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Atentado na Alemanha

Fazia tempo que estava no ar. A Alemanha— ao contrário de Estados Unidos, França e Bélgica e muitos outros países — não tinha sofrido um ataque terrorista de envergadura nos últimos meses. E na mesma semana, duas cidades do Estado da Baviera, coincidência ou não, sofreram atentados que despertaram os piores receios da população. As autoridades não descartam nenhuma hipótese, nem a do islamismo nem a da extrema direita.

O McDonalds atacado em Munique
O McDonalds atacado em Munique  AP

Nesta sexta-feira, ataques a tiros feitos por um homem não identificado — a princípio se imaginou que fossem três os atiradores — levaram à morte de dez pessoas (o atirador teria se matado) e feriram ao menos 21. Os responsáveis governamentais, policiais e dos serviços secretos se moviam na esquizofrenia de não querer alarmar a população e reconhecer ao mesmo tempo que o perigo estava presente, e que a questão não era tanto se a Alemanha sofreria um ataque terrorista, mas quando e como. E nesta semana explodiu.

Primeiro na segunda-feira, quando um refugiado que parecia um modelo de integração –fazia estágio numa padaria e acabara de desembarcar numa família de acolhida– agrediu com machado um família chinesa em um trem e uma mulher na rua. Dois deles estão entre a vida e a morte. A tragédia também teve repercussões políticas: o jovem tinha chegado na onda migratória que a chanceler Merkel não conseguiu, ou não quis, recusar. E agora Munique.  Na confusão da sexta-feira era muito cedo para procurar certezas ou autorias. A polícia da cidade disse na sexta-feira não ter, no momento, nenhum indício islamista.

“Não descartamos nenhuma hipótese por enquanto, nem a do islamismo. Mas não há nada claro e peço respeito à confidencialidade das investigações para não prejudicar suas possibilidades de sucesso”, disse pouco antes das 23h (hora alemana) Peter Altmeier, ministro das Relações Exteriores e um dos colaboradores mais próximos de Merkel.

‘PORTAS ABERTAS’ NAS REDES

L. D., BERLÍN

As redes sociais irrompem com força nos acontecimentos trágicos e o tiroteio de Munique não foi exceção. Para se comunicar com os cidadãos e informá-los ao vivo, a polícia federal usou sua conta no Twitter. Por meio dela pediu que a população permanecesse em suas casas, não postasse nenhuma imagem dos acontecimentos e não usasse as estradas que conduzem à capital bávara. Uma das tendências no Twitter nessa noite foi a hashtag#offenetuer, portas abertas, que encabeçava os tuítes daqueles que, em Munique, ofereceram ajuda para quem não tinha onde se abrigar. Entre os que a usaram estavam as mesquitas da cidade.

A polícia investiga a autenticidade de um vídeo no qual aquele que parece ser o autor grita “sou alemão”. Os especialistas antiterroristas indagavam se isso pode ser a prova de que o atentado foi obra de ultradireitistas. Num país onde os ataques a centros de refugiados dispararam no último ano e no qual o próprio ministro do Interior, Thomas de Maizière, alertou para a possibilidade do surgimento de um novo terrorismo de ultradireita, a hipótese não parece descartável. Na cidade de Munique acontece há anos o julgamento de um membro do NSU, um grupo neonazista que durante anos atacou estrangeiros. Mas o modus operandi lembra mais o dos jihadistas do EI

Simbolismo político

Os dois ataques da semana aconteceram na Baviera. Pode ser apenas coincidência, porque o que os últimos meses mostraram é que os atos de terrorismo podem acontecer em qualquer lugar e a qualquer momento. Mas os ataques nesse lugar também têm um forte simbolismo político. Porque o rico e conservador Estado Livre da Baviera serviu como porta de entrada para a grande maioria do milhão de refugiados que chegaram à Alemanha no ano passado. E também porque o chefe de Governo da Baviera, Horst Seehofer, é o maior crítico da política de imigração de Merkel. E apesar de ambos dirigirem paridos teoricamente irmãos, ele também se tornou o maior inimigo da chanceler, que não hesitou em humilhar quando teve ocasião.

É muito cedo para buscar consequências políticas do que aconteceu em Munique, mas se for confirmada a motivação islâmica, a pressão política na Alemanha crescerá consideravelmente. Nas eleições do próximo ano, a ultradireita não terá o sucesso que se prevê para a Frente Nacional francesa. Mas os populistas anti-imigração da Alternativa para a Alemanha têm todas as chances de se tornar, de acordo com as pesquisas dos últimos meses, o terceiro ou o quarto partido do país.

A mobilização da polícia foi colossal. A força antiterrorista foi acionada. A ideia de que no meio de Munique perambulassem três pessoas dispostas a matar quem encontrassem pela frente era arrepiante.

Fonte: El País

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Atentado em Nice, em 14/7/16, quando a França comemora a queda da Bastilha

A queima de fogos acaba de terminar no Passeio dos Ingleses. Cartão postal da Riviera Francesa, a famosa avenida da orla de Nice está lotada quando começa a onda de pânico. Um caminhão sai em velocidade na direção da multidão, deixando mais de 70 mortos.

Poucas horas depois do ataque, na frente do complexo hoteleiro de luxo Palais de la Méditerranée, o caminhão branco, com o motorista já morto, está imóvel, com pneus furados e a porta crivada de impactos de balas, constata um correspondente da AFP.

No Passeio dos Ingleses, dezenas de corpos estão alinhados, cobertos por lençóis brancos.

Poucos minutos depois da tradicional queima de fogos que celebra em toda a França o Feriado Nacional da Queda da Bastilha, por volta de 23h00 locais (18h00 de Brasília) o caminhão saiu atropelando turistas e moradores da cidade que estava voltando para casa.

“Eu tive que proteger meu rosto para não ser atingido por destroços”, descreve Robert Holloway, jornalista da AFP presente no local no momento do ataque, que viu várias pessoas sendo atropeladas.

“Ele estava a menos de cem metros de mim, só tive poucos segundos para sair do caminho”, relata o repórter. “Depois disso, foi o caos absoluto. Muitas pessoas estavam gritando”, ressalta Holloway.

‘Pessoas traumatizadas’

“Era um clima de grande confusão. Não me lembro ter visto o caminhão avançar”, contou Emily Watkins, turista que estava a dezenas de metros do caminhão no momento do ataque, em entrevista à Australian Broadcasting Corporation.

“Ouvi muitos gritos vindos do local onde estava o caminhão, as pessoas corriam na nossa direção sem saber o que estava acontecendo então demos meia-volta e começamos a correr também”, continuou.

“Quando estava correndo, ouvi estrondos e achei que fossem fogos de artifícios ou rojões”, lembrou a australiana, referindo-se ao tiroteio que acabou com a morte do motorista.

“As pessoas tropeçavam, tentavam entrar em hotéis, restaurantes ou estacionamentos, qualquer lugar que não fosse a rua”, completou.

Logo depois do ataque, chamado logo de “atentado” pelas autoridades locais, vários rumores percorreram as ruas da cidade.

Falou-se em tomada de reféns em restaurantes, alimentando ainda mais a onda de pânico. A praça Massena, ponto emblemático do centro de Nice, foi fechada ao público, assim como o Passeio dos Ingleses.

O ministério do Interior acabou informando que não houve tomada de reféns, mas ainda falta esclarecer muitos detalhes sobre circunstâncias do ataque.

Em um prédio localizado perto do Passeio dos Ingleses, dezenas de pessoas foram acolhidas pela zeladora. O dono de um restaurante relatou à AFP ter visto pessoas “traumatizadas” entrar no seu estabelecimento, localizado perto do local. “Todo mundo ficou muito assustado”, confessou.

Dezenas de carros de bombeiros e ambulâncias ainda estavam mobilizados no Passeio dos Ingleses à 1h30 da manhã no horário local (21h30 de Brasília), assim como um helicóptero da polícia civil.

Ao menos 80 pessoas morreram depois que um caminhão atropelou uma multidão reunida para celebrar a Queda da Bastilha, festa nacional da França, na cidade de Nice.

Segue o que se sane até agora a respeito do ataque.

Como aconteceu o atentado

Um caminhão branco de grande porte atropelou a multidão por volta das 23h locais (18h de Brasília) desta quinta-feira, quando centenas de pessoas se reuniam no Passeio dos Ingleses, avenida beira-mar de Nice, para assistir à queima de fogos por ocasião da festa nacional.

O presidente do Conselho da região, Christian Estrosi, informou que 80 pessoas morreram quando o caminhão avançou sobre a multidão por cerca de dois quilômetros.

O porta-voz do ministério do Interior, Pierre-Henry Brandet, negou informes de que pessoas teriam sido feitas reféns.

O agressor foi morto após realizar vários disparos com uma pistola em direção à polícia.

Dentro do caminhão havia uma granada inativa e réplicas de armas longas, além da identidade de um franco-tunisiano, de 31 anos, residente em Nice.

Ataque extremistas

O presidente francês, François Hollande, disse que o “caráter terrorista” do ataque “não pode ser negado”.

A autoria do ataque não foi até agora assumida por nenhum grupo, mas as investigações serão conduzidas por uma seção antiterrorista.

“As investigações estão em andamento para estabelecer se um indivíduo agiu sozinho ou se ele teve cúmplices que podem ter fugido”, explicou Brandet.

O ataque ocorre com a França sob estado de emergência, após os atentados de 13 de novembro, em Paris, reivindicados pelo grupo Estado Islâmico, que deixaram 130 mortos.

Não é a primeira vez

Em dezembro de 2014, dois homens lançaram seus veículos na direção de pedestres em dois dias – foram incidentes em separado que abalaram a França.

O primeiro motorista gritou “Allahu Akbar” (Alá é grande) enquanto dirigia o carro atropelando as pessoas na cidade de Dijon, leste do país. Treze pessoas ficaram feridas.

O motorista de 40 anos tinha um longo histórico de doença mental e nenhum vínculo com grupos extremistas.

Um dia depois, um homem lançou uma van branca na direção de um mercado natalino na cidade de Nantes (oeste), matando uma pessoa e ferindo outras nove. Em seguida, ele se auto-infligiu vários ferimentos a faca.

Investigadores informaram que um laptop foi encontrado em seu veículo, no qual ele mencionou seu “ódio pela sociedade” e disse que temia “ser morto por agentes secretos”.

O homem cometeu suicídio em sua cela na prisão este ano, enquanto aguardava julgamento.

Fonte: Yahoo

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Dilma deixa a Presidência e Temer assume o cargo sem o apoio de boa parte da população, que faz manifestações contra o Impeachment

Tribunal Internacional declara nulidade do impeachment

Tribunal se reuniu nestas terça e quarta-feiras, 19 e 20 de julho, no Rio de Janeiro.

Tribunal Internacional diz que impeachment é nulo por violar convenções e a constituição
Tribunal Internacional diz que impeachment é nulo por violar convenções e a constituiçã

Um Tribunal Internacional com valor simbólico, formado por juristas de seis países, declarou a nulidade do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. De acordo com o veredicto do júri, dado na tarde de hoje (20), o processo fere a Constituição Federal de 1988, a Convenção Interamericana dos Direitos Humanos e o Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos. O resultado final será enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao Senado, onde o impedimento definitivo de Dilma deverá ser votado entre o final do mês de agosto e o início de setembro.

Encabeçado por movimentos sociais, entre eles, a Frente Brasil Popular, Juristas pela Democracia e Via Campesina, o júri analisou o processo de impeachment em diversos aspectos. Primeiro, foram ouvidas acusação e defesa; depois, os jurados tiveram 30 minutos para exposição de seus votos e, por fim, foi dado o veredicto. As personalidades que formaram o corpo de jurados, ligadas à defesa dos direitos humanos, são oriundas de México, Estados Unidos, França, Itália, Espanha e Costa Rica.

A análise do processo foi feita a partir de quatro questionamentos: primeiro, se o processo desrespeita a Constituição; segundo, se a ausência de crime de responsabilidade permite classificá-lo como um golpe dado pelo Parlamento; terceiro, se viola tratados internacionais assinados pelo Brasil e quarto, se preenchendo os requisitos anteriores, deveria ser considerado nulo. Os jurados decidiram por unanimidade o “sim” como resposta às perguntas.

Para Raul Veras, um dos juados, bispo originário do México e defensor dos direitos humanos, o processo é um “artifício jurídico disfarçado de responsabilidade jurídica”, disse ele ao se posicionar contra o processo por acreditar ser uma “farsa”. Já para Azadeh N. Shahshahani, os que acusam a presidenta afastada é que deveriam ser punidos, uma vez que já são acusados de corrupção. Os outros jurados também defenderam o caráter de “farsa” do processo.

O defensor de Dilma no processo de impeachment, advogado José Eduardo Cardozo, participou do evento acompanhado dos parlamentares Lindbergh Farias (senador, PT-RJ), Wadih Damous (deputado federal, PT), ex-presidente da OAB do Rio de Janeiro e Jandira Feghali, deputada e pré-candidata do PC do B à Prefeitura do Rio de Janeiro.

Consequências

O julgamento pelo Tribunal possui caráter simbólico e não funciona como uma instância acima do STF. Entretanto, alguns juristas defenderam em entrevista ao jornal Gazeta do Povo que a conclamação do júri feriria a soberania do país.

Enviado ao STF e ao Senado, é bem provável que o júri produza pouca ou nenhuma consequência prática, uma vez que a existência de golpe parlamentar só é reconhecida por uma parte dos movimentos sociais, entidades jurídicas e da classe política, além de personalidades internacionais. Para o Legislativo e o Judiciário brasileiro, o processo que corre contra Dilma – ainda que sem comprovação de crime de responsabilidade – é a plena normalidade democrática.

Fonte: Yahoo

Congressistas dos EUA denunciam a ilegalidade do impeachment

Em carta a John Kerry, 37 parlamentares pedem ao secretário de Estado que se abstenha de declarações favoráveis a Temer
por Miguel Martins, com Eduardo Graça — publicado 22/07/2016 09h59, última modificação 22/07/2016 18h09
MontagemFigueiredo, Dilma e Kerry: disputa política

Nos Estados Unidos, a denúncia sobre a farsa do impeachment de DIlma, encampada por grandes jornais como o The New York Times, ganha força agora entre parlamentares norte-americanos.

Em carta destinada a John Kerry, secretário de Estado, 37 congressistas [eram 33 quando esta reportagem foi publicada] do Partido Democrata e diversas entidades sociais e sindicatos, entre eles a influente Federação Americana do Trabalho e Congresso de Organizações Industriais, pedem ao integrante do governo de Barack Obama e provável representante norte-americano nas Olimpíadas do Rio de Janeiro para lidar de forma cautelosa com as autoridades interinas brasileiras e de se abster de declarações ou ações passíveis de serem vistas como um apoio dos Estados Unidos à campanha contra a presidenta eleita. É previsto um crescimento do número de adesões à missiva até a segunda-feira 25.

“Nosso governo deve expressar sua forte preocupação com as circunstâncias que envolvem o processo de impeachment e exigir a proteção da Constituição democrática no Brasil”, afirmam os signatários do documento ao qual CartaCapital teve acesso.

A carta será endereçada a Kerry na segunda-feira 25, mas teve o conteúdo antecipado após seu vazamento para a embaixada do Brasil em Washington. Ao receber a missiva, o Luiz Alberto Figueiredo Machado, embaixador do Brasil nos EUA, encaminhou uma réplica aos signatários na quarta-feira 20, na qual defende a legalidade do processo deimpeachment.

O esforço de Machado em convencer os congressistas a rever sua posição mostra como a carta é incômoda para o governo interino. A estratégia não deu certo. Em tréplica, o deputado democrata Alan Grayson afirmou esperar que a correspondência dos parlamentares “ajude a Administração a rever sua posição política em relação ao que aconteceu no Brasil”.

“Este não é um julgamento legal, mas político, onde dois terços de um Senado tomado pela corrupção podem dar fim ao mandato de Dilma”, afirmam os parlamentares e entidades na correspondência a Kerry. “O processo de impeachment está cheio de irregularidades de procedimentos, corrupção e motivações políticas desde seu início. O governo dos EUA deveria expressar sua preocupação sobre a ameaça às instituições democráticas que se desdobra em um dos nossos mais importantes aliados econômicos e políticos da região.”

A carta tece duras críticas ao presidente interino: “Michel Temer chegou ao poder e imediatamente substituiu uma administração progressista, diversa e representativa por outra que inclui apenas homens brancos a anunciar planos de impor a austeridade, a privatização e uma agenda de extrema-direita”. O documento lista ainda o pacote de maldades prometido pelo governo interino e a “divisão profunda” da sociedade brasileira.

A carta relata também a queda do ex-ministro Jucá por causa da divulgação de sua conversa com Sérgio Machado, operador do PMDB na Lava Jato e um dos delatores da operação, e registra a decisão do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo que considerou Temer ficha-suja e o tornou inelegível, “incluindo para o cargo que atualmente ocupa”, por oito anos.

Os congressistas e entidades alertam Kerry do fato de Dilma jamais ter sido acusada de corrupção e que as pedaladas fiscais, motivo alegado para seu afastamento, são “práticas utilizadas largamente em todos os níveis de governo no Brasil, incluindo seus dois antecessores”.

Em conclusão, os congressistas e entidades se dizem preocupados com os sinais emitidos pelo governo americano que “podem ser interpretados como um apoio” ao afastamento de Dilma. “Pelo fato de muitos brasileiros terem rotulado o processo de impeachment como um ‘golpe’ contra a presidenta brasileira eleita, é especialmente importante que as ações dos EUA não sejam interpretadas como favoráveis ao impeachment.”

Eles lembram ainda que, em 19 de abril, dois dias após a Câmara dos Deputados ter votado o afastamento de Dilma, o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) reuniu-se com Thomas Shannon, subsecretário de Estado para Assuntos Políticos. “Essa medida foi interpretada como um gesto de apoio ao afastamento de Dilma do cargo.”

Ao saber do conteúdo da carta, o embaixador Figueiredo enviou a réplica a cada um dos congressistas afirmando estar “surpreso”. “Permita-me esclarecer que o processo deimpeachment de Dilma Rousseff está sendo realizado de acordo com as exigências da lei brasileira”, afirma o diplomata. “A Constituição brasileira está sendo respeitada de forma rigorosa pelas três esferas de governo, um fato que pode ser corroborado a partir de uma análise cuidadosa e imparcial.”

“Eu sublinho que a firme batalha contra a corrupção tem o apoio da grande maioria da população brasileira e tem gerado demonstrações de admiração e apreciação da comunidade internacional”, emenda o embaixador, para então defender o interino. “Temer expressou publica e repetidamente seu comprometimento na luta contra a corrupção e em manter o ritmo das investigações em curso no Brasil livres de qualquer tipo de viés político ou partidário”.

Em uma linha semelhante à desqualificação do New York Times por seus editoriais críticos ao impeachment, o embaixador afirma que considerar o processo manchado por “irregularidades, corrupção e motivações políticas” revela “desconhecimento do sistema jurídico brasileiro”. A carta segue o discurso falacioso. “O respeito às regras orçamentárias esteve presente no Brasil em cada Constituição brasileira como um dever que um dirigente público não pode negligenciar.” O festival de enganação não arrefece até o último alento.

“O embaixador não reconhece problema algum com o processo, apesar de diversas organizações internacionais, veículos de mídia, intelectuais, acadêmicos, organizações da sociedade civil, artistas, mulheres e grupos de direitos humanos terem manifestado uma séria preocupação com a falta de transparência do processo”, diz Maria Luísa Mendonça, coordenadora da rede Social Justiça e Direitos Humanos.

Resta saber se Kerry, também democrata, se sensibilizará com a denúncia de seus correligionários quando vier ao Brasil para os Jogos Olímpicos.

Fonte: Carta Capital

Para Ministério Público, pedaladas do governo Dilma não são crime

Procurador da República no DF pediu o arquivamento de investigação aberta apurar possível infração penal; ele concluiu, no entanto, que manobras visaram maquiar contas públicas

O Ministério Público Federal (MPF) concluiu que as pedaladas fiscais não configuram crimes comuns, inclusive as que embasam o processo de impeachment de Dilma Rousseff. Em parecer enviado à Justiça nesta quinta-feira, 14, o procurador da República no Distrito Federal Ivan Marx pediu o arquivamento de investigação aberta para apurar possível infração penal de autoridades do governo da presidente afastada. Ele concluiu, no entanto, que as manobras visaram maquiar as contas públicas, principalmente no ano eleitoral de 2014, havendo improbidade administrativa – um delito civil.

As pedaladas fiscais consistiram no atraso de repasses do Tesouro Nacional para que bancos públicos pagassem obrigações do governo com programas sociais e empréstimos subsidiados. Por conta desses atrasos, as instituições tiveram de honrar as despesas com recursos dos correntistas. Para o Tribunal de Contas da União (TCU), as manobras foram operações de crédito ilegais entre os bancos e seu controlador, a União, pois não tiveram autorização Legislativa, como determina o Código Penal.

O procurador analisou seis tipos de manobra do governo Dilma após ouvir integrantes da equipe econômica, analisar auditorias do TCU e os documentos das operações. Segundo ele,  as manobras não se enquadram no conceito legal de operação de crédito ou empréstimo. Por isso, não seria necessário pedir autorização ao Congresso.

 

Foto: André Dusek|Estadão

Dilma RousseffA presidente da República afastada Dilma Rousseff

 

No despacho, ele conclui que houve inadimplência contratual, ou seja, o governo não fez os pagamentos nas datas pactuadas, descumprindo os contratos com os bancos. Marx pontua que, em alguns casos, os atrasos nos repasses tinham previsão legal e as autoridades não tinham a intenção de fazer empréstimos ilegais.

Os argumentos do procurador sobre as pedaladas coincidem com os da defesa de Dilma no impeachment. O processo em curso no Senado avalia se a petista cometeu crime de responsabilidade, um tipo de infração diferente do crime comum. Mesmo assim, as conclusões devem reforçar as alegações de senadores que defendem a volta da presidente afastada às suas funções.

Ao atrasar os repasses aos bancos, o governo adiava despesas e, com isso, o registro, pelo Banco Central, desses passivos na dívida líquida do setor público. Para Marx, embora não seja crime comum, essa prática configura improbidade administrativa. “Todos os atos seguiram o único objetivo de maquiar as estatísticas fiscais, utilizando-se, para tanto, do abuso do poder controlador por parte da União e do ‘drible’ nas estatísticas do BC”, sustenta.

O procurador ressalta que essa irregularidade teve sérias consequências para a economia, entre elas o rebaixamento do rating pelas agências de classificação de risco. “É inegável que a prática das ‘pedaladas’ minou a credibilidade das estatísticas brasileiras, contribuindo para o rebaixamento da nota de crédito do País.”

Na sexta-feira, 8,  Marx já havia concluído que as pedaladas no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) não foram crimes comuns. Agora, no despacho mais recente, ele sustenta que a mesma conclusão cabe às manobras do Plano Safra, no Banco do Brasil, que foram usadas para embasar o impeachment. Nos dois casos, os bancos emprestam dinheiro a grandes empresas a juros mais baixos que os de mercado. A diferença entre as taxas é coberta pelo Tesouro, que não fez os repasses conforme pactuado. Trata-se da “equalização” dos juros.

“Em ambos casos, há um simples inadimplemento contratual quando o pagamento não ocorre na data devida, não se tratando de operação de crédito. Entender de modo diverso transformaria qualquer relação obrigacional da União em operação de crédito, dependente de autorização legal, de modo que o sistema resultaria engessado”, reiterou.

O procurador alega que o conceito de empréstimo ilegal também não se aplica aos atrasos nos repasses dos royalties do petróleo e do minério de ferro a estados e municípios; de taxas administrativas devidas à Caixa.

Marx avaliou ainda outras operações, como o uso de recursos da Caixa para pagar dispêndios da União no Programa Bolsa Família, no Seguro-Desemprego e no Abono Salarial. No parecer, explica que a antecipação de pagamento por parte do banco está prevista em contrato e ocorre desde 1994. Em 2000, a legislação penal mudou e passou a considerar crime empréstimos à União sem aval do Congresso. De lá para cá, operações semelhantes continuaram ocorrendo, mas só a partir de 2013, quando o montante dos atrasos passou a ser significativo, o TCU viu irregularidade e possível infração penal.

“Não foram os aumentos nos volumes de débitos da União, surgidos a partir de 2013, que configuraram o crime de ‘operação de crédito sem autorização legislativa’. De modo que, desde o ano de 2000 esse crime vem sendo praticado e todos os seus praticantes devem ser responsabilizados ou nenhum o deve, no caso de se entender que não tinham conhecimento de que o tipo penal criado no ano de 2000 se amoldava àquela praxe preexistente e que permanecera até 2015 sem qualquer questionamento por parte das autoridades de controle”, critica o procurador, citando o TCU.

Ele acrescenta que, tratando-se das ocorrências a partir de 2013, não se poderia concluir que houve “dolo” (intenção) de se fazer operações ilegais.

Marx se pronunciou ainda sobre os adiantamentos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para despesas do Programa Minha Casa Minha Vida, entendendo também que não houve operação de crédito ilegal.

O MPF ainda vai avaliar, no entanto, se o governo cometeu outro crime nesse caso: “ordenar despesa não autorizada por lei”. Para técnicos do TCU, não havia a previsão de recursos adequada em orçamento quando o governo pagou o débito com o fundo. O procurador aguardará um posicionamento definitivo da corte para analisar a questão.

 Fonte: Estadão

A deputada Jandira Feghali (PCdoB), líder da minoria na Câmara, esteve, em 14/7/16, com a presidente afastada, Dilma Rousseff (PT), e disse que ela está “animada com a perspectiva de votação [do impeachment] no Senado.”

“Ela tem feito reuniões semanais com o conselho político. Eu estou achando Dilma muito bem. É impressionante a capacidade de resistência que ela tem. Ela foi forjada na dificuldade, né? Ela está animada, está indo bem com a rua, os movimentos, o Senado. Eu saí de lá animada. (…) Ela nos consultou sobre o manifesto que vai soltar. A visão dela é muito positiva do processo. E ela está muito bem, firme e tranquila. Está construindo uma agenda com o Senado.”

Segunda Jandira, Dilma calcula reverter o placar no plenário, onde precisa de mais seis votos, além dos 22 que já possui, para derrubar o pedido de impeachment. A votação na comissão especial, liderada por Antonio Anastasia (PSDB), já é contabilizada como uma derrota para os aliados da petista.

Jandira também avaliou que a eleição de Rodrigo Maia (DEM) para a presidência da Câmara expôs a divisão da base parlamentar do interino Michel Temer (PMDB) e, ocasionalmente, favorecerá a atual oposição.

“A eleição expressa a falta de unidade da base do governo. A paz não vai reinar. Aumentou a fragmentação e a disputa na base do governo, o que, nesse aspecto, é bom para nós. Isso mostra que a gente pode, em alguns momentos, ganhar posições e afrontar decisões que prejudicam o País”, explicou.

Para Jandira, alas do PT, PCdoB e PDT, entre outros partidos, empurraram a candidatura de Marcelo Castro (PMDB), mesmo sob uma chuva de críticas à esquerda, para evitar que Eduardo Cunha (PMDB) emplacasse um aliado no comando da Câmara.

A estratégia não deu certo mas, para a deputada, a eleição nao foi de todo ruim. “O ruim não é enfraquecer Cunha e o centrão. O ruim é fortalecer o PSDB e o DEM [que patrocinaram a eleição de Maia]. Mas essa é a cara da maioria da Câmara hoje. Não vejo como poderia ser diferente. Mesmo que unisse a esquerda inteira, não teria chances de vitória.”

Cassação de Cunha

Jandira Feghali disse que o esperado é que os trabalhos da Câmara sejam “desacelerados” no segundo semestre, em função das Olimpíadas e, princialmente, das eleições. Os “recessos brancos” – semanas em que a Casa fica mais vazia porque os deputados estão em suas bases eleitorais – podem favorecer o ex-presidente Eduardo Cunha.

Eleito novo comandante da Casa, Rodrigo Maia (DEM) fez um aceno a Cunha: disse que não vai marcar a data da sessão que deve cassar o mandato do parlamentar, e que pretende convocar a votação apenas quando a Câmara tiver quorum de cerca de 500 deputados. Isso, segundo ele, para dar “legitimidade” ao processo.

Cunha trabalha justamente com a intenção de esvaziar as sessões da Câmara, na tentativa de negociar sua salvação. O deputado é réu em duas ações na Lava Jato e precisa manter o foro privilegiado para ser julgado na segunda turma do Supremo Tribunal Federal.

Para Jandira, contudo, será muito difícil Maia empurrar a cassação de Cunha para depois da eleição. Ela disse que quando a Casa retornar do recesso que começa esta semana, essa demanda será cobrada. “Vamos pedir que ele coloque [a cassação] para votar no início de agosto.”

Eleição da Câmara

Jandira convocou a imprensa, na tarde desta quinta (14), para explicar fazer um balanço dos trabalhos da minoria na Câmara e falar sobre seu posicionamento diante da eleição de Rodrigo Maia.

Ela afirmou ter anulado o voto quando a disputa caminhou para o segundo turno entre Maia e Rogério Rosso (PSD), candidato favorito de Cunha e representante do “centrão”.

A deputada foi questionada sobre o fato de Maia ter dito que sua candidatura nasceu de uma reunião entre Orlando Silva (PCdoB) e Carlos Sampaio (PSDB), há cerca de 40 dias. O PCdoB ter lançado Orlando à presidência da Câmara, de último hora, também levandou dúvidas sobre uma manobra para dividir ainda mais a esquerda.

“Essa negociação direta de Orlando com Rodrigo foi uma surpresa. O partido não deu anuência, acho que isso partiu dele sozinho”, comentou Jandira. Ela também negou que o partido tenha fechado acordo com Maia para frear a já arquivada CPI da UNE.

Contra Temer

Jandira Feghali listou uma série de projetos “gravíssimos” que serão ou já foram apresentados pelo governo do interino Michel Temer. O principal, segundo ela, é a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) do teto dos gastos públicos, que abrirá portas para a privatização de estatais e serviços públicos.

Segundo ela, Rodrigo Maia é muito mais alinhado com Temer “do ponto de vista ideológico” do que qualquer outro candidato, e certamente colocará em votação os projetos de interesse do interino.GGN – A deputada Jandira Feghali (PCdoB), líder da minoria na Câmara, esteve nesta quinta (14) com a presidente afastada, Dilma Rousseff (PT), e disse que ela está “animada com a perspectiva de votação [do impeachment] no Senado.”

“Ela tem feito reuniões semanais com o conselho político. Eu estou achando Dilma muito bem. É impressionante a capacidade de resistência que ela tem. Ela foi forjada na dificuldade, né? Ela está animada, está indo bem com a rua, os movimentos, o Senado. Eu saí de lá animada. (…) Ela nos consultou sobre o manifesto que vai soltar. A visão dela é muito positiva do processo. E ela está muito bem, firme e tranquila. Está construindo uma agenda com o Senado.”

Segunda Jandira, Dilma calcula reverter o placar no plenário, onde precisa de mais seis votos, além dos 22 que já possui, para derrubar o pedido de impeachment. A votação na comissão especial, liderada por Antonio Anastasia (PSDB), já é contabilizada como uma derrota para os aliados da petista.

Jandira também avaliou que a eleição de Rodrigo Maia (DEM) para a presidência da Câmara expôs a divisão da base parlamentar do interino Michel Temer (PMDB) e, ocasionalmente, favorecerá a atual oposição.

“A eleição expressa a falta de unidade da base do governo. A paz não vai reinar. Aumentou a fragmentação e a disputa na base do governo, o que, nesse aspecto, é bom para nós. Isso mostra que a gente pode, em alguns momentos, ganhar posições e afrontar decisões que prejudicam o País”, explicou.

Para Jandira, alas do PT, PCdoB e PDT, entre outros partidos, empurraram a candidatura de Marcelo Castro (PMDB), mesmo sob uma chuva de críticas à esquerda, para evitar que Eduardo Cunha (PMDB) emplacasse um aliado no comando da Câmara.

A estratégia não deu certo mas, para a deputada, a eleição nao foi de todo ruim. “O ruim não é enfraquecer Cunha e o centrão. O ruim é fortalecer o PSDB e o DEM [que patrocinaram a eleição de Maia]. Mas essa é a cara da maioria da Câmara hoje. Não vejo como poderia ser diferente. Mesmo que unisse a esquerda inteira, não teria chances de vitória.”

Cassação de Cunha

Jandira Feghali disse que o esperado é que os trabalhos da Câmara sejam “desacelerados” no segundo semestre, em função das Olimpíadas e, princialmente, das eleições. Os “recessos brancos” – semanas em que a Casa fica mais vazia porque os deputados estão em suas bases eleitorais – podem favorecer o ex-presidente Eduardo Cunha.

Eleito novo comandante da Casa, Rodrigo Maia (DEM) fez um aceno a Cunha: disse que não vai marcar a data da sessão que deve cassar o mandato do parlamentar, e que pretende convocar a votação apenas quando a Câmara tiver quorum de cerca de 500 deputados. Isso, segundo ele, para dar “legitimidade” ao processo.

Cunha trabalha justamente com a intenção de esvaziar as sessões da Câmara, na tentativa de negociar sua salvação. O deputado é réu em duas ações na Lava Jato e precisa manter o foro privilegiado para ser julgado na segunda turma do Supremo Tribunal Federal.

Para Jandira, contudo, será muito difícil Maia empurrar a cassação de Cunha para depois da eleição. Ela disse que quando a Casa retornar do recesso que começa esta semana, essa demanda será cobrada. “Vamos pedir que ele coloque [a cassação] para votar no início de agosto.”

Eleição da Câmara

Jandira convocou a imprensa, na tarde desta quinta (14), para explicar fazer um balanço dos trabalhos da minoria na Câmara e falar sobre seu posicionamento diante da eleição de Rodrigo Maia.

Ela afirmou ter anulado o voto quando a disputa caminhou para o segundo turno entre Maia e Rogério Rosso (PSD), candidato favorito de Cunha e representante do “centrão”.

A deputada foi questionada sobre o fato de Maia ter dito que sua candidatura nasceu de uma reunião entre Orlando Silva (PCdoB) e Carlos Sampaio (PSDB), há cerca de 40 dias. O PCdoB ter lançado Orlando à presidência da Câmara, de último hora, também levandou dúvidas sobre uma manobra para dividir ainda mais a esquerda.

“Essa negociação direta de Orlando com Rodrigo foi uma surpresa. O partido não deu anuência, acho que isso partiu dele sozinho”, comentou Jandira. Ela também negou que o partido tenha fechado acordo com Maia para frear a já arquivada CPI da UNE.

Contra Temer

Jandira Feghali listou uma série de projetos “gravíssimos” que serão ou já foram apresentados pelo governo do interino Michel Temer. O principal, segundo ela, é a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) do teto dos gastos públicos, que abrirá portas para a privatização de estatais e serviços públicos.

Segundo ela, Rodrigo Maia é muito mais alinhado com Temer “do ponto de vista ideológico” do que qualquer outro candidato, e certamente colocará em votação os projetos de interesse do interino.

Fonte: brasil247

Dilma monta gabinete virtual de “pronta resposta” para despachar

No Facebook e no Twitter, ela rebate anúncios e medidas tomadas pelo governo do presidente em exercício Michel Temer

 

Desde que deixou o Palácio do Planalto, há dez dias, Dilma Rousseff montou o gabinete virtual da “pronta resposta” para despachar. É ali, em sua página no Facebook e no Twitter, que a presidente afastada rebate os anúncios e medidas tomadas por ministros da gestão de Michel Temer, chamada por ela apenas de “governo provisório”.

Tudo funciona no Palácio da Alvorada, transformado em sede da resistência ao impeachment, a seis quilômetros do Planalto. A estratégia é coordenada pelo ex-ministro da Secretaria de Governo Ricardo Berzoini, que faz a “ponte” entre o PT, Dilma e seu padrinho político, Luiz Inácio Lula da Silva.Depois de tomar café na “dimensão humana” do Alvorada, como batizou a parte superior do Palácio, a presidente afastada despacha na biblioteca, no térreo. “Desço, subo, desço”, conta ela, quando explica por que o Alvorada, apesar da bela arquitetura de Oscar Niemeyer, não é aconchegante.No gabinete virtual, Dilma atua como uma espécie de “consciência crítica” do governo Temer, respondendo até a perguntas de internautas. Auxiliares dizem que ela está mais “leve” e implica menos com o barulho das emas. Vive só com a mãe, Dilma Jane, de 92 anos, e sente saudade da filha Paula e dos dois netos, que moram em Porto Alegre. “Meninos são sempre mais ingênuos, coitadinhos. As meninas são vivas, maquiavélicas”, diz.À noite, gosta de escrever. Faz registros sobre sua rotina e já avisou aos mais próximos que vai preparar um livro. “Sou uma escrevinhadora”, brinca Dilma, aos 68 anos.Na terça-feira, após receber o jornalista americano Glenn Greenwald para uma entrevista, ela foi surpreendida por um pedido de abraço de uma integrante da equipe que, ao se aproximar, chorou. “Não chora não, menina! Ainda não acabou. Nós vamos lutar. Quando eu saí da cadeia, achei que tinha parado de lutar, mas olha aí…”, comentou a presidente afastada.Caminhada

Seguidora da dieta Ravenna, Dilma chegou a emagrecer 17 quilos, mas já engordou dois. Não anda mais todo dia de bicicleta e até emprestou uma delas ao ex-chefe da Advocacia-Geral da União (AGU) José Eduardo Cardozo. No lugar das pedaladas – não fiscais -, faz 45 minutos de caminhada bem cedo, dentro do Alvorada.

“Agora sou eu que vou e volto do Alvorada de bicicleta”, afirmou Cardozo, hoje advogado da petista. O ex-ministro, que também foi titular da Justiça, disse ter ficado “espantado” quando viu seu sucessor na AGU, Fábio Medina Osório, declarar que vai apurar possível “desvio de finalidade” cometido por ele ao classificar o impeachment como “golpe”. “Cercear a liberdade do advogado na condução da defesa é algo que não vi nem na ditadura militar.”

Pouco depois de sair do Planalto, ao lado de Lula, Dilma já queria saber como a imprensa internacional abordava o impeachment. Considerou a repercussão favorável e ficou emocionada quando, na terça-feira, a equipe do filme brasileiro Aquarius – com a atriz Sônia Braga à frente – protestou, no Festival de Cannes, durante a sessão de gala que exibiu o longa-metragem. Os atores seguraram cartazes com dizeres como “Um golpe está acontecendo no Brasil”, “54 milhões de votos foram queimados” e “O Brasil não é mais uma democracia”, escritos em inglês e francês.

“Fiquei com a alma lavada”, resumiu ela, em conversa com políticos que a visitaram, semana passada. Na lista estava o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Dilma criticou as “trapalhadas” de Temer. “E agora vão dizer que há um rombo muito maior nas contas”, previu. Ela repetiu o discurso em encontro com blogueiros, na sexta-feira, em Belo Horizonte, depois que o novo governo anunciou um vermelho de R$ 170,5 bilhões. “Vou lutar no Senado e no Judiciário para me defender. Não vou ficar presa dentro do Alvorada”, disse a presidente que um dia quis ser bailarina.

Fonte: Correioweb

Manifestantes fazem ato em Brasília e no Rio contra governo Temer

No Rio, cerca de 500 pessoas saíram em passeata da Candelária até o Palácio Capanema

O ato seguiu em passeata pela Avenida Rio Branco – Antonio Socorza / Agência O Globo

Manifestantes foram às ruas neste domingo protestar contra o afastamento da presidente Dilma Roussef em Brasília e no Rio. No centro da capital fluminense, cerca de 500 pessoas foram em passeada da Candelária até o Palácio Gustavo Capanema, sede do Ministério da Educação no Rio que está ocupado desde segunda-feira. Os manifestantes questionam o afastamento de Dilma sem crime de responsabilidade e as primeiras medidas do novo governo.

Protesto contra Temer no Rio

  • Manifestante questiona o afastamento da presidente Dilma sem crime de responsabilidadeFoto: Antonio Socorza / Agência O Globo

  • Manifestantes foram às ruas neste domingo protestar contra o impeachment e o governo de Michel TemerFoto: Antonio Socorza / Agência O Globo

  • Um tapete vermelho simulando o do Festival de Cannes foi estendido em frente à CandeláriaFoto: Antonio Socorza / Agência O Globo

  • O ato seguiu em passeata pela Avenida Rio BrancoFoto: Antonio Socorza / Agência O Globo

  • Manifestantes fizeram os seus próprios cartazesFoto: Antonio Socorza / Agência O Globo

  • O ato terminou no Palácio Gustavo Capanema, sede do MEC, ocupado desde segunda-feiraFoto: Antonio Socorza / Agência O Globo

O protesto foi marcado para hoje porque Temer participaria da inauguração do Veículo Leve sobre Trilhos, que foi adiada para o dia 5 de maio. Os manifestantes estenderam um tapete vermelho na concentração do protesto para lembrar o ato pró-Dilma feito por artistas em Cannes, na França.

Em Brasília, um grupo de cerca de cem manifestantes fizeram neste domingo um ato contra o impeachment e a barreira instalada perto do Palácio do Jaburu, em Brasília, que estaria pedindo a identificação de todas as pessoas que visitam o Palácio da Alvorada. A denúncia foi feita pelo Senador Jorge Viana (PT-AC) no Senado na quinta-feira. Segundo ele, antes de seguir para a residência oficial da presidente afastada, Dilma Rousseff, os visitantes são obrigados a se identificar e esperar por uma autorização do Palácio do Jaburu para passar.

Protesto em Brasília questiona barreira instalada perto do Palácio do Jaburu – Reprodução Facebool

O protesto começou por volta das 11h e contou com um piquenique de apoio a Dilma. Aos gritos de “solta a presidenta, chama a presidenta”, e golpistas machistas, não passarão”, o ato, organizado pelo Facebook, seguiu sem incidentes.

Manifestantes fazem piquenique próximo ao Palácio da Alvorada – Reprodução Facebook

— Quem visita a presidente Dilma tem que passar por uma barreira instalada antes do Palácio do Jaburu, com uma grade, um militar fortemente armado. E não importa a função que você ocupe. Eu acabei de fazer uma visita à presidente Dilma. Eu estava com o presidente do Congresso Nacional. E tivemos que nos identificar. Esperar um bom tempo para que telefonemas fossem dados para saber se poderíamos passar para fazer uma simples visita à presidente Dilma. Isso significa que a presidente eleita está sitiada? Que país é esse? Que governo provisório é esse? — criticou o senador Jorge Vianna na quinta-feira, da tribuna do Senado.

Polícia bloqueia acessos à casa de Temer em São Paulo

Protesto marcado para este domingo caminharia até a porta da residência

Polícia bloqueia acessos à casa de Temer em São Paulo – Marcos Alves / Agência O Globo

 

A Polícia Militar fechou neste domingo as vias de acesso à rua onde o presidente Interino, Michel Temer, mora no bairro Alto Pinheiros, em São Paulo. Grades e cones foram colocados para bloquear as vias, e a segurança foi reforçada. As interdições estão a pelo menos 300 metros de distância da residência de Temer.

O movimento Frente Povo sem Medo, que reúne MTST, movimentos estudantis como o Juntos!, ligado ao PSOL, União da Juventude Socialista, Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), ligados ao PCdo, marcaram para a tarde de 22/5/16 protesto contra o governo interino. Sob o tema “Temer, jamais! Resistir nas ruas por direitos”, os manifestantes vão se reunir no Largo da Batata, na Zona Oeste de São Paulo, às 14h e de lá seguirão até a casa de Temer.

No evento promovido no Facebook há 6,3 mil confirmados.

A segurança foi reforçada em Alto Pinheiros, onde mora o presidente interino Michel Temer – Marcos Alves / Agência O Globo

No feriado de 21 de abril, cerca de 100 manifestantes do Levante Popular da Juventude fizeram um protesto em frente à casa do então Vice. O ato, conhecido como escracho, durou cerca de 30 minutos. Os jovens pintaram com tinta branca no asfalto a frase “QG do Golpe” e estenderam uma faixa com a inscrição “Temer Golpista”. Pouco tempo depois, a companhia de limpeza urbana foi ao local e retirou as pinturas feitas no asfalto.

Na rua Bennet, o acesso é liberado somente para moradores – Marcos Alves / Agência O Globo
Fonte: O Globo

Dilma alerta para risco de governo sem votos, pede mobilização pacífica e teme represálias

Petista foi afastada pelo Senado por ampla maioria dos votos nesta quinta-feira


Dilma durante discurso após ser afastada do cargo por 180 dias – ADRIANO MACHADO / REUTERS

A presidente afastada Dilma Rousseff pediu que as pessoas continuem mobilizadas para defender a manutenção de seu mandato de forma pacífica. Em um discurso que durou 14 minutos e 13 segundos dentro do Palácio do Planalto, e outro realizado já do lado de fora voltado aos militantes que aguardavam sua saída, ela disse que o maior risco do governo de Michel Temer é não ter sido eleito popularmente, e alertou ainda para a possibilidade de repressão aos movimentos populares que resistirem ao que ela classificou novamente como ‘golpe’.

- O risco maior para o país é ser dirigido por um governo dos ‘sem voto’. Um governo que não foi eleito pelo voto direto da população brasileira, que não tem legitimidade. É um governo que nasce de um golpe, de um impeachment fraudulento, uma espécie de eleição indireta – disse a presidente, visivelmente abatida

Ela acusou ainda a oposição de não ter se conformado com a derrota das urnas e de ter sabotado seu governo:

- Desde que fui eleita, parte da oposição, inconformada, pediu recontagem dos votos, tentou anular as eleições e passou a conspirar com um único objetivo, tomar à força o que não conquistaram nas urnas. Meu governo tem sido alvo de incessante sabotagem.

Dilma fez também um chamado aos defensores de seu mandato, pedindo que eles continuem ‘mobilizados, unidos e em paz’, e afirmou que lutará para exercer seu mandato até o dia 31 de dezembro de 2018:

- Aos brasileiros que se opõem ao golpe, independentemente de posição partidária, faço um chamado para que mantenham-se mobilizados, unidos e em paz. A luta pela democracia não tem data para terminar e exige de nós mobilização constante. A luta contra o golpe é longa e nós vamos vencer.

A presidente afastada voltou ainda a lembrar os tempos de tortura, e disse que sofre uma nova injustiça, e negou ter cometido crimes:

  • A presidente afastada Dilma Rousseff, cumprimenta pessoas que assistiram seu discurso na porta do Palácio do PlanaltoFoto: Daniel Marenco / Agencia O Globo / Agência O Globo

  • Durante os discursos, Dilma Rousseff pediu que as pessoas continuem mobilizadas para defender a manutenção de seu mandato de forma pacíficaFoto: Ailton Freitas / Agência O Globo

  • O ex-presidente Lula acompanhou o discusro feito por Dilma do lado de fora do Planalto Foto: UESLEI MARCELINO / REUTERS

  • Dilma acena para a multidão após seu discursoFoto: Daniel Marenco / Agencia O Globo / Agência O Globo

  • Dilma deixa o Palácio do Planalto cercada por seguranças e correligionáriosFoto: Jorge William / Agência O Globo

  • A presidente afastada Dilma Rousseff fez um discurso no Palácio do Planalto, que durou 14 minutos e 13 segundosFoto: Daniel Marenco / Agencia O Globo / Agência O Globo

  • Em discurso, Dilma disse que o maior risco do governo de Michel Temer é não ter sido eleito popularmente. Ela acusou ainda a oposição de não ter se conformado com a derrota das urnas e de ter sabotado seu governoFoto: Roberto Stuckert Filho / Presidência da Republica

  • Dilma alertou ainda para a possibilidade de repressão aos movimentos populares que resistirem ao que ela classificou novamente como ‘golpe’Foto: ADRIANO MACHADO / REUTERS

  • Do lado de fora do Palácio do Planalto militantes expressam apoio a Dilma com palavras de ordem e levantando bexigas vermelhasFoto: Ailton Freitas / Ailton Freitas

  • Militantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT) se manifestam em apoio à DilmaFoto: PAULO WHITAKER / REUTERS

- Já vivi a dor indizível da tortura, da doença e agora sofro a dor inominável da injustiça. Esse é um processo frágil, juridicamente inconsistente, injusto, desencadeado contra uma pessoa honesta e inocente. É a maior brutalidade que pode ser cometida a um ser humano, puni-lo por um crime que não cometeu. Não existe injustiça mais avassaladora do que condenar um inocente. Essa farsa jurídica que estou sendo alvo deve-se ao fato de que, como presidente, nunca aceitei chantagem de qualquer natureza. Posso ter cometido erros, mas não crimes.

O clima era de tristeza no Planalto após a notificação da Presidente de seu afastamento por até 180 dias, por decisão do Senado. Ministros, deputados e senadores do PT e do PC do B acompanharam a presidente afastada durante o pronunciamento no Salão Leste do Planalto. O ex-presidente Lula também esteve ao lado de Dilma.

Ao fim de sua fala, Dilma desceu o térreo do Planalto e, pela porta principal, fez um novo pronunciamento para os cerca de 4 mil manifestantes pró-governo que foram convocados para ocupar o local. A presidente Dilma seguiu para o lado errado e quase se deparou com o espelho d´água do Planalto, ao se encaminhar para o pequeno palco montado em frente à Praça dos Três Poderes.

No ato, com clima de improvisado, ela admitiu a possibilidade de ter cometido erros em seu governo, mas não crime, num discurso muito parecido com a declaração à imprensa que fez do lado de dentro do Planalto.


Mobilização de militantes após a saída da presidente afastada Dilma Rousseff do Palácio do Planalto – Ailton Freitas / Ailton Freitas

- Posso ter cometido erros, mas não cometi crimes. Agora o que mais dói é essa situação que eu estou vivendo agora. A inominável dor da injustiça, a profunda dor da injustiça. A dor da traição. São duas palavras terríveis. Traição e injustiça. São talvez as mais terríveis palavras – discursou Dilma, sob fortíssimo sol.

Ela voltou a atacar o governo Temer, e lamentou passar por este momento, mas que estava feliz em receber o calor das pessoas.

 

- Estou disposta a resistir por todos os meios legais. Lutei a minha vida inteira, e vou continuar lutando – disse a presidente afastada, acrescentando que é vítima de traição e injustiças.

MANIFESTANTES ENFRENTAM EMPURRA-EMPURRA

Muitos choravam copiosamente pelo afastamento da presidente. Eles encararam empurra-empurra e um forte sol na Esplanada para assistir ao discurso externo de Dilma. Quem estava na frente não conseguiu ouvir bem o som, mas reagiam às falas mais fortes dela. Além de frases de resistência, os militantes, na maioria ligados a entidades sindicais e movimentos populares, gritaram palavras de ordem contra Temer.

Um grupo bem próximo ao palco em que Dilma discursou entoava gritos de “invadir”. A maioria dos manifestantes, porém, repreendeu o grupo, o que não evitou princípios de confusão em outro pontos do alambrado montado pela presidência ao redor do Palácio.

Após o discurso, a presidente afastada abraçou manifestantes, que, suados, se aglomeravam para pegar em sua mão. Lula ficou atrás dela o tempo todo, parecendo não querer roubar a cena. Somente após Dilma entrar no carro e sair do Planalto rumo ao Palácio do Alvorada é que ele, levado pela deputada Maria do Rosário (PT-RS), foi cumprimentar os manifestantes.

O ex-presidente que ficou atrás da presidente enquanto ela discursava, e passou boa parte da fala da petista com o dedo na boca e fitando o chão, foi abordado por jornalistas. Questionado se seguiria para o Alvorada para se encontrar com Dilma, ele respondeu:

- Eu vou para casa.

De todos os aliados ao lado de Dilma, nenhum foi mais festejado pela militância que José Eduardo Cardozo. Antes criticado por parte do PT por não controlar a Lava Jato, enquanto ministro da Justiça, o ex-advogado Geral da União, responsável pela defesa jurídica de Dilma, foi tietado pelos manifestantes. Cardozo continuará a defender Dilma durante o afastamento do cargo.

— Agora é com você, Cardozo. Você é o cara! — gritavam uns.

Cerca de 500 indígenas, segundo a PM, participaram do ato. Eles se alinharam aos demais manifestantes dizendo que não reconhecerão o governo Temer. Não houve, de acordo com a PM, nenhum incidente grave. A imprensa também foi hostilizada pelos manifestantes, que culpam a mídia de contribuir para o que chamam de “golpe”. Fotógrafos, cinegrafistas e repórteres foram alvo de xingamentos e provocações.

VÍDEO NAS REDES SOCIAIS

Além dos discursos fora e dentro do Palácio do Planalto, a presidente afastada se pronunciou com um vídeo nas redes sociais. Na gravação de 10 minutos, Dilma repetiu que continuará lutando contra o impeachment, que chamou de “farsa política e jurídica”.

“O que está em jogo no processo de impeachment não é apenas o meu mandato, que pretendo defender e honrar até o último dia. O que está em jogo é o respeito às urnas, à vontade soberana do povo brasileiro e à Constituição”, disse Dilma.

TEMER TAMBÉM É NOTIFICADO

O vice presidente Michel Temer, agora presidente em exercício, também já foi notificado do afastamento de Dilma. Ele marcou para as 15h desta quinta-feira a posse de ministros de seu governo, no Palácio do Planalto. Depois, ele fará uma declaração à imprensa. A notificação foi realizada pelo senador Vicentinho Alves.

QUAIS SÃO OS PRÓXIMOS PASSOS

Com a aprovação do pedido relatório que abre o processo de impeachment, no Senado, uma comissão especial conduzirá a investigação contra Dilma, ouvindo testemunhas, defesa e acusação e coletando provas. Um novo parecer será apresentado, com as alegações sobre a existência ou não de provas.

 

Este novo relatório será votado na comissão e também em plenário, no Senado, e sua aprovação dependerá de maioria simples nos dois casos, o que deve tornar esta etapa, chamada de “juízo de pronúncia”, apenas protocolar. Depois, virá o julgamento. Para o impeachment ser aprovado, são necessários 54 votos, o equivalente a dois terços do total de 81 senadores. O presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, vai presidir as sessões do Senado.

Não há um limite estabelecido para o Senado concluir o processo do impeachment. Mas, caso o procedimento se alongue por mais de 180 dias, contados a partir da instauração, Dilma Rousseff voltará à Presidência da República, sem prejuízo para a continuidade do julgamento. A tendência, porém, é que o processo não chegue aos 180 dias.

Com Temer assumindo a Presidência, o país ficará sem vice-presidente. Em suas ausências, a Constituição determina que o substituto seja o presidente da Câmara. No momento, porém, o presidente da Casa, Eduardo Cunha, está afastado, e então o próximo da linha sucessória, e substituto de Temer, é o presidente do Senado, Renan Calheiros. Na sequência, está o presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski. Em setembro, ele dará lugar na presidência do STF à ministra Carmem Lúcia.

Fonte: O Globo
Comentários.

RIO prepara-se para receber a Olimpíada

 

Competições por toda a cidade

As 306 disputas de medalhas olímpicas, que envolverão cerca de 10 mil atletas de 206 países, estarão distribuídas por 37 arenas espalhadas em quatro grandes regiões do Rio

Assine já!Competições por toda a cidade (Foto: Ilustração: Espaço Ilusório)

1 – REGIÃO BARRA
É o coração da Rio 2016. São 11 arenas no Parque Olímpico, com disputas de basquete, natação e ginástica artística, além de competições no Riocentro, na orla e no campo de golfe

2 – REGIÃO DEODORO
A Zona Oeste concentra os esportes mais radicais, como mountain bike e canoagem slalom. Também é sede das competições de rúgbi, hipismo, tiro esportivo e hóquei sobre grama

3 – REGIÃO MARACANÃ
Palco das cerimônias de abertura e encerramento da Rio 2016 (no Maracanã), das competições de atletismo (no Engenhão) e da largada e chegada da maratona (no Sambódromo)

4 – REGIÃO COPACABANA
Concentra parte dos esportes aquáticos: maratona aquática na praia, vela na Baía de Guanabara e remo na Lagoa Rodrigo de Freitas. Nas areias acontecem os torneios de vôlei de praia

Imagens da semana


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Herança olímpica para os cariocas

Da Linha 4 do Metrô ao VLT, da região do Porto ao Joá, obras mudam a paisagem urbana do Rio

A escolha do Rio de Janeiro, em 2009, para sediar as Olimpíadas, transformou a paisagem urbana da cidade: criou-se um novo meio de transporte 100% ecológico, ampliou-se o metrô e o BRT, expandiu-se o Elevado do Joá, grandes arenas foram construídas e o centro ganhou vida nova. A data de inauguração da Linha 4 do metrô ainda suscita  dúvidas – falta verba para a conclusão e os testes são demorados –, mas do que ninguém duvida é que, passados os quase 30 dias de competição, o cotidiano pós-canteiro de obras da cidade será um verdadeiro legado olímpico para seus habitantes.

O presidente da Empresa Olímpica Municipal, Joaquim Monteiro de Carvalho, destaca que vários legados já estão aí, como o Parque dos Atletas, que, além de ter abrigado o Rock in Rio e a Rio + 20, já é usado pela população como área de lazer e prática de esportes, assim como a Praça do Trem, perto do Engenhão.

“O projeto olímpico é baseado em três pilares: legado, economia de recursos públicos e construção de equipamentos esportivos que atendam ao padrão olímpico, mas não se transformem em elefantes brancos. Nas instalações esportivas temporárias, como a Arena do Futuro, no Parque Olímpico, foi adotado o conceito de arquitetura nômade. Após o evento, a instalação será desmontada e transformada em quatro escolas municipais”, afirmou.

Já as instalações permanentes do Parque Olímpico serão um amplo complexo esportivo e educacional destinado a estudantes da rede municipal e a atletas de alto rendimento, com uso compartilhado por projetos sociais e eventos.

“Há ainda o Parque Radical de Deodoro, aberto ao público, que pode atender cerca de 1,5 milhão de pessoas de dez bairros e três municípios vizinhos, numa região carente de áreas de lazer”, disse Monteiro de Carvalho.

VLT – Veículo leve sobre trilhos
VLT que vai ser usado durante as olÍmpIadas (Foto:  )

Investimento: R$ 1,2 bilhão
Inaugurado em 5 de junho, o bonde é um dos primeiros do mundo com captação de energia elétrica por um trilho no solo, e não por cabos suspensos. Rápido, não poluente e silencioso, o VLT, nesta primeira etapa, terá oito paradas: dos Museus (ao lado do Museu de Arte do Rio), São Bento, Candelária, Sete de Setembro, Carioca, Cinelândia, Antônio Carlos e Santos Dumont. Quando estiver pronto, serão 28 paradas e três estações, 24 horas por dia, toda a semana. Cada veículo comporta 420 passageiros e a previsão é de 300 mil passageiros /dia com integração a metrô, trens, barcas, BRT e teleférico da Providência.

Complexo Esportivo de Deodoro

Investimento: R$ 846,3 milhões
Iniciada em 2014, a obra adaptou o complexo para receber 11 modalidades olímpicas e quatro paralímpicas. O circuito de canoagem slalom e a pista de BMX farão parte do Parque Radical, o segundo maior da cidade.

Velódromo
Obras do velódromo (Foto: Gabriel Heusi/Heusi Action)

Investimento: R$ 118,8 milhões
De responsabilidade da prefeitura, a previsão é que o Velódromo Olímpico só fique pronto às vésperas da competição. É a obra com maior atraso. Depois dos Jogos, a estrutura será usada como local de treinamento para atletas de alto rendimento.

Estádio aquático
Operário trabalha no Estádio Aquático (Foto:  Alex Ferro)

Investimento: R$ 225,3 milhões
Com estrutura desmontável, o Estádio Aquático será transformado em dois ginásios após os Jogos. Num, com arquibancada, a piscina será substituída por uma quadra; o outro manterá as piscinas sem arquibancada. As duas piscinas, de 50 metros, uma na área interna para competição e outra na área externa para treino, são pré-fabricadas.

Engenhão
Pista de atletismo do Parque Olímpico (Foto:  )

Investimento: R$ 115,7 milhões
A ampliação do Estádio Olímpico (Engenhão) aumentou a capacidade para 60 mil pessoas. A pista de atletismo foi trocada, novos refletores foram instalados e modificou-se o sistema de energia. A Praça do Trem, no entorno, levou à restauração de antigos galpões – um deles abrigará a Nave do Conhecimento Olímpica. Ruas estão sendo reurbanizadas, com construção de uma ciclovia.

Obras contra enchentes

Investimento: 459,7 milhões
A fim de solucionar o problema das históricas inundações na região da Grande Tijuca, foram construídos cinco reservatórios para retenção da água da chuva. O da Tijuca, inaugurado em 12 de junho, pode armazenar 43 milhões de litros. O da Praça da Bandeira, concluído em 2013, possui capacidade para até 18 milhões de litros. E os três reservatórios da Praça Niterói, também na Tijuca, recebem 58 milhões de litros e têm, juntos, profundidade equivalente a um prédio de oito andares. Acima do mais novo reservatório, surgiu, revitalizada, a Praça Varnhagen, que agora conta com aparelhos de ginástica, brinquedos, mesas de jogos, quiosque, pista de patinação e jardins.

Ampliação do Elevado do Joá
Elevado do Joá (Foto: Custódio Coimbra/Agência O Globo)

Investimento: R$ 457,95 milhões
Inaugurado no fim de maio, o alargamento do Joá, que ganhou mais duas pistas e dois túneis paralelos aos já existentes, no sentido Zona Sul-Barra da Tijuca, já precisou de reparos. A pista criada para melhorar o deslocamento de cerca de 85 mil veículos diários apresentou buracos no asfalto dez dias após sua inauguração. Com 5 quilômetros de extensão, a obra começou em abril de 2014. Para garantir a vista para o mar, o novo Joá é 5 metros mais alto que o irmão mais velho, tem três áreas de acostamento e a missão de ampliar em até 35% a capacidade de tráfego nesse trecho.

BRT Transolímpico
Via expressa com pedágio do Recreio a Deodoro (Foto: Custódio Coimbra/Agência O Globo)

Investimento: R$ 2,3 bilhões
Integrada ao BRT, a pista expressa municipal vai conectar as maiores instalações dos Jogos, como a Vila dos Atletas, o Parque Olímpico e o Parque Radical, e fará a ligação entre Barra da Tijuca e Deodoro. Com cobrança de pedágio, atravessa seis bairros e tem 26 quilômetros de extensão. A viagem entre Recreio e Deodoro levará cerca de 20 minutos, em vez dos 90 atuais. Em cada sentido, há três faixas para veículos e uma faixa central exclusiva para o BRT. Durante os Jogos, apenas integrantes da família olímpica e passageiros com ingresso poderão usar os ônibus. A projeção inicial é de que 50 mil veículos trafeguem diariamente pela via expressa.

Posto Maravilha

Investimento: R 8,2 bilhões
A derrubada do Elevado da Perimetral mudou radicalmente a paisagem do centro. O viaduto começou a vir abaixo em 2013 e foi totalmente derrubado em dezembro de 2014. São 70 quilômetros de urbanização de ruas e vias, além de quatro túneis, renovação de praças e sistema de transporte. A cidade já ganhou o Museu do Amanhã, o Museu de Arte do Rio (MAR), a nova Praça Mauá e aguarda, em agosto, a inauguração do Boulevard Olímpico, que ligará o futuro AquaRio à Praça XV.

Aeroporto Internacional
Sala do Aeroporto Internacional Tom Jobim (Foto: Thiago Saramago/Divulgação)

Investimento: R$ 2,15 bilhões
O dia mais crítico para o Aeroporto Internacional Tom Jobim será nas 24 horas após o encerramento da Rio 2016. O número de passageiros, em média 40 mil pessoas por dia, pode chegar a 90 mil, com a volta de turistas e atletas para casa. Foram 18 meses de obra até que, em maio, foi inaugurado o Píer Sul, extensão do Terminal 2. A nova área tem mais de 100.000 metros quadrados e 26 novas pontes de embarque, que se somam às 32 dos terminais 1 e 2. No novo terminal há mais balcões de check-in, com leitores de códigos de barra para acelerar o acesso, e uma área de 30.000 metros quadrados com lojas e restaurantes. A expectativa é que, até 2017, a capacidade do aeroporto passe dos atuais 17 milhões de passageiros por ano para 30,4 milhões.

Parque Olímpico
Vista do Parque Olímpico (Foto: Andre Motta/Heusi Action)

Investimento: R$ 2,24 bilhões
O Parque Olímpico, uma iniciativa público-privada, vai abrigar 16 modalidades olímpicas e nove paralímpicas. Com o fim dos jogos, será transformado em bairro com prédios comerciais e residenciais. Os espaços esportivos vão compor o Centro Olímpico de Treinamento (COT) para atletas de alto rendimento e haverá espaço também para shows, feiras e exposições. A Arena Carioca 3 dará lugar a um Ginásio Experimental Olímpico para 1.000 crianças e jovens, enquanto a Arena do Futuro será desmontada para se transformar em quatro escolas municipais.

Campo de golfe

Investimento: R$ 60 milhões
Numa área de 58.000 metros quadrados de proteção ambiental, na Reserva de Marapendi, a construção causou polêmica pelo risco de danos ao meio ambiente. A prefeitura alega que só 3,5% da área de 1,59 milhão de metros quadrados estão sendo usados. Após as disputas, será um campo público administrado pela Confederação Brasileira de Golfe.

Linha 4 do metrô
Estação de metrô que liga Ipanema a Barra  (Foto: Antonio Scorza/ Agencia o Globo)

Investimento: cerca de R$ 10 bilhões
Iniciada em 2010, é a obra mais cara e uma das mais polêmicas. O Tribunal de Contas do Estado criticou a redução do período de testes de 16 para dois meses, mas o secretário estadual de Transportes, Rodrigo Vieira, diz que não há risco de atraso na inauguração (1o de agosto) nem para a segurança dos passageiros: “Desde o início do ano estamos fazendo testes de iluminação, exaustão, alarmes. Eles se tornam mais complexos e integrados até a chamada ‘marcha em branco’, quando o trem roda sem passageiros”, afirmou. Com a entrega da Estação da Gávea adiada para 2018, o trecho olímpico fará a ligação Ipanema–Barra com cinco estações: Nossa Senhora da Paz, Jardim de Alah, Antero de Quental, São Conrado e Jardim Oceânico.

Funcionamento do metrô na Olimpíada (Foto: Revista ÉPOCA)

Fonte: Revista Época

VLT é inaugurado com área de lazer na Avenida Rio Branco, Centro do Rio

O transporte irá operar de graça durante o primeiro mês de funcionamento.
G1 conferiu, antes da inauguração, o trajeto pelo Centro da cidade.

O Rio ganha em 5/6/16 um novo transporte: o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT). Junto com o primeiro trecho a ser inaugurado — 18 km entre a Rodoviária e o Aeroporto Santos Dumont, ambos no Centro —a cidade recebe também uma nova Avenida Rio Branco e um novo Passeio Público. Sendo que nesta primeira fase, os três só vão circular de segunda a sexta-feira, das 12h às 15h, da Parada dos Museus, na Praça Mauá, ao Aeroporto Santos Dumont, no Centro.A viagem oficial de inauguração começou por volta das 11h. “Esforço de mobilidade, inspirado pela Olimpíada. Poderíamos fazer os jogos sem o VLT, mas aproveitamos este momento para melhorar o Centro da Cidade”, disse o prefeito Eduardo Paes, que reiterou pedidos para a população ficar atenta, e que o novo transporte é silencioso. “Fizemos um boulevard no Centro, para que a população circule por ele e não pelos trilhos”, disse o prefeito, garantindo que até a Rio 2016, os dois trajetos estarão funcionando plenamente.A inauguração foi uma festa. Além do prefeito e do secretário Rafael Picciani, autoridades, políticos, celebridades e ritmistas de escolas de samba participaram da viagem inaugural. Segundo o prefeito, o Dia Munidial do Meio Ambiente foi perfeito para a estreia de um veículo moderno e não poluente e que vai ajudar a mudar a cara da cidade.Para a inauguração, a Avenida Rio Branco será fechada integralmente das 8h às 18h e se transformará numa grande área de lazer. A via só volta a ter tráfego em 6/6/16O novo transporte vai integrar todos os meios de transporte do Centro e da Região Portuária – barcas, metrô, trem, ônibus, rodoviária, aeroporto, teleférico, terminal de cruzeiros marítimos e, futuramente, o BRT Transbrasil.

Cantor Marquinhos Oswaldo Cruz comanda roda de samba no VLT antes da inauguração do transporte (Foto: Alba Valéria Mendonça/G1)Cantor Marquinhos Oswaldo Cruz comanda roda de samba no VLT antes da inauguração do transporte (Foto: Alba Valéria Mendonça/G1)

 

Paes inaugura VLT no Centro do Rio (Foto: Alba Valéria Mendonça/G1)Paes inaugura VLT no Centro do Rio (Foto: Alba Valéria Mendonça/G1)

 

Placa de inauguração do VLT no Centro do Rio (Foto: Alba Valéria Mendonça/G1)Placa de inauguração do Passeio Público da Rio Branco (Foto: Alba Valéria Mendonça/G1)

Lembrança dos bondes
Ele é uma atração enquanto cruza, quase sem ruído, a Avenida Rio Branco, no Centro do Rio, numa manhã chuvosa de outono. Não há pescoço que fique parado, nem celular que fique guardado. E para quem tem mais de 60 anos, é uma viagem de volta no tempo.

Foi assim que se sentiu o advogado aposentado, Marcos Muniz, 73 anos, ao entrar pela primeira vez no Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT), na última quinta-feira (2), convidado pela reportagem doG1.

O passeio reuniu jornalistas que acompanharam os últimos acertos do VLT antes da entrada em circulação do primeiro trecho – rodoviária ao Aerporto Santos Dumont – neste domingo (5).

 

VLT ESTREIA NO RIO

O advogado carioca disse que achou o VLT moderno e bem mais confortável do que os bondes antigos. Enquanto conhecia o trem, ele relembrou os tempos em que usava o antigo meio de transporte, que parou de circular no final dos anos 1960. Tudo bem vivo na memória.

“Tô muito feliz, viu. Como carioca, vivi minha infância nos Pilares, no Méier, e viajando de bonde o Rio de Janeiro. A volta, sinceramente, está me deixando encantado”, afirmou Muniz.

Atenção no trajeto
O VLT, com sua modernidade e tecnologia, é o mais novo integrante de uma já tumultuada paisagem onde estão ônibus, carros, motos, bicicletas e pedestres.

E esse será um dos grandes desafios para Elivelton da Silva Alves, 38 anos, ex-motorista de caminhão-reboque da Ponte Rio-Niterói, um dos 28 condutores dos trens.

Ele vai ter que usar todos os conhecimentos do curso que fez durante um mês na França para evitar situações como as que nossa equipe flagrou durante o teste nesta quinta: pedestres que atravessam fora da faixa; ônibus que ficam parados sobre os trilhos; e entregadores de mercadorias que invadem o espaço do VLT com suas bicicletas. Por isso, Elivelton passa boa parte do percurso com o dedo na buzina do trem.

“Existem diversas pessoas que ainda não se acostumaram com esse modal de transporte. Ainda vai levar algum tempo para as pessoas se acostumarem. Temos que tomar cuidado com relação a tudo que está na nossa volta. O mais importante na nossa condução é sempre visualizar o exterior para qualquer eventualidade”, explicou.

Elivelton Alves é um dos 28 condutores do VLT (Foto: Rodrigo Gorosito/G1)Elivelton Alves é um dos 28 condutores do VLT (Foto: Rodrigo Gorosito/G1)

Segundo ele, a buzina é acionada uma ou duas vezes em cada cruzamento dependendo da quantidade de pessoas em cada cruzamento. Ele confessa que durante os testes já usou muito o freio, principalmente por causa das selfies dos curiosos. “Nossa intenção é que a pessoa olhe para nós e veja que o VLT vai passar”.

No dia do teste, Elivelton usou velocidades entre 5 e 27 km. Além da buzinha, guardas do Centro de Operações da prefeitura orientam pedestres e motoristas sobre a aproximação do  trem. O período em que ele fica mais tempo parado é no cruzamento da Avenida Rio Branco com Avenida Presidente Vargas (confira no vídeo acima).

Entregador em bicicleta não respeita passagem do trem do VLT durante testes  (Foto: Rodrigo Gorosito/G1)Entregador em bicicleta não respeita passagem do trem do VLT durante testes (Foto: Rodrigo Gorosito/G1)

Um novo personagem no Centro
Essa convivência com o VLT também divide opiniões dos taxistas que circulam no Centro da cidade. Arlécio dos Santos Rosa, 63 anos, andou de bonde quando era criança e diz que agora está preocupado com a segurança.

“Usei bastante quando era pequeno, com 12 anos de idade, mas não era tão perigoso como agora. Não tinha tanto veículo nas ruas, não tinha tanto ônibus e as pessoas eram mais cuidadosas. Acho que o carioca não está preparado”, disse

Tô muito feliz, viu. Como carioca, vivi minha infância nos Pilares, no Méier, e viajando de bonde o Rio de Janeiro. A volta, sinceramente, está me deixando encantado”
Marcos Muniz, advogado

Já o taxista Luciano de Souza, 53 anos, está curioso e quer experimentar uma viagem assim que os trens começarem a circular. “Acho que esse VLT vai dar certo no Centro da cidade devido ao número de linhas de ônibus que sobrecarrega o centro. Acho que vai dar uma melhorada nisso aí, vai ficar bom”, avaliou.

Polêmica
A inauguração do VLT estava marcada para o dia 22 de maio. No entanto, a prefeitura adiou para que as pessoas que circulam pelo Centro tivessem mais tempo para se acostumar com o novo meio de transporte.

No início da semana, o Ministério Público pediu que a circulação fosse mais uma vez adiada sob a alegação de que a sinalização no trecho em que o trem vai circular nesta primeira fase precisa ser testada e aprovada para integridade e segurança dos passageiros, pedestres e pessoas que vão circular pelas imediações do VLT.

Trens na Parada dos Museus, na Praça Mauá (Foto: Rodrigo Gorosito/G1)Trens na Parada dos Museus, na Praça Mauá (Foto: Rodrigo Gorosito/G1)

Na quinta-feira (2), a Justiça negou o pedido feito pelo Ministério Público. Uma audiência especial foi realizada na quarta-feira (1º), quando a prefeitura esclareceu que a CET-RIO já monitora a sinalização semafórica instalada pela Concessionária do VLT Carioca.

Na decisão, a juíza destacou que há riscos em qualquer lugar em que haja tráfego de veículos e pedestres, mas que podem ser reduzidos com a instalação de sinalização adequada – o que a prefeitura afirma ter cumprido.

VLT circula na Avenida Rio Branco durante testes (Foto: Rodrigo Gorosito/G1)VLT circula na Avenida Rio Branco durante testes (Foto: Rodrigo Gorosito/G1)

Funcionamento em etapas
De acordo com a prefeitura, serão oito fases de implantação até o início da Olimpíada, no dia 5 de agosto. Nesta etapa que inaugura domingo, serão oito paradas — Parada dos Museus (ao lado do Museu de Arte do Rio), São Bento, Candelária, Sete de Setembro, Carioca, Cinelândia, Antônio Carlos e Santos Dumont. Quando estiver totalmente pronto, o percurso terá 28 paradas e três estações.

O passageiro vai viajar de graça até 1º de julho, durante esse período de funcionamento. Inicialmente, batedores da CET-Rio acompanharão os VLTs, para alertar as pessoas na rua.

Na primeira semana, a circulação será de três horas (de 12h as 15h), com meia hora de intervalo entre as viagens e somente nos dias úteis. Três trens vão fazer esse percurso. A circulação será entre a Parada dos Museus, na Praça Mauá, até o Aeroporto Santos Dumont.
Na segunda semana, o horário será ampliado para 11h até 16h.

Na terceira semana, os trens vão sair da Parada dos Navios até o Santos Dumont, de 10h até 16h, com intervalo de 30 minutos. Na semana seguinte, os trens partem da parada da  Praia Formosa, no Santo Cristo, até o Santos Dumont, de 9h até 17h, com intervalo de 15 minutos e sete veículos.

Máquina validadora de bilhetes no interior do trem do VLT (Foto: Rodrigo Gorosito/G1)Máquina validadora de bilhetes no interior
do trem do VLT (Foto: Rodrigo Gorosito/G1)

Na sexta e na sétima semana, também será ampliado o horário de início e de término das viagens. Primeiro eles vão circular das 7h às 21h, com intervalo de 15 minutos. Em seguida, das 6h às 24h.

E no início do período olímpico, a circulação será feita da Parada dos Navios ao Santos Dumont, nos horários de pico, com intervalo de 15 minutos e três veículos. Haverá nessa fase a conexão com outros transportes.

Tarifa x Bilhete Único
Com passagens a R$ 3,80, os novos trens terão integração com todos os outros transportes públicos da cidade: trens da SuperVia, metrô, barcas, teleférico do Morro da Providência, ônibus e BRT.

Em operação plena, a capacidade do VLT deve chegar a 300 mil passageiros por dia. O VLT vai operar 24 horas por dia nos sete dias da semana. Cada vagão vai comportar 420 passageiros.

Avisos ao longo da Avenida Rio Branco alertam pedestres (Foto: Rodrigo Gorosito/G1)Avisos ao longo da Avenida Rio Branco alertam pedestres (Foto: Rodrigo Gorosito/G1)

Agentes uniformizados estarão em todas as paradas orientando os usuários sobre o novo sistema. Não haverá cobrador no trem e por isso o passageiro terá que validar o seu bilhete em máquinas instaladas dentro das composições.

Quem não validar o bilhete dentro do VLT, poderá ser multado no valor de R$ 170.  A secretaria alerta que não será possível comprar o bilhete dentro dos trens. Para isso, serão instalados postos de vendas próximos das paradas na Avenida Rio Branco.

O mecanismo de pagamento será diferenciado. Será adotado o sistema de validação voluntária no qual, o passageiro, ao entrar no veículo, deve utilizar um dos autenticadores disponibilizados no vagão para efetuar o pagamento da passagem.

A segunda etapa de implantação do VLT – entre a Central do Brasil e a Praça 15 – está prevista para o segundo semestre, após as Olimpíada.

Guardas de trânsito trabalham durante passagem do VLT na Avenida Rio Branco (Foto: Rodrigo Gorosito/G1)Guardas de trânsito trabalham durante passagem do VLT na Avenida Rio Branco (Foto: Rodrigo Gorosito/G1)

Arte VLT (Foto: Arte G1 Rio)

Fonte: G1

 

Como parte das mudanças no tráfego do Centro do Rio para a implantação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), a Rua Senador Dantas teve a mão invertida neste sábado. Desde o último dia 7, a prefeitura tem feito alterações na região, como a reabertura da Avenida Rio Branco para carros.

Início das operações do VLT foi remarcado para 5 de junho - Márcia Foletto / Agência O Globo

Segundo a CET-Rio, devido ao adiamento da inauguração do VLT para o dia 5 de junho, as outras modificações vão ocorrer futuramente, para dar mais tempo à população de se adaptar. Por isso, a inversão das ruas Mestre Valentim, Passeio e da Avenida Luís de Vasconcelos, além da volta da circulação original no entorno do Passeio Público, serão anunciadas posteriormente.

RIO BRANCO REABERTA

No sábado passado, a Avenida Rio Branco foi reaberta no trecho entre a Avenida Presidente Vargas e a Avenida Nilo Peçanha, com duas faixas para a circulação de automóveis e a terceira para uso exclusivo das linhas de ônibus troncais. Os táxis não poderão circular na faixa exclusiva para ônibus nem parar para embarque e desembarque na via. Além disso, 180 linhas de ônibus tiveram o itinerário alterado. Desse total, 139 são municipais.

MPRJ entra com ação que pode adiar novamente inauguração do VLT

Segundo órgão, objetivo é garantir que sistema funcione com segurança.
Ação pede medidas para reduzir riscos a pedestres.

VLT fará trajeto no Centro do Rio (Foto: Divulgação / Secretaria Municipal de Transportes do Rio)VLT fará trajeto no Centro do Rio (Foto: Divulgação / Secretaria Municipal de Transportes do Rio)

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) entrou na última semana com uma ação civil pública (ACP) para que o Município do Rio de Janeiro, o Consórcio VLT Carioca, a CET-Rio e a CDURP só deem início às operações regulares do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) depois que se cumpra uma série de determinações para eliminar os riscos quanto à integridade de pedestres, usuários e motoristas. Caso as medidas não sejam adotadas, o MPRJ, requer que seja adiada a inauguração do sistema, prevista para o dia 5 de junho.

O órgão entrou com a ação na segunda-feira (16), mas mais informações sobre ela foram divulgados na sexta no site do MP. De acordo com a ação, ajuizada por meio da 1ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva de Defesa da Ordem Urbanística da Capital, com auxílio do Grupo de Atuação Especializada em Meio Ambiente (GAEMA), o VLT só deve entrar em funcionamento quando o sistema de sinalização sobre passeio e vias públicas for plenamente instalado, testado e aprovado, exigências da Lei 9.503/97 e demais normas regulamentares do Conselho Nacional de Trânsito (Contran).

O MPRJ requereu a apresentação em juízo, no prazo de 30 dias,  de todos os documentos técnicos referentes à sinalização no trajeto dos futuros trechos de operação do VLT; e a apresentação do plano de alteração da circulação viária do perímetro das regiões do Centro e Portuária do Rio, no prazo de dez dias, prevendo a compatibilização dos modos de transporte sobre trilhos, rodoviário e cicloviário.

Para cada item descumprido foi fixada multa de, no mínimo, R$ 100 mil.

A ação teve como base documentos e depoimentos colhidos em inquérito civil, instaurado pela 1ª PJTCOUC, para apurar os impactos urbanístico-ambientais decorrentes da instalação do projeto de implantação do VLT Carioca, bem como as correspondentes medidas compensatórias e mitigadoras referentes à operação do transporte coletivo de passageiros em questão.

Ficou comprovado que a concessionária VLT Carioca S/A, o Município do Rio de Janeiro, a CET-RIO e CDURP descumpriram obrigações contratuais, legais e de fiscalização em relação à segurança do serviço, à adoção e à implementação das normas de legislação de trânsito.

Ainda segundo a ação, os réus ainda não demonstraram a efetiva implementação do sistema de placas e sinais em todos os cruzamentos de ruas com interseção da Praça Mauá ao Aeroporto Santos Dumont, além de sua correspondente comprovação de funcionamento, há menos de uma semana do início previsto para a operação oficial do serviço.

Questionados pelo G1, a Secretaria Municipal de Transportes e a Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeirox (Cdurp) não haviam se manifestado até a publicação desta reportagem.

Primeira etapa do transporte fará ligação entre rodoviária e Aeroporto Santos Dumont (Foto: Divulgação / Secretaria Municipal de Transportes do Rio)

 

Adiamento e Campanha
Na última quarta-feira, a Prefeitura do Rio anunciou o adiamento da inauguração do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) para o dia 5 de junho. Anteriormente, a data seria no domingo (22). Segundo a prefeitura, o objetivo é a segurança da população carioca. A secretaria Municipal de Transportes e da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto afirmam que estão adotando medidas para garantir o melhor atendimento, conforto e agilidade no início da operação do VLT. Em Março de 2016, a Prefeitura já tinha anunciado uma campanha para alertar os pedestres sobre as mudanças de comportamento necessárias no Centro para o funcionamento do novo modal.

Desde 7/5/16, os pedestres e motoristas estão enfrentando alterações no trânsito com a presença do VLT, na região. As alterações viárias estão sendo implementadas no Centro, como a inversão de mão de vias importantes e a reabertura da Avenida Rio Branco para carros.
O anúncio da mudança foi feito na semana passada quando a prefeitura apresentou aos jornalistas o esquema operacional para funcionamento e organização do trânsito no Centro para o início da circulação dos trens do VLT.

Na ocasião, o secretário de Transportes, Rafael Picciani, confirmou que a segurança de quem transita no Centro é uma das preocupações com a implantação do VLT.

 

Fonte: O Globo

De corrida de camelo a baile da realeza, de tudo vai rolar nas Olimpíadas

Bastidores e curiosidades das sedes que dez países estão erguendo na cidade

Mapa sinaliza casas de dez países que vão funcionar durante os Jogos - André Mello / O GLOBO
A cidade vai receber uma legião de atletas, delegações e turistas de 206 países durante os Jogos Olímpicos — segundo estimativas da Secretaria de Aviação Civil da Presidência da República, serão 1,7 milhão de pessoas. Desse total, espera-se cerca de 400 visitantes para lá de ilustres: reis, presidentes e primeiros-ministros das mais poderosas nações. A 68 dias do início oficial das competições, há toda uma infraestrutura sendo montada para que esses chefes de estado e seus convidados sintam-se literalmente em casa.

No mapa oficial da Rio 2016, por enquanto, há 54 casas temáticas, as hospitality houses, em construção. Algumas terão as portas abertas ao grande público, outras serão restritas a VIPs. De modo geral, serão palco de comemorações de medalhas e de muito networking. Três dos candidatos a sede dos Jogos de 2024, Itália (com Roma), Estados Unidos (com Los Angeles) e França (com Paris) são exemplos de puro capricho em suas produções. Afinal, dizem que foi na Casa Brasil montada em Pequim, na China, nos idos de 2008, que o Rio teria garantido o direito de sediar as Olimpíadas deste ano.

 

A seguir, bastidores e curiosidades de dez casas que prometem dar o que falar.

Shakespeare e o Corcovado

O primeiro baile da British House, montada no Parque Lage, será no início da noite do dia 3 de agosto, antevéspera da Cerimônia de Abertura. Uma recepção para 600 pessoas, incluindo toda a delegação do Reino Unido e seletos convidados brasileiros. Traje: business casual. Os atletas estão liberados para usar os seus uniformes de viagem, assinados por Stella McCartney. A icônica piscina será toda coberta por uma superfície de vidro de alta resistência, que permitirá projeções. O menu da festa, assim como o das demais atividades da casa, será assinado pelo Aquim. Haverá um bar de drinques só com gim, além de coquetéis não-alcoólicos para os esportistas.

Entre outras atividades culturais, haverá uma série de debates sobre a obra de William Shakespeare, coordenados pelo professor Paul Heritage, do departamento de Drama & Performances da Queen Mary University of London. E apresentação do espetáculo “A tempestade”, com elenco brasileiro sob direção da Royal Shakespeare Company.


Parque Lage será a residência do Reino Unido durante os Jogos - André Mello / O GLOBO

— A British House será a casa longe de casa dos atletas do Reino Unido no Rio. Um local para eles comemorarem os bons resultados e relaxarem com suas famílias e amigos. Nada melhor que deixá-los impressionados de início com a beleza do Parque Lage — diz o cônsul-geral, Jonathan Dunn.

A British House ocupará o casarão da Escola de Artes Visuais por três semanas. Espaço não usual, o terraço será o cenário de jantares com vista para o Corcovado. Na entrada, haverá uma exposição sobre a a Rainha Elizabeth II. Membros da realeza, aliás, são esperados — a princesa Anne Elizabeth Alice Louise, campeã de hipismo, é uma presença quase certa. Kate e William são ansiosamente aguardados.

Os jardins do Parque Lage — projetados pelo paisagista britânico John Tyndale, no século XIX — seguirão abertos ao público, mas

o acesso ao casarão será restrito. Os interessados devem se cadastrar no site do evento (www.britishhouse rio.com).

Andrea Bocelli e loja da Armani

O Comitato Olimpico Nazionale Italiano (Coni) escolheu o Clube Costa Brava para montar a Casa Itália por achar que a geografia do Joá tem ares de Capri, a famosa ilha situada no Golfo de Nápoles. Projeto de Renato e Ricardo Menescal, o clube fundado em 1962 está sendo todo adaptado para receber a delegação italiana, com direito a oliveiras plantadas no jardim. A ideia do Coni é montar um palco luxuoso para projetar a candidatura de Roma como sede dos Jogos Olímpicos de 2024.


Ferrari na Itália e avião na África - André Mello / O GLOBO

Todos os móveis estão vindo de navio diretamente de Milão. As salas dos cinco andares vão ganhar janelas acústicas, que serão inauguradas pelo tenor Andrea Bocelli, uma das atrações musicais confirmadas. A antiga boate do clube vai virar um centro de mídia, com 38 telões pendurados do chão ao teto transmitindo as competições num clima Las Vegas. Patrocinadora do Coni, a Ferrari terá uma sala reservada para o seu presidente, com vista panorâmica para a Praia da Joatinga. A antiga butique do térreo — que vendia cangas, chinelos, filtro solar, balinhas — será substituída por um showroom da Armani. Criador da cuccina pop e proprietário do estrelado D’O, em San Pietro all’Olmo, o chef Davide Oldani vai assinar o cardápio dos almoços e jantares da Casa Itália. Por fim, o spa promete ser um espetáculo à parte, com todo o staff — inclusive massoterapeutas, manicures e pedicures — de nacionalidade italiana.

— Dos cariocas, os italianos só querem mesmo a alegria — brinca o administrador do clube, Rubem Oliva.

Em agosto, o acesso ao Costa Brava será restrito a 30 sócios por dia.

— No inverno, a média de ocupação não chega a 20 pessoas. O Costa Brava é um clube de verão — diz o administrador.

Coxinha VVip

Os chefes de estado dos países africanos estão curiosíssimos para provar uma iguaria nacional: a coxinha de galinha. De tanto ouvir falar no nome do salgadinho, que volta e meia está presente no noticiário político brasileiro, as autoridades exigiram que o quitute seja servido no bufê da área VVIP da Casa da África. Sim, além de um espaço VIP, haverá um cercadinho restrito a “very, very important person”. Pelo Casa da África Diamond Lounge devem circular presidentes, primeiros-ministros, diplomatas. Rei do povo iorubá, Oba Okunade Sijuwade, conhecido como Ooni de Ife, é presença certa. Representante da “realeza” brasileira, Edson Arantes do Nascimento, o Rei Pelé, é superaguardado.

Além de coxinhas, pamonha faz parte do menu da VVIP, que será elaborado por um chef de Goiás ou do Mato Grosso.

— Também serviremos uma minifeijoada, mas sem carne de porco, afinal, grande parte dos africanos é muçulmana — comenta João Gilberto Vaz, embaixador da Associação de Comitês Olímpicos Nacionais da África (Anoca) para o projeto da Casa da África Rio 2016.

O ingresso (gratuito) para a Casa da África será um cartão de embarque. Após passar pelo check in, os visitantes vão entrar num avião com capacidade para 56 passageiros. Cada poltrona vai representar um dos 54 países do continente — a 55ª será reservada para a Anoca e a 56ª, para o Brasil. O Fly to Africa Experience terá cerca de cinco minutos, com exibição de vídeos com informações turísticas e culturais.

A Casa da África está sendo erguida dentro do CasaShopping, na Barra. Fora os lounges VIP e VVIP, todos os outros espaços serão abertos ao público. Os organizadores querem entrar para o “Guinness Book” como a maior casa de hospitalidade do mundo.

Freiras à espera de Obama

Semana passada, uma engenheira americana estava fazendo uma visita técnica nas dependências do tradicional Colégio São Paulo (CSP), no Arpoador, para finalizar o projeto da American House. A fachada de mármore do prédio ganhará iluminação temática. Maiores detalhes do projeto, no entanto, são mantidos a sete chaves. Sabe-se apenas que haverá festas, salão de jogos e coquetéis para os atletas comemorarem suas medalhas. E devem rolar muitos brindes, afinal, os Estados Unidos são os maiores medalhistas em Jogos Olímpicos, com 2.399 conquistas — o Brasil é 37º, com 108. Localizada no número 22 da Avenida Vieira Souto, a American House terá entrada super-restrita e esquema de segurança digno da Casa Branca. O único espaço aberto ao público será uma pop up store da Ralph Lauren, grife responsável pelo estilo da delegação dos EUA.

Durante a estada americana, os cerca de 700 alunos do CSP estarão de férias, assim como os de todos os colégios particulares e públicos da cidade. Mas as irmãs da Congregação das Angélicas de São Paulo, que dirigem a instituição de ensino, vão continuar na casa onde moram, nos fundos do colégio. Para manter a liberdade de cruzar o pátio ou sair para as sagradas caminhadas na orla, as freiras vão usar uma credencial pendurada no pescoço.

— Até o padre Eduardo, que vem rezar a nossa missa, vai ter que usar credencial durante as Olimpíadas — conta a irmã Maria Vitorino, uma das nove moradoras.

Todas estão torcendo para o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, fazer uma visita à American House.

— Ainda não sei o que vou falar para ele, afinal, é o presidente do país mais rico do mundo. Mas estou rezando para ele vir — conta a irmã Maria.

Especiarias e corrida de camelos

A Bayt Qatar, que começa a ser montada mês que vem na Casa Daros, em Botafogo, promete ter todo o luxo que se espera de uma recepção organizada pelo país do sheikh Hamad bin Khalifa Al Thani. A começar pelo catering: o chef Alex Atala é o responsável pelo cardápio do café, do restaurante e da majlis — como é chamada a área informal de relaxamento, com decoração ao melhor estilo árabe, para os convidados do Comitê Olímpico do Catar. Segunda-feira passada, a sheikha Asma Al Thani, diretora de marketing do comitê, foi ao D.O.M., em São Paulo, para participar de uma degustação comandada por Atala. O menu está sendo fechado.

Ainda no capítulo gastronomia, será montada no pátio do casarão uma réplica de um souq, como o mercado de especiarias a céu aberto de Doha. Na mesma ala, haverá demonstrações de pintura de henna, oficinas de caligrafia árabe, cabine de fotos com vestimentas típicas e simulação de corrida de camelos, em 3D. Os vídeos e projeções serão feitos pela mesma equipe responsável pela curadoria do Museu do Amanhã, na Praça Mauá. Interativas, as exibições vão proporcionar ao público uma viagem pelo Catar, sede da Copa de 2022.

— A Bayt Qatar será um espaço deslumbrante, que servirá como uma plataforma para apresentar e transmitir a cultura, o patrimônio e a paixão pelo esporte, do Catar para o mundo — diz a sheikha.

A casa será aberta a visitantes todos os dias durante as Olimpíadas, com entrada a R$ 20 (que dá direito a dois pratinhos). Toda a verba será destinada a um projeto social. Por fim, metade da cobertura do edifício neoclássico de 1866, onde ano que vem começa a funcionar a Escola Eleva, será coberta por uma mega-bandeira do Catar. Para ser vista do alto.

Tons de laranja

A Casa da Holanda cultiva a fama de ser a hospitality house mais animada dos Jogos Olímpicos, desde a sua primeira edição, em 1992, em Barcelona. Na Rio 2016, a sede temporária será instalada no Clube Monte Líbano, que ocupa uma área de nove mil metros quadrados às margens da Lagoa Rodrigo de Freitas. Especula-se que um famoso chef holandês, detentor de três estrelas no “Guia Michelin”, será responsável pelos quitutes.

A estrutura da Holland Heineken House já está sendo montada nas dependências do clube, mas a programação musical ainda não foi fechada (assim como o valor do ingresso das festas). Mas sabe-se que um time e tanto de DJs internacionais vai comandar o som diariamente, das 11 horas da manhã até uma hora da madrugada. Sem área VIP, a Casa da Holanda costuma promover o encontro dos atletas com o público, num clima de confraternização em tons de laranja. O espaço terá capacidade para receber quatro mil pessoas por dia.

Não serão vendidas cervejas em lata ou em garrafa. Apenas o copão de chope. Especialistas treinados no Heineken Experience de Amsterdã estão com passagens aéreas marcadas para vir tirar os chopes pessoalmente. Alguns deles já estiveram na cidade ano passado, durante o Rock in Rio, onde a marca de cerveja teve um camarote, e parecem estar bem animados para voltar.

Mas não só de cerveja e música eletrônica vai viver a Casa da Holanda. Além de transmitir os Jogos em telões, o espaço vai promover a prática de diferentes modalidades esportivas dentro da própria casa, incluindo natação, basquete, futebol e vôlei de praia. Em paralelo, a Holland Heineken House terá aulas de stand-up paddle na Praia de Ipanema e grupos de corrida pela manhã.

Pista de gelo em plena Lagoa

Num país com tantos “altos” (alguns literais, outros metafóricos), foi justamente um “baixo” que conquistou o Rio. Em 2014, na Copa do Mundo, a Suíça montou na Lagoa uma estrutura ao ar livre onde qualquer pessoa podia entrar, conhecer um pouco sobre o país e, entre comes e bebes, assistir em telão às partidas de futebol. Logo, o carioca apelidou a House of Switzerland de Baixo Suíça. Os organizadores, claro, adoraram ver aquele pedacinho ganhar fama e se igualar a outras partes da cidade, como o antigo Baixo Leblon ou o atual Baixo Gávea. A Suíça, que já paquerava o Rio desde que foi enredo da Unidos da Tijuca, em 2015, engatou um namoro sério e, pelo visto, não demora vai pedir a cidade em casamento.

A partir de 1º de agosto, o Baixo Suíça volta à Lagoa, ocupando uma área ainda maior, de 4.100 metros quadrados, naquele campo de beisebol perto do Corte do Cantagalo. Na verdade, são três casas, com um imenso quintal no meio. Não vão faltar motivos para os frequentadores de verde e amarelo se misturarem aos de vermelho. Uma grande atração é um rinque de 200 metros que, de dia, vai ser pista de patinação e, à noite, pista de dança. O truque? Trata-se de um piso com gelo sintético, que não molha ou escorrega.

— Tivemos a ideia depois de ver um dos carros alegóricos no desfile da Unidos da Tijuca — conta Nicolas Bideau, embaixador da Presença Suíça, órgão do departamento de Relações Exteriores do país.

Cabine de teleférico, globo de neve gigante e pista de corrida são outros passatempos do parquinho suíço, que vai ter ainda programação musical, incluindo shows do cantor suíço-brasileiro Marc Sway, celebridade local depois de ser jurado do programa “The Voice”. Tudo para embalar uma união que, estivesse no Facebook, bem poderia ser anunciada como um “relacionamento sério”. (Marcelo Balbio)

Música eletrônica e champanhe

O Club France vai ocupar boa parte da Sociedade Hípica Brasileira, na Lagoa. Local de importantes competições de hipismo e de festas de casamento da alta-roda carioca, o Picadeiro Armando Alencar será transformado numa imensa pista de dança. Serão, no total, oito festas para duas mil pessoas cada. Especialmente para o evento, o Café de La Musique e a boate Privilège assinam juntos a produção. Uma superprodução, diga-se: cada noite vai ganhar uma cenografia diferente, sempre com projeções de video mapping e com apresentação de algum DJ francês badalado (os contratos ainda estão sendo assinados, por isso os nomes ainda não podem ser divulgados). O empresário e apresentador de TV Álvaro Garnero, sócio do Cafe de La Musique, será o anfitrião das noitadas.

Durante o dia, o picadeiro será transformado em uma espécie de arquibancada, com telão transmitindo as principais disputas de medalha. Todo o projeto arquitetônico foi bolado pelo arquiteto Daniel Faro, carioca radicado em Paris. O Club France vai estar aberto ao público, com entrada de R$ 20. Uma das atrações promete ser a loja da Lacoste, grife responsável pelos figurinos da delegação francesa, com uma coleção exclusiva criada especialmente para as Olimpíadas. Numa pracinha da área externa, haverá um estacionamento de food trucks. Menu? Croissant, croque-monsieur, macaron e outros quitutes típicos.

A área VIP, restrita a convidados, terá bufê elaborado pelos chefs Claude e Thomas Troisgros, pai e filho. O presidente da França, François Hollande, é esperado para um jantar na noite do dia 6 de agosto. Será uma recepção para 80 convidados regada a champanhe Perrier-Jouët.

Paz e amor

Em meio ao drama que está vivendo por conta do escândalo de acobertamento de casos de doping no atletismo, a Rússia planeja montar um quartel-general em clima de paz e amor no Clube dos Marimbás, no Posto Seis, uma das melhores vistas da Praia de Copacabana. A começar pela logomarca: um coração formado pela união das bandeiras da Rússia e do Brasil.

A estrutura do clube será pouco alterada, uma vez que as intervenções serão apenas cenográficas. Na altura do mar, coladinho à colônia dos pescadores, será montado um pódio para os medalhistas e um palco para as atrações musicais. Nos outros dois andares, vai entrar em cartaz uma exposição com equipamentos esportivos autênticos, utilizados pelos atletas russos. Por exemplo: os visitantes vão poder manusear a fita da campeã olímpica de ginástica Yevgeniya Kanayeva ou até mesmo vestir o quimono do lutador Fedor Emelianenko. Ainda na linha interativa, a casa será decorada com retratos em tamanho real de estrelas do esporte, como Dmitry Musersky, o mais alto jogador de vôlei russo, ou Alexander Karelin, um gigante da luta greco-romana.

Vão rolar três dias de open house, com grandes festas de confraternização, com mostra de matrioskas esportivas, degustação de vodca e banquete à base de pirojki (pastelzinho) e estrogonofe. Uma dica aos brasileiros interessados em degustar os quitutes: é considerado um acinte comer estrogonofe com arroz. O recomendado é purê de batatas.

Para os demais dias, ficou estabelecido um número de 30 convites diários aos sócios.

— Temos muito em comum, o espírito festivo e as cores das nossas bandeiras: vermelho, azul e branco — comenta o vice-comodoro Luiz Correia de Araujo, responsável pelas negociações de arrendamento do clube.

Redescobrindo o Rio

Os portugueses terão uma embaixada nacional itinerante. Entre os dias 22 e 24 de junho, o Navio-Escola Sagres vai partir de Lisboa rumo ao Rio de Janeiro, com paradas estratégicas em Cabo Verde, Recife e Salvador. Por aqui, a embarcação vai ficar ancorada no Cais Portuguesa, uma área da Marinha do Brasil inédita para a maioria dos cariocas, pertinho da Ilha Fiscal, entre os dias 3 e 21 de agosto.

Está sendo elaborada uma agenda de eventos diários para a Casa de Portugal, com a participação dos atletas da Missão Olímpica Portuguesa, como Ana Cabecinha (atletismo) e Diogo Ganchinho (ginástica). São planejadas degustações de vinhos do Douro e do Alentejo a bordo, assim como apresentações de iguarias como o queijo da Serra da Estrela. Será montado todo um esquema de vans e ônibus para levar os visitantes ao navio. São esperadas, segundo o Comitê Olímpico de Portugal (COP), até dez mil pessoas por dia.

Trata-se de uma embarcação cinematográfica. De ponta a ponta, o Navio-Escola Sagres tem 89,5 metros de comprimento, com um mastro de 45,5 metros de altura e velas com reproduções da Cruz da Ordem de Cristo. A tripulação é formada por nove oficiais, 16 sargentos e 103 praças.

Não é a primeira vez que o Escola Sagres navega por águas brasileiras. Construída nos estaleiros da Blohm & Voss, em Hamburgo, em 1937, a embarcação foi a terceira de uma série de quatro navios encomendados pela Marinha da Alemanha. O navio foi cedido à Marinha do Brasil no final da II Guerra Mundial, em 1948, tendo sido adquirido pela Marinha Portuguesa em 1961. E foi bem no Rio, em janeiro de 1962, que ele foi entregue à Marinha de Portugal.

Fonte: O Globo

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