morreram – em casos registrados entre a noite deste domingo e a madrugada desta segunda-feira, 5, na capital e na região metropolitana de São Paulo.

O homem estava com o irmão e a cunhada no cruzamento da Rua Sarutaia com a Avenida Brigadeiro Faria Lima e teve o carro fechado por homens em duas motos por volta das 21h, de acordo com a 1º Delegacia Policial de Guarulhos. O irmão também foi atingido por disparos, mas foi socorrido e não corre risco de morte. A cunhada não foi atingida, ainda segundo a polícia.

Mais violência

Um policial à paisana foi ferido a tiros na noite deste domingo na Avenida Belmira Marin, no Grajaú, Zona Sul de São Paulo. De acordo com policiais da 4ª Companhia do 27º Batalhão da Polícia Militar, responsável pelo policiamento da área, o policial estava de folga e teria tentado impedir um assalto quando foi atingido. Ele foi socorrido ao Hospital do Grajaú para ser submetido a cirurgia e transferido para o Hospital Militar, segundo os policiais.

De acordo com a 47ª Delegacia Policial, no Capão Redondo, três homens levaram disparos de dois suspeitos que estavam em uma moto na região do Jardim São Luiz, Zona Sul da capital, no fim da noite do domingo. As vítimas, de 17, 19 e 24 anos, não têm passagem pela polícia e foram transferidos para dois hospitais da região. A polícia ainda não sabe a motivação do crime.

Outras quatro pessoas foram baleadas na Rua General Syzeno Sarmento, no Rio Pequeno, Zona Oeste de São Paulo. Todas as vítimas foram levadas para o hospital universitário. Uma delas não resistiu.

Na Vila Medeiros, na Zona Norte, dois homens de 19 e 22 anos passavam pela Rua Igaraí quando foram baleados. O criminoso estava em um carro e fugiu. Até o início da manhã desta segunda-feira, não havia informações sobre o estado de saúde das vítimas.

Na região do Ipiranga, na Zona Sul, uma menina de 10 anos e um suspeito morreram em uma tentativa de assalto na Avenida das Juntas Provisórias, na noite deste domingo. Um vigilante que passava de moto pelo local ficou ferido. A garota estava no carro com os pais quando foi atingida por uma bala perdida no tiroteio entre os criminosos e um policial militar que presenciou uma tentativa de assalto. O caso foi registrado na 26º Distrito Policial, no Sacomã, e passado para o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

 

Pelo menos 10 pessoas foram mortas e nove ficaram feridas entre a noite do dia 2 e a madrugada do dia 3. Entre os feridos está um policial militar, que estava de moto e foi atingido por tiros na Avenida Dr Zuquim, na Zona Norte. Ele estava fardado. Segundo a PM, ele foi socorrido ao Hospital da Polícia Militar. Os criminosos fugiram.

Em São Bernardo do Campo, dois homens e uma mulher foram baleados na Rua Alvarenga Peixoto, por volta de meia noite. Os dois homens morreram. Pouco antes, no bairro Alves Dias, um homem foi morto a tiros na Rua Campina Grande. Às 2h30m, cinco pessoas que estavam num bar foram baleadas e ficaram feridas.

Três homens foram mortos em confronto com a Polícia Militar na Rua Japão, por volta de 21h. Segundo os policiais, eles estavam em um carro roubado e não atenderam a ordem de parada. Foram apreendidos dois revólveres e uma metralhadora.

Na capital, na Vila Carmosina, na Zona Leste, um prédio onde moram policiais militares foi alvo de tiros. Uma pessoa que estava no condomínio foi baleada e morreu. No bairro do Campo Limpo, na Zona Sul, um homem também foi ferido a tiros

No Embu, os corpos de dois homens foram encontrados na Rua Guaíba. Eles também foram executados. Em Santo André, um homem e um menor foram baleados Vila Guiomar. O adulto morreu.

Desde janeiro passado, 89 policiais militares foram mortos em São Paulo.

Nesta sexta-feira, o governador Geraldo Alckmin anunciou a ampliação da Operação Saturação, da Polícia Militar, nas periferias da capital, que consiste em colocar um grande efetivo de policiais dentro de comunidades.

- A Operação Saturação continua. Começamos em Paraisópolis, com prisão em flagrante de quase 20 criminosos, armamento pesado e drogas. Depois fizemos Campo Limpo, Capão Redondo e São Remo. Essas operações vão continuar – afirmou o governador.

A primeira área a ser ocupada foi a favela de Paraisópolis, a segunda maior da capital e considerada o ponto mais rentável do tráfico de drogas em São Paulo, por estar encravada no Morumbi, bairro nobre da cidade.

A última vez em que governos federal e estadual fizeram uma parceria na área de segurança pública foi em 2006, quando a facção criminosa que controla as penitenciárias paulistas realizou uma série de ataques contra policiais e civis em São Paulo.

Com isso, o número de homicídios na cidade de São Paulo cresceu 95,65% em setembro deste ano na comparação com o mesmo mês do ano anterior. Foram 135 ocorrências no mês passado ante as 69 registradas em setembro de 2011. As estatísticas criminais fazem parte do balanço divulgado nesta quinta-feira pela Secretaria de Segurança Pública (SSP) de São Paulo.

O registro de crimes desse tipo vem crescendo na capital nos últimos três meses. Houve um amento de 46,7% no número de homicídios na comparação entre julho (92 casos) e setembro deste ano (135). Em agosto, que registrou 106 casos do tipo, na comparação com julho, o índice havia crescido 15,2%.

A cidade de São Paulo também teve considerado aumento no número de latrocínios, o roubo seguido de morte. Foram quatro ocorrências em agosto contra 13 em setembro deste ano, uma elevação de 225%. Em setembro do ano passado também foram registrados quatro casos de latrocínio.

Em todo o estado, os latrocínios cresceram 14,78% nos primeiros nove meses deste ano na comparação com o mesmo período de 2011. Foram registradas 264 ocorrências desse tipo de crime em 2012, ante as 230 no ano passado. Os homicídios dolosos no estado, no mesmo período, subiram de 3.069 no ano passado para 3.329 este ano, um crescimento de 8,47%.

A divulgação do aumento da violência em todo o estado ocorre numa semana em que a Grande São Paulo registrou pelo menos 14 assassinatos, sete deles somente nesta madrugada – um contra um PM. Além de mortes nas zonas Leste, Norte e Sul da capital, foi registrado de quarta para quinta-feira também um assassinato em Itaquaquecetuba, na região metropolitana. Um PM reagiu e matou um suspeito que o perseguia. Outras onze pessoas ficaram feridas a tiros nesta madrugada.

Do início do ano até agora, 85 PMs foram mortos em todo o estado; 64 estavam de folga. A última morte de um PM aconteceu em Sapopemba, na Zona Leste de São Paulo, nesta madrugada. A vítima, que estava de folga, foi assassinada por dois homens que chegaram disparando em uma moto, no momento em que parou em um bar para tomar um refrigerante.

- Você tem momentos de maior tensão, de enfrentamento. O que o governo não vai fazer é omissão. Tem reação, vamos enfrentar a reação – disse o governador Geraldo Alckmin (PSDB), que acrescentou que a polícia prendeu 117 suspeitos de ataque contra alvos policiais.

Alckmin tentou, ainda, explicar a escalada da violência e disse que a política é de “tolerância zero”.

- Você tem casos de briga de quadrilhas, você tem acertos de contas, briga por ponto de droga. O governo investiga. Tolerância zero, não há nenhuma hipótese de tolerância com desvio de conduta – disse.

 

Fonte: Yahoo