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Há muitas formas de resistir ao poderio Iluminatti

Aquarius: a resistência é um lugar solitário

O filme de Kleber Mendonça Filho é a história de uma mulher que se recusa, ponto. E assim resistimos; sozinhas, mas todas juntas.
Cena do filme Aquarius, com Sonia BragaClara (Sonia Braga) se recusa a ceder às propostas, intimidações e ameaças

Eu não fazia a menor ideia do que se tratava Aquarius, além de um tal boicote ao filme, que só serviu para me deixar curiosa. Fui ao cinema sem esperar nada, mesmo sendo difícil com tanta polêmica ao redor, mas assisti e achei massa. Especialmente por ser um filme em que os personagens falam “massa”.

É bonito ver na tela histórias nossas, que sejam brasileiras dos diálogos à trilha sonora, dos conflitos dos personagens às controvérsias de cada um. Como em O Som ao Redor, Kleber Mendonça Filho volta a colocar foco nas relações que se criam entre as pessoas a partir dos conceitos de vizinhança, sociedade e família.

São histórias cujo brilho não está em enredos mirabolantes, mas em recortes que ele faz (às vezes num zoom literal da câmera) para nos aproximar dos personagens. Boas histórias são sempre sobre pessoas, afinal.

Aquarius é a história de uma mulher que se recusa, ponto. Assim, intransitivamente.

Clara, a protagonista, mora há décadas em um edifício antigo de frente para a praia de Boa Viagem, no Recife. O prédio, que dá nome ao filme, está em processo de ser adquirido, apartamento por apartamento, por uma construtora que pretende derrubá-lo para construir um condomínio de luxo, mais moderno. No entanto, a empresa, representada pelo proprietário e seu sobrinho, que foi estudar “business” fora do Brasil, encontra na figura de Clara um obstáculo: a mulher se recusa a vender o apartamento.

Ela se recusa a ceder às propostas, intimidações e ameaças. Ela se recusa, mesmo que para isso acabe sendo taxada de louca, de velha chata, de barraqueira.

Clara é uma personagem poderosa, densa, não só pela interpretação de Sonia Braga, mas pela quantidade de informação sobre ela que o filme consegue colocar em cada segundo, em cada silêncio, em cada diálogo e em cada gesto.

Os outros personagens – seus filhos, suas amigas, a doméstica que trabalha pra ela, os empresários da construtora, o salva-vidas da praia, seu sobrinho e a namorada – todos eles também ganham profundidade, entrelaçando-se numa teia em que nas fragilidades, nas conexões e nos conflitos servem de espelho para a vida real.

Também vi muito da vida real no tema. Porque a história da moradora que vai sendo empurrada para fora de seu apartamento, seja por propostas, ameaças ou situações embaraçosas e incômodas, conta muito sobre as grandes e micro expulsões que sofremos no dia a dia.

Quantas vezes, por não conseguirem nos expulsar de um espaço, já não colocaram várias dificuldades no caminho para que desistíssemos por nós mesmas? Quantas vezes nos vimos na situação de ter que abandonar um espaço, um projeto, uma posição, pela insistência do outro lado em nos ver fora? Quantas vezes já nos pintaram de loucas, exageradas, ou já fomos excluídas por dizermos “não”? Quantas vezes nos sentimos sozinhas por resistir?

Em uma entrevista coletiva sobre o filme, a atriz Maeve Jinkings, que interpreta a filha que entra em conflito com Clara, diz que é mais fácil ceder à pressão e ir no fluxo, seguir o pensamento predominante, do que resistir. Porque a resistência exige coragem, exposição. A resistência é uma posição solitária.

Aquarius não está ali para exaltar a história de uma única mulher, de uma heroína, como no cinema mainstream que nos acostumamos a consumir; o filme acaba servindo para apontar para o cotidiano, onde há pessoas resistindo diariamente, das mais diversas formas, muitas vezes sem serem notadas. Há várias Claras ao nosso redor. Nós as conhecemos, vivemos e trabalhamos com elas. Às vezes, somos nós.

Os padrões da sociedade, o mercado, os interesses de quem tem mais poder esperam que as pessoas se conformem, sigam o que foi estabelecido, obedeçam. Nesse contexto, dizer “não” se transforma num ato político. E as Claras da vida que real que resistem podem até estar tão sozinhas quanto num edifício completamente desocupado, mas estão exercendo um poder que faz com que sejam, no fundo, temidas por aqueles que as querem expulsar a todo custo.

O filme serve de espelho, mas também de companhia. Porque a resistência pode ser difícil, mas perceber e lembrar que existem outras pessoas resistindo faz com que nos sintamos menos solitárias. E assim continuar resistindo; sozinhas, mas todas juntas.

Fonte: Carta Capital

Moradora de São João da Barra enfrenta o Porto do Açu para ficar em seu sítio

Como no filme ‘Aquarius’, Noêmia Magalhães conta ter sofrido ameaças por não ter deixado a casa em que vive

Noêmia Magalhães, aos 70 anos, resiste há seis anos a tentativas de desapropriação do sítio em que vive, em São João da Barra Foto: Daniel Marenco / Agência O Globo
Noêmia Magalhães, aos 70 anos, resiste há seis anos a tentativas de desapropriação do sítio em que vive, em São João da Barra - Daniel Marenco / Agência O Globo
O silêncio ao redor e a escuridão sob o céu estrelado, que poderiam supor a paz de uma zona rural do interior, na verdade confessam toda noite uma história de conflitos e dores, mas também de obstinação. Aos 70 anos, Noêmia Magalhães não tem mais vizinhos por perto. O mais próximo está a cinco quilômetros do Sítio do Birica, onde mora com o marido, no quinto distrito de São João da Barra, no Norte do estado. Nos últimos anos, a população desse pedaço do Rio teve suas terras desapropriadas, para darem espaço ao Porto do Açu e à promessa de um distrito industrial. Noêmia decidiu lutar pelo torrão que é a realização de seus sonhos, onde guarda memórias e um projeto de vida. Por ter ficado no caminho do negócio bilionário, conta ter ouvido propostas imorais, sofrido ameaças e pressão psicológica. Sempre que o sol se vai, ela fica numa ilha cercada pelo breu. Mas não sucumbe, levando adiante sua trama de cinema.

LUTA SE TORNOU COLETIVA

A história lembra a de Clara, interpretada por Sônia Braga no filme “Aquarius”. No longa de Kleber Mendonça Filho, a personagem desafia as propostas de uma construtora que pretende subir, no lugar do prédio em que ela vive, um novo edifício, na Praia de Boa Viagem, no Recife. Na vida real, Noêmia enfrenta há seis anos os planos de um megaempreendimento que, no início, pertenceu a Eike Batista e, após a derrocada do empresário, passou às mãos da Prumo Logística, controlada por um fundo americano. Qualquer semelhança entre os enredos é mera coincidência. Noêmia ainda nem assistiu ao filme. Mas já sabe que, dependendo dela, as duas histórias terão um mesmo fim, de resistência.

— Não vou desistir. Nunca corri tanto risco de perder o sítio quanto agora. Há um ano, um juiz deu a posse do imóvel ao empreendimento. Uma semana depois, voltou atrás. Mandou que o sítio fosse reavaliado, o que aconteceu em abril. Eles acham que, depois de tanta luta, vou embora facilmente? Vou desobedecer, vão me algemar, podem me prender — diz Noêmia, apresentando razões para a persistência: — Na negociação, existem duas coisas distintas: preço e valor. Quem não sabe a diferença não entende o amor. Quanto vale seu projeto de vida? Isso se negocia? Você dá preço a seu sonho? Valores não se vendem, nem se compram.

‘Na negociação, existem duas coisas distintas: preço e valor. Quem não sabe a diferença não entende o amor. Quanto vale seu projeto de vida? Isso se negocia? Você dá preço a seu sonho? Valores não se vendem, nem se compram’

- NOÊMIA MAGALHÃESProprietária de sítio

UM PAU-BRASIL PARA CADA NETO

Como no filme, a Clara de São João da Barra também é aposentada. Só que foi professora, em vez de jornalista. Com o marido, o bancário Valmir Batista, ela sempre projetou ter um sítio. Faz 20 anos que concretizou o desejo. Passou a comer o que cultivava na horta, sem agrotóxicos. Plantou um pau-brasil para cada um dos quatro netos, e outras árvores batizadas com os nomes de amigos. No início, quando acordava, abria a janela e ouvia uma orquestra de pássaros, que acreditava ser tocada especialmente para ela. Até que, dez anos atrás, foi lançada a pedra fundamental do porto. No começo, até parecia um alento, com a expectativa de que movimentasse a região e ajudasse nas vendas dos pequenos produtores locais.

Em 2010, contudo, a Companhia de Desenvolvimento Industrial do Estado do Rio (Codin, subordinada à Secretaria estadual de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Serviços) iniciou as desapropriações para entregar as terras ao empreendimento, com a proposta de se criar ali um polo metalmecânico na retaguarda do porto, além de uma área para armazenamento de produtos. Sonho e pesadelo passaram a ter linha tênue.

SÍTIO DO BIRICA: OÁSIS NO MEIO DE UM DESERTO

  • Vista aérea do Sítio do Birica: propriedade é hoje um oásis verde em meio a terras secas, desapropriadas pelo estado para abrir espaço ao Porto do Açu e a um distrito industrial contíguoFoto: Daniel Marenco / Agência O Globo

  • Dona do sítio, Noêmia Magalhães espalhou placas para dar recados a quem tenta tirá-la de sua casa, no meio da área do distrito industrialFoto: Daniel Marenco / Agência O Globo

  • Área tem hortas e já é utilizada pela professora aposentada para projetos sociais e de ecologia Foto: Daniel Marenco / Agência O Globo

  • Casa vazia nas bordas do distrito industrial do Porto do Açu: várias propriedades foram esvaziadas para dar lugar ao empreendimentoFoto: Daniel Marenco / Agência O Globo

  • Outra casa abandonada: ao todo, eram mais de 400 áreas rurais na região do distrito industrialFoto: Daniel Marenco / Agência O Globo

  • Escombros em frente ao Sítio do Birica: hoje, o vizinho mais próximo da propriedade fica a cinco quilômetros de distânciaFoto: Daniel Marenco / Agência O Globo

  • Noêmia Magalhaes, de 70 anos, já luta ha seis anos para permanecer no sítioFoto: Daniel Marenco / Agência O Globo

  • Apesar do jeito manso do interior, ela já enfrentou o empresário Eike Batista em sua tentativa de permanecer em casaFoto: Daniel Marenco / Agência O Globo

— A gente valia muito pouco. Aqueles agricultores que tinham suas histórias ali, que enterraram o umbigo de seus filhos na terra, eram tratados com descaso. Não estavam preocupados com eles. Queriam as terras — afirma Noêmia, que resolveu fazer da luta pessoal uma briga coletiva, com os produtores da região.


Casa em ruínas próxima à área do Porto: na região, vários imóveis foram esvaziados, outros demolidos - Daniel Marenco / Agência O Globo

Os vizinhos começaram a ir embora. Alguns, foram retirados à força e suas casas transformadas em ruínas, ainda hoje espalhadas pela região do distrito industrial — que se estende por 60 quilômetros quadrados, onde havia 409 áreas rurais. Nesse cenário, até dois anos atrás, em vez dos pássaros Noêmia passou a avistar placas da LLX, subsidiária de logística do grupo EBX, com o aviso de que aquela era uma área particular e, por segurança, não deveria ser ultrapassada. Agora, com a gerência da Prumo, volta e meia topa com seguranças a cavalo rondando o sítio.

— Como gosto de fazer de um limão uma limonada, passei a achar que era segurança para mim. Até amizade fiz com os rapazes. Porque posso dizer que estamos ilhados. Se acontece alguma coisa, para quem apelar?

Os perigos, aliás, reais ou talvez fabricados por quem quer vê-la longe, diz ela, se tornaram constantes. Uma noite, o marido e ela passaram duas horas jogando água na estrada que passa em frente ao sítio, para tentar evitar que um incêndio no terreno da frente os atingisse. Outra vez, acordaram com tiros na porta de casa. Em duas ocasiões, Noêmia se viu com um revólver na cabeça. Teve um carro roubado e, em inúmeros telefonemas, a voz do outro lado dizia apenas que sabia onde ela estava.

— As pessoas, até da minha família, têm medo de andar comigo. Acham que qualquer dia posso levar um tiro — diz ela.

A tranquilidade foi embora, e muito do verde no entorno do sítio também. Hoje, a propriedade parece um oásis em meio a terras secas. A cerca de dois quilômetros da casa de Noêmia, a areia retirada do mar para a construção de uma das estruturas do porto formou uma espécie de deserto de dunas. E faz anos que moradores e ambientalistas questionam se o empreendimento salinizou ou não o solo e a água locais.

Outra característica: se o porto funciona desde 2014 com operações envolvendo minério de ferro, na maior parte do distrito industrial o que se vê são quilômetros de arame farpado cercando terrenos vazios, à espera do sucesso do empreendimento. Na outra ponta, há agricultores, obrigados a deixar as propriedades, que ainda não receberam nada, com indenizações presas na Justiça. Algumas pessoas enlouqueceram, caíram em depressão e, como diz Noêmia, até “morreram de paixão” pela terra perdida.

RISCO DE DESAPROPRIAÇÃO NA INFÂNCIA

Apesar disso, a Codin afirma que “não há impasse” algum referente às indenizações, e que todas as obrigações da companhia “estão sendo rigorosamente cumpridas”. Segundo o órgão, cada área desapropriada teve laudos e valores atribuídos específicos, não divulgados. O total apurado, diz a Codin, foi depositado em juízo. Mas a companhia reconhece que aproximadamente 70% dos proprietários ainda não receberam suas indenizações, enquanto que a Prumo afirma que, embora a responsabilidade seja da Codin, apoia o estado na realocação de famílias.

No caso de Noêmia e de parte dos moradores de localidades como a Água Preta, ainda não há definições. Já são anos convivendo com a incerteza de quando tentarão, mais uma vez, tirá-los de casa. Uma situação que abalou a saúde de Noêmia, às voltas com a pressão alta. Ficou debilitada. O que a mantém forte, então, na resistência? Ela diz que pode ser uma lembrança de infância e adolescência, quando seu pai, em Itaúna, Minas Gerais, também lutou contra a desapropriação. Um dia, ela perguntou por que ele não entregava os pontos:

— Ele me deu uma resposta que nunca mais esqueci: “O homem que não cuida e não defende sua terra, não defende nem a sua família”.

Comentários.

Desigualdade enorme no Rio

Os caminhos para unir um Rio desigual

Metade mais pobre dos cariocas detém só 10,7% da renda. Concentração aumentou em 40 anos

Abismo social. Vista do Pavão-Pavãozinho, em Copacabana: avanço educacional foi menor para os cariocas pobres entre 2001 e 2010, o que ajuda a explicar o motivo de a distribuição de renda na cidade ter avançado menos que a do BrasilFoto: Agência O Globo / Custodio Coimbra
Abismo social. Vista do Pavão-Pavãozinho, em Copacabana: avanço educacional foi menor para os cariocas pobres entre 2001 e 2010, o que ajuda a explicar o motivo de a distribuição de renda na cidade ter avançado menos que a do Brasil
      A partir de 1º janeiro de 2017, o novo prefeito do Rio terá um desafio histórico: a crônica desigualdade da Cidade Maravilhosa, que faz os 10% mais ricos concentrarem 51,8% da renda, enquanto os 50% mais pobres ficam com 10,7%. Em 1970, essa apropriação da renda era de 43,9% para o topo da pirâmide e de 14,2% para a base. Há formas de avançar no caminho de um Rio mais igual, dizem especialistas, mudando a imagem da Cidade Partida, retratada pelo escritor Zuenir Ventura em 1994. Eles citam a vocação natural de saúde e esportes, o setor de óleo e gás, que, mesmo com a crise da Petrobras, é força econômica, e aproveitar o número menor de crianças para investir em estudo em tempo integral e nos jovens.O economista Marcelo Neri, diretor da FGV Social, que estudou o Rio de Janeiro ao longo de quatro décadas e constatou o aumento da desigualdade de 1970 a 2010, vê potencial na cidade, explorando o envelhecimento da população carioca. A proporção de idosos acima de 65 anos mais que dobrou no período, passando de 4,9% para 10,5%. Para o economista, o Rio poderia ser a Flórida brasileira, uma capital de saúde e esportes, aproveitando os investimentos em infraestrutura para as Olimpíadas

Entre as 27 capitais, o Rio tem a segunda maior parcela de renda da Previdência (25,4% da renda total). Segundo Neri, 92,1% dos benefícios são maiores que o mínimo.

— O Rio pode virar a capital da saúde, onde medicina, qualidade de vida e esportes, dada a infraestrutura olímpica recém-instalada, têm lugar privilegiado. Também podemos aproveitar que a parcela de crianças vem caindo para melhorar a educação.

Apesar da desigualdade, o Rio ostenta qualidade de vida maior que o Brasil. O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) da cidade é de 0,799, maior que o do Brasil, que é de 0,727. Nesse indicador, quanto mais próximo de 1, melhor a qualidade de vida, medida por renda média, educação e expectativa de vida.

A economista Hildete Pereira de Melo, professora da UFF, diz que o petróleo ainda é uma força no Rio:

— O petróleo ainda é uma questão importante. Não é uma carta fora do baralho. Há um polo tecnológico importante que foi montado.

Pelo estudo exclusivo do economista, diferentemente do Brasil, onde a desigualdade aumentou entre 1960 e 1970, os primeiros anos da ditadura militar, no Rio esse movimento se deu mais nos anos 1970 e 1990. Os 10% mais ricos ganhavam, em 2010, 21,8 vezes mais que os 10% mais pobres. Em 1970, a relação era de 14,52 vezes.

A concentração de renda na cidade 

A partir de 2011, o caminho na direção de uma sociedade mais justa começou a ser trilhado, e a desigualdade passou a recuar lentamente. No Brasil, a distribuição de renda melhorou a partir de 2001.

A boa notícia é que, apesar de a desigualdade permanecer alta, não está subindo como no Brasil, nos últimos trimestres. O país amarga dois anos de recessão forte, com aumento rápido do desemprego e piora na distribuição de renda:

— A desigualdade brasileira sobe nos últimos dois anos, e a do Rio fica estável.

Os eventos esportivos blindaram o Rio da crise brasileira. Enquanto o rendimento do trabalho no país caiu 5,54% no segundo trimestre de 2016, frente ao mesmo período do ano passado, no Rio, ainda permanecia subindo 7,4%, diz Neri.

O economista Manuel Thedim, do Instituto de Estudos de Trabalho e Sociedade (Iets), diz que, a curto prazo, o Rio vai sofrer:

— Não tem caminho bonito a curto prazo. Do mesmo jeito que as Olimpíadas foram um amortecedor para a crise, o fim dos Jogos vai corrigir essa direção. Mas o lado positivo é que o Brasil está parando de piorar, o que pode ajudar o Rio.

Na perspectiva histórica, Hildete diz que o Rio perdeu muito economicamente nesses 40 anos, com as indústrias indo para São Paulo, levando o centro financeiro a reboque:

— Perdemos indústria para São Paulo e para a Zona Franca de Manaus. Tínhamos aqui um polo eletroeletrônico que migrou para a Zona Franca, criada em 1967, levando os bons empregos. Isso sem falar no setor naval. Com a crise, veio um desemprego enorme.

Thedim oferece outra explicação para a desigualdade na cidade. Ao analisar os dados mais recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnadc), do IBGE, observou a dificuldade dos cariocas menos escolarizados em manter sua renda, enquanto aqueles que têm mais de 12 anos de estudo conseguem proteger os ganhos ou perder menos em momentos de recessão. Um dos motivos para essa disparidade é a alta concentração, na capital, de servidores públicos e aposentados, que conseguem preservar a renda.

— O Rio tem escolaridade maior que a do resto do Brasil. E os mais ricos conseguiram proteger a renda diante da crise extraordinária na década de 1980. Os mais pobres sofreram mais.

TRANSFERÊNCIA DE RENDA MAIOR A PARTIR DE 2011

Neri constatou que o avanço educacional foi menor para os cariocas pobres do que para a média brasileira entre 2001 e 2011, o que também ajuda a explicar por que o Brasil distribuiu melhor a renda desde 2001. No país, a escolaridade cresceu 2,32% ao ano de 2001 a 2011, contra 1,3% no Rio.

Os programas de transferência de renda também só começaram a vir com força para a cidade a partir de 2011, afirma o diretor da FGV Social:

— Um dos fatores por trás da redução da desigualdade brasileira foi a implementação de programas como Bolsa Escola e, depois, Bolsa Família, a partir de 2000. O Rio ficou fora desse movimento inicialmente, pela sua renda mais alta e, depois, por afastamento entre níveis de governo. Houve um esforço de cadastramento local no Bolsa Família, e, a partir de 2011, foi adotado o Cartão Família Carioca. A renda dos mais pobres, que não aumentou no período de 2001 a 2011, passou a crescer com as transferências.

Neri lembra a frase do economista André Urani, um estudioso das questões do Rio, morto em 2011, que traduz a distância social em terras cariocas:

— Ele dizia que, no Rio, bastava atravessar uma rua para o IDH mudar.

Comentários.

A LAVA JATO e o desrespeito à lei

Intelectuais criticam desmandos da Lava Jato

 

Luiz Gonzaga Belluzzo é um dos economistas que assina a notaLuiz Gonzaga Belluzzo é um dos economistas que assina a nota

Confira nota na íntegra

Nota pública em defesa da ordem constitucional, em desagravo a Guido Mantega

A ordem pública brasileira vem sendo ameaçada sistematicamente por aqueles que deveriam protegê-la.
O direito ao protesto coletivo vem sendo coibido por intervenções provocativas, abusivas e desproporcionais por parte da Polícia Militar, como se a velha polícia política das ditaduras estivesse de novo às soltas.
Ano a ano, cidadãos brasileiros invisíveis são conduzidos coercitivamente a depoimentos – ou algo pior – sem serem intimados pela justiça.
Quando o espetáculo da acusação sem prova e da condução sem intimação é exibido deliberadamente por agentes da lei, na persecução de objetivos estranhos à ordem jurídica e da publicidade sem limites, a cultura da arbitrariedade expõe suas entranhas.
O caráter republicano e isento da Operação Lava-Jato já foi posto à prova, e reprovado, inúmeras vezes.
Há seis meses, o evento da condução coercitiva do cidadão Luís Inácio Lula da Silva, que não resistiu a uma intimação judicial porque sequer foi intimado, parecia marcar o auge na exposição pública da arbitrariedade dos que o perseguiam, levando a uma reação firme, e republicana, de uma sociedade que já escolheu em que regime de garantias civis e políticas quer viver.
O episódio da prisão do professor e economista Guido Mantega levou o arbítrio a novos limites. A fragilidade da acusação e a desproporção da ação tornaram-se ainda mais evidentes por causa de sua coincidência com a presença do acusado em um centro cirúrgico, acompanhando a esposa enferma.
O professor e economista Guido Mantega deu mostras de dedicar-se à coisa pública de modo republicano. É um homem público de endereço conhecido e não representa qualquer ameaça à ordem pública. O mesmo não pode ser dito de seus perseguidores.
Se fosse necessário prender Guido Mantega para recolher possíveis provas, por que foi possível soltá-lo tão rapidamente depois que a sociedade conheceu o absurdo de sua prisão, sob alegação de que as diligências para coleta de documentos não seriam prejudicadas se fosse solto? Se não seriam, por que foi expedida a ordem original de prisão desde logo?
Como todo brasileiro, Guido Mantega merece o respeito de suas garantias constitucionais.
O combate à corrupção não pode ser um pretexto para corromper a Constituição, autorizar a perseguição política e inflar vaidades de juízes, procuradores e policiais.
Quem vai limitar a arbitrariedade da força-tarefa da Operação Lava-Jato e do juiz Sérgio Moro? É a pergunta que fazem os cidadãos que, abaixo, subscrevem este documento em defesa da ordem constitucional e contra mais um golpe às instituições democráticas.
Luiz Gonzaga Belluzzo – Professor Titular de Economia – UNICAMP
Marilena Chauí – Professora Titular da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, USP
Maria da Conceição Tavares – Professora emérita da UFRJ e da Unicamp.
Luís Carlos Bresser-Pereira – Professor Titular de Economia – FGV
Tereza Campello – Economista e Ex-Ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome da presidenta Dilma Rousseff
Eleonora Menicucci Oliveira – Profa Titular de Sociologia da Unifesp e ex-Ministra de Politicas para as Mulheres do governo Dilma Rousseff
Pedro Paulo Zahluth Bastos – Professor Associado (Livre Docente) – Economia – UNICAMP
Theotonio dos Santos – Professor Visitante da UERJ e Professor Emérito da UFF
Ladislau Dowbor – Professor Titular de Economia – PUC-SP
Eleuterio F. S. Prado – Professor Titular de Economia da USP
Walquiria Domingues Leão Rêgo – Socióloga e professora titular da Unicamp
Gilberto Maringoni – Professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC (UFABC)
Hermano de Medeiros Ferreira Tavares – Professor Titular (aposentado) – Faculdade de Engenharia Elétrica – e ex-reitor da Unicamp
Nelson Rodrigues dos Santos – Professor Titular – Faculdade de Ciências Médicas – UNICAMP
Luiz Carlos de Freitas – professor titular da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP
Marcio Pochmann – Professor IE/Unicamp
Itala M. Loffredo D’Ottaviano – Professor Titular em Lógica, UNICAMP
João Quartim de Moraes – Professor Titular de Filosofia – UNICAMP
Joaquim Palhares – Carta Maior
Lena Lavinas – Professora Titular de Economia (UFRJ)
Maria de Lourdes Rollemberg Mollo – Professora Titular da UNB
Antonio Prado – Secretário Executivo Adjunto da Comissão Econômica para a América Latina (CEPAL)
Magda Barros Biavaschi – advogada, ex-Desembargadora ap. TRT4.
Antonio Correa de Lacerda – Economista – Professor PUC-SP
Matías Vernengo – Professor of Economics, Bucknell U. – Co-editor, Review of Keynesian Economics
Rosa Maria Marques, professora titular do Departamento de Economia e do Programa de Estudos Pós-graduados em Economia Política da PUCSP e presidente da Associação Brasileira de Economia da Saúde
Sebastião Velasco e Cruz – Professor Titular do Departamento de Ciência Política da Unicamp
Wladimir Pomar – Jornalista e escritor
Armando Boito Jr. – Professor do Departamento de Ciência Política – Unicamp
Laurindo Lalo Leal Filho – Professor da ECA/USP
Maria Rita Loureiro – Professora titular da FEA/USP e FGV/SP
Alfredo Saad Filho – SOAS, University of London
Maryse Fahri – Professora IE/Unicamp
Giorgio Romano Schutte – Professor de Relações Internacionais e Economia da Universidade Federal do ABC (UFABC)
Gastão Wagner de Sousa Campos – Professor Livre-Docente, Departamento de Medicina Preventiva e Social, Universidade Estadual de Campinas
Frederico Mazzucchelli – Professor IE/Unicamp
Nelson Marconi – Economista – FGV
Carlos Aguiar de Medeiros – Professor associado da Universidade Federal do Rio de Janeiro
Clemente Ganz Lucio – Economista
Ricardo Musse – Departamento de sociologia da USP
Valter Pomar – Professor da UFABC
Carlos Berriel – Professor do IEL/Unicamp
Fernando Nogueira da Costa – Professor IE – Unicamp
Vanessa Petrelli Corrêa – Professora Titular IE – UFU
Hugo Gama Cerqueira – Professor do Cedeplar, Universidade Federal de Minas Gerais
Rubem Murilo Leão Rêgo – Sociólogo e professor da Unicamp
Wolfgang Leo Maar – Professor titular da UFSCar
Tatiana Berringer – Professora Adjunta da Universidade Federal do ABC
Márcia Mendonça – Instituto de Estudos da Linguagem – IEL – Unicamp
Adriano Codato – Cientista Político – Professor UFPR
Cristina Fróes de Borja Reis – Professora adjunta da Universidade Federal do ABC
Daniela Magalhães Prates – Professora do IE/Unicamp
Hildete Pereira de Melo – Professora associada da UFF
Claudio Salm – Professor de Economia _ UFRJ
Marcelo Milan – Professor de Economia e Relações Internacionais, UFRGS
Rubens Sawaya – Economista, professor da PUCSP.
Anna Christina Bentes – Departamento de Lingüística, Instituto de Estudos da Linguagem -UNICAMP
Humberto Miranda – Professor do IE e Pesquisador do CEDE/UNICAMP
Reginaldo Moraes – Professor de Ciência Política – Unicamp
Eduardo Fagnani – Professor IE/Unicamp
Alcides Goularti Filho – UNESC/CNPq
Daniela S. Gorayeb – Professora Facamp
Marcus Ianoni Ciência Política UFF
Adriana Nunes Ferreira – Professora do IE/Unicamp
Francisco Luiz C. Lopreato – Professor IE/Unicamp
José Eduardo Roselino – Professor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR)
Guilherme Mello – Professor IE/Unicamp
Marco Antonio Martins da Rocha – IE/Unicamp
Alexandre de Freitas Barbosa – Professor de História Econômica e Economia Brasileira – Instituto de Estudos Brasileiros – Universidade de São Paulo (IEB/USP)
Luiz Fernando de Paula – Professor titular da FCE/UERJ
Lauro Mattei – Professor de Economia da UFSC
Elza Cotrim Soares – Professora Titular – Faculdade de Ciências Médicas – UNICAMP
Fernando Sarti – Professor do Instituto de Economia da UNICAMP
Jorge Felix – Professor PUC-SP
Julia de Medeiros Braga – Professora UFF
Rosangela Ballini – Professora IE – Unicamp
Maria Fernanda Cardoso de Melo – Professora da Facamp
André Biancarelli – Professor do IE/Unicamp
Raquel Rangel de Meireles Guimarães – Professora da UFPR
Cláudia Tessari – Professora, Universidade Federal de São Paulo
Ricardo de Medeiros Carneiro – Professor IE/Unicamp
Antonio José de Almeida Meirelles – Professor Titular da Faculdade de Engenharia de Alimentos/UNICAMP
Pedro Rossi – Economista e Professor – UNICAMP
Fernando Augusto Mansor de Mattos – Professor UFF
Flávia Vinhaes – Professora de Economia – UCAM e técnica IBGE
Ceci Juruá – Economista
Walter Belik – Professor IE / Unicamp
Pedro Vieira – Professor do Programa de Pós-Graduação em Rel Internacionais-UFSC
Nádia Farage – Professora colaboradora DH-IFCH, Unicamp.
Carlos Pinkusfeld Bastos – Professor IE – UFRJ
Waldir Quadros – Professor IE/Unicamp
Simone Deos – Professora, IE-Unicamp
Fábio Eduardo Iaderozza – Professor de Economia da Facamp e do Centro de Economia e Administração da PUC Campinas (CEA)
Rodrigo Vianna – Jornalista e historiador (USP)
Ana Luíza Matos de Oliveira – Doutoranda IE/Unicamp
Adriana Aparecida Quartarolla – Doutoranda em Linguística na UNICAMP e professora de Língua Portuguesa na FACAMP
Marcelo Manzano – Professor FACAMP
Lygia Sabbag Fares Gibb – Professora universitária e doutoranda IE/Unicamp
Beatriz Freire Bertasso – Professora Facamp
Darci Frigo, advogado – Terra de Direitos
Artur Scavone – Jornalista
Benedito Ferraro – PUC-Campinas
Sávio Machado Cavalcante – Professor de Sociologia (IFCH/Unicamp)
Juliana Pinto de Moura Cajueiro – Facamp
Roberta Gurgel Azzi – professora
Miguel Henrique Russo – professor

Lava Jato: Advogado de Lula diz que Tribunal criou juiz acima da lei

 

Cristiano ZaninCristiano Zanin

Em entrevista ao Brasil 247, Zanin classificou a decisão como inadmissível. “O que é inédito? Todo ato de persecução penal requer estrita observância da lei. Se a corte reconhece que nem todos         precisam observar as mesmas normas, dá espaço para arbitrariedades”, questionou.
O afastamento de Moro foi pedido por um grupo de 19 advogados. O motivo foi a retirada do sigilo   das investigações contra o ex-presidente Lula. Com a divulgação na imprensa, Lula e a presidente   Dilma Roussef tiveram conversas expostas. Após o pedido ser rejeitado pela Corregedoria, os     advogados apelaram para a Corte Especial, que arquivou o processo.
Zanin explicou que a Constituição e a lei não deixam dúvidas sobre a privacidade do    sigilo telefônico.Ele citou o caso do juiz Baltasar Garzón, na Espanha, que foi afastado por ordenar a   gravação de conversas na prisão entre advogados e seus clientes. “Isso porque nem chegou a   divulgar as falas”, afirmou o advogado.
Ele adiantou que decisão do TRF-4 reforça a necessidade de recorrer à Organização das Nações Unidas contra a postura do juiz Sérgio Moro. “No Brasil, o Judiciário e os órgãos responsáveis pela fiscalização judicial se negaram a fazer o controle efetivo dos atos jurisdicionais relativos ao caso.”
Fonte: Vermelho
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Agora, a vez de Geraldo Alckmin

Governo Alckmin é denunciado por crime de responsabilidade

Auditores fiscais do estado ingressaram com ação acusando o governo de prejudicar o caixa do estado por meio de operações de crédito com empresa fraudulenta
alckmin fraude.jpgAlckmin e Villela: ‘Governo está tentando adiantar uma receita de forma artificial’, denuncia Sinafresp

São Paulo – Auditores fiscais do estado de São Paulo entraram ontem (1º) no Ministério Público do Estado de São Paulo com uma ação popular contra o governo de Geraldo Alckmin (PSDB) por fraudes em operações de crédito. Se confirmados, os atos configuram crime de responsabilidade, implicando rombo futuro no patrimônio público para “maquiar” as contas, inflando o orçamento de curto prazo do estado.

“Se confirmado, isso configura crime de responsabilidade dos secretários e de quaisquer entes do governo que tenham parte nisso. Agora, cabe ao Ministério Público analisar. Para nós, as operações alteram o balanço, o orçamento do estado de forma fraudulenta”, afirmou o vice-presidente do Sindicato dos Agentes Fiscais de Rendas do Estado de São Paulo (Sinafresp), o auditor fiscal Gláucio Honório.

Por esse esquema, o estado fornece créditos à empresas, ele tem contas a receber de empresas inadimplentes, ou que cometeram infrações. Esses valores a receber são divididos em lotes preferenciais e não preferenciais. A fim de adiantar o recebimento, o estado vende estes lotes para empresas financeiras ou bancos. As preferenciais têm maior liquidez, ou seja, possuem menor risco de não serem pagas, isso porque, de tempos em tempos, o estado promove parcelamento dessas dívidas, perdoando multas ou juros.

O mercado realiza esse tipo de prática corriqueiramente. O problema é quando as fraudes começam. Agrupar dívidas e vendê-las a empresas terceiras foi uma prática utilizada em larga escala com títulos podres do mercado imobiliário norte-americano, o que desencadeou a crise de 2008. Em São Paulo, a gestão Alckmin pode estar realizando fraudes que podem implicar graves danos futuros, segundo o Sinafresp.

Os títulos podem ser vendidos para empresas privadas, visando ao recebimento mais rápido dos valores. Aí começa a fraude, de acordo com o sindicato. Alckmin criou uma empresa “mista” que compra esses títulos de dívidas, a Companhia Paulista de Securitização (CPSEC), que vem comprando os lotes não preferenciais nos últimos anos. São os de mais alto risco. Não haveria problema, se esta empresa fosse privada. Mas na prática, ela é uma sociedade anônima, com cerca de 3 milhões de ações no mercado. Apenas três não são do estado, pertencem ao ex-secretário da Fazenda Renato Villela e a mais dois funcionários do alto escalão da pasta.

“Esta suposta empresa não é mista de fato. Ela é do governo. Veja, o problema é que empresas públicas não quebram. Se houver rombo, os cofres públicos vão cobrir. Isso fere a Lei de Responsabilidade Fiscal”, explica Glauco. “Ele (Alckmin) está tentando adiantar uma receita de forma artificial. Nos títulos de alto risco, ele pega uma aplicação de longo prazo e a transforma em dinheiro de curto prazo. Isso é um jogo de balanço que traz dinheiro fictício, carregando riscos futuros para a saúde das contas públicas”, continua. O objetivo seria inflar o orçamento do ano, maquiando os valores do caixa, o que pode causar um rombo, uma bolha futura.

AÇÃO PÚBLICAao.jpg
Trecho da ação contra o estado de São Paulo por violação da Lei de Responsabilidade Fiscal

Posição do estado

Em nota, a Secretaria da Fazenda afirma que as operações da CPSEC foram autorizadas pela Assembleia Legislativa, e que de 2012 a 2015, a empresa acrescentou R$ 2,14 bilhões aos cofres do estado. Entretanto, Glauco insiste que “existem muitas coisas para serem explicadas”. Isso porque o valor citado pela secretaria possui “inconsistência”.

“Na nota do estado, eles dizem que a CPSEC trouxe R$ 2,14 bilhões. Todavia, o balanço da secretaria mostra debêntures (títulos) na ordem de R$ 6 bilhões. Por que ele só trouxe R$ 2,14 bilhões? Exatamente porque esta operação de crédito trouxe dinheiro, mas existe o risco de parte das dívidas”, explica o auditor. “Outro problema é que o projeto passou pelo Legislativo em 2009, e a primeira operação foi realizada em 2012. Isso começou durante a gestão de José Serra (PSDB) e, talvez, ele tivesse a noção de que isso não era totalmente legal”, afirmou.

Queda de secretário

Na terça-feira, Alckmin anunciou a troca do comando da pasta da Fazenda. Saiu Renato Villela (dono de pequena parte da CPSEC, o que de acordo com o estado “justifica” o teor “misto” da empresa), empossando Hélcio Tokeshi. Apesar de alegar “motivos pessoais”, os auditores fiscais consideram que mobilizações da categoria e denúncias – como a apresentada na RBA de problemas em relação ao ICMS – influenciaram na decisão.

“Villela tinha um viés contrario ao servidor público de carreira. Ele sempre fez questão de deixar isso muito claro com suas atitudes, como de não dialogar com a categoria. Com isso, ele criou um verdadeiro caos na secretaria. Isso se refletiu na queda da arrecadação. Ele dizia que a culpa era da crise, mas de acordo com índices, a arrecadação caiu mais do que qualquer justificativa. Ele nunca admitiu, mas a razão foi o mau direcionamento, má administração e trabalho inadequado”, afirmou.

A ação no novo secretário segue uma incógnita, porém, o Sinafresp projeta esperanças. “Nossa expectativa, mesmo sem conhecer o novo secretário é de que ele tenha algum conhecimento do serviço público”, disse Glauco. A intenção é de que a pasta atue de forma “mais técnica e menos política”, disse. “Sabemos que a Fazenda sempre terá algum viés político, mas que ele seja menor.”

Para auditores fiscais, Alckmin tira impostos dos ricos para cobrar dos pobres

No governo tucano, taxação que mais impacta no poder de compra da população, o ICMS, é cobrada de forma desigual: ganham os ricos, pagam os pobres
por Gabriel Valery, da RBA publicado 25/08/2016 10:45, última modificação 25/08/2016 13:55
alckmin impostos.jpgPara auditores, política fiscal de Alckmin é arbitrária: “Por que a camada mais rica paga menos impostos?”, questiona auditor

São Paulo – “A política fiscal do governo de Geraldo Alckmin (PSDB) tem uma lógica: tirar impostos dos mais ricos e aumentar dos mais pobres”, define o auditor fiscal da Receita de São Paulo Leandro Ferro, diretor de comunicação do Sindicato dos Auditores Fiscais do Estado de São Paulo (Sinafresp). A categoria iniciou esta semana a campanha Pobre Paga Mais, com objetivo de alertar a população sobre desigualdades na cobrança de tributos estaduais, especialmente no Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

“O ICMS é o imposto mais importante do estado, que representa a maior arrecadação”, explica. O problema é a forma com que o governo tucano negocia os valores comprados, já que o Executivo é o responsável por definir as alíquotas de incidência sobre os produtos. “O governo pode reajustar esses valores a qualquer tempo. O que impressiona é que os produtos que a população mais consome possuem uma taxa alta. Já aqueles que só os mais ricos tem acesso tem baixas alíquotas”, completa.

A lista da desigualdade é grande. Alimentos da cesta básica sofrem incidência de 7% de ICMS. Já produtos mais procurados por pessoas de maior renda, como picanha e filé mignon são isentos. “Isso é uma decisão política, sem análise técnica, que o governador toma. Alguns produtos gozam de tratamento especial. Por exemplo, incide sobre os automóveis 12%; e sobre jet-skis, 7%. Não existe uma justificativa e nós queremos que a sociedade questione isso. Por que esse tratamento diferenciado? Por que a camada mais rica paga menos impostos?”, questiona o auditor.

impostos4.jpg

“A lógica é que o estado aproveita da situação. Ninguém vai deixar de contratar luz ou internet, então, de forma oportunista, ele joga a alíquota lá em cima”, afirma. O problema, é que estes produtos que todos utilizam, ricos e pobres, também impactam de forma desigual sobre as classes. “Por exemplo, uma pessoa ganha R$ 5 mil e uma outra R$ 10 mil. O que as duas pessoas compram sai pelo mesmo preço, mas para a que ganha R$ 5 mil, o peso do imposto é muito maior. Então, é um tributo que desequilibra o poder de compra. Para piorar, existem essas alíquotas sem lógica, menores para quem pode pagar mais, o que agrava a situação”, explica.

A campanha conta com página na internet para divulgar as desigualdades promovidas pelo governo de Geraldo Alckmin, além de exibição de outdoors em diversas cidades e de propagandas em rádio. Como proposta, a categoria cobra a aprovação da Lei Orgânica da Administração Tributária (Loat), que existe há dez anos e foi engavetada pela gestão tucana. “A Loat é o primeiro passo para começarmos a reverter estas arbitrariedades”, afirma o auditor.impostos3.jpg

“Dentro de vários pontos, o projeto promove uma reestruturação, tanto na carreira dos auditores, quanto na Secretaria da Fazenda do Estado, que é o órgão responsável pela estruturação dos tributos. Então, ela significa autonomia para os auditores, que são profissionais concursados, técnicos em economia e contabilidade, capacitados para planejar a política tributária do Estado para fazer a arrecadação justa e eficiente”, diz Ferro. A ideia é impor resistência às arbitrariedades do balcão de negócios que é o governo Alckmin.

Imoralidade tucana

O problema é que, além de engavetar a proposta, a gestão tucana não abre espaço para conversas. “O governo Alckmin é muito pouco receptivo para dialogar com os servidores públicos em geral. Conosco não é diferente. Então, o projeto está totalmente parado, o governo se nega a dar o mínimo de andamento na discussão. O diálogo é zero. Tentamos marcar reuniões com o governador nos últimos três anos e nunca conseguimos. É muito difícil para nós.”

O descaso de Alckmin com a categoria pode ser compreendido pela fiscalização dos auditores diante de irregularidades do governo, explica Ferro. “No começo do ano, denunciamos benefícios ilegais e imorais que o governo estava concedendo há mais de cinco anos para algumas empresas do setor de frigoríficos. As empresas tinham dívidas milionárias com o estado, e mesmo nessa situação conseguiam benefícios. O rombo foi de R$ 3,5 bilhões”, afirma. A denúncia conseguiu reverter 50% deste valor para os cofres estaduais.

Outro estudo realizado pelos auditores constatou que o setor foi responsável por 10% das doações de campanha para a reeleição de Alckmin em 2014. “Elas doaram mais de R$ 4 milhões. O trabalho de vigilância constante do Fisco Paulista pretende evitar, interferências políticas contra os interesses dos governos de plantão, benefícios desmedidos a grandes grupos sem contrapartidas reais à população e injustiças tributárias danosas”, diz o dirigente do Sinafresp.

Contra aparelhamento de Alckmin, auditores de São Paulo realizam eleições

Auditores realizaram eleições à revelia do governo tucano para tentar assegurar o direito da categoria de escolher seu representante máximo. Cargo vem sendo utilizado para fins políticos
por Gabriel Valery, da RBA publicado 22/09/2016 17:40
alckmin e japa.jpgPosse do novo secretário Hélcio Tokeshi, ao lado de Alckmin. Futuro do fisco ainda é incerto

São Paulo – O governador Geraldo Alckmin (PSDB) utilizou a Fazenda do estado como instrumento de negociatas políticas, através do aparelhamento da pasta, segundo denúncia dos auditores fiscais da Receita que acabou desencadeando um processo à revelia do tucano. Os profissionais se organizaram e, com ampla participação dos servidores, realizaram eleições para a escolha do coordenador da Administração da Receita, cargo mais importante da área, atrás apenas do secretário da pasta.

Luís Gustavo Theodoro foi eleito com 1.049 votos a partir de lista tríplice, com a participação de mais de 1.500 funcionários. Ele venceu Alexandro C. G. Afonso, que ficou com 764 votos e Valdemar T. Figueira Confort, com 653. “A ideia surgiu porque é prevista na lei orgânica que rege a categoria. Outras carreiras também funcionam desta forma, faz parte do fortalecimento das instituições brasileiras”, afirmou o secretário-geral do Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita de São Paulo (Sinafresp), Guilherme Jacob.

“Começamos a questionar se uma pessoa sem conhecimento técnico seria a mais adequada para a gestão máxima da carreira. Com isso, queremos defender o interesse público. Queremos que o aspecto tributário seja visto da forma mais correta o possível. Queremos cobrar mais de quem sonega impostos e menos de quem tem menos. Gostaríamos de promover e conquistar a justiça fiscal”, disse o auditor. A carreira é responsável, entre outros, de fiscalizar o Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), imposto que mais incide sobre o poder de compra da população.

O ofício foi direcionado ao secretário Hélcio Tokeshi, que assumiu a pasta no dia 29 de agosto no lugar de Renato Villela. A categoria vinha realizando campanhas contra a gestão de Villela, que além de não abrir diálogo com os profissionais, “tocava a pasta, sob comando de Alckmin, como balcão de negócios”. Apesar da alegação de motivos pessoais, o Sinafresp pensa que a pressão da categoria, com a campanha Pobre Paga Mais, por exemplo, surtiu efeito no caso.

“A ingerência política que acaba vindo com apadrinhamentos políticos prejudicam o fisco”, afirmou Jacob. Agora, os auditores esperam que a pasta aceite, ou ao menos, abra um espaço para diálogo com a categoria. “Essa alteração atenderia a grandes pleitos dos trabalhadores, como a escolha do diretor máximo.”

Outro aspecto levantado pelos auditores é a de regularização do fisco paulista, que vem apresentando déficits seguidos, muito além do que a crise financeira que abateu o país nos últimos anos pode justificar. “É fundamental atentar para o fato de que São Paulo acumula desastrosos 9,4% de queda real em arrecadação apenas entre janeiro e agosto de 2016 e esta não é a primeira tentativa de apoio da classe para a reversão do grave cenário”, diz o documento direcionado ao secretário.

As eleições foram feitas à revelia e a aceitação por parte dos tucanos ainda é duvidosa. No ofício, o Sinafresp afirma que “espera não só ter seu pleito reconhecido, mas também solicita um desagravo por parte da secretaria, no intuito de reparar o equívoco adotado ao negar não só a viabilização dessa prerrogativa legal, mas também o amparo logístico e institucional à sua realização”.

Fonte: Rede Brasil Atual
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Depois da Flórida, agora, explosão em Nova York

 

Autoridades dos EUA investigam explosão que feriu 29 em Nova York

“A cidade de Nova York passou por um incidente muito ruim”, disse o prefeito Bill de Blasio em entrevista perto do local da explosão

 

Autoridades dos Estados Unidos investigavam a explosão ocorrida na noite de sábado em Nova York O incidente ocorreu em um bairro movimentado de Manhattan e deixou 29 feridos. Além disso, outro dispositivo, uma bomba caseira, foi encontrado na madrugada deste domingo a quatro quadras da explosão, mas foi neutralizado.

“Hoje, a cidade de Nova York passou por um incidente muito ruim”, disse o prefeito Bill de Blasio em entrevista coletiva perto do local da explosão, no bairro de Chelsea. “Nós não temos nenhuma ameaça específica e digna de crédito neste momento”, comentou. O prefeito falou que a explosão foi um “ato intencional”, mas apontou que não havia evidência de que se tratava de uma ação terrorista. Segundo a autoridade, a explosão não estava relacionada com uma outra, ocorrida também no sábado em Nova Jersey – essa explosão provocou o cancelamento de uma corrida beneficente.

Não estava ainda claro quem estaria por trás da explosão em Nova York e o que poderia ser a motivação. Um agente das forças de segurança, que pediu anonimato, disse que o segundo dispositivo encontrado a quatro quadras de distância da explosão parecia ser uma panela de pressão ligada a um fio e a um celular. Esse material foi encontrado em um saco plástico na rua 27 Oeste e foi retirado com um robô.

A fonte disse que a explosão em Chelsea parece ter vindo de uma caixa de ferramentas colocada em frente de um prédio. A explosão ocorreu na rua 23 Oeste, diante de uma residência para cegos e perto de vários restaurantes. Comissário do Departamento de Bombeiros de Nova York, Daniel Nigro disse que várias pessoas foram hospitalizadas após ficarem feridas, a maioria com pouca gravidade. Uma pessoa teve um ferimento por um corte que foi considerado sério.

Rotas do metrô da cidade de Nova York foram afetadas pela explosão, que assustou parte da população local e dos turistas, dias depois das celebrações para honrar as vítimas dos ataques terroristas de 11 de Setembro de 2001, que fizeram 15 anos.

A Casa Branca disse que o presidente dos EUA, Barack Obama, foi informado sobre a explosão. Em St. Cloud, Minnesota, a polícia disse que pelo menos oito pessoas se feriram em um shopping, na noite de sábado, em um ataque com faca. O suspeito foi morto a tiros por um policial de folga que estava no local.

A candidata democrata à presidência, Hillary Clinton, disse que havia sido informada sobre os incidentes em Nova York e em Nova Jersey e do ataque em Minnesota. Ela lamentou as vítimas e disse que era preciso esperar a investigação se desenrolar. O candidato republicano, Donald Trump, disse na noite de sábado que houve uma explosão e comentou que “nós precisamos ser muito duros”, diante dos riscos globais e para os EUA.

A explosão em Manhattan ocorreu horas após uma bomba explodir no Seaside Park, em Nova Jersey, pouco antes de uma corrida de caridade. A prova de 5 quilômetros foi cancelada e ninguém ficou ferido.

Ataque em boate gay de Orlando, nos EUA, deixa 50 mortos e mais de 50 feridos

Pai de suspeito afirmou que filho tinha reações homofóbicas nos últimos meses

Um atirador abriu fogo dentro de uma boate gay em Orlando, na Flórida, nos Estados Unidos, na madrugada deste domingo (12), matando mais de 50 pessoas. Além das vítimas fatais, há mais de 50 pessoas feridas. Havia cerca de 300 pessoas celebrando uma festa de tema latino dentro da boate Pulse, antes que o atirador entrasse, por volta de 2h (3h em Brasília) e iniciasse o ataque.

O atirador, que foi morto pela polícia durante uma troca de tiros que durou aproximadamente três horas, tinha 29 anos. Em coletiva de imprensa, o senador Alan Grayson disse que se trata de um cidadão americano, mas que a família é de fora do país. O senador também levantou a hipótese de o atentado ter sido motivado por homofobia.

A TV NBC News conversou com o pai de Omar Mateen. Além de se desculpar pelo fato, o pai do atirador relatou que o filho, nos últimos meses, vinha demonstrando ódio a gays e a demonstrações de afeto de pessoas do mesmo sexo em locais públicos, e que presenciou uma reação de grande irritação de Omar nos últimos dias, ao ver dois homens se beijando em Miami, no estado da Flórida.

Em coletiva, um agente afirmou que o atirador planejou e organizou bem o ataque. Ele portava um fuzil AR-15 e uma arma de pequeno porte, além de um “dispositivo suspeito”, segundo a polícia. Ao abrir fogo, um policial que estava próximo à entrada da casa noturna respondeu com tiros contra Mateen.

Autoridades norte-americanas e de Orlando afirmaram que o caso é uma tragédia na história dos Estados Unidos e decretaram estado de emergência.

Ataque foi iniciado por volta de 2h (3h em Brasília) e durou aproximadamente três horas

Ataque foi iniciado por volta de 2h (3h em Brasília) e durou aproximadamente três horas

Ainda durante o ataque, a boate postou em sua conta no Facebook uma mensagem para que todos deixassem o local o mais rápido possível. Na manhã deste domingo, a direção pediu, novamente na rede social, que todos mantenham suas orações diante do trágico acontecimento.

No Twitter, a candidato do Partido Democrata à Presidência dos Estados Unidos, a senadora Hillary Clinton, postou mensagens em inglês e em espanhol. “Despertei com a devastadora notícia da Flórida. Enquanto aguardamos por mais informações, meus pensamento estão com os afetados deste terrível ato”.

Em dois dias, este é já o segundo caso de tiroteio em Orlando. Na sexta-feira (10), um homem matou a tiros a cantora Christina Grimmie após um show.

Fonte: Jornal do Brasil

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