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Mudanças no processo de adoção no Brasil

Justiça propõe prazo máximo de oito meses para processo de adoção

Iniciativa do governo federal visa diminuir espera, que hoje pode chegar a seis anos

    Armando e Katya com a filha Beatriz, de 9 anos, adotada aos 4 anos: nove meses de expectativa - Arquivo pessoal

    As alterações incluem ainda a criação da figura do padrinho afetivo — que já existe em projetos estaduais, mas não consta na lei federal — e estabelecem prioridade para a adoção de meninos e meninas com deficiência ou problema de saúde e de grupos de irmãos. O conjunto de propostas é fruto de uma consulta pública realizada pelo ministério entre outubro e dezembro do ano passado, na internet e em audiências. Qualquer brasileiro pôde sugerir mudanças na lei de adoção, e os pontos de consenso foram incluídos nessa proposta, chamada de anteprojeto. Agora, ele será enviado para votação no Congresso e só entrará em vigor após ser sancionado pelo presidente Michel Temer.

    As principais mudanças, em especial a limitação do tempo gasto com os trâmites da adoção, são vistas com bons olhos por especialistas.

    — Enquanto a criança espera a burocracia, ela fica sendo filha do abrigo. E não tem pai pior do que o abrigo — pontua a advogada Silvana Monte Moreira, presidente da Comissão Nacional de Adoção do Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM).

    Ela explica que essa demora costuma ser causada pela dificuldade de destituir o poder da família biológica sobre a criança. No caso de órfãos, o trâmite é fácil, mas, quando os pais estão vivos, o Estado tenta de tudo para que a criança volte para a família original. Isso é um aspecto complicador, segundo ela, porque muitas vezes os pais biológicos não têm condições de cuidar daquele filho. Em vários casos, eles sequer são encontrados.

    Foi o que aconteceu com Beatriz, adotada aos 4 anos por Armando e Katya Char. Ninguém conhecia o paradeiro da mãe biológica da menina e, por isso, o processo acabou se estendendo mais do que o necessário. Foram nove meses, tempo considerado até curto para os moldes atuais da lei, mas que poderia ter sido menor.

    — Acho que colocar prazo é sempre melhor do que ter prazo nenhum, embora esses limites de tempo sejam difíceis de cumprir na prática. Retirar a criança definitivamente da família biológica nem sempre é rápido — diz Armando.

    PADRINHOS OFICIAIS

    Para o promotor de Justiça Rodrigo Medina, se o anteprojeto for aprovado, isso será um ganho para o país em vários aspectos. Além do esforço por uma maior celeridade do processo, ele destaca a importância de se padronizar o apadrinhamento afetivo, que é voltado para aquelas crianças e adolescentes que não têm perspectiva de serem adotados. Alguns porque já estão com idade avançada, outros porque têm algum problema de saúde grave, por exemplo. Os padrinhos afetivos devem assinar um termo do abrigo onde a criança ou o adolescente se encontra e se comprometer a levá-lo para passear nos fins de semana, feriados escolares e férias.

    — O mais importante deste tipo de programa é que a criança crie vínculos e possa ter alguma referência de família, alguma convivência comunitária — ressalta Medina, que coordena as promotorias da Infância e Juventude na área protetiva do Ministério Público do Rio de Janeiro. — Em alguns casos, o apadrinhamento afetivo até termina em adoção. E quando isso acontece é ótimo, porque sempre se trata de alguém que normalmente não seria adotado.

     

    Ele destaca, no entanto, um ponto polêmico da proposta, com relação ao prazo que a mãe biológica tem para desistir de colocar o filho para adoção, depois de ter manifestado o desejo. Hoje, ela pode desistir até o último dia do processo, enquanto no anteprojeto consta que só pode haver essa desistência no máximo dez dias após a destituição do poder da família biológica sobre a criança.

    — Hoje, é um prazo alargado demais, mas, na proposta, acredito que ele seja curto demais, rígido — avalia Medina.

    Segundo o Cadastro Nacional de Adoção (CNA) do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), existem 7.167 crianças e adolescentes para adoção no Brasil, e mais de 38 mil pessoas querendo adotar.

    Fonte: O Globo

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    Homenagem a Santa Sara

    SANTA SARA

    Fonte: Youtube

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    Mesmo com crise, planos de saúde afrontam direitos dos consumidores

    STJ valida regras de reajuste de planos de saúde por faixa etária

    Decisão dificulta vida do consumidor, que continuará a ter de recorrer à Justiça

    Pesa no bolso. Aos 78 anos, Ana Maria briga na Justiça parar reduzir a mensalidade de R$ 4.500 do plano de saúde - Guito Moreto / Guito Moreto

     Quando a Justiça retornar do recesso, no dia 23, voltam a tramitar cerca de 1.400 processos que estavam suspensos à espera de decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) a respeito do reajuste de planos de saúde para os idosos. A decisão final do STJ, publicada dois dias antes do início da pausa do Judiciário, em 19 de dezembro, reconhece a legalidade do aumento das mensalidades por faixa etária, a menos que se caracterize abusividade. A sentença, dizem especialistas, não facilita em nada a vida dos 5,8 milhões de brasileiros usuários de planos de saúde acima de 59 anos, que terão de continuar a recorrer à Justiça, caso considerem que os percentuais aplicados às mensalidades são abusivos.

    — A decisão do STJ não deixa o consumidor numa situação vantajosa, pois, mesmo sendo abusivo o aumento, o usuário terá de ajuizar a ação para, somente após decisão, simplesmente readequar o reajuste — ressalta o subcoordenador do Núcleo de Defesa do Consumidor (Nudecon) da Defensoria Pública do Rio, Eduardo Chow.

    Professora aposentada, Ana Maria Gusmão, de 78 anos, desembolsa R$ 4.500 por mês com o seu plano de saúde, despesa que vem pesando no bolso. Depois de uma fracassada tentativa de acordo com a Bradesco Saúde, a professora decidiu recorrer à Justiça na esperança de reduzir a mensalidade.

    — Sou aposentada do estado, e tenho usado o plano só para fazer exames. É um plano top, tenho interesse em mantê-lo, mas está cada dia mais difícil. Para mudar, há exigências de carência, e dificilmente se consegue um bom preço por planos individuais — afirma Ana Maria.

    ORIENTAÇÃO PARA OS DEMAIS TRIBUNAIS

    O contrato de Ana Maria é anterior à lei 9.656, de dezembro de 1998. Apesar disso, ressalta sua advogada, Luciana Gouvêa, a operadora enquadrou-o, em 2005, na nova legislação para reajuste:

    — A operadora alega que os reajustes estariam de acordo com a lei vigente, o que não corresponde à verdade, por se tratar de um contrato anterior a dezembro de 1998. Sendo assim, devem ser respeitados os seus direitos conforme estabelece o Código de Defesa do Consumidor. Estávamos aguardando a decisão do STJ e agora resta saber a do juiz que se ocupa do processo.

    A sentença do STJ, explica o presidente da Comissão de Relações Institucionais da OAB-RJ, o advogado Vitor Marcelo Rodrigues, é importante pois orienta os juízes das instâncias inferiores. Rodrigues afirma que, em decorrência dos aumentos abusivos nas mensalidades praticados pelos planos de saúde, centenas de ações foram distribuídas em Tribunais Estaduais com o intuito de discutir a validade da cláusula contratual que prevê esse aumento com base na mudança de faixa etária do usuário. Alguns desses processos foram julgados e, em grau de recurso, chegaram ao STJ (última instância para esse tipo de ação). Para evitar decisões conflitantes, dar mais celeridade, garantir a isonomia e a segurança jurídica no julgamento de recursos especiais que tratem da mesma controvérsia jurídica, esclarece Rodrigues, foram criados os chamados Recursos Repetitivos, pela lei 11.672/2008.

    — Um recurso é considerado repetitivo quando se identifica que existe uma multiplicidade de recursos fundamentados em idêntica questão jurídica. É verdade que os magistrados não são obrigados a replicar a decisão do STJ, mas o entendimento da Corte superior tem papel importante de orientação — explica Rodrigues.

    A analista de sistema Margaret Salles, de 62 anos, e o marido, o engenheiro civil Sérgio Salles, de 67, que pagavam R$ 9.592 pelos planos individuais da SulAmérica, obtiveram decisão liminar favorável na Justiça. Com o desfecho, a mensalidade de Salles caiu para R$ 2.680 e a de Margaret, para R$ 3.546, uma redução de quase um terço no desembolso mensal do casal com o plano.

    — Nós, idosos, não podemos ficar sem plano de saúde, até porque não temos como contar com a saúde pública. Não é luxo, mas uma necessidade. Mas também não dá para desembolsar uma fortuna pelo direito de ter um atendimento médico digno — queixa-se Margaret, que ainda não tem a sentença final do seu processo.

    De fato, os gastos com saúde dobram com o envelhecimento, afirma com o superintendente adjunto para inflação da FGV/Ibre, Salomão Quadros. Enquanto as despesas com planos de saúde e medicamentos representam 7% para a a população em geral, no orçamento dos idosos pesam praticamente o dobro, 12%. Só em 2016, os preços de planos de saúde para essa faixa etária ficaram 13,2% mais altos. Os dados são da inflação dos idosos, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor da Terceira Idade (IPC-3i) da FGV/Ibre, que registrou alta de 6,07% em 2016, um pouco abaixo dos 6,29% acumulados pelo IPCA.

    Procurado sobre a queixa de Ana Maria, o Bradesco Saúde disse que não comenta casos levados à apreciação do Judiciário. Já a SulAmérica, operadora dos Salles, afirma que os reajustes aplicados estão em conformidade com as regras da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), e acrescenta que incidem na mensalidade os reajustes anual e de mudança de faixa etária, conforme informado aos clientes no ato da contratação do plano.

    Na avaliação de Claudia Silvano, presidente da Associação Brasileira de Procons (ProconsBrasil), a decisão do STJ tem como ponto positivo o fato de reforçar que não podem ser aplicados percentuais “desarrazoados ou aleatórios” que onerem excessivamente ou discriminem o idoso:

    — Isso é positivo para o beneficiário. Pegávamos contratos em que, quando a pessoa passava de 60 anos, o reajuste chegava a 70%. Isso fazia com que o usuário fosse chutado do plano. Esta é a grande questão.

    Para Solange Beatriz Palheiro Mendes, presidente da FenaSaúde, que representa as empresas do setor, a decisão da Corte põe um ponto final no debate sobre a discordância do reajuste por faixa etária. Ela acrescenta:

    — O cálculo de reajuste das mensalidades leva em consideração, entre outras questões, o equilíbrio nas despesas assistenciais entre jovens e idosos, o chamado sistema de mutualismo.

    Especialista em direito à saúde, o advogado Rodrigo Araújo discorda de Solange. Araújo afirma que, na verdade, o que se discute não é se deve ou não ser permitido o reajuste etário para idosos, mas o quão maior pode ser de fato esse custo:

    — O Estatuto do Idoso, ao excluir os reajustes etários que, àquela época, estavam previstos para 60 e para 70 anos, pretendeu diminuir o impacto que o aumento total de 500% entre a primeira e a última faixa etária (permitido pela ANS) causava para os idosos. Manter esses mesmos 500% e antecipar o último reajuste para 59 anos não é proteger o idoso, mas obrigá-lo a cancelar o plano de saúde antes por absoluta falta de condição para continuar pagando.

    E a sentença do STJ, diz o advogado Caio Fernandes, deixa claro que o reajuste por faixa etária é válido desde que haja tal previsão no contrato, que sejam atendidas as normas legais, que os percentuais aplicados não sejam incoerentes.

    ESPECIALISTA DEFENDE AUMENTO DE FAIXAS

    Para diluir o peso desse reajuste, a diretora-executiva da Associação Nacional das Administradoras de Benefícios (Anab), Luciana Silveira, defende a revisão das regras sobre os reajustes por idade. Ela acredita que aumentar o número de faixas, para além dos 60 anos, seria pertinente neste momento em que se debate a reforma da Previdência e a ampliação da idade mínima para aposentadoria para 65 anos. Ela lembra que o novo parâmetro manterá o brasileiro mais tempo no mercado de trabalho e assim numa carteira de saúde corporativa.

    — Não é simples de se fazer, pois está na lei e no Estatuto do Idoso. Mas acredito que diluir mais os reajustes seria uma das saídas para aliviar os gastos e, assim, permitir que o idoso continue pagando seu plano de saúde. Não adianta lutar contra o idoso. Todos seremos idosos. O que temos de fazer é buscar uma solução razoável — diz.

    Consultada, a ANS se limitou a informar as regras previstas de reajustes. No caso dos planos anteriores à lei 9.656/98, vale o que está no contrato. Para os posteriores à lei, é previsto reajuste anual por variação de custos, e também os por faixa etária, tanto para pessoas físicas ou jurídicas.

    Fonte: O Globo

    Planos de saúde são serviços almejados no Brasil. Segundo uma pesquisa de 2015 feita pelo Ibope a pedido do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), 74% dos brasileiros que não possuem plano de saúde gostariam de ter. Não é difícil entender essa aspiração: apesar de os planos só atenderem um quarto da população, a disponibilidade de médicos no setor privado é três vezes maior do que no SUS, que também sofre com a falta de especialistas e longas esperas para atendimento, marcação de consultas e de exames.

    Nos últimos dois anos, porém, o número de privilegiados com acesso aos planos de saúde no Brasil caiu em 2,8 milhões: de 50,4 milhões em dezembro de 2014 para 47,6 milhões em janeiro de 2017, segundo os dados mais recentes divulgados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

    “A contratação de plano de saúde está diretamente relacionada à empregabilidade formal e ao poder de compra do cidadão. Em um cenário econômico adverso, é natural que haja redução no número de beneficiários”, afirmou a agência, em nota.

     

    “Em um cenário econômico adverso, é natural que haja redução no número de beneficiários”
    ANS

     

    Do total de usuários, cerca de 66% têm planos coletivos empresariais e 13% têm planos coletivos por adesão (ligados a associações profissionais ou sindicatos), enquanto menos de 20% têm planos individuais ou familiares. Por isso o aumento do desemprego tem impacto direto no setor. Além disso, alguns usuários alegam alta dos preços e insatisfação com a qualidade dos planos como motivo de cancelamento do serviço.

    Como esses 2,8 milhões de brasileiros que perderam o plano de saúde estão cuidando da própria saúde?

    Uma parcela, composta por jovens saudáveis, simplesmente não deve precisar recorrer a serviços de saúde tão cedo. Há os que buscam readquirir o serviço imediatamente, mas encontram obstáculos na busca de planos individuais. Alguns decidem usar apenas serviços particulares e outros recorrem aos serviços públicos de saúde.

    Neste contexto, surgiram novos modelos de negócio em saúde, como clínicas que cobram preços populares por atendimentos, além de serviços que conectam pacientes e médicos (apelidados de “Uber da saúde”). Paralelamente, o Ministério da Saúde anunciou seu projeto “planos de saúde populares”– serviços que estariam disponíveis a preços mais baixos, mas com uma cobertura menor do que é exigida hoje pela ANS.

    O G1 conversou com pessoas que estão nessa situação para entender como suas vidas mudaram diante e como isso levou a mudanças nos serviços de saúde.

     

    Plano individual é categoria em extinção

     

    Para quem se vê de repente sem plano de saúde por perda de emprego ou aumento repentino do preço, mas faz questão de manter a segurança do plano, está cada vez mais difícil contratar um plano individual, desvinculado de empresas, associações profissionais ou sindicatos.

    É o caso da professora de inglês Gabriela Miranda, de 30 anos, que precisou cancelar seu plano devido a um reajuste no preço que fez a mensalidade pesar no bolso. Logo em seguida, passou a procurar uma alternativa com preço mais acessível, mas levou alguns meses até encontrar uma solução viável. “A gente fica de mãos atadas: ou acaba cedendo a uma rede de atendimento inferior ou o preço aumenta demais.”

    Gabriela Miranda cancelou o plano de saúde por causa do preço  (Foto: Arquivo pessoal)Gabriela Miranda cancelou o plano de saúde por causa do preço  (Foto: Arquivo pessoal)

    Gabriela Miranda cancelou o plano de saúde por causa do preço (Foto: Arquivo pessoal)

    O medo de Gabriela era que sua filha ficasse doente no período em que não estivesse coberta pelo plano. Hoje, ela contratou um novo plano em caráter temporário. Mas a ideia é que, no futuro, sua família consiga obter um plano de mais qualidade e preço mais acessível. Isso só será possível, segundo Gabriela, se a família aderir a um plano empresarial – não individual – vinculado ao cadastro de Microempreendedor Individual (MEI) de sua mãe.

     

    “A gente fica de mãos atadas: ou acaba cedendo a uma rede de atendimento inferior ou o preço aumenta demais.”
    Gabriela Miranda, professora de inglês

     

    A relações públicas Flavia Medici, de 28 anos, também decidiu cancelar seu plano depois de um aumento repentino da mensalidade. “Fui refletir sobre o assunto e o que contribuiu para a decisão foi que eu já não considerava a cobertura do plano boa.” Nesse período, ela pesquisou a fundo sobre outras opções de planos, fez planilhas de custo e teve de lidar com a dificuldade adicional: “Não dá mais para se filiar a um plano como pessoa física, tem que se vincular a uma associação”, conta. Como ela e o namorado já planejavam estabelecer uma união estável, resolveram formalizar a decisão e Flavia acabou tendo acesso ao plano de saúde dele.

    Por que isso acontece?

    Segundo o diretor-executivo da Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge), Antonio Carlos Abbatepaolo, as operadoras de saúde têm pouco interesse na criação de planos individuais, pois estes são submetidos a regras mais rígidas pela ANS, que determina o valor do reajuste dos planos. “O reajuste é menor do que seria necessário para equilibrar a carteira. O último reajuste foi de 13,57%. É um reajuste acima da inflação, mas a inflação médica bateu 19%”, diz Abbatepaolo.

    “As empresas estavam perdendo dinheiro, tendo prejuízo. A reação natural da operadora é cancelar o serviço. Se fosse em qualquer empresa – uma linha de produto achocolatado, por exemplo – se está dando prejuízo, não faz mais.” Hoje, menos de 20% dos usuários de plano de saúde têm planos individuais.

     

    “As empresas estavam perdendo dinheiro, tendo prejuízo. A reação natural da operadora é cancelar o serviço. Se fosse em qualquer empresa – uma linha de produto achocolatado, por exemplo – se está dando prejuízo, não faz mais.”
    Antonio Carlos Abbatepaolo, diretor da Abramge

     

    Por causa dessas dificuldades, muitas pessoas têm optado por criar microempresas de fachada para ter um CNPJ que permita a adesão a um plano coletivo empresarial ou têm se filiado a associações profissionais que não representam sua profissão real para conseguir um plano coletivo por adesão.

    Para o professor do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) Mário Scheffer, isso coloca o consumidor em uma posição extremamente frágil diante dos planos. “Isso é uma arapuca, uma armadilha porque os planos coletivos e empresariais não são alcançados pela lei mais rigorosa aplicada aos planos individuais, que limita reajuste de preço e estabelece regras sobre rescisão de contrato.”

    No caso de uma família de cinco pessoas que tem um plano empresarial ligado a uma microempresa, por exemplo, se um dos membros for acometido por um problema grave de saúde, a operadora poderá rescindir o contrato no ano seguinte ou aumentar a mensalidade em 500%, por exemplo. “Começa com um valor atraente, mas podem reajustar ou rescindir a qualquer momento”, diz Scheffer.

    Esteticista Regiane Medrado e sua família: esteticista cancelou peano de saúde por causa do preço e agora recorre ao SUS (Foto: Arquivo pessoal)Esteticista Regiane Medrado e sua família: esteticista cancelou peano de saúde por causa do preço e agora recorre ao SUS (Foto: Arquivo pessoal)

    Esteticista Regiane Medrado e sua família: esteticista cancelou peano de saúde por causa do preço e agora recorre ao SUS (Foto: Arquivo pessoal)

    Segundo a ANS, uma operadora de saúde não é obrigada a oferecer plano individual. “Essa é uma decisão estratégica de cada empresa. Entretanto, caso a operadora tenha planos individuais com comercialização ativa registrados na ANS, ela não poderá negar a venda aos consumidores”, explica.

    Abbatepaolo reconhece que a prática de abertura de empresas de fachada somente para adesão a plano empresarial existe, mas afirma que as operadoras de saúde não têm responsabilidade sobre isso. “Esse mercado não pode ser penalizado por causa desse tipo de fraude. Se há fraude, tem que ser combatido pelos órgãos competentes. Secretarias da Fazenda e juntas comerciais têm que averiguar.”

     

    Poupando o dinheiro do plano

     

    Em meio à insatisfação com os serviços oferecidos pelo plano de saúde, alguns optam por guardar o dinheiro da mensalidade do plano e usá-lo para pagar atendimentos em clínicas particulares. É o caso da empresária Rute Pogan Marquardt, de 33 anos.

    Rute pagava plano de saúde para a família havia vários anos. Quando ficou grávida, fez todo o acompanhamento pré-natal pelo plano. Ela queria um ter parto humanizado e acabou optando por um hospital público de Joinville, cidade onde mora, por ser uma instituição reconhecida por realizar um bom trabalho na área. “Fui bem atendida e atendeu às expectativas. Pedi para fazer o parto sem analgesia e eles atenderam certinho o pedido”, conta.

     

    “(No hospital público) fui bem atendida e atendeu às expectativas. Pedi para fazer o parto sem analgesia e eles atenderam certinho o pedido”
    Rute Marquardt, empresária

     

    O atendimento pediátrico à sua filha também foi feito pelo SUS durante o primeiro ano de idade. “O atendimento foi muito bom. Tinha plano, mas fazia por lá porque gostava mais.”

    A empresária já sentia que o investimento no plano de saúde não compensava. Mas a gota d’água foi quando precisou com urgência de um dermatologista para tratar uma coceira e o plano só tinha consultas disponíveis para três meses depois. Foi assim que Rute decidiu cancelar o plano e investir o valor no tesouro direto. Assim, ela guarda R$ 800 por mês. Sempre que precisa de atendimento médico, ou recorre ao SUS ou paga uma consulta particular e desconta o valor que usou da quantia que será aplicada no mês seguinte.

     

    SUS é opção universal

     

    Assim como Rute, a esteticista Regiane Medrado, de 36 anos, também considera o serviço do SUS superior ao privado em certos setores, como no atendimento às gestantes. “Mesmo quando tinha convênio do meu esposo, fiz todo o acompanhamento da gestação pelo SUS. Na parte de cuidado e prevenção para a mulher, o SUS tem uma qualidade muito boa, às vezes superior ao convênio.”

    Regiane teve de cancelar seu plano de saúde por causa do preço acima do que poderia pagar. “Hoje estou 100% dependente do SUS. No caso do meu filho, que é criança, procuro fazer todo o acompanhamento no posto de saúde, manter as vacinas em dia, os exames de rotina. Minha preocupação maior é se ocorrer alguma emergência, aí existe uma deficiência muito grande.”

    Mário Scheffer, da USP, observa que, atualmente, muitas pessoas que têm planos de saúde já procuram o SUS para vários tipos de atendimento, como para tratar HIV, câncer, fazer hemodiálise, transplante, cirurgias cardíacas de alta complexidade, entre outros. Com uma rede ainda mais limitada de atendimento pelo plano de saúde, como pode ocorrer no plano popular, a situação deve se intensificar.

    “Se houver uma política de incentivo ao crescimento do mercado privado que entrega pouco, com cobertura insuficiente, conjugado com a retração de financiamento do SUS nos próximos 20 anos, certamente vamos ter a maior crise sanitária do sistema de saúde desde que o SUS foi criado. É um caminho preocupante”, alerta Scheffer.

     

    Clínicas de preço popular e “Uber da saúde” se expandem

     

    Clínicas que oferecem atendimento médico a preços populares têm tido um crescimento expressivo nos últimos anos e empresários do setor afirmam que grande parte da clientela é composta por pessoas que deixaram de ter plano de saúde.

    Thomaz Srougi, CEO e fundador da rede de centros médicos Dr. Consulta afirma que 80% dos clientes da rede não têm planos de saúde. “A gente está recebendo pessoas que perderam o plano porque nossos centros concentram muitos recursos de saúde: não só consulta, mas também exames de laboratório, de imagem e procedimento de baixa complexidade”, diz.

    Srougi diz que uma das missões da rede é “aliviar a insegurança emocional” de estar desprotegido, sem o amparo de um plano de saúde. Inaugurada em 2011 com uma única unidade em Heliópolis, a clínica hoje tem 28 unidades e fez cerca de 90 mil atendimentos em dezembro. Ele afirma que a ideia é que o paciente seja acompanhado de perto pelos profissionais da clínica “como se fosse o acompanhamento que o médico da família dava aos nossos pais antigamente”.

    Rede de clínicas Dr. Agora tem unidade na Sé (Foto: Divulgação)Rede de clínicas Dr. Agora tem unidade na Sé (Foto: Divulgação)

    Rede de clínicas Dr. Agora tem unidade na Sé (Foto: Divulgação)

    A rede de clinicas Dr. Agora também tem recebido pessoas que ficaram órfãs do plano de saúde e esse público específico tem crescido cerca de 30% a cada mês, de acordo com Guilherme Berardo, CEO da rede.

    As clínicas têm perfis diferentes: enquanto o Dr. Consulta oferece consultas agendadas com especialistas, além de exames e procedimentos simples, o Dr. Agora oferece consultas sem agendamento apenas com clínicos gerais.

    A jornalista Gabriela Fernandes, de 30 anos, experimentou o atendimento do Dr. Consulta pela primeira vez no ano passado. Sem plano de saúde há bastante tempo, ela costuma recorrer ao SUS para tratamentos, mas estava cansada das longas esperas para agendar consultas. Passou em frente a uma clínica e resolveu fazer um agendamento já para o dia seguinte. “Passei tudo para a médica e ela realmente teve a preocupação de entender o que eu tinha. A consulta demorou 40 minutos e ela pediu os exames necessários.”

    Mamografia é realizada em unidade da rede Dr. Consulta (Foto: Divulgação)Mamografia é realizada em unidade da rede Dr. Consulta (Foto: Divulgação)

    Mamografia é realizada em unidade da rede Dr. Consulta (Foto: Divulgação)

    Gabriela teve de pagar pelos exames em um serviço particular, mas considera que a agilidade no atendimento valeu a pena. “É algo que estou indicando para pessoas que tem uma urgência e não têm como esperar pelo SUS. O preço é bom, o atendimento é rápido e tive boas referências. ”

    Agendamento popular

    Outros serviços que têm surgido recentemente são aqueles que conectam pacientes com médicos para consultas a preços populares, que vêm sendo chamados de “Uber da saúde”. É o caso do SOS Consulta. Trata-se de uma plataforma online em que clínicas particulares previamente cadastradas disponibilizam horários para consultas e exames a preços mais baixos. O paciente faz o agendamento online e paga diretamente pelo site ou por boleto bancário.

    Segundo o empresário Rogerio Aleixo, CEO do SOS Consulta, as clínicas passam por uma avaliação prévia antes de serem cadastradas, o que deve garantir uma qualidade de atendimento. Só em São Paulo, já existem mais de 100 clínicas cadastradas.

    “O pessoal que perdeu o plano de saúde está tendo que migrar para outras alternativas. É um sistema seguro. Controlamos tudo. Se alguém perdeu o plano e quer uma consulta, nós somos uma opção acessível”, afirm Aleixo.

    Limitações

    Consultório de atendimento da rede Dr. Agora (Foto: Divulgação)Consultório de atendimento da rede Dr. Agora (Foto: Divulgação)

    Consultório de atendimento da rede Dr. Agora (Foto: Divulgação)

    O que esses serviços têm em comum é que ambos se posicionam como uma alternativa ao plano de saúde em atendimentos de baixa e média complexidade. Porém os serviços não conseguiram resolver de forma satisfatória um problema: como fazer a transição desses pacientes para outros serviços quando eles necessitam de um tratamento de alta complexidade.

    Pacientes diagnosticados em um desses serviços que pretendam continuar o tratamento no SUS têm de “voltar ao início da fila”: ou seja, passar por atendimento em uma unidade básica de saúde para ser encaminhado para um especialista, agendar consulta e só então ter acesso a um serviço especializado.

     

    “Como essas clínicas não encaminham para nenhum serviço, a pessoa vai ter dificuldade e vai voltar a peregrinar pelo SUS ou procurar um plano de saúde”
    Prof. Mario Scheffer, FMUSP

     

    “Atualmente não é possível formalizar uma parceria com o sistema público. O que acaba acontecendo é que, quando o paciente já chega no sistema público com um diagnóstico, ele pode conseguir alcançar o tratamento de forma mais rápida, ainda que isso não seja formalizado”, diz Srougi. Berardo afirma que isso é realmente um problema e que a ambição do Dr. Agora é poder referenciar pacientes para o SUS.

    Outra limitação desses modelos de clínicas é que elas não atendem urgências e emergências.

    Para Scheffer, esse é um modelo de negócio que cresce muito atualmente, pois preenche uma lacuna importante do SUS que é o atendimento de especialidades. “Mas preenche com muita limitação, pois o paciente não vai ter condição de arcar com o seguimento daquele problema de saúde” caso o problema seja de alta complexidade. “Como essas clínicas não encaminham para nenhum serviço, a pessoa vai ter dificuldade e vai voltar a peregrinar pelo SUS ou procurar um plano de saúde.”

    Fonte: G1

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    TORUSTHÁ

    TORUSTHÁ

    CHOCUREI

    SEI HE KI

    HON SHA ZE SHO NEN

    DAI KO MYO

    KARUNA

    Fonte: Youtube

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