Por Maria Silvia Orlovas

Quantas vezes você quis ouvir
esta pergunta? E quantas vezes você ofereceu ajuda desta forma?
Tenho certeza
que essa questão traz uma profunda reflexão, porque é muito bom receber ajuda,
mas nem sempre as pessoas oferecem aquilo que precisamos e sabemos também que,
em momentos importantes, já ficamos sem saber muito bem como oferecer nossos
préstimos.
Aprendi a respeitar o poder transformador dessa pergunta fazendo
serviço ao próximo, pois, na tentativa de ajudar instituições carentes e mesmo
pessoas que passam por dificuldades, sofri com o desencontro entre a minha forma
de dar e a forma do outro receber. E percebi que isso também vale para
relacionamentos, porque o descompasso entre as pessoas é muito grande.
Você
já parou para pensar que as coisas que mais você valoriza podem ter pouca ou
nenhuma importância para o seu parceiro? Já parou para pensar que você pode
estar investindo um tempo importante em agradar seu chefe, pai, ou um amigo
querido, fazendo coisas que podem não ter o mesmo valor para ele?
Pois é,
amigo leitor, nós enfrentamos um grande desgaste nas relações por conta desse
descompasso. Lembro que anos atrás uma importante sexóloga falava na TV da
importância de conversar sobre sexo com o parceiro, e os níveis de audiência dos
programas eram bem altos, mas acho que não falta interação apenas nas questões
íntimas. Falta em muita coisa. Porque também acontece das pessoas pensarem,
desejarem uma coisa e manifestarem outras gerando a sua volta muita complicação.
E nem sempre é uma ação consciente. Às vezes, as pessoas querem apenas se
proteger não pedindo ajuda, não mostrando suas fragilidades, não dizendo o que
pensam.
Sempre brinco com meus clientes dizendo que até o sexo pode não ser
íntimo. Já que para entregar a alma, precisamos confiar e sentir que o outro nos
aceita como somos. Porém, confiança não se cria no impulso. Podemos até gostar
de alguém espontaneamente. Podemos querer a amizade, ou sentir atração, mas
intimidade é algo que vem com a convivência, com a parceria e entrega. Quando o
tema é Vidas Passadas, então, acontecem muitos enganos.
Um deles é quando as
pessoas sentem que encontraram uma alma gêmea e descobrem, depois de um tempo,
que esse parceiro ideal tem atitudes negativas e egoístas.
Para tocar o
coração de verdade precisamos nos dispor a ajudar e não impor aquilo que achamos
ser bom. Precisamos deixar cair as máscaras e armaduras.

Como posso
ajudá-lo, significa que estou disponível a tentar dar o que você precisa, não o
que eu quero. Significa também tomar atitudes.
Sabemos de tantas coisas, já
fizemos tantos cursos, mas de que adianta tudo isso se não nos dispomos a ouvir
o outro e oferecer o que ele precisa e praticar o que aprendemos?
Quantas
histórias poderiam ter uma continuidade feliz se os parceiros simplesmente
abrissem suas barreiras e se colocassem honestamente? Porque o dialogo sem
verdade não alivia a convivência. Se permanecermos no nosso mundinho, defendendo
nosso pequeno território, jamais seremos felizes de verdade.
Para oferecer e
receber ajuda é preciso humildade.
O que temos pode ser muito bom, porém, se
não é o que o outro precisa você não se sentirá recompensado pela doação, nem o
outro feliz com o presente.
Num mundo onde existir mais honestidade e
humildade, as pessoas não precisarão de presentes para serem lembradas, nem de
datas especiais para celebrar o amor.
Será que já estamos prontos para
assumir essa conduta

Fonte: Site Vdanova