Sempre ouço as pessoas falarem do karma e atribuírem a esta lei todas as suas frustrações e relacionamentos em desarmonia, mas bem pouca gente percebe suas próprias amarras. Uma delas é se colocar como vítima das situações. Claro que algumas vezes somos mesmo vítimas de alguma coisa bem ruim, de uma ingratidão, de uma traição, e não há como evitar ficar triste, e até adoecer por conta de um fato desagradável, mas o complicado é se aprisionar no sofrimento. Porque tudo tem um tempo. Durante um certo período não podemos e não devemos nos distanciar da dor, porque a dor também traz a cura, mas depois de um certo período precisamos caminhar, nos soltar e parar de reclamar.

Diego ilustra perfeitamente esse ensinamento. Homem de meia-idade e relativamente bem sucedido profissionalmente queria se sentir mais feliz e não conseguia. Vivendo um segundo casamento, sem filhos, sentia que a relação estava por um fio. Chegou ao meu consultório cabisbaixo, caminhando para uma depressão.

A sessão de Vidas passadas mostrou o corpo sutil deste homem totalmente ferido, conectado com histórias de abandono e desamor. Vieram registros de traição, quando ele sendo nobre e tendo condições de ajudar sua futura esposa, fizera de tudo para levantar a família, arrumou emprego para os irmãos, alimentou os pais já idosos. Porém, depois de um tempo de casado, descobriu a traição da esposa e resolveu castigá-la mantendo a moça presa por anos. Mas a vingança não aliviou seu coração, ele continuava se sentindo magoado, e apaixonado pela moça. Pensou até que ela tinha jogado um feitiço nele. Nesta ocasião, foi procurar um padre e a mulher acabou queimada na fogueira como bruxa. Desde então, eles ficaram presos e, de vítima, ele passou a ser o algoz.

Nesta vida, tudo se repetia. Ele corria atrás dela e a mulher estava arredia, sempre reclamando que ele fazia as coisas para ela e para sua família, querendo receber algo em troca. Reclamava que ele não era sincero na demonstração de afeto, que queria comprar seu amor. O que ele considerou ser parcialmente verdade, já que o dinheiro era importante e ajudar os familiares exigia dele grande abnegação.
Mas será que isso era suficiente para fazer sua vida afetiva feliz?

Diego só reclamava, tinha consciência de suas boas atitudes, mas seu coração estava carregado de mágoas da esposa e da sua família. Tinha raiva da atitude deles, mas não rompia, não se posicionava, deixava as cosias continuarem naquele ritmo ruim de reclamações.

Expliquei que não fazer nada, não ter coragem de tomar uma atitude, de se defender, ou de simplesmente seguir adiante, estava causando a terrível insatisfação que tomava conta da sua vida e o estava levando para depressão.

Pedi que Diego começasse uma terapia para arrumar coragem de mudar sua vida, porque não adianta ficar forçando o amor ou a gentileza das pessoas. Se algo não dá certo, se oferecer amor, atenção, cuidados, carinhos não for o suficiente, o que será?

Há certas relações que não têm cura. E nesses casos não adianta cobrir o outro de afeto. Existem momentos que precisamos olhar para dentro e nos amar em primeiro lugar, porque nós somos o centro do nosso mundo, e os responsáveis por nos manter saudáveis e felizes. Como ensinam os Mestres, o outro faz parte do cenário da sua vida, e você como o ator principal pode mudar o que está à sua volta. Mudar o karma depende de você. Coragem!

Por Maria Silvia Orlovas

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