Em mensagem ao Irã transmitida por mediadores europeus, o governo dos Estados Unidos anunciou que não apoia e nem pretende participar de um eventual ataque por parte de Israel contra as bases nucleares iranianas. A notícia, divulgada nesta segunda-feira pelo jornal israelense Yedioth Ahronoth, aponta ainda que a Casa Branca espera que, no caso de uma ofensiva israelense, o exército iraniano não ataque alvos estratégicos dos EUA no Golfo Pérsico, como bases militares, embarcações e porta-aviões estabelecidos na região.

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De acordo com a publicação, a clara mensagem foi enviada a Teerã nos últimos dias, através de dois países europeus não mencionados. O porta-voz dos Estados Unidos em Israel não quis comentar a questão, mas o “recado” coincide com uma declaração feita recentemente pelo chefe do Estado-Maior americano, general Martin Dempsey, de que “não seria cúmplice” de um ataque ao Irã por parte de Israel. Ainda segundo ele, um ataque israelense iria provavelmente atrasar o programa nuclear iraniano, mas não destruí-lo.

As tentativas da gestão Barack Obama de evitar um ataque israelense também foram abordadas pelo jornal americano The New York Times na edição deste domingo. A publicação explica que, ao mesmo tempo que adota medidas preventivas, a gestão Obama se empenha em fazer Teerã esclarecer seu programa nuclear.

França – Em outra frente para evitar um ataque israelense, o chanceler francês, Laurent Fabius, afirmou nesta segunda-feira que um eventual bombardeio contra o Irã poderia se voltar contra Israel. Ele defendeu um reforço das sanções contra Teerã por esconder o alcance de seu programa nuclear. “Sou absolutamente contrário a que o Irã tenha a arma nuclear, mas penso que se acontecesse um ataque israelense, lamentavelmente isto se voltaria contra Israel e colocaria o Irã em situação de vítima”, afirmou Fabius, em entrevista ao canal BFM-TV.

Fabius disse temer que, com um bombardeio, os iranianos “recuperem uma legitimidade ante as populações da região” ao serem atacados. Para ele, é necessário aumentar as sanções e, ao mesmo tempo, seguir negociando com o Irã para que seu programa possa ser averiguado por agentes da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA)

Histórico – Israel considera o programa nuclear iraniano uma ameaça e o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, insiste que as sanções internacionais impostas ao país não estão funcionando. Esta postura ampliou a distância entre o governo israelense e a administração de Barack Obama, que acredita que ainda há tempo para que o Irã modifique sua atitude e decida esperar para ver os efeitos das sanções.

A AIEA investiga há cerca de uma década as atividades nucleares do país, que durante 18 anos manteve em segredo seus avanços atômicos, o que causou grande desconfiança na comunidade internacional. O Irã é acusado de tentar desenvolver uma arma atômica, versão negada pelas autoridades iranianas, que garantem que seu programa nuclear é civil, com finalidades pacíficas.

O Irã acusou o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Yukiya Amano, de passar informação confidencial sobre o programa nuclear iraniano a Israel, inimigo declarado da República Islâmica. As informações são da agência oficial de notícias Irna. “A AIEA é obrigada a proteger a informação das atividades nucleares de seus membros e não cumpriu sua responsabilidade neste sentido em relação ao Irã, pois transferiu informação nuclear aos inimigos do país”, disse o deputado Yavad Yahanguirzade à agência.

Integrante da Comissão de Segurança Nacional e Política Externa e da Junta Diretiva do Parlamento, Yahanguirzade acusou Amano de fazer “várias viagens a Tel Aviv para perguntar o ponto de vista dos funcionários israelenses sobre as atividades nucleares do Irã”.

Para Yahanguirzade, isso demonstra que o regime de Israel e de outros países hostis à República Islâmica têm acesso à informação nuclear do Irã, o que vai contra as normas da AIEA. “Se a conduta da AIEA fizer com que o Irã corte sua relação com a agência, toda a responsabilidade será do diretor-geral”, afirmou Yahanguirzade.

O chefe da Comissão de Segurança Nacional e Política Externa do Parlamento iraniano, Alaedin Boruyerdi, acusou a multinacional alemã Siemens de ter colocado explosivos em uma peça para sabotar instalações nucleares do Irã.

Segundo informou neste domingo a rádio oficial iraniana, Boruyerdi declarou: “Essa bomba devia explodir e sabotar todo um sistema, mas o complô foi neutralizado devido à vigilância dos especialistas iranianos”.

Na sexta-feira passada, o embaixador do Irã na AIEA, Ali-Asghar Sultaniyé, acusou o Conselho de Segurança da ONU de “décadas de indiferença” perante o programa nuclear de Israel, destinado à fabricação de armas atômicas.

ENTENDA O CASO: A questão nuclear iraniana

Bombas nucleares- De acordo com organismos internacionais de estudos estratégicos, Israel – que não é signatário do Tratado de Não-Proliferação Nuclear e não está submetido a inspeções internacionais – desenvolveu seu programa atômico com ajuda da França e com o consentimento dos Estados Unidos. A estimativa é de que Israel tenha entre 200 e 500 bombas nucleares.

O Irã foi acusado por diversos países, entre eles Israel, de tentar fabricar bombas atômicas dentro de seu programa nuclear. Teerã negou e assegurou que suas atividades neste campo são exclusivamente civis e pacíficas.

Israel e EUA ameaçaram atacar o Irã se o país não freasse seu programa nuclear, ao que Teerã respondeu que não interromperá suas atividades atômicas e que, caso seja agredido, dará uma resposta arrasadora.

Fonte: Veja